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A síndrome do impostor e a sombra do sucesso

O propósito deste artigo é provocar uma reflexão sobre um termo já estudado há algum tempo, mas que vem tomando mais espaço principalmente no mundo trabalho: A Síndrome do Impostor. Este fenômeno fala sobre as pessoas que apesar de atingirem reconhecimento, prestígio e sucesso se veem como impostoras, como uma fraude, não sentindo-se merecedoras de tamanho reconhecimento. Como a psicologia analítica pode contribuir para o entendimento deste sentimento? O quanto esta sensação de ser uma fraude, está relacionado com aspectos negados e, portanto, sombrios da personalidade destas pessoas? O quanto o nosso modelo atual de trabalho contribuiu para isto? Estas são provocações para ampliarmos a visão deste fenômeno sobre a ótica da psicologia de Carl Gustav Jung.

O propósito deste artigo é provocar uma reflexão sobre um termo já estudado há algum tempo, mas que vem tomando mais espaço principalmente no mundo trabalho: A Síndrome do Impostor. Este fenômeno fala sobre as pessoas que apesar de atingirem reconhecimento, prestígio e sucesso se veem como impostoras, como uma fraude, não sentindo-se merecedoras de tamanho reconhecimento. Como a psicologia analítica pode contribuir para o entendimento deste sentimento? O quanto esta sensação de ser uma fraude, está relacionado com aspectos negados e, portanto, sombrios da personalidade destas pessoas? O quanto o nosso modelo atual de trabalho contribuiu para isto? Estas são provocações para ampliarmos a visão deste fenômeno sobre a ótica da psicologia de Carl Gustav Jung.

O presente artigo propõe uma reflexão, à luz da psicologia analítica, acerca da Síndrome do Impostor e a sombra do sucesso.

POEMA

A poesia está guardada nas palavras – é tudo que

eu sei.

Meu fado é o de não saber quase tudo.

Sobre o nada eu tenho profundidades.

Não tenho conexão com a realidade.

Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.

Para mim poderoso é aquele que descobre as

insignificâncias (do mundo e as nossas).

Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.

Fiquei emocionado e chorei.

Sou fraco para elogios.

Manuel de Barros

Quem nunca se sentiu incompetente, incapaz ou não merecedor de um reconhecimento recebido?

Este tipo de sentimento tem se tornado bastante comum nos últimos tempos. O perceber-se como uma fraude é sentido em diversas fases e aspectos da vida: mulheres que trabalham fora e fazem a chamada jornada dupla, jovens estudantes, artistas, cientistas e pessoas reconhecidamente capazes por feitos grandiosos em suas áreas de atuação. Há um vasto campo de percepção deste fenômeno, e o intuito deste artigo é focar nos aspectos ligados ao mercado de trabalho e à carreira das pessoas que passam por esta situação.

O repórter Bruno Vaiano da revista Você S/A, na edição de maio/23, escreveu uma matéria sobre a Síndrome de Impostor, onde comenta que “o fenômeno consiste na sensação crônica, recorrente, de que você não fez por merecer o cargo que ocupa, o salário que ganha o diploma que tem ou outras conquistas.” (VAIANO, 2023, p. 38).

A chamada Síndrome de Impostor foi um termo criado em 1978 pelas psicólogas Pauline R. Clance e Suzane A. Imes, em uma pesquisa com 150 mulheres, intitulada “O fenômeno da impostura em mulheres de grande sucesso: dinâmica e intervenção terapêutica”. Elas descrevem o quadro como “uma experiência interna de fraude intelectual, apesar das qualificações alcançadas, das honras acadêmicas e dos altos resultados em testes padronizados, do reconhecimento de elogios profissionais por parte de colegas e respeitadas autoridades… Elas não têm a sensação íntima do sucesso considerando-se impostoras” (MANN, 2021, p. 13). As autoras comentam que o sucesso alcançado, é atribuído há erros nos processos seletivos e por terem suas capacidades superestimadas.

Sobre a Síndrome do Impostor

O que se sabe sobre o tema? Apesar da pesquisa inicial datar de 1978, este tema vem se popularizando desde 2010, por meio das redes sociais, onde pessoas famosas, consideradas ícones em suas áreas,  passaram a compartilhar mais as suas vidas e rotinas e a relatar que sofrem desta percepção de que são uma fraude. Houve, a partir de 2013, uma crescente de publicações e estudos acadêmicos sobre o tema, mas nada ainda muito profundo e esclarecedor.

O que temos até o momento são associações com as gerações – pessoas nascidas entre 1980 e 1999, os millenials. Há também uma associação deste fenômeno com o crescente número de aumento de casos de depressão, stress e ansiedade gerados pelas cobranças do mundo do trabalho e pelo modelo atual de vida em nossa sociedade.

Segundo Clance e Imes, há uma incidência equivalente entre homens e mulheres. Contudo, na matéria publicada por Bruno Vaiano, ele comenta que estudos mais recentes apontando para uma prevalência maior entre mulheres do que homens, “e outros grupos que sofrem discriminação no mercado de trabalho e no mundo acadêmico, como minorias étnico-raciais.” (VAIANO, 2023, p. 33)

Síndrome ou Fenômeno?

Há uma questão sobre o tema que é relevante ressaltar: Apesar de ter sido inicialmente denominado como “síndrome” este não se classifica como doença ou distúrbio mental. Por isso, as autoras do estudo preferiram chamá-lo de “fenômeno”, uma vez que ‘condição’ e ‘síndrome’ sugerem doença mental, ao passo que a experiência da impostura é na verdade muito mais pedestre do que isso, muito mais comum. Algo que, segundo Clance, ‘quase todo mundo enfrenta’ (MANN, 2021, p. 13).

Vaiano concorda com esta posição e acrescenta que se você é de fato tratado como impostor, uma vez que condições sociais e econômicas favorecem este processo, isto não pode ser visto como uma doença individual, mas sim como um sintoma gerado por posição e valores sociais doentios.

O autor da matéria aponta ainda para o risco de distorções sobre o tema devido ao uso do termo de forma vulgar e fora do contexto, ocasionando a banalização do conceito e o distanciando do momento socioeconômico que estamos vivendo.

Mann (2021) nos remete para fatores relacionados ao fenômeno da impostura, tendo o núcleo familiar um destaque central neste processo, sendo este o lugar  onde a criança tem suas primeiras experiências de compensação e reconhecimento. Dentre as dinâmicas familiares citadas pela autora, temos a condição da criança prodígio – aquela que gera uma alta expectativa sobre seus pais e educadores, não podendo falhar nunca, de modo que em seus primeiros fracassos ou erros aparecem os sentimentos de impostura: ela não é tão boa assim.

Uma outra dinâmica possível, trata de um contexto em que há um filho que se destaca mais, tornando o sucesso inalcançável para os outros.

Neste caso, quando o filho menos prodigioso tem sucesso, ele acredita ser por algum infortúnio e não por mérito. Estes sentimentos vão se consolidando ao longo do crescimento, na escola, nos esportes, nos grupos de convívio e reproduzidos depois no mundo adulto, em seus futuros trabalhos.

Assim também se dá com as minorias, que por preconceito e discriminações das mais diversas, são menos favorecidas e não reconhecidas socialmente por razões como: deficiências, classe social, etnia, gênero. Em todos os casos, o sucesso não é compreendido como resultado de um talento e há um sentimento recorrente de ser uma farsa. Um comportamento comum presente nestas pessoas é a sabotagem: costumam diminuir o valor de seu alcance, ou diminuem a complexidade daquilo que fizeram. Desenvolvem atitudes como: medo de errar, não aceitam não saber tudo, não podem aceitar ajuda. Tudo isso de alguma forma pode fazer com que seu sucesso seja desmerecido.

Os meios sociais são fonte de grande sofrimento para estas pessoas. Pois trazem modelos e influências de pessoas de grande sucesso, que pela manobra das mídias não demonstram o quanto tiveram de dificuldades para chegar a determinadas posições. Como o impostor busca referências externas para justificar e sabotar seu sucesso, as comparações são inevitáveis. O resultado deste processo são pessoas sofrendo de medos difusos, ansiedade, stress e até mesmo depressão.

Compreendendo o Fenômeno do Impostor à luz da psicologia analítica

Nos relatos sobre o fenômeno da impostura, é comum que a pessoa se refira ao alcance daquele resultado, como se fosse um feito de “um outro nele”, – ou seja, alguém que ele não reconhece sendo ele próprio; ou mesmo um outro externo – a pessoa atribui o resultado a um mentor, ou um possível herói nas suas histórias – ‘o mérito desta conquista é de fulano’. Analisando estas questões sob a ótica da psicologia analítica, temos aqui a manifestação psíquica de componentes bastante estudados neste campo: a sombra e o mecanismo de projeção.

A sombra aparece aqui como um contraponto da persona. Esta atua junto à consciência individual para que o indivíduo possa se adaptar, da maneira mais adequada que conseguir, ao seu meio social. No trabalho, os papéis a que somos chamados a realizar dá à nossa persona o tom necessário para que esta adaptação ocorra.

O ponto é que para que não haja uma rejeição, o ego quando usa de muita racionalidade e é capturado pelos apelos do mundo externo, adota uma postura rígida e afasta da consciência possíveis interferências à pseudo estabilidade que atingiu respondendo de maneira literal e racional às demandas do ambiente.

Projeção da sombra

A sombra toma uma proporção equivalente à atitude egóica e se afasta da função consciente, podendo dominar o complexo do ego, e deixar o indivíduo em uma situação de grande fragilidade (apesar da aparente superioridade provocada pela atuação da persona e a inflação do ego) e estará formado um canal propicio para o surgimento dos sentimentos de impostura, como também para demais sintomas e doenças das mais variadas espécies.

O fato é que a sombra precisa se manifestar e, neste caso, a projeção é um recurso para que esta manifestação aconteça. A projeção é um mecanismo natural do nosso psiquismo, até que não tenhamos consciência dos nossos conteúdos inconscientes. A questão é quando este processo projetivo nos tira a oportunidade de ampliarmos nosso autoconhecimento, para reconhecer e integrar aspectos sombrios.

Daí, ele se transforma em um mecanismo neurótico, Whitmont (1999) nos diz:

Quando ocorre uma projeção de sombra, não somos capazes de diferenciar entre a realidade da outra pessoa e nossos próprios complexos. Não conseguimos distinguir entre fato e fantasia. Não conseguimos ver onde começamos e onde o outro termina. Não conseguimos ver o outro; nem a nós mesmos.

(WHITMONT, 1999, p. 37)

É sabido que vivemos em uma sociedade onde o trabalho cobra cada vez mais resultados de alta performance e lidar com fracassos e frustrações torna-se bastante complicado. Questões como: realização pessoal, felicidade, pensamento positivo, são mandatórios e qualquer circunstância que retire a pessoa deste lugar idealizado, deve ser veementemente refutada. Ou seja, vivemos uma polarização, com um racionalismo contundente sobre como devemos viver a vida. Neste contexto, o homem então se distancia da sua natureza dual e, consequentemente, da possibilidade de viver uma relação sadia com suas manifestações inconscientes.

Em A natureza da psique, Jung traz a seguinte fala:

[…] Se o indivíduo estiver suficientemente preparado, a passagem para uma atividade profissional pode efetuar-se de maneira suave. Mas se ele se agarra a ilusões que colidem com a realidade, certamente surgirão problemas. Ninguém pode avançar na vida sem apoiar-se em determinados pressupostos.

Às vezes estes pressupostos são falsos, isto é, não se coadunam com as condições externas com as quais o indivíduo se depara. Muitas vezes, são expectativas exageradas, subestima das dificuldades externas, injustificado otimismo ou uma atitude negativista. Poderíamos mesmo organizar toda uma lista de falsos pressupostos que provocam os primeiros problemas conscientes.

(JUNG, 2000, § 761)

Como dito por Jung, nossos pressupostos são falsos.

São guiados hoje por um materialismo que nos afasta do nosso sentido de vida e do que James Hillman denominou de daimon, ou fruto do carvalho – que é o nosso vir a ser. Vivemos mecanicamente buscando respostas em um contexto externo confuso, raso, inconstante, incessantemente cansativo e sem sentido. Na fala de Hillman:

Vivemos em meio a uma multidão de invisíveis que nos governam: Valores Familiares, Autodesenvolvimento, Relações Humanas, Felicidade Pessoal, e ainda um conjunto de figuras míticas mais impiedosas chamadas Controle, Sucesso, Custo-benefício e (o invisível maior e mais presente) a Economia.

Estivéssemos nós na Florença do Renascimento, na Roma ou na Atenas da Antiguidade, nossos invisíveis dominantes seriam estátuas e altares, ou pelo menos pinturas, como os invisíveis florentinos, romanos e atenienses chamados Fortuna, Esperança, Amizade, Graça, Modéstia, Persuasão, Fama, Feiura, Esquecimento… Mas nossa tarefa aqui não é reconstituir todos os invisíveis, mas sim distingui-los, prestando atenção àquele que já foi chamado de seu daimon ou gênio, às vezes de sua alma ou sorte, e agora de seu fruto do carvalho.

(HILLMAN, 1997, p. 107)

O citado autor complementa esta visão com a provocação de que a realidade psíquica faz parte deste universo invisível, mas que é ignorada. “Está em tudo, embora continuemos insistindo em dizer que é invisível” (HILLMAN, 1997, p. 109).

Nestas circunstâncias, seguimos criando e alimentando na sombra um monstro, pronto para apertar o botão vermelho a qualquer momento, o que na realidade psíquica poderá sim, nos destruir. Esta farsa sentida pelo impostor pode ser compreendida, portanto, como a falta de espaço e de legitimidade que a sombra possui de se integrar à função consciente como parte do processo de realização e também dos resultados e conquistas.

Na dinâmica unilateral esquecemos que a dualidade faz parte da natureza humana e, por isso, a tememos.

Todo sucesso contém o fracasso. A aniquilação do fracasso como uma possibilidade, faz com que o ego se defenda, desenvolvendo uma série de sintomatologias e de comportamentos que já foram acima citados. Cada vez mais o processo de inflação egóica se estabelece e faz com que os nossos próprios processos inconscientes sejam estranhos a nós mesmos.

Daí a farsa, a sabotagem, a falta de segurança e de conhecimento de nossos próprios talentos, bem como a projeção de nossas capacidades em heróis externos para “culpar” por nossos resultados e realizações. Neste contexto, pode se estabelecer um paradoxo, onde trabalho e carreira correm o risco de torna-se polaridades, a sombra um do outro.

O que fazer com tudo isso?

Pelo que vimos até aqui, um resultado individual, comprovado por feitos significativos e validado por profissionais de referência, são percebidos por seu idealizador como fraude, sorte, ou interferência externa. Algo que tem tudo para ser bom é visto e sentido com angustiante e negativo. Falando até certo ponto de modo simplista – pelo entendimento da psicologia analítica – é o resultado de uma projeção de sombra, por uma visão turva de si mesmo, que não considera erros, fracassos e frustrações como parte do processo de alcance de sucesso.

No caso, certamente há caminhos possíveis para que o indivíduo possa lidar com estes sentimentos de forma mais propositiva. Um dos passos importantes é reconhecer que persona, com sua função social não sintetiza quem somos. A identificação com a persona, assumindo-a como a própria individualidade, faz com que o ego deixe de lado outros aspectos importantes da personalidade total ocasionando assim, uma inflação do ego, sendo dado a este um valor superdimensionado.

Jung aponta para o risco desta identificação:

O cargo que ocupo representa certamente minha atividade particular; mas é também um fator coletivo, historicamente condicionado pela cooperação de muitos e cuja dignidade depende da aprovação coletiva. Portanto, se identificar-me com meu cargo ou título, comportar-me-ei como se fosse o conjunto complexo de fatores sociais que tal cargo representa, ou como se eu não fosse apenas o detentor do cargo, mas também, simultaneamente, a aprovação da sociedade. Dessa forma me expando exageradamente, usurpando qualidades que não são minhas, mas estão fora de mim. “L’état, c’est moi”, é o lema de tais pessoas.

(JUNG, 2016, § 227)

Diante desta fala, entende-se que não há espaço para ser alguém falível e surge o seguinte paradoxo: por meio da inflação do ego a unilateralidade vivenciada pelo indivíduo fragiliza a possibilidade de acesso aos conteúdos sombrios, que estão no centro do complexo afetivo.  Para lidar com as manifestações dos complexos é necessário que haja uma possibilidade de simbolizar, de entender o que esta manifestação está apresentando para a consciência que o ego não permite ver. 

Em resumo, o ego quando se coloca em uma condição de unidade e superioridade numa tentativa de controle e domínio da situação ele infla e se fragiliza, deixando espaço para ser “derrotado” pela sombra, que esta mesma condição de inflação formou no inconsciente. O que parecia força vira fraqueza. “Sucesso” se transforma em “fracasso” – o impostor assume o comando.

Uma outra forma de olhar para o fenômeno da impostura é pensar que esta figura do impostor pode estar na sombra, ocultando ou reprimindo um potencial e até mesmo o destino vocacional, que as pessoas teimam em buscar no ambiente externo, que é tão sedutor e que desequilibra a possibilidade de conversa entre as instâncias consciente e inconsciente. Desse modo, este sentimento de fraude pode estar dizendo muito mais do que sobre um simples resultado de um trabalho ou um reconhecimento que não parece legítimo.

É vital se aproximar desta porção fraude da personalidade e entender o que não é genuíno.

Esta reflexão poderá gerar possíveis respostas para os males e reveses impostos pela contradição criada pelas polaridades: sombra / persona; trabalho (mundo externo de realizações por meio de obrigações e sanções) / carreira, (mundo interno de realizações por meio do atendimento da alma e do chamado). O espaço que esta polaridade cria, passa a ser um desafio, um teste de resistência para o indivíduo, que quanto mais se apega à realidade para tentar compreender e escapar da angústia que esta gera, mais cresce a sombra e o embate.

Para Hillman, ouvir esta voz interna e responder de forma adequada a ela fala sobre o caráter do indivíduo. Não que seja uma missão simples ou fácil, mas é, sem dúvidas, necessária.

A vocação torna-se uma vocação para a vida, em vez de ser imaginada em conflito com a vida. Vocação para a honestidade em vez de para o sucesso, para o amor e o acasalamento, para servir e lutar para viver. Esta perspectiva oferece uma revisão da vocação não apenas na vida das mulheres ou no enfoque das mulheres. Oferece outra ideia de vocação, na qual a vida é o trabalho […] enquanto considerarmos as pessoas em termos de aquisição de poder ou experiência, não vemos seu caráter. Nossa lente foi preparada de acordo com uma receita média que é ideal para localizar o que não se enquadra no padrão.

(HILMANN, 1997, p.274)

Para concluir a reflexão proposta neste artigo, penso que a carreira é um dos caminhos que temos para a realização e o desenvolvimento de nossa personalidade e de nosso estar no mundo. Por meio de nossa realização profissional podemos deixar nossa marca e nossa assinatura, conhecemos e nos tornamos conhecidos. Será que quem nos vê, vê o que pensamos que somos? A fraude está na realização ou na jornada? Ao não dar a devida atenção a isto, que padrão coletivo estamos perpetuando? Quanto mais próximos de nossa “invisível” realidade psíquica estivermos, mais legitimo será este caminho. Concluo com mais algumas palavras provocativas de Hillman:

Quem pode determinar onde o fruto do carvalho aprende mais ou onde a alma põe você à prova? […] Haverá o daimon de querer o caminho que escolhemos? […]  Se o sucesso no teste pode ser uma confirmação, a reprovação pode ser a maneira como o daimon nos mostra que estávamos no rumo errado. (HILMANN, 1997, p. 117)

Analista em Formação – Gilmara Marques Fadim Alves

Analista Didata – Maria Cristina Mariante Guarnieri

Palavras-chave: síndrome, impostor, impostura, fraude, fracasso, farsa, fenômeno, sucesso, psicologia analítica, trabalho, carreira, Jung, Hillman.

Referências Bibliográficas:

  1. HILLMAN, J. O código do ser. Uma busca do caráter e da vocação pessoal. 2ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997.
  2. JUNG, C. G.  O eu e o inconsciente. 27ª ed. Vol. VII/2. Petrópolis: Vozes, (1934) 2016.
  3. JUNG, C. G.  A natureza da Psique. 5ª ed. Vol. VIII/2. Petrópolis: Vozes, (1971) 2000.
  4. MANN, S. A Síndrome do Impostor. Como entender e superar esta insegurança. 1ª ed. Petrópolis: Vozes, Nobilis. 2021
  5. VAIANO, B. Síndrome do impostor. In: Revista Você S/A. Ed. Maio/2023. São Paulo. Editora Abril.
  6. WHITMONT, E. C. A evolução da sombra. In: ZWEIG,C & ABRAMS, J. (orgs.). Ao encontro da sombra. São Paulo: Cultrix, 1999

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