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	<title>Dayse Raphael, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Dayse Raphael, Autor em Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Ser Avó &#8211; O Exercício do Presente Carregado de Vários Passados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dayse Raphael]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 17:59:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desenvolvimento da personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Parentalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[avó]]></category>
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		<category><![CDATA[velho sábio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As avós trazem em si algo que as diferem das demais mulheres, e lhes concede habilidade para o acolhimento, aconselhamento, transmissão dos saberes ancestrais, e tudo isso com temperos que atravessaram os tempos nos chás, sopas, conversas com o tempo acontecendo em um compasso mais lento, mas assertividade garantida.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong>: As avós trazem em si algo que as diferem das demais mulheres, e lhes concede habilidade para o acolhimento, aconselhamento, transmissão dos saberes ancestrais, e tudo isso com temperos que atravessaram os tempos nos chás, sopas, conversas com o tempo acontecendo em um compasso mais lento, mas assertividade garantida.</p>



<h2 id="h-introducao" class="wp-block-heading">INTRODUÇÃO</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Era um momento de curso de Desenvolvimento da Personalidade, em que se falava didaticamente sobre o desenvolvimento do ego e suas fases. A professora do curso começou a exemplificar a teoria com o desenvolvimento dos netos. O tempo tomou outra dimensão, e começou a passar mais lentamente, respeitando o prazer do relato daquela que alinhavava conhecimento técnico com a felicidade de ser avó. Aconteceu algo mágico, naquele momento, todo seu corpo se iluminava. Através da tela, eu que já a conhecia, fui apresentada a uma pessoa belíssima, de olhos brilhantes, de fala cheia de vida, de movimentos livres, que falava dos netos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fiquei pensando sobre o que ocorre na nossa mente quando evocamos esses seres tão especiais? O que faz deles serem tão especiais? Como lembrar deles ou de suas peripécias faz as vovós sorrirem sozinhas?</p>



<h2 id="h-persona-da-avo" class="wp-block-heading">PERSONA DA AVÓ</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, toda avó é essencialmente uma mãe, que de acordo com o arquétipo Materno acionado pode ter aspectos negativos e positivos (nutridora, protetora, mas também controladora e devoradora). Do ponto de vista da Persona, maneira social de desempenhar o papel materno ou de avó, pode apresentar inúmeras máscaras diante do mundo: a avó sábia, a matriarca da família, dentre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Persona da avó é uma das várias facetas que é mais adequada àquele momento de interação com o ambiente externo no qual se encontra. E há uma grande facilidade de usufruir desta Persona pelo acolhimento social dado a avó, representando um complexo de emoções acolhedoras e ao mesmo tempo de sabedoria trazida da ancestralidade.&nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A professora e avó quando, transbordando felicidade, se refere aos netos no decorrer de uma aula, lembrando que as filhas tinham comportamento semelhante a eles, está usufruindo das emoções maternais em paralelo ao raciocínio lógico, e do prazer especial de reviver o tempo infantil das próprias filhas.</p>



<h2 id="h-arquetipo-do-velho-sabio" class="wp-block-heading">ARQUÉTIPO DO VELHO SÁBIO</h2>



<h2 id="h-o-velho-sabio-e-um-arquetipo-que-contempla-tanto-homens-quanto-mulheres-e-pode-aparecer-nelas-como-o-animus-positivo-uma-forca-auxiliadora-e-escondida-de-sabedoria-que-transforma-e-cria-cf-hopcke-2024-p-136" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O Velho Sábio é um arquétipo que contempla tanto homens quanto mulheres, e pode aparecer nelas como o Animus positivo, uma força auxiliadora e escondida de sabedoria, que transforma e cria. (Cf. HOPCKE, 2024, p. 136)</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ser avó é um exercício do princípio Feminino ampliado a partir daquele de ser mãe, porque exige mais experiência e resiliência. Atravessando o tempo e caminhando sobre obstáculos inusitados, aprendendo caminhos alternativos, ressignificando experiências dolorosas, valorizando a sabedoria dos que lhe precederam, fortalecendo-se para quando os complexos do medo e da insuficiência surgirem, a avó possa convidá-los para partilhar da jornada e seguir em frente integrando os mesmos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Para Jung o Velho representa, por um lado, o saber, o conhecimento, a reflexão, a sabedoria, a inteligência e a intuição e, por outro, também qualidades morais como benevolência e solicitude, as quais tornam seu caráter “espiritual”. Uma vez que o arquétipo é um conteúdo autônomo do inconsciente[&#8230;] (OC 9/1, §406).</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-aqui-ele-nos-convida-a-refletir-sobre-o-velho-como-o-espirito-que-aparece-nos-contos-de-fadas-quando-o-heroi-esta-em-situacao-desafiadora-e-ele-se-apresenta-para-acolher-e-orientar" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Aqui ele nos convida a refletir sobre o Velho como o espírito que aparece nos contos de fadas quando o herói está em situação desafiadora, e ele se apresenta para acolher e orientar.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">No cotidiano quantas são às vezes que as avós são evocadas, mesmo que somente à memória para aliviar uma tensão ou para imaginar o que elas diriam ou fariam numa determinada situação, para  encontrar as melhores saídas?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A avó se relaciona com os netos de forma salutar, quando reconhece que neles está um condensado de inúmeros anos da sua própria história. Neles há a representação de sua origem étnica, das expressões de religiosidade, dos prazeres alimentares, das formas de interagir com o mundo de maneira peculiar a ambos. Justificando o reconhecimento de semelhanças entre os netos e os que lhe precederam, como também entre traços de comportamentos dos netos e aqueles feitos pelas filhas; como foi exemplificado em aula.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a avó professora exemplifica assuntos técnicos através de experiências afetivas com os netos, ela demonstra que as informações se transformam em conhecimento quando são vivenciadas na prática, e que quando temperadas com amor e carinho este processo é muito mais prazeroso e suave; sendo inclusive muito mais fácil de fixar.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Ser uma grande avó significa ensinar os caminhos do amor e da compreensão aos mais novos&#8230; porque os conselhos e advertências da avó com frequência podem ajudar a impedir deslizes dos mais jovens; e, caso não tornem os mais jovens de imediato mais sábios, conseguem ajudar a extrair sentido daqueles deslizes quando resultam em desnorteamento ou tristeza. (ESTÉS, 2023, p.58)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-estar-com-os-netos-e-viver-a-oportunidade-de-acolher-suas-dificuldades-permite-a-avo-o-exercicio-de-todo-seu-conhecimento-acumulado-alem-de-demonstrar-na-pratica-que-o-caminho-do-amor-e-da-compaixao-pode-ser-trilhado-com-suavidade-e-firmeza" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Estar com os netos e viver a oportunidade de acolher suas dificuldades permite a avó o exercício de todo seu conhecimento acumulado, além de demonstrar na prática que o caminho do amor e da compaixão pode ser trilhado com suavidade e firmeza.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“A avó aparece como uma figura arquetípica ancestral, representando o feminino profundo, a sabedoria encarnada, a hospitalidade da alma.”</em> <em>(MARTINEZ, 2025)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Este princípio Feminino profundo é acionado no acolhimento daquele bebê que precisa de amparo para se manter sentadinho e com apoio para a pesada cabeça, ensinando que muitas outras oportunidades virão em que a avó estará próxima para sustentá-lo no braço, assim como para facilitar a experimentação dos alimentos, abrindo um mundo de possibilidades de sabores e texturas, também ensinando que os relacionamentos são feitos com pessoas de diversos perfis, e que se não for muito satisfatória essa experiência relacional, a vovó estará atenta para ceder o ombro, ouvidos e carinho para que as emoções pulsantes possam escorrer seguras.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>As ferramentas mágicas que a avó arquetípica usa para a transformação não muda há milhares de anos. A mesa da cozinha. A luz do lampião. Uma única vela. A música. O ritual. O insight. A intuição. A sopa. O chá. A história. A conversa. O longo passeio. A confissão. A mão amorosa. O sorriso brincalhão. A sensualidade bem resolvida. O senso de humor malicioso. A capacidade de examinar os outros e ler sua alma. A palavra gentil. O provérbio. O coração atento. A perspicácia para, quando necessário, proporcionar aos outros a experiência angustiante do “olhar”.” (ESTÉS, 2023, pp. 58 e 59).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">É impossível não relacionar de imediato as “ferramentas mágicas” citadas acima que nossas avós, e outras que conhecemos, usavam para acalmar nosso coração que se despedaçou nas primeiras experiências amorosas, ou nas dúvidas diante das escolhas profissionais, quando perdemos o primeiro emprego, ou quando as coisas não saíram exatamente como planejamos. Eram chás, doces, comidinhas especiais que só elas sabiam fazer, e conversas com o tempo que passava mais devagar para que coubesse toda a nossa angústia e o acolhimento delas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo hoje, sinto dificuldade em conceituar o sentimento que ocorria quando chegava à casa da minha avó e atravessava o seu portal; era como atravessar o portal do tempo: a luz era diferente, o som da casa ecoava de forma única, as plantas eram mais simples e bonitas, e sempre a encontrava me esperando para passarmos o dia juntas. Havia doce de leite feito para me esperar, sendo aquele que mais gosto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando Jung diz que há “Três aspectos essenciais de mãe, isto é, sua bondade nutritiva e dispensadora de cuidados, sua emocionalidade orgástica e a sua obscuridade subterrânea” (OC 9/1, §158), creio que ele está se referindo a essa generosidade e permissão para sentir a emoção que aflora, para praticar o acolhimento sem que haja limite de tempo ou motivação, semelhante ao cuidado necessário a uma planta tão sensível como a avenca. Ela exige receber água, calor, claridade, vento, mas nada pode ser em excesso, nada pode ser escasso, senão ela morre. Quanto a obscuridade e subterrânea, é possível que sejam as pedras e tropeços que foram imperiosos e superados no caminhar para chegar ao destino, e suas representações simbólicas quando as mães, que se tornam avós, aludem nas conversas sobre suas trajetórias.</p>



<h2 id="h-ser-avo-e-participar-de-uma-faixa-da-humanidade-que-agrega-a-ancestralidade-e-a-possibilidade-de-transmitir-tudo-que-ela-representa-envolvendo-sentimentos-lembrancas-e-emocoes-que-a-moldaram-e-a-trouxeram-ate-o-hoje" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Ser avó é participar de uma faixa da humanidade que agrega a ancestralidade e a possibilidade de transmitir tudo que ela representa, envolvendo sentimentos, lembranças e emoções que a moldaram e a trouxeram até o hoje.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a professora avó, durante a aula, trouxe o exemplo dos netos para explicar os conhecimentos técnicos sobre o desenvolvimento da personalidade, ela evocou sua ancestralidade, elaborou os saberes científicos específicos e se expressou com falas transbordantes de afetividade. Foi a mestra avó que tomou lugar naquele momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E foi fantástico!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/dayse-de-araujo-raphael/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/dayse-de-araujo-raphael/">Dayse de Araújo Raphael – Analista em Formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/">Lia Rachel B Romano – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vídeo de apresentação:</p>



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<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">REFERÊNCIAS:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">ESTÉS. Clarissa Pinkola. <em>A ciranda das mulheres sábias.</em> Ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem. Ed Rocco, RJ, 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOPCKE. Robert H. <em>Guia para a obra completa de C. G. Jung</em>, Petrópolis: Vozes, 2024</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Símbolos da Transformação</em>. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Psicologia do inconsciente</em>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>A natureza da psique</em>. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, Simone. <em>A importância do passado a construção da psique infantil</em>. Blog do IJEP junho/2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARTINEZ, Monica. <em>Do surfista sagrado à avó ancestral</em>: análise de um sonho à luz da jornada da heroína. Blog do IJEP, agosto/2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://www.ijep.com.br" type="link" id="www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Encontrar Alguém &#8211; A Busca da Projeção</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/encontrar-alguem-a-busca-da-projecao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dayse Raphael]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Feb 2026 00:32:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[projeção]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>
		<category><![CDATA[sombra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Encontrar alguém é a expressão do desejo de relacionar-se com aquela pessoa para a qual transferimos emocionalmente os sentimentos que alimentamos em nós. Isto ocorre graças ao fenômeno da projeção, em que conteúdos inconscientes são deslocados para um objeto externo, que pode ser o indivíduo que desperta um apaixonamento, mesmo ao primeiro encontro.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: Encontrar alguém é a expressão do desejo de relacionar-se com aquela pessoa para a qual transferimos emocionalmente os sentimentos que alimentamos em nós. Isto ocorre graças ao fenômeno da projeção, em que conteúdos inconscientes são deslocados para um objeto externo, que pode ser o indivíduo que desperta um apaixonamento, mesmo ao primeiro encontro.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao" style="font-size:18px">INTRODUÇÃO</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em atendimento a pessoas de ambos os sexos, é comum o questionamento sobre encontrar alguém. Não serve qualquer alguém. Este alguém precisa ter características que abrandem o sentimento de falta de completude, que atendam expectativas específicas como companheirismo, generosidade quanto a atenção, carinho, disponibilidade de tempo, e por aí vai. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É preciso que seja um alguém que traduza os desejos mais diversos; não precisa ser alguém conhecido, que tenha encontrado e já conversado, ou mesmo que já viu e observou nas atividades sociais. Este alguém parece não pertencer ao mundo dos vivos, que apresentam qualidades e defeitos, brincam e se aborrecem, são cheirosos ou apresentam cheiros de origem duvidosa, têm interesse próprio e agenda repleta de atividades cotidianas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-musica-encontrar-alguem-de-jota-quest-ha-a-descricao-de-alguem-que-esta-no-mundo-das-ideias-e-por-quem-ha-a-expectativa-de-que-haja-a-satisfacao-de-estar-com-a-companhia-idealizada" style="font-size:18px">Na música <em>Encontrar Alguém</em> de Jota Quest, há a descrição de alguém que está no mundo das ideias, e por quem há a expectativa de que haja a satisfação de estar com a companhia idealizada:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="line-height:0.9">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“Da esquina eu vi o brilho dos teus olhos/Tua vontade de morrer de rir/Teus cabelos tentaram esconder/Mas vi tua boca feliz</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tua alma leve como as fadas/Que bailavam no teu peito/Tua pele clara como a paz/Que existe em todo sonho bom</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quis matar os seus desejos/Ver a cor dos teus segredos, baby/ E contar pra todo mundo /O beijo que nunca esqueci</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Encontrar alguém/Encontrar alguém/ Encontrar alguém que me dê amor”</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-projecao-e-sombra" style="font-size:18px">PROJEÇÃO E SOMBRA</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O alguém desejado se apresenta nas projeções de quem o busca, atendendo critérios muito específicos, nas pessoas que encontramos a todo minuto, nos ambientes mais exclusivos ou mesmo em público, nos templos religiosos, nas academias ou escolas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esses critérios são os mais díspares e incontáveis: o desejo de ter ao lado alguém protetor, alegre, com disposição e desejo de aventura, sempre pronto para ir a um <em>happy hour</em>, assim como alguém com gosto erudito que aprecie as salas de música clássica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Conforme o desejo inconsciente, é possível projetar em um líder religioso a figura de um pai protetor, acolhedor, aquele que se fará sempre presente nos momentos das mais diversas adversidades, que não permitirá que nada de mal aconteça. Isto só pode ocorrer se a pessoa tiver um “gancho” com essas características para que haja o deslocamento afetivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E do que se trata esse gancho?&nbsp; É algo não físico percebido inconscientemente pelo emissor da projeção em alguém que tenha as qualidades que não são reconhecidas pelo emissor. Mas esse alguém receptor também não tem a consciência de estar recebendo uma projeção.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-von-franz-afirma-que" style="font-size:18px"><strong>Von Franz afirma que,</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>o inconsciente da pessoa faz a projeção, via de regra não escolhe simplesmente qualquer objeto ao acaso, e sim aquele que contém algumas, ou até muitas, das características da propriedade projetada. Jung fala de um “gancho” no objeto no qual a pessoa que faz a projeção a pendura como um casaco. (2011, p.280)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O que nos leva ao encantamento por um alguém que representa tão bem tudo que desejamos está no transbordamento do nosso inconsciente sobre aquilo que supostamente encontramos no outro, o que Jung denomina objeto, conforme parágrafo acima.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Facilmente identificamos nos ambientes coletivos casais nos quais um dos parceiros tem aparência ou condição social muito beneficiada em relação ao outro, e ainda assim, este parece alimentar sentimentos intensos e profundos que são traduzidos no bem-estar daquela companhia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung esclarece sobre a situação ilusória que a projeção carrega sobre o objeto de desejo, sendo algo que não transita pela realidade e que permeia o mundo das ideias de quem procura alguém. Mas que, ainda que ilusória, ao projetar sobre o objeto, ou a pessoa, suas fantasias sobre os mais diversos temas, esta ação faz do receptor dessa projeção, alguém ilusoriamente real. Portanto “<strong>as projeções criam uma relação ilusória; mas acontece que, num determinado momento, esta relação é da maior importância para o paciente</strong> [&#8230;]” (JUNG, 2022a, p.19). As projeções vêm sempre do inconsciente e se desvanecem após seu recolhimento, conforme explica Jung:</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-uma-vez-que-o-adepto-tem-consciencia-de-si-como-homem-sua-masculinidade-nao-pode-ser-projetada-desde-que-so-podem-ser-projetados-os-conteudos-inconscientes-2022a-p-104" style="font-size:18px"><em>“<strong>Uma vez que o adepto tem consciência de si como homem, sua masculinidade não pode ser projetada, desde que só podem ser projetados os conteúdos inconscientes</strong>.” (2022a, p.104)</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando buscamos encontrar alguém projetamos algo admirável, sedutor e socialmente aceito, porém há oportunidades em que projetamos algo totalmente oposto, ou seja, conteúdos que provocam repulsa por representar tudo aquilo que consideramos ruim, desagradável, ou politicamente incorreto.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No momento em que encontramos alguém que nos evoca repulsa, esta reação está enxarcada de projeção, que representa nossa própria sombra, aquele conteúdo que menos admiramos e que reprimimos. Segundo Jung, “<strong>estamos convencidos de que certas pessoas possuem todos os defeitos que não encontramos em nós mesmos [&#8230;] Devemos ter o máximo cuidado para não projetar despudoradamente nossa própria sombra</strong> [&#8230;] “ (2022c, p.105)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É difícil e muito doloroso reconhecer que em nós há conteúdos menos nobres, ou mesmo que somos capazes de abrigar os monstros mais terríveis, ainda que eles não estejam manifestos no nosso cotidiano. Fica muito mais fácil reconhecê-los nos outros, naqueles que estão fora de nós, e que, portanto, poderão ser receptores de todo nosso sentimento discriminatório e repulsivo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-encontrar-alguem-e-o-outro-em-mim" style="font-size:18px">ENCONTRAR ALGUÉM E O OUTRO EM MIM</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Dione diz que projeção é uma forma de vida potencial repleta de energia psíquica que encontra expressão no objeto (Cf. 1990, p.166). Isto esclarece muito do que seja a busca de encontrar alguém com quem seja possível desenvolver um relacionamento satisfatório.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A energia psíquica de quem está buscando encontrar alguém estará voltada para fora, para o objeto que denominamos outra pessoa. Aquelas características sedutoras, atraentes e acolhedoras que identificamos naquele alguém especial e que procuramos por tanto tempo, estão dentro daquele que procura, mas que desconhece em si.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esta-atracao-que-o-outro-nos-provoca" style="font-size:18px"><strong>Esta atração que o outro nos provoca,</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>esta empatia, é uma espécie de processo de percepção que se caracteriza por transferir sentimentalmente um conteúdo psíquico para o objeto&#8230; e isto é possível se o conteúdo projetação estiver mais vinculado ao sujeito do que ao objeto&#8230;e não é submetido a controle consciente. (JUNG, 2022d, p.303)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Encontrar alguém que atenda as expectativas é uma jornada difícil, muitas vezes frustrante e sempre trilhada para fora de si. É responsabilizar o outro pelo atendimento ou não dos nossos desejos e fantasias, é transferir nossos melhores sentimentos para alguém que não tem, obrigatoriamente, como satisfazer nossas expectativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Encontrar alguém é buscar no outro o que não é possível, ainda, reconhecer em si, e caminhar a passos largos para alguém que não terá como manter as expectativas daquele que procura.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung nos esclarece que “com a retirada das projeções, desenvolveu-se lentamente um conhecimento consciente [&#8230;]” (JUNG, 2022, p.104), o que torna possível o “casamento interior”&nbsp; com as qualidades positivas e negativas inconscientes em nós. No processo de individuação a primeira tarefa é recolhermos as projeções sombrias, para caminharmos rumo ao desenvolvimento da nossa personalidade, ao potencial inerente que devemos nos tornar e que intrinsecamente já somos.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="📃Artigo novo: &quot;Encontrar Alguém – A Busca da Projeção&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/JkwW-TTvzt0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/dayse-de-araujo-raphael/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/dayse-de-araujo-raphael/">Dayse Raphael – Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/">Lia Romano – Membro Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">DIONE, Arthut. <em>Jung e astrologia</em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Ab-reação, análise dos sonhos e transferência</em>. 9.ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Mysterium Coniunctionis</em>. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______<em>Psicologia e Religião</em>. 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Tipos psicológicos</em>. 7.ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VON FRANZ, Marie&nbsp; Louise. <em>Psicoterapia</em>. São Paulo. Paulus, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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