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	<title>Leonardo Torres, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Leonardo Torres, Autor em Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Precisamos imaginar Afrodite velha</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/precisamos-imaginar-afrodite-velha/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Nov 2024 12:11:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
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		<category><![CDATA[envelhecer]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É uma manhã de segunda-feira normal. Acorda-se com a ressaca do dia anterior. O trabalho aguarda. Mas, antes, o banheiro pede urgência, como esperado. Após as necessidades básicas e o banho, você se encontra frente a frente do espelho. Espantado. O espanto é tão grande que perde a noção se é você que olha o [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É uma manhã de segunda-feira normal. Acorda-se com a ressaca do dia anterior. O trabalho aguarda. Mas, antes, o banheiro pede urgência, como esperado. Após as necessidades básicas e o banho, você se encontra frente a frente do espelho. Espantado.</p>



<p>O espanto é tão grande que perde a noção se é você que olha o seu reflexo ou se é o seu reflexo que olha para você. Devido ao espanto, podemos admitir que algo te dominou, portanto, o reflexo ganhou dessa vez. Devido ao espanto, novamente, sabemos que essa palavra está ligada a <em>phantom: fantasma.</em></p>



<p><strong>Um fantasma chegou</strong>. Ele não é uma pessoa atrás de você ou qualquer coisa do tipo – é, na realidade, um fio prateado surgido em meio à cabeleira escura dos dias anteriores. Solitário, branco, inesperado, diferente em cor e textura de todos os outros. “É um intruso”, pensa-se. Diante do espanto, são necessárias medidas drásticas: “arranque-o e não se fala mais nisso”. Elimine e mantenha no <em>top secret.</em></p>



<p>Outra semana se passa e mais uma vez o espanto retorna ao cotidiano matinal de segunda-feira. Outro fio prateado. E já sabemos: se continuar arrancando, a imagem evocada é a “puxando os cabelos” – uma expressão de um estado de angústia, aflição ou desespero diante de uma situação problemática ou insolúvel.</p>



<p>O fio voltará na semana seguinte. Não tem mais jeito. Porém, a teimosia em negar a evidência semanal prateada torna-se bélica. Visto que é uma guerra, necessita-se de instrumentos. Não somente as mãos ou a pinça, mas medidas químicas podem ser tomadas: tintura e <em>sprays</em> coloridos são úteis. Tudo que possa disfarçar os intrusos prateados.</p>



<p><strong>A cada novo ciclo: a lua prateada</strong>. Mais fios e fios refletem o satélite. Assim como a lua, o humor oscila entre a irritação e a melancolia. A falsa autoestima pautada na estética juvenil, trabalhada na academia e nos centros estéticos, antes inabalável, começa a ruir. Fantasia-se ao sair de casa: &#8220;será que estão falando de mim? Será que notaram os intrusos?&#8221;.</p>



<p>Essa fantasia não pode ser destacada. Quem são estes outros? “A sociedade”, pode-se responder. Uma sociedade tão padrão quanto a cabeleira escura até então. Cada fio de cabelo colorido é um fio que prende aos outros, nessa fantasia. <strong>O único que possui uma voz diferente é o branco</strong>. Mas, em meio às vozes laudas dos fios escuros, uma voz sutil e nívea pode ser encontrada. Ela é um sussurro da alma: “<strong>aceite-me</strong>”.</p>



<p><em>“Aceite-me. Eu sou o convite. Aquilo que encontrares se me aceitar és tu mesmo, pois sou a diferenciação. Sou de prata, sou sim o sinal de declínio do ouro, porém, aquele que permanece no ouro perde-se de si. Chegou o momento de revisares a ti mesmo, abandonares a falsa importância que tu seguraste tão firme desde então. Duvida-te de ti. Quem és tu se não tiveres este ofício; quem és tu se não tiveres este dinheiro ou esta dívida; quem és tu se morasses em outro lugar, com ou sem religião, com outra família ou solitariamente, com outro ou até mesmo sem o amor? O que fizeste até então, valeu para que? Pois essa te respondo: para nada. Tudo é pó e ao pó retornarás.”</em></p>



<p>Nenhuma cabeleira grisalha é a mesma. Cada fio contribui para a composição grisalha singular, uma manifestação visível do pedido de diferenciação. As tonalidades variam. As texturas se alternam entre fios lisos e sedosos, fios ondulados e volumosos, fios crespos e rebeldes. É, sim, uma diferenciação que se estampa na cabeça, literalmente. Também, é um convite à metáfora e reflexão, mesmo que os prateados fios sejam escondidos. A cabeça é um símbolo da reflexão, do pensamento, em nosso paradigma ocidental: um chamado para olhar para dentro e reconhecer algo que até então estava oculto.</p>



<p><strong>O oculto não pode ser dito nesse artigo, pois, seria uma traição aos fios grisalhos</strong>. Porém, podemos refletir sobre a aceitação do pedido de diferenciação que o primeiro fio grisalho clama. Neste estágio, deve-se questionar: é possível reconhecer uma beleza que não se sintetiza à juventude estética, mas à singularidade? Se estamos falando de beleza, estamos falando de Afrodite. Isto é, imaginar Afrodite grisalha, velha?</p>



<p>Em artigo anterior, apontei como Afrodite não se encontra mais na estética atual (<a href="https://blog.sudamar.com.br/afrodite-nao-esta-no-espelho-uma-critica-aos-padroes-esteticos-da-contemporaneidade/">https://blog.sudamar.com.br/afrodite-nao-esta-no-espelho-uma-critica-aos-padroes-esteticos-da-contemporaneidade/</a>). Mas, talvez, ela possa ser encontrada no momento de espanto e maravilha diante do espelho que aqui estamos contextualizando. <strong>A beleza ou Afrodite só surge se o espanto e a maravilha da impermanência forem aceitos.</strong></p>



<p>Pode-se pensar numa rosa colhida como uma representação da impermanência, que atinge seu esplendor máximo quando começa a murchar, defendendo que a beleza humana se manifesta em cada fase da vida. Bobeira. Hoje as rosas estão todas iguais, assim como seus arranjos e buquês. Todos buscam as rosas mais perfeitas e imperecíveis. Ninguém mais colhe uma rosa para a sua amada – compra na máquina capitalista e manda entregar.</p>



<p>No fundo, há um desejo de continuar belo como no passado. Defender que agora é um novo ciclo, mais espiritual e tentar esquecer do desejo de ser belo como quando jovem é reprimir o desejo da beleza bem como aceitar que o padrão estético contemporâneo venceu. Precisamos, na realidade, imaginar Afrodite velha. Há beleza tanto literal quanto metafórica no envelhecer. Sofia, a sabedoria, não emerge se não reconhecermos que nela há beleza, Afrodite.</p>



<p>Por isso, é importante aprender com as árvores de Ipê. A seca, um dos sintomas do envelhecer humano, também atinge os Ipês. Porém, para eles, isso pode significar morte. Nada obstante, curiosamente, a seca é um dos fatores que desencadeiam o processo de hiperfloração. O Ipê entra em um estado de alerta, assim como o espanto diante do espelho. A árvore interpreta a falta de água como um sinal de que precisa se reproduzir para garantir a perpetuação da espécie. É nesse momento que ele concentra suas energias na produção de flores e sementes.</p>



<p><strong>Se Afrodite se apresenta diante da seca nessas árvores, por que não se apresentaria também para os humanos?</strong> Se refletirmos sobre a metáfora, não são as sementes juvenis, nem flores da juventude. São flores e sementes diante da imagem do envelhecer e, consequentemente, do espanto da impermanência neste mundo. Essas flores e sementes que desabrocham em meio à aridez representam a força que persiste diante do envelhecimento. Refletir sobre essa metáfora nos leva a questionar como queremos florescer junto aos novos fios brancos que tecem a individualidade, é essencial para escolher como envelhecer e, por fim, como morrer.</p>



<p>Que Afrodite possa nos acompanhar nessa jornada de espanto, de sentidos e memórias. E que possamos desejar, e nos regozijar, com os tons melancólicos e terroso do outono e, após, com o brilho sutil e prateado do inverno tanto quanto nos exaltamos com os reflexos furta-cor da primavera e com o dourado imponente do verão. Afinal, é no outono e no inverno que as mais belas auroras boreais podem ser avistadas.</p>



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<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/leostorres/">Leonardo Torres &#8211; Analista Didata em formação IJEP</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



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			</item>
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		<title>A Dúvida está Morta e os Anéis do Poder</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-duvida-esta-morta-e-o-aneis-do-poder/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Oct 2024 16:11:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Não Categorizado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A deusa Dúvida está morta. Dúvida foi a deusa da hesitação, ela esteve presente quando encontrávamos bifurcações em nosso caminho; aparecia quando parávamos um pouco para refletir sobre uma frase de determinado autor; ou então, quando tentávamos entender as palavras do outro que incomodaram um pouco. Sua morte não foi bonita, foi um assassínio. Primeiro, [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>A deusa Dúvida está morta</strong>. Dúvida foi a deusa da hesitação, ela esteve presente quando encontrávamos bifurcações em nosso caminho; aparecia quando parávamos um pouco para refletir sobre uma frase de determinado autor; ou então, quando tentávamos entender as palavras do outro que incomodaram um pouco.</p>



<p>Sua morte não foi bonita, foi um assassínio. Primeiro, seu assassino a elegeu como algo ruim. Adjetivou-a de passiva, entrópica, covarde. Evidentemente, contagiados com seu líder e sem permitir que a Dúvida surgisse no coração, o ser humano aceitou, evidentemente, sem hesitar, que a Dúvida é má.</p>



<p>Foi assassinada a sangue frio. Guilhotinada, assim como os esclarecidos fizeram no passado. No segundo em que a cabeça da deusa Dúvida rolou, sendo separada de seu corpo pela mão de seu carrasco, o povo gritou, comemorou e se extasiou, gozando de um poder jamais visto.</p>



<p>O sangue da deusa escorreu pela guilhotina, manchando o solo da praça pública. Uma mancha que jamais se apagará, mas que ninguém liga, pois não há mais ninguém para hesitar no mundo. A partir daí, a multidão, eufórica, se dispersou, carregando consigo a “não-dúvida”. Voltaram, então, para os seus trabalhos, estudos e suas redes sociais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-morte-da-duvida-fez-aquele-vazio-imenso-desaparecer-podia-se-ouvir-entre-os-cantos-da-cidade-podemos-ser-felizes-de-novo" style="font-size:17px">A morte da Dúvida fez aquele vazio imenso desaparecer. Podia-se ouvir entre os cantos da cidade: “podemos ser felizes de novo!”</h2>



<p>O mundo também mudou a partir desse assassinato. As encruzilhadas, antes repletas de possibilidades, tornaram-se caminhos únicos e estreitos. Fraqueza e covardia, sinais estereotipados da Dúvida, não existiram mais. Agora, sim, é possível subir a montanha sem se preocupar com a integridade física! A incerteza, que antes impulsionava a busca por conhecimento, foi vista como inimiga vencida.</p>



<p>Sem a deusa, o ser humano adentrou seu cotidiano extremamente feliz. No entanto, via-se no olhar de todos uma extrema dissociação cognitiva, um olhar único, direcionado e um sorriso estonteante. Quem olha de fora, poderia até considerar que a face exprimia um ar macabro. Essa felicidade é igual ao Anel de Gollum, uma obsessão que consome, que isola e que, no fim, destrói. Essa alegria revela a perda da alma. A deusa, outrora que conduzia para a alma, ou talvez até ela mesma fosse a alma, se foi; deixando para trás uma humanidade à deriva, agarrada a um simulacro de felicidade que a cega para a verdadeira miséria de sua condição.</p>



<p>Não é possível mais se perguntar: “esse anel me serve ou eu sirvo a esse anel?”. O assassinato da deusa Dúvida é o crime perfeito, pois ninguém mais duvida se foi destrutiva ou criativa a sua morte.</p>



<p>O carrasco da Dúvida não foi a Certeza, afinal a Certeza nunca desceu ao nosso planeta terreno com suas asas douradas. Foi outra: a deusa Reatividade. Tomando o poder, a Reatividade se vascularizou no coração de cada ser humano. Trouxe anéis de poder que ninguém hesitou em colocar. Afinal, é necessário usá-lo na mínima possibilidade de ressureição da Dúvida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-assim-o-mundo-seguiu" style="font-size:17px">E assim o mundo seguiu.</h2>



<p>Nas redes sociais, o ser humano e seu anel transformaram diálogos em fuzilamentos – ninguém mais lê e fica com a deusa Dúvida para refletir. Agora é diferente, o indivíduo lê para atacar, reagir e fazer a manutenção da sua certeza medíocre (lembremos, que a Certeza não está aqui), nada é absorvido ou comunicado.</p>



<p>Nos relacionamentos interpessoais, a empatia e a compreensão foram minadas, surgiu, então, a intolerância. O ser humano acaba por ficar pulando de relacionamento em relacionamento, de amizade em amizade, de time em time, afirmando que o parceiro é um narcisista, sem saber e aprofundar o que o termo “narcisista” quer dizer. Evidentemente, aqui não estou falando de casos extremos de violência. Estou me referindo ao comum.</p>



<p>No âmbito profissional, a Dúvida levou consigo a criatividade e a reflexão. A Reatividade elevou a produtividade e a eficiência. Agora, existe somente um caminho para crescer, evoluir e ter sucesso. O caminho do <em>status</em> é único, portanto, tornou-se comum aquele “puxar o tapete” para não deixar ninguém no caminho. Tem pessoas no meio do caminho, no meio do caminho tem pessoas. Pessoas são pedras a serem retiradas.</p>



<p>As universidades também não escaparam, nem mesmo o mundo junguiano. Antes espaço de construção do conhecimento e desenvolvimento do pensamento crítico, todos sucumbiram à tirania da Reatividade. Aqueles que se dizem intelectuais destes lugares, possuídos pela Reatividade, são os piores, pois eles promovem uma pseudo-dúvida – uma forma de manipular os outros para levá-los exatamente para as suas certezas medíocres e fazer a manutenção de sua vaidade acadêmica. A simbolização deixou de ser simbolização quando a Dúvida foi retirada de cena. Simbolizar agora é a grande fuga para o analista despejar sua interpretação projetiva sobre o cliente, fazendo de novo a manutenção de sua vaidade intelectual.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ainda-nesse-topico-a-busca-por-respostas-prontas-e-solucoes-imediatas-substituiu-a-investigacao-paciente-e-o-questionamento-constante" style="font-size:17px">Ainda, nesse tópico, a busca por respostas prontas e soluções imediatas substituiu a investigação paciente e o questionamento constante.</h2>



<p>Tanto para se resolver uma patologia biológica quanto para interpretar um sonho ou uma mandala.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:17px"><blockquote><p>Cada um de nós espontaneamente evita encarar seus problemas, enquanto possível; não se deve mencioná-los, ou melhor ainda, nega-se sua existência. Queremos que nossa vida seja simples, segura e tranquila, e por isto os problemas são tabu. Queremos certezas e não dúvidas; queremos resultados e não experimentos, sem entretanto, nos darmos conta de que as certezas só podem surgir através da dúvida, e os resultados através do experimento. Assim, a negação artificial dos problemas não gera a convicção; pelo contrário, para obtermos certeza e claridade, precisamos de uma consciência mais ampla e superior. </p><cite>Jung, OC 8/2, § 751</cite></blockquote></figure>



<p>Contudo, a Reatividade chega antes da consciência. O médico não olha mais nos olhos, o psicoterapeuta quer reagir, de antemão, à expressão da alma para confirmar sua superioridade, fazendo a alma fugir. Todos estão apaixonados pelos seus anéis do poder, dados pela deusa Reatividade.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:17px"><blockquote><p>A situação fica difícil, quando a natureza do paciente se rebela contra uma solução coletiva. Neste caso, coloca-se para o terapeuta a questão de saber se ele está disposto a quebrar suas convicções ao confrontar-se com a verdade do paciente. Se quiser prosseguir com o tratamento, deverá impreterivelmente, e sem nenhum preconceito, sair com o paciente à procura das ideias filosófico-religiosas correspondentes aos seus estados emocionais. Estes apresentam-se em forma de arquétipos, recém-brotados do mesmo solo materno em que, outrora, se formaram, sem exceção, todos os sistemas filosófico-religiosos. Mas se o terapeuta não estiver disposto a questionar suas próprias convicções, no interesse do paciente, é lícito pôr em dúvida a firmeza de sua atitude básica. É possível que não possa ceder por razões de segurança própria que, quando ameaçada, o faz enrijecer. Aliás, a capacidade de elasticidade psíquica tem limites que divergem de indivíduo para indivíduo e de coletividade para coletividade, e às vezes são tão estreitos, que uma certa rigidez significa o real limite dessa capacidade. <em>Ultra posse nemo obligatur </em>(Ninguém é obrigado além do que ele é capaz de fazer). </p><cite>Jung, OC 16/1 §184</cite></blockquote></figure>



<p>O que não contavam é que a Dúvida, assim como São Denis, consegue levantar-se e caminhar mesmo sem a cabeça no lugar. Os ditos loucos nos ensinaram isso. Uma centelha, mesmo que fraca, ainda brilha em meio a essa escuridão abismal. Essa centelha, pode ser lida por Jung, mas não somente ele. Mas, aqui iremos com ele.</p>



<p>C. G. Jung entendia que a dúvida é uma força propulsora e necessária. A dúvida é o melhor caminho a se tomar diante do pleonasmo das certezas absolutas e da rigidez, nos mais variados âmbitos da vida. A psicologia junguiana defende o duvidar: dos pais, da sociedade, da política, dos movimentos, da profissão, da própria psicologia junguiana. Afinal, quando Jung afirma que a Consciência possui pés vacilantes, talvez ele não queira criticar, mas apontar que a Consciência deva realmente possuir pés vacilantes. Consciência e dúvida são irmãs gêmeas.</p>



<p>C. G. Jung não viajava para conhecer outras culturas. Visitava povos de distintas culturas exatamente para questionar sua própria cosmovisão cristã, europeia, caucasiana. Essa atitude aberta ao questionamento, segundo ele, é fundamental para romper com as amarras do ego e estabelecer uma relação o Self.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-duvida-e-paciencia-nao-podem-ser-separadas-por-isso-e-necessario-abordar-essa-segunda" style="font-size:17px">Dúvida e paciência não podem ser separadas, por isso, é necessário abordar essa segunda.</h2>



<p>Jung também enfatizava a importância da paciência no processo de individuação. Ele reconhecia que a jornada de autoconhecimento era longa e desafiadora, repleta de obstáculos e retrocessos. A paciência, nesse contexto, era vista como uma virtude essencial para lidar com as frustrações, os conflitos e as incertezas que surgem ao longo do caminho.</p>



<p>É necessário ainda esclarecer os adjetivos pejorativos que foram imputados na Dúvida. Para Jung, Dúvida não significa passividade ou resignação, mas sim uma atitude ativa, de confiança no Self e de aceitação dos próprios limites. Hesitar é ter o dom da paciência.</p>



<p><em>Patientĭa,</em> uma soma entre <em>pathos</em> e <em>sciencia. Pathos</em> é a raiz latina das palavras “paixão” e “sofrimento”, no sentido de “viver na pele”, “passar por algo”. A Paixão de Cristo é um grande exemplo disso. Já,<em> Sciencia</em> pode ser entendida como uma consciência de algo.&nbsp; Portanto, &#8220;Paciência&#8221; é a tomada de consciência daquilo que atravessa o indivíduo; daquilo que ele está passando; ou daquilo que ele sente na pele. E isso demanda de tempo, isto é, da não-reatividade.</p>



<p>Assim como o alquimista, metafórica e pacientemente, transforma o chumbo em ouro, o indivíduo, com paciência, hesitação e dúvida, transforma suas experiências e conflitos em crescimento e amadurecimento. <em><strong>Qui patientiam non habet manum ab opere suspendat</strong>,</em> traduzindo: “quem não tiver paciência, retire a mão da obra”.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:17px"><blockquote><p>Quem não suporta a dúvida não suporta a Si mesmo. Esta pessoa é indecisa, não cresce e por isso também não vive. A dúvida é sinal do mais forte e do mais fraco. O forte tem a dúvida, mas a dúvida possui fraco. Por isso o mais fraco está próximo do mais forte e quando pode dizer para sua dúvida &#8220;Eu te possuo&#8221; então ele é o mais forte. Mas ninguém pode dizer sim a sua dúvida, ele suporta então o caos aberto. Pelo fato de haver tantos abaixo de nós que podem dizer tudo, repara como vivem. O que um diz pode significar muito ou bem pouco. Pesquisa por isso sua vida. Meu discurso não é claro nem escuro, pois é o discurso de alguém em crescimento. </p><cite>Jung, <em>Liber Novus</em>, p. 319</cite></blockquote></figure>



<p>A Dúvida brilha trepidantemente no mesmo lugar onde um dia a Alquimia brilhou com a ascensão do Cristianismo. Enquanto os anéis do poder dominarem nossos políticos, intelectuais e o homem comum, poucos encontrarão o ouro da alma. Torço para nenhum dedo, com seu anel, apertar o botão da bomba atômica a mando da Reatividade antes de tomarmos consciência.</p>



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<iframe title="Artigo novo: &quot;A Dúvida está Morta e o Anéis do Poder&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/xqlPjyR8PTE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Sonhos Coletivos sobre Ondas Gigantes: Jörmungund acordou e o Ragnarok começou</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/ragnarok/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 17:54:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[mitologia nórdica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[serpente da árvore da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ragnarok, a escatologia Nórdica começa assim: com catástrofes climáticas. Uma delas em especial é produto de Jörmungund, a serpente de Midgard, que produz ondas gigantescas que varrem terra e céu. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Desvende sonhos coletivos e conexões mitológicas: ondas gigantes, Jörmungund e o Ragnarok contemporâneo.</em></p>



<p>“Todos os que virem os irmãos Fenrir, o lobo, e a serpente de Midgard Jörmungund, filhos de Loki, conhecerão a morte. Esse é o princípio do fim.” – Mitologia Nórdica, Neil Gaiman. </p>



<p>Ragnarok, a escatologia Nórdica começa assim: com catástrofes climáticas. Uma delas em especial é produto de Jörmungund, a serpente de Midgard, que produz ondas gigantescas que varrem terra e céu.&nbsp;</p>



<p>Curiosamente, sonhei e tenho recebido muitos sonhos com ondas gigantes invadindo a terra. Não somente isso, esses sonhos iniciaram antes mesmo do mar invadir diversos locais no Brasil e no mundo neste fim de ano de 2023. Por isso mesmo, minha curiosidade se aguça a entender e perguntar “quem está aí?”. E, como um lampejo, a resposta foi Jörmungund.&nbsp;</p>



<p>Antes que comecemos a colocar tudo em caixas do bem e do mal, vale a ressalva junguiana que tudo e todos, ao mesmo tempo, são positivos e negativos, criativos e destrutivos, bons e maus. Jörmungund não é diferente, por isso destino essa reflexão à serpente.&nbsp;</p>



<p>Jörmungund, a serpente de Midgard, é filha de Loki com a gigante Angrboda; e inimiga mortal de Thor, o deus do trovão.&nbsp;</p>



<p>Angrboda já nos dá uma pista em sua etimologia:&nbsp;<em>Angr</em>-: Este elemento do nome vem da palavra nórdica antiga &#8220;angr&#8221;, que significa &#8220;tristeza&#8221;, &#8220;aflição&#8221; ou &#8220;dor&#8221;. Mas, podemos também pensar em “anger”: raiva. Este termo está associado a sentimentos de miséria ou angústia. &#8211;<em>boda</em>: Este segmento vem da raiz &#8220;boda&#8221;, que significa &#8220;mensageira&#8221; ou &#8220;aquela que anuncia&#8221;. Na mitologia nórdica, os nomes frequentemente refletem as características ou o destino de uma pessoa ou ser.</p>



<p>Já, Loki, é uma divindade andrógina, complexa e multifacetada, frequentemente associado ao arquétipo do &#8220;trickster&#8221; ou enganador, por isso mesmo Loki não deve ser visto nem como herói, nem vilão. Loki é filho de Fárbauti e Laufey e é muitas vezes descrito como um jötunn (gigante), mas vive entre os deuses Aesir, em Asgard. Loki usa sua astúcia e habilidade verbal para manipular situações a seu favor. Loki é em síntese um símbolo da ambiguidade. Ele não é inteiramente mau, nem completamente bom. Sua natureza trickster o torna um ser antinômico, paradoxal&nbsp;<em>per se</em>.</p>



<p>Podemos imaginar que a dualidade amoral se acasala com angústia raivosa. Dessa união surgem três filhos: Fenrir, Jörmungund e Hel. É deste segundo que quero aprofundar.&nbsp;</p>



<p>Um dia Odin sonha que Loki tem filhos e isso o preocupa. Quase como se ele sentisse o leve vento de Ragnarok passar por sua barba ruiva. O Pai de Todos pede, então, para Thor e Tyr averiguar no mundo dos gigantes – um lugar onde os deuses nunca são bem-vindos. Os deuses encontram os três filhos de Loki. E, curiosamente, os gigantes permitem que os filhos sejam levados. O que causa preocupações em Thor e arrepios em Tyr.&nbsp;</p>



<p>Chegando a Odin, os deuses apresentam a serpente: “Jörmungund cospe um veneno negro nocivo. A serpente cuspiu esse veneno em mim, mas errou. Por isso amarramos sua cabeça à árvore desse jeito, num tronco de pinheiro”, disse Tyr; que na viagem ficou menor devido ao seu rápido crescimento. “É uma criança”, observou Odin. – “Ainda está em fase de crescimento. Vamos mandá-la para onde não possa machucar ninguém.”&nbsp;</p>



<p>O tronco de pinheiro está associado à Yggdrasil – a árvore do mundo; apesar da&nbsp;Yggdrasil ser mais comumente descrita como um freixo. Existe aqui uma prenuncia da missão da serpente. Enquanto criança ela é amarrada ao pinheiro; já adulta, o pinheiro é amarrado à ela. Possui, portanto, uma característica de cosmos/caos, isto é, nem somente caos, nem somente cosmos. Assim como outras mitologias e símbolos urobóricos (a serpente que morde o próprio rabo). Jörmungund é, portanto, o&nbsp;<em>a priori&nbsp;</em>do&nbsp;<em>a priori.&nbsp;</em>&nbsp;</p>



<p>Já o veneno, podemos nos lembrar de Vênus – a deusa da beleza e da fertilidade. Para que haja o belo, sabemos que é necessário um observador, um observado e, principalmente, a beleza que une os dois. Para isso é necessário de antemão, a diferenciação. Já, o veneno é seu lado sombrio: a feiura, a putrefação e a indiferenciação.&nbsp;Jörmungund é um ser que cria a indiferenciação. Poderíamos dizer que ela é o que sustenta o universo. Chegou antes dele e talvez seja a última a fechar as portas desse eterno retorno se algum dia tiver fim. Por ter característica urobórica, devemos ter em mente os ciclos. Jörmungund também representa a ciclicidade do todo.&nbsp;</p>



<p>No mito, Odin levou Jörmungund até o confim do mar, localizado além de todas as regiões conhecidas, um mar que envolve Midgard. Naquela fronteira distante, ele soltou Jörmungund, assistindo enquanto o ser se deslocava sinuosamente e submergia sob as ondas, afastando-se cada vez mais. Com seu olho solitário, manteve seu olhar sobre Jörmungund até que a serpente sumisse de vista, questionando-se sobre sua decisão. Odin, Pai de Todos, sabe o que está por vir. A serpente, então, se desenvolveu nas águas cinzentas do oceano que envolve o mundo, crescendo até ser capaz de rodear a terra inteira. Jörmungund passou a ser conhecida como a Serpente de Midgard.</p>



<p>É demasiadamente óbvio que podemos relacionar o mar com o inconsciente, mas seria reducionista e até patética uma interpretação de um sonho coletivo de ondas gigantes afirmar que é o inconsciente querendo dominar. O mar é misterioso, turvo, sem luz, gênese da vida, volátil e amedrontador. Mas qual a relação da serpente com o mar?&nbsp;</p>



<p>Podemos, por um lado, entender que Jörmungund foi reprimida. Sua presença era perigosa demais; sua força destrutiva era amedrontadora; e ela era ainda uma criança. Odin, talvez, com sua incerteza pode ter pensado “e se mantivéssemos ela aqui? Será que Ragnarok aconteceria?”. Talvez o Pai de Todos soubesse que Ragnarok deveria acontecer, e por isso mesmo, o fez.&nbsp;</p>



<p>Por outro lado, podemos entender que era o destino de Jörmungund. Assim como Zeus sabia de tudo o que aconteceria na Guerra de Troia, talvez Odin saberia o que estava por vir, e sentia por isso. Devemos lembrar que Odin é um deus belicoso que traz a tempestade e a morte. É sua natureza, mas também é de sua natureza a proteção.&nbsp;</p>



<p>Eis que a escatologia nórdica começa: o Ragnarok. Acontece enquanto os deuses estão dormindo. Todos menos Heimdall, que se vê impotente de impedir o fim. Por isso Odin chora e ri: irmãos lutam contra irmãos, pais matam filhos. Mães e filhas são postas umas contra as outras. Irmãs entram em batalha contra irmãs e veem seus filhos assassinarem uns aos outros. Assim como estamos presenciando no mundo hoje e sempre.</p>



<p>Ventos cruéis devastam tudo e “o crepúsculo chegará para o mundo, e os lugares onde os humanos vivem se transformarão em ruínas, queimando com intensidade e, logo em seguida, desmoronando e se desfazendo em cinzas e devastação” (Gaiman, 2017).</p>



<p>Não podemos deixar de correlacionar esses acontecimentos escatológicos com as ondas de calor que vivemos nos últimos dias, os tornados súbitos que surgiram; tempestades de areia no norte do país, vulcões, e muitos outros vividos nesses últimos meses de 2023. A teoria junguiana não é cerebrocêntrica – podemos entender o planeta como um&nbsp;<em>uno&nbsp;</em>que cria sintomas para percebermos quanto patológicos somos. O Ragnarok que vivemos hoje está, definitivamente, nos avisando sobre a crise ecológica.&nbsp;</p>



<p>No mito, surge o Fimbulwinter, o Grande Inverno – um frio que dói na respiração e congela as lágrimas. Podemos relacionar a respiração e as lágrimas com a alma. É, portanto, um frio que dói na alma – a frieza do coração. Quantos de nós não estamos ignorando as crises em que estamos inseridos? Nossa inconsciência prenuncia a catástrofe.&nbsp;</p>



<p>A catástrofe e a tragédia são como Loki em união com Angrboda: uma amoral angustiante. Não à toa, o que se segue são os terremotos. As montanhas começam a tremer e desmoronar. Estamos sem chão. “Os terremotos são tão poderosos que todos os grilhões, correntes e amarras serão destruídos. Todos” (Gaiman, 2017).&nbsp;&nbsp;Aquilo que nos sustenta desaparece: desde nossos padrões sociais às instituições que realizam a manutenção sistêmica do consumismo, do individualismo e do capitalismo estão para rachar, mas eles também são deuses e ainda segue a batalha.&nbsp;</p>



<p>Estamos em uma crise sem precedentes. Crise significa a possibilidade da função transcendente ocorrer. De um símbolo surgir e podermos rumar para uma nova atitude. Como sabemos, é necessário que a alma traga o que vem do inconsciente para criar tensão na consciência. E, num ato de construção, sem que um dos lados desista e submeta-se, um terceiro surja. Estamos sonhando com ondas gigantes pois o Ragnarok contemporâneo está em andamento.&nbsp;</p>



<p>No mito, a alma traz os filhos de Loki. Gaiman aponta que “Fenrir, o grande lobo, vai se libertar de sua prisão. Sua boca se abrirá, e sua mandíbula superior chegará aos céus, enquanto a inferir tocará a terra. Não há nada que ele não possa devorar, nada que ele não possa destruir. Chamas saem de seus olhos e de suas narinas. Onde quer que o lobo Fenrir vá, um rastro de fogo e destruição restará em seu caminho”. (Gaiman, 2017)</p>



<p>No mito, os mares varrerão a terra devido a Jörmungund, a serpente de Midgard, que vai se contorcer em ira, cada vez mais perto da terra. “O veneno de suas presas vai ser derramado na água, envenenando toda a vida marinha. A serpente lançará sua peçonha no ar em um borrifo, matando todas as aves marinhas que a respirarem”. (Gaiman, 2017)</p>



<p>Evidentemente, no mito, os deuses tentam impedir, assim como os deuses contemporâneos estão tentando. Thor assassina Jörmungund. Com seu martelo, o deus do trovão dará um golpe na cabeça da serpente. Sabendo de seu veneno, Thor tenta esquivar-se pulando para trás, quase três metros de distância, mas não é suficiente. Em um ato último, a serpente abre sua boca e seu veneno atinge o deus do trovão, que cai ao chão, morto, envenenado pela criatura que matou.</p>



<p>Podemos relacionar Thor com Prometeu – o redentor da humanidade, aquele que entrega o fogo dos deuses aos humanos. Thor é um deus celeste, portador do raio e do fogo divino. Thor pode ser um símbolo da consciência.&nbsp;</p>



<p>Jörmungund e Thor formam o par inconsciente e consciência, inimigos mortais e amantes. Sua batalha é a própria tensão da função transcendente. É necessário o empate para gerar a empatia entre os dois e o terceiro elemento surgir. Não à toa a ideia de&nbsp;<em>opus contra natura&nbsp;</em>(obra contra a natureza) pode ser trabalhada pelo alquimista, mas também pelo ferreiro (Eliade, 1983).</p>



<p>Heimdall, a ética; e Loki, o amoral, também vão batalhar mortalmente. Eles também formam um par de opostos. Nesta batalha, Heimdall diz a Loki que ele e seus filhos não venceram, algo ainda resiste: a Árvore da Vida – Yggdrasil. Nela, diz Heimdall a Loki: “estão escondidos dois: a mulher Vida e o homem Desejo de Viver. Não é o fim. É simplesmente o fim dos velhos tempos. O renascimento sempre se segue à morte”.</p>



<p>No fim, aposto tudo ser queimado, as águas limparam as cinzas, lavando a terra para algo novo, assim como a Alquimia nos ensina com a calcinação e a solução. O verde floresce e se erguerá; o novo Sol toma o lugar do Sol engolido; A Vida e o Desejo de Viver sairão do pinheiro ou do freixo de Yggdrasil. O homem e a mulher, segundo o mito, farão amor, assim Eros retoma seu fluxo. Daí, ressurge a humanidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E então:&nbsp;“Asgard terá desaparecido, mas Idavoll se erguerá onde antes ficava Asgard, esplêndida e constante. Os filhos de Odin, Vidar e Vali, estarão lá. Em seguida virão os filhos de Thor, Módi e Magni. Eles trarão Mjölnir com eles, porque, com a morte de Thor, é preciso dois para carregar o martelo. Balder e Hod voltarão do mundo inferior, e os seis se sentarão à luz do novo Sol e conversarão entre si, recordando mistérios e discutindo o que poderia ter sido feito diferente, se perguntando se aquele resultado era inevitável. Vão falar de Fenrir, o lobo que devorou o mundo, e da serpente de Midgard, e vão se lembrar de Loki, que era um dos deuses mesmo não sendo um deles, que salvou os deuses e os destruiu.</p>



<p>– Olhem. Ali, o que é aquilo? — dirá Balder então.</p>



<p>– O quê? — perguntará Magni.</p>



<p>– Ali. Brilhando no capim alto. Estão vendo? E ali.</p>



<p>Vejam, tem outro.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E eles vão se ajoelhar no capim alto, deuses parecendo crianças. Magni, filho de Thor, será o primeiro a encontrar um dos objetos no capim alto, e, quando o encontrar, saberá o que é. É uma peça de xadrez de ouro, do tipo que os deuses usavam para jogar quando ainda eram vivos. É uma pequena escultura dourada de Odin, o Pai de Todos, em seu trono alto: o rei.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E vão encontrar mais peças. Ali estará Thor, segurando seu martelo. Ali estará Heimdall, com a trombeta nos lábios. Frigga, esposa de Odin, é a rainha.</p>



<p>Balder erguerá uma das peças de ouro.</p>



<p>– Este parece você — dirá Módi.</p>



<p>– Sou eu — concordará Balder. — Eu muito tempo atrás, antes de morrer, quando era um dos Aesir.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E vão encontrar outras peças na grama, algumas bonitas, outras nem tanto. Ali, meio enterrados na terra negra, estarão Loki e seus filhos monstruosos. Haverá um gigante do gelo. Ali estará Surt, com o rosto em chamas.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Logo descobrirão que tem todas as peças de que precisariam para montar um jogo completo. Eles vão montar uma partida de xadrez: no tabuleiro sobre a mesa, os deuses de Asgard vão encarar seus eternos inimigos. A recém-criada luz do sol refletirá nos homens do xadrez, em uma tarde perfeita.</p>



<p>Balder vai sorrir como o sol nascente, estender a mão e mover a primeira peça.</p>



<p>E o jogo começa outra vez.” (GAIMAN, 2017).&nbsp;</p>



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<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>REFERÊNCIAS:</strong></h2>



<p>ELIADE, M.&nbsp;<strong>Ferreiros e Alquimistas.&nbsp;</strong>Madrid: Aliança Editorial, 1983.</p>



<p>GAIMAN, N.&nbsp;<strong>Mitologia Nórdica.&nbsp;</strong>Rio de Janeiro: Intrínseca, 2017.&nbsp;</p>



<p>Leonardo Torres, membro analista em formação IJEP</p>



<p>Waldemar Magaldi, membro didata IJEP</p>
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		<title>Afrodite não está no espelho: uma crítica aos padrões estéticos da contemporaneidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/afrodite-nao-esta-no-espelho-uma-critica-aos-padroes-esteticos-da-contemporaneidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Nov 2023 20:25:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A beleza não tem usado espelhos, não possui perfil nas redes sociais, não está na décima segunda cirurgia de plástica. Na arte, Afrodite aparece tão pouco e ainda mesmo não é percebida. A beleza sumiu do mundo. Afrodite, a dourada, a deusa da beleza, do amor, dos beijos mais doces, fugiu do mundo. E aqui estamos nós, procurando-a. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A beleza não tem usado espelhos, não possui perfil nas redes sociais, não está na décima segunda cirurgia de plástica. Na arte, Afrodite aparece tão pouco e ainda mesmo não é percebida.&nbsp;<strong>A beleza sumiu do mundo.</strong>&nbsp;Afrodite, a dourada, a deusa da beleza, do amor, dos beijos mais doces, fugiu do mundo. E aqui estamos nós, procurando-a.&nbsp;</p>



<p>A beleza ou Afrodite é fugitiva por culpa nossa; estamos presos em movimentos grandiosos. Movimentos esses que tentaram enquadrar Afrodite neles. Afrodite não cabe nas enormidades que criamos<strong>. Não porque ela é maior, mas porque ela é imensurável. Afrodite ou a beleza não cabe ao racionalismo ou ao padronismo.</strong>&nbsp;Quanto mais curtidas uma arte, uma foto, um perfil possuem, mais longe Afrodite estará.</p>



<p>Da arte às revistas de “beleza”, aos filtros das redes sociais, às cirurgias plásticas extremas. Afrodite não está mais aqui.&nbsp;<strong>Não à toa existe uma enorme variedade de definição do conceito de beleza na história e no mundo. Todas respondem, ninguém acerta.</strong>&nbsp;Afinal, quem conseguiria flechar a mãe do maior arqueiro de todos? Que Apolo me desculpe.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-afrodite-ou-a-beleza-nao-pertence-aos-olhos-de-quem-ve-nem-mesmo-ao-objeto-visto-mas-a-ela-mesma">Afrodite ou a beleza não pertence aos olhos de quem vê, nem mesmo ao objeto visto, mas a ela mesma.</h2>



<p>Por isso é tão difícil de conceber a beleza. <strong>Beleza é beleza</strong>. Assim, este artigo não tem a pretensão de conceituar beleza, mas apontar onde ela não está.</p>



<p>A qualidade generalizante deste artigo é necessária. Não estou aqui apontando que a soma total dos indivíduos está cooptada pelos padrões estéticos.&nbsp;<strong>Minha intenção é apontar que a alma coletiva está sofrendo da doença dos padrões estéticos,</strong>&nbsp;sendo mais ou menos aparente nos indivíduos.</p>



<p>Não quero me delongar nas consequências da fuga de Afrodite nas discussões políticas, sociais e ambientais. Certamente elas são importantes, porém não cabem em um único artigo. <strong>Hoje detenho-me em apontar as consequências da fuga no corpo e na imagem visual do corpo. </strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-humanidade-hoje-possui-uma-extrema-deficiencia-em-viver-a-aisthesis-estetica-do-corpo">A humanidade hoje possui uma extrema deficiência em viver a <em>aisthesis</em> (estética) do corpo.</h2>



<p>A estética do corpo hoje nos remete erroneamente às ideais: visualidade e padrão de beleza. A palavra estética provém da palavra <em>aisthesis</em>– capacidade de sentir o mundo, compreendê-lo pelos sentidos, é o exercício das sensações. Portanto, <strong>a estética do corpo nada mais é do que a capacidade de se sentir corpo e compreender-se pelos sentidos.</strong> Devemos lembrar que alma também é corpo. Se o corpo sai de cena, a alma também sai.</p>



<p>Nem mesmo o atleta conhece isso. O atleta busca enormidades e grandiosidades. Ele conhece o corpo de forma mecânica e quebra recordes com isso, mas não faz maravilhas. Nunca mais apareceu um Garrincha, pois Afrodite sumiu e <strong>as abstrações entraram: números de otimização e de performance. O mais importante é ganhar. </strong></p>



<p>A visualidade e o padrão não são inimigos, tornam-se inimigos no momento que tendem ao enormismo. Como aponta James Hillman, tudo o que é enorme é feio<strong>. O enorme aqui empregado pelo autor é algo que não possui finitude. Esse enorme é compulsivo, obsessivo, não possui limites.&nbsp;</strong></p>



<p><strong>Devemos abstrair de forma última em prol da otimização.</strong> Um rosto deve possuir tais e tais medidas; o corpo deve ser liso, sedoso, sem pelos; manchas e pintas são inaceitáveis; os órgãos genitais devem possuir determinada cor, formato e tamanho. O sexo atualmente é visual e padronizado. Foi cooptado pela imagem visual do sexo da atualidade: a pornografia. O grande fenômeno disso é, sem dúvidas, a pornografia – um lugar onde Afrodite jamais pisou.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-e-dificil-alguem-olhar-no-espelho-hoje-e-a-beleza-estar-la"><strong>Como é difícil alguém olhar no espelho hoje e a beleza estar lá.</strong></h2>



<p>A voz que chega não é a da beleza ou de Afrodite. A imagem visual do corpo foi cooptada pelo enormismo sem limites. A palavra abstração, vale lembrar, sempre é uma <strong>subtração</strong>. E o que foi subtraído nessa dinâmica foi a beleza, a <em>aisthesis</em>, o corpo e a alma. </p>



<p>Em troca, a abstração nos traz números: quilos, gramas, centímetros, metros – que leva a uma busca errônea pela harmonia.&nbsp;<strong>Curioso é aquele procedimento de “harmonização facial”. Melhor seria se fosse chamado de “padronização capitalista facial”.</strong>&nbsp;Na mitologia, Harmonia é filha de Afrodite. Se a deusa se foi, como poderia conceber a filha?</p>



<p>Se a beleza se exibe por meio da&nbsp;<em>aisthesis&nbsp;</em>do corpo (cheiros, gostos, visões, texturas, músicas) e a harmonia nasce dela e estamos a cada dia mais distantes delas pois estamos subtraindo-as, q<strong>uem estaria falando em nossos ouvidos quando estamos diante do espelho? Os seres do enormismo são os titãs.&nbsp;</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-aquilo-que-a-humanidade-atualmente-entende-por-beleza-nao-e-de-forma-alguma-beleza-e-compulsao-e-obsessao"><strong>Aquilo que a humanidade atualmente entende por beleza não é de forma alguma beleza, é compulsão e obsessão.</strong></h2>



<p>Grande parte da humanidade vive hoje uma epidemia psíquica de transtorno compulsivo obsessivo. </p>



<p>A psicologia profunda não pode mais deter-se somente à análise do indivíduo.&nbsp;<strong>É necessária uma análise da coletividade.&nbsp;</strong>Não podemos somente conceber que existe uma fraqueza ou um defeito em nós sem antes duvidarmos da inquestionabilidade dos padrões coletivos.&nbsp;</p>



<p>Retornamos ao titanismo.&nbsp;<strong>Por estar ligado à abstração padronizante, não faz parte do nosso mundo, portanto, não possui limites.</strong>&nbsp;É uma voz que vem do Tártaro, um lugar mais abaixo do submundo; na minha imaginação, mais infernal do que o inferno.&nbsp;</p>



<p>Por não possuir limites, o limite é reprimido quando vem as vozes novamente:&nbsp;<strong>“só vai ser mais esse procedimento e pronto”; “só menos um quilinho” e parece que jamais acabará.&nbsp;</strong></p>



<p>Será possível deixarmos de confundir a voz dos titãs com a de Afrodite? É um desejo meu.&nbsp;<strong>Afinal, o enormismo desvirtua-nos da alma, ameaçando nossa saúde mental e física.</strong></p>



<p>A obsessão por padrões de beleza abstratos, promovidos por indústrias e pela mídia, cria um delírio coletivo, que chamamos de realidade, em que a beleza foge e restam os números, medidas e conformidade com normas inatingíveis. É dever da psicologia profunda acompanhar a humanidade <strong>no questionamento dos padrões coletivos e feios</strong>, <strong>convidando novamente Afrodite para o nosso mundo. </strong></p>



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<iframe title="Artigo novo: Afrodite não está no espelho: uma crítica aos padrões estéticos da contemporaneidade" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/phEAgq2jJE8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/leostorres/">Leonardo Torres – Membro analista em formação</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi – Membro didata</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências: </strong></h2>



<p>HILLMAN, James. <strong>Cidade e Alma</strong>. São Paulo: Studio Nobel,1993. </p>



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		<title>Vampyroteuthis Infernalis e o ego demasiadamente ego</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/vampyroteuthis-infernalis-e-o-ego-demasiadamente-ego/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Sep 2023 16:11:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Medo]]></category>
		<category><![CDATA[Numinoso]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[Psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[arquetípico]]></category>
		<category><![CDATA[arquétipo]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[ego]]></category>
		<category><![CDATA[luminoso]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[vilem flusser]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Descubra as fascinantes características do Vampyroteuthis Infernalis e sua relação com o ego humano neste ensaio filosófico baseado na obra de Vilém Flusser. Explore as conexões entre bioluminescência, psicossomática e comunicação neste mergulho nas profundezas da mente e do oceano.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;<em>Vampyroteuthis Infernalis</em>: Um Tratado&#8221; é uma obra do filósofo tcheco-brasileiro<strong> Vilém Flusser</strong> que explora uma série de temas filosóficos por meio do estudo do <em>vampirotheutis infernalis</em>, uma espécie de <strong>lula abissal</strong>. O livro é um ensaio filosófico que utiliza o animal <em>vampyroteuthis infernalis</em> como um <strong>espelho</strong> para nós seres humanos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-o-vampyroteuthis-infernalis">Sobre o Vampyroteuthis infernalis</h2>



<p>O Vampyroteuthis infernalis, também conhecido como &#8220;vampiro do inferno&#8221;, é uma espécie de lula que vive em ambientes extremos nas profundezas do oceano. Uma das características mais notáveis do Vampyroteuthis infernalis é a sua capacidade de <strong>bioluminescência</strong>. Ele tem órgãos emissores de luz, fotóforos, localizados em várias partes do seu corpo, inclusive nos tentáculos. Essa característica é usada para confundir predadores e pode ser um método de comunicação entre membros da mesma espécie.</p>



<p>O molusco possui um corpo gelatinoso que o ajuda a flutuar nas águas profundas e escuras onde vive. A sua estrutura corporal é mais próxima da de uma água-viva do que da de outras lulas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-viver-do-vampyroteuthis-infernalis">O viver do Vampyroteuthis infernalis</h2>



<p>Entre seus oito braços, existe uma espécie de membrana que se parece com a asa de um morcego. Isso contribui para o seu nome popular e para sua capacidade de se mover de forma eficiente.<strong> Já, seus braços ou tentáculos também são seus órgãos genitais e é com eles que o molusco descobre o mundo ao seu redor. </strong>O animal tem a capacidade de <strong>mudar a cor de sua pele</strong>, o que serve para camuflagem e possivelmente para comunicação.</p>



<p>O <em>Vampyroteuthis infernalis</em> é encontrado em águas profundas. Geralmente profundidades que variam de seicentos a novecentos metros, embora possam ir ainda mais fundo. Ele habita zonas onde a luz do sol não penetra, em um ambiente conhecido como zona afótica do oceano.</p>



<p>A alimentação deste animal é menos compreendida, mas acredita-se que ele se alimenta de detritos orgânicos que caem do oceano acima, conhecidos como &#8220;<strong>neve marinha</strong>&#8220;. É um animal fascinante que desafia muitas de nossas compreensões convencionais sobre a vida marinha.</p>



<p>No livro, o <em>vampyroteuthis </em>é apresentado como um alienígena em relação a nós. Por causa dessa diferença, ele serve como um contraponto para explorar as<strong> </strong>limitações e possibilidades do pensamento humano. Flusser compara o animal ao ser humano de uma forma mais externa – as estratégias de sobrevivência, comunicação e percepção dessa criatura às nossas, destacando tanto as diferenças quanto as semelhanças inesperadas.</p>



<p>Apesar de Flusser não ter sido simpático à teoria C. G. Jung, gostaria de subvertê-lo e propor <em>vampirotheutis infernalis </em>como um <strong>conteúdo psíquico</strong>, ou seja, não um animal separado de nós, mas também <strong>uma <em>imago</em> que se defronta com o ego em algum momento da vida</strong>. Perguntemo-nos: <strong>quem é este vampiro infernal em mim</strong>?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-espanto-do-espanto">O espanto do espanto</h2>



<p>Vale a imaginação: em algum momento da vida o molusco resolve vir à terra ou nós às profundezas. Um humano vê o molusco e se espanta. Seu espanto é duplo. Primeiro, ao ver tamanha criatura e a monstruosa diferença entre ele humano. Segundo, <strong>o</strong> <strong>espanto do espanto</strong>, ao perceber o quanto o próprio ser humano é ser uma criatura peculiar assim como o <em>vampirotheutis infernalis</em>.</p>



<p>Neste momento, sem dúvidas, o indivíduo sentirá o “<strong>humano, demasiadamente humano</strong>” que Nietzsche pregoou. Podemos ir além, o indivíduo percebe que o vampiro do inferno não veio das profundezas literais do mar, mas da <strong>psique</strong>. Ele é um ser espiritual diante do pequeno ego. Portanto, melhor seria parafrasear Nietzsche: “ego, demasiadamente ego”.</p>



<p>Essa paráfrase pode ser entendida como um indício de uma hierofania – uma <strong>aparição divina</strong>. <strong>Momento em</strong> <strong>que o ego reconhece o seu tamanho diante de outros conteúdos espirituais ou psíquicos, sentindo uma repulsão e uma atração, ao mesmo tempo, pelo conteúdo manifesto</strong>. No caso, o vampiro infernal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-racionalismo-e-comunicacao">Racionalismo e comunicação</h2>



<p>Retornando ao livro, Flusser utiliza este animal como um &#8220;modelo perculiar” para compreender aspectos fundamentais da existência humana, incluindo temas como consciência, comunicação, tecnologia e cultura. Aqui quero destacar alguns deles. &nbsp;</p>



<p>Os humanos (egos), embebidos do <strong>racionalismo</strong>, usam a<strong> </strong>linguagem<strong> </strong>altamente abstrata para comunicar ideias, emoções e conceitos. O <em>vampyroteuthis</em>, por outro lado, utiliza uma forma mais direta e imediata de comunicação por meio de mudanças de cor e padrões na sua pele.</p>



<p>Considerando a lula como um ser de dentro, fica evidente o quanto é possível discorrer sobre a psicossomática neste ponto. O próprio bebê neonato comunica-se mais como lula do que como ego racionalista. O tipo de choro e a coloração da pele do neonato mudam de acordo com a sua demanda, seja fome ou cólica, etc.</p>



<p>Contudo, nós adultos não perdemos isso, mas tentamos esconder com maquiagens e afins. Nada obstante, o vampiro em nós nos suplanta chegando nas dermatites generalizadas.</p>



<p>Flusser discute como os humanos usam a tecnologia, ferramentas, máquinas e sistemas para mediar nossa relação com o mundo. Esta mediação nos permite alterar nossa percepção e interpretação da realidade. Comparando, o <em>vampyroteuthis</em> usa suas habilidades biológicas inatas, como a bioluminescência, para interpretar e interagir com seu ambiente.</p>



<p>O que nos remete, também, a uma possível metáfora e analogia ao filme &#8220;A Chegada&#8221; (2016), no qual a renomada linguista Louise Banks é chamada a codificar mensagens de seres alienígenas, o que faz explorando as diferentes formas de <strong>conexão</strong> possíveis, descobrindo que a <strong>comunicação</strong> vai muito além das linguagens escrita e falada como a conhecemos hoje, compreensão que acaba por refletir até mesmo nas suas percepções sobre tempo e espaço.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-lume-central-abissal">O lume central abissal</h2>



<p>Curiosamente C. G. Jung já chamou as profundezas abissais de “lume central”. É desse que surgem as imagens psíquicas, as representações arquetípicas, as visões, as fantasias e os sonhos. A realidade de dentro é comunicada por uma luminescência desse ser que, por vezes, espera que fechemos os olhos à noite para se comunicar com o pequeno ego, por outras, invade a luz do dia confundindo o pequeno ego.</p>



<p>É importante colocar em xeque o processo civilizatório e a cultura.  Em resumo, eles organizam conhecimento, valores e práticas humanas em uma sociedade, como também consolidam os preconceitos – isto é as repressões psíquica de forma social.</p>



<p>Afinal, qualquer preconceito é uma neurose. Isso força o leitor a questionar o que sabemos sobre nossa própria cultura, realidade e a considerar se nossas maneiras de organização social, moral e ética são realmente &#8216;universais&#8217; ou apenas particularidades humanas. A lula de dentro não quer saber de moralidade e organização.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vampyroteuthis-anima-e-animus">Vampyroteuthis + Anima e Animus</h2>



<p>O <em>vampyroteuthis</em> poderia ser reconhecido como uma representação do arquétipo da Anima e do Animus na teoria de C. G. Jung,<strong> forçando-nos a enfrentar as partes escondidas e não reconhecidas de nossa psique</strong>.</p>



<p>Nesse ritmo, tradicionalmente, o arquétipo da <strong>Anima </strong>representa o feminino interior no psiquismo masculino, enquanto o <strong>Animus</strong> representa o masculino interior no psiquismo feminino. <strong>Estes arquétipos agem como um espelho, refletindo aspectos de nós mesmos que são frequentemente relegados ao inconsciente devido às normas sociais e culturais</strong>. </p>



<p>Com sua bioluminescência e adaptações para um ambiente hostil, a lula é uma manifestação contundente desses arquétipos, que também habitam as &#8220;profundezas&#8221; de nossa mente inconsciente.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large has-small-font-size is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:18px">Sua aparência estranha e capacidades de comunicação fora do comum servem como um lembrete de que há aspectos da existência humana que são igualmente estranhos e enigmáticos. Ele nos faz questionar as estruturas e suposições que tomamos como garantidas, e nos confronta com as partes de nós mesmos que preferimos manter ocultas.</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-profundezas-da-psique">Profundezas da psique</h2>



<p>Ao equiparar as manifestações biológicas do <em>vampyroteuthis</em>, como a bioluminescência, com as manifestações arquetípicas, como sonhos e visões, estamos de certa forma honrando a &#8220;luminescência&#8221; interior de nossa própria psique. Ambas as formas de comunicação são tentativas de iluminar o desconhecido, de fazer sentido de um mundo que é muito maior e mais complexo do que nossa compreensão limitada pode abranger.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:18px">
<p style="font-size:18px"><em>Assim, a obra de Flusser e o vampyroteuthis servem como um convite para explorar as &#8220;águas profundas&#8221; de nossa própria psique, para nos familiarizarmos com os aspectos menos compreendidos de nossa própria humanidade.</em></p>
</blockquote>



<p>O animal e os arquétipos nos oferecem uma oportunidade para a introspecção e a auto-descoberta, nos instigando a ir além das limitações do ego e a explorar o vasto oceano do inconsciente. E tal como o vampyroteuthis, os arquétipos, em sua interação com o ego, revelam que somos, todos nós, &#8220;monstros&#8221; em nossas próprias maneiras.</p>



<p>Por final vale lembrar que disse que <em>desse abismo nós temos permissão somente para conhecer as bordas</em>.</p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/leostorres/">Leonardo Torres &#8211; Analista em Formação IJEP</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Diretor e Analista Didata IJEP</a></p>



<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>FLUSSER, Vilem. Vampirotheutis Infernalis: um tratado. São Paulo: Editora Ubu, 2019.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. 10ª ed. Petrópolis: Vozes, 2016.</p>



<p></p>
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		<title>Trabalho e Lazer: entre a Máscara Brilhante e a Alma Suicida</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/trabalho-e-lazer-entre-a-mascara-brilhante-e-a-alma-suicida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jun 2023 17:52:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[cansaço]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[lazer]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste cenário contemporâneo, o indivíduo se vê constantemente dividido entre a demanda de produtividade representada pela "máscara do colaborador" e a necessidade vital de sua alma, muitas vezes negligenciada, conduzindo a um estado de angústia e exaustão. A máscara do trabalho e a ansiedade gerada por ela obscurecem a conexão do indivíduo com a sua essência, muitas vezes levando ao esgotamento e à autodestruição. Paradoxalmente, a ideia de lazer foi corrompida pela lógica produtivista, se tornando um palco para autopromoção em vez de um espaço para descompressão. Reconhecer a angústia e reivindicar um lazer verdadeiro são passos essenciais para restaurar a conexão com a alma e construir uma existência mais plena e autêntica.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>O despertador toca e lá vai você para mais um dia. Para se ambientar, você lembra que foi um sobrevivente de uma pandemia, não precisa mais de máscaras e já está no ano de 2023. Lembra, no entanto, que uma máscara especificamente você precisa – a do colaborador.</em></p>



<p>Afinal, hoje é segunda, dia de trabalhar. Ontem não foi um dia sem trabalho, você respondeu aquela mensagem de Whatsapp do chefe, deu uma conferida numa planilha ou outra e abriu a caixa de e-mails só para não se assustar amanhã. </p>



<p>No chuveiro, já relembra da planilha e pensa “eu não posso esquecer aquela alteração que eu pensei em fazer ontem! Tenho que fazer assim que me sentar no computador”. Então, vem o café da manhã, que tem que ser rápido, pois como é de praxe, você sempre demora para acordar na segunda-feira. Sim, a função “soneca” de todos os celulares trabalham mais nas segundas-feiras pelo mundo inteiro.</p>



<p>Seja presencial ou em home office, neste momento você está praticamente pronto para embarcar nas planilhas, planejamentos, atendimentos, reuniões, seja o que for. E, num piscar de olhos, você se cala com a boca de feijão. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-calar-se">Calar-se&#8230;</h2>



<p>Mas esse calar-se não traz um silêncio ou um ócio. Traz as lembranças aceleradas da manhã de trabalho – do que deve ser feito ainda e do que pode ser melhorado. Nada pode ser deixado para trás. Afinal, é a sua carreira que está em jogo. Assim como o operário deve apertar todos os parafusos na fábrica e o motorista de Uber deve aceitar todas as corridas, você não pode deixar a oportunidade passar!&nbsp;</p>



<p>Curiosamente, apesar de você corresponder e responder prontamente as demandas do mundo de fora, no mundo de dentro acontecem coisas que dá vontade de ignorar: aquela ansiedade quando o despertador toca; aquela aflição quando o chefe envia mensagem ou e-mail; aquela angústia provinda dos lapsos de memória que levam você a se perguntar “eu tomei banho hoje?” “o que eu tomei de café da manhã?”. Sem falar da melancolia de domingo à noite ao som do programa Fantástico. Tanto ansiedade como aflição, angústia levam o indivíduo a um sentimento de “prisão”. Mas como poderia, se com a máscara do colaborador e seu status, seu dinheiro e suas férias você pode fazer o que quiser?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tomemos-a-palavra-angustia-para-analise">Tomemos a palavra “angústia” para análise.</h2>



<p>A palavra &#8220;angústia&#8221; vem do latim &#8220;angustia&#8221;, que significa &#8220;estreiteza, aperto, constrangimento&#8221; e deriva de &#8220;angustus&#8221;, que significa &#8220;estreito&#8221;. O termo passou para as línguas românicas com um sentido mais abstrato, referindo-se a um sentimento de desconforto mental ou emocional. Este termo pode ser rastreado ainda mais para trás, até o proto-indo-europeu (uma língua reconstruída que é o ancestral comum de todas as línguas indo-europeias), na qual a raiz &#8220;*angh-&#8221; significa &#8220;apertado, dolorosamente apertado, angustiado&#8221;.  </p>



<p>Enquanto o seu papel social, cheio de status, está poderoso, monetizado e relativamente livre nas férias, a sua alma está sofrendo. Este aperto é mais do que um simples aperto. É a alma se automutilando, devorando ela mesma. Assim como uma fera que depois de uma luta mortal tem sua barriga aberta e acaba comendo as próprias entranhas.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><a><strong>Num ato suicida e faminto, quando cárcere de alguém somente preocupado com sua máscara, a alma se mata quantas vezes for preciso em prol de deprimir o indivíduo e o seu sorriso brilhante.&nbsp;</strong></a></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-nessa-imagem-que-voce-se-encontra">É nessa imagem que você se encontra.</h2>



<p>Suicida e faminto à deriva oceânica do neoliberalismo, sozinho esperando o vento que te levará ao tesouro dos “1 milhão de reais aos 30 anos”. A palavra &#8220;oportunidade&#8221; que enfatizamos acima tem a ver com essa imaginação. Sua origem no latim &#8220;<em>opportunitas</em>&#8220;. Esta, por sua vez, vem de &#8220;<em>obportus</em>&#8220;, uma combinação de &#8220;<em>ob-</em>&#8221; que significa &#8220;em direção a&#8221; e &#8220;<em>portus</em>&#8221; que significa &#8220;porto&#8221;. Por sua vez, &#8220;<em>obportus</em>&#8221; pode ser entendido como um vento favorável levando um navio em direção ao porto. Na língua latina, a palavra &#8220;<em>opportunitas</em>&#8221; era usada para descrever a chegada conveniente ou a chegada no tempo certo e foi adotada nas línguas românicas, inclusive no português, para indicar uma circunstância favorável, um momento propício ou uma chance.</p>



<p>Ironicamente, este vento da oportunidade é mais próximo à alma do que à máscara. Existe uma relação etimológica entre &#8220;alma&#8221; e &#8220;vento&#8221; em muitas tradições culturais e linguísticas. Na tradição judaico-cristã, por exemplo, a palavra hebraica para espírito é &#8220;<em>ruach</em>&#8220;, que também pode significar &#8220;vento&#8221; ou &#8220;respiração&#8221;. No Novo Testamento, a palavra grega &#8220;<em>pneuma</em>&#8221; tem um significado semelhante. Estes termos são usados para se referir tanto ao espírito humano quanto ao Espírito Santo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-latim-a-palavra-anima-pode-significar-alma-mas-tambem-sopro-respiracao-ou-vida">Em latim, a palavra &#8220;<em>anima</em>&#8221; pode significar &#8220;alma&#8221;, mas também &#8220;sopro&#8221;, &#8220;respiração&#8221; ou &#8220;vida&#8221;. </h2>



<p>A palavra &#8220;<em>anima</em>&#8221; também deu origem à palavra &#8220;animal&#8221;, referindo-se a qualquer ser vivo que respira. Na filosofia grega antiga, a palavra &#8220;<em>psyche</em>&#8220;, que significa &#8220;alma&#8221;, também pode ser entendida como &#8220;sopro de vida&#8221;. Enquanto que na tradição hindu a palavra sânscrita &#8220;<em>prana</em>&#8221; refere-se à força vital universal que é inalada e exalada como a respiração &#8211; estabelecendo assim um vínculo entre a alma, o vento e a respiração. Portanto, embora as palavras &#8220;alma&#8221; e &#8220;vento&#8221; não tenham uma conexão direta etimológica em português, elas estão ligadas em várias tradições linguísticas e culturais por meio do conceito de respiração ou sopro de vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-mascara-do-colaborador-nao-deixa-de-ser-importante-mas-usa-la-a-todo-momento-nao-te-permite-respirar-em-sua-totalidade">A máscara do colaborador não deixa de ser importante, mas usá-la a todo momento não te permite respirar em sua totalidade.</h2>



<p>A alma precisa estar presente para qualquer oportunidade surgir. Na realidade, usar a máscara todos os dias garante uma alta produtividade, mas não garante criatividade e diversidade de vida. Neste mundo acelerado produtivista, o indivíduo torna-se disperso e dividido entre várias tarefas. Com a ânsia de manter-se atento e produtivo, o indivíduo contemporâneo sacrifica o tempo de integração dos vários aspectos da personalidade. Para Byung Chul Han, manter-se na máscara é estar de olhos bem abertos; já para sentir o vento da alma, é necessário fechar os olhos.&nbsp;</p>



<p>O indivíduo de olhos bem abertos tem a alma faminta pois o que ele ingere não a alimenta. A cada dia ele consome um excesso de positividade, de produtividade e de estimulações midiáticas dopaminérgicas. E quando ele escuta o ronco faminto da alma, o que reverbera na angústia sem igual, faz ela se calar consumindo benzodiazepínicos.</p>



<p>Mas a alma não adormece, ela continua em seu ato fago-suicida. Levando o indivíduo a um estado de constante cansaço e esgotamento. Han chama esse estado social de &#8220;sociedade do cansaço&#8221; ou da exaustão. O verbo &#8220;exhaurire&#8221; pode ser dividido em duas partes: 1) &#8220;ex-&#8220;, que significa &#8220;fora&#8221;, e 2) &#8220;haurire&#8221; que significa &#8220;tirar&#8221; ou &#8220;drenar&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-alma-foi-drenada-ou-tirada-de-cena-nessa-sociedade">A alma foi drenada ou tirada de cena nessa sociedade.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><strong>Byung Chul Han defende a ideia de ócio ativo e do lazer como uma saída para esta situação, o que se aproxima de Carl Gustav Jung quando aponta: é olhando para dentro que encontraremos a verdadeira oportunidade e criatividade do viver.&nbsp;</strong></p>
</blockquote>



<p>Curiosamente, a palavra “lazer” é também relacionada a “oportunidade”. A palavra &#8220;lazer&#8221; em português tem suas origens na língua francesa. Ela vem da palavra &#8220;<em>loisir</em>&#8220;, que por sua vez vem do latim &#8220;<em>licere</em>&#8220;. &#8220;<em>Licere</em>&#8221; em latim significa &#8220;ser permitido&#8221;, o que indica uma atividade que é livre para ser realizada, sem obrigações. </p>



<p>No francês antigo, &#8220;<em>loisir</em>&#8221; também tinha o significado de &#8220;oportunidade&#8221; ou &#8220;tempo livre&#8221;, que se assemelha ao nosso uso moderno da palavra &#8220;lazer&#8221;. Com o tempo, essa palavra passou para o português como &#8220;lazer&#8221;, mantendo o sentido de tempo livre para atividades que não são trabalho ou obrigações.</p>



<p>Nada obstante, <strong>Byung Chul Han</strong> afirma que a própria noção de lazer está sendo corrompida, transformando-se em um meio de aumentar a produtividade em vez de ser um momento de reflexão, repouso e recuperação. Em contraste com a visão de lazer como um tempo livre e relaxante, Han propõe que estamos numa era de &#8220;trabalho de lazer&#8221; (<em>Freizeitarbeit</em>) em que as atividades recreativas são, frequentemente, incorporadas na lógica da maximização da produtividade e do autoaperfeiçoamento constante. Isso reflete uma sociedade em que cada momento, inclusive o lazer, é mercantilizado e torna-se outra oportunidade para &#8220;melhorar&#8221; as máscaras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-pouco-de-foucalt-e-nietzsche">Um pouco de Foucalt e Nietzsche</h2>



<p><strong>Michel Foucault</strong> aponta que vivemos em uma sociedade panóptica, em que estamos constantemente sendo vigiados e, portanto, nos disciplinamos para atender às normas sociais e às expectativas de desempenho. </p>



<p>Este conceito se aplica também ao lazer, onde cada atividade pode ser monitorada e avaliada. Redes sociais, por exemplo, tornaram-se espaços onde as atividades de lazer são exibidas. Transformando o lazer em um ato performativo e de busca por monetização.</p>



<p><strong>Assim como quando Nietzsche olha para o abismo e ele olha de volta, o usuário da rede social olha para a imagem midiática, a imagem midiática olha para ele, em um ato punitiv</strong>o.</p>



<p><strong>O panóptico foucaultiano foi internalizado</strong>. Este fenômeno pode levar a uma sensação de obrigação de &#8220;fazer lazer&#8221; de maneira produtiva e visível, o que, por sua vez, assassina a essência do lazer como uma oportunidade para desacelerar e desfrutar.</p>



<p>Percebe-se, enfim, que o contexto social contemporâneo conduz o indivíduo a um ciclo incessante de trabalho, a um ritmo cada vez mais acelerado e mecanizado. A máscara do colaborador, necessária para a adaptação ao ambiente externo, transforma-se em uma casca dura, sufocando a alma e privando-a de respirar, de viver plenamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-angustia-e-oportunidade">Angústia e oportunidade</h2>



<p>Nesse ínterim, a angústia, fruto de um intenso aperto interno, emerge como um alerta contínuo da necessidade de nos reconectarmos com nossa essência.</p>



<p>Nesse contexto, a ideia de &#8220;oportunidade&#8221;, inicialmente ligada à máscara do colaborador, deve ser ressignificada para se alinhar com a alma, trazendo à tona a respiração, o sopro de vida. É imperativo para a autonomia do indivíduo que o foco não seja apenas na produtividade, mas também no espaço para a reflexão, a criatividade e a diversidade de experiências de vida.</p>



<p>Por outro lado, a atual concepção de lazer é desafiada pela lógica da produtividade. Lógica essa que insidiosamente se infiltra até mesmo em nossos momentos de descanso. Ao invés de ser um momento de descompressão, o lazer torna-se outro palco para a performance e a autopromoção, uma vez que a sociedade panóptica nos impele a estar constantemente vigiados e a exibir nossas vidas nas redes sociais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-cabe-nos-questionar-e-refletir-sobre-esses-modelos-impostos">Cabe-nos questionar e refletir sobre esses modelos impostos.</h2>



<p><strong>A máscara do colaborador é necessária, mas não pode ser a única face da existência. </strong></p>



<p>Oportunidades, em sua essência mais pura, devem estar alinhadas à alma, ao sopro de vida. O lazer precisa ser recuperado como um tempo livre, como um espaço para a reflexão e a recuperação, não apenas outra arena para a demonstração de produtividade.</p>



<p>Reconhecer a necessidade de harmonia, dar voz à angústia e resgatar os alimentos da alma são passos fundamentais para a construção de uma existência mais plena, autêntica e integrada. </p>



<p>Enfim, em vez de ser meramente um colaborador sobrevivente na deriva oceânica do neoliberalismo, é necessário reivindicar nossa condição como seres humanos cheios de multiplicidade, capazes de navegar com consciência e propósito nas águas tumultuadas do mundo contemporâneo.</p>



<p>Membro Analista em Formação: <strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/leostorres/">Leonardo Torres</a></strong></p>



<p>Membro Analista Didata: <strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi</a></strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Trabalho e Lazer: entre a máscara brilhante e a alma suicida | Leonardo Torres" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/R1QspsdC7Ag?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>REFERÊNCIAS: </strong></h2>



<p>FOUCAULT, Michel.&nbsp;Vigiar e Punir: o nascimento da prisão. 20ª ed. São Paulo: Vozes, 1999.</p>



<p>HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. 2. ed. ampliada. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p>JUNG, C. G. Obras Completas. Petrópolis: Vozes.</p>



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		<title>O Eu Astronauta e o Efeito Terra</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-futuro-e-uma-astronave-que-tentamos-pilotar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 May 2023 13:30:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[astronauta]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[efeito terra]]></category>
		<category><![CDATA[futuro]]></category>
		<category><![CDATA[leonardo torres]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=7537</guid>

					<description><![CDATA[<p>O futuro é uma astronave que tentamos pilotar? Será mesmo que o futuro é uma astronave que tentamos pilotar?? Embarque comigo nessa jornada do ego rumo ao futuro desconhecido e enigmático.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em> O futuro é uma astronave que tentamos pilotar?</em></strong></p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Toquinho e Vinicius De Moraes - Aquarela" width="814" height="611" src="https://www.youtube.com/embed/7xILB005PTQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-center is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>



<p class="has-text-align-center" style="font-size:16px"><em>O futuro é uma astronave<br>Que tentamos pilotar<br>Não tem tempo, nem piedade<br>Nem tem hora de chegar<br>Sem pedir licença, muda a nossa vida<br>E depois convida a rir ou chorar</em></p>
<cite>Aquarela, Toquinho.</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-gostaria-de-pedir-licenca-a-toquinho-para-entender-a-palavra-futuro" style="font-size:21px">Gostaria de pedir licença a Toquinho para entender a palavra “futuro”.</h2>



<p><em>O <strong>futuro</strong> é uma astronave que tentamos pilotar? Na minha fantasia, poderíamos trocar essa palavra por “<strong>vida</strong>”, por “<strong>destino</strong>”, por “<strong>designação</strong>” e até, à luz da teoria junguiana, por “<strong>si-mesmo</strong>”. Não à toa o compositor menciona que “tentamos pilotar”. <strong>É um insucesso já desde o começo se pilotamos a partir dos desejos do ego.</strong></em></p>



<p>Essa estrofe deixa o leitor olhando diretamente para o<strong> incognoscível</strong>, para a incerteza e para a insegurança. É exatamente essa imagem de pequenez inértica que queremos manter neste artigo. </p>



<p>Podemos ir além e sugerir que o si-mesmo, além da <strong>astronave</strong> é também tudo o que pode ser vislumbrado e tudo o que não pode ser vislumbrado. Contudo, para este artigo, fiquemos com a astronave e com o nosso singelo planeta.</p>



<p>Devemos nos libertar ou pelo menos imaginar tal liberdade antinômica em prol de entender que aquilo que o <strong>destino</strong>, o futuro ou o si-mesmo trazem é amigável e hostil. É piedoso e não piedoso, não pede licença, mas já avisou nas sincronicidades, nos sonhos, entre outros. E, no fim, a risada e o choro foram, são e serão inevitáveis.</p>



<p>Na psicologia junguiana, o <strong>ego</strong> representa a centralidade da consciência de nossa personalidade total e nos ajuda a manter certa coerência e coesão por meio de um labor árduo em busca de uma harmonia entre o mundo interno e externo. Não à toa C. G. Jung afirma que <strong>a consciência possui pés vacilantes</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-egos-somos-astronautas-cheios-de-medo-e-furia-pilotando-essa-astronave">Nós, egos, somos astronautas cheios de medo e fúria pilotando essa astronave.</h2>



<p>Nessa missão espacial a qual o eu astronauta perpassa aqui, ele não lançou a astronave em órbita, muito menos a pilota completamente. É quase um passageiro, mas além de ser um passageiro também é um gerente de si mesmo e uma testemunha daquilo que acontece dentro e fora dela, lançando o olhar para cometas, planetas e galáxias – deslumbrado e apavorado.</p>



<p>Apesar de tal grandeza diante dos olhos do eu astronauta, não é de sua capacidade e da competência viajar para este infinito, ele orbitará o planeta Terra, mais especificamente. E isso já basta. Mas, antes disso, ele possui um devir e um dever de testemunhar o trajeto orbital da astronave. <strong>Cabe ao astronauta gerenciar a si mesmo para seguir com sua missão humanitária</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ser-testemunha-nao-e-uma-missao-facil"><strong>Ser testemunha não é uma missão fácil</strong>.</h2>



<p>A palavra &#8220;testemunha&#8221; tem origem no latim e deriva da palavra &#8220;testis&#8221;, que significa &#8220;aquele que atesta&#8221;. &#8220;Testis&#8221; é formada por duas partes: &#8220;ter-&#8221; e &#8220;-stis&#8221;. O prefixo &#8220;ter-&#8221; vem do latim &#8220;tres&#8221;, que significa &#8220;três&#8221;, e a raiz &#8220;-stis&#8221; tem origem no protoindo-europeu &#8220;*sta-&#8220;, que significa &#8220;estar em pé&#8221; ou &#8220;estar de pé&#8221;. Por isso a ideia original de uma testemunha é alguém que &#8220;<strong>está de pé</strong>&#8221; como um terceiro observador amoral, que pode confirmar ou corroborar um evento ou situação.</p>



<p>Ser testemunha da grandiosidade do trajeto da astronave, sem sentenciar que aquele cometa é destrutivo ou que aquele planeta “vizinho” é melhor do que o nosso não é tarefa fácil. Afinal de contas, muitos de nós astronautas estamos preocupados com o fim da Terra, com uma colisão de um cometa, ou então, procurando um novo planeta para exaurir sua vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-compaixao-compreensao-e-comunhao">Compaixão, compreensão e comunhão</h2>



<p><em>Para testemunhar e não sentenciar o seu treinamento, ainda em solo, foi ter em mente três palavras, em ordem: <strong>compaixão, compreensão e comunhão</strong>.</em></p>



<p>Ninguém lhe explicou nada, apenas pediu para que ele decorasse essas três palavras. Após essa fantasia do autor ou de uma viagem espacial do mesmo, este, por sua vez, resolveu ampliar as palavras.</p>



<p>A palavra &#8220;<strong>compaixão</strong>&#8221; tem origem no latim e é formada pela combinação do prefixo &#8220;com-&#8221; e a palavra &#8220;passio&#8221;. O prefixo &#8220;com-&#8221; vem do latim &#8220;cum&#8221;, que significa &#8220;junto&#8221; ou &#8220;com&#8221;. A palavra &#8220;passio&#8221; deriva do verbo latino &#8220;pati&#8221;, que significa &#8220;sofrer&#8221; ou &#8220;sentir&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-portanto-a-palavra-compaixao-originalmente-significa-sofrer-com-ou-sentir-junto-a-dor-de-outrem" style="font-size:19px">Portanto, a palavra &#8220;compaixão&#8221; originalmente significa &#8220;sofrer com&#8221; ou &#8220;sentir junto&#8221; a dor de outrem.</h2>



<p>Este primeiro passo é de suma importância pois ele permitirá ao eu astronauta sentir junto as mazelas de seus companheiros de viagem (outros astronautas). Bem como reconhecer à distância de um buraco negro engolindo um planeta, ou então, presenciar o fim sepulcral de uma estrela se apagando.</p>



<p><em>Seria possível sentir ou imaginar o sentimento dos companheiros de viagem que não sabem se vão voltar para casa. Ou daqueles que, se não voltarem, serão consagrados por milhões de terráqueos? </em></p>



<p>Ou então, da <strong>fome titânica de um buraco negro</strong>. Quiçá a desfiguração inteira de um planeta agonizando, saindo da ordem e se dirigindo ao caos, em milésimos de segundos? Talvez, sentir a morte tocando uma estrela, que em um segundo atrás estava viva há bilhões de anos e agora é um nada?<br></p>



<p>Somada à <strong>compaixão</strong>, a palavra &#8220;<strong>compreender</strong>&#8221; seria o próximo passo. Ela tem origem no latim e deriva da junção de duas partes: o prefixo &#8220;com-&#8220;, já visto, e a palavra &#8220;prehendere&#8221;. A palavra &#8220;prehendere&#8221; significa &#8220;agarrar&#8221;, &#8220;apreender&#8221;, “abraçar”. Fiquemos com esta última para não cairmos na ideia de que a razão e somente ela seria capaz de compreender.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-compreender-vai-alem-de-um-simples-raciocinio" style="font-size:21px">Compreender vai além de um simples raciocínio.</h2>



<p><strong>É colocar o racional e o irracional juntos em prol da perspectiva de vida de outrem</strong>. Sem a compreensão, o eu astronauta não pode apreender e abraçar tanto a inferioridade que reside no ímpeto heróico de seu companheiro de conquistar e exaurir outros planetas vizinhos ao planeta azul. No mesmo sentido, a sede de superioridade que possuiu o outro companheiro antes da jornada e agora está com aquele medo avassalador, querendo pisar em terra firme novamente.</p>



<p>Compreender é <strong><em>circum-ambular</em></strong> tanto dentro quanto fora da astronave. É compreendendo que o eu astronauta reconhecerá a dor e a beleza do caos do universo, buracos negros famintos, cometas apocalípticos. </p>



<p>Somente a compreensão aponta para a grandiosidade da pequenez daquilo que chamamos de “vida” em nosso minúsculo planeta. E, da certeza que dominou a improbabilidade de surgir essa tal “vida”.</p>



<p><strong>Somente a compreensão é capaz de reconhecer o que nós, seres humanos, fizemos de criativo e destrutivo com a vida, tão rara, em nosso planeta</strong>.</p>



<p>A vida quando vista em sorriso e sangue torna-se um universo particular neste momento. Nesse contexto, a compreensão não é uma conclusão: não chegaremos ao ponto final de afirmar “o ser humano deve ser extinto” ou então “ele deve perpetuar diante de tudo”. Assim sendo, c<strong>ompreender é abraçar luz e sombra da criação e destruição a fim de seguirmos à próxima palavra.</strong></p>



<p>A palavra &#8220;comunhão&#8221; também tem origem no latim e deriva da junção de duas partes: o prefixo &#8220;com-&#8221; e &#8220;unio&#8221;.  Já &#8220;unio&#8221; vem do latim &#8220;unus&#8221;, que significa &#8220;um&#8221; ou &#8220;único&#8221;. A palavra &#8220;comunhão&#8221; em latim é &#8220;communio&#8221;, e representa a ideia de juntar-se, compartilhar ou ter algo em comum.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-overview-effect-efeito-terra"><strong>Overview Effect</strong> (Efeito Terra)</h2>



<p>Este último passo da testemunha já fora descrito: o <strong>Overview Effect</strong> (Efeito Terra) é um termo cunhado pelo escritor e pesquisador Frank White em seu livro &#8220;The Overview Effect: Space Exploration and Human Evolution&#8221;, publicado em 1987. Este fenômeno se refere à profunda <strong>transformação que alguns astronautas experimentam ao ver a Terra do espaço</strong>.</p>



<p>Quando os astronautas observam a Terra de uma perspectiva extraterrestre, eles frequentemente relatam uma intensa consciência de que nosso planeta é uma esfera finita e frágil, flutuando no vasto vazio do espaço.</p>



<p>Essa percepção pode levar a uma maior compreensão da interconexão e interdependência de todos os seres vivos e sistemas terrestres, bem como à necessidade de proteger e preservar nosso planeta.</p>



<p>O <strong>Overview Effect</strong> também pode desencadear uma mudança na percepção das fronteiras e divisões humanas, fazendo com que os astronautas enxerguem a humanidade como uma única unidade coletiva, compartilhando um destino comum no planeta Terra, ou então, do “futuro” de<strong> Aquarela</strong>.<br></p>



<p>Essa perspectiva pode inspirar um maior senso de <strong>responsabilidade</strong> global e cooperação entre as nações e culturas, em busca de soluções para os desafios enfrentados pela humanidade, como mudanças climáticas, guerra, desigualdade de todos os tipos, pobreza e degradação ambiental.</p>



<p>Vale perceber que aqui já não menciono mais os buracos negros, outros planetas habitáveis, cometas próximos ou estrelas morrendo. É, pois, nesse momento em que o eu astronauta e sua nova consciência volta-se para sua casa e reconhece que somos um povo, uma raça e uma vida.<br></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quem-me-acompanhar-nessa-fantasia-talvez-nao-precise-literaliza-la-construindo-uma-astronave-para-vivenciar-o-efeito-terra" style="font-size:18px"><em>Quem me acompanhar nessa fantasia, talvez não precise literalizá-la, construindo uma astronave para vivenciar o Efeito Terra.</em></h2>



<p>Mas, caso você que esteja lendo esse texto e quiser seguir com o projeto pela literalidade, talvez seja criativo e lembre-se dessas três palavras, já que, provavelmente, você possui recursos financeiros e faz parte das hegemonias terrestres.</p>



<p>Quem dera, se as mudanças ocorressem, no linguajar popular, de “cima” para “baixo”. Afinal, sabemos conforme a História, que transformações provindas de “baixo” para “cima” tem o <strong>custo do sangue da vida</strong>.</p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/leostorres/">Leonardo Torres &#8211; Membro Analista em Formação</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Membro Didata</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p>JUNG, C. G. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Petrópolis: Vozes, 2014c.</p>



<p><br>WHITE, F. The Overview Effect: Space Exploration and Human Evolution. Estados Unidos da América: Amer Inst of Aeronautics &amp;, 1987.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="O Eu Astronauta e o Efeito Terra | Leonardo Torres" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/4SM5XaxdFEw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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		<item>
		<title>A mente simulacro e o Labirinto das fake news</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-mente-simulacro-e-o-labirinto-das-fake-news/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Nov 2022 14:09:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[contágio psíquico]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil pós-eleições de 2022 presenciou movimentos um tanto quanto peculiares. Não estou me referindo aqui a quem escolheu um ou outro candidato, mas àquele grupo menor que não aceitou o resultados das urnas, alegando fraude, ficando cega para todo o processo de antifraude que a democracia brasileira desenvolveu, mesmo com a declaração do atual presidente reconhecendo sua derrota. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Brasil pós-eleições de 2022 presenciou movimentos um tanto quanto peculiares proveniente das <strong>fake news</strong>. Não estou me referindo aqui a quem escolheu um ou outro candidato, mas àquele grupo menor que <strong>não aceitou o resultados das urnas</strong>, alegando fraude, ficando cega para todo o processo de antifraude que a democracia brasileira desenvolveu, mesmo com a declaração do atual presidente reconhecendo sua derrota. </p>



<p>Olhando mais atentamente, pode-se reconhecer que o estopim das manifestações dessa minoria foram as mídias digitais que possibilitaram a disseminação de fake news – as notícias falsas.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-em-pesquisas-anteriores-revelamos-o-quanto-o-fenomeno-das-fake-news-e-contagiante-ou-infeccioso"> Em pesquisas anteriores, revelamos o quanto o fenômeno das fake news é contagiante ou infeccioso. </h3>



<p>Quem dispara as fake news não está preocupado com a veracidade da notícia – pois, quer, <em>a priori</em>, <strong>evocar emoções como o medo na população</strong> com intuitos bem definidos. O resultado deste movimento maléfico é tão satisfatório que na época da vacinação contra o COVID-19, <strong>sete em cada dez brasileiros acreditava nestas notícias falsas.</strong> E, evidentemente, hoje não é diferente. </p>



<p>É importante ressaltar de antemão que os meios de comunicação são os centros da sociabilidade humana – o papel desses centros é de criar realidade. <strong>Sobre realidade, vale lembrar, no entanto, que ela é um delírio coletivo aceito por uma maioria e nada mais, isto é, um consenso de imagens de uma sociedade que mantém e regula o <em>modus operandi </em>cultural e social.</strong> </p>



<p>Em épocas mais remotas, o centro da comunicação e da sociabilidade estava focada nos xamãs, depois na Igreja. Nesta época os mitos criavam consensos e narravam desde a criação do mundo até as peripécias dos deuses. Então, as sociedades se organizavam e se civilizavam a partir dessas cosmovisões e do confronto entre elas. Ainda sobre o confronto entre cosmovisões, não à toa temos ainda hoje diversas narrativas sobre mitos e deuses, pois isso garantia que o fenômeno da realidade fosse furtacor e promovia certa alteridade. </p>



<h2 class="wp-block-heading">A ritualização possuía um papel importante aqui – era também uma atualização e uma superação das tensões entre cosmovisões. </h2>



<p>Então, na comunicação de massa como a televisão e o rádio. O que fez com que a modernidade se reorganizasse na que vemos atualmente – consumista, meritocrática e padronizada. Mais recentemente, as mídias digitais criam bolhas de <strong>informação e desinformação</strong> – levando a criação de consenso e de realidade à fragmentação. Aqui não está se defendendo a ideia de que em épocas mais remotas não haviam notícias falsas, mas apontar que nunca na história houve um momento tão fragmentado e volátil da realidade. Encontrar a causalidade do momento atual não é tarefa difícil – basta perguntar: <strong>“pois, a quem serve o Graal?”</strong>. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Isto é, a quem serve a criação da realidade proveniente das Fake News? </h2>



<p>Para os povos primevos até um pouco antes da consolidação da Igreja, a criação de consenso servia à população, garantindo desde a sobrevivência até a passagem dos ensinamentos da tribo. Com a Igreja e o patriarcado houve uma transição até encontrarmos uma sociedade na qual o consenso e a realidade serviam a poucos indivíduos (poder). Então, a partir da cultura de massas e da modernidade, a criação do consenso e da realidade passa a servir ao capital. </p>



<p>No entanto, as redes sociais, filhas da cultura de massa, somente evidenciaram esse processo. Hoje a criação da realidade, pautada pela disseminação do medo, é <strong>uma mantenedora do capital (e do poder que ele gera)</strong>, <strong>infestando e contagiando</strong> a mente da população com o pânico e fazendo-a cometer os atos mais delirantes possíveis. </p>



<p>Em síntese, a imagem que se pode evocar para simbolizar o que o brasileiro presencia no clima pós-eleições é o do <strong>Labirinto</strong>. Constituído por um conjunto de caminhos tortuosos, confusos e intrincados, eles possuem o intuito de desorientar aqueles que são capturados. Na mitologia grega, o labirinto de Creta, construído por Dédalo – exímio arquiteto, enclausurava Minotauro. Quem o assassinou, Teseu, tendo que entrar no Labirinto, iria facilmente se perder se não fosse o fio de Ariadne que lhe proporcionava <strong>uma referência com o mundo exterior. </strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">O fenômeno das fake news é um labirinto que possui ventanias que criam um empuxo de captura. </h2>



<p>Então, quem entra perde-se de tal maneira que passa a acreditar que o próprio labirinto é mais real do que qualquer outra realidade. Aquilo o que Jean Baudrillard denomina de <strong>simulacro</strong>. </p>



<p>Este real mais real que a realidade seria, no caso, uma unilateralização totalitária de ideias. Porque o  indivíduo no labirinto percebe somente duas direções, para frente ou para trás, mesmo quando existe uma bifurcação. Deixando assim sua cosmovisão divida entre bem e mal; certo e errado; bonito e feio; etc. As tonalidades da vida não são mais reconhecidas neste lugar tortuoso. </p>



<p>Por ser uma unilateralização totalitária e não haver outros tons não é possível reconhecer conexões e relações entre os fenômenos da vida. Por isso mesmo, algumas opiniões e comportamentos tendem a ser contraditórios, como, aqui no Brasil, pedir uma intervenção militar para evitar uma ditadura.</p>



<p>Então, não seria exagero sugerir que quem está preso no labirinto possui uma mente simulacro. O <strong>simulacro nada mais é do que uma dissociação. </strong>Entendemos dissociação na psicologia por conteúdos e aspectos da personalidade que foram excluídos da consciência.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como diria C. Jung, a mão direita do indivíduo não saiba o que a mão esquerda faz. </h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>O médico precisa estabelecer um relacionamento com os dois lados da personalidade de seu paciente, pois somente assim poderá recompor o homem em sua integridade e não se ater apenas a um dos lados, reprimindo o outro. Isso o paciente fez sempre, porque a cosmovisão moderna não lhe deixa outra alternativa. Em princípio, sua própria situação individual é a mesma que a coletiva. Ele é um microcosmo social que reflete em pequena escala as características da grande sociedade ou, ao contrário, o indivíduo é a menor unidade social a partir da qual resulta, por acúmulo, a dissociação coletiva. Esta última hipótese nos parece mais provável, na medida em que o indivíduo é o único portador imediato e vivo da personalidade singular, enquanto que a sociedade e o Estado representam apenas ideias convencionais e só podem pleitear a realidade quando se acham representados por um certo número de indivíduos. (JUNG, 10/1, §553).</p></blockquote>



<p>Sendo assim, isso faz com que o indivíduo crie uma fobia à diversidade de outras realidades, fazendo com que ele não crie uma reflexão, uma crítica e julgamentos das ocorrências na sociedade, levando a unilateralização da vida e a quase extinção da alteridade.</p>



<p>O distanciamento da adversidade é, sob a ótica junguiana, um distanciamento do si-mesmo. E somente ele poderá livrar-nos do contágio psíquico de pânico e da <strong>dissociação psíquica</strong> a qual vivemos hoje. Como acreditamos no si-mesmo, com maior ou menor sofrimento, superaremos essa fase, e quem sabe capacitar-nos-emos melhor para enfrentar as <strong>possessões psíquicas</strong> que teremos que enfrentar hoje e no futuro. </p>



<p>Contudo, este trabalho é singular – pessoal. Para C. G. Jung, ninguém se pode valer de <strong>fórmulas</strong> “tenho que”; “deve fazer”; “os 5 passos para”, pois isso seria cair novamente na coletividade unilateral e totalitária.&nbsp;</p>



<p>Autor e Membro analista em formação: <a href="https://blog.sudamar.com.br/?s=leonardo+torres" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Leonardo Torres</a></p>



<p>Membro didata: <a href="https://blog.sudamar.com.br/?s=waldemar+magaldi">Waldemar Magaldi</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A mente simulacro e o Labirinto das fake news | Leonardo Torres" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/uRofnAKWSo0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong>Referências</strong>: </p>



<p>BAUDRILLARD, Jean.&nbsp;<strong>Simulacros&nbsp;e&nbsp;simulação</strong>. Lisboa: Relogio d&#8217;Agua, 1991.</p>



<p>JUNG, C. G. <strong>Presente e futuro</strong>.&nbsp; Editora Vozes Limitada, 2011. </p>



<p>Contrera; Torres; Balestrini.&nbsp;Fake News e a irrupção do Imaginário.&nbsp;In: ANAIS DO 30° ENCONTRO ANUAL DA COMPóS , 2021, São Paulo.&nbsp;<strong>Anais eletrônicos&#8230;</strong>&nbsp;Campinas, Galoá, 2021.&nbsp;Disponível em: &lt;<a href="https://proceedings.science/compos/compos-2021/papers/fake-news-e-a-irrupcao-do-imaginario?lang=en">https://proceedings.science/compos/compos-2021/papers/fake-news-e-a-irrupcao-do-imaginario?lang=en</a>&gt;. Acesso em: 29 nov. 2022.</p>



<p></p>



<p></p>
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		<title>Por que estamos tão cansados? Uma apologia à celebração</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/por-que-estamos-tao-cansados-uma-apologia-a-celebracao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 18:08:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>O despertador toca. Em um ritmo e em uma altura que adrenalina e cortisol invadem seu corpo como um tiro. Simultaneamente a isso, aquele outro em você, <strong>ansioso e preocupado</strong> com o trabalho, sim, aquele que te fez dormir tarde da noite fazendo você repassar suas tarefas e agendas já voltou a te contaminar com suas intempéries. <strong>Talvez ele nunca tenha dormido, só sentou em sua cadeira e esperou ansiosamente o &#8220;eu&#8221; acordar para retomar tudo de novo.</strong></em> </p>



<p><strong>Desperto, os sonhos já se vão em segundos. </strong>Quiçá, dê tempo de pensar “eu sonhei com algo”. Mas seu coração já está de tal maneira acelerado devido ao outro em você, demandando de toda atenção que os sonhos voltam para o mundo dos sonhos. Outro tiro e num piscar de olhos, você já está no trabalho. Pergunta-se “eu fechei a porta?”; “eu tomei banho?”. “Acho que sim, meus cabelos estão molhados!”. </p>



<p>Tudo tornou-se tão automático que não somente os sonhos, mas cuidar de si também é levado para o inconsciente com o intuito de automatizar banalidades, deixando o foco e a atenção somente para o que importa. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-o-que-importa-ora-aquele-outro-em-voce-sabe-de-tudo-o-que-importa" style="font-size:21px"><strong>E o que importa?</strong> Ora, aquele outro em você sabe de tudo o que importa.</h2>



<p>Para ele o que importa é sua <strong>performance</strong>. Ele é o seu treinador – <em><strong>o coaching</strong></em>. Ele quer números cada vez melhores. Afinal, o que podemos fazer a não ser melhorar cada vez mais? E o melhor disso tudo é que ser melhor não tem limites.</p>



<p>O seu treinador acredita piamente em você. Ele te transformará, talvez, no melhor do seu setor, o mais rápido em galgar cargos e <em>status</em>, o melhor na academia pegando cada vez mais pesos, o melhor no sexo, a ponto de se esperar a frase provinda do outro: “<em>foi o melhor sexo da minha vida”. </em></p>



<p>Mesmo que o outro diga isso de forma iludida por ter se envolvido no momento ou de forma mentirosa para acalentar você. Se isso tudo acontecer, o treinador em ti vai se orgulhar por um segundo ou menos. E depois, exigirá de ti ainda mais. Afinal, se você alcançou a meta, agora ela já é passado! &#8220;Precisamos de novas metas!”, diz ele. </p>



<p>Neste momento você percebe que o treinamento vai continuar e que as metas são ilusões criadas por ele para te convencer a continuar. Afinal, ele é um exímio desenvolver pessoal, sabe de todas as táticas e estratégias para você não fugir da <strong>performance</strong>. Mas, não há fim. É um abismo no qual os olhos não conseguem ver o chão. Todo aquele empreendimento para ser o melhor, é um vazio sem fim.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isso-faz-seu-corpo-estremecer" style="font-size:20px">Isso faz seu corpo estremecer.</h2>



<p>Momento de grande oportunidade para a sua Alma, contaminada pelas Erínias, acender o seu corpo com mais adrenalina, cortisol, ativando sua amídala fazendo o medo e a vertigem te possuírem. Não é mais uma simples contaminação. </p>



<p>É uma possessão da Alma de forma sombria para criar em você atitudes. Ela sente que precisa te interditar para você reconhecer outra dinâmica além da do treinador. Poderíamos nos perguntar: “mas por que sombria?”. Ora, se ela viesse acolher e acalentar, muito provavelmente você continuaria nessa dinâmica da <strong>performance</strong>. O ser humano precisa da crise e da tensão para se transformar. Mas muitas vezes é em vão.</p>



<p>Graças aos treinadores que habitam cada um de nós e suas demandas por <strong>performance</strong>, a Ciência já desenvolveu remédios que aplacam as demandas da Alma de forma mais ou menos eficiente. A Alma pode vir de diversas formas. Hoje denominamos, popularmente, suas empreitadas como: &#8220;síndrome do impostor”; “burnout”; “disfunção sexual”; “ejaculação precoce”; “enxaqueca”; “infarto”, “<a href="https://blog.sudamar.com.br/psicossomatica-e-o-stress/">TAG – transtorno de ansiedade generalizada</a>”, entre outros. Não à toa Byung Chul Han diagnostica a contemporaneidade como a sociedade do cansaço.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-apesar-de-querermos-desviar-os-olhos-do-abismo-nietzsche-estava-certo-ele-esta-olhando-para-voce-desde-sempre" style="font-size:18px">Apesar de querermos desviar os olhos do abismo, <strong>Nietzsche estava certo: ele está olhando para você desde sempre</strong>.</h2>



<p><em>O abismo é vazio, é a falta que cada um de nós encontra ao percorrer a estrada da <strong>performance</strong>. </em></p>



<p>O abismo é um olhar para si de forma explícita, que evidencia que o caminho da <strong>performance</strong> tornou-lhe uma pessoa insatisfeita e insaciável (e alguns até se vangloriam por ser uma pessoa insaciável). Afinal, você quer satisfazer seu chefe, quer satisfazer seu status, quer satisfazer seu parceiro(a) sexual, mesmo que para isso, ao ver o outro insatisfeito com sua <strong>performance</strong> você precise dar satisfações e justificativas alheias. </p>



<p>Nessa dinâmica unilateral de satisfazer o outro ou de dar satisfações justificadas, é impossível satisfazer a si mesmo e o si-mesmo. O abismo te possui e te paralisa neste instante e para sempre. Esta é outra oportunidade de reconhecer sua incompletude e sua imperfeição.&nbsp;</p>



<p>Temos hoje inúmeras ideias do quão o ser humano é um ser em falta e oco, um ser que carece. A Alquimia e a maioria das mitologias concebem o ser humano como cindido, dividido há muito tempo entre masculino e feminino, mas que anteriormente, ainda em indiferenciação, estavam em uma fusão. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-fisica-atomica-e-o-ser-humano"> A física atômica e o ser humano</h2>



<p>Já na Ciência, a física atômica afirma que cada molécula do nosso corpo (e do universo) é em grande parte vazia. Por exemplo, em um átomo de hidrogênio (o mais comum), a distância entre o núcleo e o elétron é de um décimo bilionésimo de um metro.</p>



<p>Para ilustrar, se o núcleo fosse uma bola de tênis, seu elétron estaria a uma distância de 2.042,9 metros, isto é, dois quilômetros. O que existe, então, entre eles? Em síntese, a energia da força de atração e repulsão e nada além.</p>



<p>Para <strong>Edgar Morin</strong>, visando sua <strong>teoria da complexidade</strong>, o ser humano é também um sistema aberto, isto é, precisamos realizar trocas com o meio ambiente de diversas formas possíveis. Biologicamente falando, o vazio dos pulmões, do estômago, entre outros, nos permite continuar a manter a vida biológica. </p>



<p><strong>Vilém Flusser</strong>, na teoria da Comunicação, aponta que a comunicação surgiu por simples necessidade do outro (que também são forças de atração e repulsão).<strong> C. G. Jung </strong>afirma que é instintivo queremos preencher nossos vazios: alguns deles parecem até ser fáceis de se reconhecer, como as imagens psíquicas da fome e da sede.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-o-vazio-que-o-treinador-e-a-performance-escondiam-talvez-demore-um-pouco-mais-para-ser-percebido" style="font-size:22px"><strong>Mas o vazio que o treinador e a performance escondiam, talvez demore um pouco mais para ser percebido.</strong> </h2>



<p>Diante do abismo, não à toa muitas vezes nos perguntamos de forma simbólica “eu tenho fome de quê?”; “eu gosto de matar minha sede com o quê?”. E quando não paramos para refletir e confrontar este vazio, desviamos os olhos dele e acabamos por cair ainda mais nos vícios, nas obsessões e compulsões. </p>



<p>Alguns tornar-se-ão ainda mais discípulos do treinador, afinal o treinador ainda está cheio de promessas. Já, outros, se decepcionarão com ele e encontrarão fugas, como o vício nas substâncias químicas e nas redes sociais (telas digitais) para não ter que conviver com o abismo. Na mitologia, podemos lembrar das Danaides enchendo seu vaso insaciável.&nbsp;</p>



<p>Lembro-me de um dia estar com dois amigos bebendo cervejas. Um deles quis sair para fumar. O outro perguntou: “para que você fuma?”. O fumante respondeu: “para ter prazer!”. O perguntante questionou novamente: “mas você não está tendo prazer aqui, bebendo e rindo conosco? Você precisa ainda mais de prazer?”. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isso-me-atravessou-como-uma-flecha"><strong>Isso me atravessou como uma flecha.</strong></h2>



<p>Isso me atravessou como uma flecha. Na minha imaginação e nas minhas projeções, senti ali que o rapaz havia tido um dia o encontro com o treinador e havia encarado o abismo da insatisfação. E não percebera que seu vício por prazer para aplacar sua insatisfação iria tirá-lo da comemoração conosco. Evidentemente, esse lampejo e esse diagnóstico não foi para o rapaz, mas para o autor desse artigo. Afinal, escrevemos o que somos. </p>



<p>A partir desse dia pensei o quanto a <strong>performance</strong> acaba por deteriorar a celebração. Conversando isso com uma amiga mestra em educação física, ela me disse: <strong>as Olimpíadas na sua gênese eram sumariamente uma grande celebração, depois a performance capilarizou cada passo da corrida, cada vara do salto, cada movimento da ginástica.</strong></p>



<p>Ocorreu o mesmo com o trabalho, com a família, com o amor e o sexo. No fundo, parece que as Olimpíadas hoje aprimoram e premiam os indivíduos que possuem os transtornos obsessivos compulsivos por tornarem-se cada vez mais especializados nas respectivas modalidades. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-perfomance-x-celebracao">Perfomance x Celebração</h2>



<p>Nesta reflexão de hoje, vislumbro a <strong>performance</strong> como uma <em><a href="https://blog.sudamar.com.br/o-complexo-oppositorum-da-natureza-da-psique/">complexio oppositorum</a></em> da celebração. À primeira visa o resultado futuro; a segunda, o prazer do presente. A primeira tende ao racionalismo matemático e estatístico, a segunda às emoções. </p>



<p>Primeiro Kronos; depois Kairós. <strong>A primeira é <a href="https://blog.sudamar.com.br/a-mentira-que-falta-a-verdade-a-tensao-criativa-entre-hermes-e-apolo/">Apolo</a> – o deus da perfeição. E ele, quando não cultuado, lança sua flecha mortífera no coração dos homens jovens. </strong>Não à toa ele além de ser uma divindade solar é também a divindade das maldições e da morte súbita. A segunda é Dioniso, a pulsão de vida, do êxtase e do álcool (espiritual), que quando acompanhado de Pã, pode causar o furor nas massas. Podemos depreender uma relação entre as maldições de Apolo, o álcool de <a href="https://blog.sudamar.com.br/o-coringa-ou-a-hannya-dionisiaca/">Dioniso</a> e aquilo que mencionamos acima sobre o escape do indivíduo quando se vê unilateralizado na <strong>performance</strong>. </p>



<p>Quando o indivíduo continua a seguir a <strong>performance</strong> de forma unilateral ele encontra a flecha sombria de Apolo; quando o indivíduo busca o entorpecimento das substâncias químicas, ele encontra Dioniso sombrio. Portanto, aqui, a unilateralização leva para o aspecto sombrio dessa&nbsp;<em>complexio oppositorum.&nbsp;</em></p>



<p>A crítica aqui não aponta para o abandono da <strong>perfomance</strong>, e sim para o reavivamento da celebração/comemoração. <strong>C. Jung</strong> sabia disso em Eranos, momento em que grandes autores reuniam-se para comemorar –<em> comer e orar </em>– ou, como Waldemar Magaldi aponta <em>co-memorar</em>. A <strong>performance</strong> possuiu tanto nossa sociedade que acabamos por esquecer até de celebrar as pequenas coisas e momentos do cotidiano. Seja o banho após a labuta, a lasanha compartilhada pela família, ou até mesmo a cerveja entre amigos &#8211; que, por vezes, vamos somente para nos embriagar sem sequer realizar <strong>trocas verdadeiras</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-celebrar-comemorar-nao-esta-somente-ligada-a-alegria-mas-a-tristeza-tambem" style="font-size:18px"><strong>Celebrar/comemorar</strong> não está somente ligada à alegria, mas à tristeza também.</h2>



<p>Viver o presente com suas alegrias e tristezas é que dá movimento à vida – é o que nos faz viver. Viver tal movimento é também, portanto, <strong>celebrar</strong> a tristeza quando ela se apresenta. Sim! <strong>É possível comemorar a tristeza, pois, uma hora ou outra, ela se inverte <em>in excessu affectus– </em>enantiodromicamente.</strong></p>



<p><strong>Celebre!</strong></p>



<p>Leonardo Torres</p>



<p>Membro didata: Waldemar Magaldi</p>



<p><strong>Referências</strong></p>



<p>JUNG, C. G. Obras Completas. Petrópolis: Vozes. </p>



<p>HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. 2. ed. ampliada. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p>TORRES, Leonardo. Contágio psíquico: a loucura das massas e suas reverberações na mídia. São Paulo: Eleva Cultural, 2021.</p>



<p></p>



<p></p>
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		<title>Contágio psíquico e a atmosfera familiar</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/contagio-psiquico-e-a-atmosfera-familiar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jul 2022 10:45:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[contágio psíquico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste artigo visamos estudar o fenômeno do Contágio Psíquico no ambiente familiar a fim de reconhecer e refletir sobre sua atuação e sobre sua gênese ontológica, muitas vezes falseada pelo racionalismo e pela ilusão da inteira diferenciação entre os integrantes da família. Recorremos, para tanto, a C. G. Jung para reconhecer e aprofundar sobre a psique familiar e participação mística; e também a Erich Neumann para entender a presenta do fenômeno do Contágio Psíquico no desenvolvimento da consciência humana.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nas Obras Completas, quando C. G. Jung (2018) discorre sobre o grupo familiar, tende a utilizar o termo&nbsp;“atmosfera familiar”, o que, de fato, é muito interessante para ampliarmos o fenômeno do contágio psíquico. Uma atmosfera (do grego antigo:&nbsp;ἀτμός, vapor, ar, e&nbsp;σφαῖρα, esfera)&nbsp;é&nbsp;uma camada de gases que envolve (geralmente) corpos materiais.&nbsp;Em uma família, podemos aproximar, homologicamente, esse termo &#8220;corpos materiais&#8221; dos egos que a compõe, tendo aí uma diferenciação entre um e outro. Contudo, tudo isso é relativamente uma ilusão. Em qualquer ambiência micro ou macro-cósmica, um corpo sempre retroagirá sobre o outro. Ou seja, a ideia de diferenciação do eu (ego) e do outro é parcialmente satisfatória. Devemos, de antemão, considerar a ideia dos “gases”, que são indiferenciados. Essa indiferenciação é demasiadamente profunda. A partir da&nbsp;física quântica, perceberemos que nada&nbsp;é&nbsp;matéria, mas energia se relacionando, e sabemos que energia é informação transitando no tempo e no espaço. Já,&nbsp;no cotidiano humano, se levarmos em consideração a hereditariedade biológica ou até mesmo o quanto ficamos semelhantes fisionomicamente com os nossos pais com o passar dos anos perceberemos que não somos tão diferenciados assim,&nbsp;literal e simbolicamente. Para C. G. Jung, podemos denominar essa ambiência de inconsciente familiar e até coletivo.</p>



<p>Para aprofundarmos a ideia de gases, talvez seja interessante ter em mente a problemática de Hillman: eu não sei se a psique está em mim ou se eu estou na psique. Se considerarmos uma psique familiar, ou seja, uma consciência da família com seus valores, leis, hierarquias, hábitos etc; e o inconsciente familiar que ultrapassa o pessoal e garante uma influência geracional, poderemos vislumbrar que há algo de indiferenciado e, portanto, de livre acesso de conteúdos inconsciente na psique familiar. Isso fica mais claro nos dias atuais pois já existem pesquisas sobre psicopatologia e família que demonstram a sugestionabilidade dos familiares de desenvolverem a patologia presente em pelo menos um único indivíduo, como a depressão, o pânico, a ansiedade, etc. Curiosamente, parece que a atmosfera familiar também acontece interespécies e não se restringe à psicopatologias. Estive em diversos diálogos com médicos veterinários e muitos relatam que, frequentemente, atendem animais em que o tutor possui a mesma patologia, como metástases.</p>



<p>Evidentemente, existem estudos que levantam a hipótese de que há unicamente hereditariedade genética nas psicopatologias. Em nossa opinião, é necessário relativizar essa hipótese, visto que ela cai em um determinismo, e todo determinismo é uma grande unilateralidade racionalista. O próprio C. Jung já discorreu sobre: &#8220;muita coisa que&nbsp;é&nbsp;interpretada como hereditariedade em sentido estrito&nbsp;é&nbsp;antes uma espécie de contágio psíquico que consiste em uma adaptação da psique infantil ao inconsciente dos pais.” (JUNG, 2017, § 248)</p>



<p>Para adentrarmos a ideia de contágio psíquico no ambiente familiar, vale recorrermos a Erich Neumann (1995) (2014) quando descreve-nos os estágios de desenvolvimento da consciência. O primeiro estágio inicia-se desde a concepção e se encerra no primeiro ano de vida. Até então, o neonato, segundo o autor, não possui autonomia corporal. Se o compararmos com outros mamíferos nos primeiros momentos de vida até completarem 12 meses perceberemos que o ser humano nasce prematuro.</p>



<p>Neumann (1995) aponta que ao longo do desenvolvimento da consciência os estágios são dominâncias e permanências de imagens arquetípicas cuja superação de cada estágio pelo indivíduo cria uma relativa diferenciação para assim surgir o ego solar. Isso significa que toda vivência humana interior ou exterior é mediada pelas imagens, sendo a primeira mais direta (do inconsciente para o ego) e a segunda mais indireta (a concepção do mundo feita pelo ego para ele mesmo). É importante frisar isso pois Neumann propõe entendermos os estágios como imagens. Do período intrauterino ao primeiro ano de vida, a imagem que o autor sugere é a&nbsp;<em>uroboros</em>&nbsp;– a cobra que morde a própria calda, portanto, não possuindo fim ou começo, seria uma simbiose, em um primeiro momento com o todo experiencial; e depois, em um segundo momento, com a mãe. Mais especificamente, para o autor, seria o Self migrando ou criando um atrator, primeiro para o&nbsp;<em>uno</em>&nbsp;urobórico e depois para a Grande Mãe.</p>



<p>Neumann (1995) aponta que o desenvolvimento da consciência é homologicamente semelhante tanto filo quanto ontogenicamente, portanto, estes estágios primeiros são matriarcais. E, quando a consciência segue o seu desenvolvimento, prosseguindo para o estágio patriarcal até o ego solar, os estágios antecessores ainda permanecem na psique, não sendo um processo unilateral, mas um processo que se estabelece em camadas. Isto é importante conceber para chegarmos ao fenômeno da participação mística que C. G. Jung atualizou de Levy Brühl. Este epifenômeno, ou seja, esse abandono do ego e retorno ao estado urobórico fica evidente quando Jung afirma que, ”via de regra, quando o inconsciente coletivo se torna verdadeiramente constelado em grandes grupos sociais, a consequência será&nbsp;uma quebra pública, uma epidemia mental que pode conduzir a revoluções, guerra, ou coisa semelhante. Tais movimentos são tremendamente contagiosos, eu diria inexoravelmente contagiosos, pois, quando o inconsciente coletivo&nbsp;é&nbsp;ativado, ninguém mais&nbsp;é&nbsp;a mesma pessoa.”–&nbsp;(JUNG, 2019, p. 61-62).</p>



<p>Isso se dá, porque a consciência provém do inconsciente. O que nos permite depreender que a relativa diferenciação só é possível se houver,&nbsp;<em>a priori,</em>&nbsp;indiferenciação. Mesmo que fosse possível construir muros egóicos para diferenciar-se de um terreno ilimitado, não escaparíamos da atmosfera invasora e necessária para estarmos vivos e respirando. É por meio deste terreno e dessa atmosfera indiferenciados que a primeira comunicação humana atua e nunca deixará de atuar na vida do indivíduo: o contágio psíquico.</p>



<p>O contágio psíquico possui pouca relação entre egos, senão cairíamos em um fenômeno mecânico de imitação macaqueada. Ele ocorre sem freios devido à ilusão racionalista de que somos inteiramente diferenciados. Se desvelássemos este véu da diferenciação e considerássemos que somente em parte somos diferenciados, perceberíamos que o contágio se estabelece do inconsciente para a consciência. Isto é, a emergência do fenômeno do contágio não é causal: aquele ri pois o outro está rindo; ou chora pois o outro está chorando; ou boceja pois outro está bocejando. A relação do contágio é sincronística do&nbsp;<em>vocatus atque non vocatus devs aderi&nbsp;</em>(invocado ou não deus está presente), isto é, […] quando possuído, não&nbsp;é&nbsp;mais um indivíduo,&nbsp;ele passa a ser o próprio possuidor, ou seja, a força psíquica coletiva (a imagem) que o contágio leva e traz.&nbsp;Isso acontece, em maior ou menor grau, garantindo menos ou mais autonomia para o próprio&nbsp;ego.</p>



<p>Por isso mesmo, no ambiente familiar,&nbsp;é supérfluo o esforço dos pais de esconder algo considerado negativo dos filhos, pois, aquilo que não é falado ou não é exposto é tão presente e impactante na psique individual quanto aquilo que é. A diferença é que um está na luz e o outro na sombra, garantindo mais elaboração consciente ao primeiro e menos elaboração ao segundo. Assim, no caso da criança, ela terá que lidar com o contágio psíquico de conteúdos coletivos e familiares sem o suporte paterno e materno, o que pode conferir uma experiência destrutiva para ela.</p>



<p>&#8220;A criança faz de tal modo parte da atmosfera psíquica dos pais que as dificuldades ocultas aí&nbsp;existentes e ainda não resolvidas podem influir consideravelmente na saúde dela. A participação mística (<em>participation mystique</em>), que consiste na identidade primitiva e inconsciente, faz com que a criança sinta os conflitos dos pais e sofra como se os problemas fossem dela própria. Não são jamais os conflitos patentes e as dificuldades visíveis que têm esse efeito envenenador, mas as dificuldades e problemas dos pais mantidos ocultos, ou mantidos inconscientes. O causador de tais perturbações neuróticas sem exceção alguma&nbsp;é&nbsp;sempre o inconsciente. Coisas que pairam no ar ou que a criança percebe de modo indefinido, a atmosfera abafada e cheia de temores e apreensões, tudo isso penetra lentamente na alma da criança, como se fossem vapores venenosos&#8221;.&nbsp;(JUNG, 2018, § 217)</p>



<p>Leonardo Torres: Analista em Formação pelo IJEP</p>



<p>Analista Ditada: Waldemar Magaldi</p>



<p><strong>Referências</strong></p>



<p>NEUMANN, E.&nbsp;<strong>A Crian</strong><strong>ça</strong>. São Paulo: Editora Cultrix, 1995.</p>



<p>NEUMANN, E.&nbsp;<strong>Hist</strong><strong>ó</strong><strong>ria da Origem da Consci</strong><strong>ê</strong><strong>ncia.&nbsp;</strong>São Paulo: Editora Cultrix, 2014.</p>



<p>JUNG, C. G.&nbsp;<strong>A Natureza da Psique</strong>. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p>JUNG, C. G.&nbsp;<strong>O Desenvolvimento da Personalidade</strong>. Petrópolis: Vozes, 2018.</p>



<p>JUNG, C. G.&nbsp;<strong>A Vida Simb</strong><strong>ó</strong><strong>lica I</strong>. Petrópolis: Vozes, 2019.</p>



<p>TORRES, L.&nbsp;<strong>Contágio Psíquico</strong>: a loucura das massas e suas reverberações na mídia. São Paulo: Eleva Cultural, 2021. ISBN 978-65-993921-0-8.</p>



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<h4 class="wp-block-heading" id="h-leonardo-torres-11-03-2022"><strong><em>Leonardo Torres &#8211; 11/03/2022</em></strong></h4>
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