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	<title>Maria Helena Soares Marinho, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Tue, 27 Jan 2026 21:13:21 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Maria Helena Soares Marinho, Autor em Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A Validação Social como Símbolo da Persona: Perspectivas da Psicologia Analítica</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-validacao-social-como-simbolo-da-persona-perspectivas-da-psicologia-analitica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Helena Soares Marinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jan 2026 20:23:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Persona e Sombra]]></category>
		<category><![CDATA[cgjung]]></category>
		<category><![CDATA[jung]]></category>
		<category><![CDATA[midias digitais]]></category>
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		<category><![CDATA[validação social]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: A validação social, entendida como o reconhecimento e aprovação por parte do outro, assume papel central na construção da identidade contemporânea. Sob a ótica da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, tal fenômeno revela uma dimensão simbólica: a relação entre a persona — a máscara social que permite o vínculo com o externo — [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: A validação social, entendida como o reconhecimento e aprovação por parte do outro, assume papel central na construção da identidade contemporânea. Sob a ótica da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, tal fenômeno revela uma dimensão simbólica: a relação entre a persona — a máscara social que permite o vínculo com o externo — e o self, princípio organizador e orientador da totalidade psíquica. Este artigo discute como a busca por validação social reflete um anseio arquetípico de pertencimento e como, em tempos digitais, essa relação pode tanto favorecer o processo de individuação quanto aprisionar o sujeito na imagem social de si.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-validacao-social-como-expressao-simbolica" style="font-size:19px">A Validação Social como Expressão Simbólica</h2>



<p id="h-a-validacao-social-como-expressao-simbolica-na-psicologia-analitica-o-simbolo-ocupa-um-papel-central-na-mediacao-entre-os-niveis-da-consciencia-e-do-inconsciente-jung-define-que-o-simbolo-e-a-melhor-expressao-possivel-de-um-fato-ainda-desconhecido-que-so-pode-ser-intuido-ele-o-define-como" style="font-size:19px"><br>Na Psicologia Analítica, o símbolo ocupa um papel central na mediação entre os níveis da consciência e do inconsciente. Jung define que o <strong>símbolo</strong> é a melhor expressão possível de um fato ainda desconhecido, que só pode ser intuído. Ele o define como:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px"><em>(…) Símbolo pressupõe sempre que a expressão escolhida seja a melhor designação ou fórmula possível de um fato relativamente desconhecido, mas cuja existência é conhecida ou postulada. (JUNG, 2022, Tipos Psicológicos, p. 487, §903).</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:19px">A validação social — expressa em curtidas, selos de verificação e seguidores — cumpre hoje uma função simbólica análoga: traduz em signos visuais o desejo humano de reconhecimento e pertencimento. No plano imaginal, cada ato de validação carrega a mensagem de que o sujeito é visto, aceito e, portanto, existe.</p>



<p style="font-size:19px">Esse anseio é arquetípico, pois toca a imagem primordial da comunhão, do ser aceito pelo grupo. <strong>Ailton Krenak</strong> observa que a vida só tem sentido quando é compartilhada; a existência é tecida na relação:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px">&#8220;<em>A ideia de humanidade que nós temos precisa ser revista. Nós estamos o tempo todo querendo garantir a nossa individualidade, esquecendo que a vida é uma experiência coletiva.</em> <em>O sentido da vida está em reconhecer que ela não é um bem individual, mas uma experiência compartilhada com tudo o que existe. (KRENAK, 2020, p. 28–29).</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:19px">O reconhecimento tribal de outrora é reencenado no mundo digital por rituais imagéticos de aceitação — as curtidas, os compartilhamentos, os comentários. Se nas aldeias a identidade era afirmada pela palavra e pelo ritual, hoje é sancionada por métricas digitais. Entretanto, como advertiu Jung:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px"><br><em>Enquanto um símbolo for vivo, é a melhor expressão de alguma coisa. E só é vivo enquanto cheio de significado. Mas, uma vez brotado o sentido dele, isto é, encontrada aquela expressão que formula melhor a coisa procurada, esperada ou pressentida do que o símbolo até então empregado, o símbolo está morto. (JUNG, 2022, Tipos Psicológicos, p. 487, §905).</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:19px"><br>Quando a validação social se reduz a número ou estatística, perde o caráter simbólico e se converte em fetiche — uma imagem sem alma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-desconexao-do-animus-e-da-anima" style="font-size:19px">A Desconexão do Animus e da Anima</h2>



<p style="font-size:19px"><strong>Emma Jung</strong>, em <em>Animus e Anima</em> (2020), descreve essas duas figuras como pontes vivas entre o consciente e o inconsciente: o animus, no psiquismo feminino, representa o princípio do logos — estruturante, reflexivo e criador de forma; a anima, no psiquismo masculino, expressa o princípio do eros — relacional, sensível e mediador do sentimento. Ambas são funções mediadoras que mantêm o ego em contato com o self, preservando a ligação com o inconsciente e com o sentido interior.</p>



<p style="font-size:19px">Quando o indivíduo se identifica excessivamente com a persona &#8211; a imagem social de si -, esse diálogo com o inconsciente se interrompe. O olhar volta-se para fora, buscando aprovação, e a escuta interior se silencia. O animus e a anima, então, tornam-se figuras distorcidas ou inoperantes, pois a energia psíquica é desviada do campo simbólico para o plano coletivo. A pessoa passa a se definir pelas opiniões e reações do outro, trocando a ressonância interior pela ressonância pública. <strong>Emma Jung</strong> adverte:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px"><em>Quanto mais unilateral se torna a consciência, tanto mais o inconsciente reage com forças compensatórias; e se o contato com o inconsciente é perdido, essas forças manifestam-se de modo destrutivo ou estéril. (JUNG, E., 2020, p. 42).</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:19px">Assim, a perda de relação com o animus e a anima é também a perda da função compensatória que sustenta a psique viva. O sujeito que busca validação apenas no olhar coletivo desliga-se dessas forças interiores — e, com isso, perde a vitalidade simbólica, a capacidade de imaginação e o sentido pessoal que brota do diálogo com o inconsciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quem-compensa-a-falta-de-valor-interno-com-a-persona-acaba-se-alienando-do-proprio-centro" style="font-size:19px">Quem compensa a falta de valor interno com a persona acaba se alienando do próprio centro.</h2>



<p style="font-size:19px">Como observa Emma Jung, a mulher que renega o animus torna-se prisioneira de opiniões rígidas e desumanizadas &#8211; o homem que reprime a anima endurece em racionalismo ou narcisismo. Em ambos os casos, o outro — seja o público, a rede ou o parceiro — torna-se o espelho onde se busca uma confirmação impossível. A validação social, quando vivida dessa forma, é o eco empobrecido da relação perdida com o próprio inconsciente. Somente a reintegração das figuras anímicas devolve à psique sua capacidade simbólica — o reconhecimento que não depende do aplauso, mas da escuta do próprio self.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-mito-de-narciso-o-espelho-como-simbolo-da-validacao" style="font-size:19px">O Mito de Narciso: o Espelho como Símbolo da Validação</h2>



<p style="font-size:19px">Na mitologia grega, Narciso, filho da ninfa Liríope e do rio Céfiso, é descrito por Ovídio (Metamorfoses, III, 339–510) como um jovem tão belo que todos se apaixonavam por ele, mas incapaz de amar outro que não o próprio reflexo. Ao contemplar sua imagem na água, apaixona-se por si mesmo e, incapaz de romper o encantamento, definha até transformar-se em flor.</p>



<p style="font-size:19px">O mito representa a armadilha da identificação com a imagem, que Jung reconhece como um perigo da identificação com a própria persona enquanto aspecto individual da psique:<br>Ao analisarmos a persona, dissolvemos a máscara e descobrimos que, aparentando ser individual, ela é no fundo coletiva; em outras palavras, a persona não passa de uma máscara da psique coletiva. No fundo, nada tem de real; ela representa um compromisso entre o indivíduo e a sociedade, acerca daquilo que alguém parece ser — nome, título, ocupação, isto ou aquilo. (JUNG, 2015, O Eu e o Inconsciente, p. 47, §246).</p>



<p style="font-size:19px">O reflexo de Narciso é o espelho arquetípico da persona — a máscara social que o indivíduo oferece ao mundo. Quando o ego confunde essa máscara com sua verdadeira essência, o olhar do outro passa a definir o valor do eu. O “espelho coletivo” das redes sociais é o novo lago de Narciso: o sujeito apaixona-se por sua própria projeção e confunde visibilidade com existência. A água, símbolo do inconsciente, devolve não apenas o rosto, mas o desejo. O “like” digital é o reflexo que cintila na superfície da psique contemporânea — cada notificação reafirma a ilusão de unidade, mas distancia o indivíduo de si. O mito de Narciso não trata apenas da vaidade, mas da alienação psíquica que surge quando a imagem substitui a experiência simbólica. O reflexo encanta, mas esvazia; promete identidade, mas captura o olhar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-voz-de-eco-e-o-eco-da-persona" style="font-size:19px">A voz de Eco e o eco da persona</h2>



<p style="font-size:19px">A tragédia de Narciso é inseparável da dor de Eco, a ninfa que o amava e foi condenada a repetir apenas as palavras dos outros. Incapaz de falar por si, Eco vive o destino oposto ao de Narciso: enquanto ele é prisioneiro da própria imagem, ela é prisioneira da voz alheia. Juntos, simbolizam dois modos de alienação contemporânea — a superexposição da persona e a perda da expressão autêntica. No contexto da validação social, Eco representa o sujeito que apenas reage, reproduz, comenta e repete, sem gerar discurso próprio: vive no reflexo sonoro do coletivo, ecoando o que agrada, o que é aceito, o que viraliza.</p>



<p style="font-size:19px">Em termos psicológicos, Eco encarna a dissociação da função da palavra viva — aquela que nasce do centro interior e cria sentido. Sua repetição é o eco das opiniões coletivas que reforçam o espelho narcísico. O “loop” entre Narciso e Eco traduz a dinâmica psíquica da era digital: o sujeito busca reconhecimento na própria imagem enquanto se alimenta do retorno dos outros, que apenas repetem o que ele projeta.</p>



<p style="font-size:19px">Ele, porque vê demais; ela, porque ouve demais. Ambos ilustram o desequilíbrio entre ver e ser visto, falar e ser escutado — uma ruptura simbólica entre imagem e palavra que empobrece a alma e distancia o sujeito do próprio mundo interior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-self-e-o-risco-da-identificacao" style="font-size:19px">O Self e o Risco da Identificação</h2>



<p style="font-size:19px">Para Jung, o self é o arquétipo da totalidade, o centro organizador da psique que orienta a integração entre consciente e inconsciente. O processo de individuação consiste em realizar o potencial singular de ser, em um movimento contínuo de relação — e não de ruptura — entre o mundo interno e o externo. Nesse percurso, a persona desempenha um papel legítimo: é o modo como o indivíduo se apresenta e se relaciona socialmente, uma adaptação às regras sociais. No entanto, quando o sujeito se identifica excessivamente com essa máscara — frequentemente reforçada pela imagem digital —, a relação entre self e persona se desequilibra. O olhar exterior passa a ditar o valor interior, e o movimento de diálogo dá lugar à dependência do reflexo. James Hillman expressa essa inversão com clareza:</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vivemos-sob-o-dominio-das-aparencias-nao-do-ser-hillman-2010-p-56" style="font-size:19px"><em>“Vivemos sob o domínio das aparências, não do ser.” (HILLMAN, 2010, p. 56).</em><br></h2>



<p style="font-size:19px">A cultura da validação social intensifica essa dinâmica: o indivíduo passa a existir apenas enquanto é reconhecido. Quando a persona perde sua função relacional e se torna um fim em si mesma, a psique empobrece. O “pertencer” converte-se em dependência, e o reconhecimento, em aprisionamento. O verdadeiro vínculo — com os outros e consigo mesmo — nasce do encontro vivo, não da exibição da imagem.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao-o-simbolico-como-caminho-de-consciencia" style="font-size:19px">Conclusão: O Simbólico como Caminho de Consciência</h2>



<p style="font-size:19px">A validação social, sob a ótica da Psicologia Analítica, é um símbolo ambíguo: expressa a necessidade arquetípica de comunhão e o risco de dissolução da individualidade. Vivida inconscientemente, converte-se em busca por aprovação; vivida simbolicamente, oferece via de reflexão e integração. Reconhecer a validação como símbolo vivo, e não como valor absoluto, permite ao indivíduo retomar o caminho da individuação. O olhar do outro deixa de ser espelho narcísico e torna-se ponte entre o eu e o mundo.</p>



<p style="font-size:19px">Para Jung, o símbolo é a melhor formulação possível de um conteúdo ainda inconsciente e, portanto, o mediador entre o conhecido e o desconhecido; o crescimento da consciência, afirma o autor, não se produz pela negação de aspectos sombrios, mas pela ampliação do campo de consciência:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px"><em>A consciência do eu consegue, pelo menos por algum tempo, reprimir a sombra, com um dispêndio não pequeno de energia. Mas se, por quaisquer motivos, o inconsciente adquire a supremacia, cresce a valência da sombra (…). Aquilo que se achava mais distante da consciência desperta e o que parecia inconsciente assume como que um aspecto ameaçador (…).</em> <em>(JUNG, 2013, Aion: Estudos sobre o Simbolismo do Si-Mesmo, p. 42, §53).</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:19px"><em>A tarefa simbólica do sujeito moderno é reeducar o olhar: ver além da imagem, ouvir além do eco e reencontrar, por trás da persona, o caminho silencioso do self.</em></p>



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<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/maria-helena-soares-marinho/">Maria Helena Marinho Fernandes &#8211; Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong><br><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Guarnieri &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px">Referências:</h2>



<p id="h-referencias-hillman-j-re-visao-da-psicologia-petropolis-vozes-2010-jung-c-g-tipos-psicologicos-petropolis-vozes-2013-jung-c-g-o-eu-e-o-inconsciente-petropolis-vozes-2015-jung-c-g-aion-estudos-sobre-o-simbolismo-do-si-mesmo-petropolis-vozes-2013-jung-emma-animus-e-anima-sao-paulo-ed-cultrix-1998-krenak-a-ideias-para-adiar-o-fim-do-mundo-sao-paulo-companhia-das-letras-2020-ovidio-metamorfoses-trad-paulo-e-de-campos-sao-paulo-editora-34-2008"><br>· HILLMAN, J. Re-visão da Psicologia. Petrópolis: Vozes, 2010.<br>· JUNG, C. G. Tipos Psicológicos. Petrópolis: Vozes, 2013.<br>· JUNG, C. G. O Eu e o Inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2015.<br>· JUNG, C. G. Aion: Estudos sobre o Simbolismo do Si-Mesmo. Petrópolis: Vozes, 2013.<br>· JUNG, Emma. Animus e Anima. São Paulo: Ed. Cultrix, 1998.<br>· KRENAK, A. Ideias para Adiar o Fim do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.<br>· OVÍDIO. Metamorfoses. Trad. Paulo E. de Campos. São Paulo: Editora 34, 2008.</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Reescrevendo o Destino: A Transição de Carreira na Meia Idade como Expressão do Daimon</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/reescrevendo-o-destino-a-transicao-de-carreira-na-meia-idade-como-expressao-do-daimon/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Helena Soares Marinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2025 16:14:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Este artigo analisa a transição&#160; de carreira na meia-idade à luz da psicologia analítica de C.G. Jung, compreendendo-a como expressão simbólica do processo de individuação. Ao articular os conceitos de persona, self, metanoia e daimon, propõe-se que a mudança profissional, longe de ser apenas uma resposta adaptativa ao mercado, reflete um impulso interno por [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/reescrevendo-o-destino-a-transicao-de-carreira-na-meia-idade-como-expressao-do-daimon/">Reescrevendo o Destino: A Transição de Carreira na Meia Idade como Expressão do Daimon</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:20px;line-height:1.5"><strong>Resumo</strong>: <strong>Este artigo analisa a transição&nbsp; de carreira na meia-idade à luz da psicologia analítica de C.G. Jung, compreendendo-a como expressão simbólica do processo de individuação</strong>. Ao articular os conceitos de persona, self, metanoia e daimon, propõe-se que a mudança profissional, longe de ser apenas uma resposta adaptativa ao mercado, reflete um impulso interno por autenticidade e inteireza. A <strong>crise</strong>, nesse contexto, atua como catalisadora de transformação psíquica. A partir de autores como Jung, James Hollis, James Hillman e William Bridges, argumenta-se que a reconexão com a vocação profunda representa um rito de passagem contemporâneo. O trabalho, então, deixa de ser apenas instrumento de sobrevivência e passa a ser expressão do self em ação. A travessia da meia-idade se revela, assim, como oportunidade de reescrever o destino com base em um chamado interior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-contexto-contemporaneo-caracterizado-por-rapidas-transformacoes-sociais-culturais-e-tecnologicas-observa-se-um-crescente-numero-de-pessoas-questionando-seus-caminhos-profissionais-e-repensando-suas-trajetorias-de-carreira" style="font-size:20px">No contexto contemporâneo, caracterizado por rápidas transformações sociais, culturais e tecnológicas, observa-se um crescente número de pessoas questionando seus caminhos profissionais e repensando suas trajetórias de carreira.</h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5">Em uma sociedade na qual o trabalho ocupa papel central na construção da identidade, a mudança de profissão — especialmente na meia-idade — torna-se uma experiência intensa, muitas vezes acompanhada por <strong>crises existenciais</strong>. Assim, é interessante lançarmos luz sobre os aspectos simbólicos, existenciais e arquetípicos implicados nessas mudanças.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mais-do-que-uma-simples-reorientacao-funcional-esse-movimento-pode-representar-um-mergulho-psiquico-em-direcao-ao-self-revelando-o-processo-de-individuacao-descrito-por-c-g-jung" style="font-size:20px">Mais do que uma simples reorientação funcional, esse movimento pode representar um mergulho psíquico em direção ao self, revelando o processo de individuação descrito por C.G. Jung.</h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5">Elemento central do pensamento de Jung, o chamado <strong>processo de individuação</strong> é aquilo por meio do qual que a pessoa vai se conhecendo, retirando suas máscaras, retirando as projeções lançadas anteriormente no mundo externo e integrando-as a si mesmo:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Individuação significa tornar-se um ser único, na medida em que por individualidade entendemos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável significando também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo. Dessa forma, podemos traduzir ‘individuação’ como tornar-se ‘si-mesmo’ (Verselbstung) ou o realizar do si-mesmo (Selbstverwirklichung). </p><cite>Jung, 1987, p. 49</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5">O processo de individuação acontece em três movimentos gerais: o primeiro é o caminho para a <strong>diferenciação do coletivo</strong>; o segundo, a<strong> diferenciação de si</strong>, a realização de si-mesmo; e, por fim, <strong>o retorno ao coletivo</strong>, de uma forma mais integrada. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-diferenciacao-pressupoe-o-afastamento-da-conformidade-pessoal-e-da-coletividade-para-depois-voltar-de-forma-mais-autentica-e-contribuir-com-uma-nova-dinamica-a-coletividade" style="font-size:20px">A diferenciação pressupõe o afastamento da conformidade pessoal e da coletividade, para depois voltar de forma mais autêntica e contribuir com uma nova dinâmica à coletividade.</h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5">A transição de carreira pode ser compreendida, também, à luz do conceito de <strong>persona</strong> de Jung, como um momento em que a máscara social que usamos — e que foi funcional em determinado período da vida — começa a mostrar sinais de inadequação ou desgaste em relação à totalidade do self.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-a-persona-e-a-mascara-que-o-individuo-apresenta-ao-mundo" style="font-size:20px">Para <strong>Jung</strong>, a persona é a &#8220;máscara&#8221; que o indivíduo apresenta ao mundo.</h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5">Ela representa os papéis sociais que assumimos (profissional, familiar, social) e é necessária para a convivência e adaptação no mundo externo. A persona organiza a forma como nos apresentamos socialmente, mas não representa nossa essência profunda. É um compromisso entre o indivíduo e a sociedade. A transição de carreira, especialmente quando motivada por um impulso interno (e não apenas externo, como uma demissão), costuma ocorrer quando a persona vigente deixa de servir ao desenvolvimento psíquico. Nesses casos, “a persona profissional” pode ter sido construída para atender expectativas parentais, sociais ou culturais, porém, chega um ponto em que a rigidez dessa máscara começa a sufocar o self — o centro organizador da psique.</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5">O trabalho, além de garantir sustento, oferece um sentido de pertencimento e contribui para a formação da identidade. A ocupação escolhida molda a autoimagem e influencia diretamente o modo como o indivíduo se percebe no mundo. No entanto, quando esta função perde o significado ou entra em conflito com aspectos mais profundos da psique, ocorre um deslocamento: o sujeito se vê impelido a buscar outra expressão de si no mundo.<br><br>Essa ruptura geralmente se intensifica na meia-idade, fase marcada, segundo autores como James Hollis, por uma série de questionamentos existenciais. Para <strong>Hollis </strong>a meia-idade é um momento de transição e mudança profunda na vida do indivíduo: a metanoia é um processo de &#8220;<strong>morte e renascimento</strong>&#8220;, onde a pessoa revisa sua vida e se reconecta com seus valores e propósito. É nesse período que o indivíduo revisita escolhas passadas, confronta a finitude, e busca ressignificar sua vida. A transição de carreira, nesse contexto, pode funcionar como um gatilho ou como consequência de um processo interno de desconstrução e reconstrução psíquica. A crise, portanto, assume papel de catalisadora de mudança e de crescimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-reinvencao-de-carreira-na-meia-idade-tem-caracteristicas-especificas" style="font-size:20px">A reinvenção de carreira na meia-idade tem características específicas.</h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5">Segundo Jung (1987), na primeira metade da vida gastamos parte da nossa energia para nos adaptar ao mundo exterior; na segunda metade é chegada a hora de nos voltarmos mais para nosso mundo interior.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>A primeira metade da vida é um período de progressiva expansão. O jovem terá de renunciar aos hábitos de infância, aos aconchegos familiares, para atender aos desafios do mundo exterior. Terá de estudar, trabalhar e conquistar uma posição social. Terá de vivenciar em si mesmo a eclosão dos instintos e fará encontro com o sexo oposto. Ficará apto a gerar. [&#8230;] Na segunda metade da vida as tarefas são diferentes. Acabou o tempo de expansão. Agora é tempo de colher, de reunir aquilo que estava disperso, de juntar coisas opostas, de concentrar. </p><cite>Silveira, 1997, pp. 156-157</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5">Demandas sobre o sentido da vida e o que fazer no futuro promovem um mergulho nas profundezas da alma e, ao mesmo tempo configuram-se em possibilidade de renovação, metaforicamente expressa por Jung: “<strong><em>Precisamente ao meio-dia, o Sol começa a declinar e esse declínio significa uma inversão de todos os valores e ideais cultivados durante a manhã (…) É como se recolhesse dentro de si os próprios raios</em></strong>” (2013, p.354). Ele complementou, afirmando que entramos despreparados na segunda metade da vida: “<strong><em>Não podemos viver a tarde de nossa vida segundo o programa da manhã, porque aquilo que era muito na manhã, será pouco na tarde, e o que era verdadeiro na manhã, será falso no entardecer</em></strong>” (2013, p. 355).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-transicao-de-carreira-na-meia-idade-transcende-os-limites-de-uma-simples-reorientacao-funcional-ou-de-uma-resposta-estrategica-as-demandas-do-mercado" style="font-size:20px">A transição de carreira na meia-idade transcende os limites de uma simples reorientação funcional ou de uma resposta estratégica às demandas do mercado. </h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5">Quando abordada sob a perspectiva da psicologia analítica, ela se revela como um movimento psíquico profundo — uma travessia simbólica que atualiza o processo de individuação. Trata-se, portanto, de um deslocamento do eixo da vida: do ego adaptado à persona para o self como centro regulador da totalidade psíquica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-ja-apontava-que-a-realizacao-do-si-mesmo-e-o-maior-de-todos-os-valores-humanos-jung-1987-p-56-mas-essa-realizacao-nao-ocorre-sem-rupturas" style="font-size:20px">Jung já apontava que “<strong><em>a realização do si-mesmo é o maior de todos os valores humanos</em></strong>” (Jung, 1987, p. 56), mas essa realização não ocorre sem rupturas.</h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5">A <strong>persona</strong>, outrora útil, começa a ruir, sinalizando que o que antes servia à adaptação ao mundo já não atende mais à alma. Nesse momento, surgem sintomas, crises, angústias — expressões da psique que exigem escuta e reorientação. A crise, nesse sentido, é uma oportunidade. Como afirma Hollis (2011), “toda crise, mesmo a mais devastadora, carrega em si uma convocação à transformação”.</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5"><strong>A meia-idade é terreno fértil para essa convocação</strong>. Segundo Jung, é nesse período que somos impelidos a buscar o que nos foi deixado de lado na construção da persona: “<strong><em>O encontro com o si-mesmo é muitas vezes experimentado como uma derrota para o ego</em></strong>” (Jung, 2013, p. 357). Essa derrota, porém, não é destrutiva — é uma rendição necessária ao daimon interior, que exige expressão e autenticidade. Como observa James Hillman, “<strong><em>o daimon é a imagem do destino pessoal, o portador do nosso sentido mais profundo</em></strong>” (Hillman, 1996, p. 41).</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5"><strong>William Bridges</strong>, renomado consultor americano que trouxe grande contribuição para o gerenciamento da transição para indivíduos e empresas nas últimas décadas, contribui com uma compreensão fenomenológica do processo de transição, descrevendo-o como um ciclo composto de fim, zona neutra e novo começo. Ele enfatiza que a <strong>zona neutra </strong>— essa fase de vazio e ambiguidade — é “<strong>o local onde a criatividade e o renascimento se tornam possíveis</strong>” (Bridges, 1999, p. 135). É nesse espaço liminar que os antigos referenciais se dissolvem e algo novo, ainda indefinido, começa a se formar. Tal como nas fases da alquimia, é no nigredo que se inicia o processo de transformação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-escuta-do-daimon-que-jung-via-como-uma-forca-interior-compulsiva-apud-staub-1981-p-121-exige-coragem" style="font-size:20px">A escuta do daimon — que Jung via como “uma força interior compulsiva” (apud Staub, 1981, p. 121) — exige coragem.</h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5">Não se trata de uma escolha <strong>racional</strong>, mas de um assentimento existencial àquilo que nos move de forma inegociável. Hollis (2011) afirma: “<strong>Podemos escolher uma carreira, mas não escolhemos uma vocação. A vocação nos escolhe</strong>.” Essa dimensão vocacional, que se manifesta muitas vezes por meio de sintomas, inquietações ou súbitas inspirações, remete a algo maior do que o ego: trata-se de um chamado à autenticidade e à integração.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neste-contexto-a-mudanca-de-carreira-torna-se-um-rito-de-passagem-contemporaneo-em-que-o-trabalho-deixa-de-ser-apenas-instrumento-de-sobrevivencia-e-passa-a-ser-expressao-simbolica-do-self-em-acao-no-mundo" style="font-size:20px">Neste contexto, a mudança de carreira torna-se um rito de passagem contemporâneo, em que o trabalho deixa de ser apenas instrumento de sobrevivência e passa a ser expressão simbólica do self em ação no mundo.</h2>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5">Como escreve Jung em <em>Memórias, Sonhos e Reflexões</em>: “<em>Todos os meus escritos são, de certa forma, tarefas que me foram impostas de dentro. Nasceram sob a pressão de um destino. O que escrevi transbordou da minha interioridade. Cedi a palavra ao espírito que me agitava</em>.” (Jung, 1987, p. 194-195). <strong>Essa integração entre vida interior e realização exterior é o verdadeiro sinal da individuação em curso</strong>.</p>



<p style="font-size:20px;line-height:1.5">Por fim, ao acolhermos a possibilidade de reescrever o destino — não como um ato voluntarista, mas como escuta ativa do que nos habita — nos aproximamos da inteireza. Como nos lembra Nietzsche, <em>“<strong>torne-se quem tu é</strong>”</em>. Quando a vida profissional se torna reflexo da alma, a transição já não é apenas uma mudança de rumo, mas uma reconciliação com aquilo que sempre nos habitou — silenciosamente — à espera de ser vivido.</p>



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<iframe title="Artigo: &quot;Reescrevendo o Destino: A Transição de Carreira na Meia Idade como Expressão do Daimon&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/UmDY0loQ7Ko?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p style="font-size:20px"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/maria-helena-soares-marinho/"><strong>Maria Helena Soares Marinho</strong> &#8211; Analista em formação IJEP</a></p>



<p style="font-size:20px"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/"><strong>Cristina Guarnieri </strong>&#8211; Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:20px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p><em>BRIDGES, William. Managing Transitions: Making the Most of Change. 2. ed. Cambridge, MA: Da Capo Press, 1999.</em></p>



<p><em>HILLMAN, James. O Código do Ser: Um guia arquetípico para o destino e o caráter. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996.</em></p>



<p><em>HOLLIS, James. A passagem do meio. São Paulo: Paulus, 2011.</em></p>



<p><em>JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos e Reflexões. ed. Nova Fronteira, 1987.</em></p>



<p><em>JUNG, Carl Gustav. A dinâmica do inconsciente. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 1987. (Obras completas de C. G. Jung, v. 8).</em></p>



<p><em>JUNG, Carl Gustav. A prática da psicoterapia. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2013. (Obras completas de C. G. Jung, v. 16).</em></p>



<p><em>SILVEIRA, Nise da. Imagens do Inconsciente. 6. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1997.</em></p>



<p><em>STAUB DE ÁVILA, Regina. A Descoberta do Si-Mesmo na Psicologia de C.G. Jung. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1981.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep"><strong>Canais IJEP:</strong></h2>



<figure class="wp-block-image"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-1024x576.png" alt="" class="wp-image-10882" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p><strong>Pós-graduações&nbsp;</strong>– Certificado pelo MEC – 2 anos de duração- Psicologia Junguiana; Arteterapia e Expressões Criativas; Psicossomática;&nbsp;<strong>Matrículas abertas</strong>:&nbsp;<a href="http://www.ijep.com.br/">www.ijep.com.br</a></p>



<p><strong>Congressos Junguianos</strong>: Gravados e Online – Estude Jung de casa! Aulas com os Professores do IJEP:&nbsp;<a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos</a></p>



<p><strong>YouTube</strong>&nbsp;<strong>IJEP</strong>:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/@IJEPJung/videos">+700 vídeos de conteúdo junguiano</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="772" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-1024x772.png" alt="" class="wp-image-10924" style="width:674px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-1024x772.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-300x226.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-768x579.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-150x113.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-450x339.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3.png 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O Hiperconsumismo e a busca de sentido na vida contemporânea</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-hiperconsumismo-e-a-busca-de-sentido-na-vida-contemporanea/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Helena Soares Marinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Dec 2024 12:38:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[consumismo]]></category>
		<category><![CDATA[neurose]]></category>
		<category><![CDATA[sentido de vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: O hiperconsumismo emerge como um desafio preponderante nas sociedades contemporâneas, onde a cultura de consumo exacerba a busca por satisfação emocional e de identidade. Este comportamento impulsivo é frequentemente uma resposta psicológica ao tédio existencial e à falta de significado, conforme observado nas análises de Jung, Von Franz, Bauman e outros teóricos, que relacionam [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-hiperconsumismo-e-a-busca-de-sentido-na-vida-contemporanea/">O Hiperconsumismo e a busca de sentido na vida contemporânea</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em><strong>Resumo</strong>:</em> <em>O hiperconsumismo emerge como um desafio preponderante nas sociedades contemporâneas, onde a cultura de consumo exacerba a busca por satisfação emocional e de identidade. Este comportamento impulsivo é frequentemente uma resposta psicológica ao tédio existencial e à falta de significado, conforme observado nas análises de Jung, Von Franz, Bauman e outros teóricos, que relacionam a desconexão do inconsciente à crescente insatisfação da vida moderna. Nesse contexto, a ênfase na aquisição de bens torna-se um mecanismo ilusório de preenchimento emocional, ressaltando a urgência de um processo de individuação que permita ao indivíduo reconhecer sua responsabilidade na construção de uma vida com propósito. A reformulação da relação com o consumo se apresenta, portanto, não apenas como uma necessidade crítica, mas como uma estratégia vital para a realização de uma existência integrada e significativa que considere tanto aspectos racionais quanto os conteúdos simbólicos da psique.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ainda-no-seculo-xx-o-chamado-american-way-of-life-foi-exportado-para-todo-o-mundo-tendo-como-principal-pilar-o-consumo-exacerbado" style="font-size:17px">Ainda no século XX, o chamado &#8220;<strong>American way of life</strong>&#8221; foi exportado para todo o mundo, tendo como principal pilar o consumo exacerbado.</h2>



<p>Na contemporaneidade, passadas décadas desde o sonho americano, o consumismo se faz presente nas mais diversas sociedades, representando um dos principais problemas vividos pelos brasileiros. Fatores de ordem social, bem como econômica, caracterizam o dilema do hábito de compras no país.</p>



<p>É importante pontuar, de início, a influência do modo de vida contemporâneo no consumo excessivo dos cidadãos. Pontuado pelo sociólogo <strong>Zygmunt Bauman</strong> (1999), a modernidade é marcada pela liquidez das relações e por suas aceleradas transformações. Nesse sentido, os indivíduos, imersos em um mundo cada vez mais rápido e estressante, encontram nas compras uma forma de refúgio e recompensa aos desgastes do cotidiano. Tal fator é ratificado por pesquisas recentes do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), em que 35% dos entrevistados admitiram o consumo como seu tipo de lazer favorito.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-e-consumismo">O que é consumismo?</h2>



<p>O consumismo é o hábito de adquirir produtos e serviços sem precisar deles. É a compra pelo desejo, e não pela necessidade.</p>



<p>Geralmente, é marcado pelas compras por impulso e estimuladas pela ansiedade. Em casos mais graves, pode vir a se tornar uma compulsão.</p>



<p>Além disso, o consumismo está ligado à noção de que comprar mais vai trazer sensações de felicidade e prazer momentâneo.</p>



<p>É também resultado da influência de propagandas abusivas, que insistem em relacionar o consumo à felicidade e, muitas vezes, criam uma imposição de necessidades, mostrando como certos produtos ou serviços são capazes de tornar a vida das pessoas melhor.</p>



<p>O maior problema surge quando o consumismo fica tão intenso que evolui para um comportamento compulsivo.</p>



<p>O ser humano civilizado moderno acredita que querer é poder. A sociedade de consumo tem como principal estímulo o ato de consumir e na satisfação antecipada de desejos que caracterizam o consumidor atual não só hedonista, mas também narcisista. O consumo e o ato de consumir são essenciais para a condição digna do ser humano e para a sua necessidade de sobrevivência. Mas a configuração que tem vindo a adquirir nas suas diversas formas de hiperconsumismo leva a centralizar a satisfação dos desejos no ato e na aquisição de bens que são “dados” pela lei da oferta e estratégias de marketing cada vez mais “agressivas”, num mercado concorrencial muito competitivo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-bauman-2008-ressalta-isso-quando-diz-que-e-a-suposta-satisfacao-das-necessidades-que-faz-surgir-novas-necessidades-ja-que-o-desejo-nao-deseja-satisfacao-ao-contrario-deseja-o-desejo-bauman-1999-p-90" style="font-size:17px"><strong>Bauman</strong> (2008) ressalta isso quando diz que é a suposta satisfação das necessidades que faz surgir novas necessidades, já que &#8220;o desejo não deseja satisfação, ao contrário, deseja o desejo.&#8221; (Bauman, 1999, p. 90)</h2>



<p>Numa sociedade de consumo como a nossa, o consumidor é um acumulador de sensações: &#8220;Para os bons consumidores não é a satisfação das necessidades que atormenta a pessoa, mas os tormentos dos desejos ainda não percebidos nem suspeitados que fazem a promessa ser tão tentadora&#8221; (Bauman, 1999, p. 90).</p>



<p>No entendimento de Bauman (2001), outro fator determinante, que motiva o sujeito a consumir, é a inconsistência de todas ou quase todas as identidades; é o que faz o indivíduo ir às compras, como se pudesse também, pelos produtos e serviços ofertados, selecionar a própria identidade. Esse ato de poder escolher a identidade de forma legítima ou quase legítima é que se torna o caminho para a realização das fantasias de identidade. Até que ponto o consumidor é livre para fazer escolhas no que diz respeito à auto identificação pelo uso dos objetos de consumo, de forma autêntica, não é definido.</p>



<p>Essa liberdade não é possível sem os objetos que o mercado oferece. Com base nisso, podemos dizer, novamente, que o ser humano tem buscado cada vez mais o ser pelo ter. Definimos quem somos pelo que possuímos: a nossa casa, nossas roupas de grife e nosso carro do ano falam mais sobre nós do que nós mesmos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-o-que-pode-estar-por-tras-dessa-compulsao">Mas o que pode estar por trás dessa compulsão?</h2>



<p><strong>Franz</strong> (2016) observa que um número crescente de pessoas experimenta um <strong>sentimento de vazio</strong>. “<strong>Algumas vezes tudo parece bem externamente, mas no seu íntimo a pessoa está sofrendo de um tédio mortal que torna tudo vazio e sem sentido</strong>.” (FRANZ, 2016, p. 219).</p>



<p>A queixa de <strong>falta de sentido na vida </strong>foi observada por<strong> Jung </strong>(2013b) em sua prática clínica da psicoterapia. De acordo com o psicoterapeuta suíço, um terço dos pacientes que o procurava não apresentava uma neurose bem definida, todavia estavam adoecidos devido a uma falta de sentido ou conteúdo nas suas vidas. Geralmente eram pessoas maduras, bem sucedidas, inteligentes, adaptadassocialmente e que se queixavam que suas vidas estavam estagnadas. Elas já tinham passado por tratamentos psicoterápicos anteriores baseados em métodos racionais, mas agora se encontravam resistentes a eles, obtendo resultados parciais ou até mesmo negativos (JUNG, 2013b).</p>



<p><strong>Franz</strong> (2018) corrobora ao afirmar que em muitos dos seus analisandos não foram encontrados sintomas psiquiátricos ou psicopatológicos, porém, a queixa principal era de uma vida sem sentido e vazia. Para a autora, “[&#8230;] <strong>a pior neurose não são os sintomas, mesmo que sejam muito desagradáveis, mas a pior neurose é ter o sentimento de que minha vida não tem sentido</strong>” (FRANZ, 2018, p. 23).</p>



<p>Diante da estagnação insuportável de uma vida sem sentido, que Jung concorda em chamar de neurose contemporânea generalizada, a consciência do indivíduo já teria esgotado todas as formas possíveis de encontrar uma saída viável. De modo geral, são pessoas que se dedicaram em demasia ao pensamento racional, ou seja, unilateralmente à parte consciente de sua psique (JUNG, 2013b). </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esses-individuos-estao-isolados-de-seus-instintos-e-suas-vidas-se-tornam-macantes-e-cerceadas-pelas-muralhas-da-razao" style="font-size:17px">Esses indivíduos estão isolados de seus instintos e suas vidas se tornam maçantes e cerceadas pelas muralhas da razão.</h2>



<p>Impedido de viver satisfatoriamente os seus dias, essa “[&#8230;] <strong>limitação gera no indivíduo o sentimento de que é uma criatura aleatória e sem sentido, e esta sensação nos impede de viver a vida com aquela intensidade que ela exige para poder ser vivida em plenitude</strong>” (JUNG, 2013a, p. 338). O que se aponta é que o distanciamento do inconsciente “[&#8230;] produz uma agitação neurótica cujos exemplos abundam em nossos dias. Esta agitação, por sua vez, gera a falta de sentido da existência, falta esta que é uma enfermidade psíquica [&#8230;]” (JUNG, 2013a, p. 372).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-2016-o-ser-humano-contemporaneo-se-considera-independente-das-tradicoes-que-para-ele-sao-ultrapassadas" style="font-size:17px">Para <strong>Jung</strong> (2016), o ser humano contemporâneo se considera independente das tradições que, para ele, são ultrapassadas.</h2>



<p>Não há espaço mais para rituais no seu dia a dia e muitos dispensaram a oração diária em busca de suporte divino. Entretanto, nesse processo ele também ficou desorientado, sem aqueles símbolos que, através de suas crenças, o conectavam às suas raízes intrapsíquicas deixando-o, assim, sem suas bases morais. À medida que foi se desconectando dos fenômenos inconscientes, compreendendo-os como vestígios de um mundo retrógrado e anacrônico, o ser humano contemporâneo foi supervalorizando e desenvolvendo a racionalidade e uma consciência unilateral. Aprendeu a transformar suas ideias em ações, a executar seu trabalho de forma eficiente, e o seu lema passou a ser querer é poder (JUNG, 2016).</p>



<p>Conforme exposto, a maioria dos indivíduos contemporâneos sentiu, psicologicamente, a perda das tradições e dos referenciais mitológicos, isto é, os guias que antigamente auxiliavam os povos originários a mapear suas jornadas (HOLLIS, 2004). Então, a responsabilidade de encontrar as próprias verdades, ou o próprio mito “[&#8230;] caiu sobre o indivíduo. Ou criamos nossos mitos, nossas ficções [&#8230;], ou seremos escravizados pelos mitos e ficções de outrem” (HOLLIS, 2004, p. 104). Contudo, talvez exista a possibilidade de resgatar o local de onde essas imagens mitológicas surgiram, que para a psicologia junguiana seria a psique.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-descoberta-do-inconsciente-no-entanto-compensa-a-perda-dessas-ilusoes-tao-queridas-abrindo-nos-um-enorme-e-inexplorado-campo-de-realizacoes-franz-2016-p-306" style="font-size:17px">“A descoberta do inconsciente, no entanto, compensa a perda dessas ilusões tão queridas, abrindo-nos um enorme e inexplorado campo de realizações [&#8230;]” (FRANZ, 2016, p. 306).</h2>



<p>Ao introduzir essas imagens inconscientes na vida consciente, aos poucos o self pode ir se revelando e o ego experimentando um impulso interior que contém oportunidades e potencialidades de transformação e renovação da personalidade (FRANZ, 2016).</p>



<p>O trabalho pelo qual o ser humano atual é chamado a fazer, não é somente aquele emprego pelo qual ele é pago. O trabalho fundamental, opus, “[&#8230;] é a busca pelos deuses, a busca pela nossa vocação, o rastreamento do invisível. É o trabalho de crescimento pessoal e encontro pessoal” (HOLLIS, 2004, p. 148). Buscar um deus para servir, não significa a procura literal de uma entidade metafísica, mas de personificar, nomear e honrar aquela energia psíquica poderosa que tem o poder autônomo de encarnar nos indivíduos e assumir o controle de suas vidas. Honrar esse deus é estar consciente, ao invés de escravizado (HOLLIS, 2004).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-podemos-usar-tais-ficcoes-de-maneira-consciente-entao-podemos-permanecer-despertos-em-nossa-jornada-uma-ficcao-que-vale-a-pena-leva-nos-a-uma-vida-que-vale-a-pena-hollis-2004-p-106" style="font-size:17px">“Quando podemos usar tais ficções de maneira consciente, então podemos permanecer despertos em nossa jornada [&#8230;]. Uma ficção que vale a pena leva-nos a uma vida que vale a pena” (HOLLIS, 2004, p. 106).</h2>



<p>De acordo com <strong>Jung</strong>, o movimento que nos leva a buscar sentido, significado e propósito em nossas vidas é arquetípico, ou seja, comum a todos os seres humanos como expressão teleológica e natural da psique. Negar os chamados para iniciar essa jornada que surgem através de sonhos, sincronicidades e expressões criativas leva ao aparecimento de sintomas. Estes, por sua vez, também podem ser olhados de maneira simbólica direcionando o indivíduo para o autoconhecimento ou ignorados tornando a pessoa cada vez mais doente. Por outro lado, dar atenção às mensagens que o self envia para que encontremos nosso caminho de autorrealização nos leva para o que Jung chamou de “processo de individuação”.</p>



<p>É dar espaço à união dos conteúdos conscientes e inconscientes e desta união emergem novas situações ou estados de consciência. Jung designa por isso a “união dos opostos pelo termo de &#8220;função transcendente&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-meta-de-uma-psicoterapia-que-nao-se-contenta-apenas-com-a-cura-dos-sintomas-e-a-de-conduzir-a-personalidade-em-direcao-a-totalidade-jung-2014" style="font-size:17px">A meta de uma psicoterapia que não se contenta apenas com a cura dos sintomas é a de conduzir a personalidade em direção à totalidade.” (Jung, 2014).</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:17px"><blockquote><p>“Saber o que é verdadeiro para nós, sentir o que realmente sentimos, acreditar no que realmente dá sentido à nossa singular jornada – essa é a essência de viver uma vida de integridade [&#8230;]. Não é fácil, não é comum” (HOLLIS, 2004, p. 95).</p></blockquote></figure>



<p>Para Franz (2016, p. 299), “[&#8230;] encontrar o sentido profundo da vida é mais importante para um indivíduo do que tudo o mais, e é por esse motivo que o processo de individuação deve ter prioridade”. Individuar-se compreende um dos maiores empreendimentos que o ser humano contemporâneo pode realizar e tornar-se si mesmo passaria a ser uma prioridade, visto que, potencialmente, poderia libertá-lo da estagnação e auxiliá-lo na busca do sentido profundo de sua vida (FRANZ, 2016). Esse processo “[&#8230;] permite de repente fazer da sua vida, até então desinteressante e apática, uma aventura interior sem fim, repleta de possibilidades criadoras.” (FRANZ, 2016, p. 265).</p>



<p>Para <strong>Jung</strong>, tanto em sua teoria quanto em sua trajetória, questionar-se sobre o sentido da vida é uma decorrência do viver e um dos seus aspectos mais humanos. Cabe ao indivíduo reconhecer a própria responsabilidade sobre as escolhas que faz e de viver de forma plena, apreciar a vida em todos os momentos e acreditar em sua capacidade de encontrar a força interior nos caminhos percorridos, encontrar a sua essência, a sua integridade de caráter, sua unicidade, seja nos caminhos obscuros e difíceis, ou nos momentos de alegria, para assim acolher o seu próprio vazio interior, conhecer-se a si mesmo e a verdade de sua própria existência.</p>



<p>Quando o sujeito inicia reflexão sobre si próprio em terapia, o processo é similar a um mergulho em áreas desconhecidas do próprio mundo interior, o que representa empreender uma jornada que é de sua responsabilidade, única e subjetiva, capaz de produzir uma verdadeira transformação de si. Encontrar um sentido para a própria vida é antes de tudo um compromisso consigo mesmo.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/maria-helena-soares-marinho/"><strong>Maria Helena</strong> <strong>Soares Marinho</strong> &#8211; <strong>Analista em formação IJEP</strong></a></p>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Guarnieri &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:17px">Referências:</h2>



<p style="font-size:15px"><em>Bauman, Z. (1999). Globalização: As consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em></p>



<p style="font-size:15px"><em>BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.&nbsp;&nbsp;</em></p>



<p style="font-size:15px"><em>Bauman, Z. (2008). Vidas para o consumo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em></p>



<p style="font-size:15px"><em>FRANZ, Marie-Louise von. A busca do sentido: entrevistas radiofônicas. São</em></p>



<p style="font-size:15px"><em>Paulo: Paulus, 2018.</em></p>



<p style="font-size:15px"><em>FRANZ, Marie-Louise von. O processo de individuação. In: JUNG, Carl Gustav. O</em></p>



<p style="font-size:15px"><em>homem e seus símbolos. 3.ed.especial. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2016.</em></p>



<p style="font-size:15px"><em>HOLLIS, James. Nesta jornada que chamamos vida: vivendo as questões. São</em></p>



<p style="font-size:15px"><em>Paulo: Paulus, 2004.</em></p>



<p style="font-size:15px"><em>JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</em></p>



<p style="font-size:15px"><em>JUNG, Carl Gustav. A prática da psicoterapia 16.ed. Petrópolis: Vozes, 2013b</em></p>



<p style="font-size:15px"><em>JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos. 3.ed. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2016.</em></p>



<p style="font-size:15px"><em>JUNG, Carl Gustav.&nbsp; Os Arquétipos e o Inconsciente, 2014, Petrópolis: Vozes, 11.ed</em></p>



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		<title>A Visão Junguiana do Tarot de Marselha: Expressão do Inconsciente Coletivo</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-visao-junguiana-do-tarot-de-marselha/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Helena Soares Marinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jul 2024 16:34:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=9265</guid>

					<description><![CDATA[<p>Este artigo explora a linguagem simbólica das cartas do Tarot, estabelecendo conexões com os arquétipos junguianos. O Tarot de Marselha, com seus Arcanos Maiores e Menores, simboliza a jornada de desenvolvimento espiritual, representando aspectos universais da psique humana. As cartas do Tarot, entendidas como imagens arquetípicas, facilitam a introspecção e a integração dos conteúdos inconscientes, oferecendo um meio para o autoconhecimento e o crescimento pessoal. A visão junguiana sugere que o Tarot atua mais como uma ferramenta de construção do futuro do que como um oráculo preditivo, enfatizando a sincronicidade e o processo de individuação como caminhos para a expansão da consciência.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A linguagem simbólica presente nas cartas do Tarot é rica em significado e tem sido estudada por diversos autores ao longo dos séculos. O Tarot é um baralho de cartas com pelo menos seis séculos de existência, contendo figuras enigmáticas provenientes de um tempo misterioso e irracional (NICHOLS, 2007). <strong>O Tarot de Marselha é um dos mais conhecidos e tornou-se um padrão a partir do qual todos os outros baralhos de Tarot derivam</strong>.</p>



<p>Trata-se de um conjunto de 78 cartas divididas em dois grupos: Arcanos Maiores e Arcanos Menores. As 56 cartas dos Arcanos Menores são divididas em quatro naipes – Copas, Paus, Ouros e Espadas – e servem como símbolos complementares aos Arcanos Maiores ou Trunfos. Estas são imagens numeradas de 0 a XXI que representam a jornada de crescimento espiritual do protagonista, o Louco, uma figura marcada pela infantilidade, ingenuidade, inteligência, engenhosidade, intuição, irresponsabilidade, graça e loucura (NICHOLS, 2007).</p>



<p>Os desenhos dos tarôs têm significados esotéricos, conhecidos pelos iniciados e ocultos para os leigos, e são representações simbólicas de arquétipos. São símbolos eternos em nossa vida e ubíquos, ou seja, presentes em toda parte. Cada carta do Tarot é uma imagem arquetípica que representa um conjunto de arquétipos pertencentes ao inconsciente coletivo. Mesmo que em diferentes baralhos alguns traços sejam distintos, essas figuras possuem características eternas da espécie e se encontram em situações que se repetem em todos os tempos. Assim, os personagens do baralho estão em situações que todos nós, de uma forma ou de outra, estaremos em certos momentos ou fases de nossas vidas. Em resumo, cada carta é representativa de vários traços da psique humana sintetizados em denominações como Papisa (a grande Mãe), Mago, Imperatriz, Louco, entre outros. Segundo Nichols:</p>



<p>Uma viagem pelas cartas do tarô, primeiro que tudo, é uma viagem às nossas próprias profundezas. O que quer que encontremos ao longo do caminho é, <em>au fond, </em>um aspecto do nosso mais profundo e elevado eu. Pois as cartas do Tarô, que nasceram num tempo em que o misterioso e o irracional tinham mais realidade do que hoje, trazem-nos uma ponte efetiva para a sabedoria ancestral do nosso eu mais íntimo. E uma nova sabedoria é a grande necessidade do nosso tempo &#8211; sabedoria para resolver nossos problemas pessoais e sabedoria para encontrar respostas criativas às perguntas universais que a todos nos confrontam. (Nichols, 2007, p. 18).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-viagem-pelas-cartas-do-taro"><strong>A Viagem pelas Cartas do Tarô</strong></h2>



<p>Uma viagem pelas cartas do tarô é, antes de tudo, uma viagem às nossas próprias profundezas. O que quer que encontremos ao longo do caminho é, em essência, um aspecto do nosso mais profundo e elevado eu. Pois as cartas do Tarô, que nasceram num tempo em que o misterioso e o irracional tinham mais realidade do que hoje, trazem-nos uma ponte efetiva para a sabedoria ancestral do nosso eu mais íntimo. E uma nova sabedoria é a grande necessidade do nosso tempo &#8211; sabedoria para resolver nossos problemas pessoais e sabedoria para encontrar respostas criativas às perguntas universais que a todos nos confrontam.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-arquetipos-simbolizados-nas-cartas-configuram-a-jornada-humana-em-direcao-a-integracao-dos-aspectos-contraditorios-da-psique" style="font-size:20px">Os arquétipos simbolizados nas cartas configuram a jornada humana em direção à integração dos aspectos contraditórios da psique.</h2>



<p>Esse caminho se inicia com o Louco se lançando rumo ao desconhecido e, como recompensa, recebendo a ajuda de figuras que o guiam no mergulho interior – O Mago, a Sacerdotisa, o Papa, a Imperatriz e o Imperador.</p>



<p>Quando no caminho há o encontro com os Enamorados, estamos diante de escolhas que envolvem o amor; o Carro aponta a necessidade de lidar com o desafio de controlar instintos contraditórios e com a Justiça encaramos a necessidade de, em alguns momentos, tomar decisões baseadas na imparcialidade.</p>



<p>O Eremita chega mostrando que não se pode controlar a passagem do tempo e a Roda da Fortuna, um movimento constante que também não pode ser controlado. Existe um leão interior que precisa ser domado, mas não destruído, e a carta da Força mostra a sutileza que existe no limiar entre esses dois tipos de conquista. O Enforcado, com seu sacrifício voluntário, evidencia a serenidade que existe quando o sacrifício é feito em prol de um bem maior e a Morte não deixa esquecer que os fins fazem parte dos começos.</p>



<p>O lado mais vergonhoso da psique é revelado na carta do Diabo e o lado mais amável e sentimental na carta da Temperança. Na Torre, nos deparamos com as falsas personas, aquelas que precisam ruir para que o caminho possa continuar e a Estrela traz um lampejo de esperança que dá força para seguir o caminho. A Lua traz a densidade e o caos presentes no inconsciente coletivo e, depois do mergulho nessa instância milenar da psique, o Sol anuncia o poder que existe na consciência que emerge desse mergulho. As duas últimas cartas do jogo são o Julgamento e o Mundo. O Julgamento é o momento de colher os frutos plantados, constatando que o presente está conectado com as escolhas do passado. E o Mundo é o grande objetivo da jornada, é o prêmio da totalidade.</p>



<p><strong>Esse objetivo é ideal, não real, então o que importa não é a chegada, mas sim o caminho que se desenvolve na sua busca</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-perspectiva-junguiana-do-tarot"><strong>A Perspectiva Junguiana do Tarot</strong></h2>



<p>Desde a pré-história, os seres humanos usam desenhos como meio de expressão, o que lhes conferiu o poder de tornar visível o invisível (FORTIM, 2019). As imagens arquetípicas e os símbolos materializam conteúdos inconscientes que pertencem a toda a humanidade e que, por isso, têm uma natureza universal. Essa instância não pessoal da psique, denominada inconsciente coletivo, é definida por Jung da seguinte forma:</p>



<p>Esta camada mais profunda é o que chamamos de inconsciente coletivo. Eu optei pelo termo ‘coletivo’ pelo fato de o inconsciente não ser de natureza individual, mas universal; isto é, contrariamente à psique pessoal ele possui conteúdos e modos de comportamento, os quais são cum grano salis os mesmos em toda parte e em todos os indivíduos. Em outras palavras, são idênticos em todos os seres humanos, constituindo, portanto, um substrato psíquico comum de natureza psíquica suprapessoal que existe em cada indivíduo. (JUNG, 2014a, p. 12)</p>



<p><strong>Os arquétipos, substância do inconsciente coletivo, são padrões de percepção e compreensão comuns a todos os seres humanos que explicam as similaridades no funcionamento imaginário psíquico que atravessam os tempos e culturas (JUNG, 2014a).</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-estarem-fora-do-alcance-da-consciencia-eles-atuam-como-forcas-da-natureza-guiando-as-experiencias-humanas-para-caminhos-que-nem-sempre-sao-construtivos-para-a-vida-individual" style="font-size:18px">Por estarem fora do alcance da consciência, eles atuam como forças da natureza. Guiando as experiências humanas para caminhos que nem sempre são construtivos para a vida individual.</h2>



<p>Os Arcanos Maiores, por serem representações de arquétipos, materializam algo que não é visto, mas vivido inconscientemente a todo momento. Esses conteúdos do inconsciente coletivo expressos no Tarot buscam ser acolhidos e integrados, mas para tanto é preciso existir uma consciência que dê espaço para o irracional coexistir com a sua lógica intelectual. As cartas demandam uma forma de apreensão que relativize a racionalidade para atingir um modo mais amplo e profundo de assimilar imagens.</p>



<p>Jung pouco falou sobre o Tarot. Em um seminário sobre imaginação ativa realizado em 1933, encontra-se uma breve fala onde ele trata o Tarot como imagens psicológicas que o inconsciente utiliza para se expressar. Jung fala que as cartas são imagens arquetípicas que contribuem para compreender de modo intuitivo o fluxo da vida. Para ele, a possibilidade de prever o futuro reside na leitura do presente e a necessidade do ser humano de acessar o sentido da existência através do inconsciente está ligada a uma espécie de correspondência entre a condição predominante na vida atual e a condição do inconsciente coletivo (JUNG, 1997).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-contato-com-novos-conteudos-psiquicos-traz-movimento-para-a-psique-e-cria-um-fluxo-energetico-criativo" style="font-size:18px">O contato com novos conteúdos psíquicos traz movimento para a psique e cria um fluxo energético criativo.</h2>



<p>Essa troca é de suma importância, pois quanto mais a consciência se estreita e se afasta do inconsciente, mais perigoso e antagônico ele se torna (JUNG, 2014a). Ou seja, o bem-estar da consciência está diretamente ligado ao tipo de relação que ela desenvolve com o inconsciente. Para que se enriqueçam mutuamente, essas duas instâncias da psique precisam construir uma via de passagem mútua.</p>



<p>Abrindo-se às imagens das cartas, deixa-se a imaginação fluir, criando uma brecha para fertilizar a vida com a potência do inconsciente. Olhando o Tarot por essa ótica, conclui-se que seu poder reside na possibilidade de o indivíduo revelar-se para si através dele. Ele é um convite à introversão e coloca a pessoa em contato com algo que transcende a vida individual, mas que faz parte dela. (NICHOLS, 2007). O indivíduo está imerso em dualidades, e é o entrelaçamento dessas realidades que configura sua experiência total (JAFFÉ, 2021).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-sincronicidade-e-o-tarot"><strong>A Sincronicidade e o Tarot</strong></h2>



<p>Jung (2014b) usou o termo sincronicidade para descrever o fenômeno onde duas ou mais situações acontecem simultaneamente sem relação causal, mas ligadas pelo significado. O que diferencia esse conceito da mera coincidência é o fato de os conteúdos terem um significado em comum, como se houvesse um elo invisível que os une. Existem momentos em que uma imagem psíquica se encontra em uma relação análoga significativa com um acontecimento objetivo exterior, sem que haja uma explicação ou uma causa para isso. Isso leva a pensar que o inconsciente sabe mais do que a consciência, como se houvesse um conhecimento antecipado sobre determinados acontecimentos, mostrando que muitas vezes a realidade pode complementar a experiência interior.</p>



<p>O fenômeno sincrônico acontece quando uma imagem inconsciente alcança a consciência no formato de sonho, associação ou premonição e, em algum momento, uma situação objetiva surge apresentando o mesmo conteúdo. Jung (2014b) destaca o papel que o afeto desempenha nesse processo, colocando-o como o grande motor da alma humana, capaz de modificar até mesmo a realidade objetiva. A alma tem uma força tão grande que consegue tudo o que deseja, nem que para isso seja necessário mobilizar o mundo psíquico e físico, interno e externo.</p>



<p>A experiência com a sincronicidade mostra que um conteúdo psíquico pode ser representado por um acontecimento exterior sem que haja uma explicação causal para isso, o que traz à tona reflexões sobre a localização espacial da psique e a relatividade do tempo. Além disso, essas situações parecem ser uma forma de tornar consciente um arquétipo que, por possuir uma parte inconsciente inacessível à consciência, confere aos eventos sincrônicos essa relatividade de espaço e tempo característica de processos que vão além da consciência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-principio-da-sincronicidade-pressupoe-uma-organizacao-metafisica-que-atua-independente-da-vontade-e-engloba-exterior-e-interior" style="font-size:18px">O princípio da sincronicidade pressupõe uma organização metafísica que atua independente da vontade e engloba exterior e interior.</h2>



<p>A essa organização estão sujeitos tanto aqueles que experimentam os acontecimentos não causais como mero acaso quanto os que enxergam seu significado. A inter-relação universal dos acontecimentos revela uma unidade preexistente que une psique e matéria e os coloca como integrantes dessa totalidade.</p>



<p>Quando Jung (2014b) fala do afeto como o motor capaz de unificar a alma e o corpo, impactando inclusive na realidade externa, ele faz pensar que para o Tarot desencadear um evento sincrônico, antes é preciso que a pessoa seja afetada por ele. Para que o Tarot desperte afetos, é preciso haver uma conexão direta entre ele e o indivíduo, um ritual que desperte o olhar simbólico sobre as imagens que ele apresenta. O conceito de sincronicidade se baseia na casualidade e não na causalidade; nesse sentido, não é possível controlar esse tipo de experiência e saber o que as causa. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-sincronicidade-simplesmente-acontece-ela-existe-espontaneamente-e-nao-intencionalmente" style="font-size:18px">A sincronicidade simplesmente acontece, ela existe espontaneamente e não intencionalmente.</h2>



<p>Ela poderia ser só mais um fato da vida sem explicação, mas o que a torna relevante é o seu potencial de levar a um aprofundamento e revelar significados ocultos. Essa potencialidade só se torna realidade quando há uma postura simbólica diante da vida que faz enxergar sincronicidade em situações que antes eram vistas como mera coincidência. Assim, se o Tarot for vivido no seu aspecto simbólico, poderá ser uma experiência que se alinha com uma vida plena de significados e sincronicidades.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-psicologia-analitica-e-o-tarot"><strong>A Psicologia Analítica e o Tarot</strong></h2>



<p>A Psicologia Analítica e o Tarot se encontram em pontos-chaves da teoria junguiana: arquétipo, inconsciente coletivo, símbolos, sincronicidade, individuação e projeção. A hipótese que justificaria a inserção do Tarot no campo analítico seria o fato das imagens arquetípicas presentes em cada carta se comunicarem com o inconsciente, o que conduziria a uma expansão da consciência. Nesse sentido, através da interação com os símbolos do baralho, as cartas trariam a possibilidade de alcançar uma compreensão mais ampla e profunda da psique, impactando no futuro.</p>



<p>Jung enxergou no Tarot uma rica expressão do inconsciente coletivo – conceito que criou para designar uma espécie de conteúdo residual de todas as experiências da humanidade, atualizada por repetição com o passar dos anos. Lá estão representados, por exemplo, o amor materno, o impulso para a guerra e o fascínio pelo divino. Assim como os demais oráculos, o Tarot seria um sistema de representação dessas e muitas outras potencialidades humanas, os arquétipos. A partir das figuras estampadas nas cartas, o indivíduo seria chamado a refletir sobre as virtudes e dissabores da própria existência.</p>



<p>E, a partir dessa reflexão, levar a decisões mais favoráveis ao próprio desenvolvimento. Mas qual seria a mágica que levaria à escolha da carta certa para ilustrar o momento em que estamos vivendo? Para Jung, tudo se processa como resultado do movimento psíquico, uma forma peculiar de diálogo. Para entendê-la, é preciso saber que a expressão do inconsciente se dá a partir de símbolos. E esta também é a linguagem que compõe cada lâmina do Tarot. Quando escolhe ao acaso um certo número de cartas de um monte, o consulente concede ao inconsciente um veículo para que se expresse. Este usará, a partir da simbologia das cartas, um canal de comunicação com a consciência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-consideracoes-finais"><strong>Considerações Finais</strong></h2>



<p>As cartas do Tarot, como figuras de testes projetivos, permitem ao indivíduo a projeção de seus complexos, cujos núcleos são os arquétipos. A partir dessa projeção e seu entendimento (com a ajuda de um terapeuta que conheça as teorias e os procedimentos de análise junguianos), a pessoa pode se conscientizar de alguns complexos que, no momento, estão desempenhando importante papel no seu pensamento e no seu comportamento. Ou seja, as figuras do baralho possibilitam ao ego “pescar” no inconsciente alguns complexos que são contornos pessoais dos arquétipos e depois tentar descobrir o que eles estão fazendo.</p>



<p>E isto ocorre porque, ao se projetar, a pessoa transfere à imagem da carta as ideias com forte carga afetiva (complexos) que estão mais próximas da consciência. Assim, o Tarot não diz o que você é e nem prevê o seu futuro. Na verdade, ele é um desses instrumentos seculares que ajudam as pessoas a se conhecerem e a conhecerem a humanidade.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: A Visão Junguiana do Tarot de Marselha: Expressão do Inconsciente Coletivo" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/zZSvWsmRGVE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong>Maria Helena Soares Marinho – Analista em Formação IJEP</strong></p>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Cristina Mariante Guarnieri – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p>FORTIM, I. <em>O Desenho como Símbolo: uma Revisão da Expressão Gráfica pela ótica da Psicologia Analítica</em>. Hermes, n. 24, p. 79-95, 2019. Disponível em: https://www.academia.edu/44381019/O_Desenho_como_S%C3%ADmbolo_uma_Revis%C3%A3o_da_Express%C3%A3o_Gr%C3%A1fica_pela_%C3%93tica_da_Psicologia_Anal%C3%ADtica?from=cover_page. Acesso em: 27.05.2024.</p>



<p>JAFFÉ, A. <em>O mito do significado</em>. 2ª ed. São Paulo: Cultrix, 2021.</p>



<p>JUNG, C. G. <em>Os arquétipos e o inconsciente coletiv</em>o. 11ª ed. Petrópolis: Vozes, 2014a. (Obras Completas de C. G. Jung; vol. IX/I)</p>



<p>JUNG, C. G. <em>Sincronicidade.</em> 21ª ed. Petrópolis: Vozes, 2014b. (Obras Completas de C. G. Jung; vol. XVIII/III)</p>



<p>JUNG, C. G. <em>Visions: Notes on the Seminar Given in 1930-1934</em>. Princeton: Princeton University Press, 1997.</p>



<p>NICHOLS, S. <em>Jung e o Tarot: uma jornada arquetípica.</em> São Paulo: Cultrix, 2007.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



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		<title>&#8220;Sonhos não lembrados: O papel da Super Aceleração e da Hiper Produtividade atual na perda da Alma&#8221;</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/sonhos-nao-lembrados-o-papel-da-super-aceleracao-e-da-hiper-produtividade-na-perda-da-alma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Helena Soares Marinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jan 2024 15:31:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Sonho]]></category>
		<category><![CDATA[hiperconexao]]></category>
		<category><![CDATA[insônia]]></category>
		<category><![CDATA[lembrar dos sonhos]]></category>
		<category><![CDATA[recordação dos sonhos]]></category>
		<category><![CDATA[técnicas recordação sonhos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=8771</guid>

					<description><![CDATA[<p>A influência da super aceleração e hiperprodutividade nos adoecimentos psíquicos e a consequente não lembrança dos sonhos são abordados neste artigo. A influência da aceleração da vida moderna e o modo de vida competitivo são apontados como responsáveis por essa dificuldade. A falta de espaço para a vida interior compromete a qualidade do sono e a conexão com os sonhos, afetando o processo de individuação. É crucial repensar nossa relação com a tecnologia e reavaliar nossos limites produtivos para dormirmos melhor e valorizarmos o processo terapêutico dos sonhos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>No contexto contemporâneo, marcado pela hiperconexão e a hiperprodutividade, observa-se uma perda crescente da conexão com o mundo dos sonhos. Este artigo examina, sob a ótica da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, como esses fenômenos impactam a lembrança dos sonhos e, consequentemente, o trabalho de conteúdos inconscientes, memórias e processos criativos.&nbsp;</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hiperconexao-e-hiperprodutividade"><strong>Hiperconexão e Hiperprodutividade</strong><strong></strong></h2>



<p>Segundo dados da Associação Brasileira do Sono (ABS), pesquisa realizada em 2019, 73 milhões dos brasileiros (ou seja, ⅓ da população) sofrem de insônia, e a venda do <strong>Zolpidem</strong>, um dos fármacos hipnóticos mais conhecidos da atualidade, cresceu cerca de 676% entre 2012 e 2021 (*CMED, acesso em 02, Maio/2023).</p>



<p><strong>Em grandes cidades como São Paulo, em que o ritmo de vida é muito agitado, os índices são significativamente mais altos que a média</strong>. Uma pesquisa do Instituto do Sono (EPISONO), realizada com 1000 voluntários entre 2018 e 2019 revelou que 45% da população paulistana queixa-se de insônia ou dificuldade para dormir, sendo que 35% toma medicação para estimular o sono, mesmo sem prescrição médica. (EPISONO, 2023)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-insonia-pode-se-dar-por-varios-motivos-um-deles-e-o-fato-aparentemente-simples-uma-resistencia-a-dormir-por-acumulo-de-ansiedade">A <strong>insônia </strong>pode se dar por vários motivos. Um deles é o fato aparentemente simples: <strong>uma resistência a dormir por acúmulo de ansiedade</strong>.</h2>



<p>Isto vai influenciar na dificuldade de lembrar dos sonhos, mesmo considerando que todos sonhamos todas as noites cerca de cinco sonhos, já que estes são um fenômeno neurológico, necessário para o equilíbrio psico afetivo e mental do ser humano.</p>



<p>Um dos possíveis fatores que contribuíram para o cenário descrito até aqui é de cunho sócio-cultural e econômico. <strong>A hiperprodutividade dos indivíduos na sociedade neoliberal também tem influência significativa na não-lembrança dos sonhos</strong>. Em seu livro “<strong>A alma precisa de tempo</strong>”, a analista junguiana Verena Kast (2016) fala sobre o quanto a aceleração atual exige não só uma eficácia cada vez maior no mundo externo mas também no mundo interno, fazendo com que tenhamos que fazer cada vez mais em menos tempo, constrangidos a cumprir mais compromissos ou sentir-nos culpados se perdemos um prazo.</p>



<p>Do mesmo modo, há pressão para resolvermos um distúrbio psicológico rapidamente; e a perda da tranquilidade e do aconchego igualmente leva a uma marginalização da alma. Se permitirmos isso, a vida será mais fria, os relacionamentos serão dominados pela funcionalidade. Muitos temem ou já vivenciam isso. Por seu turno, o sociólogo <strong>Byung-Chul Han</strong> (2017, p.34) diz que a sociedade atual tem uma tolerância bem pequena ao tédio e não admite experimentá-lo ao nível profundo, algo importante para todos os processos criativos, incluindo o sonho. Assim, perdeu-se a capacidade de se aquietar e contemplar. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-han-cita-walter-benjamin-a-pura-inquietacao-nao-gera-nada-de-novo-reproduz-e-acelera-o-ja-existente-nao-se-tece-mais-e-nao-se-fia-2017-p-34">Han cita Walter Benjamin: &#8220;<strong>A pura inquietação não gera nada de novo, reproduz e acelera o já existente. Não se tece mais e não se fia</strong>”. (2017, p. 34)</h2>



<p>O termo <strong>alétheia</strong> significa verdade e, ao mesmo tempo, realidade, no sentido de desvelamento, ou seja, de descobrir o que estava encoberto, oculto (a= negação, lethe = esquecimento). Martin <strong>Heidegger </strong>(apud Macieira, 2023) retomou o termo para definir a tentativa de compreensão da verdade. Para esse escritor, a alétheia é distinta do conceito leigo de “verdade” – esta considerada um estado descritivo objetivo.</p>



<p>Assim sendo, alétheia traz consigo a revelação imediata da realidade, no sentido de onisciência e de memória, significando o equivalente a mnemosÿne (memória). A única potência que se opõe à alétheia, mas que, todavia a complementa, é lethe (em grego = esquecimento). Tecendo um paralelo com a condição moderna da nossa existência, faltam condições para se viver a experiência da Alétheia e os sonhos ficam perdidos nos rios de Lethe, uma vez que os indivíduos tendem a desvalorizar a escuta interna e dar prioridade aos estímulos do mundo exterior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-papel-dos-sonhos-na-psicologia-anali-tica-de-jung"><strong>O Papel dos Sonhos na Psicologia Analí</strong><strong>tica de Jung</strong></h2>



<p>Na psicologia junguiana, os sonhos são vistos como manifestações vitais do inconsciente, oferecendo compensações para as atitudes unilaterais da consciência. Eles desempenham um papel crucial no processo de autoconhecimento e individuação, agindo como guias para o equilíbrio psíquico.</p>



<p>Jung (2013b, p. 465) define o conceito de individuação como o processo de formação e particularização do ser individual; em especial, o desenvolvimento do indivíduo psicológico como ser distinto do conjunto, da psicologia coletiva. É, portanto, um processo de diferenciação que objetiva o desenvolvimento da personalidade individual. Uma vez que o indivíduo não é um ser único, mas pressupõe também um relacionamento coletivo para sua existência, também o processo de individuação não leva ao isolamento, mas a um relacionamento coletivo mais intenso e mais abrangente.</p>



<p>Os sonhos e o processo de individuação possuem íntima conexão, uma vez que os sonhos são a maneira mais direta e natural de estabelecermos comunicação com nosso inconsciente, o que concorre para o autoconhecimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung">Segundo Jung:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-default" style="font-size:17px"><blockquote><p>Inicialmente as compensações aparecem como ajustamentos momentâneos de atitudes unilaterais ou o restabelecimento de certos desequilíbrios da situação. Mas um conhecimento e uma experiência mais aprofundados nos mostram que estas ações compensadoras aparentemente isoladas obedecem a uma espécie de plano pré-determinado.<br><br>Parecem ligadas umas às outras e subordinadas, em sentido mais profundo, a um fim comum, de modo que uma longa série de sonhos não aparece mais como uma sucessão fortuita de acontecimento desconexos e isolados, mas como um processo de desenvolvimento e de organização que se desdobra segundo um plano bem elaborado. Designei esse fenômeno inconsciente, que se exprime espontaneamente no simbolismo de longas séries de sonho, pelo nome de processo de individuação. (JUNG, 2013a, p. 244)</p></blockquote></figure>



<p>Jung &nbsp;(2013b, p. 465) nos ensina que, se nos comprometemos com a análise de longas séries de sonhos, com a competente assistência de um analista, por um longo tempo, é raro que não vejamos nosso horizonte alargar-se e enriquecer-se. Justamente devido a seu comportamento compensador, a análise adequadamente conduzida nos descortina novos pontos de vista e abre novos caminhos que nos ajudam a sair da estagnação.</p>



<p>Ele explica que um conhecimento e uma experiência mais aprofundados nos mostram que essas ações compensadoras aparentemente isoladas obedecem a uma espécie de plano pré-determinado. Parecem ligadas umas às outras e subordinadas, em sentido mais profundo, a um fim comum, de modo que uma longa série de sonhos não aparece mais como uma sucessão aleatória de acontecimentos desconexos e isolados, mas como um processo de desenvolvimento e de organização que se desdobra segundo um plano bem elaborado. A este fenômeno inconsciente, que se exprime espontaneamente no simbolismo de longas séries de sonhos, Jung (2013b, p. 467) também designou como <strong>processo de individuação</strong>.</p>



<p><strong>E mesmo que muitas vezes os sonhos não sejam compreensíveis, eles agem sobre a nossa psique e nossas vidas</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Se os sonhos produzem compensações tão essenciais, por que então eles não são compreensíveis? Esta questão me tem sido dirigida frequentemente. Devemos responder que o sonho é um acontecimento natural e que a natureza não está de modo algum disposta a oferecer seus frutos de certo modo gratuitamente aos homens, na medida das suas expectativas. Muitas vezes se abjeta que a compensação pode permanecer ineficaz, se não se entende o sentido do sonho, mas isto não é assim tão claro, porque há muitas coisas que atuam sem serem compreendidas. Mas nós podemos, sem dúvida, aumentar consideravelmente sua eficácia pela compreensão, e muitas vezes isto se revela necessário, porque a voz do inconsciente pode também não ser ouvida. (JUNG, 2013a, p. 250)</p></blockquote></figure>



<p>Porquanto a individuação tenha por objetivo o ser único, exercitando sua singularidade mais íntima, última e incomparável<em>, </em>despojando-o dos invólucros falsos da persona, os sonhos, então, se apresentam como peças-chave para desvelar as compensações entre consciência e inconsciente. Se ampliados simbolicamente de maneira eficaz, seus conteúdos podem ser integrados de forma mais harmoniosa à consciência, fazendo com que o indivíduo revise personas inautênticas e (re)construa com essas instâncias relações mais saudáveis, caminhando em direção ao seu processo de autoconhecimento e autodesenvolvimento egóico, de si-mesmo.</p>



<p>Jung (2015) também explica que, quanto mais consciente nos tornamos de nós mesmos, tanto mais se reduzirá a camada do inconsciente pessoal que recobre o inconsciente coletivo:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:17px"><blockquote><p>Desta forma, vai emergindo uma consciência livre do mundo mesquinho, suscetível e pessoal do eu, aberta para a livre participação de um mundo mais amplo de interesses objetivos. Essa consciência ampliada não é mais aquele novelo egoísta de desejos, temores, esperanças e ambições de caráter pessoal, que sempre deve ser compensado ou corrigido por contratendências inconscientes; tornar-se-á uma função de relação com o mundo de objetos, colocando o indivíduo numa comunhão incondicional, obrigatória e indissolúvel com o mundo.<br><br>As complicações que ocorrem nesse estádio já não são conflitos de desejos egoístas, mas dificuldades que concernem à própria pessoa e aos outros. Neste estádio aparecem problemas gerais que ativaram o inconsciente coletivo; eles exigem uma compensação coletiva e não pessoal. É então que podemos constatar que o inconsciente produz conteúdos válidos, não só para os indivíduos, mas para os outros: para muitos e talvez para todos&#8221;. (JUNG, 2015, p. 68)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-import-ancia-do-resgate-da-lembranca-dos-sonhos-reaprendendo-a-sonhar-e-o-retorno-ao-interior-profundo-da-alma"><strong>A Import</strong><strong>ância do Resgate da Lembrança dos Sonhos: Reaprendendo a sonhar e o retorno ao interior profundo da alma</strong></h2>



<p>Aquilo que fazemos antes de dormir será um dos fatores determinantes da qualidade do sono e consequentemente influenciará na sua lembrança. É a chamada &#8220;higiene do sono&#8221;. A mesma ensina que, por pelo menos 30 minutos antes de dormir, convém evitar o uso de aparelhos celulares, computadores, tablets e televisão.</p>



<p>Narrativas que despertem o <strong>mundo imaginal </strong>podem ser benéficas. Além disso, o uso de algumas substâncias afeta a fisiologia do sono, portanto é recomendável evitar o uso de álcool, tabaco, café, maconha, pílulas para dormir, etc., estar hidratado e não se alimentar de maneira excessiva; uma postura assim ajudará o indivíduo a dormir melhor.</p>



<p>Exercícios físicos extenuantes também irão atrapalhar. Por sua vez, alguns exercícios meditativos podem ser interessantes, mas é necessário saber exatamente o que se está fazendo. Muitas vezes esse tipo de prática acaba mobilizando as faculdades mentais e produzindo agitação, isso irá atrapalhar mais do que ajudar o sono.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-lembrar-dos-sonhos-pode-ser-um-desafio-para-muitas-pessoas-mas-existem-algumas-tecnicas-que-podem-ajudar-a-aumentar-a-capacidade-de-recordacao-dos-sonhos" style="font-size:17px">Lembrar dos sonhos pode ser um desafio para muitas pessoas, mas existem algumas técnicas que podem ajudar a aumentar a capacidade de recordação dos sonhos.</h2>



<p>Uma dela é a autossugestão, que também pode ser importante: autossugestionar-se, um minuto exatamente antes de dormir: &#8220;Vou sonhar, lembrar e relatar&#8221;. Segundo <strong>Ribeiro</strong>: permanecer imóvel na cama ao despertar, para que a prolífica caixa de Pandora se abra  (2017, p. 17). O ideal é não pular da cama e tentar buscar e manter na consciência as imagens oníricas durante o despertar. Prestar atenção na transição entre o mundo onírico e o mundo vígil e tentar ficar nesse lugar por algum tempo. Observar a si quando estiver passando para o mundo de cá: corpo, respiração, sentimentos, emoções etc.</p>



<p>Papel e lápis à mão, o sonhador de início se esforçará para lembrar com o que sonhou. A princípio parece impossível, mas rapidamente uma imagem ou uma cena, mesmo que esmaecida, virá à tona. A ela o sonhador deve se agarrar, mobilizando a atenção para aumentar a reverberação da lembrança do sonho. Essa primeira memória, mesmo frágil e fragmentada, servirá como peça inicial do quebra-cabeça, ponta do novelo a ser desenrolado. Através de sua reativação as memórias associadas começarão a se revelar.</p>



<p>Se no primeiro dia esse exercício produz apenas algumas frases desconexas, após uma semana é frequente encher páginas inteiras do <strong>sonhário</strong>, com vários sonhos independentes coletados depois de um único despertar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-realidade-sonhamos-durante-quase-toda-a-noite-mesmo-na-vigilia-muito-embora-chamemos-isso-de-imaginacao" style="font-size:20px"><strong>Na realidade, sonhamos durante quase toda a noite, mesmo na vigília, muito embora chamemos isso de imaginação</strong>.</h2>



<p>O sonho é essencial porque nos permite mergulhar profundamente nos subterrâneos da consciência. Experimentamos no transcorrer desse estado uma colcha de retalhos emocionais. Pequenos desafios, modestas derrotas e vitórias cotidianas geram um panorama onírico que reverbera as coisas mais importantes da vida, mas tende a não fazer sentido globalmente. Quando a existência flui mansa é difícil interpretar a algaravia simbólica da noite&#8221; (RIBEIRO, 2021, p. 18)</p>



<p>Descrever os sonhos imediatamente ao despertar é uma prática simples que enriquece enormemente a vida onírica: em poucos dias, quem jamais os recordara começa a preencher páginas e mais páginas de seu diário dos sonhos, ou &#8220;sonhário&#8221;, recomendado desde a Idade Antiga para estimular a rememoração.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-o-estudo-dos-sonhos-jung-2016-nos-ensina-que-nao-podemos-nos-permitir-nenhuma-ingenuidade">Sobre o estudo dos sonhos, Jung (2016) nos ensina que não podemos nos permitir nenhuma ingenuidade:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:21px"><blockquote><p>[&#8230;] eles têm sua origem em um espírito que não é bem humano, e sim um sopro da natureza — o espírito de uma deusa bela e generosa, mas também cruel. Se quisermos caracterizar esse espírito, vamos nos aproximar bem melhor dele na esfera das mitologias antigas de nas fábulas primitivas das florestas do que na consciência do homem moderno. (JUNG, 2016, p. 58)</p></blockquote></figure>



<p>Isso porque o homem primitivo era muito mais governado pelos instintos do que seu descendente, o homem &#8220;racional&#8221;, que aprendeu a &#8220;controlar-se&#8221;. Além disso, Jung (2016, p. 59) também julga tolice acreditar em guias pré-fabricados e sistematizados para a interpretação dos sonhos, como se pudéssemos comprar um livro de consultas para nele encontrar a tradução de determinado símbolo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nenhum-simbolo-onirico-pode-ser-separado-da-pessoa-que-o-sonhou-assim-como-nao-existem-interpretacoes-definidas-e-especificas-para-qualquer-sonho" style="font-size:18px">Nenhum símbolo onírico pode ser separado da pessoa que o sonhou, assim como não existem interpretações definidas e específicas para qualquer sonho.</h2>



<p>Considerando os pontos mencionados acima, técnicas expressivas como desenhos livres, pinturas, colagens, mandalas e esculturas são ótimos recursos para expressar os símbolos oníricos, mensageiros indispensáveis da parte instintiva da mente humana para a sua parte racional; a sua interpretação enriquece a pobreza da nossa consciência fazendo-a compreender, novamente, a esquecida linguagem dos instintos.&nbsp;</p>



<p>Enfim, o tema abordado é bastante complexo e requer mudanças profundas na sociedade atual, em diversas camadas: uma reeducação para lidar com as imagens oníricas, transformações significativas na relação com as tecnologias, e a reavaliação de como a sociedade contemporânea lida com seus próprios limites produtivos. Como foi discutido ao longo do artigo, o indivíduo contemporâneo está mergulhado nas águas do rio de Lethe, esquecido de seus sonhos, e longe de si mesmo, com pouco ou nenhum contato com seu mundo onírico. Contudo, estudos relacionados ao sonho voltaram a tomar espaço nos meios científicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-avanco-tecnologico-possibilitou-a-neurociencia-descobrir-e-publicar-dados-que-corroboram-muitas-ideias-e-hipoteses-levantadas-por-jung-e-freud" style="font-size:18px">O avanço tecnológico possibilitou à neurociência descobrir e publicar dados que corroboram muitas ideias e hipóteses levantadas por Jung e Freud.</h2>



<p>A própria ciência, que durante muito tempo deixou os estudos relacionados ao processo onírico de lado, diz agora que é extremamente importante para a nossa saúde e adaptação que sonhemos, e que o material surgido do inconsciente precisa participar das nossas decisões conscientes. Muito tem se falado da importância dos sonhos para as civilizações antigas, do quanto isso se perdeu na atualidade e do quanto é necessário resgatar essa relação basilar.</p>



<p>O presente estudo também nos mostrou a importância dos sonhos no nível individual e coletivo, como função reguladora da psique, instrumento poderoso de autoconhecimento que refere também as relações sociais e interesses da comunidade. Nesse sentido, o sonho não guarda importância somente no âmbito individual, mas aponta para aquilo que está acontecendo na sociedade e no mundo; mostra para onde estamos caminhando enquanto coletividade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-precisamos-voltar-a-sonhar"><strong>Precisamos voltar a sonhar!</strong></h2>



<p>Por final, espero que esse artigo seja um convite a todos aqueles que se encorajem a trabalhar com o inconsciente e a utilizarem mais recursos expressivos com seus pacientes, a fim de incentivá-los a registrarem as viagens ao interior da alma. O mergulho nas múltiplas dimensões do sonho, arte quase completamente esquecida atualmente, pode e deve reativar o hábito ancestral de sonhar e narrar.</p>



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</div></figure>



<p>Maria Helena Soares Marinho – Analista em Formação IJEP</p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Cristina Mariante Guarnieri – Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">REFERÊNCIAS:</h2>



<p>JUNG, Carl Gustav. <em>A Natureza da Psique</em>. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p>______ <em>Tipos Psicológicos</em>. 7.ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p>______ <em>O eu e o inconsciente</em>. 27.ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p>______ <em>O Homem e seus Símbolos.</em> 3.ed. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2016.</p>



<p>HAN<em>, </em>Byung-Chul. <em>Sociedade do Cansaço</em>, 2.ed. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p>RIBEIRO, Sidarta. <em>O Oráculo do Sono</em>, 1.ed. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2019.</p>



<p>KAST, Verena. <em>A Alma precisa de tempo</em>. Petrópolis: Vozes, 2016.</p>



<p>MACIEIRA, Rita. <a href="https://blog.sudamar.com.br/pequena-reflexao-em-tempos-de-aletheia/">https://blog.sudamar.com.br/pequena-reflexao-em-tempos-de-aletheia/</a> / Acesso em 30/Nov/2023</p>



<p>CMED &#8211; Câmara de regulação do mercado de medicamentos, enviados pela Anvisa.<a href="https://noticias.r7.com/saude/venda-de-zolpidem-remedio-da-moda-para-dormir-cresce-676-em-dez-anos-no-brasil-28112022"> <u>https://noticias.r7.com/saude/venda-de-zolpidem-remedio-da-moda-para-dormir-cresce-676-em-dez-anos-no-brasil-28112022</u></a>. Acesso em 02 maio 2023</p>



<p>EPISONO – Instituto do Sono: &nbsp;<a href="https://institutodosono.com/en/episono/">&nbsp;<u>https://institutodosono.com/en/episono</u></a>/ Acesso em 02 maio 2023</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p>Acesse nosso site e conheça nossas Pós-Graduações:&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a></p>



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