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	<title>Arquivos Educação - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos Educação - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Superparentalidade: de crianças superprotegidas a adultos infantilizados</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/superparentalidade-de-criancas-superprotegidas-a-adultos-infantilizados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jun 2025 12:44:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento da personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento infantil]]></category>
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		<category><![CDATA[sombra]]></category>
		<category><![CDATA[superparentalidade]]></category>
		<category><![CDATA[superproteção]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não é importante que os pais nunca cometam erros – isso seria impossível para os seres humanos –, mas que os reconheçam como erros. Não é a vida que deve ser detida, mas a nossa inconsciência; primeiramente, a do educador, isto é, a própria, pois cada um é educador de seu próximo tanto para o [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote is-style-large" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>Não é importante que os pais nunca cometam erros – isso seria impossível para os seres humanos –, mas que os reconheçam como erros. Não é a vida que deve ser detida, mas a nossa inconsciência; primeiramente, a do educador, isto é, a própria, pois cada um é educador de seu próximo tanto para o bem como para o mal. </em></p><cite>(Jung, 2021, p.90)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><em><strong>Resumo</strong>: Na tentativa de proteger excessivamente seus filhos, muitos pais acabam impedindo que eles vivenciem experiências importantes e realizem tarefas simples do dia a dia. Aborda-se como esse excesso de “cuidado” pode formar adultos inseguros, dependentes e com dificuldades para enfrentar os desafios da vida.</em> <em>A superproteção compromete o desenvolvimento da criança, passando pela adolescência até a vida adulta, resultando em indivíduos emocionalmente presos à infância e marcados pela imaturidade. <strong>Mais do que nunca, precisamos refletir sobre nossa forma de educar: estaremos verdadeiramente preparando nossas crianças para a vida ou apenas protegendo a nós mesmos</strong>?</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-criancas-que-ganham-autonomia-no-autocuidado-e-nas-tarefas-domesticas-tornam-se-adultos-mais-afetuosos-regulados-emocional-e-cognitivamente" style="font-size:19px">Crianças que ganham autonomia no autocuidado e nas tarefas domésticas tornam-se adultos mais afetuosos, regulados emocional e cognitivamente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Essa é uma questão levantada no artigo realizado pela&nbsp;<em>La Trobe University</em>:&nbsp;<em>Executive functions and household chores: Does engagement in chores predict children’s cognition?</em>&nbsp;(Funções executivas e tarefas domésticas: o envolvimento nas tarefas prevê a cognição das crianças?&nbsp;– tradução livre).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Embora a tese apresentada acima pareça óbvia para muitos leitores, temos observado uma atitude contrária por parte de muitos pais nos dias de hoje. E é sobre essa <strong>superproteção parental</strong> que proponho refletirmos ao longo deste artigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O estudo australiano aponta que a&nbsp;<strong>superparentalidade</strong>&nbsp;tira das crianças a oportunidade de progresso por meio da realização de tarefas simples do dia a dia. O envolvimento excessivo dos pais prejudica o desenvolvimento emocional e comportamental desses indivíduos ao longo da vida, que crescem dependentes e incapazes de se autoafirmarem, tornando-se <strong>adultos infantilizados</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-observando-a-forma-como-a-sociedade-contemporanea-vivencia-a-parentalidade-entendo-que-estamos-em-crise" style="font-size:19px">Observando a forma como a sociedade contemporânea vivencia a parentalidade, entendo que estamos em crise.</h2>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-perdemo-nos-diante-da-ideia-do-que-e-amar-cuidar-e-ensinar" style="font-size:19px">Perdemo-nos diante da ideia do que é amar, cuidar e ensinar.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Como elaborei no meu último artigo,&nbsp;<a href="https://blog.sudamar.com.br/a-parentalidade-positiva-e-a-sua-sombra-na-contemporaneidade/"><em>“A parentalidade positiva e a sua sombra na contemporaneidade”</em></a>, penso que assumimos novas demandas impostas por uma geração que acredita na fórmula certa para a construção da <strong>família perfeita</strong>. Nela, não cabem erros, fraquezas e vulnerabilidades – nem para os pais, nem para os filhos. Vivemos a era que teme o sofrimento e a insatisfação das crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A rotina pesada do dia a dia, somada às ideias equivocadas de que&nbsp;amor nunca é demais&nbsp;e de que&nbsp;frustração desregula as crianças emocionalmente, tem invertido a lógica da dinâmica familiar. Fazer pelos filhos torna-se mais importante do que permitir que eles errem e se desenvolvam no tempo deles – essa é a cartilha da <strong>superparentalidade</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-assumir-as-pequenas-tarefas-e-desafios-dos-filhos-perdemos-a-chance-de-encoraja-los-e-de-oferecer-suporte-emocional-frente-as-adversidades-e-aprendizados-da-vida" style="font-size:19px">Ao assumir as pequenas tarefas e desafios dos filhos, perdemos a chance de encorajá-los e de oferecer suporte emocional frente às adversidades e aprendizados da vida.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Criamos tanta culpa e desconexão com nossas crianças e, por outro lado, assumimos o controle de tudo – inclusive das pequenas atividades cotidianas que elas já são capazes de desenvolver sozinhas, como vestir-se, comer, amarrar os tênis, tomar banho ou preparar seu lanche. Quando o amor e o cuidado tornam-se desmedidos, sufocamos e interditamos os indivíduos em seu processo de desenvolvimento natural e necessário.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Segundo <strong>Neumann</strong>, é preciso saber diferenciar o mimar “verdadeiro” do “falso”, da mãe-bruxa que atrai a criança para sua casa de chocolate. “<strong>Mimar [&#8230;] não produz distúrbios sérios, até tornar-se necessário para a criança afrouxar os laços com a mãe, e esse processo é impedido ou prevenido pelo fato de a mãe ter mimado o filho</strong>”&nbsp;(1995, p. 54, grifos meus). Nesse caso, o mimo não saudável gerará um processo de dependência e codependência, afetando diretamente o desenvolvimento da criança. Vale ressaltar que podemos ampliar tranquilamente esse conceito, designado por Neumann à mãe, para todos que exercem a <strong>parentalidade</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O mimo que ultrapassa a primeira infância priva as crianças de se desenvolverem a partir de inibições, contradições e frustrações. Dinâmicas fundamentais para que, no futuro, esses indivíduos sejam capazes de suportar a tensão psíquica entre o consciente e o inconsciente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“A capacidade de uma criança aceitar restrições com relativa facilidade depende de uma capacidade de se integrar, de formar um ego integral e um eixo ego-Self positivo”&nbsp;(NEUMANN, 1995, p. 57-58).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Na perspectiva junguiana, compreendemos que o receio que os pais têm de que seus filhos se frustrem fala mais sobre eles mesmos do que sobre as crianças. É uma dinâmica psíquica sutil que reforça ainda mais a dependência emocional – a princípio natural e necessária entre filhos e pais –, mas que se torna disfuncional quando não é superada ao longo do desenvolvimento infantil.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-a-psique-da-crianca-jung-diz" style="font-size:19px">Sobre a psique da criança, <strong>Jung</strong> diz:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><strong>A criança tem uma psicologia singular</strong>. Assim como o seu corpo, durante a vida embrionária, é uma parte do corpo materno, também sua mente, por muitos anos, constitui parte da atmosfera psíquica dos pais. Este fato esclarece de pronto porque muitas das neuroses infantis são muito mais sintomas das condições psíquicas reinantes entre os pais do que doença genuína da criança. <strong>Apenas em parte a criança tem psicologia própria; em relação à maior parte, ainda depende da vida psíquica dos pais&nbsp;</strong>(2021, p. 84).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Para a psicologia analítica, o desenvolvimento da personalidade pressupõe a diferenciação entre a psique dos filhos e a de seus pais no caminho do adultecimento, permitindo o processo de individuação de cada um ao longo da vida.&nbsp;“[&#8230;] <strong>apegar-se demasiadamente aos pais é desnatural e doentio</strong> [&#8230;]”&nbsp;(JUNG, 2021, p. 85).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-a-individuacao-jung-afirma-que-e-um-processo-que-nunca-chega-ao-fim-mas-e-o-caminho-para-nos-tornarmos-seres-unicos-realizando-nossas-potencialidades" style="font-size:19px">Sobre a individuação, Jung afirma que é um processo que nunca chega ao fim, mas é o caminho para nos tornarmos seres únicos, realizando nossas potencialidades:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>“</em>A individuação, portanto, só pode significar um processo de desenvolvimento psicológico que faculte a realização das qualidades individuais dadas; em outras palavras, é um processo mediante o qual um homem se torna o ser único que de fato é<em>”</em>&nbsp;(2020, p. 64).</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-limitarmos-nossas-criancas-em-seu-processo-de-amadurecimento-fisico-emocional-e-cognitivo-causamos-um-interdito-na-passagem-da-infancia-para-a-adolescencia-e-depois-para-a-vida-adulta" style="font-size:19px">Ao limitarmos nossas crianças em seu processo de amadurecimento físico, emocional e cognitivo, causamos um interdito na passagem da infância para a adolescência e, depois, para a vida adulta.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">“Aqueles que passam conscientemente pela transição trazem mais significado à sua vida. Os que não passam permanecem prisioneiros da infância, não importa o sucesso aparente que possam ter na vida”&nbsp;(HOLLIS, 2023, p. 9).</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-superparentalidade-tornou-se-um-sintoma-que-evidencia-o-peso-e-as-expectativas-geradas-sobre-a-criacao-dos-filhos-trazendo-impactos-negativos-para-toda-uma-geracao-da-infancia-a-adultez" style="font-size:19px">A <strong>superparentalidade</strong> tornou-se um sintoma que evidencia o peso e as expectativas geradas sobre a criação dos filhos, trazendo impactos negativos para toda uma geração – da infância à adultez.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">À medida que nos desconectamos dos instintos maternos e paternos, perdemos a capacidade de observar, respeitar e favorecer o desenvolvimento das etapas da vida humana, que acontecem a partir de experiências boas e ruins. Privar crianças e adolescentes de frustrações e tristezas não os torna mais felizes ou amorosos – pelo contrário. No entanto, oferecer suporte emocional, acolhimento e segurança durante situações difíceis favorece a formação de indivíduos mais seguros e autônomos, além de fortalecer ainda mais o vínculo familiar.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Podemos até concluir que a personalidade adulta não examinada é um agregado de atitudes, comportamentos e reflexos psíquicos ocasionados pelos traumas da infância, cujo objetivo fundamental é controlar o nível de sofrimento experimentado pela memória orgânica da infância que conduzimos dentro de nós. Podemos chamar essa memória orgânica de criança interior, e nossas várias neuroses representam estratégias inconscientemente desenvolvidas para defender essa criança. (A palavra ‘neurose’ não é usada aqui no sentido clínico, e sim como termo genérico para a divisão entre a nossa natureza e a nossa aculturação)&nbsp;(HOLLIS, 2023, p. 13).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Ao adotarmos a <strong>superparentalidade</strong> como modelo, formamos uma geração de jovens adultos infantilizados e incapazes de fazerem por si mesmos o básico. De forma mais ampla, esse comportamento parental poda a possibilidade de desenvolvimento cognitivo e emocional. Criando indivíduos desconectados de suas emoções, sentimentos, necessidades básicas e sem condições de compreender o outro em suas vulnerabilidades e deficiências – ou seja, incapazes de praticar empatia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-afeto-desmedido-ou-a-falta-dele-esta-inexoravelmente-ligado-ao-desenvolvimento-emocional-de-criancas-e-adolescentes-e-a-sua-capacidade-de-no-futuro-tornarem-se-adultos-emocionalmente-regulados" style="font-size:19px"><strong>O afeto desmedido – ou a falta dele – está inexoravelmente ligado ao desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes e à sua capacidade de, no futuro, tornarem-se adultos emocionalmente regulados.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A autonomia que os indivíduos terão na fase adulta é desenvolvida ainda na infância, por meio da participação em tarefas domésticas, no cuidado de suas próprias coisas e de seu corpo. Essas habilidades são fundamentais para a autorregulação na vida madura.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A presença afetiva dos pais na vida dos filhos é preponderante para o desenvolvimento psíquico da criança. No entanto, é fundamental que essa presença sofra modificações ao longo do tempo. A influência dos pais precisa diminuir para que os adolescentes conectem-se com outros pares, vivam novas relações, diferenciem-se do ambiente familiar e descubram sua identidade na vida adulta.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/clarissegrand/">Clarisse Grand Court – Analista Junguiana em Formação do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Mariante Guarnieri – Analista didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-nbsp" style="font-size:19px"><strong>Referências:&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">HOLLIS, James. A passagem do Meio: da miséria ao significado da meia idade. 1 ed. São Paulo: Paulus, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; O desenvolvimento da personalidade. 13.ed. Petrópolis: Vozes, 2021b.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">_____, Carl Gustav.&nbsp; O eu e o inconsciente. 27.ed. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">NEUMANN, Erich. A Criança: Estrutura e Dinâmica da Personalidade em Desenvolvimento desde o Início de sua Formação. 10.ed. São Paulo: Cultrix, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Obradović, Jelena. Supporting Children’s School Readiness. IN: Stanford University. <a href="https://bingschool.stanford.edu/news/supporting-childrens-school-readiness-jelena-obradovic">https://bingschool.stanford.edu/news/supporting-childrens-school-readiness-jelena-obradovic</a> . Acesso em 28 de abril de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">TEPPER, Deana L.; HOWELL,Tiffani; BENNETT, Pauleen.(2022). Executive functions and household chores: Does engagement in chores predict children&#8217;s cognition? In: Australian Occupational Therapy Journal. <a href="https://www.researchgate.net/publication/360998732_Executive_functions_and_household_chores_Does_engagement_in_chores_predict_children's_cognition">https://www.researchgate.net/publication/360998732_Executive_functions_and_household_chores_Does_engagement_in_chores_predict_children&#8217;s_cognition</a> . Acesso em 28 de abril de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Conheça nossos cursos, congressos e pós-graduações</strong>: <a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br </a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Um olhar Junguiano para a Inclusão: Integração, Sombra e Singularidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/um-olhar-junguiano-para-a-inclusao-integracao-sombra-e-singularidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Cristina Bedin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Dec 2024 15:20:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diagnóstico Psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Sociabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A inclusão é o tema de muitas discussões na contemporaneidade, abordando a necessidade de acolher a diversidade humana e promover equidade. Iniciei minha trajetória profissional dentro da Educação e assim percorri esse caminho durante 33 anos da minha vida, professora de séries iniciais e alfabetizadora com muito orgulho. Durante essa jornada, me deparei com alguns [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/um-olhar-junguiano-para-a-inclusao-integracao-sombra-e-singularidade/">Um olhar Junguiano para a Inclusão: Integração, Sombra e Singularidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">A inclusão é o tema de muitas discussões na contemporaneidade, abordando a necessidade de acolher a diversidade humana e promover equidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Iniciei minha trajetória profissional dentro da Educação e assim percorri esse caminho durante 33 anos da minha vida, professora de séries iniciais e alfabetizadora com muito orgulho. Durante essa jornada, me deparei com alguns casos de inclusão, inclusive foi o que me motivou a cursar a psicopedagogia para entender como funcionava a “mente’ dessas crianças com TDAH, DISLEXIA, TOD, depressão e ansiedade infantil e nos últimos anos de sala de aula, TEA. Sim, entender como eles processam as informações e como veem o mundo que, com certeza, não é igual a mim ou de muitos de vocês.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-afinal-o-que-e-inclusao" style="font-size:19px">Afinal, o que é inclusão?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">O pesquisador Romeu Kasumi Sassaki (2002) conceitua “inclusão social” como o processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidades especiais e, simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. A “inclusão social” constitui, então, um processo bilateral no qual as pessoas, ainda excluídas, e a sociedade buscam, em parceria, equacionar problemas, decidir sobre soluções e efetivar a equiparação de oportunidade para todos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-nos-trouxe-algo-sobre-a-inclusao" style="font-size:19px">Jung nos trouxe algo sobre a inclusão?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Ele nos trouxe uma visão muito profunda da psique humana onde os conceitos de individuação, arquétipos, inconsciente individual e coletivo, sombra, anima e animus são primordiais. E, sob a ótica da Psicologia Analítica, a inclusão pode ser entendida tanto como um processo externo como interno, relacionado a integração da sombra e à incessante busca pela luz.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Neste artigo, pretendo olhar alguns <strong>conceitos junguianos</strong> como ferramentas para que possamos enriquecer a compreensão da inclusão. Ampliando seu significado para além do âmbito social e político.  </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Até a segunda metade do séc. XX não havia sequer a distinção entre as categorizadas “Doenças mentais”. As famosas <strong>salas especiais</strong> eram designadas a surdos e cegos de elite burguesa, outros encaminhados para hospícios ou asilos correcionais. Segundo <strong>Sá</strong> (2009, p.26) “<em>A denominada Educação Inclusiva nasceu nos Estados Unidos, pelas mãos da Lei Pública 94.142, de 1975</em>”, dando início a projetos voltados para efetivar a Educação Inclusiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5"><strong>Minetto</strong> (2010 p. 46) discorre que a luta pela inserção e normalização das pessoas com necessidades especiais fortaleceu-se no século XX através do movimento denominado de “Paradigma da Integração”, que defendia o direito do aluno com necessidades educacionais especiais (ANEE) se matricular na escola regular, desde que ele se adaptasse as condições e estrutura da escola, ou seja, a instituição escolar continuava rígida e ilesa. Tanto o ambiente como a metodologia permaneciam intactos, os alunos com necessidades especiais que deveriam se adequar e enfrentar os seus próprios desafios.  Desde o ocorrido será que o nosso Sistema Educacional vigente mudou muito?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-fortalecimento-da-luta-pelos-direitos-vem-se-intensificando-novos-pontos-de-vista-vem-sendo-discutidos-e-desenvolvidos-porem-ainda-ha-muita-discrepancia-entre-conceitos-e-praticas" style="font-size:18px">O fortalecimento da luta pelos direitos vem se intensificando, novos pontos de vista vêm sendo discutidos e desenvolvidos, porém ainda há muita discrepância entre conceitos e práticas!</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Enfim, a legislação voltada à educação inclusiva vem se modificando lentamente ao longo dos anos. De modo que percebemos algumas mudanças e movimentos sociais que defendem o direito desses cidadãos. Antigamente eles eram exilados e colocados em lugares distantes, aos poucos um movimento de integração vem ocorrendo e trazendo o direito a participação dessas pessoas a sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Inclusão nos coloca num lugar um tanto quanto desafiador, afinal, quando falamos em inclusão falamos em exclusão, como também em integração e desintegração. Do mesmo jeito é capaz de aceitar e integrar, o ser humano também é capaz de rejeitar e desintegrar; de desassociar e praticar uma verdadeira violência com seu semelhante.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sera-que-estamos-falando-que-um-e-a-sombra-do-outro" style="font-size:19px">Será que estamos falando que um é a sombra do outro?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Segundo Jung “<strong>sombra é a parte negativa da personalidade, isto é, a soma das propriedades ocultas e desfavoráveis, das funções mal desenvolvidas e dos conteúdos do inconsciente pessoal</strong>.” (JUNG, 2007b, p.58)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-acreditava-que-todos-tem-uma-sombra-que-ela-e-composta-de-aspectos-reprimidos-ou-negados-da-nossa-personalidade-sendo-assim-qual-seria-a-sombra-da-inclusao-quais-aspectos-sombrios-relevantes-a-serem-levantados-e-desvelados" style="font-size:18px">Jung acreditava que todos têm uma sombra que ela é composta de aspectos reprimidos ou negados da nossa personalidade. Sendo assim qual seria a sombra da inclusão? Quais aspectos sombrios relevantes a serem levantados e desvelados?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Talvez possamos pensar que a dificuldade que encontramos para incluir venha da nossa não aceitação de tudo que nos é sombrio, ou talvez da dificuldade de aceitar o diferente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Jung não discutiu exatamente o conceito de inclusão, porém através de seu pensamento inovador e inclusivo, ele nos traz que&#8230;</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“A inclusão de uma personalidade humana, única (especialmente quando ligada à natureza divina indefinível), corresponde ao individual absoluto do si-mesmo, que liga o único ao eterno e o individual ao mais geral. O si-mesmo é uma união dos opostos.” </p><cite>JUNG,2012, p.31</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Afinal, incluir ou excluir?  Um é o oposto do outro e, ao mesmo tempo que incluímos os <strong>neurodivergentes</strong>, excluímos outras crianças que também tem direitos que, pelo olhar da sociedade, são vistas como “normais”. Que olhar é esse do atual espírito da época?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Estima-se que de 15 a 20% da população mundial seja <strong>neurodivergente.</strong> No Brasil o IBGE pesquisa a <strong>neurodivergência </strong>junto a demais deficiências, totalizando em pesquisa de julho/2023 (PNAD) um total de 18,9 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência (8,9% do total).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“O termo <strong>neurodiversidade </strong>(<em>neurodiversity</em>) foi usado pela primeira vez em 1998 pela jornalista Judy Singer, que cunhou o termo para promover a ideia de que as diferenças neurológicas, como autismo e TDAH, são variações naturais da função cerebral, em oposição a serem vistos como desordens a serem corrigidas.” </p><cite>Reis, Leandro. Neurodiversidade – Olhando o potencial das diferenças como estratégia- disponível em https:&lt;//labnetwork.com.br/notícias.> Acesso em:09/11/2024</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-voces-percebem-o-quanto-o-pensamento-de-jung-e-atual-e-o-quanto-temos-que-olhar-para-essas-pessoas-neurodivergentes-e-valoriza-las-por-seus-feitos-talentos-e-habilidades" style="font-size:18px">Vocês percebem o quanto o pensamento de Jung é atual e o quanto temos que olhar para essas pessoas neurodivergentes e valorizá-las por seus feitos, talentos e habilidades?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Em seu livro, <em>Os arquétipos e o Inconsciente Coletivo</em> (2018, p.100) Jung menciona que “<strong>O mundo existe porque seus opostos são mantidos em equilíbrio. O racional é contrabalanceado pelo irracional e aquilo que se planeja, pelo que é dado</strong>.”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">A partir disso, talvez, possamos pensar que o equilíbrio que mantem a vida possível está justamente em aceitar a nossa sombra. E, quando falamos do assunto deste artigo, devemos aceitar os neurodivergentes, pois todos temos nossas divergências.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Quando falamos em inclusão temos que olhar também para as famílias desse sujeito, afinal por trás deles existem outras vidas que também merecem ser atendidas. &nbsp;O que existe por trás dessa criança que precisa ser acolhida e inserida em nossa sociedade? Ou melhor “quem” está por trás desses sujeitos?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-tras-desse-sujeito-existe-uma-familia-um-pai-uma-mae-enfim-cuidadores-que-vivem-a-procura-de-um-diagnostico-com-a-esperanca-que-este-seja-a-resolucao-de-todos-os-problemas" style="font-size:18px">Por trás desse sujeito existe uma família, um pai, uma mãe, enfim cuidadores que vivem à procura de um diagnóstico com a esperança que este seja a resolução de todos os problemas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Assisto a muitas famílias que quando chegam à clínica estão desesperançosas, preocupadas e cansadas de diagnósticos infundados ou mesmo a busca de um profissional que lhe diga o que fazer ou resolva de imediato seu problema. Podemos falar até que estão em busca de um milagre, para que assim todas as dificuldades ocorridas ao longo dos anos, sejam resolvidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Difícil e delicada situação, estamos falando sobre os bastidores da inclusão, um campo completamente invisível, onde os impactos são vivenciados por famílias de sujeitos que não são respeitados em suas singularidades. Enfrentam o luto constante e silencioso pela falta de suporte e compreensão do outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">A imagem de inclusão que é vista por fora é muito diferente daquela que acontece no dia a dia dessas famílias, dentro de suas casas, com seus desafios clínicos e toda a rede de apoio, quando existe. Elas vivem a constante expectativa que alguém os acolha e respeite seus filhos que, muitas vezes ou até a maioria das vezes, são rejeitados pela sociedade, que enfrentam olhares de julgamento e palavras de desrespeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Sem falar de como essa criança se sente ao ouvir e vivenciar toda essa “maratona” em médicos e especialistas. Impactante em seu desenvolvimento emocional? Com certeza<strong>! &nbsp;</strong>O sentimento de inadequação e exclusão está impregnado, tolhemos no sujeito a capacidade de sonhar e desejar!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Na clínica, essas dores emocionais, aparecem em forma de sintomas que vão desde comportamentos desafiadores até dificuldade de relacionamento, depressão ou até mesmo ansiedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-como-devemos-olhar-para-esse-sujeito-sera-que-damos-a-devida-atencao-ou-melhor-sera-que-temos-um-olhar-junguiano-para-as-suas-singularidades" style="font-size:18px">E como devemos olhar para esse sujeito? Será que damos a devida atenção, ou melhor, será que temos um olhar junguiano para as suas singularidades?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Quando digo singularidades não estou me referindo apenas ao sujeito e suas particularidades, mas também a toda sua extensão e inserção no coletivo, na sociedade. Penso que, quanto mais a sociedade mantém as práticas assistencialistas, menos está disposta a se modificar e incluir. Afinal, incluir não está somente na capacidade de adaptação de currículos, provas diferenciadas ou PEI’s, ou até mesmo em seus belos discursos, e sim na sensação de pertencimento e respeito as diferentes formas de se expressar e aprender, seja na escola, na clínica ou em qualquer grupo social.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Em muitas escolas ainda faltam profissionais especializados, suporte aos educadores para que se sintam seguros e consigam trabalhar com a inclusão de maneira sensível frente aos desafios diários. Muitas vezes, esses educadores se sentem cansados, desgastados e desmotivados porque trabalham sozinhos, sem apoio da coordenação ou direção.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-infelizmente-ainda-temos-escolas-que-quando-acolhem-casos-de-inclusao-parecem-que-estao-abrindo-uma-excecao-que-estao-fazendo-um-favor-para-aquela-familia" style="font-size:18px">Infelizmente ainda temos escolas que, quando acolhem casos de inclusão, parecem que estão “abrindo uma exceção”, que estão fazendo “um favor” para aquela família.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Infelizmente, quando trabalham com inclusão em sala de aula, os educadores dependem de diagnósticos que lhes são exigidos. Para que, com base nestes diagnósticos, possam promover atividades adaptadas e um ambiente onde há a realização de uma série de prescrições. Com o objetivo de remediar as suas incapacidades, pensando na melhor estratégia educativa para que possa atender toda essa demanda. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Se é inegável que a transformação da cultura da escola constitui uma peça fundamental no processo inclusivo, também é inegável que tem de haver um esforço concentrador em diferentes níveis do sistema – sala de aula, escola, como também num contexto legislativo, político e social mais amplo, afinal a inclusão exige uma transformação da sociedade. Para se criar um sistema educativo promissor,respeitando as necessidades e diferenças dos educandos, reconhecendo que ninguém é igual a ninguém, somos todos diferentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Enfim, precisamos de um olhar atento para esses pontos essenciais, escola- família- especialistas- sociedade. A importância de todos estarem conectados e em sintonia por um único objetivo, criar uma rede de apoio real e segura para garantir a verdadeira inclusão desse sujeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">E a verdadeira inclusão está em atitudes, em fazer com que esse sujeito se sinta parte integrante dos espaços onde vive, valorizando suas diferenças e que suas necessidades emocionais e de suas famílias, também sejam atendidas. Com empatia e vivacidade convidá-los a entrar num jogo, o jogo da vida, despertar a energia faltante e necessária para a sua própria evolução. Claro que sempre respeitando e valorizando as suas singularidades!</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sob-a-perspectiva-da-psicologia-analitica-a-inclusao-transcende-as-fronteiras-do-social-para-se-tornar-um-processo-psicologico-essencial" style="font-size:18px">Sob a perspectiva da Psicologia Analítica, a inclusão transcende as fronteiras do social para se tornar um processo psicológico essencial.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Como mencionado acima, a teoria de Jung nos fala que sem a tensão dos opostos a vida não é possível, é somente através dela, que passamos por um processo de construção, o processo de individuação</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">O <strong>processo de individuação</strong>, um conceito central de Jung, promove a realização do verdadeiro EU, “tornar-se um ser único”. Ajudando as pessoas a integrarem suas várias partes, conscientes e inconscientes, luz e sombra, aceitar, flexibilizar e assim, viver de uma forma autêntica e genuína. Para conseguirmos transformar as instituições e ampliar vários aspectos para que de fato se tornem inclusivas, primeiramente temos que “reformar” as mentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5">Assim, a verdadeira inclusão começa dentro de cada um de nós, quando reconhecemos e acolhemos as partes de nós mesmos e do mundo, quando navegamos pelos nossos aspectos luz e sombra. Esse processo, embora desafiador, nos aproxima de uma sociedade mais justa e compassiva, na qual a diversidade é celebrada como um reflexo da totalidade do self coletivo. Harmonizar a relação família-escola, propondo uma prática pedagógica coletiva, dinâmica, flexível e singular. Como dizia nosso imemorável <strong>Paulo Freire</strong> (<em>Pedagogia do Oprimido</em>, 1974) “<strong>Ninguém pode ser autenticamente humano, enquanto impede outros de serem também</strong>.”</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Um olhar Junguiano para a Inclusão: Integração, Sombra e Singularidade&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/W8vjigcJJJ0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/elaine-cristina-bedin/"> <strong>Elaine Bedin – Membro Analista em Formação IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/"> Dra. E. Simone D. Magaldi &#8211; Membro Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>REFERÊNCIAS:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;line-height:1.5">Bénard da Costa, A.M. (1998). Projeto &#8220;Escolas inclusivas&#8221;. Inovação, 11(2), 57-85.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;line-height:1.5">JUNG, C. G. O desenvolvimento da Personalidade.14ª ed. Petrópolis, Vozes,2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;line-height:1.5">_____, Carl Gustav. O Eu e o Inconsciente.10ª ed. Petrópolis, Vozes, 1987.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;line-height:1.5">_____, Carl Gustav, Psicologia e Alquimia, 6 ed.- Petrópolis, Vozes,2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;line-height:1.5">_____, Carl Gustav. Arquétipos e o Inconsciente Coletivo- Petrópolis, Vozes, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;line-height:1.5">_____, Carl Gustav. A natureza da psique. Petrópolis: Vozes, 2007b.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;line-height:1.5">MINETTO, Maria de Fátima Joaquim ET ALL. /Diversidade na aprendizagem de pessoas portadoras de necessidades especiais. / Maria de Fátima Joaquim Minetto ET ALL – Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;line-height:1.5">SÁ, Márcia Souto Maior Mourão. Legislações e políticas públicas em Educação Inclusiva. 2ª. Ed. – Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2009</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;line-height:1.5">SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos.4 ed. Rio de Janeiro: WVA, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;line-height:1.5">UNESCO (2003). Superar a exclusão através de abordagens inclusivas na educação</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;line-height:1.5">REIS, Leandro-08/04/2024.Disponível em:<a href="https://labnetwork.com.br/noticias/neurodiversidade-olhando-o-potencial-das-diferencas-como-estrategia/">https://labnetwork.com.br/noticias/neurodiversidade-olhando-o-potencial-das-diferencas-como-estrategia/</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
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		<title>A parentalidade positiva e a sua sombra na contemporaneidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-parentalidade-positiva-e-a-sua-sombra-na-contemporaneidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Nov 2024 14:02:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Burnout]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Somos conduzidos a sermos e a fazermos o melhor em todos os âmbitos da nossa vida pessoal, profissional, escolar, familiar e assim desejamos nos tornar verdadeiras obras-primas. Nessa árdua luta para criar a nossa própria perfeição, esquecemos que somos seres humanos.” WOODMAN, 2002, p.13 Resumo: A busca pela parentalidade perfeita tornou-se uma característica marcante da [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:16px"><blockquote><p><em>“Somos conduzidos a sermos e a fazermos o melhor em todos os âmbitos da nossa vida pessoal, profissional, escolar, familiar e assim desejamos nos tornar verdadeiras obras-primas. Nessa árdua luta para criar a nossa própria perfeição, esquecemos que somos seres humanos.”</em></p><cite><em> </em>WOODMAN, 2002, p.13</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: <em>A busca pela parentalidade perfeita tornou-se uma característica marcante da contemporaneidade, amplificada pelas redes sociais e o padrão de performance estabelecido. Essa pressão constante leva ao esgotamento emocional e físico dos pais e filhos, resultando no fenômeno conhecido como Burnout Parental. Distante dos saberes instintivos e ancestrais, os pais se veem presos a um ideal de perfeição inalcançável, desconsiderando as reais necessidades de seus filhos e de si mesmos. Sob a perspectiva Junguiana, o artigo convida à reflexão sobre as a sombra dessa parentalidade, revelando o impacto psicológico profundo desse padrão idealizado.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-busca-da-perfeicao"><strong>A busca da perfeição</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A rotina de muitas famílias parece ter se tornado uma grande maratona sem direito a medalha no final do dia. É preciso acompanhar de perto todas as tarefas escolares e extracurriculares dos filhos, dar conta do trabalho e, de forma alguma, demonstrar que os filhos “roubam” o tempo dedicado à vida profissional. Criar crianças super bem-educadas, excelentes alunos e autorregulados emocionalmente. Enquanto tudo isso acontece, os pais e mães devem ressignificar toda criação que recebeu e aplicar, sem direito a erro, novas metodologias baseadas no repertório emocional que adquiriu há menos tempo do que se torno pai ou mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A busca pela parentalidade perfeita tornou-se um sintoma que evidencia o peso e a expectativa gerada sobre a criação de filhos na contemporaneidade, trazendo impactos negativos aos pais e às crianças</strong>. Trata-se de uma meta de performance inatingível e cruel para toda a família, uma vez que a perfeição é algo sempre imaginal e muito distante do real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abandonamos os saberes ancestrais, transgeracionais e instintivos sobre o cuidar, o nutrir e o acolher – ligados ao complexo materno presente no inconsciente coletivo &#8211; e passamos a adotar fórmulas, dicas e regras difundidas nas redes sociais por “influenciadores digitais” totalmente alheios à realidade social, econômica e psíquica vivida na intimidade de cada família. Perdemos a rede de apoio familiar e comunitária e, com isso, acreditamos não saber mais maternar e paternar, que é proporcionar à criança &#8211; com afeto e presença &#8211; o desenvolvimento de todo o seu potencial psíquico, físico e emocional. Aspectos que nada tem a ver com performance.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-assumimos-novas-demandas-impostas-por-uma-sociedade-que-acredita-na-formula-certa-para-a-construcao-da-familia-perfeita" style="font-size:17px">Assumimos novas demandas impostas por uma sociedade que acredita na fórmula certa para a construção da <strong>família perfeita</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado dessa pressão é um estresse crônico, aliado à uma sensação de fracasso, impotência e exaustão, que já conhecemos pelo nome de Burnout. Porém agora, estamos falando do <strong>Burnout Parental</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo “O poder da parentalidade positiva: evidências para ajudar os pais e seus filhos a prosperarem” (tradução livre), desenvolvido pela Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, em 2023, apresenta dados alarmantes sobre o adoecimento dos pais que não conseguem alcançar o ideal da família feliz pautado por padrões irreais e distorcidos sobre o que é parentalidade e, mais especificamente, <strong>parentalidade positiva</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O material divulgado menciona que cerca de 60% dos pais entrevistados relatam estarem com Burnout. Sentem que não são bons pais e mães. Quando se dedicam ao trabalho, acreditam que falham no cuidado com os filhos, e, quando dedicam tempo aos filhos, sentem que precisam exaustivamente compensar essas horas de trabalho. As expectativas que têm de si e de seus filhos são muito mais altas do que de fato é possível ser e fazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda de acordo com o estudo, o padrão de <strong>parentalidade positiva </strong>pressupõe, no <strong>imaginário coletivo</strong>, pais que são modelos de paciência e calma, cujos filhos são sempre bem-comportados e respeitáveis. Havendo, portanto, no ideal coletivo, uma associação intrínseca entre os conceitos de <strong>parentalidade positiva</strong> e <strong>parentalidade perfeita</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-artigo-tecnico-publicado-no-site-news-medical-life-sciences-a-dra-liji-thomas-amplia-o-estudo-americano-e-aponta-o-sentido-real-do-que-seria-a-parentalidade-positiva" style="font-size:17px">No artigo técnico publicado no site <em>News Medical Life Sciences</em>, a Dra. Liji Thomas, amplia o estudo americano e aponta o sentido real do que seria a parentalidade positiva.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A parentalidade positiva incorpora múltiplos objetivos, o mais importante dos quais é construir um relacionamento de confiança e carinho com os filhos. Comunicação e escuta com respeito à criança são essenciais para isso. Além disso, estabelecer limites, elogiar e recompensar resultados comportamentais desejáveis, e amá-los não importa o que aconteça. O amor, a segurança e o conforto que a criança ganha com esse relacionamento são essenciais para desenvolver uma pessoa emocional e relacional saudável quando adulta. (THOMAS, 2024).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-entanto-na-sociedade-contemporanea-onde-tudo-se-torna-objeto-de-competicao-e-performance-os-conceitos-ganham-novos-sentidos-e-significados" style="font-size:17px">No entanto, na sociedade contemporânea, onde tudo se torna objeto de competição e performance, os conceitos ganham novos sentidos e significados.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na perspectiva Junguiana, podemos ampliar para a unilateralização desse ideal de comportamento parental, onde não cabem erros, frustrações, medos e muito menos uma curva de aprendizado.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>[&#8230;] estamos tão ocupados em afazeres e metas a alcançar que perdemos o contato com a nossa vida interior, com essa vida que confere significado e símbolos e, por outro lado, cria os símbolos que dão sentido à vida. [&#8230;]. Nunca antes estivemos tão distantes da sabedoria da natureza e de nossos instintos. </p><cite>JUNG apud Woodman, 2002, p. 27</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-parentalidade-contemporanea-e-o-papel-das-redes-sociais"><strong>Parentalidade Contemporânea e o Papel das Redes Sociais</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A parentalidade traz o início de uma transição, ou seja, uma nova fase de incertezas e mudanças sem um destino certo. Nessa era digital, onde a rede social dita as “regras”, os conhecimentos se tornam incertos e superficiais. Como muito bem analisou Zygmunt Bauman ao longo de anos de estudos sobre a sociedade pós-moderna e suas relações superficiais e líquidas, são tempos de medo, insegurança e, portanto, de muita negatividade. “Há uma propensão natural a negar o que se teme muito e o que não se sabe resolver”. (BAUMAN apud ABRANCHES, 2017, p. 29). E o que o filósofo chama de negatividade, faço um paralelo com o que Jung denominou Sombra.&nbsp; Aquilo em nós que desconhecemos, tememos ou negamos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>[&#8230;] sombra, aquela personalidade oculta, recalcada, frequentemente inferior e carregada de culpas, cujas ramificações se estendem até o reino de nossos ancestrais.   A sombra não é constituída apenas de tendências moralmente repreensíveis, mas apresenta um certo número de boas qualidades: instintos normais, reações adequadas, impulsos criadores, e outros. </p><cite>JUNG, 2020, p. 312-13</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A sombra vem à tona, muitas vezes, com uma convocação moral, uma atitude compensatória do ego. Nesse sentido, entendo que o <strong>Burnout Parental</strong> é um sintoma contemporâneo manifestado por essa sombra coletiva da performance, da <strong>parentalidade perfeita</strong> e desconectada com a real necessidade desses pais e crianças em sua singularidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o filósofo contemporâneo <strong>Byung-Chul Han</strong>, tudo virou trabalho, produtividade e performance. Entendo que até a parentalidade embarcou nesse <em>modus operandi</em>. <strong>Perdeu-se a alma e o sentido. Entrou em cena a parentalidade pautada por metas e que busca resultados</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-causa-a-depressao-do-esgotamento-nao-e-o-imperativo-de-obedecer-apenas-a-si-mesmo-mas-a-pressao-do-desempenho" style="font-size:17px">O que causa a depressão do esgotamento não é o imperativo de obedecer apenas a si mesmo, mas a pressão do desempenho.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Visto a partir daqui, a Síndrome de Burnout não expressa o si-mesmo esgotado, mas antes a alma consumida. [&#8230;]. O que torna doente, na realidade, não é excesso de responsabilidade e iniciativa, mas o imperativo do desempenho como um novo mandato da sociedade pós-moderna do trabalho. (2021a, p. 27).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se tememos o desconhecido, não entramos em contato com saberes primordiais que “aprendemos” a negar. O resultado é uma sociedade desconectada com o si-mesmo mas hiperconectada com a materialidade, a racionalidade e a performance. Pais e filhos que seguem cartilhas irreais e surreais de padrões inatingíveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-natureza-instintiva-e-o-guia-que-nos-conduz-a-nos-reconectarmos-com-o-nosso-ritmo-interno-nossas-necessidades-nossa-intuicao-cuidadora-e-protetora-ou-seja-o-nosso-ciclo-vital" style="font-size:17px">A natureza instintiva é o guia que nos conduz a nos reconectarmos com o nosso ritmo interno, nossas necessidades, nossa intuição cuidadora e protetora, ou seja, o nosso ciclo vital.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O instinto são, entretanto, fatores impessoais, universalmente difundidos e hereditários, de caráter mobilizador, que muitas vezes se encontram afastados do limiar da consciência [&#8230;]. [&#8230;] são forças motrizes especificamente formadas, que perseguem suas metas inerentes antes de toda conscientização, independente do grau de consciência. (JUNG, 2021b, p. 52-53).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez não exista nada na nossa experiência ontogenética que nos permita responder aos desafios experienciados na parentalidade de forma prévia. E é esse desconhecido que nos faz buscar respostas ou referências externas, sujeitos a pressões sociais em busca do sucesso parental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O largo número de perfis nas redes sociais voltados para a parentalidade, isso inclui influenciadores e anônimos digitais que disseminam conceitos, sugestões e vivências sobre maternidade, paternidade e ambos, reforça o importante papel que as redes têm sobre a construção do “ideal” de parentalidade no século XXI. De acordo com relatórios do projeto social: <em>We are Social</em> em parceria com o <em>Hootsuite</em>, em 2022, no Brasil eram 150 milhões de usuários com perfis ativos em redes sociais &#8211; um dos maiores percentuais do mundo &#8211; sendo 130 milhões no Facebook e 69 milhões no Instagram. Já de acordo com a plataforma Shopify, no mesmo ano, o TikTok chegou à marca de 1,7 bilhão de usuários, sendo 98,6% ativos no Brasil.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-entanto-o-que-ha-em-comum-entre-esses-perfis-parentais-e-a-revelacao-de-uma-parentalidade-cansativa-e-estressante" style="font-size:17px">No entanto, o que há em comum entre esses perfis parentais é a revelação de uma parentalidade cansativa e estressante.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“[&#8230;] nas performances realizadas em plataformas digitais, diferentes indivíduos constroem suas identidades na interseção com a figura e as ações de outros indivíduos que com eles interagem, criando laços e valores sociais.” </p><cite>SOUZA, 2022, p.40</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Percebemos então que existe nesse ambiente digital, ora implícita ora explicitamente, um <em>modus operandi</em> de <strong>parentalidade</strong>. Ou como Jung aponta, uma persona idealizada: a persona de pais e mães perfeitos e filhos mais que perfeitos, resultantes de uma <strong>parentalidade super perfeita</strong>. Uma identificação total, onde pais e mães incorporam, sem qualquer crítica ou reflexão, a projeção da perfeição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, Jung sugere que os instintos perseguem suas metas. Ou seja, podemos nos conectar as nossas experiências filogenéticas, aos saberes primordiais e instintivos, encontrando mais e melhores respostas do que a larga rede social e toda a inteligência artificial são capazes de responder. Precisamos trabalhar a favor da diferenciação, desenvolvendo conteúdos inconscientes e sombrios e retirando o ego do padrão defensivo e autômato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa jornada pela parentalidade perfeita esbarramos em outra dualidade: <strong>Mimar ou não mimar os filhos, eis a questão!</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-amor-incondicional-x-pacto-de-amor"><strong>O Amor Incondicional X Pacto de Amor</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Vivemos a era do hedonismo, um imperativo ao prazer e aos desejos. Nesse tempo, não cabem perder, gerar frustrações, angústias ou sentimentos de fracasso.” </p><cite>SOUZA, 2022, p. 222</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Um padrão de comportamento transferido para as crianças que precisam ser atendidas não em suas necessidades vitais, psíquicas ou afetivas, mas em seus caprichos vazios de afeto e responsabilidades. Algo que a psicanalista Marcia Neder denominou como <strong>infantolatria</strong>, o culto à criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cultura ocidental, a partir de um determinado momento, transformou a criança em uma divindade, um ser divino. [&#8230;]. A partir do século XIX, houve uma grande mudança na imagem do filho, da mãe e do pai. Em vez de organizada pelo poder do pai, a família passou a ser organizada pelo amor à criança. [&#8230;]. Quem perdeu o poder foi o adulto e quem ganhou o poder foi a criança, e ganhou porque nós demos esse poder a ela. (NEDER apud SOUZA, 2022, p.120).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-por-que-sera-que-o-ideal-de-criancas-sempre-bem-educadas-que-a-parentalidade-positiva-sugere-resultou-em-uma-realidade-de-criancas-mimadas-e-pais-esgotados" style="font-size:17px"><strong>E por que será que o ideal de crianças sempre bem-educadas que a parentalidade positiva sugere, resultou em uma realidade de crianças mimadas e pais esgotados?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de referenciais positivos e acolhedores, sejam eles internos ou externos, nos empurrou para o medo. O medo de falhar, o medo de “não dar conta”, o medo de perder o amor dos filhos. Uma atitude compensatória de uma geração que foi para o mercado de trabalho e terceirizou a criação das crianças e agora busca equilibrar essa equação, mas sem renunciar à alta performance em nenhum âmbito da vida, seja pessoal ou profissional. Parece que o resultado é uma parentalidade insegura, polarizada e adoecida. Saímos da relação autoritária e dominadora entre pais e filhos para a relação permissiva e passiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Confundimos amar com mimar</strong>. Mas não o mimar necessário na relação primal positiva na primeira fase da vida, essa que é sinônimo de um eixo ego-Self saudável. Adotamos o mimar que atende aos caprichos e vontades, ultrapassa limites físicos, psíquicos e emocionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo <strong>NEUMANN</strong>, é preciso saber diferenciar o mimar “verdadeiro” do “falso”, da mãe-bruxa que atrai a criança a sua casa de chocolate. “Mimar [&#8230;] não produz distúrbios sérios, <strong>até tornar-se necessário</strong> para a criança afrouxar os laços com a mãe, e esse processo é impedido ou prevenido pelo fato de a mãe ter mimado o filho” (1995, p. 54. Grifos meus). Nesse caso, o mimo não saudável irá gerar um processo de dependência e co-dependência e que irá afetar diretamente o desenvolvimento da criança, mas também a autoridade e liberdade dos pais. Vale ressaltar que podemos tranquilamente ampliar esse conceito que o Neumann designa à mãe para todos que exercem a <strong>parentalidade</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esse-mimar-contemporaneo-que-ultrapassa-a-primeira-infancia-priva-as-criancas-de-se-desenvolverem-a-partir-de-inibicoes-contradicoes-e-frustracoes" style="font-size:18px"><strong>Esse mimar contemporâneo, que ultrapassa a primeira infância, priva as crianças de se desenvolverem a partir de inibições, contradições e frustrações</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma dinâmica que será fundamental para que no futuro esses indivíduos sejam capazes de suportar a tensão psíquica entre o consciente e o inconsciente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“A capacidade de uma criança aceitar restrições com relativa facilidade depende de uma capacidade de se integrar, de formar um ego integral e um eixo ego-Self positivo.” </p><cite>NEUMANN, 2021, p. 57-58.</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-talvez-a-base-da-criacao-devesse-estar-mais-associada-a-confianca-ao-afeto-e-a-seguranca-que-a-parentalidade-pode-e-deve-dar-a-crianca" style="font-size:17px">Talvez a base da criação devesse estar mais associada à confiança, ao afeto e à segurança que a parentalidade pode e deve dar à criança.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não podemos esquecer que a criança precisa se tornar um ser autônomo no futuro. O desejo dos pais e das mães em suprirem todas as necessidades de seus filhos, de nunca falharem, de serem onipresentes e onipotentes, é tão fantasioso e infantil quanto o de se atingir a meta da <strong>parentalidade perfeita</strong>. E essa neurose é compartilhada entre pais, mães e filhos, como bem explica Jung, “a criança se encontra de tal modo ligada e unida à atitude psíquica dos pais, que não é de causar espanto se a maioria das perturbações nervosas verificadas na infância devam sua origem a algo de perturbado na atmosfera psíquica dos pais” (2021b p. 48).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, olhar para a sombra dessa <strong>parentalidade perfeita</strong> é uma tentativa de dar luz a esse sofrimento psíquico que evidencia uma atitude neurótica da contemporaneidade. Uma exacerbação desse padrão performático e idealizado que tem se espalhado por todos os âmbitos da vida humana, infelizmente até mesmo no que se refere ao desenvolvimento psíquico, físico e emocional das crianças.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;A parentalidade positiva e a sua sombra na contemporaneidade&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/IeoiciWwi3g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/clarissegrand/">Clarisse Grand Court – Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Mariante Guarnieri – Analista didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">ABRANCHES, Sergio. A Era do Imprevisto: a grande transição do século XIX. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">GAWLIK, Kate; MELNYK, Bernadette Mazurek. The Ohio State University. The Power of Positive Parenting: Evidence to help parents and their children thrive. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; Aion: estudo sobre simbolismo do Si-mesmo. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">_____, Carl Gustav.&nbsp; Os Arquétipos e o inconsciente coletivo. 12.ed. Petrópolis: Vozes, 2021a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">_____, Carl Gustav.&nbsp; O desenvolvimento da personalidade. 13.ed. Petrópolis: Vozes, 2021b.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">NEUMANN, Erich. A Criança: Estrutura e Dinâmica da Personalidade em Desenvolvimento desde o Início de sua Formação. 10.ed. São Paulo: Cultrix, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">THOMAS, Liji. (2024). Study finds pressure to be “perfect” leads to unhealthy impacts on both parents and their children. In: News Medical Life Sciences. Disponível em. <a href="https://www.news-medical.net/news/20240510/Study-finds-pressure-to-be-e2809cperfecte2809d-leads-to-unhealthy-impacts-on-both-parents-and-their-children.aspx">https://www.news-medical.net/news/20240510/Study-finds-pressure-to-be-e2809cperfecte2809d-leads-to-unhealthy-impacts-on-both-parents-and-their-children.aspx</a> &nbsp;&nbsp;Acesso em 20 de outubro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">WOODMAN, Marion. O Vício da Perfeição: Compreendendo a relação entre distúrbios alimentares e desenvolvimentos psíquicos. São Paulo: Summus. 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">TikTok no Brasil: estatísticas e dicas (2024). Disponível em <a href="https://www.shopify.com/br/blog/tiktok-brasil">https://www.shopify.com/br/blog/tiktok-brasil</a>&nbsp; . Acesso em 20 de outubro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">SOUZA, Ana Luiza de Figueiredo. Ser mãe é f@oda: mulheres, (não maternidade) e mídias sociais. Porto Alegre: Zouk. 2022.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aproveite para nos acompanhar no YouTube:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/channel/UCrbwUrT0W4Tp-swBxAVwX5Q">Canal IJEP – Bem vindos(as)! (youtube.com)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse nosso site e conheça nossos Cursos e&nbsp;<strong>Pós-Graduações</strong>&nbsp;com&nbsp;<strong>Matrículas Abertas</strong>:&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicossomática</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicologia Analítica</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Arteterapia e Expressões Criativas</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Promoção especial para o próximo semestre&nbsp;</strong>(março/abril 2025):</p>



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		<item>
		<title>Motivação e Autoestima do Educador</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/motivacao-e-autoestima-do-educador/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Apr 2022 13:07:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[autoestima]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[educador]]></category>
		<category><![CDATA[motivação]]></category>
		<category><![CDATA[pedagogia]]></category>
		<category><![CDATA[professor]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É interessante constatarmos que estas características humanas, quando presentes, podem transformar a vida da pessoa e de seu entorno. Motivação está ligada ao conceito de movimento como emoção, palavras advindas do latim:&#160;movere e emovere &#8211; mover-se para dentro e para fora simultaneamente. Por isso, quando não existe um alinhamento harmonioso entre o que está dentro, [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">É interessante constatarmos que estas características humanas, quando presentes, podem transformar a vida da pessoa e de seu entorno. <strong>Motivação</strong> está ligada ao conceito de movimento como emoção, <strong>palavras advindas do latim:&nbsp;movere e emovere &#8211; mover-se para dentro e para fora simultaneamente</strong>. Por isso, quando não existe um alinhamento harmonioso entre o que está dentro, a dimensão instintiva, voltada para a manutenção da vida biológica, e o que está fora, os vínculos relacionais na direção da evolução psicológica, com seu potencial anímico e espiritual, surgem os conflitos neuróticos e a ameaça do fracasso existencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A<strong>utoestima</strong>, por sua vez, envolve confiança e crenças autossignificantes de autoaceitação e amor próprio, somadas à certeza de que está a serviço de algo maior. Com isso, chegamos ao conceito de fé, que proporciona sentido e significado existencial, despertando o altruísmo pela consciência do servir para ser. Neste sentido, acredito que a união da <strong>motivação</strong> com a <strong>autoestima</strong> é o&nbsp;<strong>entusiasmo, do grego&nbsp;en + theos&nbsp;&#8211; em Deus.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A atual condição humana, voltada apenas para a manutenção da vida biológica, dessacralizada, competitiva e egoísta, quase que interdita o surgimento do entusiasmo. A vida biológica,&nbsp;Bios, é finita e destrutível e só se mantém consumindo outra vida biológica. Literalmente, matamos para não morrer, comemos para não sermos comidos, mas sabemos que um dia perderemos essa luta. Esquecemos que a vida psíquica,&nbsp;Zoé, é infinita e indestrutível. Esta situação alienante gera angústia e medo e, infelizmente, <strong>o homem contemporâneo, tomado por esta infelicidade comum, ao invés de seguir o caminho da religação ao si mesmo, resgatando sua alma, acabou iludidamente, tomado pelo desejo de poder.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O poder é antagônico ao amor, ele necessita de acúmulo e defesas, para ter a sensação de controle. Onde um está o outro desaparece. <strong>Essa condição de necessidade de poder desperta mais angústia e ansiedade, criando o ciclo vicioso que desemboca nas doenças psíquicas, como a depressão, e físicas como o câncer</strong>. Atualmente a medicina psicossomática, que constata que todos os sintomas de adoecimento são reflexos das emoções destrutivas, de baixa <strong>autoestima</strong> e falta de <strong>motivação</strong> para a vida. Ou seja, a perda do entusiasmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O educador, nesta perspectiva, precisa resgatar o entusiasmo para poder despertar este sentimento nos seus educandos. Essa é uma empreitada hercúlea, porque os governos, totalmente engajados na dimensão do poder, desprezam a educação, deixando de valorizar tanto os educadores, quanto a própria educação, no sentido de estimular a crítica reflexiva diante desta realidade materialista. Porque assim o poder continua perpetuado. Daí que surge a necessidade de engajamento dos educadores, como agentes revolucionários, para exigir valor para eles e para a educação. Está é a única possibilidade de revertermos esta situação insustentável de iniquidades e desigualdades.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quem é o educador? </strong>Porque um indivíduo resolve dedicar sua vida para educar as outras pessoas? Será que ele se acha superior, mais conhecedor e capaz frente às demais pessoas e, por isso, se dedica a essa prática? Mas, se é essa a sua razão porque ele se sujeita a tantos maus tratos, desprestígio e baixa remuneração? O educador escolheu ou foi escolhido para exercer a sua profissão? Do que adianta pensarmos em construir um mundo melhor se não deixarmos herdeiros melhores para esse mundo? Ensinamos para que o aluno se sirva do aprendizado ou passe a servir melhor graças ao que aprendeu?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante destas perguntas acredito que todo educador vocacionado sabe que sua profissão é missionária, ou seja, ele está sob uma missão maior que é a de ser um agente de transformação. Porém, como a neuropsicologia nos ensina, toda vez que um ser humano é exposto a algum tipo de mudança ele sai da zona do conforto, ou seja, seu circuito de gratificação e recompensa dá lugar ao circuito de aversão, medo, punição e exclusão.<strong> Deve ser essa a razão que justifica a sociedade, com a conivência da maioria silenciosa que somos nós, contribuir ou ficar omissa na transformação do educador missionário, que é vocacionado, em um indivíduo submisso, desqualificado e excluído!</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Educar deveria ser o fim ultimo de todo ser humano. Creio que não existe profissão mais nobre e importante. Contribuir para o aprimoramento humano é sagrado. Quem está neste chamado precisa reconhecer seu valor e missão, para poder exigir que seu entorno relacional também reconheça. Ninguém pode dar o que não tem, mas também não receberá o que não deu. Ou seja, só um educador motivado e com boa <strong>autoestima</strong> poderá despertar a <strong>motivação</strong> e a <strong>autoestima</strong> de seus educandos, reestabelecendo o ciclo virtuoso, que valoriza o educador e a educação, colocando-os em primeiro lugar na escala de prioridades para que a humanidade passe a ser mais consequente, amorosa e altruísta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, para que isso possa acontecer, é necessário, antes de tudo, o investimento maciço no autoconhecimento do educador, para que ele adquira a autoconsciência porque, só quando sofrermos o choque de ver a nós mesmos como realmente somos (e não como gostaríamos ou esperançosamente presumimos ser), é que poderemos dar o primeiro passo em direção à realidade individual. O objetivo desta auto-observação desperta a capacidade de modificar a nós mesmos, tornando-nos agentes da mudança, começando a sacrificar todo tipo de sofrimento! Existe algo mais fácil a sacrificar? Porém, com <strong>a atual educação da manutenção da opressão e do oprimido, aprendemos e ficamos condicionados em sacrificam tudo, exceto nossas emoções negativas e as crenças necessárias parra a manutenção desta situação desigual.</strong> Não há prazer nem gozo que não estamos pronto a sacrificar por razões fúteis, mas jamais sacrificamos nosso sofrimento. Isso nos dá a ilusão de valor, apesar de aprisionados se sem mobilidade sociocultural.</p>
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		<title>A sombra na formação do analista</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-sombra-da-formacao-de-analista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rafael Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Mar 2022 15:34:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[formação analista]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[supervisão clinica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=4385</guid>

					<description><![CDATA[<p>Desde o nascimento da psicanálise clássica de Freud que a formação de analista segue o conhecido tripé, análise didática, supervisão e capacitação. Seria este método suficientemente capaz de sustentar o essencial na formação do analista junguiano, que é entrar em contato e fazer alma? O que há de sombrio na institucionalização da formação? Sobre estas questões que tecemos algumas reflexões neste artigo.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Desde o nascimento da psicanálise clássica de Freud, à medida que ele arregimentou discípulos e colaboradores ao redor de sua nova ciência, sendo Jung um deles, o método de formação do psicanalista tem seguido determinado padrão, o chamado “tripé psicanalítico”, a saber: análise didática, supervisão (ou controle de casos) e capacitação técnico-científica dentro do campo epistemológico em questão. Apesar da formação de alma de um analista não exigir que esta se dê via instituição, nosso olhar neste artigo é virado para o processo institucional da formação de analista junguiano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A psicologia analítica, apesar de ter seguido trajetória diferente da psicanálise em termos científicos, mantém como base fundante da formação do analista junguiano, em termos gerais, a mesma da psicanálise. Desde o lançamento do Clube Psicológico de Zurique em 1916 (BAIR, 2006a), analistas junguianos são formados, antes de maneira menos sistematizada, porém respeitando o famoso tripé, até se estabelecer um método mais formatado com a inauguração do Instituto C.G. Jung de Zurique em 1948.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Daí em diante, com o fomento da psicologia analítica ao redor do mundo, diversas outras escolas surgiram, inclusive no Brasil, sendo algumas delas filiadas à instituição, supostamente, reguladora da formação de análise junguiana no mundo (IAAP – International Association of Analytical Psychology), e outras delas independentes, a exemplo do IJEP aqui no Brasil e do Von Franz Centre em Zurique.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Bair (2006b), Jung se mostrou hesitante quando lhe foi proposto montar um instituto, porém, sua preocupação recaia no futuro de sua psicologia:&nbsp;<em>“Ele sabia que seus seguidores ‘iriam começar uma disputa entre sua morte e o enterro’, e queria que eles começassem enquanto ‘pudesse ter alguma influência e talvez impedir alguns dos piores erros’”&nbsp;</em>(BAIR, 2006b, p. 226)<em>.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Seja qual for a escola junguiana, em linhas gerais, o método, a quantidade de horas exigidas (análise pessoal, supervisão individual e em grupo, e capacitação teórica) é praticamente a mesma em todas. Sutilezas diferenciarão as escolas, porém com importâncias significativas. Von Franz Centre (Suíça), IJEP (Brasil), e o próprio Instituto fundado por Jung em Zurique, por exemplo, não exigem que o analista candidato tenha formação em medicina ou psicologia, tal como se exige em outras escolas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, conforme descreveu Bair (2006b), por alguma razão incentivava que seu círculo mais próximo de homens estudasse medicina, mas o mesmo não acontecia com as mulheres, a exemplo de Marie-Louise von Franz, Joland Jacobi, Barbara Hannah, Toni Wolff e a própria Emma Jung, que sequer curso superior tinha, e ainda assim tida por muitos como uma grande analista (BAIR, 2006b).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre esta questão, parece interessante que algumas escolas ainda sustentem a exigência da formação em psicologia ou medicina, uma vez que o próprio Freud era indiferente a isso, como relata nesta carta enviada à Jung em 1910 ao responder a indagação de Jung sobre a necessidade dos analistas candidatos terem alguma graduação (não necessariamente em medicina ou psicologia):&nbsp;<em>“os estatutos daqui</em>&nbsp;[Viena]&nbsp;<em>nos deixam livres, mesmo que não entrem em tal exclusividade. A sociedade de Zurique pode aprovar muito bem, portanto, tal determinação, sem que ela se converta em norma para as demais</em>&nbsp;[associações de psicanálise espalhadas em outras cidades].&nbsp;<em>Em Viena, isto não funcionaria, pela mera questão de que teríamos de excluir ao nosso secretário de muitos anos</em>&nbsp;[Otto Rank]” (FREUD; JUNG, 2012, p. 386, tradução do autor).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a exigência de uma determinada graduação já não era norma nos primórdios desta nova ciência, outras perguntas se apresentam aqui, e uma delas é: o que sustentaria, portanto, um ideal da formação do analista se ela não se pauta essencialmente na graduação? A resposta naturalmente recai na necessidade da análise didática, tal como nos explica Jung:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>“O próprio Freud&nbsp;</em>[&#8230;]<em>&nbsp;aceitou minha exigência de que todo terapeuta fosse obrigatoriamente analisado.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Mas qual o significado dessa exigência? Ela significa simplesmente que o médico também ‘está em análise’, tanto quanto o paciente. Ele é parte integrante do processo psíquico do tratamento, tanto quanto este último, razão por que também está exposto às influências transformadoras. Na medida em que o médico se fecha a essa influência, ele também perde sua influência sobre o paciente. E, na medida em que essa influência é apenas inconsciente, abre-se uma lacuna em seu campo de consciência, que o impedirá de ver o paciente corretamente. Em ambos os caso, o resultado do tratamento está comprometido”</em>&nbsp;(JUNG, OC 16/1, §165-166).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise didática seria um processo híbrido, no qual o analista em formação passa pelo mesmo processo que será aplicado futuramente aos seu clientes, ao mesmo tempo que recebe orientações pedagógicas de seu analista didata. Esse método é utilizado até hoje e considerado o eixo central de uma formação sistematizada de analista. E aqui residem alguns perigos, pois se neste ponto o consenso é meio que geral, é porque algum aspecto sombrio pode estar sendo, potencialmente, ignorado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez o trabalho mais ousado neste campo é o livro “O abuso do poder na psicoterapia” de Adolf Guggenbühl-Craig, pois ele expõe que existem aspectos sombrios nas práticas das profissões de ajuda, enfatizando o trabalho do analista. Nesta passagem ele descreve os riscos e a dimensão sombria de um analista (que pode ser um analista em formação, assim como um analista didata): “<em>A sombra profissional do analista contém não apenas o charlatão e o falso profeta, mas também a contrapartida daquele que ilumina, ou seja, uma figura que vive imersa no inconsciente e visa sempre ao contrário do que conscientemente pretende o analista. Temos aí uma situação paradoxal, na qual o analista é mais ameaçado pelo inconsciente que o não analista”</em>&nbsp;(GUGGENBÜHL-CRAIG, 2004, p. 33-34).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fala de Guggenbühl-Craig encontra eco nos incômodos de Jung com relação à forma como Freud tratava seus discípulos, registrado nesta carta enviada por Jung à Freud em 1912: “[…]&nbsp;<em>gostaria de chamar sua atenção para o fato de que a sua técnica de tratar seus alunos como pacientes constitui um equívoco. Com ela você cria filhos escravizados ou descarados bandidos (Adler-Stekel e toda a banda sem-vergonha que se espalha por Viena). Sou objetivo o suficiente para perceber seu truque. Você faz constar ao seu entorno todos os atos sintomáticos e assim você rebaixa os que lhe rodeiam ao nível de filho ou filha, que admitem envergonhados a existência de tendências errôneas. Enquanto isso, você permanece sempre ali, acima, como um pai. Devido à pura subordinação ninguém alcança puxar o profeta pela barba e descobrir o que é que você disse a um paciente que tem a tendência de analisar ao analista em vez de a si mesmo. Você pergunta a ele: ‘Quem realmente tem a neurose?’”&nbsp;</em>(FREUD; JUNG, 2012, p. 545, tradução do autor).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da crítica de Jung ser direcionada à Freud, e desconsiderando um aspecto do complexo paterno de Jung nesta questão, nada nos garante que no processo institucionalizado da formação de um analista junguiano tal situação não se repita. Adicionalmente, questionamos se o fato de fazer uma formação institucionalizada, legitimada pela IAAP ou não, ofereceria alguma garantia de que o processo de análise didática, coração da formação de analista, não envolveria os aspectos de poder estudados por Guggenbühl-Craig ou os aspectos patriarcais alertados por Jung.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao nosso ver Guggenbühl-Craig é cirúrgico ao problematizar tal situação:&nbsp;<em>“O analista junguiano, por exemplo, é alguém que viveu profundo abalo produzido pela confrontação com o irracional e o inconsciente. Entretanto, poucos insights psicológicos podem ser estatisticamente provados no sentido empírico, só podendo ser confirmados pelo testemunho honesto e sincero dos que se empenham na mesma busca. Nossa única prova é nossa própria experiência e a de outros, uma vez que a realidade psíquica não pode ser apreendida estatística ou carnalmente como ocorre nas ciências naturais&nbsp;</em>[&#8230;]<em>. Mas essa extremada confiança na própria experiência pessoal ou alheia inevitavelmente dá margem a sérias dúvidas. E se nós mesmos, ou outros como nós, estivermos enganados?”</em>&nbsp;(GUGGENBÜHL-CRAIG, 2004, p. 32).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outros termos, apesar da formação de analista seguir um método, reproduzido pela maioria das escolas de formação, não há uma garantia de que, depois cumprido com todos os requisitos exigidos pela instituição, o analista trainee passe a ser um analista graduado, considerando a perspectiva da psique e não a perspectiva literal da formação. Desta forma, seguindo o raciocínio de Guggenbühl-Craig, apesar da mensuração de horas de análise, horas de supervisão, horas de teoria e outras, seriam estas suficientes para formar um analista? Quantas horas de análise são necessárias para se produzir um processo de autoconhecimento num indivíduo? Como mensurar isso matematicamente?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se trata aqui de um posicionamento contrário à institucionalização da formação, pois se assim o fosse, não deveria eu estar escrevendo este artigo sob a égide de uma instituição que confio, acredito e partilho de valores semelhantes. E é justamente pela construção de autoconhecimento e pensamento crítico que essa instituição me proporciona que me vejo no direito de problematizar e refletir sobre os aspectos sombrios da formação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao nosso ver, a formação de analista jamais deveria ser tomada pelo analista candidato como um curso de formação a exemplo de uma graduação ou pós-graduação, no qual são executadas determinadas etapas e tarefas, que se cumpridas a contento, ao fim, lhe atribuem o “grau” de analista. A instituição, por outro lado, não deveria olhar para este processo como algo rígido, tal como uma formação academicista clássica, com exigências que não dialogam com a alma, como por exemplo exigências de graduação específica ou exigências de se “carregar no peito” o selo da instituição certificadora, como se tudo isso fosse garantias da formação de um bom analista – a própria von Franz criticou o excesso de institucionalização e o ideal “antijunguiano” do C. G. Jung Institut Zurich em entrevista para a Folha de SP em 1987 (BONAVENTURE, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Precisamos encontrar um bom termo entre as exigências da alma, com as exigências do mundo externo. A formação de analista é uma jornada, talvez uma opção de vida, pois a formação é infinita. Ela acompanhará a pessoa por toda a sua vida se ela tomar a análise realmente a sério, para si, e para seus analisandos. Como diz Léon Bonaventure:&nbsp;<em>“</em>[&#8230;]<em>&nbsp;não é no final da análise, mas durante o trabalho analítico que o analisando descobre a sua vocação, e assim, sem perceber, a análise pessoal se transforma em análise didática”&nbsp;</em>(BONAVENTURE, 2021, p. 55).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, a fala de Jung sobre a formação precisa ser resgatada, na qual as qualidades humanas são as fundamentais e não as qualidades acadêmicas (BAIR, 2006b). León Bonaventure (2021) defende que a formação de um analista deveria se dar no decorrer do processo de análise, atribuindo ao analista didata referendar que a pessoa passe a ser um analista trainee, o que é diferente de simplesmente se “matricular” num “curso de formação” objetivando passar por determinadas etapas pré-categorizadas que darão um título no final.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de formação de analista, em sua essência, não deveria obedecer exclusivamente a algumas normas e padrões da sociedade contemporânea, que é voltada para os resultados, para os números, para os títulos e para os selos de “qualidade” (que nem sempre correspondem às qualidades humanas referenciadas por Jung). Não podemos nos esquecer que a análise se trata de uma arte, e como tal, carece de tempo da alma, constante refino de técnica e muita escuta interior:&nbsp;<em>“É muito frequente reduzir-se a prática analítica – que para Jung consistia principalmente numa arte difícil – a uma questão de técnica. Assim, não se respeitam as forças criadoras da alma humana, que é sempre singular, em nome de uma mecânica qualquer; o terapeuta se transforma, desse modo, num mecânico mais ou menos habilidoso”</em>&nbsp;(BONAVENTURE, 2021, p. 62).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este tema será ampliado em uma palestra no VII Congresso Junguiano do IJEP de 2022, no qual traremos mais informações e mais profundidade sobre esta temática que é fundamental dentro do campo junguiano: a perenização do pensamento e da análise junguiana por meio daqueles que conjugam dos ideais sugeridos por Carl Gustav Jung com a sua psicologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rafael Rodrigues de Souza – Membro analista didata em formação do IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph">Waldemar Magaldi – Analista Didata</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Rafael Rodrigues de Souza &#8211; 27/03/2022</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BONAVENTURE, León.&nbsp;<em>A formação de analistas junguianos</em>.&nbsp;In: BONAVENTURE, Jette; BONAVENTURE, León.&nbsp;<em>Miscellanea</em>: escritos diversos. São Paulo: Paulus, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUGGENBUHL-CRAIG, Adolf.&nbsp;<em>O abuso do poder na psicoterapia:</em>&nbsp;e na medicina, serviço social, sacerdócio e magistério. São Paulo: Paulus, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BAIR, Deirdre.&nbsp;<em>Jung:</em>&nbsp;uma biografia, volume I. São Paulo: Globo, 2006a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BAIR, Deirdre.&nbsp;<em>Jung:</em>&nbsp;uma biografia, volume II. São Paulo: Globo, 2006b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<em>A prática da psicoterapia</em>. OC 16/1. 16ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREUD, Sigmund; JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<em>Correspondencia entre Sigmund Freud y C. G. Jung</em>.&nbsp;Madrid: Editorial Trotta, 2012.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A sombra da formação de Analista" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/YoU2xc1Y1No?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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<h4 class="wp-block-heading" id="h-"></h4>
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			</item>
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		<title>Influência da vida dos pais em seus filhos</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/influencia-da-vida-dos-pais-em-seus-filhos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Nov 2021 12:58:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Logo após Jung estudar sua arvore genealógica colocou em dúvida o caminho que sua vida tomou, se estava realmente vivendo sua vida ou se estava respondendo a algo que foi negligenciado por parte de sua família. Este questionamento que Jung se fez nos oferece um caminho para lidar com o mesmo problema que surge na experiencia humana observada no consultório. Isso nos traz a seguinte questão: O que este individuo está vivenciando é algo pessoal ou do coletivo familiar? São questões como essas que este artigo reflete.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Logo após Jung estudar sua árvore genealógica, colocou em dúvida o caminho que sua vida tomou, se estava realmente vivendo sua vida ou se estava respondendo a algo que foi negligenciado por parte de sua família. No vol. 17 sobre o desenvolvimento da personalidade ele nos alerta a respeito do mesmo problema, já que a criança se encontra envolvida pelo inconsciente dos pais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Tenho a forte impressão de estar sob a influência de coisas e problemas que foram deixados incompletos e sem resposta por parte de meus pais, de meus avós e de outros antepassados. Muitas vezes parece haver numa família um carma impessoal que se transmite dos pais aos filhos. Sempre pensei que teria de responder a questões que o destino já propusera a meus antepassados, sem que estes lhes houvessem dado qualquer resposta; ou melhor, que deveria terminar ou simplesmente prosseguir, tratando de problemas que as épocas anteriores haviam deixado em suspenso.&nbsp;(Jung, 2015e, p. 234)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da questão levantada por Jung acredito que seja importante uma reflexão sobre o peso carregado pelos filhos em virtude de falta de consciência dos pais. Desejo refletir também a respeito da dificuldade da tomada de consciência dos sentimentos que a criança vivencia como seus, por influência do inconsciente dos pais e a falta de autenticidade dos próprios sentimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trabalhar essas questões que muitas vezes são dos pais apresenta um grau maior de dificuldade na exploração e tomada de consciência a respeito de suas origens. Não é de se espantar que em muitos casos existe uma ausência de momentos marcantes que possam ser tomadas como possíveis raízes das neuroses e complexos, tornando um trabalho enfadonho até mesmo para os analistas mais experientes. As queixas levantadas em análise pelos indivíduos quase sempre são vagas e sem grande objetividade já que o problema em si é muito mais do coletivo que do pessoal, segundo Jung:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>[&#8230;]É difícil saber se tais problemas são de natureza pessoal ou de natureza geral (coletiva). Parece-me ser este último o caso. Enquanto não é reconhecido como tal um problema coletivo toma sempre a forma pessoal e provoca, ocasionalmente a ilusão de uma certa desordem no domínio da psique pessoal.&nbsp;(Jung, 2015e, p. 234)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante ficar claro que o coletivo, a que Jung faz referência nesta última citação, é o coletivo familiar, afinal de contas os primeiros momentos de vida de uma criança são totalmente envolvidos pelos pais. Todo o cuidado, todo o carinho e atenção necessários estão voltados para esse pequeno ser. Neste estágio da vida não existe experiência pessoal, apenas a experiência do coletivo ao seu redor. Seriam então os complexos formados a partir dos complexos dos pais, seriam esses complexos na criança a neurose inconsciente dos pais? Na história humana podemos encontrar essas referências em muitos lugares e culturas, da bíblia a filosofia budista. Por isso a preocupação de Jung com a importante tarefa dos pais e dos educadores de se trabalharem e desenvolverem psiquicamente é de extrema importância, já que “a criança se encontra de tal modo ligada e unida à atitude psíquica dos pais, que não é de causar espanto se a maioria das perturbações nervosas verificadas na infância devam sua origem a algo de perturbado na atmosfera psíquica dos pais.”&nbsp;(Jung, 2012f, §80)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Posto isso, fica claro que para algumas questões apresentadas pelas crianças, quando levadas para um trabalho terapêutico, são na verdade apenas expressão dos problemas dos pais, os verdadeiros neuróticos. Essas crianças passam a repetir em suas vidas tudo aquilo que não foi vivido por seus pais, tudo aquilo que não foi possível de se tornar consciente. Quando na vida adulta, tudo que não foi vivido de forma genuína e consciente, somado no que pertence ao campo da experiencia pessoal, torna-se combustível para que os velhos problemas sejam vivenciados pelas gerações seguintes como novos problemas. Por isso, a atitude de alteridade é o caminho inicial para conseguir distinguir o que é meu e o que é do outro, neste caso, o que pertence a história dos pais e a de si próprio. Essa é uma das tarefas mais importantes na vida, conforme explica Johnson:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A tarefa mais importante em nossos anos de maturidade é viver nossa vida não vivida, o que deve ser alcançado muito antes que uma tragédia nos abale profundamente ou que cheguemos ao nosso leito de morte. Viver nossa vida não vivida é tornarmo-nos realizados; é trazer propósito e significado para nossa existência.&nbsp;(Johnson &amp; Ruhl, 2011, p. 13)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A partir da reflexão a respeito do viver a vida não vivida é que podemos abordar a questão da autenticidade dos próprios sentimentos, afinal de contas, se podemos chegar ao ponto de viver o que não nos pertence, então poderíamos afirmar que os sentimentos decorrentes destas experiencias também não nos pertencem. Tal pensamento não teria valor para nós, porque mesmo sendo ou não nossos os sentimentos, eles foram experimentados, em algum momento foram vivenciados e precisam ser conscientizados.&nbsp; Jung deixa claro essa ideia quando está falando do valor da ab-reação, de que nada adianta apenas reviver, porque é preciso reviver diante do outro, na figura do médico/terapeuta. e reconhecer todas a possibilidades contidas na conscientização destes conteúdos:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O paciente deve ser capaz, não só de reconhecer a causa e a origem de sua neurose, mas também de enxergar a meta a ser atingida. A parte doente não pode ser simplesmente eliminada, como se fosse um corpo estranho, sem o risco de destruir ao mesmo tempo algo de essencial que deveria continuar vivo. Nossa tarefa não é destruir, mas cercar de cuidados e alimentar o broto que quer crescer até tornar-se finalmente capaz de desempenhar o seu papel dentro da totalidade da alma.&nbsp;(Jung, 2011a,&nbsp; §293)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O que precisamos oferecer para nossos clientes é o suporte necessário para conseguir tomar consciência dos reais sentimentos e emoções de forma autêntica, nesta ampliação de consciência é preciso vencer o medo que surge quando o indivíduo se questiona.&nbsp;<strong>Se esses sentimentos não são meus, então quais são, o que é real na minha vida se o que eu sentia não era meu?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso mesmo que a atitude do analista é parte integrante das possíveis transformações que podem surgir a partir deste enfrentamento. Mais do que nunca, é preciso estar claro que “o objetivo mais nobre da psicoterapia não é colocar o paciente num estado impossível de felicidade, mas sim possibilitar que adquira firmeza e paciência filosóficas para suportar o sofrimento.”&nbsp;(Jung, 2011d, §185)&nbsp;Precisamos estar prontos e preparados para ajudar nossos clientes no desenvolvimento desta atitude, para que tenha condições de enfrentar o medo da desconstrução e ao mesmo tempo se colocar aberto para uma autêntica construção do que é real no seu ser. Somente desta forma esse indivíduo pode continuar seu caminho de desenvolvimento mais conhecido no meio junguiano como o processo de individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Daniel Gomes – Analista em formação pelo IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph">Waldemar Magaldi – Analista Didata</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências</p>



<p class="wp-block-paragraph">Johnson, R. A., &amp; Ruhl, J. M. (2011). Viver a vida não vivida. Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2011a). Ab-reação, análise dos sonhos e transferência (Vol. 16/2). Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2011d). A prática da psicoterapia (Vol. 16/1). Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2012f). O desenvolvimento da personalidade (Vol. 17). Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2015e). Memórias, Sonhos, Reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.</p>



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<iframe title="INFLUÊNCIA DA VIDA DOS PAIS EM SEUS FILHOS" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/tNrbi89GCWs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<h4 class="wp-block-heading" id="h-daniel-gomes-30-11-2021"><strong><em>Daniel Gomes &#8211; 30/11/2021</em></strong></h4>
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		<title>Mãe, eu te amo, mas amo ainda mais a minha jornada</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/mae-eu-te-amo-mas-amo-ainda-mais-a-minha-jornada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 May 2021 17:55:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
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		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo propõe refletir sobre a simbiose família/mãe/filho e o distanciamento necessário entre eles para o filho ganhar sua autonomia na vida. Buscou-se dados quantitativos para ilustrar o tamanho do fenômeno no Brasil bem como uma análise do conto de Percival, dos ciclos Arturianos.&#160; O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que nas [...]</p>
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<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://www.ijep.com.br/img/artigos/artigo_430.jpeg" alt="Mãe, eu te amo, mas amo ainda mais a minha jornada Psicologia Junguiana" width="280" height="460"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo propõe refletir sobre a simbiose família/mãe/filho e o distanciamento necessário entre eles para o filho ganhar sua autonomia na vida. Buscou-se dados quantitativos para ilustrar o tamanho do fenômeno no Brasil bem como uma análise do conto de Percival, dos ciclos Arturianos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que nas últimas duas décadas indivíduos entre 25 e 34 anos estão considerando cada vez menos sair de casa. No final da década de 1990, 20% dos indivíduos dessa faixa etária morava com os pais; já, no final de 2010, a taxa aumentou para 25%. O IBGE ainda aponta que 60,2% desses jovens são homens.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sair de casa na maioridade é um processo natural do ciclo familiar, apontam Cerveny e Berthoud (2010), pois existe uma necessidade de diferenciar-se da família e buscar autonomia, contudo, parece que esta faixa etária tem modificado o comportamento coletivo. Vale a ressalva que aqui não estamos pensando nesta autonomia como um individualismo e ascensão de carreira, mas como a autonomia integral do ser humano maduro – bio-psico-socio-espiritual: o processo de individuação. Sobre o individualismo, Jung (2013) aponta que “nunca foi um desenvolvimento natural, mas sim uma usurpação contrária à natureza, uma atitude inadequada e impertinente, que muitas vezes se revela oca e sem consistência, por desabar à primeira dificuldade encontrada”. (JUNG, 2013, §292).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cerveny e Berthoud (2010) ainda denominam estes jovens de “Geração Canguru”, devido ao marsúpio, a bolsa epidérmica que&nbsp;cobre a parte dos seios da canguru fêmea, servindo como uma incubadora para os filhotes, na região do ventre, que transporta e protege o canguru filhote.&nbsp;Ferreira, Rezende e Lourenço (2011, p.14) discorrem que fatores como “a comodidade, o conforto, a segurança financeira, um bom padrão de vida, a progressão na carreira profissional são tidos como prioridades” por esses jovens adultos. Mesmo com a preocupação com a carreira, os autores revelam que&nbsp;o consumo desta geração tende à compra de produtos supérfluos – de roupas caras ou em exagero a vídeo games do ano, etc.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Juntando isso à aspiração do individualismo tão estrutural na sociedade por estes jovens e à crítica a este modelo por Jung, pode-se reconhecer que há uma fragilidade psíquica para o enfrentamento das adversidades sociais. Jung (1995, §456) explica que “o medo do mundo e o dos homens causa um recuo maior [&#8230;] o que leva ao infantilismo e à volta ‘para dentro da mãe’”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator de grande importância para os filhos permanecerem em casa são os pais que, em sua maioria, não tem discutido, cobrado ou incentivado seus filhos a buscarem autonomia de vida. Como a família é composta por poucos filhos, os pais parecem não sentir tanto o ônus de sustentar mais um indivíduo, abrindo espaço para o adulto que trabalha e tenta subir na carreira com custo zero.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vale ainda somar este fenômeno ao número de crianças e jovens brasileiros que crescem sem seus pais no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro do Direito de Família, 5,5 milhões de crianças e jovens não possuem o nome do pai na certidão de nascimento. Além disso, ainda temos uma infinidade de famílias onde a figura paterna inexiste e os filhos são criados pelas avós ou terceirizados para outros cuidadores ou instituições. Desta forma, este artigo faz um recorte de um segmento socioeconômico menos excluído.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este exemplo não é único e nem localizado. Pelo mundo existe o fenômeno dos&nbsp;<em>Hikikomori,&nbsp;</em>indivíduos que não saem de casa e não estabelecem contato interpessoal com ninguém, vivendo em seus quartos e conectados na internet, explanado em meu livro “Contágio Psíquico: a loucura das massas e suas reverberações na mídia”. E também, indivíduos que mesmo após saírem de casa buscam no parceiro o vínculo inicial do pai ou da mãe, reconfigurando assim, a estrutura familiar inicial, assim como Jung (1995) aponta:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um indivíduo é infantil porque se libertou insuficientemente ou não se libertou do ambiente da infância, isto é, da adaptação aos pais, razão por que reage perante o mundo como uma criança perante os pais, sempre exigindo amor e recompensa afetiva imediata. Por outro lado, identificado&nbsp; com os pais devido à forte ligação aos mesmos, o indivíduo infantil comporta-se como o pai e como a mãe. (JUNG, 1995, §431)</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se lançarmos o olhar à literatura a fim de encontrar uma lenda, um conto que faça uma homologia ao descrito acima, encontraremos Percival. Percival, de acordo com Chrétien de Troyes, é filho de um nobre cavalheiro morto em batalha e da mulher Heartsorrow. Esta, por sua vez, traduzindo seu nome para o português, é “Tristeza no Coração”. Na lenda, conta-se que ela perdeu seu marido e demais filhos para as batalhas cavalheirescas, tendo que criar Percival sozinha. O jovem era o grande e único vínculo que a mulher possuía, pois ambos viviam isolados na floresta. Sobre Heartsorrow, pode-se conferir Nichíle (2021) refletindo sobre o papel cultural da maternidade ao longo da história e na contemporaneidade. A autora aponta que a cultura patriarcal trouxe a partir do séc. XVIII como positivo o comportamento da mãe demasiadamente protetora e altamente atuante em sua maternagem, sendo ela criticada e condenada caso não cumpra este papel exaustivo, esquecendo-se até sua integralidade bio-psico-sócio-espiritual em prol da maternidade, promovendo as mais variadas frustrações nas mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Retomando a lenda, Percival encontrava-se em uma grande simbiose com este feminino materno, simbolizado pela floresta e pela sua mãe. Já os jovens e adultos “cangurus” também parecem estar em simbiose com a família de origem. Assim como marsúpio, estes jovens e o próprio Percival permanecem em um estado de passividade e de fantasia. A imagem da Árvore Wak-wak que Jung (1995, p. 251) traz em Símbolos da Transformação ilustra brilhantemente tal simbiose:</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-11.jpeg" alt="" class="wp-image-4845" width="276" height="479" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-11.jpeg 421w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-11-173x300.jpeg 173w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-11-150x260.jpeg 150w" sizes="(max-width: 276px) 100vw, 276px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Não somente a árvore é um símbolo materno, mas também o dragão, monstro que os cavalheiros usualmente enfrentam nas lendas, contos e mitos:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">o dragão, como imagem materna negativa, exprime a resistência contra o incesto, ou melhor, o medo dele. O dragão e a serpente são os representantes simbólicos do medo das consequências da quebra do tabu, da regressão para o incesto. Por isto é compreensível porque sempre encontramos a árvore com a serpente. A serpente e o dragão têm principalmente o significado de guardiães e defensores do tesouro. Na canção persa antiga de&nbsp;<em>Tishtriya</em>&nbsp;aparece, neste sentido, o cavalo negro&nbsp;<em>Apaosha</em>, que mantém ocupadas as fontes do lago das chuvas. O cavalo branco&nbsp;<em>Tishtriya</em>&nbsp;duas vezes avança em vão contra&nbsp;<em>Apaosha</em>, mas na terceira tentativa, com a ajuda de&nbsp;<em>Ahuramazda</em>, consegue vencê-lo<sup>123</sup>. Abrem-se então as comportas do céu e uma violenta chuva cai sobre a terra<sup>124</sup>. (JUNG, 1995, §395).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pondera-se ainda que a fantasia neste ponto é uma encruzilhada para o indivíduo. Se por um lado ela pode promover um impulso de “ir para a vida” e almejar uma autonomia, isto é, tornar-se um processo psíquico de progressão, por outro, ela também pode manter o indivíduo no estado infantil simbiótico como supracitado, gerando indivíduos não-autônomos, frustrados pois não alcançam suas expectativas pueris, mas aparentemente com uma vida confortável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já na lenda, Percival encontra cinco cavalheiros que atravessavam a floresta e fica encantado e paralisado com suas armaduras, emergindo assim nele um desejo de tornar-se também um cavalheiro. Conta-se que Percival enfrenta sua mãe e vai à procura de Rei Arthur, exclamando para ela: “<strong>mãe, eu te amo, mas amo ainda mais a minha jornada</strong>”. Sua mãe, contudo, morre de dor pela perda do filho. Esta passagem deve ser lida e apreendida de forma simbólica, tanto para os filhos atuais como para seus pais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando os jovens adultos saem de casa, eles devem matar, no sentido de transformar, as fantasias e expectativas “perfeitas” e infantis para encontrar assim seus caminhos de vida – diferenciar-se deste mundo ilusório (Maya = Mãe). Perfeitas, afinal, tudo o que está em potência é perfeito: a poesia não colocada no papel é perfeita, diz Fernando Pessoa, ela imperfeiçoa-se ao escrever. Já, mulheres e homens pais deveriam reconhecer que seus papéis enquanto mães e pais foram cumpridos, a fim de transformá-los e ressignificá-los para um outro nível de paternargem e maternagem. Este processo do enfrentamento da fantasia é relatado por Jung (2011) quando aponta que:</p>



<p class="wp-block-paragraph">consiste em entender sua própria fantasia como um verdadeiro processo psíquico, que aconteceu a ele mesmo. Ainda que de certo modo a pessoa olhe para isso como que de fora e sem participação, no entanto ela própria também é a figura que age e sofre no drama da alma. Este conhecimento significa um progresso tão importante quão imprescindível. Enquanto a pessoa apenas olhar para as imagens da fantasia, é ela como o tolo Parcival [&#8230;]. Quando então cessar o fluxo das imagens, tudo se parecerá como se nada houvesse acontecido, ainda que se repita mil vezes o processo. Mas desde que a pessoa reconheça sua participação, então ela deverá entrar no processo com sua reação pessoal, como se ela fosse uma figura da fantasia, ou melhor, como se fosse real o drama que se desenrola diante de seus olhos. E na verdade um fato psíquico o acontecimento dessa fantasia. Ele é tão real como a pessoa é um ser psíquico real. Se a pessoa não realizar esta operação, todas as transformações ficam relegadas para as imagens, enquanto ela própria não se transforma. (JUNG, 2011, §407)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O real drama do ego é servir à alma rumo ao processo individuação, isto é, buscar autonomia e integralidade bio-psico-sócio-espiritual: tornar-se quem se é. Ao enfrentar os desafios da vida o indivíduo tem a oportunidade de relativizar e descontruir suas fantasias pueris (muitas vezes heranças dos pais); aprofundar-se em sua própria alma e encontrar no lodo da profundeza o ouro da vida. Este processo também é contado em Percival, quando o rapaz emprenha-se na busca do Santo Graal (Self &#8211; Si-mesmo).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre o Santo Graal, historicamente, ressalva-se que vale considerar a lenda de Percival como uma passagem da cultura pagã para o cristianismo, revelando o processo de repressão do feminino visto nos últimos séculos. Loomis (1963) demonstra que o Graal, tão perseguido por Percival, possui uma homologia com o caldeirão da cultura e da mitologia céltica e gaulesa, que oferecia a quem toma-se dele a Vida e livraria o indivíduo da Morte e da Fome.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Retomando, o processo de tornar-se quem se é, assim como no setting terapêutico, faz o “eu” começar a perceber e criar enfrentamentos com sua sombra. Para isso, é necessário que ele não esteja na simbiose materna na posição de acolhido, se não é impossível concluir a obra heroica, isto é, de enfrentar o que ele não aceita em si, bem como a própria imagem da mãe (complexo materno). Por isso mesmo, Jung faz a comparação entre o “Filho da Mãe” humano e simbólico:</p>



<p class="wp-block-paragraph">o “filho de sua mãe”, enquanto apenas ser humano, morre cedo, mas como deus pode realizar o que não é permitido, o sobre-humano, pode cometer o incesto mágico e com isto alcançar a imortalidade. Em muitos mitos o herói não morre, mas em compensação precisa vencer o dragão da morte. (JUNG, 1995, § 394).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este “morrer cedo” pode ser considerado de forma literal, visto estudos anteriores de&nbsp;<em>puer aeternus</em>, mas também, simbólico: indivíduos que nunca buscaram à autonomia permanecem no&nbsp;<em>uno</em>&nbsp;amedrontados, portanto, não vivem. Não à toa Jung (1995, §315) aponta que “o neurótico que não consegue separar-se da mãe tem boas razões: afinal é o medo da morte que o prende a ela”. Por isso a frase “<strong>Mãe, eu te amo, mas amo ainda mais a minha jornada</strong>” pode parecer dura sob a ótica da contemporaneidade, visto que aí surge o filho ingrato e abandonador, isto é a sombra do “Filho da Mãe”, mas mais do que necessária – preparou Percival para morrer, e, enantiodromicamente, para viver. Se este não abandona, isto é, deixa o bando, ele viverá sempre na sombra materna, acolhido e protegido pelo dragão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leonardo Torres &#8211;&nbsp;Membro Analista em Formação no IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph">REFERÊNCIAS</p>



<p class="wp-block-paragraph">CERVENY, C. M. O; BERTHOUD, C. M. E. Ciclo vital da família brasileira. In: OSORIO, L.C.; VALLE, M.E. Manual de Terapia Familiar.&nbsp;Porto Alegre: Artmed, 2009, p.25-37.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CERVENY, C.M.O; BERTHOUD, C.M.E et al.&nbsp;Família e ciclo vital: nossa realidade em pesquisa. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Der Percevalroman (Li contes del Graal) / von Christian von Troyes&nbsp;; unter benutzung des van Gottfried Baist nachgelassenen Handschriftlichen Materials hrsg. von Alfons Hilka. &#8211; Halle&nbsp;: Max Niemeyer, 1932. &#8211; LIV, 808 p. . Frontespizio. Disponível em:&nbsp;<a href="https://ijep.com.br/artigos/show/maternidade-escolha-ou-obrigacao">https://ijep.com.br/artigos/show/maternidade-escolha-ou-obrigacao</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">ESCHENBACH, Wolfram von e Richard Wagner.&nbsp;Parsifal.&nbsp;Editora Nova Acrópole. Lisboa. 1997.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Geração Canguru: Algumas Tendências que Orientam o Consumo Jovem e Modificam o Ciclo de Vida Familiar Patrícia Aparecida Ferreira, Daniel Carvalho de Rezende y Cléria Donizete da Silva Lourenço&nbsp;<a href="http://www.revistaespacios.com/a11v32n01/11320143.html">http://www.revistaespacios.com/a11v32n01/11320143.html</a>&nbsp;Espacios. Vol. 32 (1) 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG. C. G. Desenvolvimento da Personalidade. Petrópolis: Vozes, 2013.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG. C. G. Mysteruim Coniunctionis 14/2. Petrópolis: Vozes, 2011.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG. C. G. Símbolos da Transformação. Petrópolis: Vozes, 1995.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">NÍCHILE, T. Maternidade: Escolha ou Obrigação? Disponível em: https://ijep.com.br/artigos/show/maternidade-escolha-ou-obrigacao</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paternidade responsável: mais de 5,5 milhões de crianças brasileiras não têm o nome do pai na certidão de nascimento disponível:&nbsp;em:&nbsp;<a href="https://ibdfam.org.br/noticias/7024/Paternidade+respons%C3%A1vel:+mais+de+5,5+milh%C3%B5es+de+crian%C3%A7as+brasileiras+n%C3%A3o+t%C3%AAm+o+nome+do+pai+na+certid%C3%A3o+de+nascimento">https://ibdfam.org.br/noticias/7024/Paternidade+respons%C3%A1vel:+mais+de+5,5+milh%C3%B5es+de+crian%C3%A7as+brasileiras+n%C3%A3o+t%C3%AAm+o+nome+do+pai+na+certid%C3%A3o+de+nascimento</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">LOOMIS, R. S. The Grail : from Celtic myth to Christian symbol.&nbsp;Mythos, 1963.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Leonardo Torres</em></strong></h4>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Adolescência: percurso entre a criança amada e o adulto reconhecido</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/adolescencia-percurso-entre-a-crianca-amada-e-o-adulto-reconhecido/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Dec 2019 19:25:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[pedagogia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vivemos em uma sociedade que passa por constantes mudanças. Pessoas e coisas são cada vez mais descartáveis, aspectos que refletem nas vivências, provocando mudanças de comportamentos. Pais, psicoterapeutas, educadores e todos os envolvidos nas áreas voltadas ao ser humano, ficam perplexos diante do aumento dos índices de suicídio, do uso de entorpecentes, das doenças psicossomáticas [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Vivemos em uma sociedade que passa por constantes mudanças. Pessoas e coisas são cada vez mais descartáveis, aspectos que refletem nas vivências, provocando mudanças de comportamentos. Pais, psicoterapeutas, educadores e todos os envolvidos nas áreas voltadas ao ser humano, ficam perplexos diante do aumento dos índices de suicídio, do uso de entorpecentes, das doenças psicossomáticas e da ingestão de remédios pelos adolescentes. Surgem questões importantes: O que leva um indivíduo a se drogar para viver? &nbsp;&nbsp;Para que tirar a vida? Será um vazio existencial que precisa ser preenchido? Ou quem sabe a ilusão de acabar com o sofrimento? Não basta justificarmos com os porquês, precisamos ir além e compreendermos o sentido dessa triste realidade. Com esse olhar, convido-os para ampliarmos algumas questões, que envolvem o período cíclico da vida, denominado adolescência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A palavra adolescência vem do latim adolescere, que significa crescer. A sua definição varia conforme a cultura em que se vive. Historicamente, o termo adolescência é recente. Ariès nos trouxe essa constatação: “Só se saía da infância ao se sair da dependência” (1981, p.42). Assim, era considerado adulto quem não dependia mais dos seus pais. Da mesma forma, Papalia, Olds &amp; Feldman, 2006 descrevem essa dinâmica e afirmam que no Séc. XX as crianças ocidentais entravam no mundo adulto quando amadureciam fisicamente ou quando definiam a sua vocação. Geralmente saíam de casa cedo, optando pelo casamento e gerando filhos. Hoje a puberdade começa mais cedo e a escolha da profissão tende a ocorrer mais tarde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em termos gerais, existe uma concordância que a&nbsp;adolescência é a&nbsp;fase&nbsp;que marca a transição entre a infância e a vida adulta, que envolve grandes mudanças físicas, cognitivas e psicossociais e dura em torno de 10 anos, iniciando depois dos 10 anos e terminando em torno dos 20 anos.&nbsp;Na sua fase inicial ocorrem várias alterações físicas. Durante o período, continuam ocorrendo as mudanças físicas, acompanhadas de mudanças interiores, que envolvem a aversão ao controle dos pais e a entrada com maior importância dos amigos, resultando em muitos conflitos familiares. Para alguns, são considerados os anos mais difíceis. Na fase final, ocorre a crise da identidade, com o planejamento da vida e a inclusão de maior responsabilidade, culpabilidade definida por lei. Ou seja, a partir deste momento o indivíduo responde legalmente por seus atos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vindo ao encontro, para Jung a personalidade do ser humano é desenvolvida aos poucos:&nbsp;“A personalidade já existe em germe na criança, mas só se desenvolverá aos poucos por meio da vida e no decurso da vida. Sem determinação, inteireza e maturidade não há personalidade”&nbsp;(2013, p. 182).&nbsp;Legião Urbana, com a música “Tempo Perdido”, amplia a realidade que permeia os adolescentes. Por um lado, tudo muito intenso e rápido, em contrapartida uma sensação que eles têm todo o tempo do mundo:&nbsp;<strong>“</strong><strong>Mas tenho muito tempo, temos todo o tempo do mundo (…)&nbsp;Somos tão jovens”.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entre tantas&nbsp;características que marcam a adolescência, podemos citar as mudanças hormonais e glandulares, que influenciam no crescimento do corpo, e as alterações emocionais, que aparecem em forma de raiva, mágoa, tristeza, perda e medo. Nesta fase eles se preocupam com a aparência, pensam de forma abstrata, fazem generalizações, descobrem novas realidades, tornando-se imediatistas e imprevisíveis. É um período em que os amigos tomam grande espaço, participando de grupos e tribos. Questionamentos sobre a vida aparecem e as principais inquietações giram em torno da identidade, testando o mundo e expondo-se a riscos.&nbsp;Para Jung, a adolescência é marcada por transformações:&nbsp;<em>&#8220;</em>O nascimento psíquico e, com ele, a diferenciação consciente em relação aos pais só ocorrem na puberdade, com a irrupção da sexualidade. A mudança fisiológica é acompanhada também de uma revolução espiritual”&nbsp;(2013, p. 347).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Neste sentido, cito mais uma vez a Legião Urbana, que retrata muito bem questões voltadas ao período, com a música “Pais e Filhos”, ouvida e cantada por muitos de nós:&nbsp;<em>&#8220;</em>Sou uma gota d&#8217;água. Sou um grão de areia. Você me diz que seus pais não lhe entendem. Mas você não entende seus pais. Você culpa seus pais por tudo. E isso é absurdo. São crianças como você. O que você vai ser quando você crescer?”</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constituição Brasileira, no artigo 227, assegura a proteção integral à criança e ao adolescente. Igualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990), é um importante instrumento de defesa dos direitos e deveres de crianças e adolescentes, que estão vivendo um período de intenso desenvolvimento físico, psicológico, moral e social. Sabemos que muitos órgãos se envolvem com seriedade para garantir esses direitos e deveres, porém em termos gerais ainda existe muito para fazer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nos consultórios de psicoterapia aparecem diferentes sintomas para serem ressignificados. Um deles é a ausência e/ou a omissão dos pais, muitas vezes compensadas com presentes e outras facilidades. De forma similar, algumas escolas particulares, com alto nível de exigência teórica e pouco olhar para outras dimensões, contribuem para a formação de sintomas. Os adolescentes se sentem desestimulados e incapazes, afetando a sua autoestima e abrindo&nbsp;espaço para doenças psicossomáticas.&nbsp; Para alguns, escolher uma profissão no final do Ensino Médio é angustiante. Igualmente, passarem no vestibular, perceberem que fizeram uma escolha errada e abandonarem o curso em seguida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Deparamo-nos com realidades preocupantes e cada vez mais presentes: adolescentes que tiram suas vidas diante de frustrações. Como não vivenciaram as pequenas frustrações, sentem-se incapazes de lidar&nbsp;com as dores da alma e escolhem morrer. Hillman, em seu livro Suicídio e Alma, auxilia-nos na compreensão da vida e da morte. De fato, diante da possibilidade de suicídio, precisam morrer muitas coisas para o ser humano não se matar. Renato Russo expressou essa realidade com sua voz encantadora:&nbsp;<em>&#8220;</em>Estátuas e cofres. E paredes pintadas. Ninguém sabe o que aconteceu. Ela se jogou da janela do quinto andar. Nada é fácil de entender”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As relações tornaram-se virtuais e a liquidez dos relacionamentos modernos tornaram as pessoas e os objetos descartáveis, realidade que pode ser comparada com a crise de identidade dos adolescentes na busca de um caminho para trilharem com segurança. Lipovetsky (2005), afirma que a sociedade de consumo foi construída sobre as aparências, com o uso desenfreado de bens não duráveis. &nbsp;De forma idêntica, Bauman (2004), nos mostra que a liquidez dos relacionamentos modernos envolve as relações virtuais, que aparentam facilidade e transparência, em detrimento da autenticidade que parece pesada e lenta demais. Para buscar respostas diante das incertezas da vida, podemos digitar uma palavra no Google e aparecem várias possibilidades. As informações disponíveis na internet nem sempre são aplicáveis na vida prática e geralmente causam mais inquietações diante da padronização estabelecida. A angústia continua porque o mundo virtual não conhece nosso campo relacional, não percebe as expressões do nosso corpo que retratam um mal estar na alma e não consegue promover o que mais precisamos: alguém que, de uma forma diferenciada, estabeleça conosco um vínculo de confiança, que nos ouça e que nos dê uma oportunidade de dar voz ao que sentimos. Escutar e dar voz, papel que o psicoterapeuta promove com sabedoria!&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Questões que envolvem a sexualidade também fazem parte das demandas nos consultórios. A iniciação da vida sexual, movida por ansiedade e preocupações, exige esclarecimentos e orientações sobre a existência ou não de disfunções. Troca constante de parceiros, experimentação do prazer com meninos e meninas, em busca da resposta para sua identificação sexual também aparecem como demandas. Depressão, suicídio, ansiedade, distúrbios alimentares e drogas. Símbolos de beleza, insatisfação com o físico, anorexia nervosa e a bulimia nervosa. Uso de objetos cortantes e bebidas alcóolicas. Mundo virtual substituindo relações reais. É o adolescente gritando por ajuda, tão bem interpretado pela Legião Urbana:&nbsp;“Quero colo, vou fugir de casa (&#8230;). Só vou voltar depois das três”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No decorrer dos anos, diferentes autores de diferentes áreas se empenharam nos estudos sobre a adolescência. Edinger (1972), contribui com os conceitos psicológicos de Jung, que nos permite entender o adolescente, principalmente na sua diferenciação em relação aos pais, momento em que os arquétipos do pai e da mãe perdem a predominância. Assim, ocorre a entrada do herói, na interação com o grupo do mesmo sexo, buscando uma identidade própria. Da mesma forma, os arquétipos da anima na psique do menino e do animus na menina, possibilitando o relacionamento e atração pelo sexo, oposto ou até igual à identificação sexual do ego.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para maior compreensão, Erik Erikson propõe a Teoria Psicossocial, envolvendo 8 estágios do desenvolvimento humano, descrevendo a fase dos 12 aos 18 anos como de identidade x confusão. De acordo com Aberastury e Knobel (1983) algumas características são comuns nos adolescentes. Entre elas podemos identificar a busca de si mesmo e da identidade, a tendência grupal, a necessidade de intelectualizar e fantasiar, as crises religiosas, a vivência do tempo, a sexualidade, a atitude social reivindicatória, as condutas contraditórias, a separação progressiva dos pais e as constantes flutuações do humor. Tânia Zagury, educadora e filósofa, contribui com algumas reflexões (2004, p. 45). Para ela, o maior perigo para um jovem não são as drogas: é não crer no futuro e na sociedade em que vive. A falta de esperança pode levar à depressão, ao individualismo, ao consumismo, ao suicídio, à marginalidade e às drogas. Neste processo, é fundamental a integridade dos adultos e atitudes coerentes com seus discursos, que servem de exemplos para eles, que poderão fazer algumas bobagens, mas nada que fira a ética e os valores que aprenderam. Mais importante que satisfazer desejos é ensinar princípios éticos. Adolescentes querem amor, aceitação e respeito. Querem ser ouvidos, protegidos e valorizados!&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo as ideias de Calligares, a nossa sociedade incentiva a cultura da autonomia e da independência. É transmitido a ambição de não repetir a vida dos que o geravam, mas de se destacar, porém precisa seguir as regras sociais e não provocar a violência e a desordem. Sair da adolescência significa ser um adulto desejável e invejável, reconhecido pelas relações amorosas/sexuais e o poder, no campo produtivo, financeiro e social. Por outro lado, ele nos deixa indagações:&nbsp;“Por que se tornar adulto se os adultos querem virar adolescentes? (&#8230;) O dever dos jovens é envelhecer. Suma sabedoria. Mas o que acontece quando a aspiração dos adultos é manifestamente a de rejuvenescer?”&nbsp;(2.000, p.74).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, por sua vez, contribui significativamente e nos alerta sobre aspectos importantes na formação da personalidade:&nbsp;“Os filhos são estimulados&nbsp;para aquelas realizações que os pais jamais conseguiram; a eles são impostas as ambições que os pais nunca realizaram. Tais métodos e ideais produzem monstruosidades na educação (&#8230;) Ninguém pode educar para personalidade se não tiver personalidade”&nbsp;(2013, p. 182).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alguns estudiosos se arriscam, sugerindo alternativas em relação ao que pode auxiliar na educação dos adolescentes. Entre as sugestões apontadas aparece o pertencimento aos grupos de esporte, de música ou religiosos, mas o essencial é que eles se sintam importantes e que saibam que são bons em alguma coisa. A família, independente de como é constituída, tem um papel fundamental, envolvendo-os para realizarem juntos algumas coisas, como passeios, viagens, refeições, entre outros. Vale lembrar que o diálogo, envolvendo uma comunicação assertiva, é uma das melhores opções para resolução de conflitos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante de tantos problemas, a saída criativa é olhar para a angústia, simbolicamente conversar com ela, perceber qual aspecto da vida está gritando por mudanças e permitir que elas ocorram. Olhar para as dores e não encará-las como fim, mas percebê-las como oportunidades, como portas que se abrem para novos sentidos e significados. Entorpecentes e remédios muitas vezes têm a função de&nbsp;“bengalas”, que auxiliam a caminhada, suavizando as dores psíquicas, porém não promovendo a cura da alma. E mais uma vez trago a contribuição de Jung que traduz com sabedoria as reflexões sobre a adolescência:&nbsp;“Somente o outono revela o que a primavera produziu, e somente a tarde manifesta o que a manhã iniciou”&nbsp;(2013, p. 183). Ele complementa:&nbsp;“Somente será possível que alguém se decida por seu próprio caminho, se esse caminho for considerado o melhor”&nbsp;(2013, p. 185). E a caminhada não precisa ser dolorida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Culmino minhas ampliações com mais um trecho da música Pais e Filhos, cantada com a voz marcante de Renato Russo, que permite compreendermos o amor como essência na adolescência e em todas as fases da vida:&nbsp;“É preciso amar as pessoas. Como se não houvesse amanhã. Por que se você parar pra pensar. Na verdade não há”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Claci Maria Strieder, Pedagoga, Psicóloga, Especialista em Psicossomática e Psicologia Junguiana, Analista em formação pelo IJEP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Brasília/DF &#8211;  Contato: (61) 99951.0003 &#8211; <a href="mailto:clacims@gmail.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener">clacims@gmail.com</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Leituras de apoio:</p>



<p class="wp-block-paragraph">ABERASTURY, A. KNOBEL, M. Adolescência normal: um enfoque psicanalítico. 3ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1983.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ARIÉS, P.&nbsp;<em>História social da criança e da família</em>. 2ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CALLIGARES, Contardo. A adolescência. São Paulo: Publifolha, 2000.</p>



<p class="wp-block-paragraph">EDINGER, E. Ego e arquétipo: Uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos fundamentais de Jung. Cultrix, São Paulo: 1972.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ERIKSON, E. H. O ciclo de vida completo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HILLMAN J.&nbsp; Suicídio e alma. Petrópolis: Vozes; 1993.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique. 10ª edição. Petrópolis. Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">________________O desenvolvimento da personalidade. 14ª edição. Petrópolis. Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia de Letras, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAPALIA, D. E., OLDS, S. W., &amp; FELDMAN, R. D. (2006). Desenvolvimento humano (8ª ed.). Porto Alegre: Artmed.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZAGURY, Tania. Os direitos dos pais: construindo cidadãos em tempos de crise. 6ª edição. Record, Rio de Janeiro, 2004.</p>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-claci-maria-strieder"><strong><em>Claci Maria Strieder</em></strong></h4>
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		<title>Educar crianças: um desafio que envolve diferentes olhares</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/educar-criancas-um-desafio-que-envolve-diferentes-olhares/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jul 2019 19:33:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Sociabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[Educar Crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[pedagogia]]></category>
		<category><![CDATA[Psique infantil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pais, professores, psicólogos e tantos outros profissionais, desafiados a serem competentes, envolvem-se na mesma questão: como educar? Não existe uma receita pronta que possa gerar resultados eficientes em todas as realidades. O ser humano é complexo e na perspectiva junguiana, somos seres humanos únicos, integrais e compreendidos pelas dimensões física, emocional, mental, espiritual e social. [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Pais, professores, psicólogos e tantos outros profissionais, desafiados a serem competentes, envolvem-se na mesma questão: como educar? Não existe uma receita pronta que possa gerar resultados eficientes em todas as realidades. O ser humano é complexo e na perspectiva junguiana, somos seres humanos únicos, integrais e compreendidos pelas dimensões física, emocional, mental, espiritual e social. Em outras palavras, o que funciona bem com um indivíduo, pode não ter eficácia com outro e também envolve outra questão importante, a de educar o educador. Segundo Jung, &#8220;todo nosso problema educacional tem orientação falha: vê apenas a criança que deve ser educada, e deixa de considerar a carência de educação no educador que educa&#8221; (2013, p. 180). Com isso, Jung nos deixou a possibilidade de refletirmos sobre o adulto que traz dentro de si uma criança oculta, que precisa de cuidado permanente. A família e a escola podem contribuir para a formação emocional dos indivíduos!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Precisamos de espaços que educam e ambientes acolhedores que incentivem o desenvolvimento de todas as dimensões, que permitam a promoção do autoconhecimento, da escuta ativa, do incentivo ao espírito de descoberta, de escolhas responsáveis, de cidadania, de consciência ambiental e social, entre outros. E para ser protagonista, a criança precisa ser valorizada e incentivada a expressar pensamentos, sentimentos e necessidades. Assim sendo, poderá participar dos diferentes contextos de forma ativa, e não apenas seguir regras prontas. O grande dilema é como fazer para que isso aconteça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde cedo, participei de estudos e vivências, que possibilitaram maior compreensão dos aspectos relacionados ao educar crianças. Há muitos anos atuo na Educação Infantil e como professora, tendo exercido diferentes funções na área da Educação, percebi ao longo dos anos as mudanças significativas que ocorreram na sociedade, resultando em mudanças de padrões, comportamentos e atitudes, nas famílias e nas escolas, primeiras classes sociais que a criança faz parte. Da mesma forma, participei ativamente da educação dos meus filhos e aprofundei meus estudos no campo da Psicologia, caminhada longa, com acertos e erros, que me permitem fazer algumas reflexões. &nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, percebo que um dos problemas na educação das crianças gira em torno de dois pólos opostos: ausência ou excesso de proteção, que na psicologia analítica junguiana, podemos denominar de processo de enantiodromia. Para tanto, é necessário buscar saídas criativas e estabelecer a harmonia entre os dois pólos, pois a ausência pode gerar a sensação de abandono. Em contrapartida, excesso de proteção pode gerar insegurança. Duas emoções que podem gerar conflitos internos e quando mobilizadas e vivenciadas com intensidade, resultam em doenças nas diferentes dimensões, sendo muito comum serem diagnosticadas e medicadas como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), o TOD (Transtorno Opositivo Desafiador) e outros quadros descritos no DSM V.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os remédios estão cada vez mais presentes na vida das crianças, algumas vezes necessários, mas por outro lado, aparecem no contexto como forma de amenizar sintomas, que muitas vezes se confundem com a ausência de limites e de compensações.&nbsp; No consultório, é comum ouvir as queixas de pais e lidar com as demandas que envolvem o medo de errar e não saber lidar com as diferentes situações na educação dos filhos. E a pergunta clássica que aparece é: &#8220;onde foi que errei?&#8221; Culpas, medos, dificuldades&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vindo ao encontro e para ampliar, podemos citar Jung, que em 1931, fez comentários sobre as consequências patogênicas da vida não vivida dos pais sobre seus filhos: &#8220;Via de regra, o fator que atua psiquicamente de um modo mais intenso sobre a criança é a vida que os pais não viveram. Essa afirmação poderia parecer algo sumária e superficial, sem a seguinte restrição: esta parte da vida a que nos referimos seria aquela que os pais poderiam ter vivido&#8221; (2015, p.121). Percebe-se que no dia a dia muitos pais são permissivos, algumas vezes em excesso, por não quererem que os filhos passem pelas mesmas situações e dificuldades que viveram na infância e também para que eles tenham melhores oportunidades de realizarem seus sonhos. &nbsp;As intenções são as melhores possíveis, porém nem sempre assertivas, pois como já mencionei, é o excesso e a falta que podem causar problemas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na psicologia, muitos autores descrevem as etapas que envolvem o desenvolvimento do ser humano.&nbsp; Jung considerou isso uma tarefa por demais de exigente, que envolve a vida psíquica desde o berço até a sepultura, razão pela qual preferiu se ater apenas em certos problemas. Tal complexidade é geradora de conflitos, como podemos perceber em sua fala: &#8220;Queremos que nossa vida seja simples, segura e tranquila, e por isto os problemas são tabus. Queremos certezas e não dúvidas; queremos resultados e não experimentos, sem entretanto nos darmos conta de que as certezas só podem surgir através da dúvida, e os resultados através do experimento. Assim, a negação artificial dos problemas não gera a convicção; pelo contrário, para obtermos a certeza e claridade, precisamos de uma consciência mais ampla e superior&#8230; Sem consciência, não existem problemas&#8221; (2013, p. 343 &#8211; 345). A partir da afirmação de Jung, podemos concluir que um problema é uma oportunidade de dar um novo sentido e significado para os conflitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por um lado, temos consciência que a criança precisa vivenciar limites. Em contrapartida, contribuir para formar limites é um dilema. Envolve dizer sim e não. E qual é a medida? &nbsp;Envolve também o cansaço, o medo de errar, o medo de perder o amor da criança e formas de compensar a ausência. No consultório, deparamo-nos com exemplos típicos de queixas que envolvem cansaço: &#8220;Passo o dia fora trabalhando, quando chego em casa estou cansado, não tenho mais paciência de lidar com meu filho&#8230;&#8221; De forma similar, o medo de perder o amor do filho aparece no contexto: &#8220;Meu filho fica sem a minha presença grande parte do dia&#8230; Vou brigar com ele no pouco tempo em que em que estamos juntos?&#8221; Muito comuns também são os casos de filhos que dormem na mesma cama dos pais desde bebês. Apesar de controvérsias sobre este aspecto, é necessário lembrar que o casal existiu antes do filho e que um espaço seguro para o filho descansar irá contribuir para o desenvolvimento da sua autonomia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conflitos internos que se transformam em práticas permissivas, podem resultar em indivíduos sem limites, com dificuldades de interagirem com os demais. Neste sentido, dizer não é tão importante quanto dizer sim, nas ocasiões e na medida certa. E uma regra básica é priorizar qualidade de convivência. Estar inteiro com o filho em pouco tempo de convivência é mais precioso que estar com ele dia inteiro e não lhe dar a devida atenção. Vindo ao encontro, trago uma mensagem postada em rede social eletrônica sobre a modernidade, que me despertou uma reflexão e em resumo dizia: &#8220;Pagamos caro para os outros cuidarem dos nossos filhos e cada vez mais passeamos com nossos cachorros&#8221;. Não se trata de crítica aos cuidados com os animais, que também merecem&nbsp;&nbsp; nossa atenção, carinho e respeito. Trata-se de refletirmos sobre a terceirização dos cuidados para quem nos damos a vida ou escolhemos educar, talvez pela insegurança, falta de paciência e medo de errar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pertencer à uma família, envolve práticas que compreendem direitos e deveres. Muitas vezes, privamos nossos filhos de uma participação ativa e dinâmica desde cedo, com pequenos afazeres domésticos, graduados de acordo com a idade, que fazem parte do crescimento e envolvem o despertar do sentimento de pertencimento e de responsabilidade. É importante estabelecer combinados e fazer a criança compreender &#8220;para que&#8221; precisam ser cumpridos e lembrar que ela aprende mais com exemplos do que com palavras. São práticas que se aprendem na família e que se ampliam na escola. A escola, por sua vez, contribui para expandir o mundo social da criança, promovendo o conhecimento e o desenvolvimento de habilidades. Neste contexto, algumas vezes aparecem conflitos na resolução de problemas: pais culpam a escola e a escola culpa os pais. O que fazer? Novamente estamos diante de dois pólos opostos. A melhor opção é a família e a escola falarem a mesma linguagem. Tirar a autoridade de uma das instituições é possibilidade de gerar insegurança na criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tanto no meio familiar, quanto no ambiente da escola, é necessário desenvolver o ser humano para lidar com as frustrações, que fazem parte da vida e são importantes para a saúde psíquica. Ajudar o indivíduo a lidar com pequenas frustrações o prepara para lidar com as maiores que surgirão pela vida afora. Hoje, cada vez mais estamos inseridos num mundo individualista, com estilos predominantes e quando ocorrem cisões, os sintomas aparecem em forma de doenças e são medicadas. Muitas vezes, não percebemos o sintoma como oportunidade de ressignificar padrões que nos adoecem. Da mesma forma, o saber esperar, tão importante na estruturação do ser humano, perde-se no imediatismo estimulado pela nossa sociedade. Pessoas e coisas são cada vez mais descartáveis!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra forma de contribuir significativamente para a formação integral da criança é proporcionar para ela vivências de comunicação assertiva. O diálogo, que é a forma ideal de resolução de muitos conflitos, envolve vários aspectos. Para que ele ocorra com assertividade, é necessário que se escolha um ambiente adequado, que se reconheça e valorize primeiro os aspectos positivos da criança, que se efetive olhando em seus olhos, com uso de voz moderada, com o objetivo de encontrar saídas criativas para os padrões extremos. Isso é respeito e amor!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deparamo-nos com as mudanças de estilos e de valores, cada vez mais acelerados, incentivados pela mídia e diferentes meios virtuais. &nbsp;Vivências reais são substituídas por relações virtuais. É comum observarmos crianças de todas as idades manuseando celulares. É a forma que alguns pais encontram para ocuparem seus filhos, por acreditarem que mentes ocupadas e fascinadas com aparelhos eletrônicos não dão trabalho. Dar um celular é mais fácil que proporcionar a vivência de limites! &nbsp;Como consequência, crianças com mentes cada vez mais aceleradas, com dificuldade de centrar atenção no cotidiano e em relacionamentos reais. Vale lembrar que no mundo da tecnologia, utilizam-se todas as técnicas avançadas para despertar e prender a atenção do indivíduo, mas não podemos esquecer que a medida do seu uso somos nós que escolhemos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tecnologia surgiu e tomou uma dimensão grande em nossas vidas. Tem seu lado importante, útil e necessário, porém não pode tomar todo o espaço das relações reais, principalmente dos valores que são passados no espaço sagrado da família, independente da forma que esse espaço é constituído. As consequências refletem nas escolas. Como estas mesmas crianças vão ter estímulos para as aulas expositivas? É necessário lembrar que grande parte das escolas não está equipada com aparelhos de tecnologia atualizados e muitos professores não têm a formação específica para trabalhar com o mundo digital. Não podemos entrar num processo de enantiodromia, ficarmos presos no pólo oposto e afirmar que a tecnologia é a grande culpada de não darmos conta da educação das crianças. A saída criativa é o limite para encontrar a harmonia: nem ausência, nem excesso. E além do mais, dar orientações para seu uso adequado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao caminharmos na história e entrando um pouco mais no contexto escolar, verificamos que os&nbsp;Direitos da Criança&nbsp;foram assegurados na Constituição de 1988, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Marco Legal 13.257, de 2016, específico para crianças de 0-6 anos, assegurando o cuidado integral, um olhar holístico e coletivo, sugerindo o envolvimento de diferentes abordagens e áreas. De forma similar, em 1998, surgiu o Referencial Curricular Nacional, com um novo olhar para a educação: guia de reflexão de cunho educacional sobre objetivos, conteúdos e orientações didáticas para os profissionais da área, respeitando estilos pedagógicos e a diversidade cultural brasileira. Foi um marco que produziu a possibilidade de cada Estado e o Distrito Federal organizarem seus currículos, favorecendo o desenvolvimento das capacidades física, afetiva, cognitiva, ética, estética, de relação interpessoal e inserção social, com orientações para entender a instituição familiar com diferentes modelos em mutação, sujeita a determinações culturais e históricas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mesma época, surgiu o Relatório da Unesco (1999), em que Jacques Debors contribuiu significamente com os&nbsp;Quatro Pilares da Educação, que ao meu ver, envolvem a base da estruturação da educação das crianças: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver.&nbsp;Aprender a aprender, para se beneficiar das oportunidades oferecidas;&nbsp;aprender a fazer&nbsp;para estar apto a enfrentar situações de mudança e agir sobre o meio;&nbsp;aprender a ser&nbsp;para desenvolver a personalidade e responsabilidade pessoal eaprender a viver junto&nbsp;para desenvolver a compreensão do outro e a percepção da interdependência. Ao mesmo tempo, podemos estabelecer uma conexão simbólica entre os quatro pilares e as funções psicológicas de Jung: pensamento, sensação, intuição e sentimento. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, as propostas curriculares estão centradas nos&nbsp;eixos&nbsp;cuidar, educar, brincar e interagir, que se complementam, permeados pelos&nbsp;eixos transversais&nbsp;diversidade, cidadania, sustentabilidade e educação em direitos humanos. São propostas que incluem a singularidade e a diversidade, que ao mesmo tempo envolvem um conjunto de olhares. Para tanto, não existem receitas prontas, mas podemos ampliar a sua compreensão citando a metáfora da montagem de um quebra-cabeça, atividade que as crianças muito apreciam, que para formar o todo é necessário utilizar e encaixar todas as peças. Cada peça representa simbolicamente o olhar das diferentes áreas, que ao serem unidas, alcançam de modo eficaz o resultado almejado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para finalizar, vale lembrar que as necessidades emocionais básicas do ser humano, desde que é gerado e até a sua morte, são o amor e o reconhecimento, que podem ser expressados pelo acolhimento, pela escuta, por olhares e ações diferenciadas e de diversas áreas para o alcance de uma educação integral da criança, consolidada na educação emocional. O limite harmonioso se estabelece na expressão do amor e do reconhecimento!</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Claci Maria Strieder, Pedagoga, Psicóloga, Especialista em Psicossomática e Psicologia Junguiana, Analista em formação pelo Ijep.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;Brasília/DF &#8211;&nbsp; Contato: (61) 99951.0003 &#8211;&nbsp;<a href="mailto:clacims@gmail.com">clacims@gmail.com</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Leituras de apoio:</p>



<p class="wp-block-paragraph">DELORS, J. (org.). Educação um tesouro a descobrir &#8211; Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Editora Cortez, 7ª edição, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DISTRITO FEDERAL. Currículo em Movimento da Educação Básica: Educação Infantil.&nbsp; 2ª Edição. Brasília: SEEDF, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. A natureza da psique. Petrópolis. Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________O desenvolvimento da personalidade. Petrópolis. Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________O livro vermelho &#8211; Liber Novus: edição sem ilustrações. 2ª &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Reimpressão. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil/Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental &#8211; Brasília: MEC/SEF, 1998.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Claci Maria Strieder&nbsp;</em></strong></h4>
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		<title>Vamos refletir sobre a nossa (própria) educação?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/vamos-refletir-sobre-a-nossa-propria-educacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Luiz Balestrini Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Jun 2019 19:17:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=4663</guid>

					<description><![CDATA[<p>Acredito que seja algo óbvio que a situação da educação em nosso país vai de mal a pior. Essa é uma reclamação constante de praticamente todas as camadas da sociedade que, embora por motivos diferentes, acreditam que investir numa educação de qualidade é o caminho para a construção de um futuro melhor para o país. [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Acredito que seja algo óbvio que a situação da educação em nosso país vai de mal a pior. Essa é uma reclamação constante de praticamente todas as camadas da sociedade que, embora por motivos diferentes, acreditam que investir numa educação de qualidade é o caminho para a construção de um futuro melhor para o país. Porém, acredito que a pergunta central que devemos fazer é: o que é educação de qualidade? Lendo o&nbsp;Desenvolvimento da Personalidade&nbsp;de Jung me deparei com a seguinte passagem:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Quanto mais débil é a consciência do &#8220;eu&#8221;, tanto menos importa considerar quem propriamente foi afetado, e igualmente tanto menos está o indivíduo em condição de proteger-se contra o contágio geral. Esta proteção apenas poderia ser atenuante se alguém fosse capaz de dizer: &#8220;Tu é que estás excitado ou furioso, e não eu, pois eu não sou tu&#8221;.&#8221; (JUNG, OC, Vol. XVII p. 83)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A afirmação de Jung é extremamente atual e aponta diretamente para um comportamento que podemos observar acontecer com certa frequência na nossa sociedade: a dificuldade do ser humano de se diferenciar da massa. Esse problema se apresenta de maneira circular. Não será possível ao indivíduo aceitar o outro, respeitar o diferente, se ele não consegue diferenciar a si mesmo. Sem saber o que é verdadeiramente seu, projeta no outro suas frustrações inconscientes. Por um lado, isso pode gerar uma identificação com uma população específica que concorda com seus pensamentos, e por outro pode causar conflitos, muitas vezes violentos, com quem pensa diferente. Cria-se assim um círculo vicioso no qual o indivíduo não sabe quem ele é de verdade e assim não consegue aceitar que o outro seja diferente. Na afirmação acima Jung estava exemplificando para explicar como a criança, ainda vivendo a&nbsp;participation mystique, ou seja, sofrendo influência direta do inconsciente do grupo de adultos onde está inserida, se sente. Mais adiante no texto ele irá dizer:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Em geral se acentua muito pouco quão importante é para a criança a vida que os pais levam, pois o que atua sobre as crianças são os fatos e não as palavras. &#8221; (JUNG, OC, Vol. XVII, p.84)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ou seja, as crianças aprendem muito mais com as atitudes dos pais do que com o que estes acham por direito impor aos filhos através das palavras. E não estamos falando aqui somente das atitudes conscientes, mas principalmente do que está velado, escondido e/ou negado no inconsciente dos pais e responsáveis pela educação dessas crianças. Jung afirma também que os professores são tão responsáveis pela verdadeira educação das crianças quanto os pais: a escola caracteriza o primeiro ambiente que substitui a casa e a família. É extremamente importante que a crianças encontrem nesse ambiente figuras que influenciem o desenvolvimento total de suas personalidades e não somente os bombardeiem com informação atrás de informação. É importante então que os professores desenvolvam, além de suas atividades docentes, a sua própria e constante educação para servir de exemplo às crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Tal atitude não pode ser obtida artificialmente, mesmo com toda a boa vontade, mas somente se realiza de modo natural, à medida que o professor procura simplesmente cumprir seu dever como homem e cidadão. É preciso que ele mesmo seja uma pessoa correta e sadia; o bom exemplo é o melhor método de ensino. Por mais perfeito que seja o método, de nada adiantará se a pessoa que o executa não se encontrar acima dele em virtude do valor de sua personalidade. &#8221; (JUNG, OC,Vol. XVII, p. 107a)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muito se fala do quanto precisamos investir mais em educação, porém essa análise é baseada na maioria das vezes em números e gráficos que não representam de maneira alguma o principal problema da educação em nosso país. Estamos vivendo uma bola de neve da deseducação e a juventude está sendo atropelada e engolida por essa avalanche. O problema não está somente nos números, nos baixos salários dos professores, na falta de verba para equipamentos e no absurdo que é faltar merenda para as crianças nas escolas (ou em qualquer outro lugar, obviamente). É claro que todos esses fatores influenciam diretamente e agravam o problema em grau altíssimo. Porém, assistindo ao documentário&nbsp;Nunca me sonharam&nbsp;que fala sobre os problemas enfrentados pelos alunos da rede pública de algumas das principais cidades do país, podemos fazer uma reflexão acerca do problema que ultrapassa as questões financeiras e burocráticas. O filme, em determinado momento, mostra claramente como a falta de sonhos de um futuro melhor dos pais, responsáveis, professores, ou seja, de todos os educadores, está afetando a capacidade de sonhar dos jovens e crianças que estão sob a influência desses adultos. Sem um referencial para aprender a sonhar, será muito difícil que esses jovens construam uma realidade diferente para si mesmos e para suas futuras famílias. Como será possível aos pais, responsáveis, professores e quaisquer outros adultos envolvidos na formação dessas crianças sonharem qualquer futuro para elas se eles mesmos nunca foram sonhados por seus próprios pais e responsáveis? Como sonhar o outro se não se sabe sonhar a si mesmo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas crianças se tornarão adultos desprovidos de capacidade de diferenciar-se do grupo, da massa. Nunca pensarão por si mesmos, apenas seguirão a correnteza sem nenhum poder de reflexão fazendo aquilo que a massa ditar. Agindo exatamente com o grupo age ou ordena.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dei destaque até agora para os alunos da rede pública, porém também é preciso pensar em como a deseducação também acontece nas escolas privadas. Por motivos e causas diferentes, essas crianças ditas privilegiadas, se tornarão indivíduos afastados da reflexão e da dúvida, sendo estas condições essenciais para o desenvolvimento de pensamento crítico. As escolas privadas se preocupam, em sua maioria, com resultados apenas. O importante para elas são os números! Os alunos irão aprender somente a produzir e a obedecer e não a fantasiar e sonhar. De maneira alguma devemos pensar que uma coisa é mais importante do que outra. O ser humano que somente fantasia terá tantos problemas de desequilíbrio psíquico quanto aquele que só produz, e a causa está exatamente no desequilíbrio das duas atitudes. Cada uma deveria ter espaço para acontecer no comportamento humano, porém a sociedade atual reforça o comportamento produtivo muito mais do que o criativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda estamos escravos da razão, do concretismo e do materialismo e isso está enraizado no nosso sistema educacional. O capitalismo desenfreado, o desejo de consumo, a energia voltada inteiramente para o objeto produzirá seres unilateralizados que no máximo serão capazes de viver a vida não vivida dos pais, porque estes últimos pelo menos tiveram sonhos para si mesmos e os projetaram em sua prole. Essas crianças, quando adultos, esquecerão seus sonhos, trocarão suas fantasias pela estabilidade financeira, pelo comodismo e pelo modismo. Sua libido estará assim totalmente voltada para fora, para o objeto. A introversão se perde e com ela a chance do encontro com si mesmo. Se as crianças de hoje são privadas de sonhos e aspirações, o que será das próximas gerações? Não terão nem como herança o desejo inconsciente de realizar o que os pais não puderam?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos hoje a cultura da informação superficial contrária a uma busca pelo aprofundamento. Apesar de todas as possibilidades de ampliação de conteúdos que o mundo virtual nos oferece, a maioria de nós se preocupa somente em compartilhar bobagens nas redes sociais, divulgar notícias sensacionalistas que normalmente não são de origens confiáveis. A educação baseada somente na informação produz indivíduos desprovidos de reflexão e espiritualidade. É preciso semear a reflexão!</p>



<p class="wp-block-paragraph">A situação atual da nossa sociedade, o comportamento reativo e as reações violentas e exageradas frente ao diferente e ao desacordo que observamos nas notícias e algumas vezes até em pessoas próximas de nós, já é resultado dessa educação que não preza pela reflexão. O adulto de hoje acredita que sua educação acaba quando ele atinge certa idade ou certo grau de escolaridade. A partir daí acha que não é preciso mais estudar, não é preciso mais pensar. Está pronto para o mercado de trabalho, está pronto para se tornar mais uma peça na engrenagem do sistema e fazer sua contribuição para no nosso&nbsp;belo&nbsp;quadro social (parafraseando Raul Seixas). Quando na verdade o caminho do autoconhecimento exige estudo constante, de si e da sociedade. Nosso sistema educacional forma então indivíduos sem poder de reflexão, afastados de si mesmos que não conseguem nem entender os seus próprios desejos. Nesse interim, uma camada muito estreita da sociedade se beneficia da ignorância generalizada do povo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;E para onde conduzem tais desejos confusos, mostram aqueles países em que os chefes de governo conseguiram usurpar os poderes paternos por meio de hábeis manipulações das esperanças infantis da massa sugestionável. Daí resulta que o empobrecimento espiritual, o aparvalhamento e a degeneração moral vêm substituir o entusiasmo anterior em estabelecer metas espirituais e morais, gerando desse modo a psicose das massas, que somente poderá terminar em catástrofe. &#8221; (JUNG, OC Vol. XVII, p.159)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabendo que a situação da educação em nosso país já é bem ruim, e sem querer ser pessimista, acho que ainda cabe a pergunta: já estamos nessa catástrofe? Ou ainda há mais por vir?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o principal aqui é perceber que qualquer que seja a resposta a essa pergunta, é preciso agir! Seja de forma social, familiar ou individual, é preciso investir numa educação de si e do próximo que contemple a reflexão. E respondendo à questão proposta no início do texto, educação de qualidade engloba pais, responsáveis, professores, diretores e todos aqueles que tiverem qualquer convívio com as crianças num esforço para ensinar conteúdos também, mas acima de tudo valores éticos e poder de reflexão através de suas próprias atitudes cotidianas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">*A foto é reprodução de uma cena do filme&nbsp;The Wall&nbsp;de 1982 da banda Pink Floyd.</p>



<p class="wp-block-paragraph">*Jose Luiz Balestrini Junior, ser humano, psicólogo, analista junguiano em formação pelo IJEP e Sifu (mestre) de Kung Fu, e-mail:&nbsp;<a href="mailto:balestrini@lungfu.com.br">balestrini@lungfu.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Atende e dá aulas na Zona Sul de São Paulo. Consultório: 11-98207-7766</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G., O desenvolvimento da personalidade (OC; Vol. XVII). Petrópolis: Vozes. (2013)</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Jose Luiz Balestrini Junior&nbsp;</em></strong></h4>
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