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	<title>Arquivos Geriatria - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos Geriatria - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Crise da meia idade feminina – rainha ou bruxa?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/crise-da-meia-idade-feminina-rainha-ou-bruxa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 19:10:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Complexo Materno]]></category>
		<category><![CDATA[Felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Geriatria]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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		<category><![CDATA[maturidade]]></category>
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		<category><![CDATA[psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A menopausa e o envelhecer pode ser uma grande oportunidade de transcender porque “Ser jovem e belo é um golpe de sorte genético, ser velho e belo é uma obra de arte, cujo artista é você mesmo.”</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><br>“Ser jovem e belo é um golpe de sorte genético, ser velho e belo é uma obra de arte, cujo artista é você mesmo.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Waldemar Magaldi</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mulher, bem diferente dos homens, devido sua estrutura ginecológica e hormonal, é acometida por dois momentos significativos de iniciação, que deveriam remetê-la a vivencia dos antigos rituais de passagens. Aliás, creio que a sociedade contemporânea está, cada vez mais, dessacralizada e distante dos ritmos e ritos que serviam para marcar os momentos de início e, consequentemente, de término de determinadas e importantes fases da vida. O primeiro momento é a crise que estabelece a passagem da menina para a adolescente, que acontece na menarca ou primeira menstruação, que ocorre, em média, dois anos após os primeiros sinais da puberdade. O segundo momento, após a menacme, que é o período onde a mulher permanece fértil, é o da menopausa, caracterizado pela última menstruação, passando pelo período do climatério que pontua a transição do fim da sua fase reprodutiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por volta dos 45 anos de idade, acontecem muitas transformações, transições e crises na vida da maioria das pessoas, principalmente por conta da metanóia, época em que ocorrem transformações fundamentais no pensamento e no caráter dos indivíduos, devido às novas demandas e pela busca de novo sentido e significado existencial. No caso das mulheres, outros aspectos somam-se às mudanças hormonais e corporais, incluindo transformações da estrutura familiar, com a saída dos filhos, e desejos de se sentirem produtivas, pertencentes, entre outras demandas. A consequência desse momento, quando não existe uma atitude consciente e diligente diante desta crise, é o surgimento de uma infinidade de transtornos e queixas físicas, psíquicas e afetivas presentes nos consultórios dos profissionais de saúde, acompanhadas de excessos comportamentais envolvendo temáticas com vários tipos de dependências, abusos ou compulsões, depressões e muitos transtornos ginecológicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante deixamos claro que toda crise pode ser uma oportunidade. Ou seja, dependendo da maneira que a pessoa enfrentar a mudança surgirá resultados muito distintos, dos mais positivos até os mais negativos, construtivos ou destrutivos, prazerosos ou dolorosos. Enfim, os resultados dependerão do estado de consciência e de autoconhecimento de cada pessoa. É neste sentido que as mulheres, na crise da meia idade, podem escolher conscientemente se irão assumir, em suas novas personalidades, mais aspectos da imagem arquetípica da bruxa ou da rainha. A bruxa tem um perfil de personalidade histriônica, impaciente, ressecada e rígida, com desejos de vingança e poder, devido seus sentimentos de exclusão e de infertilidade. A rainha, por sua vez, exercerá sua autonomia com liberdade e criatividade, pois ela sabe que pode reinar e gerir livremente a sua vida, principalmente agora que se libertou das regras ou dos incômodos menstruais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, para que a mulher da meia idade assuma sua dimensão rainha, ela não pode ficar identificada exclusivamente com as imagens arquetípicas das deusas Hera, Demeter ou Perséfone, respectivamente representadas pela: esposa, mãe ou filha – atribuições unilaterais ainda impostas pela nossa atual sociedade patriarcal, patrimonialista e machista. Da mesma forma, não pode negar ou contrapor essas funções, indo para o extremo oposto, ficando desfeminilizada, assumindo características mais competitivas, testosteronicas e masculinas. Porém, infelizmente, o que mais notamos é que a maioria das mulheres acaba ficando aprisionada em um conjunto de papeis, empobrecendo suas vidas e sofrendo o ressecamento de toda sua potencialidade integrativa e criativa. Com isso, desenvolvem uma infinidade de sintomas de adoecimento que, para serem curados, necessitam de uma integração de cuidados que vão desde as intervenções, químicas ou cirúrgicas, até um profundo processo de autoconhecimento. Só assim elas poderão, conscientemente, assumirem seus papeis de rainhas, transcendendo evolutivamente a crise da meia idade, reconhecendo que a bruxa, geralmente, é a fada que foi ou se sentiu excluída de algum contexto existencial. Concluo deixando explícito que toda mulher, na sua essência imanente, deseja liberdade e autonomia para estabelecer seus vínculos e até sua maternagem, que pode ser exercida em qualquer situação, independente da filiação biológica ou adotiva, pois o potencial materno e criativo é preponderantemente feminino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WALDEMAR MAGALDI FILHO&nbsp;é psicólogo, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática e Homeopatia.&nbsp; Mestre e doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: “Dinheiro, Saúde e Sagrado”.&nbsp; Fundador e coordenador dos cursos do IJEP – Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (<a href="http://www.waldemarmagaldi.com/">www.ijep.com.br</a>).</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O esquecimento e a demência: as relações com o estresse e modo de vida.</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-esquecimento-e-a-demencia-as-relacoes-com-o-estresse-e-modo-de-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ivone Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Dec 2021 11:41:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Geriatria]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicopatologia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nosso artigo refere-se aos esquecimentos, que muitas vezes possam parecer sem importância, mas que podem ser um sinal de possível quadro de demência. Quais os cuidados que deve-se ter antes de classificá-las de dementes , os sinais que devem ser investigados para um melhor tratamento e seguimento dessas pessoas. Muitas vezes esses quadros de esquecimento, estão relacionados ao estresse, excesso trabalho, perda sentido vida.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://www.ijep.com.br/img/artigos/artigo_263.jpeg" alt="O esquecimento e a demência: as relações com o estresse e modo de vida. Psicologia Junguiana" width="721" height="541"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">“A psique e o corpo funcionam juntos de maneira poderosa para curar a alma em sofrimento, ou resgatá-la de situações intoleráveis”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ashok Bedi, M.D</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem numa conversa não se esqueceu de repente do que iria falar ou quando na busca de algo em outro ambiente em sua casa, se esquece do que iria buscar, ou ainda dando uma aula, tem uma questão que&nbsp;é&nbsp;importante e sente um branco. Correspondem a momentos que perdemos o contato temporariamente com o que estamos fazendo. Falhas temporárias, esquecimentos que passam despercebidos e muitas vezes não nos preocupamos, e deixamos passar.&nbsp; As vezes pode ser um sinal, de que nosso sistema nervoso central, possa estar entrando em colapso, por um momento estressante de nossas vidas, problemas afetivos, grande exigência do meio social ou ainda alteração orgânica e funcional. Apesar de aparecer em qualquer idade, as vezes há&nbsp;preocupação de ser o indício de um estado demencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frequentemente o envelhecimento está&nbsp;associado a dificuldades de memória e&nbsp;à&nbsp;lentidão de raciocínio. Observa-se que os idosos têm dificuldades em lembrar e compreender situações novas, quando apresentadas rapidamente, mas em contrapartida superam os jovens em raciocínios que exigem maior&nbsp;“sabedoria”. (Parente, Taussik, 2002).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O envelhecimento&nbsp;é&nbsp;inevitável e está&nbsp;ligado a diferentes fatores, como: econômicos, culturais, tecnológicos entre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) (<em>WHO</em>, p.25, 2015), o envelhecimento constitui um fenômeno de mudanças complexas, não são lineares e nem consistentes e, portanto, são fracamente associadas com a idade em anos. Isso quer dizer que os mecanismos do envelhecimento são incertos e influenciados pelo ambiente e o comportamento de cada indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A demência não afeta somente o indivíduo, acaba afetando a vida de todos ao seu redor, a partir disso&nbsp;é&nbsp;considerada um problema de saúde pública, justamente pelo comprometimento do indivíduo e alteração na vida de seus familiares, sendo um fardo econômico para as famílias e nações. (OMS) (WHO, 2012).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A memória seria essa capacidade de registrar, manter e evocar as experiências e os fatos já&nbsp;ocorridos. (Dalgalarrondo, p. 137, 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa possibilidade de nos reconheceremos no presente, de saber onde estamos, quem somos, o que fazemos, com quem nos relacionamos, isto&nbsp;é, ter uma história de vida, corresponde a todas as experiencias de vida vivida, faz parte da nossa memória. (Jung, p. 283, 2013). Segundo Jung sem a consciência não conseguiremos nos relacionar com o mundo. Nós vemos, ouvimos, apalpamos, e cheiramos o mundo, através dos&nbsp;órgãos dos sentidos e a partir daí&nbsp;temos consciência do que ocorre ao nosso redor. Essas percepções sensoriais, nos diz o que está&nbsp;fora de nós, mas não nos dizem o que isto seja em si. Esta tarefa faz parte da apercepção, que consiste em um complexo processo psíquico sensorial, onde há&nbsp;cooperação de diversos processos psíquicos.&nbsp; (Jung, p.284, 2013)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Neuropsicologia tem demonstrado que a crença de que o envelhecimento constitui um período de declínio inevitável está&nbsp;sendo atualmente desafiada, considerando o aumento de sujeitos que envelhecem não apenas de forma ativa e independente como também de forma criativa. (M Parente, I Taussik, 2002)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Dalgalarrondo (p. 137, 2008) há&nbsp;quatro tipos de memória:&nbsp;<strong>mem</strong><strong>ó</strong><strong>ria cognitiva</strong>&nbsp;–&nbsp;habilidade do indivíduo de registrar, conservar e evocar elementos obtidos através de experiências;<strong>&nbsp;mem</strong><strong>ó</strong><strong>ria gen</strong><strong>é</strong><strong>tica</strong>, seria&nbsp; a carga genética transmitida pelos seres vivos ao longo da evolução filogenética das espécies<strong>; mem</strong><strong>ó</strong><strong>ria imunol</strong><strong>ó</strong><strong>gica</strong>, informações registradas e potencialmente recuperáveis pelo sistema imunológico de um ser vivo;&nbsp;<strong>mem</strong><strong>ó</strong><strong>ria coletiva ou cultural</strong>, corresponde aos costumes, valores e práticas culturais geradas e passadas para um grupo social. Há&nbsp;uma diferença em relação ao tempo, ou seja, a memória imediata ou de curto prazo (poucos segundos de 1 a 3), memória recentes (de poucos minutos até&nbsp;3 ou 6 horas) e memória remota ou de longo prazo (meses ou anos).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O déficit cognitivo leve apresenta um conjunto de síndromes associadas, ou seja, queixa de falhas mnésicas (confirmadas por pessoas próximas) sem interferência nas atividades do dia a dia. Esses distúrbios não apresentam confusão mental, lesão cerebral orgânica, distúrbios psiquiátricos ou uso de drogas psiquiátricas., mas diferente da Demência, observa-se um comprometimento cognitivo geral que resulta em um declínio funcional. (Ritchie&nbsp;<em>et al,</em>&nbsp;2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Alzheimer’s Disease International (p. 8, 2009) há&nbsp;uma projeção para 115 milhões em 2050. Esse aumento afetará&nbsp;os países em desenvolvimento, ou seja, 36 milhões de pessoas vivendo com demência em algum lugar do mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há&nbsp;diferentes síndromes demenciais devido as perdas de múltiplas habilidades cognitivas funcionais, sem falar nos aspectos clínicos, segundo Dalgolarrondo (p. 376, 2008): perda memória (principalmente recente), alterações da linguagem, da compreensão dos problemas, prejuízos na aprendizagem e julgamento, alteração das funções executivas relacionadas ao lobo frontal, como o prejuízo na capacidade de planejamento e monitorização de atos complexos, queda da fluência verba, perda da flexibilidade cognitiva, dificuldade pensamento abstrato, alteração da personalidade, com a perda de hábitos sociais mais refinados e do controle emocional, além do descuido com a higiene pessoal e alimentação, o progredir da síndrome&nbsp;é&nbsp;silencioso, progressivo e muitas vezes irreversível, mas existem algumas formas tratáveis e reversíveis de demência, a síndrome demencial acarreta alterações no tecido cerebral, de forma difusa, crônica e geralmente progressiva, geralmente o indivíduo está&nbsp;desperto, vigilante, mas as vezes pode ocorrer momentos de delírio,&nbsp; podendo&nbsp; ocorrer aparecimento de sintomas psicológicos associados, com ideias paranoicas, depressão, ansiedade, delírios, alucinações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A patologia que não se manifesta claramente&nbsp;é&nbsp;a degeneração do sistema nervoso central e os subtipos de demência compreendem a D. Alzheimer, demência vascular, demência dos corpos de Lewy e demência frontotemporal. (Ritchie&nbsp;<em>et al</em>, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da degeneração há várias causas relacionadas a demência: medicamentos, alcoolismo, neoplasias, desnutrição, hipotireoidismo, hipocalcemia, traumatismos cranianos, infeções (HIV), inflamações, hemorragia cerebral e outras. (Gil, R; p. 231, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As primeiras queixas de pessoas com doença do espectro de Alzheimer são geralmente problemas cognitivos, como planejamento e julgamento, perdas de memória. Essas queixas podem levar ao diagnóstico de Comportamento Cognitivo Leve (Mild Cognitive Impairment ou MCI), se houver testes que revelem uma evidência objetiva de alteração no comportamento cognitivo. Esse diagnóstico&nbsp;é&nbsp;importante para diferenciar essa população de um grupo com comprometimento cognitivo subjetivo, p.ex. queixas de perda de memória, sem serem detectados em testes neuropsicológicos provavelmente sem alterações degenerativas. MCI consiste numa condição heterogênea com pouco valor prognóstico. Esse comprometimento pode ter quatro desfechos; progressão para D. Alzheimer; progressão para outra demência; manter MCI estabilizado; recuperação. (Ritchie e<em>t al</em>, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Vetersen comenta que muitos das características do conceito de MCI estão presentes no DSM-5 (APA, p. 591, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob o nome de Transtornos Neurocognitivos Leves, isto quer dizer que existe a possibilidade de que esse estado seja consequência ou associação a transtornos mentais, p.ex. transtorno depressivo maior, esquizofrenia, isolamento social ou mesmo um declínio cognitivo negligenciado em decorrência de envelhecimento e baixo nível cultural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A função da consciência&nbsp;é&nbsp;reconhecer e assumir o mundo exterior, através dos&nbsp;órgãos do sentido e traduzir criativamente o mundo exterior para a realidade visível. (Jung, p. 103, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conhecimento sobre o indivíduo, necessita um olhar mais cuidadoso sobre seu mundo interno, sua alma e suas relações com o meio ambiente, social, cultural, suas crenças, medos e experiencias de vida, antes de rotular-se aquele que nos procura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Várias pesquisas demonstram que o exercício físico em idosos promovem benefícios em relação a qualidade de vida e a autoestima. (Silvai,&nbsp;<em>et al</em>, p.65,2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atividade física por si promove mudanças na percepção da pessoa sobre sua idade ocorrendo aumento da sua independência e integração social. Reduz o risco de muitas doenças crônicas em idosos, como as doenças coronarianas, a hipertensão, arterial sistêmica, o diabetes mellitus etc. Também melhora os aspectos emocionais. (Silvai,&nbsp;<em>et al</em>, p.65, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pensando no aspecto cognitivo o exercício físico, a curto prazo, melhora a função cognitiva porque aumenta o fluxo sanguíneo, a oxigenação e a nutrição cerebral; a longo prazo, observa-se aumento da performance cardiorrespiratória com consequente melhora prolongada da oxigenação cerebral, queda do LDL e liberação de fatores antioxidantes que ajudam a retardar a perda cognitiva da lesão cerebral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As famílias e os indivíduos devem se preparar e se planejar para a velhice, mostrando força de vontade e esforço com adoção de uma postura adequada como a prática de atividades saudáveis em todas as fases da vida (alimentação saudável, atividade física etc.).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao falarmos sobre o estresse e as&nbsp;questões&nbsp;de esquecimento, estudos demonstram que a ansiedade&nbsp;é&nbsp;uma das causas de perda de memoria em todas as faixas etárias. A ansiedade faz com que ocorra ativação de inúmeras regiões do cérebro e aumento da atenção e hipervigilância a estímulos ameaçadores, como na tentativa de lembrarmos do nome de determinada pessoa, que se encontra na nossa frente por exemplo. (Parente, Taussik, 2002).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo (Jung, pg 278. 2013), uma lembrança, um afeto, será&nbsp;consciente se tiver relação com o eu. As situações estressantes, como a ansiedade, podem em determinado momento, fazer com que o indivíduo se esqueça de quem&nbsp;é&nbsp;e o que está&nbsp;fazendo, qual a data atual, ou quem ele conhece e perceber sua situação, deixando-o mais nervoso e inseguro. Esses esquecimentos demonstram, como as situações estressantes, podem fazer com que muitas situações vividas se percam em algum lugar na sua psique, tornando-se obscuras e inacessíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No envelhecimento temos que lidar com nosso mundo interior, com as questões do&nbsp;<em>Self,&nbsp;</em>com as camadas do inconsciente pessoal que ainda não foram assimiladas. O envelhecimento psicológico está&nbsp;associado ao esforço pessoal contínuo na busca do autoconhecimento e do sentido da vida. Um olhar mais profundo sobre as experiências&nbsp; vividas , e aprender a esperar sem precisar conquistar, buscar o equilíbrio espiritual como se fosse um alimento para a alma.&nbsp; (Jung, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ivone Ferreira &#8211; Analista em Formação pelo IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph">Didata Responsável: Maria Cristina Mariante Guarnieri</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Refer</strong><strong>ências:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. APA.&nbsp;<strong><em>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders DSM-5.</em></strong>&nbsp;– EUA, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; DALGALARRONDO, P.&nbsp;<strong><em>Psicologia e Semiologia dos transtornos mentais</em></strong>&nbsp;(2ª. ed) &#8211; Brasil: Artmed, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; GIL, R.&nbsp;<strong><em>Neuropsicologia</em></strong>&nbsp;(4ª ed) –&nbsp;Brasil: Santos, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IBGE.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;&nbsp; JUNG, C.G<strong>.&nbsp;</strong><strong><em>A natureza da psique</em></strong>; [Tradução de Mateus Ramalho Rocha].&nbsp;–&nbsp;10. ed.&nbsp;– Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; PARENTE, M.A. de M.P., TAUSSIK, I. Neuropsicologia, distúrbios de memória e esquecimentos benignos.&nbsp;<strong><em>Revista Eletr</em></strong><strong><em>ô</em></strong><strong><em>nica de Jornalismo</em></strong>, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; SILVAI, L.A.dos S.; DIAS, A.K.; GONÇALVES, J.G.; PEREIRA, R.A.; COSTA, R.S.; SILVA, G.O. A IMPORTÂNCIA DA PRÁTICA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS NA TERCEIRA IDADE.&nbsp;<strong><em>Revista Extensão.</em></strong>&nbsp;– Palmas-TO: v.3, n.1, 2019.</p>



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<h4 class="wp-block-heading" id="h-ivone-ferreira-21-12-2021"><strong><em>Ivone Ferreira &#8211; 21/12/2021</em></strong></h4>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sentido para a vida após a aposentadoria</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/sentido-para-a-vida-apos-a-aposentadoria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Caroline Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Nov 2021 13:33:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Geriatria]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[aposentadoria]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=4583</guid>

					<description><![CDATA[<p>Este artigo visa fazermos a reflexão sobre o tema da busca de sentido para a vida após a aposentadoria a fim de obtermos uma melhor compreensão sobre este processo e sobre as dificuldades que alguns indivíduos encontram para lidar com esse momento de transição, segundo a perspectiva da psicologia analítica.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://www.ijep.com.br/img/artigos/artigo_598.jpeg" alt="Sentido para a vida após a aposentadoria Psicologia Junguiana" width="705" height="370"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A aposentadoria é um fenômeno historicamente recente. Teve início na sociedade industrial e sofreu algumas modificações, no decorrer do tempo, com a finalidade de garantir ao trabalhador o direito de se afastar da atividade profissional que exerceu com regularidade durante a vida e continuar recebendo uma remuneração, após ter cumprido as condições estabelecidas pelo direito previdenciário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o crescimento da expectativa de vida da população brasileira, o número de pessoas que adquire a condição legal para aposentar-se teve um aumento significativo, sendo que muitas delas sentem dificuldade em lidar com esse momento de transição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo da aposentadoria é um campo de pesquisa novo na área da psicologia, mas não menos relevante diante da realidade do aumento do percentual de pessoas que estão passando por esse processo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, este artigo visa uma reflexão sobre o tema e uma melhor compreensão sobre as dificuldades que alguns indivíduos encontram para dar sentido à vida durante o processo da aposentadoria, segundo a perspectiva da psicologia analítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vida segue seu percurso na forma de uma parábola composta por várias fases, onde cada uma corresponde a múltiplos aspectos a serem experienciados, visando ao desenvolvimento integral do indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Jung compara o processo do desenvolvimento humano ao percurso da parábola realizada pelo sol, fazendo uma analogia do que ocorre ao meio dia com a metade da vida do indivíduo, ressaltando as inversões dos valores que acontecem a partir deste período.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na visão do autor, na primeira metade da vida o ser humano tem como meta realizar o movimento de crescimento e realização voltado para a adaptação ao mundo exterior. O crescimento é direcionado para lidar com o mundo social. O jovem luta para ser aceito e conquistar&nbsp;um&nbsp;lugar na sociedade, escolhe uma profissão, torna-se um especialista, constrói uma família, dedica-se para adquirir bens materiais e status social, modificando a própria natureza para se adaptar às exigências externas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o objetivo de ser aceito, o sujeito cria uma máscara ou persona para apresentar-se ao mundo externo, através da qual busca adaptar-se às convenções de cunho moral, social, político, filosófico e religioso impostas pela sociedade. Para Magaldi “a persona representa a proteção que uma pessoa usa para confrontar-se com o mundo. A persona está ligada ao status social, à profissão, ao trabalho exercido, à identidade sexual, entre outras formas de reconhecimento social” (MAGALDI, 2009, p. 177). Nesse sentido, a persona apresenta-se como fator positivo que facilita a atuação nos diversos papéis sociais, no decorrer da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a persona também pode se desenvolver de forma patológica, quando o indivíduo fica identificado com o papel desempenhado por ela, pois exclui partes essenciais de sua totalidade. Jung ressalta que “em benefício de uma imagem ideal, à qual o indivíduo aspira moldar-se, sacrifica-se muito da sua humanidade” (JUNG, 2015, p. 46).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Na segunda metade da vida, período a partir do qual o indivíduo tende a atingir o ápice de suas conquistas externas, ocorre uma inversão natural da energia psíquica, visando ao desenvolvimento interior e conscientização das projeções externas, a fim de tornar-se fiel à expressão de sua totalidade. Neste momento, o indivíduo é convidado à introspecção, ao autoconhecimento, aos questionamentos dos antigos valores, à busca do sentido para a vida. Jung esclarece que “a causa fundamental de todas as dificuldades dessa fase de transição é uma mudança singular que se processa nas profundezas da alma” (JUNG, 2013a, p. 352).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre essa mudança, o autor salienta:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entramos totalmente despreparados na segunda metade da vida, e pior do que isto, damos este passo sob a falsa suposição de que nossas verdades e nossos ideais continuarão como dantes. Não podemos viver a tarde da nossa vida segundo o programa da manhã, porque aquilo que era muito na manhã, será pouco na tarde, e o que era verdadeiro na manhã, será falso no entardecer (JUNG, 2013a, p.&nbsp;785).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao entrar no entardecer da vida, faz-se necessário reconhecer a importância das conquistas e experiências vividas na primeira etapa. Contudo, é imprescindível compreender a necessidade de renunciar aos papéis vividos e à identidade da juventude, bem como entender que cada fase possui a sua importância e precisa ser vivida plenamente de acordo com suas demandas peculiares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, viver com entusiasmo é essencial para obter o melhor desenvolvimento em cada fase da vida. Jung ressalta que “o indivíduo deve entregar-se ao caminho com toda a sua energia, pois só diante da sua integridade poderá prosseguir e só ela será uma garantia de que tal caminho não se torne uma aventura absurda” (JUNG, 2017, p. 45).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando que a persona é uma construção psicológica e social adotada pelo indivíduo para um determinado fim, então, ela pode ser dissolvida e reconstruída, de acordo com a necessidade de adaptação no decorrer da vida. &nbsp;No entanto, o indivíduo frequentemente identifica-se com a persona e com os papéis que desempenha durante a vida. Geralmente, quanto mais prestígio oferece um papel, maior é a tendência de o sujeito identificar-se com ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O homem moderno é submetido durante toda a vida às influências da cultura patriarcal, com suas ideologias familiares, éticas, históricas e religiosas e, consequentemente, moldado para atender as expectativas da sociedade e oprimir as características da própria alma. É educado para ser julgado e valorizado pela sua produtividade, negligenciando o mundo interior e acreditando ser o papel que desempenhou durante a vida que foi sua principal fonte de reconhecimento, prestígio e poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, quando chega o momento da aposentadoria, depara-se com a necessidade da mudança e, num instinto natural de resistência, tende a se agarrar aos padrões antigos. Não conseguindo se diferenciar do papel profissional que representou, encontra dificuldades em dar um novo sentido para a vida, mesmo tendo oportunidade de usar seu tempo para atividades que lhe proporcione prazer. Mas como fazer isso, sem ter buscado o autoconhecimento e se preparado ao longo do caminho?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Hollis, a partir da segunda metade da vida, surge a necessidade de responder ao questionamento: “Quem sou eu, além da minha história e dos papéis que representei?” (HOLLIS, 1995, p. 25).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na visão de Santos “o sujeito que investiu no papel profissional de tal forma que ele se tornou a principal ou a única forma de engajamento social, de reconhecimento, de prestígio ou de poder, a aposentadoria será vivida de forma dolorosa e difícil” (SANTOS, 1990, p. 28).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a autora salienta que “se o sujeito construir durante a vida outras fontes de reconhecimento e valorização, a perda do papel profissional e as mudanças que daí decorrem são vividas de forma menos problemática” (SANTOS, 1990, p. 29).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, mesmo passando pelas perdas, o sujeito precisará se adaptar e reorganizar seus papéis. Considerando que, após a aposentadoria, o indivíduo não poderá contar com o papel profissional que lhe serviu de máscara no decorrer de anos, ele será obrigado a olhar para dentro, tomar consciência das características desconhecidas, diferenciar o que é seu do que foi imposto pela socialização, e assim, reconhecer e integrar novos papéis com o objetivo de encontrar sentido para a vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a aposentadoria surge como oportunidade para o indivíduo questionar valores e olhar para dentro de si, a fim de entregar-se ao seu próprio caminho na busca do sentido para a vida e do significado existencial, não apenas com foco na sobrevivência biológica e no valor profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entender o valor do papel profissional na formação da identidade do sujeito é fator fundamental para compreender por que alguns indivíduos apresentam dificuldade em dar sentido à vida após a aposentadoria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assumir a condição de aposentado de forma brusca, sem reflexão e preparação prévia, potencializa a ocorrência de problemas no reposicionamento e no engajamento na estrutura social, e, consequentemente, implicações no plano pessoal. Portanto, torna-se essencial planejar e buscar novas áreas de interesses, incentivando a descoberta de potencialidades não desenvolvidas e o reconhecimento das limitações orgânicas, para que sejam mitigados os conflitos que emergem nessa fase da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O momento da aposentadoria, como foi explicitado, geralmente coincide com a maturidade psicológica, reunindo características psíquicas peculiares dessa fase.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Jung:</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tarde da vida deve ter também um significado e uma finalidade próprios, e não pode ser apenas o lastimoso apêndice da manhã da vida. [&#8230;] Quem estende assim a lei da manhã, isto é, o objetivo da natureza, até a tarde da vida, sem necessidade, deve pagar este procedimento com danos à sua alma. [&#8230;] A preocupação em ganhar dinheiro, a existência social, a família, o cuidado com a prole são meras decorrências da natureza, mas não cultura. Esta situa-se para além da esfera dos objetivos da natureza (JUNG, 2013c, p. 356).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deste contexto, podemos inferir que o entardecer da vida torna-se doloroso caso o indivíduo continue preso de maneira regressiva aos objetivos da juventude, como se esse padrão fosse de natureza eterna. O desenvolvimento da cultura que proporciona ao indivíduo a conexão com a alma faz-se necessário nesse momento, a fim de proporcionar, de forma saudável, o encerramento de um ciclo e o início de outro. Assim, o que é importante para o jovem encontrar no mundo externo, a fim de realizar as conquistas necessárias dessa fase, o homem na segunda etapa da vida precisa encontrar dentro de si.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sentido está ligado à conexão com a alma, a desenvolver a vida respeitando o ser. Assim, no momento da aposentadoria, o encontro do sentido é o grande desafio a ser vencido, a fim de obter motivação para continuar a vida. França ressalta que “o projeto de vida pode ser tão importante a ponto de curar, postergar ou estacionar uma doença” (FRANÇA, 1999, p. 23).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se, assim, que a maior dificuldade em encontrar sentido para a vida após a aposentadoria ocorre quando o indivíduo permanece preso ao valor psicossocial e à rotina do papel profissional que executou durante a sua fase laboral. Isso geralmente acontece pela falta de autoconhecimento que dificulta compreender e acolher as diversas facetas do si mesmo e encontrar a melhor forma de transição para essa nova etapa da vida e, também, pela falta de planejamento que, por sua vez, prejudica uma melhor adaptação ao momento em que se encontra o indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O autoconhecimento surge como alternativa para os momentos de passagem, viabilizando o planejamento da nova fase e permitindo um olhar cuidadoso que, por sua vez, possibilita ao indivíduo entrar em contato com aspectos inconscientes, integrando-os à consciência e promovendo a realização possível da personalidade.&nbsp;A conexão com a alma estabelecida pelo autoconhecimento permite descobrir o sentido para a vida de acordo com as peculiaridades do ser no momento em que se encontra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, podemos constatar que o autoconhecimento, atrelado ao planejamento, é essencial para o processo da aposentadoria. Juntos, permitem que seja vislumbrado um caminho para a adaptação do indivíduo à nova realidade, respeitando as demandas da alma e proporcionando a vivência saudável desse novo ciclo da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Caroline Santos Costa – Analista em Formação pelo IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Analista didata – Waldemar Magaldi</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências bibliográficas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANÇA, Lucia Helena de F.P. Preparação para a aposentadoria: desafios a enfrentar. In: VERAS, Renato Peixoto<em>. Terceira idade</em>: alternativas para uma sociedade em transição. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1999. p. 11-34.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, James<em>. A passagem do meio</em>: da miséria ao significado na meia-idade. São Paulo: Paulus, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<em>A natureza da psique</em>. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______.&nbsp;<em>O eu e o inconsciente</em>. 27. ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______.&nbsp;<em>O segredo da flor de ouro</em>: um livro de vida chinês. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI FILHO, Waldemar.&nbsp;<em>Dinheiro, saúde e sagrado</em>: interfaces culturais, econômicas e religiosas à luz da psicologia analítica. 2. ed. São Paulo: Eleva Cultural, 2009.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, Maria de Fátima.&nbsp;<em>Identidade e aposentadoria</em>. São Paulo: Epu, 1990.</p>



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<iframe title="Sentido para a vida após a aposentadoria" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/vyWFqyjLewc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-caroline-santos-costa-16-11-2021"><strong><em>Caroline Santos Costa &#8211; 16/11/2021</em></strong></h4>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/sentido-para-a-vida-apos-a-aposentadoria/">Sentido para a vida após a aposentadoria</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Terceira idade: vida em transcendência</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/terceira-idade-vida-em-transcendencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 19:22:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Geriatria]]></category>
		<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[processo de individuação]]></category>
		<category><![CDATA[terceira idade]]></category>
		<category><![CDATA[Transcendencia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O envelhecimento é um processo que ocorre ao longo da vida, e a velhice é a última fase desse ciclo. Ela ocorre após a fase da maturidade e, de modo geral, entre 65 e 74 anos somos considerados “velhos jovens”, com mais de 75, “velhos” e, com mais de 85, “velhos mais velhos”. Esse percurso [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O envelhecimento é um processo que ocorre ao longo da vida, e a velhice é a última fase desse ciclo. Ela ocorre após a fase da maturidade e, de modo geral, entre 65 e 74 anos somos considerados “velhos jovens”, com mais de 75, “velhos” e, com mais de 85, “velhos mais velhos”. Esse percurso envolve muitas mudanças que podemos denominar de aspectos biopsicossociais e vêm ao encontro do que Jung nos trouxe como analogia do sol:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os cento e oitenta graus de arco de nossa vida podem ser divididos em quatro partes. O primeiro quarto, situado a leste, é a infância, aquele estado sem problemas conscientes, no qual somos um problema para os outros, mas ainda não temos consciência de nossos problemas. Os problemas conscientes ocupam o segundo e terceiro quartos, enquanto no último quarto, na extrema velhice, mergulhamos naquela situação em que, a despeito do estado de nossa consciência, voltamos a ser uma espécie de problema para os outros. A infância e a extrema velhice são totalmente diferentes entre si, mas têm algo em comum: a imersão no processo psíquico inconsciente. (2013, O/C 8/2, p.360).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na terceira idade, podemos mergulhar cada vez mais no inconsciente, permitindo assim que a vida transcenda.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos últimos anos, o número de idosos cresceu e a expectativa de vida aumentou, em função de diferentes fatores. Os sinais de que a velhice está chegando podem ser constatados por algumas características físicas: perda de pigmentação, textura e elasticidade da pele, pelos finos e brancos, diminuição de estatura, rarefação dos ossos e tendência a dormir menos. De forma idêntica, as alterações sociais ocorrem: crise na identidade, mudança de papéis, aposentadoria, perdas diversas, diminuição de contatos sociais e estigmas. Por fim, as alterações psicológicas também podem estar presentes: dificuldade de adaptação aos novos papéis e as perdas orgânicas, alterações psíquicas que exigem tratamento, como depressão, hipocondria, baixa autoimagem e autoestima, entre outros. As alterações citadas não são determinantes e não obedecem rigorosamente à idade cronológica, tendo em vista que o ser humano é integral e único, podendo interferir nos padrões estabelecidos e ressignificar sua vida em qualquer momento. Machado de Assis nos trouxe, em forma de poesia, essa possibilidade: “Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva&#8230;”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesse contexto, aspectos culturais interferem na vida do idoso. Em algumas culturas, principalmente nas orientais, a velhice é sinônimo de sabedoria e respeito. Idosos são cuidados, glorificados, reverenciados, sendo consultados antes das grandes decisões. Infelizmente na nossa cultura nem sempre é assim. Queremos viver muito tempo, mas não queremos ser velhos, porque o ancião tem conotação de fragilidade, incompetência e perda de atratividade. Vários estudos são realizados para compreendermos o envelhecimento e, de acordo com Papalia, D. E., Olds, S. W., &amp; Feldman, R. D., ainda nos deparamos com o preconceito de idade contra pessoas mais velhas, utilizando estereótipos que são baseados em ideias errôneas e que causam danos em diferentes dimensões. Muitos idosos são saudáveis, vigorosos e ativos, sendo que as mudanças físicas variam de pessoa para pessoa, podendo-se evitar os efeitos do envelhecimento que permeiam a doença, o desuso e o abuso do corpo. Os problemas crônicos podem se instaurar, mas não limitam as atividades da vida diária. A depressão e a demência podem ter tratamento adequado. De modo geral, os idosos mostram plasticidade no desempenho cognitivo e declínio no funcionamento da memória. (2006, p. 520).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo Rudolf Steiner, com o olhar da Antroposofia, dos 63 aos 70 anos, a sabedoria predomina e, caso tenha respeitado o ritmo de cada fase, sua luz interior também brilhará. Erik Erikson contribuiu com a psicologia do desenvolvimento, apresentando a última crise – integridade&nbsp;<em>versus</em>&nbsp;desespero &#8211; culminando na virtude da sabedoria, ou aceitação de nossa vida e morte iminente. E Jung colaborou com muitas reflexões, principalmente sobre o sentido e significado da vida:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas não devemos esquecer que só bem pouquíssimas pessoas são artistas da vida, e que a arte de viver é a mais sublime e a mais rara de todas as artes (&#8230;) Assim, quantas coisas na vida não foram vividas por muitas pessoas – muitas vezes até potencialidades que elas não puderam satisfazer, apesar da sua vontade – e assim se aproximam do limiar da velhice com aspirações e desejos irrealizados que automaticamente desviam o seu olhar para o passado. (2013, O/C 8/2, p. 357).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme a Psicologia Analítica, na primeira metade da vida ocorre o desenvolvimento do ego, voltado para a consciência. Aparecem as personas e as sombras. A totalidade psíquica fica em segundo plano e é substituída pelo princípio dual dos opostos, entre consciente e inconsciente, rompendo-se de algum modo com a entrada na metanoia – crise intensa que comparece diante de angústias &#8211; que nos convida à caminhada rumo ao&nbsp;<em>Self</em>. A segunda metade da vida geralmente é marcada pelo processo de individuação. Ocorre a síntese de fatores que envolvem o consciente e o inconsciente pessoal e coletivo, formando a totalidade da personalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De modo geral, hoje os idosos são amparados com mais possibilidades quando o assunto é saúde e qualidade de vida. Envelhecer envolve um processo dinâmico, progressivo e irreversível. Conforme Chopra (1994, p. 87), existem três modos de medir a idade de alguém: idade cronológica, idade biológica e idade psicológica. A&nbsp;<em>gerontologia</em>&nbsp;é a<em>&nbsp;</em>ciência que estuda o envelhecimento sob os aspectos social, psicológico, econômico, ético, legal, ambiental e de políticas de saúde. A&nbsp;<em>geriatria</em>&nbsp;cuida dos aspectos preventivos, curativos à saúde dos idosos. A&nbsp;<em>psicologia</em>&nbsp;é uma grande aliada para acompanhamento dos aspectos psíquicos do idoso. Algumas angústias dos idosos que buscam a psicoterapia, envolvem a limitação da capacidade de decisão, de comando e de escolha, que restringem a realização de atividades com os meios intelectual, físico, financeiro e afetivo. Outra queixa frequente é a de sentirem-se sozinhos, sem alguém que escute e compreenda suas necessidades. As patologias que aparecem podem ser transformadas em aspectos saudáveis pela ressignificação de padrões que resultem em manutenção da autonomia e possibilitem o máximo de independência. Em 1985, o grupo de samba Fundo de Quintal trouxe-nos a música<em></em>“Realidade”<em>:&nbsp;</em>“Quando a idade chegar, não deixe transparecer rancor. Se a pele enrugar, sorria, são rugas de amor (&#8230;). Apesar dos pesares, brotou sementes que você plantou. Outro dia virá&#8230;”<em>&nbsp;&nbsp;</em>Nesse sentido, o tempo de&nbsp;<em>Kairós</em>&nbsp;estará cada vez mais presente, permitindo o surgimento de novos significados para a existência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com várias estatísticas, os problemas geriátricos mais comuns são: imobilidade com quedas, incontinência, insônia, infecção, iatrogenia, interação farmacológica, insuficiência cognitiva, déficit nutricional e desidratação, déficit imunológico, déficit visual e auditivo. Coincidência ou não, a maior parte das doenças iniciam com as letras “d” e “i”, apontando para problemas de deficiência e incapacidade, que nos levam à dependência dos outros. Sob o olhar da psicossomática, o adoecimento geralmente está interligado com fatores predisponentes e fatores desencadeantes da natureza humana. O eixo psiconeuroendocrinoimunologia, palavra longa, que simbolicamente sugere uma longa caminhada, em que o estresse crônico acelera o envelhecimento e o surgimento de doenças neurodegenerativas, muitas vezes vistas como um luto em vida, ao percebermos os nossos entes queridos em desintegração progressiva da personalidade. E sobre os fatores desencadeantes, Jung dizia:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de haver esbanjado luz e calor sobre o mundo, o sol recolhe seus raios para iluminar-se a si mesmo. Em vez de fazer o mesmo, muitos indivíduos idosos preferem ser hipocondríacos, avarentos, dogmatistas e&nbsp;<em>laudatores temporis acti&nbsp;</em>(louvadores do passado) e até mesmo eternos adolescentes. (2013, O/C 8/2, p. 356).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, muitos idosos gozam de saúde excepcional, que envolve a harmonia entre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico, genética, estilo de vida saudável, espiritualidade e mecanismos psicológicos adequados, o que abrange recursos de enfrentamento, boa rede de apoio e resiliência diante das dificuldades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Envelhecer não é só um fator pessoal. Precisamos cada vez mais do compromisso social, institucional e de políticas públicas que beneficiem e protejam os idosos. Nessa sociedade desigual e discriminatória, cada vez mais eles são cuidadores de filhos adultos, netos ou bisnetos. Alguns continuam trabalhando fora de casa, limitando a sua qualidade de vida, no momento em que a vida requer estilos mais saudáveis, que incluam investimento em cuidados e lazer. Em alguns casos, ocorre o abandono e o abuso por parte de familiares, retirando dos idosos o dinheiro que possuem. Da mesma forma, alguns cuidadores também deixam de exercer os cuidados necessários, o que faz que eles se sintam cada vez mais sozinhos e desprotegidos. Consequentemente, com o declínio de alguns aspectos vitais e sem os cuidados necessários, as doenças podem aparecer e a morte se antecipar. A morte para muitos ainda é algo difícil de conceber e, segundo Jung, aspectos da vida psíquica estão presentes na dualidade viver e morrer: “Tenho observado que aqueles que mais temem a vida quando jovens, são justamente os que mais têm medo da morte quando envelhecem” (2013, O/C 8/2, p.362).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por isso, assim como na alquimia, diferentes etapas nos envolvem desde o nascimento até a velhice. De acordo com Jung,&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">os quatro estágios com cores mencionadas em Heráclito –&nbsp;<em>melanosis</em>&nbsp;(pretejamento),&nbsp;<em>leukosis</em>&nbsp;(embranquecimento),&nbsp;<em>xanthosis</em>&nbsp;(amarelamento) e&nbsp;<em>iosis</em>&nbsp;(avermelhamento) – com o passar do tempo transformaram-se em&nbsp;<em>nigredo, albedo, rubedo</em>&#8230; (1994, p. 241).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp;<em>nigredo</em>&nbsp;pode ser comparada com as noites escuras da alma, em que aparece o sentimento de fundo do poço, a necessidade do pesado e o difícil de ser limpo e purificado, que são as queixas e o sofrimento que precisam de um novo sentido e significado.&nbsp;<em>Albedo</em>&nbsp;é como a aurora, o amanhecer, onde o que não serve mais vai embora, representada pela candura e castidade e é também a fase reflexiva, de distanciamento e de maior consciência. A&nbsp;<em>rubedo</em>&nbsp;é a fase de maior equilíbrio, que envolve o sangue que circula, a vida que contagia o novo ser, podendo ser considerada como renascimento e renovação. Simbolicamente, é a transformação em ouro, que também pode ser compreendida, na linguagem junguiana, como&nbsp;<em>função transcendente</em><strong>,</strong>&nbsp;função psíquica que se origina na tensão criada entre consciente e inconsciente, num movimento de integração dos opostos, que resulta em harmonização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Assim sendo, a terceira idade&nbsp;não precisa ser marcada por um processo de sofrimento desnecessário e pela simples reprodução de conhecimentos, como aparece simbolicamente no&nbsp;<em>Arquétipo do Velho Sábio</em>, representado por&nbsp;<em>Cronos</em>, o deus do tempo, o pai distante e hostil, o ancião que evita contato com outras pessoas por receio de que desafiem a sua autoridade e que apresenta dificuldade em expressar emoções (BRANDÃO, 1986). Ainda metaforizando,&nbsp;<em>Cronos</em>&nbsp;pode se unir a&nbsp;<em>Reia</em>, a mãe de todos os deuses, filha de Urano (céu) e a Gaia (terra), contribuindo com o fluir da vida. Em outras palavras, o envelhecimento de forma saudável envolve um propósito de vida, um objetivo maior para viver, um projeto de autoconhecimento que favoreça o servir, assim como fez Jung, que produziu um grande legado, principalmente durante o envelhecimento, criando condições para sucessores darem continuidade. E isso pode acontecer em diferentes áreas e em diferentes contextos. Envelhecer inclui um chamado para compreendermos e expressarmos o que é necessário a serviço de algo maior, que analogicamente abrange muitas mortes e renascimentos em vida<em>.&nbsp;</em>“É preciso saber viver”<em>,&nbsp;</em>nas vozes de Roberto Carlos, Erasmo Carlos<em>&nbsp;</em>ou Titãs, é um convite para escolhas saudáveis no presente, que também nos beneficiem no futuro: “Toda pedra no caminho, você pode retirar. Numa flor que tem espinhos, você pode se arranhar. Se o bem e o mal existem, você pode escolher”. Na terceira idade podemos transitar entre perdas e ganhos, com movimentos cíclicos de vida em transcendência.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Claci maria Strieder&nbsp;– Membro analista em formação do IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Waldemar Magaldi – Analista Didata</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Leituras de apoio:</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">ASSIS, Machado de.&nbsp;<em>Memórias póstumas de Brás Cubas</em>. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRANDÃO, J.&nbsp;<em>Mitologia grega.</em>&nbsp;Vol. 1, Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHOPRA, D.&nbsp;<em>Corpo sem idade, mente sem fronteiras</em>. RJ: Rocco, 1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ERIKSON, E. H.&nbsp;<em>O ciclo de vida completo</em>. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.&nbsp;<em>A natureza da psique</em>. 10ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>O desenvolvimento da personalidade</em>. 14ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>Psicologia e Alquimia.</em>&nbsp;Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 1994.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIEVEGOED, B.&nbsp;&nbsp;<em>Fases da vida</em>. Crises e desenvolvimento da Individualidade. São Paulo: Editora Antroposófica, 1994.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAPALIA, D. E., OLDS, S. W., &amp; FELDMAN, R. D.&nbsp;<em>Desenvolvimento humano</em>&nbsp;(8ª ed.). Porto Alegre: Artmed, 2006.&nbsp;</p>



<ol class="wp-block-list" start="2">
<li>Músicas:</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">ROBERTO CARLOS.&nbsp;<em>É preciso saber viver</em>. CBS, 1974.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FUNDO DE QUINTAL.&nbsp;<em>Realidade</em>. Álbum seja sambista, Rio de Janeiro: RGE,1984.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Terceira Idade: Vida em Transcendência" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/mf1MsRm-kFM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<h4 class="wp-block-heading" id="h-claci-maria-strieder"><strong><em>Claci maria Strieder&nbsp;</em></strong></h4>
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		<title>Metanóia e meia-idade: mergulho nas profundezas da alma e no poder de renovação</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/metanoia-e-meia-idade-mergulho-nas-profundezas-da-alma-e-no-poder-de-renovacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2020 19:19:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Geriatria]]></category>
		<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Numinoso]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">A metanóia pode ser compreendida como uma crise de transição, que envolve aquilo que vai além da razão e que exige transgressão para que as mudanças ocorram. O processo de análise tem como objetivo proporcionar a metanóia, que pode ocorrer em qualquer idade cronológica do indivíduo e em diferentes etapas da vida humana, porém nessa ampliação irei fazer uma convenção e me ater mais na crise da meia-idade, período em que há uma tendência natural de ocorrerem mais experiências de metanóia, resultando em transformações sobre a visão de mundo, mudança de crenças e de paradigmas. Pode ser vista como uma conversão, como dizia o apóstolo Paulo, momento em que o mundo exterior se volta para o interior e o tempo linear e sequencial de Khronos vai adentrando em uma dimensão profunda &#8211; tempo de Kairós &#8211; que envolve o recolhimento e o mergulho no inconsciente. Essa jornada favorece o desenvolvimento e a ampliação da consciência com o confronto intrapsíquico de polaridades, que envolvem personas e sombras, permitindo uma caminhada rumo ao Self. &nbsp;Em termos práticos e com o pensamento voltado para outra metade da vida que resta, é um período em que buscamos descobrir o nosso propósito de vida e o significado dos nossos conflitos internos, que ficaram adormecidos no inconsciente e em algum momento afloraram em forma de sintomas, como: a depressão, o abuso de álcool e de drogas ilícitas, as doenças graves, as perdas significativas, as mudanças de trabalho, entre outros. As feridas aparecem, exigem um pensamento realista e uma harmonia com o universo, podendo resultar em ressignificação de velhos padrões. Segundo James Hollis, é morte e renascimento em transição: “Rever a vida a partir da posição da segunda metade dela requer a compreensão e o perdão do inevitável crime da inconsciência. Mas deixar de ficar inconsciente na segunda metade da vida significa cometer um crime imperdoável” (2019, p. 27).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em termos gerais e, de acordo com a influência da tradição histórica, social e cultural, a meia-idade ocorre entre os 40 e 65 anos e compreende um processo de revisão e reavaliação da nossa vida diante de novas realidades. No contexto da família, é período em que os filhos estão crescidos e foram para o mundo e, no contexto biológico, ainda estamos em boa forma física, cognitiva e emocional. Para a maioria das pessoas, é considerada a melhor fase da vida, embora aponte para alguns declínios. No trabalho, é a fase do auge de ganhos e na sociedade continuamos exercendo diferentes atividades. Mesmo diante da aparente realização, surgem questionamentos: quem sou eu, além dos papéis que exerci até agora? Em que parte da vida passei a esquecer de mim? Demandas sobre o sentido da vida e o que fazer no futuro promovem um mergulho nas profundezas da alma e, ao mesmo tempo configuram-se em possibilidade de renovação, metaforicamente expressa por Jung: “Precisamente ao meio-dia, o Sol começa a declinar e esse declínio significa uma inversão de todos os valores e ideais cultivados durante a manhã (&#8230;) É como se recolhesse dentro de si os próprios raios” (2013, p.354). Ele complementou, afirmando que entramos despreparados na segunda metade da vida: “Não podemos viver a tarde de nossa vida segundo o programa da manhã, porque aquilo que era muito na manhã, será pouco na tarde, e o que era verdadeiro na manhã, será falso no entardecer” (2013, p. 355).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aos poucos, ocorrem as mudanças físicas nas habilidades sensoriais e psicomotoras e trazem o reconhecimento da mortalidade. As mulheres presenciam o climatério, que é o período de transição entre a fase reprodutiva e fase da ausência da reprodução, e a menopausa, com a parada permanente da menstruação. Neste sentido, a palavra klimacton, que surgiu do grego, representa crise ou período de mudança. Para algumas mulheres, os sintomas clínicos aparecem em forma de sudorese, fogacho, palpitação, enxaqueca, insônia, alteração de humor, perda de energia e irritabilidade, que também podem estar relacionadas com as mudanças nos papéis, nos relacionamentos e nas responsabilidades, passando a optarem pela reposição hormonal para amenizarem perdas. Os homens, por sua vez, sentem um declínio gradual dos níveis de testosterona, que também envolve o declínio da fertilidade, a dificuldade em conseguir ereção e a frequência de orgasmo, envolvendo um período denominado andropausa. Na busca de suprir dificuldades, os remédios tomaram espaço no universo masculino e são aliados nas disfunções eréteis, mas quando usados incorretamente, podem causar problemas. De uma forma geral, o estresse desencadeia problemas físicos e psicológicos, aumentando o risco de doenças em forma de alcoolismo, depressão, hipertensão arterial, obesidade, câncer, diabetes, doenças cardiovasculares, etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao falar da etapas da vida humana, Jung nos apresentou a revolução psíquica que ocorre na metade da vida (2013, p.343). É um momento de contração da vida, de dedicar-se ao Si-mesmo, ao potencial da totalidade. Os interesses antigos são substituídos por novos, ocorrendo mudanças nas profundezas da alma. Os homens tendem a voltarem suas atenções para casa, as mulheres para o mundo e questionamentos podem resultar em inversão de valores.&nbsp; Vindo ao encontro, Rudolf Steiner deixou-nos como possibilidade de ampliação os estudos sobre os setênios. Segundo o autor, a partir dos 42 anos, ocorre a maturidade, a profundidade e a espiritualidade. Dos 42 aos 49 anos, ocorrem questionamentos sobre o altruísmo e sobre manter a fase expansiva, com a presença da andropausa e a menopausa. Dos 49 aos 56 anos é a fase de ouvir o mundo, a vitalidade declina e surge a fase inspirativa ou moral. Dos 56 aos 63 anos ocorre a fase da abnegação, em que os reflexos e a mobilidade passam a sofrer alterações, ganhando espaço a etapa mística ou intuitiva. Erik Erikson, apresentou-nos a sétima crise para definir essa fase &#8211; geratividade versus estagnação &#8211; podendo surgir a preocupação com a orientação da próxima geração. Para muitas pessoas, é uma entre muitas transições, não necessariamente resultando em crise.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com Papalia, D. E., Olds, S. W., &amp; Feldman, R. D. (2006, p. 458-459), na fase da meia-idade as mulheres se tornam mais assertivas e focais e, os homens emocionalmente mais expressivos, que pode ser visto na psicologia analítica junguiana como um caminho de inversão natural de enantiodromia &#8211; tensão criada entre consciente e inconsciente, que envolve o fluir da energia em um movimento pendular e consiste em passar para o outro lado do pólo &#8211; favorecendo uma complementação anteriormente desconhecida. Com a crise da meia idade, o homem que geralmente é mais assertivo e focal, torna-se mais emocional. Em contrapartida, a mulher que é mais emocional, passa a ser mais assertiva e focal. Pode ser considerado o momento oportuno em que o homem vai aprender a lidar com o lado feminino que não conhecia e, a mulher irá conhecer o universo masculino que desconhecia, influenciando o seu modo de pensar, sentir e agir. &nbsp;Com essas mudanças, o período também é marcado por aumento do número de divórcios e maior dependência de amigos para apoio emocional e orientação prática. Ao mesmo tempo, o divórcio e o segundo casamento dos filhos afeta relacionamentos entre avós e netos, criando novos papéis de parentesco. Nesta fase, permanecemos envolvidos com os filhos adultos, que por motivos econômicos, continuam morando conosco e, também tornamo-nos cuidadores dos pais idosos e doentes. Igualmente, a nossa capacidade de resolver problemas práticos é forte, a nossa criatividade e produtividade dependem de atributos pessoais e forças ambientais, com a transição de papéis em função da longevidade, mudança econômica e social, que nos incentiva para aperfeiçoamento das nossas habilidades em forma de estudos. Essa mistura de mudanças lembram Clarice Lispector, que em uma das suas poesias disse: “Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na mitologia, Hades representa o deus das profundezas, deus dos mortos ou do mundo inferior. Os gregos não pronunciavam seu nome por temor e o denominavam de “o ilustre ou o bom conselheiro”. Podemos associá-lo ao inconsciente pessoal e coletivo, onde são guardadas memórias, pensamentos e sentimentos reprimidos. Ao mesmo tempo que representa isolamento e depressão, pode simbolizar o poder da renovação com o uso da expressão criativa ao nos depararmos com o mundo interior. O arquétipo Hades representa a possibilidade de mergulharmos no inconsciente e valorizarmos o autoconhecimento, que vem ao encontro das vivências na metade da vida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim sendo, podemos afirmar que a metanóia é um caminho para a individuação, sendo um período oportuno de olharmos para as nossas sombras e buscarmos a completude. Ela nos convida para realizarmos os projetos que não concretizamos antes, em função de muitos fatores, mesmo que isso provoque uma mudança radical da nossa vida. Segundo Jung, projetos não realizados representam um depósito de velharias e, são como brasas, que continuam acesas, mesmo debaixo de cinzas amarelecidas (2013, p.351). Para complementar, cito mais uma frase de Jung, que descreveu bem esse período das nossas vidas: “Quanto mais nos aproximamos do meio da existência e mais conseguimos nos firmar em nossa atitude pessoal e em nossa posição social, mais nos cresce a impressão de havermos descoberto o verdadeiro curso da vida e os verdadeiros princípios e ideais do comportamento” (2013, p.351). &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O processo de individuação é um dos principais pressupostos teóricos de Jung, que envolve um olhar amplo e complexo de diferenciação psicológica como meta da evolução e do desenvolvimento integral da personalidade, sendo necessário um investimento energético para engajar o ego na busca da integração dos aspectos desconhecidos e sombrios que estão no inconsciente, promovendo o autoconhecimento e significado existencial. Para Jung, Salomé e Filemon eram a sua representação intrapsíquica que permitia estabelecer relação, entender seus conflitos, iluminar e transcender, favorecendo seu processo de individuação. Dessa forma, ele realizou a unidade psicológica entre os aspectos conscientes e inconscientes, que contém a vida não vivida e o potencial não realizado, como afirma Stein: “Tornar-se o que a pessoa já é potencialmente, mas agora de um modo mais profundo e consciente” (2006, p.158). &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante do exposto, podemos dizer que, a metanóia na crise da meia-idade, predispõe o ego a ser mais suscetível e de alguma maneira mais comprometido com o processo de individuação, permitindo o seu encontro com o Self.&nbsp; Para tanto, pode ser vivida como uma crise necessária e oportuna para e reorientar a personalidade e reavaliar a vida com novo sentido e significado. É um processo de transformação diante do que ruiu, que não precisa ser visto como algo patológico, mas como oportunidade de ressignificar padrões, cuidando com responsabilidade e satisfação de todos os aspectos envolvidos. Neste sentido, evidencio o otimismo de Fernando Pessoa sobre a longevidade: “Não importa se a estação do ano muda&#8230;Se o século vira, se o milénio é outro. Se a idade aumenta&#8230;Conserva a vontade de viver, não se chega a parte alguma sem ela”. E para exaltar as inúmeras possibilidades que a vida oferece, encerro minhas ampliações com&nbsp;<a href="https://www.google.com/search?q=Gonzaguinha&amp;stick=H4sIAAAAAAAAAONgVuLSz9U3MCxIL87LWMTK7Z6fV5WYXpqZl5EIAFVUWHwcAAAA&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiWpJ_05qTmAhUXEbkGHdEdAKwQMTAAegQIDBAF">Gonzaguinha</a>&nbsp;e a música&nbsp;<em>O que é? O que é</em>?: &nbsp;“Viver, e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz (&#8230;) Mas e a vida, ela é maravilha ou é sofrimento? Ela é alegria ou lamento?” Mergulhar nas profundezas da alma muitas vezes é inevitável e faz parte da amplitude de viver. Intensificar o poder de renovação é opcional e nos permite transcender.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Claci Maria Strieder, analista em formação pelo Ijep.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Brasília/DF &#8211;&nbsp; Contato: (61) 99951.0003 &#8211;&nbsp;<a href="mailto:clacims@gmail.com">clacims@gmail.com</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Leituras de apoio:</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRANDÃO, J. –&nbsp;Mitologia Grega Vol. 1, Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ERIKSON, E. H. O ciclo de vida completo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLIS, James. A passagem do meio &#8211; Da miséria ao significado da meia-idade. São Paulo:Paulus, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique. 10ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">________________O desenvolvimento da personalidade. 14ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIEVEGOED, Bernard.&nbsp; Fases da vida. Crises e desenvolvimento da Individualidade. São Paulo: Editora Antroposófica, 1994.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">LISPECTOR, C. A Hora da Estrela. 12 ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAPALIA, D. E., OLDS, S. W., &amp; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano (8ª ed.). Porto Alegre: Artmed, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PESSOA, Fernando. Livro do Desassossego.&nbsp;Vol.II. (Organização e fixação de inéditos de Teresa Sobral Cunha). Coimbra: Presença, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph">STEIN, Murray. Jung: o mapa da alma, uma introdução. São Paulo: Cultrix, 2006.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Claci Maria Strieder&nbsp;</em></strong></h4>
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		<title>Mulheres na Transição Menopausal</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/mulheres-na-transicao-menopausal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ivone Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Jun 2019 19:25:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Geriatria]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
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		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[menopausa]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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		<category><![CDATA[psicossomática]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>E de repente, estamos na Menopausa, completando nossos 50, 60, 70 anos e ficamos estanque diante do que poderá acontecer com as nossas vidas. Junto com os filhos crescidos, com a chegada dos netos, com os fios de cabelo branco, aparecem também a dificuldade em perder peso, o desânimo, cansaço, a falta de energia, o humor depressivo, a ansiedade, irritabilidade, insônia, os déficits de atenção e concentração, a perda de memória, os pensamentos com conteúdo negativos ou morte, a anedonia (nome bonito dado para a perda do prazer ou interesse), diminuição da libido, a desesperança e labilidade emocional.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Renda-se, como eu me rendi.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Clarice Lispector</p>



<p class="wp-block-paragraph">E de repente, estamos na Menopausa, completando nossos 50, 60, 70 anos e ficamos estanque diante do que poderá acontecer com as nossas vidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Junto com os filhos crescidos, com a chegada dos netos, com os fios de cabelo branco, aparecem também a dificuldade em perder peso, o desânimo, cansaço, a falta de energia, o humor depressivo, a ansiedade, irritabilidade, insônia, os déficits de atenção e concentração, a perda de memória, os pensamentos com conteúdo negativos ou morte, a anedonia (nome bonito dado para a perda do prazer ou interesse), diminuição da libido, a desesperança e labilidade emocional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses sintomas surgem isoladamente, muitas vezes nas mulheres que ainda menstruam, ocorrendo regular ou esporadicamente e outras vezes dissociados dos ciclos menstruais. Sintomas esses que podem ser representados por um quadro depressivo, mas também relacionados a transtornos de humor muito comum nessa fase da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas as alterações fisiológicas no ciclo menstrual decorrente das oscilações hormonais fazem com que muitas mulheres sofram com sintomas desagradáveis relacionados ao humor. Algumas mulheres são mais vulneráveis e tem sintomas sugestivos de depressão já nos períodos correspondentes ao ciclo menstrual que se acentuam no puerpério (pós gravidez) e na perimenopausa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mulheres têm um mecanismo regulador hormonal representado pelas gonadotrofinas hipofisiárias, FSH e LH em equilíbrio com o Estradiol (E2). Essas glicoproteínas chamadas gonadotrofinas hipofisiárias têm metabolismo pouco conhecido. São excretadas na urina e são produzidas sob estímulo hipotalâmico mediado pelo hormônio liberação (GnRH).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a perimenopausa o ritmo de produção de esteroides muda. Apesar de níveis normais, as flutuações hormonais podem ser induzidas por estresse e provocar situações de perda de controle, quadros depressivos, tristeza, ansiedade, etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os esteroides sexuais alteram a atividade neurotransmissora do cérebro, favorecendo as alterações de humor. Precisamos compreender que não existe um corpo, um coração, um rim, um cérebro. Existe a psique e a matéria, que apesar de serem estruturas diferentes estão interligadas e não funcionam isoladamente, correspondem a uma mesma coisa. A cognição é um processo do pensamento onde o conhecimento é adquirido ou utilizado, e depende de vários elementos do SNC funcionando harmonicamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na perimenopausa pode-se observar uma maior vulnerabilidade para os transtornos psíquicos. Por exemplo: podemos encontrar mulheres executivas, bem sucedidas, dona de suas ações, comprometida com seu trabalho, viajando, gerenciando, tomando decisões, a frente de empresas de nome e de repente essa mesma mulher tem a sensação de que sua vida não está fazendo sentido, que tudo parece repetitivo, tem dificuldade para dormir ou acordar, já não sente vontade de viajar, sem paciência , insegura, com labilidade emocional e ficam apavoradas diante desses primeiros sinais de descompasso Ao procurar ajuda querem ser medicadas com a pílula dourada, para não sentir os sinais de que o corpo está pedindo uma mudança, uma diminuição no ritmo, uma reformulação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Penso que o ideal nesse momento seria que essas mulheres e outras que não executivas, mas com as mesmas sensações, fossem encorajadas a participar de atividades em grupo e/ou psicoterapia de apoio junto à especialistas em saúde mental. Esses sintomas de desconforto psíquico nessas mulheres na peri e pós- menopausa devem ser analisados cuidadosamente, porque a vida é um processo, onde se nasce, cresce, amadurece e morre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Viver com consciência é descobrir que muitos problemas ou dificuldades não podem ser encarados como injustiça ou azar, depende de como levamos a vida, como nos relacionamos com a realidade. Diante das dificuldades aparecem as dúvidas e, a partir da dúvida, começamos a refletir sobre o que está por vir. Muitas mulheres sentem-se inseguras e com medo de mudar de atitude, pois procurar um novo caminho, que parece obscuro e indeterminado, é sempre amedrontador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por volta dos 40 anos podemos observar pequenas alterações de comportamento em algumas mulheres, como mudança de atitude ou aquisição de novos interesses ou ainda comportamento mais rígidos, como se sua existência estivesse ameaçada e daí a necessidade de enfatizar comportamentos anteriores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Carl Gustav Jung, todos os distúrbios neuróticos da idade adulta têm em comum a dificuldade de desistir da fase anterior. A vida é um ciclo com momentos e necessidades diferentes. A dificuldade em deixar para trás nossa juventude e entrar na meia idade assusta. Muitos dos sonhos foram realizados; como, uma carreira de sucesso, filhos encaminhados na vida e a energia para novas realizações parece não existir. Outras também se sentem frustradas porque deixaram para trás muitos dos seus sonhos em função de filhos ou por não terem tido energia para realiza-los; de qualquer forma, há uma sensação de falta nessa mulher, ela sente como se sua vida agora não tivesse mais sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dependendo de como nos relacionamos com a realidade da vida, vamos enfrentar esse desconforto tendo a sensação de que tudo parece obscuro, sem sentido e/ou ameaçador. Nesse momento apesar de muitas se sentirem realizadas, não conseguem olhar para si mesmas e sentir seu próprio brilho, sua força, suas virtudes. Recolhem-se em si mesmas e tornam-se hipocondríacas, neuróticas ou eternas adolescentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quantas mulheres se preparam para a segunda metade da vida, para o mistério dessa nova etapa, para a velhice, para a morte?!</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Jung, essa nova etapa deve ter um sentido. Observamos em geral que mulheres que tiveram consciência de que suas ações foram tomadas por necessidades ou vontade própria, sentem-se melhor nessa nova etapa, porque souberam fazer suas escolhas e se responsabilizaram por essas. Decidir superar cada limite que a dúvida cria não é tarefa fácil, é complexo porque o terreno é desconhecido e não temos parâmetros para nos guiar, falta o conhecimento suficiente sobre o que está por vir. O que pode ajudar será à vontade para continuar a caminhar, deixar o que vivenciamos para trás e procurar agir com uma nova atitude e clareza de que essa busca está dentro de nós e que a vida seja conquistada, como diz Jung, sempre e de novo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento vai além de hormonioterapia ou antidepressivos. Nesse momento, o autoconhecimento facilita a passagem por mais essa etapa da vida. Ressignificar sua existência e procurar novos caminhos com novas atitudes e comportamentos, deixar de lado a vida que não foi vivida, tentar elaborar as perdas, o luto, tudo o que não pode ter sido realizado, poderá ser benéfico e reduzir essa sintomatologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ivone Ferreira, médica, ginecologista, Psicoterapeuta Junguiana e analista em formação pelo IJEP.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="mailto:ivone@nucleoivoneferreira.com.br">ivone@nucleoivoneferreira.com.br</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rua Barão do Triunfo 427 conjunto 1002 Brooklin</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fone: (11) 5031-6203 secretaria Cristina das 13h às 19 hs segunda a sexta.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Ivone Ferreira &#8211; 15/06/2019</em></strong></h4>



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