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	<title>Arquivos Homeopatia - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos Homeopatia - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Mandrágora? Da Magia à Homeopatia</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/mandragora-da-magia-a-homeopatia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lia Romano]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2019 23:43:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homeopatia]]></category>
		<category><![CDATA[homeopatia]]></category>
		<category><![CDATA[magia]]></category>
		<category><![CDATA[mandrágora]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Mandragora é uma planta da família das Solanáceas, cuja principal característica é a presença de uma raiz bifurcada que lembra a figura humana, motivando inúmeras lendas e superstições. Faz parte do folclore de algumas regiões onde é mencionado seu poder de fecundidade, de dar riquezas e sorte no amor. Existem muitas espécies de Solanáceas [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Mandragora</strong> é uma planta da família das Solanáceas, cuja principal característica é a presença de uma raiz bifurcada que lembra a figura humana, motivando inúmeras lendas e superstições. Faz parte do folclore de algumas regiões onde é mencionado seu poder de fecundidade, de dar riquezas e sorte no amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem muitas espécies de Solanáceas de interesse homeopático: Datura stramonium, Hyosciamus niger, Atropa belladonna, Solanum dulcamara, Capsicum annum e Nicotiana tabacum.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas Solanáceas são comestíveis como a batata, a berinjela, o tomate, a pimenta e o pimentão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outras tem em comum a presença de alcaloides (hiosciamina, escopolamina e atropina) que são tóxicos por bloquear o sistema nervoso parassimpático, podendo levar a sintomas de envenenamento, que serão abordados oportunamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses alcaloides tem atividades estimulantes e alucinógenas, o que atrai o interesse de jovens adultos para o uso dessas espécies na preparação de chás entorpecentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A toxicidade provém da ação anticolinérgica dos alcaloides que inibem a acetilcolina em efetores autônomos e na musculatura lisa causando vários sintomas, tais como, broncodilatação, inibição das secreções salivares, brônquicas e sudoríparas, dilatação da pupila e bloqueio dos efeitos vagais sobre o coração, levando a um aumento da frequência cardíaca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Mandragora é uma erva perene de até 30 cm, com talos curtos e uma raiz tuberosa, grossa, semelhante ao nabo e que frequentemente pode apresentar uma forma que lembra a do corpo humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É encontrada em prados úmidos, às margens dos campos e dos rios, na Espanha, em Portugal, na Itália, na Grécia, no Oriente médio e no Himalaia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Usos da Planta</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Mandragora tem sido usada desde a Antiguidade</strong>, existindo relatos que datam há cerca de 1.500 a.C., mas foi durante a Idade Média que alcançou maior aceitação. Existem diversos usos relatados:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Afrodisíaco&nbsp;&#8211; sua raiz foi usada para filtros amorosos (aqueles que a ingerissem juntos, permaneceriam apaixonados eternamente) e para combater a esterilidade. Na Bíblia é citada em Gênesis capítulo 30, versículos 14-15-16, onde Raquel disputa com sua irmã Lia, as Mandragoras encontradas por Rubens. Nessa passagem Raquel a utilizou para combater sua esterilidade.</li>



<li>Mágicos&nbsp;&#8211; era utilizada pelos bruxos como unguento antes dos feitiços e também como preparados que produziam terríveis alucinações. As raízes eram talhadas para aumentar sua semelhança com a figura humana, sendo então usadas como amuletos para atrair boa sorte ou para exorcizar demônios.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Psicotrópicos&nbsp;&#8211; graças aos seus alcaloides a planta foi usada como anestésico e soporífico. Nas tumbas faraônicas, como a de Ramsés III, aparece representado o fruto da Mandragora e o do Opium. Na Palestina preparavam um forte anestésico amargo para crucificados, conhecido como&nbsp;morion.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li>Venenos&nbsp;&#8211; Lucrécia Borgia utilizava a raiz de Mandragora pulverizada e mesclada com vinho para envenenar seus oponentes. Os sintomas do envenenamento consistem em transtornos gástricos, debilidade, abatimento, perda da sensibilidade, podendo culminar em coma e morte.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Histórias e Lendas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na história da Mandragora houve diversas citações envolvendo desde seu lado de mistério e magia, até seus usos medicinais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pitágoras indicava que a Mandragora era usada nos cultos de muitos povos como erva mágica, devido ao formato humano da raiz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas lendas devem ser relatadas para que se possa ter uma ideia do que esta planta representava.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para sua colheita havia um sério ritual, descrevia-se com uma espada três círculos ao seu redor antes de arrancá-la, devendo-se estar olhando para o poente. Outros desenterravam ao redor da raiz e então a amarravam a um cão que, ao atender ao chamado para sair do local, morria a seguir como vítima propiciatória. Para outros só era possível arrancá-la se antes fosse rodeada com urina de mulher ou sangue de menstruação. Relata-se que a raiz da Mandragora, ao ser desenterrada sem um ritual preparatório, gritava e gemia de tal forma que colocava louco ou matava quem a arrancasse. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também acreditava-se que a Mandragora crescia junto às forcas e que seu poder afrodisíaco vinha daí, pois o enforcado ejaculava na terra ao cair pendurado, e nesse local nasciam as plantas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Era chamada a raiz da loucura, usada pela bruxa Circe, que transformava homens em animais pela sua magia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mitologia grega estava relacionada a Hécate, a deusa da magia, da sabedoria, da intuição, e ligada ao arquétipo da parteira (que ajuda no momento do nascimento e também no da morte).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Idade Média a Mandragora era conhecida com&nbsp;alraum (que significa raiz que tem figura humana), sendo considerada um talismã mágico que trazia sorte e bens terrenos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No século XVI queimava-se a Mandragora e guardava-se as cinzas envoltas em lenços de linho ou seda, na crença de que seu portador jamais seria infeliz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como remédio foi usada desde a Antiguidade como antidepressivo, sedativo e anestésico em casos de cirurgias. Paracelso conhecia-a como efetiva para calculose renal e sedativo para epilepsia, coreia e tosse. Em outro relato era utilizada para inflamações dos olhos, para adiantar a menstruação e provocar trabalho de parto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dioscórides explicava que a Mandragora colocada no liquor faz melhorar a melancolia, mas dose exagerada levava a morte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na literatura houve citação da lenda em&nbsp;Romeu e Julieta&nbsp;de Shakespeare, na cena em que Julieta irá beber um líquido que a fará parecer como morta, ela adverte para soar uma trombeta antes de retirar a Mandragora do solo, para não ouvir seus brados e enlouquecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maquiavel escreveu a comédia&nbsp;A Mandragora&nbsp;que foi uma das primeiras do teatro moderno, onde mostra o uso da planta para tornar fértil as mulheres estéreis.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Utilização da Homeopatia</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Apesar de conhecida desde remotos tempos, houve uma lastimável demora para que se experimentasse a Mandrágora homeopaticamente.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Somente em 1920 é que Allen publicou na&nbsp;Enciclopedia de Matéria Médica Pura&nbsp;as primeiras experimentações da Mandrágora, realizadas em 1834 (Dr. Dufresne) e 1874 (Dr. Richardson).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1951 foi ricamente experimentada por Julius Mezger, que ampliou os conhecimentos homeopáticos a respeito desta planta, tendo experimentado em 30 médicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Raedson fez outra experimentação em 1963/64 em 15 pessoas observando em todas elas o aparecimento de fortes dores articulares, e em 12 vezes dores de cabeça, depressão e dificuldade para concentrar-se.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1980 Edward Whitmont fez experimentação a partir das folhas sem observar diferença em relação às outras experimentações que usaram a raiz.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sintomas Patogenéticos das Matérias Médicas</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Sintomas Mentais</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista mental, a Mandrágora causa peculiar paradoxo de sonolência e entorpecimento junto com intensa excitação, ocorrendo uma irritabilidade apática. Há tendência a depressão, com apatia ou irritação, podendo bruscamente alternar com euforia e alegria. Há estados de deliro e de confusão mental, hipersensibilidade aos ruídos, sentimento de insegurança e ansiedade, falta de concentração e de memória, aversão ao trabalho, mudança de humor, acessos de choro alternado com euforia ou agitação exagerada. São indivíduos hipersensíveis, histéricos, com tendência a estados hipomaníacos ou maníaco-depressivos, acompanhado por sintomas psicossomáticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os indivíduos Mandragora se comportam como se estivessem sob domínio da magia da planta, ora estão entorpecidos e anestesiados, ficando indiferentes ao prazer e ao trabalho, ora estão excitados, eufóricos, com visões terríveis e fantasmagóricas, agindo como que enlouquecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Compreendendo seu gênio medicamentoso</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os indivíduos Mandrágora são como sua raiz, que embaixo da terra tem aparência da figura humana. É a caricatura da espécie humana, carregando múltiplos comportamentos paradoxais da espécie, na figura do vagabundo, &#8220;homeless&#8221; (desabrigado), aquele tipo de louco que habita as ruas e saídas de escolas; uma vez que vivem uma realidade própria dentro de seu universo delirante, ora eufórico cantarolante, ora maníaco ou prostrado, ou ainda como que endemoniado, histérico e fora de si, irresponsável e obsceno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Exercitam no picadeiro da vida aquilo que é ridículo, mas que cada um de nós carrega um pouco. Nesta figura exótica rimos daquilo que somos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao lermos que sua depressão melhora urinando, fica evidente a necessidade deste medicamento de excretar ao meio sua conflitiva interior, ao urinar coloca para fora seu produto interno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Mandragora há &#8220;honestidade&#8221; em excesso por mostrar o lado caricato da humanidade, urinando a angústia do homem, seu feitiço interior ou seu pecado original (miasma).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A personalidade Mandrágora retrata a miséria humana, sua confusão, sua incongruência, sua ambivalência, sua inconseqüência e sua irresponsabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A loucura, aqui usada como facilitador didático, representa a expressão direta do mundo inconsciente. Tumultuado, incoerente, inconseqüente e imprevisível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As emoções afloram tal qual realmente são sentidas, cálidas, transbordantes, expressas pelo riso louco, fala desconexa e andar sem rumo; ou pela tristeza, com emoções dolorosas e paralisantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A música &#8220;A Balada Para Um Louco&#8221; de Astor Pizzola é uma crítica refinada onde, como no filme &#8220;O Estranho No Ninho&#8221;, os temas sanidade e loucura ocorrem.</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Sintomas Gerais</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Há agravação de sintomas:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>por toque suave</li>



<li>das 3 às 5 horas da manhã</li>



<li>por movimentos e esforços</li>



<li>ao ficar em pé e ao estar com os membros pendurados</li>



<li>antes de tempestades, por tempo tormentoso e úmido</li>



<li>em lugares fechados com muita gente</li>



<li>pelo calor</li>



<li>ao consumir gordura, café, bebida alcoólica e tabaco</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Há melhora de sintomas:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>ao se deitar, em relaxamento</li>



<li>pela eliminação de secreções (urina, fezes)</li>



<li>cólica abdominal, cefaleia e ciática melhoram espreguiçando-se</li>



<li>gastralgia e cefaleia melhoram ao comer</li>



<li>as dores articulares melhoram com movimentação contínua ao ar fresco</li>



<li>a depressão melhora com a evacuação e diurese abundante</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">As manifestações sintomáticas são predominantemente do lado direito. Não tolera o calor; as secreções tem mau odor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tem sono agitado, intranquilo, com sonolência durante o dia, mesmo depois de uma boa noite de sono.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há intolerância aos alimentos gordurosos, aos doces, álcool e fumo. Desejo por alimentos picantes, carnes e doces.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cabe neste momento falar sobre o teste &#8220;Hocke&#8221;, que vem do alemão hocken, que significa acocorar-se.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste teste o paciente flete os joelhos e fica de cócoras, com a cabeça inclinada para frente e abaixada. Com esta posição há excitação do parassimpático (reflexo vagal) levando a bradicardia, miose, aumento do peristaltismo intestinal e outros sintomas contrários àqueles produzidos pela atropina, ocorrendo relato de piora geral nesta posição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E quando colocado em posição ereta e com inclinação do tronco para trás (espreguiçando-se), há uma espécie de &#8220;bloqueio&#8221; do parassimpático, &#8220;como se houvesse liberação de substâncias semelhantes a atropina&#8221;, ocorrendo sintomas em similitude a Mandragora com consequente melhoria sintomática.</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Sintomas Particulares</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">Cabeça: há congestão cefálica (semelhante a Belladonna), com sinais de pletora, acompanhados de mãos e pés frios. Cefaleia congestiva relacionada a ansiedade e antecipação, que melhora com ar frio e pressão forte, piorando com exposição ao sol, fumo e álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vertigem: muitas vezes a vertigem é semelhante a Síndrome de Menière (tontura, náuseas, vômitos, redução da audição e dificuldade para permanecer em pé), precisando deitar para melhorar; outras vezes piora ao se deitar ou se virar. Geralmente ocorre após emoção ou ansiedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Olhos: congestão aguda dos olhos, conjuntivite, irite, midríase, os objetos parecem ter listras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ouvidos: zumbido persistente, hipersensibilidade aos ruídos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aparelho Circulatório: ocorre estase venosa com hemorróidas, varizes em membros inferiores, tendência hemorrágica com petéquias nas coxas e estomatite hemorrágica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aparelho Respiratório: tosse por irritação laríngea, bronquite aguda, rouquidão e dispnéia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pele: há Herpes labial e zoster, furúnculos e erupções, com pele oleosa que suja as roupas pessoais e de cama.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aparelho Digestório: Há Herpes labial (semelhante a Natrum muriaticum), boca seca, estomatite aftosa, estomatite hemorrágica, mau hálito, periodontite (deixando o dente extremamente doloroso ao mais leve toque), há amigdalites recidivantes e dormência da garganta como se estivesse anestesiada. Dor epigástrica frequente que melhora ao comer e ao beber, e ao se inclinar para trás (como Belladonnna, Bismuthum, Causticum, Dioscorea, Kali carbonicum). Tem saciedade logo ao começar a comer, com náuseas e vômitos após alimentos gordurosos. Há alteração na secreção biliar (cólica biliar). Ocorre obstipação com fezes em cíbalas, ou evacuação de fezes amolecidas porém com dificuldade. Ardência anal e hemorroidas sangrantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aparelho Gênito-Urinário: bexiga frouxa com necessidade frequente de urinar, incontinência noturna, ou dificuldade para urinar. A saída abundante de urina melhora a depressão (único remédio, no Repertório Homeopático). Libido sexual aumentada ou diminuída (uso histórico como afrodisíaco).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Extremidade: lombociatalgia que melhora ao se reclinar ou se movimentar, artralgias com hipoestesia da pele, há mialgias generalizadas, dores em grandes articulações e em coluna, que melhoram com movimentação contínua, artrites (com sinais flogísticos)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sistema Nervoso Periférico: sensação de dormência nos braços e pernas, na cabeça, no rosto e nas mucosas, alteração da sensibilidade profunda.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Diagnóstico Diferencial:</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Os sintomas em comum são devidos a inibição do parassimpático, obsevando-se congestão cerebral (mais ativa em Belladonna), cefaléia congestiva e pulsátil, midríase, mucosas secas, taquicardia, hipertermia, obstipação e alternância de excitação e depressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem diferenças entre a forma de cada medicamento vivenciar seu desequilibro, a começar pelo&nbsp;delírio:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Mandrágora&nbsp;&#8211; o delírio é semelhante aquele dos que estão enfeitiçados pela planta. Há loquacidade, com fala sem sentido e incompreensível, agitação psicomotora, inquietude e incapacidade de permanecer parado, embora sem conseguir andar por sentir dormência de membros inferiores e sensação de que está com as pernas paralisadas (lembrando o estado do indivíduo embriagado), sendo que a violência encontrada nas outras solanáceas não compõe sua síndrome mínima.</li>



<li>Hyoscyamus&nbsp;&#8211; há um delírio maníaco, com movimentos carfológicos: fala com loquacidade de assuntos relacionados às suas atividades habituais (delírio ocupado) e também fala temas religiosos, mudando rapidamente de um tema a outro e tomando atitudes eróticas (o indivíduo tira suas roupas e expõe seus genitais). Este delírio agitado alterna com delírio tranqüilo onde balbucia ou murmura palavras desconexas, predominando este quadro de debilidade e fraqueza, que vai aumentando até cair num estado de estupor, comportando-se como morto.</li>



<li>Stramonium&nbsp;&#8211; durante o delírio os olhos ficam muito abertos, há agitação, violência e ausência de dor. Fala línguas estranhas, grita, chora ou ri, dança com loquacidade extraordinária, crê estar vendo espíritos e conversa com eles, comporta-se como se estivesse possuído. Ocorre delírio erótico (arranca as roupas) e delírio religioso à noite (canta louvores com desespero por sua salvação).</li>



<li>Belladonna&nbsp;&#8211; o delírio é muito violento, furioso, bate a cabeça na parede e arranca o cabelo; loquacidade, mudando de um assunto para o outro, sem que haja conexão entre eles e sem concluí-los. Fala sobre temas religiosos, delira sobre cachorros, ladra, deseja morder, alucina que vê gatos, que vê cachorros, que é um cachorro ou outro animal. Pode atacar com violência, com desejo de matar e colocar fogo em tudo.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda cabe lembrar&nbsp;Canabis indica&nbsp;pelo lado alucinógeno (entretanto a agitação dos indivíduos Mandragora é mais marcante), e também&nbsp;Opium&nbsp;onde a alienação, a parca atividade, a hipotonia e hiposensibilidade fazem a diferença, apesar da característica do aspecto narcotizado que se encontra nos dois pacientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação às&nbsp;convulsões:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Mandrágora&nbsp;&#8211; há convulsão generalizada.</li>



<li>Stramonium&nbsp;&#8211; há convulsão com a consciência preservada, com pouca ou nenhuma dor, tiques, movimentos coreiformes e carfológicos. Agravação à luz ou por objetos brilhantes, vendo ou ouvindo barulho de água corrente.</li>



<li>Hyoscyamus- as convulsões são mais clônicas que tônicas, com perda da consciência, ocorrendo após refeições, susto ou durante o sono.</li>



<li>Belladonna&nbsp;&#8211; convulsão tônico-clônica com congestão cerebral evidente.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todos são&nbsp;hipersensíveis, mas modalizando:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>à luz: Belladonna é mais que Stramonium</li>



<li>a odores: Mandragora</li>



<li>ao ruído: Belladonna é mais que Mandrágora, que é mais que Hyoscyamus.</li>



<li>ao ruído da corrente de água: Stramonium.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A respeito de&nbsp;ciúme&nbsp;e&nbsp;clarividências:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Hyoscyamus&nbsp;é um dos mais ciumentos da Matéria Médica, com raiva e impulso para matar. Possui clarividência graças a sua identificação com o inconsciente.</li>



<li>Stramonium&nbsp;também é ciumento, acusando a sua esposa de infiel ou seu marido de negligente. Tem clarividência.</li>



<li>Belladonna&nbsp;tem ciúmes, dizendo e fazendo o que nunca diria ou faria. Não tem clarividência.</li>



<li>Mandragora&nbsp;não tem estes sintomas descritos nas Matérias Médicas pesquisadas.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Existem outros medicamentos que devem ser comparados através da sintomatologia em comum com a Mandragora:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Dores estomacais, melhorando ao comer e piorando com estômago vazio: Anacadium, Graphites, Chelidonium, Iodium, Hedera, Fluoric acid, Calcarea fluorica, Bromium, Ignatia, Petrolium, Conium.</li>



<li>Dores na cabeça, melhorando ao urinar: Phosphoric acid, Gelsemium, Sanguinaria, Silicia, Veratrum album.</li>



<li>Dores na cabeça, piorando ao ficar em pé: Sulphur. Deixando os membros pendentes: Pulsatilla.</li>



<li>Dores de cabeça, melhorando ao se reclinar: Belladonna, Bismuthum, Causticum, Dioscorea, Kali carbonicum.</li>



<li>Melhora com movimentação contínua: Pulsatilla, Rhus, Hedera, Iodium.</li>



<li>Prisão de Ventre, com impulso frustrado e fezes granuladas: Nux vomica, Alumina, Plumbum.</li>



<li>Cólicas de vesícula biliar: Belladonna, Colocynthis, China, Chelidonium, Lycopodium, Berberis, sais de Magnesio.</li>



<li>Com lateralidade à direita: Lycopodium, Chelidonium, Sanguinaria.</li>



<li>Distúrbios de estômago, melhorando com evacuação e flatos: Agaricus.</li>



<li>Catarro de intestino, com evacuação em jato: Podophyllum; com tenesmo: Mercurius; com evacuação espontânea: Aloe.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Com o estudo da Mandrágora tem-se à mão uma nova prescrição para aqueles pacientes com artrose, gota e ciática, que já foram tratados com inúmeros medicamentos e sem grande melhora, podendo obter alívio com o uso organicista deste medicamento.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, abre um novo horizonte para aqueles pacientes que vem usando Belladonna ou Hyoscyamus ou Stramonium e que não estão progredindo, apesar do medicamento ter sido bem escolhido. Talvez sejam Mandrágora!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pela experiência clínica o que se sabe é que dos quatro medicamentos a Mandragora apresenta sintomas mais atenuados e com evolução mais crônica dos mesmos.&nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">REFERÊNCIAS</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALLEN, T.F. The encyclopedia of pure materia medica. New Dehi: B. Jain Publisher, 1920.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BÍBLIA Sagrada. São Paulo: Sociedade blíbica do Brasil, 1988.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRUNINI, C; SAMPAIO, C. Matéria médica homeopática IBEHE. São Paulo: Mithos, 1982, p. 179-197.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DAVIS, J.D. Dicionário bíblico. 4.ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1973, p. 375-376.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FONT QUER, P. Plantas medicinales &#8211; El dioscorides renovado. 5.ed. Barcelona: Editorial Labor S/A, 1981, p. 590-595.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KURY, M.G. Dicionário de mitologia grega romana. 2.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda, 1992, p. 83 e 172.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MEZGER, J. Ensinamentos sobre medicamentos homeopáticos. Heidelberg: Editora Haug Verlag, 1985.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NUÑES, D.R. La guia de incafo de las plantas útiles y venenosas de la península ibérica y baleares. Madri: INCAFO AS, 1991, p. 803-805.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_______ Mandragora, quadro farmacológico e experiências. Jornal Geral Homeopático nº 209, 1964, p 107.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SHAKESPEARE, W. Romeu e Julieta (ato IV cena III). Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar Editora, 1969.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WHITMONT, Edward C. Psique e substância &#8211; A homeopatia à luz da psicologia junguiana. São Paulo: Summus, 1989.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TYLER, M. L. Retratos de medicamentos homeopáticos. São Paulo: Livraria Santos Editora, 1992, p.128-138, 334-347, 443-450.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VIJNOVSKY, B. Tratado de matéria médica homeopática. Rio de Janeiro: MUKUNDA, 1987. v.2, p. 339-341.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VOISIN, H. Manual de matéria médica para o clínico homeopata. São Paulo: Andrei Editora, 2ªed, 1987.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong>Autora: Dra&nbsp;Lia Rachel B. Romano</strong></p>
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