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	<title>Arquivos Mercado de Trabalho - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Thu, 28 May 2026 19:59:38 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Mercado de Trabalho - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Quando o entusiasmo é a bússola do trabalho</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/quando-o-entusiasmo-e-a-bussola-do-trabalho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 13:43:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[entusiasmo]]></category>
		<category><![CDATA[motivação]]></category>
		<category><![CDATA[saúde do trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[saúde emocional]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Números do Ministério da Previdência Social mostram que, cada vez mais, há afastamentos do trabalho por questões de saúde emocional. A partir de 26 de maio deste ano, entra em vigor a RN1 que, entre outras coisas, visa mapear e prevenir também os riscos psicossociais no ambiente laboral. Os órgãos reguladores de estado se mexem e as empresas precisam se adaptar. Mas e os indivíduos? Estão olhando para si mesmos? Será que só os movimentos corporativos são o bastante? Será que a saúde no trabalho não passa também pela nossa capacidade individual de enxergar nele um sentido maior, enxergar nele entusiasmo?</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/quando-o-entusiasmo-e-a-bussola-do-trabalho/">Quando o entusiasmo é a bússola do trabalho</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo: </strong>Números do Ministério da Previdência Social mostram que, cada vez mais, há afastamentos do trabalho por questões de saúde emocional. A partir de 26 de maio deste ano, entra em vigor a RN1 que, entre outras coisas, visa mapear e prevenir também os riscos psicossociais no ambiente laboral. Os órgãos reguladores de estado se mexem e as empresas precisam se adaptar. Mas e os indivíduos? Estão olhando para si mesmos? Será que só os movimentos corporativos são o bastante? Será que a saúde no trabalho não passa também pela nossa capacidade individual de enxergar nele um sentido maior, enxergar nele entusiasmo?</p>



<h2 id="h-o-brasil-tem-hoje-103-milhoes-de-pessoas-ocupadas-segundo-dados-do-ibge-instituto-brasileiro-de-geografia-e-estatistica" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O Brasil tem hoje 103 milhões de pessoas ocupadas, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2025, o número médio de trabalhadores ficou na casa dos 100 milhões também. Estamos falando de quase a metade da população brasileira. Faço parte desta estatística há um bom tempo, mas se tem algo ao que um analista junguiano não deve se limitar, embora também não deva ignorar, são as estatísticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que orienta a relação dessas 103 milhões de pessoas com o trabalho que realizam</strong>? É impossível responder por todos, só posso responder por mim e você, que lê este texto e que também integra essa estatística, só pode responder por si próprio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, encomendada pelo Nubank, aponta que 23% do nosso tempo é dedicado ao trabalho remunerado. Teríamos, segundo a mesma pesquisa, 30% do tempo dedicado ao sono e 26% do tempo livre. Claro, como toda média, essa pesquisa não fala diretamente a mim nem a você, mas, seja como for, 23% não é pouca coisa: pensando no uso do nosso tempo desperto, estamos falando de um terço. Saber qual é o sentido de um terço da minha vida vígil me parece algo extremamente relevante.</p>



<h2 id="h-ainda-num-sobrevoo-estatistico" class="wp-block-heading" style="font-size:20px"><strong>Ainda num sobrevoo estatístico</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Dados do Ministério da Previdência Social revelam 4,1 milhão de casos de afastamentos das funções laborais por questões de saúde em 2025, aumento de 17,1% em relação a 2024. Quando se coloca uma lente nesses números, descobre-se que mais de 546 mil afastamentos foram por motivos de saúde mental, um crescimento de 15,6%. A ansiedade foi responsável por mais de 166 mil afastamentos e a depressão, por quase 127 mil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Colocar a “culpa” desses casos única e exclusivamente na conta do trabalho seria uma leviandade. Somos um todo, mesmo que não integrados, e, por mais que nossa racionalidade cartesiana se esmere por reduzir as causas dos nossos problemas a uma única área de atividade humana, uma reflexão mais sensata e profunda conseguiria nos revelar a complexa diversidade por trás de cada um desses afastamentos do trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a minha experiência me leva a supor que, nesse universo crescente e nada desprezível de casos de afastamento do trabalho, há aquelas que, diante da pergunta, “o que significa para você o trabalho?”, se depara com um desolador nada, como se o tempo destinado a essa finalidade caísse no esquecimento da insignificância.</p>



<h2 id="h-visao-de-mundo-e-saude-emocional" class="wp-block-heading"><strong>Visão de mundo e saúde emocional</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para Jung (p. 115), “a visão de mundo está diretamente relacionada com o bem-estar psíquico [&#8230;] se pode dizer que as coisas são muito menos o que elas são do que como nós a vemos”. Saber o que significa o trabalho para alguém é entender como essa pessoa o enxerga, que lugar ele ocupa em sua cosmovisão e tal compreensão do contexto individual do trabalho, do ponto de vista psicológico, é tão ou mais importante do que uma visão sócio-corporativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O crescimento no número de afastamentos de trabalhadores por questões de saúde inspirou a NR1, Norma Regulamentadora nº 1, que, entre outras medidas, prevê a existência de um programa de mapeamento e prevenção de riscos à saúde do trabalhador no ambiente laboral, o que inclui riscos psicossociais. Isso é ótimo, mas o suporte psicológico apenas por compromisso legal e etiqueta corporativa, sem que a pessoa enxergue, nesse processo, um sentido maior numa perspectiva íntima e pessoal, provavelmente não terá o efeito desejado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua autobiografia, Jung (2016, p. 27) diz que o propósito de uma vida humana é a realização do próprio mito, o que equivale a deixar, como legado, uma história que expresse, a partir da universalidade que nos constitui, uma vida singular e, ao mesmo tempo, capaz de ser compreendida, servindo, possivelmente, de inspiração para que cada um empreenda sua própria jornada da forma mais genuína possível.</p>



<h2 id="h-james-hollis-p-101-escreve" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">James Hollis (p. 101) escreve:</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>“Ao dizer sim ao seu o vocatus, Jesus torna-se o Cristo. Jung disse então que a adequada imitatio Christi não era viver como o Nazareno da Antiguidade e, sim, viver a própria individuação, a própria vocação, tão plenamente quanto Jesus viveu o Cristo.”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Creio que o mito de cada um de nós envolva, de forma nada desprezível, o tempo dedicado ao trabalho. Por mais profano que possa parecer, o trabalho pode ser consagrado.</p>



<h2 id="h-a-jornada-etimologica-da-palavra-trabalho" class="wp-block-heading"><strong>A jornada etimológica da palavra trabalho</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Trabalho é a prova do caráter simbólico das palavras porque carrega em si uma essência antinômica. Isso significa dizer que não é unilateral, é complexo por excelência, carrega luz e sombra, tem, em seu ventre, a força vital da tensão de uma multiplicidade de opostos complementares e, dessa forma, é transdutor: permite-nos transcender e encontrar uma nova e terceira dimensão de nós mesmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A palavra, vastamente usada em três línguas, o português, o francês e o espanhol, vem do latim <em>tripalium</em>, <em>tri</em> (três) <em>palus</em> (paus): objeto com diversos usos laborais na lida agrária na Roma Antiga, mas que também era usado para torturar escravos. A ferramenta se constituía de três estacas que formavam, numa composição, uma espécie de asterisco, com dois paus em xis e o terceiro disposto verticalmente entre esses dois. O escravo era amarrado aí, quase como um crucificado. Cabia ao carrasco <em>tripaliare</em> o escravo “insubordinado”.</p>



<h2 id="h-mas-com-o-correr-dos-anos-decadas-seculos-e-milenios-trabalho-incorporou-a-nobreza-de-outras-palavras-como-oficio-que-e-a-juncao-de-obra-opus-e-fazer-facere" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Mas com o correr dos anos, décadas, séculos e milênios, trabalho incorporou a nobreza de outras palavras, como ofício, que é a junção de obra (<em>opus</em>) e fazer (<em>facere</em>).</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Virou sinônimo de dignidade na sociedade capitalista de ética protestante e incorporou a expressão da boa e velha realização pessoal. Contudo, ainda carrega e sempre haverá de carregar um bocado do sofrimento de que se origina. Ouso dizer que carregaria o sofrimento em qualquer situação em que se associasse à ideia de vida. Que me valham os budistas!</p>



<p class="wp-block-paragraph">A “saída”, então, é encontrar, no trabalho, algo que transcenda o sofrimento, que nos permita extrapolar sua dimensão mundana, conectando-o também com o sagrado. É assim, então, que transformamos sofrimento em sacrifício — <em>sacer</em> (sagrado) <em>officium</em> (fazer uma obra) —&nbsp; por meio do trabalho. A palavra sacrifício, por origem, traduz o ato de conferir a algo mundano caráter divino: um objeto, um alimento, uma vida ofertada aos deuses. Na cultura cristã, o termo virou sinônimo de renúncia pessoal por um bem maior. Afinal, é Cristo quem dá-se a si mesmo em sacrifício.</p>



<h2 id="h-para-que-e-pelo-que-se-sacrificar" class="wp-block-heading"><strong>Para que e pelo que se sacrificar?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Jesus tinha um “para que” sacrificar-se, tinha o seu trabalho sagrado e eu acredito que cada um de nós tenha o seu próprio e somente na mais íntima singularidade podemos encontrá-lo. “Misterioso demais”, alguém pode dizer. Mas há pistas para acharmos esse íntimo sagrado que, com certeza, não são promessas paradisíacas de euforia sem fim. Não há caminho fácil para o sagrado que nos habita.</p>



<h2 id="h-o-mitologo-joseph-campbell-p-127-em-entrevista-ao-jornalista-bill-moyers-que-viraria-o-livro-o-poder-do-mito-aponta-para-uma-direcao" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O mitólogo Joseph Campbell (p. 127) em entrevista ao jornalista Bill Moyers, que viraria o livro <em>O poder do mito</em>, aponta para uma direção:</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>“[&#8230;] pondo-se no encalço de sua bem-aventurança, você se coloca numa espécie de trilha que esteve aí o tempo todo, à sua espera, e a vida que você tem que viver é essa mesma que você está vivendo.”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Num sentido literal, bem-aventurança significa estar de bem com o que há de vir na vida. Em certa medida, é encarar o que nos acontece, por pior que seja, como uma bênção, mas para que eu seja capaz de enxergar a vida dessa maneira, preciso me guiar pelo que me entusiasma, por aquilo que me leva a sentir que Deus (<em>Theos</em>) não está apenas fora, mas também dentro (<em>en</em>): <em>en-Theos</em>, de onde nasce a palavra entusiasmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Campbell</strong> (Cf. 2014, p. 126) cita, na mesma entrevista, sua experiência como professor, o que o levava, muitas vezes, a desempenhar o papel de orientador vocacional. Ele dizia aos alunos algo como: siga a sua bem-aventurança, porque é o que lhe fará suportar e encontrar sentido nas inevitáveis frustrações que o caminho lhe reserva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gosto do paralelo que ele faz com os ensinamentos hindus, por meio do conceito de <em>Sat-Chit-Ananda</em>. Essas palavras, do sânscrito, significam, bem grosseiramente falando: Ser, Consciência e Bem-Aventurança (Enlevo). Então, Campbell (p. 128) diz: “Não sei se minha consciência é propriamente consciência ou não; não sei se o que entendo pelo meu ser é o meu próprio ser ou não; mas sei onde está o meu enlevo [bem-aventurança]. Então, vou apegar-me ao meu enlevo, e isso me trará tanto a minha consciência como o meu ser”.</p>



<h2 id="h-estar-no-proprio-eixo-e-buscar-ser-por-inteiro" class="wp-block-heading"><strong>Estar no próprio eixo é buscar ser por inteiro</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A nossa bem-aventurança precisa, necessariamente, estar associada ao que se faz na vida para ganhar dinheiro? Creio que não. A vida é multifacetada, composta de diversas áreas e a bem-aventurança é o eixo que integra todas elas da melhor forma possível. É possível que haja um bocado de bem-aventurança em cada uma delas e esses bocados, acredito, estão relacionados ao amor próprio.</p>



<h2 id="h-naturalmente-entusiasmo-e-bem-aventuranca-dialogam-com-e-podem-ser-sinonimos-de-vocacao-do-latim-vocatio-chamado-vocatus-ou-voz" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Naturalmente, entusiasmo e bem-aventurança dialogam com e podem ser sinônimos de vocação, do latim <em>vocatio</em>, chamado (<em>vocatus</em>) ou voz.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nosso entusiasmo é uma “voz” que não pode ser ignorada nem confundida com euforia nem empolgação, porque não é efêmera, tampouco só vem de fora, é a eternidade que palpita em nossa psique e nos faz sentir que aquilo que está dentro sempre esteve no mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-o-ponto-e-que-nem-sempre-e-possivel-ou-viavel-fazer-da-nossa-vocacao-nosso-trabalho-remunerado-cf-hollis-p-100-101" style="font-size:16px">O ponto é que nem sempre é possível ou viável fazer da nossa vocação nosso trabalho remunerado (Cf. Hollis, p.100-101). Às vezes, o que nos enche de sentido e significado é cuidar e proteger. Às vezes, é ser poeta onde a maioria das pessoas não entendem o valor da metáfora. Aliás, poesia vem de <em><strong>poiesis</strong></em>, do grego; quer dizer “ato de fazer”, é trabalho que, muitas vezes, não enche o nosso prato, mas nutre a nossa alma. Porém, não raramente, alguém precisa sustentar o poeta.</p>



<h2 id="h-james-hollis-p-100-101-escreve-que" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">James Hollis (p. 100-101) escreve que:</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>“deixar de responder à nossa vocação pode causar dano à alma”, mas, ao mesmo tempo, “quase todos nós teremos de trabalhar a vida inteira[&#8230;] para ganhar dinheiro e satisfazer nossas necessidades econômicas”.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é incomum, então, que o trabalhador que vive no artista seja seu próprio mecenas. Há um lindo dorama chamado Navillera que mostra como um carteiro venceu o tempo para, no fim da vida, dar à luz um bailarino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Guiar-se pelo entusiasmo é ter coragem de ir a fundo na própria alma, responsabilizar-se por si mesmo e se saber dependente, mas, ao mesmo tempo, ter consciência de que os vínculos de dependência, como costuma dizer Waldemar Magaldi, devem ser escolhas nossas. Seguir o próprio entusiasmo é ouvir o <em>vocatus</em> e fazer da própria vida a “grande” obra, não aos olhos dos outros, mas aos próprios olhos. Só assim será possível encontrar sentido e significado, inclusive no trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/wagnerhilario/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/wagnerhilario/">Wagner H P Borges — Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi — Membro Didata pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vídeo convite:</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Quando o entusiasmo é a bússola do trabalho&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/p9noPvRh5mI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Bibliografia:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">CAMPBELL, Joseph. <em>O poder do mito</em>. 29ª ed. São Paulo: Palas Athenas, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, James. <em>A passagem do meio — da miséria ao significado da meia-idade</em>. São Paulo: Paulus, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>A prática da psicoterapia</em>. 16ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_________. <em>Memórias, Sonhos e Reflexões</em>. 35ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARACCINI, Gabriela. <em>Brasileiros têm apenas 26% do tempo livre ao longo da vida, diz estudo</em>. CNN Brasil, 2026. Disponível em: <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/brasileiros-tem-apenas-26-do-tempo-livre-ao-longo-da-vida-diz-estudo/">https://www.cnnbrasil.com.br/saude/brasileiros-tem-apenas-26-do-tempo-livre-ao-longo-da-vida-diz-estudo/</a>. Acesso em: 09 de maio de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CASEMIRO, Poliana; MOURA, Rayane. <em>Brasil tem 4 milhões de afastamentos do trabalho em 2025, maior número em cinco anos</em>. G1, 2026. Disponível em: <a href="https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/01/26/brasil-tem-4-milhoes-de-afastamentos-do-trabalho-em-2025-maior-numero-em-cinco-anos.ghtml">https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/01/26/brasil-tem-4-milhoes-de-afastamentos-do-trabalho-em-2025-maior-numero-em-cinco-anos.ghtml</a>. Acesso em: 09 de maio de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Reescrevendo o Destino: A Transição de Carreira na Meia Idade como Expressão do Daimon</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/reescrevendo-o-destino-a-transicao-de-carreira-na-meia-idade-como-expressao-do-daimon/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Helena Soares Marinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2025 16:14:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Este artigo analisa a transição&#160; de carreira na meia-idade à luz da psicologia analítica de C.G. Jung, compreendendo-a como expressão simbólica do processo de individuação. Ao articular os conceitos de persona, self, metanoia e daimon, propõe-se que a mudança profissional, longe de ser apenas uma resposta adaptativa ao mercado, reflete um impulso interno por [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5"><strong>Resumo</strong>: <strong>Este artigo analisa a transição&nbsp; de carreira na meia-idade à luz da psicologia analítica de C.G. Jung, compreendendo-a como expressão simbólica do processo de individuação</strong>. Ao articular os conceitos de persona, self, metanoia e daimon, propõe-se que a mudança profissional, longe de ser apenas uma resposta adaptativa ao mercado, reflete um impulso interno por autenticidade e inteireza. A <strong>crise</strong>, nesse contexto, atua como catalisadora de transformação psíquica. A partir de autores como Jung, James Hollis, James Hillman e William Bridges, argumenta-se que a reconexão com a vocação profunda representa um rito de passagem contemporâneo. O trabalho, então, deixa de ser apenas instrumento de sobrevivência e passa a ser expressão do self em ação. A travessia da meia-idade se revela, assim, como oportunidade de reescrever o destino com base em um chamado interior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-contexto-contemporaneo-caracterizado-por-rapidas-transformacoes-sociais-culturais-e-tecnologicas-observa-se-um-crescente-numero-de-pessoas-questionando-seus-caminhos-profissionais-e-repensando-suas-trajetorias-de-carreira" style="font-size:20px">No contexto contemporâneo, caracterizado por rápidas transformações sociais, culturais e tecnológicas, observa-se um crescente número de pessoas questionando seus caminhos profissionais e repensando suas trajetórias de carreira.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Em uma sociedade na qual o trabalho ocupa papel central na construção da identidade, a mudança de profissão — especialmente na meia-idade — torna-se uma experiência intensa, muitas vezes acompanhada por <strong>crises existenciais</strong>. Assim, é interessante lançarmos luz sobre os aspectos simbólicos, existenciais e arquetípicos implicados nessas mudanças.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mais-do-que-uma-simples-reorientacao-funcional-esse-movimento-pode-representar-um-mergulho-psiquico-em-direcao-ao-self-revelando-o-processo-de-individuacao-descrito-por-c-g-jung" style="font-size:20px">Mais do que uma simples reorientação funcional, esse movimento pode representar um mergulho psíquico em direção ao self, revelando o processo de individuação descrito por C.G. Jung.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Elemento central do pensamento de Jung, o chamado <strong>processo de individuação</strong> é aquilo por meio do qual que a pessoa vai se conhecendo, retirando suas máscaras, retirando as projeções lançadas anteriormente no mundo externo e integrando-as a si mesmo:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Individuação significa tornar-se um ser único, na medida em que por individualidade entendemos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável significando também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo. Dessa forma, podemos traduzir ‘individuação’ como tornar-se ‘si-mesmo’ (Verselbstung) ou o realizar do si-mesmo (Selbstverwirklichung). </p><cite>Jung, 1987, p. 49</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">O processo de individuação acontece em três movimentos gerais: o primeiro é o caminho para a <strong>diferenciação do coletivo</strong>; o segundo, a<strong> diferenciação de si</strong>, a realização de si-mesmo; e, por fim, <strong>o retorno ao coletivo</strong>, de uma forma mais integrada. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-diferenciacao-pressupoe-o-afastamento-da-conformidade-pessoal-e-da-coletividade-para-depois-voltar-de-forma-mais-autentica-e-contribuir-com-uma-nova-dinamica-a-coletividade" style="font-size:20px">A diferenciação pressupõe o afastamento da conformidade pessoal e da coletividade, para depois voltar de forma mais autêntica e contribuir com uma nova dinâmica à coletividade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">A transição de carreira pode ser compreendida, também, à luz do conceito de <strong>persona</strong> de Jung, como um momento em que a máscara social que usamos — e que foi funcional em determinado período da vida — começa a mostrar sinais de inadequação ou desgaste em relação à totalidade do self.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-a-persona-e-a-mascara-que-o-individuo-apresenta-ao-mundo" style="font-size:20px">Para <strong>Jung</strong>, a persona é a &#8220;máscara&#8221; que o indivíduo apresenta ao mundo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Ela representa os papéis sociais que assumimos (profissional, familiar, social) e é necessária para a convivência e adaptação no mundo externo. A persona organiza a forma como nos apresentamos socialmente, mas não representa nossa essência profunda. É um compromisso entre o indivíduo e a sociedade. A transição de carreira, especialmente quando motivada por um impulso interno (e não apenas externo, como uma demissão), costuma ocorrer quando a persona vigente deixa de servir ao desenvolvimento psíquico. Nesses casos, “a persona profissional” pode ter sido construída para atender expectativas parentais, sociais ou culturais, porém, chega um ponto em que a rigidez dessa máscara começa a sufocar o self — o centro organizador da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">O trabalho, além de garantir sustento, oferece um sentido de pertencimento e contribui para a formação da identidade. A ocupação escolhida molda a autoimagem e influencia diretamente o modo como o indivíduo se percebe no mundo. No entanto, quando esta função perde o significado ou entra em conflito com aspectos mais profundos da psique, ocorre um deslocamento: o sujeito se vê impelido a buscar outra expressão de si no mundo.<br><br>Essa ruptura geralmente se intensifica na meia-idade, fase marcada, segundo autores como James Hollis, por uma série de questionamentos existenciais. Para <strong>Hollis </strong>a meia-idade é um momento de transição e mudança profunda na vida do indivíduo: a metanoia é um processo de &#8220;<strong>morte e renascimento</strong>&#8220;, onde a pessoa revisa sua vida e se reconecta com seus valores e propósito. É nesse período que o indivíduo revisita escolhas passadas, confronta a finitude, e busca ressignificar sua vida. A transição de carreira, nesse contexto, pode funcionar como um gatilho ou como consequência de um processo interno de desconstrução e reconstrução psíquica. A crise, portanto, assume papel de catalisadora de mudança e de crescimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-reinvencao-de-carreira-na-meia-idade-tem-caracteristicas-especificas" style="font-size:20px">A reinvenção de carreira na meia-idade tem características específicas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Segundo Jung (1987), na primeira metade da vida gastamos parte da nossa energia para nos adaptar ao mundo exterior; na segunda metade é chegada a hora de nos voltarmos mais para nosso mundo interior.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>A primeira metade da vida é um período de progressiva expansão. O jovem terá de renunciar aos hábitos de infância, aos aconchegos familiares, para atender aos desafios do mundo exterior. Terá de estudar, trabalhar e conquistar uma posição social. Terá de vivenciar em si mesmo a eclosão dos instintos e fará encontro com o sexo oposto. Ficará apto a gerar. [&#8230;] Na segunda metade da vida as tarefas são diferentes. Acabou o tempo de expansão. Agora é tempo de colher, de reunir aquilo que estava disperso, de juntar coisas opostas, de concentrar. </p><cite>Silveira, 1997, pp. 156-157</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Demandas sobre o sentido da vida e o que fazer no futuro promovem um mergulho nas profundezas da alma e, ao mesmo tempo configuram-se em possibilidade de renovação, metaforicamente expressa por Jung: “<strong><em>Precisamente ao meio-dia, o Sol começa a declinar e esse declínio significa uma inversão de todos os valores e ideais cultivados durante a manhã (…) É como se recolhesse dentro de si os próprios raios</em></strong>” (2013, p.354). Ele complementou, afirmando que entramos despreparados na segunda metade da vida: “<strong><em>Não podemos viver a tarde de nossa vida segundo o programa da manhã, porque aquilo que era muito na manhã, será pouco na tarde, e o que era verdadeiro na manhã, será falso no entardecer</em></strong>” (2013, p. 355).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-transicao-de-carreira-na-meia-idade-transcende-os-limites-de-uma-simples-reorientacao-funcional-ou-de-uma-resposta-estrategica-as-demandas-do-mercado" style="font-size:20px">A transição de carreira na meia-idade transcende os limites de uma simples reorientação funcional ou de uma resposta estratégica às demandas do mercado. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Quando abordada sob a perspectiva da psicologia analítica, ela se revela como um movimento psíquico profundo — uma travessia simbólica que atualiza o processo de individuação. Trata-se, portanto, de um deslocamento do eixo da vida: do ego adaptado à persona para o self como centro regulador da totalidade psíquica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-ja-apontava-que-a-realizacao-do-si-mesmo-e-o-maior-de-todos-os-valores-humanos-jung-1987-p-56-mas-essa-realizacao-nao-ocorre-sem-rupturas" style="font-size:20px">Jung já apontava que “<strong><em>a realização do si-mesmo é o maior de todos os valores humanos</em></strong>” (Jung, 1987, p. 56), mas essa realização não ocorre sem rupturas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">A <strong>persona</strong>, outrora útil, começa a ruir, sinalizando que o que antes servia à adaptação ao mundo já não atende mais à alma. Nesse momento, surgem sintomas, crises, angústias — expressões da psique que exigem escuta e reorientação. A crise, nesse sentido, é uma oportunidade. Como afirma Hollis (2011), “toda crise, mesmo a mais devastadora, carrega em si uma convocação à transformação”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5"><strong>A meia-idade é terreno fértil para essa convocação</strong>. Segundo Jung, é nesse período que somos impelidos a buscar o que nos foi deixado de lado na construção da persona: “<strong><em>O encontro com o si-mesmo é muitas vezes experimentado como uma derrota para o ego</em></strong>” (Jung, 2013, p. 357). Essa derrota, porém, não é destrutiva — é uma rendição necessária ao daimon interior, que exige expressão e autenticidade. Como observa James Hillman, “<strong><em>o daimon é a imagem do destino pessoal, o portador do nosso sentido mais profundo</em></strong>” (Hillman, 1996, p. 41).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5"><strong>William Bridges</strong>, renomado consultor americano que trouxe grande contribuição para o gerenciamento da transição para indivíduos e empresas nas últimas décadas, contribui com uma compreensão fenomenológica do processo de transição, descrevendo-o como um ciclo composto de fim, zona neutra e novo começo. Ele enfatiza que a <strong>zona neutra </strong>— essa fase de vazio e ambiguidade — é “<strong>o local onde a criatividade e o renascimento se tornam possíveis</strong>” (Bridges, 1999, p. 135). É nesse espaço liminar que os antigos referenciais se dissolvem e algo novo, ainda indefinido, começa a se formar. Tal como nas fases da alquimia, é no nigredo que se inicia o processo de transformação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-escuta-do-daimon-que-jung-via-como-uma-forca-interior-compulsiva-apud-staub-1981-p-121-exige-coragem" style="font-size:20px">A escuta do daimon — que Jung via como “uma força interior compulsiva” (apud Staub, 1981, p. 121) — exige coragem.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Não se trata de uma escolha <strong>racional</strong>, mas de um assentimento existencial àquilo que nos move de forma inegociável. Hollis (2011) afirma: “<strong>Podemos escolher uma carreira, mas não escolhemos uma vocação. A vocação nos escolhe</strong>.” Essa dimensão vocacional, que se manifesta muitas vezes por meio de sintomas, inquietações ou súbitas inspirações, remete a algo maior do que o ego: trata-se de um chamado à autenticidade e à integração.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neste-contexto-a-mudanca-de-carreira-torna-se-um-rito-de-passagem-contemporaneo-em-que-o-trabalho-deixa-de-ser-apenas-instrumento-de-sobrevivencia-e-passa-a-ser-expressao-simbolica-do-self-em-acao-no-mundo" style="font-size:20px">Neste contexto, a mudança de carreira torna-se um rito de passagem contemporâneo, em que o trabalho deixa de ser apenas instrumento de sobrevivência e passa a ser expressão simbólica do self em ação no mundo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Como escreve Jung em <em>Memórias, Sonhos e Reflexões</em>: “<em>Todos os meus escritos são, de certa forma, tarefas que me foram impostas de dentro. Nasceram sob a pressão de um destino. O que escrevi transbordou da minha interioridade. Cedi a palavra ao espírito que me agitava</em>.” (Jung, 1987, p. 194-195). <strong>Essa integração entre vida interior e realização exterior é o verdadeiro sinal da individuação em curso</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.5">Por fim, ao acolhermos a possibilidade de reescrever o destino — não como um ato voluntarista, mas como escuta ativa do que nos habita — nos aproximamos da inteireza. Como nos lembra Nietzsche, <em>“<strong>torne-se quem tu é</strong>”</em>. Quando a vida profissional se torna reflexo da alma, a transição já não é apenas uma mudança de rumo, mas uma reconciliação com aquilo que sempre nos habitou — silenciosamente — à espera de ser vivido.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;Reescrevendo o Destino: A Transição de Carreira na Meia Idade como Expressão do Daimon&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/UmDY0loQ7Ko?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/maria-helena-soares-marinho/"><strong>Maria Helena Soares Marinho</strong> &#8211; Analista em formação IJEP</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/"><strong>Cristina Guarnieri </strong>&#8211; Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:20px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>BRIDGES, William. Managing Transitions: Making the Most of Change. 2. ed. Cambridge, MA: Da Capo Press, 1999.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>HILLMAN, James. O Código do Ser: Um guia arquetípico para o destino e o caráter. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>HOLLIS, James. A passagem do meio. São Paulo: Paulus, 2011.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos e Reflexões. ed. Nova Fronteira, 1987.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>JUNG, Carl Gustav. A dinâmica do inconsciente. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 1987. (Obras completas de C. G. Jung, v. 8).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>JUNG, Carl Gustav. A prática da psicoterapia. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2013. (Obras completas de C. G. Jung, v. 16).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>SILVEIRA, Nise da. Imagens do Inconsciente. 6. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1997.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>STAUB DE ÁVILA, Regina. A Descoberta do Si-Mesmo na Psicologia de C.G. Jung. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1981.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep"><strong>Canais IJEP:</strong></h2>



<figure class="wp-block-image"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-1024x576.png" alt="" class="wp-image-10882" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pós-graduações&nbsp;</strong>– Certificado pelo MEC – 2 anos de duração- Psicologia Junguiana; Arteterapia e Expressões Criativas; Psicossomática;&nbsp;<strong>Matrículas abertas</strong>:&nbsp;<a href="http://www.ijep.com.br/">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Congressos Junguianos</strong>: Gravados e Online – Estude Jung de casa! Aulas com os Professores do IJEP:&nbsp;<a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>YouTube</strong>&nbsp;<strong>IJEP</strong>:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/@IJEPJung/videos">+700 vídeos de conteúdo junguiano</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="772" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-1024x772.png" alt="" class="wp-image-10924" style="width:674px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-1024x772.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-300x226.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-768x579.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-150x113.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3-450x339.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-3.png 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Liderança feminina</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/lideranca-feminina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Michella Paula Cechinel Reis]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Jun 2025 19:36:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Liderança feminina é um tema que está em alta. E por quê? Porque as mulheres ainda ocupam poucos cargos da alta gestão, seja no Brasil ou no mundo. Grupos de pesquisas estão se debruçando em estudar as questões do trabalho feminino e as dificuldades de progressão enfrentadas pelas mulheres até os dias de hoje. [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Resumo</strong>: Liderança feminina é um tema que está em alta. E por quê? Porque as mulheres ainda ocupam poucos cargos da alta gestão, seja no Brasil ou no mundo. Grupos de pesquisas estão se debruçando em estudar as questões do trabalho feminino e as dificuldades de progressão enfrentadas pelas mulheres até os dias de hoje. Muitos símbolos são usados para representar essas barreiras, como degrau quebrado, teto de vidro, labirinto, abelha rainha, entre outros. A busca por mais justiça social perpassa muitos assuntos, e este é um deles. Mulheres são gestoras natas, se compararmos o que as mulheres fazem em sua rotina com a de grandes empresários, elas não saem perdendo em nada (planejamento, tomada de decisões, estratégias e gerenciamento de riscos etc.). Este artigo convida para uma leitura, reflexões e contribuições. Subir a montanha sozinha é mais difícil que acompanhada, não acha?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-contexto-historico-e-socioeconomico" style="font-size:22px"><strong>Contexto histórico e socioeconômico</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Quando pensamos na progressão de carreira e ocupação de cargos de gestão, incluindo altos cargos, a distância entre os homens e as mulheres é algo que se faz notar. A história que conhecemos foi contada pelos homens, e raramente deu destaque as conquistas femininas, legando papeis desvalorizados e invisíveis na sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>O patriarcado levou mais de 2,5 mil anos para se consolidar, é uma criação histórica formada por homens e mulheres</strong>. Os comportamentos apropriados aos sexos eram expressos em valores, costumes, leis e papeis sociais. A sexualidade das mulheres e sua capacidade reprodutiva foi modificada antes da criação da civilização ocidental. O aparecimento da agricultura no período Neolítico fomentou a troca de mulheres intertribal, não só para evitar conflitos através da consolidação das alianças pelo casamento, mas também porque sociedades com mais mulheres produziram mais filhos, que poderiam ser usados na produção e acúmulo de excedentes. As mulheres se tornaram recursos a serem adquiridos, assim como as terras, seja através do casamento ou da escravidão (Lerner, 2019, p. 261-262).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O capital destinou à mulher, numa jogada dupla, o papel de criada e amante, aquela que dá a estrutura para que os homens sejam capazes de se instalar na máquina produtiva. A jogada genial foi convencer as mulheres que isso era inato a sua natureza, o trabalho doméstico e de cuidado, e que esse é seu papel na sociedade. Assim, a “mulher de verdade” é aquela que se ocupa dessa função.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-mulheres-foram-convencidas-a-trabalhar-arduamente-e-a-entender-que-seu-trabalho-nao-e-trabalho-mas-sim-amor-e-dedicacao-a-familia-e-por-ser-assim-todo-esse-trabalho-nao-e-remunerado-visivel-ou-reconhecido" style="font-size:19px">As mulheres foram convencidas a trabalhar arduamente e a entender que seu trabalho não é trabalho, mas sim amor e dedicação à família, e, por ser assim, todo esse trabalho não é remunerado, visível ou reconhecido.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Silvia Federici</strong> (2019, p. 46) menciona que podemos não servir a um homem, mas todas estamos em uma relação de servidão no que concerne ao mundo masculino como um todo. Não importa a ocupação exercida por uma mulher, as consequências do patriarcado estarão em suas costas, gerando pressões em diferentes níveis, sobrecarga de trabalho e adoecimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Em 2024, a população feminina com idade para trabalhar (14 anos ou mais) representava 51,7% das pessoas aptas ao trabalho no país. Entretanto, a taxa de participação feminina na força de trabalho era de 53,1%, ou seja, das mulheres com 14 anos ou mais de idade apenas 53,1% delas estavam inseridas no mercado de trabalho, independente do trabalho ser formal ou informal. Já a taxa de participação na força de trabalho masculina chega a 72,7% (IBGE, 2024a).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">As mulheres possuem maior taxa de desocupação (7,7%) em relação aos homens (5,3%). A desocupação para o IBGE significa que alguma medida para conseguir emprego foi tomada – representado um total de 3,7 milhões de mulheres que buscaram emprego no quarto trimestre de 2024. Outro dado que mostra o desejo das mulheres em ampliar sua participação no mercado de trabalho é a maior taxa de subocupação por insuficiência de horas trabalhadas, representando 52,4% dessa amostra de trabalhadores que consideram o número de horas trabalhadas semanalmente insuficientes (IBGE, 2024a).&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-realidade-das-mulheres-na-gestao-e-ou-na-lideranca" style="font-size:19px"><strong>Realidade das mulheres na gestão e/ou na liderança</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Estudo sobre desigualdade de gênero no Brasil, realizado pelo IBGE (2024b), levantou que em 2022, 39,3% dos cargos gerenciais eram ocupados por mulheres, com predomínio em cargos de gerência nas atividades econômicas voltadas para a <strong>saúde humana e serviço social</strong> (70% dos cargos) e <strong>educação</strong> (69,4% dos cargos). Os rendimentos das mulheres em cargos gerenciais foi 78,8% do rendimento masculino (R$6.600 em média).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-entre-as-conclusoes-desse-estudo-realizado-pelo-ibge-2024b-a-maior-escolaridade-das-mulheres-ainda-nao-se-reflete-em-melhores-oportunidades-no-mercado-de-trabalho" style="font-size:19px">Entre as conclusões desse estudo realizado pelo IBGE (2024b), a maior escolaridade das mulheres ainda não se reflete em melhores oportunidades no mercado de trabalho.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O papel histórico de gênero atribuído às mulheres, como cuidadoras e responsáveis pelas suas famílias e casas, gera sobrecarga de trabalho e fatores de risco para o adoecimento. Invisível, até que alguém deixe de fazê-lo, o trabalho de cuidar é desvalorizado até quando remunerado, sendo as ocupações com piores remunerações no mercado de trabalho e, ainda assim, as profissões mais buscadas como formação superior pelas mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>É importante entendermos que a lógica do mercado de trabalho e o que se considera liderança foi escrita por homens e para homens</strong>. Os comportamentos, vestimentas, jogos de poder e decisão envolvem o mundo racional masculinizado, competitivo e narcisista. Quando uma mulher se torna executiva de uma grande empresa, a pergunta sobre a conciliação entre o trabalho e a família lhe é imposta. O mesmo não ocorre com os executivos homens.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Exemplos de mulheres que foram rainhas, líderes tribais, inventoras, escritoras, cientistas no passado são desproporcionalmente inferiores aos homens. Muitas dessas mulheres entregaram suas produções para serem aceitas pela sociedade da época, precisaram de um homem para referendá-la ou simplesmente tiveram suas ideias roubadas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mesmo-nos-dias-de-hoje-vemos-mulheres-assumirem-liderancas-de-movimentos-em-prol-de-mais-liberdade-direitos-sociais-ou-na-luta-contra-a-violencia-e-preconceitos" style="font-size:19px">Mesmo nos dias de hoje, vemos mulheres assumirem lideranças de movimentos em prol de mais liberdade, direitos sociais ou na luta contra a violência e preconceitos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Malala Yousafizai, a mais jovem vencedora do Prêmio Nobel da Paz, símbolo da luta pelo direito à educação das meninas, sobrevivente da violência extremista do Talibã.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Maria da Penha Maia Fernandes</strong>&nbsp;lutou pela criação da lei Maria da Penha (proteção legal contra a violência). <strong>Nise da Silveira</strong> foi uma das primeiras mulheres a se formar em Medicina no Brasil, foi a única em uma turma de mais de 150 homens. Também foi pioneira na psicologia junguiana no país, bem como nas pesquisas sobre a relação emocional de pacientes com animais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Aos 22 anos,&nbsp;<strong>Nísia Floresta</strong>&nbsp;escreveu o livro&nbsp;<em>“Direitos das mulheres e injustiça dos homens”</em>, o primeiro entre outras 14 obras publicadas pela educadora, jornalista e poetisa em defesa dos Direitos Humanos no Brasil. <strong>Antonieta de Barros</strong> (1901-1952) se tornou a terceira mulher e a&nbsp;primeira parlamentar negra a ser eleita no Brasil, em 1935. <strong>&nbsp;</strong>&nbsp;trilha o caminho do empreendedorismo desde os 12 anos de idade, quando ajudava a complementar a renda da família. Mesmo trabalhando na área de Comunicação, ela seguiu frequentando feiras de empreendedorismo, o que a motivou a criar um evento que valorizasse a cultura negra nesses espaços. Assim nasceu a&nbsp;<a href="https://www.festivalfeirapreta.com.br/">Feira Preta</a> (Fundação Lemann).&nbsp;<strong>Esses nomes são exemplos de pioneirismo, perseverança e muita luta</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-historico-de-exclusao-feminina-esta-ligado-a-diversos-fatores-como-a-divisao-sociossexual-do-trabalho-sobrecarga-domestica-e-preconceitos-institucionais" style="font-size:19px">O histórico de exclusão feminina está ligado a diversos fatores, como a divisão sociossexual do trabalho, sobrecarga doméstica e preconceitos institucionais.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Essas barreiras têm sido mapeadas pela literatura ao longo dos anos e diversas metáforas são utilizadas para elucidar como elas, sendo visíveis ou invisíveis, dificultam e tornam exaustiva a jornada das mulheres para ascender ao poder e a cargos de alta gestão, dentro desta lógica patriarcal, sendo alocadas em cargos de liderança, preferencialmente, em situações de crise, devido ao estereótipo e expectativas de que elas conseguem manejar a situação com suas habilidades socioemocionais. Entretanto, o que se observa na prática é que o que consideramos liderança no ambiente de trabalho é um conceito criado pelos homens, que impõe às mulheres uma necessidade de se provar duas vezes mais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jornada-para-a-lideranca-feminina" style="font-size:22px"><strong>Jornada para a liderança feminina</strong></h2>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-luta-por-ascensao-na-carreira-muitas-mulheres-esbarram-em-tetos-de-vidro-dificuldades-invisiveis-porem-presentes-em-sua-progressao" style="font-size:19px">Na luta por ascensão na carreira, muitas mulheres esbarram em tetos de vidro, dificuldades invisíveis, porém presentes em sua progressão.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Labirintos da liderança, outro conceito usado evidencia as dificuldades e percalços enfrentados pelas mulheres, em uma jornada tortuosa até cargos com maior destaque. Tal situação não ocorre com os homens, pois estes tendem a favorecer uns aos outros. O degrau quebrado é outra metáfora utilizada. Ele impede que a mulher siga em frente. Tudo é feito para que a mulher se desmotive e não siga em frente em suas ambições. Inclusive, a cultura impõe ao feminino a ideia de sacrifício, quase análoga à escravidão ou submissão.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mulheres-ambiciosas-precisam-se-disfarcar-criar-estrategias-e-entre-elas-se-associar-aos-homens-para-galgar-posicoes-mais-privilegiadas" style="font-size:19px">Mulheres ambiciosas precisam se disfarçar, criar estratégias e entre elas, se associar aos homens para galgar posições mais privilegiadas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Seguindo essa ideia, outro conceito importante é o da abelha rainha, aquela cujo trono não pode ser dividido. Ao invés de ajudar outras mulheres a alcançarem o sucesso profissional, este tipo de líder apresenta um discurso de que cada um deve fazer seu caminho, afinal, ela teve que lutar tanto. A jornada feminina para a liderança é cheia de metáforas, símbolos de dificuldades e preconceitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Segundo as Estatísticas de Gênero, produzidas pelo IBGE, as barreiras de acesso a estruturas de poder e aos processos de tomada de decisão para mulheres no Brasil crescem com a posição do cargo e idade da mulher. A título de exemplo, poucas mulheres ocuparam cargos no Supremo Tribunal Federal, órgão máximo da justiça brasileira, dos 171 ministros, apenas 3 foram mulheres e nenhuma delas era negra.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Aqui estamos falando de uma imagem arquetípica importante, a do(a) líder – aquele(a) capaz de inspirar pessoas e mobilizá-las para o alcance de objetivos propostos. O(a) líder é alguém que se destaca, com boa eloquência ao falar e se portar, discurso coerente e persuasivo. O discurso corrente sobre liderança a associa a algo nato, entretanto, torna-se líder é alcançar autoridade e para isso é necessário empreender uma jornada. A liderança pode ser exercida em diferentes direções e intencionalidades, gerando impactos positivos por um lado, e negativos por outro, a depender das lentes e dos envolvidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Jironet</strong> (2012, p. 17) afirma que toda mulher é uma líder. Considerando liderança como a capacidade de pensar, se mover, sentir, interagindo conscientemente com tudo isso, enquanto faz escolhas da vida no dia a dia. Ou seja, a mulher é líder de sua vida exclusiva, seja no espaço corporativo ou em outro ambiente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jironet-2012-faz-um-paralelo-da-lideranca-com-a-jornada-pelo-purgatorio-proposta-por-dante-na-divina-comedia" style="font-size:19px">Jironet (2012) faz um paralelo da liderança com a jornada pelo purgatório proposta por Dante na Divina Comédia.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Segundo ela “a pessoa que insiste em se considerar o centro da criação nega sua natureza fundamental e rejeita sua mais profunda realidade”. Uma das questões importante para um(a) líder é manter-se consciente de seu papel e não distorcer sua autoimagem acima do real, o que Jung chama de <em>hybris</em>, símbolo do orgulho exagerado, arrogância, insolência, descomedimento ou violência. Segundo Junito (1986, p. 172), a <em>hybris</em> (violência) se opõe a Díke (justiça). “Díke e Hýbris, Justiça e Violência, uma ao lado da outra, oferecem ao homem duas opções igualmente possíveis entre as quais compete a ele escolher. A esse mundo tão contrário em que triunfará a Hýbris, restando ao homem tão-somente a anarquia, a desordem e a infelicidade”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-divina-comedia-o-purgatorio-e-uma-montanha-cercada-pelo-mar-e-e-habitado-por-aqueles-que-fazem-penitencia-depois-da-morte-para-expiar-seus-pecados-na-terra" style="font-size:19px"><strong>Na Divina Comédia, o purgatório é uma montanha cercada pelo mar e é habitado por aqueles que fazem penitência depois da morte para expiar seus pecados na Terra</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Divide-se em três partes, que representam três maneiras diferentes de abordar o amor erroneamente. Os três primeiros níveis expiam o amor pervertido ou amor que prejudica o próximo: orgulho, inveja e ira. No meio está a preguiça, ou amor defeituoso. E nos três níveis superiores, o amor excessivo a objetos secundários: avareza, gula e luxúria (JIRONET, 2012, p. 36-38).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-busca-pelas-virtudes-em-cada-etapa-nos-libera-para-a-proxima" style="font-size:19px"><strong>A busca pelas virtudes em cada etapa nos libera para a próxima</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O anjo da humildade recebe a líder orgulhosa, o anjo da generosidade, a invejosa; o anjo da suavidade, a colérica; o anjo da diligência, a preguiçosa; o anjo da caridade, a avara; o anjo da temperança, a gulosa; e o anjo da castidade recebe a luxuriosa (JIRONET, 2012, p. 39). Cada pecado citado por Dante é uma sombra que nos habita como seres humanos, e líderes, como pessoas em destaque podem exacerbar uma ou duas delas ao longo de sua trajetória e conquistas profissionais. É importante ter discernimento para não perder se sua própria alma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-dificuldades-da-jornada-de-trabalho-e-progressao-feminina-levam-muitas-mulheres-a-exacerbarem-o-animus-sua-contraparte-masculina-equiparando-se-aos-homens-em-comportamentos" style="font-size:19px">As dificuldades da jornada de trabalho e progressão feminina levam muitas mulheres a exacerbarem o <em>animus</em>, sua contraparte masculina, equiparando-se aos homens em comportamentos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Tal atitude leva a desconexão com parte de sua essência, sua feminilidade e outros projetos de vida além do trabalho. Uma persona mais agressiva pode acarretar prejuízos físicos, emocionais e psíquicos. O discurso predominante atualmente é o cansaço, o burnout (exaustão), crises de ansiedade e pânico, depressão, adoecimento, entre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>As pressões externas são reflexos dos conflitos internos, e eles não são de agora</strong>. Seguindo a ideia de inconsciente coletivo que Jung propõe em sua obra, o que a sociedade vive no aqui e agora faz parte de sonhos e projeções de gerações passadas. Nossas avós viveram uma realidade em que mulheres lutavam pelo voto e por direitos básicos. Nossas mães viveram a revolução sexual, a abertura do mercado de trabalho para as mulheres, mesmo que timidamente no começo. E antes delas, muitas gerações de mulheres insatisfeitas com sua condição socioeconômica e relacional impregna as vozes das mulheres que buscam por mudanças hoje. Nós achamos que a voz é nossa, de verdade ela é partilhada, impregnada por projeções e atravessamentos de complexos inconscientes compartilhados coletivamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-novos-passos-sao-rumo-a-uma-equidade-maior-restruturacao-das-imagens-que-homens-e-mulheres-fazem-de-si-e-dessa-forma-alimentando-as-imagens-arquetipicas-do-feminino-e-masculino-certamente-estamos-em-um-periodo-de-mudancas" style="font-size:19px">Os novos passos são rumo a uma equidade maior, restruturação das imagens que homens e mulheres fazem de si, e dessa forma, alimentando as imagens arquetípicas do feminino e masculino. Certamente, estamos em um período de mudanças.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>O grande desafio é a integração das dimensões pessoal, emocional, estética, ética, existencial e espiritual da existência</strong> (JIRONET, 2012, p. 179). O alcance desse objetivo não será realizado de maneira individual, mas coletiva entre e para as mulheres, que deve incluir os homens nessa partilha de experiência, repactuação de saberes e práticas da vida cotidiana, do cuidado e combate aos preconceitos das imagens que fazemos de homens e mulheres em nossa sociedade. Políticas públicas e institucionais são necessárias, e serão fruto das ações do presente de homens e mulheres que buscam pela equidade social, equilíbrio nas relações e um novo modelo de homem e mulher a ser construído conjuntamente.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Liderança feminina&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/af-bVvXrIEo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/michellacechinel/">Michella Paula Cechinel Reis – Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Simone Magaldi – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BRANDÃO, J.S. Mitologia grega, volume I. Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FEDERICI, S. O ponto zero da revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista. São Paulo: Elefante, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FUNDAÇÃO LEMANN. Cinco lideranças brasileiras que transformaram o Brasil. Disponível em: <a href="https://fundacaolemann.org.br/noticias/5-liderancas-brasileiras-que-transformaram-o-brasil">https://fundacaolemann.org.br/noticias/5-liderancas-brasileiras-que-transformaram-o-brasil</a>. Acesso em 30/03/2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024a). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua trimestral, dados do terceiro trimestre de 2024. Disponível em: <a href="https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/pnadct/tabelas">https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/pnadct/tabelas</a>. Acesso em 12 de janeiro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024b). Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil. 3 ed. Disponível em: <a href="https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/9ac298aaf1203418036ae00bf1272e92.pdf">https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/9ac298aaf1203418036ae00bf1272e92.pdf</a>. Acesso em 17 de dezembro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JIRONET, K. Liderança feminina: gestão, psicologia junguiana, espiritualidade e a jornada global através do purgatório. São Paulo: Ed. Paulus, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LERNER, G. A criação do patriarcado: histórias da opressão das mulheres pelos homens. São Paulo, Cultrix, 2019.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-1-1024x576.png" alt="" class="wp-image-10509" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-1-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-1-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-1-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-1-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-1-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-1.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



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		<title>A Importância dos Aspectos Femininos na Liderança Contemporânea no Mundo Corporativo</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-importancia-dos-aspectos-femininos-na-lideranca-contemporanea-no-mundo-corporativo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mônica Araujo Contreras]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Dec 2024 18:59:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[aspectos do feminino]]></category>
		<category><![CDATA[aspectos do masculino]]></category>
		<category><![CDATA[feminino]]></category>
		<category><![CDATA[jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo explora os impactos da Liderança Feminina no mundo corporativo, através do arquétipo da Grande Mãe. A partir da simbologia e instinto materno, é possível que a mulher passe a desempenhar uma gestão mais acolhedora, flexível, nutridora, com um olhar mais humano e sensível, nas relações de trabalho, as quais são tão afetadas pelo [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Este artigo explora os impactos da Liderança Feminina no mundo corporativo, através do arquétipo da Grande Mãe. A partir da simbologia e instinto materno, é possível que a mulher passe a desempenhar uma gestão mais acolhedora, flexível, nutridora, com um olhar mais humano e sensível, nas relações de trabalho, as quais são tão afetadas pelo sofrimento psíquico.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>A imagem que criei para ilustrar o artigo, traz o símbolo de Iemanjá, com a sabedoria e serenidade da Grande Mãe, dando suporte emocional e espiritual, para a mulher que lidera.</em></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ha-anos-no-mercado-de-trabalho-observo-os-impactos-das-liderancas-na-produtividade-dos-funcionarios-e-em-sua-saude-fisica-e-mental" style="font-size:17px">Há anos no mercado de trabalho, observo os impactos das lideranças na produtividade dos funcionários e em sua saúde física e mental. </h2>



<p class="wp-block-paragraph">Observo por muitas vezes, líderes impondo metas abusivas. O que vem aumentando os afastamentos por Burnout e outras doenças ocasionadas pelo excesso de trabalho, bem como outras consequências. Se antes o esgotamento e o estresse preocupavam a gestão de pessoas pela falta de engajamento, menor produtividade ou a perda de profissionais por afastamentos, agora o Burnout&nbsp;ganha mais&nbsp;um&nbsp;fator de risco, jurídico e financeiro (Exam, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Transtornos mentais relacionados ao trabalho (<strong>TMRT</strong>), como estresse e ansiedade, são a terceira maior causa de afastamento, e dados apontam tendência de crescimento. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Tais apontamentos fazem refletir sobre uma liderança mais preparada psicologicamente, consciente e humanizada. Que se relaciona de forma acolhedora e preocupada com o indivíduo, visando, além do lucro para as empresas, gerir de forma holística e com atenção as questões sentimentais e emocionais, sem custar a saúde dos funcionários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo <strong>Rafael</strong> <strong>Souza</strong>, em seu livro &#8220;<em>Trabalho, sofrimento e Autorrealização</em>&#8220;:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:16px"><blockquote><p>“É visível a necessidade de executar uma persona profissional, executar a expectativa do mercado e, ao mesmo tempo, renunciar à sua liberdade de criar e executar, fazendo com que o ser humano vire apenas um maquinário programado para produzir e lucrar cada vez mais? Isso causa o chamado sofrimento psíquico no trabalho<a>.</a>”</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os líderes estão sendo cobrados a criar estratégias de gestão de pessoas, para que o trabalho flua e as pessoas se mantenham saudáveis. Mais um desafio, para o ser humano. A partir daí, com a grande ocupação de mulheres em cargos de liderança, notamos que há uma diferença na liderança feminina: lidar com questões ligadas a relacionamentos de forma mais humana e acolhedora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao trazer os princípios da teoria Junguiana, faço uma ampliação da influência arquetípica nas relações de trabalho da contemporaneidade, em sua simbologia masculina e feminina.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-cita-no-livro-a-natureza-da-psique" style="font-size:17px"><em> </em>Jung cita, no livro <em>&#8220;A natureza da psique&#8221;:</em></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:17px"><blockquote><p><strong>O Inconsciente coletivo é a formidável herança espiritual do desenvolvimento da humanidade que nasce de novo na estrutura cerebral de todo ser humano. Não temos como saber muitas vezes, porque tal símbolo ou imagem, se faz tão presente em mim, mas ali está ela, atravessando a nação por gerações.</strong></p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os padrões universais de comportamento, associados aos homens e mulheres podem variar de acordo com o contexto histórico, cultural e social, mas sempre veremos alguns aspectos comuns, de origem arquetípica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No universo masculino, ainda encontramos atualmente a presença do sistema patriarcal, com as características de poder e controle sobre o feminino. Esse padrão de comportamento masculino, é aplicado há tempos, também dentro das empresas, e faz a liderança masculina, no geral, mais prática, rígida, arbitrária e inflexível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cultura patriarcal ainda é uma realidade muito presente, principalmente no mundo corporativo. As mulheres, para atuarem na liderança de forma a serem respeitadas, tem que assumir, muitas vezes, uma postura masculinizada. Acredito que o grande desafio é quebrar essa rigidez, para que, no papel de liderar os funcionários, a mulher possa trazer para a pele aspectos de feminino que fazem parte da simbologia do materno para as relações de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No jornal <strong><em>Ladies Home Journal</em></strong>, edição de março de 1992, foi identificado no artigo dois medos fundamentais dos homens: não estar à altura do que se esperam deles e o medo da provação física e psicológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No livro “<em>Sob a Sombra de Saturno</em>”, <strong>Hollis</strong> fala sobre as questões arquetípicas que envolvem o comportamento masculino. No nível competitivo, os homens participam de trocas competitivas e humilhantes, seja em embates acadêmicos ou empresariais ou em alto-mar ou em campos de batalha. Aponta que a vida dos homens é basicamente governada pelo <strong>medo</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O autor discute que essa essência arquetípica masculina de rigidez, inflexibilidade e falta de afeto, são aspectos a que os homens estão presos a gerações, repetindo este padrão como forma certa, conhecida e ensinada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-que-momento-e-permitido-ao-masculino-sentir-se-vulneravel-sem-sequer-poder-dar-vasao-ou-admitir-ter-medo" style="font-size:18px">Em que momento é permitido ao masculino sentir-se vulnerável, sem sequer poder dar vasão ou admitir ter medo?</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>“Como os homens não conseguem invalidar a frágil força que conseguiram reunir, mal conseguem admitir para si ou para os outros o quão influenciados são pelo medo. Mas a cura de um homem exige que ele deixe de se sentir envergonhado pelo seu medo. Sempre admirei a liberdade que as mulheres têm de reconhecer seus temores, de compartilhá-los, colhendo desse modo apoios das outras pessoas. O fato de o homem reconhecer o lugar do medo na vida significa correr o risco de sentir-se pouco masculino, seu isolamento aprofunda-se&#8221;</em></strong>, continua Hollis, no livro “Sob a Sombra de Saturno).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por esse padrão, os homens são menos envolvidos emocionalmente também com as equipes de trabalho, sentem dificuldade em interiorizar as experiências. Já as mulheres têm maior facilidade em fazer essa ligação com seus funcionários, pois as relações femininas permitem que esse vínculo seja criado, de acordo com a cultura contemporânea.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-autor-continua-demonstrando-que-quanto-maior-a-compressao-do-homem-em-se-relacionar-internamente-com-o-feminino-mais-capaz-sera-de-viver-os-relacionamentos-com-as-mulheres" style="font-size:17px">O autor continua demonstrando que, quanto maior a compressão do homem em se relacionar internamente com o feminino, mais capaz será de viver os relacionamentos com as mulheres. </h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Hollis</strong> &nbsp;aprofunda: <em>do contrário, sempre que vemos homens tentando controlar mulheres, estamos na presença do “vil trabalho do medo que criou o patriarcado”</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante destes apontamentos, podemos dizer que o homem age da forma pelo qual foi há longas gerações criados para fazer: demonstrar força, poder, sem medo, sem envolvimento afetivo e sem sentir. <strong>Não há espaço para a vulnerabilidade no mundo masculino</strong>. O que é o oposto no universo feminino: no qual é permitido falar sobre sentimentos e ter apoio nisso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dessa ampliação, pensamos que, nas relações de trabalho, a liderança feminina se diferencia com uma gestão que da abertura para habilidades interpessoais, como empatia, comunicação e trabalho em equipe. As mulheres podem ser mais propensas a considerar uma variedade de perspectivas e opiniões ao tomar decisões, buscando o consenso, inclusão e soluções para lidar com conflitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O lado materno muitas vezes é colocado nas relações de trabalho pelas mulheres, e isso faz com que o acolhimento e direção seja diferenciado: com amor no que se faz, com sentido humano em executar um trabalho. &#8220;<strong><em>A mágica e a autoridade do feminino: a sabedoria; a elevação espiritual além da razão; o bondoso, o que cuida, o que sustenta, o que proporciona condições de crescimento</em></strong>.&#8221; Jung (2014).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-individuo-deixa-de-atuar-de-forma-automatica-sobre-o-efeito-dos-complexos-e-passa-a-mergulhar-no-seu-lado-mais-humano" style="font-size:17px">O indivíduo deixa de atuar de forma automática sobre o efeito dos complexos e passa a mergulhar no seu lado mais humano.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esse lado materno abre espaço para a nutrição, atenção, acolhimento, atingindo as emoções dos funcionários (pessoas) que estão executando o trabalho sob pressão. Essa Grande Mãe, que atravessa a liderança naquele momento, abre espaço para as condições do crescimento, da fertilidade, do alimentar simbolicamente aqueles indivíduos, dando suporte emocional na relação corporativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São muitas características comportamentais que demostram a capacidade das mulheres em construir relacionamentos mais fortes, sensíveis e acolhedores, para que as metas exigidas pelas empresas sejam alcançadas de forma mais humanizada e intuitiva, reduzindo os impactos do sistema predominantemente masculino e patriarcal, que foi a única forma exercida por anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observo que a forma de relação das mulheres no ambiente de trabalho, consegue, através do acolhimento, amenizar o sofrimento psíquico. As mulheres pontuam significativamente mais alto em todas as dimensões criativas: elas se saem melhor com sua capacidade em se “conectar e se relacionar com outras pessoas”, bem como nas competências de autenticidade e conscientização de sistemas. Isso sugere que mulheres líderes não são apenas melhores em construir relacionamentos, mas também que os relacionamentos que elas constroem são mais autênticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na perspectiva Junguiana, comparo a simbologia arquetípica do feminino, e os desafios que as mulheres enfrentam em desenvolver um papel no ambiente corporativo que até então, na maior parte dos cargos de liderança, eram ocupados por homens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A liderança feminina com olhar materno, pode ter condições de acolher situações de vulnerabilidade, colocando questões de sentimentos a serem tratadas, preservando a saúde deste colaborador, através da “nutrição”, escuta e criação de um espaço para que esse ser humano possa expressar seus apontamentos profissionais e também seus sentimentos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neumann-em-uma-das-suas-grandes-obras-a-grande-mae-explora-a-representacao-simbolica-do-arquetipo-materno-em-varias-culturas-e-mitologias-ao-longo-da-historia" style="font-size:17px"><strong>Neumann</strong>, em uma das suas grandes obras “<strong>A Grande Mãe</strong>”, explora a representação simbólica do arquétipo materno em várias culturas e mitologias ao longo da história.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Apontando essa correlação ao feminino, em aspectos como fertilidade, nutrição, proteção e conexão com a natureza</strong>. A <strong>Grande Mãe</strong> é vista como um símbolo primordial da <strong>energia criativa e regeneradora</strong>, refletindo as profundas raízes culturais e psicológicas do feminino na psique humana. Esse aspecto que está no inconsciente coletivo nos faz comparar a liderança feminina exercendo muitas vezes o lado maternal no ambiente corporativo, trazendo o acolhimento, fertilidade, nutrição, humanização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro da sociedade corporativa, na condição de porta vozes das empresas, é esperado atualmente que a liderança minimize coletivamente o sofrimento psíquico dos funcionários, pelas razões: custo, lucro, resultados e produtividade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pessoas-tambem-querem-funcionar-cada-vez-mais-serem-bem-sucedidas" style="font-size:17px">A pessoas também querem funcionar cada vez mais, serem bem-sucedidas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">O “<strong>espírito da época</strong>” que a humanidade está vivenciando, do excesso de produtividade, inovação, a necessidade de se superar e performar cada vez mais. Isso vem de encontro com a cobrança corporativa, levando o ser humano ao esgotamento físico e mental: adoecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a autora <strong>Verena</strong> <strong>Kast</strong> em seu livro “<strong><em>A Alma Precisa de Tempo</em></strong>”, uma pessoa que está doente está mais preocupada com a problemática existencial, do que tratar sua doença, por se sentir incentivada a aprender e se desenvolver. Há uma pressa para que a normalidade volte rapidamente e o ser humano volte a ficar funcional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-isso-a-busca-de-terapias-rapidas-de-curto-prazo-e-nao-ha-profundidade-no-que-deu-errado-na-vida-no-que-precisa-ser-mudado-nbsp" style="font-size:17px"><strong>Por isso a busca de terapias rápidas, de curto prazo e não há profundidade no que deu errado na vida, no que precisa ser mudado</strong>.&nbsp;</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:17px"><blockquote><p><strong>A vida é contemplada sob pontos de vista econômicos: Aquilo que não rende não vale nada. [&#8230;] a eficiência do mercado racional rouba a sociedade da alma. O ser humano, porém, precisa de um coração quente, e uma cabeça fria</strong>.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-e-o-processo-de-individuacao" style="font-size:17px">Jung e o processo de individuação</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na obra de C.G. Jung um dos assuntos abordados é o <strong>processo de individuação</strong>. Que exige de nós estarmos atentos aos chamados da nossa alma, atendendo a vontade do Self, na busca da compreensão de nosso propósito de vida. Quanto mais nos afastarmos ou negarmos nossa missão da alma, mais estaremos sujeitos a distúrbios emocionais e psíquicos como a depressão, e outros sintomas psicossomáticos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-principio-a-alma-nao-rende-lucros-discorre-kast-em-seu-livro-a-alma-precisa-de-tempo-mas-se-torna-um-fator-de-custo-decisivo-quando-a-alma-se-recusa-a-cooperar-quando-nossa-psique-nao-aguenta-mais-quando-perdemos-a-nossa-alegria-de-vida-quando-nosso-corpo-adoece-e-sofremos-com-a-depressao-e-a-sindrome-do-fosforo-queimado-talvez-entao-faria-sentido-dar-atencao-a-alma" style="font-size:17px">A princípio, a alma não rende lucros, discorre Kast em seu livro “A Alma Precisa de Tempo”, – mas se torna um fator de custo decisivo quando a alma se recusa a cooperar, quando nossa psique “não aguenta mais”, quando perdemos a nossa alegria de vida, quando nosso corpo adoece e sofremos com a depressão e a síndrome do fósforo queimado. Talvez, então faria sentido dar atenção a alma?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sem dúvida, essa realidade do mundo corporativo que envolve extrema pressão e cobrança quanto a produção e performance negando a alma de seus funcionários, dando o máximo de suas forças, nitidamente leva a uma crise que envolve frustração na busca de metas inatingíveis, desencadeando processos de adoecimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enxergo que um contraponto possível dessa realidade, é o papel de uma liderança acolhedora, nutridora, fecunda e materna, possibilitando o surgimento de um novo elemento, que talvez possa ser entendido como “função transcendente. Como a natureza tende a buscar harmonia entre partes, percebo o destaque da liderança feminina, em vários setores de atuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>arquétipo materno</strong>, desempenha um papel significativo na liderança feminina, diante da forma de atuação das mulheres, especialmente em relação à empatia, cuidado, nutrição e apoio emocional. <strong>Esse arquétipo</strong> também está associado à capacidade de se conectar emocionalmente com os outros,&nbsp; ao instinto de cuidar e proteger ajudando a desenvolver ferramentas para o crescimento e o desenvolvimento pessoal, de uma forma mais humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As <strong>líderes femininas</strong> que se identificam com esse arquétipo, são vistas como mães e mentoras de suas equipes fornecendo orientação, encorajamento e apoio emocional. Isso pode criar um ambiente de trabalho seguro e acolhedor, onde os membros da equipe se sentem valorizados e apoiados em seu crescimento pessoal e profissional, além de contribuir para reduzir o sofrimento psíquico no trabalho.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-autor-neumann-no-mesmo-livro-a-grande-mae-exemplifica-de-varias-formas-o-feminino-uma-delas-e-a-moldagem-do-vaso-que-defende-como-a-experiencia-da-criacao-da-vida-como-simbolo-de-transformacao-o-feminino-revela-se-ao-mesmo-tempo-nutridor-protetor-e-gerador" style="font-size:17px">O autor Neumann, no mesmo livro “<em><strong>A Grande Mãe</strong></em>&#8221; exemplifica de várias formas o <strong>feminino</strong>, uma delas é a moldagem do vaso, que defende como a experiência da criação da vida, como símbolo de transformação. <strong>O feminino revela-se ao mesmo tempo nutridor, protetor e gerador</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O feminino em sua qualidade protetora e acolhedora, congrega em si a vida da família e do grupo sob o símbolo da casa</strong>. Esse aspecto aparece nas chamadas urnas domésticas, vasos moldados na forma de casas. Até os dias de hoje, o caráter vaso feminino, originalmente vincula a caverna, e depois a casa (no sentido de estar dentro e protegido, aquecido ou abrigado no interior dessa casa, sempre esteve relacionado com a vivência original de ser contido pelo útero). </p>



<p class="wp-block-paragraph">Através da empatia, cuidado, apoio, desenvolvimento humano, intuição, sabedoria, nutrição, pode-se criar um ambiente de trabalho colaborativo, inclusivo, motivador e eficaz. Desta forma, acredita-se que as relações de trabalho sejam mais inclusivas entre líder e trabalhador, tornando uma parceria e transparência na qual tende-se a reduz os excessos de cobrança quanto a produtividade e resultado, diminuindo o estresse no trabalho e o sofrimento psíquico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma abordagem humanizada e acolhedora fortalece a equipe, e promove um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo. A mulher lidera com empatia, compreensão e respeito, inspirando e motivando suas equipes a alcançarem metas e resultados excepcionais, ao mesmo tempo em que podem promovem o bem-estar e a saúde mental dos colaboradores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acompanhando ainda, <strong>Kast</strong> em seu livro “<em><strong>A Alma Precisa de Tempo</strong></em>”, a autora discorre que no mundo do trabalho as relações sociais são enfraquecidas, e o sentimento de fazer parte são sufocados. Seja dentro ou fora do ambiente de trabalho, o indivíduo tem a necessidade de estar integrado e se relacionar. Essa troca entre as pessoas, e a estreiteza de laços.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-experiencia-de-se-relacionar-gera-um-sentimento-bom-de-seguranca-tambem-no-mundo-do-trabalho-de-forma-que-nos-permite-lidar-melhor-com-os-desafios" style="font-size:17px"><strong><em>“A experiência de se relacionar, gera um sentimento bom de segurança, também no mundo do trabalho, de forma que nos permite lidar melhor com os desafios”.</em></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao integrar princípios arquetípicos do feminino, como empatia, cuidado e nutrição, as mulheres líderes são capazes de cultivar ambientes de trabalho mais inclusivos. Eliminando a arbitrariedade das regras impostas para se chegar aos resultados esperados, através de relacionamentos interpessoais que dão abertura a troca de ideias e diálogos com as equipes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro das experiências das lideranças observadas, notamos que quando é deixado a rigidez predominantemente da gestão masculina, e se dá abertura para o lado feminino materno nessas relações de trabalho, o caminho em direção ao resultado muda o foco. Passamos a falar de um sentido com alma, humano, com prazer e propósito no que se está executando.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">*<em>Artigo baseado na minha monografia em Especialização em Psicologia Junguiana.</em></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: A Importância dos Aspectos Femininos na Liderança Contemporânea no Mundo Corporativo" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/R1HNrEbQSo8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mônica Contreras – Membro Analista em Formação pelo IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf– Membro Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">EXAME. <em>Liderança feminina: nós mulheres estamos no caminho certo, mas ainda muito longe da linha de chegada</em>. Disponível em: <a href="https://exame.com/bussola/lideranca-feminina-nos-mulheres-estamos-no-caminho-certo-mas-ainda-muito-longe-da-linha-de-chegada/">https://exame.com/bussola/lideranca-feminina-nos-mulheres-estamos-no-caminho-certo-mas-ainda-muito-longe-da-linha-de-chegada/</a>. Acesso em 08 de abri. de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">FORBES. <em>Mulheres ocupam 38% dos cargos de liderança no Brasil e são mais bem avaliadas pelo time</em> (2024). Disponível em: <a href="https://forbes.com.br/forbes-mulher/2024/03/mulheres-ocupam-38-dos-cargos-de-lideranca-no-brasil-e-sao-mais-bem-avaliadas-pelo-time/">https://forbes.com.br/forbes-mulher/2024/03/mulheres-ocupam-38-dos-cargos-de-lideranca-no-brasil-e-sao-mais-bem-avaliadas-pelo-time/</a>. Acesso em 9 de fev. de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">FORBES. <em>Mulheres são mais eficazes que os homens na liderança, diz pesquisa </em>(2023).Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-mulher/2023/04/mulheres-sao-mais-eficazes-que-os-homens-na-lideranca-diz-pesquisa/. Acesso em 2 de mai. de 2024.<em></em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">HOLLIS, James. <em>Sob a sombra de saturno</em>. 1.ed. São Paulo: Paulus, 2022</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">HOPCKE, Robert H. <em>Guia para a Obra Completa de C.G. Jung</em>. 3 ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">JUNG, Carl Gustav. <em>A energia psíquica</em>. Petrópolis: Vozes, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">_____ <em>A natureza da psique</em>. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">_____ <em>O eu e o inconsciente</em>. 27.ed. Petrópolis: Vozes, 2015a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">_____ <em>Os Arquétipos e o inconsciente</em>. 11 ed. Petrópolis: Vozes, 2014c.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">KAST, Verena. <em>A Alma Precisa de Tempo</em>. São Paulo: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">NEUMANN, Erich. <em>A grande mãe</em>. 2.ed. São Paulo: Pensamento, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">PASSADONI, Reinaldo. Site: <a href="http://www.passadori.com.br">http://www.passadori.com.br</a>. Acesso em 03 de março de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">2000.LABTEST. <em>Síndrome de burnout: o que é, prevenção e tratamento</em> (2023). Disponível em: <a href="https://labtest.com.br/sindrome-de-burnout-o-que-e-prevencao-e-tratamento/">https://labtest.com.br/sindrome-de-burnout-o-que-e-prevencao-e-tratamento/</a>. Acesso em 22 de abril. de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">PROPMARK. <em>Interrupção, assédio e racismo: lideranças femininas contam o que já passaram por ser mulher </em>(2023). Disponível em: <a href="https://propmark.com.br/interrupcao-assedio-e-racismo-liderancas-femininas-contam-o-que-ja-passaram-por-ser-mulher/">https://propmark.com.br/interrupcao-assedio-e-racismo-liderancas-femininas-contam-o-que-ja-passaram-por-ser-mulher/</a>. Acesso em 15 de mar. de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">RODRIGUES, Stéphane Carvalho; SILVA, Gleiciane Rosa da. <em>A liderança feminina no mercado de trabalho</em>. Vol. 1. Revista digital de administração Faciplac, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">SOUZA, Rafael Rodrigues. <em>Trabalho, Sofrimento e autorrealização</em>. 1.ed. São Paulo: Eleva, 2022.</p>
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			</item>
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		<title>Esse tal de propósito</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/esse-tal-de-proposito/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tania Pulier Garrido]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Oct 2024 12:02:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[ativismo]]></category>
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		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cada vez mais tem-se falado sobre propósito, no contexto organizacional e mesmo pessoal. Pesquisas mostram que aumenta a percentagem de consumidores que se fidelizam a marcas que atuam para o bem da sociedade e do planeta, e de trabalhadores que buscam empresas com senso de propósito. Mas, afinal: trata-se de uma necessidade humana ou de [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Cada vez mais tem-se falado sobre <strong>propósito</strong>, no contexto organizacional e mesmo pessoal. Pesquisas mostram que aumenta a percentagem de consumidores que se fidelizam a marcas que atuam para o bem da sociedade e do planeta, e de trabalhadores que buscam empresas com senso de propósito. Mas, afinal: trata-se de uma necessidade humana ou de estratégia de mercado?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo deste artigo é, sob a ótica da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, discutir essa questão que se situa em um longo espectro entre o anseio humano ligado à sede de sentido e o aproveitamento que o mercado faz dele. No meio desta faixa ou intervalo, encontra-se a cultura que vem forçando as empresas a escolher abraçar uma causa ou desaparecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas descobrem que visar apenas ao lucro a partir do trabalho de quem troca horas por dinheiro é uma fórmula ultrapassada e fadada ao fracasso. Por isso, passam por uma verdadeira transformação, que inclui a descoberta de um propósito. E esse propósito muitas vezes empresta sentido a quem ali trabalha e ainda não encontrou um chamado pessoal, ou reforça o daqueles cujo chamado está ligado à causa da organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outras utilizam a plasticidade típica do capitalismo, cuja lógica de mercado vai engolindo os movimentos culturais e os transformando em mercadoria. Efetuam mudanças ao ritmo da moda, fortalecendo suas marcas, que se tornam desejos de consumo, podendo inclusive cobrar mais por seus produtos e manter-se na competitividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só por aí é possível ver que o debate é longo e talvez não encontre uma única resposta. No entanto, aprofundar no que está por trás desse tal de propósito é algo rico, atual e necessário. E a Psicologia Analítica tem muito a contribuir com este aprofundamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-proposito-e-a-ciranda-individuo-empresa-individuo"><strong>O propósito e a ciranda indivíduo-empresa-indivíduo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo “Marcas significativas” (<em>Meaningful brands</em>) do grupo francês Havas de consultoria de comunicação, publicado em janeiro de 2024, entrevistou cerca de 161 mil pessoas nos cinco continentes a respeito de mais de 2200 marcas de 47 categorias diferentes. O objetivo era examinar o impacto da marca a partir da percepção dos consumidores de seus benefícios pessoais, funcionais e coletivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados revelaram que fazer bem para o planeta e a sociedade é mais importante agora do que nunca, e mais esperado. A crise climática é o principal acontecimento global que a humanidade enfrenta, segundo a pesquisa — 78% das pessoas pensam que estamos vivendo uma crise ambiental, e 70% acreditam que o mundo vai na direção errada neste assunto. As pessoas sentem os efeitos das crises em suas vidas diárias, nesta ordem: crise econômica, de saúde, social, ambiental e política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os respondentes da pesquisa dizem tentar agir eles mesmos para mudar a situação. Por isso, acreditam que as marcas deveriam atuar com seu poder de influência para causar mudanças positivas. É o que mostram estes índices:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 73% dos consumidores acreditam que as marcas deveriam fazer algo para o bem da sociedade e do planeta — comunicação não é o suficiente</em></strong>;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 72% estão cansados de marcas que fingem ajudar a sociedade enquanto apenas buscam lucrar;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 68% pensam que as empresas/marcas têm o poder de ajudar a resolver alguns dos problemas mundiais.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As empresas que não respondem a esta expectativa por propósito acabam sendo pouco significativas, ao ponto de as pessoas dizerem não se importar se 75% das marcas desaparecessem. Isso acontece no mercado consumidor.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-no-trabalho-a-demanda-por-proposito-tambem-tem-se-feito-presente" style="font-size:17px">E no trabalho, a demanda por propósito também tem se feito presente?</h2>



<p class="wp-block-paragraph"> A consultoria KPMG (2017) levantou alguns dados sobre o tipo de empresa em que a geração Y ou <em>Millennials</em> (pessoas nascidas entre 1985 e 1999) gostariam de trabalhar por toda a sua carreira. Este foi o resultado:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 79% gostariam de trabalhar em empresas que tenham um forte senso de propósito;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 89%, em empresas que façam a diferença no mundo;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 90%, naquelas em que haja um alinhamento entre valores pessoais e corporativos;</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>&#8211; 92%, em empresas com uma visão de futuro empolgante.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É curioso que este movimento em direção à busca pelo propósito parte das pessoas em relação às empresas, sejam aquelas das quais compram, sejam aquelas nas quais trabalham. É em primeiro lugar um anseio do indivíduo em relação ao coletivo, pressionando-o, o que está alinhado com o que Jung já dizia na década de 1940:</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-default" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Se o todo deve mudar, primeiro deve mudar o indivíduo. O bem é um dom e uma conquista do indivíduo. Como sugestão de massa é simples entorpecente que nunca teve o valor de virtude.”</p><cite> JUNG, 2012, §1378</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Este anseio está ligado ao movimento próprio da psique, que busca totalidade. “<strong>Ela tende à realização total e, no que concerne ao homem, à tomada de consciência total. A tomada de consciência é cultura no sentido mais vasto do termo</strong>” (JUNG, 2016, p. 387). O nível de consciência se eleva, como ensina o próprio Jung, a partir do choque dos contrários. No tema aqui debatido, por exemplo, quando alguém, diante das catástrofes climáticas, questiona se com seus hábitos de consumo contribui para frear ou acelerar a devastação, percebendo ambas as tendências e optando (sem querer abafar a autocrítica) por comprar menos e de marcas que fazem algo pelo planeta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-vida-nos-questiona-e-nos-questionamos-o-mundo-e-a-ele-devemos-responder" style="font-size:17px">A vida nos questiona, e nós questionamos o mundo e a ele devemos responder.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:23px"><blockquote><p>“Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der.” </p><cite>JUNG, 2016, p. 380</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Se para Jung “<strong>o conhecimento de si mesmo é a essência e o coração deste processo</strong>” (p. 387), pode-se dizer que a dificuldade de interiorização e profundidade típica do momento atual compromete a busca pelo propósito pessoal; muitas vezes projeta-se as próprias inquietações e vazios na exterioridade, desconhecendo-se o fato de poder residir no fundo do incômodo um chamado pessoal. E, nesta direção, ligar-se através do trabalho a uma empresa com propósito pode emprestar sentido temporariamente a muitas pessoas, pode ser a fagulha que faltava para acender o caminho do autoconhecimento. Afinal, é no fato da vida que reside o sentido da existência, como ensinava também Jung.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas que sede de sentido é esta, tantas vezes declarada, tantas outras escondida ou descoberta por acaso nessas brechas de oportunidade?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-profundo-anseio-da-vida"><strong>O profundo anseio da vida</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Psyche</em> é a palavra grega para alma, a essência mais profunda e íntima do humano. Dela vem a sede e a busca, hoje em dia muitas vezes projetada em coisas e pessoas, quando se perde o movimento que leva a “galgar além de”, a transcendência. A atualidade vive “uma perda da transcendência como perda de sentido, como crise espiritual” (DORST, 2015, p. 15).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foram essas as questões com as quais Jung se ocupou, a ponto de considerar aspecto decisivo da vida humana ter ou não o transcendente como ponto de referência.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Para o homem a questão decisiva é esta: você se refere ou não ao infinito? Tal é o critério de sua vida. Se sei que o ilimitado é essencial então não me deixo prender a futilidades e a coisas que não são fundamentais.” </p><cite>JUNG, 2016, p. 387</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Curioso que existe uma escolha nessa afirmação, não se usa a conjunção “e”, mas “ou”. Tomar decisões também é algo do qual se foge ultimamente, em um mundo que apresenta inúmeras possibilidades. Ter tudo ao mesmo tempo, conciliar, manter todas — ou pelo menos várias — janelas abertas sem fazer renúncias é algo tentador. Mas a natureza não aguenta isto, nem a que sucumbe fora, diante dos nossos excessos, nem a que sucumbe dentro — e será que não são, senão a mesma, intimamente ligadas? Jung continua com clareza:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Quanto mais o homem acentua uma falsa posse, menos pode sentir o essencial e tanto mais insatisfatória lhe parecerá a vida. [&#8230;] Se compreendermos e sentirmos que já nesta vida estamos relacionados com o infinito, os desejos e atitudes se modificam. Finalmente, só valemos pelo essencial e se não acedemos a ele a vida foi desperdiçada.</p><cite> JUNG, 2016, p. 388</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Essa afirmação já coloca uma questão ao consumismo, mola propulsora do capitalismo, fazendo pensar se realmente é possível empresas com propósito, ou isso seria, em última análise, uma facada no coração do sistema, daí ele só mascarar o de sempre com belos discursos que amenizam consciências.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sera-que-diante-da-pressao-e-clamor-pode-ter-sido-iniciada-uma-transformacao-verdadeira-mesmo-que-em-pequena-parcela-dos-negocios" style="font-size:18px">Será que diante da pressão e clamor pode ter sido iniciada uma transformação verdadeira, mesmo que em pequena parcela dos negócios?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nos indivíduos, a escolha apresentada por Jung passa, paradoxalmente, pela conscientização dos próprios limites. Finito e infinito são conscientizados ao mesmo tempo, e isso ocorre ao longo do processo de individuação, do ir se tornando quem se é de fato, descobrindo a sua unicidade — combinação única dos fatores universais. Isso gera comunhão com o outro e com a natureza e o mundo, não somente porque leva a sair do novelo dos interesses egoístas, mas também porque faz a pessoa se perceber cada vez mais como uma minúscula porém essencial parte do todo, com a necessidade de se conectar às demais pela vida deste todo. Esse processo é a descoberta do chamado da alma ou do propósito pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a Psicologia Analítica, “<strong>a meta da vida não é a felicidade, e sim o significado</strong>” (HOLLIS, 1999, p. 9), até porque aquela é muito efêmera, enquanto este nos sustenta em grande parte da nossa jornada. E ele é descoberto no profundo, onde muitas vezes só se vai pelo sofrimento. É neste lugar interior que “a alma é fabricada e forjada, onde encontramos não apenas o <em>gravitas</em> da vida, como também seu propósito, sua dignidade e seu mais profundo significado.” (p. 11)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A descoberta da alma e de sua busca por sentido se dá na profundidade, o que normalmente exige atitude contemplativa e de interiorização. No entanto, este processo de dentro pode começar fora — até porque dentro e fora são só dois lados do mesmo. Como dito anteriormente, um propósito organizacional pode emprestar sentido e desencadear a referência ao infinito.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“Onde quer que percebamos a presença da profundidade, no cosmo, na natureza, nos outros ou no eu, estamos no recinto da alma.” </p><cite>HOLLIS, 1999, p. 17</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-qual-a-dificuldade-entao-a-ilusao" style="font-size:16px">Qual a dificuldade, então? A ilusão.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se tudo é vivido apenas para fora, virando ativismo, e não se busca nem se recebe ajuda ou incentivo para o autoconhecimento, a ampliação da consciência da unicidade, que é limitação (ou vice-versa), não se pode perceber o ilimitado ou infinito. Acaba-se por absolutizar o finito, seja a empresa ou a fundação, identificando-o ilusoriamente com o ilimitado, “que se manifesta na embriaguez dos grandes números e na reivindicação sem limites dos poderes políticos” e econômicos (JUNG, 2016, p. 388). Daí o risco da idolatria tão presente no sistema capitalista.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-compromisso-ou-engano"><strong>Compromisso ou engano?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Questão difícil de responder. E talvez seja mais válida a pergunta do que as respostas, pois ela leva a manter a análise, a reflexão e o senso crítico. Por um lado, o mercado é plástico, flexível, e transforma as demandas humanas para atrair ao consumo e ao lucro. Neste sentido, é possível afirmar com Magaldi:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, só é possível um mínimo de cuidado com as relações humanas e de fraternidade, porém, sempre em função dos próprios interesses do mercado que, livremente, arbitra regras e normas éticas para manter o seu próprio negócio, ‘coisificando’ o humano, estabelecendo apenas um respeito aparente suficiente para preservar as possibilidades futuras de troca proveitosa, pois a lealdade última é devotada tão somente ao dinheiro. (MAGALDI, 2014, p. 196)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, que bom que a mudança da cultura vai forçando as empresas a certas tomadas de posição, seja na sustentabilidade, seja na definição de um propósito! O limite é se o olhar da real intenção está posto no finito ou no infinito. Há negócios, certamente a exceção, que já se percebem como uma obra em construção a serviço da Grande Obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria, porém, tem a lança da ganância material traduzida como acumulação financeira de poucos, escondida na bela plumagem de discursos encantadores. A sedução que eles exercem não dura muito, no entanto, pois o que está em jogo aqui é a interseção — ou não — com o chamado da alma de cada pessoa, e a alma detecta a mentira. Cada vez mais, só a coerência com o propósito declarado fará as empresas sobreviverem.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mais-validas-que-os-discursos-sao-as-acoes" style="font-size:17px">Mais válidas que os discursos são as ações.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se os negócios criam ações que promovem a vida, que contribuem de fato com o entorno social e ambiental, são mais capazes de se tornarem possibilidades de realização de sentido para muitos parceiros envolvidos, mesmo que algum com maior consciência crítica possa questionar seu fundo. Enquanto não se está na linha de evolução que já toma como referência o infinito, unindo palavra e ação, parece ser mais válido fazer algo concreto no aqui e agora do que propagandear belas frases.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como as verdadeiras transformações são as que acontecem a partir dos indivíduos, a entrega pela dádiva ou gratuidade gera a autorrealização, a vida com sentido e significado. E somente ela poderá pressionar o coletivo a também se colocar a serviço da vida. Concordando com Magaldi (2014, p. 286), isso significa que fazer simplesmente pelo gosto e pelo amor do fazer é a saída para quebrar esse hábito diabólico do lucro. Para quem conquista essa ‘dádiva’, o fazer deixa de ser imediatamente pelo dinheiro e passa a ser pelo amor ao próprio amor. Essa é a condição de servir com alegria para celebrar todas as expressões evolutivas da vida.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ARTIGO NOVO: &quot;ESSE TAL DE PROPÓSITO&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/d3_oDxVEtRg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/tania-pulier/">Tania Pulier — Analista em formação/IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/lilian/">Lilian Wurzba — Analista Didata/IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:20px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">DORST, Brigitte. Introdução. In: JUNG, Carl Gustav. <em>Espiritualidade e transcendência</em>. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">HAVAS. Meaningful Brands 2023 (updated) Global Report: Where new cultural and societal forces are changing what it means to be meaningful, jan. 2024. Disponível em: https://meaningful-brands.com/reports/2023report/. Acesso em: 22 ago. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">HOLLIS, James. <em>Os pantanais da alma</em>: nova vida em lugares sombrios. São Paulo: Paulus, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">JUNG, Carl Gustav. <em>A vida simbólica</em>. Vol. 18/2. 4.ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">___. <em>Memórias, sonhos e reflexões</em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">KPMG. <em>Meet the millennials</em>, jun. 2017. Disponível em: https://assets.kpmg.com/content/dam/kpmg/uk/pdf/2017/04/Meet-the-Millennials-Secured.pdf. Acesso em: 16 set. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">MAGALDI, Waldemar. <em>Dinheiro, Saúde e Sagrado</em>: interfaces culturais, econômicas e religiosas à luz da Psicologia Analítica. 2.ed. São Paulo: Eleva Cultural, 2014.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aproveite para nos acompanhar no YouTube:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/channel/UCrbwUrT0W4Tp-swBxAVwX5Q">Canal IJEP – Bem vindos(as)! (youtube.com)</a></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicossomática</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicologia Analítica</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Arteterapia e Expressões Criativas</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conheça nossos&nbsp;<a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">Congressos Junguianos</a>&nbsp;e Combos Promocionais:</p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Grandes capatazes intelectuais</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/grandes-capatazes-intelectuais-relacao-entre-trabalho-e-psique/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Pastorello]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Sep 2024 18:20:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[#trabalho #ambientedetrabalho #saúdepsíquica #psicologiajunguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quantas pessoas chegam na nossa clínica se queixando sobre o ambiente de trabalho. O que tem acontecido? O trabalho tem se tornado uma fonte de adoecimento das pessoas ou sempre foi um fator de adoecimento? Fico reflexiva com a ideia de que as condições de trabalho atualmente têm se tornado insalubres, como se a condição [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quantas pessoas chegam na nossa clínica se queixando sobre o ambiente de trabalho. O que tem acontecido? O trabalho tem se tornado uma fonte de adoecimento das pessoas ou sempre foi um fator de adoecimento?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fico reflexiva com a ideia de que as condições de trabalho atualmente têm se tornado insalubres, como se a condição de venda da nossa mão de obra estivesse se deteriorando ao longo dos anos. Se pararmos para pensar de uma forma mais ampla, temos indícios históricos de que antigamente as coisas também não eram tão boas assim, como no início da vida moderna com a Revolução Industrial que transferiu os trabalhos manuais (agrícolas e artesãos) para dentro das fábricas:</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:15px"><blockquote><p>“Eram precárias as condições de vida e trabalho dos artesãos no início da primeira revolução industrial: as fábricas tinham um ambiente insalubre; o tempo de trabalho chegava a 80 horas semanais; os salários eram bem abaixo do nível de subsistência. Além disso, mulheres e crianças também enfrentavam as mesmas condições de trabalho, e ainda era mais agravante, visto que os salários eram ainda menores.”</p><cite>Disponível em: https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/primeira-revolucao-industrial. Acesso em: 04 set 2024</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hoje-existe-uma-grande-parte-do-mundo-que-regulariza-o-ambiente-de-trabalho-estipulando-as-horas-de-trabalho-salario-minimo-e-jornada-maxima-permitida" style="font-size:16px"><strong>Hoje, existe uma grande parte do mundo que regulariza o ambiente de trabalho, estipulando as horas de trabalho, salário-mínimo e jornada máxima permitida.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sem falar na declaração universal dos direitos humanos proclamada e adotada pela assembleia geral das Nações Unidas desde dezembro de 1948 que se baseia na consideração de que o “<em>reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo</em>” (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 1948). Fazendo com que todas as relações humanas, independente de seu país, dentro dos países membros da ONU, sejam pautadas por esses direitos. <strong>Então de onde vem esse sentimento? De onde vem essa sensação de que estamos piorando ao invés de melhorar</strong>?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira coisa que me passa pela cabeça é que, de fato, apesar de hoje em dia existirem maiores mecanismos de proteção a abusos, exploração e violência no campo das relações de trabalho, não conseguimos eliminar a expressão do mal que habita a condição humana. Essas leis, auxiliam a trazer para a luz o que é certo ou não fazer com quem empregamos, porém não são capazes de inibir de forma eficiente o abuso e a exploração. <strong>Mas será que é possível eliminar ou atenuar os aspectos sombrios que habitam a psique humana</strong>?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-eliminar-a-sombra-e-algo-impossivel-pois-quanto-mais-e-reprimida-mais-continua-a-crescer-jung-2019a" style="font-size:16px">Segundo Jung, eliminar a sombra é algo impossível pois quanto mais é reprimida, mais continua a crescer (JUNG, 2019a).</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, é exatamente no confronto com a sombra que conseguimos avançar para uma vida mais saudável e equilibrada pois ao longo desse processo vamos dialogando de forma consciente com diversos aspectos da nossa totalidade, tornando a consciência cada vez mais flexível e receptível aos conteúdos inconscientes. Por isso as leis, apesar de auxiliarem uma melhor manutenção do mundo externo, sozinhas não são eficazes, pois a existência delas sem reflexão não propicia uma tomada de consciência, gerando apenas um conhecimento racional sem sabedoria.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sem-a-existencia-de-um-dialogo-consciente-entre-mundo-interno-e-externo-a-sombra-se-mantem-oculta-e-com-isso-continua-assumindo-suas-caracteristicas-mais-perversas" style="font-size:18px">Sem a existência de um diálogo consciente entre mundo interno e externo a sombra se mantém oculta e, com isso, continua assumindo suas características mais perversas:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:16px"><blockquote><p>“Infelizmente, não se pode negar que o homem como um todo é pior do que ele se imagina ou gostaria de ser. Todo indivíduo é acompanhado por uma sombra, e quanto menos ela estiver incorporada à sua vida consciente, tanto mais escura e espessa ela se tornará. Uma pessoa que toma consciência de sua inferioridade, sempre tem mais possibilidade de corrigi-la. Essa inferioridade se acha em contínuo contato com outros interesses, de modo que está sempre sujeita a modificações. Mas quando é recalcada e isolada da consciência, nunca será corrigida.” </p><cite>JUNG, 2019a, p.131</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda questão, que claramente está atrelada a primeira citada acima, é que temos uma falsa ilusão de que o avanço científico, o avanço dos estudos e do conhecimento racional, trazem espontaneamente uma nova atitude psíquica, o que não é verdade. Nunca tivemos tanto acesso à informação, ao conhecimento e mesmo assim ainda sucumbimos, como sociedade, aos padrões arcaicos e instintivos de destruição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E assim vemos pessoas extremamente capacitadas no campo racional e intelectual, com faculdade, MBA, pós-graduações, mestrados e até doutorados se comportando como verdadeiros capatazes da época colonial. A grande diferença é que a violência utilizada antigamente abarcava a violência física também, e esta foi criminalizada e reprimida às sombras psicológicas. Porém sabemos que nenhum aspecto da vida é factível de eliminação. Então a tentativa de banir não é efetiva, e essa violência na obscuridade encontra em seu carcereiro, a razão e a oportunidade de expressar-se e a violência acaba acontecendo no campo intelectual. O racionalismo e a doutrina cientificista, por exemplo, são prismas através dos quais a realidade é vista, mas são limitados em sua capacidade de captar a totalidade da experiência humana.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:16px"><blockquote><p>“O racionalismo e a superstição são complementares. De acordo com a regra psicológica a sombra fica mais forte quando há luz, isto é, quanto mais racionalista for a consciência, tanto mais vivo se torna o mundo de fantasmas do inconsciente.”</p><cite> JUNG, 2019b, p.759</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esses-capatazes-agora-intelectualizados-continuam-a-servico-da-opressao-da-vida-em-virtude-de-uma-maximizacao-de-seus-recursos-financeiros" style="font-size:17px">Esses capatazes, agora intelectualizados, continuam a serviço da opressão da vida em virtude de uma maximização de seus recursos financeiros.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Prazos apertados e rígidos, excesso de demanda e de cobranças, amedrontamento de perda monetária são os açoitadores. A pessoa que é subordinada à tais comandos não sofre abusos físicos externos, mas sim abusos psicológicos pautados em ameaças e medo. Inclusive muitas vezes feito de forma muito sutil e velada e outras vezes nem tanto, podendo ser bem explicitadas. Entretanto, ambas as abordagens fazem com que o próprio funcionário e/ou pessoa em subordinação cometa os abusos físicos consigo: tanta pressão, opressão e controle fazem com que as pessoas deixem de se alimentar direito, de se exercitar, de dormir, de cuidar do seu corpo e das demais esferas que sustentam a alma, como o se relacionar com outras pessoas por exemplo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-capatazes-intelectuais-transferem-a-responsabilidade-de-seus-abusos-a-livre-escolha-da-razao-essas-sao-as-regras-quem-nao-quiser-pode-sair" style="font-size:16px">Os capatazes intelectuais transferem a responsabilidade de seus abusos à livre escolha da razão: “essas são as regras, quem não quiser pode sair”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Fazendo com que indivíduos esclarecidos de informações se tornem ignorantes de conhecimento, se tornando tão primitivos quanto o que negam.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:17px"><blockquote><p>“Não haverá desenvolvimento algum, mas apenas uma morte miserável num deserto árido, se acreditarmos poder dominar o inconsciente por meio de nosso racionalismo arbitrário. Foi isto que o princípio alemão “onde há uma vontade, também há um caminho” tentou conseguir, e sabemos quais foram os resultados.” </p><cite>JUNG, 2018, p.1588</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Ou seja, se na consciência humana não existe uma reflexão sobre a soberania da vida e todos os seus aspectos, sobre o direito de existir de sua multiplicidade e se apenas uma verdade está posta, o que não atende a essa verdade será tiranizada e sofrerá os mais terríveis abusos pois a flexibilidade e a soberania da vida sofrem com a repressão.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-preciso-entender-que-o-trabalho-psiquico-o-carater-reflexivo-exige-muito-comprometimento-da-consciencia-com-a-disciplina-de-dialogo-com-esses-conteudos-conforme-trazido-por-whitmont" style="font-size:16px">É preciso entender que o trabalho psíquico, o caráter reflexivo, exige muito comprometimento da consciência com a disciplina de diálogo com esses conteúdos, conforme trazido por Whitmont:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:17px"><blockquote><p>&#8220;A diferença entre destruir e banir é a diferença entre a repressão e a disciplina. A repressão tenta matar o impulso, tornando-o inconsciente. A disciplina reconhece e acolhe o impulso, mas escolhe em não agir em função dele.&#8221;</p><cite> WHITMONT, 1991, p.127</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Então não adianta apenas irmos atrás de conhecimento no campo lógico, desenvolvermos leis e normas, se isso não vier acompanhado de profundo reconhecimento da sabedoria e soberania da vida, pois esse é o processo de se tornar uma pessoa completa, denominado por Jung de individuação. E isso pode significar dar espaço e valor às emoções, intuição, criatividade e espiritualidade. Reconhecendo a vulnerabilidade e os impulsos naturais como partes legítimas da experiência humana. Mesmo que isso coloque em risco nossas crenças e até maximização de valores monetários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto nossa vida for pautada pelo que se consegue e não pela qualidade de como se vive, não sairemos desse ciclo vicioso. Seguiremos testemunhando um moedor de almas massivo onde os ambientes das relações humanas continuarão sendo ambientes adoecedores, pois a experiência estará sempre subjugada ao materialismo. Jung acreditava que essas sombras coletivas como materialismo extremo, desumanização e crises espirituais são o que sustentam uma cultura de massa de conflitos e guerras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo assim não temos testemunhado a deterioração da qualidade do ambiente laboral, mas sim temos testemunhado que falta de conexão com a alma não se cura com bibliografia, com conhecimento racional. Podemos avançar, e devemos, no campo intelectual, mas sem integrar os aspectos de alma, continuaremos sendo uma espécie bárbara que não transcende, que fica apenas vivenciando um joguete de opostos, sem de fato progredir no psiquismo coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Renata Fraccini Pastorello &#8211; Analista em formação IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Salvador &#8211; Membro Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">Educa Mais Brasil.&nbsp;<em>Primeira Revolução Industrial</em>. Disponível em: <a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/primeira-revolucao-industrial">https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/primeira-revolucao-industrial</a>. Acesso em: 04 set 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">JUNG, Carl. G.<em> A Vida Simbólica vol II</em>, 8.ed. Petrópolis: Vozes, 2018</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">________<em> Psicologia e religião</em>, 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2019a</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">________<em> A Vida Simbólica vol I</em>, 9.ed. Petrópolis: Vozes, 2019b</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">Unicef.<em> Declaração Universal dos Direitos Humanos: Adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (resolução 217 A III) em 10 de dezembro 1948. </em>Disponível em: <a href="https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos">https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos</a>. Acesso em: 04 set 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px">WHITMONT, Edward C. <em>O Retorno da Deusa</em>. 2.ed. São Paulo: Summus, 1991</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aproveite para nos acompanhar no YouTube:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/channel/UCrbwUrT0W4Tp-swBxAVwX5Q">Canal IJEP – Bem vindos(as)! (youtube.com)</a></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicossomática</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicologia Analítica</em></p>



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<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image-1-1024x576.png" alt="" class="wp-image-9492" style="width:508px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image-1-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image-1-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image-1-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image-1-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image-1-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image-1.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Reflexões Junguianas sobre o Serviço e o Concurso Público no Brasil</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/reflexoes-junguianas-sobre-o-servico-e-o-concurso-publico-no-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mauro Angelo Soave Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Aug 2023 18:05:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[concurseiro]]></category>
		<category><![CDATA[concurso]]></category>
		<category><![CDATA[mercadodetrabalho]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=7935</guid>

					<description><![CDATA[<p>Entrar no serviço público é uma meta na vida de muitos brasileiros. A estabilidade proporcionada por esse tipo de emprego frente às incertezas do mercado de trabalho é um dos principais atrativos. Nesse artigo refletimos sobre as subjetividades e objetividades envolvidas no processo de aprovação no concurso público, escolha da vaga e suas consequências.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O serviço público é visto como uma meta de vida para muitos brasileiros. No imaginário de muitos, garante àqueles que passarem em um concurso estabilidade e benesses vitalícias. A questão é que nem sempre é assim. O serviço público, ao qual o concurso é um meio de acesso, não é esse <strong>éden</strong> de estabilidade, pouco trabalho e despreocupação com o futuro; muitas vezes se torna uma prisão autoimposta que impede a autorrealização ou ao menos a dificulta, porém, ainda assim é uma alternativa muito atraente de emprego diante de um mercado de trabalho cada vez mais instável e precarizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acesso a uma vaga no serviço público se dá pela participação em concursos. Desde a constituição de 1988 e a garantia de estabilidade à maioria daqueles que passarem, é uma espécie de esperança, pessoal e muitas vezes familiar, de um emprego minimamente digno e garantidamente “eterno”. Também é visto como uma das formas mais justas de seleção, uma vez que leva em conta os conhecimentos do concursando, ao contrário das arbitrariedades de um processo seletivo na iniciativa privada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-estabilidade">Estabilidade</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Diante de cenários econômicos cada vez mais instáveis, a promessa de <strong>estabilidade</strong>, ou seja, emprego garantido, com certeza se apresenta como uma oportunidade de ouro (RIBEIRO e MANCEBO, 2009; ANJOS e MENDES, 2015; ROCHA, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa característica da iniciativa pública contrasta com o trabalho precarizado da iniciativa privada, uma vez que a presença do desemprego estrutural permite às empresas privadas oferecerem cada vez menos e cobrarem cada vez mais dos seus trabalhadores (ANJOS; MENDES, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estes acabam se sujeitando às condições impostas uma vez que o cenário não permite que tenham escolhas e contribui para a disseminação de fatores que geram a insegurança, tais como as elevadas taxas de desemprego (ROCHA, 2019).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-instabilidade-a-grande-vila"><strong>Instabilidade, a grande vilã</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com <strong>Albrecht</strong> e <strong>Krawulski</strong> (2011), em um estudo realizado em Florianópolis/SC, a maior parte dos concurseiros (aqueles que se dedicam ao estudo para aprovação em concursos), têm em vista a estabilidade e a remuneração como fatores de peso na hora de decidir se dedicar aos estudos e ao serviço público. Tais achados são semelhantes aos de Rocha (2019) e fazem eco às reflexões de Ribeiro e Mancebo (2009), que observa:</p>



<p class="wp-block-paragraph">O candidato ao serviço público, quando prioriza a busca de segurança e qualidade de vida, pode na realidade estar mais interessado em se esquivar do clima tenso e inseguro da iniciativa privada, do que em fazer uma carreira aliada à realização profissional no setor público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse trabalhador tem consciência de que as empresas privadas impõem geralmente um ritmo intenso ao exercício das atividades laborais. Situação que normalmente ultrapassa os muros da organização, impregnando as relações pessoais, familiares e sociais. Ele constata que, na busca contínua pela empregabilidade e na luta diária para conter o fantasma do desemprego, é quase sempre a qualidade de vida que fica comprometida (Ribeiro e Mancebo, 2009).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-processo-de-aprovacao-em-um-concurso-publico-foi-se-tornando-cada-vez-mais-dificil-ao-longo-dos-anos" style="font-size:21px">O processo de aprovação em um concurso público foi se tornando cada vez mais difícil ao longo dos anos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma vez que tivemos um aumento na educação da população, incluindo cursos superiores, o número de pessoas aptas a prestar um concurso aumentou e, como consequência, a concorrência pelas vagas. Não raro, os concurseiros passam anos das suas vidas em uma rotina de estudos dedicada a um ou mais certames e raramente são aprovados numa primeira tentativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca por aprovação em concursos públicos é uma jornada desafiadora que pode ter diversos impactos na saúde mental dos concurseiros. Enquanto alguns podem enfrentar o processo com determinação e resiliência, outros podem experimentar dificuldades emocionais e psicológicas significativas devido às pressões envolvidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São comuns relatos de cobranças pelo desempenho não satisfatório para aprovação. Também são cobrados direta ou indiretamente dos parentes e amigos, que quando se encontram perguntam pelo desempenho e pelas razões da não aprovação até o momento (ANJOS E MENDES, 2015). </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-comparacao-e-pressao">Comparação e pressão</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a <strong>comparação</strong> entre os outros concorrentes, adiamentos de concursos, reprovação, pressão financeira e social tornam os concurseiros pessoas suscetíveis a uma gama diversificada de transtornos mentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa pressão é, conforme levantado por<strong> Rocha</strong> (2019), reforçada pelas mídias sociais, grupos de conversa de concurseiros e pela pesada propaganda dos cursinhos preparatórios – <em>estude enquanto eles dormem </em>&#8211; que insere os concurseiros numa corrida intensa e sem previsão de fim, e numa disputa constante entre si e consigo mesmos. Não é raro, em Brasília, onde vivo, ouvir que fulano não está participando de eventos sociais ou saindo de casa porque está estudando para concurso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o concurseiro ao longo do tempo muitas vezes desiste do seu “cargo dos sonhos” e começa a se enveredar por vagas com editais em aberto ou que sejam mais fáceis de passar. Dessa forma, conforme ilustrado no texto de Ribeiro e Mancebo e em acordo dos achados de Rocha (2019):</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo definido foi alcançado. Entretanto, na ânsia de se protegerem das oscilações do mercado de trabalho, não se permitiram realizar uma escolha mais cuidadosa, analisando criteriosamente se as características da organização e do cargo para o qual prestaram exame eram compatíveis com seus interesses e projetos de vida (Ribeiro e Mancebo, 2009).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Passei! E agora?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, o emprego público é um oásis diante de uma precarização cada vez maior das vagas abertas à ampla concorrência do mercado e da instabilidade dos empregos no setor privado. No entanto, que outras subjetividades aparecem, passado o momento da aprovação no tão esperado concurso?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O serviço público é vendido, na maioria das vezes como objetivo final e não como etapa da vida. A remuneração e as benesses seriam um prêmio pela aprovação e não uma recompensa pelo trabalho a ser realizado. A utilização publicitária de luxo, riqueza e consumo sem dúvidas desperta desejos que não apenas estimulam a estudar &#8211; e a procurar um cursinho para isso -, mas reforçam a crença de que a aprovação é o caminho para a conquista da felicidade (ROCHA, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eis que entra em cena a realidade: trabalhar em algo muitas vezes desligado de qualquer vocação, prazer ou interesse; aprovação em cargos em que se é mais qualificado que o necessário, subutilizando seu potencial; constantes mudanças de acordo com a mudança de gestão, as nomeações e conchavos políticos e inclusive a corrupção. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso pode gerar um descontentamento com relação as atividades que realiza no órgão e contribuir para o florescimento de uma vontade de mudança. Uma busca por algo que possa suprir a falta de realizar uma atividade por afinidade e prazer (BAZZO, 1997; ANJOS e MENDES, 2015; ROCHA, 2019).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ai-chegamos-em-jung">Aí chegamos em<strong> Jung</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Observando o cenário descrito anteriormente, podemos inferir que uma parte dos concursados entram em conflito interno pois, ao passarem no concurso, enfrentam a angústia de trabalhar em algo muitas vezes sem significado interior. Nesse sentido Jung dizia:</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-modern has-small-font-size"><blockquote><p><em>O homem deve ser levado a adaptar-se em dois sentidos diferentes, tanto à vida exterior – família, profissão, sociedade – quanto às exigências vitais de sua própria natureza. Se houve negligência em relação a qualquer uma dessas necessidades, poderá surgir a doença.</em> </p><cite>JUNG, 2014b, v. 17, §172</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A doença, nesse caso, pode se manifestar pelas crises de ansiedade, depressão, pânico entre outras, tem sido cada vez mais relevante no número de afastamentos e ausências no serviço público, evidenciando um problema a ser enfrentado tanto na esfera coletiva quanto individual. Coletiva, no sentido de se pensar melhores métodos de seleção e qualidade do trabalho desenvolvido no serviço público, e individual no momento de se ponderar se a estabilidade propiciada pelo cargo vale a desadaptação ao Eu.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O sofrimento no serviço público não vem de hoje</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1997, <strong>Bazzo</strong> publicou uma reflexão sobre esse tema, de onde se extrai:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:15px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px"><em>Quem tivesse a iniciativa de escrever a história da saúde mental no universo do funcionalismo público brasileiro, digamos, nos últimos 30 anos, chegaria a dados estarrecedores e não teria dúvidas de que a atual Organização do Trabalho dentro da &#8220;máquina pública&#8221; é, literalmente, uma máquina a serviço do desprazer, da depressão e da insanidade. E essa realidade pode ser facilmente confirmada, verificando o número de consultas médicas comparece mensais a que cada funcionário. </em></p>
<cite>BAZZO, 1997</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-quero-dizer-que-o-servico-publico-e-apenas-uma-armadilha-aos-incautos">Não quero dizer que o serviço público é apenas uma armadilha aos incautos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Há gente feliz e realizada de poder trabalhar servindo ao seu país, uma vez que, estando inserido nesse lugar é possível colocar em prática seus propósitos, uma coisa não impede a outra. É possível sim que o seu propósito de vida seja trabalhar no setor público e isso não torne a adaptação um martírio. Uma vez que, conforme dito acima, as condições de trabalho são atraentes e melhores que em muitas outras esferas do mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A proposta aqui é que, ao considerar a decisão de se dedicar a um concurso público, é fundamental lembrar que Jung enfatizava a integração de elementos individuais e coletivos para alcançar a felicidade e o propósito. A busca por segurança e contribuição à sociedade pode ser alinhada com sua visão de realização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele ressaltava que a busca pela felicidade estava enraizada na integração das várias facetas da personalidade e na conexão com um propósito. Ao escolher um caminho profissional, é importante considerar tanto as vantagens materiais e sociais quanto a capacidade de expressão pessoal, autonomia e satisfação interior. Novamente trazendo <strong>Jung</strong>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>É claro que como <strong>individualidade </strong>ninguém pode adaptar-se por completo a essas expectativas; daí a necessidade inegável de construir-se uma personalidade artificial. As exigências do decoro e das boas maneiras se incumbem do resto, para incitar ao uso de um tipo de máscara adequada. Atrás desta última, forma-se então o que chamamos de “vida particular”. A separação da consciência em duas figuras que às vezes diferem uma da outra de um modo quase ridículo é um fato bastante conhecido e constitui uma operação psicológica decisiva, que não deixa de ter consequências sobre o inconsciente. </em></p>
<cite>JUNG, 2014a, §305</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O sofrimento muitas vezes apresentado pelos concurseiros-concursados-servidores está em renunciar à tão sonhada e almejada estabilidade em busca da realização profissional. Quando se depara com a realidade pós-portal da aprovação, pode se frustrar com o preço dessa estabilidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Considerações finais</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Vale lembrar que já na escolha da profissão, quando adolescentes, muitas pessoas não têm tanta escolha sobre o seu futuro trabalho. Pressões familiares, condições sociais desfavoráveis, condições financeiras, entre outros aspectos, muitas vezes tornam a escolha de uma formação profissional uma não-escolha. A felicidade muitas vezes é depositada numa suposta estabilidade profissional e financeira em detrimento da realização de uma atividade laboral que proporcione satisfação pessoal e espiritual. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, como dito por Jung, muitas vezes os filhos são empurrados a viver a vida não vivida dos pais, que sonharam com uma vida de concursado. Mas, por alguma razão, isso não foi possível ou ainda, se identificam com os mesmos e seguem o caminho do serviço público sem pensar se esse é seu verdadeiro propósito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Torna-se urgente, pois, a investigação e análise dos impactos dessa (in)sensata corrida por um emprego seguro na saúde [&#8230;] também sobre os riscos de banalização e negligenciamento de um processo tão importante, como o de escolha profissional, alertando que “a adaptação a qualquer preço é a porta de entrada do conformismo – que é a antessala do mundo sem sentido.” (SOARES, 2002, p.16–17, apud RIBEIRO e MANCEBO, 2009). Contribui Jung:</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essas-identificacoes-com-o-papel-social-sao-fontes-abundantes-de-neuroses">Essas identificações com o papel social são fontes abundantes de neuroses.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O homem jamais conseguirá desembaraçar-se de si mesmo, em benefício de uma personalidade artificial. A simples tentativa de fazê-lo desencadeia, em todos os casos habituais, reações inconscientes: caprichos, afetos, angústias, ideias obsessivas, fraquezas, vícios etc. O “homem forte” no contexto social é, frequentemente, uma criança na “vida particular”, no tocante a seus estados de espírito.  (JUNG, 2014a, §307)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também sofrem aqueles que por sentirem sua autorrealização sacrificada em nome de um cargo com estabilidade, muitas vezes veem como opção apenas voltar aos bancos dos cursinhos preparatórios ou sacrificar horas da sua vida em busca de uma nova colocação no serviço público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>instabilidade</strong> do emprego na iniciativa privada, somada às cada vez mais frequentes crises do capitalismo, empurra cada vez mais os brasileiros em direção a um emprego que garante estabilidade, algo só encontrado no emprego público.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>estabilidade</strong> não livra os concursados da angústia e do sofrimento quando estes estão em descompasso com seus propósitos e potenciais internos, assim como em qualquer trabalho, no entanto, a solidez proporcionada pela estabilidade muitas vezes se torna uma barreira na busca por autorrealização.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/maurosoave/">MsC. Mauro Angelo Soave Junior</a> – membro analista em formação do IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi</a> – Analista didata do IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Reflexões Junguianas sobre o Serviço e o Concurso Público no Brasil" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/-FmR-5LY2xY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Referências</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">ALBRECHT, P. A. T. e KRAWULSKI. Concurseiros e a busca por um emprego estável: reflexões sobre os motivos de ingresso no serviço público. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, vol. 14, n. 2, pp. 211-226. 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ANJOS, F. B.; MENDES, A. M. A Psicodinâmica do não-Trabalho. Estudo de caso com concurseiros. R. Laborativa, v. 4, n. 1, abr., p. 35-55. <a href="http://ojs.unesp.br/index.%20php/rlaborativa.%202015">http://ojs.unesp.br/index. php/rlaborativa. 2015</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">BAZZO, E. F. Algumas considerações sobre a saúde mental dos funcionários públicos. Psicologia Ciência e Profissão, 17 (1), 41-44. 1997.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. O desenvolvimento da personalidade; tradução de Frei Valdemar do Amaral; revisão técnica de Dora Ferreira da Silva. – Petrópolis. Vozes, 2014a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______________. O eu e o inconsciente; tradução de Dora Ferreira da Silva. – Petrópolis, Vozes, 2014b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RIBEIRO, C. V. dos S. e MANCEBO, Deise. Concurso público, uma alternativa sensata frente às turbulências do mundo do trabalho? Trabalho &amp; Educação – vol.18, nº 1 – jan./abr. de 2009</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROCHA, Bianca Gomes Lima da. Entre o sofrimento e o (in)cansável movimento: as tensões vivenciadas por concursados-concurseiros à luz da contemporaneidade e da gestão gerencialista. Dissertação (Mestrado) &#8211; Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de Pós-graduação em Administração, Curitiba, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, R. B e BUENO, H. P. V. A saúde mental e os principais motivos de afastamento do servidor público brasileiro. Trabalho de conclusão do curso de pós-graduação lato sensu à distância em Saúde Mental pela UCDB/Portal Educação. 20xx</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/reflexoes-junguianas-sobre-o-servico-e-o-concurso-publico-no-brasil/">Reflexões Junguianas sobre o Serviço e o Concurso Público no Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Trabalho e Lazer: entre a Máscara Brilhante e a Alma Suicida</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/trabalho-e-lazer-entre-a-mascara-brilhante-e-a-alma-suicida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jun 2023 17:52:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[cansaço]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[lazer]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=7805</guid>

					<description><![CDATA[<p>Neste cenário contemporâneo, o indivíduo se vê constantemente dividido entre a demanda de produtividade representada pela "máscara do colaborador" e a necessidade vital de sua alma, muitas vezes negligenciada, conduzindo a um estado de angústia e exaustão. A máscara do trabalho e a ansiedade gerada por ela obscurecem a conexão do indivíduo com a sua essência, muitas vezes levando ao esgotamento e à autodestruição. Paradoxalmente, a ideia de lazer foi corrompida pela lógica produtivista, se tornando um palco para autopromoção em vez de um espaço para descompressão. Reconhecer a angústia e reivindicar um lazer verdadeiro são passos essenciais para restaurar a conexão com a alma e construir uma existência mais plena e autêntica.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>O despertador toca e lá vai você para mais um dia. Para se ambientar, você lembra que foi um sobrevivente de uma pandemia, não precisa mais de máscaras e já está no ano de 2023. Lembra, no entanto, que uma máscara especificamente você precisa – a do colaborador.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Afinal, hoje é segunda, dia de trabalhar. Ontem não foi um dia sem trabalho, você respondeu aquela mensagem de Whatsapp do chefe, deu uma conferida numa planilha ou outra e abriu a caixa de e-mails só para não se assustar amanhã. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No chuveiro, já relembra da planilha e pensa “eu não posso esquecer aquela alteração que eu pensei em fazer ontem! Tenho que fazer assim que me sentar no computador”. Então, vem o café da manhã, que tem que ser rápido, pois como é de praxe, você sempre demora para acordar na segunda-feira. Sim, a função “soneca” de todos os celulares trabalham mais nas segundas-feiras pelo mundo inteiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seja presencial ou em home office, neste momento você está praticamente pronto para embarcar nas planilhas, planejamentos, atendimentos, reuniões, seja o que for. E, num piscar de olhos, você se cala com a boca de feijão. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-calar-se">Calar-se&#8230;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Mas esse calar-se não traz um silêncio ou um ócio. Traz as lembranças aceleradas da manhã de trabalho – do que deve ser feito ainda e do que pode ser melhorado. Nada pode ser deixado para trás. Afinal, é a sua carreira que está em jogo. Assim como o operário deve apertar todos os parafusos na fábrica e o motorista de Uber deve aceitar todas as corridas, você não pode deixar a oportunidade passar!&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Curiosamente, apesar de você corresponder e responder prontamente as demandas do mundo de fora, no mundo de dentro acontecem coisas que dá vontade de ignorar: aquela ansiedade quando o despertador toca; aquela aflição quando o chefe envia mensagem ou e-mail; aquela angústia provinda dos lapsos de memória que levam você a se perguntar “eu tomei banho hoje?” “o que eu tomei de café da manhã?”. Sem falar da melancolia de domingo à noite ao som do programa Fantástico. Tanto ansiedade como aflição, angústia levam o indivíduo a um sentimento de “prisão”. Mas como poderia, se com a máscara do colaborador e seu status, seu dinheiro e suas férias você pode fazer o que quiser?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tomemos-a-palavra-angustia-para-analise">Tomemos a palavra “angústia” para análise.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A palavra &#8220;angústia&#8221; vem do latim &#8220;angustia&#8221;, que significa &#8220;estreiteza, aperto, constrangimento&#8221; e deriva de &#8220;angustus&#8221;, que significa &#8220;estreito&#8221;. O termo passou para as línguas românicas com um sentido mais abstrato, referindo-se a um sentimento de desconforto mental ou emocional. Este termo pode ser rastreado ainda mais para trás, até o proto-indo-europeu (uma língua reconstruída que é o ancestral comum de todas as línguas indo-europeias), na qual a raiz &#8220;*angh-&#8221; significa &#8220;apertado, dolorosamente apertado, angustiado&#8221;.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto o seu papel social, cheio de status, está poderoso, monetizado e relativamente livre nas férias, a sua alma está sofrendo. Este aperto é mais do que um simples aperto. É a alma se automutilando, devorando ela mesma. Assim como uma fera que depois de uma luta mortal tem sua barriga aberta e acaba comendo as próprias entranhas.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><a><strong>Num ato suicida e faminto, quando cárcere de alguém somente preocupado com sua máscara, a alma se mata quantas vezes for preciso em prol de deprimir o indivíduo e o seu sorriso brilhante.&nbsp;</strong></a></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-nessa-imagem-que-voce-se-encontra">É nessa imagem que você se encontra.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Suicida e faminto à deriva oceânica do neoliberalismo, sozinho esperando o vento que te levará ao tesouro dos “1 milhão de reais aos 30 anos”. A palavra &#8220;oportunidade&#8221; que enfatizamos acima tem a ver com essa imaginação. Sua origem no latim &#8220;<em>opportunitas</em>&#8220;. Esta, por sua vez, vem de &#8220;<em>obportus</em>&#8220;, uma combinação de &#8220;<em>ob-</em>&#8221; que significa &#8220;em direção a&#8221; e &#8220;<em>portus</em>&#8221; que significa &#8220;porto&#8221;. Por sua vez, &#8220;<em>obportus</em>&#8221; pode ser entendido como um vento favorável levando um navio em direção ao porto. Na língua latina, a palavra &#8220;<em>opportunitas</em>&#8221; era usada para descrever a chegada conveniente ou a chegada no tempo certo e foi adotada nas línguas românicas, inclusive no português, para indicar uma circunstância favorável, um momento propício ou uma chance.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ironicamente, este vento da oportunidade é mais próximo à alma do que à máscara. Existe uma relação etimológica entre &#8220;alma&#8221; e &#8220;vento&#8221; em muitas tradições culturais e linguísticas. Na tradição judaico-cristã, por exemplo, a palavra hebraica para espírito é &#8220;<em>ruach</em>&#8220;, que também pode significar &#8220;vento&#8221; ou &#8220;respiração&#8221;. No Novo Testamento, a palavra grega &#8220;<em>pneuma</em>&#8221; tem um significado semelhante. Estes termos são usados para se referir tanto ao espírito humano quanto ao Espírito Santo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-latim-a-palavra-anima-pode-significar-alma-mas-tambem-sopro-respiracao-ou-vida">Em latim, a palavra &#8220;<em>anima</em>&#8221; pode significar &#8220;alma&#8221;, mas também &#8220;sopro&#8221;, &#8220;respiração&#8221; ou &#8220;vida&#8221;. </h2>



<p class="wp-block-paragraph">A palavra &#8220;<em>anima</em>&#8221; também deu origem à palavra &#8220;animal&#8221;, referindo-se a qualquer ser vivo que respira. Na filosofia grega antiga, a palavra &#8220;<em>psyche</em>&#8220;, que significa &#8220;alma&#8221;, também pode ser entendida como &#8220;sopro de vida&#8221;. Enquanto que na tradição hindu a palavra sânscrita &#8220;<em>prana</em>&#8221; refere-se à força vital universal que é inalada e exalada como a respiração &#8211; estabelecendo assim um vínculo entre a alma, o vento e a respiração. Portanto, embora as palavras &#8220;alma&#8221; e &#8220;vento&#8221; não tenham uma conexão direta etimológica em português, elas estão ligadas em várias tradições linguísticas e culturais por meio do conceito de respiração ou sopro de vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-mascara-do-colaborador-nao-deixa-de-ser-importante-mas-usa-la-a-todo-momento-nao-te-permite-respirar-em-sua-totalidade">A máscara do colaborador não deixa de ser importante, mas usá-la a todo momento não te permite respirar em sua totalidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A alma precisa estar presente para qualquer oportunidade surgir. Na realidade, usar a máscara todos os dias garante uma alta produtividade, mas não garante criatividade e diversidade de vida. Neste mundo acelerado produtivista, o indivíduo torna-se disperso e dividido entre várias tarefas. Com a ânsia de manter-se atento e produtivo, o indivíduo contemporâneo sacrifica o tempo de integração dos vários aspectos da personalidade. Para Byung Chul Han, manter-se na máscara é estar de olhos bem abertos; já para sentir o vento da alma, é necessário fechar os olhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O indivíduo de olhos bem abertos tem a alma faminta pois o que ele ingere não a alimenta. A cada dia ele consome um excesso de positividade, de produtividade e de estimulações midiáticas dopaminérgicas. E quando ele escuta o ronco faminto da alma, o que reverbera na angústia sem igual, faz ela se calar consumindo benzodiazepínicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a alma não adormece, ela continua em seu ato fago-suicida. Levando o indivíduo a um estado de constante cansaço e esgotamento. Han chama esse estado social de &#8220;sociedade do cansaço&#8221; ou da exaustão. O verbo &#8220;exhaurire&#8221; pode ser dividido em duas partes: 1) &#8220;ex-&#8220;, que significa &#8220;fora&#8221;, e 2) &#8220;haurire&#8221; que significa &#8220;tirar&#8221; ou &#8220;drenar&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-alma-foi-drenada-ou-tirada-de-cena-nessa-sociedade">A alma foi drenada ou tirada de cena nessa sociedade.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Byung Chul Han defende a ideia de ócio ativo e do lazer como uma saída para esta situação, o que se aproxima de Carl Gustav Jung quando aponta: é olhando para dentro que encontraremos a verdadeira oportunidade e criatividade do viver.&nbsp;</strong></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Curiosamente, a palavra “lazer” é também relacionada a “oportunidade”. A palavra &#8220;lazer&#8221; em português tem suas origens na língua francesa. Ela vem da palavra &#8220;<em>loisir</em>&#8220;, que por sua vez vem do latim &#8220;<em>licere</em>&#8220;. &#8220;<em>Licere</em>&#8221; em latim significa &#8220;ser permitido&#8221;, o que indica uma atividade que é livre para ser realizada, sem obrigações. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No francês antigo, &#8220;<em>loisir</em>&#8221; também tinha o significado de &#8220;oportunidade&#8221; ou &#8220;tempo livre&#8221;, que se assemelha ao nosso uso moderno da palavra &#8220;lazer&#8221;. Com o tempo, essa palavra passou para o português como &#8220;lazer&#8221;, mantendo o sentido de tempo livre para atividades que não são trabalho ou obrigações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nada obstante, <strong>Byung Chul Han</strong> afirma que a própria noção de lazer está sendo corrompida, transformando-se em um meio de aumentar a produtividade em vez de ser um momento de reflexão, repouso e recuperação. Em contraste com a visão de lazer como um tempo livre e relaxante, Han propõe que estamos numa era de &#8220;trabalho de lazer&#8221; (<em>Freizeitarbeit</em>) em que as atividades recreativas são, frequentemente, incorporadas na lógica da maximização da produtividade e do autoaperfeiçoamento constante. Isso reflete uma sociedade em que cada momento, inclusive o lazer, é mercantilizado e torna-se outra oportunidade para &#8220;melhorar&#8221; as máscaras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-pouco-de-foucalt-e-nietzsche">Um pouco de Foucalt e Nietzsche</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Michel Foucault</strong> aponta que vivemos em uma sociedade panóptica, em que estamos constantemente sendo vigiados e, portanto, nos disciplinamos para atender às normas sociais e às expectativas de desempenho. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Este conceito se aplica também ao lazer, onde cada atividade pode ser monitorada e avaliada. Redes sociais, por exemplo, tornaram-se espaços onde as atividades de lazer são exibidas. Transformando o lazer em um ato performativo e de busca por monetização.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Assim como quando Nietzsche olha para o abismo e ele olha de volta, o usuário da rede social olha para a imagem midiática, a imagem midiática olha para ele, em um ato punitiv</strong>o.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O panóptico foucaultiano foi internalizado</strong>. Este fenômeno pode levar a uma sensação de obrigação de &#8220;fazer lazer&#8221; de maneira produtiva e visível, o que, por sua vez, assassina a essência do lazer como uma oportunidade para desacelerar e desfrutar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Percebe-se, enfim, que o contexto social contemporâneo conduz o indivíduo a um ciclo incessante de trabalho, a um ritmo cada vez mais acelerado e mecanizado. A máscara do colaborador, necessária para a adaptação ao ambiente externo, transforma-se em uma casca dura, sufocando a alma e privando-a de respirar, de viver plenamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-angustia-e-oportunidade">Angústia e oportunidade</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse ínterim, a angústia, fruto de um intenso aperto interno, emerge como um alerta contínuo da necessidade de nos reconectarmos com nossa essência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a ideia de &#8220;oportunidade&#8221;, inicialmente ligada à máscara do colaborador, deve ser ressignificada para se alinhar com a alma, trazendo à tona a respiração, o sopro de vida. É imperativo para a autonomia do indivíduo que o foco não seja apenas na produtividade, mas também no espaço para a reflexão, a criatividade e a diversidade de experiências de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a atual concepção de lazer é desafiada pela lógica da produtividade. Lógica essa que insidiosamente se infiltra até mesmo em nossos momentos de descanso. Ao invés de ser um momento de descompressão, o lazer torna-se outro palco para a performance e a autopromoção, uma vez que a sociedade panóptica nos impele a estar constantemente vigiados e a exibir nossas vidas nas redes sociais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-cabe-nos-questionar-e-refletir-sobre-esses-modelos-impostos">Cabe-nos questionar e refletir sobre esses modelos impostos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A máscara do colaborador é necessária, mas não pode ser a única face da existência. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Oportunidades, em sua essência mais pura, devem estar alinhadas à alma, ao sopro de vida. O lazer precisa ser recuperado como um tempo livre, como um espaço para a reflexão e a recuperação, não apenas outra arena para a demonstração de produtividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reconhecer a necessidade de harmonia, dar voz à angústia e resgatar os alimentos da alma são passos fundamentais para a construção de uma existência mais plena, autêntica e integrada. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Enfim, em vez de ser meramente um colaborador sobrevivente na deriva oceânica do neoliberalismo, é necessário reivindicar nossa condição como seres humanos cheios de multiplicidade, capazes de navegar com consciência e propósito nas águas tumultuadas do mundo contemporâneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Membro Analista em Formação: <strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/leostorres/">Leonardo Torres</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Membro Analista Didata: <strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi</a></strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Trabalho e Lazer: entre a máscara brilhante e a alma suicida | Leonardo Torres" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/R1QspsdC7Ag?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>REFERÊNCIAS: </strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">FOUCAULT, Michel.&nbsp;Vigiar e Punir: o nascimento da prisão. 20ª ed. São Paulo: Vozes, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. 2. ed. ampliada. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Obras Completas. Petrópolis: Vozes.</p>



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		<title>Mais mulheres e mais feminino nas organizações</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/mais-mulheres-nas-organizacoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rafael Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Dec 2022 11:45:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres no mercado de trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É cada vez mais recorrente a atenção dada por empresas, instituições e até pelo meio político ao tema da maior participação das mulheres em seus quadros. Especialmente nas grandes organizações existem metas muito claras para aumentar a quantidade de mulheres, prioritariamente nos níveis de liderança. Mas o que a psicologia junguiana pode dizer sobre isso? Muitas coisas.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">É cada vez mais recorrente a atenção dada por empresas, instituições e até pelo meio político ao tema da maior participação das mulheres em seus quadros. Especialmente nas grandes organizações existem metas muito claras para aumentar a quantidade de mulheres, prioritariamente nos níveis de liderança.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-o-que-a-psicologia-junguiana-pode-dizer-sobre-isso-muitas-coisas"> Mas o que a psicologia junguiana pode dizer sobre isso? Muitas coisas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Por um lado, precisamos destacar que este movimento de dar mais espaço às mulheres se trata de uma reparação histórica, oriundo da conquista pela igualdade e liberdade de gênero em termos de participação social, cultural e política. Por outro lado, sabemos que há muito ainda para caminhar quando nos distanciamos da ideia mais literal de gênero e refletimos sobre o simbolismo do feminino nas organizações. Dito de outra forma, apoiamos e valorizamos que exista um movimento que incentive a maior participação de mulheres nas empresas, mas isso está longe de significar uma paridade ou integração entre feminino e masculino em termos simbólicos, como princípios arquetípicos e não como gênero.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda que algumas mulheres questionem tal propositura, a dominância dentro de uma estrutura empresarial típica é masculina, e mesmo as mulheres, de certa forma, precisam assumir este modelo, se “masculinizando” psiquicamente para conseguir respeito e valor dentro desse universo patriarcal. Muitas vezes há uma confusão sobre esta perspectiva, pois algumas mulheres considerarão que não precisam desta “masculinização” psíquica para atuarem nas empresas, pois se consideram “muito vaidosas” e “muito femininas”. Isto é meia verdade, pois vestir-se de determinada maneira ou expressar determinada vaidade estética, se refere num primeiro momento à persona, que, neste sentido, pouco ou nada tem a ver quando evocamos os feminino e masculino simbólicos e arquetípicos. Em outras palavras, é possível que uma mulher seja muito feminina, no sentido da persona, mas bastante masculina no inconsciente, até mesmo por uma questão adaptativa – isso nada tem a ver com orientação sexual. Em alguns casos, que não parece ser a maioria, observamos mulheres que, por exemplo, refutam a ideia de licença maternidade de 6 meses por “deixar a mulher muito tempo fora da organização” ou dizerem que “preferem trabalhar com homens pois esses são mais objetivos” – extração essas da experiência do autor no mundo corporativo assim como das conversas em consultório, sem querer com isso generalizar estas falas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Naturalmente quando abordamos a temática de masculino e feminino na psicologia junguiana evocamos os arquétipos de anima e animus. Tais estruturas da psique objetiva têm passado por um certo revisionismo por serem tidas como binárias e heteronormativas. Como qualquer ciência o conhecimento deve ser constantemente edificado e não nos opomos às discussões criativas e profundas sobre isto, mas refutá-las sob o argumento exclusivo de binarismo e heteronormatividade, sem aprofundar em pesquisa, num primeiro momento, nos parece uma argumentação empobrecida, porque parte de um princípio errado, que é associar “anima” com mulher/vagina e “animus” com homem/pênis. É verdade que no momento que Jung descreveu tais arquétipos, ele fizera uma descrição mais ou menos simplificada, do animus sendo a parcela masculina inconsciente da mulher e a anima a parcela feminina inconsciente do homem (OC 9/1). Mas ao adentrarmos na profundidade do simbolismo destes arquétipos, observaremos que estes são, na verdade, princípios criativos do inconsciente coletivo, que permitem ao ego conectar-se com o inconsciente, e isso nada tem a ver, exclusivamente, com os gêneros homem-mulher; são princípios arquetípicos, portanto humanos e atemporais, sem compromisso com gênero – como qualquer arquétipo. Relembremos dos princípios de yin e yang da filosofia antiga chinesa que também comungam da ideia de oposição entre feminino e masculino como princípios criativos:&nbsp;<em>“Desde os tempos mais remotos da cultura chinesa, o yin está associado ao feminino e o yang, ao masculino”&nbsp;</em>(Capra 2006, p. 33).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente, é muito comum a discussão sobre anima e animus girar em torno de relacionamentos afetivos, haja visto alguns livros clássicos na psicologia junguiana, tais como&nbsp;<em>We</em>&nbsp;(Robert Johnson),&nbsp;<em>O casamento está morto, viva o casamento</em>&nbsp;(Adolf Guggenbühl-Craiga) e&nbsp;<em>Parceiros Invisíveis</em>&nbsp;(John Sanford). Contudo, a força arquetípica de anima e animus vai além disso e pode ensinar muito sobre a ausência, ou menor participação, do feminino nas organizações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para melhor explicarmos nossas argumentações, tomemos as organizações como se estas fossem um único ser humano. Em termos tipológicos junguianos, a consciência desse humano-empresa seria muito provavelmente do tipo pensamento extrovertido (princípio de Logos) com sensação auxiliar, e sua função inferior seria o sentimento introvertido (princípio de Eros). A afirmação de Jung “<em>A psicologia da mulher se baseia no princípio de Eros, que une e separa, ao passo que o homem, desde sempre, encontra no Logos seu princípio supremo”&nbsp;</em>(OC 10/3, §255), já nos ajuda a identificar que sentimento e Eros, estão mais associados ao feminino, e em nossa acepção estão na função inferior da humano-empresa, portanto, a menos reconhecida e integrada na consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adicionalmente às argumentações acima, ao fazer o profundo estudo das tipologias (uma teoria junguiana bastante deturpada no universo corporativo) Jung dissera num primeiro momento que o pensamento era uma função exclusivamente do homem e o sentimento exclusivamente da mulher (OC 6). Depois ele perceberia que isso não se sustentava, podendo ser homens e mulheres tipos pensamento ou sentimento. Ainda assim, ao descrever o tipo sentimento, ele menciona que este é mais comumente encontrado na consciência das mulheres (OC 6). Com isso, voltando ao nosso humano-empresa, fica claro que o princípio regente na consciência das organizações é masculino, ficando os aspectos femininos na sombra. </p>



<h2 class="wp-block-heading">O pensamento é qualificação e quantificação. O sentimento é valorização, empatia, sensatez.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Citemos algumas das características do animus (princípio arquetípico masculino):</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>“O animus, portanto, também tem o poder mágico da palavra, e assim os homens que atuam pela palavra podem, no bom e no mau sentido, exercer grande poder sobre a mulher”</em>&nbsp;(Emma Jung, 2006, p. 32).</p><p><em>“O que o animus tem a transmitir é mais o sentido que a imagem”</em>&nbsp;(Emma Jung, 2006, pág. 39).</p><p><em>“[&#8230;] o inconsciente contém as imagens as quais, mediadas pelo animus, tornam-se manifestas, quer como imagens da fantasia, quer inconscientemente como a vida atuante e vivida</em>&nbsp;(OC 9/1, §350).</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O animus evoca uma ideia de racionalidade cartesiana, mediador, estabelecedor de sentido; é a flecha de Apolo (Bolen, 2002). Se incrementamos essa perspectiva com os atributos do yang da filosofia chinesa teremos os adjetivos: expansivo, exigente, agressivo, competitivo, racional, analítico; céu, sol, dia, verão, secura, calidez, superfície (Capra, 2006).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Olhemos agora paras as características da anima:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“A anima [&#8230;] possui justamente essa receptividade e falta de preconceito em relação ao irracional, e por essa razão ela é qualificada de mensageira entre o inconsciente e a consciência”&nbsp;(Emma Jung, 2006, p. 68).</p><p>“A anima, por sua vez, na medida em que se distingue da sombra, personifica o inconsciente coletivo”(OC 9/1, §439).</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A anima é a própria imagem do inconsciente, é relação, integração, acolhimento, regeneração, maternagem. Na perspectiva do yin temos os adjetivos: contrátil, conservador, receptivo, cooperativo, intuitivo, sintético; terra, lua, noite, inverno, umidade, frescor, interior (Capra, 2006).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos parece que apresentando este olhar, fica mais claro quando dizemos que as organizações além de carecerem de mais mulheres, carecem de mais feminino – isso significa, especialmente, o estabelecimento de um bom termo dos homens com suas animas, mas também um reestabelecimento do feminino egoico da mulher, de forma que não precise se “masculinizar” em sentido simbólico, para poder atuar numa empresa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parece irônico, por exemplo, que algumas organizações usem o termo “colaborador” quando se referem aos seus funcionários, uma vez que, na maneira como as relações de trabalho são estabelecidas na atualidade, a ideia de colaboração não passa de uma ilusão, pois na prática o que se tem nas empresas são relações de comando e controle, porém, estabelecidas de maneiras mais sofisticadas nos últimos anos, com uma persona que sugere uma ideia de colaboração. Colaboração é feminina, é anima. Integração, escuta, acolhimento, humanização das relações, tudo isso é feminino. Cuidar do meio-ambiente, ter políticas internas e externas (com os fornecedores) em prol do meio-ambiente, reciclar, cuidar de Gaia (planeta Terra), é feminino. Construir um legado social genuíno (e não performático), mudando o papel das empresas de instituições que visam unicamente o lucro para instituições que contribuam para a redução das desigualdades sociais, desigualdade educacional, liberdade de expressão, liberdade religiosa e consciência política, é feminino. Desenvolver políticas organizacionais que levem em conta as necessidades das mães e dos pais, é feminino – está mais do que comprovada que a licença paternidade estendida contribui para o bem-estar do filho e da mãe. A licença maternidade de 4 ou (6 meses nas empresas “cidadãs”) no Brasil ainda é bastante inferior ao dos países nórdicos, por exemplo, que já reconheceram a necessidade de 2 anos de dedicação materna ao bebê – mas sabemos que estes países estão na vanguarda. Oferecer garantias de que uma mulher possa voltar da licença maternidade sem perder o emprego e garantir ao pai a liberdade de se ausentar do trabalho para ajudar mães recentes e bebês recém-nascidos, é feminino. Integrar gênero, cor, credo, raça, é feminino. As pautas raciais e LGBT+ nas empresas são absolutamente insuficientes quando olhamos para a maioria empresas que não são as grandes corporações – estas puxam o debate, mas ainda de maneira tímida, pois a maioria dos trabalhadores brasileiros, por exemplo, trabalham em pequenas e médias empresas. Diversos outros exemplos poderiam ser listados aqui, mas estes parecem ser suficientes para nosso texto. E cabe lembrar que existem iniciativas que caminham nesse sentido, portanto, nosso texto não é um sopro no vazio. Temos, por exemplo, políticas empresariais alinhadas ao ESG (governança social, ambiental, corporativa) que visam o cuidado com o meio-ambiente, social e político em sentido amplo, empresas com espaços para aleitamento dos bebês, fábricas com creches&nbsp;<em>in loco</em>&nbsp;para os bebês, empresas que adotaram a premissa do capitalismo consciente (aquele que oferece uma contraparte social de seu trabalho) e outras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, para não sermos injustos e parecermos unilaterais em nosso texto, como se o princípio feminino fosse eminentemente bom e o masculino ruim, convém mencionar que, agora sim enviesando para o gênero, é importante para o ego feminino ter um bom termo com seus aspectos masculinos simbólicos inconscientes. O que nos preocupa, de um lado ou de outro, é justamente a unilateralização. Quando dizemos que as empresas precisam de mais feminino é porque este está no inconsciente corporativo, não reconhecido, portanto, produzindo doenças, burnout, destruindo o meio ambiente, colocando pessoas contra si. É necessário que as qualidades mais nobres da anima venham à tona. No que tange o masculino, seus atributos típicos como qualificar, quantificar ou de dar sentido, são necessidades humanas, que precisam fazer parte de uma organização saudável, mas se integrando ao feminino, e não atuando de maneira unilateral, que muitas vezes é bárbara, querendo “destruir a concorrência”, como se isso fosse algo bom para a humanidade.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sendo otimista, acho que nunca tivemos uma chance na história de começar desde já fazer esses movimentos, começando pelo olhar sobre a nossa própria psique individual.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/rafaelrodrigues/">Rafael Rodrigues de Souza</a> – Analista Didata em formação</p>



<p class="wp-block-paragraph">Analista Didata – <a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi Filho</a></p>



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</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BOLEN, Jean Shinoda. Os deuses e os homens: uma nova psicologia da vida e dos amores masculinos. São Paulo: Paulus, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação. São Paulo: Cultrix, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Tipos psicológicos (OC 6).&nbsp;7 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo (OC 9/1). 8 ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Civilização em transição (10/3) 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Emma. Animus e anima. São Paulo: Cultrix, 2006.</p>
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			</item>
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		<title>Por que estamos tão cansados? Uma apologia à celebração</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/por-que-estamos-tao-cansados-uma-apologia-a-celebracao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 18:08:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Burnout]]></category>
		<category><![CDATA[contágio psíquico]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O despertador toca. Em um ritmo e em uma altura que adrenalina e cortisol invadem seu corpo como um tiro. Simultaneamente a isso, aquele outro em você, ansioso e preocupado com o trabalho, sim, aquele que te fez dormir tarde da noite fazendo você repassar suas tarefas e agendas já voltou a te contaminar com [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>O despertador toca. Em um ritmo e em uma altura que adrenalina e cortisol invadem seu corpo como um tiro. Simultaneamente a isso, aquele outro em você, <strong>ansioso e preocupado</strong> com o trabalho, sim, aquele que te fez dormir tarde da noite fazendo você repassar suas tarefas e agendas já voltou a te contaminar com suas intempéries. <strong>Talvez ele nunca tenha dormido, só sentou em sua cadeira e esperou ansiosamente o &#8220;eu&#8221; acordar para retomar tudo de novo.</strong></em> </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Desperto, os sonhos já se vão em segundos. </strong>Quiçá, dê tempo de pensar “eu sonhei com algo”. Mas seu coração já está de tal maneira acelerado devido ao outro em você, demandando de toda atenção que os sonhos voltam para o mundo dos sonhos. Outro tiro e num piscar de olhos, você já está no trabalho. Pergunta-se “eu fechei a porta?”; “eu tomei banho?”. “Acho que sim, meus cabelos estão molhados!”. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo tornou-se tão automático que não somente os sonhos, mas cuidar de si também é levado para o inconsciente com o intuito de automatizar banalidades, deixando o foco e a atenção somente para o que importa. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-o-que-importa-ora-aquele-outro-em-voce-sabe-de-tudo-o-que-importa" style="font-size:21px"><strong>E o que importa?</strong> Ora, aquele outro em você sabe de tudo o que importa.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para ele o que importa é sua <strong>performance</strong>. Ele é o seu treinador – <em><strong>o coaching</strong></em>. Ele quer números cada vez melhores. Afinal, o que podemos fazer a não ser melhorar cada vez mais? E o melhor disso tudo é que ser melhor não tem limites.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O seu treinador acredita piamente em você. Ele te transformará, talvez, no melhor do seu setor, o mais rápido em galgar cargos e <em>status</em>, o melhor na academia pegando cada vez mais pesos, o melhor no sexo, a ponto de se esperar a frase provinda do outro: “<em>foi o melhor sexo da minha vida”. </em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo que o outro diga isso de forma iludida por ter se envolvido no momento ou de forma mentirosa para acalentar você. Se isso tudo acontecer, o treinador em ti vai se orgulhar por um segundo ou menos. E depois, exigirá de ti ainda mais. Afinal, se você alcançou a meta, agora ela já é passado! &#8220;Precisamos de novas metas!”, diz ele. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste momento você percebe que o treinamento vai continuar e que as metas são ilusões criadas por ele para te convencer a continuar. Afinal, ele é um exímio desenvolver pessoal, sabe de todas as táticas e estratégias para você não fugir da <strong>performance</strong>. Mas, não há fim. É um abismo no qual os olhos não conseguem ver o chão. Todo aquele empreendimento para ser o melhor, é um vazio sem fim.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isso-faz-seu-corpo-estremecer" style="font-size:20px">Isso faz seu corpo estremecer.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Momento de grande oportunidade para a sua Alma, contaminada pelas Erínias, acender o seu corpo com mais adrenalina, cortisol, ativando sua amídala fazendo o medo e a vertigem te possuírem. Não é mais uma simples contaminação. </p>



<p class="wp-block-paragraph">É uma possessão da Alma de forma sombria para criar em você atitudes. Ela sente que precisa te interditar para você reconhecer outra dinâmica além da do treinador. Poderíamos nos perguntar: “mas por que sombria?”. Ora, se ela viesse acolher e acalentar, muito provavelmente você continuaria nessa dinâmica da <strong>performance</strong>. O ser humano precisa da crise e da tensão para se transformar. Mas muitas vezes é em vão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Graças aos treinadores que habitam cada um de nós e suas demandas por <strong>performance</strong>, a Ciência já desenvolveu remédios que aplacam as demandas da Alma de forma mais ou menos eficiente. A Alma pode vir de diversas formas. Hoje denominamos, popularmente, suas empreitadas como: &#8220;síndrome do impostor”; “burnout”; “disfunção sexual”; “ejaculação precoce”; “enxaqueca”; “infarto”, “<a href="https://blog.sudamar.com.br/psicossomatica-e-o-stress/">TAG – transtorno de ansiedade generalizada</a>”, entre outros. Não à toa Byung Chul Han diagnostica a contemporaneidade como a sociedade do cansaço.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-apesar-de-querermos-desviar-os-olhos-do-abismo-nietzsche-estava-certo-ele-esta-olhando-para-voce-desde-sempre" style="font-size:18px">Apesar de querermos desviar os olhos do abismo, <strong>Nietzsche estava certo: ele está olhando para você desde sempre</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O abismo é vazio, é a falta que cada um de nós encontra ao percorrer a estrada da <strong>performance</strong>. </em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O abismo é um olhar para si de forma explícita, que evidencia que o caminho da <strong>performance</strong> tornou-lhe uma pessoa insatisfeita e insaciável (e alguns até se vangloriam por ser uma pessoa insaciável). Afinal, você quer satisfazer seu chefe, quer satisfazer seu status, quer satisfazer seu parceiro(a) sexual, mesmo que para isso, ao ver o outro insatisfeito com sua <strong>performance</strong> você precise dar satisfações e justificativas alheias. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa dinâmica unilateral de satisfazer o outro ou de dar satisfações justificadas, é impossível satisfazer a si mesmo e o si-mesmo. O abismo te possui e te paralisa neste instante e para sempre. Esta é outra oportunidade de reconhecer sua incompletude e sua imperfeição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos hoje inúmeras ideias do quão o ser humano é um ser em falta e oco, um ser que carece. A Alquimia e a maioria das mitologias concebem o ser humano como cindido, dividido há muito tempo entre masculino e feminino, mas que anteriormente, ainda em indiferenciação, estavam em uma fusão. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-fisica-atomica-e-o-ser-humano"> A física atômica e o ser humano</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Já na Ciência, a física atômica afirma que cada molécula do nosso corpo (e do universo) é em grande parte vazia. Por exemplo, em um átomo de hidrogênio (o mais comum), a distância entre o núcleo e o elétron é de um décimo bilionésimo de um metro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para ilustrar, se o núcleo fosse uma bola de tênis, seu elétron estaria a uma distância de 2.042,9 metros, isto é, dois quilômetros. O que existe, então, entre eles? Em síntese, a energia da força de atração e repulsão e nada além.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para <strong>Edgar Morin</strong>, visando sua <strong>teoria da complexidade</strong>, o ser humano é também um sistema aberto, isto é, precisamos realizar trocas com o meio ambiente de diversas formas possíveis. Biologicamente falando, o vazio dos pulmões, do estômago, entre outros, nos permite continuar a manter a vida biológica. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vilém Flusser</strong>, na teoria da Comunicação, aponta que a comunicação surgiu por simples necessidade do outro (que também são forças de atração e repulsão).<strong> C. G. Jung </strong>afirma que é instintivo queremos preencher nossos vazios: alguns deles parecem até ser fáceis de se reconhecer, como as imagens psíquicas da fome e da sede.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-o-vazio-que-o-treinador-e-a-performance-escondiam-talvez-demore-um-pouco-mais-para-ser-percebido" style="font-size:22px"><strong>Mas o vazio que o treinador e a performance escondiam, talvez demore um pouco mais para ser percebido.</strong> </h2>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do abismo, não à toa muitas vezes nos perguntamos de forma simbólica “eu tenho fome de quê?”; “eu gosto de matar minha sede com o quê?”. E quando não paramos para refletir e confrontar este vazio, desviamos os olhos dele e acabamos por cair ainda mais nos vícios, nas obsessões e compulsões. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns tornar-se-ão ainda mais discípulos do treinador, afinal o treinador ainda está cheio de promessas. Já, outros, se decepcionarão com ele e encontrarão fugas, como o vício nas substâncias químicas e nas redes sociais (telas digitais) para não ter que conviver com o abismo. Na mitologia, podemos lembrar das Danaides enchendo seu vaso insaciável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembro-me de um dia estar com dois amigos bebendo cervejas. Um deles quis sair para fumar. O outro perguntou: “para que você fuma?”. O fumante respondeu: “para ter prazer!”. O perguntante questionou novamente: “mas você não está tendo prazer aqui, bebendo e rindo conosco? Você precisa ainda mais de prazer?”. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isso-me-atravessou-como-uma-flecha"><strong>Isso me atravessou como uma flecha.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Isso me atravessou como uma flecha. Na minha imaginação e nas minhas projeções, senti ali que o rapaz havia tido um dia o encontro com o treinador e havia encarado o abismo da insatisfação. E não percebera que seu vício por prazer para aplacar sua insatisfação iria tirá-lo da comemoração conosco. Evidentemente, esse lampejo e esse diagnóstico não foi para o rapaz, mas para o autor desse artigo. Afinal, escrevemos o que somos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir desse dia pensei o quanto a <strong>performance</strong> acaba por deteriorar a celebração. Conversando isso com uma amiga mestra em educação física, ela me disse: <strong>as Olimpíadas na sua gênese eram sumariamente uma grande celebração, depois a performance capilarizou cada passo da corrida, cada vara do salto, cada movimento da ginástica.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocorreu o mesmo com o trabalho, com a família, com o amor e o sexo. No fundo, parece que as Olimpíadas hoje aprimoram e premiam os indivíduos que possuem os transtornos obsessivos compulsivos por tornarem-se cada vez mais especializados nas respectivas modalidades. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-perfomance-x-celebracao">Perfomance x Celebração</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta reflexão de hoje, vislumbro a <strong>performance</strong> como uma <em><a href="https://blog.sudamar.com.br/o-complexo-oppositorum-da-natureza-da-psique/">complexio oppositorum</a></em> da celebração. À primeira visa o resultado futuro; a segunda, o prazer do presente. A primeira tende ao racionalismo matemático e estatístico, a segunda às emoções. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro Kronos; depois Kairós. <strong>A primeira é <a href="https://blog.sudamar.com.br/a-mentira-que-falta-a-verdade-a-tensao-criativa-entre-hermes-e-apolo/">Apolo</a> – o deus da perfeição. E ele, quando não cultuado, lança sua flecha mortífera no coração dos homens jovens. </strong>Não à toa ele além de ser uma divindade solar é também a divindade das maldições e da morte súbita. A segunda é Dioniso, a pulsão de vida, do êxtase e do álcool (espiritual), que quando acompanhado de Pã, pode causar o furor nas massas. Podemos depreender uma relação entre as maldições de Apolo, o álcool de <a href="https://blog.sudamar.com.br/o-coringa-ou-a-hannya-dionisiaca/">Dioniso</a> e aquilo que mencionamos acima sobre o escape do indivíduo quando se vê unilateralizado na <strong>performance</strong>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o indivíduo continua a seguir a <strong>performance</strong> de forma unilateral ele encontra a flecha sombria de Apolo; quando o indivíduo busca o entorpecimento das substâncias químicas, ele encontra Dioniso sombrio. Portanto, aqui, a unilateralização leva para o aspecto sombrio dessa&nbsp;<em>complexio oppositorum.&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A crítica aqui não aponta para o abandono da <strong>perfomance</strong>, e sim para o reavivamento da celebração/comemoração. <strong>C. Jung</strong> sabia disso em Eranos, momento em que grandes autores reuniam-se para comemorar –<em> comer e orar </em>– ou, como Waldemar Magaldi aponta <em>co-memorar</em>. A <strong>performance</strong> possuiu tanto nossa sociedade que acabamos por esquecer até de celebrar as pequenas coisas e momentos do cotidiano. Seja o banho após a labuta, a lasanha compartilhada pela família, ou até mesmo a cerveja entre amigos &#8211; que, por vezes, vamos somente para nos embriagar sem sequer realizar <strong>trocas verdadeiras</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-celebrar-comemorar-nao-esta-somente-ligada-a-alegria-mas-a-tristeza-tambem" style="font-size:18px"><strong>Celebrar/comemorar</strong> não está somente ligada à alegria, mas à tristeza também.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Viver o presente com suas alegrias e tristezas é que dá movimento à vida – é o que nos faz viver. Viver tal movimento é também, portanto, <strong>celebrar</strong> a tristeza quando ela se apresenta. Sim! <strong>É possível comemorar a tristeza, pois, uma hora ou outra, ela se inverte <em>in excessu affectus– </em>enantiodromicamente.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Celebre!</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Leonardo Torres</p>



<p class="wp-block-paragraph">Membro didata: Waldemar Magaldi</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Obras Completas. Petrópolis: Vozes. </p>



<p class="wp-block-paragraph">HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. 2. ed. ampliada. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TORRES, Leonardo. Contágio psíquico: a loucura das massas e suas reverberações na mídia. São Paulo: Eleva Cultural, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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