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	<title>Arquivos Resiliência - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos Resiliência - Blog IJEP</title>
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		<title>Feminino reprimido: uma variável sombria na equação das calorias ingeridas e consumidas</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/feminino-reprimido-uma-variavel-sombria-na-equacao-das-calorias-ingeridas-e-consumidas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dulce Kurauti]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Jul 2022 12:52:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Resiliência]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É fato que questões relacionadas com o peso são, em maior ou menor grau, uma preocupação presente na vida da maioria das pessoas, e, muito provavelmente, em uma consulta informal em qualquer grupo de pessoas, uma boa parte terá ressalvas quanto ao próprio peso. Considerando a situação do Brasil, uma pesquisa online de 2012 feita [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">É fato que questões relacionadas com o peso são, em maior ou menor grau, uma preocupação presente na vida da maioria das pessoas, e, muito provavelmente, em uma consulta informal em qualquer grupo de pessoas, uma boa parte terá ressalvas quanto ao próprio peso. Considerando a situação do Brasil, uma pesquisa online de 2012 feita com 25 mil pessoas da América Latina, aponta que os brasileiros são o povo mais insatisfeito com o próprio peso, além de se destacarem também por um uso maior de remédios de <strong>emagrecimento</strong>:”&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td>&nbsp;</td><td>Brasil&nbsp;</td><td>América Latina&nbsp;</td></tr><tr><td>Um pouco acima do peso&nbsp;</td><td>43%&nbsp;</td><td>35%&nbsp;</td></tr><tr><td>Acima do peso&nbsp;</td><td>16%&nbsp;</td><td>28%&nbsp;</td></tr><tr><td>Satisfeito com o próprio peso&nbsp;</td><td>30%&nbsp;</td><td>37%&nbsp;</td></tr><tr><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td>Uso de emagrecedores&nbsp;</td><td>12%&nbsp;</td><td>8%&nbsp;</td></tr></tbody></table><figcaption class="wp-element-caption">Fonte: Brasileiro é o que mais usa remédio de emagrecer na América Latina &#8211; notícias em Ciência e Saúde (globo.com)&nbsp;</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O peso corporal é um indicador importante de saúde, seu excesso é um fator de risco para várias doenças graves, além de ter impactos físicos mais diretos, principalmente relacionados a uma sobrecarga para os ossos. De forma mais subjetiva ele está relacionado também a autoimagem desejada, imposta pelos padrões vigentes de “beleza perfeita”, pois não podemos nos esquecer que o padrão de beleza mudou muito ao longo da história e já houve época em que corpos mais robustos eram os belos e os corpos esquálidos buscados hoje seriam o oposto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando a relevância, que o tema tem na vida das pessoas, não é de se estranhar a frequência com que ele aparece nos atendimentos terapêuticos, abrangendo tanto questões relacionadas à saúde, quanto à insatisfação com a autoimagem e a busca, muitas vezes obsessiva, por um corpo ideal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse artigo vou apresentar uma perspectiva sobre o excesso de peso no universo feminino, que vai além de um saldo positivo entre as <strong>calorias</strong> ingeridas e consumidas que se transforma em gordura. Essa perspectiva está baseada <strong>no livro <em>“A coruja era filha do padeiro</em>” de Marion Woodman</strong>, onde a autora amplia nosso entendimento sobre a dinâmica do ganho de peso falando sobre seus aspectos fisiológicos e psicológicos, partindo de um estudo feito com mulheres que estavam acima do peso.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estar acima do peso desejado é um fator de grande angústia e sofrimento para as mulheres, mesmo estando conscientes de que existe um padrão vigente que impõe modelos de magreza que desconsideram características individuais porém dada a enxurrada de imagens de “corpos magros e belos” que inundam as redes sociais, é uma tarefa hercúlea se colocar na frente de um espelho e se sentir bem quando a imagem ali refletida não se parece com as imagens estampadas nas capas de revista há algum tempo atrás e, nos dias de hoje, postadas nas redes sociais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo em casos em que as mulheres percebem que a comida não é utilizada apenas para se nutrir, que muitas vezes ela acaba assumindo um papel emocional, o mais comum é elas se agarrarem à ideia de que conseguir atingir o peso desejado é somente uma questão objetiva matemática de <strong>calorias</strong> ingeridas e gastas, porém existem vários fatos que contrariam essa linha de raciocínio. Pessoas que se alimentam de forma bem parecida, mas uma delas ganha mais peso que a outra, pessoas que conseguem eliminar peso às custas de muita disciplina tanto na dieta quanto nos exercícios que eliminam peso, mas que acabam voltando à situação anterior mesmo mantendo a duras penas boa parte do rigor na dieta e nos exercícios.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E por que isso acontece? Existiria uma variável oculta na equação que resulta no peso final de uma pessoa?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seu livro, <strong>Mary Woodman</strong> traz uma perspectiva enriquecedora sobre o tema, por um lado uma visão fisiológica sobre como as células de gordura podem se constituir de duas formas diferentes e como elas influenciam de formas distintas a dinâmica de ganho/perda de peso, e por outro, uma perspectiva da psicologia junguiana que tira da sombra uma variável oculta, o feminino reprimido.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com relação aos tipos de obesidade, Woodman apresenta duas possibilidades, a obesidade primária e a secundária. A obesidade primária é aquela em que a <strong>gordura</strong> é constituída por um maior número de células do que a média das pessoas não obesas, e a secundária tem uma quantidade de células de gordura dentro do padrão, porém de maior tamanho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos já mostraram que uma perda sustentável do peso, ou seja, em que não se recupere os quilos eliminados, é mais provável no segundo tipo de obesidade, quando um peso menor é atingindo pela diminuição do tamanho das células de gordura. No primeiro caso, há uma diminuição da quantidade de células de <strong>gordura</strong>, porém o corpo vai tentar recuperar as células perdidas assim que a força de vontade da pessoa não for mais tão firme quanto antes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme citado pela autora, quando a <strong>obesidade</strong> surge na infância, ela é caracterizada pelo maior número de células de gordura, explicando porque é tão difícil para pessoas que estão acima do peso desde a infância perderem peso e manter o resultado obtido. Se o aumento de peso acontece só na vida adulta, temos a obesidade secundária, o que aumenta consideravelmente as chances de não se recuperar os quilos perdidos. Assim podemos entender porque pessoas que foram crianças obesas tendem a ter muito mais dificuldade em ter e manter um peso considerado normal, o que já agrega uma nova variável à contabilidade do peso. Para trazer alguma luz para a razão pela qual as células se constituem de forma diferente nas duas fases da vida, coloco a seguir uma citação de Jung feita por de Marie-Louise von Franz que encontrei no livro sobre tipos psicológicos, ou seja, dentro de um contexto totalmente diferente do tema abordado aqui, que pode ser um paralelo biológico interessante:&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Ele assinala, por exemplo, as duas maneiras pelas quais as espécies animais se adaptam à realidade: ou reproduzindo-se tremendamente e tendo um mecanismo inferior de defesa, como as pulgas, os piolhos, e os coelhos, ou procriando muito pouco e construindo fortíssimos mecanismos de defesa, como o porco espinho e o elefante. (von Franz &amp; Hillman, 2020)</em>&nbsp;</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Por esse paralelo, podemos considerar que o ego da criança ainda tem muito a aprender, seu sistema de defesa com relação ao mundo ainda está sendo construído, então quando as células de gordura são produzidas vão se comportar como as pulgas, procriando muito e quando isso vem a acontecer na vida adulta elas se reproduzem pouco mas ficam robustas, mais fortes como o elefante, sendo que no primeiro caso como o padrão não muda na vida adulta, parece que ele fica estacionado no estágio anterior de desenvolvimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerando o aspecto psíquico do tema a partir da visão junguiana, em que o corpo é um canal de expressão dos complexos, Goodman fez um experimento de associação de palavra e obesidade com vinte mulheres obesas e vinte no grupo controle e, uma análise mais profunda em três casos de estudo, identificou o feminino reprimido como um complexo manifestado em seus corpos como o excesso de peso.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi a partir de seu experimento de associação de palavras que Jung percebeu que as pessoas tinham reações físicas involuntárias muito sutis quando determinadas palavras eram ouvidas. Ao buscar a origem dessas reações “Jung terminaria por concluir que os vários sintomas corporais eram mensagens da própria psique. Em consequência, era possível atribuir-lhes significado simbólico” (Woodman, 2020, p. 104).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir do seu experimento de associação de palavras e do estudo de casos, a autora percebeu a relação de cinco complexos com a obesidade, complexo paterno, materno, alimentar, sexual e religioso, e analisando seus aspectos simbólicos percebeu um ponto em comum entre todos eles, a perda do feminino.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste artigo vou trazer alguns aspectos que mostram a relação destes complexos com a perda do feminino e com a obesidade&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O complexo paterno pode se manifestar quando se tem a imagem de um pai perfeito, idealizado que provoca na filha o desejo de estar à altura dessa perfeição, levando-a a renegar seu lado sombrio, seus demônios. Ela faz de tudo para criar uma boa imagem para seu pai e ao fazer isso não pode se tornar uma mulher completa com limitações e imperfeições. Essa rigidez com que se cobra perfeição faz com que ela perca um aspecto essencial do feminino,&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>a sua devoção à ordem apolínea de vida, conjugada com o medo do demônio, leva-a buscar o controle do ego por meio da atividade do animus. Todavia, ao ignorar o seu lado puella, ela está perdendo o seu vínculo com Dionísio, o que leva à perda do componente essencial da natureza feminina. (Woodman, 2020, p. 165)</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O complexo materno tem um papel mais importante no que diz respeito a desordens alimentares do que o complexo paterno e, tudo pode começar desde muito cedo com uma mãe que não sabe diferenciar os tipos de choros da criança e que assume que todos eles são de fome e atende a todos os chamados do bebê com comida, o que faz com que ele tenha dificuldade em diferenciar suas percepções corporais, pois tudo foi tratado da mesma forma, sendo alimentado, o que está fortemente associado à desordens alimentares.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao focar em seu peso, a mulher obesa desvia a atenção do enfrentamento que precisa acontecer para que haja o resgate do seu lado feminino mais instintivo, que foi renegado a favor de uma falsa sensação do controle do ego, pois se deixar levar por um ritmo mais espontâneo da vida é extremamente assustador e, como sua mãe também vive apartada desse ritmo, não consegue passar para a filha a segurança de que ela estará presente para acolhê-la nesse momento difícil.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Curvar-se à Grande Deusa é aceitar a vida tal como é: hoje inverno, amanhã primavera; a crueldade combinada com a beleza; a solidão seguindo o amor. Só é possível submeter-se quando sabe que os braços da mãe amorosa &#8211; ou, talvez, as asas estendidas do Espírito Santo &#8211; estarão abertas para acolher a criança que cai. (Woodman, 2020)</em>&nbsp;</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A manifestação dos outros três complexos podem ser observados na mulher obesa quando ela, por temer o contato com sua natureza feminina mais instintiva, passa o dia submetida a uma vigilância rígida para não ser levada pelos seus anseios de todos os tipos de fome, espiritual, sexual e de uma vida plena, mas à noite sucumbe às investidas desse lado sombrio inconsciente e vai tentar saciar todas as fomes de forma literal com o alimento proibido.&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>“A ligação intima entre o alimento físico e o alimento religioso é evidente. Elas anseiam pelo seu &#8220;pão de cada dia&#8221;, mas encaram o símbolo em termos concretos. (&#8230;) comer até que o ego caia no inconsciente torna- se uma paródia do orgasmo “ (Woodman, 2020, pp. 175, 176)</em>&nbsp;</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Aqui novamente o caminho é tornar o ego forte para que ele suporte a integração do feminino que está apartado, o que é uma tarefa árdua em uma cultura que se afastou da vida simbólica e por isso sacia a fome espiritual e sexual com o alimento na sua forma literal. Resgatar a capacidade de simbolizar os sintomas é o caminho para realizar a difícil tarefa, que pode contar com a ajuda dos sonhos e da imaginação ativa com o próprio corpo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com todas as considerações feitas é difícil se manter preso à ideia de que o peso corporal é apenas o resultado de uma operação aritmética, existem outras variáveis tanto fisiológicas quanto psíquicas que entram nessa conta, mas que não podem ser controladas como a quantidade de calorias ingeridas, até mesmo a obesidade primária pode significar uma eterna luta contra <strong>o excesso peso</strong>, em que as <strong>calorias</strong> consumidas não são a principal componente do resultado. E o mais importante de tudo é algo que deve ser considerado muito além da obesidade, a relação da psique com o corpo, a partir da perspectiva de que um sintoma é uma mensagem da psique, um complexo, que está manifestado de forma simbólica no corpo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dulce Ayako Kurauti&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Membro analista em formação pelo IJEP&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dra E. Simone Magaldi Membro didata do IJEP&nbsp;</p>



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</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Bibliografia</strong><strong></strong>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">von Franz, M.-L., &amp; Hillman, J. (2020). <em>A tipologia de Jung &#8211; Ensaios sobre psicologia analística.</em> &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Woodman, M. (2020). <em>A coruja era filha do padeiro.</em> Cultrix.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/01/brasileiro-e-o-que-mais-usa-remedio-de-emagrecer-na-america-latina.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">G1 &#8211; Brasileiro é o que mais usa remédio de emagrecer na América Latina &#8211; notícias em Ciência e Saúde (globo.com)</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Abandono Social</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/abandono-social/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Maluf]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jun 2022 12:27:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Dependência Química]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vivemos hoje um estado de calamidade pública. A população em situação de rua vem crescendo de forma acentuadamente drástica. Basta olhar pela janela e trilhar as calçadas. Segundo fontes SISAB de 2020, 221.869 pessoas se encontram em situação de rua, sendo 34,7% mulheres e 65,35% homens.&#160; Parece que na pandemia o número dobrou nas grandes [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Vivemos hoje um estado de calamidade pública. A população em situação de rua vem crescendo de forma acentuadamente drástica. Basta olhar pela janela e trilhar as calçadas. Segundo fontes SISAB de 2020, 221.869 pessoas se encontram em situação de rua, sendo 34,7% mulheres e 65,35% homens.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Parece que na pandemia o número dobrou nas grandes cidades.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A população vulnerável socialmente&nbsp;que vive a pobreza extrema é formada também por trabalhadores que exercem atividades informais. 70% dos moradores de rua trabalham como catadores de reciclagem, flanelinhas, em construção, limpeza e carregadores. 15,7% da população em SP são pedintes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Encontramos na rua uma diversidade de pessoas e circunstâncias. A questão da saúde é um problema bastante grave também. As drogas são bastante presentes entre moradores de ruas e as patologias psiquiátricas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A maioria de quem mora na rua faz pelo menos uma refeição ao dia.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em dezembro de 2019, foi instituído um decreto (decreto n°7053) que define população em situação de rua como grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos de as áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem como as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou moradia provisória.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="816" height="518" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem1.jpg" alt="" class="wp-image-4100" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem1.jpg 816w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem1-300x190.webp 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem1-768x488.webp 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem1-150x95.webp 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem1-450x286.webp 450w" sizes="(max-width: 816px) 100vw, 816px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">É um tema bastante amplo pois mesmo em situação de rua encontramos situações das mais diversas pois falamos de humanos. Faltam-nos políticas públicas e iniciativas sociais privadas para adentrar a essa realidade. Que situação é essa vivida por alguém na rua que conseguiu muitas vezes se libertar dos compromissos e pressões coletivas sociais, mas abraça a dor e a ferida social da invisibilidade?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao pensarmos em rua e pobreza, pensamos em bem e mal e logo somos arremessados a uma instância rígida de nossa criação cristã, precisamos muitas vezes alimentar o mau fora de nós para sermos bons. Essa ideia acaba sendo alimentada por muitas igrejas, constelando o arquétipo do salvador e alimentando no morador em situação de rua o arquétipo do invalido nutrindo a pobreza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8230;pois mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino de Deus (Lucas 18: 24-25). Numa sociedade unilateralizada que carrega a literalidade&nbsp;como característica, acaba entendendo a citação acima de forma literal. Logo que nos deparamos com essa imagem de pessoas habitando ruas que se contrasta com nossas mansões, pensamos no sentido da vida e de alguma forma a representação da imagem de Deus</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung afirma que, desde que “todos os opostos são de Deus”, devemos nos curvar diante desse “peso”. Os opostos são a pré-condição indestrutível e indispensável de toda vida psíquica escreveu Jung em 1955 no Mysterium Coniunctions.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung afirma também que é através da psique que podemos estabelecer que Deus age sobre nós. E a expressão da psique se dá através de nossa cosmovisão e, portanto, atitude diante do mundo. Então&#8230; o que será que acontece com a nossa sociedade, com os indivíduos que se tornam indiferentes aos que habitam as ruas? O que será que leva um indivíduo a habitar as ruas?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Quem são esses indivíduos que perambulam pelas noites sombrias quando a luz cai; já que diante da luz são rejeitados e expelidos às sarjetas? São expelidos à margem de nossos caminhos. Para reconhecer esses “corpos perambulantes” preciso de alma e no mundo desalmado, o olhar é pelos olhos da razão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Sem alma não há relação entre as polaridades que constituem a natureza humana. Sem diálogo entre os lados, não há alcance ao que é divino e caímos na experiência de um aparthaid que julgamos ser natural. Separamos do mundo o imundo gerando cisão, rompimento, negação e violência social. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Se tudo é uno, quando integro o outro em mim, me aproximo do coletivo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Pensar em mundo é vislumbrar a totalidade que envolve sistemas e contradições relacionais devido à diversidade de experiências vivas. Jung fala da busca de totalidade no processo de individuação, e a totalidade compreende as oposições e aproximação entre elas. Portanto se me distancio e nego o imundo, nego parte do meu mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Completude ou unidade é a condição original de existência, antes que o primeiro “pensamento” entre e comece a discriminar e diferenciar isso “daquilo”. (DONALD, pensamentos de Jung sobre Deus pg25.)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da mistura de conteúdos no princípio da criação, separamos através da função de discriminar durante o processo de desenvolvimento para poder posteriormente unir de forma consciente. Mas o homem contemporâneo parece literalizar essa ideia e vivê-la fora de si.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A totalidade é um estado onde consciência e inconsciente trabalham juntos em harmonia, onde estas instancias estabelecem um diálogo possibilitando a integração de aspectos sombrios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse apartado da sociedade faz parte de uma “classe” a parte, (termo usado por alguns indivíduos que vivem essa situação.)&nbsp; São invisíveis no meio de tanta gente por serem incômodos pela sua aparência suja e seu fedor. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nós?! Somos limpos e polidos e assim somos aceitos e não nos misturamos e nem sequer dialogamos com esse outro lado. Esse corpo negado e rejeitado a ponto de se tornar invisível é a própria sombra que projetamos no pedinte imundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguém é capaz de tomar consciência desta realidade sem dispender energias morais. Mas nesta tomada de consciência da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade. Este ato é a base indispensável para qualquer tipo de autoconhecimento e, por isso, em geral, ele se defronta com considerável resistência”. (Jung &#8211; OC 9/2 § 14)</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Hoje em dia, defrontamo-nos com o lado escuro da natureza humana toda vez que abrimos um jornal ou ouvimos o noticiário. Os efeitos mais repulsivos da sombra tornam-se visíveis na esmagadora mensagem diária dos meios de comunicação, transmitida em massa para toda a nossa moderna aldeia global eletrônica. O mundo tornou-se um palco para a sombra coletiva.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O lado escuro não é nenhuma conquista evolucionária recente, resultado de civilização e educação. Ele tem suas raízes numa sombra biológica, que se baseia em nossas próprias células. Nossos ancestrais animalescos, afinal de contas, sobreviveram graças às presas e às garras. A besta em nós está viva, muito viva — só que a maior parte do tempo encarcerada.” (Ao encontro da sombra – Robert Bly pag. 20)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa sombra materializada nesses indivíduos não é anônima, ela têm nome e história com muitas marcas. Somos “Josés” somados a cada parte de nós que lê esse texto e reverbera essas ideias e imagens em si, pois formamos uma unidade. Essa é a totalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;Cada um, uma história que vai além do pessoal e é coletiva também.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Um corpo tem que ocupar um lugar no espaço. Qual é esse espaço que o morador em situação de rua ocupa? Esse corpo nos assusta e desperta nossos medos de fracasso já que ainda não tomamos ciência de quê fracassamos como sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É o medo pelo que ele nos representa. Vivemos em bolhas distantes umas das outras onde não há relação e diálogo entre elas, empobrecendo a nossa condição humana. Não comungamos de ideias e perdemos propósitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na visão da psicologia analítica se não aproximarmos essas polaridades continuaremos tomados pelo monoteísmo da consciência e corremos o risco do aprisionamento em nossas certezas e verdades que são frutos de nossos complexos de poder que habitam as sombras e um ego rígido que nos acorrenta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses indivíduos caminham lentamente pois não tem energia, enquanto nós corremos, pois temos pressa e assim não aprofundamos nosso olhar. Vivem a fome, o frio e a solidão em seus corpos enquanto nós nos fartamos a mesa e vivemos com 5.000 likes nas redes sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seus olhos&#8230; Um olhar perdido sem sentido, sem direção enquanto nós focados fixamente no sucesso. Esses indivíduos têm uma pisada desalinhada com os pés sujos e cascudos para dar conta da realidade árida e dura enquanto nós fazemos malabarismos em nossos saltos altos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como opção nós caminhamos muitas vezes para nos buscar e muitos deles caminham para fugir de si&#8230; A população de rua vem aumentando drasticamente, o que reflete o aumento da exclusão social fruto de valores sociais que nutrem um modelo econômico que vivemos, onde nem todos se enquadram.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>“Muito para poucos e pouco para muitos&#8230;”&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é o corpo social que se torna fruto dos corpos individuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;O mendigo pedinte e sem teto é a antítese da imagem e vida desejada por nós cidadãos de “sucesso” &#8230; Esse é o espírito da nossa época que eles também fazem parte. Como seria se perceber menos perfeito e mais inteiro com todas as carências e sujeiras que carregamos na alma?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como é se deparar com corpos desnutridos, arcados e sujos, famintos de comida, já que estamos em corpos famintos de espiritualidade e humanidade que se expressa na materialidade do excluído? Só atingiremos a divindade quando mudarmos o olhar para com o tema da espiritualidade que se realiza de forma concreta, inclusive no corpo. Nessa desunião que vivemos, separamos o bom do mal sem condição para o diálogo e adoecemos como indivíduo e sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>“Não posso perfumar e nem performar a alma”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Essa é uma das batalhas internas em tempos modernos onde a ilusão do controle é alimentada socialmente para manter a persona polida. Sendo assim a tendência é projetar e rejeitar todo o dejeto naquele que em mim não cabe em lugar nenhum.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Minha intenção é questionar e quem sabe despertar outros olhares sobre o tema invocando assim algo dessa energia ligada ao feminino, resgatando quem sabe a capacidade em acolher e se relacionar com o outro em mim para perceber o outro nele nessa aproximação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tentar entender a dinâmica desse grupo de indivíduos na tentativa de desenvolver aquilo que de forma consciente ou inconsciente “tiramos” deles em relações de uso, abuso e poder. É uma tentativa mais consciente de reparação, não para aliviar a culpa, mas sim por sentir-se parte integrante e ativa dessa sociedade com propósito de evoluir como humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;Precisamos nos aproximar para olhar de forma mais profunda.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Sim, uma pessoa nunca é representada por ela mesma. Uma pessoa só é alguma coisa em relação a outros indivíduos. Só obtemos dela um retrato completo quando a vemos em relação, a seu entorno, assim como não sabemos nada sobre uma planta ou um animal quando não conhecemos seu habitat”. (traumanalyse,253 sobre o amor- Jung)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos fazemos parte desse cenário, cada corpo em seu lugar e todos direta ou indiretamente pagamos o preço da fome, da miséria e da violência. Como num mosaico somos pedaços que compõem o TODO.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Se você não quiser arruinar se moralmente só existe uma pergunta a fazer: Qual é a necessidade que você mesmo carrega quando se comove com a situação aflitiva de seu irmão?” (Briefi II, 395, Jung Sobre o amor) Vamos repensar caminhos e sentidos e para isso preciso parar e mergulhar nesse universo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Sim&#8230; sofremos de fome, fome de alma e de espírito. Vivemos em corpos “sarados” lustrados por personas ajustadas, polidas e perfumadas. Isso é um problema? Não, se não negarmos seu contraponto, mas, como diz Jung:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Reconheçamos que nada é tão difícil quanto suporta-se a si mesmo” o que também explica a projeção da sombra social. Segundo Jung “ninguém vive fora de sua pele,” e só acessamos o outro através da empatia no olhar que conectar a ferida do outro a minha. (Jung pag 373. Oc7/2)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir dessa fala entendemos nossas projeções sombrias sobre esses indivíduos, esquecendo assim de nossas faltas e também dos excessos que formam essa dinâmica polar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que não achar lugar na consciência para ser constelado, fica excluído e pode se associar aos complexos sociais dominantes, nos tornando em seguida dominados pela nossa própria dominação. Assim como a rua abraça o não acolhido, esses complexos sociais são âncora à sombra coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Olhar no olho desse outro e estabelecer diálogo é possibilitar olhar com os olhos subjetivos para o interior de si e recordar assim “quem sou” de forma mais inteira, atualizando o passado e presente em aspectos emocionais que foram rasgados, arranhados e que se tornaram feridas veladas. Olho para o outro como espelho do outro de mim&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos individualmente o que vivemos coletivamente e vice-versa. Entendo que precisamos desenvolver consciência mais ecológica para entender esse corpo que vive no corpo de Gaia.&nbsp;O corpo negado de Gaia é a própria negação da energia do feminino, que acaba projetado no corpo do indigente imundo, negando parte do corpo social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;Que corpo é esse sofrido e não amado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Que relação é essa que estabelecemos com o outro onde nos esfriamos e nos distanciamos do amor em seu sentido maior, potencializando o nosso complexo de poder criando adversários fora de nós Como lidar com a pobreza social se não começamos pela nossa pobreza e vulnerabilidades de alma. O complexo negado atua em nós, nos conduzindo á trágica realidade onde geramos mais pobreza e nos anestesiamos diante dela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<strong>“A invisibilidade só deixará de existir pela mudança no olhar.”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Me pergunto se todas as guerras, derramamento de sangue e miséria não assaltaram a criação quando um homem procurou ser senhor de outro (&#8230;) E essa miséria não irá embora (&#8230;) quando todas as ramificações da humanidade considerarem a terra como um tesouro comum a todos.”&nbsp;(Gerrard winstannley, the new law rightteouness, 1649 – Calibã e a Bruxa pag 112)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto isso consideramos esse grupo de moradores em situação de rua como o metaverso da “nossa” sociedade sombria. Nos falta amorosidade e maturidade para olharmos esse assunto com pés no chão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Enquanto buscamos poder anulamos o poder do amor.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Ali onde predomina o amor não há vontade de poder, e onde há predominância do poder, não há amor. Um é a sombra do outro.&nbsp;&nbsp;Aquele que se coloca no ponto de vista do Eros tem um oposto compensador da vontade de poder. Mas aquele que enfatiza o poder tem como compensação o Eros. Vista do ângulo unilateral do posicionamento da consciência, a sombra é uma parte de menor importância da personalidade, e por isso é reprimida por uma intensa resistência. Mas aquilo que é reprimido precisa tornar-se consciente para que se crie uma tensão dos opostos, sem a qual não há possibilidade de continuidade de movimento. De certa forma, a consciência é em cima e a sombra é embaixo e como que está no alto sempre tende a descer às profundezas. O quente ao frio, assim toda a consciência, talvez até sem se perceber, busca por seu oposto inconsciente, sem o qual ela é condenada à estagnação, ao assoreamento ou à fossilização. Só nós o posto é que a vida se acende.” (Jung OC 7&nbsp;<a>§&nbsp;</a>78)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vida e a psique nos impulsionam a realizar potencial. Tornar-se si mesmo nos aproximando do coletivo.&nbsp;Buscamos nosso lugar através do sentimento de pertencimento a si e ao mundo. Desenvolver a centelha divina em nós é realizar o inconsciente no sentido do servir para vir a ser. <strong>Muitos de nós nunca foi sonhado, então como pode sonhar?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Infelizmente deixamos de ser Homem de argila para sermos Homens de lata!</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;“E apesar de todas as diferenças, a unidade da humanidade haverá de se impor de modo inexorável.”(Jung Oc 10/1§ 568)</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ana Paula Maluf</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Bibliografia&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Calibã e a Bruxa – SILVA FEDERICI – Ed. Elefante</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aspectos do feminino – C.G JUNG – Ed. Vozes&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensamentos de Jung sobre Deus – DONALD R. DYER, PH.D.- Ed. Madras</p>



<p class="wp-block-paragraph">Psicologia do inconsciente – C.G JUNG 7/1 – Ed. Vozes&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A natureza da psique – C.G JUNG 8/2 – Ed. Vozes</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao encontro das sombras – Connie Zweig e Jeremiah&nbsp;&nbsp;Abrams -Ed. CULTRIX</p>



<p class="wp-block-paragraph">Presente e futuro – C.G. JUNG 10/1&nbsp;&nbsp;&#8211; Ed. Vozes</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Estar na vida para existir ou para atuar? Uma jornada com Vincent van Gogh</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/estar-na-vida-para-existir-ou-para-atuar-uma-jornada-com-vincent-van-gogh/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rafael Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Jun 2019 17:04:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[Resiliência]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
		<category><![CDATA[VAN GOGH]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Vincent Van Gogh é considerado um dos maiores pintores da história. Holandês, era filho de um pai pastor protestante e mãe do lar. Viveu apenas 37 anos, nascendo em 1853 e morrendo em 1890, após uma tentativa de suicídio, inicialmente, malsucedida, que o deixou agonizando por 3 dias, até seu falecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Viver 37 anos foi o suficiente para que ele produzisse obras atemporais, como “Os comedores de batatas” (minha pintura predileta) ou “Noite estrelada” (uma das mais populares).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, em vida, Vincent vendeu apenas 1 quadro. Exatamente, apenas 1 quadro. Avançando para os dias atuais, na capital holandesa, em Amsterdam, há um museu com 3 andares dedicado inteiramente à sua obra, em que a família Van Gogh é curadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua obra só recebeu o devido mérito, após a sua morte. Curiosamente a sua cunhada, esposa de seu amado irmão Theo Van Gogh, foi a responsável por apresentar suas pinturas ao mundo e colocá-las no patamar conhecido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não sei dizer se Vincent viveu para ser famoso ou para alimentar exigências sociais, que, em última instância, na verdade são projeções de nossa sombra, que em vez de nos libertar, nos aprisionam, numa busca insaciável por dinheiro e/ou poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E se falo em dinheiro e poder, não tenho como referência a política, algo tão negativamente em moda no Brasil. Me refiro às necessidades do dia a dia mesmo, do homem e da mulher comuns, de ter um bom emprego, de ter um bom cargo, de ter uma casa própria, de dar uma boa educação para os filhos, ou seja, de ser o “Super Homem” ou a “Mulher Maravilha”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Teria Vincent esses mesmos almejos desse homem médio?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bem, Vincent era um profundo estudioso da pintura. Seus autorretratos, eram, a priori, estudos e combinações de cores que ele fazia constantemente. Estudou pintura oriental, especialmente a japonesa, e desenhos a lápis. E sim, ele queria incansavelmente ser reconhecido por sua obra, e jamais saiu de seu trilho, de seu “chamado”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Optar por essa vida não foi fácil. Ele enfrentou a miserabilidade, doenças mentais, desprezo social, e até chegou a se internar voluntariamente num hospital psiquiátrico. Só não sucumbiu antes dos 37 anos, pelo apoio incondicional que tinha de seu irmão Theo, seu grande amigo, incentivador e patrocinador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez, meio que sem querer, Vincent tenha passado por essa existência, tal qual outros grandes humanos, para nos provocar, e para nos tirar de uma vida repleta de projeções e de aprisionamento em nossas personas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Me parece que estamos todos vivendo e encenando um grande teatro, onde procuramos personagens que sustentam nossas vicissitudes e manias. Em vez de abandonarmos nossas personas, buscamos novas, que suspostamente serão as “curas” paras os ciclos negativos que a anterior criou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No fim das contas, o que fazemos, é uma repetição de padrões, um loop infinito, que nos deixa anestesiados, criando uma legião de deprimidos, ansiosos, bipolares e por aí vai.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se por um lado a depressão, a síndrome do pânico e todas outras doenças que acometem o ser humano médio, aquele que vive pelas exigências sociais, são terríveis em suas consequências, por outro lado, são chamados da alma, chamados para repensarmos e ressignificarmos nossas vidas, mudarmos os nossos padrões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, o que temos feito, é buscar no receituário médico, uma lista de comprimidos que como por milagre, nos tirarão desse ciclo sem fim. Sim, estamos só vivendo e não existindo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quantas pessoas você conhece, com boas condições financeiras, bons empregos, bons valores, que são meramente repetidoras de padrões? Se posicionam como seres pensantes, inteligentes, críticos, mas que pouco sabem usar sequer o idioma português.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seguramente, poderíamos tratar nossa situação atual como uma epidemia, uma vez que a cada 5 pessoas que converso, duas ou três possui algum sintoma psíquico, ou faz uso regular de algum medicamento psicotrópico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas não trataremos isso como epidemia, por duas razões:</p>



<p class="wp-block-paragraph">1)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Minhas conversas informais não possuem relevância estatística;</p>



<p class="wp-block-paragraph">2)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Temos um modelo de educação, que não valoriza o bom repertório, que não contempla um engrandecimento cultural, filosófico, que não discute os benefícios da cooperação versus competição, que não tem em sua agenda a educação emocional, dentre outras coisas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo assim, trataríamos como epidemia as doenças que nós mesmos estamos criando? Sem dúvidas, não.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, se voltamos ao Vincent, ele jamais parou de construir a sua obra porque havia inflexões políticas ou exigências sociais a serem seguidas. Ele simplesmente escutou o seu “chamado” e seguiu sua jornada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas para nós, seres humanos médios, a saída para tudo isso, primeiramente, é nos conscientizarmos de nossa pequenez perante a vida, despindo-nos de nossas personas, que rodeadas de celulares caros, carros novos e roupas de grife, sentem-se enormes, mas não passam de personagens anônimos no palco de Gaia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Precisamos abandonar o suposto senso crítico expressado nas redes sociais, para fazer uma verdadeira varredura emocional em nossas vidas. Precisamos “escutar” nossas depressões e ansiedades, e nos perguntarmos para onde elas querem nos levar, em vez de simplesmente querermos nos livrar delas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parafraseando uma amiga psicóloga, Vincent precisou morrer para existir. Por mais fúnebre que seja, ainda me parece mais acalentador do que viver uma encenação vazia, onde o autoconhecimento sai de cena para que o acúmulo de coisas e bens seja o protagonista, gerando uma vida vazia, empobrecida espiritual e emocionalmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensando agora com calma, Vincent não precisou morrer para existir. Ele sempre existiu, e sempre existirá através dos tempos. Diferentemente de nós, que se continuarmos aprisionados em nossas personas e fixados em nossas projeções sombrias, no fim das contas, nunca seremos nada além de indigentes emocionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rafael Rodrigues de Souza, Psicólogo, Analista em Formação do IJEP</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Rafael Rodrigues de Souza</em></strong></h4>
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