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	<title>Arquivos árvore - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos árvore - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A árvore: símbolo do processo de desenvolvimento psicológico</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-arvore-simbolo-do-processo-de-desenvolvimento-psicologico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mauro Angelo Soave Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2020 20:55:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[arquétipo]]></category>
		<category><![CDATA[árvore]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[complexo]]></category>
		<category><![CDATA[ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[individuação]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[simbologia da árvore]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo propõe um olhar sobre a árvore como símbolo do processo de desenvolvimento psicológico. Ao analisar brevemente a vida de uma árvore e seu processo de crescimento, sendo sempre um meio de troca entre céu e terra, observamos como ela pode ser um símbolo do processo de individuação, ou seja, a busca da realização. Para isso, precisamos além de crescer e buscar os céus, também nos enfiar nas profundezas da sombra e do inconsciente, o que nos dará sustentação para que o processo siga e possamos resistir à vida com resiliência e prontidão.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Na história do símbolo, a árvore é descrita como o caminho e o crescimento para o imutável e eterno, gerada pela união dos opostos e possibilitando a mesma através do seu eterno já existir. (JUNG, 2000)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A árvore é um grande símbolo para a humanidade</strong>. <strong>Chevalier </strong>(2016) diz que se fôssemos analisar a importância da árvore na esfera simbólica, precisaríamos de um livro só para isso. Além das simbologias da árvore em algumas tradições e do valor especial de algumas espécies para alguns povos e religiões, a árvore em si pode ser vista como símbolo do desenvolvimento psicológico e do processo de individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de falar do símbolo que a árvore é, importante lembrar que em várias culturas a árvore é símbolo sagrado. Não por ser uma árvore no sentido literal, mas por representar algo que a transcende, como um deus ou algo ligado à estrutura do mundo e do universo (CIRLOT, 1984; CHEVALIER, 2016).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo não tem a intenção de explorar a simbologia da árvore, ou seja, a aparição da árvore como símbolo, mitologema ou manifestação do divino, mas propor uma reflexão de como a árvore, como ser vivo, independente da espécie, é símbolo do ciclo da vida, das relações entre consciente e inconsciente e da função transcendente. Podemos dizer isso de qualquer planta na verdade, mas a árvore, por ser a que naturalmente “<strong>busca os céus</strong>” é mais simbólica nesse sentido.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-desde-a-semente-a-arvore-guarda-em-si-todo-o-potencial-do-vir-a-ser" style="font-size:19px">Desde a semente, a árvore guarda em si todo o potencial do vir-a-ser.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Algumas sementes, inclusive, somente “despertam” se passarem por condições como seca, fogo e até o trato digestivo de alguns animais</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A árvore, nesse contexto, só começa a se tornar árvore se passar pelo processo de despertar e aquela que não encontra condições para despertar, pode nunca vir a ser, apesar de seu potencial ter sempre existido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a germinação, a planta precisa de esforço para sair do fundo da terra, precisa sair desse inconsciente que é o solo e emergir para o ar e para a luz e, a partir daí, sua resposta ao ambiente passa a reger seu desenvolvimento. A presença de sol, de nutrientes, a competição entre as plantas, predadores e vários outros fatores influem no caminho que a árvore irá seguir rumo ao seu destino teleológico: o céu e nas formas que terá durante esse caminho.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-durante-esse-processo-sera-necessario-que-a-planta-desenvolva-resiliencia-ao-ambiente-para-poder-desempenhar-um-papel-num-sistema-maior" style="font-size:18px">Durante esse processo, será necessário que a planta desenvolva resiliência ao ambiente para poder desempenhar um papel num sistema maior.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Poucas são as árvores que sobrevivem sozinhas. Muitas precisam estar incluídas em um ambiente com outras árvores, inclusive de outras espécies, para que possam viver, e, em alguns casos auxiliar o ambiente ao seu redor a se tornar propício para si mesma e para os outros. Ao se livrar de folhas e de partes mortas, a árvore oferece alimento ao solo e à sua microfauna, que, por sua vez, tornam o descarte um alimento para a própria árvore e suas circunvizinhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Desde seu nascimento até a sua morte, a árvore realiza o processo de fotossíntese como processo primordial para sua vida</strong>. A partir da fotossíntese, a árvore se alimenta, transformando luz solar e sais minerais extraídos do solo em alimento para sua manutenção e crescimento. Dessa forma, ela se torna um elo entre o céu e a terra, fazendo com que elementos da natureza se combinem, gerando vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-subida-das-arvores-ao-ceu-e-acompanhada-por-outro-fenomeno-o-aprofundamento-de-suas-raizes">A subida das árvores ao céu é acompanhada por outro fenômeno: o aprofundamento de suas raízes.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong> Árvores muito grandes, sem raízes profundas, estão fadadas à morte prematura</strong>. A busca das raízes por solos profundos tem duas principais razões: primeiro, a fixação da árvore ao solo, para que sua copa, mais alta e frondosa, consiga resistir às intempéries; segundo, a busca por água e alimentos em áreas mais profundas. Neste processo, as raízes muitas vezes tornam-se “espelhos” da copa, assumindo mesmos tamanho e formato ou, em alguns casos, podem ser maiores que a parte aérea da planta, o que permite que algumas espécies sobrevivam até ao fogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto interessante e profundamente simbólico da árvore é que sua história não é esquecida. Os anéis de crescimento do tronco registram tudo pelo que a árvore passou. E, mais importante, mostram que, muitas vezes, a planta precisou se recuperar de feridas, cresceu menos em anos de seca, cresceu demais em anos de muita chuva, entre outras dificuldades.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-busca-da-arvore-pelo-ceu-e-a-busca-da-alma-humana-pela-individuacao">A busca da árvore pelo céu é a busca da alma humana pela individuação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não se trata de um processo com um fim em si, pois nenhuma árvore jamais encontrará o céu, mas uma teleologia. O objetivo da árvore é ascender, assim como a alma e a psique buscam a individuação. Cada árvore e cada alma fazem isso à sua maneira, no seu tempo e com as ferramentas que lhe foram oferecidas em sua concepção e encarnação. Assim como a consciência precisa emergir do inconsciente e criar um ego para seguir em frente, a planta precisa emergir, criar uma estrutura e iniciar sua busca pelo céu.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Chevalier (2016) descreve que a árvore é um símbolo da relação entre terra e céu</strong>. Adicionaria que a árvore (assim como a maioria das plantas) é um grande símbolo da transformação da energia em obra. Ela absorve os nutrientes da terra, ao mesmo tempo em que absorve a luz solar e os transforma em madeira, folhas, flores e frutos, unindo material e imaterial e lhes transformando em substância. Ela retira gás carbônico do ambiente e devolve oxigênio. A árvore é veículo de vida, que possibilita a existência de si mesma e de outros ao seu redor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vejo o desenvolvimento das árvores como grande símbolo do desenvolvimento psicológico. Para que a árvore possa crescer, ela precisa desenvolver-se para cima, para baixo, para dentro e para fora. A árvore não nega sua história, mas registra e se forma a partir dela. Estude os anéis de crescimento de uma árvore e você saberá por tudo que ela passou. Ela entende que precisa da sua parte subterrânea para que sua parte aérea sobreviva.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-psique-tem-desenvolvimento-semelhante-busca-os-ceus-em-elevacao-e-auto-realizacao-condicionadas-pelo-self-desde-sempre">A psique tem desenvolvimento semelhante: busca os céus em elevação e auto realização condicionadas pelo Self desde sempre.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A consciência precisa brotar do inconsciente. E, ao longo de toda sua existência, crescer e buscar o céu, mas não pode deixar de enterrar seus pés na terra, sob o risco de se perder. O ego que se infla demais na superfície, sem ter raízes fortes na sua sombra, corre grande risco de colapsar sob os ventos da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O ego saudável deve ter raízes profundas no inconsciente e ter contato com as emoções e nutrientes mais profundos</strong>. Precisa absorver conteúdos, transformando-os em alimento e crescimento da alma, sem esquecer de sua história, crescendo a partir dela.  <strong>Jung</strong> (2000) cita que alquimia viu na árvore um símbolo da união dos opostos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Chevalier</strong> (2016) também nos traz que a árvore contém os 4 elementos (terra, água, ar e fogo). Nesse sentido, a psique precisa buscar unir esses opostos e criar algo a partir deles para se realizar. Adiciona-se à esta reflexão o fato de que a árvore também invoca o símbolo do “Y” e da cruz, em que dois se tornam um. Ou, ainda, que a partir da união dos opostos se cria algo novo &#8211; como na função transcendente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-arvore-nos-traz-uma-simbologia-muito-forte-da-vida-dos-ciclos-da-obra-da-relacao-com-o-meio-e-dos-diferentes-momentos-pelo-qual-passamos" style="font-size:19px">A árvore nos traz uma simbologia muito forte da vida, dos ciclos, da obra, da relação com o meio e dos diferentes momentos pelo qual passamos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Precisamos, como a árvore, buscar sempre  nosso eu sagrado nos céus, sem esquecer de aprofundar nossas raízes e buscar nosso eu que está no inconsciente. Lembrar da nossa história e das marcas que ela faz sobre nós e, a partir dela, construir novos significados. Precisamos viver a vida em suas fases como as árvores vivem as quatro estações. Há épocas que crescemos, florimos, frutificamos e repousamos. Mas sempre devemos buscar crescer, aprender com o ambiente e ser este veículo de constante troca entre céu e terra, que propicia a verdadeira ampliação de consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/maurosoave/">Mauro Angelo Soave Junior &#8211; Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">CHEVALIER, Jean G. A. Dicionário de Símbolos. José Olympio; Edição: 24ª (2016)</p>



<p class="wp-block-paragraph">CIRLOT, J. E. Dicionário de Simbolos. Tradução de Rubens Eduardo Ferreira Frias. Moraes, São Paulo, 1984.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Arquétipos e o Inconsciente Coletivo (2000). Petrópolis &#8211; Ed. Vozes.</p>



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