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	<title>Arquivos atualidades - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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		<title>Neurose de Caráter, Ganância e Corrupção</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/neurose-de-carater-ganancia-e-corrupcao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Apr 2022 12:58:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Totalitarismos]]></category>
		<category><![CDATA[atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com o advento do dinheiro, aconteceu a monetarização da vida em todos os sentidos. No início, o dinheiro era advindo da produção excedente de uma pessoa ou família, e servia para ser trocado pela produção excedente de outros, evitando assim o transtorno das barganhas de produtos e serviços. Graças a ele a vida ficou mais [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Com o advento do dinheiro, aconteceu a monetarização da vida em todos os sentidos. No início, o dinheiro era advindo da produção excedente de uma pessoa ou família, e servia para ser trocado pela produção excedente de outros, evitando assim o transtorno das barganhas de produtos e serviços. Graças a ele a vida ficou mais prática e fácil. Porém, foi surgindo a possibilidade e o desejo de acúmulo do dinheiro, porque ele não era perecível como a maioria dos produtos trocados. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o passar dos tempos algumas pessoas, provavelmente por mérito da criatividade, dedicação e sorte, conseguiram acumular mais, e começaram a usar o serviço ou a produção de outras pessoas com intuito de ficarem com uma parcela do ganho produtivo delas. Outras pessoas foram ficando mais capacitadas e especialistas, oferendo serviços e ou produtos cada vez mais requintados e raros e, consequentemente, mais caros. Neste interim aconteceu o surgimento de grupos de indivíduos que juntaram forças e dinheiro, criando organizações de poder econômico, para tirarem mais lucros dos produtores de bens ou serviços, produzindo a menos valia dos produtores individuais, consolidando as vantagens da produção em escala. <strong>Tudo isso fomentou as diferenciações de classes sociais, econômicas, culturais, regionais e raciais, segmentando a sociedade, fortalecendo as minorias dominantes da maioria dominada, com seus subgrupos de excluídos, cada vez mais crescentes.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente, no atual capitalismo neoliberal, o ter dinheiro, ou patrimônio, foi deixando de estar atrelado à produção de serviços ou produtos. Com isso, as pessoas deixaram de ser, invertendo a ordem natural da vida, porque o desejo de ter, preferencialmente sem servir ou produzir, explorando quem for possível, virou o grande negócio. Nesta ótica é que surge o mercado, um ente desconhecido e extremamente poderoso, capaz de reger a vida de todos nós, porque é <strong>o mercado que define o que presta e o que não presta, o que pode e o que não pode, o que é ético e o que não é ético.</strong> Causando um grande problema, porque o mercado segue apenas a lógica do lucro, do poder e do acúmulo. Desejando que a maioria fique na lógica do consumo, da dívida e do trabalho, objetivando o enriquecimento da minoria dominante e escravizando, pelo medo da exclusão econômica, a maioria solitária e pobre, representada pela massa infeliz, com desejo de mudança, mas sem saber o quê e como mudar, por estar condicionada aos desejos materiais e a ganância, como meio de alívio para esse mal estar. Essa é a lógica da desigualdade e, com ela, a dificuldade da mobilidade social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aliado a essa dinâmica da desigualdade econômica, perversa e viciosa, temos as questões humanas divididas diante das demandas dos instintos, representada por nosso lado titânico e materialista, e as arquetípicas, representada por nosso lado dionisíaco e anímico. Esta tensão é geradora de angústia e, se não houver uma integração criativa e harmoniosa entre o material e o espiritual, acaba acontecendo a enfraquecimento dos princípios éticos, a corrosão do caráter e a predisposição à corrupção. Esta dualidade intrínseca em cada um de nós, simultaneamente nos faz tentados e tentadores, com medo generalizado em busca da segurança material, porque a segurança espiritual, que é a fé, há muito foi perdida, com a contribuição desta ciência materialista, reducionista e causal. Sem fé e com medo, resta-nos <strong>a ilusão do poder e, com ela, perdemos também a capacidade de amar, porque onde um está o outro não pode estar.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto é que a ganancia e a corrupção ganham espaço. O escrúpulo perde para o poder econômico, e a fé para a concretude patrimonial. Esse conflito está presente no âmago da nossa sociedade depressiva, fazendo-nos desejosos do gozo advindo dos prazeres imediatos, destroçando o amor e a ética. <strong>A verdadeira ética depende da consciência limpa, da boa noite de sono, da alegria e motivação para servir e da disposição para o exercício da alteridade, onde podemos nos ver por meio dos outros. </strong>Para isso, é preciso a capacidade de enfrentamento consciente dos episódios de mal-estar, insônia, angústia improdutiva, ansiedade, medos, culpas, ressentimentos ou depressão por meio do autoconhecimento, até compreendermos o que estamos fazendo ou deixando de fazer que esteja gerando esse mal-estar, conscientizados de que importa muito menos o que queremos da vida, do que o que a vida quer de nós! Essa é a grande pergunta! <strong>Será que estou servindo ao propósito da minha vida, disseminando a igualdade de possibilidades, a paz e o amor?</strong> Para depois que criarmos condições mínimas de igualdade podermos fomentar a liberdade, com ética e autoestima, para não corrermos o risco de voltarmos para a dinâmica do poder pelo poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabemos que este atual sistema econômico está comprometido, por conta da falta de sustentabilidade. Infelizmente, nosso consumo consome o planeta que está exaurido e muito populoso. Precisamos encontrar outra forma de vida, para diminuir a explosão demográfica, a desigualdade social e o individualismo egoísta, competitivo e cumulativo. Também acredito que a meritocracia é o melhor meio para contemplar quem se dedica, de forma íntegra e harmoniosa. Mas, neste momento, com tanta desigualdade, os pobres coitados que nascem sem condições mínimas de sobrevivência não tem chance de entrar no jogo do neoliberalismo. Por isso, <strong>necessitamos de um Estado que intervenha, de forma ética, consciente e não populista, na coibição dos abusos da usura, dos excessos de ganhos das minorias ricas e dominantes, impedindo, fiscalizando, punindo a ganancia, e a corrupção</strong>, que é sua parceira, fomentando a inclusão, erradicando as desigualdades, com objetivo de tirar, o mais rápido possível as pessoas da sua dependência, &#8220;desmamando-as&#8221; dos programas de qualquer tipo de ajuda social. Porque o melhor programa social é aquele em que as pessoas dependam dele o menor tempo possível!&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, precisamos de muito investimento na educação para aprendermos a consumir sem consumir o planeta e continuar a gerar as desigualdades.<strong> A ideia não é tirar as conquistas que as pessoas conseguiram, com dignidade, escrúpulo e ética. </strong>O objetivo é o de dar condições para que todos possam ter conquistas com ética, mérito, trabalho e, na medida do possível, tirar daqueles que enriqueceram com corrupção, sem trabalho ou na criminalidade.&nbsp;</p>
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