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	<title>Arquivos bebê - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos bebê - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Uma abordagem analítica da dermatite atópica no bebê</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/uma-abordagem-analitica-da-dermatite-atopica-no-bebe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Selma Canoas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Oct 2021 20:46:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[bebê]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicossomática]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Toda vez que um pediatra recebe em seu consultório um bebê com dermatite atópica sabe que tem à sua frente um caso desafiador, pois não&#160;é apenas a criança quem sofre, e sim toda a família. Dependendo da gravidade, este bebê pode se apresentar irritado, ter o sono interrompido pelo prurido, estar incomodado com as roupas, [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Toda vez que um pediatra recebe em seu consultório um <strong>bebê com dermatite atópica</strong> sabe que tem à sua frente um caso desafiador, pois não&nbsp;é apenas a criança quem sofre, e sim toda a família. Dependendo da gravidade, este bebê pode se apresentar irritado, ter o sono interrompido pelo prurido, estar incomodado com as roupas, estar choroso e descontente. O dia a dia de toda a família muitas vezes também&nbsp;é afetado pela condição do bebê. O tratamento com pomadas, anti-histamínicos, corticoides e às vezes até imunossupressores embora sejam eficazes, são de resposta lenta, e muitas vezes não o suficiente para aplacar todo este sofrimento. <strong>Neste momento ampliar o olhar para além das questões de pele do bebê é&nbsp;extremamente necessário para o bom andamento clínico e psicológico de todos os envolvidos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>dermatite atópica</strong>&nbsp;é uma doença inflamatória de pele, de caráter crônico e recidivante, que normalmente se inicia antes dos cinco anos, podendo mesmo iniciar-se numa idade tão precoce como em bebezinhos de dois ou três meses . Sua causa é multifatorial, existindo uma inter-relação entre fatores genéticos, imunitários, ambientais, farmacológicos e <a href="https://blog.sudamar.com.br/psicossomatica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">psicossomáticos</a>. A característica principal é a pele seca com prurido, que levam a ferimentos pelo ato de se coçar. As erupções cutâneas podem se espalhar pelo rosto, couro cabeludo, pescoço, braços, pernas e atingir grandes superfícies do corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabemos que a <strong>pele é o manto de revestimento que recobre o organismo</strong> e separa o meio externo do meio interno, e é&nbsp;composta três camadas: a epiderme é a camada mais externa; a derme é&nbsp;a camada intermediária; e a hipoderme que é a camada mais profunda, também&nbsp;é conhecida como tecido subcutâneo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a embriogênese humana, na terceira semana após a fecundação do óvulo pelo espermatozoide se dá&nbsp;a fase de gastrulação. Nesta fase acontece a diferenciação das três camadas germinativas que são as precursoras de todos os tecidos do embrião humano: ectoderme, mesoderme e endoderme. <strong>Epiderme e sistema nervoso central e periférico se original do mesmo folheto germinativo: a ectoderme.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na pele temos a presença de células de defesa e de fibras nervosas do sistema sensorial e sistema nervoso autônomo, estabelecendo-se aqui uma comunicação bidirecional entre sistema imune e sistema nervoso. As evidências apontam hoje para o fato de que existe uma <strong>rede neuro-imuno-cutânea-endócrina que faz a ligação entre mente e pele</strong>, devido à existência de uma complexa relação entre nervos, células cutâneas, células imunitárias, secreções de neurotransmissores, neuropeptídios, neuro-hormônios e citocinas que se dão na pele.(AZAMBUJA, 2000)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Montagu (1988) considera a pele como a porção exposta do sistema nervoso, ou o sistema nervoso como a parte escondida da pele. É&nbsp;um&nbsp;órgão altamente sensível&nbsp;às emoções, sem que estas sejam necessariamente conscientes. Segundo este autor, a pele é o maior órgão de comunicação visível do ser humano e, especialmente no bebê,&nbsp;é o maior órgão de percepção. Ela é o meio pelo qual o mundo externo é percebido, e através dela expressam-se os sentimentos. Sua cor, textura, umidade, secura, e cada um de seus demais aspectos refletem nosso estado de ser psicológico e também fisiológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Este autor estudou o efeito da experiência tátil mediada pela pele sobre o desenvolvimento humano, e <strong>constatou que a estimulação cutânea em recém-nascidos exerce uma influência altamente benéfica sobre seu sistema imunológico</strong>. O toque, o contato físico carinhoso, a proximidade pele a pele da mãe com a criança são de fundamental importância para o desenvolvimento físico e emocional desta. Também destaca que a resposta que a mãe vai dirigir ao seu filho recém-nascido depende em grande medida de suas experiências quando bebê e criança e, em menor medida, da aprendizagem e maturação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sptiz (1972) estudou particularmente a dermatite atópica e observou que na sua etiologia, além da predisposição genética da criança, existe um <a href="https://blog.sudamar.com.br/complexo-materno-negativo-um-caminho-para-o-inconsciente/">fator psicológico representado pela&nbsp;<em>relação mãe-filho</em>.</a> Em seus estudos, Spitz percebeu que estas mães evitavam tocar seus filhos e entregavam com facilidade suas crianças para outros cuidadores para que fossem melhor cuidados, e chamou esta atitude de hostilidade inconsciente disfarçada de angústia, numa <a href="https://blog.sudamar.com.br/educar-criancas-um-desafio-que-envolve-diferentes-olhares/">mãe com personalidade infantil</a>. Ressalta que as experiências táteis do lactente são as mais importantes para o processo do desenvolvimento do bebê principalmente neste período pré-verbal e, no entanto, estas mães transmitiam sinais ambíguos e incoerentes aos seus filhos. <strong>Estas atitudes das mães eram menos dependentes de sua relação consciente com a criança e mais do clima variável de seu inconsciente</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mas qual a dinâmica inconsciente envolvida neste relacionamento?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para Neumann (1995) o ser humano apresenta um diferencial em relação aos outros mamíferos: o fato de nascer bastante incompleto e necessitar continuar seu desenvolvimento tanto físico quanto psíquico no ambiente extra-uterino.&nbsp; e coloca o primeiro ano de vida da criança como fazendo parte do que chamou de fase pós uterina ou pós natal do desenvolvimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neumann (1995) utiliza a imagem mitológica do <strong>uroborus para descrever esse período pré egóico</strong>, onde a serpente circular que engole a própria cauda representaria o útero que protege o germe do ego em seu centro, enquanto não exista na criança uma personalidade delimitada o suficiente para permitir o confronto com o meio ambiente. Esta realidade uterina se mantém após o nascimento para ir se desfazendo aos poucos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta fase pré egóica, a criança vive em uma relação primal de extrema importância com sua mãe, onde a criança ainda está contida nesta, embora seu corpo já tenha nascido. Neste período a experiência polarizada do mundo com sua dicotomia sujeito-objeto ainda não existe, o que existe é uma unidade primária mãe-filho. Aqui, a criança vive mergulhada “[&#8230;] <em>num fluído-mãe psíquico, no qual tudo se encontra ainda em suspensão, dele não se tendo cristalizado os pares de opostos, ego e Self, sujeito e objeto, indivíduo e mundo</em>”. (NEUMANN, 1995, p. 15).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como a criança ainda não tem desenvolvida a sua consciência, não existe um “eu” claramente diferenciado do resto das coisas, ela vive nesta&nbsp;<em>participation mystique&nbsp;</em>com o que a cerca. <strong>Até aqui a criança não diferencia o seu corpo do corpo da mãe</strong>, portanto sua <a href="https://blog.sudamar.com.br/contagio-psiquico-e-a-atmosfera-familiar/">experiência de mundo é a experiência da mãe, cuja realidade emocional determina sua a existência</a>. Neste período a mãe não apenas desempenha o papel de Self para a criança, mas, na realidade, ela é este Self. O Self, a princípio encarnado na mãe aos poucos vai se deslocando para o mundo interno da criança, e este processo faz parte da experiência formativa do <a href="https://blog.sudamar.com.br/tag/para-restabelecer-o-eixo-ego-self/">eixo ego-self</a> (NEUMANN, 1995).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Neumann (1995) “<em>a base indispensável para o desenvolvimento do ego da criança é a figura da Grande Mãe arquetípica, que proporciona não apenas prazer, mas compensação, segurança e proteção</em>” (NEUMANN, 1995, p. 34). Aqui, a experiência fundamental é de proteção, onde mesmo situações desagradáveis, nas primeiras situações de polarização, serão compensadas pela mãe, e integradas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, o arquétipo da Grande Mãe é vida e morte, portanto ambivalente, com dois polos opostos e pode se apresentar na forma da <a href="https://blog.sudamar.com.br/complexo-materno-relacao-transferencial-e-o-puer-puela-aeternus/">Mãe Boa e da Mãe Terrível.</a> A Mãe Boa é a benevolente. A Mãe terrível, ao contrario da Mãe Boa, é aquela que possibilita a manifestação da negligência e do abandono, ou da proteção em demasia que tolhe a individualidade (NEUMANN, 2003, apud FREITAS; SCARABEL; DUQUE, 2012). <strong>Esta base arquetípica será o fundamento para a formação do complexo materno.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ora, o complexo materno constitui um elemento nuclear que pode ser constelado quando a mulher se torna mãe, e esta provavelmente agirá de acordo com sua experiência prévia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A polaridade do arquétipo da Mãe Terrível, tendo construído um&nbsp; complexo negativo, pode vir a se manifestar, carregada de energia de forma a gerar uma mãe indisponível a seu filho, repetindo a dinâmica que se deu em seu desenvolvimento. (FREITAS; SCARABEL; DUQUE, 2012).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isto nos leva a pensar que esta indisponibilidade materna pode ser determinante em todo e qualquer adoecer do bebê, mas particularmente na dermatite atópica por se traduzir em atitudes que determinam o aparecimento desta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Jung “<em>os sintomas físicos nada mais são do que retratos simbólicos do complexo patogênicos</em>” (JUNG, 2012, p. 361).&nbsp; Nos experimentos com associação de palavras Jung observa uma coincidência muito grande no padrão de respostas entre membros de uma mesma família, e com isto infere-se como os conteúdos e atitudes inconscientes dos pais influenciam seus filhos (JUNG, 2012). Na criança isto se torna da maior importância, pois esta se encontra tão ligada à atitude inconsciente dos pais a ponto de a maioria das perturbações nervosas da infância se originarem na atmosférica psíquica perturbada destes (JUNG, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto justifica-se pensar que o surgimento da <strong>dermatite atópica num bebê em tão tenra idade é influenciado pelos conteúdos psíquicos de sua mãe na medida em que este bebê</strong>, por se encontrar mergulhado neste inconsciente materno, participa da constelação deste complexo materno negativo de sua mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seria de fundamental importância que o pediatra ampliasse sua compreensão desta dinâmica para que exista um real e verdadeiro acolhimento desta família em sofrimento, <a href="https://blog.sudamar.com.br/a-arte-da-cura-apesar-da-medicalizacao-da-vida-e-negacao-dos-ritmos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">com uma abordagem não apenas clínica e medicamentosa</a>, mas com uma escuta para o que não está sendo dito, para o que está ainda longe da luz da consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Selma de Fátima Silva Canôas, analista em formação pelo IJEP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maria Cristina Mariante Guarnieri, analista didata responsável</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">AZAMBUJA, Roberto Doglia. Dermatologia integrativa: a pele em novo contexto.&nbsp;<strong>An bras Dermatol</strong>, Rio de Janeiro, v. 75, n. 4, p. 393-420, jul./ago. 2000. Disponível em: &lt;<a href="http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;src=google&amp;base=LILACS&amp;lang=p&amp;nextAction=lnk&amp;exprSearch=346256&amp;indexSearch=ID">http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;src=google&amp;base=LILACS&amp;lang=p&amp;nextAction=lnk&amp;exprSearch=346256&amp;indexSearch=ID</a>&gt;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CASTRO, Ana Paula B. Moschione. Dermatite atópica na infância.&nbsp;<strong>RBM</strong>, [S.l.], v. 69, n. especial pediatria, p. [S.I.], set. 2012. Disponível em: &lt;<a href="http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&amp;id_materia=5129">http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&amp;id_materia=5129</a>&gt;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FREITAS, Laura Villares; SCARABEL, Camila Alessandra; DUQUE, Barbara Harumi. As implicações da depressão pós-parto na psique do bebê: considerações da psicologia analítica.&nbsp;<strong>Psicol. Argumen.</strong>, Curitiba, v. 30, n. 60, p. 253-263, jun. 2012. Disponível em: &lt;<a href="http://www2.pucpr.br/reol/pb/index.php/pa?dd1=5972&amp;dd99=view&amp;dd98=pb">http://www2.pucpr.br/reol/pb/index.php/pa?dd1=5972&amp;dd99=view&amp;dd98=pb</a>&gt;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<strong>Estudos experimentais</strong>. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<strong>O desenvolvimento da personalidade</strong>. 14. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MONTAGU, Ashley.&nbsp;<strong>Tocar: o significado humano da pele</strong>. 10. ed. São Paulo: Summus, 1988.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEUMANN, Erich.&nbsp;<strong>A Criança</strong>. 10. ed. São Paulo: Cultrix, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SPITZ, René A..&nbsp;<strong>El primer año de vida del niño.&nbsp;</strong>3. ed. Madrid: Aguilar, 1972.</p>



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<h4 class="wp-block-heading" id="h-selma-de-fatima-silva-canoas"><strong><em>Selma de Fátima Silva Canôas</em></strong></h4>
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