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	<title>Arquivos confissão - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos confissão - Blog IJEP</title>
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		<title>A prática da psicologia analítica e o sacramento da confissão</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-pratica-da-psicologia-analitica-e-o-sacramento-da-confissao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leila Montanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jan 2020 15:42:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A ideia inicial deste artigo surgiu em um atendimento na clínica, quando uma paciente, que havia iniciado o processo de análise há poucos meses, fez um comentário de que tinha dificuldades para se lembrar do meu primeiro nome.&nbsp; Conversamos sobre esta dificuldade, sobre os nossos encontros nas sessões de terapia e a paciente os relacionou a experiencia de entrar em um confessionário. Entrar no consultório nas sessões iniciais a remetia a experiência de ir à Igreja se confessar.&nbsp; Este comentário me fez refletir sobre o processo de análise, o papel do analista e se, em fase inicial do processo, podem remeter a mesma experiência de estar frente a frente com um sacerdote em seu ofício de ouvir a confissão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Quando se chega a uma igreja para o sacramento da confissão, a identidade do padre está oculta e apenas sua sombra aparece através das treliças do confessionário. Seu nome não é importante neste momento, mas sim o papel que lhe foi confiado, o de escutar a consciência culpada, deixar o “ego pecador” se expressar em busca da absolvição, do perdão dos pecados. Através da penitência que será imposta pelo sacerdote os pecados serão perdoados, a culpa será aplacada, a consciência se sentirá aliviada. Já no processo psicoterapêutico, quando a porta do consultório é fechada e a comunicação entre o paciente e o analista se inicia, através de palavras ou qualquer outra forma de expressão, uma análise tem seu início em outros termos. Há um convite para a confissão do paciente, para a expressão de tudo aquilo que até então estava guardado apenas para si, que poderá ser compartilhado com o analista. Mas ao contrário do sacerdote que está concentrado nas declarações conscientes do pecador, o analista procura ouvir<strong>&nbsp;</strong>também as manifestações do inconsciente: os sonhos, as imagens, os silêncios. Além disso, diferentemente do papel do sacerdote, o do analista não é absolver, nem curar, mas sim implicar o paciente na relação com seus sintomas e sofrimento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estas reflexões foram o ponto de partida para este artigo, que tem como objetivo entender como se dá a fase da confissão na análise, descrita por Jung como a primeira etapa do processo analítico (JUNG 2013, pg. 68).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante ressaltar, no entanto, que Jung, ao nomear esta primeira fase como confissão, estabelece apenas uma analogia, uma metáfora para explicar o que se passa no processo analítico, ampliando os sentidos dados à confissão numa perspectiva psicológica.<strong>&nbsp;</strong>Uma segunda ressalva que deve ser feita é que Jung não deixou em sua obra um método ou técnica, no sentido estrito desses termos, a serem seguidos no processo da análise, mas etapas que se sobrepõem e que descrevem como o processo de análise transcorre, psicodinamicamente. Ele compartilhou os fundamentos e princípios que o orientavam em sua prática, não como um manual a ser seguido, mas sim como direcionador do que chamou de ““the crucial experience” de qualquer análise razoavelmente completa” (JUNG, 2013 pg. 8).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Prática da Psicoterapia, Jung (idem, pg.68) coloca que “as origens de qualquer tratamento analítico da alma estão no modelo do Sacramento da Confissão”. Isso ocorre porque a ideia de pecado fala de um segredo, de algo não dito, talvez oculto, inclusive, da própria pessoa que o possui.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Von Franz (1997, pg.59) explica que o” primeiro estágio, a confissão, tem como princípio as práticas confessionais de quase todas as religiões de mistério da Antiguidade.”&nbsp;<strong>&nbsp;</strong>Continua, dizendo que através deste estágio o paciente toma consciência de tudo o que está oculto, reprimido, carregado de culpa.&nbsp; (Idem, pg. 59).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung (2013, pg.71) diz que “qualquer segredo pessoal atua como pecado ou culpa, independentemente de ser considerado assim ou não, do ponto de vista da moral convencional.”&nbsp; Continua, dizendo que “outra forma de ocultar é conter. E o que geralmente é contido é aquilo que afeta (os afetos).” Para Jung, “segredo e contenção são danos aos quais a natureza reage, finalmente, por meio da doença”. (idem, pg. 71, parágrafo 132). É como uma punição para aqueles que não confessam sua falibilidade enquanto seres humanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos entender, então, que esta fase não se confunde com os sentidos da confissão no sentido religioso. Trata-se de fazer contato com o que está guardado, aprisionado, com tudo que está contido, mas não para ter uma absolvição externa vinda de uma autoridade espiritual, e sim, para estabelecer um diálogo metafórico orientado para uma postura ética do paciente. Nesta fase deve-se deixar emergir pensamentos e sentimentos, de modo que o paciente possa expressar para o analista e para si mesmo o que até então estava oculto até dele próprio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo da análise permite, através da confissão, a catarse, a purificação, na qual o doente é “transferido ao fundo mais profundo de sua consciência” (Jung, idem, pg.72). Jung complementa, ainda, dizendo que:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“o método catártico visa a confissão completa, isto é, não só à constatação intelectual dos fatos pela mente, mas também à liberação dos afetos contidos: à constatação dos fatos pelo coração.” (JUNG, 2013, pg. 73)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung resume esta etapa com um ditado trazido dos mistérios antigos: “soltas o que tem e será acolhido”. (JUNG, 2013, pg. 72). É como se guardar um segredo criasse um abismo que separa o paciente dos seus semelhantes e que, ao confessá-lo, uma ponte é criada para trazê-lo de volta ao seu convívio. Entregar-se a confissão, tomar contato com o que emerge do inconsciente é uma primeira etapa para a mudança da atitude consciente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na psicologia analítica isso se dá porque</p>



<p class="wp-block-paragraph">“a cura não ocorre por sugestão ou influência positiva do terapeuta, mas por uma solução dinâmica dos conflitos inconscientes, que se dá trazendo à consciência sentimentos, pensamentos e impulsos que ficaram afastados da consciência” (HOPCKE, 2012, pg. 67).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escuta e o acolhimento são fundamentais para o analista nesta primeira etapa, onde se inicia o contato do paciente com a sua sombra. O analista deve lidar com esta etapa com a mesma reverência que o sacerdote aplica o Sacramento da confissão. O contato com o sombrio pode ser amedrontador para o paciente e a resistência pode aparecer, levando o paciente a interromper o processo. O papel do analista é acompanhá-lo nesta jornada, implicá-lo em relação a sua responsabilidade e participação na análise.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, conforme explica Jung, apenas a catarse não cura. Diferente da confissão na Igreja, que estabelece o perdão dos pecados, a confissão na análise abre caminho para que as próximas etapas do processo, que são entendimento, educação e transformação, se iniciem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muito importante nesta etapa é não cair na armadilha de ficar preso nas lembranças, de utilizá-las como justificativas para todo sofrimento. As reminiscências são importantes, mas a ênfase do processo deve estar na mudança de atitude consciente a partir de uma implicação ética em relação aos sintomas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Está implícito que o&nbsp;<em>setting</em>&nbsp;terapêutico deve ser encarado metaforicamente<strong>&nbsp;</strong>como um lugar sagrado, onde os segredos podem ser ditos em voz alta e estão protegidos pelo sigilo de um pacto terapêutico. Esta condição estabelece uma relação de confiança com o paciente e fortalece o vínculo para que as próximas etapas da análise possam ocorrer, o que será tema de um artigo subsequente a este.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leila Cristina Montanha</p>



<p class="wp-block-paragraph">Analista Junguiana em Formação</p>



<p class="wp-block-paragraph">Telefone: 98596-8335 (SP. Aclimação)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANZ, Marie-Louise. C.G. Jung,&nbsp;<strong>Seu Mito em Nossa Época</strong>. 10ª ed. São Paulo: Cultrix, 1997</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOPCKE, Robert H.&nbsp;<strong>Guia para a Obra Completa de C.G. Jung</strong>. 3ª ed. Petrópolis: Vozes, 2012</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.,&nbsp;<strong>A Prática da Psicoterapia</strong>, Petrópolis, ed. Vozes, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph">SAMUELS, Andrew,&nbsp;<strong>Jung e os Pós-Junguianos</strong>, Rio de Janeiro, Imago Editora, 1989</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap1_1420-1532_po.html">http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap1_1420-1532_po.html</a></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Leila Cristina Montanha</em></strong></h4>
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