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	<title>Arquivos contos de fadas - Blog IJEP</title>
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	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/contos-de-fadas/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Thu, 06 Aug 2026 17:33:24 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos contos de fadas - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Arquétipo Paterno: Entre o Pai Ideal e o Pai Real</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/arquetipo-paterno-entre-o-pai-ideal-e-o-pai-real/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Keller Alves Villela Ocaña Bruno]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 17:33:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[complexo paterno]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Parentalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[arquétipo]]></category>
		<category><![CDATA[contos de fadas]]></category>
		<category><![CDATA[dia dos pais]]></category>
		<category><![CDATA[idealização]]></category>
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		<category><![CDATA[mitos]]></category>
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		<category><![CDATA[pais]]></category>
		<category><![CDATA[pais e filhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O artigo aborda os desafios de exercer uma paternidade que se aproxime da realidade e não de uma idealização. Trazendo conceitos como arquétipo paterno e arquétipo materno e como a transição e o equilíbrio entre eles pode ajudar o indivíduo no seu desenvolvimento. Entendendo como ser um pai que também olha para o filho que foi um dia. Utilizando exemplos de mitos e contos de fadas o artigo ilustra essas dinâmicas e destaca que ser um “pai melhor” não é buscar um ideal, mas integrar a própria sombra, equilibrando disciplina e afeto, e aceitando a imperfeição, tornando-se uma presença autêntica e transformadora na vida dos filhos.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/arquetipo-paterno-entre-o-pai-ideal-e-o-pai-real/">Arquétipo Paterno: Entre o Pai Ideal e o Pai Real</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: O artigo aborda os desafios de exercer uma paternidade que se aproxime da realidade e não de uma idealização. Trazendo conceitos como arquétipo paterno e arquétipo materno e como a transição e o equilíbrio entre eles pode ajudar o indivíduo no seu desenvolvimento. Entendendo como ser um pai que também olha para o filho que foi um dia. Utilizando exemplos de mitos e contos de fadas o artigo ilustra essas dinâmicas e destaca que ser um “pai melhor” não é buscar um ideal, mas integrar a própria sombra, equilibrando disciplina e afeto, e aceitando a imperfeição, tornando-se uma presença autêntica e transformadora na vida dos filhos.</p>



<h2 id="h-na-psicologia-analitica-de-carl-gustav-jung-os-arquetipos-sao-imagens-primordiais-que-emergem-do-inconsciente-coletivo-e-estruturam-a-experiencia-humana" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Na psicologia analítica de Carl Gustav Jung, os arquétipos são imagens primordiais que emergem do inconsciente coletivo e estruturam a experiência humana.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Entre eles, o arquétipo materno e o arquétipo paterno ocupam posição central, pois representam forças universais que moldam tanto o desenvolvimento psíquico quanto as narrativas simbólicas. Eles constituem dois polos fundamentais da experiência psíquica humana. E é importante ressaltar que eles não se reduzem às figuras concretas de pai e mãe, mas representam funções simbólicas universais que estruturam o desenvolvimento psicológico e aparecem de forma recorrente em mitos, contos de fadas e na jornada do herói.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O arquétipo materno, descrito por Jung como a “Grande Mãe”, traz nutrição, proteção e ligação com a natureza. Em sua face positiva, aparece como acolhimento e fertilidade; em sua sombra, como sufocamento e possessividade. Nos contos de fadas, essa ambivalência é dramatizada em fadas madrinhas e mães boas, mas também em madrastas cruéis e bruxas devoradoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Autores como Erich Neumann, em <em>A Grande Mãe</em> (2006), aprofundaram essa visão, mostrando como o materno é tanto fonte de vida quanto de ameaça, dependendo da forma como é vivido. Neumann amplia a ideia de Jung ao afirmar que a Grande Mãe é um arquétipo que contém em si todas as polaridades: é a matriz da criação, mas também a devoradora; é a terra fértil que dá alimento, mas também o abismo que engole. Ele destaca que a experiência humana com o materno é sempre ambivalente, pois a mesma força que protege pode aprisionar, e a mesma energia que nutre pode sufocar. Essa duplicidade é fundamental para compreender o desenvolvimento psíquico, já que o indivíduo precisa aprender a se separar da fusão materna sem perder o vínculo com sua dimensão nutritiva e instintiva.</p>



<h2 id="h-na-jornada-do-heroi-neumann-mostra-que-o-materno-e-o-ponto-de-partida-o-heroi-inicia-sua-trajetoria-em-um-espaco-protegido-marcado-pela-fusao-com-o-materno-que-simboliza-acolhimento-nutricao-e-seguranca" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Na jornada do herói, Neumann mostra que o materno é o ponto de partida: o herói inicia sua trajetória em um espaço protegido, marcado pela fusão com o materno, que simboliza acolhimento, nutrição e segurança. </h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esse ambiente inicial é essencial, pois fornece ao indivíduo a base instintiva e emocional necessária para enfrentar o mundo. Contudo, permanecer nesse estado de fusão significa não amadurecer: o herói precisa se separar da Grande Mãe para conquistar autonomia e identidade. Essa separação não é simples, porque o materno é ambivalente. Ele é ao mesmo tempo fonte de vida e ameaça, terra fértil e abismo devorador. O herói, ao sair do espaço materno, enfrenta a sombra da Grande Mãe — a bruxa, a madrasta, a deusa destruidora — que simboliza o perigo de regressão e aprisionamento. Esse confronto é necessário para que o herói não permaneça infantilizado, dependente de uma proteção que, se prolongada, se torna sufocante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A jornada, portanto, dramatiza o processo de individuação: o herói precisa romper com a fusão materna, atravessar o desafio da sombra e, ao final, integrar em si os aspectos positivos do materno — acolhimento, intuição, ligação com a vida — sem ser aprisionado por sua face negativa. Só assim ele pode avançar para o encontro com o arquétipo paterno, que introduz lei, ordem e transcendência, completando o ciclo de amadurecimento.</p>



<h2 id="h-nos-mitos-e-contos-de-fadas-essa-dinamica-aparece-de-forma-recorrente" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Nos mitos e contos de fadas, essa dinâmica aparece de forma recorrente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Perséfone, ao ser arrancada do convívio com Deméter, simboliza a separação dolorosa do materno e a necessidade de transitar entre mundos. Em <em>João e Maria</em>, a casa de doces representa o acolhimento ilusório da Grande Mãe, que se revela devoradora na figura da bruxa. Em <em>A Bela Adormecida</em>, o sono profundo é metáfora da regressão ao materno, da qual a heroína precisa despertar para viver sua própria individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O arquétipo paterno, representa lei, ordem e transcendência. Ele introduz limites, disciplina e abre o caminho para o mundo exterior, para a cultura e para o espírito, funcionando como uma força que conduz o indivíduo para fora da fusão materna e o lança em direção à autonomia. Sua face positiva aparece em reis justos, mentores sábios e pais protetores, figuras que oferecem direção e segurança sem sufocar a liberdade. Já sua sombra se manifesta em personagens autoritários, rígidos ou ausentes, que em vez de guiar acabam por aprisionar ou abandonar.</p>



<h2 id="h-marie-louise-von-franz-em-a-interpretacao-dos-contos-de-fadas-2008-mostra-como-a-ausencia-ou-distorcao-da-funcao-paterna-nos-contos-abre-espaco-para-o-caos-ou-para-a-tirania-materna" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><strong>Marie-Louise von Franz</strong>, em <em>A interpretação dos contos de fadas</em> (2008), mostra como a ausência ou distorção da função paterna nos contos abre espaço para o caos ou para a tirania materna.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o pai não cumpre sua função simbólica de estabelecer limites e mediar a relação entre o filho e o mundo, o materno pode se tornar excessivo, sufocante ou destrutivo. Essa ausência paterna, tão recorrente nas narrativas míticas e nos contos de fadas, revela a importância da função do pai como mediador entre o lar e o mundo, entre a proteção e a aventura.</p>



<h2 id="h-joseph-campbell-em-o-heroi-de-mil-faces-2007-descreve-o-pai-como-guardiao-do-limiar-cuja-funcao-e-testar-o-heroi-e-permitir-sua-passagem-para-o-mundo-adulto" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><strong>Joseph Campbell</strong>, em <em>O herói de mil faces</em> (2007), descreve o pai como guardião do limiar, cuja função é testar o herói e permitir sua passagem para o mundo adulto.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O encontro com o pai, segundo Campbell, é um dos momentos decisivos da jornada: o herói precisa confrontar a autoridade, superar o medo e, muitas vezes, reconciliar-se com essa figura para alcançar maturidade. Esse guardião do limiar pode aparecer como um mestre benevolente que transmite sabedoria, ou como um adversário severo que desafia o herói a provar sua força. Em ambos os casos, o pai simboliza a transição necessária entre a infância e a vida adulta, entre a dependência e a autonomia.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo arquétipo possui uma face sombria. No caso do arquétipo paterno, ela se manifesta como autoritarismo, quando a lei se transforma em tirania; rigidez, quando as regras sufocam a espontaneidade; ou ausência, quando o pai não oferece presença emocional ou física. Também pode aparecer como projeção, quando o pai transfere suas frustrações para os filhos. Autores contemporâneos como James Hollis, em <em>Sob a sombra de Saturno</em> (1997), enfatizam que reconhecer e integrar a sombra é essencial para que o pai real se torne mais consciente e presente.</p>



<h2 id="h-nos-mitos-essas-forcas-aparecem-dramatizadas-em-deuses-e-deusas-que-expressam-tanto-a-luz-quanto-a-sombra-dos-arquetipos" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Nos mitos, essas forças aparecem dramatizadas em deuses e deusas que expressam tanto a luz quanto a sombra dos arquétipos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O arquétipo materno é representado por figuras como Gaia e Deméter na mitologia grega, que simbolizam fertilidade e nutrição, ou por Ísis no Egito, protetora e cuidadora. Sua face sombria surge em divindades como Kali na tradição hindu, que encarna destruição e renovação. O arquétipo paterno, por sua vez, aparece em Zeus, autoridade suprema da mitologia grega, em Odin, guia espiritual e guerreiro da mitologia nórdica, e nas tradições monoteístas como o Deus Pai, legislador e transcendente. Esses mitos revelam a complementaridade e o conflito entre as forças maternas e paternas, dramatizando a necessidade de equilíbrio entre acolhimento e lei, raiz e direção.</p>



<h2 id="h-no-plano-psicologico-o-pai-real-que-consegue-integrar-sua-sombra-e-equilibrar-disciplina-com-acolhimento-aproxima-se-dessa-funcao-simbolica-tornando-se-nao-apenas-autoridade-mas-guia-espiritual-e-humano" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">No plano psicológico, o pai real que consegue integrar sua sombra e equilibrar disciplina com acolhimento aproxima-se dessa função simbólica, tornando-se não apenas autoridade, mas guia espiritual e humano.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ser um pai melhor, portanto, não significa encarnar o ideal arquetípico, mas integrar a sombra e equilibrar as forças paternas e maternas dentro de si. Isso envolve autoconhecimento, para perceber padrões herdados da própria relação com o pai e evitar repeti-los de forma inconsciente; presença consciente, que valoriza a constância no cotidiano mais do que grandes gestos; diálogo e vulnerabilidade, mostrando aos filhos que o pai também erra e aprende, humanizando sua função; e equilíbrio com o materno, integrando acolhimento e escuta, não apenas disciplina e lei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos contos e mitos, vemos como a ausência ou sombra de um dos arquétipos gera desequilíbrio: em <em>Branca de Neve</em>, o pai ausente abre espaço para a tirania da madrasta; em <em>Cinderela</em>, a sombra materna domina enquanto o pai passivo mostra fragilidade; em <em>Star Wars</em>, Luke enfrenta a sombra paterna em Darth Vader e encontra acolhimento materno simbólico na Força; em <em>Rei Leão</em>, Simba integra o legado paterno de Mufasa e supera a ausência materna para assumir sua identidade.</p>



<h2 id="h-no-arquetipo-paterno-temos-dois-polos-pai-e-filho-e-necessario-integrar-o-polo-filho-para-que-se-possa-realizar-uma-paternagem-satisfatoria-ou-seja-o-individuo-precisa-estar-bem-com-a-dimensao-ser-filho-para-conseguir-viver-o-ser-pai" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">No arquétipo paterno temos dois polos – Pai e Filho. É necessário integrar o polo “filho” para que se possa realizar uma paternagem satisfatória, ou seja, o indivíduo precisa estar bem com a dimensão “Ser-filho” para conseguir viver o “Ser-pai”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Faz-se necessário que o indivíduo olhe para sua própria história de vida, a história vivida com seus próprios pais. Estando diante do filho resgatar também a criança que já foi um dia, e que talvez ainda precise receber paternagem – se essa não foi bem realizada. Dessa maneira, integrando essas polaridades para não sobrecarregar o filho com expectativas e desejos de realização, fechando o ciclo Pai-Filho-Pai.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembro de uma música de <strong>Toquinho e Vinícius</strong> que, para mim, fala exatamente disso: <em>O Filho que eu quero ter*.</em> A letra da música traz o início do ciclo, o desejo de ser pai, e ao se tornar pai ver-se no filho como a criança que já foi, e ver no filho o adulto que quer se tornar pai. E assim fecha-se o ciclo.</p>



<h2 id="h-o-pai-real-e-sempre-um-ser-humano-em-tensao-ele-nao-pode-ser-o-rei-perfeito-mas-pode-ser-uma-presenca-autentica-consciente-e-transformadora" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O pai real é sempre um ser humano em tensão. Ele não pode ser o rei perfeito, mas pode ser uma presença autêntica, consciente e transformadora.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao reconhecer suas limitações e integrar sua sombra, aproxima-se de uma vivência saudável do arquétipo paterno: não como ideal inatingível, mas como função viva que oferece aos filhos direção e acolhimento. Assim, ajudar um homem a ser um pai melhor significa trazer o arquétipo para a realidade, aceitando a imperfeição e valorizando a constância. O pai que consegue equilibrar lei e afeto, disciplina e escuta, aproxima-se daquilo que Jung chamaria de individuação: tornar-se inteiro e, nesse processo, oferecer aos filhos não apenas regras, mas também humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o arquétipo paterno é essencial para o processo de individuação. Ele desafia, testa e orienta, mas também pode falhar e se tornar opressor. Reconhecer essa ambivalência é fundamental para compreender tanto os mitos quanto a vida cotidiana: o pai é sempre uma figura em tensão entre lei e afeto, entre proteção e rigidez, entre presença e ausência. É nesse espaço de tensão que se dá a possibilidade de crescimento, tanto para o filho quanto para o próprio pai, que precisa aprender a ser não o “Grande Pai” idealizado, mas um homem real capaz de oferecer direção sem sufocar, e disciplina sem abandonar.</p>



<h2 id="h-o-filho-que-eu-quero-ter" class="wp-block-heading" style="font-size:17px"><em><strong>* O Filho Que Eu Quero Ter</strong></em></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://letras.mus.br/toquinho/"><em>Toquinho</em></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer<br>Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer<br>Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr<br>E assim chorando acalentar o filho que eu quero ter<br>Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem<br>Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim<br>Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim<br>Um menino sempre a me perguntar um porque que não tem fim<br>Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim<br>Dorme menino levado, dorme que a vida já vem<br>Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu<br>Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro beijo seu<br>E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus<br>Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus<br>Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer<br>Teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer Ter.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/keller/"><strong>Me. Keller Villela</strong> &#8211;<strong> Analista Didata em formação IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:17px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">CAMPBELL, J. (2007). <em>O herói de mil faces</em>. São Paulo: Cultrix/Pensamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, J. (1997). <em>Sob a sombra de Saturno</em>. São Paulo: Paulus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. (2012). <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>. Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEUMANN, E. (2006). <em>A Grande Mãe</em>. São Paulo: Cultrix.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VON FRANZ, M.-L. (2008). <em>A interpretação dos contos de fadas</em>. São Paulo: Paulus.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O Simbolismo dos Contos de Fadas na Psicologia Analítica</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-simbolismo-dos-contos-de-fadas-na-psicologia-analitica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Karla Angelica Alves de Paula]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2026 18:25:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Contos de Fada]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[contos de fadas]]></category>
		<category><![CDATA[jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este ensaio aborda a relevância do trabalho com os contos de fadas no setting terapêutico de Psicologia Analítica e de Arteterapia. A estrutura narrativa dos contos reflete a jornada de individuação, integrando os aspectos conscientes e inconscientes da personalidade. Nos contos de fadas a psique se manifesta através de formas simbólicas, funcionando como uma projeção do inconsciente coletivo. Os contos de fadas falam sobre a jornada do ser humano, seus dilemas, seus sonhos, seus desafios, seus medos, suas potencialidades e podem ser considerados, como os sonhos, um meio de contatar o inconsciente. O conto possui uma linguagem que todos entendem, por tratar-se de um material que está além das diferenças culturais e raciais, uma linguagem de toda a espécie humana, uma linguagem arquetípica. Os contos de fadas trazem um material simbólico muito rico e estimulante para o desenvolvimento psíquico, sendo capaz de funcionar como catalisador no processo de individuação do analisando.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: Este ensaio aborda a relevância do trabalho com os contos de fadas no setting terapêutico de Psicologia Analítica e de Arteterapia. A estrutura narrativa dos contos reflete a jornada de individuação, integrando os aspectos conscientes e inconscientes da personalidade. Nos contos de fadas a psique se manifesta através de formas simbólicas, funcionando como uma projeção do inconsciente coletivo. Os contos de fadas falam sobre a jornada do ser humano, seus dilemas, seus sonhos, seus desafios, seus medos, suas potencialidades e podem ser considerados, como os sonhos, um meio de contatar o inconsciente. O conto possui uma linguagem que todos entendem, por tratar-se de um material que está além das diferenças culturais e raciais, uma linguagem de toda a espécie humana, uma linguagem arquetípica. Os contos de fadas trazem um material simbólico muito rico e estimulante para o desenvolvimento psíquico, sendo capaz de funcionar como catalisador no processo de individuação do analisando.</p>



<h2 id="h-a-ideia-deste-ensaio-surgiu-a-partir-de-uma-reflexao-sobre-a-relevancia-e-a-preciosidade-do-trabalho-com-contos-na-clinica-de-psicoterapia-e-de-arteterapia" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">A ideia deste ensaio surgiu a partir de uma reflexão sobre a relevância e a preciosidade do trabalho com contos na clínica de psicoterapia e de arteterapia.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos observar como em geral somos tocados por histórias de heróis, princesas, fadas, dragões e bruxas, dentre outras personagens presentes nas narrativas. Não é por acaso que as bilheterias dos cinemas superam as expectativas a cada novo filme que contenha qualquer um desses temas, ou todos eles, entre outros temas que nos remetem aos arquétipos que habitam nossa psique desde os primórdios da humanidade. Segundo Carl Gustav Jung, os contos de fadas são manifestações simbólicas do inconsciente coletivo. Eles revelam padrões universais da psique humana — os arquétipos — por meio de narrativas simples e atemporais.</p>



<h2 id="h-a-estrutura-narrativa-dos-contos-reflete-a-jornada-de-individuacao-integrando-os-aspectos-conscientes-e-inconscientes-da-personalidade-os-contos-de-fadas-sao-a-expressao-mais-pura-dos-processos-psiquicos-do-inconsciente-coletivo" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">A estrutura narrativa dos contos reflete a jornada de individuação, integrando os aspectos conscientes e inconscientes da personalidade. Os contos de fadas são a expressão mais pura dos processos psíquicos do inconsciente coletivo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O valor deles para a investigação do inconsciente é muito superior a qualquer outro material, pois eles representam os arquétipos na sua forma mais simples. Nesta forma pura, as imagens arquetípicas fornecem ótimas pistas para a compreensão dos processos que se passam na psique coletiva. O conto possui uma linguagem que todos entendem, por tratar-se de um material que está além das diferenças culturais e raciais, uma linguagem de toda a espécie humana, uma linguagem arquetípica.</p>



<h2 id="h-nos-mitos-e-nos-contos-de-fadas-como-nos-sonhos-a-alma-fala-de-si-mesma-e-os-arquetipos-se-revelam-em-sua-combinacao-natural-como-formacao-transformacao-e-recriacao-do-sentido-eterno" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Nos mitos e nos contos de fadas, como nos sonhos, a alma fala de si mesma e os arquétipos se revelam em sua combinação natural, como formação, transformação e recriação do sentido eterno.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os contos de fadas trazem um material simbólico muito rico e estimulante para o desenvolvimento psíquico, sendo capaz de funcionar como catalisador no processo de individuação do analisando, pois o analista pode se valer dos problemas enfrentados pelas personagens dos contos como espelho simbólico para que o analisando encontre eco em sua própria psique, enxergando os próprios dilemas e conflitos refletidos nas histórias narradas e trabalhadas no setting de arteterapia por meio de expressões criativas.</p>



<h2 id="h-nesse-processo-ha-a-possibilidade-de-entrar-em-contato-com-materiais-armazenados-no-inconsciente-e-atraves-do-dialogo-simbolico-consciente-x-inconsciente-surgir-um-terceiro-elemento-a-funcao-transcendente" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Nesse processo, há a possibilidade de entrar em contato com materiais armazenados no inconsciente e através do diálogo simbólico, consciente X inconsciente, surgir um terceiro elemento, a função transcendente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Criando, assim, a possibilidade de integração de conteúdos da sombra à personalidade do analisando, o que pode contribuir para potencializar o seu processo de individuação. Segundo Von Franz, o estudo de contos de fadas pode ser um instrumento valioso para o treinamento do analista, pois permite o aprendizado de uma interpretação que segue um método objetivo, dado que não há contexto pessoal e não se tem conhecimento da situação consciente correspondente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação entre a fala das velhas e as histórias parece ligada à própria linguagem e à representatividade da fala das mulheres, como esclarece a etimologia da palavra fada, que, nas línguas neolatinas, tem um significado relacionado ao conto de fadas, porque alude a <em>fata</em>, uma palavra latina, variante rara de <em>fatum</em> (fado), que se remete a uma deusa do destino. As fadas se parecem com essa deusa, porque também conhecem os rumos da fortuna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em virtude da origem etimológica da palavra fada, alguns estudiosos e contadores de histórias atualmente se referem ao gênero como contos de fada, no singular, pois seriam histórias que contam o destino da personagem principal, ainda que não apareçam fadas na história. Apesar dessa forma de pensar, podemos continuar a falar contos de fadas, no plural, considerando que esses contos apresentam cinco pontos invariáveis encontrados nesse tipo de narrativa: a aspiração, a viagem, os obstáculos, o mediador, a conquista e o objetivo.</p>



<h2 id="h-apesar-de-os-contos-de-fadas-estarem-vinculados-a-educacao-infantil-desde-a-antiguidade-nem-sempre-o-publico-alvo-foram-as-criancas" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Apesar de os contos de fadas estarem vinculados à educação infantil, desde a antiguidade, nem sempre o público-alvo foram as crianças.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na Idade média, ouvir histórias era a diversão dos camponeses durante as longas noites de inverno. Quem pensa que “Chapeuzinho Vermelho”, “A Bela e a Fera” ou “Os Três Porquinhos” são histórias datadas e presas a formas antiquadas e patriarcais de ensinar moralidade às crianças, pode se surpreender ao descobrir como essas narrativas sobrevivem entre roteiristas e criadores até os dias atuais. Um exemplo é a &#8220;jornada do herói&#8221;, conceito de Joseph Campbell na obra &#8220;O Herói de Mil Faces&#8221;, que continua um forte modelo na construção de histórias modernas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os contos, assim como os mitos e as lendas, podem ser utilizados para a amplificação dos símbolos que emergem nas atividades criativas propostas aos analisandos no setting terapêutico da Arteterapia e da Psicologia analítica de Carl Gustav Jung. Entrar em contato com as narrativas mitológicas e com os contos de fadas permite-nos sair um pouco do mundo da matéria e do monoteísmo da razão, para ingressarmos no universo metafórico e simbólico, para que a dimensão espiritual possa se apresentar.</p>



<h2 id="h-a-arte-de-contar-historias-e-muito-mais-antiga-do-que-a-psicologia" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">A arte de contar histórias é muito mais antiga do que a psicologia.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">As histórias conferem movimento à nossa vida interior, e isso se torna ainda mais importante quando percebemos que a vida interior está assustada, presa ou encurralada. As histórias atuam como bálsamos medicinais. Elas têm força e não exigem que se faça alguma coisa, que aja de determinado modo. Basta estar atento. A cura para qualquer dano ou para resgatar algum impulso psíquico perdido pode estar escondida nas histórias. Elas despertam interesse, sentimentos, questões, anseios e compreensões que fazem aflorar os arquétipos adormecidos. As histórias contêm instruções a respeito da complexidade da vida. Elas nos permitem entender a necessidade de restaurar um arquétipo esquecido, assim como os meios de realizar essa tarefa.</p>



<h2 id="h-a-essencia-da-alma-humana-guarda-elementos-carregados-de-simbolos-que-estao-armazenados-no-inconsciente-aguardando-o-momento-de-serem-libertados" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">A essência da alma humana guarda elementos carregados de símbolos que estão armazenados no inconsciente, aguardando o momento de serem libertados.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nos contos de fadas, esses elementos arquetípicos são representados pelas mais variadas personagens, desde animaizinhos bem pequeninos até as feras devoradoras, por duendes, bruxas, heróis, fadas, príncipes e princesas. Os contos de fadas, por meio da sua linguagem simbólica, falam-nos da nossa trajetória arquetípica, da busca do herói pela sua individuação, permitindo maior compreensão, em um sentido mais profundo da totalidade psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Psicologia Analítica e na Arteterapia os contos, assim como os mitos e as lendas podem ser utilizados na amplificação dos símbolos que emergem nas atividades criativas desenvolvidas pelos analisandos. Os contos também podem ser narrados e os pacientes podem traçar um paralelo com a sua própria história de vida, buscando novas saídas ou o mesmo conforto trazido pelas velhas contadoras de histórias, das quais Apuleio, Charles Perrault, os irmãos Grimm, Câmara Cascudo, Monteiro Lobato e tantos outros nos falam em suas obras. Os contos também podem ser utilizados como meio sensibilizador para propostas de vivências terapêuticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Von Franz, todos os contos de fadas tentam descrever apenas um fato psíquico, mas este fato é tão complexo, difícil e distante de se representar em seus diferentes aspectos, que centenas de contos e milhares de versões, bem como variações musicais, são necessários até que esse fato desconhecido penetre na consciência. Este fato desconhecido é o que Jung chama de SELF, que é a totalidade psíquica de um indivíduo e, paradoxalmente, também o centro regulador da psique. Cada indivíduo tem sua própria forma de experienciar esta realidade psíquica.</p>



<h2 id="h-o-verdadeiro-processo-de-individuacao-inicia-se-em-geral-infligindo-uma-lesao-a-personalidade-que-traz-sofrimento-ao-eu-que-se-sente-tolhido-nas-suas-vontades-ou-desejos-e-projeta-esta-frustracao-sobre-qualquer-objeto-exterior" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O verdadeiro processo de individuação inicia-se em geral infligindo uma lesão à personalidade, que traz sofrimento ao eu, que se sente tolhido nas suas vontades ou desejos e projeta esta frustração sobre qualquer objeto exterior.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas vezes tudo parece bem externamente, mas no íntimo a pessoa está sofrendo. Muitos mitos e contos de fadas descrevem simbolicamente este estágio inicial do processo de individuação, quando contam histórias de um rei que ficou doente ou envelheceu. Outras histórias características são a do casal real estéril; ou a do monstro que rouba mulheres, crianças, cavalos e tesouros de um reino; ou a do demônio que impede o exército ou a armada de algum rei de seguir sua rota; ou a da escuridão que cobre todas as terras, e ainda histórias sobre secas, inundações, geadas etc.</p>



<h2 id="h-o-encontro-inicial-com-o-si-mesmo-lanca-assim-uma-sombra-sobre-o-futuro-e-nos-contos-de-fadas-a-cura-acontece-por-um-ato-de-magia-ou-o-uso-de-um-talisma" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O encontro inicial com o Si-mesmo lança assim uma sombra sobre o futuro e nos contos de fadas a cura acontece por um ato de magia ou o uso de um talismã.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Seja qual for a solução, o remédio para afastar o mal é sempre único e difícil de ser encontrado. Acontece exatamente o mesmo na crise inicial que marca a vida de um indivíduo. Procura-se por algo impossível de achar ou a respeito do qual ninguém sabe. Em tais momentos, qualquer conselho bem-intencionado e sensato é completamente inútil. Só há uma atitude que parece alcançar algum resultado: voltar-se para as trevas que se aproximam, sem nenhum preconceito e com muita simplicidade, tentar descobrir qual o seu objetivo secreto. O propósito destas trevas que se avizinham geralmente é tão especial e inesperado que, normalmente, só se consegue percebê-lo por meio dos sonhos e das fantasias que brotam do inconsciente. Se focalizarmos nossa atenção sobre o inconsciente sem suposições precipitadas ou rejeições emocionais, o propósito há de surgir num fluxo de imagens simbólicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao entrarmos no terreno dos contos de fadas, caminhamos pelas terras férteis da psique e pelo atalho de bosques e florestas, onde encontramos um espaço protegido por árvores, galhos, frutos, luz, sombra e pelo mistério, pelo desconhecido que nos assusta e encanta ao mesmo tempo. Nesse caminho, entramos em contato com a matéria-prima em que repousam os segredos básicos da existência humana, retomamos o contato com as forças da natureza, representantes de nossas forças interiores, e trilhamos a jornada que leva ao crescimento e à transformação, essenciais para a individuação.</p>



<h2 id="h-a-estrutura-narrativa-dos-contos-reflete-situacoes-vividas-pelos-seres-humanos-desde-os-primordios-da-humanidade-representando-na-maioria-das-vezes-a-jornada-de-individuacao-integrando-os-aspectos-conscientes-e-inconscientes-da-personalidade" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">A estrutura narrativa dos contos reflete situações vividas pelos seres humanos desde os primórdios da humanidade, representando, na maioria das vezes, a jornada de individuação, integrando os aspectos conscientes e inconscientes da personalidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os contos de fadas representam a expressão mais pura e simples dos processos psíquicos do inconsciente coletivo e o seu valor para o acesso ao conteúdo do inconsciente supera qualquer outro material, por simbolizarem os arquétipos na sua forma mais simples. O diálogo entre o eu e aspectos inconscientes despertados pelo simbolismo dos contos de fadas, possibilita o surgimento de um terceiro elemento, a função transcendente, criando a possibilidade de integração de conteúdos sombrios à personalidade, o que contribui para o processo de individuação.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="📃Artigo novo: &quot;O Simbolismo dos Contos de Fadas na Psicologia Analítica&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/I_iOdFBsHiU?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/karla-angelica-alves-de-paula/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/karla-angelica-alves-de-paula/">Karla Angelica Alves de Paula&nbsp; &#8211; Analista em Formação do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi Filho &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:17px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BAPTISTA, Luciana Pellegrini (org). Bruxas e fadas, sapos e príncipes: os contos de fadas em experiências terapêuticas. São Paulo: Paulus, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com lobos. Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem. 2. Rio de Janeiro: Rocco, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANZ, Marie-Louise Von. A Interpretação dos contos de fada. São Paulo: Paulus, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Aion. Estudo sobre o simbolismo do Si-mesmo. 10. Ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2014a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ O eu e o inconsciente. 27. ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ O homem e seus símbolos. 5. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1964.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, Waldemar (org). Fundamentos da psicologia analítica. São Paulo: Eleva Cultural, 2022</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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			</item>
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		<title>Marama e o Rio dos Crocodilos</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/marama-e-o-rio-dos-crocodilos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Keller Alves Villela Ocaña Bruno]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Sep 2025 12:40:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Contos de Fada]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[amadurecimento]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[conto africano]]></category>
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		<category><![CDATA[contos de fadas]]></category>
		<category><![CDATA[marama]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[rio dos crocodilos]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5"><em><strong>Resumo</strong>: Sabemos que os contos de fada nos ajudam a entender temáticas universais, arquetípicas. Eles tem uma linguagem simbólica, assim como os sonhos, e são extremamente importantes dentro da psicologia junguiana. Através da vivência de ler ou ouvir um conto de fada podemos caminhar em nossa própria jornada. Esse artigo traz o conto <strong>MARAMA E O RIO DOS CROCODILOS</strong>, um conto africano que trata da temática da menina sem pais que precisa empreender uma jornada em busca de amadurecimento. <strong>Eu te convido a caminhar junto de Marama nessa incrível aventura e através da história dela você poderá encontrar a si mesmo</strong>.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-partir-de-agora-vamos-acompanhar-a-historia-inspiradora-de-uma-menininha-corajosa-chamada-marama" style="font-size:19px">A partir de agora vamos acompanhar a história inspiradora de uma menininha corajosa chamada Marama.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Ela viverá aventuras rumo a sua jornada de amadurecimento e nós iremos com ela.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Marama era uma menininha e, quando seus pais morreram, o chefe da tribo a entregou aos cuidados de uma das mulheres da aldeia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Mas era uma mulher má, que batia na menina, não lhe dava nada para comer e só pensava em como se livrar dela. Um dia, ela deu a Marama um pilão pesado, que se usa para descascar arroz, e lhe disse:&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Vá ao rio dos crocodilos Bama-Bá e lave este pilão para eu poder usá-lo para descascar o arroz.&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Marama se pôs a chorar, porque o rio era muito afastado, era muito profundo e caudaloso, cheio de cobras e crocodilos. As pessoas tinham medo de ir até lá e só as gazelas e os leões iam lá beber.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Porém, Marama tinha tal medo de sua madrasta ruim, que pegou o pilão e foi-se embora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">No caminho para a floresta ela encontrou um leão. Ele sacudiu sua juba e rosnou com uma voz horrível:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Como você se chama e para onde você vai?&nbsp;</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-marama-estava-com-medo-mortal-mas-cantou-com-sua-doce-voz-nbsp" style="font-size:19px">Marama estava com medo mortal, mas cantou com sua doce voz:&nbsp;</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="line-height:1.1">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>&#8211; Marama é meu nome</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>e não tenho mãe&#8230;</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>Vou ao rio</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>para lavar este pilão.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>Ao rio dos crocodilos</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>minha madrasta me mandou.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>Lá só vão gazelas</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>e leões para beber.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>Lá dormem cobras</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.5"><em>e crocodilos.</em>&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Então vá, Marama, menina sem mãe! </em>&#8211; disse o leão. Vá e não tenha medo. Vou cuidar para que as gazelas e os leões não incomodem você quando forem beber.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Marama continuou seu caminho e, quando chegou ao rio, um crocodilo horrendo e velho surgiu na sua frente, abrindo sua enorme boca, seus grandes olhos vermelhos lhe saindo da cabeça.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Qual é seu nome e para onde você vai? </em>– perguntou.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-marama-estava-com-medo-mortal-mas-cantou-com-sua-doce-voz-nbsp-0" style="font-size:19px">Marama estava com medo mortal, mas cantou com sua doce voz:&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>&#8211; Marama é meu nome</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>e não tenho mãe&#8230;</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>Vou ao rio</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>para lavar este pilão.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>Ao rio dos crocodilos</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>minha madrasta me mandou.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>Lá só vão gazelas</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>e leões para beber.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>Lá dormem cobras</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.6"><em>e crocodilos.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Então vá, Marama, menina sem mãe!</em> &#8211; disse o crocodilo. Lave seu pilão e não fique espantada. Vou cuidar para que as cobras e os crocodilos que vivem no rio não incomodem você.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Marama ajoelhou-se na beira do rio e começou a lavar o pilão. Mas estava tão pesado, que lhe escapou das mãos, desaparecendo na água. Marama começou a chorar, porque não poderia voltar para casa sem o pilão. De repente, surgiu da água um crocodilo que lhe estendeu um novo pilão, limpinho e branquinho, incrustado de ouro e prata.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Leve este pilão para casa, Marama, menina sem mãe, e mostre-o a toda a aldeia, a fim de que todo mundo saiba que o poderoso Subara, rei do rio dos crocodilos, é seu amigo.&nbsp;</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-marama-lhe-agradeceu-e-voltou-para-casa-no-caminho-encontrou-de-novo-o-leao-nbsp" style="font-size:19px">Marama lhe agradeceu e voltou para casa. No caminho, encontrou de novo o leão.&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">&#8211; <em>Deixe-me pegar o pilão, Marama, menina sem mãe</em> &#8211; disse ele. É pesado demais para você. Vou levá-lo até sua casa, assim todo mundo vai saber que o poderoso Subara, rei do rio dos crocodilos, é seu amigo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Quando Marama chegou em casa, a madrasta admirou muito o pilão e lhe perguntou onde o havia encontrado. Marama apenas lhe contou que o tinha encontrado no rio dos crocodilos. Então a madrasta pegou outro velho pilão de arroz e foi-se apressada para o rio, a fim de ela também encontrar um novo, branquinho e incrustado de ouro e prata.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">No caminho para a floresta, encontrou-se com o leão. Meneando a juba, ele rugia com voz terrível:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Quem é você e para onde você vai?&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A mulher má teve tanto medo, que não conseguiu dizer uma palavra, pôs-se a correr há mais não poder. O leão a seguiu com seus olhos até ela desaparecer entre as árvores, e depois simplesmente levantou os ombros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Quando chegou ao rio, um velho horroroso crocodilo lhe atravessou o caminho, abrindo uma enorme boca, seus olhos vermelhos e grandes lhe saindo da cabeça.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>&#8211; Como você se chama e para onde você vai? </em>– perguntou.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A mulher má teve tanto medo, que não conseguiu dizer uma palavra e foi pela beira do rio. Não foi muito longe. De todos os lados, os leões e as gazelas que vinham beber no rio a cercaram, assim como as cobras e os crocodilos que viviam no rio, e todos cantavam em coro:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="line-height:1.2">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>&#8211; Marama, a menina sem mãe,</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>pode vir lavar</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>seu pilão no rio,</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>pois o poderoso Subara,</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>rei do rio,</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>é seu amigo.</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>Mas para você, mulher má,</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>o rio dos crocodilos</em>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:0.7"><em>significa a morte!</em>&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">E assim foi.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-ja-sabemos-ao-analisar-um-conto-de-fada-nao-existe-certo-e-errado" style="font-size:19px">Como já sabemos, ao analisar um conto de fada não existe certo e errado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Os contos trazem uma linguagem simbólica que fala direto ao inconsciente de cada pessoa que lê ou ouve a narrativa</strong>. É uma linguagem que conversa com nossa alma e despertará em nós sentimentos, sensações e impressões que podem ensinar muito sobre a nossa própria vida e sobre nossas experiências.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">O conto que trago hoje, é um conto africano e fala de uma menininha que mora numa aldeia, e que muito cedo perdeu seus pais e foi entregue a uma mulher muito má que deveria ocupar-se de sua criação.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Aí já podemos observar que o conto apresenta a ausência dos pais e a presença de uma “madrasta”. Esse é um tema bem recorrente nos contos. A falta de mãe para proteger, cuidar, nutrir, dar colo e carinho para a criança sendo substituída por uma figura feminina nada maternal, nada acolhedora, que a princípio podemos ver – e essa acaba sendo nossa tendência no início – como uma figura realmente muito má, mas que se olharmos de forma simbólica e mais atentamente perceberemos que é só por causa dessa madrasta, dessa mulher “má” que a menina sai e enfrenta os perigos da floresta.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-chega-uma-hora-na-vida-que-temos-que-deixar-o-seio-materno-o-lugar-de-conforto-e-enfrentar-a-vida" style="font-size:19px"><strong>Chega uma hora na vida que temos que deixar o seio materno, o lugar de conforto e enfrentar a vida</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Nesse conto, Marama não tem pai nem mãe, e é jogada para fora da “zona de conforto” pela madrasta, é ela quem manda a menina para o rio dos crocodilos para lavar o pilão usado por ela para descascar arroz. <strong>Marama chora, pois tem medo de enfrentar o caminho</strong>. O rio é longe, cheio de cobras e crocodilos, e podemos imaginar que ela terá que atravessar uma floresta para chegar ao rio, uma floresta repleta de perigos e animais selvagens. As pessoas já sabiam que não era fácil chegar ao rio, Marama sabia que elas tinham muito medo de ir até lá, pois pelo caminho poderiam encontrar leões e crocodilos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-frequentemente-podemos-nos-encontrar-na-mesma-situacao-que-marama-com-medo-apavorados-com-algo-desconhecido-que-se-apresenta-em-nosso-caminho" style="font-size:19px">Frequentemente podemos nos encontrar na mesma situação que Marama, com medo, apavorados com algo desconhecido que se apresenta em nosso caminho.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Não adianta chorar, é preciso ter a coragem para atravessar a floresta, enfrentar os animais selvagens e chegar ao rio. Ora, aqui claramente podemos entender isso como a nossa jornada para dentro, para nosso mundo interior, a floresta do nosso inconsciente, o rio de nossa alma, e para chegarmos lá é preciso silenciar e dar espaço ao movimento que vem de dentro, confiar no caminho, porém teremos que enfrentar os animais, os desafios apresentados ao longo do caminho, nossos complexos e só depois de fazermos isso acontecerá uma mudança, uma transformação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Apesar de Marama ter tanto medo de sua madrasta, entre o medo de ficar, apanhar e ser castigada pela mulher ou enfrentar os perigos do caminho, ela escolhe seguir rumo ao rio, levando o pilão que pertencia a madrasta para lavar. <strong>E sabemos bem que uma mudança de atitude só é possível quando a dor de ficar é maior que a dor de mudar</strong>. Nesse caso ficar e apanhar era bem pior do que o que ela poderia encontrar em seu caminho.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-nossas-vidas-vivenciamos-varias-situacoes-assim-carreiras-com-as-quais-ja-nao-nos-identificamos-relacionamentos-que-ja-nao-fazem-mais-sentido-amizades-que-nao-nos-dizem-mais-nada" style="font-size:19px"><strong>Em nossas vidas vivenciamos várias situações assim, carreiras com as quais já não nos identificamos, relacionamentos que já não fazem mais sentido, amizades que não nos dizem mais nada</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Terra árida, terreno que já não é capaz de alimentar e nutrir a vida, só nos resta enfrentar o desconhecido, iniciar a caminhada e ver onde vai dar – e podemos nos surpreender – como aconteceu com Marama.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Logo no início do caminho ela encontra com o leão que a questiona e quer saber sobre a menina, mesmo com medo ela responde cantando uma triste canção que conta a história de uma pobre menina sem mãe. <strong>Marama é sincera e verdadeira</strong> e o leão percebe isso, decide ajudá-la dizendo para não ter medo e seguir seu caminho que ele garante que ninguém irá incomodá-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Percebemos que quem a ajuda é o leão – rei da floresta – uma figura masculina, podemos entender como a <strong>figura de pai</strong> que falta para a menina, uma figura que irá protegê-la ao longo do caminho.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Podemos entender a figura do leão desse conto como a voz de um pai interno que vem em nosso auxílio quando precisamos, uma voz que vem nos apontar o caminho, uma voz que nos impulsiona, que nos dá coragem para seguir. <strong>Assim também o <em>animus</em>, muitas vezes se apresenta como um animal de poder.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Chegando ao rio, Marama encontra um crocodilo com uma boca enorme e olhos grandes e vermelhos – imagine que figura assustadora para uma garotinha. Mas o crocodilo não a ataca, ele quer saber quem é ela, e novamente Marama canta a canção de sua vida, o crocodilo encantado pela história da menina lhe diz para lavar seu pilão sem medo, que ninguém a incomodará. Marama ajoelha-se e começa a lavar o pilão, porém ele é muito pesado e Marama o deixa escorregar e cair no fundo do rio, a menina se desespera e novamente se põe a chorar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Como ela explicaria que perdera o pilão, o pilão que a madrasta usava para descascar o arroz, provavelmente cada mulher da aldeia tinha seu próprio pilão, com certeza a madrasta a castigaria – pobre Marama – nesse momento surge do fundo do rio um crocodilo com um pilão novinho, branquinho incrustado de ouro e prata e o entrega para Marama e lhe diz para levar o pilão para casa e mostrar a toda aldeia e falar que o poderoso Subara rei dos crocodilos é seu amigo. Marama agradece, pega o pilão e começa sua jornada de volta a aldeia. Encontra novamente o leão e ele diz que levará o pilão até sua casa, pois ele é pesado demais, e assim todos saberão que o rei dos crocodilos é seu amigo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Vamos pensar na tarefa que leva Marama a encontrar esses animais e enfrentar todos esses perigos – é o pilão – um instrumento usado para descascar arroz</strong>. Certamente uma tarefa destinada as mulheres da tribo, mas Marama é uma criança, uma menina. Então por que ela deveria atravessar a floresta para lavar o pilão? E um pilão que não lhe pertencia, ele era de sua madrasta.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Podemos fazer aqui uma relação com a transição, uma passagem de menina para mulher, mas não podemos fazer essa transição carregando conteúdos que não são nossos, conteúdos entregues a nós por outros, muitas vezes já sujos, desgastados demais, encardidos&#8230; precisamos encontrar os nossos – o nosso “pilão”, novo, branquinho, limpinho e repleto de joias.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-pilao-velho-corresponde-a-uma-velha-atitude-e-o-pilao-novo-a-uma-nova-atitude-mais-ampla" style="font-size:18px">O pilão velho corresponde a uma <strong>velha atitude</strong> e o pilão novo a uma <strong>nova atitude</strong>, mais ampla.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">E toda a aldeia deveria saber de seu pilão, deveriam saber que ele foi lhe dado por Subara o rei dos crocodilos. Todos na aldeia deveriam saber que Marama agora possuía seu próprio pilão, ela mesma agora era responsável por descascar o arroz com seu próprio instrumento. Uma mulher – não mais uma menina – responsável por si mesma.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">No início Marama tinha medo de enfrentar a floresta por causa dos animais selvagens e dos perigos que poderia encontrar, mas precisamos nos lembrar que esses animais viviam logo ali, pertinho da aldeia, faziam parte do todo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-com-nossa-psique-acontece-o-mesmo-temos-medo-do-inconsciente-e-de-tudo-que-se-esconde-nele-mas-devemos-lembrar-que-nele-ha-perigos-mas-tambem-ha-muitos-aliados-que-podem-ajudar-nos-na-mudanca-de-atitude-basta-que-prestemos-atencao-nbsp" style="font-size:19px">Com nossa psique acontece o mesmo, temos medo do inconsciente e de tudo que se esconde nele, mas devemos lembrar que nele há perigos, mas também há muitos aliados que podem ajudar-nos na mudança de atitude, basta que prestemos atenção.&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Quando Marama chega à aldeia a madrasta se encanta com o pilão da garota e nem se dá conta de que seu próprio pilão se perdeu, é cegada, por assim dizer, pela beleza e riqueza do pilão de Marama e só quer saber onde foi que a menina encontrou tal joia. Assim que Marama lhe conta, ela parte para o rio afim de pegar um pilão para si mesma que seja igual ao de Marama. Bem, vejamos, um sapato que calça bem um pé pode não servir em outro, e é exatamente o que acontece com a madrasta da menina.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Ela vai atrás daquilo que não lhe pertence e ao encontrar o leão e ser questionada por ele, ela não sabe o que dizer e sai correndo. Mais adiante encontra o crocodilo e foge novamente, não vai muito longe, sendo perseguida por todos os animais que cantam que ali, naquele rio, Marama pode lavar seu pilão pois é amiga de Subara, o rei dos crocodilos, mas ela – a madrasta má – por ser uma mulher má só encontrará no rio sua morte. E assim acontece.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-uma-velha-atitude-precisa-morrer-para-que-uma-nova-maneira-de-viver-pensar-e-agir-possa-nascer-em-nos" style="font-size:19px"><strong>Uma velha atitude precisa morrer para que uma nova maneira de viver, pensar e agir possa nascer em nós.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em><strong>É o diálogo entre o velho e o novo, entre uma atitude consciente e outra ainda inconsciente que precisa acontecer para uma renovação</strong>. É encontrar o próprio jeito de fazer as coisas, sem repetir o jeito dos outros – é usar nosso próprio pilão.</em>&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-assim-e-na-nossa-vida-nao-podemos-sair-por-ai-carregando-ideias-comportamentos-valores-dos-outros" style="font-size:19px">Assim é na nossa vida, não podemos sair por aí carregando ideias, comportamentos, valores dos outros.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><em>Precisamos adquirir consciência e ir em busca de nossas próprias ideias – ampliar a nossa consciência a respeito do que nos é passado por nossas famílias e pela sociedade e isso só se faz se aceitarmos a jornada necessária, uma jornada que implica em dialogar com o conteúdo desconhecido que está dentro de nós, e é nessa dialética entre ego e Self que encontramos a renovação, a ampliação que nos permite nos adentrarmos no Processo de Individuação.&nbsp;</em></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: MARAMA E O RIO DOS CROCODILOS" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/Sl9FnWc0vo4?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/keller/">Ms. Keller Villela &#8211; Membro Analista Didata em formação pelo IJEP&nbsp;</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi &#8211; Membro Analista Didata do IJEP &nbsp;</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencia-nbsp"><strong>Referência:</strong>&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BONAVENTURE, Jette. <strong>O que conta o conto?</strong> São Paulo: Paulus, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>
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		<title>Me conta seu conto</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/me-conta-seu-conto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Pessanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jun 2025 13:08:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Contos de Fada]]></category>
		<category><![CDATA[arteterapia]]></category>
		<category><![CDATA[contos de fadas]]></category>
		<category><![CDATA[Imaginação ativa]]></category>
		<category><![CDATA[individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Marie-Louise von Franz]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os contos de fadas são assim.Uma manhã, a gente acordaE diz: &#8220;era só um conto de fadas&#8230;&#8221;E a gente sorri de si mesma.Mas, no fundo, não estamos sorrindo.Sabemos muito bem que os contos de fadasSão a única verdade da vida. Antoine de Saint-Exupéry Resumo: Este ensaio visa formular ideias e experiências a partir dos contos [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph" style="font-size:17px">Os contos de fadas são assim.<br>Uma manhã, a gente acorda<br>E diz: &#8220;era só um conto de fadas&#8230;&#8221;<br>E a gente sorri de si mesma.<br>Mas, no fundo, não estamos sorrindo.<br>Sabemos muito bem que os contos de fadas<br>São a única verdade da vida.</p>



<p class="has-text-align-center wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><a href="https://www.pensador.com/autor/antoine_de_saint_exupery/">Antoine de Saint-Exupéry</a></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em><strong>Resumo</strong>: Este ensaio visa formular ideias e experiências a partir dos contos de fadas que surgem no processo terapêutico, além de aspirar impulsionar terapeutas, analistas e arteterapeutas a ampliar os contos, histórias ou &#8220;vestígios&#8221; mitológicos dos clientes trazidos a clínica. A busca pelos conteúdos sombrios que emergem a partir da associação com histórias e &#8216;estórias&#8217; podem nos auxiliar como condutor simbólico para revelar ao cliente mais de si mesmo.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-era-uma-vez-era-uma-vez-nao-respeita-chronos-o-grande-senhor-do-tempo-cronologico-pelo-menos-assim-me-parece" style="font-size:19px"><em>Era uma vez&#8230;</em> Era uma vez não respeita Chronos, o grande senhor do tempo cronológico &#8211; pelo menos assim me parece.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Os contos trazem o tempo do <em>não tempo</em>, eles trazem o efeito do agora e mesmo que a história tenha sido escutada, ouvida, assistida e elaborada uma vida inteira quando acessamos esse espaço do que <em>uma vez foi</em>, posso assegurar com alguma confiança de o tempo é agora.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Uma vez que, na prática, existem fenômenos da consciência e do inconsciente, o si mesmo como totalidade psíquica tem aspecto consciente e inconsciente. O si mesmo aparece empiricamente em sonhos, mitos e contos de fadas, na figura de “personalidades superiores” como reis, heróis, profetas, salvadores etc., ou na figura de símbolos de totalidade como o círculo, o quadrilátero, a quadratura circuli (quadratura do círculo), a cruz etc. Enquanto representa uma complexio oppositorum, uma união dos opostos, também pode manifestar-se como dualidade unificada, como, por exemplo, no tao, onde concorrem o yang e o yin, como irmãos em litígio, ou como o herói e seu rival (dragão, irmão inimigo, arqui-inimigo, Fausto e Mefisto etc.). Empiricamente, pois, o si mesmo aparece como um jogo de luz e sombra, ainda que seja entendido como totalidade e, por isso, como unidade em que se unem os opostos.</p><cite>JUNG, 2012. vol.6 §902</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-contos-de-fadas-estao-presentes-em-diversas-culturas-ao-redor-do-mundo-e-em-cada-lugar-ele-se-adapta-para-responder-e-reescrever-as-necessidades-de-coletivos-e-individuos-e-fazem-isso-pois-carregam-uma-riqueza-simbolica-que-transcende-fronteiras-e-epocas" style="font-size:19px">Os contos de fadas, estão presentes em diversas culturas ao redor do mundo e em cada lugar ele se adapta para responder e reescrever as necessidades de coletivos e indivíduos, e fazem isso pois carregam uma riqueza simbólica que transcende fronteiras e épocas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Para Jung, esses contos representam manifestações do inconsciente coletivo, uma camada da psique compartilhada por toda a humanidade e composta por arquétipos que nos afetam de forma laboriosa, é inevitável o afeto, assim como é inevitável para de respirar para se viver. Esses contos, mitos e histórias reveladas de forma ancestral nos apresentam símbolos e contextos que aparecem de forma simbólica nas narrativas, oferecendo um espelho das experiências humanas mais profundas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Do mesmo modo como as constelações foram projetadas no céu, assim também outras figuras semelhantes foram projetadas nas lendas e nos contos de fadas ou em personagens históricas. Por isso, podemos estudar o inconsciente coletivo de duas maneiras: na mitologia ou na análise do indivíduo. Como não posso colocar este último material ao alcance dos leitores, devo limitar-me à mitologia.</p><cite>JUNG, 2012. vol.6 §325</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">C. G. Jung tenta trazer na sua obra a importância do trabalho terapêutico feito a partir de elaborações e ampliações na clínica em cima de determinados temas trazidos pelos clientes pelo método de contação de estórias ou ampliação simbólica de mitos e contos de fadas. Essa condução atinge camadas da psique que não conseguimos acessar de forma livre ou espontânea, mas permite ao indivíduo elaborar questões de valor pessoal que muitas vezes não são perceptíveis pela consciência. Afinal, “<strong>todos os contos de fadas tentam descrever apenas um fato psíquico</strong>” (Von Franz, p.10) e muitas vezes nos negamos a conscientizar que nos apoiamos em fatores externos para não darmos conta desses fatos internamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-maria-louise-von-franz-aprofundou-essa-compreensao-ao-analisar-os-contos-de-fadas-como-expressoes-simbolicas-do-processo-de-individuacao-o-caminho-de-integracao-do-self" style="font-size:19px"><strong>Maria Louise Von Franz</strong>, aprofundou essa compreensão ao analisar os contos de fadas como expressões simbólicas do processo de individuação &#8211; o caminho de integração do self. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Segundo ela, esses contos não são apenas histórias infantis, mas mapas simbólicos que orientam o indivíduo na jornada de autoconhecimento, confrontando aspectos internos como medos, desejos e potencialidades; e mais que isso a analista abre seu livro <em>A interpretação dos contos de fada </em>afirmando de forma objetiva que os contos de fada são “a expressão mais pura e mais simples dos processos psíquicos do inconsciente coletivo” (Von Franz, p.9) e completa que o valor deles dentro de um processo analítico de investigação do inconsciente é tão importante, que ela considera o mais importante.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Nos mitos, lendas ou qualquer outro material mitológico mais elaborado, atingimos as estruturas básicas da psique humana através de uma exposição do material cultural. Mas nos contos de fada existe um material cultural consciente muito menos específico e, subsequentemente, eles espelham mais claramente as estruturas básicas da psique.</p><cite>VON FRANZ, PÁG.09</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Na prática terapêutica, tanto <strong>Jung </strong>quanto <strong>Von Franz </strong>utilizavam os contos de fadas como ferramentas de ampliação para a elaboração dos processos individuais dos clientes em seus respectivos processos. Através da análise dos símbolos presentes nas histórias, o cliente pode reconhecer padrões internos, conflitos e potencialidades. Essa abordagem arteterapêutica nos ajuda a acessar uma compreensão mais profunda do inconsciente, promovendo a integração de aspectos reprimidos ou desconhecidos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“Nos mitos e contos de fada, como no sonho, a alma fala de si mesma e os arquétipos se revelam em sua combinação natural, como “formação, transformação, eterna recriação do sentido eterno””. </p><cite>(Jung, 2012. vol.9/1 §400)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Na arteterapia, os contos de fadas servem como fonte de inspiração para a criação de imagens que representam os processos internos do indivíduo, e quando falamos imagens, podemos ficar apenas na elaboração verbal, no caso. Imagens dentro do processo arteterapêutico junguiano fala de todo e qualquer aspecto que traga conteúdo para elaboração simbólica na clínica. Mas os contos de fada podem promover mais, pois ao ilustrar ou dramatizar esses contos, o paciente acessa emoções e símbolos que muitas vezes estão além da fala, facilitando a expressão de conteúdos inconscientes e promovendo algumas integrações e percepções que dirigidas pelos afetos das práticas e dos materiais rompem um padrão de controle, ao qual todos somos submetidos, quando nosso complexo do Ego tem a permissão para elaborar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A arteterapia nos possibilita usar todas as funções e olhar o objeto como um terceiro elemento promovendo uma percepção única e apurada dos elementos trazidos a consciência pelo Self. “<strong>Quanto mais diferenciadas e desenvolvidas são as funções do consciente, melhor e mais rica será a interpretação feita, pois, a história será circundada, tanto possível, pelas quatro funções</strong>&#8220;. (Von Franz, pág.24)</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Do mesmo modo como as constelações foram projetadas no céu, assim também outras figuras semelhantes foram projetadas nas lendas e nos contos de fadas ou em personagens históricas. Por isso, podemos estudar o inconsciente coletivo de duas maneiras: na mitologia ou na análise do indivíduo. Como não posso colocar este último material ao alcance dos leitores, devo limitar-me à mitologia.</p><cite> JUNG, 2012. vol.6 §325</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Assim sendo, podemos “contar” com os contos de fadas, sob a perspectiva da psicologia analítica como um recurso extremamente importante e funcional pois são instrumentos poderosos de conexão com o inconsciente coletivo, facilitando o processo de reconhecimento de conteúdos muitas vezes desconhecidos por nós mesmos. Sua virtude está nos acessos simbólico e universal os torna recurso valiosos tanto na prática clínica junguiana quanto na arteterapia com elaboração e aprofundamento da psicologia analítica sobre os conteúdos oriundos das práticas. <strong>Com isso, contribuímos para uma compreensão mais profunda de si mesmo e do mundo interior dos nossos clientes/criantes/analisandos</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-large is-style-default" style="font-size:18px"><blockquote><p>Não vemos as coisas como são, vemos as coisas como somos.</p><cite><strong>Anais Nin</strong></cite></blockquote></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Me conta seu conto&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/hL_X19zOwes?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/barbara/">Bárbara Pessanha &#8211; Membro Analista Didata em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">E. Simone Magaldi – Membro Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <strong>Tipos Psicológicos</strong>. ed. Petrópolis: Vozes, 2012. (Obras Completas de C. G. Jung, v. 6)</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <strong>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</strong>. ed. Petrópolis: Vozes, 2012. (Obras Completas de C. G. Jung, v. 9/1)</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <strong>Aion – Estudo sobre o simbolismo do si mesmo</strong>. ed. Petrópolis: Vozes, 2012. (Obras Completas de C. G. Jung, v. 9/2)</p>



<p class="wp-block-paragraph">VON FRANZ, Marie Louise.&nbsp;A Interpretação dos Contos de Fada. São Paulo. Paulus, 7ª edição, 2008.</p>
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