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	<title>Arquivos Contratransferência - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Mon, 15 Jun 2026 17:16:24 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Contratransferência - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Quando o analista se confunde com o destino do analisando</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gabriela Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 16:57:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O ensaio sustenta que o analista, embora ocupe lugar importante no processo clínico, não pode confundir sua função com posse sobre a travessia psíquica do paciente. Quando se esquece de que é instrumento e mediador, e não autor da jornada, a clínica se deforma por dentro. A partir de Jung, o texto mostra que a análise é um encontro entre duas personalidades mutuamente afetadas, e que o analista também está implicado no campo transferencial.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: O ensaio sustenta que o analista, embora ocupe lugar importante no processo clínico, não pode confundir sua função com posse sobre a travessia psíquica do paciente. Quando se esquece de que é instrumento e mediador, e não autor da jornada, a clínica se deforma por dentro. A partir de Jung, o texto mostra que a análise é um encontro entre duas personalidades mutuamente afetadas, e que o analista também está implicado no campo transferencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O perigo surge quando essa implicação degenera em inflação, identificação com a persona profissional e apropriação narcísica do lugar analítico. Nesses casos, a escuta deixa de servir à alteridade do paciente e passa a confirmar o poder, a imagem e a centralidade do próprio analista.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O texto distingue dois perfis recorrentes dessa distorção: o profissional imaturo, dependente de validação, e o experiente inflado, que abandona a autocrítica e passa a operar como autoridade última. Defende, por fim, que o risco não é apenas técnico, mas estrutural, pois compromete a própria base da função analítica e exige vigilância ética constante, sobretudo nos próprios meios analíticos.</p>



<h2 id="h-palavras-chave-analista-transferencia-inflacao-psiquica-persona-etica-analitica-funcao-analitica-confidencialidade-narcisismo-alteridade-poder-simbolico" class="wp-block-heading" style="font-size:18px"><strong>Palavras-chave: </strong>analista; transferência; inflação psíquica; persona; ética analítica; função analítica; confidencialidade; narcisismo; alteridade; poder simbólico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O analista que se esquece de que é instrumento reflexivo começa, inevitavelmente, a se colocar como destino na vida daqueles que atende.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Há, no trabalho analítico, uma tensão estrutural que nunca pode ser abolida sem que algo essencial se perca. O analista ocupa um lugar importante, às vezes decisivo, na travessia do paciente. Mas esse lugar, justamente por sua importância, precisa ser sustentado com rigor ético e com vigilância psicológica. Ele participa do processo, porém não o possui. Intervém, mas não o governa. É mediador de uma relação, não senhor de um destino. Quando essa distinção se obscurece, a clínica começa a adoecer por dentro.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung insistiu, em diferentes momentos de suas obras, que a situação analítica não pode ser compreendida como aplicação mecânica de um método sobre um objeto passivo. Para ele, trata-se do encontro entre duas personalidades, entre dois sistemas psíquicos que se afetam mutuamente. Não há neutralidade mágica, nem posição extraterritorial. O analista entra no processo e, ao entrar, também é alcançado por ele. Por isso Jung afirma que o encontro analítico é como a mistura de duas substâncias químicas: se há reação, ambas se transformam. E ele ainda acrescenta que “influir” é, ao mesmo tempo, ser afetado. O profissional que tenta se proteger sob um “halo de profissionalismo e autoridade paternais” (JUNG, 2013b, p. 85) não se torna mais lúcido, torna-se apenas menos apto a conhecer o que se passa, porque se separa de um dos seus instrumentos mais importantes de percepção: a própria afetação psíquica.</p>



<h2 id="h-o-analista-nao-e-um-observador-puro-nem-uma-consciencia-intacta-pairando-acima-do-drama-do-outro" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">O analista não é um observador puro, nem uma consciência intacta pairando acima do drama do outro.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Se ele se imagina nessa posição, já começou a falsear a situação clínica. Jung chega a dizer que o analista também está em análise, porque é parte integrante do processo psíquico do tratamento e está exposto às influências transformadoras implicadas nele. Quando se fecha a essa influência, perde também a possibilidade de influir verdadeiramente sobre o analisando. Em outras palavras: o analista só pode ocupar legitimamente sua função se aceitar que também ele está implicado, convocado e, em alguma medida, examinado no encontro.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É exatamente aí que começa um dos riscos centrais da função analítica. Porque ser investido transferencialmente produz um efeito real sobre o analista (JUNG, 2014, p. 75-76). A transferência não é apenas um “fenômeno do paciente”. Ela organiza um campo. Jung observa que, em certos momentos do processo, o analista deixa de ser apenas portador das imagens parentais mais comuns e pode ser investido com qualidades exaltadas ou mesmo divinas. O analista se torna, para o paciente, algo maior do que um outro humano: um salvador, um portador de resposta última, uma figura providencial. Isso não ocorre necessariamente de modo consciente, mas pode estruturar profundamente a relação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Se o analista não souber reconhecer esse movimento, poderá sucumbir a ele de duas maneiras. A primeira é grosseira: ele pode acreditar estar literalmente no lugar que lhe foi atribuído. A segunda é mais sofisticada e, por isso mesmo, mais perigosa: ele pode afirmar teoricamente que sabe tratar-se de uma projeção, mas, na prática, começa a usufruir psiquicamente dessa posição. Já não precisa que o analisando o chame de mestre, guia ou salvador. Basta que passe a se sentir secretamente imprescindível para ele. Nesse caso, a inflação já se instalou.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung foi extremamente claro ao descrever os perigos da inflação psíquica. Ao longo da obra <em>O Eu e o Inconsciente</em>, ele mostra que, à medida que conteúdos mais amplos da psique são assimilados sem o devido discernimento, ocorre uma ampliação indevida da consciência, que pode ser vivida como elevação. O sujeito passa a se sentir maior, mais especial, mais autorizado. Essa ampliação, no entanto, não é realização de si. É confusão entre a individualidade e conteúdos impessoais, entre o eu e a psique coletiva. Jung observa que essa assimilação pode levar à inflação, e mais ainda: quando alguém incorpora ilegitimamente conteúdos suprapessoais como se fossem patrimônio próprio, estende indevidamente os limites de sua personalidade.</p>



<h2 id="h-na-clinica-isso-assume-formas-muito-reconheciveis-o-analista-passa-a-supor-que-sua-leitura-e-mais-verdadeira-do-que-a-experiencia-do-paciente" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Na clínica, isso assume formas muito reconhecíveis. O analista passa a supor que sua leitura é mais verdadeira do que a experiência do paciente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A análise deixa de ser proposta em uma dialética — a imprescindível dialética junguiana — e começa a operar como veredito, uma interpretação unilateral. A escuta deixa de ser abertura para a alteridade e passa a funcionar como triagem daquilo que confirma a própria teoria, a própria visão de mundo, a própria imagem e, principalmente, o próprio poder. O paciente, então, já não comparece como outro, mas sim como campo de validação narcísica do analista.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esse desvio costuma ser favorecido por uma outra confusão, também descrita por Jung: a identificação com a persona. Em vez de sustentar a função analítica como função, o sujeito passa a confundir-se com a imagem social e simbólica do analista. Jung diz que a persona é uma máscara da psique coletiva, um compromisso entre o indivíduo e a sociedade acerca daquilo que “alguém parece ser”: nome, título, ocupação, papel. Ela tem sua realidade funcional, mas não corresponde à individualidade essencial da pessoa. Quando alguém se identifica com ela, acredita ser aquilo que representa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No caso do analista, isso é especialmente delicado. Porque a função já é, por si mesma, socialmente investida de autoridade. O lugar do analista vem cercado de suposições de saber, profundidade, experiência e discernimento. Se esse lugar não for submetido continuamente ao crivo da própria análise, da supervisão e do confronto com a sombra, a persona profissional começa a endurecer e a perder a capacidade empática de experimentar a visão do paciente, mesmo quando não coincide com a própria. Aos poucos, o sujeito deixa de exercer a função de analista e passa a habitá-la egocentricamente. Já não trabalha como analista, mas torna-se “O Analista”. E aqui a máscara deixa de proteger a tarefa e começa a encobrir a pobreza interior que se forma e se nutre dessa dinâmica.</p>



<h2 id="h-jung-adverte-que-ao-dissolver-a-persona-descobre-se-que-aquilo-que-parecia-individual-era-em-grande-medida-coletivo" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Jung adverte que, ao dissolver a persona, descobre-se que aquilo que parecia individual era, em grande medida, coletivo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Isso vale também para a “imagem do analista experiente”, “sábio”, “iniciado”, “profundo”. Tudo isso pode ser apenas persona neurótica. Quando não há trabalho interior suficiente, a persona profissional torna-se o disfarce elegante de uma imaturidade não elaborada. O sujeito sustenta uma linguagem sofisticada, uma doutrina refinada, uma posição social reconhecida — até mesmo uma relação de poder formal já consolidada —, mas internamente continua tomado por necessidades infantis de validação, centralidade, indispensabilidade e poder.</p>



<h2 id="h-e-nesse-ponto-que-a-questao-etica-se-torna-inseparavel-da-questao-simbolica-porque-nao-se-trata-apenas-de-nao-cometer-infracoes-trata-se-de-nao-se-desviar-estruturalmente-da-funcao" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">É nesse ponto que a questão ética se torna inseparável da questão simbólica. Porque não se trata apenas de “não cometer infrações”. Trata-se de não se desviar estruturalmente da função.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O setting analítico exige uma renúncia muito específica: a renúncia a ocupar, para o outro, o lugar de verdade última. O analista precisa suportar ser importante sem se tornar absoluto. Ser investido sem tomar posse do investimento. Ser necessário em certos momentos sem concluir, por isso, que é indispensável.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung oferece uma formulação particularmente fecunda quando diz que, na prática, o analista adequadamente treinado se faz de “função transcendente” temporária para o paciente (JUNG, 2013a, p. 18-19), ajudando-o a unir consciência e inconsciente e a alcançar uma nova atitude. Isso é muito diferente de ser o destino do outro. A função transcendente é mediação entre opostos, não é apropriação da alma alheia. O analista ocupa provisoriamente uma função de ponte, de apoio, de continente, para que o paciente possa se relacionar mais amplamente com a própria psique. Porém, quando ele se instala nesse lugar como proprietário, a mediação colapsa e vira dependência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O problema, então, não é a importância do analista. Negar isso seria ingenuidade. O problema é o que ele faz com essa importância inerente. Se ele não suporta a própria limitação, tenderá a transformar a transferência em prova de valor pessoal. Se não tolera a própria falta, precisará que o analisando permaneça vinculado, agradecido, convencido e dependente, mesmo quando a resposta imposta sobre si não reverbera com sua realidade psíquica ou até mesmo realidade concreta. Se ele não trabalha a própria sombra, qualquer ruptura será vivida como ofensa narcísica, distanciando-se, assim, do seu próprio curador ferido. E então o que deveria ser lido simbolicamente — interrupção, resistência, recusa, afastamento necessário ou mudança de rumo — passa a ser vivido pessoalmente como abandono, desautorização, afronta ou traição.</p>



<h2 id="h-nesse-contexto-acredito-que-existem-dois-perfis-recorrentes-dessa-distorcao-na-clinica-analitica-e-no-contexto-das-formacoes-de-analistas-nos-varios-institutos-junguianos-existentes-hoje-acredito-ser-necessario-aprofunda-los" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Nesse contexto, acredito que existem dois perfis recorrentes dessa distorção na clínica analítica, e, no contexto das formações de analistas nos vários institutos junguianos existentes hoje, acredito ser necessário aprofundá-los:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O primeiro é o profissional mais imaturo, frequentemente ainda sustentado por uma persona de saber precocemente rígida — porque a rigidez traz determinado alívio em relação a insegurança e dúvida. Ele conhece conceitos, talvez tenha boa retórica, talvez já ocupe um lugar institucional — até como professor e/ou supervisor —, mas internamente ainda depende muito de reconhecimento externo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Por isso, embora afirme teoricamente que não sabe tudo sobre a psique alheia, reage afetivamente como se os analisandos devessem reconhecê-lo com esse saber. A saída de um paciente, a discordância de um supervisionando, a crítica de um colega ou a simples não adesão às suas formulações podem desencadear ressentimento, desqualificação ou retaliação velada ou direta, inclusive com exposição do afeto em lugares onde ocupa algum poder e não pode ser confrontado, ganhando uma ilusão de validação interna em suas distorções. Aqui, como pode-se notar, <strong>a fragilidade egóica se protege por meio da linguagem do saber</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O segundo perfil é mais difícil de perceber justamente porque costuma vir acompanhado de trajetória, prestígio e experiência. Trata-se do analista que, ao longo dos anos, vai deixando de se submeter ao próprio processo e começa a falar a partir de uma posição já não interrogada. A dúvida diminui, a autorreflexão empobrece, a teoria vira armadura, e o sujeito passa a operar como se estivesse em um ponto de vista mais alto, como se fosse o exemplo claro de “inconsciente que se realiza” — e aqui faço óbvia referência a como Jung teoricamente se descreve na deformada biografia <em>Memórias, sonhos, reflexões </em>(JUNG, 2016, p. 25), que estudiosos como o Sonu Shamdasani afirmam ter sido editada posteriormente com o intuito de criar uma imagem de Jung como uma figura quase “profética” ou “sábio espiritual”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">De toda forma, em certos casos de inflação psíquica, Jung afirma que é possível observar o aspecto daquilo que ele chamou de personalidade-mana (JUNG, 2015, p. 118): a figura que acredita estar investida de um poder especial, de uma autoridade quase mágica, fascinante e superior. E mesmo quando ele não se nomeia assim, o campo relacional denuncia a presença dessa inflação. Há excesso de reverência e referência a si mesmo, pouca possibilidade de discordância, grande assimetria simbólica e uma atmosfera em que o analista parece mais interessado em conservar o lugar que ocupa do que em favorecer a autonomia do outro. Assim, não resta mais nada ao analisando a não ser orbitar o analista, quando o trabalho deveria favorecer uma relação mais ampla do analisando com o próprio centro psíquico e com o desenvolvimento da autonomia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E, vale ressaltar, algo ainda mais perigoso acontece quando esses dois perfis se encontram — por exemplo, um analista mais velho, já inflado por sua posição, atendendo um mais jovem, em formação ou sem tanta experiência, ainda vulnerável à fascinação pela autoridade e pelo desejo de validação externa. Nesse caso, forma-se um campo particularmente propício à repetição da distorção que empobrece a formação na psicologia analítica e, consequentemente, esta como um todo. A experiência vira critério de verdade. O tempo de prática vira prova de legitimidade absoluta. A tradição vira escudo contra a crítica. E a formação, que deveria servir à ampliação da consciência e ao contato com a alma, pode se transformar em aparelho de reprodução de submissão, um desserviço à psicologia junguiana.</p>



<h2 id="h-nesses-contextos-o-que-mais-se-perde-e-precisamente-a-dimensao-analitica-da-experiencia-porque-analise-supoe-relacao-viva-com-o-nao-sabido" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Nesses contextos, o que mais se perde é precisamente a dimensão analítica da experiência. Porque análise supõe relação viva com o não sabido.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Supõe trabalho com símbolos, ambivalências, conflitos e limites. Supõe que nenhuma teoria, por mais preciosa que seja, substitui o encontro com aquilo que ainda não foi assimilado. Jung, em <em>A vida simbólica</em> (JUNG, 2012, p. 70-71)<em>, </em>insistiu que a psicoterapia não é um método simples, nem algo que possa ser aplicado estereotipadamente, mas um procedimento dialético, um diálogo entre duas pessoas. Quando o analista se esconde atrás do manto de uma doutrina para preservar prestígio e autoridade, ele trai a própria vida da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Daí decorre um ponto ético decisivo: o analista não tem o direito de usar a teoria para imunizar-se contra a alteridade do paciente. Pois a teoria deveria ampliar a escuta, não a deveria blindar. Deveria oferecer linguagem para o indizível, não servir de instrumento de submissão. Quando ela vira proteção egóica, o que resta já não é clínica no sentido profundo, mas administração de influência. É o exemplo claro do poder ocupando de maneira destrutiva um lugar que deveria ser do seu oposto, o amor.</p>



<h2 id="h-isso-toca-inclusive-diretamente-a-questao-da-confidencialidade" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Isso toca, inclusive, diretamente a questão da confidencialidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Explico: em sua última entrevista, no programa <em>Face to Face,</em> da BBC, conduzida por John Freeman em 1959, Jung, aos 83 anos, se recusou a compartilhar sonhos que Freud, falecido em 1939, lhe havia contado em um passado distante, antes de cortarem relações por discordâncias diversas. A justificativa dele foi simples e rigorosa: aquilo pertence à intimidade de quem confiou esse material e não deve ser divulgado. É preciso reforçar o óbvio: o que se compartilha em análise ou supervisão não é informação qualquer. É matéria psíquica confiada em condição de vulnerabilidade.</p>



<h2 id="h-mesmo-quando-o-analisando-ou-o-supervisionando-interrompe-o-processo-se-afasta-se-cala-ou-morre-esse-estatuto-nao-se-dissolve-o-material-clinico-nao-pertence-ao-analista-o-fato-de-te-lo-escutado-nao-lhe-da-posse-sobre-ele" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Mesmo quando o analisando ou o supervisionando interrompe o processo, se afasta, se cala ou morre, esse estatuto não se dissolve. O material clínico não pertence ao analista. O fato de tê-lo escutado não lhe dá posse sobre ele.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O setting implica uma assimetria fundada em confiança, e violá-la — de forma direta ou indireta — não é apenas um erro técnico ou uma indiscrição ética. É uma ruptura do símbolo que sustenta a própria situação analítica. Quando o analista, sem preservar o anonimato do analisando ou supervisionando, expõe, sugere, insinua ou tangencia o conteúdo clínico para obter elaboração pessoal, exibição teórica, coesão grupal ou prestígio simbólico, ele rebaixa o segredo do outro a instrumento de uso próprio. O que deveria ser guardado como expressão singular de uma alma é convertido em objeto de circulação egóica, despotencializando o processo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Por isso o analista precisa permanecer em trabalho constante com a própria sombra. A inflação não começa quando ele comete uma grande falta visível. Ela começa antes, em pequenos deslocamentos internos quase imperceptíveis: no prazer de ser procurado, na dificuldade de ser contrariado, na fantasia de excepcionalidade, na superioridade moral disfarçada de discernimento, no uso da teoria como arma, no gozo silencioso de ser central para alguém. Se isso não é reconhecido, um dia pode ser institucionalizado como estilo clínico.</p>



<h2 id="h-jung-foi-severo-ao-afirmar-que-a-individuacao-nao-autoriza-ninguem-a-retirar-se-da-coletividade-sem-produzir-valores-equivalentes-jung-2012-p-25" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Jung foi severo ao afirmar que a individuação não autoriza ninguém a retirar-se da coletividade sem produzir valores equivalentes (JUNG, 2012, p. 25). </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Pode-se transpor essa ideia à função analítica: nenhuma formação, nenhuma análise pessoal, nenhum reconhecimento e nenhuma experiência conferem licença para situar-se acima da crítica, da ética ou da alteridade. Ao contrário, quanto mais alguém ocupa um lugar de autoridade, mais precisa produzir um equivalente em humildade psíquica, responsabilidade simbólica e disponibilidade para o próprio exame. A autoridade analítica só se legitima quando aceita não coincidir consigo mesma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É por isso que a clínica exige uma ética mais radical do que a simples observância de regras. Exige uma posição interior. Exige que o analista permaneça em relação com o não-saber, com o limite, com a própria vulnerabilidade ao engano e com a alteridade irredutível do outro. Exige que ele renuncie ao gozo de ocupar o lugar de destino e aceite, mais modestamente e mais arduamente, ser apenas uma função importante em certa travessia que não lhe pertence.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando isso se mantém, a análise ainda pode conservar sua dignidade. O paciente encontra ali não um senhor de sua jornada, mas uma presença suficientemente trabalhada para não sequestrar seu processo. O analista, por sua vez, não se torna menor por isso. Ele se torna mais confiável, e isso fortalece o processo. Porque só quem não precisa ser o centro pode realmente ajudar alguém a se aproximar do próprio centro.</p>



<h2 id="h-quando-essa-renuncia-falha-ja-nao-estamos-diante-de-uma-analise-propriamente-dita-mas-de-suas-deformacoes-possiveis-sugestao-sofisticada-dependencia-erotizada-captura-transferencial-doutrinacao-simbolica-ou-manipulacao-com-verniz-teorico" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Quando essa renúncia falha, já não estamos diante de uma análise propriamente dita, mas de suas deformações possíveis: sugestão sofisticada, dependência erotizada, captura transferencial, doutrinação simbólica ou manipulação com verniz teórico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para deixar bem claro, o risco, portanto, é estrutural, e não apenas erro técnico do analista, como quem aplica mal um conceito, interpreta precipitadamente ou conduz inadequadamente uma sessão. A questão aqui levantada não é algo resumido ao manejo, ao método, ao enquadre, à prática profissional em sentido mais operacional. Quando eu digo que o risco é estrutural, estou dizendo que o problema atinge a própria estrutura da posição analítica. Ou seja, mexe no fundamento do trabalho, na forma como o analista se coloca diante do analisando, do saber, do poder, da transferência e do mistério da psique.</p>



<h2 id="h-em-outras-palavras-se-o-analista-comeca-a-ocupar-o-lugar-de-dono-do-processo-de-autoridade-ultima-de-referencia-absoluta-o-que-se-corrompe-nao-e-apenas-uma-intervencao-aqui-ou-ali-o-que-se-corrompe-e-o-proprio-vinculo-analitico" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Em outras palavras: se o analista começa a ocupar o lugar de dono do processo, de autoridade última, de referência absoluta, o que se corrompe não é apenas uma intervenção aqui ou ali. O que se corrompe é o próprio vínculo analítico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A análise deixa de ser análise na sua base. Ela pode até continuar parecendo análise por fora — com setting, linguagem sofisticada, interpretações, supervisão, teoria —, mas por dentro já está organizada por outra lógica: narcisismo, poder, sugestão, submissão e dependência. E isso tudo deve ser visto sem complacência e com rigor, sobretudo dentro dos próprios meios analíticos — principalmente entre analistas em formação, analistas didatas, institutos junguianos, escolas de formação, grupos de supervisão e círculos clínicos em geral. Porque é nesses meios que muitas vezes surge uma blindagem: o abuso simbólico pode ser encoberto por linguagem técnica, o autoritarismo pode ser confundido com profundidade, e a inflação pode ser confundida com maturidade ou experiência. E, nesses casos, não há dúvida alguma: quem perde verdadeiramente é a psicologia analítica e, ainda, todos aqueles que confiam nela como caminho de autoconhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/leandroscapellato/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/leandroscapellato/">Leandro Scapellato – Analista em formação/IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi – Analista Didata/IJEP</a></strong></p>



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<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:18px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique</em>. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">_________________. <em>A prática da psicoterapia</em>. 16. ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">_________________. <em>A vida simbólica. </em>Vol. 2. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2012q.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">_________________. <em>Face to Face</em>: entrevista com Carl Gustav Jung. Entrevista concedida a John Freeman. BBC Television, 1959. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=x5VXNeXw648">https://www.youtube.com/watch?v=x5VXNeXw648</a>. Acesso em: 23 mar. 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">_________________. <em>O eu e o inconsciente</em>. 27. ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">_________________. <em>Psicologia do inconsciente</em>. 24. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">_________________. <em>Memórias, sonhos, reflexões</em>. Org. Aniela Jaffé. 33. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">SHAMDASANI, Sonu. <em>Jung Stripped Bare by His Biographers, Even</em>. London: Karnac Books, 1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>O Olhar que Cria e o Olhar que Destrói: Os Efeitos Pigmaleão e Golem na Clínica e na Vida</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-olhar-que-cria-e-o-olhar-que-destroi-os-efeitos-pigmaleao-e-golem-na-clinica-e-na-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Monica Martinez]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 10:42:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[análise junguiana]]></category>
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		<category><![CDATA[Psique]]></category>
		<category><![CDATA[sombra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O olhar que recebemos pode expandir a vida psíquica — ou restringi-la. Neste artigo, exploramos como as expectativas do outro moldam profundamente a experiência humana, articulando dois conceitos da psicologia social: o Efeito Pigmaleão, que eleva, e o Efeito Golem, que rebaixa. A partir de mitos, pesquisas clássicas e da clínica junguiana, refletimos sobre o poder criativo ou destrutivo do olhar que incide sobre o sujeito. No setting analítico, essa dinâmica se manifesta na forma como o terapeuta sustenta — ou limita — a emergência do Self. Enquanto o olhar pigmaleônico favorece o florescimento da potência psíquica, o olhar golem pode cristalizar defesas, sintomas e identificações empobrecidas. O texto convida, assim, a uma pergunta ética e clínica fundamental: que imagem ajudamos a esculpir no outro — e em nós mesmos? Afinal, o olhar que reconhece o “suficientemente bom” não apenas vê: ele cria condições para que a vida se torne mais inteira.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: O olhar que recebemos pode expandir a vida psíquica — ou restringi-la. Neste artigo, exploramos como as expectativas do outro moldam profundamente a experiência humana, articulando dois conceitos da psicologia social: <strong>o Efeito Pigmaleão, que eleva, e o Efeito Golem, que rebaixa</strong>. A partir de mitos, pesquisas clássicas e da clínica junguiana, refletimos sobre o poder criativo ou destrutivo do olhar que incide sobre o sujeito. No setting analítico, essa dinâmica se manifesta na forma como o terapeuta sustenta — ou limita — a emergência do Self. Enquanto o olhar pigmaleônico favorece o florescimento da potência psíquica, o olhar golem pode cristalizar defesas, sintomas e identificações empobrecidas. O texto convida, assim, a uma pergunta ética e clínica fundamental: <strong>que imagem ajudamos a esculpir no outro</strong> — e em nós mesmos? Afinal, o olhar que reconhece o “suficientemente bom” não apenas vê: ele cria condições para que a vida se torne mais inteira.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na jornada da individuação, o campo analítico presta atenção à psicodinâmica junguiana (2012), buscando tornar conscientes complexos internos — como o parental — e sombras, com suas riquezas e pobrezas. Ainda assim, grande parte das demandas que emergem no setting terapêutico diz respeito à experiência de não ter sido verdadeiramente visto, ouvido ou acolhido, revelando que o sofrimento humano também nasce da qualidade do olhar que recebemos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Partindo dessa constatação, propomos aprofundar uma reflexão essencial: somos moldados não apenas pela arquitetura interna da psique, mas também pelas expectativas que o outro projeta sobre nós — e que, inevitavelmente, passamos a projetar sobre nós mesmos. Nesse sentido, dois conceitos da psicologia social ilustram com precisão esse movimento criativo ou destrutivo: o Efeito Pigmaleão e o Efeito Golem.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-forca-de-pigmaleao-a-profecia-que-eleva" style="font-size:22px"><strong>A Força de Pigmaleão: A Profecia que Eleva</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O Efeito Pigmaleão, também chamado de Profecia Autorrealizável, descreve como expectativas positivas podem elevar o desempenho de alguém. Quando se acredita no potencial de uma pessoa, o comportamento naturalmente se ajusta para facilitar que esse potencial floresça.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O mito de <em>Pigmaleão </em>narra o amor do escultor por sua criação, Galateia, a quem Afrodite concede vida. Essa metáfora, transposta para a ciência por <strong>Rosenthal</strong> e <strong>Jacobson</strong> (1968), inspirou um experimento marcante: alunos de uma escola primária na Califórnia fizeram um teste de QI no início do ano. Os pesquisadores informaram aos professores que 20% das crianças haviam obtido resultados excepcionalmente altos e que, portanto, deveriam demonstrar grande avanço acadêmico. Apenas os docentes receberam essa informação; os alunos não.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No término do ano letivo, todas as crianças refizeram o teste — e aqueles 20% apresentaram progresso significativamente maior. Contudo, esse grupo havia sido escolhido aleatoriamente: não eram mais capazes; foram apenas percebidos como tal. Os pesquisadores concluíram que, ao acreditarem que certas crianças teriam desempenho superior, os professores passaram a tratá-las de forma mais encorajadora, receptiva e estimulante, criando um clima de confiança e entusiasmo que colaborou diretamente para seu desenvolvimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na clínica junguiana, essa dinâmica ecoa a postura do analista ao enxergar o “Ouro na Sombra”. Ao sustentar a crença na capacidade autorreguladora da psique, o terapeuta funciona como um Pigmaleão que empresta estrutura para que o Self possa emergir com maior vitalidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-efeito-golem-o-barro-da-desvalorizacao" style="font-size:22px"><strong>O Efeito Golem: O Barro da Desvalorização</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Se Pigmaleão é a profecia que eleva, o Efeito Golem é o seu &#8220;gêmeo sombrio&#8221;, representando a profecia que rebaixa. Expectativas negativas podem ser tão influentes quanto as positivas — porém, produzindo queda real em sua autoestima e segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O termo remete à lenda judaica do Golem de Praga: um ser de barro trazido à vida por um rabino para proteger a comunidade. Embora tenha sido criado para o bem, o Golem é uma criatura sem alma, bruta e puramente obediente, que acaba se tornando destrutiva e incontrolável.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-referencia-lembra-nos-de-que-expectativas-empobrecidas-criam-versoes-igualmente-empobrecidas-do-outro" style="font-size:19px">A referência lembra-nos de que expectativas empobrecidas criam versões igualmente empobrecidas do outro.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Quando alguém é observado com desconfiança ou baixa expectativa, tende a incorporar essa imagem como verdade. Em consequência, cristaliza defesas e contrai sua capacidade criativa</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O estudo <em>Pygmalion, Galatea, and the Golem</em> (Babad, Inbar e Rosenthal, 1982) mostrou que professores mais suscetíveis ao viés tratavam como menos capazes os alunos considerados de baixo potencial, ao passo que favoreciam aqueles vistos como promissores — mesmo quando essa distinção era inventada. Os efeitos Golem foram especialmente evidentes entre docentes mais dogmáticos, enquanto professores imparciais mantiveram tratamento equilibrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na clínica, <strong>o Golem aparece de formas sutis:</strong> o terapeuta oferece menos tempo para respostas, reage mais aos erros do que aos acertos, reduz desafios por acreditar que o analisando “não dará conta” ou fixa-se excessivamente nos sintomas, ignorando a saúde latente. Se o analista enxerga apenas patologia, por exemplo, o paciente tende a identificar-se com a doença. Quando o analisando percebe — mesmo inconscientemente — que está sendo visto como incapaz, pode passar a agir segundo essa imagem, confirmando o preconceito inicial. Por outro lado, quando o terapeuta sustenta a visão da potência vital, ajuda o indivíduo a acessar recursos internos que talvez estejam adormecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Simbolicamente, o Efeito Golem pode manifestar-se também como o Crítico Interno implacável, que converte o “vinho da vida” em algo sem valor, impedindo o indivíduo de habitar plenamente sua existência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-responsabilidade-do-olhar" style="font-size:22px"><strong>A Responsabilidade do Olhar</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esse mecanismo pode ser resumido em quatro etapas: o que acreditamos sobre alguém determina como agimos em relação a essa pessoa; nossas ações influenciam diretamente seu comportamento; a resposta do outro retroalimenta nossas crenças iniciais; e assim criamos um ciclo que pode expandir ou limitar a vida psíquica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-o-analista-junguiano-reconhecer-essa-dinamica-amplia-a-consciencia-da-cotransferencia-e-das-manifestacoes-contratransferenciais" style="font-size:19px">Para o analista junguiano, reconhecer essa dinâmica amplia a consciência da cotransferência e das manifestações contratransferenciais.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É crucial perguntar: estamos atuando como Pigmaleão, invocando vida, ou como Golem, endurecendo a psique do outro com nossas projeções? A noção winnicottiana de “suficientemente bom” torna-se essencial, pois quando o terapeuta sustenta essa medida justa, permite que a realidade psíquica se reorganize rumo à totalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O maior perigo, portanto, não é o fracasso, mas a desvalorização do “suficientemente bom”. O Efeito Golem também pode ser dirigido a si mesmo — o Autogolem — quando o próprio terapeuta minimiza seus avanços por compará-los a um ideal inalcançável.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Devemos nos perguntar continuamente: que “estátua” estamos ajudando nossos analisandos a esculpir? Estamos oferecendo o olhar de Pigmaleão (potência) ou de Golem (insuficiência)? Nosso olhar abre caminhos ou restringe possibilidades? Como terapeutas, também somos humanos e carregamos limites que precisam ser elaborados em análise e supervisão. Reconhecer esses limites permite, inclusive, encaminhar analisandos quando necessário, garantindo que recebam o olhar mais apropriado à sua jornada.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: O Olhar que Cria e o Olhar que Destrói: Os Efeitos Pigmaleão e Golem na Clínica e na Vida" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/VYqlhntsjfQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/monicamartinez/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/monicamartinez/">Monica Martinez &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:17px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Babad, E. Y., Inbar, J., &amp; Rosenthal, R. Pygmalion, Galatea, and the Golem: Investigations of biased and unbiased teachers.&nbsp;<strong>Journal of Educational Psychology</strong><em>, 74</em>(4), 459–474, 1982.&nbsp;Disponível em: <a href="https://psycnet.apa.org/doi/10.1037/0022-0663.74.4.459" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.1037/0022-0663.74.4.459</a>. Acesso em: 12 fev. 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>A natureza da psique (OC 8/2)</strong>. 9. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rosenthal, R., Jacobson, L. Pygmalion in the classroom.&nbsp;<strong>Urban Rev</strong>&nbsp;3, 16–20, 1968. Disponível em: <a href="https://doi.org/10.1007/BF02322211">https://doi.org/10.1007/BF02322211</a>. Acesso em: 12 fev. 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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		<title>Transferência, contratransferência e projeções na análise junguiana e na formação de membros analistas do IJEP</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/transferencia-contratransferencia-e-projecoes-na-analise-junguiana-e-na-formacao-de-membros-analistas-do-ijep/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jul 2022 12:31:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Persona e Sombra]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[Contratransferência]]></category>
		<category><![CDATA[Formação de Analista]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Transferência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Infelizmente, ainda vemos muitos analistas junguianos tomados pelo medo da transferência no contexto psicoterapêutico, empoleirados em suas gaiolas douradas, defendidos com títulos e teorias, apesar de estarem sofrendo, por serem incapazes para o encontro entre almas, que é libertador e curador. Acredito que a razão para isso deve ser a tentativa de institucionalização do fazer da alma, onde os conselhos de classe ou entidades de formação tentam formalizar, regular e limitar essa relação única, que deveria ser livre, expressiva e criativa, num ambiente seguro e amoroso. Outra possibilidade para esse desastre relacional, que replica o atual momento de vazio e liquidez, deve ser pela influência da psicanálise freudiana, ainda presente no universo da Psicologia, que patologiza a transferência e/ou do atual modelo desta medicina da sociedade de consumo, que mercantilizou e expropriou a saúde da vida cotidiana, impondo padrões de controle e segurança, com protocolos e registros para a relação humana entre médico e paciente.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Infelizmente, ainda vemos muitos analistas junguianos tomados pelo medo da transferência no contexto psicoterapêutico, empoleirados em suas gaiolas douradas, defendidos com títulos e teorias, apesar de estarem sofrendo, por serem incapazes para o encontro entre almas, que é libertador e curador. Acredito que a razão para isso deve ser a tentativa de institucionalização do fazer da alma, onde os conselhos de classe ou entidades de formação tentam formalizar, regular e limitar essa relação única, que deveria ser livre, expressiva e criativa, num ambiente seguro e amoroso. Outra possibilidade para esse desastre relacional, que replica o atual momento de vazio e liquidez, deve ser pela influência da psicanálise freudiana, ainda presente no universo da Psicologia, que patologiza a transferência e/ou do atual modelo desta medicina da sociedade de consumo, que mercantilizou e expropriou a saúde da vida cotidiana, impondo padrões de controle e segurança, com protocolos e registros para a relação humana entre médico e paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As projeções, a transferência e a contratransferência, são realidades que acontecem em qualquer relação, porque não existe evento livre da influência de um mero observador. Até a mecânica quântica confirma isso nesta citação de Niels Bohr (1885-1962) e colaboradores:&nbsp;&#8220;É impossível alcançar um conhecimento totalmente objetivo da realidade. A subjetividade do observador e as condições observacionais influenciam o fenômeno observado&#8221;.&nbsp;Carl Jung, sabia e vivenciava isso, respaldado pelas correspondências que teve com Robert Oppenheimer, orientador de Bohr. As influências desses conhecimentos contribuíram para a consolidação das teorias do aspecto psicóide do inconsciente, da sincronicidade e do modelo de relação transferencial, bilateral, que acontece no setting analítico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A meu ver, a&nbsp;CO-TRANSFERÊNCIA&nbsp;é a resultante do processo relacional que acontece no encontro analítico. Esse deveria ser o termo que Jung queria usar, ao afirmar que essas questões são inevitáveis e bidirecionais. Na realidade, o processo analítico depende desse campo de transformação (das projeções bilaterais com suas transferências e contratransferências), que acontecem dentro de um vaso alquímico contratual, com efeitos mutuamente transformadores, levando a ambos para a imagem arquetípica da&nbsp;coniunctio, o casamento alquímico. Na psicologia analítica o contato é cara a cara, as reações do analista são parte integrante e importante do processo. Por isso sempre afirmo que enquanto Freud trabalhava a transferência, Jung trabalhava&nbsp;NAtransferência!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Projeção e transferência são fenômenos naturais vividos em toda relação. As projeções são frequentemente os suportes de uma relação humana. Aprendi que é um perigo sério fechar-se dentro deste jogo. Só temos a ganhar com a desmistificação da relação analítica, porque ela escraviza tanto o analista como o analisando. [&#8230;] quando o terapeuta se humaniza na relação com o outro, este tem a possibilidade de se abrir e de viver seu desenvolvimento (BONAVENTURE, 1985, p. 86).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabemos que Jung se debateu diante desse tema, mas também sabemos que ele teve uma relação absolutamente íntima com a maioria dos seus clientes que se tornaram analistas. Lembro que li um relato da Von Franz, a respeito da &#8220;pressão&#8221; que Jung fez para ela começar a escrever, sugerindo temas e depois revisando suas produções, até que ela se tornou, depois de Jung, a analista junguiana com maior produção escrita. Esse foi o caminho da formação dos primeiros junguianos, muita proximidade, intimidade, profundidade, exposição de sombra e, obviamente o grande encontro da alma! Como Jung escreveu na sua autobiografia, o anseio de tornarmo-nos completos é o mais forte impulso humano, e está oculto atrás da paixão mais profunda da transferência, na qual: &#8220;Eros, como um&nbsp;kosmogonos,&nbsp;criador e pai-mãe de toda a consciência, nos faz encontrar o maior e o menor, o mais remoto e o mais próximo, o mais elevado e o mais baixo, e não podemos discutir um lado sem discutir o outro, até conseguir baixar os braços e chamar o desconhecido pelo mais desconhecido, ou seja, pelo nome de Deus&#8221; (JUNG, in Memórias, Sonhos e Reflexões pp. 353-54). Por isso ele afirma o caráter paradoxal e ambivalente:</p>



<p class="wp-block-paragraph">A transferência pode ser comparada a aqueles medicamentos que para uns são remédio e, para outros, puro veneno [&#8230;] certos casos uma mudança para melhor, em outros, um entrave, um peso, ou coisa pior, e num terceiro caso, finalmente, pode ser relativamente irrelevante. Entretanto, é quase sempre um fenômeno crítico que brilha nas mais diversas cores, e a sua ocorrência é tão significativa quanto sua não ocorrência. (JUNG, CW 16/2 § 47).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Creio que, para o analisando, a experiência da transferência é muito importante, e não consigo visualizar em que poderia ser prejudicial o analista discutir sua produção, seu trabalho, sua identificação política e até religiosa, levando em conta o porquê, o para quê, o de onde e o para onde caminha sua vida e se está alinhada com o seu chamado ou servir existencial. Essa reflexão não tem caráter policialesco ou de patrulhamento ideológico, mas irá possibilitar que as crenças do analisado sejam revisitadas, porque são elas as portadoras do destino. O conjunto de crenças podem salvar e curar ou danar e adoecer. Por isso, o encontro do ego com o si mesmo é restaurador e desperta a ética, tão necessária na nossa atualidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fato de o paciente transmitir ao médico um conteúdo ativado do inconsciente também constela neste último o material inconsciente correspondente, através da ação indutiva regularmente exercida em maior ou menor grau pelas projeções. Médico e paciente encontram-se assim numa relação fundada na inconsciência mútua. (JUNG, CW 16/2 § 59).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, no final de sua vida, afirmou que a questão transferencial na análise exige que os conflitos pessoais de amor e ódio, de desejo e medo devem ser trabalhados redutiva e casualmente, de forma que o indivíduo possa ficar ciente das influências que o determinam, mas também incluir o valor prospectivo sintético ou objetivo nessa redução. Porque a transferência, que pode ser considerada negativa, geralmente representa tanto a projeção dos conflitos infantis do analisando, quanto a necessidade de libertar-se dos vínculos com as imagos parentais, e sua superação é o primeiro passo para o caminho de autonomia rumo a evolução individual. &nbsp;Quando são trabalhadas as etapas malsucedidas dos primeiros estágios da vida, surge a possibilidade da separação destas identificações inconscientes com os valores parentais, e o caminhar para a idade adulta. Com isso, a transferência predispõe à união do ego com a alma, porque essas projeções entre analista e analisando são arquetípicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hillman traz a ideia do espaço necessário ao erro na análise, por ser impossível qualificar, neste contexto, o que seja certo ou errado. A imposição de sucesso, geralmente estimulando os analisandos a irem para fora e para frente nas suas conquistas materiais, não leva em conta que sucesso e fracasso podem não ser polos opostos de uma planilha cartesiana, porque toda análise é fracasso e sucesso ao mesmo tempo. O analista pode se permitir o erro, porque certo e errado coexistem compensatoriamente, assim como a transferência e a contratransferência, que orienta e desorienta, mas possibilita a expansão do ego, rumo à dimensão anímica e espiritual de ambos os envolvidos. Nessa dimensão, podemos aprender e ensinar que todo engano da vida, nossa fraqueza, nossos erros, incluindo o processo analítico, antes de serem reparados, racionalizados, interpretados, explicados, podem ser os caminhos para a experiencia do fracasso, o ressignificar das crenças e valores, na forma de mensagens do mundo das sombras, que nos impõe a falha para que possamos adentrar, conscientemente, no processo de individuação. Esse é o fluir da vida, por isso que Rubem Alves, no auge de sua sabedoria e idade, afirmou que a vida dele foi o resultado de tudo aquilo que ele planejou e fracassou. Desta forma, a possibilidade da falha do analista alivia o medo da falha do analisando, vivenciando seus descaminhos de maneira mais natural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, os analistas que ainda alimentam a fantasia de sucesso e, obviamente, medo do fracasso, estão em contínuo mal-estar! É uma ilusão acreditar que alguém possa entender, saber, julgar e auxiliar o outro, separado e sem ser afetado por ele. Somente unido por um laço amoroso com o outro, pensando e sofrendo a situação que ele vivencia, é que podemos, empaticamente, ajudar e crescer junto com ele. Obviamente, para isso, o analista tem que descer do salto e de sua gaiola dourada, assumir sua sombra, desconstruir sua persona profissional baseada em normas, protocolos, burocracias e rotinas profanas, que servem apenas para protegê-lo e encobrir suas inseguranças, medos e incertezas, e construir consciente e consequentemente sua nova persona, que obviamente terá certa assimetria ascendente diante do seu analisando, mas completamente envolta de coragem, ação do amor, humildade, certeza e fé na potencialidade curativa do Self.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estas são as razões que para a formação de membros analistas do IJEP, além do curso de especialização, exigimos horas de supervisão e de análise com membros didatas. E a supervisão deve ser exclusivamente de discussão de casos. Nas horas de supervisão não pode haver desvios como estudos de teoria, leitura de livros ou discussão da produção escrita dos supervisionados, porque a função do supervisor é a de um revisor do atendimento clínico do supervisionado, aquele que irá visitar novamente o atendimento do supervisionado, para ampliar a visão do caso, orientar e validar a prática clínica do supervisionado, de acordo com a teoria e práxis da psicologia analítica, por conta da sua experiência e superioridade hierárquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, o analista didata precisa estar consciente destas identificações projetivas e ter muito cuidado para não assumir papeis reativos e defensivos, sempre atento ao aspecto sombrio e aos complexos do analisando que podem estar sendo constelados ou projetados. O filho desperta o pai ou a mãe; a vítima o algoz; o aluno o professor; a criança o cuidador; o incompetente o arrogante; e assim por diante. É um desafio para ambos, manter a relação analítica sem tanta influência das contaminações, porque além da análise propriamente dita, como a proposta inclui o aspecto didático, dará espaço para o processo pedagógico da formação do novo analista, incluindo além das questões redutivas causais e prospectivas sintéticas, a capacitação do futuro analista, ajudando-o nas produções escritas e na sua evolução profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BONAVENTURE, Leon. Entrevista. In: PORCHAT, Ieda. &amp; BARROS, Paulo. Ser</p>



<p class="wp-block-paragraph">HILLMAN, James. Estudos de psicologia arquetípica. Rio de Janeiro: Achiamé, 1981.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. (CW 16/2). Ab-reação, análise dos sonhos, transferência. Ed. Vozes</p>



<p class="wp-block-paragraph">WALDEMAR MAGALDI FILHO. Psicólogo, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática e Homeopatia. Mestre e doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: &#8220;Dinheiro, Saúde e Sagrado&#8221;, Ed. Eleva Cultural, coordenador dos cursos de especialização em Psicologia Junguiana, Psicossomática, Arteterapia e Expressões Criativas do IJEP (www.ijep.com.br), oferecidos em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.</p>
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