<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos crise do masculino - Blog IJEP</title>
	<atom:link href="https://blog.ijep.com.br/tag/crise-do-masculino/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/crise-do-masculino/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Wed, 07 Oct 2026 13:37:16 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.1.3</generator>

<image>
	<url>https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-logo-ijep-32x32.png</url>
	<title>Arquivos crise do masculino - Blog IJEP</title>
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/crise-do-masculino/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>O Labirinto do Homem Moderno: Uma Análise Junguiana sobre a Crise do Masculino</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-labirinto-do-homem-moderno-uma-analise-junguiana-sobre-a-crise-do-masculino/</link>
					<comments>https://blog.ijep.com.br/o-labirinto-do-homem-moderno-uma-analise-junguiana-sobre-a-crise-do-masculino/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mauro Angelo Soave Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2026 13:37:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Masculinidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[contemporaneidade]]></category>
		<category><![CDATA[crise do masculino]]></category>
		<category><![CDATA[homem]]></category>
		<category><![CDATA[masculino]]></category>
		<category><![CDATA[ser homem hoje]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=13992</guid>

					<description><![CDATA[<p>O artigo propõe uma leitura junguiana da "crise do homem" contemporâneo, entendida como enantiodromia diante do colapso de papéis de gênero rígidos. Argumenta-se que a confusão entre o arquétipo do masculino e suas performances sociais gera um enrijecimento identitário que bloqueia o diálogo com a Ânima, alimentando tanto movimentos reacionários (RedPills, Incels, MGTOW) quanto violência de gênero e exploração ambiental — projeções do feminino reprimido. Propõe-se a distinção entre o homem "Estruturado" (ego rígido e quebradiço) e o "Estruturante" (que integra sombra e fragilidade), defendendo que a superação da crise é um processo individual de individuação, não coletivo ou político.  </p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-labirinto-do-homem-moderno-uma-analise-junguiana-sobre-a-crise-do-masculino/">O Labirinto do Homem Moderno: Uma Análise Junguiana sobre a Crise do Masculino</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: O artigo propõe uma leitura junguiana da &#8220;crise do homem&#8221; contemporâneo, entendida como enantiodromia diante do colapso de papéis de gênero rígidos. Argumenta-se que a confusão entre o arquétipo do masculino e suas performances sociais gera um enrijecimento identitário que bloqueia o diálogo com a Ânima, alimentando tanto movimentos reacionários (RedPills, Incels, MGTOW) quanto violência de gênero e exploração ambiental — projeções do feminino reprimido. Propõe-se a distinção entre o homem &#8220;Estruturado&#8221; (ego rígido e quebradiço) e o &#8220;Estruturante&#8221; (que integra sombra e fragilidade), defendendo que a superação da crise é um processo individual de individuação, não coletivo ou político.  </p>



<h2 id="h-a-crise-do-homem-contemporaneo-nao-se-manifesta-isolada-mas-como-uma-enantiodromia-inevitavel-a-tendencia-de-um-principio-psiquico-de-se-transformar-em-seu-oposto-quando-levado-ao-extremo" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A &#8220;crise do homem&#8221; contemporâneo não se manifesta isolada, mas como uma enantiodromia inevitável — a tendência de um princípio psíquico de se transformar em seu oposto quando levado ao extremo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Estamos diante de um subproduto necessário de um mundo em transição, onde os antigos papéis e definições colapsam sob o peso de sua própria rigidez histórica. Compreender este fenômeno não é apenas um exercício acadêmico, mas um imperativo estratégico para um olhar crítico ao espírito da época, aos movimentos coletivos e à alma dos homens contemporâneos. A crise não reside no &#8220;masculino&#8221; enquanto arquétipo universal, que permanece imutável em sua essência, mas na manifestação individual e coletiva do homem que, despojado de suas bússolas tradicionais, oscila entre a nostalgia agressiva e a paralisia identitária.</p>



<h2 id="h-para-evitar-as-simplificacoes-que-dominam-o-debate-publico-a-psicologia-analitica-exige-que-separemos-os-principios-energeticos-das-performances-sociais-e-biologicas-a-confusao-entre-esses-dois-planos-gera-um-enrijecimento-identitario-que-impede-o-homem-moderno-de-lidar-com-sua-pluralidade-interna" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Para evitar as simplificações que dominam o debate público, a psicologia analítica exige que separemos os princípios energéticos das performances sociais e biológicas. A confusão entre esses dois planos gera um enrijecimento identitário que impede o homem moderno de lidar com sua pluralidade interna.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A incapacidade de diferenciar a essência arquetípica da máscara social faz com que o homem confunda &#8220;força&#8221; com &#8220;dureza&#8221;. Ao identificar-se exclusivamente com a dureza, ele se torna incapaz de acessar sua pluralidade interna, suas águas profundas e emocionais onde vivem as imagens da <em>anima</em>. Assim ego rígido (e frágil) se quebra diante da complexidade emocional principalmente interna, já que a externa ele enfrenta com a persona social da dureza. Esta enantiodromia do espírito nos conduz diretamente da abstração teórica para a realidade amarga da desvalorização do feminino.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>James Hollis</strong> (cf.1997) já apontava em seu livro “<em>Sob a Sombra de Saturno</em>”, para o aumento do número de homens em seu consultório, em comparação nas décadas anteriores, apresentando temas semelhantes em cada caso. Segundo o autor, ele percebeu que “a experiência coletiva dos homens é também parte inevitável da sua história pessoal”, coisa que as mulheres já haviam percebido há muito tempo (cf. p. 10).</p>



<h2 id="h-a-crise-atual-e-indissociavel-de-uma-mudanca-tectonica-na-postura-feminina-e-na-redefinicao-do-espaco-social" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A crise atual é indissociável de uma mudança tectônica na postura feminina e na redefinição do espaço social.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Observamos um fenômeno de polarização sociológica profundo e intrincado: enquanto mulheres jovens movem-se em direção a visões progressistas e liberais, observamos uma massa de homens jovens recuando para um conservadorismo defensivo e, por vezes, violento (cf. Gandra, 2025). Fazendo eco a Hollis, nossa intenção não é minimizar as feridas femininas, mas reconhecer a dívida com o feminino. Em um trecho forte Hollis (1997) aponta: “A não ser que os homens consigam emergir das trevas [seguindo o exemplo das mulheres, que lutaram contra a subjugação do coletivo], continuaremos a ferir tanto as mulheres quanto a nós mesmos (cf. p. 11).</p>



<h2 id="h-a-primazia-automatica-do-homem-na-sociedade-anteriormente-garantida-pelo-mero-nascimento-desvaneceu-ou-ao-menos-perdeu-boa-parte-de-sua-tonalidade" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A primazia automática do homem na sociedade, anteriormente garantida pelo mero nascimento, desvaneceu ou ao menos perdeu boa parte de sua tonalidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Sem o roteiro do privilégio, o homem sente-se exilado de um &#8220;paraíso&#8221; de segurança que nunca foi sustentável. As transformações sociais contemporâneas colocaram em xeque modelos tradicionais de masculinidade sustentados por privilégios patriarcais historicamente naturalizados. Nesse contexto, muitos homens vivenciam sentimentos de desorientação identitária e perda de referência simbólica (CONNELL; MESSERSCHMIDT, 2013; SILVA, 2006). Vale ressaltar que o direito de nascimento não é extinto, no seio de muitas famílias a prole masculina ainda tem a preferência, no entanto, já não se trata da regra.</p>



<h2 id="h-o-desprezo-milenar-pelo-sentir-e-pelo-acolher-yin-eros-e-a-centralidade-do-homem-como-referencia-em-diversos-ambitos-gerou-um-desequilibrio-que-agora-transborda" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">O desprezo milenar pelo &#8220;sentir&#8221; e pelo &#8220;acolher&#8221; (Yin/Eros) e a centralidade do homem como referência em diversos âmbitos gerou um desequilíbrio que agora transborda.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O ódio ao feminino interno manifesta-se externamente no que podemos chamar de &#8220;estupro de Gaia&#8221; — a exploração predatória da Terra e da mulher como meros objetos de consumo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando as mulheres evocam seu próprio masculino (Animus) para ocupar o mundo, o homem perde seu papel de &#8220;oposto absoluto&#8221;. Sentindo-se despojado, ele reage à autonomia feminina como uma invasão de território, em vez de uma oportunidade de integração.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A desvalorização histórica de atributos associados ao cuidado, à sensibilidade e à dimensão relacional contribuiu para a consolidação de modelos de masculinidade centrados no domínio, no controle e na racionalidade instrumental. Nesse contexto, a exploração predatória da natureza e a objetificação das mulheres podem ser compreendidas como expressões correlatas de uma lógica patriarcal de poder. Paralelamente, à medida que mulheres ocupam espaços historicamente restritos aos homens, muitos sujeitos masculinos vivenciam sentimentos de perda identitária e ameaça simbólica, reagindo à autonomia feminina como ruptura de uma ordem tradicional de gênero (CONNELL; MESSERSCHMIDT, 2013; SILVA, 2006; DUPUIS-DÉRI, 2018).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O medo da fragilidade pode ser compreendido, em grande medida, como medo do feminino, uma vez que a masculinidade tradicional foi historicamente estruturada pela negação de atributos associados à vulnerabilidade, ao cuidado e à sensibilidade. Como aponta Hollis (1997), a masculinidade vive a cultura do medo, muitos homens foram educados sob a exigência de afastamento de tudo aquilo culturalmente identificado como “não masculino”, desenvolvendo uma identidade defensiva sustentada pela repressão emocional e pela necessidade constante de validação viril. Nesse contexto, experiências de vulnerabilidade tendem a ser percebidas como ameaça à própria identidade masculina, favorecendo reações compensatórias marcadas pela rigidez, pela busca de controle e pela adesão a discursos coletivos que prometem restaurar modelos tradicionais de poder e pertencimento (HOLLIS, 1997).</p>



<h2 id="h-movimentos-de-resgate-e-a-nostalgia-do-enrijecimento" class="wp-block-heading" style="font-size:22px"><strong>Movimentos de &#8220;Resgate&#8221; e a Nostalgia do Enrijecimento</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung observa que períodos de intensa insegurança psíquica e transformação social favorecem movimentos coletivos regressivos, nos quais indivíduos fragilizados tendem a aderir a discursos simplificadores e estruturas rígidas de pertencimento como forma de compensar sentimentos de desorientação e perda de identidade (cf. JUNG, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Diante da angústia da perda de território identitário, surgem movimentos como &#8220;RedPills&#8221;, &#8220;Incels&#8221;, “MGTOW (Men Going Their Own Way)” e uma miríade de “cursos”, “imersões” e etc com o objetivo de resgatar o homem e a masculinidade. No entanto, ao buscar uma identidade forjada externamente, o homem aliena-se de sua própria verdade interna.</p>



<h2 id="h-a-busca-por-formulas-rigidas-e-condutas-militarescas-tenta-restaurar-o-homem-imbativel-e-uma-tentativa-de-forjar-o-carater-de-fora-para-dentro-ignorando-que-a-verdadeira-alma-nasce-da-individuacao-e-nao-da-obediencia-a-manuais-de-conduta" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A busca por fórmulas rígidas e condutas militarescas tenta restaurar o &#8220;homem imbatível&#8221;. É uma tentativa de &#8220;forjar&#8221; o caráter de fora para dentro, ignorando que a verdadeira alma nasce da individuação e não da obediência a manuais de conduta.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Existe um desejo inconsciente de retorno à proteção incondicional da Grande Mãe. Quando a mulher contemporânea — real e autônoma — não cumpre o papel de útero acolhedor para o ego regredido do homem, a frustração desse desejo gera uma raiva misógina. A violência doméstica e o feminicídio são, muitas vezes, as explosões de um ego infantilizado que não tolera a alteridade da mulher, sintomas de uma masculinidade frágil que busca se estabelecer por meio da violência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A &#8220;Machosfera&#8221; utiliza a tecnologia e as redes sociais como um escudo contra a frustração. O orgulho ferido busca refúgio no mundo digital para evitar a dor da rejeição real, criando uma câmara de eco onde a fragilidade é substituída por uma performance de poder, quase sempre permeada de violência contra mulheres, contra o feminino e contra outros homens que não correspondem aos ideais desse grupo.</p>



<h2 id="h-anima-sombra-e-individuacao" class="wp-block-heading" style="font-size:22px"><strong>Ânima, Sombra e Individuação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para resolver a crise de forma profunda, o homem deve abandonar a máscara da Persona e enfrentar o seu mundo interior. O homem precisa dialogar com sua Ânima, o princípio relacional erótico. Sem esse diálogo, ele permanece desconectado de seu corpo — que é matéria (<em>Mater</em>) — e de sua capacidade de vinculação autêntica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para Jung, o desenvolvimento psíquico depende da integração dos opostos presentes na personalidade, sendo a unilateralidade uma fonte de empobrecimento e neurotização da consciência. A repressão sistemática de aspectos associados ao feminino comprometeria, portanto, a possibilidade de individuação e de constituição de uma personalidade mais integrada (JUNG, 2014), menos reativa e menos defendida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A obsessão pela performance sobre a presença manifesta-se em dados alarmantes, como o aumento de 2000% no uso de medicamentos para disfunção erétil entre jovens (OLIVEIRA, 2025). O homem torna-se ausente de seu próprio corpo, focando em uma funcionalidade mecânica para validar sua máscara, enquanto negligencia a sensibilidade relacional e a vulnerabilidade inerente aos relacionamentos íntimos.</p>



<h2 id="h-a-crise-do-masculino-e-uma-crise-de-homens-que-so-sabem-se-relacionar-atraves-do-poder-do-falo-do-martelo-e-das-armas-quando-o-poder-nao-e-temperado-pelo-amor-eros-ele-degenera-em-tirania-o-amor-exige-o-reconhecimento-da-alteridade-algo-impossivel-para-quem-vive-em-estado-de-defesa-constante" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A crise do masculino é uma crise de homens que só sabem se relacionar através do poder, do falo, do martelo e das armas. Quando o poder não é temperado pelo amor (Eros), ele degenera em tirania. O amor exige o reconhecimento da alteridade, algo impossível para quem vive em estado de defesa constante.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A distinção crucial reside entre ser um homem <strong>&#8220;Estruturado&#8221;</strong> ou <strong>&#8220;Estruturante&#8221;</strong>. O homem &#8220;Estruturado&#8221; é um constructo rígido de ego, uma armadura que, por ser inflexível, torna-se quebradiça e frágil. O homem <strong>&#8220;Estruturante&#8221;</strong>, por outro lado, é aquele que integrou sua sombra e sua fragilidade. Ele é flexível e forte o suficiente para permitir que outras polaridades existam ao seu redor sem se sentir ameaçado. Integrar a fragilidade é, paradoxalmente, o que confere a verdadeira estrutura ao ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Um caminho para a crise do masculino não é coletiva nem política no sentido tradicional; é um processo individual e solitário de individuação. O resgate da masculinidade exige a coragem de ser frágil e de renunciar ao ideal do herói invulnerável. É necessário que o homem assuma a responsabilidade por sua própria sombra, deixando de projetar na mulher, ou em Gaia, a função de receptáculo de suas angústias e frustrações.</p>



<h2 id="h-o-caminho-para-o-fim-da-guerra-dos-sexos-passa-pela-colaboracao-entre-as-polaridades" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">O caminho para o fim da &#8220;guerra dos sexos&#8221; passa pela colaboração entre as polaridades.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando o homem integra seu feminino interno, ele não enfraquece; ele se torna inteiro. A verdadeira maturidade masculina nasce da capacidade de ser um porto estruturante, alguém que não teme o infinito da alma nem a autonomia do outro. Somente ao abraçar sua totalidade o homem poderá, finalmente, caminhar para além do labirinto e florescer em uma virilidade autêntica e pacificada.</p>



<h2 id="h-sob-a-perspectiva-da-psicologia-analitica-a-repressao-historica-de-atributos-associados-ao-feminino-produziu-formas-de-masculinidade-marcadas-pela-unilateralidade-psiquica-e-pela-recusa-da-vulnerabilidade" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Sob a perspectiva da psicologia analítica, a repressão histórica de atributos associados ao feminino produziu formas de masculinidade marcadas pela unilateralidade psíquica e pela recusa da vulnerabilidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para Jung, o desenvolvimento humano depende da integração dos opostos constitutivos da personalidade, sendo a individuação um processo que exige o reconhecimento e a elaboração das dimensões rejeitadas do Self. Nesse sentido, a negação do feminino interno favorece mecanismos de projeção e empobrecimento afetivo, nos quais fragilidade, sensibilidade e dependência passam a ser percebidas como ameaças externas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Além disso, Jung observa que períodos de crise cultural e insegurança identitária tornam indivíduos mais suscetíveis à adesão a discursos coletivos simplificadores e estruturas rígidas de pertencimento, frequentemente mobilizadas como compensação psíquica diante do desamparo subjetivo (JUNG, 2013; JUNG, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para Dupuis-Déri (apud SULZ e CARDOSO, 2025) a crise do masculino não é recente, mas persistente, acaba funcionando como mecanismo de manutenção de estereótipos de gênero e desigualdades historicamente estruturadas entre homens e mulheres. Nesse contexto, a dificuldade de reelaboração das masculinidades diante das transformações sociais contemporâneas favorece movimentos de nostalgia e idealização de modelos tradicionais de primazia masculina, frequentemente mobilizados como reação à perda de privilégios simbólicos e sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Mestre Mauro Angelo Soave Junior – Analista didata em formação IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Especialista Gabriel Yamaya – Analista em formação IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Dra. E. Simone Magaldi – Didata e fundadora do IJEP</strong></p>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:20px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">CONNELL, Raewyn; MESSERSCHMIDT, James W. <em>Masculinidade hegemônica: repensando o conceito</em>. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 21, n. 1, p. 241-282, 2013. Disponível em: <a href="https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/S0104-026X2013000100014">https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/S0104-026X2013000100014</a>. Acesso em: 25 maio 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">HOLLIS, James. <em>Sob a sombra de Saturno: a ferida e a cura dos homens</em>. Tradução de Cláudia Gerpe Duarte. São Paulo: Paulus, 1997. (Coleção Amor e Psique)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">JUNG, Carl Gustav. <em>Mysterium Coniunctionis</em>. Petrópolis: Vozes, 1990. (Obras completas de C. G. Jung, v. 14/1 e 14/2).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">______. <em>Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo</em>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2012. (Obras completas de C. G. Jung, v. 9/1).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">______. <em>Civilização em Transição</em>. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013. (Obras completas de C. G. Jung, v. 10/3).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">______. <em>Aion: estudos sobre o simbolismo do Si-mesmo</em>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. (Obras completas de C. G. Jung, v. 9/2).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">OLIVEIRA, Andreza de. Venda de tadalafila cresceu quase 2.000% nos últimos dez anos no Brasil. <em>Folha de S. Paulo</em>, São Paulo, 16 maio 2025. Disponível em: <a href="https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/05/venda-de-tadalafila-aumentou-em-quase-2000-nos-ultimos-nove-anos-no-brasil.shtml?utm_source=chatgpt.com">https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/05/venda-de-tadalafila-aumentou-em-quase-2000-nos-ultimos-nove-anos-no-brasil.shtml</a>. Acesso em: 26 maio 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">SILVA, Sérgio Gomes da. <em>A crise da masculinidade: uma crítica à identidade de gênero e à literatura masculinista</em>. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 26, n. 1, p. 118-131, 2006. Disponível em: <a href="https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=6156371">https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=6156371</a>. Acesso em: 25 maio 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">SULZ, Juliana Albuquerque; CARDOSO, Frederico Assis. <em>Os homens estão em crise, dizem</em>. <em>Cadernos de Gênero e Diversidade</em>, Salvador, v. 10, n. 4, p. 421-430, 2025. Disponível em: <a href="https://periodicos.ufba.br/index.php/cadgendiv/article/view/54304?utm_source=chatgpt.com">https://periodicos.ufba.br/index.php/cadgendiv/article/view/54304</a>. Acesso em: 26 maio 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="851" height="315" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/congressos-2.png" alt="" class="wp-image-14000" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/congressos-2.png 851w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/congressos-2-300x111.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/congressos-2-767x284.png 767w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/congressos-2-149x55.png 149w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/10/congressos-2-448x166.png 448w" sizes="(max-width: 851px) 100vw, 851px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Conheça mais</strong>: <a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos</a> </p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-labirinto-do-homem-moderno-uma-analise-junguiana-sobre-a-crise-do-masculino/">O Labirinto do Homem Moderno: Uma Análise Junguiana sobre a Crise do Masculino</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://blog.ijep.com.br/o-labirinto-do-homem-moderno-uma-analise-junguiana-sobre-a-crise-do-masculino/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
