<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos crítica ao racionalismo - Blog IJEP</title>
	<atom:link href="https://blog.ijep.com.br/tag/critica-ao-racionalismo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/critica-ao-racionalismo/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Fri, 01 Dec 2023 23:00:49 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.2</generator>

<image>
	<url>https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-logo-ijep-32x32.png</url>
	<title>Arquivos crítica ao racionalismo - Blog IJEP</title>
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/critica-ao-racionalismo/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Quanto maior for o predomínio da razão crítica, tanto mais nossa vida se empobrecerá</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/critica-a-unilateralidade-da-razao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniela Aimar Euzebio]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Nov 2023 11:15:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[crítica ao racionalismo]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=8309</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ao longo de sua carreira e processo de elaboração de sua Psicologia Analítica, Jung emitiu críticas em relação às correntes filosóficas que pregam o racionalismo e o cientificismo como o único caminho válido para desvendar os segredos do conhecimento e da compreensão da alma humana.<br />
Como observador perspicaz, Jung traçou uma crítica importante a tudo o que reduz a riqueza da vida a meros conceitos pragmáticos e racionais, ao desprezar ou literalizar a vastidão da dimensão simbólica.<br />
É fundamental reconhecer que, ao buscarmos o equilíbrio entre símbolo, alma e razão, abrimos portas para uma compreensão mais ampla e holística da vida.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/critica-a-unilateralidade-da-razao/">Quanto maior for o predomínio da razão crítica, tanto mais nossa vida se empobrecerá</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>* Explore as críticas de Jung à predominância da razão e sua defesa pela integração do simbolismo e da alma na compreensão da existência.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo de sua carreira e do árduo processo de elaboração de sua <strong>Psicologia Analítica</strong>, Jung teceu inúmeras críticas com relação às correntes filosóficas e demais abordagens epistemológicas que pregam o racionalismo, o materialismo, o cientificismo e o concretismo como principal ou único caminho válido para adquirir conhecimento e compreender a alma humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu <strong>método empírico</strong> se baseou em observações concretas experenciadas com pacientes em sua clínica, em sua vivência nos hospitais psiquiátricos, ao lidar com pacientes histéricos, neuróticos e/ou esquizofrênicos, e com todos aqueles que explanaram suas dores de alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como médico psiquiatra, reconhecia a importância da razão e da ciência e as empregou em larga escala, sem desqualificar ou excluir outros saberes como os mitos, as religiões, os símbolos, os contos de fadas, os sonhos, a imaginação ativa, as artes entre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jung</strong> teceu importante crítica a tudo que reduz a complexidade da vida em conceitos e categorias meramente técnicos e racionais, levando a uma compreensão limitada e superficial do ser humano ao ignorar a riqueza e abrangência de sua dimensão psicológica e de alma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-construirmos-uma-cadencia-narrativa-e-importante-fazer-uma-breve-retrospectiva-historica">Para construirmos uma cadência narrativa, é importante fazer uma breve retrospectiva histórica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A Idade Média foi um período histórico cujo pensamento foi fortemente influenciado pela Igreja Católica e pela filosofia escolástica, que procurava harmonizar a fé com a razão aristotélica. A autoridade da igreja era central na busca pelo conhecimento e as ideias divergentes ou consideradas heréticas eram rejeitadas. O acesso ao conhecimento era restrito, e as universidades e mosteiros constituíam os principais centros de aprendizado. Neste período, havia uma crença predominante na existência de uma &#8220;alma substancial&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A transição do que se considera o obscurantismo da Idade Média para o Iluminismo foi um período marcante na história do pensamento ocidental, e houve uma forte contestação na exclusividade dos pensamentos religiosos na segunda metade do século XIX, com uma acentuada virada para o pensamento crítico, forte expansão das descobertas científicas e a ampliação empírica das concepções relativas ao mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung observa que a convicção na substancialidade da alma, ao longo do tempo, foi gradualmente substituída pela crescente intransigência em relação à substancialidade do mundo material. Ao longo de quatro séculos, os principais expoentes da consciência europeia, passaram a enxergar o espírito como inteiramente dependente da matéria e das causas materiais (JUNG, 2014, OC 8/2, §649).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir da era do <strong>Iluminismo</strong> e do <strong>racionalismo</strong> científico, a alma passou a ser equiparada à <strong>consciência</strong>. Não havia mais espaço para a ideia de que a alma existia &#8220;fora do corpo&#8221;. Portanto, os conteúdos que anteriormente eram projetados passaram a ser percebidos como pertencentes à pessoa, manifestando-se como representações fantasiosas do eu consciente (JUNG, 2016, OC 12, §562).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-alma-segundo-jung-nao-representa-apenas-a-consciencia-do-eu-mas-tem-uma-existencia-que-no-essencial-so-pode-ser-desvendada-indiretamente">A <strong>alma</strong>, segundo Jung, “não representa apenas a consciência do eu, mas tem uma existência que, no essencial, só pode ser desvendada indiretamente”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Afirma o autor que “o progresso das ciências naturais propiciou uma cosmovisão geral, a do materialismo científico, que do ponto de vista psicológico baseia-se numa valorização excessiva da causalidade física”, que se recusa a admitir qualquer nexo causal que não seja o físico (JUNG, 2015, OC 3, §467).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Com a saída da cosmovisão medieval e a migração para o Iluminismo, houve uma forte negação das “coisas da alma”</strong>, <strong>com uma subsequente unilateralização do pensamento racional e científico</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a migração do pensamento de domínio religioso para a exclusividade do pensamento científico deu-se a <strong>enantiodromia</strong>. Jung fez uma importante afirmação ao apontar que “o materialismo e o misticismo nada mais são do que um par psicológico de contrários, precisamente como o ateísmo e o teísmo” (JUNG, 2014, OC 8/2, §712). Ou seja, “são irmãos inimigos, dois métodos diferentes de enfrentar de algum modo as influências poderosas do inconsciente: um negando-as e o outro reconhecendo-as” (JUNG, 2014, OC 8/2, §712).</p>



<p class="wp-block-paragraph">São movimentos enantiodrômicos, onde um desqualifica o outro. Este monismo se manifesta na tentativa de estabelecer uma única função como o princípio psicológico. Essa abordagem unilateral carrega o inconveniente da estreiteza, ao ignorar a riqueza e a diversidade de funções e elementos psicológicos que desempenham papéis importantes na experiência da alma humana. Logo, é necessário o equilíbrio e a compreensão das múltiplas dimensões psicológicas para um entendimento mais abrangente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-razao-para-nao-encarar-sua-insuportavel-antinomia-sempre-se-coloca-de-um-lado-ou-de-outro-e-uma-vez-escolhidos-os-seus-valores-procura-agarrar-se-convulsivamente-a-eles-jung-2013-oc-8-1-47" style="font-size:18px">A razão, “para não encarar sua insuportável antinomia, sempre se coloca de um lado ou de outro e, uma vez escolhidos os seus valores, procura agarrar-se convulsivamente a eles” (JUNG, 2013, OC 8/1, §47).</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Isso continuará a acontecer enquanto a razão for vista como algo único, austero e imutável, com a consequente negação do simbólico. Porém, a rigidez da intelecção não é absoluta ou definitiva em todas as situações, podendo contradizer-se e/ou anular seus próprios argumentos em certos contextos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-racionalismo-e-o-cientificismo-despoticos-tendem-a-rejeitar-o-simbolo-porque-colocam-enfase-extremamente-altos-na-logica-como-principal-fonte-legitima-de-conhecimento-e-compreensao-da-realidade" style="font-size:19px">O racionalismo e o cientificismo despóticos tendem a rejeitar o símbolo porque colocam ênfase extremamente altos na lógica como principal fonte legítima de conhecimento e compreensão da realidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta perspectiva, os saberes válidos são obtidos apenas através dos pensamentos concretos, baseando-se em evidências empíricas e na aplicação rigorosa dos métodos científicos, sob a vigilância da razão. Os símbolos, os mitos, os dogmas, por outro lado, representam as <strong>abstrações</strong>,<strong> subjetividades</strong> e <strong>irracionalidades</strong> humanas e, por isso, não são considerados confiáveis. São&nbsp; vistos como suscetíveis a interpretações ambíguas e emocionais, o que pode levar a conclusões imprecisas, parciais ou desprovidas de fundamentos racionais. <strong>Jung</strong> provoca ao dizer que a razão também pode ser entendida de uma maneira simbólica, ao representar uma mudança ou transição no processo de crescimento pessoal. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:21px">“a razão (&#8230;) só é relativa e se anula a si mesma em suas antinomias. Ela também é apenas um meio para se atingir um fim – uma expressão simbólica para o ponto de transição de uma via de desenvolvimento.” </p>
<cite>(JUNG, 2013, OC 8/1, §47).</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-tece-uma-feroz-critica-aos-intelectuais-que-abracam-exclusivamente-um-racionalismo-superficial-como-forma-de-protecao-ou-justificacao-para-suas-crencas" style="font-size:23px">Jung tece uma feroz crítica aos intelectuais que abraçam exclusivamente um racionalismo superficial como forma de proteção ou justificação para suas crenças.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Essas teorias racionalistas são baseadas unicamente na razão, desqualificando as simbologias contidas nos dogmas, mitos e religiões, por exemplo. Para certa camada intelectual medíocre, caracterizada por um racionalismo ilustrado, uma teoria científica que simplifica as coisas constitui excelente recurso de defesa, graças à inabalável fé do homem moderno em tudo o que traz o rótulo de “científico”. Um tal rótulo tranquiliza imediatamente o intelecto, tanto quanto o <em>Roma locuta, causa finita </em>(<strong>Roma falou, o assunto está encerrado</strong>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em minha opinião e sob o ponto de vista da verdade psicológica, qualquer teoria científica, por mais sutil que seja, tem, em si mesma, menos valor do que o dogma religioso, e isto pelo simples motivo de que uma teoria é forçosa e exclusivamente racional, ao passo que o dogma exprime, por meio de sua imagem, uma totalidade irracional (JUNG, 2013, OC 11/1, §81).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-importancia-dos-dogmas">A importância dos dogmas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Jung sempre nos lembra sobre a importância dos <strong>dogmas </strong>que, para ele, são como “um sonho que reflete a atividade espontânea e autônoma da psique objetiva, isto é, do inconsciente (&#8230;) muito mais eficaz do que uma teoria científica” (JUNG, 2013, OC 11/1, §81). Para ele, o monoteísmo da ciência tende a “subestimar forçosamente os valores emotivos da experiência. E sob este aspecto o dogma é profundamente expressivo. Uma teoria científica logo é superada por outra, ao passo que o dogma perdura por longos séculos” (JUNG, 2013, OC 11/1, §81).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ciência pode ser mutável, porém os dogmas e todo arcabouço simbólico que os abarca, por tratarem dos assuntos de fé e da alma, são uma espécie de “pilares fundamentais” para a constituição do ser e do grupo que os sustenta. Isso se deve ao fato de que os dogmas, assim como os mitos, estão impregnados de <strong>imagens primordiais</strong> ou <strong>arquetípicas </strong>que “pertencem ao substrato fundamental da psique inconsciente e não podem ser explicados como aquisições pessoais. Todos juntos formam aquele estrato psíquico ao qual dei o nome de inconsciente coletivo” (JUNG, 2014, OC 8/2, §229).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-dessa-forma-e-altamente-inviavel-que-a-literalidade-do-pensamento-cientifico-apequene-a-forca-da-expressao-e-do-valor-do-simbolo" style="font-size:23px">Dessa forma, é altamente inviável que a literalidade do pensamento científico apequene a força da expressão e do valor do símbolo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Jung afirma que “o símbolo não pode ser um x qualquer, como o racionalismo pretende. Só é legítimo o símbolo que exprime as relações estruturais do inconsciente e que, portanto, pode alcançar um consenso geral” (JUNG, 2013, OC 11/2, §280).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da circunstância literal, os mitos, os dogmas e outras subjetividades do espírito são vistos como bobagens ou absurdos pela ciência, ou mais propriamente, pelo racionalismo científico. O pensamento literal e racionalista não atribui valor aos símbolos e os despreza, pois “<strong>aquilo que ‘eu’ não sei, simplesmente não existe. Por isto, para esta burrice esclarecida, também não existe uma realidade psíquica não consciente</strong>” (JUNG, 2013, OC 5, §113).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jung reforça que “um conteúdo arquetípico sempre se expressa em primeiro lugar metaforicamente”</strong> (2016, OC 9/1, §267). E é por essa razão que “o intelecto científico sempre sucumbe de novo a tendências iluministas, na esperança de banir definitivamente o fantasma do inexplicável”. Esclarece que “qualquer que seja a constituição do inconsciente, é um fenômeno natural que gera símbolos, e estes mostram ter sentido” (JUNG, 2015, OC 18/1, §603).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, em regra, a desconsideração do pensamento simbólico produz um modo de vida árido. E a unilateralização da razão pode gerar uma visão de mundo <strong>mecanicista </strong>e<strong> materialista</strong>, que exclui dimensões mais profundas de significado e propósito. Essa falta de equilíbrio pode levar ao vazio existencial e à falta de sentido na vida das pessoas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-negligencia-dos-aspectos-emocionais-e-simbolicos-da-psique-pode-acarretar-conflitos-internos-o-desenvolvimento-de-neuroses-adoecimentos-e-outros-tantos-desequilibrios-psicologicos" style="font-size:20px">A negligência dos aspectos emocionais e simbólicos da psique pode acarretar conflitos internos, o desenvolvimento de neuroses, adoecimentos e outros tantos desequilíbrios psicológicos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para <strong>Jung</strong>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“racionalismo e banalização são, essencialmente, consequências da hiper saturação da necessidade de estímulos, que caracterizam as populações urbanas”. (&#8230;)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“o habitante da cidade procura sensações artificiais para fugir da sua banalidade; o solitário, ao contrário, não as procura, mas sem querer é assolado por elas.” </p>
<cite>(JUNG, 2013, OC 10/4, §648<strong>).</strong></cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Ao desconsiderar os sentimentos, ao negar as subjetividades da vida e desprezar o arcabouço simbólico que as religiões, mitos e demais dogmas nos abarcam, a sociedade vive sob o <strong>concretismo lógic</strong>o do pensamento e a civilização se perde na “incapacidade de pensar algo diferente dos fatos transmitidos pelos sentidos e de evidência imediata, ou na incapacidade de distinguir o sentimento subjetivo do objeto do sentimento, dado pelos sentidos” (JUNG, 2013, OC 6, §778).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ate-ao-analisar-as-neuroses-jung-nao-descarta-seu-efeito-positivo-e-a-possibilidade-transformadora-que-elas-abarcam" style="font-size:21px">Até ao analisar as neuroses, Jung não descarta seu efeito positivo e a possibilidade transformadora que elas abarcam.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Para ele, a neurose tem um papel significativo na formação da personalidade, e não deve ser desprezada apenas como algo negativo</strong>, pois, a capacidade de duvidar de si, as tentações morais e os medos são aspectos importantes que nos permeiam e constituem. Mas, para isso, é necessário a ampliação do olhar simbólico e a desconstrução da unilateralidade do pensamento racional para conseguir aprender e apreender sua importância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Jung “a razão cotidiana, o bom-senso comum, a ciência como corporificação do <em>common sense</em>, sob forma concentrada, certamente satisfazem por algum tempo e por uma etapa bem prolongada” (JUNG, 2013, OC 6, §778), mas não ultrapassam os limites da “realidade mais terra a terra, ou de uma normalidade humana média. No fundo, não trazem qualquer solução aos problemas do sofrimento psíquico e de sua significação mais profunda” (JUNG, 2013, OC 11/6, §497).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-neurose-da-psique-em-ultima-instancia-e-um-sofrimento-de-uma-alma-que-nao-encontrou-o-seu-sentido">A neurose da psique “em última instância, é um sofrimento de uma alma que não encontrou o seu sentido.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Do sofrimento da alma é que brota toda criação espiritual e nasce todo homem enquanto espírito: ora, o motivo do sofrimento é a estagnação espiritual, a esterilidade da alma” (JUNG, 2013, OC 11/6, §497).</strong> <strong>A rigidez e a inflexibilidade, a cessão poética-metafórica da vida, a negação do símbolo e dos dogmas, pode levar a uma vida modorrenta e incapaz de florescer e se desenvolver plenamente</strong>. É como se a alma estivesse “encapsulada”, necessitando de transbordo para encontrar seu potencial criativo e se tornar uma expressão mais completa de si.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A amplitude do pensamento simbólico, mitológico, religioso e dogmático podem auxiliar no processo das dores emocionais, pois eles comunicam, traduzem e revelam o que a razão não dá conta. Porém, devido ao preconceito, há a recusa dessa ajuda considerada metafísica ou mística por algumas pessoas. Essa falta de amplitude e completude pode levar a um lapso de sentido e à desesperança. As pessoas estão cansadas da especialização científica e do intelectualismo racional. Elas querem ouvir a verdade que não limite, mas amplie; que não obscureça, mas ilumine; que não escorra como água, mas que penetre até os ossos (JUNG, 2015, OC 15, §86). </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-precisamos-de-vida-simbolica-e-com-urgencia">Precisamos de vida simbólica, e com urgência.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“Nós só vivemos coisas banais, comuns, racionais ou irracionais – que naturalmente também estão dentro do campo de interesse do racionalismo (&#8230;). Mas não temos vida simbólica.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“Onde vivemos simbolicamente? Em parte alguma, exceto onde participamos no ritual da vida. Mas quem de muitos de nós participa do ritual da vida? Muito poucos.”</p>
<cite>JUNG, 2015, OC 18/1, §625</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:22px"><strong>O mundo não é apenas uma realidade objetiva em si mesmo, mas também moldado conforme a particularidade de cada indivíduo</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em essência, não temos critérios para julgar o mundo que não possa ser compreendido pelo sujeito que o percebe. Se ignorarmos o fator subjetivo, estaríamos negando a grande dúvida sobre a possibilidade absoluta de conhecimento.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">“Descambaríamos para o caminho do vazio e crasso positivismo que estragou a virada de nosso século e também para uma arrogância intelectual, precursora da rudeza de sentimentos e de uma violência igualmente estúpida e pretensiosa.”</p>
<cite> (JUNG, 2013, OC 6, §692).</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Ao superestimar a capacidade objetiva de conhecimento, acabamos reprimindo a importância do fator subjetivo e do papel do próprio sujeito. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-a-alma-com-sua-riqueza-de-imagens-que-confere-cor-e-som-ao-mundo-jung-2014-oc-8-2-623"><strong>É a alma, com sua “riqueza de imagens, que confere cor e som ao mundo” (JUNG, 2014, OC 8/2, §623)</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A alma nos leva a refletir sobre a questão da matéria e do espírito, da ciência, do concreto e do simbólico.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante reconhecer que, ao buscar o equilíbrio entre o símbolo, a alma e a razão, abre-se a possibilidade para uma compreensão mais holística da vida. Ao integrar essas perspectivas aparentemente opostas, obtemos uma visão mais completa e enriquecedora da existência, permitindo-nos abraçar tanto o tangível quanto o intangível. Assim, ao reconhecer a importância da experiência psíquica como a realidade primordial, apreciamos a interconexão entre matéria e espírito, encontrando uma sabedoria mais profunda e uma percepção mais ampla de quem somos e do mundo ao redor.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;A crítica de Jung à Unilateralidade da Razão&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/FDV_RoY2cQs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/daniela/">Mestre Daniela Aimar Euzebio – Membro Analista em Formação IJEP</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-i" style="font-size:13px"><strong><em>i)</em></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. A energia psíquica. Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas v. 8/1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. A Natureza da psique. Petrópolis: Vozes, 2014 (Obras completas v. 8/2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. A vida simbólica. Petrópolis: Vozes, 2015 (Obras completas v. 18/1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. A vida simbólica. Petrópolis: Vozes, 2015 (Obras completas v. 18/2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Aion &#8211; Estudos sobre o simbolismo do si-mesmo. Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas v. 9/2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Aspectos do drama contemporâneo: civilização em mudança. Petrópolis: Vozes, 2016 (Obras completas v. 10/2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Civilização em transição. Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas v. 10/3).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ii" style="font-size:13px"><em>ii)</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Escritos diversos. Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas v. 11/6).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Estudos psiquiátricos. Petrópolis: Vozes, 1994. (Obras completas v. 1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Freud e a psicanálise. Petrópolis: Vozes, 2014. (Obras completas v. 4).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Interpretação psicológica do Dogma da Trindade. Petrópolis, RJ : Vozes, 2013 (Obras completas v. 11/2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Memórias, sonhos e reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. O desenvolvimento da personalidade. Petrópolis: Vozes, 2014 (Obras completas v. 17).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. O Eu e o inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2016 (Obras completas v. 7/2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Harper Collins Brasil, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2016 (Obras completas v. 9/1).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-iii" style="font-size:13px"><em>iii)</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Presente e futuro: civilização em mudança. Petrópolis: Vozes, 2016a (Obras completas v. 10/1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Psicogênese das doenças mentais. Petrópolis: Vozes, 2015 (Obras completas v. 3).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Psicologia do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2016 (Obras completas v. 7/1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;JUNG, Carl Gustav. Psicologia e alquimia. Petrópolis, RJ : Vozes, 2016 (Obras completas v. 12).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Psicologia e religião. Petrópolis, RJ : Vozes, 2013 (Obras completas v. 11/1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Psicologia e religião oriental. Petrópolis, RJ : Vozes, 2013 (Obras completas v. 11/5).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-iv" style="font-size:13px"><em>iv)</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Símbolos da transformação. Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas v. 5).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Sobre sentimentos e a sombra: sessões de perguntas de Winterthur. Petrópolis – Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Tipos psicológicos. Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas v. 6).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Um mito moderno sobre coisas vistas no céu. Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas v. 10/4).</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a id="_ftn1" href="#_ftnref1">[1]</a> JUNG, 1987, p. 262.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse nosso site e conheça nossos Cursos, Congressos e Pós-Graduações: <a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/critica-a-unilateralidade-da-razao/">Quanto maior for o predomínio da razão crítica, tanto mais nossa vida se empobrecerá</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
