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	<title>Arquivos deus - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Wed, 05 Nov 2025 13:42:50 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos deus - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A relação entre símbolo, intolerância e dúvida no movimento evangélico brasileiro</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-relacao-entre-simbolo-intolerancia-e-duvida-no-movimento-evangelico-brasileiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Silvana Gomes Venâncio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Nov 2025 13:38:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Numinoso]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu sou protestante há mais de 40 anos e sempre gostei de me apresentar como evangélica, no entanto, eu tenho repensado essa identificação e vou explicar o porquê. Para o professor Luiz Longuini Neto, evangélico seria uma forma de identificar parte da cristante como adepta da fé protestante, ou seja, não católica. “Evangelical ou evangélico [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Eu sou protestante há mais de 40 anos e sempre gostei de me apresentar como evangélica, no entanto, eu tenho repensado essa identificação e vou explicar o porquê. Para o professor Luiz Longuini Neto, evangélico seria uma forma de identificar parte da cristante como adepta da fé protestante, ou seja, não católica. “<em>Evangelical ou evangélico equivaleria à totalidade dos cristãos que se identificam com a Reforma Protestante do século 16</em>” (LONGUINI, p 21).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" id="h-no-brasil-os-cristaos-nao-catolicos-passaram-a-auto-identificar-se-como-evangelicos-o-mesmo-ocorre-com-as-igrejas-evangelicas-os-proprios-catolicos-passada-a-epoca-de-antagonismos-e-principalmente-por-causa-do-movimento-ecumenico-aceitaram-essa-identificacao-naturalmente-os-catolicos-ao-identificarem-os-cristaos-nao-catolicos-como-evangelicos-contornam-o-designativo-de-protestante-carregado-de-preconceitos-no-brasil-ja-que-no-auge-dos-conflitos-entre-protestantes-e-catolicos-aqueles-eram-designados-por-estes-como-os-que-protestavam-contra-deus-mendonca-1990-p-15-16" style="font-size:20px"><blockquote><p>No Brasil, os cristãos não católicos passaram a auto-identificar-se como evangélicos, o mesmo ocorre com as Igrejas evangélicas. Os próprios católicos, passada a época de antagonismos, e principalmente por causa do movimento ecumenico, aceitaram essa identificação. Naturalmente, os católicos, ao identificarem os cristãos não-católicos como evangélicos, contornam o designativo de “protestante”, carregado de preconceitos no Brasil já que, no auge dos conflitos entre protestantes e católicos, aqueles&nbsp; eram designados por estes como “os que protestavam contra Deus”. </p><cite>(MENDONÇA, 1990, p 15,16)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-uso-do-termo-protestante-para-evangelicos-sempre-foi-mais-usado-por-historiadores-e-sociologos-e-num-momento-ou-outro-algumas-pessoas-de-igrejas-historicas-como-presbiterianos-metodistas-anglicanos-e-luteranos-se-diziam-protestantes" style="font-size:20px">O uso do termo protestante para evangélicos sempre foi mais usado por historiadores e sociólogos e num momento ou outro, algumas pessoas de igrejas históricas, como presbiterianos, metodistas, anglicanos e luteranos se diziam protestantes.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">No livro, <em>Introdução ao Protestantismo no Brasil</em>, que foi escrito na década de 90, se tornou um clássico, os professores Antônio Gouvêa Mendonça e Prócoro Velasques Filho, retratam de modo brilhante as ramificações do protestantismo brasileiro.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-quem-sao-os-evangelicos-no-brasil-hoje-antes-de-responder-a-esta-pergunta-quero-falar-da-necessidade-humana-de-se-expressar-religiosamente" style="font-size:20px"><strong>Mas quem são os evangélicos no Brasil hoje?</strong> Antes de responder a esta pergunta, quero falar da necessidade humana de se expressar religiosamente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">É claro que uma religião também é um fenômeno sociológico e por esse mesmo motivo pode perder-se de si mesma. Mas para Carl G. Jung, a religião é “(&#8230;) <em>uma das expressões mais antigas e universais da alma humana (&#8230;) além de ser um fenômeno sociológico ou histórico, é também um assunto importante para grande número de indivíduos</em>” (C. G. Jung, OC 11/1 &#8211; §1).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Carl Jung trata desse assunto do ponto de vista psíquico e empírico, se abstendo de uma abordagem metafísica ou filosófica do problema religioso</strong>. Para ele, existe uma função religiosa no inconsciente que é demonstrada nos símbolos religiosos. C. Jung dá esse exemplo: “<em>quando a psicologia se refere, por exemplo, ao tema da concepção virginal, só se ocupa da existência de tal ideia, não cuidando de saber se ela é verdadeira ou falsa, em qualquer sentido</em>”. Ele continua dizendo:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>a ideia é psicologicamente verdadeira, na medida em que existe. A existência psicológica é subjetiva, porquanto uma ideia só pode ocorrer num indivíduo. Mas é objetiva, na medida em que mediante um consensus gentium é partilhada por um grupo maior. </p><cite>(C. G. Jung. OC 11/1&nbsp; &#8211; § 4).</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-sentido-junguiano-toda-religiao-e-verdadeira-e-por-este-motivo-nao-e-simplesmente-criada-por-individuos-ela-irrompe-na-consciencia-individual" style="font-size:20px"><strong>No sentido junguiano, toda religião é verdadeira e por este motivo não é simplesmente criada por indivíduos, ela irrompe na consciência individual</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">C. Jung percebe o caráter&nbsp; numinoso da experiência religiosa, a partir do pensamento de <strong>Rudolf Otto</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Religião é — como diz o vocábulo latino <em>religere </em>— uma acurada e conscienciosa observação daquilo que Rudolf Otto acertadamente chamou de &#8220;<strong>numinoso</strong>&#8220;, isto é, uma existência ou um efeito dinâmico&nbsp; não causados por um ato arbitrário. Pelo contrário, o efeito se apodera e domina o sujeito humano, mais sua vítima do que seu criador.&nbsp; Qualquer que seja a sua causa, o numinoso constitui uma condição do&nbsp; sujeito, e é independente de sua vontade.</p><cite>(C. G. Jung. OC 11/1 &#8211; § 6).</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-c-jung-o-numinoso-pode-ser-capturado-por-um-objeto-visivel-ou-um-influxo-invisivel-que-produz-modificacao-na-consciencia-cf-jung-oc-11-1-6" style="font-size:20px"><strong>Segundo C. Jung, o numinoso pode ser capturado por um objeto visível ou um influxo invisível que produz modificação na consciência</strong> (Cf. JUNG, OC 11/1 &#8211; § 6). </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Rudolf Otto fala de uma experiência profunda de anulação, “<em>a estranha e profunda resposta da psique à experiência do numinoso, a qual propusemos chamar de “experiência de criatura”, constituído pelas sensações de afundar, de apoucar-se e ser anulado</em>” (OTTO, 2007, p 90). De acordo com o teólogo <strong>Paul Tillich</strong>, essa experiência é a de estar possuído por aquilo que toca o ser humano incondicionalmente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>O sentimento de ser aniquilado pela presença do divino é o que expressa mais profundamente a relação em que se encontra o homem diante do sagrado. E esse sentimento perpassa todo o ato de fé legítimo e de todo estar possuído em última instância.</p><cite>(TILLICH, 2002, p 13)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-problema-religioso-se-manifesta-nos-seres-humanos-com-a-sua-aproximacao-do-numinoso" style="font-size:20px"><strong>O problema religioso se manifesta nos seres humanos com a sua aproximação do numinoso</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Por isso, vale lembrar, que este só pode ser capturado pelo visível, no símbolo, sendo assim, a experiência religiosa não pode ser de forma alguma algo inflexível, nem mesmo quando se refere a Deus.&nbsp; Para Carl Jung,<strong> Deus é uma realidade psíquica</strong>, embora numa polêmica com Martin Buber, ele diga que nunca afirmou que Deus seja apenas uma realidade psicológica.&nbsp; “<em>Além disso, eu jamais tive a pretensão de enfraquecer o significado dos símbolos; pelo contrário, se deles me ocupei foi por estar convencido de seu valor psicológico</em>” (C. G. Jung. OC 11/2- § 170). Segundo C. Jung, o dogma da trindade é um dos símbolos mais sagrados do Cristianismo, por exemplo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Paul Tillich afirma que o símbolo é fundamental, para aquilo que nos toca incondicionalmente é Deus (Cf. TILLICH, 2002, p 34). Segundo o teólogo alemão, “<strong>Deus é símbolo para Deus</strong>”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-p-tillich-a-preocupacao-incondicional-e-um-dos-elementos-responsaveis-pela-integracao-da-pessoa" style="font-size:20px">Segundo <strong>P. Tillich</strong>, a preocupação incondicional é um dos elementos responsáveis pela integração da pessoa:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Uma&nbsp; preocupação incondicional se manifesta em todas as áreas da realidade e em todas as expressões de vida da pessoa. Isso porque o incondicional não é um objeto entre outros, e sim a base e origem de todo o ser, e como tal, o centro unificador da pessoa.</p><cite>TILLICH, 2002, p 69</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esse-elemento-unificador-do-incondicional-se-segundo-p-tillich-pode-se-manifestar-na-vida-artistica-nbsp-na-atuacao-etica-na-politica-na-pesquisa-cientifica-entre-outros-aspectos-da-vida" style="font-size:20px">Esse elemento unificador do incondicional se segundo P. Tillich, pode se manifestar na vida artística,&nbsp; na atuação ética, na política, na pesquisa científica, entre outros aspectos da vida.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Nós mostramos como a <strong>fé</strong> dá forma e une a todos os elementos intelectuais, emocionais e corporais da pessoa e como ela representa a força integradora como tal. Essa imagem do poder da fé contém, porém, apenas as cores alegres e não os aspectos sombrios da desagregação e do mórbido, que podem impedir a fé de criar uma vida integral da personalidade, mesmo naquelas pessoas em que a força da fé se manifesta de modo mais visíveis: nos santos, místicos e profetas. O homem nunca vive exclusivamente a partir do centro da vida. Em todos os âmbitos de seu ser atuam forças corruptoras.&nbsp; </p><cite>TILLICH, 2002, p 70</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Esse aspecto sombrio e mórbido da relação do ser humano com a fé, precisa ser considerado e observado na experiência religiosa dos evangélicos. Essa dimensão sombria aparece ao meu ver na dificuldade de lidar com a <strong>dúvida</strong>, pois a intolerância mora na dificuldade de lidar com as incertezas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tanto-para-paul-tillich-quanto-para-carl-g-jung-a-experiencia-da-fe-deveria-dar-lugar-para-a-duvida" style="font-size:20px">Tanto para Paul Tillich quanto para Carl G. Jung, a experiência da fé deveria dar lugar para a<strong> dúvida</strong>.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Nem a fé pode desaparecer na dúvida, nem a dúvida na fé, se bem que cada uma das duas se pode perder quase que completamente na vida da fé. Mas uma vez que nenhum ser humano é capaz de viver sem uma preocupação última, tanto na fé como dúvida sempre estão por natureza presentes no homem.&nbsp;</p><cite>TILLICH, 2002, p 66</cite></blockquote></figure>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Nas pessoas que clamam ter uma fé inabalada, o farisaísmo e o fanatismo são frequentemente a prova infalível de que a dúvida provavelmente foi reprimida ou de fato ainda está atuando secretamente. A dúvida não é superada pela repressão, e sim pela coragem. A coragem não nega que a dúvida está aí, mas ela aceita a dúvida como expressão da finitude humana e se confessa, apesar da dúvida, àquilo que toca incondicionalmente. A coragem não precisa de segurança de uma convicção inquestionável. Ela engloba o risco, sem o qual não é possível qualquer vida criativa.&nbsp;</p><cite> TILLICH, 2002, p 66</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O educador e teólogo <strong>Rubem Alves</strong>, reforça essa ideia, em seu livro <em>Religião e Repressão,</em> ao afirmar que qualquer dúvida, ou questionamento são vistas, em determinadas vertentes do protestantismo, como uma atitude suspeita, embora a&nbsp; dúvida seja radicalmente inerente à fé.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Pensada de forma radical, a experiência da fé se revela como irmã gêmea da dúvida. Não, de forma alguma estou sugerindo que falta alguma coisa à fé, que a fé seja incompleta por estar ainda assombrada pela dúvida. </p><cite>ALVES, Rubem. 2005, p. 107</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Em outro livro, <em>Dogmatismo e Tolerância</em>, R. Alves, reitera que: &#8220;<em>A fé chegou mesmo a se identificar com a adesão intelectual a um certo número de proposições dogmáticas, que, pretendia-se, expressavam o ‘sistema de doutrinas’ contidas na Bíblia, e que eram necessárias para a salvação</em>.&#8221; (ALVES, Rubem. 2004, p. 71)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-carl-jung-o-ser-nbsp-humano-exposto-a-duvida-nao-deveria-projeta-las-ao-acreditar-que-aqueles-que-pensam-e-refletem-sobre-as-doutrinas-da-fe-sao-inimigos" style="font-size:20px">Para Carl Jung, o ser&nbsp; humano exposto à dúvida não deveria projetá-las ao acreditar que aqueles que pensam e refletem sobre as doutrinas da fé, são inimigos.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>O homem que apenas crê e não procura refletir esquece-se de que é alguém constantemente exposto à dúvida, seu mais íntimo inimigo, pois onde a fé domina, ali também a dúvida está sempre à espreita. Para o homem que pensa, porém, a dúvida é sempre bem recebida, pois ela lhe serve de preciosíssimo degrau para um conhecimento mais perfeito e mais seguro. As pessoas que são capazes de crer deveriam ser mais tolerantes para seus semelhantes, que só sabem pensar. A fé, evidentemente, antecipa-se na chegada ao cume que o pensamento procura atingir mediante uma cansativa ascensão. O crente não deve projetar a dúvida, seu inimigo habitual, naqueles que refletem sobre o conteúdo da doutrina, atribuindo-lhes intenções demolidoras.</p><cite>C. G. Jung. OC 11/2 &#8211; § 170</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-fiel-cheio-de-certezas-se-organiza-no-mundo-reconhecendo-aliados-e-projetando-suas-duvidas-gerando-inimigos-que-devem-ser-combatidos-a-duvida-nao-assumida-e-projetada-gera-cristaos-evangelicos-intolerantes-donos-da-verdade" style="font-size:20px">O fiel cheio de certezas se organiza no mundo, reconhecendo aliados e projetando suas dúvidas, gerando inimigos que devem ser combatidos. A dúvida não assumida e projetada, gera cristãos evangélicos intolerantes, <strong>donos da verdade</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Uma verdade única que exclui todo aquele que pensa e vive diferente.<strong> Esse diferente é alguém que deve ser combatido e ser retirado o seu direito à voz.</strong> Assim sendo, para responder a pergunta quem são os evangélicos hoje, é necessário olhar para a <strong>repressão da dúvida </strong>e também para as alianças políticas de algumas denominações evangélicos com setores da política brasileira, representada pela bancada evangélica, identificada na sigla&nbsp; BBB (bala, bíblia e boi).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-nao-e-possivel-viver-num-mundo-de-certezas-o-fiel-vai-buscar-no-discurso-politico-conservador-o-meio-ideal-para-idealizar-um-mundo-onde-as-diferencas-as-duvidas-e-a-pluralidade-sejam-silenciadas" style="font-size:20px">Como não é possível viver num mundo de certezas, o fiel vai buscar no discurso político conservador o meio ideal para idealizar um mundo onde as diferenças, as dúvidas e a pluralidade sejam silenciadas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Neste sentido, ser evangélico hoje deixou de ser apenas um ramo do protestantismo, para representar uma ideologia social e política, com um projeto político muito bem definido, para impor a sua visão religiosa, cultural e política. A dúvida pertence ao ser humano, sem lugar interno para ela, estamos diante de um grande complexo cultural que tenta dominar o cenário político brasileiro travestido de ideias religiosas.</p>



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<iframe title="Artigo novo: &quot;A relação entre símbolo, intolerância e dúvida no movimento evangélico brasileiro&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/s6DrBC-TINM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/silvana-venancio/">Silvana Venancio – Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf &#8211; Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Bibliografia:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">ALVES, Rubem. <em>Dogmatismo e Tolerância</em>. São Paulo: Loyola, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">________.ALVES, Rubem. Religião e Repressão. São Paulo: Loyola, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">JUNG, Carl. (1978). <em>Psicologia e Religião</em>. In Obras completas de C. G. Jung, (Vol.&nbsp; 11/1). Petrópolis: Vozes. Originalmente publicado em inglês em 1938.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">________. (2013). <em>Interpretação Psicológica do Dogma da Trindade</em>. In Obras&nbsp; completas de C. G. Jung, (Vol. 11/2). Petrópolis: Vozes. Originalmente publicado em&nbsp; alemão em 1942.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">LONGUINI, Luiz. <em>O novo rosto da missão.</em> Viçosa: Ultimato, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">MENDONÇA, Antonio G.; VELASQUES. Prócoro Filho. <em>Introdução ao Protestantismo no Brasil</em>. São Paulo, Edições Loyola, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">OTTO, Rudolf. <em>O Sagrado</em>. São Leopoldo: Sinodal/EST; Petrópolis: Vozes, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">TILLICH, Paul. <em>Dinâmica da fé</em>. 7. ed. Trad. de Walter. Schlupp. São Leopoldo: Sinodal, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Deus: arquétipo ou produto?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/deus-arquetipo-ou-produto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mauro Angelo Soave Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Jul 2025 18:52:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[deus]]></category>
		<category><![CDATA[fé como produto]]></category>
		<category><![CDATA[imago dei]]></category>
		<category><![CDATA[lifestyle]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: O artigo propõe uma reflexão crítica sobre o uso contemporâneo da figura de Deus, destacando a crescente instrumentalização do sagrado como estratégia de marketing, identidade de marca e espetáculo religioso. O autor parte de uma experiência cotidiana com um vendedor ambulante que utiliza hinos gospel para vender seus produtos, estendendo a crítica para práticas [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: <strong>O artigo propõe uma reflexão crítica sobre o uso contemporâneo da figura de Deus, destacando a crescente instrumentalização do sagrado como estratégia de marketing, identidade de marca e espetáculo religioso. O autor parte de uma experiência cotidiana com um vendedor ambulante que utiliza hinos gospel para vender seus produtos, estendendo a crítica para práticas como áreas VIP em igrejas, uso de Deus por influenciadores, e a transformação da fé em &#8220;<em>lifestyle</em>&#8220;. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Este artigo me ronda há um longo tempo e senti que agora estava pronto para colocá-lo em palavras. Aqui eu proponho uma reflexão sobre o lugar de Deus em nossos dias e a relação de uma parte da população com esse ente divino que vem perdendo cada vez mais o seu caráter sagrado e ganhando a cada dia mais contorno de uma marca e nicho de marketing.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-busco-em-jung-reflexoes-sobre-como-essa-fe-de-fachada-tem-muito-mais-semelhancas-com-estrategias-de-negocios-do-que-com-a-construcao-de-seres-humanos-melhores-e-a-busca-pelo-sentido-no-self" style="font-size:19px"><strong>Busco em Jung reflexões sobre como essa fé de fachada tem muito mais semelhanças com estratégias de negócios do que com a construção de seres humanos melhores e a busca pelo sentido no Self.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O ponto de partida dessa reflexão foi um fato cotidiano: um desses carros com som alto que passa na vizinhança vendendo coisas e usava como música um hino gospel falando sobre adorar a Deus. Em uma dessas passagens me peguei pensando o porquê de ele usar essa música e não qualquer outra. Qual a intenção desse homem ao associar o nome de Deus ao seu serviço e, ampliando, qual as intenções de outros que fazem o mesmo? Não sei ao certo se devido exclusivamente a esse fato, mas passei então a observar o uso da entidade Deus com fins que não sejam religiosos. Não só Deus, mas tudo relacionado a ele, bíblia, nomes bíblicos e etc.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-todos-e-qualquer-um-tem-o-direito-de-manifestar-sua-crenca-religiosa-segundo-a-constituicao-federal-brasil-2025" style="font-size:19px">Todos e qualquer um têm o direito de manifestar sua crença religiosa segundo a Constituição Federal (Brasil, 2025):</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:14px">
<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (&#8230;)<br>VI &#8211; é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;<br>VII &#8211; é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;<br>VIII &#8211; ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;&#8221;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Mas estaria ele usando essa música como uma manifestação da sua crença ou como uma espécie de associação da imagem do seu negócio ao Criador?</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-estaria-o-nome-de-deus-sendo-utilizado-como-um-selo-de-legitimidade-um-totem-de-reputacao-ou-ainda-um-simples-artificio-publicitario" style="font-size:19px"><strong>Estaria o nome de Deus sendo utilizado como um selo de legitimidade, um totem de reputação, ou, ainda, um simples artifício publicitário?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O ponto de inflexão para que eu saísse das filosofias internas e partisse para a pesquisa e escrita foi o artigo da Cris Guterres<a id="_ftnref1" href="#_ftn1">[1]</a> no UOL. A autora traz muitos dos pontos que se alinham com o que pretendo refletir aqui e recomendo a sua leitura. Meu objetivo é trazer uma reflexão junguiana para o tema e abro com uma frase que a meu ver resume meu sentimento e o da autora: “<strong>A fé virou produto de prateleira e Deus estratégia de marca</strong>” (Guterres, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esse sentimento traduz exatamente a minha sensação quando tive uma percepção diferenciada do vendedor da vizinhança. Não posso dizer que essa era a intenção do pobre vendedor que me atentou, porém, a atitude me intrigou por trazer essa sensação: ele poderia estar usando o hino gospel como uma espécie de estratégia de marca, ou no jargão, <em>branding,</em> associando seu produto ou serviço ao símbolo de Deus e todo seu significado, portanto, trazendo para sua marca adjetivos como honestidade, bondade, humildade, entre outros.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-impulsionando-ainda-mais-minha-reflexao-vejo-a-noticia-de-que-uma-igreja-neopentecostal-oferece-uma-area-vip-aos-fieis-de-notoriedade-publica-2" style="font-size:19px"><strong>Impulsionando ainda mais minha reflexão, vejo a notícia de que uma igreja neopentecostal oferece uma área vip aos fiéis de notoriedade pública</strong><a id="_ftnref2" href="#_ftn2">[2]</a>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Apesar de absurda, a prática não é nova. Basta uma visita a uma igreja católica barroca para ver os camarotes que os nobres tinham para assistir às missas. Ou ainda entender um pouco do contexto que levou Lutero a promulgar sua reforma protestante. A Igreja Católica, no passado, além de oferecer camarotes, vendia indulgências (perdões), ou seja, ainda existia uma chance de salvação caso sua vida fosse inadequada, mas você tivesse saldo suficiente para comprar uma indulgência. Para Lutero, o elemento fundamental para a salvação do indivíduo era a fé e a venda das indulgências era condenável.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Lutero se revoltou, mas hoje, as igrejas protestantes, proeminentemente as neopentecostais, usam de subterfúgios parecidos, senão piores, que a venda das indulgências, para extrair dinheiro dos seus fiéis. Acredito que o episódio da área vip se torna ainda mais ilustrativo, pois a prática foi descoberta porque uma influenciadora publicou sua participação em um culto, e estava na área VIP. O vídeo a mostra com seu marido, abraçados, de olhos fechados e mãos para o alto enquanto alguém os filma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nas-palavras-de-guterres-2025" style="font-size:19px">Nas palavras de <strong>Guterres</strong> (2025):</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>“É uma fé performada, que vende a ideia de salvação instantânea, prosperidade como recompensa moral e submissão como caminho para o sucesso. Uma fé que não acolhe, mas exige. Que não liberta, mas normatiza e disciplina.”</strong></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-se-pode-observar-e-que-vivemos-em-uma-epoca-de-personas-onde-acaba-sendo-mais-importante-mostrar-que-se-e-fiel-e-temente-a-deus-do-que-realmente-sentir-e-viver-a-conexao-com-o-divino" style="font-size:19px">O que se pode observar é que vivemos em uma época de personas, onde acaba sendo mais importante mostrar que se é fiel e temente a Deus do que realmente sentir e viver a conexão com o divino.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Olhando sob esse prisma, me intriga então o uso da entidade Deus atualmente numa espécie de totemismo, como um avalizador de atitudes ou para uma maravilhosa lavagem de reputação. Não acredito que o homem que coloca o volume máximo de louvor a Deus para vender seus produtos aqui na minha quadra tem qualquer noção disso. Mas ao mesmo tempo vejo que ele, dentre muitos, podem estar lançando mão desse artifício de maneira consciente ou inconsciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-sentido-podemos-ver-que-a-figura-de-deus-se-configura-numa-entidade-externa-metafisica-e-que-talvez-nao-tenha-nenhuma-conexao-com-o-deus-interior-falado-por-jung" style="font-size:19px">Nesse sentido, podemos ver que a figura de Deus se configura numa entidade externa, metafísica e que talvez não tenha nenhuma conexão com o Deus interior falado por Jung. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No entanto, se pensarmos que o Deus de uma egrégora corresponde à imagem que esse coletivo projeta de seu princípio ordenador, podemos ter uma noção do que vive na sombra coletiva daquele grupo, uma vez que a concepção de Deus muitas vezes é unilateralizada com o bem, a luz, o bom.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Para Jung, o arquétipo do <strong>Self</strong> é a Imago Dei ou Imagem de Deus em nós, o princípio ordenador da psique, que teleologicamente nos leva à evolução, humanização e integralidade, ou também a um lugar chamado de completude. Por ser uma imagem tão poderosa, quando alguém projeta sua imago-Dei em alguém, lhe dá poderes infinitos, mesmo que seja no Deus metafísico (Magaldi E., 2021; Magaldi W., 2014).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-concepcoes-de-deus-sao-tantas-quantas-as-pessoas-no-mundo-pois-cada-um-carrega-em-si-uma-imago-dei" style="font-size:19px">As concepções de Deus são tantas quantas as pessoas no mundo, pois cada um carrega em si uma Imago dei.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Infelizmente, ou não, como entidade coletiva, Ele não tem como vir e dizer o que está certo ou não sobre sua concepção. Faço uma analogia inclusive à palavra povo, pois muita gente se intitula a voz do povo, sendo que não fala pelo povo, mas por si ou talvez por uma parte incógnita dele. Muitos falam de, sobre, e em nome de Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O uso da palavra Deus/deus na obra junguiana, assim como as falas do próprio Jung sobre o tema são muitas vezes mal interpretadas. Jung cita a palavra Deus cerca de 6 mil vezes em suas obras (Dyer, 2003; Magaldi E., 2021), no entanto, quando fala sobre essa entidade quase sempre se refere à Imago-Dei, ao arquétipo e não à entidade Deus metafísica teológica. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-muitos-leitores-atribuem-a-jung-uma-afirmacao-de-que-deus-existe-no-entanto-sua-alegacao-e-de-que-deus-existe-por-estar-na-psique-humana-e-nao-por-estar-em-algum-lugar-dos-ceus" style="font-size:19px">Muitos leitores atribuem a Jung uma afirmação de que Deus existe, no entanto, sua alegação é de que Deus existe por estar na psique humana, e não por estar em algum lugar dos céus.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ao tratar Deus como Arquétipo, Jung dizia que era algo que existia antes da consciência, assim não o eliminamos, mas trazemos para perto, em outras palavras a centelha divina existe no inconsciente e pode ser despertada para que possamos buscar com empenho a completude. Para Jung existe uma perpétua confusão e contaminação entre os termos Imago Dei e o Deus metafísico, por isso muitas pessoas acabam dando explicações teológicas sobre a imagem de Deus que cada um carrega em si (Dyer, 2003).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Não podemos alcançar o que é Deus, mas temos em nós uma imagem do que Ele pode ser, no entanto, jamais poderemos apreender “um ser universal nos estreitos limites da nossa linguagem” (Dyer, 2003). Algumas concepções de Deus alegam que ele é onipotente, onipresente, pura bondade, no entanto, para Jung, que sempre dirige seu olhar ao fenômeno psíquico, ao se configurar como Arquétipo, Deus condensa em si tudo o que é relativo ao humano, inclusive a sombra coletiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nas-palavras-do-proprio-jung" style="font-size:19px">Nas palavras do próprio Jung:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Encontramos muitas representações de Deus, mas o original ninguém consegue encontrar. Para mim não há dúvida de que o original se esconde atrás de nossas representações, mas ele nos é inacessível. Jamais estaríamos em condições de perceber o original, porque deveria ser, antes de mais nada, traduzido em categorias psíquicas para tornar-se de alguma forma perceptível […] Sabemos que as representações de Deus têm papel importante na psicologia, mas não podemos provar a existência física de Deus. (Jung, 2015, §1589).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesse sentido, Deus está em todos nós, pois carregamos em nosso inconsciente, uma imagem arquetípica de deus, seja ele qual for. Jung reflete também sobre a perniciosidade da fé performática e superficial, ou seja, aquela que não é experimentada pela alma e somente pela persona, onde o Deus não se encontra vivo na alma, mas completamente “fora”, ou seja, totalmente inconsciente, mergulhando então a alma desse fiel ou desse crente nas profundezas da inconsciência e da indiferenciação, e dessa forma, seus impulsos serão oriundos de uma esfera pagã e arcaica (Jung, 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pode-se observar então que na espetacularização da fé, corre-se o grande risco de não viver em conformidade com os valores de uma religião, pois esta não penetra na alma, apenas recobre a pessoa com um verniz civilizatório, enquanto a alma repousa nos mais primitivos instintos, influenciando seus motivos e interesses, regredindo dessa forma aos deuses sedentos pelo sacrifício ou ainda a um javeísmo irado e vingativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Quanto mais identificado com o Deus unilateral metafísico, maior o risco de viver em si o mal ou ser constantemente assombrado por ele, “pois não se chega à claridade pela representação da luz, mas tornando consciente aquilo que é obscuro” (Jung, 2016), e negando essa parte obscura individualmente, fortalece-se a sombra individual e coletiva</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-sentido-trago-a-afirmacao-de-guterres" style="font-size:19px">Nesse sentido trago a afirmação de <strong>Guterres</strong>:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>“O sucesso estrondoso de projetos como <strong>Café com Deus Pai</strong>, que se define como um &#8220;lifestyle cristão&#8221; e vende desde devocionais até agendas personalizadas, mostra que há uma sede real de conexão espiritual. Mas também mostra o quanto esse desejo de sentido pode ser canalizado por lógicas de consumo e, mais perigoso ainda, de controle” (Guterres, 2025).</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-apesar-da-grande-sede-de-conexao-espiritual-enquanto-a-experiencia-religiosa-no-sentido-psicologico-de-uma-reconexao-com-o-sagrado-interno-for-apenas-um-branding-lifestyle-e-tendencia-de-consumo-nada-de-essencial-podera-ocorrer" style="font-size:19px">Apesar da grande sede de conexão espiritual, enquanto a experiência religiosa (no sentido psicológico de uma reconexão com o sagrado interno), for apenas um <em>branding, </em>lifestyle e tendência de consumo, nada de essencial poderá ocorrer.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Uma projeção exclusivamente religiosa pode privar a alma de seus valores, retendo-a num estado inconsciente. Ela pode também cair vítima da ilusão de que a causa de todo o mal provém de fora, sem que lhe ocorra indagar como e em que medida ela mesma contribui para isso, ficando estagnada em seu processo de desenvolvimento e individuação, pois todos os seus valores são suprimidos em nome de um valor importado do meio (Jung, 2011). Atribuir os percalços da vida ao diabo [&#8230;] é atitude regredida, insuficiente e muito fácil, no sentido de isenção de responsabilidade em relação à própria vida (Magaldi, W., 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Percebo haver por parte desses cultos/shows uma projeção da ordem e do caos inerentes ao paradoxo de Deus que Jung comenta. Isso é reiterado por Magaldi E. (2021) quando aborda a importância do caos e como a desconexão com ele pode ter efeitos trágicos. Atualmente as religiões, e isso pode ser visto também na coletividade política, buscam uma ordem, talvez para lidar com a ordem e o caos internos que não encontram mais na vivência do sagrado, na sociedade dessacralizada, de acordo com a autora: “A Religião institucionalizada afasta-se da Mística e retira do espaço sagrado a experiência com Deus” (ibid).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-reforca-jung" style="font-size:19px">Reforça Jung:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Sim, exteriormente tudo aí está, na imagem e na palavra, na Igreja e na Bíblia, mas o mesmo não se dá, dentro. No interior, reinam os deuses arcaicos, como nunca; ou melhor, a correspondência entre a imagem interna e externa de Deus não se desenvolveu por carência de cultura anímica, ficando retida no paganismo (Jung, 2011, §12).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No texto de Guterres (2025) encontramos exemplos dos mais absurdos do uso de Deus e seus arredores como item de venda: influenciadores que se recobrem sob o véu do “lifestyle cristão” e anunciam em seus perfis jogos de azar, apostas entre outros produtos cuja única finalidade é obter dinheiro fácil de quem está em busca de uma vida melhor ou, pior, se encontra numa situação de vulnerabilidade emocional, financeira ou psicológica. Para a autora “<em>O problema não é a fé. É o que fazem com ela. O problema é transformar o sagrado em produto de prateleira. É vender transcendência como solução mágica para quem está em desespero</em>” (Guterres, 2025).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-magaldi-w-2014-fala-sobre-a-negacao-do-dinheiro-em-praticas-e-instituicoes-religiosas-que-assumem-a-persona-do-bom-samaritano-e-negam-ou-tentam-encobrir-hipocritamente-a-influencia-do-capital-em-suas-praticas" style="font-size:19px">Magaldi, W. (2014) fala sobre a negação do dinheiro em práticas e instituições religiosas, que assumem a persona do “bom samaritano” e negam ou tentam encobrir hipocritamente a influência do capital em suas práticas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No fim, e ao cabo, o dinheiro acaba quase sempre sendo o “deus oculto” de muitas dessas religiões e religiosidades que tratam o sagrado como um produto de prateleira. Na persona, trazem o Deus de amor e perdão, caridade e pobreza, mas nas atitudes e impulsos trazem deuses arcaicos e uma sanha financeira, pois a graça é condicionada à entrega total, inclusive à doação financeira dos bens à instituição religiosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Para <strong>Guanaes</strong> (2025) a presença de famosos nos cultos vira uma vantagem competitiva —sinal de prestígio, e até aprovação divina. É por isso que, a muitos, desconstruir a cultura do espetáculo não parece vantajoso. Ou seja, a associação da uma determinada igreja ou denominação à presença de VIPs, antes de ser alvo de reflexão e crítica, acaba sendo mais uma arma na mercantilização da fé e do divino.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Confluindo com Guterres, <strong>Guanaes</strong> (2025) traz a visão de um pastor, que também é estudioso do tema das práticas neopentecostais e, referendando tudo o que foi dito até agora, afirma que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:19px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O problema é que —na contramão do que Jesus ensinou— a religião muitas vezes é tratada como um mercado, voltado às necessidades desta vida. De fato, nas igrejas há ferramentas que ajudam a lidar com questões como produtividade, saúde mental, relacionamentos e até networking profissional. Como pastor, sei que muitos chegam à igreja em busca disso. Mas esse não é o maior propósito da fé —que existe para conectar as pessoas a Deus.</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-deus-interior-e-diferente-de-pessoa-para-pessoa-pois-o-valor-supremo-que-guia-cada-um-e-variadamente-localizado-dyer-2003" style="font-size:19px">O Deus interior é diferente de pessoa para pessoa, pois o valor supremo que guia cada um é variadamente localizado (Dyer, 2003).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A religião é uma relação com o valor supremo ou mais poderoso, seja ele positivo ou negativo, relação esta que pode ser voluntária ou involuntária; isto significa que alguém pode estar possuído inconscientemente por um &#8220;valor&#8221;, ou seja, por um fator psíquico cheio de energia, ou que pode adotá-lo conscientemente. O fator psicológico que dentro do homem, possui um poder supremo, age como &#8220;Deus&#8221;&#8216; porque é sempre ao valor psíquico avassalador que se dá o nome de Deus (Jung, 1978).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Quando as morais do ego não vêm alicerçadas a uma ética do Self, perdemos a perspectiva do Sagrado e, com isso, o respeito e o temor, a consequência é caótica, no individual e no coletivo (Magaldi, E. 2021).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-fato-de-considerar-que-todos-os-enunciados-referentes-a-deus-provem-sobretudo-da-alma-do-arquetipo-nao-implica-a-negacao-de-deus-ou-que-se-substitua-esse-pelo-homem" style="font-size:19px">O fato de considerar que todos os enunciados referentes a Deus provêm sobretudo da alma, do arquétipo, não implica a negação de Deus ou que se substitua esse pelo homem.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Aqui <strong>Jung</strong> é certeiro ao afirmar que [&#8230;] “<strong><em>não me é nada simpático pensar necessariamente que, todas as vezes que um pregador cita a Bíblia ou ventila suas opiniões religiosas, é o próprio Deus metafísico que fala por meio dele</em></strong>” (Jung, 2015).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Finalmente, a salvação da alma, no sentido presente, atual e psíquico, de acordo com a psicologia analítica é a libertação produzida pelo processo de individuação proposto por Jung. Nessa toada, a humanidade poderá se emancipar da imagem e da ideia de um Deus antropomórfico e começar a perceber o Deus que está em tudo e em todos. E&#8230;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><em>[&#8230;] Com isso, a humanidade poderá se libertar da maioria das religiões que só servem para o enriquecimento e a vaidade dos seus líderes, e descobrir a verdadeira religião que está no encontro com o Self, equivalendo à entrega ou conversão ao si-mesmo (Magaldi, W. 2014).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A crescente transformação da fé em espetáculo e da imagem de Deus em marca comercial revela um processo perigoso de alienação espiritual e de colonização do sagrado por lógicas de consumo. Quando a experiência religiosa é reduzida a performance, branding ou escudo moral, perde-se o vínculo com o divino interior, aquele que, segundo Jung, orienta a psique rumo à completude e à individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Mais do que denunciar os abusos religiosos contemporâneos, é necessário convidar à introspecção: <strong>que imagem de Deus habita em mim</strong>? O que tenho projetado no divino e com que consequências? A psicologia analítica nos lembra que não há luz sem sombra, e que o Deus que não integra o caos é apenas mais uma persona de controle.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Assim, <strong>se a religião não for atravessada pela alma, ela se torna apenas verniz</strong>. A tarefa de cada um é resgatar essa centelha interior, não para usá-la como aval de pureza, mas como caminho de verdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pois, como diz a frase que ecoa todo esse percurso:</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><em>&#8220;As pessoas vão à igreja não para encontrar Deus, mas para levá-lo consigo.&#8221;</em></strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Deus: arquétipo ou produto?" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/FOV9eQ-uQc0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/maurosoave/">Ms. Mauro Angelo Soave Junior – Membro Analista Didata em formação do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Analista Didata e Fundadora do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">REFERÊNCIAS:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. <em>Fundamentos da liberdade de religião</em>. Disponível em: <a href="https://www.tjdft.jus.br/consultas/jurisprudencia/jurisprudencia-em-temas/direito-constitucional/fundamentos-da-liberdade-de-religiao">https://www.tjdft.jus.br/consultas/jurisprudencia/jurisprudencia-em-temas/direito-constitucional/fundamentos-da-liberdade-de-religiao</a>. Acesso em: 29 maio 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">DYER, Donald R. <em>Pensamentos de Jung sobre Deus.</em> Madras Editora. São Paulo-SP. 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUANAES, Daniel. Jesus faria uma reunião com área VIP como algumas igrejas hoje? Folha de S. Paulo, São Paulo, 8 abr. 2025. Seção Cotidiano (Opinião). Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/04/jesus-faria-uma-reuniao-com-area-vip-como-algumas-igrejas-hoje.shtml. Acesso em: 23 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUTERRES, Cristiane. <strong><em>Deus tem CNPJ? Porque tem gente faturando alto com o nome dele</em></strong><strong><em>.</em></strong> <em>Universa</em>, UOL, 17 abr. 2025. Disponível em: <a href="https://www.uol.com.br/universa/colunas/cris-guterres/2025/04/17/deus-tem-cnpj-porque-tem-gente-faturando-alto-com-o-nome-dele.htm">https://www.uol.com.br/universa/colunas/cris-guterres/2025/04/17/deus-tem-cnpj-porque-tem-gente-faturando-alto-com-o-nome-dele.htm</a>. Acesso em: 22 jun. 2025. (<a href="https://www.uol.com.br/universa/colunas/cris-guterres/2025/04/17/deus-tem-cnpj-porque-tem-gente-faturando-alto-com-o-nome-dele.htm?utm_source=chatgpt.com">uol.com.br</a>)</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Aion: estudos sobre o simbolismo do si-mesmo</em>. Obras completas, v. 9/2. Petrópolis: Vozes, 2013. §112.</p>



<p class="wp-block-paragraph">___________. <em>A natureza da psique. </em>Tradução de Mateus Ramalho Rocha. – Petrópolis, Vozes, 2014</p>



<p class="wp-block-paragraph">___________. <em>A vida simbólica: escritos diversos (vol. 2)</em>. Tradução Edgar Orth; revisão técnica de Jette Bonaventure. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2015</p>



<p class="wp-block-paragraph">___________. <em>Estudos alquímicos.</em> Tradução de Dora Mariana R. Ferreira da Silva, Maria Luiza Appy. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">___________. <em>Psicologia e alquimia</em>. Tradução Maria Luiza Appy, Margaret Makray, Dora Mariana Ribeiro Ferreira da Silva; revisão literária Dora Mariana Ribeiro Ferreira da Silva, Maria Luiza Appy; revisão Técnica, Jette Bonaventure – Petrópolis, RJ : Vozes, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">___________. <em>Psicologia e religião. </em>Tradução do Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha; revisão técnica de Dora Ferreira da Silva. &#8211; Petrópolis: Vozes, 1978.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> https://www.uol.com.br/universa/colunas/cris-guterres/2025/04/17/deus-tem-cnpj-porque-tem-gente-faturando-alto-com-o-nome-dele.htm</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a> https://www.correiobraziliense.com.br/colunistas/mariana-morais/2025/02/7070240-maira-cardi-expoe-area-vip-da-igreja-de-andre-valadao-veja.html</p>



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