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	<title>Arquivos deusa - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos deusa - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Deusa Hécate, e agora na encruzilhada da vida?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/deusa-hecate-e-agora-na-encruzilhada-da-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Euflausina Goes dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Aug 2024 12:31:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[deusa]]></category>
		<category><![CDATA[deusas]]></category>
		<category><![CDATA[deuses]]></category>
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		<category><![CDATA[mitologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Os mitos sempre tiveram uma atenção especial para a Psicologia Analítica de C.G. Jung, &#160;este &#160;artigo apresenta a Deusa Hécate e seus vários aspectos para contribuir na simbolização da natureza feminina. É necessário vivenciar o mito; é assim que ele existe em nós. Ao escutá-lo, começamos a dançar, e essa melodia nos envolve, mesmo [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo: Os mitos sempre tiveram uma atenção especial para a Psicologia Analítica de C.G. Jung, &nbsp;este &nbsp;artigo apresenta a Deusa Hécate e seus vários aspectos para contribuir na simbolização da natureza feminina.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>É necessário vivenciar o mito; é assim que ele existe em nós. Ao escutá-lo, começamos a dançar, e essa melodia nos envolve, mesmo que não possamos compreendê-la de imediato</strong><em>. </em>(Campbell, 1990)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sentido da vida? Não, a experiência da vida</strong>. É necessário compreender o mito em nós, em nossa vivência, para que a dança aconteça internamente. (Campbell,1990)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todas as mitologias exigiam, durante toda a história da humanidade, um exercício psíquico de imaginação. A criação de suas histórias com personagens diversos é uma representatividade de processos psíquicos e culturais.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“Eles (os mitos) não apenas representam, mas também são a vida anímica da tribo primitiva, a qual degenera e desaparece imediatamente depois de perder sua herança mítica, tal como um homem que perdesse sua alma. A mitologia de uma tribo é sua religião viva cuja perda é tal como para o homem civilizado, sempre e em toda parte,&nbsp;uma catástrofe moral.” (Jung, 2013, p. 156)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-se-tratar-de-um-mito-nao-e-apropriado-o-interpretar-de-forma-literal-e-logica-toda-a-simbologia-emergida-com-a-narrativa-de-um-mito-requer-um-olhar-poetico-e-metaforico" style="font-size:18px">Ao se tratar de um mito, não é apropriado o interpretar de forma literal e lógica, toda a simbologia emergida com a narrativa de um mito requer um olhar poético e metafórico.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>&#8220;&#8230;todo mito intencionalmente ou não, é psicologicamente simbólico. Suas narrativas e imagens devem ser entendidas, portanto, não literalmente, mas como metáforas.&#8221; (CAMPBELL, 1991, p. 50)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A simbologia inspirada pela força do mito mobiliza a energia psíquica no qual gera transformações, novas formas de ser e se comportar no mundo, proporcionando um significado à vida, uma ampliação da consciência. Uma forma de integrar consciente e inconsciente coletivo, com as imagens primordiais em nós, os arquétipos. Como não conseguimos conscientemente olhar essas imagens arquetípicas, a linguagem metafórica dos mitos nos serve como espelhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Para Jung, os mitos são fontes fundamentais na Psicologia Analítica, nos presenteando com o conhecimento do que é mais arcaico em nós</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;O mito é uma narrativa com conteúdos arquetípicos e extremamente simbólicos e é importante destacar que os símbolos geram a transformação da energia psíquica. A força dos mitos são os símbolos que trazem a mobilização desta energia. Por esse motivo, a sua interpretação não pode ser como de uma história qualquer e é um aprendizado para começar a observar os símbolos em nossas próprias vidas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:22px"><blockquote><p>“o mecanismo psicológico que transforma a energia é o símbolo” (JUNG,1999, p.44)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-deusas-e-suas-formas-caracteristicas-e-percurso-nos-apresentam-preciosidades-da-natureza-feminina-que-podem-ser-notadas-presente-em-muitas-mulheres-na-contemporaneidade-nbsp" style="font-size:18px">As Deusas e suas formas, características e percurso nos apresentam preciosidades da natureza feminina, que podem ser notadas presente em muitas mulheres na contemporaneidade.&nbsp;</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“a forma que um arquétipo feminino pode assumir no contexto de uma narrativa ou epopeia mitológica, [&#8230;] o que vale dizer, fontes derradeiras daqueles padrões emocionais de nossos pensamentos, sentimentos, instintos e comportamento que poderíamos chamar de ‘femininos’ na acepção mais ampla da palavra. Tudo o que pensamos com criatividade e inspiração, tudo o que acalentamos, que amamentamos, que gostamos, toda a paixão, desejo e sexualidade, tudo o que nos impele à união, à coesão social, à comunhão e à proximidade humana, todas as alianças e fusões, e todos os impulsos de absorver, destruir, reproduzir e duplicar, pertencem ao arquétipo do feminino”. (Wollner, 1994, p. 15-16)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-grande-deusa-nos-revela-nos-inspira-para-as-imagens-arquetipicas-mitos-que-elevam-e-destroem-poderes-na-propria-mulher-e-transcendem-a-epoca" style="font-size:19px">A Grande Deusa, nos revela, nos inspira para as imagens arquetípicas, mitos que elevam e destroem, poderes na própria mulher, e transcendem à época.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo está marcado na alma, no inconsciente e retorna muitas vezes, de maneira autônoma. Embora o processo de evolução da consciência tente desmerecer e arrancar seu poder, ela reaparece na arte, na criatividade, em comportamentos culturais, na sensibilidade e principalmente nas transformações necessárias no espírito da época.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tomando a narrativa mítica e seus símbolos, e voltando as atenções para a natureza feminina, podemos estudar a Deusa <strong>Hécate</strong>. Ao evocar sua sabedoria e intuição, integramos passado, presente e futuro, facilitando o contato direto da mulher com suas pulsões e desejos, bem como sua relação com o corpo e em suas relações.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-deusa-das-encruzilhadas-na-mitologia-grega-hecate-visualizava-tres-caminhos-ao-mesmo-tempo-e-sabia-onde-iriam-dar-na-vida-das-pessoas-ela-e-a-deusa-da-intuicao-nbsp" style="font-size:18px">Deusa das encruzilhadas na mitologia grega, <strong>Hécate</strong> visualizava três caminhos ao mesmo tempo e sabia onde iriam dar na vida das pessoas. Ela é a deusa da intuição.&nbsp;</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“Sua perspectiva tríplice lhe permite ver a ligação entre o passado, o presente e o futuro. Nas junções significativas da vida, ela relembra a forma do passado, vê o presente com honestidade e sente o que vem a seguir no nível da alma.” (Bolhem, 2005, p.85)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hecate-e-uma-deusa-parente-de-artemis-filha-de-preses-e-astoria-e-uma-divindade-misteriosa-e-age-conforme-os-seus-atributos-zeus-concedeu-alguns-privilegios-a-hecate-e-aumentou-suas-funcoes" style="font-size:17px">Hécate é uma deusa parente de Ártemis, filha de Preses e Astória. É uma divindade misteriosa e age conforme os seus atributos. Zeus concedeu alguns privilégios a <strong>Hécate</strong> e aumentou suas funções.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A deusa Hécate tem origens mitológicas obscuras e sabe-se pouco de sua história. Ela é muito valorizada pelo poeta Hesíodo, na obra Teogonia exaltando os dons concedidos por Zeus a Hécate por ter lutado ao seu lado na guerra com os Gigantes. (Varela, 2015)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hécate é citada no sequestro de Perséfone por Hades. A jovem donzela foi colher um botão de flor e a terra se abriu. Hades, o Senhor do Mundo Inferior, surge e a rapta, levando Perséfone ao submundo. Hécate ouviu os gritos da menina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deméter, a mãe, procurou pela donzela por todo o mundo, sem sucesso. Hécate se aproxima e revela a Deméter ter ouvido os gritos da menina e sugere que procure o deus Hélio para saber o que realmente aconteceu. As duas deusas, Deméter e Hécate, descobrem a verdade: Perséfone foi sequestrada por Hades com o consentimento de Zeus (Bolem, 2005).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de muita peregrinação e fingindo-se ser uma velha, passa algum tempo cuidando de Demofonte, filho de Metaneira e do Rei Céleo, Deméter é descoberta como a deusa mãe e então volta a procura de sua filha e a terra continua seca sem produzir nada. Os deuses entram em acordo com ela e Perséfone é liberada mediante acordo com Hades, ficando um período com a mãe e outro com o marido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após seu retorno, Perséfone encontra sua mãe Deméter e Hécate, que lhe dão as boas-vindas. A partir de então, Hécate está sempre ao lado de Perséfone.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na descida ao submundo, Perséfone retorna, mas não é a mesma; a inocência dos dias em que colhia flores já não existe mais. É como se uma nova consciência surgisse, dada sua relação com Hades ambos se tornam conscientes de sua condição de adultos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sofrimento-e-amor-fazem-parte-da-vida-a-resiliencia-na-dor-e-o-retorno-da-escuridao-trazem-sabedoria-e-fazem-de-hecate-uma-companheira-interior-das-mulheres" style="font-size:16px">Sofrimento e amor fazem parte da vida; a resiliência na dor e o retorno da escuridão trazem sabedoria e fazem de Hécate uma companheira interior das mulheres.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“As pessoas acreditam não suportar encarar a verdade, então adaptam-se, muitas vezes por meio de racionalizações, negação, vícios que servem para amortecer a consciência e não enxergar a verdade. Somente quando uma mulher percebe que é possível enfrentar a realidade é que ela adquire a sabedoria de Hécate.&#8221; (Bolen, 2005, p.90)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em busca desta verdade, a mulher na meia-idade se encontra em uma encruzilhada, sendo necessário refletir e buscar a força de Hécate na forma de intuição. Mudanças terão que acontecer nesta nova fase da vida, uma pausa para decidir qual caminho seguir e um espaço para a intuição trazer a resposta da alma nesta encruzilhada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses pedidos de mudança não estão necessariamente associados ao mundo externo; muitas vezes são movimentos da própria psique ao notar que algo não tem mais significado e sentido na vida, falta alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A deusa Hécate, como representação das parteiras que se abrem para o novo, simboliza o nascimento de novos aspectos da vida. Para que o novo possa surgir, é necessário desapegar do velho. Sua sabedoria nos ajuda a deixar ir, a soltar o que não serve mais, a morte de algo para o nascimento de uma nova forma de ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa deusa misteriosa se tornou o arquétipo da bruxa, com sua relação com o oculto, o anoitecer, as feitiçarias e magias. Essa característica pode remeter a uma época em que as mulheres que se envolviam com o oculto e os mistérios eram condenadas à morte na fogueira em praça pública.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Às vezes, quando se sabe que o que se tem a fazer pode parecer meio herético, surge um medo irracional, uma reação emocional que parece antecipar o grito de “Queimem a bruxa!”. Este medo é transpessoal e parece estar alojado na psique feminina, bem próximo da superfície, onde ainda se esconde o pavor de ser rotulada e perseguida como feiticeira. Sentir o medo e fazer o que precisa ser feito, não obstante, exige coragem. Com o efeito do campo mórfico, quanto mais mulheres confrontarem esse medo coletivo, mais fácil se tornará para outras fazerem o mesmo.” (Bolen, 2005, p.100)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>No entardecer da vida, a mulher se encontra em uma encruzilhada, e a força da deusa Hécate se faz necessária para um mergulho em seus impulsos interiores</strong>. Nessa fase afloram indecisões e reflexões diante do desafio. Se ela conseguir permanecer nesse lugar até que sua intuição indique o caminho, &#8220;emerge renovada e reformada&#8221;, em todos os aspectos de sua vida.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/euflausina-goes-dos-santos/"><strong>&nbsp;Euflausina Goes dos Santos – Membro Analista em Formação IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/"><strong>Dra. E. Simone Magaldi – Membro Didata IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BOLEN JS. As deusas e a mulher madura: arquétipos nas mulheres com mais</p>



<p class="wp-block-paragraph">de 50, 1ª ed. São Paulo: TRIOM, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Campbell J, O poder do mito, São Paulo: Palas Atenas,1990</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAMPBELL, J. A extensão interior do espaço exterior. Rio de Janeiro: Campus, 199l.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG CG. Arquétipos e inconsciente coletivo, 10ª ed. Petrópolis: Vozes; 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. A energia psíquica. Tradução de Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha, OSB. Petrópolis: Vozes, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WOOLGER, Jennifer Barker. Roger J. WOOLGER. A deusa interior. Tradução de Carlos Afonso Mal Ferrari. São Paulo: Cultrix. 1994</p>



<p class="wp-block-paragraph">VARELA, JV, Hécate: Um Estudo Inicial, Lisboa: Faculdade de Letras, 2015.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aproveite para nos acompanhar no YouTube:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/channel/UCrbwUrT0W4Tp-swBxAVwX5Q">Canal IJEP – Bem vindos(as)! (youtube.com)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse nosso site e conheça nossos Cursos e pós-Graduações com&nbsp;<strong>Matrículas Abertas</strong>:&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicossomática</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicologia Analítica</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Arteterapia e Expressões Criativas</em></p>



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