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	<title>Arquivos empatia - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos empatia - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Cuidados com o cuidador profissional: autocuidado e cuidar de si são a mesma coisa?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/cuidados-com-o-cuidador-profissional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Macieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 20:46:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[autocuidado]]></category>
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		<category><![CDATA[cuidador profissional]]></category>
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		<category><![CDATA[fadiga por compaixão]]></category>
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		<category><![CDATA[psicoterapeuta]]></category>
		<category><![CDATA[terapeuta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Artigos científicos, publicados recentemente, têm como temas principais as questões relacionadas à Síndrome de Burnout e à Fadiga por Compaixão.  Em muitos deles aparecem estudos sobre estratégias para tratamento e/ou prevenção, incluindo o autocuidado. Este texto busca pensar o que significa autocuidado e se é o mesmo que cuidar de si. Também visa ampliar a discussão sobre os cuidados com o cuidador profissional, focando um pouco mais na figura do psicoterapeuta.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/cuidados-com-o-cuidador-profissional/">Cuidados com o cuidador profissional: autocuidado e cuidar de si são a mesma coisa?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: Artigos científicos, publicados recentemente, têm como temas principais as questões relacionadas à <strong>Síndrome de Burnout</strong> e à <strong>Fadiga por Compaixão</strong>.&nbsp; Em muitos deles aparecem estudos sobre estratégias para tratamento e/ou prevenção, incluindo o autocuidado. Este texto busca pensar o que significa autocuidado e se é o mesmo que cuidar de si. Também visa ampliar a discussão sobre os cuidados com o cuidador profissional, focando um pouco mais na figura do psicoterapeuta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao" style="font-size:19px"><strong>Introdução</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Desde o momento que comecei a estudar e a praticar a Psico-Oncologia, a possibilidade de adoecimento dentro da própria equipe de cuidados com o doente oncológico foi um tema mobilizador em mim. Naquela época, começo dos anos 2000, os chamados cuidadores eram os responsáveis pelos cuidados com o doente, sendo aqueles que, muitas vezes, respondiam às solicitações médicas ou estavam envolvidos nas decisões acerca dos tratamentos. Reconhecidamente, eles estavam e continuam a ser submetidos a um elevado grau de estresse que pode impactar sua própria saúde física e emocional.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No entanto, os profissionais envolvidos nos tratamentos não são também cuidadores? Não fazem parte de uma equipe de cuidados? Assim, passei a diferenciá-los em cuidadores familiares e cuidadores profissionais. Ao publicar meu primeiro livro, inseri um capítulo nomeado “Cuidados com o Cuidador”, defendendo que a qualidade de vida do doente estará sempre diretamente ligada à qualidade de vida de quem cuida, seja profissional ou familiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A partir de então, desenvolvi o interesse sobre quais seriam as repercussões psicossomáticas geradas nos cuidadores profissionais envolvidos nos cuidados com pacientes graves, em virtude de seu próprio trabalho. &nbsp;E como poderiam ser mais facilmente reconhecidas e tratadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Este pequeno artigo objetiva mostrar o adoecimento de cuidadores profissionais e terapeutas, incluindo a diferenciação entre Síndrome de Burnout e Fadiga por Compaixão. E ainda, discutir autocuidado e o cuidar de si.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-terapeuta" style="font-size:19px"><strong>O terapeuta</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ao pensar em psicossomática, importa considerar que toda e qualquer estimulação ou intervenção psicológica atua sobre o sistema nervoso e endócrino e, portanto, sobre toda a rede intersistêmica. As emoções despertadas na psicoterapia são capazes de alterar ou de interferir profundamente, tanto positivamente quanto negativamente, no processo biológico e é preciso considerar esta realidade. Mas isto não acontece apenas na direção terapeuta para com o paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em Psico-Oncologia, trabalhar com pacientes graves, exige do profissional de saúde não apenas uma formação sólida, mas também um elevado grau de amadurecimento profissional e o respaldo do seu próprio processo psicoterápico. Muitas vezes, o papel do terapeuta vai além do atendimento psicoterápico da pessoa doente. Pode ter que atuar como facilitador da comunicação com os familiares ora vivendo situações de estresse e/ou entre os membros da equipe multiprofissional. E evidentemente, também ele estará sujeito às repercussões psicossomáticas causadas por este trabalho.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-seria-o-custo-da-empatia-apregoada-por-frans-de-waal" style="font-size:19px">Seria o custo da empatia, apregoada por Frans de Waal:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Por mais egoísta que se possa admitir que seja o homem, é evidente que existem certos princípios em sua natureza que o levam a interessar‑se pela sorte dos outros e fazem com que a felicidade destes lhe seja necessária, embora disso ele nada obtenha que não o prazer de a testemunhar (2010, p. 12)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Este também poderia ser o custo embutido no trabalho, já que para Jung (2012, OC16/2, p.120) é impossível eliminar o fenômeno da transferência “porquanto a relação com o Si-mesmo é ao mesmo tempo a relação com o próximo. E ninguém se vincula com o outro, se antes não se vincular consigo mesmo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Por isto, Jung (Cf. 2013, OC 16/1, p.16) reitera o quanto é importante para&nbsp; o terapeuta cuidar de sua análise pessoal, de vez que, assim como o médico se arrisca a contrair infecções físicas, o terapeuta constantemente correrá riscos de contrair infeções psíquicas, isto é, de ser tomado pelas mesmas forças que pretende compreender. Mais à frente, no mesmo livro <em>A Prática da Psicoterapia</em> (2013, OC 16/1, p. 75) afirma que “o terapeuta não deve tentar esquivar-se das próprias dificuldades, como se ele mesmo não as tivesse, apenas porque está tratando das dificuldades de outrem.” Ao contrário, aí estará a arte da psicoterapêutica: a autoeducação e autoaperfeiçoamento. E para atingir tal realização, a condição <em>sine qua non</em> será a sua renuncia a uma pretensa superioridade e autoridade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sindrome-de-burnout-e-fadiga-por-compaixao" style="font-size:19px"><strong>Síndrome de <em>Burnout</em> e Fadiga por Compaixão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A Síndrome de <em>Burnout</em> e a Fadiga por Compaixão estão entre as principais razões pelas quais muitos profissionais de ajuda abandonam o campo, constituindo uma grande ameaça à sua saúde mental. &nbsp;E inicialmente, é preciso diferenciar de depressão, já que apresentam semelhanças tais como: tendência ao isolamento social, sentimentos de menos valia e cansaço,</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Relacionadas ao estresse profissional, tanto a S. <em>Burnout</em> quando a Fadiga por Compaixão, manifestam exaustão emocional, despersonalização e podem culminar em abandono ou menor eficácia no trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Mas a Síndrome de <em>Burnout </em>está ligada a atividades profissionais e organizacionais (salários, falta de recursos e segurança, violência oculta no trabalho etc.), sendo, portanto, um construto social que surge como resultado das relações conflituosas intra/ interpessoais e organizacionais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pode-se-pensar-ainda-que-nbsp" style="font-size:19px">Pode-se pensar ainda, que:&nbsp;</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>[&#8230;] a síndrome aparece como um mecanismo de defesa frente à perda de esperança na capacidade de modificar as situações vividas, sensação de impotência ou resposta ao estresse prolongado. Um lado mais cruel ainda desta síndrome é que, quanto mais dedicado, esperançoso e iludido, quanto maior a expectativa, mais propenso ao acometimento pode estar o profissional. (MACIEIRA, 2023, p.473)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Já no caso da Fadiga por compaixão, segundo Macieira (Cf. &nbsp;2023, p. 357) é possível se pensar como sendo o custo do compromisso. A Fadiga por Compaixão é causada por uma profunda exaustão física, emocional, social e espiritual, decorrente do estresse e do custo emocional empático pelo compromisso e pela exposição prolongada, intensa e continuada à dor, ao trauma e ao sofrimento alheio. Por isto, também é chamada de <strong>Traumatização Vicária</strong>.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>É um processo gradual e cumulativo que pode acometer indivíduos que liberam energia psíquica, em forma de compaixão, a outros seres (humanos ou animais) e que traz como consequência uma mudança acentuada na capacidade de auxiliar e de sentir empatia, um crescente cinismo e uma perda de prazer com a profissão&#8230;O aspecto mais insidioso da Fadiga por Compaixão é que afeta exatamente a essência do que nos trouxe a este trabalho: nossa empatia e compaixão pelos outros (grifo nosso). (MACIEIRA, 2023, p. 474).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A Fadiga por Compaixão atravessa a pessoa e causa um declínio generalizado na vontade, na energia e na capacidade de sentir e cuidar dos outros. Eventualmente pode transformar-se em marcante depressão e outras doenças relacionadas ao estresse, representando o custo empático pelo compromisso assumido por lidar com o sofrimento alheio (Cf. MACIEIRA, 2023, pp. 473-4). Representa o custo pessoal e é proporcional ao tamanho do compromisso que o profissional de saúde assume, quando não está devidamente preparado para tal.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-autocuidado-e-o-cuidar-de-si-ha-diferenca-ou-sao-a-mesma-coisa" style="font-size:19px"><strong>Autocuidado e o cuidar de si: há diferença ou são a mesma coisa?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pelo acima exposto, fica clara a importância de cuidar dos profissionais de saúde, incluindo o psicoterapeuta. No entanto, estes cuidadores profissionais, tão envolvidos com os cuidados de outros, apresentam dificuldade para identificar o próprio adoecimento. E acabam por não desenvolver planos de autocuidados e de cuidar de si (Cf. MACIEIRA, 2023, p. 476).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Cuidar significa apresentar escuta e atitude terapêuticas, constituindo-se em um conjunto de procedimentos que exercem efeitos terapêuticos sobre o equilíbrio psicossomático do paciente. No trato com o paciente oncológico, o cuidar envolve sentimentos, valores, atitudes e técnicas científicas com o intuito de conferir qualidade à assistência.&nbsp;(MACIEIRA,&nbsp; 2023, p. 472).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O cuidar de si próprio como cuidador estará sempre relacionado diretamente à qualidade do atendimento prestado àqueles que sofrem, de vez a separatividade entre o eu e o outro é apenas uma ilusão.&nbsp; Cuidar de si, cuidar do outro e cuidar do todo é cuidar como um ato de amor.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-visao-psicossomatica-de-nao-separatividade-entre-corpo-e-psique-parece-sempre-ter-existido-ao-longo-da-historia-humana-assim-como-a-busca-pelo-sagrado" style="font-size:19px">A visão psicossomática de não separatividade entre corpo e psique parece sempre ter existido ao longo da história humana, assim como a busca pelo sagrado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Para os terapeutas, manifestações acentuadas de adoecimento nas dimensões físicas, familiares, sociais, emocionais e espirituais podem ir aumentando em intensidade, chegando à perda do senso de sentido e significado com o seu trabalho, quando não com a própria vida, sendo esta uma das possíveis explicações para o alto número de tentativas e efetivação de suicídios nestes profissionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Recentemente, o Monitor de Psicologia da APA (American Psychological Association), publicou um artigo (Cf. ABRAMSON, 2021) onde afirma que o autocuidado e a saúde mental para os profissionais não são um luxo e sim, um imperativo ético. Questionada sobre o tema, Erica Wise, PhD, consultora de ética e professora clínica emérita no programa de doutorado em Psicologia Clínica da Universidade da Carolina do Norte, declara que o esgotamento pessoal pode levar a uma deficiência profissional, com impacto na capacidade de ajudar os pacientes e no ensino, comprometer o trato com os alunos e com os outros&nbsp; profissionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Mas <strong>Dorothea Orem</strong> (Cf. 2001), chama a atenção do que se constituem a Teoria do Autocuidado, a Teoria do Déficit de Autocuidado e a Teoria dos Sistemas de Enfermagem. &nbsp;Na Teoria do Autocuidado estão as atividades que os indivíduos realizam para manter a vida, a saúde e o bem-estar. São ações dirigidas a si mesmo ou ao ambiente a fim de regular o próprio funcionamento, de acordo com os interesses da vida, a fim de manter o funcionamento integrado. Ou seja, são as práticas de atividades que as pessoas desempenham de forma deliberada em seu próprio benefício, transformando vidas, mas com o propósito de manter a saúde e o bem-estar. &nbsp;Estão ligadas ao desejo de fazer o bem para si e para os outros. E aí mora a dimensão ética.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ja-para-o-cuidar-de-si-michel-foucault-apud-andrade-et-al-2018-define-como-uma-atitude-de-cuidado-entendida-como-elaboracao-de-uma-forma-de-relacao-consigo-que-permite-ao-individuo-constituir-se-como-sujeito-de-uma-conduta-moral" style="font-size:19px">Já para o cuidar de si, Michel Foucault (<em>apud</em> ANDRADE et al, 2018) define como uma “atitude de cuidado entendida como elaboração de uma forma de relação consigo que permite ao individuo constituir-se como sujeito de uma conduta moral”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Sendo assim, diferencia a <strong>ética do cuidar</strong> como sendo um “caminho possível para um cuidado que escape aos processos de dominação da vida, produtores de padecimentos tanto de quem cuida quanto de quem é cuidado”. Mas alerta que se faz necessária a <strong>ética de cuidar de si</strong> dizendo que “não se deve fazer passar o cuidado dos outros na frente do cuidar de si. O cuidado de vem eticamente em primeiro lugar, na medida que a relação consigo é primária”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">E Foucault (<em>apud</em> ANDRADE et al, 2018) aponta ainda que a beleza do cuidar de si é que este não é um exercício solitário. Ao contrário, é uma prática social formada por estruturas mais ou menos institucionalizadas, ou seja, traz um olhar social mais abrangente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Outro artigo importante para este texto foi publicado por <strong>Irene Silva</strong> (Cf. 2009) onde coloca que o autocuidado e o cuidado de si não possuem somente uma diferença semântica, mas sim paradigmática.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>O autocuidado está centrado no paradigma da totalidade, adota o pressuposto de que o ser humano é a somatória de suas partes: é a soma do biológico, psicológico, espiritual e social, além de evidenciar que a pessoa tem que se adaptar ao meio ambiente. Já o cuidado de si está atrelado ao paradigma da simultaneidade que adota que a pessoa não é um ser somativo, pois o todo é maior do que a soma das partes, assim como as partes são representativas desse todo. Outro aspecto a considerar é que o indivíduo não cabe unicamente se adaptar ao ambiente, mas sim interagir com o mesmo podendo ser transformado e transformar o meio ambiente. (SILVA, 2009)</em><em></em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesta-visao-autocuidado-esta-ligado-a-saude-como-algo-que-e-preciso-ter-objetivamente-podendo-ser-quantificavel-o-autocuidado-e-deliberado-pelos-padroes-sociais-e-pelo-modelo-medico-fragmentado" style="font-size:19px">Nesta visão, autocuidado está ligado à saúde como algo que é preciso ter objetivamente, podendo ser quantificável. O autocuidado é deliberado pelos padrões sociais e pelo modelo médico fragmentado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>O cuidar de si, enquanto isto, passa pela sincronicidade</strong>: o ser humano vai se construindo, se transformando e mudando o meio, é um sistema aberto. A saúde estaria na dinâmica do tornar-se, com respeito aos significados, valores pessoais e à qualidade de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Resumindo, autocuidado e o cuidado de si mesmo não precisam ser excludentes, mas complementares. O autocuidado vincula-se ao objetivismo (ações, normas, fazer etc.), condicionado à adaptação à situação e ao meio, intimamente ligado ao processo saúde-doença. Cuidar de si está vinculado ao subjetivo, como única fonte conhecedora da experiência, centrado no diálogo e respeito ao indivíduo. Não é instrumental, é reflexivo, ouvindo os desejos da alma, mas sempre com ética e respeito ao outro.</p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/ritamacieira/">Rita de Cassia Macieira &#8211; Analista Didata em formação</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/">Lia Romano &#8211; Analista Didata</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:17px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">ABRAMSON, A. The ethical imperative of self-care. For mental health professionals, it’s not a Luxury. APA. Org. April 1, 2021. Vol. 52 No. 3<br>Print version: page 47.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ANDRADE, E <em>et al.</em> A ética do cuidado de si como criação de possíveis no trabalho em saúde. <em>Interface</em> 22(64). Jan-março, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Ab-reação, análise dos sonhos e transferência</em>. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>A prática da psicoterapia</em>. 16. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MACIEIRA, RC. Fadiga por Compaixão: o custo do compromisso. In: DANIEL, Ester. <em>Ecos Iberoamericanos de la psicooncologia</em>. 1a.Ed. Bilíngue. Bs.As.: Paibooks, 2023. pp. 349-360 e 471-482.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MACIEIRA, RC. <em>Avaliação da espiritualidade no enfrentamento do câncer de mama em mulheres</em>. 2007. Dissertação (Mestrado em Saúde Materno-Infantil). Faculdade de Medicina, Universidade de Santo Amaro, São Paulo, São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">OREM, Dorothea E.&nbsp;<em>Nursing Concepts of Practice</em>. 6th ed. Mosby, 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVA, IJ et al. Cuidado, autocuidado e cuidado de si: uma compreensão paradigmática para o cuidado de enfermagem.&nbsp; <em>Rev. esc. enferm</em>. USP 43 (3) • Set 2009 <a href="https://www.scielo.br/j/reeusp/a/S6s3fgFMbtMjMRfwncZ7WrP/?lang=pt">https://www.scielo.br/j/reeusp/a/S6s3fgFMbtMjMRfwncZ7WrP/?lang=pt</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">WAAL, Frans de. <em>A era da empatia</em>: Lições da natureza para uma sociedade mais gentil. São Pau­lo: Com­pa­nhia das Letras, 2010.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/psicossomatica-4-1tiny-819x1024.png" alt="" class="wp-image-12069" style="aspect-ratio:0.7998255179934569;width:378px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/psicossomatica-4-1tiny-819x1024.png 819w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/psicossomatica-4-1tiny-240x300.png 240w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/psicossomatica-4-1tiny-768x960.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/psicossomatica-4-1tiny-150x188.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/psicossomatica-4-1tiny-450x563.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/psicossomatica-4-1tiny.png 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Matrículas abertas &#8211; Psicologia Junguiana / Psicossomática / Arteterapia</strong>: <a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Online ou Presencial</strong> &#8211; Rio de Janeiro,  Brasília, São Paulo ou Online</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>São Francisco de Assis, hoje</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/sao-francisco-de-assis-hoje/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jul 2022 22:34:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Refletir sobre o ensinamento de São Francisco de Assis frente ao momento atual, pandemia, dor, sofrimento, morte e incertezas. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A antropologia franciscana nos traz uma visão de homem integral, não negligenciando sua pertença à Natureza, sua espiritualidade, sua condição de irmão de todos os seres, seu dever de cuidar de tudo que foi legado ao homem por sua condição de ser consciente, portanto, responsável por tudo que se apresenta sem condição de discernimento e de autocuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Renascimento o homem se colocou no centro do mundo, acima de toda natureza, acreditando poder tirar dela todo proveito porque ela lhe “foi dada”. Sem a consciência da limitação dos recursos terrenos, sem um olhar aos seres irracionais que partilham conosco o medo, a dor, o abandono e o sofrimento. Se colocou como “dono” da terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até hoje se mata e morre pela terra. Usurpam as áreas protegidas, avançam sobre biossistemas frágeis, invadem reservas, e, em nenhum momento questionam as consequências. Cada um luta pelo que quer, por aquilo que acredita poder usurpar, tomar, arrancar. Esta condição tanto vale para o indivíduo como para os governos. Guerras e lutas se justificam pela tomada de terras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas e Gaia? Esse ser tão poderoso e ao mesmo tempo tão frágil, que tanto nos proporciona e não é respeitado. Há um limite para que a Terra supra as necessidades humanas. De há muito já extrapolamos o número de humanos que os recursos possam dar conta. Perdemos a medida. Membros de crenças fundamentalistas acreditam, cada qual, que devem aumentar o número de descendentes para serem maioria e colocar toda humanidade sob sua doutrina, sua crença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Século XXI e acreditamos em liberdade. Utopia. Somos manipulados todo o tempo, por um sem número de interesses que não os nossos. Viver o Mito do Significado fica cada vez mais distante. Querem-nos massa e na massa não há individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Francisco de Assis foi um raro indivíduo que se entregou ao Self, contrariando toda expectativa familiar e social, até mesmo pessoal. Nasceu em 1182, em Assis, região da Úmbria, se tornara um “Jovem de “bem viver” , família abastada, mãe aristocrata, pai que projetava neste único filho sonhos inalcançáveis para ele mesmo que não nascera nem rico, nem aristocrata, fazia de tudo para que o filho alçasse voos dentro da sociedade burguesa que se estabelecia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Francisco parte para a guerra como um príncipe, seu pai queria que sua armadura e seu cavalo resplandecessem e todos pudessem ver sua condição diferenciada, como se fora um príncipe. Francisco já experienciara a guerra e a prisão anteriormente, desta vez volta da guerra, fugido, doente, mais da alma de que do corpo. Sofre profundas depressões, tudo que vivera até então perdeu o brilho e sentido. Seus concidadãos o consideram um covarde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Espoleto, Francisco tivera um sonho que o tocara profundamente. Sabia que já não era o mesmo, aquele sonho o transformara de maneira profunda, sua alma fora tocada pelo “Totalmente Outro” como dizia Jung. Sabia que o jovem leve, alegre e irresponsável já não existia mais. Ouvira o chamado, e mesmo sem saber exatamente o que dele era esperado, abandona a guerra e volta para casa. No sonho ele ouve:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“- Francisco, é melhor servir o Soberano ou o servo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Ó senhor, ao Soberano, é claro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Então por que você está tentando transformar seu soberano em um servo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Senhor, que queres que eu faça?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Vá para casa, Francisco, e pense a respeito de sua primeira visão. Você viu somente as aparências e não o coração da glória e da fama. Você está tentando fazer sua visão servir a seu próprio e impaciente desejo por Nobreza.” (Murray Bodo;&nbsp;<em>Francisco A Caminhada e o sonho</em>&nbsp;)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como ocorreu com Budha a dor, o sofrimento, as mortes, a prisão, as guerras dilaceraram o jovem Francisco. Mergulhou profundamente em seu inconsciente, assim como Jung pós infarto. E, assim como este, sofreu muito ao voltar à consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o indivíduo tem uma experiência com o Numinoso, um chamado do Self, a Imagem de Deus em nós, fica transformado, não há volta para o que fora antes, é chamado para algo que ao mesmo tempo que o significa, lhe transcende.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De volta a casa por muito tempo ficara calado, caminhando a ermo por Assis. Evitava todas as pessoas. Fora “chamado” a igrejinha de São Damião que estava abandonada, decrépita. Olhou para o crucifixo pendido no altar e falou:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“ – Senhor Jesus, que queres que eu faça? Todos os dias questiono meu sonho de Espoleto e me pergunto se realmente eras Tu quem falava comigo ou se era apenas minha excitação pelo meu vindouro batismo de fogo como Cavaleiro. Senhor, meus sonhos me afligem tanto! O que eles significam? Por que me ocorrem tais sonhos e vozes? Que tipo de homem sou eu, Senhor?” (idem).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua sinceridade provinha do mais profundo do Si-mesmo, os olhos do Cristo se tornaram vivo e do crucifico surge a voz:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“- Francisco, vá agora e restaure minha igreja que, como você vê, está ruindo.” (idem)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A humildade de Francisco toma ao pé da letra as ordens de Jesus e começa a ajuntar pedras e a reconstruir a pequena igrejinha. Seu ego não abarcara a profundidade da solicitação, mas o Self a compreendera perfeitamente e a mudança profunda ocorrida no&nbsp;<em>POVERELLO</em>&nbsp;arrasta muitos jovens ao seu encontro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A transformação de Francesco, do jovem inconsequente para o&nbsp;<em>poverello</em>&nbsp;de Deus, atraia aqueles que viam ali uma manifestação do Sagrado. Como diz Leonardo Boff, a mística transforma e contagia. Atrai aqueles que percebem uma manifestação numinosa, porque o indivíduo que os atrai é possuidor do carisma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os jovens franciscanos trabalhavam duro nos campos atrás do sustento, restauravam igrejinhas pela região, cuidavam dos pobres, leprosos e deficientes. Viviam uma pobreza extrema, desapego total dos desejos humanos, quando apenas a vontade maior (do Self, da&nbsp;<em>imago dei</em>) dirigia seus passos e suas atitudes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cada dia, esta numinosidade de Francisco, atraia mais indivíduos “tomados” pelo seu carisma. Claro, não há luz sem sombra e os indivíduos de Assis reclamavam seus filhos abandonando a burguesia para seguir Francisco. A oposição foi muito forte, queimaram lhes a&nbsp;<em>Porciúncula</em>, mas esta violência só fortalecera o propósito da irmandade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Francisco aceitara incondicionalmente seu chamado. Cantava e dançava pelas ruas de Assis, seus irmãos eram felizes. Servir tornara-lhes puros e felizes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Francisco gostava muito de cantar. Isto libertava seu espírito e transformava a voz humana, tantas vezes um órgão de egoísmo e pecado, em um instrumento de celebração.” (idem)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Francisco chamava a pobreza de Irmã, assim como todos os seres e situações. Até a morte era sua irmã, não a temia. Quando você vive o chamado do Self, a eternidade é uma certeza, pois o inconsciente vive no continuum espaço tempo relativos. O ego teme a finitude porque está preso a condição de espaço tempo absolutos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os franciscanos tinham amor por todos os seres, reverenciavam a Creação. Desapegados dos desejos podiam viver a leveza da plenitude da alma. Sim, servir para eles era uma alegria, servindo ao irmão, serviam a Deus. Aprenderam com os pobres o frio, a fome, a falta de um teto, certamente por isso sabiam o valor da partilha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E nós? Neste mês de maio de 2020, com uma pandemia avassaladora impondo o medo, a insegurança, a fome, a dor, o sofrimento e a insegurança. O que virá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como e onde partilhamos o que temos? Qual o nosso chamado? O quê de Francisco há em nós que nos faz olhar o outro como irmão?</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Onde houver ódio, que eu semeie o amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Onde houver ofensa, o perdão;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Onde houver dúvida, a fé;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Onde houver desespero, esperança;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Onde houver trevas, luz;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E onde houver tristeza, alegria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ó Divino Mestre,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não me deixes tanto buscar ser consolado</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que consolar;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ser compreendido que compreender;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ser amado que amar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois é dando que se recebe,</p>



<p class="wp-block-paragraph">É perdoando que se é perdoado,</p>



<p class="wp-block-paragraph">E é morrendo que se nasce para a vida eterna.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dra E. Simone D. Magaldi</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pedagoga, filósofa, mestre e doutora em CRE.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diretora do IJEP</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Simone Magaldi &#8211; 21/05/2020</em></strong></h4>
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