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	<title>Arquivos intestino - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Mon, 05 Oct 2026 16:49:03 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos intestino - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Entre o absorver e o eliminar: as possíveis expressões simbólicas da função intestinal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Patricia Cordeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 16:24:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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		<category><![CDATA[Consciência]]></category>
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		<category><![CDATA[jung]]></category>
		<category><![CDATA[processo de individuação]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[sintomas]]></category>
		<category><![CDATA[valoração]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Corpo e psique constituem aspectos inseparáveis da experiência humana e, nesse sentido, o funcionamento do intestino pode ser compreendido para além de suas funções fisiológicas. Absorver, assimilar, reter e eliminar são processos próprios do funcionamento intestinal que também podem nos oferecer possibilidades de reflexão sobre a maneira como nos relacionamos com nossas experiências. A partir da Psicologia Analítica, este artigo propõe uma ampliação simbólica dessas funções, pensando sobre aquilo que conseguimos incorporar, aquilo que permanece retido e aquilo que precisa ser elaborado e deixado seguir seu curso.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: Corpo e psique constituem aspectos inseparáveis da experiência humana e, nesse sentido, o funcionamento do intestino pode ser compreendido para além de suas funções fisiológicas. Absorver, assimilar, reter e eliminar são processos próprios do funcionamento intestinal que também podem nos oferecer possibilidades de reflexão sobre a maneira como nos relacionamos com nossas experiências. A partir da Psicologia Analítica, este artigo propõe uma ampliação simbólica dessas funções, pensando sobre aquilo que conseguimos incorporar, aquilo que permanece retido e aquilo que precisa ser elaborado e deixado seguir seu curso.</p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-plain" style="font-size:17px"><blockquote><p>Corpo e psique são os dois aspectos do ser vivo, e isso é tudo o que sabemos. Assim, prefiro afirmar que os dois elementos agem simultaneamente, de forma milagrosa, e é melhor deixarmos as coisas assim, pois não podemos imaginá-las juntas.</p><cite>JUNG, 2015, p.70</cite></blockquote></figure>



<h2 id="h-se-corpo-e-psique-como-propoe-jung-sao-dois-aspectos-do-ser-vivo-que-atuam-simultaneamente-aquilo-que-acontece-no-corpo-nao-pode-ser-separado-da-experiencia-psiquica-assim-como-a-experiencia-psiquica-nao-acontece-a-margem-do-corpo" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Se corpo e psique, como propõe Jung, são dois aspectos do ser vivo que atuam simultaneamente, aquilo que acontece no corpo não pode ser separado da experiência psíquica, assim como a experiência psíquica não acontece à margem do corpo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E essa compreensão pode ampliar um olhar redutivo de uma relação de causa e efeito e possibilitar uma reflexão mais ampla sobre as diferentes maneiras pelas quais uma mesma experiência pode se expressar simultaneamente no corpo e na psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O intestino pode possibilitar um campo interessante para essa reflexão, não apenas pela reconhecida relação entre seu funcionamento e os estados emocionais, mas também pelas descobertas contemporâneas a respeito da comunicação bidirecional existente entre intestino e cérebro.</p>



<h2 id="h-o-intestino-constitui-a-porcao-mais-extensa-do-trato-gastrointestinal-e-desempenha-funcoes-fundamentais-nos-processos-de-digestao-absorcao-de-nutrientes-equilibrio-hidrico-e-eliminacao-de-residuos" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">O intestino constitui a porção mais extensa do trato gastrointestinal e desempenha funções fundamentais nos processos de digestão, absorção de nutrientes, equilíbrio hídrico e eliminação de resíduos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Anatomicamente, ele divide-se em intestino delgado e intestino grosso. De maneira simplificada, pode-se compreender o primeiro como predominantemente relacionado aos processos de digestão e absorção de nutrientes, enquanto o segundo participa principalmente da absorção de água e eletrólitos, da formação das fezes e de sua posterior eliminação (MORSCHITZKY, Hans; SATOR, Sigrid., 2013; MARTINS, B. et al, 2026).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O funcionamento intestinal é regulado pelo sistema nervoso entérico e modulado pelo sistema nervoso autônomo, por meio de seus ramos simpático e parassimpático, tendo o nervo vago importante participação nessa comunicação. Em situações de estresse percebidas como ameaça, ocorre uma maior ativação do ramo simpático, levando o organismo a priorizar funções relacionadas à sobrevivência, e essa resposta pode, dependendo do contexto e das características individuais, modificar a motilidade, a secreção e outros processos digestivos (MARTINS, B. et al, 2026).</p>



<h2 id="h-a-interacao-entre-o-sistema-gastrointestinal-e-o-sistema-nervoso-central-tem-sido-amplamente-investigada-especialmente-devido-ao-seu-impacto-na-saude-mental-trata-se-do-chamado-eixo-intestino-cerebro" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A interação entre o sistema gastrointestinal e o sistema nervoso central tem sido amplamente investigada, especialmente devido ao seu impacto na saúde mental, trata-se do chamado “eixo intestino-cérebro”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Um processo de comunicação entre esses dois sistemas que ocorre de forma bidirecional, ou seja, tanto o cérebro influencia o funcionamento intestinal quanto o sistema entérico exerce efeitos sobre o sistema nervoso central.  Tal comunicação bidirecional do ponto de vista funcional, permite que o estresse e a ansiedade, influenciem diretamente o funcionamento intestinal, a permeabilidade da mucosa e a alteração da microbiota intestinal. (MARTINS, B. et al, 2026).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A microbiota intestinal corresponde ao conjunto de microrganismos presentes no trato gastrointestinal humano que além de atuarem na digestão também atuam na regulação e manutenção do sistema imunológico; além disso, a microbiota participa da produção e modulação de metabólitos e substâncias neuroativas relacionadas à comunicação intestino-cérebro, incluindo vias associadas à serotonina, dopamina e GABA que estão diretamente ligados ao humor, sono, comportamento e resposta ao estresse (MARTINS, B. et al, 2026).</p>



<h2 id="h-cerebro-e-intestino-encontram-se-portanto-em-permanente-comunicacao-de-modo-que-alteracoes-ocorridas-em-um-desses-sistemas-podem-repercutir-sobre-o-outro" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Cérebro e intestino encontram-se, portanto, em permanente comunicação, de modo que alterações ocorridas em um desses sistemas podem repercutir sobre o outro.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Sob essa perspectiva, seria interessante compreender de que maneira experiências psíquicas e processos fisiológicos participam simultaneamente dessa comunicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung (2015, p.318) afirma que nossas emoções “<em>são contagiosas e estão profundamente enraizadas no sistema simpático</em>”, portanto, nossas experiencias psíquicas geram respostas fisiológicas por meio de uma variedade de neurotransmissores. Tal correlação é reforçada em diversos escritos de Jung (2015) na obra <strong>Vida Simbólica</strong> nos quais ele afirma:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">§148 “tudo que é acentuadamente sentido torna-se difícil de ser abordado, porque esses conteúdos encontram-se, de uma forma ou outra, ligados com reações fisiológicas, com os processos cardíacos, com o tônus dos vasos sanguíneos, a condição dos intestinos, a inervação da pele, a respiração”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">§317 “As emoções não são manejáveis, como as ideias ou os pensamentos, pois são idênticas a certas condições físicas, e, portanto, profundamente enraizadas na matéria do corpo&#8230;”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">§58 “&#8230;sentimentos, cujo caráter seja emocional, são acompanhados de efeitos fisiológicos&#8230;”</p>
</blockquote>



<h2 id="h-a-partir-desses-apontamentos-podemos-compreender-que-experiencias-emocionais-apresentam-simultaneamente-dimensoes-psiquicas-e-fisiologicas-visto-que-corpo-e-psique-constituem-aspectos-inseparaveis-de-uma-mesma-experiencia" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A partir desses apontamentos, podemos compreender que experiências emocionais apresentam, simultaneamente, dimensões psíquicas e fisiológicas, visto que corpo e psique constituem aspectos inseparáveis de uma mesma experiência.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Aquilo que vivenciamos emocionalmente pode ser acompanhado por manifestações fisiológicas, ao mesmo tempo em que as condições corporais também participam da maneira como uma experiência é vivida e percebida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Algumas dessas experiências podem ser passageiras; outras, entretanto, quando repetidas e marcadas por forte tonalidade afetiva, tendem a se agrupar em torno de um núcleo de significado e afeto, constituindo aquilo que Jung denomina complexo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">De acordo com Jung (2015, §148) “um complexo é um aglomerado de associações – espécie de quadro de natureza psicológica mais ou menos complicada – às vezes de caráter traumático, outras, apenas doloroso e altamente acentuado. Tudo o que se acentua demais é difícil de ser conduzido”. O autor na obra “A Natureza da Psique” (2014, §204) também afirma que uma das causas mais frequentes de um complexo seria na impossibilidade de aderir à totalidade da natureza humana, seria um conflito moral. E que o complexo, por ser dotado de tensão ou energia própria, apresenta uma espécie de corpo e uma fisiologia própria que pode perturbar o coração, o estômago, a pele; comportando-se como uma personalidade parcial (JUNG, 2015, §149).</p>



<h2 id="h-na-perspectiva-psicossomatica-proposta-por-magaldi-2022-os-sintomas-podem-ser-compreendidos-como-possiveis-expressoes-dos-complexos-resultantes-de-conflitos-estabelecidos-entre-ego-e-inconsciente" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Na perspectiva psicossomática proposta por Magaldi (2022), os sintomas podem ser compreendidos como possíveis expressões dos complexos, resultantes de conflitos estabelecidos entre ego e inconsciente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Se nos propormos a ampliar simbolicamente, o intestino abarca diversas funções, ele precisa receber o conteúdo processado pelo estômago, transformar, selecionar, absorver, transportar e eliminar. De maneira que ele constitui uma interface entre aquilo que recebemos do meio externo, aquilo que compreendemos como importante de ser absorvido e aquilo que entendemos como desnecessário e que devemos eliminar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Considerando as funções intestinais e os verbos a elas associados, a presença de sintomas nesse sistema pode oferecer possibilidades de ampliação simbólica a respeito da maneira como recebemos e elaboramos nossas experiências psíquicas.</p>



<h2 id="h-diante-daquilo-que-a-vida-nos-apresenta-o-que-pode-ser-assimilado-e-integrado-pela-consciencia-o-que-permanece-retido-ainda-sem-possibilidade-de-elaboracao-e-o-que-tendo-cumprido-sua-funcao-necessita-ser-reconhecido-e-posteriormente-deixado-seguir-seu-curso" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Diante daquilo que a vida nos apresenta, o que pode ser assimilado e integrado pela consciência? O que permanece retido, ainda sem possibilidade de elaboração? E o que, tendo cumprido sua função, necessita ser reconhecido e posteriormente deixado seguir seu curso?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O papel da consciência é discriminar, separar, elaborar é importante que não sejamos tomados pelos conteúdos inconscientes, retendo, aprisionando, sem elaboração e eliminação. É essencial que possamos refletir sobre e o que precisa ser eliminado, aquilo do qual não precisamos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Gostaria de sintetizar essa reflexão em quatro verbos: absorver, assimilar, reter e eliminar. Absorver pode ser pensado como aquilo que entra; assimilar, como aquilo que, uma vez recebido, é transformado e passa a integrar; reter, como aquilo que permanece; e eliminar, como aquilo que pode ser liberado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Essas correspondências, entretanto, não devem ser tomadas como significados psíquicos inerentes às funções intestinais nem como relações causais a sintomas intestinais. Podem ser possibilidades de investigação cujo valor simbólico dependerá das associações, da história e da experiência singular de cada indivíduo e o processo analítico pode ser um convite para transformar esses verbos em histórias pessoais, vivências ou experiências psíquicas que podem ser simbolizadas, ampliadas e elaboradas.</p>



<h2 id="h-a-ampliacao-dessas-experiencias-pode-tornar-conscientes-conteudos-que-ate-entao-nao-haviam-encontrado-possibilidade-de-representacao-ou-elaboracao" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A ampliação dessas experiências pode tornar conscientes conteúdos que até então não haviam encontrado possibilidade de representação ou elaboração.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Entretanto, não se trata apenas de tornar consciente aquilo que era inconsciente. Ao entrar em contato com a atitude consciente, esses conteúdos podem revelar posições distintas ou mesmo contraditórias em relação à maneira como o indivíduo compreende e conduz sua vida. Evidenciando aí uma tensão de opostos, entre aquilo que estava inconsciente e a posição da consciência.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O processo natural dessa tensão de opostos serviu para Jung como modelo e fundamento para um método que consiste em provocar intencionalmente o que a natureza produz inconsciente e espontaneamente e integrá-lo à consciência e seus conceitos (JUNG, 2013, p.121).</p>
</blockquote>



<h2 id="h-na-obra-psicologia-do-inconsciente-jung-2013-p-121-define-a-funcao-transcendente-como-um-processo-natural-uma-manifestacao-de-energia-produzida-pela-tensao-entre-os-contrarios-que-estabelece-uma-ponte-entre-consciente-e-inconsciente" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Na obra Psicologia do Inconsciente Jung (2013, p.121) define a função transcendente como um processo natural, uma manifestação de energia produzida pela tensão entre os contrários, que estabelece uma ponte entre consciente e inconsciente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A partir dessa energia produzida surge a função transcendente que corresponde a evolução progressiva para uma nova atitude, um terceiro elemento que surge a partir da tensão desses opostos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Segundo Jung (2013, p.186) a função transcendente no início é um processo natural e não se desenvolve sem meta, mas conduz à revelação do essencial no homem; cujo sentido e a meta são a realização da personalidade originária e conduzir ao processo de individuação. </p>



<h2 id="h-ele-aprofunda-no-paragrafo-187-conforme-abaixo" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Ele aprofunda no parágrafo 187 conforme abaixo:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“A compensação inconsciente de um estado neurótico da consciência contém todos os elementos que, quando conscientes, isto é, quando compreendidos e integrados como realidades na consciência, são capazes de corrigir eficaz e salutarmente a unilateralidade da consciência&#8230; Geralmente, os sonhos são fracos e incompreensíveis demais para exercerem uma influência radical sobre a consciência. Logo, a compensação passa-se no inconsciente, sem efeito imediato. Apesar disso, produz efeito, mas um efeito indireto: a oposição inconsciente, numa constante infração, vai arranjando sintomas e situações, que finalmente se contrapõem sem cessar às intenções conscientes. No tratamento esforçamo-nos, por conseguinte, por compreender e respeitar, na medida do possível, os sonhos e demais manifestações do inconsciente; por um lado, para evitar a formação de uma oposição inconsciente, que, com o passar do tempo, pode tornar-se perigosa, e por outro, para utilizar, na medida do possível, o fator curativo da compensação”</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O processo analítico não consistiria, portanto, apenas em tornar consciente aquilo que estava inconsciente, mas em reconhecer e sustentar a relação entre essas diferentes posições, possibilitando que dessa tensão possam emergir novos sentidos e uma transformação da atitude consciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para Jung, a função transcendente decorre da relação entre conteúdos conscientes e inconscientes e da tensão estabelecida entre posições contrárias. Não se trata da eliminação de um dos polos em favor do outro, mas da possibilidade de que, a partir de sua confrontação, possa emergir uma nova posição capaz de reunir aspectos de ambos sem se reduzir a nenhum deles.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Acho importante apontar também que assimilar não significa aceitar tudo, o intestino discrimina o que deve e o que não deve ser absorvido. A função intestinal de absorção envolve os processos de seleção, transformação e discriminação.</p>



<h2 id="h-dessa-forma-no-plano-psiquico-a-assimilacao-de-uma-experiencia-psiquica-implica-poder-reconhece-la-diferencia-la-e-atribuir-lhe-significado-sem-que-isso-signifique-necessariamente-concordar-com-ela-ou-incorpora-la-integralmente-a-consciencia" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Dessa forma no plano psíquico, a assimilação de uma experiência psíquica implica poder reconhecê-la, diferenciá-la e atribuir-lhe significado, sem que isso signifique necessariamente concordar com ela ou incorporá-la integralmente à consciência.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Sob essa perspectiva, o funcionamento intestinal pode ser simbolizado para se pensar o processo de individuação. Assim como o organismo necessita selecionar aquilo que será incorporado e eliminar aquilo que não poderá ser utilizado, o processo psíquico exige diferenciação, assimilação e elaboração das experiências.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nesse caso o olhar da psicossomática contribuiria para auxiliar a ampliação da consciência sobre a relação que o indivíduo estabelece com seu corpo, suas experiências e aquilo que, em sua trajetória, necessita ser absorvido, assimilado, retirado ou incorporado e eliminado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/patricia-cordeiro/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/patricia-cordeiro/">Patricia Silva Cordeiro &#8211; Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/ajaxsalvador/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Salvador &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



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</div></figure>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>Psicologia do inconsciente</em>. edição eletrônica. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>A natureza da psique</em>. edição eletrônica. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>A vida simbólica</em>. vol.1. edição eletrônica. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, W. <em>Artigo blog IJEP:</em> <a href="https://blog.ijep.com.br/psicossomatica-realidade-subjacente-de-toda-doenca/"><em>Psicossomática: Realidade Subjacente de Toda Doença &#8211; Blog IJEP</em></a><em>,</em> 2022.<em></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">MARTINS, B. D. <em>et al</em>. <em>Modulação da neuroinflamação pelo eixo intestino-cérebro: implicações fisiopatológicas na ansiedade e depressão</em>. <strong>Cadernos Cajuína</strong>, v. 11, n. 9, e3687, 2026. Disponível em: &lt;https://v3.cadernoscajuina.pro.br/index.php/revista/article/view/3687&gt;. Acesso em: 9 ago. 2026. DOI: https://doi.org/10.52641/cadcajv11i9.3687. [<a href="https://v3.cadernoscajuina.pro.br/index.php/revista/article/view/3687">1</a>]</p>



<p class="wp-block-paragraph">MORSCHITZKY Hans; SATOR Sigrid. <em>Quando a alma fala através do corpo</em>: compreender e curar distúrbios psicossomáticos. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/entre-o-absorver-e-o-eliminar-as-possiveis-expressoes-simbolicas-da-funcao-intestinal/">Entre o absorver e o eliminar: as possíveis expressões simbólicas da função intestinal</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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