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	<title>Arquivos maternidade real - Blog IJEP</title>
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	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/maternidade-real/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Wed, 08 Jul 2026 15:56:27 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos maternidade real - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Da Maternidade Romantizada à Maternidade Real</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/da-maternidade-romantizada-a-maternidade-real/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Laiana Nascimento Neves Soares]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 13:48:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[arquétipo materno]]></category>
		<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[jung]]></category>
		<category><![CDATA[Mãe]]></category>
		<category><![CDATA[mães]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade real]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[romantização da maternidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo aborda a temática da maternidade na contemporaneidade, fazendo uma análise crítica e reflexiva do contexto sociocultural das imposições atribuídas às mulheres-mães, conforme a perspectiva da psicologia de Carl Gustav Jung. O intuito desse trabalho visa a desmistificar a romantização da maternidade, bem como a culpabilização da mulher e trazer à tona as muitas nuances que se abatem sobre a maternidade real.  </p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/da-maternidade-romantizada-a-maternidade-real/">Da Maternidade Romantizada à Maternidade Real</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><u><strong>RESUMO:</strong></u> Este artigo aborda a temática da maternidade na contemporaneidade, fazendo uma análise crítica e reflexiva do contexto sociocultural das imposições atribuídas às mulheres-mães, conforme a perspectiva da psicologia de Carl Gustav Jung. O intuito desse trabalho visa a desmistificar a romantização da maternidade, bem como a culpabilização da mulher e trazer à tona as muitas nuances que se abatem sobre a maternidade real.  </p>



<h2 id="h-vamos-falar-sobre-a-maternidade-real" class="wp-block-heading"><strong>Vamos falar sobre a maternidade real?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, é isso mesmo! Temos a maternidade real e a maternidade idealizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E a que se deve essa diferença?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois é, vivemos em uma sociedade que romantiza a maternidade. Muitas mulheres se veem tentando a todo custo atingir e cumprir o que se espera de uma dita boa-mãe. Nesse contexto social, as mulheres são instruídas a acreditarem de fato nesse vislumbre do ser uma mãe ideal. Isso por consequência de nossa cultura que embutiu e perpetua por gerações um “modelo ideal” de maternidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O arquétipo da mãe é universal, em qualquer cultura, tempo ou lugar que se refira à figura materna, ele é ativado por imediato. Porém, cada um de nós tem uma imagem de mãe específica, mas em geral todos sabem o que é uma mãe.</p>



<h2 id="h-carl-gustav-jung-apos-suas-observacoes-empiricas-definiu-arquetipo-como-uma-forma-como-um-molde-onde-sao-assentadas-e-moldadas-as-experiencias-humanas" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Carl Gustav Jung, após suas observações empíricas, definiu arquétipo como uma fôrma, como um molde, onde são assentadas e moldadas as experiências humanas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Com efeito não temos acesso aos arquétipos diretamente, o que se torna consciente para nós é a imagem arquetípica; a forma resultante do molde e assim, segundo ele:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.3"><strong><em>&#8220;Mãe&#8221; é um arquétipo que indica origem, natureza, o procriador passivo (logo, matéria, substância) e, portanto, a natureza material, o ventre (útero) e as funções vegetativas e por conseguinte também o inconsciente, o instinto e o natural, a coisa fisiológica, o corpo no qual habitamos ou somos contidos. &#8220;Mãe&#8221;, enquanto vaso, continente oco (e também ventre), que gesta e nutre, exprime igualmente as bases da consciência. Ligado ao estar dentro ou contido, temos o escuro, o noturno, o angustioso (angusto = estreito). Com estes dados, estou reproduzindo uma parte essencial da versão mitológica e histórico linguística do conceito de mãe, ou do conceito do Yin da filosofia chinesa.</em></strong> <strong><em>(JUNG, OC 16/2, § 344)</em></strong></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Há que se lembrar também que os arquétipos são ambivalentes, e desse modo, potencialmente positivos e negativos, uma vez que existem no inconsciente coletivo não somente a imagem da boa mãe, como também a da mãe terrível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mulher sempre foi vista em nossa cultura como uma figura associada à procriação. Sua função essencial seria procriar; reproduzir a espécie, produzir mão de obra de trabalho nos tempos do Brasil agrário e hoje ainda, em alguma medida, a mão de obra urbana para os grandes meios de produção e prestações de serviços.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>No entanto, na sociedade contemporânea, a mulher não desempenha apenas a maternidade, a maioria das mulheres que são mães, também cumprem muitos outros papeis sociais, os quais, no que tange a estrutura psíquica, foi chamado por Jung de <em>persona</em> e que:</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><em>“designava originalmente a máscara usada pelo ator, significando o papel que ia desempenhar.” (JUNG, OC 7/2, § 245)</em></strong></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria das mulheres na contemporaneidade faz parte do mercado de trabalho, são responsáveis pela maior parte dos afazeres domésticos (grande parte delas, de todos os afazeres) e a depender da configuração familiar, ainda cuidam dos pais idosos &#8211; a chamada geração sanduíche &#8211; que tem filhos pequenos e pais idosos por conta da expectativa de vida do brasileiro que aumentou e também por causa da maternidade mais tardia da mulher moderna.</p>



<h2 id="h-essa-maternidade-que-acontece-um-pouco-mais-tarde-atualmente-deve-se-a-alguns-fatores-como-o-acesso-a-metodos-contraceptivos-maior-escolarizacao-e-dedicacao-ao-estabelecimento-de-uma-carreira-profissional" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Essa maternidade, que acontece um pouco mais tarde atualmente, deve-se a alguns fatores como o acesso a métodos contraceptivos, maior escolarização e dedicação ao estabelecimento de uma carreira profissional.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Um outro aspecto importante que precisamos mencionar, é a perspectiva de que atualmente os lares brasileiros constituídos e mantidos por mães solo vêm crescendo notoriamente. Além do mais, há que se observar que um outro tipo de dinâmica também existe, que são as mães-solo-casadas, quando todas ou a grande parte das demandas da criança se concentram sob a responsabilidade da mãe. Ou seja, há uma solidão materna, uma sobrecarga da mulher-mãe em nossa cultura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais as exigências se mantêm. Nota-se isso especificamente no mercado de trabalho, haja vista espera-se que a mulher trabalhe e produza como se não tivesse filhos e que seja mãe dedicada a maternidade como se não trabalhasse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, são fortemente julgadas se acaso esse filho não se encaixar no modelo de filho ideal pré-concebido socialmente. A culpa é da mãe! Ouve-se, na maioria das vezes essa expressão no cotidiano. Menos vezes é dito a culpa é dos pais e menos vezes ainda se pergunta: onde estava o pai?</p>



<h2 id="h-e-uma-conta-que-nao-fecha" class="wp-block-heading"><strong>É uma conta que não fecha!</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">No trabalho, em geral, as equipes gestoras de liderança não quer saber se a mãe passou uma noite sem dormir por conta das demandas dos filhos, quer desempenho e resultados. Ao mesmo tempo, julga-se a maternidade destas mulheres, quando não performam o modelo idealizado da boa-mãe; que deve ser sempre dedicada, sempre disponível e sempre angelical. E deste modo, nossa sociedade segue tratando os indivíduos, e neste caso mais específico, mães, como se fossem máquinas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, embora seja óbvio, há que se dizer, que dada a sua humanidade, muitas vezes essa mãe moderna vai se exceder, vai errar, vai perder a paciência, vai deixar de cumprir algumas regras e demandas esperadas, devido à tamanha exaustão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso sem contar que além do papel de mãe, tantas outras exigências também são feitas em conjunto à mulher, como, por exemplo, a imposição em relação à estética e padrões de beleza pressupostos atualmente. Padrões que por sinal, mudam constantemente e que são inalcançáveis, diga-se de passagem.</p>



<h2 id="h-mas-a-quem-interessa-tudo-isso" class="wp-block-heading"><strong>Mas, a quem interessa tudo isso?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Essa lógica atende aos interesses do capital e não passa de mais uma estratégia patriarcal e mercadológica para manter mulheres ocupadas, controladas e exaustas; pois assim, não sobra tempo para serem criativas e impede-se que sejam autênticas e livres. E a energia psíquica, em um <em>quantum</em> muito considerável, fica, deste modo, voltada para a adaptação e exigências externas, em um movimento que Jung chamou de progressão.</p>



<h2 id="h-e-em-que-momento-essa-mulher-podera-olhar-para-si-mesma" class="wp-block-heading"><strong>E em que momento essa mulher poderá olhar para si mesma?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">À mulher está atrelada a figura do cuidador. Ela cuida de todo mundo; cuida dos filhos, cuida da casa, cuida das relações em que se encontra, cuida dos doentes, mas e quem cuida dela? E será que ela mesma se cuida? Ou será que a noção de autocuidado, autoestima e autocompaixão feminina também não foram bem construídas na cultura brasileira?</p>



<h2 id="h-maternidade-e-ambiguidade" class="wp-block-heading"><strong>Maternidade é ambiguidade.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">É um constante “Credo! Que delícia!” Entretanto sustentar esse paradoxo não é ensinado e nem autorizado a ser expressado verbalmente. A mãe que ousar externar seus sentimentos de descontentamento, na maior parte das vezes, terá sua fala rechaçada. O julgamento é quase que imediato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos em uma sociedade onde a persona aceita da mãe, é a persona da mãe encantada, que tece elogios e demonstra satisfação com a maternidade. Atualmente, começamos a ver pequenos movimentos se iniciando no sentido de debater a romantização da maternidade e a exaustação, sobrecarga e apagamento de partes da mulher ao desempenhar o papel materno.</p>



<h2 id="h-e-a-culpa-materna" class="wp-block-heading"><strong>E a culpa materna?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Muito já se ouviu o ditado popular que diz: nasce uma mãe, nasce uma culpa. Mas essa expressão popular é dita muitas vezes no sentido de naturalizar, ainda que de forma inconsciente, o fato de que mães sentem culpa. A cobrança sobre as mães é tão grande e tão enraizada no imaginário coletivo que elas sentem culpa no automático. Sente culpa por tudo. Sentem culpa até de coisas que não estão no seu controle. Fazem muito pelos filhos, se esforçam tanto, muitas vezes se anulam e a sensação é de que ainda não foi o suficiente.</p>



<h2 id="h-a-romantizacao-da-maternidade-produz-a-culpa-materna-produz-a-culpabilizacao-da-mulher-o-sistema-patriarcal-e-neoliberal-foi-tao-eficiente-que-chegou-a-um-ponto-em-que-ninguem-precisa-cobra-las-elas-mesmo-se-cobram-e-de-certa-dificuldade-mensurar-o-quao-cruel-com-as-mulheres-isso-e" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">A romantização da maternidade produz a culpa materna, produz a culpabilização da mulher. O sistema patriarcal e neoliberal foi tão “eficiente” que chegou a um ponto em que ninguém precisa cobrá-las, elas mesmo se cobram. É de certa dificuldade mensurar o quão cruel com as mulheres isso é!</h2>



<p class="wp-block-paragraph">As mulheres modernas tentam conciliar os vários pilares que compõem a vida na contemporaneidade, seguem exercendo as várias personas. Porém seguem sobrecarregadas, uma vez que a sociedade do desempenho, como diz Byung-Chul Han, nos vende uma imagem idealizada da mulher moderna e empoderada que “dá conta de tudo” e que tem que performar em todas as áreas da vida como; carreira profissional, relacionamento amoroso, interação social, maternidade, aparentar sempre jovem, ter o corpo magro e etc&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, caso haja alguma suposta imperfeição no resultado em comparação à idealização subjetivamente imposta, é porque houve alguma falha pessoal e daí o número crescente de adoecimento mental, que na verdade é oriundo de uma busca incessante de encaixe de padrões pré-estabelecidos, pois não há um questionamento em relação ao sistema que engendra tudo isso, de modo que o suposto problema não é visto como de ordem coletiva e sim atribuído ao indivíduo. E Carl Jung já dizia que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="line-height:1.4"><strong><em>“A vida em sua plenitude não precisa ser perfeita, e sim completa. Isto supõe os ‘espinhos na carne’, a aceitação dos defeitos, sem os quais não há progresso, nem ascensão.” (JUNG, OC12, § 208)</em></strong></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Além de tudo isso, as mulheres-mães ainda se perguntam como as suas antepassadas conseguiam dar conta de um número muito maior de filhos, cuidar dos afazeres domésticos, servir ao marido e algumas ainda cuidavam da agricultura familiar. Todavia a verdade é que essas mulheres não “davam conta”, essas mulheres não viviam suas escolhas e desejos, nem desenvolviam suas potencialidades, elas vivam a subjugação e o apagamento do feminino.&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 id="h-ha-mulheres-que-nao-querem-ser-maes" class="wp-block-heading"><strong>Há mulheres que não querem ser mães.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Observa-se também um movimento recente de mulheres declarando terem optado por não exercerem a maternidade, de não desejarem ser mães e novamente, há reações imediatas diversas. Tais mulheres ouvem críticas como: quando estiver velha irá se arrepender de não ter tido filho ou algo como: não será uma mulher totalmente realizada. Assim vinculam inteireza, integridade e realização feminina à função materna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse movimento vem crescendo devido a uma maior conscientização da mulher moderna, observação da sobrecarga; atribuída em maior parte à mulher com a chegada de uma criança bem como a sensação de perda da liberdade e autonomia, ou também por um desejo, genuíno e legitimo, de maternar a própria vida, um projeto, uma missão e etc&#8230;</p>



<h2 id="h-e-as-maes-arrependidas" class="wp-block-heading"><strong>E as mães arrependidas?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se uma mulher que reclama da carga pesada da maternidade já sofre julgamentos, imagina dizer que se arrependem de ter tido filhos. Algumas mães seguem emudecidas por uma opressão invisível que atrela as mulheres a serem mães e, pior ainda, a gostarem de desempenhar a função materna. Muitas não conseguem sequer verbalizar o que sentem, tamanho o peso da reprovação que receberão. Muitas mulheres levam essa questão por toda a vida. Algumas delas utilizam como via para o alívio grupos de bate-papo na internet, onde podem falar sobre o arrependimento sem se identificarem, por medo de serem rotuladas como desumanas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há que se diferenciar o amor pelos filhos do gostar de desempenhar o papel destinado às mães, uma vez que são ações completamente diferentes, embora não soe bem e não seja bem recebido socialmente no momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px"><strong>Ainda que seja um tema sensível, há sim mulheres que de fato se arrependem de terem se tornado mães, na medida em que a decisão foi tomada sob ótica da maternidade romantizada e por uma maternidade compulsória que opera de modo subentendido.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Tais mulheres sentiram que tiveram suas vidas roubadas, sua individualidade e liberdade perdidas com a chegada do filho, embora soubessem previamente de toda abdicação e exigências que a criação de uma criança requer. Contudo não se trata de egoísmo, tampouco de falta de amor e irresponsabilidade, mas esses tipos de sentimentos precisam ser acolhidos, pois eles existem, muito embora não sejam o desejado socialmente.</p>



<h2 id="h-e-quanto-aos-filhos" class="wp-block-heading"><strong>E quanto aos filhos?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de qualquer coisa, é importante lembrar, que nos primórdios, a responsabilidade, cuidados e ensinamento das crianças; mesmo que tivessem suas mães, eram de toda a aldeia, de todo o clã, de toda uma tribo. Até bem pouco tempo, antes da entrada das mulheres no mercado de trabalho, elas ficavam por conta dos filhos e do lar, contando muitas vezes, com uma rede de apoio composta por outras mulheres cuidadoras que a auxiliavam, como suas mães, sogras, uma irmã, tias, vizinhas e outras. O que atualmente praticamente não acontece mais. A rede de apoio é cada vez mais reduzida, e isso quando ela existe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observa-se também um movimento, ainda que a passos lentos, de apoio e presença do Pai na modernidade, mas ainda é a exceção e não a regra. E mesmo quando isso acontece, a maior carga ainda recai sobre a mulher. E estes pais costumam ser elogiados socialmente por fazerem o mínimo e geralmente, a maioria desses homens também acreditam estarem sendo diferenciados e incríveis.</p>



<h2 id="h-somado-a-isso-conforme-mencionado-anteriormente-as-atribuicoes-da-mulher-moderna-aumentaram-o-que-resulta-em-sobrecarga-exaustao-e-inviabilidade-de-algumas-perspectivas-da-vida" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Somado a isso, conforme mencionado anteriormente, as atribuições da mulher moderna aumentaram, o que resulta em sobrecarga, exaustão e inviabilidade de algumas perspectivas da vida.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">E de fato, o que uma criança realmente precisa é de pais realizados; de pais felizes; uma vez que os filhos são receptáculos e estão inconscientemente captando tudo o que acontece na dinâmica familiar. Pois a melhor forma de educar é sendo um modelo de pessoa íntegra, inteira, realizada e humana. Não importando, inclusive, como se dá essa configuração familiar; seja mãe solo, pais casados, pais separados e etc&#8230; Desde que esses pais/cuidadores estejam vivendo suas vidas com significado e propósito, pois essa é a maior herança que pode ser deixada.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="line-height:1.4"><strong><em>“Nada exerce maior influência psíquica sobre o meio ambiente da pessoa, sobretudo das crianças, do que a vida não vivida dos pais.” (JUNG, OC 15, §4)</em></strong></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">E no final das contas, no que tange a temática da maternidade, o que um filho de fato necessita é de uma mãe real, de uma mãe possível, de uma mãe verdadeiramente humana, que carrega virtudes e imperfeições, luz e sombra e assim, de uma maneira ou de outra, aprenderá, perceberá, receberá e experimentará sua humanidade por meio da nutrição desta mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/laiana-graciela-nascimento-neves-soares/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/laiana-graciela-nascimento-neves-soares/">Laiana Neves – Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vídeo apresentação:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<h2 id="h-referencias-bibliograficas" class="wp-block-heading" style="font-size:17px"><strong>Referências Bibliográficas:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.&nbsp;<strong>O eu e o inconsciente</strong>. <strong>OC.7/2</strong>. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.&nbsp;<strong>Psicologia e alquimia</strong>. <strong>OC.12.</strong>&nbsp;Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.&nbsp;<strong>O espírito na arte e na ciência</strong>. <strong>OC.15</strong>&nbsp;Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.&nbsp;<strong>Ab-reação, análise dos sonhos e transferência</strong>.<strong>OC.16/2</strong>&nbsp;Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>De Maria a Kali &#8211; A sombra materna e o adoecimento psíquico das mães</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/repressao-da-sombra-na-maternidade-e-o-sofrimento-psiquico-das-maes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiza de Oliveira Burger]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 13:31:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[integração de sombra]]></category>
		<category><![CDATA[Mãe]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade real]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[psicologiaanalitica]]></category>
		<category><![CDATA[simbologia]]></category>
		<category><![CDATA[sombra]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=11600</guid>

					<description><![CDATA[<p>Resumo: A proposta desse artigo é analisar como a repressão dos aspectos sombrios da maternidade tem contribuído para o adoecimento psíquico das mulheres. A partir da oposição simbólica entre Maria, representando o aspecto luminoso da maternidade (devoção, doçura, aceitação) e Kali, representando a dualidade, a força destrutiva e transformadora do feminino, vamos analisar como a [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: A proposta desse artigo é analisar como a repressão dos aspectos sombrios da maternidade tem contribuído para o adoecimento psíquico das mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A partir da oposição simbólica entre Maria, representando o aspecto luminoso da maternidade (devoção, doçura, aceitação) e Kali, representando a dualidade, a força destrutiva e transformadora do feminino, vamos analisar como a cultura ocidental estimula uma identificação unilateral das mulheres com o ideal da mãe perfeita, reforçada por fatores religiosos, culturais e históricos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tal-identificacao-exclui-os-aspectos-sombrios-da-maternidade-como-a-raiva-a-exaustao-o-desejo-de-autonomia-trazendo-muitas-vezes-sofrimento-psiquico-para-as-mulheres" style="font-size:19px">Tal identificação exclui os aspectos sombrios da maternidade, como a raiva, a exaustão, o desejo de autonomia, trazendo, muitas vezes, sofrimento psíquico para as mulheres.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O reconhecimento e a integração dos aspectos luminosos e sombrios da maternidade podem representar uma via de cura e reconciliação do feminino e permitir alcançar uma maternidade mais autêntica e libertadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-sabido-que-o-papel-da-mulher-na-sociedade-vem-mudando-ao-longo-do-tempo-mas-e-as-maes-sera-que-as-expectativas-em-relacao-a-maternidade-acompanharam-toda-essa-mudanca" style="font-size:19px">É sabido que o papel da mulher na sociedade vem mudando ao longo do tempo. Mas e as mães? Será que as expectativas em relação à maternidade acompanharam toda essa mudança?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Se fizermos uma breve pesquisa histórica vamos descobrir que esse modelo idealizado de maternidade, onde a mãe deve abrir mão de tudo em detrimento dos filhos (e sem ressentimentos!) nem sempre foi assim.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-num-passado-nem-tao-distante-por-volta-de-xviii-os-filhos-nao-eram-a-prioridade-da-familia-e-muito-menos-ocupavam-lugar-de-destaque" style="font-size:19px">Num passado nem tão distante, por volta de XVIII, os filhos não eram a prioridade da família e muito menos ocupavam lugar de destaque.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Era muito comum, por exemplo, nas famílias de melhor poder aquisitivo as crianças morarem com amas de leite durante os primeiros anos. Muitas delas nem eram visitadas pelos pais até que chegasse a hora de retornarem para suas casas, quando já tinham sobrevivido às dificuldades dos primeiros anos de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Já nas famílias mais pobres, os filhos eram vistos como mão de obra e eram colocados para trabalhar tão logo fosse possível, a fim de contribuir para o sustento da família.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Com a revolução industrial, a configuração das famílias passou por algumas mudanças. Se antes homens e mulheres ocupavam as lavouras ou comércios, agora eles ocupariam as fábricas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No entanto, com o pós-guerra, houve uma pressão social para que os homens retomassem os empregos nas fábricas e as mulheres ocupassem os lares, com a desculpa de que o serviço era pesado demais para elas e que sua &nbsp;natureza se adequava melhor aos serviços domésticos. Porém, de pano de fundo, o objetivo era resgatar o masculino tão sacrificado nas guerras.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Diante desse cenário, os pais foram se distanciando cada vez mais das tarefas relacionadas aos filhos. E as mulheres, por sua vez, foram abrindo mão de ocupar outros espaços na sociedade para se dedicarem ao lar e à educação da prole.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Alguns historiadores também atribuem a Rousseau o início da mudança do olhar sobre a maternidade com a publicação do livro Emilio ou Da Educação, em 1762. Apesar de ser um relato fictício sobre a educação de um menino, ele questionou as práticas familiares vigentes, ressaltando, por exemplo, a importância da amamentação pela mãe, e fazendo uma crítica às mães que não tinham os filhos como prioridade. As ideias de Rousseau se espalharam, atraíram a atenção popular e provocaram discussões na sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-igreja-catolica-tambem-contribuiu-bastante-para-a-configuracao-do-papel-das-mulheres-na-sociedade" style="font-size:19px">A igreja católica também contribuiu bastante para a configuração do papel das mulheres na sociedade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Embora a proclamação da assunção de Maria tenha sido declarada apenas em 1950, a figura da mãe de Jesus sempre foi vendida pela igreja como digna de inspiração. Maria, a virgem sem pecados, a que doou a vida pelo filho, a que nunca questionou seu destino, nem mesmo quando no mito o anjo aparece anunciando que ela tinha sido escolhida para ser mãe de uma criança divina.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Maria sempre é retratada com o filho nos braços, olhar calmo e sereno, como num momento de felicidade plena</strong>. Um modelo bastante repressor para as mães, que devem ser devotadas, assim como Maria, e capaz de enormes sacrifícios.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O menino Jesus jamais foi pintado chorando ou com a cabeça caída para trás. Sua mãe nunca teve uma aparência irritada ou cansada. Ninguém jamais pintou Maria nos afazeres prosaicos da maternidade: dando banho, alimentando ou vestindo Jesus. Nossa Senhora e o menino Jesus estão congelados na eternidade de um momento relativamente raro da mãe com o bebê.</p><cite>FORNA, 1999, p.18</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-sombra-materna" style="font-size:22px"><strong>A sombra materna</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As mães foram aos poucos moldando-se às expectativas da sociedade para a sua própria maternagem, ficando identificadas apenas com o lado luminoso, seja por imposição social ou por falta de conhecimento dos seus próprios sentimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ao longo das gerações, aprenderam que não podem expressar sentimentos ambivalentes. Amar e, ao mesmo tempo, desejar distância, cuidar e desejar tempo para si, sentir gratidão e raiva. Tudo isso é vivido em silêncio, sob o peso da culpa, criando um terreno fértil para o sofrimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">E para onde vão todos esses sentimentos reprimidos, tudo aquilo que as mães não são autorizadas a sentir e a manifestar para estarem de acordo com o papel que tem sido atribuído a elas?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esses conteúdos ficam na sombra que, para Jung, são os aspectos reprimidos ou desconhecidos da personalidade, onde também estão os conteúdos considerados impróprios socialmente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><a>A sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguém é capaz de tomar consciência desta realidade sem dispender energias morais. Mas nesta tomada de consciência da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade.</a></p><cite><a>JUNG, 2013, p.19</a></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Quando Jung descreve os traços essenciais do arquétipo materno, fala dos aspectos luminosos e sombrios presentes em cada mãe: bondade nutritiva e dispensadora de cuidados, emocionalidade orgástica e sua obscuridade subterrânea (Cf. JUNG, 2014, p. 88). </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-aspectos-presentes-em-todas-as-maes-e-que-a-rigor-nao-deveriam-ser-suprimidos" style="font-size:19px">Aspectos presentes em todas as mães e que, a rigor, não deveriam ser suprimidos.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Seus atributos são o “maternal”: simplesmente a mágica autoridade do feminino; a sabedoria e a elevação espiritual além da razão; o bondoso, o que cuida, o que sustenta, o que proporciona as condições de crescimento, fertilidade e alimento; o lugar de transformação mágica, do renascimento; o instinto e o impulso favoráveis; o secreto, oculto, o obscuro, o abissal, o mundo dos mortos, o devorador, sedutor e venenoso, o apavorante e fatal.</p><cite>JUNG, 2014, p.158</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Essa dualidade é essencial para a compreensão do arquétipo: a mãe é simultaneamente fonte de vida e de morte simbólica, acolhimento e ameaça, alimento e limite.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A idealização da maternidade representa uma identificação com a persona da mãe perfeita e uma repressão do aspecto sombrio do arquétipo. Ao negar os conteúdos que se contrapõem à imagem ideal, o cansaço, a raiva, a ambivalência, o desejo de ser mais do que somente mãe, a mulher rompe com a totalidade de sua psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O resultado disso é a manifestação de sintomas como culpa, exaustão, ansiedade, depressão e muitos outros. Para Jung, “aquilo que tiver sido reprimido, voltará a manifestar-se em outro lugar e sob uma forma modificada, mas dessa vez carregada de um ressentimento que transforma o impulso natural, em si inofensivo, em nosso inimigo” (JUNG, 2013 p.41.).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-maria-e-kali-o-drama-da-maternidade-contemporanea" style="font-size:22px"><strong>Maria e Kali – o drama da maternidade contemporânea</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesse sentido, a deusa hindu Kali seria melhor representante dos aspectos duais da maternidade do que Maria. Kali é descrita como destruidora e sanguinária, mas também como força regeneradora e libertadora. Para muitas tradições tântricas, aproximar-se de Kali significa confrontar a própria sombra e, ao mesmo tempo, ser acolhido por uma dimensão radical de amor e liberdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Se Maria simboliza o amor incondicional e a doação, Kali representa a potência que corta o que precisa morrer para que o novo surja. Ambas podem ser consideradas expressões complementares do mesmo princípio materno.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Entre Maria e Kali se apresenta o drama psíquico da maternidade contemporânea. De um lado, a mãe santa, que tudo suporta e de outro, a mãe instintiva, que sente raiva, medo e desejo e que age muitas vezes de forma violenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Quando a cultura valoriza apenas o aspecto luminoso, a psique reage projetando a sombra reprimida, seja nas outras mulheres, vistas como mães ruins, seja em sintomas físicos e emocionais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-lembra-que-a-meta-da-individuacao-nao-e-a-perfeicao-mas-a-totalidade-o-equilibrio-entre-luz-e-sombra" style="font-size:19px">Jung lembra que a meta da individuação não é a perfeição, mas a totalidade, o equilíbrio entre luz e sombra.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Significa reconhecer em si tanto Maria quanto Kali: a ternura e a fúria, o amor e a destruição, o cuidado e o limite.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O objetivo da individuação não é o homem perfeito, mas o homem completo com sua luz e sua escuridão. O mal, assim como o bem, é dado ao homem juntamente com o dom da vida. Não pode nunca ser completamente vencido, embora o homem tenha a chance de contê-lo, tornando-se cônscio dele e analisando-o. Quanto mais consciente for de suas predisposições para o mal, mais condições terá de resistir às forças destrutivas dentro de si. Em geral, a individuação tem início quando o homem se torna consciente da própria sombra, da escuridão e do mal inconscientes, que são, no entanto, parte integrante da sua totalidade. </p><cite>JAFFÉ, 2021, p. 81</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-mulher-que-aceita-sua-sombra-materna-deixa-de-buscar-a-perfeicao-e-passa-a-viver-uma-maternidade-mais-autentica-e-livre-essa-aceitacao-nao-elimina-o-sofrimento-mas-o-ressignifica" style="font-size:19px">A mulher que aceita sua sombra materna deixa de buscar a perfeição e passa a viver uma maternidade mais autêntica e livre. Essa aceitação não elimina o sofrimento, mas o ressignifica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A negação dos aspectos sombrios aprisiona as mulheres em um ideal inatingível de perfeição. O reconhecimento da sombra não destrói o amor materno, o torna mais verdadeiro, porque permite amar sem negar o conflito. Acolher em si as forças ambivalentes tornam possível construir uma maternidade menos idealizada e mais real, uma maternidade viva, transformadora e inteira</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: De Maria a Kali – A sombra materna e o adoecimento psíquico das mães" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/tKf9m7h9sRY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/luiza-de-oliveira-burger/"><strong>Luiza de Oliveira Burger </strong>– <strong>Membro Analista em formação IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/"><strong>Ana Paula Maluf</strong> – <strong>Analista Didata IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">FORNA, Aminatta. <em>Mãe de todos os mitos. </em>Como a sociedade modela e reprime as mães. Rio<br>de Janeiro: Ediouro,1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JAFFÉ, Aniela.&nbsp;<em>O Mito do Significado na obra de C. G. Jung</em>. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Aion. </em>Estudo Sobre o Simbolismo do Si-mesmo.10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo</em>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KAST, Verena. <em>A sombra em nós. </em>A força vital subversiva. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">ODIER, Daniel. <em>Kālī: mitologia, práticas secretas e rituais.</em> São Paulo: Presságio, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">CHAMUNDACHARYA DAKSINA KALI (Vazel Chamunda Merenzeine)<strong>.</strong> <em>Kālī, adoração e serviço – volume 1.</em> São Paulo: Clube de Autores, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Matrículas abertas: <a style="font-weight: bold;" href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="960" height="540" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-2.png" alt="" class="wp-image-11604" style="width:699px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-2.png 960w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-2-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-2-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-2-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-2-450x253.png 450w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/repressao-da-sombra-na-maternidade-e-o-sofrimento-psiquico-das-maes/">De Maria a Kali &#8211; A sombra materna e o adoecimento psíquico das mães</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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