<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos namoro - Blog IJEP</title>
	<atom:link href="https://blog.ijep.com.br/tag/namoro/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/namoro/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Wed, 07 Jun 2023 18:59:41 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-logo-ijep-32x32.png</url>
	<title>Arquivos namoro - Blog IJEP</title>
	<link>https://blog.ijep.com.br/tag/namoro/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Quando o amor acaba</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/quando-o-amor-acaba/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniela Aimar Euzebio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jul 2022 17:43:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Casamento]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[eros]]></category>
		<category><![CDATA[namoro]]></category>
		<category><![CDATA[paixão]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=5199</guid>

					<description><![CDATA[<p>No começo dos relacionamentos amorosos há o encantamento.&#160; Descobrimos as afinidades, sentimos o desejo, a química do corpo e da alma, temos aquela vontade crescente de estar cada vez mais perto. A pupila dos olhos dilata para reter a imagem da presença de quem amamos. O romance inicia e o fluxo da vida se faz [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/quando-o-amor-acaba/">Quando o amor acaba</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No começo dos <strong>relacionamentos amorosos</strong> há o encantamento.&nbsp;</p>



<p>Descobrimos as afinidades, sentimos o <strong>desejo</strong>, a química do corpo e da alma, temos aquela vontade crescente de estar cada vez mais perto. A pupila dos olhos dilata para reter a imagem da presença de quem amamos. O romance inicia e o fluxo da vida se faz presente, com ele a intimidade, o casamento, os filhos.&nbsp;</p>



<p>Quando o <strong>amor</strong> se faz vigente, fantasiamos ter o outro para sempre, traçamos planos de viver e de envelhecer ao lado de quem amamos.&nbsp;</p>



<p>Mas com a dinâmica da vida há um estabelecimento da rotina e com ela surgem os mais diversos problemas.&nbsp;</p>



<p>Os descuidos diários fazem com que o <strong>amor</strong> se desgaste, acarretando num possível afrouxamento das expectativas e consequente perda de admiração pelo parceiro. Com isso, não se esperam mais grandes feitos do outro, o futuro vira um acumulado de dias bolorentos e o desejo sexual escorre pelo ralo.</p>



<p>&nbsp;Aquele defeito que achávamos graça torna-se irritante. Com o acumulado de silêncios, discussões, desconexões e intolerâncias geram inúmeros conflitos e, quando nos damos conta, o <strong>amor</strong> acaba. Um sentimento que julgávamos indestrutível, se foi.&nbsp;</p>



<p>Às vezes nós deixamos de amar, às vezes o <strong>amor</strong> do outro é que nos deixa.</p>



<p>O término do <strong>amor</strong> nem sempre tem a ver com separação de corpos e sim com o afastamento das almas. Perde-se a intimidade, o companheirismo, a paciência, o tesão, as afinidades. Paira sobre o casal um silêncio gelado, onde existe mais interesse nas entranhas do celular e nas teias das redes sociais do que na vida do outro.</p>



<p>Para alguns casais o <strong>amor romântico</strong> se transmuta em amizade, onde uma espécie de irmandade ou até coleguismo prevalece na relação. Com a relação mais fraterna é comum que haja queda no desejo sexual pelo outro.&nbsp;</p>



<p>Mesmo quando o amor esvai, alguns casais optam por ficarem juntos e os motivos podem ser diversos: co-dependência emocional, medo da solidão, dogmas religiosos, filhos, dinheiro, status social, etc. Seja por consenso, anestesiamento ou medo, optam por compartilhar a solidão a dois.</p>



<p>O final de uma relação é dolorido, e os sentimentos são diferentes e penosos para quem abandona ou é abandonado.&nbsp;</p>



<p>O término é difícil&#8230;&nbsp;</p>



<p>Sentimos que o desenvolvimento muitas vezes contraditório da vida, ora permeado por amizade, parceria, cumplicidade e tesão, ora por brigas, ciúmes, falta de troca e intimidade, esvaece.</p>



<p>Assim como as coisas, os amigos que antes eram do casal entram no inventário existencial. E lidar com a dor dos filhos deixa a dinâmica ainda mais dura e difícil.&nbsp;</p>



<p>Algumas separações são mais simples, outras bastante dramáticas e complexas. Cada um com sua história sabe a dor e desespero quando o amor finda.</p>



<p>É natural que o término traga sensação de desorientação, pois a rotina foi dramaticamente alterada. Por vezes há a mudança de casa, de horários, não sabemos ao certo como lidar com o impacto da separação na vida das crianças, o orçamento aperta, a vida desorganiza. Uma espécie de vertigem emocional nos abarca&#8230;</p>



<p>Lidar com a dor é difícil. O processo de separação nos faz experimentar uma espécie de morte da vida conhecida, da perda de parte da nossa identidade e do modo que nos apresentamos socialmente, um sentimento de esfacelamento familiar, e às vezes uma sensação de fracasso. As perdas não são poucas e o sofrimento é intenso.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Por isso é preciso ter paciência. A dor da morte do amor gera em nós um processo de luto.&nbsp;</p>



<p>Apesar de penoso, viver o luto é importante pois permite uma reorganização da nova fase de vida. No luto, entramos em contato com sentimentos desconfortáveis, angústias, inquietações, numa incômoda retórica do que não deu certo.&nbsp;</p>



<p>Como somos plurais, cada pessoa tem uma forma e intensidade para atravessar este campo minado. Jung diz que “não podemos afirmar se alguma coisa é errada ou certa. A vida humana e o destino humano são tão paradoxais que mal podemos estabelecer uma regra que correspondam a eles”. (Jung, 2005, p. 53). Contraditoriamente, passar por essa fase complicada do luto nos ajuda na reorganização psíquica.</p>



<p>Por isso, é preciso ter paciência durante o processo. Nesta fase, é comum nos fechar para balanço e fazer uma espécie de inventário existencial. Neste momento, estamos tomados pelos complexos e ficamos muito sensibilizados.</p>



<p>Durante o processo do luto do amor, percebemos que por vezes nos desconectamos de nós mesmos.&nbsp;</p>



<p>Descobrimos uma espécie de autoabandono e vemos o quanto deixamos de nos cuidar, quanto não vivemos o que gostaríamos em prol de uma doação desmedia ao outro. Deixamos de fazer o que gostamos, descuidamos da nossa alimentação, da saúde, dos prazeres, e percebemos o quão desconexos estamos de nós mesmos.</p>



<p>Quando a dor excessiva ameniza, num movimento nem sempre consciente tendemos a buscar mudanças. Tentamos resgatar a autoestima ao melhorar o cuidado pessoal, mudar o cabelo, as roupas, o corpo.&nbsp;</p>



<p>O importante nesta fase é redescobrir-se e fazer com que este processo tenha sentido e aderência de quem somos, e não uma tentativa inócua de “voltar ao mercado do amor”.</p>



<p>Nesta nova fase surge o desejo (às vezes inconsciente) de uma nova persona.</p>



<p>Porém melhorar a autoestima não é apenas cuidar da aparência e do corpo, mas buscar uma reconexão de si. É descobrir, entender e respeitar seus limites; priorizar o sentimento de bem-estar; criar bons hábitos; realizar sonhos; adquirir leveza; olhar-se sem crítica destrutiva.&nbsp;</p>



<p>Como persona e sombra são pares de opostos na psique, também se faz importante o confronto com a sombra, pois nela constituem problemas de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo.&nbsp;</p>



<p>Na tomada de consciência da sombra, reconhecemos os aspectos obscuros da nossa personalidade, tais como são na realidade (Jung, O.C. 9/2, 2013, p.19 §14). E isso é a base indispensável para qualquer tipo de autoconhecimento, pois conseguimos criar consciência daquilo que possivelmente deu errado.&nbsp;</p>



<p>Entrar em contato com a sombra é uma forma de acessar e entender nossos complexos, traumas, baixa autoestima, autossabotagem, medos, ansiedades, inseguranças.</p>



<p>Caminhar pelo vale pantanoso da sombra não é tarefa fácil, mas pode ser libertador. Jogar luz àquilo que nos aflige traz consciência para tomadas de decisões um pouco mais cuidadosas e responsáveis.</p>



<p>Na fase de reconstrução de si, repensar a forma de viver é salutar. Nos ajuda a recuperar o sentido, a entender nossos valores, a fazer as pazes com quem somos, a preencher alguns vazios existenciais com um sopro de acalanto da alma.</p>



<p>Relembrar o que passamos na jornada amorosa também nos auxilia a perceber os ensinamentos vividos, pois toda troca traz uma importante experiência.&nbsp;</p>



<p>Por mais doloroso que seja um final de relação, houve momentos importantes que marcaram a vida. Sejam memórias boas ou não, refletir sobre o processo nos ajuda a assimilar seus aprendizados.</p>



<p>Cada um tem um ritmo, um tempo de recolhimento. Cada pessoa é um universo e, como tal, tem uma pulsação diferente de retomada da vida.</p>



<p>A vida floresce no momento certo e com ela uma nova versão de nós desabrocha. Nem sempre melhor ou pior, mas diferente.</p>



<p>Ao estarmos mais conectados aos nossos processos internos, nos sentiremos menos ameaçados e fragilizados na presença do outro, e baixamos a guarda para estabelecer relações mais íntimas.</p>



<p>As reflexões e aprofundamentos nos processos de ampliação da consciência nos ajudam a perceber que não temos que ser perfeitos, mas pessoas completas com nossa luz e escuridão.</p>



<p>Viver um dia de cada vez, apreciar os bons momentos e entender que as dificuldades são as pedras que sedimentam os caminhos da nossa jornada nos ajudam a aceitar aquilo que não podemos mudar, a ter coragem para mudar o que for preciso e sabedoria para discernir entre as duas coisas.</p>



<p>Daniela Aimar Euzebio – Membro Analista em formação do IJEP (SP)</p>



<p>E. Simone Magaldi – Membro didata do IJEP</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Quando o amor acaba | Daniela Euzebio" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/ay1M5jSFHEg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Referências</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Aion &#8211; Estudos sobre o simbolismo do si-mesmo. Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas de C.G.Jung, v. 9/2).</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Sobre o amor. São Paulo: Ideias &amp; Letras, 2005.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/quando-o-amor-acaba/">Quando o amor acaba</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Relacionamentos afetivos e sexualidade: expressão e contenção do amor</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/relacionamentos-afetivos-e-sexualidade-expressao-e-contencao-do-amor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2020 19:12:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Casamento]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[namoro]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento tóxico]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=5767</guid>

					<description><![CDATA[<p>Complexa é a humanidade e complexos são os relacionamentos afetivos e sexuais, razão pela qual não podemos compreendê-los sob um único enfoque.&#160; De um modo geral, a sexualidade pode ser compreendida sob quatro critérios: biológico, sociocultural, psicológico e espiritual. Segundo Cavalcante &#38; Cavalcante (2006), no aspecto biológico, o indivíduo pode ser considerado disfuncional se as [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/relacionamentos-afetivos-e-sexualidade-expressao-e-contencao-do-amor/">Relacionamentos afetivos e sexualidade: expressão e contenção do amor</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Complexa é a humanidade e complexos são os relacionamentos afetivos e sexuais, razão pela qual não podemos compreendê-los sob um único enfoque.&nbsp; De um modo geral, a sexualidade pode ser compreendida sob quatro critérios: biológico, sociocultural, psicológico e espiritual. Segundo Cavalcante &amp; Cavalcante (2006), no aspecto biológico, o indivíduo pode ser considerado disfuncional se as diferentes reações fisiológicas estão bloqueadas. O conceito de desvio reflete o pensamento num grupo cultural e em determinado momento, levando em consideração que a sociedade é dinâmica, sendo que o “normal” hoje, pode não ser mais amanhã, portanto reflete o olhar sociocultural. No aspecto psicológico, entra em cena a adequação, envolvendo a visão particular de cada um sobre a satisfação do seu comportamento sexual e com a do seu parceiro. As disfunções, os desvios e as inadequações, independente da identidade de gênero ou da orientação sexual, podem ser compreendidas e ressignificadas, para que influenciem de forma saudável nos relacionamentos. Carl Gustav Jung, contribui significativamente com sua teoria para compreensão do critério espiritual ao afirmar que ele está relacionado ao&nbsp;transcendente da alma, que envolve a ampliação da consciência para tornar-se si mesmo, permitindo o encontro do ego com o Self. Segundo o autor,&nbsp;“vivemos protegidos por nossas muralhas racionalistas contra a eternidade da natureza” (2013, v. 8/2, par. 739) e, podemos romper com as muralhas que nos separam da natureza que há em nós.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O mundo contemporâneo é marcado pelo patriarcado e os&nbsp;meios cultural e social interferem na nossa formação. Durante muito tempo, nascer homem ou mulher fez a diferença. As famílias torciam para que o primeiro filho do casal fosse do sexo masculino e, ao nascer uma menina, alguns homens diziam “ter fraquejado”. E assim se propagou uma jornada de uma cultura machista, que incentivou o rapaz “ser pegador”, em busca de prazer e, a moça “preservada” até o casamento e sem permissão para sentir prazer. &nbsp;Neste sentido, a interferência da religião e da tradição foi grande, disseminando a ideia de castigo e de culpa da mulher. Com o nascimento dos filhos, também se preservava a continuidade da espécie e da família, lugar sagrado com uniões indissolúveis, apesar de para alguns representar sofrimento, até a separação por morte física. Da mesma forma, muitos valores enaltecedores foram transmitidos pelo inconsciente coletivo. Essas vivências fazem parte da nossa transgeracionalidade, em forma de heranças arquetípicas nas diferentes dimensões e que aos poucos mudam de configuração.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De um modo geral, ao falarmos de sexualidade podemos percorrer um caminho longo, que começa na infância. Pesquisadores nos mostram que o bebê, na fase oral em que leva tudo à boca, sente-se no paraíso ao sugar o leite da mãe.&nbsp; A criança, conforme vai crescendo, amplia sua capacidade de percepções, desperta para as sensações prazerosas, principalmente no controle do esfíncter anal e genital, tornando-se cada vez mais curiosa. Na puberdade, com uma carga hormonal intensa, a menina vivencia a menarca e o menino a ejaculação. Os adolescentes, fisicamente com o corpo pronto para serem inseridos no mundo adulto, geralmente têm suas primeiras experiências sexuais, dentro ou fora de relacionamentos amorosos. Alguns adultos vivem a sexualidade livremente ou optam em estabelecerem vínculos familiares, escolhendo a vida conjugal e a procriação. Já na metade da vida, além da vivência sexual, surgem as experiências com o climatério e andropausa, que podem ser brandas ou intensas. Na velhice, ocorrem muitas transformações, porém nada impede que a sexualidade seja vivida, pois ela nos acompanha vida afora, com momentos de ascensão e declínio, envolvendo o amor e as diferentes formas de amar. Neste sentido, o amor se expressa em canções, poemas, presentes e presenças. Quem não se encanta com Marisa Monte, expressando a grandeza do amor em&nbsp;<em>Amor I Love You?&nbsp;</em>&nbsp;Com leveza de alma, ela canta:&nbsp;“Deixa eu dizer que te amo, deixa eu pensar em você, isso me acalma, me acolhe a alma, isso me ajuda a viver”. Igualmente, o cantor Roberto Carlos, encantando multidões com a música&nbsp;<em>Como é Grande o Meu Amor Por Você</em>. Da mesma forma,&nbsp;<a href="https://www.pensador.com/autor/carlos_drummond_de_andrade/">Carlos Drummond de Andrade</a>, exaltou o amor em versos: “O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alguns estudiosos em relacionamentos, afirmam que as diferenças cerebrais explicam tantas divergências.&nbsp;John Gray, no livro&nbsp;<em>Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus,&nbsp;</em>trouxe a ideia de que os homens só utilizam um hemisfério cerebral ao executarem atividades,&nbsp;fazendo uma coisa de cada vez&nbsp;e, as mulheres conseguem utilizar os dois lados,&nbsp;tendo a capacidade de exercerem várias atividades ao mesmo tempo. Algumas dessas características aparecem em situações corriqueiras. A neurociência, por sua vez, apresenta-nos estudos sobre a diferença de conexões que ocorrem no cérebro de homens e mulheres, alertando-nos de que as diferenças anatômicas não são determinantes e também não são suficientes para explicar as diferenças de comportamento, que em grande parte se devem à influência cultural. Jung contribuiu com estudos e limitou-se a tratar do casamento como problema psicológico: “Como relacionamento psíquico o matrimônio é algo de complicado, sendo constituído por uma série de dados subjetivos e objetivos que em parte são de natureza muito heterogênea” (2013, p.324).&nbsp; Cientificamente comprovadas ou não, sabemos que as diferenças existem e interferem nos relacionamentos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Existem diferentes tipos de amor e os mais conhecidos são três:&nbsp;<em>Philos, Eros e Ágape</em>. O&nbsp;<em>Amor Philos</em>&nbsp;é um amor fraternal, é um sentimento de simpatia natural, afinidade mental e cultural com os amigos e familiares. O&nbsp;<em>Amor Eros</em>&nbsp;expressa o amor com paixão e romantismo, podendo envolver o desejo passional, sensual e sexual, que é estimulado e vivenciado em diferentes produções criativas: filmes, poesias, músicas e obras de arte (Magaldi Filho, 2014, p. 73-74). &nbsp;A mitologia traz Eros, o anjo da paixão e das afinidades, disparando flechas que incendeiam o coração dos amantes. E Roupa Nova, com a música&nbsp;<em>Todo Azul do Mar</em>, traduziu esse romantismo:&nbsp;“Foi assim como ver o mar, a primeira vez que meus olhos se viram no seu olhar&#8230; Quando eu mergulhei, no azul do mar, sabia que era amor e vinha pra ficar”. Finalmente, o&nbsp;<em>Amor Ágape</em>&nbsp;é desinteressado, puro, genuíno e invencível. É divino, elevado, transcende os sentidos humanos. É aquele que “tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta” (1Cor 13:4-7). Essa forma de amar vem ao encontro dos versos de Fernando Pessoa: “Amo como o amor ama. Não sei razão pra amar-te mais que amar-te. Que queres que te diga mais que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?” Pensando no aspecto alquímico dos&nbsp;relacionamentos, podemos imaginar que o ideal é harmonizar os três tipos de amor. Uma dose de cada um e na medida certa, torna a experiência do amor em plenitude.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante do sofrimento instaurado a partir de crenças enraizadas, principalmente pela dificuldade em compreendermos as diferenças existentes entre o masculino e feminino, idealizamos um&nbsp;<em>Amor Maior</em>, como cantado por Jota Quest: “É preciso amar direito (&#8230;) Amor de dentro pra fora, amor que eu desconheço”. Para indivíduos centrados no ego, a contenção do amor ocupa grande espaço, acreditando que amar é sinônimo de fraqueza e falta de controle. E como se fosse possível controlarmos alguma coisa&#8230; Vindo ao encontro, Clarice Lispector nos traduziu em forma de poesia sua profundeza de alma: “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento”. Para alguns, esse amor nem sempre é possível, com vivências de solidão e&nbsp;dificuldades para encontrarem parceiros que queiram estabelecer relações duradouras, pois foram incentivadas a resolverem seus problemas sozinhos e não desenvolveram a troca, tão necessária na conjugalidade. Essas questões nos permitem pensar na influência do meio social nas relações afetivas, como trouxe Féres-Carneiro (1987), afirmando que a nossa autonomia é incentivada desde cedo, com estímulos para alcançarmos a nossa independência, ouvindo frases como:&nbsp; Faça você! Você constrói seu caminho! Desta forma, os homens são incentivados para serem especialistas nas técnicas de sedução e conquista e, apresentam dificuldades na intimidade com o mundo feminino. As mulheres, apesar da emancipação e da autonomia feminina, conservam o amor romântico, que está fragmentado e, continuam em busca da alma gêmea. Já não prevalecem “para sempre e único”, da mesma forma a entrega total do outro está comprometida com idealizações nem sempre atingíveis.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo Magaldi Filho, a evolução cíclica da mulher estimula a evolução do homem, processo em que o feminino instiga o masculino. O que a mulher busca no homem? O herói que vai salvá-la de algo, o pai que vai protegê-la, o filho que poderá cuidar e o sábio que era unificar os três homens anteriores. O que o homem busca na mulher? A Eva, atraente e sensual, a Maria que irá proporcionar um lar, a Helena que está ao seu lado para o que der e vier e a Sofia, a sábia que irá coordenar as três anteriores. (2014, p. 186-187). Ainda, de acordo com o autor, a evolução tem como base a alteridade que deve incluir o princípio feminino, renegado por muitos anos pelo patriarcado. A mulher sábia transita entre o bom, o belo e o verdadeiro e isso pode assustar o homem: “A mulher tem mais facilidade para lidar com sua feminilidade (&#8230;) Ela muda, agrada e acolhe (o útero acolhe). Em contrapartida, o homem assusta-se: o masculino é assustado e a amedrontado. Por isso, o homem divide, agride e foge” (2014, p. 188). A alquimia do amor envolve a compreensão das diferenças que existem e a expressão do que sentimos, que potencializa o que une o universo masculino e feminino.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A história nos mostra os ideais de casamento em diferentes épocas. No passado, o casamento tinha a função de ligar duas famílias e permitir que elas se perpetuassem. No séc. XVIII, surgiu um novo ideal de casamento: que os cônjuges se amassem. Hoje, é raro pessoas casarem sem desejo e amor. As mulheres em geral procuram mais por uma relação amorosa e os homens almejam constituir uma família. No início da relação, na hora da conquista, mostramos o melhor de nós, mas os conflitos aparecem na convivência: &nbsp;a sobrecarga de um e a folga do outro, investimentos errados, objetos fora do lugar, problemas de saúde, sexo extraconjugal, excesso de bebidas, as dificuldades financeiras, entre outros. Igualmente, a rotina e o cansaço passam a ocupar o espaço da criatividade e os cuidados conosco e com o outro não são mais os mesmos. Passamos a sentir necessidade de termos o nosso espaço e deixamos de investir no outro e na relação. No consultório, utilizo o exemplo simbólico da bolinha de neve, que vai rolando morro abaixo, aumentando de tamanho e ao bater em algo, causa impacto e destruição. E o que fazer para evitar a destruição do relacionamento? A utilização da comunicação assertiva é uma saída. É um caminho mais longo, porém geralmente mais eficaz. Ela envolve paciência, habilidade e escolhas. Ao mesmo tempo, é manifestação de respeito, carinho e amor, tão necessários nos relacionamentos.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Difícil falar e citar uma regra geral para tanta complexidade. Assim como cada ser humano, cada história é única. E como trabalhar relações desgastadas? Trabalhando cada caso em particular ou com a psicoterapia de casal, momento em que os conflitos que permeiam controle, cobrança, comparação, culpa e castigo, podem ser integrados.&nbsp;O mundo virtual também nos oferece muitos recursos para aprimorarmos nossa performance sexual. Basta clicarmos e nos deparamos com muitas informações que podem ser funcionais ou não. Vários produtos são oferecidos pelo Sex Shop, que auxiliam no aumento da libido, mas o problema pode ser mais complexo: não reagimos só pelo instinto, necessitamos de essência, somos seres integrais! Ginecologistas e urologistas devem fazer parte da nossa vida. De forma idêntica, o psicólogo e o terapeuta sexual têm um papel fundamental para nos auxiliar na promoção do autoconhecimento e na vivência conjugal.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; É nítido que o governo, a religião e a família continuam despreparadas, transmitindo uma visão distorcida da sexualidade saudável. Os tempos mudaram, as possibilidades de vivermos a nossa vida sexual também, porém os valores transmitidos de geração em geração se perpetuam negativamente em algumas sociedades, a ponto de ainda ser comum homem bater em mulher e, consequentemente muitos enquadrados na Lei Maria da Penha. Enquanto isso, muitas mulheres ainda permanecem em silêncio, são violentadas, abusadas e mortas, índice comprovado pelas estatísticas. O sentimento de culpa por parte da mulher e posse por parte do homem prevalecem, sendo comum ouvirmos de quem comete tais crimes “se não for minha, não será de mais ninguém”. Mata-se em nome do amor! Paixão patológica, disfarçada de amor, que invade e domina, causadora de muito sofrimento. Neste contexto, homens também são agredidos e os índices de violência para com eles estão aumentando gradativamente.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com o surgimento dos conflitos, percebem-se diferentes investimentos para dar um novo sentido e significado às crises oriundas da convivência. Permanecer juntos “até que a morte os separe” é o que que se ouve nas cerimônias de casamento. E quantas mortes ocorrem, antes da morte física. Morte do encantamento, da confiança e de sonhar juntos!&nbsp;Em alguns casos, mantêm-se o casamento para não abalar o desenvolvimento emocional dos filhos, sendo que evitar brigas constantes e não conviver na mesma casa, faria menos mal para eles. É desafiador conjugar duas individualidades, assumir regras que envolvem um sistema de trocas, manter a relação prazerosa e útil. Quando o encantamento acaba, a relação acaba.&nbsp;Um indivíduo é a extensão do outro, ao mesmo tempo é diferenciado do outro. Cada um precisa ter seu espaço e o relacionamento precisa corresponder às expectativas de cada um dos envolvidos.&nbsp;De acordo com a autora Maria Helena M. Guerra, Jung também se confrontou com as dores do amor: “Por um lado, a necessidade de ser fiel ao que vivia, às suas emoções e aos seus sentimentos; por outro, o desejo de permanecer adaptado à sociedade, de manter sua persona, de reconhecer-se como sempre fora, valorizando a razão, a coerência, a ciência e acreditando ter o domínio de sua alma. Esta foi a grande tensão, o jogo de forças entre o espírito das profundezas e o espírito da época. (2011, p. 60).&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conviver gera crises e quando esgotam as possibilidades de harmonia, a separação é a melhor solução, podendo ter efeitos positivos, como a ressignificação dos padrões de relacionamento. É dolorido ver o outro morrer em vida dentro de nós e nós morrermos no outro. São escolhas doloridas, que envolvem um antagonismo e um processo de luto a ser elaborado, ao mesmo tempo que as funções parentais devem ser asseguradas e mantidas. Hoje, deparamo-nos com a elevação do grau de exigências nos relacionamentos afetivos e na vivência da sexualidade, que conjuga o prazer e a procriação. Como vivemos cercados de muitas opções, as relações também se tornam descartáveis, principalmente com a falta de confiança, paciência e persistência. É necessário transitarmos também na dimensão espiritual, qualificarmos as relações e potencializarmos o que une. &nbsp;Neste sentido, trago a fala de Rubem Alves: “Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.” A convivência envolve silêncios e ruídos, que podem ser favoráveis à sua manutenção ou ao seu término. Relacionamentos envolvem a expressão do amor com ciclos saudáveis de prazer, simbolicamente representados pela integração do sol, da lua e do barulho da chuva. E na contenção do amor, perdemos essa preciosidade de vivermos a plenitude do amor.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;Claci Maria Strieder, analista em formação pelo Ijep.&nbsp;</p>



<p>Leituras de apoio:</p>



<p>ALVES, Rubem&nbsp;<a href="https://citacoes.in/citacoes-de-vida/">https://citacoes.in/citacoes-de-vida/</a></p>



<p>ANDRADE, Carlos Drummond.&nbsp;<em>Amar se aprende amando</em>. São Paulo:&nbsp;<a href="https://www.companhiadasletras.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Companhia das Letras</a>, 2018.&nbsp;</p>



<p>BÍBLIA De&nbsp;<em>Jerusalém</em>. São Paulo: Paulus, 2003.</p>



<p>BRANDÃO, J. –&nbsp;<em>Mitologia Grega Vol. 1</em>, Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p>CAVALCANTI, R. &amp; CAVALCANTI, M.&nbsp;<em>Tratamento clínico das inadequações sexuais</em>. 3. Ed. São Paulo: Roca, 2006.&nbsp;</p>



<p>FÉRES-CARNEIRO, T.&nbsp;<em>Aliança e Sexualidade no casamento e recasamento contemporâneo.</em>&nbsp;Psicologia: Teoria e Pesquisa, 3, 250-261, Porto Alegre, 1987.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;_____________&nbsp;<em>Casamento contemporâneo:&nbsp;</em>o difícil convívio da individualidade com a conjugalidade. Psicologia: Reflexão e Crítica, vol.11, nº2. Porto Alegre, 1998.&nbsp;</p>



<p>GRAY, John.&nbsp;&nbsp;<em>Orácúlo de</em>&nbsp;<em>Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus.&nbsp;</em>1ª Ed. São Paulo: Editora Pensamento, 2008.</p>



<p>GUERRA, Maria Helena R. M.&nbsp;<em>O livro vermelho: o drama de amor de C. G. Jung.</em>&nbsp;São Paulo: Linear B, 2011.</p>



<p>JUNG, C.G.&nbsp;<em>A natureza da psique.&nbsp;</em>14ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>__________&nbsp;<em>O desenvolvimento da personalidade</em>. 14ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>LISPECTOR, Clarice.&nbsp;<em>Uma aprendizagem ou O Livro dos prazeres.&nbsp;</em>Rio de Janeiro:&nbsp;Editora Rocco,<strong>&nbsp;</strong>1998</p>



<p>MAGALDI FILHO, Waldemar.&nbsp;<em>Dinheiro, saúde e sagrado</em>: interfaces culturais, econômicas e religiosas à luz da psicologia analítica. 2ª edição – São Paulo: Eleva Cultural, 2014.&nbsp;</p>



<p>PESSOA, Fernando.&nbsp;<em>Livro do desassossego</em>. São Paulo: Brasiliense, 1989.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Claci Maria Strieder</em></strong></h4>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/relacionamentos-afetivos-e-sexualidade-expressao-e-contencao-do-amor/">Relacionamentos afetivos e sexualidade: expressão e contenção do amor</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Amor na perspectiva da psicologia analítica: príncipes em sapos; belas em feras</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/amor-na-perspectiva-da-psicologia-analitica-principes-em-sapos-belas-em-feras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Monica Martinez]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Jun 2019 11:55:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Casamento]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[namoro]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=5537</guid>

					<description><![CDATA[<p>Tenho uma colega que, em certa época, trabalhou com revisão de romances populares. Segundo ela, os pequenos livros eram planejados numa estrutura padrão. No início havia sempre algo que impedia que a heroína gostasse do protagonista, em geral apresentado com qualidades, como beleza física, nobreza de caráter e prosperidade econômica &#8211; atributos devidamente evidenciados num [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/amor-na-perspectiva-da-psicologia-analitica-principes-em-sapos-belas-em-feras/">Amor na perspectiva da psicologia analítica: príncipes em sapos; belas em feras</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tenho uma colega que, em certa época, trabalhou com revisão de romances populares. Segundo ela, os pequenos livros eram planejados numa estrutura padrão. No início havia sempre algo que impedia que a heroína gostasse do protagonista, em geral apresentado com qualidades, como beleza física, nobreza de caráter e prosperidade econômica &#8211; atributos devidamente evidenciados num cenário exótico. Lá pelo terceiro capítulo havia uma guinada que levava a um relacionamento sexual, não raro tórrido. Ao redor do quarto ou quinto capítulo, outro acontecimento levava a jovem a conhecer melhor o herói e até aceitar um relacionamento, muitas vezes &#8220;contra sua vontade&#8221; -algo como casar com o moço bom, bonito e rico para salvar um pai da falência. Próximo do sétimo ou oitavo capítulo, havia um&nbsp;turning point&nbsp;na história que levava a mocinha a descobrir que seu amor verdadeiro estava ali, ao seu lado. A partir daí era seguir o caminho para o final feliz &#8211; condição&nbsp;sine qua non, afinal a consumidora comprava o livro justamente pela garantia de que o desfecho não a decepcionaria.</p>



<p>E minha colega ia revisando as histórias, que de novo só traziam o local onde se desenrolavam os fatos e os nomes dos protagonistas. Até que certo dia lá estava ela a revisar o romance do mês quando notou que já havia passado da metade do livro e nenhum dos conflitos previsíveis da história havia acontecido.&nbsp; Ela começou a revisar o sétimo capítulo e, qual não foi sua surpresa ao ler as palavras iniciais: &#8220;E, então, Steve mudou&#8221;. O(a) autor(a), provavelmente, havia se esquecido de articular a trama, já tinha avançado por uns três capítulos e talvez não quisesse jogar fora o material, decidindo então &#8220;forçar&#8221; o mocinho a uma guinada súbita, sem maiores explicações, apenas para manter a estrutura desse tipo de romance e agradar sua leitora.</p>



<p>É óbvio que guinadas nos scripts amorosos&nbsp;(AMÉLIO; MARTINEZ, 2005)eventualmente acontecem na vida, mas embora pareçam abruptas aos olhos dos demais o fato é que elas foram cozinhadas no fogo lento dos processos psíquicos.</p>



<p>Há vários fenômenos envolvidos nesse processo de estruturação do ego da criança &#8211; entendido no contexto junguiano como um complexo, uma carga emocional constelada ao redor do núcleo formado por uma imagem arquetípica a partir das experiências pessoais de cada indivíduo. Na criança, a representação do feminino e do masculino é formada a partir da mãe.</p>



<p>O menino terá o modelo do feminino (anima) formado a partir da relação consciente com o ego da mãe ou a figura que exercer este papel de maternagem. Por isso, o menino tem uma figura de feminino bem definida &#8211; a anima é uma unidade. Daí a fantasia da &#8220;musa&#8221;: ao entrar na adolescência, o jovem sabe que tipo de mulher busca com precisão.</p>



<p>No caso da menina, a representação do masculino (animus) é oriunda do inconsciente da mãe (animus) ou de quem exercer este papel, sendo que Jung dizia que não se tratava de uma figura única, mas de uma legião. Não há, portanto, a fantasia de um &#8220;muso&#8221;. Assim, ao entrar na adolescência, a jovem não tem um modelo de homem tão definido, mas pode se apaixonar por várias facetas do masculino.</p>



<p>Essas imagens arquetípicas &#8211; que serão essenciais no relacionamento amoroso &#8211; vão sendo construídas a partir da experiência que a criança tem com os pais e em como eles reagem em suas relações e com seu entorno. No caso de ter se sentido abandonada, por exemplo, a criança reagirá como se o mundo fosse ruim. Bem cuidada, como se o mundo fosse um lugar bom, onde se pode viver sem medo. É óbvio que a criança não está numa bolha, mas inserida num contexto social. De toda forma, tratam-se de interpretações. O risco é o de a psique do adulto permanecer no estágio infantil, representada na criança que espera que haja alguém sempre pronta a estender a mão para apoiá-la em caso de queda, para satisfazer suas vontades e tomar conta dela.</p>



<p>As representações ligadas ao universo parental começam a ser revistas a partir da puberdade, quando gradualmente começam a ocorrer as primeiras vivências amorosas. No começo, em geral, os relacionamentos amorosos ainda são platônicos, ganhando uma materialidade com o passar dos anos, em geral de acordo com o tempo histórico e social no qual o(a) jovem está inserido(a).</p>



<p>O interessante é que as relações amorosas &#8211; parte integrante desta busca pelo sentido que se dá por meio da experimentação consciente da vida &#8211; é como um jogo de dois tempos. No primeiro tempo, vamos dizer dos 12 até o redor dos 40 anos, o foco está na formação da identidade, passando pela construção dos corpos físico, emocional e mental, que são ancorados nas esferas social e histórica.</p>



<p>Ao longo dessa primeira fase da idade adulta, o(a) jovem em tese começa a testar suas asas para se descolar da família de origem e consolidar seu próprio núcleo familiar; conquista seu espaço no mundo profissional, alguns até conseguem usar&nbsp; seus recursos extras, seja de tempo ou econômicos, para apoiar serviços sociais. Nessa fase, o relacionamento amoroso se alimenta das sombras projetadas inconscientemente no outro, nas habilidades nubladas, nos pontos não desenvolvidos, enfim, nos aspectos ainda desconhecidos do jovem que serão projetados como numa tela no parceiro.</p>



<p>A analista junguiana alemã Marie-Louise von Franz (1915-1998) explica:</p>



<p>Filhos ou filhas que vivenciaram o pai como autoritário (quer ele efetivamente o tenha sido ou não) apresentam a tendência de projetar sobre todas as autoridades paternas &#8211; como um professor, um pastor, um médico, um chefe, o Estado e até mesmo a imagem de Deus &#8211; a propriedade negativa &#8220;autoritária&#8221; e de reagir diante delas de maneira correspondentemente defensiva&#8221;. Aquilo que é projetado, contudo, quando examinado mais de perto, não é de modo nenhum apenas uma imagem da lembrança do pai, mas representa a tendência autoritária do próprio filho ou filha&nbsp;(FRANZ, 2011).</p>



<p>Segundo o analista junguiano estadunidense John A. Stanford (1929-2005), quando um homem e uma mulher projetam respectivamente sua anima e seu animus um no outro, ocorre o processo de fascinação mútua conhecido como &#8220;ficar apaixonado&#8221;&nbsp;(STANFORD, 1980).</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://www.ijep.com.br/admin/jscripts/tiny_mce3/plugins/ajaxfilemanager/upload_files/quat%C3%A9rnio.jpg" alt=""/></figure>



<p>Figura&nbsp;1: O Esquema de projeção proposto por Stanford (1980)</p>



<p>Nada como um dia após o outro e a intensa convivência para o príncipe encantado virar sapo, ou a princesa virar rã. A projeção que uniu o casal-até-que-a-morte-nos-separe cai por terra e, por trás dela, surge o outro como ele é &#8211; ou sempre foi.&nbsp; Como uma projeção só pode ser trocada por outra, não é difícil neste momento ocorrer o &#8220;apaixonamento&#8221; por um(a) terceiro(a), tela nova no qual a projeção pode novamente ser feita.</p>



<p>Quanto mais a pessoa se conhece, em tese menos projetaria seus conteúdos inconscientes nos outros, uma vez que estaria em processo de tomar consciência desses conteúdos desconhecidos em si mesma. Von Franz chega a apontar os cinco estágios desse jogo de projeção: 1) a pessoa se convence de que a experiência interior e inconsciente é uma realidade externa; 2) ocorre a percepção de que há uma discrepância entre a imagem projetada e a realidade; 3) a pessoa reconhece esta discrepância; 4) o indivíduo reconhece que estava errado; 5) a pessoa passa a buscar o significado dessa projeção em si mesmo e não no outro&nbsp;(Von Franz apud HOLLIS, 2015, p. 47).</p>



<p>Caso a pessoa consiga integrar suas sombras por meio de processos psicoterápicos, ela mudará, ainda que gradualmente. Pode ocorrer, neste caso, de seu parceiro resistir à mudança, levando ao conflito e, às vezes, ao fim da relação.&nbsp;</p>



<p>Para o analista junguiano estadunidense James Hollis, são dois os desafios da meia idade, que ele chama de &#8220;caminho do meio&#8221;. O primeiro é o encontro com a limitação, com o enfraquecimento e com a mortalidade. Não deixa de ter relação, portanto, com a imagem do trio que tocou Buda e levou-o à saga da iluminação: a noção de que não há como vencer, na materialidade, a velhice, a doença e a morte.</p>



<p>A segunda maior deflação das expectativas da meia-idade, segundo ele, é o encontro com as limitações dos relacionamentos&#8221;&nbsp;(HOLLIS, 2015, p. 47):</p>



<p>O Outro Íntimo que satisfará nossas necessidades, que tomará conta de nós, que sempre estará presente para nos apoiar, é finalmente visto como pessoa comum, como nós mesmos, também necessitada, e que projeta sobre nós expectativas bastante semelhantes às nossas. Os casamentos frequentemente terminam na meia-idade, e uma das principais causas é a enormidade das esperanças infantis que se impõem sobre a frágil estrutura existente entre duas pessoas. Os outros não satisfarão e nem podem satisfazer as necessidades grandiosas da criança interior, de modo que somos deixados, e sentindo-nos abandonados e traídos&nbsp;(HOLLIS, 2015, p. 47).</p>



<p>Como ele aponta, a salvação, a cura, não está lá fora. &#8220;A vida tem uma maneira de dissolver as projeções e precisamos, em meio ao desapontamento e ao desconsolo, começar a assumir a responsabilidade pela nossa satisfação&#8221;&nbsp;(HOLLIS, 2015, p. 47).</p>



<p>Para o analista junguiano, &#8220;(&#8230;) existe uma excelente pessoa dentro de nós, alguém que mal conhecemos, e que está pronta e disposta a ser a nossa constante companheira (HOLLIS, 2015, p. 47-48). Uma possível analogia, talvez, fosse a protagonista de&nbsp;A Bela e a Fera,&nbsp;que entrou recentemente em cartaz na versão cinematográfica que traz no papel principal a atriz inglesa Emma Thompson &#8211; mais conhecida como a Hermione da saga&nbsp;Harry Potter.</p>



<p>Escrita em 1740 pela francesa Gabrielle-Suzanne Barbot, Dama de Villeneuve, e adaptada em 1756 por Jeanne-Marie LePrince de Beaumont,&nbsp;a história também é conhecida pelo título&nbsp;A Bela e o Monstro. A essência da obra é a de que a aceitação do outro como ele realmente é faz com que o parceiro amoroso revele-se melhor do que aparentemente é ou parecia ser, pelo menos aos olhos da companheira.</p>



<p>Por extensão, seria apenas quando abandonamos as expectativas e birras da criança que há em nós e que aceitamos a responsabilidade de crescer e buscar em nós mesmos o significado que move nossa vida, confiando que nossa psique nos mostrará o caminho, que poderíamos finalmente tentar viver de uma forma madura.</p>



<p>Isso não significa que tudo será perfeito. Mas, ao menos, que não apontaremos um dedo para o outro quando os demais quatro dedos da mão em forma de arma apontam para nós mesmos.</p>



<p>Quando a cortina do palco das projeções cai, o outro pode passar de vilão a ser o aliado companheiro &#8211; com seus defeitos inclusos &#8211; dessa maravilhosa jornada rumo ao mistério e ao desconhecido de que é feita a vida, que só pode ser experenciada por meio do assombro, da gratidão, da reverência &#8211; e, claro, de muita tolerância e paciência. Sim, &#8220;e Steve mudou&#8221; da água para o vinho, de uma hora para outra, é uma fantasia que acontece apenas nos romances escritos com linhas mal alinhavadas.</p>



<p>Dra. Monica Martinez, analista em formação do IJEP &#8211; Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, especialista em Psicologia Junguiana, jornalista, escritora, doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP e pós-doutorado pela Umesp. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade do Texas em Austin. Atende na Vila Madalena, zona Oeste de São Paulo. Email:&nbsp;<a href="mailto:analisejunguianasp@gmail.com">analisejunguianasp@gmail.com</a>.&nbsp;</p>



<p>Referências</p>



<p>AMÉLIO, A.; MARTINEZ, M.&nbsp;Para viver um grande amor. São Paulo: Gente, 2005.</p>



<p>FRANZ, M.-L. VONZ.&nbsp;Psicoterapia. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.</p>



<p>HOLLIS, J.&nbsp;A passagem do meio: da miséria ao significado da meia-idade. 11. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.</p>



<p>STANFORD, J. A.&nbsp;The invisible partners: how the male and female in each of us affects our relationships. New Jersey: Paulist Press, 1980.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Monica Martinez</em></strong></h4>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/amor-na-perspectiva-da-psicologia-analitica-principes-em-sapos-belas-em-feras/">Amor na perspectiva da psicologia analítica: príncipes em sapos; belas em feras</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
