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	<title>Arquivos o quereres - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos o quereres - Blog IJEP</title>
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		<title>O que fazer com um sonho frustrado?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2026 21:58:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Persona e Sombra]]></category>
		<category><![CDATA[Sonho]]></category>
		<category><![CDATA[caetano veloso]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste artigo, busco refletir sobre a frustração dos sonhos não realizados e convido você a fantasiar uma sociedade que sustentasse o fracasso, em vez do samba-exaltação ao ego contemporâneo, que acredita poder tudo o que quer.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-que-fazer-com-um-sonho-frustrado/">O que fazer com um sonho frustrado?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Resumo</strong>: Neste artigo, busco refletir sobre a frustração dos sonhos não realizados e convido você a fantasiar uma sociedade que sustentasse o fracasso, em vez do samba-exaltação ao ego contemporâneo, que acredita poder tudo o que quer.</p>



<p>Olhadas com alguma doçura, as Neurociências nos contam que biologia é poesia. Os mesmos circuitos neuronais ativados quando sonhamos dormindo estão também ativos, idênticos, quando sonhamos acordados, no mais puro devaneio.</p>



<p>No descanso da consciência, sono, tudo pode nos ocorrer. Símbolos surreais contam histórias aparentemente desconexas, frequentemente imorais e magicamente reveladoras, quando observadas com algum interesse, curiosidade e insistência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-deixarei-hoje-os-sonhos-sonhados-na-escuridao-da-noite-livres-de-ampliacoes-para-me-render-aqueles-que-alimentamos-a-luz-de-uma-pretensa-consciencia-que-insiste-em-se-acreditar-capaz-de-realiza-los" style="font-size:16px">Deixarei hoje os sonhos sonhados na escuridão da noite livres de ampliações, para me render àqueles que alimentamos à luz de uma pretensa consciência que insiste em se acreditar capaz de realizá-los.</h2>



<p>Sonhamos. Desde pequenos podemos fantasiar vidas para nós mesmos. A profissão, a casa, os amigos, as viagens, o amor. Sonhamos uma família, o almoço de domingo, a noite de Natal. Inventamos nomes para os filhos, vestidos para o casamento, casas para a praia, malas para as viagens, escritório para a empresa, uniformes para o servir.</p>



<p>O tempo passa e nem sempre as invenções despudoradas se manifestam na vida entendida como real. Podem seguir nos ocorrendo todas as noites, entre a fronha do travesseiro e a cabeça pesada pelas tentativas incessantes de compreender os motivos das frustrações e, ainda, pelos esforços de esquecer o sonho, a fim de não fazê-lo doer.</p>



<p>Por muitas vezes ao longo da vida de muitas vidas não adiantou sonhar, imaginar, sentir no corpo a sensação de que aquelas ideias se realizariam. Para cada sonho também há, na vida, a contraparte perfeita de sua frustração.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-o-que-fazer-com-essa-parte-sombria-da-qual-tentamos-fugir-pesados-pela-vergonha-da-nao-realizacao-em-uma-epoca-em-que-se-acredita-tudo-poder" style="font-size:17px">E o que fazer com essa parte sombria, da qual tentamos fugir, pesados pela vergonha da não-realização, em uma época em que se acredita tudo poder?</h2>



<p>Talvez valha antes de mais nada aceitar que, diferente do que podemos acreditar, o sonho sonhado na vigília também é fruto do inconsciente. No texto <em>Criptomnésia, de Estudos Psiquiátricos, </em>Jung nos lembra que “O inconsciente premedita todos os novos pensamentos e combinações. E quando a consciência se aproxima do inconsciente com um desejo, foi o inconsciente que previamente lhe inspirou este desejo”. (<em>OC 1 </em><strong>§ </strong>172)</p>



<p>O verso do fracasso não entra no samba-exaltação do ego contemporâneo, que acredita que pode tudo o que quer, ritmado pela tríade “força, foco e fé”. A exclusão do verso triste da canção, talvez, faça a falta da realização doer ainda mais pois a torna pretensamente invisível.</p>



<p>Não é raro ver que o sambista sente no corpo a dor do que não realizou, mesmo tentando calar sua batida ou buscando reinventá-la criativamente. Os sonhos, agora sim, os sonhados no mais profundo da noite, tendem a revelar compensatoriamente aquilo que a consciência não dá conta de sentir, pois frustrada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-onde-nao-queres-nada-nada-falta-diz-caetano-veloso-em-o-quereres-sera" style="font-size:17px">“E onde não queres nada, nada falta”, diz Caetano Veloso em <em>O Quereres</em>. Será?</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px;line-height:1.4">
<p style="line-height:1.6"><em>“Talvez a maioria dos histéricos que frui plenamente de seus sentidos seja doente porque possui grande massa de recordações, dotada de muita emoção e, por isso, profundamente arraigada no inconsciente; já não pode ser controlada e tiraniza a consciência e a vontade do doente. Em mulheres trata-se às vezes de esperança frustrada de amor ou de um casamento infeliz; em certos homens pode ser uma posição insatisfatória ou méritos não reconhecidos. Os doentes procuram excluir suas emoções da vida diária; por isso, de noite elas os atormentam com sonhos ruins, e de dia os importunam com repentinos ataques de ansiedade precordial, inibem as forças de ação, levam as pessoas a procurar as seitas, produzem dor de cabeça que desafia todos os curandeiros, todos os meios mágicos da eletricidade, banhos de sol e dietas alimentares. Também o gênio tem que carregar o peso da superioridade de um complexo psíquico; se o conseguir, ele o fará com prazer; se não o conseguir, ele o fará com sofrimento. Terá que executar as ‘ações sintomáticas’ que seu talento lhe inspira; colocará na poesia, na pintura, na composição musical o seu sofrimento”.&nbsp; (C.G. Jung, OC 1 §176)</em></p>
</blockquote>



<p>Talvez um gesto de rebeldia contemporânea seja assumir a si mesmo e depois ao mundo seus fracassos. Como complexos cheios de afeto, ao serem vividos com o sabor da frustração percam a potência, mas se manteriam vivos no potencial de realização. A não realização de um sonho não deveria matá-lo na tentativa de esquecê-lo. Se foi do inconsciente que surgiu, não caberia a consciência domesticá-lo, calá-lo.</p>



<p>Uma sociedade que sustentasse a frustração poderia ler epitáfios assim: “Tentou, bravamente, mas não conseguiu dançar”. Num outro, poderia estar escrito: “Chamaria Luiza, a filha que não teve”. E ainda: “Morreu acreditando que amaria e seria amada”. Ou “Preparou todos os domingos o almoço para a família que não vinha”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-lapides-talhadas-a-partir-do-compromisso-com-a-honestidade-de-pessoas-que-ousaram-uma-vida-vivida-na-plenitude-sem-disfarces-sustentados-por-personas-bem-sucedidas-e-sombras-amarguradas" style="font-size:17px">Lápides talhadas a partir do compromisso com a honestidade de pessoas que ousaram uma vida vivida na plenitude, sem disfarces sustentados por Personas bem-sucedidas e Sombras amarguradas.</h2>



<p>Não seriam lápides criadas na unilateralização do sucesso, da conquista, do amor e da alegria. Tais frases revelariam, com frustração, a insistência no sonho: o homem que queria dançar, a mulher que desejou ser mãe, a que queria um amor recíproco, a que perdoou a família todas as vezes que foram necessárias.</p>



<p><em>“Eu queria querer-te e amar o amor<br>Construirmos dulcíssima prisão<br>E encontrar a mais justa adequação<br>Tudo métrica e rima, e nunca dor</em></p>



<p><em>Mas a vida é real e de viés<br>E vê só que cilada o amor me armou<br>Eu te quero e não queres como sou<br>Não te quero e não queres como és”</em></p>



<p><strong>Jung </strong>nos explica que a palavra <em>criptomnésia </em>provém da literatura científica francesa. “Criptomnésia significa <em>‘<strong>recordações não reconhecidas como tais</strong></em>’”. Assim como os sonhos que, frustrados, deixam de ser sonhados.</p>



<p><strong>Uma parte da cura para uma sociedade tão adoecida poderia ser a sustentação do fracasso. “<em>Do querer que há e do que não há em mim</em>”, conclui o poeta.</strong></p>



<p><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/luciana-branco/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/luciana-branco/">Luciana Branco &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi Filho &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<p id="h-jung-c-g-estudos-psiquiatricos-o-c-1-9ª-edicao-petropolis-editora-vozes-2012" style="font-size:16px">JUNG, C.G.<em> Estudos Psiquiátricos O/C 1.</em> 9ª edição. Petrópolis: Editora Vozes, 2012.</p>



<p>VELOSO, Caetano. <em>O Quereres. </em>Salvador, Philips/PolyGram (atual Universal Music), 1984.</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.institutojunguiano.com.br/xi-congresso-junguiano-alquimia-e-ecologia"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/05/xi-congresso-junguiano-ijep-2-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-12921" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/05/xi-congresso-junguiano-ijep-2-1024x576.jpg 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/05/xi-congresso-junguiano-ijep-2-300x169.jpg 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/05/xi-congresso-junguiano-ijep-2-768x432.jpg 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/05/xi-congresso-junguiano-ijep-2-1536x864.jpg 1536w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/05/xi-congresso-junguiano-ijep-2-150x84.jpg 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/05/xi-congresso-junguiano-ijep-2-450x253.jpg 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/05/xi-congresso-junguiano-ijep-2-1200x675.jpg 1200w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/05/xi-congresso-junguiano-ijep-2.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



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