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	<title>Arquivos paradoxo - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos paradoxo - Blog IJEP</title>
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		<title>As Pontes de Madison: o paradoxo da vida e do amor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gabriela Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2026 17:34:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes e Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[alquimia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>ste ensaio propõe um percurso simbólico pelas imagens do filme As Pontes de Madison de 1995, tecendo reflexões sobre a paradoxal condição humana em sua relação com as forças arquetípicas, a partir da psicologia de Carl Gustav Jung. Um encontro de cada indivíduo com a alma que passa, necessariamente, pelo encontro com o outro.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“<strong>Eu percebi que o amor não obedece à própria expectativa. É um mistério puro e absoluto.</strong> O que Robert e eu tivemos não teria continuado se estivéssemos juntos. E o que Richard e eu dividimos iria desaparecer se nos separássemos.”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo: </strong>Este ensaio propõe um percurso simbólico pelas imagens do filme <strong><em>As Pontes de Madison</em></strong> de 1995, tecendo reflexões sobre a paradoxal condição humana em sua relação com as forças arquetípicas, a partir da psicologia de Carl Gustav Jung. Um encontro de cada indivíduo com a alma que passa, necessariamente, pelo encontro com o outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É com essa afirmação que a personagem Francesca Johnson, interpretada por Meryl Streep no filme As Pontes de Madison de 1995, parece integrar internamente a profunda experiência afetiva compartilhada com o fotógrafo Robert Kincaid, vivido pelo ator Clint Eastwood, que também dirige o filme.</p>



<h2 id="h-uma-afirmacao-que-revela-um-paradoxo-paradoxo-do-latim-paradoxum-do-grego-paradoxos-significa-incrivel-contrario-ao-que-se-espera" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Uma afirmação que revela um paradoxo. Paradoxo &#8211; do Latim PARADOXUM, do Grego PARADOXOS, significa “incrível, contrário ao que se espera”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É por este motivo e, sobretudo, por esta frase, que este filme pareceu-me muito apropriado para tecer aqui neste ensaio algumas reflexões sobre a natureza do amor, da paixão e da existência humana, à luz da psicologia analítica de Carl Gustav Jung.</p>



<h2 id="h-a-arte-e-a-vida-simbolica" class="wp-block-heading" style="font-size:21px"><strong>A arte e a vida simbólica</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A história do filme se passa nos anos 1960, em Iowa, EUA, onde vivem Francesca Johnson, seu marido Richard e seus filhos adolescentes Michael e Carolyn. Francesca, italiana da pequena cidade de Bari, casa-se com Richard após a 2a. Guerra Mundial e muda-se para os EUA em busca do sonho da liberdade e do novo então prometidos pela ideia de “ir para a America”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A vida deles, no entanto, na zona rural de Iowa, gira em torno da criação de novilhos, da agricultura e da pacata relação com a comunidade e com outras famílias vizinhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Até o momento em que Robert Kincaid, um fotógrafo da National Geographic, chega na cidade para fotografar as pontes do condado de Madison, especialmente a Ponte Roseman. Francesca acaba sendo sua guia para encontrar a ponte pela primeira vez e este parece ser aquele acontecimento do destino, aparentemente casual, que se torna um divisor de águas na vida dos dois e, posteriormente, de toda a família de Francesca.</p>



<h2 id="h-vale-ampliarmos-simbolicamente-alguns-fatos-desta-rica-narrativa" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Vale ampliarmos simbolicamente alguns fatos desta rica narrativa.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando Robert e Francesca se encontram pela primeira vez, ele pede a ela indicações de como chegar à Ponte Roseman. É interessante notar como, em um primeiro momento, ela tem dificuldades em dar a ele as direções indicativas para a ponte, como se seu corpo soubesse chegar, mas ela não conseguisse expressar as orientações em palavras, racionalmente. Por causa disso, ela mesma se oferece para acompanhar Robert até o local, corpo a corpo junto com ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Uma curiosidade sobre a Ponte Roseman, é que está localizada sobre o Middle River (Rio do Meio, da Metade) e que ganhou fama como uma “ponte assombrada” em 1892 quando, um fugitivo da prisão do condado, prestes a ser pego pelas forças policiais que se aproximavam pelas duas extremidades da ponte, misteriosamente desapareceu após soltar um grito terrível e nunca mais foi encontrado, como se tivesse desaparecido no ar.</p>



<h2 id="h-o-lugar-carregado-de-misterio-que-marca-o-encontro-dos-dois-e-portanto-um-local-limiar-de-travessia-ao-mesmo-tempo-de-separacao-e-de-uniao-o-que-geralmente-esta-associado-simbolicamente-a-imagem-de-pontes" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">O lugar carregado de mistério que marca o encontro dos dois, é, portanto, <strong>um local limiar, de travessia</strong>, ao mesmo tempo de separação e de união, o que geralmente está associado simbolicamente à imagem de pontes.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Robert e Francesca saem então da “propriedade Richard Johnson” em direção à ponte. Neste exato momento parecem estar saindo também dos domínios do casamento tradicional. No trajeto até a ponte, Robert comenta sobre o “cheiro maravilhoso e único de Iowa”, relacionando-o à composição do solo, um “cheiro rico, de terra”, que Francesca não consegue sentir, mas que é distinto e especial para ele. <strong>O cheiro rico da terra, como símbolo do feminino, o inebria.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao longo do caminho eles descobrem que Robert conhece Bari, a pequena cidade onde Francesca nasceu. Ele conta que estava simplesmente de passagem por lá, pois iria pegar um barco para outro local, mas achou a cidade tão bonita que desceu do trem e ficou por uns dias. Ela, surpresa, pergunta: “você desceu do trem só porque era bonito? você desceu do trem e ficou lá sem conhecer ninguém?”. De alguma forma, esta atitude de Robert, livre, desprendida, sem planejamento e guiada pela experiência de beleza de um lugar toca Francesca profundamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O caminho até a ponte parece ser cada vez mais alvo das flechadas de Eros. Robert oferece-lhe cigarros e cerveja; ela os desfruta relaxadamente. O contato entre os dois vai despertando em Francesca seu próprio senso de humor e espontaneidade, libertando-a das convenções sociais impostas pela <em>persona</em> de esposa e mãe estadunidense dos anos 60. <strong>Algo genuíno nela vai encontrando brechas para se expressar.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O romance entre eles inevitavelmente se concretiza. E quando eles fazem amor pela primeira vez, Francesca lhe diz: &#8220;Me leve a algum lugar….agora….me leve a algum lugar onde você esteve.” Robert então relata suas aventuras pelo mundo como fotógrafo e ela viaja por meio dele, desbrava um mundo desconhecido através das histórias dele. Nas palavras de Francesca: “tudo o que eu pensava saber sobre mim foi embora. <strong>Eu estava agindo como uma outra mulher. Melhor, era eu mesma como nunca havia sido antes.</strong>”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E quanto a Robert, apesar de ser apaixonado e obcecado por seu trabalho como fotógrafo, não se considerava um artista pois suas fotos para a National Geographic eram tecnicamente perfeitas, mas sem nenhum toque pessoal. Seus projetos autorais haviam sido negados por editores diversas vezes. E Francesca aparece-lhe como a mulher que diz: “talvez você tenha que se convencer primeiro (que é um artista). Talvez deva se perguntar a si mesmo por que é uma obsessão.” <strong>Ela o convida a entrar em contato com sua alma</strong>, a reconhecer o artista que nele vive.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim, vamos testemunhando, a cada cena do filme, um encontro romântico apaixonado como cenário para <strong>o real encontro dos dois personagens com suas partes desconhecidas e negligenciadas pelo ego</strong>, <em>anima</em> e <em>animus</em> como imagens da alma relacionando-se e <strong>proporcionando uma experiência da totalidade,</strong> do Si-mesmo, por isso tão intensa e especial. Uma experiência simbolicamente vivida em 4 dias, coincidentemente uma quaternidade, que, segundo Jung, é um símbolo da totalidade e desempenha um papel importante no mundo de imagens do inconsciente (Cf. JUNG, 2014, p. 425).</p>



<h2 id="h-esta-imagem-e-ao-mesmo-tempo-um-simbolo-de-quaternidade-que-psicologicamente-sempre-indica-o-proprio-si-mesmo-jung-2013-p-550" class="wp-block-heading is-style-large" style="font-size:18px"><em>Esta imagem é ao mesmo tempo um símbolo de quaternidade, que psicologicamente sempre indica o próprio si-mesmo. (JUNG, 2013, p. 550)</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Há várias referências no filme à relação do homem com a <em>anima</em> e ao encontro alquímico da <em>coniunctio</em>. Em uma cena em que ambos caminham à noite pelas redondezas da casa de Francesca, inebriado pela beleza do lugar, Robert cita os versos finais do poema “<strong>A Canção do Delirante Aengus</strong>” de W. B. Yeats, que ela também conhece, e que dizem “as maçãs prateadas da lua e as maçãs douradas do sol”:</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>E beijar seus lábios e segurar suas mãos;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Caminharemos entre coloridas folhagens,</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo, colhendo</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>As prateadas maçãs da lua,</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>As douradas maçãs do sol.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No simbolismo da alquimia, a lua relacionada à prata e o sol relacionado ao ouro referem-se, dentre uma gama vastíssima e complexa de significados, aos princípios feminino e masculino da psique, cujo encontro integrador é a meta e a natureza do processo alquímico, da <em>opus</em>, representando a jornada da individuação.</p>



<h2 id="h-a-natureza-domina-a-natureza" class="wp-block-heading" style="font-size:21px"><strong>“A Natureza domina a Natureza”</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em certo ponto desta história, como na vida, o movimento enantiodrômico que visa sustentar a tensão entre os opostos, se impõe. Um belo dia, enquanto a dupla apaixonada almoçava tranquilamente, uma vizinha de Francesca chega inesperadamente e anuncia que o clima mágico deste encontro de imagens de alma não vai, ou melhor, não <strong>pode</strong> durar para sempre. <strong>Como se o âmbito concreto e limitado da consciência precisasse entrar em ação, de maneira compensatória, para que a maravilha numinosa do que eles viviam passasse a existir de alguma outra forma.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A narrativa do filme intercala as cenas de Francesca e Robert com as de seus filhos Michael e Carolyn lendo os diários de Francesca após a sua morte e se transformando a partir dos relatos da mãe. Michael, <strong>ainda conectado com seu complexo materno de forma visivelmente infantil</strong>, reconhece este fato conscientemente e toma uma atitude concreta em relação a seu próprio casamento, que era deixado em segundo plano em sua vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Já a filha Carolyn, através da história da mãe, reconecta-se com sua força interior, seu parceiro interior, que lhe dá coragem para terminar um casamento infeliz. É interessante a cena em que ela faz isso usando o vestido que a mãe usou em sua primeira noite de amor com Robert, e que Francesca considerava como sendo seu vestido de noiva. E assim Carolyn, <strong>casada com ela mesma</strong>, tem coragem para, amorosamente, telefonar ao marido e pedir-lhe o divórcio.</p>



<h2 id="h-paradoxo-a-condicao-para-a-vida" class="wp-block-heading" style="font-size:21px"><strong>Paradoxo: a condição para a vida</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No final da história, certamente indo contra as expectativas do grande público, Francesca não deixa a família e Robert parte sozinho. Os motivos desta decisão são contados pela própria Francesca: “Não me parece a coisa certa para ninguém. Richard não merece&#8230; ele não saberia viver fora daqui. E meus filhos…Carolyn só tem 16 anos, está na idade de descobrir as coisas, vai se apaixonar e tentar construir uma vida para alguém. Se eu partir, o que vai significar para ela?” <strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Um senso da concreta realidade humana, nua e crua</strong>, se apresenta na decisão de Francesca. Ela está profundamente apaixonada por Robert, sabe que esta experiência nunca mais se repetirá, no entanto, a responsabilidade por suas escolhas de vida a leva a prezar o futuro de sua família e seu marido, que a ama e a quem, certamente, ela ama também.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Apesar da dor, a separação de Francesca e Robert foi, paradoxalmente, <strong>a condição para que o amor que eles sentiam um pelo outro se transmutasse em toda a sua beleza e força</strong>. A determinação e a liberdade interior de Robert ficaram vivas dentro de Francesca, <strong>como parte dela</strong>, e possibilitaram que ela se dedicasse com amor à família e ao marido até sua morte. E a beleza, a poesia e a feminilidade da mulher italiana presentes em Francesca <strong>seguiram vivas nos trabalhos de Robert</strong> a partir de então, inspirando-o a publicar seu livro autoral de fotografias.</p>



<h2 id="h-o-que-francesca-e-robert-viveram-foi-tipicamente-humano-ao-superar-a-ordem-do-somente-humano-foi-uma-experiencia-do-encontro-divino-com-a-integralidade-de-cada-um-atraves-da-relacao-foi-um-exemplo-de-um-dos-raros-momentos-da-vida-em-que-somos-autorizados-pelos-deuses-a-adentrarmos-a-dimensao-divina-essa-autorizacao-no-entanto-nao-e-ampla-e-irrestrita" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">O que Francesca e Robert viveram foi tipicamente humano ao superar a ordem do “somente humano”. Foi <strong>uma experiência do encontro divino, com a integralidade de cada um, através da relação</strong>. Foi um exemplo de um dos raros momentos da vida em que somos “autorizados” pelos deuses a adentrarmos a dimensão divina. <strong>Essa autorização, no entanto, não é ampla e irrestrita</strong>. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nossa natureza humana exige que em algum momento inCORPOremos essa fagulha divina em nossa dimensão finita, restrita, mortal e essa incorporação é um sacrifício, é nosso recolhimento humilde de volta à nossa dimensão humana. Como escreveu Marie-Louise von Franz: “<em>se o poder e a paixão se detêm no nível concreto, querendo esta ou aquela coisa e são incapazes de sacrificar esse desejo, então essa mesma libido apaixonada, que é a base do processo de individuação, é enfraquecida, torna-se destrutiva e se destrói a si mesma</em>.” (VON FRANZ, 2022)</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"></blockquote>



<h2 id="h-von-franz-segue-nos-provocando-a-pensar-que-esta-dinamica-tem-natureza-de-sacrificio-para-nos-seres-humanos-mortais-mas-tambem-para-os-deuses-para-a-dimensao-arquetipica" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Von Franz segue nos provocando a pensar que esta dinâmica tem natureza de sacrifício para nós, seres humanos mortais, mas também para os deuses, para a dimensão arquetípica:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando a imagem arquetípica se acerca do campo da consciência, é para o ego uma condição de grande esclarecimento, um estado de exultação etc&#8230; mas para o pobre arquétipo é justamente o oposto, pois ele caiem algo muito pequeno e inadequado. Portanto, visto por um lado, é uma grande realização e, por outro, uma queda muito grave. (VON FRANZ, 2022)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em sua última noite juntos, Francesca diz a Robert: “Eu não imaginava que um amor assim aconteceria, e agora que aconteceu, quero mantê-lo para sempre, quero continuar amando você como eu amo agora para o resto da minha vida. <strong>O melhor que posso fazer é tentar nos guardar em algum lugar dentro de mim</strong>.”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Final feliz?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Temos a tendência a fantasiar que se Francesca e Robert tivessem ficado juntos, teriam vivido “felizes para sempre” como nos contos de fada. Mas ouso dizer que, para que isso acontecesse, eles teriam que, em algum momento, libertar um ao outro de suas projeções, relacionando-se com o humano Robert e a humana Francesca, o que não acontece sem uma boa dose de frustração e dor. <strong>O amor entre humanos inteiros que não mais projetam suas imagens de alma nos parceiros também é real e belo, mas não é carregado da mesma característica numinosa.</strong></p>



<h2 id="h-jung-nos-diz-sobre-o-amor" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Jung nos diz sobre o amor:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Todo amor verdadeiro e profundo é um sacrifício. A gente sacrifica suas possibilidades, ou melhor, as ilusões de suas possibilidades. Se não houvesse necessidade desse sacrifício, nossas ilusões impediriam o surgimento do sentimento profundo e responsável e, com isso, ficaríamos privados também da possibilidade de experimentar o verdadeiro amor. (JUNG, 2013, p. 231)</p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“Assim como o fiel que se entrega todo a seu Deus participa da manifestação da graça divina, também o amor só revela seus mais altos segredos e maravilhas àquele que é capaz de entrega total e de fidelidade ao sentimento&#8230; Mas, por ser o amor devotado e fiel o mais belo, nunca se deveria procurar o que pode torná-lo fácil.” (JUNG, 2013, p. 232)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No caso deste filme, a experiência do verdadeiro amor estendeu-se sobre todos os personagens, não somente sobre Francesca e Robert. Certamente estendeu-se sobre mim também e tantos outros espectadores que se sentiram atravessados por esta trama arquetípica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Que possamos aprender com esta bela história que <strong>honrar a dimensão divina do amor e ser fiel ao próprio sentimento, é justamente aprender como vivê-lo sendo somente humano.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/veridiana-aleixo-de-moura-e-souza/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/veridiana-aleixo-de-moura-e-souza/">Veridiana Aleixo de Moura e Souza &#8211; Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata</a></strong></p>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">REFERÊNCIAS:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Civilização em transição</em>. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>. 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Símbolos da Transformação</em>. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VON FRANZ, Marie-Louise. <em>Alquimia: Uma Introdução ao Simbolismo e seu Significado na Psicologia de Carl G. Jung</em>. 1. ed. São Paulo: Pensamento-Cultrix, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>
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