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	<title>Arquivos pensamento - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos pensamento - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Tipos Psicológicos de Carl Gustav Jung</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/tipos-psicologicos-de-carl-gustav-jung/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Mar 2022 14:03:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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		<category><![CDATA[sentimento]]></category>
		<category><![CDATA[teste de personalidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O trabalho de pesquisa e de exploração do comportamento humano que Jung fazia, tanto da consciência quanto do inconsciente, nas relações com o meio exterior, permitiu-lhe perceber tipos diferentes de comportamento. Muitas vezes gerando desavenças e desentendimentos, não pelo princípio básico de um determinado assunto, mas pela forma de cada um agir e reagir frente [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O trabalho de pesquisa e de exploração do comportamento humano que <strong>Jung</strong> fazia, tanto da consciência quanto do inconsciente, nas relações com o meio exterior, permitiu-lhe perceber tipos diferentes de comportamento. Muitas vezes gerando desavenças e desentendimentos, não pelo princípio básico de um determinado assunto, mas pela forma de cada um agir e reagir frente ao tema ou, ao mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, <strong>Jung</strong> desenvolveu o estudo dos <strong>tipos psicológicos</strong>. Não como um quadro de referência classificatória e esteriotipante, mas como uma orientação para percebermos <strong>como as funções autorreguladoras da energia psíquica atuam compensatoriamente entre a consciência e o inconsciente.</strong> Sendo a função compensatória análoga à homeostase do organismo físico, mantendo e objetivando sempre o equilíbrio dinâmico da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, <strong>Jung</strong> percebeu <strong>dois grandes grupos de indivíduos</strong>, uns partiam de forma rápida e confiante aos <strong>estímulos externos</strong> e, outros hesitam, recuam, parecendo sentir <strong>receio em se relacionar com o externo</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-extrovertidos">Extrovertidos</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro grupo era de pessoas muito adaptadas ao meio coletivo, mas com um grande subdesenvolvimento do plano individual, o qual ele denominou de <strong>extrovertidos</strong>, <strong>onde a energia fluí, sem maior dificuldade, na direção dos objetos.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-introvertidos">Introvertidos</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O segundo grupo era formado por indivíduos desadaptados ao meio, por serem mais individualistas apesar de terem desejos íntimos de viverem mais voltados para a coletividade, denominando-os <strong>introvertidos</strong>, <strong>onde o fluxo de energia recua diante dos objetos, pois estes parecem ameaçadores.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, visto no conjunto, todos os <strong>introvertidos</strong> tem um fluxo de energia <strong>extrovertida</strong> em seu inconsciente, da mesma forma que os <strong>extrovertidos</strong> possuem um fluxo de energia <strong>introvertida</strong>. Desta maneira, percebemos a circulação constante da energia, num caráter contínuo, inesgotável e compensatório. Sendo que o ego deve contemplar ambas as direções para que a totalidade do ser esteja plena.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Posteriormente, <strong>Jung</strong> percebeu que existiam muitas outras variações dentro de cada um destes grandes grupos de atitudes típicas, pois dois indivíduos introvertidos poderiam divergir muito na forma de pensar. Assim <strong>Jung</strong> concluiu que a função psíquica, que cada indivíduo usava de maneira predominante e preferencial para lidar adaptativamente com o mundo externo, era o que os diferencia ainda mais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São dois <strong>subgrupos</strong> que originam duas funções antagônicas cada, perfazendo-se um total de quatro funções de adaptação, onde reconhecemos o mundo exterior e, nos adaptamos a ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O primeiro subgrupo Jung denominou de racionais, que atuam ou na função pensamento ou na função sentimento. O segundo subgrupo são os empíricos, que atuam ou na função sensação / percepção ou na função intuição. </strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-funcao-principal">Função principal</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Todos nós possuímos as quatro funções,</strong> porém uma delas vai se apresentar mais atuante e desenvolvida, por ser mais próxima da consciência. A esta função chamamos de <strong>função principal.</strong> </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-funcao-inferior">Função inferior</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em oposição à função principal, temos a função inferior. <strong>A função inferior está muito mais próxima do inconsciente, vindo muitas vezes junto com as projeções da sombra e sendo grande auxiliar no processo analítico &#8211; pois irá fazer a ponte entre o consciente e o inconsciente. </strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-funcoes-auxiliares">Funções auxiliares</h2>



<p class="wp-block-paragraph">As outras duas funções são chamadas de auxiliares, com menor grau de diferenciação que a função principal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-existe-desta-forma-a-possibilidade-de-8-tipos-de-funcoes-principais" style="font-size:18px">Existe, desta forma, a possibilidade de 8<strong> tipos de funções principais</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao conhecermos a função principal de um indivíduo imediatamente saberemos qual é a sua função inferior, por estar em oposição a ela. Assim, se um indivíduo for sensação extrovertida sua função inferior será intuição introvertida. Isto nos dá uma cruz, onde as funções auxiliares serão o sentimento e o pensamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Combinado com as fuções auxiliares, chegamos a 64 possíveis combinações.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tipos-psicologicos">Tipos psicológicos</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Com o conhecimento de cada<strong> tipo psicológico</strong> poderemos perceber como o indivíduo estabelece as relações com o meio e, ajudá-lo a diminuir a carga de energia investida na <strong>função principal</strong>, para permitir que as funções auxiliares e até a função inferior contribuam com a totalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim não acontecerá a extrema diferenciação de um determinado tipo e função no ego, mas o rebaixamento desta, permitindo a percepção dos seus pares complementares mais <strong>inconscientes</strong>. Sendo a adaptação um mecanismo psíquico extremamente importante para equilibrar fatores internos e externos. Porém, devemos distinguir a adaptação do conformismo, da normose ou da normopatia. Pois a adaptação é um mecanismo psíquico muito importante para o processo de <strong>individuação</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-adaptacao-ao-meio">Adaptação ao meio</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para <strong>Jung</strong>, a falha na adaptação é um sintoma da <strong>neurose</strong>. Pois ela é responsável em conciliar as demandas tanto do mundo interno quanto do mundo externo, que podem fazer solicitações completamente antagônicas, gerando muita tensão e angústia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, para o <strong>ego heróico</strong>, muitas vezes a adaptação vira normopatia, deixando o indivíduo fixado. Desta forma, no início da análise, muitas vezes acontece uma espécie de destruição desta adaptação estagnaste que a pessoa construiu, na maioria das vezes, por meio dos mecanismos de gratificação e recompensa social e cerebral, deixando de lado o <strong>Self</strong>.</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph"><strong><a href="Autor: Waldemar Magaldi">Autor: Waldemar Magaldi</a></strong></p>
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		<item>
		<title>A função pensamento e o elemento ar: asas ou gaiolas?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-funcao-pensamento-e-o-elemento-ar-asas-ou-gaiolas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Feb 2021 17:22:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Tipos Psicológicos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[função pensamento jung]]></category>
		<category><![CDATA[pensamento]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[tipos psicolóficos]]></category>
		<category><![CDATA[tipos psicológicos]]></category>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Muitos de nós tivemos uma infância marcada pelas brincadeiras ao ar livre. Desde cedo, aprendemos a arte de soltar pipas, que envolve direcionar uma linha e fazer malabarismos no céu. Quanta beleza e aprendizagem se concretiza nesse momento lúdico, que também envolve alguns perigos, que podem ser evitados com conhecimento, cuidados e escolhas, simbolicamente representadas por asas e gaiolas. Neste sentido, Rubem Alves nos deixou um aforismo – visão que faz ver sem explicar – sobre gaiolas e asas: “Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados têm sempre um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O voo dos pássaros nos transmite a sensação de liberdade. As andorinhas voam em bando, pois “uma andorinha voando sozinha não faz verão”, que nos remete para a importância da coletividade. Da mesma forma, a águia, considerada a mensageira divina e rainha dos céus, representa a coragem, a força e a beleza. Enquanto isso, seres humanos voam de avião, que encurta o tempo, o espaço e une as pessoas. Voar de avião, de helicóptero ou de asa delta, tem um sentido simbólico de nos lançarmos no ar. De forma idêntica, o ato de abrir as asas e voar de um pássaro pode representar a vontade de nos entregarmos para a vida, com menos apegos e mais amor. Na canção&nbsp;<em>Pássaro de Fogo,&nbsp;</em>com coragem, força e beleza, Paula Fernandes expressa sua criatividade<em>:</em>&nbsp;“Tão longe do chão, serei os teus pés, nas asas do sonho, rumo ao teu coração&#8230;” Seres humanos também voam em pensamentos! Neste sentido, as expressões voar alto, voar baixo, voar livremente ou mesmo voar com os pés no chão são comuns, representando metaforicamente os nossos voos, nem sempre percorridos com êxito.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A possibilidade de nos elevarmos, move-nos para reflexões sobre a atmosfera. Segundo a ciência, existem cinco camadas da terra que são envolvidas pelo ar: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera. Há muito tempo, em 1643, Torricelli inventou o barômetro, que serve para medir a pressão atmosférica, a altitude e as possíveis mudanças de tempo. Com o avanço da tecnologia, hoje ele já é encontrado em iPhones 6/6 Plus, funcionando no app Saúde (Health). A ciência avançou, porém sabemos que nem tudo pode ser explicado. Alguns fenômenos continuam nos surpreendendo. Quem imaginou que uma pandemia provocaria um recolhimento social no mundo! O Coronavírus (COVID-19) se propagando pelo ar, ao mesmo tempo que o oxigênio, incolor e inodoro, é essencial na respiração dos seres vivos. Como disse Rubem Alves: “O sujeito da educação é o corpo, porque é nele que está a vida. É o corpo que quer aprender para poder viver (&#8230;) A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver (&#8230;) As&nbsp;<em>ferramentas</em><em>&nbsp;</em>permitem-me voar pelos caminhos do mundo”. Analogicamente, isso nos leva a pensar: &nbsp;como voar pelos caminhos da alma? &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O elemento ar, assim como a terra, a água e o fogo, são fundamentais para o universo e também representam funções internas, visíveis ou não. O ar transita pelo terreno da razão, do estímulo e do espaço.&nbsp;Vindo ao encontro, a alquimia, estudada por Jung no decorrer de muitos anos, constituiu-se de sete operações e, a&nbsp;<em>sublimatio</em>&nbsp;é a operação que pertence ao ar, em que um sólido é aquecido e entra no estado gasoso, tomando a direção do alto. Esse processo envolve a elevação e a volatização, com imagens simbólicas que indicam movimento para cima: elevadores, montanhas, escadas, voos, pássaros, asas e outros mais.&nbsp; Metaforicamente, é o momento em que o indivíduo começa a conscientizar-se de algum conteúdo inconsciente que estava desconhecido e, passa a tornar-se de seu conhecimento, que&nbsp;permite trazer a função pensamento, definida por&nbsp;Jung como uma das funções racionais, que envolve julgamento lógico e temporal. Ela é voltada ao intelectual, permite associar ideias para chegar a uma conclusão, envolvendo a lógica e a objetividade e está centrada na busca de resultados e soluções de um problema.&nbsp; É o que ocorre na operação&nbsp;<em>sublimatio:&nbsp;</em>afastamo-nos do problema para uma maior compreensão dele, mas não podemos ficar afastados o tempo todo. Asas podem se tornar gaiolas! Ainda, para possibilitar mais reflexões, cito Jung, que em outras palavras evidencia a necessidade de sairmos dessa operação e voltarmos à concretude: “A vida natural é o solo em que se nutre a alma. Quem não consegue acompanhar essa vida, permanece enrijecido e parado em pleno ar. É por isto que muitas pessoas se petrificam na idade madura, olham para trás e se agarram ao passado, com medo secreto da morte no coração” (O/C 8/2, 2013, par. 800). É possível que Jung quis nos afirmar que ficarmos parados pode nos fixar em padrões unilaterais, que geram patologias.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos estudos da psicossomática, o elemento ar é relacionado ao aparelho respiratório, envolvendo o pulmão e a respiração, podendo surgir no corpo em forma de sintomas como a asma, a bronquite, a rinite e outros mais. Quantas vezes ouvimos a expressão “falta-me ar” para respirar! Fiquei sem ar, simbolicamente pode representar que não consigo mais respirar o mesmo ar que outros respiram, ou seja, não suporto mais lidar com os problemas do ambiente. Igualmente, temos outras representações sociais: perdi o fôlego, prendi a respiração, estou com a respiração cansada, estou suspirando, estou bufando&#8230; São sensações nítidas de estarmos presos em gaiolas. No simbolismo oriental, doenças respiratórias podem representar tristeza, secura, dificuldade de adaptação a novas etapas e de abandonar velhas coisas e, o desejo de ritmo e ordem. O pulmão estabelece contato com o mundo exterior, que envolve trocas e liberdade. Os estudos sobre a astrologia nos mostram que os signos gêmeos, libra e aquário são guiados pelo ar, que abrange a comunicação, a curiosidade, a liberdade de viver e o movimento. Ficar parado para esses signos é um caos. A inspiração é símbolo de um ato criativo e, quando não estamos inspirados, a imunidade pode baixar, tornando-nos suscetíveis à doenças que podemos pegar no ar, com fungos, bactérias e vírus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os meios de comunicação expandem suas informações com a utilização de expressões como “está no ar” ou “vai ao ar”, lançando ideias pela televisão, pelo rádio e pela internet. No momento, com a pandemia do Coronavírus, passamos a nos comunicar por diferentes plataformas digitais, estabelecendo relações de troca no trabalho, no lazer e no entretenimento. Essas conexões podem simbolizar o movimento de pesar e medir no distanciamento, focar e voltar para a terra, representando o uso da criatividade para “pensarmos” novas realidades. De forma metaforizada, podemos ampliar sobre o pensar no distanciamento, com a teoria de C.G. Jung, que apresentou em&nbsp;<em>Tipos Psicológicos</em>, as quatro funções psíquicas e considerou a função pensamento como racional, por envolver a discriminação lógica e conceitual, que compreende o julgar, discriminar e classificar, sem interesse no seu valor afetivo. Mas podemos de fato pensar sem envolver as funções sentimento, sensação e intuição? Segundo o autor, as quatro funções são importantes, predominando uma, que é a mais presente, denominada de função principal. As demais ocupam o lugar de funções auxiliares e, uma delas é nossa função inferior, que precisa de um olhar especial, por envolver nossos aspectos sombrios. As quatro funções dão conta da completude de uma determinada situação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As palavras ar e pensamento, que permeiam nossas reflexões, permitem-nos muitas ampliações. Para maior compreensão, Fernando Pessoa nos deixou uma analogia que envolve o ar e o pensamento em forma de poesia, representando a dualidade que envolve a liberdade e a prisão: “Raiva nas trevas o vento, sem poder libertar. Estou preso ao meu pensamento, como o vento preso ao ar”. Em contrapartida,&nbsp;<a href="https://analisedeletras.com.br/cidade-negra/">Cidade Negra</a>, trouxe reflexões sobre o pensar, em seu álbum&nbsp;<em>Sobre todas as forças&nbsp;</em>(1994): “Pensamento é um momento que nos leva a emoção (&#8230;) Sempre que para você chegar terá que atravessar a fronteira do pensar (&#8230;) E o pensamento é o fundamento, eu ganho o mundo sem sair do lugar”. O pensamento pode ser uma prisão, quando retemos conteúdos que precisamos deixar morrer dentro de nós. Ao mesmo tempo, pode ser uma expressão criativa que promove um olhar diferente para a angústia, resultando em algo libertador.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na mitologia grega, Zeus era considerado o deus dos céus, dos raios, dos relâmpagos e dos trovões e os utilizava para a destruição ou para a produção. Para Zeus foi dado poderes sobre os céus, assim como para Hades poderes à terra e Poseídon aos mares. Outros deuses também eram ligados ao ar. Éolo era respeitado como o guardião dos ventos, que ensinava a navegar. Zéfero era deus do vento do oeste, representando uma brisa suave ou vento agradável. Ainda, na mitologia grega, encontramos Pegasus, filho do amor impossível de Poseidon e Medusa, em forma de cavalo alado, criador da fonte de inspiração dos artistas e considerado por muitos o rei dos céus. Zeus permitiu que ele continuasse a subir cada vez mais alto até alcançar as estrelas, transformando-as em constelação. Inspiração metaforizada que se converteu em artes, filmes e livros e, que até hoje envolve temáticas sobre sonhos idealizados e concretizados, como aparece na música&nbsp;<em>A Força do Amor</em>, da banda Roupa Nova: “Abriu minha visão o jeito que o amor, tocando o pé no chão, alcança as estrelas. Tem poder de mover as montanhas, quando quer acontecer, derruba barreiras”. Sejamos como Pegasus, uma eterna fonte de elevação e imaginação criadora, capaz de transformar a nossa realidade!&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Voar envolve subir e descer.&nbsp;O sonho de voar como os pássaros inspirou Santos Dumont, o inventor do avião e Ícaro, da mitologia grega, que realizou esse sonho, construindo asas, feitas com penas de gaivotas e coladas com cera de abelhas. Ao sentir-se livre como um pássaro, voou cada vez mais alto, sem ouvir os conselhos de seu pai. A tragédia ocorreu em seguida, pois o calor do sol derreteu a cera e descolou as penas, despencando das alturas até cair e afogar-se no mar Egeu. A desmedida provocou a tragégia, que de alguma forma, o&nbsp;cantor&nbsp;<a href="https://www.google.com/search?sxsrf=ALeKk00cSuI03vyywFFNo1fSEkYYSI8ZOw:1610278896464&amp;q=Byafra&amp;stick=H4sIAAAAAAAAAONgVuLSz9U3MCxOyk0uWcTK5lSZmFaUCAA4A-K1FwAAAA&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjTq_OspJHuAhXuE7kGHeCID3AQMTAAegQIARAD">Byafra</a>, nos anos 80, trouxe na música&nbsp;<em>Sonho de Ícaro,&nbsp;</em>que foi<em>&nbsp;</em>tema de novela e cantada até hoje por muitos de nós. Nela, retratou a delícia de ir às alturas: “Voar, voar, subir, subir. Ir por onde for, descer até o céu cair, ou mudar de cor. Anjos de gás, asas de ilusão e um sonho audaz feito um balão”. Por outro lado, a fábula&nbsp;<em>O gavião e o Rouxinol,&nbsp;</em>enfatiza<em>&nbsp;</em>situações de bom senso no dia a dia e nos alerta para o perigo da desmedida, do excesso, da violência, da arrogância, do orgulho e da vaidade, que é maléfico para todos, também conhecido como hýbris, na mitologia. Isso é retratado no texto de Hesíodo,&nbsp;<em>Os Trabalhos e os Dias,&nbsp;</em>em que gavião no alto das nuvens leva preso em suas garras um rouxinol: Desafortunado, por que gritas? Um muito melhor e forte te segura, tu irás por onde eu te levar, mesmo que tu sejas um bom cantor (&#8230;) Insensato quem deseja com os mais fortes medir-se, da vitória priva-se, sofre penas, além da vergonha”. Da mesma forma, a hýbris se faz presente nos entornos relacionais e nos convida para a harmonização dos opostos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Finalizando minhas&nbsp;ampliações, trago&nbsp;Ísis, considerada a deusa mais importante do Antigo Egito, pelo seu conhecimento e pela sua sabedoria, um falcão com as suas asas abertas, consideradas asas divinas, que podiam ressuscitar os mortos. Era considerada deusa da morte e deusa curadora, simbolicamente representando a vida, com morte e renascimento. Diante de tantas mortes físicas e emocionais reais, precisamos renascer! E quantas vezes deixamos morrer, não apenas por escolha, mas por não termos alternativas. Por outro lado, podemos abrir espaço para o novo, promovendo o renascimento e a cura com novos pensamentos e novas atitudes. Podemos nos distanciar da terra como pássaros que voam livremente pelo ar, depois voltarmos à terra e, transcendermos para os cuidados com a terra e com todos que nela habitam. Neste sentido, a arte do silêncio nos ensina a escutar a voz do vento. É o que nos trouxe Fernando Pessoa, em seus versos: “Ás vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”. As escolhas nos&nbsp;permitem voar pelos caminhos da alma e, para tanto, podemos optar sempre entre asas ou gaiolas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Claci Maria Strieder, Analista em formação pelo IJEP.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leituras de apoio:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, Rubem. &nbsp;<em>Gaiolas ou Asas. A arte do voo ou a busca da alegria de aprender.&nbsp;</em>Porto: Edições Asa, 2004.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">COLEÇÃO:&nbsp;<em>Divindades gregas.&nbsp;</em>Brasil: Editora Abril, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HESÍODO.&nbsp;<em>Os trabalhos e os dias.</em>&nbsp;Trad. intr. e comentários por Mary de Camargo Neves Lafer. São Paulo: Iluminuras, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GANDON, O. (2000).&nbsp;<em>Deuses e Heróis da Mitologia Grega e Latina.</em>&nbsp;São Paulo: Editora Martins fontes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G.&nbsp;&nbsp;<em>A Natureza da psique</em>. Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>Psicologia e alquimia.</em>&nbsp;Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 1994.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>Tipos psicológicos.</em>&nbsp;Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MACHADO, Luciano Vieira.&nbsp;<em>Mitos gregos &#8211; o voo de Ícaro e outras lendas</em>. São Paulo: Editora Ática, 2005.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">POESIAS. Fernando Pessoa (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor). Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995).</p>



<p class="wp-block-paragraph">________&nbsp;<em>Fernando Pessoa Antologia Poética (</em>com organização, apresentação e&nbsp;ensaios de Cleonice Berardinelli). Rio de Janeiro:&nbsp;Casa da Palavra, 2012.<br>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://%0b%0dwww.letras.mus.br&nbsp;›%20biafra/sonho%20de%20ícaro.%0d">www.letras.mus.br&nbsp;› biafra/sonho de ícaro.</a></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Claci Maria Strieder</em></strong></h4>
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