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	<title>Arquivos psicologiaanalitica - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos psicologiaanalitica - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>De Maria a Kali &#8211; A sombra materna e o adoecimento psíquico das mães</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/repressao-da-sombra-na-maternidade-e-o-sofrimento-psiquico-das-maes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiza de Oliveira Burger]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 13:31:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[integração de sombra]]></category>
		<category><![CDATA[Mãe]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade real]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: A proposta desse artigo é analisar como a repressão dos aspectos sombrios da maternidade tem contribuído para o adoecimento psíquico das mulheres. A partir da oposição simbólica entre Maria, representando o aspecto luminoso da maternidade (devoção, doçura, aceitação) e Kali, representando a dualidade, a força destrutiva e transformadora do feminino, vamos analisar como a [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/repressao-da-sombra-na-maternidade-e-o-sofrimento-psiquico-das-maes/">De Maria a Kali &#8211; A sombra materna e o adoecimento psíquico das mães</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: A proposta desse artigo é analisar como a repressão dos aspectos sombrios da maternidade tem contribuído para o adoecimento psíquico das mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A partir da oposição simbólica entre Maria, representando o aspecto luminoso da maternidade (devoção, doçura, aceitação) e Kali, representando a dualidade, a força destrutiva e transformadora do feminino, vamos analisar como a cultura ocidental estimula uma identificação unilateral das mulheres com o ideal da mãe perfeita, reforçada por fatores religiosos, culturais e históricos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tal-identificacao-exclui-os-aspectos-sombrios-da-maternidade-como-a-raiva-a-exaustao-o-desejo-de-autonomia-trazendo-muitas-vezes-sofrimento-psiquico-para-as-mulheres" style="font-size:19px">Tal identificação exclui os aspectos sombrios da maternidade, como a raiva, a exaustão, o desejo de autonomia, trazendo, muitas vezes, sofrimento psíquico para as mulheres.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O reconhecimento e a integração dos aspectos luminosos e sombrios da maternidade podem representar uma via de cura e reconciliação do feminino e permitir alcançar uma maternidade mais autêntica e libertadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-sabido-que-o-papel-da-mulher-na-sociedade-vem-mudando-ao-longo-do-tempo-mas-e-as-maes-sera-que-as-expectativas-em-relacao-a-maternidade-acompanharam-toda-essa-mudanca" style="font-size:19px">É sabido que o papel da mulher na sociedade vem mudando ao longo do tempo. Mas e as mães? Será que as expectativas em relação à maternidade acompanharam toda essa mudança?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Se fizermos uma breve pesquisa histórica vamos descobrir que esse modelo idealizado de maternidade, onde a mãe deve abrir mão de tudo em detrimento dos filhos (e sem ressentimentos!) nem sempre foi assim.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-num-passado-nem-tao-distante-por-volta-de-xviii-os-filhos-nao-eram-a-prioridade-da-familia-e-muito-menos-ocupavam-lugar-de-destaque" style="font-size:19px">Num passado nem tão distante, por volta de XVIII, os filhos não eram a prioridade da família e muito menos ocupavam lugar de destaque.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Era muito comum, por exemplo, nas famílias de melhor poder aquisitivo as crianças morarem com amas de leite durante os primeiros anos. Muitas delas nem eram visitadas pelos pais até que chegasse a hora de retornarem para suas casas, quando já tinham sobrevivido às dificuldades dos primeiros anos de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Já nas famílias mais pobres, os filhos eram vistos como mão de obra e eram colocados para trabalhar tão logo fosse possível, a fim de contribuir para o sustento da família.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Com a revolução industrial, a configuração das famílias passou por algumas mudanças. Se antes homens e mulheres ocupavam as lavouras ou comércios, agora eles ocupariam as fábricas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No entanto, com o pós-guerra, houve uma pressão social para que os homens retomassem os empregos nas fábricas e as mulheres ocupassem os lares, com a desculpa de que o serviço era pesado demais para elas e que sua &nbsp;natureza se adequava melhor aos serviços domésticos. Porém, de pano de fundo, o objetivo era resgatar o masculino tão sacrificado nas guerras.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Diante desse cenário, os pais foram se distanciando cada vez mais das tarefas relacionadas aos filhos. E as mulheres, por sua vez, foram abrindo mão de ocupar outros espaços na sociedade para se dedicarem ao lar e à educação da prole.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Alguns historiadores também atribuem a Rousseau o início da mudança do olhar sobre a maternidade com a publicação do livro Emilio ou Da Educação, em 1762. Apesar de ser um relato fictício sobre a educação de um menino, ele questionou as práticas familiares vigentes, ressaltando, por exemplo, a importância da amamentação pela mãe, e fazendo uma crítica às mães que não tinham os filhos como prioridade. As ideias de Rousseau se espalharam, atraíram a atenção popular e provocaram discussões na sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-igreja-catolica-tambem-contribuiu-bastante-para-a-configuracao-do-papel-das-mulheres-na-sociedade" style="font-size:19px">A igreja católica também contribuiu bastante para a configuração do papel das mulheres na sociedade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Embora a proclamação da assunção de Maria tenha sido declarada apenas em 1950, a figura da mãe de Jesus sempre foi vendida pela igreja como digna de inspiração. Maria, a virgem sem pecados, a que doou a vida pelo filho, a que nunca questionou seu destino, nem mesmo quando no mito o anjo aparece anunciando que ela tinha sido escolhida para ser mãe de uma criança divina.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Maria sempre é retratada com o filho nos braços, olhar calmo e sereno, como num momento de felicidade plena</strong>. Um modelo bastante repressor para as mães, que devem ser devotadas, assim como Maria, e capaz de enormes sacrifícios.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O menino Jesus jamais foi pintado chorando ou com a cabeça caída para trás. Sua mãe nunca teve uma aparência irritada ou cansada. Ninguém jamais pintou Maria nos afazeres prosaicos da maternidade: dando banho, alimentando ou vestindo Jesus. Nossa Senhora e o menino Jesus estão congelados na eternidade de um momento relativamente raro da mãe com o bebê.</p><cite>FORNA, 1999, p.18</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-sombra-materna" style="font-size:22px"><strong>A sombra materna</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As mães foram aos poucos moldando-se às expectativas da sociedade para a sua própria maternagem, ficando identificadas apenas com o lado luminoso, seja por imposição social ou por falta de conhecimento dos seus próprios sentimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ao longo das gerações, aprenderam que não podem expressar sentimentos ambivalentes. Amar e, ao mesmo tempo, desejar distância, cuidar e desejar tempo para si, sentir gratidão e raiva. Tudo isso é vivido em silêncio, sob o peso da culpa, criando um terreno fértil para o sofrimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">E para onde vão todos esses sentimentos reprimidos, tudo aquilo que as mães não são autorizadas a sentir e a manifestar para estarem de acordo com o papel que tem sido atribuído a elas?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esses conteúdos ficam na sombra que, para Jung, são os aspectos reprimidos ou desconhecidos da personalidade, onde também estão os conteúdos considerados impróprios socialmente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><a>A sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguém é capaz de tomar consciência desta realidade sem dispender energias morais. Mas nesta tomada de consciência da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade.</a></p><cite><a>JUNG, 2013, p.19</a></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Quando Jung descreve os traços essenciais do arquétipo materno, fala dos aspectos luminosos e sombrios presentes em cada mãe: bondade nutritiva e dispensadora de cuidados, emocionalidade orgástica e sua obscuridade subterrânea (Cf. JUNG, 2014, p. 88). </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-aspectos-presentes-em-todas-as-maes-e-que-a-rigor-nao-deveriam-ser-suprimidos" style="font-size:19px">Aspectos presentes em todas as mães e que, a rigor, não deveriam ser suprimidos.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Seus atributos são o “maternal”: simplesmente a mágica autoridade do feminino; a sabedoria e a elevação espiritual além da razão; o bondoso, o que cuida, o que sustenta, o que proporciona as condições de crescimento, fertilidade e alimento; o lugar de transformação mágica, do renascimento; o instinto e o impulso favoráveis; o secreto, oculto, o obscuro, o abissal, o mundo dos mortos, o devorador, sedutor e venenoso, o apavorante e fatal.</p><cite>JUNG, 2014, p.158</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Essa dualidade é essencial para a compreensão do arquétipo: a mãe é simultaneamente fonte de vida e de morte simbólica, acolhimento e ameaça, alimento e limite.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A idealização da maternidade representa uma identificação com a persona da mãe perfeita e uma repressão do aspecto sombrio do arquétipo. Ao negar os conteúdos que se contrapõem à imagem ideal, o cansaço, a raiva, a ambivalência, o desejo de ser mais do que somente mãe, a mulher rompe com a totalidade de sua psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O resultado disso é a manifestação de sintomas como culpa, exaustão, ansiedade, depressão e muitos outros. Para Jung, “aquilo que tiver sido reprimido, voltará a manifestar-se em outro lugar e sob uma forma modificada, mas dessa vez carregada de um ressentimento que transforma o impulso natural, em si inofensivo, em nosso inimigo” (JUNG, 2013 p.41.).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-maria-e-kali-o-drama-da-maternidade-contemporanea" style="font-size:22px"><strong>Maria e Kali – o drama da maternidade contemporânea</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesse sentido, a deusa hindu Kali seria melhor representante dos aspectos duais da maternidade do que Maria. Kali é descrita como destruidora e sanguinária, mas também como força regeneradora e libertadora. Para muitas tradições tântricas, aproximar-se de Kali significa confrontar a própria sombra e, ao mesmo tempo, ser acolhido por uma dimensão radical de amor e liberdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Se Maria simboliza o amor incondicional e a doação, Kali representa a potência que corta o que precisa morrer para que o novo surja. Ambas podem ser consideradas expressões complementares do mesmo princípio materno.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Entre Maria e Kali se apresenta o drama psíquico da maternidade contemporânea. De um lado, a mãe santa, que tudo suporta e de outro, a mãe instintiva, que sente raiva, medo e desejo e que age muitas vezes de forma violenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Quando a cultura valoriza apenas o aspecto luminoso, a psique reage projetando a sombra reprimida, seja nas outras mulheres, vistas como mães ruins, seja em sintomas físicos e emocionais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-lembra-que-a-meta-da-individuacao-nao-e-a-perfeicao-mas-a-totalidade-o-equilibrio-entre-luz-e-sombra" style="font-size:19px">Jung lembra que a meta da individuação não é a perfeição, mas a totalidade, o equilíbrio entre luz e sombra.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Significa reconhecer em si tanto Maria quanto Kali: a ternura e a fúria, o amor e a destruição, o cuidado e o limite.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O objetivo da individuação não é o homem perfeito, mas o homem completo com sua luz e sua escuridão. O mal, assim como o bem, é dado ao homem juntamente com o dom da vida. Não pode nunca ser completamente vencido, embora o homem tenha a chance de contê-lo, tornando-se cônscio dele e analisando-o. Quanto mais consciente for de suas predisposições para o mal, mais condições terá de resistir às forças destrutivas dentro de si. Em geral, a individuação tem início quando o homem se torna consciente da própria sombra, da escuridão e do mal inconscientes, que são, no entanto, parte integrante da sua totalidade. </p><cite>JAFFÉ, 2021, p. 81</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-mulher-que-aceita-sua-sombra-materna-deixa-de-buscar-a-perfeicao-e-passa-a-viver-uma-maternidade-mais-autentica-e-livre-essa-aceitacao-nao-elimina-o-sofrimento-mas-o-ressignifica" style="font-size:19px">A mulher que aceita sua sombra materna deixa de buscar a perfeição e passa a viver uma maternidade mais autêntica e livre. Essa aceitação não elimina o sofrimento, mas o ressignifica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A negação dos aspectos sombrios aprisiona as mulheres em um ideal inatingível de perfeição. O reconhecimento da sombra não destrói o amor materno, o torna mais verdadeiro, porque permite amar sem negar o conflito. Acolher em si as forças ambivalentes tornam possível construir uma maternidade menos idealizada e mais real, uma maternidade viva, transformadora e inteira</p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/luiza-de-oliveira-burger/"><strong>Luiza de Oliveira Burger </strong>– <strong>Membro Analista em formação IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/"><strong>Ana Paula Maluf</strong> – <strong>Analista Didata IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">FORNA, Aminatta. <em>Mãe de todos os mitos. </em>Como a sociedade modela e reprime as mães. Rio<br>de Janeiro: Ediouro,1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JAFFÉ, Aniela.&nbsp;<em>O Mito do Significado na obra de C. G. Jung</em>. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Aion. </em>Estudo Sobre o Simbolismo do Si-mesmo.10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo</em>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KAST, Verena. <em>A sombra em nós. </em>A força vital subversiva. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">ODIER, Daniel. <em>Kālī: mitologia, práticas secretas e rituais.</em> São Paulo: Presságio, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">CHAMUNDACHARYA DAKSINA KALI (Vazel Chamunda Merenzeine)<strong>.</strong> <em>Kālī, adoração e serviço – volume 1.</em> São Paulo: Clube de Autores, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Matrículas abertas: <a style="font-weight: bold;" href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="960" height="540" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-2.png" alt="" class="wp-image-11604" style="width:699px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-2.png 960w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-2-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-2-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-2-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-2-450x253.png 450w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure>
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			</item>
		<item>
		<title>O Ritmo Lento da Transformação: A Porta Oculta e a Síntese da Ave-Preguiça</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-ritmo-lento-da-transformacao-a-porta-oculta-e-a-sintese-da-ave-preguica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Monica Martinez]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 00:12:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Sonho]]></category>
		<category><![CDATA[alquimia]]></category>
		<category><![CDATA[animus]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologiaanalitica]]></category>
		<category><![CDATA[PsicologiaJunguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Este artigo parte da análise de um sonho para desvelar um momento de transição psíquica. O símbolo central, um bichinho híbrido (ave e bicho-preguiça) no ninho, pode representar a função transcendente, que exige a síntese entre a visão elevada (Apolo) e o ritmo orgânico (Dionísio), contrariando o ativismo compulsivo. O dilema de sacrificar os [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Resumo</strong>: Este artigo parte da análise de um sonho para desvelar um momento de transição psíquica. O símbolo central, um bichinho híbrido (ave e bicho-preguiça) no ninho, pode representar a função transcendente, que exige a síntese entre a visão elevada (Apolo) e o ritmo orgânico (Dionísio), contrariando o ativismo compulsivo. O dilema de sacrificar os seios (Eros) em prol da liberdade de ser um homem (Animus) revela o conflito entre nutrição e autonomia. A resolução ocorre na alquímica <em>Solutio</em>, quando a rigidez do Ego (o portão fixo) se dissolve, revelando uma Porta Oculta. O processo de individuação aponta para a humildade de desconfiar da própria inflexibilidade, permitindo que a nova atitude, lenta e sábia, se manifeste.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-sonho" style="font-size:20px"><strong>O Sonho</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Estou com uma amiga (professora da USP). Ela me mostra um bichinho que tem. Ele está numa espécie de ninho. Eu olho e digo que algo mudou quando aquele bichinho chegou. Ela concorda e olhamos para o bichinho, que parece ser um misto de ave e bicho-preguiça.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Estou numa casa grande e um pouco escura. Converso com um homem. Ele comenta a conversa que teve com outro homem, mais desleixado, que disse que ele estava bem vestido. O homem ri e explica que era porque ia trabalhar mesmo no dia de folga.<br>Olho para ele e penso que daria uma parte de meu corpo para poder estar na pele de um homem, pois sabia que eles agiam de forma diferente na frente de mulheres e entre homens. Não consigo decidir qual parte seria esta. Olho para meus seios, firmes e morenos, bonitos e ornados com um colar, e penso que preciso deles para dar colo.<br>Estou na frente da casa, na calçada, e me apoio numa parte do portão que julgava fixa. Ele se abre para eu entrar, revelando uma porta que eu não imaginava existir.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-funcao-prospectiva-do-sonho" style="font-size:20px"><strong>A Função Prospectiva do Sonho</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>O sonho não apenas reflete o estado atual da psique, mas aponta para a atitude futura necessária à individuação</strong>. Em termos simbólicos e alquímicos, pode revelar um momento de profunda renegociação entre Logos, Animus e Eros, sugerindo a emergência de um novo ritmo de ser, a partir do trabalho analítico da associação e ampliação simbólica dos seus elementos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O cenário se inicia com o Ego na esfera do Logos, representado pela amiga professora — um ambiente de alta intelectualidade e exigência social. Nesse contexto, a função transcendente se manifesta no símbolo central: o bichinho híbrido, aninhado, como uma fórmula do Self para a transformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A ave representa a esfera superior, o espírito, a intuição, a clareza e a luz — o princípio Apolíneo, o voo do Logos em busca da ordem superior. O bicho-preguiça, por outro lado, evoca a quietude, o ritmo orgânico, a conexão com a Terra e a entrega ao fluxo instintivo — o princípio Dionisíaco.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>O ninho é o receptáculo, o vaso alquímico onde a nova atitude é gestada</strong>. A síntese que emerge indica que o Self exige um Logos temperado pelo tempo interno, uma visão elevada que se manifesta com paciência e aterramento — um antídoto à compulsão pela produtividade e ao ativismo desenfreado. O crescimento autêntico deve ser lento e orgânico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-conflito-alquimico-calcinatio-e-o-dilema-do-animus" style="font-size:20px"><strong>O Conflito Alquímico: <em>Calcinatio</em> e o Dilema do Animus</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O sonho prossegue com a manifestação do Animus projetado na figura de um homem que trabalha no dia de folga, representando uma sombra da compulsão e da negação do descanso.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O ponto de <em>Calcinatio</em> — a queima da atitude rígida — reside no desejo de sacrificar uma parte do corpo (os seios) – como a figura da Amazona que o amputa para manejar melhor o arco e a flecha – para conquistar a liberdade e autenticidade do Animus. Este é um dilema arquetípico: integrar o Animus (ação, Logos) sem castrar ou mutilar o Eros (relação, nutrição, acolhimento).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O Self intervém na hesitação: o Eros da sonhadora está em plenitude e não deve ser desmembrado. A liberdade de ação não precisa custar a capacidade de acolhimento; <strong>é possível integrar a força do Animus sem renunciar à riqueza do Eros</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-porta-oculta-solutio-e-a-redencao-da-rigidez" style="font-size:20px"><strong>A Porta Oculta: <em>Solutio</em> e a Redenção da Rigidez</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A resolução, típica da <em>Solutio </em>alquímica, acontece quando o Ego se apoia no portão que julgava fixo — símbolo da rigidez defensiva — e este se abre, revelando uma porta invisível anteriormente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O toque do Self é claro: o caminho para a &#8220;casa grande e escura&#8221; (o inconsciente a ser iluminado) não está na barganha dolorosa ou no esforço da vontade, mas na humildade e na confiança. A Porta Oculta é o reconhecimento de que a rigidez do Ego é uma barreira que bloqueia a passagem. O suporte estava presente o tempo todo, mas invisível à percepção.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O sonho convida a confiar na fluidez do processo e no ritmo orgânico da ave-preguiça. A verdadeira liberdade é agir a partir da quietude, não da compulsão. Ao abandonar a exigência de sacrifício e a rigidez do portão, a sonhadora adentra o vasto território do Self, onde a integração entre Eros e Logos, Apolo e Dionísio, pode ser sustentada pela alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Esta jornada onírica serve como guia: para se libertar, é preciso desacelerar, confiar na força do que nutre e abandonar a crença de que a Porta da Iniciação exige sempre um preço alto.</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="📄Artigo novo: &quot;O Ritmo Lento da Transformação: A Porta Oculta e a Síntese da Ave-Preguiça&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/lfT_PwUrF1M?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/monicamartinez/">Monica Martinez – Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br"><strong>www.ijep.com.br</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Depressão: O Chamado Interior para a Transformação Pessoal &#8211; Uma Análise Simbólica</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/depressao-uma-analise-simbolica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Caroline Santos Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Aug 2025 12:53:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Depressão]]></category>
		<category><![CDATA[cgjung]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[psicologiaanalitica]]></category>
		<category><![CDATA[PsicologiaJunguiana]]></category>
		<category><![CDATA[simbologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A depressão é uma experiência humana complexa, que vai além da tristeza ou da falta de ânimo. Muitas vezes, ela revela um sentimento de desconexão com a própria vida, com os outros e com aquilo que dá sentido à existência. Para a psicologia analítica, desenvolvida por Carl Gustav Jung, a depressão não é apenas um [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><em>A depressão é uma experiência humana complexa, que vai além da tristeza ou da falta de ânimo. Muitas vezes, ela revela um sentimento de desconexão com a própria vida, com os outros e com aquilo que dá sentido à existência. Para a psicologia analítica, desenvolvida por Carl Gustav Jung, a depressão não é apenas um problema a ser eliminado, mas pode ser um sinal de que algo dentro de nós precisa de atenção e mudança. Em vez de ver os sintomas apenas como algo negativo, essa abordagem propõe que eles são mensagens do inconsciente — uma forma da psique expressar conflitos profundos e nos convidar a olhar para dentro. Este artigo busca refletir sobre a depressão a partir desse ponto de vista, mostrando como sonhos, imagens simbólicas e a criatividade podem ajudar no processo de autoconhecimento, cura e transformação pessoal.</em> &nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-depressao-de-acordo-com-a-organizacao-pan-americana-de-saude-opas-e-um-transtorno-mental-comum-porem-grave-que-impacta-significativamente-a-vida-diaria" style="font-size:20px">A depressão, de acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), é um transtorno mental comum, porém grave, que impacta significativamente a vida diária.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Ela compromete a capacidade de trabalhar, estudar, dormir, alimentar-se e desfrutar da vida. Causada por uma complexa interação de fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos, a depressão afeta, atualmente, mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">É crucial distinguir a depressão das flutuações normais de humor e das reações emocionais transitórias aos desafios cotidianos. Quando a depressão se manifesta de forma moderada ou grave, especialmente por períodos prolongados, ela se configura como uma condição de saúde crítica, gerando sofrimento intenso e disfunções em diversas áreas da vida. Em situações extremas, pode levar ao suicídio.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Em uma sociedade que supervaloriza a especialização, o alto desempenho, a produtividade e a busca incessante pela alegria constante, observa-se um aumento no número de pessoas que se sentem desconectadas do seu propósito e do ritmo natural da alma. Essa desconexão pode desencadear sentimentos de vazio, tristeza, falta de energia e estagnação – sintomas que frequentemente se associam à depressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Segundo <strong>Jung</strong>, os <strong>sintomas </strong>emergem na vida dos indivíduos quando há uma dificuldade em reconhecer e integrar o outro lado do próprio ser, servindo, assim, como uma via para que aspectos não reconhecidos da alma encontrem expressão.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Em minha experiência clínica como analista junguiana, tenho acompanhado clientes que enfrentam episódios depressivos, guiando-os em seus processos de &#8220;descida aos infernos&#8221; da alma. Frequentemente, esses clientes buscam explicações para seus sintomas em causas exclusivamente biológicas, como desequilíbrios hormonais ou neurológicos, separando mente e corpo. No entanto, a constatação de que a medicação, por si só, não proporciona a cura desejada os impulsiona a procurar o auxílio da psicoterapia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-trabalho-clinico-utiliza-os-principios-da-psicologia-junguiana-e-da-psicossomatica-que-buscam-compreender-os-sintomas-como-expressoes-simbolicas-do-self-sem-desconsiderar-a-importancia-da-intervencao-farmacologica-quando-necessaria" style="font-size:20px">O trabalho clínico, utiliza os princípios da psicologia junguiana e da psicossomática, que buscam compreender os sintomas como expressões simbólicas do Self, sem desconsiderar a importância da intervenção farmacológica quando necessária.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">O objetivo principal é aprofundar a compreensão dos sintomas que surgem durante os episódios depressivos, visando desvendar o significado da depressão e identificar o que precisa ser reconhecido e integrado nesse estado afetivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Na perspectiva da psicologia analítica, a compreensão da depressão ultrapassa a mera tristeza ou melancolia, indo além das disfunções bioquímicas. A depressão é vista como um profundo desequilíbrio psíquico, uma manifestação simbólica de conflitos internos e de conteúdos reprimidos que buscam expressão, além de uma desarmonia entre o consciente e o inconsciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A depressão não é apenas uma reação patológica, mas também uma consequência natural da necessidade de transformação da psique. Sentir-se deprimido, portanto, não deve ser interpretado automaticamente como um sinal de patologia, mas sim como um processo psíquico complexo que frequentemente se origina de conflitos inconscientes e da necessidade de integrar aspectos da personalidade que ainda não foram reconhecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Os quadros depressivos podem, assim, ser compreendidos como um estímulo para a busca de novos caminhos, um chamado ao caminho interior. No entanto, muitas pessoas relutam em dar esse passo, permanecendo presas ao passado gerando a sensação de estarem paralisadas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-rudolf-steiner-teorico-da-antroposofia-explica-que-a-vida-humana-e-marcada-por-ciclos-que-se-renovam-a-cada-sete-anos" style="font-size:20px"><strong>Rudolf Steiner</strong>, teórico da antroposofia, explica que a vida humana é marcada por ciclos que se renovam a cada sete anos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Cada ciclo é composto por um período de intensa atividade, seguido por um de esvaziamento, até que um novo ciclo se inicie. Durante essa fase de transição, aquilo que antes conferia significado à vida tende a perder sua força, o que pode desencadear sentimentos de angústia e vazio. Se aproveitarmos esse momento de maneira consciente, ele pode se transformar em um período de recolhimento valioso, ideal para refletir sobre a jornada percorrida, questionar nossos rumos, definir quem desejamos ser e identificar as áreas da vida que exigem maior atenção para promover nosso desenvolvimento. Dessa forma, somos naturalmente convidados, em intervalos regulares, a examinar nossa trajetória e realizar os ajustes necessários em direção ao nosso processo de individuação – ou seja, de nos tornarmos quem realmente somos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-contexto-a-angustia-e-o-vazio-existencial-longe-de-serem-meros-obstaculos-integram-o-percurso-e-se-mostram-essenciais-pois-proporcionam-oportunidades-de-revisao-e-redirecionamento" style="font-size:20px">Nesse contexto, a angústia e o vazio existencial, longe de serem meros obstáculos, integram o percurso e se mostram essenciais, pois proporcionam oportunidades de revisão e redirecionamento.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">No entanto, se, durante esse período de vazio, nos apegarmos excessivamente ao passado e resistirmos às mudanças, fechando-nos às novas possibilidades que a vida nos oferece, podemos comprometer o nosso crescimento. Essa resistência pode intensificar os sintomas de mal-estar, dificultando a nossa evolução pessoal e aumentando a probabilidade de desenvolver quadros depressivos patológicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Embora a psicologia analítica não ofereça uma tipologia de depressão estruturada como os manuais diagnósticos, <strong>James Hollis</strong>, em <em><strong>Os pantanais da alma</strong></em>, sugere diferentes nuances da experiência depressiva, aprofundando nossa compreensão do fenômeno e de sua dinâmica inconsciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hollis-propoe-a-diferenciacao-entre-depressao-reativa-endogena-e-intrapsiquica-reconhecendo-que-um-individuo-pode-experimentar-ate-os-tres-tipos-simultaneamente" style="font-size:20px">Hollis propõe a diferenciação entre depressão reativa, endógena e intrapsíquica, reconhecendo que um indivíduo pode experimentar até os três tipos simultaneamente<a>.</a></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A depressão reativa pode surgir como uma resposta normal a situações de perda ou desapontamento, envolvendo a regressão da libido. No entanto, o autor salienta que a incapacidade de elaborar o luto, seja ele real ou simbólico, resulta em um aprisionamento no passado por um longo período de tempo, perpetuando o sofrimento que se manifesta em sintomas depressivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A depressão endógena, cuja etiologia permanece em grande parte desconhecida, apresenta uma provável base biológica e fatores genéticos, frequentemente observada em histórico familiar. Pacientes com esse tipo de depressão relatam um estado de ânimo e humor deprimido persistente, que interfere significativamente em suas atividades diárias. Porém, o autor esclarece que, embora o tratamento farmacológico com <strong>inibidores seletivos da recaptação de serotonina</strong> (ISRS), como Prozac, Paxil e Zoloft, possa melhorar a qualidade de vida desses indivíduos, é importante considerar que o tratamento da base biológica não elimina as dificuldades inerentes à vida nem a possibilidade de ser acometido por outros tipos de depressão.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-depressao-intrapsiquica-por-sua-vez-pode-ser-comparada-a-um-poco-sem-fundo-que-exige-um-mergulho-profundo-para-ser-compreendido" style="font-size:20px">A depressão intrapsíquica, por sua vez, pode ser comparada a um poço sem fundo que exige um mergulho profundo para ser compreendido.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Conforme o autor, esse tipo de depressão resulta da repressão de emoções e características essenciais do indivíduo, consideradas inaceitáveis pelo padrão dominante da consciência, revelando a necessidade de integrar aspectos sombrios da personalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Vale salientar que a distinção entre depressão reativa, endógena e intrapsíquica, embora útil para a compreensão de diferentes nuances da experiência depressiva, não deve ser interpretada de forma rígida. A coexistência desses tipos em um mesmo indivíduo é frequente, demonstrando, mais uma vez, as limitações de uma categorização estritamente diagnóstica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hollis-tambem-analisa-a-etimologia-da-palavra-depressao-que-significa-pressionar-para-baixo-questionando-o-que-e-sufocado-nos-episodios-depressivos" style="font-size:20px"><strong>Hollis</strong> também analisa a etimologia da palavra “depressão”, que significa “pressionar para baixo”, questionando o que é sufocado nos episódios depressivos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Ele argumenta que, na maioria das vezes, nesse quadro, a intencionalidade da vida é reprimida, negada e violada. A intensidade da depressão, portanto, relaciona-se diretamente à força vital reprimida, transformando a vida em um campo de batalha interna, no qual o indivíduo se vê envolvido. A depressão, nesse contexto, pode ser interpretada como um <strong>símbolo do processo de vida</strong>, <strong>um chamado à integração de conteúdos inconscientes</strong>, inerente ao processo de individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Para compreender a mensagem da depressão, é válido questionar: Qual o seu propósito? O que busca revelar? O que ainda me prende e não me deixa retornar ao fluxo natural da vida? O que é essencial para mim, e estou deixando de fazer?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-experiencia-depressiva-vista-como-um-chamado-para-a-integracao-de-conteudos-inconscientes-revela-a-necessidade-de-confrontar-a-sombra-integrar-aspectos-negados-da-personalidade-e-resgatar-a-vitalidade-perdida" style="font-size:20px">A experiência depressiva, vista como um chamado para a integração de conteúdos inconscientes, revela a necessidade de confrontar a sombra, integrar aspectos negados da personalidade e resgatar a vitalidade perdida.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A dor da depressão, portanto, pode ser interpretada como um sinal de que algo essencial à identidade e à integridade psíquica precisa ser resgatado e integrado, um processo fundamental para a individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Portanto, é fundamental ter cautela quanto ao uso excessivo de medicamentos no tratamento da depressão. Embora possam proporcionar alívio temporário dos sintomas, esses fármacos, em certos casos, podem interferir na capacidade do indivíduo de acessar suas emoções e elaborar os aspectos psíquicos inconscientes que originam o conflito, o qual se manifesta psicossomaticamente na depressão. Em vez de tratar a raiz do problema, o uso indiscriminado de medicamentos pode mascarar suas causas, impedindo uma oportunidade de cura profunda.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-psicologia-analitica-compreende-a-psique-como-um-sistema-energetico-fechado-com-quantidade-de-energia-constante-a-mudanca-reside-no-direcionamento-dessa-energia-dentro-do-proprio-psiquismo" style="font-size:20px">A psicologia analítica compreende a <strong>psique</strong> como um sistema energético fechado, com quantidade de energia constante. A mudança reside no direcionamento dessa energia dentro do próprio psiquismo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>As alterações no fluxo energético não são aleatórias, mas seguem uma estrutura arquetípica</strong>, <strong>compensando e preservando a integridade psíquica em direção ao desenvolvimento teleológico da personalidade.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A vida nos proporciona uma quantidade suficiente de energia para nossa jornada, mas, ao percebermos uma diminuição dessa energia, é fundamental refletir sobre se as escolhas que estamos fazendo realmente ressoam com a nossa essência. Como destaca Hollis: “somente observando a nossa perda de energia podemos seguir esse caminho até o ponto de separação. A energia perdida é recuperável. Se optarmos por servir à alma, a energia voltará a nos servir”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-algumas-situacoes-a-libido-e-retirada-da-consciencia-porque-algum-conteudo-inconsciente-que-tende-a-emergir-a-atrai-trata-se-de-um-conteudo-inconsciente-que-demanda-atencao-consciente" style="font-size:20px">Em algumas situações, a libido é retirada da consciência porque algum conteúdo inconsciente, que tende a emergir, a atrai. Trata-se de um conteúdo inconsciente que demanda atenção consciente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A progressão da libido promove adaptação, crescimento social e expansão, enquanto sua regressão ativa conteúdos internos, levando à introspecção, à melancolia e, possivelmente, à depressão. A depressão frequentemente surge em indivíduos que, por longos períodos, priorizaram o mundo externo em detrimento do interno. Nesse caso, os sintomas depressivos atuam como um mecanismo enantiodrômico e compensatório, impulsionando a contemplação da totalidade psíquica e o resgate da individuação pelo ego.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A depressão, como toda doença, pode ser compreendida como uma expressão simbólica da psique, que busca compensar desequilíbrios da consciência. Esse processo envolve a integração de conteúdos reprimidos e a religação do ego ao Self, configurando-se como uma tentativa de autorregulação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Conforme explorado, a psicologia analítica enxerga a depressão como uma oportunidade para o crescimento, e não como um mero desastre. A abordagem enfatiza a importância do trabalho reflexivo, da análise do significado e dos aprendizados potenciais inerentes à experiência depressiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-setting-terapeutico-a-abordagem-da-depressao-sob-a-perspectiva-junguiana-enfatiza-a-importancia-de-um-mergulho-simbolico-no-universo-interno-do-paciente" style="font-size:20px">No setting terapêutico, a abordagem da depressão sob a perspectiva junguiana enfatiza a importância de um mergulho simbólico no universo interno do paciente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>O terapeuta, como um guia, auxilia o indivíduo a explorar as imagens que emergem do inconsciente, desvendando os nós que aprisionam a alma</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A ênfase recai sobre a importância crucial do mergulho simbólico, onde a análise dos sonhos e a prática da arteterapia emergem como faróis orientadores. Ao explorar os sonhos, desvendamos as imagens e os símbolos do inconsciente, que revelam os conflitos internos e as mensagens que a depressão busca comunicar. A arteterapia, por sua vez, oferece uma linguagem expressiva, permitindo que as emoções reprimidas encontrem uma forma de se manifestar e serem compreendidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Essa jornada, que demanda tempo e dedicação, não visa apenas o alívio dos sintomas, mas a transformação profunda. O objetivo central é auxiliar o cliente a ressignificar suas experiências, resgatando e integrando potencialidades reprimidas. Essa nova compreensão possibilita um redirecionamento de vida mais consciente, permitindo a descoberta de caminhos mais plenos de realização.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;Depressão: O Chamado Interior para a Transformação Pessoal – Uma Análise Simbólica&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/YbA45L7CDzY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/caroline/">Caroline Costa &#8211; Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/"><strong>Waldemar Magaldi &#8211; Membro Analista Didata</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">DAHLKE, R. <em>Depressão:</em> caminhos de superação da noite escura da alma. São Paulo: Cultrix, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, J<em>. A passagem do meio</em>: da miséria ao significado na meia-idade. São Paulo: Paulus, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______<em>. Os pantanais da alma</em>. 3.&nbsp;ed. São Paulo: Paulus, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UTESCHER, Eliane. Os 9 setênios – antroposofia. <em>Biblioteca Virtual da Antroposofia</em>, 16 jul. 2020. Disponível em: &lt;http://www.antroposofy.com.br/forum/posts/?s=setenios&gt;. Acesso em: 2 jun. 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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		<title>O diálogo entre o cliente e o terapeuta</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-dialogo-entre-o-cliente-e-o-terapeuta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Eugenio Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jul 2025 11:57:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[análise junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[diálogo]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[psicologiaanalitica]]></category>
		<category><![CDATA[terapia]]></category>
		<category><![CDATA[terapia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=10967</guid>

					<description><![CDATA[<p>Resumo: O fato de procurar por um terapeuta indica que uma pessoa está disposta a percorrer um caminho de autoconhecimento no qual, respeitando e aceitando o que é e/ou o que não é, interage com um (a) profissional para imaginar um pouco mais de sabor e sentido para sua vida. No diálogo, o cliente busca [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Resumo</strong>: O fato de procurar por um terapeuta indica que uma pessoa está disposta a percorrer um caminho de autoconhecimento no qual, respeitando e aceitando o que é e/ou o que não é, interage com um (a) profissional para imaginar um pouco mais de sabor e sentido para sua vida. No diálogo, o cliente busca ir além dos discursos que já ouve cotidianamente nos ambientes familiares, religiosos e profissionais. Num mundo cheio de discursos a respeito de como se deve viver, o ritual semanal da terapia é um exercício de aprendizado do diálogo. O texto revisa a noção de diálogo a partir da observação empírica da análise junguiana e dos trabalhos de Carl Gustav Jung, Simone Magaldi e Vilém Flusser.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O fato de procurar por um terapeuta indica que uma pessoa está disposta a percorrer um caminho de autoconhecimento no qual, respeitando e aceitando o que é e/ou o que não é, interage com um (a) profissional para imaginar um pouco mais de sabor e sentido para sua vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O diálogo é uma dinâmica marcante do processo terapêutico pelo fato que é muito comum que um cliente busque ir além dos discursos que já ouve cotidianamente nos ambientes familiares, religiosos e profissionais. Num mundo cheio de discursos a respeito de como se deve viver, o ritual semanal da terapia é um exercício de aprendizado do diálogo que pode desabrochar numa relação criativa entre as duas pessoas em ação (cliente e terapeuta) e aquilo que se desenvolve entre elas, isto é, o próprio processo de análise.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-tensao-entre-o-discurso-repetitivo-sobre-como-se-deve-viver-e-o-dialogo-criativo-onde-a-vida-pode-ser-reinventada-marca-o-processo-terapeutico-nbsp" style="font-size:20px">A tensão entre o <strong>discurso</strong> repetitivo sobre como se deve viver e o <strong>diálogo</strong> criativo onde a vida pode ser reinventada marca o processo terapêutico.&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Essa potencialidade dialógica criativa talvez seja uma das razões pelas quais se prefere o termo cliente por se entender que se trata de uma pessoa ativa que busca a análise com determinado propósito de melhoria em sua vida, que investe tempo e dinheiro na relação com o terapeuta, e não apenas de um indefeso paciente que não entende nada a respeito de sua enfermidade e aceita pacientemente as orientações de um médico com plenos poderes curativos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-tensao-entre-discurso-e-dialogo-esta-presente-em-muitos-estudos-a-respeito-da-relacao-entre-o-eu-e-o-outro-entre-um-eu-e-um-tu" style="font-size:20px"><strong>A tensão entre discurso e diálogo está presente em muitos estudos a respeito da relação entre o eu e o outro, entre um eu e um tu</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A questão se torna fundamental quando na cultura contemporânea é muito comum ouvirmos que devemos viver de forma independente dos outros, que devemos nos vivar por conta, que não precisamos gastar tempo com os outros ou apenas estarmos perto de outros muito parecidos conosco mesmos, como ocorre em grupos de WhatsApp que repetem para pessoas conhecidas a mesma forma de olhar para os principais fatos de cada dia. Por outro lado, em outros grupos muito se fala a respeito da importância dos outros em nossas vidas, mas não se tem muito a consciência de que a beleza do encontro com o outro está justamente no fato que nesta relação podemos muitas vezes ser levados a modificar nosso jeito de ver o mundo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Na linguagem junguiana nós estamos misturados com os outros já no campo do chamado <strong>inconsciente coletivo</strong>. Como afirma a Profa. Simone Magaldi no texto “Inconsciente Coletivo e Inconsciente Pessoal”, publicado em <em>“Fundamentos da Psicologia Analítica”:</em></p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Nós nos tornamos humanos em função dos arquétipos, nos humanizamos perante os arquétipos, isto é, a experiência arquetípica é que nos faz humanos. Essa camada do inconsciente onde somos todos iguais é que nos faz partilhar das experiências de todos os povos. </p><cite>(Magaldi, 2025, p. 59)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Neste sentido, segundo a autora, que a cultura, no campo do inconsciente coletivo, trata “a imagem, a lembrança e, na linguagem junguiana, o arquétipo da mãe, do pai, herói, rei, príncipe, servidor, político&#8230;”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A autora remete a C.G. Jung para mostrar o quanto não somos mais entidades separadas dos outros, mas somos um:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px;line-height:1.4"><blockquote><p>A camada mais profunda que conseguimos atingir na mente do inconsciente é aquela em que o homem “perde” a sua individualidade particular, mas onde sua mente se alarga, mergulhando na mente da humanidade – não a consciência, mas o inconsciente onde somos todos iguais. Como o corpo tem sua conformação anatômica com dois olhos, duas orelhas, um nariz e assim por diante, e apenas ligeiras diferenças individuais o mesmo se dá com a mente em conformação básica. A esse nível coletivo não somos mais entidades separadas, somos um. Podemos compreender isso quando estudamos a psicologia dos povos primitivos.</p><cite><em>(OC 18/1, § 87)</em></cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-dialogo-e-a-busca-de-sentido" style="font-size:22px"><strong>O diálogo e a busca de sentido</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A relação do cliente com o terapeuta também é marcada pelo princípio biológico do desenvolvimento. Em termos biológicos, cada parte do organismo se desenvolve dia após dia desde o nascimento. Assim, na perspectiva junguiana, “a vida é teleológica <em>par excellence</em>”. Ela é “a<em> própria persecução de um determinado fim, e o organismo nada mais é do que um sistema de objetivos prefixados que se procura alcançar</em>” (OC 8/2, § 798).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Nas palavras das Profa. Simone Magaldi no texto “<strong>Sincronicidade</strong>”, também publicado em <em>“Fundamentos da Psicologia Analítica”:</em></p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px;line-height:1.4"><blockquote><p>Ou seja, biologicamente, temos um caminho de desenvolvimento, que significa exatamente nos “des-envolver”. A negativa “des” significa nos livrarmos das amarras dos nossos envolvimentos para rumar em direção ao nosso próprio propósito; psicologicamente também temos um caminho. Lá na frente, um si-mesmo que pede por completude, que pede por ser único, que nos chama. É o sentido teleológico da vida humana. </p><cite><em>(Magaldi, 2025, p.175)</em></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Para Jung, acompanhando a reflexão da Profa. Simone, “<em>assim como para os órficos pitagóricos, a psique carrega todo o conhecimento. Precisamos ouvir nosso daimon. Quem conhece um pouquinho de Sócrates sabe do que estou falando. Sócrates ouvia seu daimon, ele seguia esse daimon, esse gênio que falava com ele, indicando o seu destino. Assim é com todos nós, quando seguimos o nosso destino rumo à plenitude</em>” (Magaldi, 2025, p. 176).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Neste caminho rumo a uma vida com algum sentido, que não sirva apenas para si mesmo, mas também para os outros de seu entorno, o cliente em relação com o terapeuta se embrenha no chamado processo de individuação no qual percebe uma meta para viver, o seu próprio Mito do Significado, a sua possibilidade de corresponder ao seu destino e ser capaz de viver. Assim, em outras palavras, “<em>um indivíduo que não corresponde ao seu destino é quase incapaz de viver, ou seja, ele não apenas é infeliz</em>” (Magaldi, 2025, p. 126).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-ambiente-cultural-no-qual-vivemos-nem-sempre-nos-ajuda-a-ter-nosso-perfil-nossa-singularidade" style="font-size:20px">O ambiente cultural no qual vivemos nem sempre nos ajuda a ter nosso perfil, nossa singularidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Ao contrário, quer que nos adequemos às coisas, às tradições e às representações mais comuns e aceitas pela maioria das pessoas. Neste contexto, apresentando o processo de individuação que o cliente pode desenvolver na interação com seu terapeuta, a Profa. Simone Magaldi, no livro <em>“<strong>Ordem e Caos. Uma visão transdisciplinar</strong>”</em>, enfatiza:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px;line-height:1.4"><blockquote><p>Esse é o nosso conflito cotidiano; o ser o si-mesmo e assim trilhar o caminho que é o processo de Individuação, ou ser as representações, as personas, os papéis que a sociedade exige em cada situação e que acabamos por representar em cada uma delas, de acordo com o senso comum. O caos, portanto, não só se estabelece por invasões do nosso interior mais profundo, mas, principalmente, por cobranças do exterior que, via de regra, não coincidem com as expectativas do Self. </p><cite>(Magaldi, 2021, p.57)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Neste processo a relação entre o cliente e o terapeuta não será “morna” como ocorre em muitas das interações humanas. É muito provável que tal qual numa experiência de mistura de elementos em um laboratório, como faziam os alquimistas, a relação indique alguma forma de virada na vida do cliente, uma mudança de perspectiva para a vida, uma transformação, uma metanóia. Diante desta possibilidade, alguns se renderão ao universo sagrado do <em>Misterium tremendum e fascinorum </em>e mudarão suas vidas. “Outros podem adoecer e continuar infelizes e sem sentido para vida” (Magaldi, 2021, p. 81)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-dimensoes-filosoficas-do-dialogo" style="font-size:22px"><strong>Dimensões filosóficas do diálogo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Um dos pensadores contemporâneos que trabalhou a temática do diálogo foi o filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser (1920-1991) que, após invasão nazista de sua cidade, Praga, aos vinte anos veio para o Brasil com a família de sua namorada Edith Barth. Aqui viveu trinta e dois anos (1940 -1972) e desenvolveu toda sua formação como pai de família, estudioso de perfil autodidata, depois professor universitário e debatedor no cenário cultural paulistano.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Em sua história de vida, registrada no livro <em>Bodenlos: uma autobiografia filosófica</em> (2007), encontramos a lista dos onze interlocutores com os quais manteve diálogos no Brasil. No ambiente desse fecundo diálogo, sua vida parece praticamente um enfrentamento da falta de fundamento expressa no próprio título da obra – <em>Bodenlos</em>, em alemão, quer dizer “sem chão” ou “sem-terra”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-livro-relata-as-interlocucoes-com-sete-brasileiros-e-quatro-imigrantes" style="font-size:20px">No livro, relata as interlocuções com sete brasileiros e quatro imigrantes.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Os brasileiros são Milton Vargas, Vicente Ferreira da Silva, João Guimarães Rosa, Haroldo de Campos, Dora Ferreira da Silva, José Bueno e Miguel Reale. Os quatro imigrantes são o tcheco Alex Bloch, o artista plástico romeno Samson Flexor, o judeu ortodoxo inglês Romy Fink e a artista plástica suíça Mira Schendel. A obra indica que a construção da produção intelectual de Flusser aconteceu na conversação, na interação com outras pessoas que também buscavam justificativas para continuar a viver e manter um engajamento na contemporaneidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O diálogo com os interlocutores brasileiros permitiu uma análise fenomenológica de como a “gente” compreende o mundo. A simples palavra “gente”, por exemplo, adquire em seus textos um significado especial, observado por Gustavo Bernardo: Com a “gente” no lugar do “eu” e do “nós”, o filósofo diz “eu” e diz, ao mesmo tempo, “nós”, ou melhor, diz “toda a gente”. Assim ele questiona de dentro, na forma, o “eu solar”, isto é, o “eu” centro do sistema e do universo (Bernardo <em>apud</em> Flusser, 2007, p. 15).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Entendemos que o contexto da conversação, em especial com os interlocutores citados no livro, permitiu um progressivo engajamento reflexivo no universo dos códigos usados tanto na comunicação presencial como na crescente comunicação mediada por equipamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Provocar e deixar-se provocar pela presença dos outros, com suas vivências e posicionamentos diante dos fatos e acontecimentos, parece ter sido a melhor forma de construção de suas concepções. Assim, podemos dizer que praticou um método fenomenológico na medida em que cultivou a perspectiva da volta às coisas, isto é, da atenção aos fenômenos, ao que aparece à consciência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-aqui-podemos-citar-uma-observacao-de-gustavo-bernardo-sobre-as-conversacoes-de-flusser-com-a-obra-de-edmund-husserl-1859-1938" style="font-size:20px">Aqui podemos citar uma observação de <strong>Gustavo Bernardo</strong> sobre as conversações de Flusser com a obra de Edmund Husserl (1859-1938):</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px;line-height:1.4"><blockquote><p>Atormentava a Husserl a questão central de todo idealismo: o que vemos, existe? E: o que existe, existe mesmo? Na linguagem do filósofo alemão [Husserl], toda percepção da coisa é indissociável da tese do mundo, assim como, para Spinoza, toda representação é juízo situado na ordem das ideias. Vemos não isto, mas isto tudo relacionado àquilo e àquilo outro, vemos as relações.</p><cite> (Bernardo, 2002, p. 62)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Pelo fato de Flusser se referir às relações entre pessoas e/ou coisas, percebemos que sua metodologia é marcada por perguntas, pela observação atenta dos fenômenos e, especialmente, pela coragem de duvidar, condição básica para o diálogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Relembrando que é pelo espanto que os homens começam a filosofar, como dizia Aristóteles, com o lema “vamos às coisas” Husserl propôs como método da filosofia a <em>epoché</em> ou redução fenomenológica, termos do vocabulário filosófico para suspensão dos pré-julgamentos em relação aos fenômenos. Um leitor de Flusser se sente em ambiente familiar com essa perspectiva de olhar para o mundo, com essa forma de olhar para os fenômenos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tal-perspectiva-fenomenologica-na-maneira-de-olhar-empiricamente-para-as-pessoas-e-para-as-coisas-que-sao-sempre-representadas-psiquicamente-nos-aproxima-da-postura-investigativa-e-dialogica-de-carl-gustav-jung" style="font-size:20px">Tal perspectiva fenomenológica na maneira de olhar empiricamente para as pessoas e para as coisas que são sempre representadas psiquicamente nos aproxima da postura investigativa e dialógica de Carl Gustav Jung.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O exame das noções de discurso e diálogo em <strong>Vilém Flusser</strong> é marcado pelos princípios da Teoria da Informação, bastante difundida no período no qual escreveu, meados dos anos 1970. Assim, o discurso é “o processo pelo qual informações existentes são transmitidas por emissores, em posse de tais informações, para receptores que devem ser informados”. Por outro lado, o diálogo “<em>é processo pelo qual vários detentores de informações parciais e duvidosas (ou, em todo o caso, duvidadas) trocam tais informações entre si a fim de alcançar síntese que possa ser considerada informação nova</em>” (2007a, p. 89-90).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O próprio autor, por outro lado, alerta que sua reflexão sobre discurso e diálogo segue um caminho diferente da “teoria da informação” ou da “informática” e que a teoria da comunicação deverá ser “entendida como uma disciplina interpretativa” e “a comunicação humana será abordada como um fenômeno significativo a ser interpretado” (2007b, p. 92). Praticamente, em condições dialógicas, o que é visto de maneira privada acaba sendo compartilhado, isto é, “<em>o que é visto subjetivamente tem de ser intersubjetivado</em>” (2007b, p. 184).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Nesse sentido, o diálogo pode ser concebido como uma situação na qual dois ou mais sistemas trocam informações, situação que pressupõe quatro condições prévias, conforme descritas no texto “Política e língua”, publicado no jornal “<em>O Estado de S.Paulo</em>”, em 1968, e republicado na coletânea <em>Ficções filosóficas</em>, em 1998:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px;line-height:1.4"><blockquote><p><em>(a) os sistemas não podem ser idênticos ou muito semelhantes; (b) os sistemas não podem ser inteiramente ou quase inteiramente diferentes; (c) um dos sistemas não pode englobar ou quase englobar o outro; (d) os sistemas devem estar abertos para o outro</em>.</p><cite>(Flusser, 1998, p. 100)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-proprio-autor-apresenta-exemplos-das-quatro-condicoes" style="font-size:20px">O próprio autor apresenta exemplos das quatro condições.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Como exemplo da primeira condição, na qual muitas vezes qualquer sentença ou afirmação é redundante, Flusser cita o caso de pessoas muito próximas ou casais quando não têm quase nada de novo a dizer um para o outro. Para ilustrar a segunda condição, fala sobre a incomunicabilidade entre um esquimó e um balula da África Central. As relações entre gerações são exemplos da terceira situação. Para mostrar a última condição, lembra o Muro de Berlim, contexto no qual um dos sistemas interrompeu o canal comunicante com o receio de que informações alterassem o repertório (Menezes; Künsch, 2017).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-dentre-os-textos-do-livro-o-mundo-codificado-de-vilem-flusser-destacamos-o-que-e-comunicacao-no-qual-mostra-a-diferenca-entre-comunicacao-dialogica-e-comunicacao-discursiva" style="font-size:20px">Dentre os textos do livro “<em>O mundo codificado</em>”, de Vilém Flusser, destacamos “O que é comunicação? ”, no qual mostra a diferença entre comunicação dialógica e comunicação discursiva:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px;line-height:1.4"><blockquote><p>Para produzir informação, os homens trocam diferentes informações disponíveis na esperança de sintetizar uma nova informação. Essa é a forma de comunicação dialógica. Para preservar, manter a informação, os homens compartilham informações existentes na esperança de que elas, assim compartilhadas, possam resistir melhor ao efeito entrópico da natureza. Essa é a forma de comunicação discursiva. </p><cite>(Flusser 2007b: 97)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:10px">O deixar-se alterar ou captar a alteração provocada pelo outro é uma postura que merece ser melhor observada. É possível que a própria condição de “sem chão”, que frisamos ser a tradução portuguesa do título do livro “<em>Bodenlos</em>”, leve a esta postura, encaminhe para uma consciência de se estar em contínuo processo de engajamento nos discursos e diálogos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:22px"><strong>O deixar-se alterar na relação terapêutica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Aquilo que enche o coração transborda pela boca. Este apurado provérbio alemão, que expressa muitos relatos do início de um processo terapêutico, é citado por Jung nas primeiras páginas de uma de suas obras (OC 16/2, §262) a respeito da relação entre o terapeuta e o cliente, marcada pelo que investiga sob o termo “transferência”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Trata-se de uma relação considerada dialogicamente como uma experiência crucial que articula a consciência de um com a consciência do outro, bem como o inconsciente de um com o inconsciente do outro. Na medida em que uma pessoa verbaliza sua história singular ocorre uma ligação intensa com o terapeuta; este fica sensibilizado pelo poder das imagens gravadas na memória do cliente e compartilhadas com a sua memória de profissional da escuta. Ambos progressivamente “<strong>agem com o coração</strong>”, ação presente na palavra “<strong>coragem</strong>” (ação do coração) que faz com que os dois caminhem como valorosos parceiros em uma relação humana na qual atuam, de certa forma, em pé de igualdade, no processo terapêutico.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A palavra “processo” está ligada a uma imagem muito cara ao Prof. <strong>Waldemar Magaldi</strong>. Trata-se da metáfora de um quebrador de pedras que com seu martelo dedica muitos dias para separar calmamente uma veia de mármore de um grande rochedo. Processo (do latim <em>procedere</em>) é uma palavra que indica a ação de avançar, ir para frente (<em>pro+cedere</em>), um conjunto contínuo de ações, como as marteladas, com determinado objetivo. No caso da terapia, o profissional, com diligência e perseverança, vai partindo a pedra, isto é, vai dando marteladas com perguntas que geram um conjunto de respostas, ainda que contraditórias, até que surjam, especialmente na ampliação da narrativa dos sonhos dos clientes, as questões a serem aprofundadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Uma prática que lembra o método socrático de perguntas e respostas que levavam o interlocutor a encontrar dentro de si novos conhecimentos, método também conhecido como “maiêutica”, palavra grega para a profissão da mãe de Sócrates que era uma parteira, exercia a “maieutike” ou a “arte de partejar”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Quando apresenta sua tese a respeito de seus problemas o cliente pode ser confrontado como uma antítese, com uma ou várias ampliações a respeito da narrativa apresentada, até que aos poucos, no exercício do diálogo, termo talvez mais profundo que dialética, surja uma nova leitura e uma nova posição diante da própria história de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Um diálogo que acolha a narrativa da história privada com um olhar retrospectivo que indague a respeito de por quealgo aconteceu e, com um olhar prospectivo, pergunte a respeito de para que um fato aconteceu, situação que demanda a chamada finalidade ou propósito do que fazer com o que aconteceu, como já indicamos com o termo “teleologia” no início do texto. Contexto que vai além da pergunta “quem eu sou ou o que eu sou? ”, presente no crachá que uma pessoa usa no ambiente de trabalho, para se chegar a pergunta “para que eu vivo? ”, questão que revelará aos poucos a finalidade de uma vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-trata-se-de-um-clima-dialogico-da-relacao-entre-dois-sistemas-psiquicos-no-qual-ambos-tecem-juntos-algo-de-novo-acao-presente-na-palavra-confiar-ou-fiar-junto-na-qual-o-terapeuta-com-uma-presenca-muitas-vezes-silenciosa-assume-uma-postura-amorosa" style="font-size:20px">Trata-se de um clima dialógico, da relação entre dois sistemas psíquicos, no qual ambos tecem juntos algo de novo, ação presente na palavra “confiar” ou <strong>fiar junto</strong>, na qual o terapeuta, com uma presença muitas vezes silenciosa, assume uma postura amorosa.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A atitude de quem ama não com o objetivo de fazer o outro ser do jeito que ele (terapeuta) quer, mas de quem ama desejando que o outro (o cliente) se realize do jeito dele. Afinal, quem ama deseja que o outro se torne ele mesmo, que seja feliz do seu jeito e não do jeito que imaginamos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-processo-de-transformacao-do-cliente-e-do-terapeuta-ocorre-segundo-jung-algo-similar-a-um-periodo-de-incubacao" style="font-size:20px">No processo de transformação do cliente e do terapeuta ocorre, segundo Jung, algo similar a um período de incubação:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px;line-height:1.4"><blockquote><p>Na vida humana existem momentos de se virar a página. Aparecem tendências e interesses até então não cultivados; ou se anuncia uma mudança da personalidade (chamada mudança de caráter). Durante o período de incubação de tais mudanças é frequente verificar-se uma perda de energia do consciente: a nova evolução retirou do consciente a energia de que necessitava. É no período que precede as psicoses que essa baixa de energia aparece nitidamente, ou, então, na calma e no vazio que antecedem as novas criações.</p><cite>(OC 16/2, § 373)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Lembrando, com Jung, que “<strong><em>ninguém se vincula com o outro, se antes não se vincular consigo mesmo</em></strong>” (OC 16/2, § 445), alinhamos algumas dinâmicas que podem estar presentes no diálogo, isto é, no trabalho persistente e lento que um cliente decide fazer consigo mesmo para se desenvolver (<em>des</em>-envolver) na interação com um terapeuta.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Considerando, como enfatiza o filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser, acima citado, que a contestação é a mola propulsora de todo pensar, o texto que o (a) leitor (a) tem em mãos é um texto a ser contestado.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: O diálogo entre o cliente e o terapeuta" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/MZsAwDTzofY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/eugenio-menezes/">Dr. José Eugenio de O. Menezes – Membro Analista em formação do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BERNARDO, Gustavo. <strong>A dúvida de Flusser</strong>. Rio de Janeiro: Globo, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BORNHAUSEN, Diogo A. Intersubjetividade e Comunicação: abordagem filosófica e cultural de Vilém Flusser. <strong>34° Encontro Nacional da Compós</strong>. Curitiba: Compós, 2025. Disponível em: &lt; <a href="https://publicacoes.softaliza.com.br/compos2025/article/view/11416">https://publicacoes.softaliza.com.br/compos2025/article/view/11416</a>&gt;. Acesso em: 29 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BORNHAUSEN, Diogo A.; BAITELLO Jr., Norval. Os outros de Flusser: dossiê sobre a correspondência de Vilém Flusser. <strong>Revista Líbero</strong>, v.1, n. 45, 2020. Disponível em: &lt; <a href="https://seer.casperlibero.edu.br/index.php/libero/article/view/1169">https://seer.casperlibero.edu.br/index.php/libero/article/view/1169</a>&gt;. Acesso em: 29 jun. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FLUSSER, Vilém. <strong>Ficções Filosóficas</strong>. São Paulo: Edusp, 1998.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FLUSSER, Vilém. <strong>Bodenlos: uma autobiografia filosófica</strong>. São Paulo: Annablume, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FLUSSER, Vilém. <strong>O mundo codificado</strong>. Org. Rafael Cardoso. São Paulo: Cosac Naif, 2007b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <strong>A natureza da psique</strong>. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013. [OC 8/2]</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <strong>Ab-reação, análise dos sonhos e transferência</strong>. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2012. [OC 16/2]</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <strong>A vida simbólica</strong>. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2013. [OC 18/1]</p>



<p class="wp-block-paragraph">KÜNSCH, Dimas A.; MENEZES, José Eugenio de O. O terraço é o mundo: Vilém Flusser e o pensamento da compreensão. <strong>Revista Galáxia</strong>. São Paulo, v. 35, n. 2, 2017. Disponível em:&lt; <a href="https://revistas.pucsp.br/index.php/galaxia/article/view/29036">https://revistas.pucsp.br/index.php/galaxia/article/view/29036</a>&gt;. Acesso em: 29 jun.2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, E. Simone D. <strong>Ordem e Caos. Uma visão transdisciplinar.</strong> São Paulo: Eleva Cultural, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, E. Simone D. Inconsciente Coletivo e Inconsciente Pessoal. In: MAGALDI, Waldemar (Org.). <strong>Fundamentos da Psicologia Analítica</strong>. 2° ed. São Paulo: Eleva Cultural, 2025. p. 59-64.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, E. Simone D. Sincronicidade. In: MAGALDI, Waldemar (Org.). <strong>Fundamentos da Psicologia Analítica</strong>. 2° ed. São Paulo: Eleva Cultural, 2025. p. 175-190.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">ZIELINSKI, Siegfried et al. (Orgs). <strong>Flusseriana: an intellectual toolbox</strong>. Minnesota: Univocal, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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