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	<title>Arquivos relacionamento tóxico - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos relacionamento tóxico - Blog IJEP</title>
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		<title>Relacionamentos afetivos e sexualidade: expressão e contenção do amor</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/relacionamentos-afetivos-e-sexualidade-expressao-e-contencao-do-amor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2020 19:12:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Casamento]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
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		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Complexa é a humanidade e complexos são os relacionamentos afetivos e sexuais, razão pela qual não podemos compreendê-los sob um único enfoque.&#160; De um modo geral, a sexualidade pode ser compreendida sob quatro critérios: biológico, sociocultural, psicológico e espiritual. Segundo Cavalcante &#38; Cavalcante (2006), no aspecto biológico, o indivíduo pode ser considerado disfuncional se as [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Complexa é a humanidade e complexos são os relacionamentos afetivos e sexuais, razão pela qual não podemos compreendê-los sob um único enfoque.&nbsp; De um modo geral, a sexualidade pode ser compreendida sob quatro critérios: biológico, sociocultural, psicológico e espiritual. Segundo Cavalcante &amp; Cavalcante (2006), no aspecto biológico, o indivíduo pode ser considerado disfuncional se as diferentes reações fisiológicas estão bloqueadas. O conceito de desvio reflete o pensamento num grupo cultural e em determinado momento, levando em consideração que a sociedade é dinâmica, sendo que o “normal” hoje, pode não ser mais amanhã, portanto reflete o olhar sociocultural. No aspecto psicológico, entra em cena a adequação, envolvendo a visão particular de cada um sobre a satisfação do seu comportamento sexual e com a do seu parceiro. As disfunções, os desvios e as inadequações, independente da identidade de gênero ou da orientação sexual, podem ser compreendidas e ressignificadas, para que influenciem de forma saudável nos relacionamentos. Carl Gustav Jung, contribui significativamente com sua teoria para compreensão do critério espiritual ao afirmar que ele está relacionado ao&nbsp;transcendente da alma, que envolve a ampliação da consciência para tornar-se si mesmo, permitindo o encontro do ego com o Self. Segundo o autor,&nbsp;“vivemos protegidos por nossas muralhas racionalistas contra a eternidade da natureza” (2013, v. 8/2, par. 739) e, podemos romper com as muralhas que nos separam da natureza que há em nós.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O mundo contemporâneo é marcado pelo patriarcado e os&nbsp;meios cultural e social interferem na nossa formação. Durante muito tempo, nascer homem ou mulher fez a diferença. As famílias torciam para que o primeiro filho do casal fosse do sexo masculino e, ao nascer uma menina, alguns homens diziam “ter fraquejado”. E assim se propagou uma jornada de uma cultura machista, que incentivou o rapaz “ser pegador”, em busca de prazer e, a moça “preservada” até o casamento e sem permissão para sentir prazer. &nbsp;Neste sentido, a interferência da religião e da tradição foi grande, disseminando a ideia de castigo e de culpa da mulher. Com o nascimento dos filhos, também se preservava a continuidade da espécie e da família, lugar sagrado com uniões indissolúveis, apesar de para alguns representar sofrimento, até a separação por morte física. Da mesma forma, muitos valores enaltecedores foram transmitidos pelo inconsciente coletivo. Essas vivências fazem parte da nossa transgeracionalidade, em forma de heranças arquetípicas nas diferentes dimensões e que aos poucos mudam de configuração.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De um modo geral, ao falarmos de sexualidade podemos percorrer um caminho longo, que começa na infância. Pesquisadores nos mostram que o bebê, na fase oral em que leva tudo à boca, sente-se no paraíso ao sugar o leite da mãe.&nbsp; A criança, conforme vai crescendo, amplia sua capacidade de percepções, desperta para as sensações prazerosas, principalmente no controle do esfíncter anal e genital, tornando-se cada vez mais curiosa. Na puberdade, com uma carga hormonal intensa, a menina vivencia a menarca e o menino a ejaculação. Os adolescentes, fisicamente com o corpo pronto para serem inseridos no mundo adulto, geralmente têm suas primeiras experiências sexuais, dentro ou fora de relacionamentos amorosos. Alguns adultos vivem a sexualidade livremente ou optam em estabelecerem vínculos familiares, escolhendo a vida conjugal e a procriação. Já na metade da vida, além da vivência sexual, surgem as experiências com o climatério e andropausa, que podem ser brandas ou intensas. Na velhice, ocorrem muitas transformações, porém nada impede que a sexualidade seja vivida, pois ela nos acompanha vida afora, com momentos de ascensão e declínio, envolvendo o amor e as diferentes formas de amar. Neste sentido, o amor se expressa em canções, poemas, presentes e presenças. Quem não se encanta com Marisa Monte, expressando a grandeza do amor em&nbsp;<em>Amor I Love You?&nbsp;</em>&nbsp;Com leveza de alma, ela canta:&nbsp;“Deixa eu dizer que te amo, deixa eu pensar em você, isso me acalma, me acolhe a alma, isso me ajuda a viver”. Igualmente, o cantor Roberto Carlos, encantando multidões com a música&nbsp;<em>Como é Grande o Meu Amor Por Você</em>. Da mesma forma,&nbsp;<a href="https://www.pensador.com/autor/carlos_drummond_de_andrade/">Carlos Drummond de Andrade</a>, exaltou o amor em versos: “O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alguns estudiosos em relacionamentos, afirmam que as diferenças cerebrais explicam tantas divergências.&nbsp;John Gray, no livro&nbsp;<em>Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus,&nbsp;</em>trouxe a ideia de que os homens só utilizam um hemisfério cerebral ao executarem atividades,&nbsp;fazendo uma coisa de cada vez&nbsp;e, as mulheres conseguem utilizar os dois lados,&nbsp;tendo a capacidade de exercerem várias atividades ao mesmo tempo. Algumas dessas características aparecem em situações corriqueiras. A neurociência, por sua vez, apresenta-nos estudos sobre a diferença de conexões que ocorrem no cérebro de homens e mulheres, alertando-nos de que as diferenças anatômicas não são determinantes e também não são suficientes para explicar as diferenças de comportamento, que em grande parte se devem à influência cultural. Jung contribuiu com estudos e limitou-se a tratar do casamento como problema psicológico: “Como relacionamento psíquico o matrimônio é algo de complicado, sendo constituído por uma série de dados subjetivos e objetivos que em parte são de natureza muito heterogênea” (2013, p.324).&nbsp; Cientificamente comprovadas ou não, sabemos que as diferenças existem e interferem nos relacionamentos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Existem diferentes tipos de amor e os mais conhecidos são três:&nbsp;<em>Philos, Eros e Ágape</em>. O&nbsp;<em>Amor Philos</em>&nbsp;é um amor fraternal, é um sentimento de simpatia natural, afinidade mental e cultural com os amigos e familiares. O&nbsp;<em>Amor Eros</em>&nbsp;expressa o amor com paixão e romantismo, podendo envolver o desejo passional, sensual e sexual, que é estimulado e vivenciado em diferentes produções criativas: filmes, poesias, músicas e obras de arte (Magaldi Filho, 2014, p. 73-74). &nbsp;A mitologia traz Eros, o anjo da paixão e das afinidades, disparando flechas que incendeiam o coração dos amantes. E Roupa Nova, com a música&nbsp;<em>Todo Azul do Mar</em>, traduziu esse romantismo:&nbsp;“Foi assim como ver o mar, a primeira vez que meus olhos se viram no seu olhar&#8230; Quando eu mergulhei, no azul do mar, sabia que era amor e vinha pra ficar”. Finalmente, o&nbsp;<em>Amor Ágape</em>&nbsp;é desinteressado, puro, genuíno e invencível. É divino, elevado, transcende os sentidos humanos. É aquele que “tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta” (1Cor 13:4-7). Essa forma de amar vem ao encontro dos versos de Fernando Pessoa: “Amo como o amor ama. Não sei razão pra amar-te mais que amar-te. Que queres que te diga mais que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?” Pensando no aspecto alquímico dos&nbsp;relacionamentos, podemos imaginar que o ideal é harmonizar os três tipos de amor. Uma dose de cada um e na medida certa, torna a experiência do amor em plenitude.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante do sofrimento instaurado a partir de crenças enraizadas, principalmente pela dificuldade em compreendermos as diferenças existentes entre o masculino e feminino, idealizamos um&nbsp;<em>Amor Maior</em>, como cantado por Jota Quest: “É preciso amar direito (&#8230;) Amor de dentro pra fora, amor que eu desconheço”. Para indivíduos centrados no ego, a contenção do amor ocupa grande espaço, acreditando que amar é sinônimo de fraqueza e falta de controle. E como se fosse possível controlarmos alguma coisa&#8230; Vindo ao encontro, Clarice Lispector nos traduziu em forma de poesia sua profundeza de alma: “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento”. Para alguns, esse amor nem sempre é possível, com vivências de solidão e&nbsp;dificuldades para encontrarem parceiros que queiram estabelecer relações duradouras, pois foram incentivadas a resolverem seus problemas sozinhos e não desenvolveram a troca, tão necessária na conjugalidade. Essas questões nos permitem pensar na influência do meio social nas relações afetivas, como trouxe Féres-Carneiro (1987), afirmando que a nossa autonomia é incentivada desde cedo, com estímulos para alcançarmos a nossa independência, ouvindo frases como:&nbsp; Faça você! Você constrói seu caminho! Desta forma, os homens são incentivados para serem especialistas nas técnicas de sedução e conquista e, apresentam dificuldades na intimidade com o mundo feminino. As mulheres, apesar da emancipação e da autonomia feminina, conservam o amor romântico, que está fragmentado e, continuam em busca da alma gêmea. Já não prevalecem “para sempre e único”, da mesma forma a entrega total do outro está comprometida com idealizações nem sempre atingíveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo Magaldi Filho, a evolução cíclica da mulher estimula a evolução do homem, processo em que o feminino instiga o masculino. O que a mulher busca no homem? O herói que vai salvá-la de algo, o pai que vai protegê-la, o filho que poderá cuidar e o sábio que era unificar os três homens anteriores. O que o homem busca na mulher? A Eva, atraente e sensual, a Maria que irá proporcionar um lar, a Helena que está ao seu lado para o que der e vier e a Sofia, a sábia que irá coordenar as três anteriores. (2014, p. 186-187). Ainda, de acordo com o autor, a evolução tem como base a alteridade que deve incluir o princípio feminino, renegado por muitos anos pelo patriarcado. A mulher sábia transita entre o bom, o belo e o verdadeiro e isso pode assustar o homem: “A mulher tem mais facilidade para lidar com sua feminilidade (&#8230;) Ela muda, agrada e acolhe (o útero acolhe). Em contrapartida, o homem assusta-se: o masculino é assustado e a amedrontado. Por isso, o homem divide, agride e foge” (2014, p. 188). A alquimia do amor envolve a compreensão das diferenças que existem e a expressão do que sentimos, que potencializa o que une o universo masculino e feminino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A história nos mostra os ideais de casamento em diferentes épocas. No passado, o casamento tinha a função de ligar duas famílias e permitir que elas se perpetuassem. No séc. XVIII, surgiu um novo ideal de casamento: que os cônjuges se amassem. Hoje, é raro pessoas casarem sem desejo e amor. As mulheres em geral procuram mais por uma relação amorosa e os homens almejam constituir uma família. No início da relação, na hora da conquista, mostramos o melhor de nós, mas os conflitos aparecem na convivência: &nbsp;a sobrecarga de um e a folga do outro, investimentos errados, objetos fora do lugar, problemas de saúde, sexo extraconjugal, excesso de bebidas, as dificuldades financeiras, entre outros. Igualmente, a rotina e o cansaço passam a ocupar o espaço da criatividade e os cuidados conosco e com o outro não são mais os mesmos. Passamos a sentir necessidade de termos o nosso espaço e deixamos de investir no outro e na relação. No consultório, utilizo o exemplo simbólico da bolinha de neve, que vai rolando morro abaixo, aumentando de tamanho e ao bater em algo, causa impacto e destruição. E o que fazer para evitar a destruição do relacionamento? A utilização da comunicação assertiva é uma saída. É um caminho mais longo, porém geralmente mais eficaz. Ela envolve paciência, habilidade e escolhas. Ao mesmo tempo, é manifestação de respeito, carinho e amor, tão necessários nos relacionamentos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Difícil falar e citar uma regra geral para tanta complexidade. Assim como cada ser humano, cada história é única. E como trabalhar relações desgastadas? Trabalhando cada caso em particular ou com a psicoterapia de casal, momento em que os conflitos que permeiam controle, cobrança, comparação, culpa e castigo, podem ser integrados.&nbsp;O mundo virtual também nos oferece muitos recursos para aprimorarmos nossa performance sexual. Basta clicarmos e nos deparamos com muitas informações que podem ser funcionais ou não. Vários produtos são oferecidos pelo Sex Shop, que auxiliam no aumento da libido, mas o problema pode ser mais complexo: não reagimos só pelo instinto, necessitamos de essência, somos seres integrais! Ginecologistas e urologistas devem fazer parte da nossa vida. De forma idêntica, o psicólogo e o terapeuta sexual têm um papel fundamental para nos auxiliar na promoção do autoconhecimento e na vivência conjugal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; É nítido que o governo, a religião e a família continuam despreparadas, transmitindo uma visão distorcida da sexualidade saudável. Os tempos mudaram, as possibilidades de vivermos a nossa vida sexual também, porém os valores transmitidos de geração em geração se perpetuam negativamente em algumas sociedades, a ponto de ainda ser comum homem bater em mulher e, consequentemente muitos enquadrados na Lei Maria da Penha. Enquanto isso, muitas mulheres ainda permanecem em silêncio, são violentadas, abusadas e mortas, índice comprovado pelas estatísticas. O sentimento de culpa por parte da mulher e posse por parte do homem prevalecem, sendo comum ouvirmos de quem comete tais crimes “se não for minha, não será de mais ninguém”. Mata-se em nome do amor! Paixão patológica, disfarçada de amor, que invade e domina, causadora de muito sofrimento. Neste contexto, homens também são agredidos e os índices de violência para com eles estão aumentando gradativamente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com o surgimento dos conflitos, percebem-se diferentes investimentos para dar um novo sentido e significado às crises oriundas da convivência. Permanecer juntos “até que a morte os separe” é o que que se ouve nas cerimônias de casamento. E quantas mortes ocorrem, antes da morte física. Morte do encantamento, da confiança e de sonhar juntos!&nbsp;Em alguns casos, mantêm-se o casamento para não abalar o desenvolvimento emocional dos filhos, sendo que evitar brigas constantes e não conviver na mesma casa, faria menos mal para eles. É desafiador conjugar duas individualidades, assumir regras que envolvem um sistema de trocas, manter a relação prazerosa e útil. Quando o encantamento acaba, a relação acaba.&nbsp;Um indivíduo é a extensão do outro, ao mesmo tempo é diferenciado do outro. Cada um precisa ter seu espaço e o relacionamento precisa corresponder às expectativas de cada um dos envolvidos.&nbsp;De acordo com a autora Maria Helena M. Guerra, Jung também se confrontou com as dores do amor: “Por um lado, a necessidade de ser fiel ao que vivia, às suas emoções e aos seus sentimentos; por outro, o desejo de permanecer adaptado à sociedade, de manter sua persona, de reconhecer-se como sempre fora, valorizando a razão, a coerência, a ciência e acreditando ter o domínio de sua alma. Esta foi a grande tensão, o jogo de forças entre o espírito das profundezas e o espírito da época. (2011, p. 60).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conviver gera crises e quando esgotam as possibilidades de harmonia, a separação é a melhor solução, podendo ter efeitos positivos, como a ressignificação dos padrões de relacionamento. É dolorido ver o outro morrer em vida dentro de nós e nós morrermos no outro. São escolhas doloridas, que envolvem um antagonismo e um processo de luto a ser elaborado, ao mesmo tempo que as funções parentais devem ser asseguradas e mantidas. Hoje, deparamo-nos com a elevação do grau de exigências nos relacionamentos afetivos e na vivência da sexualidade, que conjuga o prazer e a procriação. Como vivemos cercados de muitas opções, as relações também se tornam descartáveis, principalmente com a falta de confiança, paciência e persistência. É necessário transitarmos também na dimensão espiritual, qualificarmos as relações e potencializarmos o que une. &nbsp;Neste sentido, trago a fala de Rubem Alves: “Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.” A convivência envolve silêncios e ruídos, que podem ser favoráveis à sua manutenção ou ao seu término. Relacionamentos envolvem a expressão do amor com ciclos saudáveis de prazer, simbolicamente representados pela integração do sol, da lua e do barulho da chuva. E na contenção do amor, perdemos essa preciosidade de vivermos a plenitude do amor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;Claci Maria Strieder, analista em formação pelo Ijep.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leituras de apoio:</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, Rubem&nbsp;<a href="https://citacoes.in/citacoes-de-vida/">https://citacoes.in/citacoes-de-vida/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">ANDRADE, Carlos Drummond.&nbsp;<em>Amar se aprende amando</em>. São Paulo:&nbsp;<a href="https://www.companhiadasletras.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Companhia das Letras</a>, 2018.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BÍBLIA De&nbsp;<em>Jerusalém</em>. São Paulo: Paulus, 2003.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRANDÃO, J. –&nbsp;<em>Mitologia Grega Vol. 1</em>, Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAVALCANTI, R. &amp; CAVALCANTI, M.&nbsp;<em>Tratamento clínico das inadequações sexuais</em>. 3. Ed. São Paulo: Roca, 2006.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">FÉRES-CARNEIRO, T.&nbsp;<em>Aliança e Sexualidade no casamento e recasamento contemporâneo.</em>&nbsp;Psicologia: Teoria e Pesquisa, 3, 250-261, Porto Alegre, 1987.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;_____________&nbsp;<em>Casamento contemporâneo:&nbsp;</em>o difícil convívio da individualidade com a conjugalidade. Psicologia: Reflexão e Crítica, vol.11, nº2. Porto Alegre, 1998.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRAY, John.&nbsp;&nbsp;<em>Orácúlo de</em>&nbsp;<em>Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus.&nbsp;</em>1ª Ed. São Paulo: Editora Pensamento, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUERRA, Maria Helena R. M.&nbsp;<em>O livro vermelho: o drama de amor de C. G. Jung.</em>&nbsp;São Paulo: Linear B, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G.&nbsp;<em>A natureza da psique.&nbsp;</em>14ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>O desenvolvimento da personalidade</em>. 14ª edição. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LISPECTOR, Clarice.&nbsp;<em>Uma aprendizagem ou O Livro dos prazeres.&nbsp;</em>Rio de Janeiro:&nbsp;Editora Rocco,<strong>&nbsp;</strong>1998</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI FILHO, Waldemar.&nbsp;<em>Dinheiro, saúde e sagrado</em>: interfaces culturais, econômicas e religiosas à luz da psicologia analítica. 2ª edição – São Paulo: Eleva Cultural, 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PESSOA, Fernando.&nbsp;<em>Livro do desassossego</em>. São Paulo: Brasiliense, 1989.&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Claci Maria Strieder</em></strong></h4>
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