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	<title>Arquivos relacionamento - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Thu, 13 Aug 2026 17:38:08 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos relacionamento - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Sobre o amor: Eros sobreviverá ao nosso medo dos vínculos</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/sobre-o-amor-eros-sobrevivera-ao-nosso-medo-dos-vinculos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pollyana de Padua]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 17:07:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[amor e medo]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma contemporaneidade marcada pelo individualismo, pela lógica da produtividade e pelo excesso de controle racional sobre a vida, as relações amorosas parecem atravessar uma crise de indisponibilidade psíquica. Partindo da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, este artigo propõe uma reflexão sobre o amor enquanto experiência de transformação e vulnerabilidade, investigando as dificuldades contemporâneas em sustentar vínculos afetivos profundos. A partir dos conceitos de projeção, Eros e Logos, discute-se como o apaixonamento pode funcionar como uma abertura para o inconsciente e para o autoconhecimento, ao mesmo tempo em que ameaça a fantasia moderna de autonomia absoluta. O texto também problematiza como o amor é algo constantemente adiado em nome de ideais de estabilidade e sucesso.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/sobre-o-amor-eros-sobrevivera-ao-nosso-medo-dos-vinculos/">Sobre o amor: Eros sobreviverá ao nosso medo dos vínculos</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: Em uma contemporaneidade marcada pelo individualismo, pela lógica da produtividade e pelo excesso de controle racional sobre a vida, as relações amorosas parecem atravessar uma crise de indisponibilidade psíquica. Partindo da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, este artigo propõe uma reflexão sobre o amor enquanto experiência de transformação e vulnerabilidade, investigando as dificuldades contemporâneas em sustentar vínculos afetivos profundos. A partir dos conceitos de projeção, Eros e Logos, discute-se como o apaixonamento pode funcionar como uma abertura para o inconsciente e para o autoconhecimento, ao mesmo tempo em que ameaça a fantasia moderna de autonomia absoluta. O texto também problematiza como o amor é algo constantemente adiado em nome de ideais de estabilidade e sucesso.</p>



<h2 id="h-falar-sobre-amor-na-contemporaneidade-talvez-seja-falar-justamente-sobre-aquilo-que-estamos-aprendendo-a-evitar" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Falar sobre amor na contemporaneidade talvez seja falar justamente sobre aquilo que estamos aprendendo a evitar.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em pleno século XXI, nunca houve tantas possibilidades de conexão e, paradoxalmente, tanta dificuldade em sustentar vínculos profundos. O amor parece ter se tornado um risco alto demais para sujeitos treinados a sustentar uma persona de produtividade, capaz de gerir racionalmente a própria existência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung, em sua época, já era procurado por várias pessoas porque não conseguiam manter o casamento. Com o passar do tempo, essa realidade ainda atormenta vários casais, apesar da flexibilização dos modelos de relação afetiva e dos avanços em relação à liberdade da mulher. É importante destacar que trata-se de uma reflexão dentro de um contexto brasileiro, onde a relação amorosa e o casamento entre pessoas do mesmo sexo estão garantidos por lei, além de existirem movimentos sociais consistentes contra a discriminação de pessoas LGBTQIAPN+, em favor da mulher e daqueles que motivam reflexões sobre relacionamentos monogâmicos, poliamorosos ou amores livres.</p>



<h2 id="h-entretanto-independentemente-da-configuracao-escolhida-para-viver-a-afetividade-algo-parece-atravessar-todas-elas-uma-crescente-indisponibilidade-psiquica-para-o-encontro-amoroso" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Entretanto, independentemente da configuração escolhida para viver a afetividade, algo parece atravessar todas elas: uma crescente indisponibilidade psíquica para o encontro amoroso.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Não se trata apenas da dificuldade em manter relações duradouras, mas da própria dificuldade em suportar aquilo que o amor inevitavelmente convoca — vulnerabilidade, ambiguidade, frustração, transformação e perda de controle.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na verdade, independentemente da intenção individual em estabelecer um vínculo amoroso de longo prazo ou das opiniões coletivas, as pessoas parecem cada vez menos estarem disponíveis para um relacionamento romântico e para suas desventuras. Isto porque, num contexto de estresse profissional, demandas de ideias de felicidade e ideais estéticos, e um vício em redes sociais, sobra muito pouco tempo de qualidade para si e para o relacionar-se. Eros é colocado na gaveta como o melhor “custo-benefício” do que pode ser deixado para depois.</p>



<h2 id="h-vivemos-sob-a-logica-da-otimizacao-constante-otimizacao-do-tempo-do-corpo-da-carreira-das-emocoes-e-ate-dos-afetos-amar-porem-e-improdutivo" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Vivemos sob a lógica da otimização constante: otimização do tempo, do corpo, da carreira, das emoções e até dos afetos. Amar, porém, é improdutivo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O amor interrompe planejamentos, relativiza certezas e nos coloca diante do outro como alteridade radical — algo que escapa completamente à fantasia contemporânea de autonomia total.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A consequência são indivíduos intolerantes à diversidade e ao acaso, pessoas que controlam cada segundo de suas vidas, acreditando que lidar com os próprios desejos e com os desejos do outro é perda de tempo. E, neste controlar, neste deixar para depois o amor enquanto não se tem a “vida perfeita” e suas estabilidades fictícias nos aspectos profissionais e financeiros, os dias passam, a idade avança e a possibilidade de uma relação que favoreça o encontro com si-mesmo se esvai.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Talvez o grande paradoxo contemporâneo seja o fato de que nunca tivemos tanta liberdade para escolher nossos vínculos e, ainda assim, nunca estivemos tão amedrontados diante deles. Jung parte do princípio de que só podemos nos conhecer a partir do relacionar; “cumprimos” nosso papel se nos relacionarmos. A vida humana é uma relação interna e externa. O indivíduo se relaciona com a sociedade através da persona, mas também através da projeção.</p>



<h2 id="h-na-psicologia-analitica-nao-existe-processo-de-individuacao-sem-relacao" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Na psicologia analítica, não existe processo de individuação sem relação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O sujeito só se conhece verdadeiramente ao encontrar aquilo que o desestabiliza no outro. Nesse sentido, o amor deixa de ser apenas uma experiência romântica e passa a ser também um fenômeno profundamente psicológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A projeção, que geralmente é vista no universo da psicologia analítica como um fenômeno negativo, é uma porta de entrada para o autoconhecimento. Projetamos no outro nossos aspectos inconscientes não integrados, tanto os bons quanto os ruins. Diz-se que o apaixonamento nada mais é do que uma projeção, como se isso fosse algo unicamente pejorativo. Entretanto, o apaixonamento inaugura uma abertura psíquica rara. Algo no outro nos captura porque toca dimensões adormecidas da nossa própria alma.</p>



<h2 id="h-como-um-bom-paradoxo-junguiano-o-apaixonar-se-e-uma-possibilidade-dupla" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Como um bom paradoxo junguiano, o apaixonar-se é uma possibilidade dupla.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Podemos “erroneamente” nos apaixonar por um indivíduo cujas características na verdade dizem muito mais respeito a nós do que ao outro, mas é também a partir deste “erro” que baixamos a guarda e nos tornamos vulneráveis. A partir de um “ponto-cego”, nos deixamos levar por afetos que nos tiram do controle, que fazem nosso coração acelerar, esquecendo compromissos de trabalho, nos fazendo criativos, sonhando acordado, escrevendo poemas e cartas de amor (ahhhh, as cartas de amor em outros idos…).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Talvez por isso o apaixonamento seja tão ameaçador para a subjetividade contemporânea. Apaixonar-se significa interromper momentaneamente a ilusão narcísica de autossuficiência. O sujeito apaixonado perde eficiência, distrai-se, torna-se permeável ao imprevisível. Há algo de profundamente anticapitalista na experiência amorosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O apaixonamento pode ser visto talvez como a última arma que resta ao inconsciente para conseguir dialogar com uma consciência unilateralizada, “dona de si”, totalmente voltada ao capitalismo, à produtividade e ao enriquecimento a qualquer custo.</p>



<h2 id="h-entretanto-jung-diferencia-claramente-paixao-e-amor" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Entretanto, Jung diferencia claramente paixão e amor.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A paixão inaugura o processo; o amor é aquilo que pode surgir depois da queda das idealizações. E qual seria então a segunda parte? Onde está o amor? O amor aparece no PROCESSO. Amor é processo! Ele surge se e somente se a primeira paixão, cheia de ilusões, se esvazia pela dura realidade das contradições, dos equívocos, dos maus humores e dos ruídos naturais de ser vivo e de estabelecer relação com o outro.</p>



<h2 id="h-e-somente-quando-o-outro-deixa-de-ser-fantasia-e-passa-a-existir-concretamente-com-limites-e-falhas-que-o-amor-pode-comecar" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">É somente quando o outro deixa de ser fantasia e passa a existir concretamente, com limites e falhas, que o amor pode começar.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Amar talvez seja sustentar a tensão entre aquilo que idealizamos e aquilo que o outro efetivamente é. E a relação surge aqui, com o famoso Eros. Eros, para a mitologia grega, e Cupido, dentro da mitologia romana, são personificações da imagem arquetípica das paixões e do impulso instintivo da procura pela relação afetiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Dentro da psicologia junguiana, Eros é o contraponto de Logos. “Eros” é o colocar-em-relação e “Logos”, o distinguir, o julgar, o reconhecer (JUNG, 2012, § 218). Mais do que conceitos abstratos, Eros e Logos representam modos fundamentais de estar no mundo. Logos organiza, separa, analisa e controla. Eros aproxima, vincula, mistura e transforma. Uma vida psíquica saudável depende da circulação entre essas duas forças.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Neste sentido, faz-se necessária uma vida que consiga ser pendular e agir dentro destes dois polos nas circunstâncias e situações que lhes cabem. Infelizmente, Eros é constantemente subjugado em detrimento da supremacia do Logos, como indicado no início deste texto.</p>



<h2 id="h-a-contemporaneidade-privilegia-sujeitos-altamente-funcionais-eficientes-e-estrategistas" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A contemporaneidade privilegia sujeitos altamente funcionais, eficientes e estrategistas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O excesso de Logos produz indivíduos extremamente adaptados ao desempenho social, mas emocionalmente empobrecidos. Há pouco espaço para a demora, para o mistério e para a experiência subjetiva profunda.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Quero acrescentar que o logos só é ideal quando contém o eros; de outra forma o logos não é nada dinâmico. Um homem que é apenas logos pode ter um intelecto muito afiado, mas não é nada além de um racionalista árido, e o eros que não contém nenhum logos em si nunca entende coisa alguma, não há nada nele além de um cego apego. Essas pessoas podem estar ligadas a deus sabe o quê, como certas mulheres totalmente absorvidas por uma pequena família feliz — primos, parentes etc. — e em toda está maldita coisa não há nada, é tudo completamente vazio. (JUNG, Traumanalyse, 748, apud JUNG, 2005, p. 35)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Eros está mais para o tempo de Kairós e Logos mais para o tempo de Cronos, uma vez que as relações amorosas precisam de tempo para acertos e erros, desencontros, descobertas, conflitos e resoluções. O tempo do amor não é um tempo linear ou produtivo que tem uma meta precisa no final da jornada; o amor é a jornada. Talvez por isso tantas relações fracassem prematuramente: espera-se do amor eficiência emocional imediata. Ao primeiro conflito, silêncio ou frustração, interpreta-se a relação como “errada”. O sujeito contemporâneo parece cada vez menos preparado para sustentar a lentidão e os atravessamentos inevitáveis do vínculo amoroso.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Neste sentido, Eros também é fundamental para o despertar da vida anímica. Sem a capacidade de buscar este amor externo e sustentar seus desafios, parece quase impossível o surgimento de uma consciência capaz de sustentar o paradoxo de, primeiro, não ser o único dono da casa psíquica, e, em segundo, se relacionar com figuras como sombra, complexos e animus e anima, sendo estes últimos os grandes elementos projetados dentro de uma relação romântica.</p>



<h2 id="h-controlar-o-amor-talvez-seja-uma-tentativa-desesperada-de-evitar-sofrimento-psiquico" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Controlar o amor talvez seja uma tentativa desesperada de evitar sofrimento psíquico. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Controlamos porque temos medo da perda, da rejeição, da dependência, do abandono e, principalmente, do desconhecido que emerge em nós quando entramos verdadeiramente na relação. A relação amorosa confronta o ego com seus limites. O outro não corresponde exatamente às nossas expectativas, não sente quando queremos, não deseja como desejamos. Eros constantemente frustra a fantasia de controle absoluto da consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como sustentar a oposição abismante entre ego/persona e sombra se não consigo ainda lidar com as projeções e contradições do encontro com outros indivíduos? Quem dirá sustentar a relação com animus e anima, que é pura sedução, que faz uma força contra a vontade do ego e o “tudo saber” da consciência? Por isso, tantas relações contemporâneas tornam-se excessivamente negociadas, racionalizadas e monitoradas. Busca-se prever tudo: intenções, sentimentos, respostas, fidelidade, futuro.</p>



<h2 id="h-contudo-quanto-mais-o-amor-e-submetido-a-logica-do-controle-menos-espaco-resta-para-eros" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Contudo, quanto mais o amor é submetido à lógica do controle, menos espaço resta para Eros.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>O modo de apetecer é tão importante porque confere ao objeto a qualidade estética e moral do bom e do belo e com isto influencia profundamente nosso relacionamento com os outros e com o mundo. A natureza é bela porque eu a amo, e bom é tudo aquilo que meu sentimento considera “bom”. Os valores se originam sobretudo do tipo de reação subjetiva. Com isto não negamos a existência dos assim chamados valores “objetivos”. Mas estes são válidos graças a um consenso geral. No domínio do Eros, torna-se bem claro quão pouco vale o objeto e quanto vale o ato subjetivo. (JUNG, 2013, §126)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-a-questao-talvez-nao-seja-evitar-a-projecao-mas-atravessa-la-conscientemente" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A questão talvez não seja evitar a projeção, mas atravessá-la conscientemente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Não existe encontro amoroso sem algum grau de ilusão inicial. A projeção é inevitável porque enxergamos o outro também através das imagens internas que carregamos. O perigo não está em projetar, mas em permanecer aprisionado eternamente à fantasia sem aceitar a realidade concreta da relação. O amadurecimento amoroso exige a dolorosa retirada das projeções. Aquilo que amamos revela menos o objeto amado e mais nossa própria forma de desejar o mundo. O amor é também um espelho da alma. Neste sentido, negar Eros em nome de uma vida completamente racional talvez seja negar uma dimensão essencial da experiência humana: “Eros não é a totalidade em nós, mas é pelo menos um dos seus aspectos principais” (JUNG, 2014, §33).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Talvez a grande pergunta do nosso tempo não seja mais “o que é o amor?”, mas sim: “ainda conseguimos suportá-lo?” Eros exige disponibilidade psíquica, tempo, vulnerabilidade e capacidade de transformação. Ele ameaça o ego porque rompe a ilusão de controle absoluto sobre si e sobre a vida. Amar implica aceitar que não somos inteiramente senhores da própria casa psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Talvez o desafio contemporâneo seja justamente o de recuperar uma forma de relação que não seja nem pura racionalização defensiva, nem pura fusão inconsciente. Um amor capaz de suportar paradoxos, diferenças e imperfeições. No fim, Eros talvez sobreviva apenas naqueles que ainda conseguem se arriscar ao encontro.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/pollyana-guilhermino-de-padua/">Pollyana Guilhermino de Pádua &#8211; Membro Analista em Formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra E. Simone Magaldi &#8211; Analista Didata  IJEP</a></strong></p>



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<h2 id="h-r-eferencias" class="wp-block-heading" style="font-size:17px"><strong>R</strong>eferências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Sobre o amor</em>. Tradução de Inês Antonia Lohbauer. Aparecida: Ideias &amp; Letras, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Mysterium coniunctionis</em>: pesquisas sobre a separação e a composição dos opostos psíquicos na alquimia. 6. ed.&nbsp; Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Símbolos da transformação. </em>Análise dos prelúdios de uma esquizofrenia. 9. ed.&nbsp; Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______<em>Psicologia do inconsciente</em>. 24. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Encontrar Alguém &#8211; A Busca da Projeção</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/encontrar-alguem-a-busca-da-projecao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dayse Raphael]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Feb 2026 00:32:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
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		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>
		<category><![CDATA[sombra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Encontrar alguém é a expressão do desejo de relacionar-se com aquela pessoa para a qual transferimos emocionalmente os sentimentos que alimentamos em nós. Isto ocorre graças ao fenômeno da projeção, em que conteúdos inconscientes são deslocados para um objeto externo, que pode ser o indivíduo que desperta um apaixonamento, mesmo ao primeiro encontro.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: Encontrar alguém é a expressão do desejo de relacionar-se com aquela pessoa para a qual transferimos emocionalmente os sentimentos que alimentamos em nós. Isto ocorre graças ao fenômeno da projeção, em que conteúdos inconscientes são deslocados para um objeto externo, que pode ser o indivíduo que desperta um apaixonamento, mesmo ao primeiro encontro.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao" style="font-size:18px">INTRODUÇÃO</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em atendimento a pessoas de ambos os sexos, é comum o questionamento sobre encontrar alguém. Não serve qualquer alguém. Este alguém precisa ter características que abrandem o sentimento de falta de completude, que atendam expectativas específicas como companheirismo, generosidade quanto a atenção, carinho, disponibilidade de tempo, e por aí vai. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É preciso que seja um alguém que traduza os desejos mais diversos; não precisa ser alguém conhecido, que tenha encontrado e já conversado, ou mesmo que já viu e observou nas atividades sociais. Este alguém parece não pertencer ao mundo dos vivos, que apresentam qualidades e defeitos, brincam e se aborrecem, são cheirosos ou apresentam cheiros de origem duvidosa, têm interesse próprio e agenda repleta de atividades cotidianas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-musica-encontrar-alguem-de-jota-quest-ha-a-descricao-de-alguem-que-esta-no-mundo-das-ideias-e-por-quem-ha-a-expectativa-de-que-haja-a-satisfacao-de-estar-com-a-companhia-idealizada" style="font-size:18px">Na música <em>Encontrar Alguém</em> de Jota Quest, há a descrição de alguém que está no mundo das ideias, e por quem há a expectativa de que haja a satisfação de estar com a companhia idealizada:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="line-height:0.9">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“Da esquina eu vi o brilho dos teus olhos/Tua vontade de morrer de rir/Teus cabelos tentaram esconder/Mas vi tua boca feliz</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tua alma leve como as fadas/Que bailavam no teu peito/Tua pele clara como a paz/Que existe em todo sonho bom</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quis matar os seus desejos/Ver a cor dos teus segredos, baby/ E contar pra todo mundo /O beijo que nunca esqueci</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Encontrar alguém/Encontrar alguém/ Encontrar alguém que me dê amor”</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-projecao-e-sombra" style="font-size:18px">PROJEÇÃO E SOMBRA</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O alguém desejado se apresenta nas projeções de quem o busca, atendendo critérios muito específicos, nas pessoas que encontramos a todo minuto, nos ambientes mais exclusivos ou mesmo em público, nos templos religiosos, nas academias ou escolas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esses critérios são os mais díspares e incontáveis: o desejo de ter ao lado alguém protetor, alegre, com disposição e desejo de aventura, sempre pronto para ir a um <em>happy hour</em>, assim como alguém com gosto erudito que aprecie as salas de música clássica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Conforme o desejo inconsciente, é possível projetar em um líder religioso a figura de um pai protetor, acolhedor, aquele que se fará sempre presente nos momentos das mais diversas adversidades, que não permitirá que nada de mal aconteça. Isto só pode ocorrer se a pessoa tiver um “gancho” com essas características para que haja o deslocamento afetivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E do que se trata esse gancho?&nbsp; É algo não físico percebido inconscientemente pelo emissor da projeção em alguém que tenha as qualidades que não são reconhecidas pelo emissor. Mas esse alguém receptor também não tem a consciência de estar recebendo uma projeção.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-von-franz-afirma-que" style="font-size:18px"><strong>Von Franz afirma que,</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>o inconsciente da pessoa faz a projeção, via de regra não escolhe simplesmente qualquer objeto ao acaso, e sim aquele que contém algumas, ou até muitas, das características da propriedade projetada. Jung fala de um “gancho” no objeto no qual a pessoa que faz a projeção a pendura como um casaco. (2011, p.280)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O que nos leva ao encantamento por um alguém que representa tão bem tudo que desejamos está no transbordamento do nosso inconsciente sobre aquilo que supostamente encontramos no outro, o que Jung denomina objeto, conforme parágrafo acima.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Facilmente identificamos nos ambientes coletivos casais nos quais um dos parceiros tem aparência ou condição social muito beneficiada em relação ao outro, e ainda assim, este parece alimentar sentimentos intensos e profundos que são traduzidos no bem-estar daquela companhia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung esclarece sobre a situação ilusória que a projeção carrega sobre o objeto de desejo, sendo algo que não transita pela realidade e que permeia o mundo das ideias de quem procura alguém. Mas que, ainda que ilusória, ao projetar sobre o objeto, ou a pessoa, suas fantasias sobre os mais diversos temas, esta ação faz do receptor dessa projeção, alguém ilusoriamente real. Portanto “<strong>as projeções criam uma relação ilusória; mas acontece que, num determinado momento, esta relação é da maior importância para o paciente</strong> [&#8230;]” (JUNG, 2022a, p.19). As projeções vêm sempre do inconsciente e se desvanecem após seu recolhimento, conforme explica Jung:</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-uma-vez-que-o-adepto-tem-consciencia-de-si-como-homem-sua-masculinidade-nao-pode-ser-projetada-desde-que-so-podem-ser-projetados-os-conteudos-inconscientes-2022a-p-104" style="font-size:18px"><em>“<strong>Uma vez que o adepto tem consciência de si como homem, sua masculinidade não pode ser projetada, desde que só podem ser projetados os conteúdos inconscientes</strong>.” (2022a, p.104)</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando buscamos encontrar alguém projetamos algo admirável, sedutor e socialmente aceito, porém há oportunidades em que projetamos algo totalmente oposto, ou seja, conteúdos que provocam repulsa por representar tudo aquilo que consideramos ruim, desagradável, ou politicamente incorreto.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No momento em que encontramos alguém que nos evoca repulsa, esta reação está enxarcada de projeção, que representa nossa própria sombra, aquele conteúdo que menos admiramos e que reprimimos. Segundo Jung, “<strong>estamos convencidos de que certas pessoas possuem todos os defeitos que não encontramos em nós mesmos [&#8230;] Devemos ter o máximo cuidado para não projetar despudoradamente nossa própria sombra</strong> [&#8230;] “ (2022c, p.105)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É difícil e muito doloroso reconhecer que em nós há conteúdos menos nobres, ou mesmo que somos capazes de abrigar os monstros mais terríveis, ainda que eles não estejam manifestos no nosso cotidiano. Fica muito mais fácil reconhecê-los nos outros, naqueles que estão fora de nós, e que, portanto, poderão ser receptores de todo nosso sentimento discriminatório e repulsivo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-encontrar-alguem-e-o-outro-em-mim" style="font-size:18px">ENCONTRAR ALGUÉM E O OUTRO EM MIM</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Dione diz que projeção é uma forma de vida potencial repleta de energia psíquica que encontra expressão no objeto (Cf. 1990, p.166). Isto esclarece muito do que seja a busca de encontrar alguém com quem seja possível desenvolver um relacionamento satisfatório.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A energia psíquica de quem está buscando encontrar alguém estará voltada para fora, para o objeto que denominamos outra pessoa. Aquelas características sedutoras, atraentes e acolhedoras que identificamos naquele alguém especial e que procuramos por tanto tempo, estão dentro daquele que procura, mas que desconhece em si.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esta-atracao-que-o-outro-nos-provoca" style="font-size:18px"><strong>Esta atração que o outro nos provoca,</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>esta empatia, é uma espécie de processo de percepção que se caracteriza por transferir sentimentalmente um conteúdo psíquico para o objeto&#8230; e isto é possível se o conteúdo projetação estiver mais vinculado ao sujeito do que ao objeto&#8230;e não é submetido a controle consciente. (JUNG, 2022d, p.303)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Encontrar alguém que atenda as expectativas é uma jornada difícil, muitas vezes frustrante e sempre trilhada para fora de si. É responsabilizar o outro pelo atendimento ou não dos nossos desejos e fantasias, é transferir nossos melhores sentimentos para alguém que não tem, obrigatoriamente, como satisfazer nossas expectativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Encontrar alguém é buscar no outro o que não é possível, ainda, reconhecer em si, e caminhar a passos largos para alguém que não terá como manter as expectativas daquele que procura.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung nos esclarece que “com a retirada das projeções, desenvolveu-se lentamente um conhecimento consciente [&#8230;]” (JUNG, 2022, p.104), o que torna possível o “casamento interior”&nbsp; com as qualidades positivas e negativas inconscientes em nós. No processo de individuação a primeira tarefa é recolhermos as projeções sombrias, para caminharmos rumo ao desenvolvimento da nossa personalidade, ao potencial inerente que devemos nos tornar e que intrinsecamente já somos.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="📃Artigo novo: &quot;Encontrar Alguém – A Busca da Projeção&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/JkwW-TTvzt0?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/dayse-de-araujo-raphael/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/dayse-de-araujo-raphael/">Dayse Raphael – Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/">Lia Romano – Membro Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">DIONE, Arthut. <em>Jung e astrologia</em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Ab-reação, análise dos sonhos e transferência</em>. 9.ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Mysterium Coniunctionis</em>. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______<em>Psicologia e Religião</em>. 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Tipos psicológicos</em>. 7.ed. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VON FRANZ, Marie&nbsp; Louise. <em>Psicoterapia</em>. São Paulo. Paulus, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>O lugar da fantasia e dos desejos pessoais diante dos papéis e convenções num relacionamento íntimo</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-lugar-da-fantasia-e-dos-desejos-pessoais-diante-dos-papeis-e-convencoes-num-relacionamento-intimo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcella Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jun 2021 22:55:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Casamento]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[desejos sexuais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que difere um relacionamento de amizade de um relacionamento íntimo como o casamento é o sexo. Muito se fala sobre sexo, algumas vezes de forma extremamente mecânica e cheio de regras, quase que um protocolo a se seguir, porém, resultando em julgamentos e ações de pouca intimidade de fato.&#160; E antes de desenvolver minha [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que difere um relacionamento de amizade de um relacionamento íntimo como o casamento é o sexo. </strong>Muito se fala sobre sexo, algumas vezes de forma extremamente mecânica e cheio de regras, quase que um protocolo a se seguir, porém, resultando em julgamentos e ações de pouca intimidade de fato.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E antes de desenvolver minha ideia sobre o tema, gostaria de fazer algumas pontuações importantes, para que os recortes dados neste artigo possam ser compreendidos por todos: ao usar a palavra ‘<strong>casamento</strong>’&nbsp;também considerarei qualquer tipo de relacionamento íntimo estável. Como as referências citadas usam como ilustração de casal um homem e uma mulher, manterei pela norma, mas peço para que considerem também outras possibilidades de união, afinal, a dinâmica psíquica no <strong>relacionamento</strong> que abordarei neste texto é do ser humano, logo, respeita toda forma de <strong>amor</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre inúmeros fatores que podem atrapalhar a questão sexual num casamento como estresse, cobranças, autoestima, etc., pouco se fala sobre o papel da <strong>fantasia</strong> e dos desejos diante da dinâmica de um casal. E é este o ponto que eu quero trazer para reflexão neste artigo. <strong>Qual é o lugar da fantasia e dos desejos mais íntimos diante dos papéis e convenções que o casamento pode aflorar?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo <strong>Jung</strong>, em um <strong>casamento</strong> encontramos a experiência individual de duas pessoas atuando concomitantemente com a parte que cabe a cada um no próprio relacionamento. Desta forma, devemos considerar e analisar a “psicologia do relacionamento e não apenas psicologia de um indivíduo isolado. É até&nbsp;difícil separar o que são partes individuais das partes que pertencem ao relacionamento”. (JUNG, 1991, 602s) Ou seja, além de olhar para os conteúdos que cada pessoa vivencia na relação, precisamos também notar como o próprio casamento vai se desenhando, qual forma ele toma, com quais características, necessidades e sombras. Pois, tomando o lugar de um ‘terceiro elemento’ atuando, o casamento em si também precisa ser contemplado na dinâmica da intimidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E talvez seja este ponto que nos impacta tanto. O casamento até então como relacionamento ou união de pessoas que se amam e desejam compartilhar uma história em comum se torna uma instituição casamento, carregado de tradições, regras, exigências, carregado de conteúdos simbólicos que se sobrepõem a própria experiência compartilhada do casal. Podemos então considerar que o casamento em si vem acompanhado de um conteúdo arquetípico que acaba influenciando a psique individual. Jung cita que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>(&#8230;) todos nós somos casados assim, de acordo com antiquíssimas regras, ideias consagradas, tabus, etc. O casamento é um sacramento com leis irrevogáveis; devemos criticar os costumes, não as pessoas individualmente. (JUNG, 1991, 91)&nbsp;&nbsp;</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Por mais que o casamento tenha uma influência arquetípica,&nbsp;“em períodos históricos diferentes, casamento e família também tiveram significados diferentes. Todas as instituições sociais, inclusive casamento e família, estão continuamente se modificando”. (GUGGENBUHL-CRAIG, 1980, p.21) Agora, é curioso como mesmo tendo muitas possibilidades de reescrever a história desta vivência, continuamos olhando para o casamento como um grande sacrifício que exige dos parceiros dedicação e confronto constante diante dos anseios pessoais e também coletivos do casal. E de fato, é algo inerente ao casamento a constante reavaliação, entrega e ponderação entre os parceiros que desejam usar esta experiência como uma oportunidade de autoconhecimento e ampliação da consciência. Como tudo na nossa vida, a experiência do casamento também é um grande paradoxo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que se tenha uma troca saudável entre os parceiros é preciso que duas pessoas inteiras – e não perfeitas, vale lembrar – estejam disponíveis para a relação. Quando o <strong>casamento</strong> como uma instituição se torna maior ou mais importante do que a vivência em si, perdemos a qualidade do relacionamento e, consequentemente, a qualidade da sexualidade entre o casal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da mesma forma, quando os conteúdos individuais são deixados de lado para vivenciar apenas os protocolos da relação, o casal acaba priorizando os papéis e as funções e, como Jung explica, “(&#8230;) A vontade própria que mantém o “eu” é rompida, a mulher torna-se mãe, o homem torna-se pai e assim ambos são privados da liberdade e transformados em instrumentos da vida que continua. (JUNG, 2013, §330). Quando isto acontece, a sexualidade é fortemente prejudicada e consequentemente, a espontaneidade dos parceiros em compartilhar todos os desejos íntimos se enfraquece, isso quando não se perde totalmente no contexto das funções.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Importante também diferenciar sexualidade do sexo. Tecnicamente falando, sexualidade e genitalidade devem ser olhados como algo distinto. Nem sempre o casal que tem uma prática sexual ativa tem uma sexualidade saudável, que garante conexão, prazer, intimidade e troca entre os parceiros. Quando os papéis se tornam maiores do que as individualidades num casamento, percebemos primeiramente o enfraquecimento da sexualidade com consequente perda na qualidade e prazer no ato sexual.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, como podemos então entender a sexualidade? Sua atuação dentro de um relacionamento íntimo&nbsp;é muito mais ampla, “implica necessariamente o envolvimento de quatro dimensões: afetividade, emoção, comunicação e prazer” (NORONHA, LOPES e MONTGOMERY, 1993, p.48)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>sexo</strong> enquanto experiência natural e cultural se transformou ao longo dos anos em sexualidade, ou seja, foi capaz de assumir qualidades e significados além do ato sexual e da penetração, como também na parte <strong>emocional, afetiva, social, erótica, e se resgatou seu caráter espiritual.&nbsp;</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>(&#8230;) o sexual não é redutível ao genital. Assim, sexualidade não designa apenas as atividades e o prazer que dependem do funcionamento do aparelho genital, mas envolve toda série de excitações e de atividades presentes desde a infância, que proporcionam prazer irredutível à satisfação de uma necessidade fisiológica fundamental (como respiração, fome) e que estão, a título de componentes, na chamada forma normal do amor sexual (TEDESCO e CURY, 2007, p.28)</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">É&nbsp;no&nbsp;âmbito da sexualidade que o desejo e admiração entre o casal se tornam evidentes pois fazem parte da manutenção da libido sexual, do autoconhecimento e do jogo erótico de sedução dos parceiros. Quando o casal se perde nos papéis e convenções, as funções acabam tomando o lugar do erótico, tão vital para a exploração e cumplicidade no relacionamento. É comum vermos queixas que ao longo dos anos o casal perde o toque, o beijo, o olhar para o outro e também para si próprio. A sexualidade afetiva acaba se tornando também uma função, até mesmo no ato sexual; em muitos casos com mais obrigações do que prazer.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A fusão sexual expressa a ponte que une, em nós, todas as incompatibilidades e oposições predominantes. Até certo ponto, o homem e a mulher completam um ao outro, e até certo ponto não estão, de forma alguma, sincronizados um ao outro. No ato de amor, toda polaridade e fragmentação do ser é superada. Aí está seu fascínio (&#8230;) O ato de amor é, acima de tudo, muito mais que uma expressão de relacionamento pessoal entre um certo homem e uma certa mulher. É um símbolo que vai além do relacionamento pessoal. (GUGGENBUHL-CRAIG, 1980, p.103)</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Se pensarmos que o sexo é algo natural e ligado aos nossos instintos, o que nos desperta prazer e desejo é&nbsp;também algo ligado a individualidade de cada um. A variedade das fantasias e vivências sexuais são tão múltiplas quanto a variedade psíquica. No universo das <strong>fantasias</strong> podemos olhar para nós como um outro, podemos nos experimentar em diferentes peles e situações, podemos, inclusive, nos aproximar de possibilidades que não necessariamente bancaríamos (ou precisaríamos) viver no mundo concreto.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A sexualidade entendida como uma forma de relacionamento interpessoal entre um homem e uma mulher também não abrange a totalidade do fenômeno. A maioria das fantasias sexuais são vividas independentemente do relacionamento humano; estão ligadas às pessoas com as quais dificilmente se pode ter qualquer relacionamento ou com quem um relacionamento seria impossível (GUGGENBUHL-CRAIG, 1980, p.91)</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Se olharmos para as fantasias como algo vivo e dinâmico da nossa intimidade, conseguimos compreender tantos outros elementos simbólicos que nos afetam e também influenciam nossas relações. Ao invés de vivenciarmos esses desejos como algo sombrio, poderíamos viver ou ao menos olhar para esses aspectos como parte da nossa totalidade psíquica. No livro “O casamento está morto. Viva o casamento!”&nbsp;Guggenbuhl-Craig propõe o exercício de olharmos para a sexualidade e fantasias como parte do processo de individuação, pois, sendo também essencial para o relacionamento íntimo, ajudaria os próprios parceiros a lidar com as questões não olhadas na psique. Se uma das tarefas do processo de individuação&nbsp;é trazer para a consciência parte dos conteúdos da sombra &#8211; tanto pessoal quanto coletiva e também arquetípica -, as fantasias seriam também porta de acesso a esses conteúdos, e talvez por isto, as pessoas tenham tanto temor em entrar em contato com seus desejos íntimos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A individuação necessita de símbolos vivos. Mas onde, hoje em dia, encontramos símbolos vivos atuantes? Símbolos que sejam tão vivos e efetivos como os Deuses da antiga Grécia ou do processo alquímico? Exatamente neste ponto um novo entendimento da sexualidade se nos revela. Ela não é idêntica à reprodução e seu significado não é exaurido nas relações humanas ou na experiência do prazer. A sexualidade, com todas as suas variações, pode ser entendida como uma fantasia de individuação, uma fantasia cujos símbolos são tão vivos e tão efetivos que podem até mesmo influenciar nossa psicologia. E, desta forma, os símbolos não são propriedade exclusiva de uma elite acadêmica, mas de todas as pessoas. (GUGGENBUHL-CRAIG, 1980, p.94)&nbsp;</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda explorando esta ideia, o autor destaca sobre a sexualidade dentro de um relacionamento íntimo&nbsp;“(&#8230;) este poderoso acontecimento no qual o homem e a mulher se tornam um, física e psicologicamente, deve ser entendido como um símbolo vivo do&nbsp;<em>mysterium coniunctionis</em>, a meta do caminho da individuação”. (p. 103) E, sendo um símbolo vivo, nos convida periodicamente a confrontar com nossos conteúdos inconscientes, inclusive nos dando oportunidades de entrarmos em contato com a nossa ânima/ânimus:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&nbsp;Quais são as possibilidades para um homem de chegar a um acordo com o feminino? Uma possibilidade pode estar no relacionamento com uma mulher, como por exemplo, num casamento; outra pode consistir em fantasias sexuais, incluindo as homossexuais, &#8211; onde o feminino pode ser experimentado com outro homem cuja meta não é reprodução, relacionamento humano ou prazer, mas a confrontação com a anima, com o feminino. Outra possibilidade existe num relacionamento para um ajustamento para a mulher. (GUGGENBUHL-CRAIG, 1980, p.94)&nbsp;</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Quando nos permitimos ampliar o olhar para os nossos desejos e encontrar no casamento um campo seguro, livre e protegido para compartilhar nossas conteúdos psíquicos, perdemos o receio de mostrar todas as nossas fantasias, até&nbsp;porque será um acordo entre o casal colocá-las em prática ou então apenas poder olhar e imaginá-las. Caberá ao casal delimitar a atuação desses desejos na prática sexual, reforçando a cumplicidade na exposição desses conteúdos. Quando o casal atinge este estágio de intimidade, sofre menos pressão do coletivo refletido nas condutas da sociedade e também nos questionamentos sobre a moralidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>(&#8230;) Ainda assim, existem casais cuja sexualidade é constringida por certas pressões para a normalidade. Cada parceiro permite-se revelar ao outro apenas dentro de certos limites, e cada um se contém naquilo que acredita não ser permitido. Por conseguinte, raramente um marido e uma mulher satisfazem completamente um ao outro. Ao invés de cada um encorajar o outro a expressar e relatar suas fantasias sexuais mais secretas e peculiares, um certo medo de anormalidade domina a cena, até mesmo uma tendência à condenação moralista de qualquer coisa que não pertença, incondicionalmente, a um dos parceiros. (GUGGENBUHL-CRAIG, 1980, p.112)</p></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Evoluímos tanto como sociedade, mas ainda somos impactados por preceitos impostos ao longo das gerações. Ainda temos medo de olhar para o nosso universo interior e descobrir nossos segredos. Receamos sermos julgados pelos outros, tendo nossos valores roubados por meros preconceitos. Aceitamos os papéis, mas esquecemos de quem dá vida a esses papéis. Nos distanciamos dos nossos parceiros justamente quando eles seriam os melhores companheiros para a troca das nossas verdades. Aqui, não importa o quão conservador ou não cada pessoa é. O que importa é o quanto nos sentimos livres para nos olharmos como uma totalidade e, com isso, nos conhecermos cada vez mais dentro dos universos pessoais e coletivos. O quanto permitimos que o nosso relacionamento se aprofunde, evitando relações rasas e falsas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fica claro que o casamento como oportunidade de autoconhecimento não&nbsp;é fácil. A confrontação com a sombra no casamento nunca termina, é preciso encarar nossos céus e infernos juntamente com os do parceiro; tanto psicologicamente quanto no mundo das fantasias. Mas é somente cuidando da forma como esta dinâmica&nbsp;é vivenciada que se torna possível o fortalecimento dos parceiros como casal e também o amadurecimento psíquico individual.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como não&nbsp;é&nbsp;possível esgotar os conteúdos inconscientes da psique, também não podemos nos enganar que todas, extremamente todas as fantasias e todos os desejos serão compartilhados com o parceiro. Por mais que a troca seja essencial para um relacionamento, é preciso também sempre cuidar para que uma parte da individualidade seja preservada. Isso é extremamente saudável, afinal, só conseguimos evoluir em uma relação se a nossa condição individual for mantida, com seus conteúdos positivos e negativos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando as individualidades se abrem para o relacionamento, transformam a experiência do casamento em um agente ativo e atuante do processo de individuação, com energia suficiente para a transformação individual e do próprio relacionamento em si.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que saibamos dar voz ao nosso inconsciente também através da <strong>vida dos desejos e fantasias</strong>, proporcionando um relacionamento maduro e uma sexualidade saudável. Que saibamos usufruir deste processo com leveza, alegria e diversão, já que o mundo dos desejos e fantasias nos permite uma boa dose de humor. Olhar para essas questões com naturalidade é extremamente sadio. Isso é respeitar nossos limites e também respeitar nosso parceiro também em sua intimidade. Isso nos liberta e nos protege. Isso nos transforma.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Marcella Helena Ferreira</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Analista Junguiana em formação, com especialização em Psicossomática e Terapeuta Ayurveda</p>



<p class="wp-block-paragraph">marcellahlferreira@gmail.com</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Maria Cristina Guarnieri</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Analista Didata&nbsp;responsável</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="O lugar da fantasia e dos desejos pessoais diante dos papéis e convenções num relacionamento íntimo" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/YTmHbkzcrhs?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências Bibliográficas</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">GUGGENBUHL-CRAIG Adolf, O casamento está morto. Viva o casamento!,2d. São Paulo, SP: Símbolo, 1980.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG Carl Gustav; O desenvolvimento da personalidade, 14 ed. Vol.17. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013a</p>



<p class="wp-block-paragraph">____________ TRAUMANALYSE. Segundo anotações dos seminários de 1928-1930. Editado por William McGuire; traduzido do inglês por Brigitte Stein. Olten/Freiburg i. Br. 1991.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NORONHA, Decio Teixeira, Gerson Pereira LOPES, e Malcom MONTGOMERY. Tocoginecologia Psicossomática. São Paulo, SP: Almed, 1993</p>



<p class="wp-block-paragraph">TEDESCO, J. Julio A., e Alexandre Faisal CURY. Ginecologia Psicossomática. São Paulo: Atheneu, 2007</p>
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