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	<title>Arquivos Sociedade do Cansaço - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Fri, 20 Mar 2026 22:17:58 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Sociedade do Cansaço - Blog IJEP</title>
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		<title>A Alquimia da Vontade: Do Peso do “Ter que” ao Voo do “Querer”</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-alquimia-da-vontade-do-peso-do-ter-que-ao-voo-do-querer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2026 10:18:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Alquimia da Vontade]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[autonomia]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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		<category><![CDATA[Sociedade do Cansaço]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este ensaio completa a trilogia iniciada com o chamado vocacional no artigo intitulado Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos e continuada pela descida ao mundo das sombras em O Retorno à Caverna: O Mito da Caverna e Individuação na Arte de Ser Vagalume no Escuro. Recentemente, um cliente compartilhou uma angústia profunda após mergulhar [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-alquimia-da-vontade-do-peso-do-ter-que-ao-voo-do-querer/">A Alquimia da Vontade: Do Peso do “Ter que” ao Voo do “Querer”</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Este ensaio completa a trilogia iniciada com o chamado vocacional no artigo intitulado <a href="https://blog.ijep.com.br/muitos-sao-chamados-mas-poucos-sao-escolhidos/"><strong>Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos</strong></a> e continuada pela descida ao mundo das sombras em <a href="https://blog.ijep.com.br/mito-da-caverna-e-individuacao-jung/"><strong>O Retorno à Caverna: O Mito da Caverna e Individuação na Arte de Ser Vagalume no Escuro</strong></a>. Recentemente, um cliente compartilhou uma angústia profunda após mergulhar na obra de Byung-Chul Han sobre a sociedade do cansaço. Ele expressou o desejo de que sua existência não se resumisse ao excesso de obrigações e produtividade. Observamos muitos indivíduos que, sob o manto de uma suposta motivação, escondem o vício no trabalho e negam suas obsessões por fama e capital. Convido você a descer da &#8220;esteira rolante&#8221; dos automatismos cotidianos e mergulhar em uma jornada da <strong>Alquimia da Vontade e individuação</strong>. Vamos conversar sobre como esse processo nos permite trocar o chumbo da servidão voluntária pelo entusiasmo do Self.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-divertimento-como-fuga-e-o-vazio-do-hiperconsumo"><strong>O Divertimento como Fuga e o Vazio do Hiperconsumo</strong></h2>



<p>Ao estruturar este fechamento, decidi investigar a alquimia entre os verbos <strong>tenho que</strong>, <strong>preciso</strong> e <strong>quero</strong>. Busco a profundidade da psicologia analítica em diálogo com pensadores que moldaram minha visão ao longo de décadas. Recorro ao conceito de &#8220;divertimento&#8221; de Blaise Pascal, que denuncia a distração como uma fuga de si mesmo, e ao vazio descrito por Gilles Lipovetsky na era do hiperconsumo. Encontro ecos no &#8220;amor líquido&#8221; de Zygmunt Bauman e no &#8220;espetáculo&#8221; de Guy Debord, onde a imagem artificial substitui a vivência pulsante da alma. Resgato o &#8220;direito à preguiça&#8221; de Paul Lafargue e o &#8220;ócio criativo&#8221; de Domenico De Masi, além da sensibilidade de Hermann Hesse na arte dos ociosos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-natureza-e-o-mercado-o-resgate-do-sagrado"><strong>A Natureza e o Mercado: O Resgate do Sagrado</strong></h2>



<p>Ailton Krenak e Davi Kopenawa nos lembram da urgência de reintegrar o humano à natureza contra o utilitarismo predatório que devora o sagrado. Por fim, as críticas de Karl Marx e Max Weber sobre a desumanização do homem transformando-o em um mero autônomo do mercado capitalista, fundamentam esta reflexão. O sistema tenta transformar a vida em bem de produção, mas a psicologia junguiana nos convoca ao resgate da subjetividade. <strong>A vida é curta demais para sermos pequenos</strong> e o processo de individuação exige que troquemos a engrenagem do mercado pelo pulsar do coração.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-caminho-do-meio-entre-o-velho-sabio-e-a-crianca-divina"><strong>O Caminho do Meio: Entre o Velho Sábio e a Criança Divina</strong></h2>



<p>Aquele que conseguiu se entregar ao chamado e enfrentou a saída e o posterior retorno à caverna torna-se um místico por integrar os arquétipos do Velho Sábio com a Criança Divina, encontrando a liberdade no serviço e construindo pontes para o infinito. Muitas pessoas, contudo, são tomadas pela compulsão pela liberdade ao negar vínculos, obrigações e dependências. Na realidade, tornam-se escravas de um &#8220;<strong>complexo de liberdade</strong>&#8220;. Segundo Spinoza, o livre-arbítrio genuíno não é sobre ter liberdade de escolha sem restrições, mas sim sobre compreender as causas que nos influenciam. A liberdade é o resultado do entendimento das causas que determinam nossas ações; ao compreendê-las, agimos de maneira mais livre e racional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-do-espelho-a-alma-autoestima-e-individuacao"><strong>Do Espelho à Alma: Autoestima e Individuação</strong></h2>



<p>Através do autoconhecimento, torna-se possível compreender nossas peculiaridades, diferenciar-nos da imago parental e dos condicionamentos adquiridos, reconhecendo os aspectos sombrios e os complexos para nos tornarmos mais íntegros. Conscientes de quem, como e o que somos, conquistamos a autoestima e o amor-próprio, aprendendo a respeitar a nós mesmos para poder dar e exigir respeito. Sabemos agora o que nos pertence, o que desejamos e o que não desejamos, tanto para o Si-mesmo quanto para os demais.</p>



<p>Isso nos possibilita a autonomia, que nos confere a liberdade para escolhas conscientes de dependência ou servidão, livres de códigos morais rígidos, pois encontramos a dimensão ética do existir e do &#8220;bom combate&#8221;. O prisioneiro que retorna à caverna, agora consciente da luz, enfrenta a tirania dos automatismos cotidianos. Ele percebe que a maioria caminha em uma esteira rolante invisível, movida por impulsos alheios. Para o analista junguiano, isso revela uma patologia da vontade, onde a alma se perde entre o dever imposto e a carência fabricada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-despertar-do-querer-a-alquimia-da-liberdade-no-retorno-a-caverna"><strong>O Despertar do Querer: A Alquimia da Liberdade no Retorno à Caverna</strong></h2>



<p>O prisioneiro que retorna à caverna, agora consciente da luz, enfrenta um novo tipo de sombra: a tirania dos automatismos cotidianos. Ele percebe que a maioria das pessoas caminha em uma esteira rolante invisível, movida por impulsos que elas não escolheram. Para o analista junguiano, esse cenário revela uma patologia da vontade, onde a alma se perde entre o dever imposto e a carência fabricada. Precisamos, portanto, dissecar os verbos que sustentam nossas correntes ou que, se bem compreendidos, forjam nossa libertação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-tenho-que-o-algoz-que-habita-em-nos"><strong>O &#8220;Tenho Que&#8221;: O Algoz que Habita em Nós</strong></h2>



<p>O verbo &#8220;tenho que&#8221; representa a voz do algoz internalizado. Ele manifesta o superego social, as exigências do mercado e as expectativas familiares que sequestram nossa autenticidade. Quando dizemos &#8220;<strong>tenho que ser produtivo</strong>&#8221; ou &#8220;<strong>tenho que ser feliz</strong>&#8220;, estamos servindo a uma Persona que não nos pertence. Jung descreve esse estado como uma servidão voluntária, onde o indivíduo se torna uma peça funcional da engrenagem coletiva, mas perde o contato com sua essência singular.</p>



<p>Nesse estágio, a vida se transforma em um inventário de obrigações sem alma. O indivíduo autômato executa tarefas com perfeição, mas carrega um vazio que nenhum sucesso material consegue preencher. Ele habita a &#8220;sociedade do cansaço&#8221;, onde o excesso de positividade e a cobrança por desempenho esgotam a libido criativa. O &#8220;<strong>tenho que</strong>&#8221; é a sombra da caverna que tenta nos convencer de que a liberdade é apenas uma escolha entre diferentes formas de obediência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-preciso-a-armadilha-da-carencia-fabricada"><strong>O &#8220;Preciso&#8221;: A Armadilha da Carência Fabricada</strong></h2>



<p>Se o &#8220;<strong>tenho que</strong>&#8221; vem de fora, o &#8220;<strong>preciso</strong>&#8221; simula uma necessidade interna que, muitas vezes, é artificial. O sistema de consumo sequestra o verbo &#8220;precisar&#8221; para criar a ilusão de falta constante. Acreditamos que precisamos do último modelo de celular, da aprovação constante nas redes sociais ou de um corpo que atenda a padrões irreais. Essa necessidade fabricada mantém o ego em um estado de carência eterna, impedindo que ele mergulhe nas águas profundas do Ser.</p>



<p>A carência é a alavanca do mercado. Ela transforma desejos legítimos da alma em necessidades urgentes do corpo e do ego. Quando confundimos o que é essencial para nossa nutrição psíquica com o que é imposto pela vitrine, e pelos algoritmos, perdemos nossa bússola. O &#8220;preciso&#8221; torna-se uma corrente que nos prende ao objeto, impedindo o fluxo da vida. Na perspectiva da psicossomática, essa busca incessante por preenchimento externo muitas vezes se manifesta em sintomas físicos, lembretes dolorosos de que a alma está faminta por sentido, não por produtos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-quero-a-bussola-da-alma-e-o-bom-combate"><strong>O &#8220;Quero&#8221;: A Bússola da Alma e o Bom Combate</strong></h2>



<p>O verbo &#8220;<strong>quero</strong>&#8221; é o mais perigoso para qualquer sistema de controle e, por isso, é o mais sufocado. O querer autêntico não nasce da falta, mas da plenitude do Si-mesmo (Self). Ele é a manifestação do entusiasmo, que em sua raiz grega, <em>entheos</em>, significa &#8220;ter um deus dentro&#8221;. Quando um indivíduo descobre o que realmente quer, ele inicia o &#8220;<strong>bom combate</strong>&#8221; pela sua autenticidade.</p>



<p>Diferente do desejo caprichoso do ego, o &#8220;<strong>quero</strong>&#8221; junguiano é teleológico: ele aponta para uma finalidade maior. Ele é a energia que flui do centro da psique para o mundo, organizando a ação de forma coerente e vigorosa. Quem quer de verdade não se cansa da mesma maneira que quem apenas obedece. A ação que nasce do querer é devocional, é um sacrifício consciente do ego em favor da totalidade. Esse querer revolucionário permite que o indivíduo retorne à caverna não como um pregador arrogante, mas como um canal de vida que contagia o entorno com sua presença e verdade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-integracao-o-caminho-da-individuacao"><strong>A Integração: O Caminho da Individuação</strong></h2>



<p>A individuação não exige que abandonemos todas as obrigações ou necessidades. Ela propõe uma mudança na fonte do impulso. O indivíduo consciente minimiza o &#8220;<strong>tenho que</strong>&#8221; ou o transforma em um compromisso ético com seu próprio processo. Ele usa o &#8220;<strong>preciso</strong>&#8221; com sabedoria, distinguindo o que nutre a alma do que apenas entulha a existência. E, acima de tudo, ele coloca o &#8220;<strong>quero</strong>&#8221; como o mestre de sua jornada.</p>



<p>Viver de forma integral significa aceitar o paradoxo de ser um ser comum, mas singular. A vida é curta demais para sermos pequenos, como costumo dizer. Ser pequeno é aceitar a vida crônica, repetitiva e sem brilho. Ser grande é assumir a responsabilidade por nossa própria luz, integrando nossas sombras e falando a linguagem do coração.</p>



<p>Ao final desta trilogia, o convite permanece: que possamos trocar a esteira rolante pela dança ativa com o destino. Que o nosso fazer seja um &#8220;<strong>sacro ofício</strong>&#8220;, uma religação constante entre o que realizamos no mundo e o que somos em essência. A liberdade não é a ausência de limites, mas a escolha consciente de quais limites servem ao nosso crescimento. Que o seu &#8220;<strong>quero</strong>&#8221; seja a luz que ilumina não apenas o seu caminho, mas também o daqueles que ainda buscam a saída da própria escuridão. Por isso, mais importante do que a quantidade ou a intensidade do seu fazer é a certeza de que esse fazer está alinhado com seu chamado, proporcionando sentido, significado e valor pessoal, coletivo e ambiental.</p>



<p><strong>Acesse a Trilogia Alquímica de Waldemar Magaldi no Blog do IJEP:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/muitos-sao-chamados-mas-poucos-sao-escolhidos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos</a></strong></li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/mito-da-caverna-e-individuacao-jung/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O Retorno à Caverna: O Mito da Caverna e Individuação na Arte de Ser Vagalume no Escuro</a></strong></li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/a-alquimia-da-vontade-do-peso-do-ter-que-ao-voo-do-querer/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A Alquimia da Vontade: Do Peso do “Ter que” ao Voo do “Querer”</a></strong></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas"><strong>Referências Bibliográficas</strong></h2>



<p>Bauman, Z. (2004). <em>Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos</em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.</p>



<p>De Masi, D. (2000). <em>O ócio criativo</em>. Rio de Janeiro: Sextante.</p>



<p>Debord, G. (1997). <em>A sociedade do espetáculo</em>. Rio de Janeiro: Contraponto.</p>



<p>Han, B.-C. (2015). <em>Sociedade do cansaço</em>. Petrópolis: Vozes.</p>



<p>Hesse, H. (1984). <em>A arte dos ociosos</em>. Rio de Janeiro: Record.</p>



<p>Jung, C. G. (2011). <em>A vida simbólica</em> (Vol. 18/1). Petrópolis: Vozes.</p>



<p>Kopenawa, D., &amp; Albert, B. (2015). <em>A queda do céu: palavras de um xamã yanomami</em>. São Paulo: Companhia das Letras.</p>



<p>Krenak, A. (2019). <em>Ideias para adiar o fim do mundo</em>. São Paulo: Companhia das Letras.</p>



<p>Lafargue, P. (1999). <em>O direito à preguiça</em>. São Paulo: Hucitec.</p>



<p>Lipovetsky, G. (2005). <em>A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo</em>. Barueri: Manole.</p>



<p>Magaldi Filho, W. (2006). <em>Dinheiro, saúde e sagrado: uma análise junguiana da relação do homem com o dinheiro</em>. São Paulo: Eleva.</p>



<p>Marx, K. (2013). <em>O capital: crítica da economia política</em>. São Paulo: Boitempo.</p>



<p>Pascal, B. (2004). <em>Pensamentos</em>. São Paulo: Martins Fontes.<strong></strong></p>



<p>Spinoza, B. (2015). <em>Ética</em>. Belo Horizonte: Autêntica.<strong></strong></p>



<p>Weber, M. (2004). <em>A ética protestante e o espírito do capitalismo</em>. São Paulo: Companhia das Letras.<strong></strong></p>



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