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	<title>Arquivos trabalho - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Thu, 28 May 2026 19:59:38 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos trabalho - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Quando o entusiasmo é a bússola do trabalho</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/quando-o-entusiasmo-e-a-bussola-do-trabalho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 13:43:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[entusiasmo]]></category>
		<category><![CDATA[motivação]]></category>
		<category><![CDATA[saúde do trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[saúde emocional]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Números do Ministério da Previdência Social mostram que, cada vez mais, há afastamentos do trabalho por questões de saúde emocional. A partir de 26 de maio deste ano, entra em vigor a RN1 que, entre outras coisas, visa mapear e prevenir também os riscos psicossociais no ambiente laboral. Os órgãos reguladores de estado se mexem e as empresas precisam se adaptar. Mas e os indivíduos? Estão olhando para si mesmos? Será que só os movimentos corporativos são o bastante? Será que a saúde no trabalho não passa também pela nossa capacidade individual de enxergar nele um sentido maior, enxergar nele entusiasmo?</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/quando-o-entusiasmo-e-a-bussola-do-trabalho/">Quando o entusiasmo é a bússola do trabalho</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo: </strong>Números do Ministério da Previdência Social mostram que, cada vez mais, há afastamentos do trabalho por questões de saúde emocional. A partir de 26 de maio deste ano, entra em vigor a RN1 que, entre outras coisas, visa mapear e prevenir também os riscos psicossociais no ambiente laboral. Os órgãos reguladores de estado se mexem e as empresas precisam se adaptar. Mas e os indivíduos? Estão olhando para si mesmos? Será que só os movimentos corporativos são o bastante? Será que a saúde no trabalho não passa também pela nossa capacidade individual de enxergar nele um sentido maior, enxergar nele entusiasmo?</p>



<h2 id="h-o-brasil-tem-hoje-103-milhoes-de-pessoas-ocupadas-segundo-dados-do-ibge-instituto-brasileiro-de-geografia-e-estatistica" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O Brasil tem hoje 103 milhões de pessoas ocupadas, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2025, o número médio de trabalhadores ficou na casa dos 100 milhões também. Estamos falando de quase a metade da população brasileira. Faço parte desta estatística há um bom tempo, mas se tem algo ao que um analista junguiano não deve se limitar, embora também não deva ignorar, são as estatísticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que orienta a relação dessas 103 milhões de pessoas com o trabalho que realizam</strong>? É impossível responder por todos, só posso responder por mim e você, que lê este texto e que também integra essa estatística, só pode responder por si próprio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, encomendada pelo Nubank, aponta que 23% do nosso tempo é dedicado ao trabalho remunerado. Teríamos, segundo a mesma pesquisa, 30% do tempo dedicado ao sono e 26% do tempo livre. Claro, como toda média, essa pesquisa não fala diretamente a mim nem a você, mas, seja como for, 23% não é pouca coisa: pensando no uso do nosso tempo desperto, estamos falando de um terço. Saber qual é o sentido de um terço da minha vida vígil me parece algo extremamente relevante.</p>



<h2 id="h-ainda-num-sobrevoo-estatistico" class="wp-block-heading" style="font-size:20px"><strong>Ainda num sobrevoo estatístico</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Dados do Ministério da Previdência Social revelam 4,1 milhão de casos de afastamentos das funções laborais por questões de saúde em 2025, aumento de 17,1% em relação a 2024. Quando se coloca uma lente nesses números, descobre-se que mais de 546 mil afastamentos foram por motivos de saúde mental, um crescimento de 15,6%. A ansiedade foi responsável por mais de 166 mil afastamentos e a depressão, por quase 127 mil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Colocar a “culpa” desses casos única e exclusivamente na conta do trabalho seria uma leviandade. Somos um todo, mesmo que não integrados, e, por mais que nossa racionalidade cartesiana se esmere por reduzir as causas dos nossos problemas a uma única área de atividade humana, uma reflexão mais sensata e profunda conseguiria nos revelar a complexa diversidade por trás de cada um desses afastamentos do trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a minha experiência me leva a supor que, nesse universo crescente e nada desprezível de casos de afastamento do trabalho, há aquelas que, diante da pergunta, “o que significa para você o trabalho?”, se depara com um desolador nada, como se o tempo destinado a essa finalidade caísse no esquecimento da insignificância.</p>



<h2 id="h-visao-de-mundo-e-saude-emocional" class="wp-block-heading"><strong>Visão de mundo e saúde emocional</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para Jung (p. 115), “a visão de mundo está diretamente relacionada com o bem-estar psíquico [&#8230;] se pode dizer que as coisas são muito menos o que elas são do que como nós a vemos”. Saber o que significa o trabalho para alguém é entender como essa pessoa o enxerga, que lugar ele ocupa em sua cosmovisão e tal compreensão do contexto individual do trabalho, do ponto de vista psicológico, é tão ou mais importante do que uma visão sócio-corporativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O crescimento no número de afastamentos de trabalhadores por questões de saúde inspirou a NR1, Norma Regulamentadora nº 1, que, entre outras medidas, prevê a existência de um programa de mapeamento e prevenção de riscos à saúde do trabalhador no ambiente laboral, o que inclui riscos psicossociais. Isso é ótimo, mas o suporte psicológico apenas por compromisso legal e etiqueta corporativa, sem que a pessoa enxergue, nesse processo, um sentido maior numa perspectiva íntima e pessoal, provavelmente não terá o efeito desejado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua autobiografia, Jung (2016, p. 27) diz que o propósito de uma vida humana é a realização do próprio mito, o que equivale a deixar, como legado, uma história que expresse, a partir da universalidade que nos constitui, uma vida singular e, ao mesmo tempo, capaz de ser compreendida, servindo, possivelmente, de inspiração para que cada um empreenda sua própria jornada da forma mais genuína possível.</p>



<h2 id="h-james-hollis-p-101-escreve" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">James Hollis (p. 101) escreve:</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>“Ao dizer sim ao seu o vocatus, Jesus torna-se o Cristo. Jung disse então que a adequada imitatio Christi não era viver como o Nazareno da Antiguidade e, sim, viver a própria individuação, a própria vocação, tão plenamente quanto Jesus viveu o Cristo.”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Creio que o mito de cada um de nós envolva, de forma nada desprezível, o tempo dedicado ao trabalho. Por mais profano que possa parecer, o trabalho pode ser consagrado.</p>



<h2 id="h-a-jornada-etimologica-da-palavra-trabalho" class="wp-block-heading"><strong>A jornada etimológica da palavra trabalho</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Trabalho é a prova do caráter simbólico das palavras porque carrega em si uma essência antinômica. Isso significa dizer que não é unilateral, é complexo por excelência, carrega luz e sombra, tem, em seu ventre, a força vital da tensão de uma multiplicidade de opostos complementares e, dessa forma, é transdutor: permite-nos transcender e encontrar uma nova e terceira dimensão de nós mesmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A palavra, vastamente usada em três línguas, o português, o francês e o espanhol, vem do latim <em>tripalium</em>, <em>tri</em> (três) <em>palus</em> (paus): objeto com diversos usos laborais na lida agrária na Roma Antiga, mas que também era usado para torturar escravos. A ferramenta se constituía de três estacas que formavam, numa composição, uma espécie de asterisco, com dois paus em xis e o terceiro disposto verticalmente entre esses dois. O escravo era amarrado aí, quase como um crucificado. Cabia ao carrasco <em>tripaliare</em> o escravo “insubordinado”.</p>



<h2 id="h-mas-com-o-correr-dos-anos-decadas-seculos-e-milenios-trabalho-incorporou-a-nobreza-de-outras-palavras-como-oficio-que-e-a-juncao-de-obra-opus-e-fazer-facere" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Mas com o correr dos anos, décadas, séculos e milênios, trabalho incorporou a nobreza de outras palavras, como ofício, que é a junção de obra (<em>opus</em>) e fazer (<em>facere</em>).</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Virou sinônimo de dignidade na sociedade capitalista de ética protestante e incorporou a expressão da boa e velha realização pessoal. Contudo, ainda carrega e sempre haverá de carregar um bocado do sofrimento de que se origina. Ouso dizer que carregaria o sofrimento em qualquer situação em que se associasse à ideia de vida. Que me valham os budistas!</p>



<p class="wp-block-paragraph">A “saída”, então, é encontrar, no trabalho, algo que transcenda o sofrimento, que nos permita extrapolar sua dimensão mundana, conectando-o também com o sagrado. É assim, então, que transformamos sofrimento em sacrifício — <em>sacer</em> (sagrado) <em>officium</em> (fazer uma obra) —&nbsp; por meio do trabalho. A palavra sacrifício, por origem, traduz o ato de conferir a algo mundano caráter divino: um objeto, um alimento, uma vida ofertada aos deuses. Na cultura cristã, o termo virou sinônimo de renúncia pessoal por um bem maior. Afinal, é Cristo quem dá-se a si mesmo em sacrifício.</p>



<h2 id="h-para-que-e-pelo-que-se-sacrificar" class="wp-block-heading"><strong>Para que e pelo que se sacrificar?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Jesus tinha um “para que” sacrificar-se, tinha o seu trabalho sagrado e eu acredito que cada um de nós tenha o seu próprio e somente na mais íntima singularidade podemos encontrá-lo. “Misterioso demais”, alguém pode dizer. Mas há pistas para acharmos esse íntimo sagrado que, com certeza, não são promessas paradisíacas de euforia sem fim. Não há caminho fácil para o sagrado que nos habita.</p>



<h2 id="h-o-mitologo-joseph-campbell-p-127-em-entrevista-ao-jornalista-bill-moyers-que-viraria-o-livro-o-poder-do-mito-aponta-para-uma-direcao" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O mitólogo Joseph Campbell (p. 127) em entrevista ao jornalista Bill Moyers, que viraria o livro <em>O poder do mito</em>, aponta para uma direção:</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>“[&#8230;] pondo-se no encalço de sua bem-aventurança, você se coloca numa espécie de trilha que esteve aí o tempo todo, à sua espera, e a vida que você tem que viver é essa mesma que você está vivendo.”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Num sentido literal, bem-aventurança significa estar de bem com o que há de vir na vida. Em certa medida, é encarar o que nos acontece, por pior que seja, como uma bênção, mas para que eu seja capaz de enxergar a vida dessa maneira, preciso me guiar pelo que me entusiasma, por aquilo que me leva a sentir que Deus (<em>Theos</em>) não está apenas fora, mas também dentro (<em>en</em>): <em>en-Theos</em>, de onde nasce a palavra entusiasmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Campbell</strong> (Cf. 2014, p. 126) cita, na mesma entrevista, sua experiência como professor, o que o levava, muitas vezes, a desempenhar o papel de orientador vocacional. Ele dizia aos alunos algo como: siga a sua bem-aventurança, porque é o que lhe fará suportar e encontrar sentido nas inevitáveis frustrações que o caminho lhe reserva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gosto do paralelo que ele faz com os ensinamentos hindus, por meio do conceito de <em>Sat-Chit-Ananda</em>. Essas palavras, do sânscrito, significam, bem grosseiramente falando: Ser, Consciência e Bem-Aventurança (Enlevo). Então, Campbell (p. 128) diz: “Não sei se minha consciência é propriamente consciência ou não; não sei se o que entendo pelo meu ser é o meu próprio ser ou não; mas sei onde está o meu enlevo [bem-aventurança]. Então, vou apegar-me ao meu enlevo, e isso me trará tanto a minha consciência como o meu ser”.</p>



<h2 id="h-estar-no-proprio-eixo-e-buscar-ser-por-inteiro" class="wp-block-heading"><strong>Estar no próprio eixo é buscar ser por inteiro</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A nossa bem-aventurança precisa, necessariamente, estar associada ao que se faz na vida para ganhar dinheiro? Creio que não. A vida é multifacetada, composta de diversas áreas e a bem-aventurança é o eixo que integra todas elas da melhor forma possível. É possível que haja um bocado de bem-aventurança em cada uma delas e esses bocados, acredito, estão relacionados ao amor próprio.</p>



<h2 id="h-naturalmente-entusiasmo-e-bem-aventuranca-dialogam-com-e-podem-ser-sinonimos-de-vocacao-do-latim-vocatio-chamado-vocatus-ou-voz" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Naturalmente, entusiasmo e bem-aventurança dialogam com e podem ser sinônimos de vocação, do latim <em>vocatio</em>, chamado (<em>vocatus</em>) ou voz.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nosso entusiasmo é uma “voz” que não pode ser ignorada nem confundida com euforia nem empolgação, porque não é efêmera, tampouco só vem de fora, é a eternidade que palpita em nossa psique e nos faz sentir que aquilo que está dentro sempre esteve no mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-o-ponto-e-que-nem-sempre-e-possivel-ou-viavel-fazer-da-nossa-vocacao-nosso-trabalho-remunerado-cf-hollis-p-100-101" style="font-size:16px">O ponto é que nem sempre é possível ou viável fazer da nossa vocação nosso trabalho remunerado (Cf. Hollis, p.100-101). Às vezes, o que nos enche de sentido e significado é cuidar e proteger. Às vezes, é ser poeta onde a maioria das pessoas não entendem o valor da metáfora. Aliás, poesia vem de <em><strong>poiesis</strong></em>, do grego; quer dizer “ato de fazer”, é trabalho que, muitas vezes, não enche o nosso prato, mas nutre a nossa alma. Porém, não raramente, alguém precisa sustentar o poeta.</p>



<h2 id="h-james-hollis-p-100-101-escreve-que" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">James Hollis (p. 100-101) escreve que:</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>“deixar de responder à nossa vocação pode causar dano à alma”, mas, ao mesmo tempo, “quase todos nós teremos de trabalhar a vida inteira[&#8230;] para ganhar dinheiro e satisfazer nossas necessidades econômicas”.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é incomum, então, que o trabalhador que vive no artista seja seu próprio mecenas. Há um lindo dorama chamado Navillera que mostra como um carteiro venceu o tempo para, no fim da vida, dar à luz um bailarino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Guiar-se pelo entusiasmo é ter coragem de ir a fundo na própria alma, responsabilizar-se por si mesmo e se saber dependente, mas, ao mesmo tempo, ter consciência de que os vínculos de dependência, como costuma dizer Waldemar Magaldi, devem ser escolhas nossas. Seguir o próprio entusiasmo é ouvir o <em>vocatus</em> e fazer da própria vida a “grande” obra, não aos olhos dos outros, mas aos próprios olhos. Só assim será possível encontrar sentido e significado, inclusive no trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/wagnerhilario/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/wagnerhilario/">Wagner H P Borges — Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi — Membro Didata pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vídeo convite:</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Quando o entusiasmo é a bússola do trabalho&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/p9noPvRh5mI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Bibliografia:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">CAMPBELL, Joseph. <em>O poder do mito</em>. 29ª ed. São Paulo: Palas Athenas, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, James. <em>A passagem do meio — da miséria ao significado da meia-idade</em>. São Paulo: Paulus, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>A prática da psicoterapia</em>. 16ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_________. <em>Memórias, Sonhos e Reflexões</em>. 35ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARACCINI, Gabriela. <em>Brasileiros têm apenas 26% do tempo livre ao longo da vida, diz estudo</em>. CNN Brasil, 2026. Disponível em: <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/brasileiros-tem-apenas-26-do-tempo-livre-ao-longo-da-vida-diz-estudo/">https://www.cnnbrasil.com.br/saude/brasileiros-tem-apenas-26-do-tempo-livre-ao-longo-da-vida-diz-estudo/</a>. Acesso em: 09 de maio de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CASEMIRO, Poliana; MOURA, Rayane. <em>Brasil tem 4 milhões de afastamentos do trabalho em 2025, maior número em cinco anos</em>. G1, 2026. Disponível em: <a href="https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/01/26/brasil-tem-4-milhoes-de-afastamentos-do-trabalho-em-2025-maior-numero-em-cinco-anos.ghtml">https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/01/26/brasil-tem-4-milhoes-de-afastamentos-do-trabalho-em-2025-maior-numero-em-cinco-anos.ghtml</a>. Acesso em: 09 de maio de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Trabalho e Lazer: entre a Máscara Brilhante e a Alma Suicida</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/trabalho-e-lazer-entre-a-mascara-brilhante-e-a-alma-suicida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jun 2023 17:52:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[cansaço]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[lazer]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste cenário contemporâneo, o indivíduo se vê constantemente dividido entre a demanda de produtividade representada pela "máscara do colaborador" e a necessidade vital de sua alma, muitas vezes negligenciada, conduzindo a um estado de angústia e exaustão. A máscara do trabalho e a ansiedade gerada por ela obscurecem a conexão do indivíduo com a sua essência, muitas vezes levando ao esgotamento e à autodestruição. Paradoxalmente, a ideia de lazer foi corrompida pela lógica produtivista, se tornando um palco para autopromoção em vez de um espaço para descompressão. Reconhecer a angústia e reivindicar um lazer verdadeiro são passos essenciais para restaurar a conexão com a alma e construir uma existência mais plena e autêntica.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>O despertador toca e lá vai você para mais um dia. Para se ambientar, você lembra que foi um sobrevivente de uma pandemia, não precisa mais de máscaras e já está no ano de 2023. Lembra, no entanto, que uma máscara especificamente você precisa – a do colaborador.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Afinal, hoje é segunda, dia de trabalhar. Ontem não foi um dia sem trabalho, você respondeu aquela mensagem de Whatsapp do chefe, deu uma conferida numa planilha ou outra e abriu a caixa de e-mails só para não se assustar amanhã. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No chuveiro, já relembra da planilha e pensa “eu não posso esquecer aquela alteração que eu pensei em fazer ontem! Tenho que fazer assim que me sentar no computador”. Então, vem o café da manhã, que tem que ser rápido, pois como é de praxe, você sempre demora para acordar na segunda-feira. Sim, a função “soneca” de todos os celulares trabalham mais nas segundas-feiras pelo mundo inteiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seja presencial ou em home office, neste momento você está praticamente pronto para embarcar nas planilhas, planejamentos, atendimentos, reuniões, seja o que for. E, num piscar de olhos, você se cala com a boca de feijão. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-calar-se">Calar-se&#8230;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Mas esse calar-se não traz um silêncio ou um ócio. Traz as lembranças aceleradas da manhã de trabalho – do que deve ser feito ainda e do que pode ser melhorado. Nada pode ser deixado para trás. Afinal, é a sua carreira que está em jogo. Assim como o operário deve apertar todos os parafusos na fábrica e o motorista de Uber deve aceitar todas as corridas, você não pode deixar a oportunidade passar!&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Curiosamente, apesar de você corresponder e responder prontamente as demandas do mundo de fora, no mundo de dentro acontecem coisas que dá vontade de ignorar: aquela ansiedade quando o despertador toca; aquela aflição quando o chefe envia mensagem ou e-mail; aquela angústia provinda dos lapsos de memória que levam você a se perguntar “eu tomei banho hoje?” “o que eu tomei de café da manhã?”. Sem falar da melancolia de domingo à noite ao som do programa Fantástico. Tanto ansiedade como aflição, angústia levam o indivíduo a um sentimento de “prisão”. Mas como poderia, se com a máscara do colaborador e seu status, seu dinheiro e suas férias você pode fazer o que quiser?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tomemos-a-palavra-angustia-para-analise">Tomemos a palavra “angústia” para análise.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A palavra &#8220;angústia&#8221; vem do latim &#8220;angustia&#8221;, que significa &#8220;estreiteza, aperto, constrangimento&#8221; e deriva de &#8220;angustus&#8221;, que significa &#8220;estreito&#8221;. O termo passou para as línguas românicas com um sentido mais abstrato, referindo-se a um sentimento de desconforto mental ou emocional. Este termo pode ser rastreado ainda mais para trás, até o proto-indo-europeu (uma língua reconstruída que é o ancestral comum de todas as línguas indo-europeias), na qual a raiz &#8220;*angh-&#8221; significa &#8220;apertado, dolorosamente apertado, angustiado&#8221;.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto o seu papel social, cheio de status, está poderoso, monetizado e relativamente livre nas férias, a sua alma está sofrendo. Este aperto é mais do que um simples aperto. É a alma se automutilando, devorando ela mesma. Assim como uma fera que depois de uma luta mortal tem sua barriga aberta e acaba comendo as próprias entranhas.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><a><strong>Num ato suicida e faminto, quando cárcere de alguém somente preocupado com sua máscara, a alma se mata quantas vezes for preciso em prol de deprimir o indivíduo e o seu sorriso brilhante.&nbsp;</strong></a></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-nessa-imagem-que-voce-se-encontra">É nessa imagem que você se encontra.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Suicida e faminto à deriva oceânica do neoliberalismo, sozinho esperando o vento que te levará ao tesouro dos “1 milhão de reais aos 30 anos”. A palavra &#8220;oportunidade&#8221; que enfatizamos acima tem a ver com essa imaginação. Sua origem no latim &#8220;<em>opportunitas</em>&#8220;. Esta, por sua vez, vem de &#8220;<em>obportus</em>&#8220;, uma combinação de &#8220;<em>ob-</em>&#8221; que significa &#8220;em direção a&#8221; e &#8220;<em>portus</em>&#8221; que significa &#8220;porto&#8221;. Por sua vez, &#8220;<em>obportus</em>&#8221; pode ser entendido como um vento favorável levando um navio em direção ao porto. Na língua latina, a palavra &#8220;<em>opportunitas</em>&#8221; era usada para descrever a chegada conveniente ou a chegada no tempo certo e foi adotada nas línguas românicas, inclusive no português, para indicar uma circunstância favorável, um momento propício ou uma chance.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ironicamente, este vento da oportunidade é mais próximo à alma do que à máscara. Existe uma relação etimológica entre &#8220;alma&#8221; e &#8220;vento&#8221; em muitas tradições culturais e linguísticas. Na tradição judaico-cristã, por exemplo, a palavra hebraica para espírito é &#8220;<em>ruach</em>&#8220;, que também pode significar &#8220;vento&#8221; ou &#8220;respiração&#8221;. No Novo Testamento, a palavra grega &#8220;<em>pneuma</em>&#8221; tem um significado semelhante. Estes termos são usados para se referir tanto ao espírito humano quanto ao Espírito Santo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-latim-a-palavra-anima-pode-significar-alma-mas-tambem-sopro-respiracao-ou-vida">Em latim, a palavra &#8220;<em>anima</em>&#8221; pode significar &#8220;alma&#8221;, mas também &#8220;sopro&#8221;, &#8220;respiração&#8221; ou &#8220;vida&#8221;. </h2>



<p class="wp-block-paragraph">A palavra &#8220;<em>anima</em>&#8221; também deu origem à palavra &#8220;animal&#8221;, referindo-se a qualquer ser vivo que respira. Na filosofia grega antiga, a palavra &#8220;<em>psyche</em>&#8220;, que significa &#8220;alma&#8221;, também pode ser entendida como &#8220;sopro de vida&#8221;. Enquanto que na tradição hindu a palavra sânscrita &#8220;<em>prana</em>&#8221; refere-se à força vital universal que é inalada e exalada como a respiração &#8211; estabelecendo assim um vínculo entre a alma, o vento e a respiração. Portanto, embora as palavras &#8220;alma&#8221; e &#8220;vento&#8221; não tenham uma conexão direta etimológica em português, elas estão ligadas em várias tradições linguísticas e culturais por meio do conceito de respiração ou sopro de vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-mascara-do-colaborador-nao-deixa-de-ser-importante-mas-usa-la-a-todo-momento-nao-te-permite-respirar-em-sua-totalidade">A máscara do colaborador não deixa de ser importante, mas usá-la a todo momento não te permite respirar em sua totalidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A alma precisa estar presente para qualquer oportunidade surgir. Na realidade, usar a máscara todos os dias garante uma alta produtividade, mas não garante criatividade e diversidade de vida. Neste mundo acelerado produtivista, o indivíduo torna-se disperso e dividido entre várias tarefas. Com a ânsia de manter-se atento e produtivo, o indivíduo contemporâneo sacrifica o tempo de integração dos vários aspectos da personalidade. Para Byung Chul Han, manter-se na máscara é estar de olhos bem abertos; já para sentir o vento da alma, é necessário fechar os olhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O indivíduo de olhos bem abertos tem a alma faminta pois o que ele ingere não a alimenta. A cada dia ele consome um excesso de positividade, de produtividade e de estimulações midiáticas dopaminérgicas. E quando ele escuta o ronco faminto da alma, o que reverbera na angústia sem igual, faz ela se calar consumindo benzodiazepínicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a alma não adormece, ela continua em seu ato fago-suicida. Levando o indivíduo a um estado de constante cansaço e esgotamento. Han chama esse estado social de &#8220;sociedade do cansaço&#8221; ou da exaustão. O verbo &#8220;exhaurire&#8221; pode ser dividido em duas partes: 1) &#8220;ex-&#8220;, que significa &#8220;fora&#8221;, e 2) &#8220;haurire&#8221; que significa &#8220;tirar&#8221; ou &#8220;drenar&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-alma-foi-drenada-ou-tirada-de-cena-nessa-sociedade">A alma foi drenada ou tirada de cena nessa sociedade.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Byung Chul Han defende a ideia de ócio ativo e do lazer como uma saída para esta situação, o que se aproxima de Carl Gustav Jung quando aponta: é olhando para dentro que encontraremos a verdadeira oportunidade e criatividade do viver.&nbsp;</strong></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Curiosamente, a palavra “lazer” é também relacionada a “oportunidade”. A palavra &#8220;lazer&#8221; em português tem suas origens na língua francesa. Ela vem da palavra &#8220;<em>loisir</em>&#8220;, que por sua vez vem do latim &#8220;<em>licere</em>&#8220;. &#8220;<em>Licere</em>&#8221; em latim significa &#8220;ser permitido&#8221;, o que indica uma atividade que é livre para ser realizada, sem obrigações. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No francês antigo, &#8220;<em>loisir</em>&#8221; também tinha o significado de &#8220;oportunidade&#8221; ou &#8220;tempo livre&#8221;, que se assemelha ao nosso uso moderno da palavra &#8220;lazer&#8221;. Com o tempo, essa palavra passou para o português como &#8220;lazer&#8221;, mantendo o sentido de tempo livre para atividades que não são trabalho ou obrigações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nada obstante, <strong>Byung Chul Han</strong> afirma que a própria noção de lazer está sendo corrompida, transformando-se em um meio de aumentar a produtividade em vez de ser um momento de reflexão, repouso e recuperação. Em contraste com a visão de lazer como um tempo livre e relaxante, Han propõe que estamos numa era de &#8220;trabalho de lazer&#8221; (<em>Freizeitarbeit</em>) em que as atividades recreativas são, frequentemente, incorporadas na lógica da maximização da produtividade e do autoaperfeiçoamento constante. Isso reflete uma sociedade em que cada momento, inclusive o lazer, é mercantilizado e torna-se outra oportunidade para &#8220;melhorar&#8221; as máscaras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-pouco-de-foucalt-e-nietzsche">Um pouco de Foucalt e Nietzsche</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Michel Foucault</strong> aponta que vivemos em uma sociedade panóptica, em que estamos constantemente sendo vigiados e, portanto, nos disciplinamos para atender às normas sociais e às expectativas de desempenho. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Este conceito se aplica também ao lazer, onde cada atividade pode ser monitorada e avaliada. Redes sociais, por exemplo, tornaram-se espaços onde as atividades de lazer são exibidas. Transformando o lazer em um ato performativo e de busca por monetização.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Assim como quando Nietzsche olha para o abismo e ele olha de volta, o usuário da rede social olha para a imagem midiática, a imagem midiática olha para ele, em um ato punitiv</strong>o.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O panóptico foucaultiano foi internalizado</strong>. Este fenômeno pode levar a uma sensação de obrigação de &#8220;fazer lazer&#8221; de maneira produtiva e visível, o que, por sua vez, assassina a essência do lazer como uma oportunidade para desacelerar e desfrutar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Percebe-se, enfim, que o contexto social contemporâneo conduz o indivíduo a um ciclo incessante de trabalho, a um ritmo cada vez mais acelerado e mecanizado. A máscara do colaborador, necessária para a adaptação ao ambiente externo, transforma-se em uma casca dura, sufocando a alma e privando-a de respirar, de viver plenamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-angustia-e-oportunidade">Angústia e oportunidade</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse ínterim, a angústia, fruto de um intenso aperto interno, emerge como um alerta contínuo da necessidade de nos reconectarmos com nossa essência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a ideia de &#8220;oportunidade&#8221;, inicialmente ligada à máscara do colaborador, deve ser ressignificada para se alinhar com a alma, trazendo à tona a respiração, o sopro de vida. É imperativo para a autonomia do indivíduo que o foco não seja apenas na produtividade, mas também no espaço para a reflexão, a criatividade e a diversidade de experiências de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a atual concepção de lazer é desafiada pela lógica da produtividade. Lógica essa que insidiosamente se infiltra até mesmo em nossos momentos de descanso. Ao invés de ser um momento de descompressão, o lazer torna-se outro palco para a performance e a autopromoção, uma vez que a sociedade panóptica nos impele a estar constantemente vigiados e a exibir nossas vidas nas redes sociais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-cabe-nos-questionar-e-refletir-sobre-esses-modelos-impostos">Cabe-nos questionar e refletir sobre esses modelos impostos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A máscara do colaborador é necessária, mas não pode ser a única face da existência. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Oportunidades, em sua essência mais pura, devem estar alinhadas à alma, ao sopro de vida. O lazer precisa ser recuperado como um tempo livre, como um espaço para a reflexão e a recuperação, não apenas outra arena para a demonstração de produtividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reconhecer a necessidade de harmonia, dar voz à angústia e resgatar os alimentos da alma são passos fundamentais para a construção de uma existência mais plena, autêntica e integrada. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Enfim, em vez de ser meramente um colaborador sobrevivente na deriva oceânica do neoliberalismo, é necessário reivindicar nossa condição como seres humanos cheios de multiplicidade, capazes de navegar com consciência e propósito nas águas tumultuadas do mundo contemporâneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Membro Analista em Formação: <strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/leostorres/">Leonardo Torres</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Membro Analista Didata: <strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi</a></strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Trabalho e Lazer: entre a máscara brilhante e a alma suicida | Leonardo Torres" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/R1QspsdC7Ag?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>REFERÊNCIAS: </strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">FOUCAULT, Michel.&nbsp;Vigiar e Punir: o nascimento da prisão. 20ª ed. São Paulo: Vozes, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. 2. ed. ampliada. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Obras Completas. Petrópolis: Vozes.</p>



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		<title>Trabalho, identidade e realização pessoal</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/trabalho-identidade-e-realizacao-pessoal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mauro Angelo Soave Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jul 2022 19:18:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Não Categorizado]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carreira]]></category>
		<category><![CDATA[mercado de trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[realização pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[realização profissional]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo procura explorar e refletir sobre a relação da humanidade com o trabalho. Essa atividade já foi sinônimo de tortura, de punição divina mas hoje é vida com viés de identidade e auto-realização. Mas movimentos como a Grande Resignação mostram que sempre estamos em busca de rever nossa relação com o trabalho.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A profissão e/ou o trabalho são parte importante da nossa vida adulta, desde crianças somos questionados sobre “o que queremos ser quando crescer”. Pensando que, se quando crescermos não trabalharmos, não somos talvez adultos ou cidadãos. Trabalho vem do latim <em>“tripalium”, </em>que é o nome de um instrumento de madeira de três pontas, usado para trabalhos agrícolas ou para tortura.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Por muito tempo o significado de trabalho foi associado a fardo e sacrifício. Na Grécia Antiga, o trabalho era desprezado pelos cidadãos livres. Platão considerava o exercício das profissões vil e degradante. Nos primeiros tempos do cristianismo, o trabalho era visto como tarefa penosa e humilhante, como punição para o pecado. Ao ser condenado, Adão teve por expiação trabalhar para ganhar o pão com o suor do seu próprio rosto (RIBEIRO E LEDA, 2004).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Observando essa concepção do trabalho como castigo divino ou tarefa menos digna, vemos que o ser humano sempre teve uma relação complicada com o trabalho. Essa visão perdura até hoje, pois o trabalho intelectual é visto como nobre e elevado, enquanto o trabalho braçal é visto como algo de menos valia. Não é a toa que o trabalho braçal até pouco tempo atrás era destinado à mão de obra escrava.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A concepção de trabalho como fonte de identidade e autorrealização humana, foi constituída a partir do Renascimento. [&#8230;] A partir dessa época, uma outra visão passou a vigorar, concebendo o trabalho não mais como uma ocupação servil. Longe de escravizar o homem, entende-se que propicia o seu desenvolvimento, preenche a sua vida, transforma-se em condição necessária para a sua liberdade (RIBEIRO E LEDA, 2004).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não à toa, muitas vezes somos identificados com ou pelo nosso trabalho. Até pouco tempo, a profissão era uma espécie de prefixo identitário, dizendo qual o papel daquela pessoa na sociedade. Ou ainda, quem nunca fez ou ouviu a pergunta: O que (você) faz da vida? Como se o único fazer da vida estivesse ligado ao valor produzido ou ao trabalho realizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A categoria trabalho não pode ser pensada como natural ou a-histórica. O trabalho impregnado de toda uma subjetividade, inserido em um contexto econômico/ político/ social com tantas diversidades, leva os indivíduos a terem vivências bastante distintas. Ao longo dos tempos, identifica-se duas visões contraditórias do trabalho que convivem nos mesmos espaços, e por vezes, um mesmo indivíduo revela sentimentos ambíguos em relação a sua vida profissional (RIBEIRO e LEDA, 2004).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas visões apresentadas dizem respeito às concepções de trabalho como sofrimento, castigo, obrigação ou como gerador de valor pessoal, fonte de satisfação, crescimento e dignidade (“O trabalho dignifica o homem”). E como falado as vezes essas duas concepções ocorrem ao mesmo tempo no indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Profissão, vem da palavra professar, do latim, “professio, onis”, cujo sentido é ensinar. É a mesma origem da palavra professor. Professar também tem o significado de declaração ou confissão pública<a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a>. Professar também é um ato de fé e o trabalho com a fé, é chamado de vocação. Vocação é o chamado, pois entende-se que nem todo mundo pode ser um trabalhador da fé.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antigamente a profissão era parte da herança familiar. Hoje temos a “possibilidade” de escolha, mas ainda assim há fatores culturais e socioeconômicos envolvidos, portanto, muitas vezes essa escolha é limitada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estando em contato com nosso chamado a vida é mais fluida, os estresses não pesam e se luta o bom combate. Aí é que reside a diferença entre trabalho e profissão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de 39% dos brasileiros têm interesse em mudar de carreira ou profissão<a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a>: Perspectiva de maior remuneração, desejo de inovar ou aprender algo novo, busca de realização pessoal e expectativa de uma melhor qualidade de vida foram os motivos apontados. Ou seja, para 39% o trabalho ainda tem o teor mais prevalente de castigo do que de realização pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Achei interessante inclusive observar que a maioria dos textos que li sobre transição de carreira falam que é uma crise que se apresenta por volta dos 40 anos de idade, quando já se teve a oportunidade de viver uma parte da vida profissional. No entanto, parece que esse fenômeno tem se dado cada vez mais cedo. Sair de uma área que, você já possui experiência, conhece pessoas, domina técnicas, é remunerado e possui história para mergulhar numa nova profissão não é uma tarefa simples, nem fácil. Ouvir o chamado é um ato de coragem e de ir encontro ao Si-mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A crise de meio de carreira parece ser mais comum entre os 40 e 50 anos de idade, não coincidentemente o período apontado como metanoia por Jung. Esse processo pode se iniciar aos 30 anos. Nessa idade, o indivíduo se volta ao desenvolvimento de aspectos inconscientes. E atualmente os jovens abaixo de 30 anos são os que mais se demitem voluntariamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Não coincidentemente, essas idades têm a ver com o processo de intensificação do autoconhecimento, o voltar-se para dentro e conhecer a si mesmo, levando então o indivíduo a buscar sentido em sua vida, de acordo com sua vocação, seu chamado. A adaptação à transição de carreira na meia idade emerge como uma oportunidade para a reavaliação de valores individuais na esfera do trabalho e para a construção de um caminho que promova a expressão do novo autoconceito profissional (QUISHIDA e CASADO, 2009).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O homem deve ser levado a adaptar-se em dois sentidos diferentes, tanto à vida exterior – família, profissão, sociedade – quanto às exigências vitais de sua própria natureza. Se houve negligência em relação a qualquer uma dessas necessidades, poderá surgir a doença. (JUNG, 2014, v. 17, par. 172).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há atualmente em curso um movimento, principalmente nos países ricos, mas que já começa a apresentar seus sinais por aqui, chamado de A Grande Resignação<a href="#_ftn3" id="_ftnref3">[3]</a>. Trata-se de um movimento coletivo, não organizado, em que as pessoas estão pedindo demissão voluntariamente de seus empregos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos mostram que a Grande Resignação veio como resposta às condições de trabalho precárias, que foram percebidas principalmente durante a pandemia. Quem se isolou nesse período, percebeu como a vida não pode ser segmentada. Em um mesmo ambiente, no caso, nossas casas, tivemos lar, escritório, escola, faculdade, etc, tal qual acontece em nossa “casa” interna. No entanto, durante a pandemia, tudo isso passou a ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo aumentando a sensação de esgotamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o trabalho na pandemia trouxe em muitos casos um desejo maior de ficar em casa, de se ter vida com maior qualidade, estar mais próximo da família ou até mesmo ter mais tempo para si. Nesse sentido, o dilema viver para trabalhar ou trabalhar para viver se apresenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O trabalho não pode ser uma negatividade da vida, mas, muito pelo contrário, sua expressão, coisa que o capitalismo, em suas mais variadas versões apresentadas no decorrer da história, não permitiu que ocorresse. Eis a Esfinge que cabe ao homem contemporâneo decifrar, para não ser definitivamente devorado por ela (HELOANI e CAPITÃO, 2003).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos apontam que 32% dos trabalhadores brasileiros apresentam sintomas da Síndrome de Burnout, ou de esgotamento profissional<a href="#_ftn4" id="_ftnref4">[4]</a>. Muitas pessoas deixaram de considerar o trabalho como a prioridade das suas vidas e passaram a ver a vida como a prioridade das suas existências. O constante estresse causado pela cobrança por uma produtividade, medo do desemprego, por outro lado, faz com que se aceite trabalhar em condições cada vez mais precárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>As condições e as exigências do mercado de trabalho na atualidade rotinizam e amortecem o sentido da vida, deixando no corpo as marcas do sofrimento, que se manifestam nas mais variadas doenças ditas ocupacionais, além de atentar contra a saúde mental, em especial quando o psiquismo anquilosado em sua mobilidade faz com que a mente seja absorvida em formas de evitação do sofrimento (HELOANI e CAPITÃO, 2003).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A mais nova música da Beyoncé – Break My Soul (Despedaçar Minha Alma) (https://youtu.be/yjki-9Pthh0), inclusive, diz-se que pode ser o hino dessa era e suspeita-se que tem inclusive incentivado as pessoas a pedirem demissão ao invés de perderem sua alma para o trabalho. Diz a música:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Eu vou encontrar uma nova motivação/ droga, me fazem trabalhar tanto/ Às nove no trabalho, saio depois das cinco/ E forçam meus nervos, por isso não durmo à noite<a href="#_ftn5" id="_ftnref5"><strong>[5]</strong></a></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A meu ver há em curso um movimento, uma nova busca de significado pelo trabalho, individual e coletivamente. O cansaço não é apenas individual, mas faz parte de um movimento coletivo de pensar nosso papel na sociedade e o papel do trabalho em nossa vida consequentemente. Longe de trabalhar apenas para viver, queremos trabalhar para significar. Além disso, não devemos ser criados para o trabalho e sim para a vida, pois não somos apenas aquilo com que trabalhamos, mas podemos trabalhar com o que somos de melhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mauro Angelo Soave Junior – Membro Analista em Formação do IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E. Simone Magaldi – Analista didata do IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. O.C. XVII, O desenvolvimento da personalidade. Petrópolis. Vozes, 2014</p>



<p class="wp-block-paragraph">HELOANI, José R. e CAPITÃO, Cláudio G. Saúde Mental e Psicologia do Trabalho. In: São Paulo em Perspectiva, v.17, n.2, p.102-108, 2003</p>



<p class="wp-block-paragraph">QUISHIDA, Alessandra; CASADO, Tania Adaptação à transição de carreira na meia-idade Revista Brasileira de Orientação Profissional, vol. 10, núm. 2, 2009, pp. 81-92</p>



<p class="wp-block-paragraph">RIBEIRO, Carla Vaz dos Santos; LEDA, Denise Bessa. O significado do trabalho em tempos de reestruturação produtiva.<strong>&nbsp;Estud. pesqui. psicol.</strong>,&nbsp; Rio de Janeiro ,&nbsp; v. 4,&nbsp;n. 2,&nbsp;dez.&nbsp; 2004 . &nbsp; Disponível em &lt;http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1808-42812004000300006&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. acessos em&nbsp; 29&nbsp; jun.&nbsp; 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UVALDO, Maria da Conceição Coropos. Tecendo a trama identitária: um estudo sobre mudanças de carreira. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">VELOSO, Elza Fátima Rosa. Decisões na transição interprofissão: um modelo de orientação de mudanças de carreira. Tese de Livre-Docência, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> https://www.dicio.com.br/profissao/</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a>https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2022/02/19/quer-mudar-de-carreira-ou-emprego-em-2022-veja-pontos-para-avaliar.ghtml</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref3" id="_ftn3">[3]</a>https://www.istoedinheiro.com.br/o-que-e-a-grande-resignacao-e-como-ela-pode-mudar-os-paises-ricos/</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref4" id="_ftn4">[4]</a> https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/burnout-e-reconhecido-pela-oms/</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref5" id="_ftn5">[5]</a> https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/06/22/nova-cancao-de-beyonce-representa-grande-resignacao-de-geracao-de-trabalhadores-nos-eua.ghtml</p>
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		<title>Troquei de emprego porque não suportava meu chefe, mas não adiantou nada, parece que ele me persegue como se fosse minha sombra!</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/troquei-de-emprego-porque-nao-suportava-meu-chefe-mas-nao-adiantou-nada-parece-que-ele-me-persegue-como-se-fosse-minha-sombra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Dulce Kurauti]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Jun 2019 12:22:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
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		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[quero me demitir]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A importância de um bom relacionamento com o chefe é óbvia, pois está nas mãos dele as principais decisões que definem o destino da carreira do profissional, apesar deste último ser quem tem que se empenhar para desenvolver seu potencial ao máximo e melhorar seus pontos fracos, para atender às expectativas do seu cargo, é [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A importância de um bom relacionamento com o chefe é óbvia, pois está nas mãos dele as principais decisões que definem o destino da carreira do profissional, apesar deste último ser quem tem que se empenhar para desenvolver seu potencial ao máximo e melhorar seus pontos fracos, para atender às expectativas do seu cargo, é o chefe quem ao final de um período vai dizer se esse esforçoo será recompensado com uma promoção e aumento de salário, se será necessário um tempo maior de espera por isso ou se infelizmente ele não será mantido na empresa. O gestor tem o poder levar o profissional tanto para o céu quanto para o inferno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existe uma crença amplamente difundida de que um fator importante para um bom relacionamento no ambiente de trabalho é separar a vida profissional da pessoal, uma atitude que se tenta praticar com bastante afinco, mas que é muito difícil de ser mantida, considerando primeiro, que o tempo que se passa no trabalho é longo demais e segundo, que este ambiente é altamente propício a situações de pressão, cobrança, é praticamente impossível manter o papel do profissional cem por cento do tempo, se tornando um terreno favorável para que características negativas da personalidade apareçam de forma descontrolada, impulsiva, sem que a pessoa se dê conta do que está acontecendo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E justamente nesses momentos de pressão, o colaborador começa a perceber no gestor traços de personalidade que ele acha insuportáveis, desprezíveis, como por exemplo, inflexibilidade, intolerância, rudeza no trato da equipe. Essas características incomodam a tal ponto que a melhor forma de resolver a questão parece ser arranjar um novo emprego onde se possa trabalhar com alguém totalmente diferente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após investir um tempo na busca por um novo emprego, finalmente se encontra um em que o gestor não lembra em nada o anterior e uma nova jornada se inicia. No começo tudo parece correr satisfatoriamente e dá a entender que a decisão pela troca foi a melhor coisa a ser feita.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém uma sensação desagradável começa a surgir à medida que o tempo passa e que as situações de conflito e tensão acontecem. Novamente começa a se perceber os mesmos comportamentos desagradáveis do chefe anterior no atual e a situação se agrava a tal ponto que parece haver até semelhança física entre os dois. Então não demora muito para &nbsp;se chega a terrível conclusão de que a tentativa de fugir do problema foi mal sucedida, pois se tem nítida sensação de se trocou de emprego mas não de chefe, como se ele o perseguisse como sua sombra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de racionalmente essa afirmação soar estranha, sob a perspectiva da psicologia junguiana existe uma explicação bem simples para o que está acontecendo, essa situação pode ser um exemplo de projeção da sombra, ou seja, a pessoa está enxergando no outro características que ela nega, não quer reconhecer como suas por serem inferiores, desprezíveis, negativas. Para não ter que conviver com esse lado indesejado de si mesmo esse conteúdo é rebaixado para um lado sombrio da personalidade, uma camada do inconsciente, fazendo com que se tenha impressão ilusória de que desapareceram. Porém como é parte integrante do indivíduo, existe um esforço natural do inconsciente para mostrar esse lado indesejado que todos temos e a projeção é um das possíveis maneiras de se realizar essa tarefa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No livro &#8220;Ao Encontro da Sombra&#8221;&nbsp;(ZWEIG e ABRAMS, 2006)&nbsp;em que vários autores publicaram textos referentes à sombra sob a perspectiva junguiana, William a. Miller escreve sobre as várias formas em que se pode perceber a sombra de uma pessoa na vida cotidiana, e sobre a projeção ele escreveu:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A projeção é um&nbsp; mecanismo inconsciente que usamos sempre&nbsp; que é ativado&nbsp; um&nbsp; traço ou característica&nbsp; da nossa personalidade que não está relacionado&nbsp; com&nbsp; a consciência. Como resultado da projeção inconsciente, observamos esse traço pessoal nas outras pessoas&nbsp; e reagimos a ele. Vemos nos&nbsp; outros algo que é parte de nós, mas que deixamos de ver em&nbsp; nós.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto esse encontro com a sombra for evitado, seja pela negação da sua existência ou por um esforço da vontade, o inconsciente vai trabalhar com a mesma intensidade dessas forças no sentido oposto, ou seja, para levar a luz da consciência essa parte sombria, causando desconforto, conflitos e angústias até que o indivíduo entenda que negar a sombra é um esforço em vão e que para se tornar uma pessoa completa é preciso integrá-la a personalidade, tornar-se amiga dela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro passo na direção da amizade com a sombra é reconhecer que ela existe, que aquela boa imagem que construímos de nós mesmos e mostramos para o mundo é uma ilusão. O próximo é identificar as características negadas de nós mesmo que precisam fazer parte da nossa personalidade. Uma forma de fazer isso é trabalhar com o material identificado na projeção, listando aquilo que mais odiamos, detestamos, desprezamos nos outros, neste caso, no chefe e refletir sobre como trazer esse conteúdo para consciência de uma forma que não seja impulsiva e descontrolada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vale lembrar que a projeção só funciona porque o outro apresenta condições para ela se &#8220;colar&#8221;, ou seja, o outro realmente tem os &#8220;defeitos&#8221; que se vê nele, porém por conta da projeção da sombra eles tomam dimensões desproporcionais à realidade levando da mesma forma a reações exageradas da parte de quem está se vendo no outro. Assim, &nbsp;ao se tornar amigo da sombra, provavelmente não se deixará de ver no chefe tudo aquilo que antes incomodava tanto, o que muda é o tamanho do incômodo causado, permitindo uma relação com o chefe mais realista, livre da interferência de algo criado por nós mesmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dulce Ayako Kurauti</p>



<p class="wp-block-paragraph">Especialista em psicologia junguiana e analista em formação pelo IJEP, especializanda&nbsp; em Arteterapia e Expressões Criativas pelo IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tel.: (11)99961-7090 email:&nbsp;dulce_kurauti@hotmail.com</p>



<p class="wp-block-paragraph">Consultório na Vila Mariana</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referência</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZWEIG, C.; ABRAMS, J.&nbsp;Ao encontro da sombra. São Paulo: Cultrix, 2006.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Dulce Ayako Kurauti</em></strong></h4>
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