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	<title>Arquivos violência de gênero - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Tue, 09 Jun 2026 18:22:15 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos violência de gênero - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Caso ela diga não: as bases psicológicas da agressividade masculina</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/caso-ela-diga-nao-as-bases-psicologicas-da-agressividade-masculina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriela Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 20:28:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[Casamento]]></category>
		<category><![CDATA[caso ela diga não]]></category>
		<category><![CDATA[Complexo Materno]]></category>
		<category><![CDATA[inconsciente]]></category>
		<category><![CDATA[james hollis]]></category>
		<category><![CDATA[masculino]]></category>
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		<category><![CDATA[violência contra as mulheres no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
		<category><![CDATA[violência nos relacionamentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma análise sobre a agressividade masculina a partir de uma tendência digital violenta, interpretando-a como o sintoma de uma sombra coletiva enraizada na repressão emocional. Argumenta-se que a sociedade restringe o repertório sentimental dos homens, legitimando apenas a raiva como expressão aceitável, o que mascara um profundo medo da vulnerabilidade e uma dependência de símbolos de controle.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/caso-ela-diga-nao-as-bases-psicologicas-da-agressividade-masculina/">Caso ela diga não: as bases psicológicas da agressividade masculina</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: Uma análise sobre a agressividade masculina a partir de uma tendência digital violenta, interpretando-a como o sintoma de uma sombra coletiva enraizada na repressão emocional. Argumenta-se que a sociedade restringe o repertório sentimental dos homens, legitimando apenas a raiva como expressão aceitável, o que mascara um profundo medo da vulnerabilidade e uma dependência de símbolos de controle.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“<strong>Caso ela diga não</strong>” foi um conjunto de vídeos de grande alcance, que se popularizou recentemente as redes sociais. Neles um homem simula um pedido de casamento que tem como resposta uma negativa. Em seguida, o suposto noivo esmurra e chuta violentamente um objeto que, na encenação, representa a mulher. Longe de uma simples ‘brincadeira’ de internet, essa trend ilustra uma realidade de violência dirigida a imagem do feminino.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nos 4 ou 5 minutos em que você lerá esse artigo, uma média de 170 mulheres passarão por algum tipo de agressão física</strong>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídios, registrando a marca de 4 mulheres mortas por dia simplesmente por serem mulheres. Dados estes que não representam apenas números isolados, mas o sintoma de uma patologia social profunda.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mês de março, tradicionalmente dedicado à celebração das lutas e conquistas femininas, encerrou-se sob o peso de duras notícias. Eventos como a viralização dessas <em>trends</em> e os casos de violência real, como estupros coletivos, evidenciam a profundidade de nossa sombra coletiva, revelando o quanto ainda precisamos avançar para que o simbolismo do 8 de março não seja ofuscado pela persistente agressividade direcionada a mulher.</p>



<h2 id="h-quando-se-trata-de-violencia-contra-a-mulher-as-acoes-perpetradas-nao-vem-de-longe-vem-em-grande-parte-das-vezes-de-parceiros-e-companheiros-proximos-nbsp" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Quando se trata de violência contra a mulher, as ações perpetradas não vêm de longe. Vêm, em grande parte das vezes, de parceiros e companheiros próximos.&nbsp;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Então surgem questionamentos comuns do porquê da continuidade do vínculo abusivo por parte da mulher ou como esta mulher pode escolher tal parceiro, recaindo o julgamento sobre aquela que vivencia a agressão. Ou ocorre um reducionismo em rotular o agressor como um &#8216;monstro&#8217; e um &#8216;louco&#8217;. Entretanto quais seriam os movimentos psíquicos inconscientes por detrás desses atos?</p>



<h2 id="h-reconhecemos-a-violencia-atestamos-os-numeros-mas-o-que-esta-no-interior-de-quem-comete-tais-atitudes-o-que-acontece-no-interior-da-psique-masculina" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Reconhecemos a violência, atestamos os números, mas o que está no interior de quem comete tais atitudes? O que acontece no interior da psique masculina?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, no lugar de nos restringirmos a uma visão simplista, este breve estudo caminhará para a análise das dinâmicas do mundo interno, assim como observará os movimentos psíquicos inconscientes, que sustentam essa realidade, deslocando a atenção para o âmago da psique masculina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">James Hollis escreve em <em><strong>Sob a sombra de Saturno</strong></em> que os homens vivem sob uma pesada sombra saturnina, fazendo referência ao titã grego conhecido como Crono ou o Saturno, na versão romana. Este era o deus da agricultura, que participa da criação, por uma face, e por outra, liga-se a histórias sangrentas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Filho de Urano e Géia, Crono assume o poder castrando o próprio pai. Este dominado pelo temor diante do potencial de sua própria descendência, rejeitava seus filhos e aprisioná-los no ventre da Terra. Diante dessa opressão, Géia forjou uma foice e instigou Crono a confrontar a autoridade paterna. O golpe desferido por Crono, que resultou na castração de Urano, deu origem a dois fenômenos: do sangue fecundado na terra nasceram os gigantes, enquanto da espuma do esperma lançado ao mar emergiu Afrodite. Entretanto, ao substituir o pai, Crono-Saturno replicou a mesma trajetória tirânica. Ele passa a devorar seus filhos com Réia, dos quais apenas um, Zeus, consegue escapar com ajuda da astúcia materna. A inevitável revolta de Zeus culminou em uma guerra de dez anos que, embora tenha instaurado forças civilizadoras, não rompeu o ciclo: o novo soberano também sucumbiu ao complexo de poder, tornando-se, por sua vez, um dominador.</p>



<h2 id="h-aqui-a-mitologia-e-tomada-como-simbolo-de-movimentos-psiquicos-nbsp-olhando-para-a-parte-inconsciente-e-arquetipica-muitos-homens-ate-hoje-sao-nbsp-governados-por-esse-exato-padrao-de-medo-e-um-legado-psicologico-saturnino" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Aqui a mitologia é tomada como símbolo de movimentos psíquicos.&nbsp;Olhando para a parte inconsciente e arquetípica, muitos homens até hoje são&nbsp;governados por esse exato padrão de medo. É um legado psicológico saturnino.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A ponte entre mitologia e atualidade está na percepção de ameaça ao controle. O legado de Crono-Saturno impõe culturalmente ao homem provar o seu valor constantemente por meio da dominação.&nbsp;Entretanto essa necessidade de controle funciona muito mais como uma armadura diante de uma vida governada pelo medo. Por baixo dessa defesa, escondido no inconsciente, existe um terror paralisante do fracasso, de parecer fraco ou impotente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então a agressividade física ou verbal não é uma demonstração de força real, e sim mecanismo de defesa desesperado guiado pelo medo de perder o ‘trono’, dentro de uma ilusão de poder sobre as outras pessoas. E no caso observado no presente artigo, sobre as mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há um medo profundo, e, grande parte das vezes, ignorado pela consciência. Além das expectativas sociais restritivas, em que é exigido aos homens a competição, a não demonstração de fraqueza, e, destacadamente, a necessidade de nunca perder o poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O senso de valor do homem contemporâneo raramente deriva de sua essência ou do simples fato de existir. Pelo contrário, seu valor é condicionado à produção, ao <em>status</em> e ao controle exercido sobre o ambiente e sobre o outro. Então quando uma falha profissional ocorre ou há a perda de domínio em um relacionamento, isso não é sentido apenas como contratempos cotidianos, mas como ameaças existenciais. O medo atinge, por assim dizer, uma esfera de temor da aniquilação do ego.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os homens não são chamados a cultivar o princípio <em>Eros</em>, que está relacionado ao amor, aos vínculos, à conexão íntima. São empurrados para esse campo do trabalho, da prontidão, para uma postura combativa e de preocupação constante. Resta-se, assim, a retirada do afeto. Na ausência de <em>Eros</em>, o que sobra é a busca desmedida pelo poder. O temor existencial consome o masculino destituído de ritos e símbolos.</p>



<h2 id="h-neste-ponto-emerge-algo-paradoxal-se-a-figura-masculina-detem-historicamente-hegemonia-e-destaque-nos-campos-social-politico-e-financeiro-por-que-a-psique-do-homem-evidencia-tal-fragilidade-na-pratica" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Neste ponto, emerge algo paradoxal: se a figura masculina detém historicamente hegemonia e destaque nos campos social, político e financeiro, por que a psique do homem evidencia tal fragilidade na prática?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Essa contradição sugere uma profunda discrepância entre a persona de autoridade e a frágil condição do mundo interno. É como se, metaforicamente, observássemos uma árvore de copa frondosa sustentada por raízes superficiais. Existe a projeção na esfera externa de uma imagem de expansão e domínio. Muito embora, na parte interna, não exista um aprofundamento no solo da própria subjetividade. Quando sopra o vento de uma crise pessoal ou uma rejeição é experimentada, a árvore é arrancada por inteiro ou seu tronco é partido pela rigidez egóica. Não há o enraizamento necessário para sustentar a estrutura e o peso de sua própria existência diante da adversidade.</p>



<h2 id="h-hollis-descreve-que-os-homens-carregam-oito-segredos" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Hollis descreve que os homens carregam oito segredos:</h2>



<ol class="wp-block-list">
<li><em>A vida dos homens é tão governada por expectativas restritivas com relação ao papel que devem desempenhar quanto a vida das mulheres.</em></li>



<li><em>A vida dos homens é basicamente governada pelo medo.</em></li>



<li><em>O poder do feminino é imenso na organização psíquica dos homens.</em></li>



<li><em>Os homens conluiam-se numa conspiração de silêncio cujo objetivo é reprimir sua verdade emocional.</em></li>



<li><em>O ferimento é necessário porque os homens precisam abandonar a Mãe e transcender o complexo materno.</em></li>



<li><em>A vida dos homens é violenta porque suas Almas foram violadas.</em></li>



<li><em>Todo homem carrega consigo profundo anseio pelo seu pai e pelos seus Pais tribais.</em></li>



<li><em>Para que os homens fiquem curados, precisam ativar dentro de si o que não receberam do exterior.</em></li>
</ol>



<h2 id="h-no-sexto-deles-e-apontado-a-violacao-da-alma-masculina-mas-violada-como-no-sentido-de-que-a-cultura-exige-aos-homens-cortarem-partes-deles-mesmos-os-ferimentos-do-masculino-manifestam-se-no-que-hollis-denomina-assassinios-da-alma" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">No sexto deles, é apontado a violação da alma masculina. Mas violada como? No sentido de que a cultura exige aos homens cortarem partes deles mesmos. Os ferimentos do masculino manifestam-se no que Hollis denomina &#8216;assassínios da alma&#8217;.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Como sociedade, perdemos os rituais de passagem. Em outros tempos, existiam espaços para ensinar o homem a lidar com o luto, com a dor e com fracasso, por exemplo. Mas, historicamente, dentro de uma construção patriarcal, o desenvolvimento do masculino é pautado pela repressão sistemática da vulnerabilidade. Ao menino, é negado o direito ao choro e à expressão de dor e de sensibilidade, por exemplo. É muito comum rotular-se uma simples manifestação de afeto como um sinal de debilidade. Essa educação, que reprime a esfera emocional, gera uma desconexão paulatina do indivíduo com sua própria subjetividade.</p>



<h2 id="h-sem-recursos-simbolicos-para-transformar-o-sofrimento-em-sentido-os-ferimentos-tornam-se-destrutivos-ao-inves-de-iniciaticos" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Sem recursos simbólicos para transformar o sofrimento em sentido, os ferimentos tornam-se destrutivos, ao invés de iniciáticos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Neste ponto, um dos poucos sentimentos socialmente aceitos para o masculino é a raiva, que aparece como via de escoamento do desconforto experimentado. A alma violada, ao ser silenciada e obrigada a suportar a dor em isolamento, acumula uma raiva, que atinge patamar da ira, transbordando em depressão, somatizações ou, frequentemente, na projeção paranoica de sua sombra sobre alvos convenientes: mulheres, crianças e outros homens (HOLLIS, p. 143).</p>



<h2 id="h-quando-se-deixa-de-nutrir-a-alma-nesta-negligencia-em-relacao-ao-cultivo-da-vida-animica-ocorre-uma-deterioracao-do-contato-com-o-mundo-interno" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Quando se deixa de nutrir a alma, nesta negligência em relação ao cultivo da vida anímica, ocorre uma deterioração do contato com o mundo interno.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-quando-se-deixa-de-nutrir-a-alma-nesta-negligencia-em-relacao-ao-cultivo-da-vida-animica-ocorre-uma-deterioracao-do-contato-com-o-mundo-interno-no-caso-dos-homens">No caso dos homens, esse distanciamento frequentemente culmina na projeção de conteúdos internos não elaborados sobre a figura feminina, que passa a carregar o peso das demandas e carências da alma masculina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa dinâmica de projeção acaba por despertar um medo arcaico do feminino. Trata-se de uma força ameaçadora da autonomia do ego, que tem suas raízes na primeira infância. Nesse estágio, a figura materna transcende a função de cuidadora. Ela passa a encarnar o próprio arquétipo da vida. É um poder literal sobre a vida e a morte daquela criança. A dependência é vital, pois dela emanam tanto a saciedade quanto a fome, o acolhimento ou o abandono.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, pela perda de ligação com o mundo simbólico e a fragmentação dos rituais de passagens significativos, esse cordão umbilical não é rompido. O indivíduo assim carece de um marco de transição. O menino, por vezes, não atinge o desmame emocional necessário, permanecendo vinculado à imagem de potência geradora e, simultaneamente, temendo ser devorado ou subjugado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando ainda persiste esse gênero de ligação com a figura materna, o adulto, mesmo com uma persona muito bem adaptada e de reconhecimento social, permanece, no lado inconsciente, como uma criança buscando a aprovação divina da mãe, que é projetada facilmente na figura da companheira amorosa, por exemplo.</p>



<h2 id="h-ocorre-uma-projecao-da-mae-primordial-gigantesca-da-infancia" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><strong>Ocorre uma projeção da mãe primordial gigantesca da infância.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Desde modo, ele não consegue olhar para a mulher real, que é um ser humano falho, vulnerável, com vontades próprias. Inconscientemente, é sentida uma força capaz de validar a existência dele ou de o destruir e o abandonar. Mas isso tem a capacidade de criar uma ambivalência. Por um lado, tem-se uma necessidade infantil de cuidado materno, de ser mimado, de não ser questionado. Por outro lado, há um terror absoluto de ser controlado, de ser engolido ou rejeitado por essa imagem feminina enorme, que o próprio homem projetou inconscientemente na mulher.</p>



<h2 id="h-quando-o-homem-ferido-olha-para-a-mulher-atraves-desta-lente-psiquica-distorcida-e-adoentada-e-dificil-processar-um-nao-como-no-exemplo-da-trend-de-uma-recusa-ficticia-do-pedido-de-casamento" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Quando o homem ferido olha para a mulher através desta lente psíquica distorcida e adoentada, é difícil processar um ‘não’, como no exemplo da <em>trend</em> de uma recusa fictícia do pedido de casamento.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O ‘não’ toma outras proporções e conversa com este medo inconsciente. Não se vê o outro que está na frente como ser independente, mas surge o ímpeto de controlar aquilo que ele, inconscientemente, ainda percebe como uma força soberana sobre sua própria vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse ponto, a violência se manifesta como um sintoma central, em que as questões levantadas ao longo do texto se articulam. Tudo converge para este núcleo paralisante da falha. Juntamente com isso, ocorre a ausência de conexão com o mundo interno para saber lidar com a dor da perda e, fundamentalmente, o terror diante do poder feminino, que detém a capacidade de rejeitá-lo. Quando esses conteúdos não encontram espaço para elaboração interna, eles transbordam de forma destrutiva, transformando o quadro psíquico em agressão física.</p>



<h2 id="h-a-violencia-contra-a-mulher-e-o-desfecho-de-uma-serie-de-conflitos-internos-nao-resolvidos" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">A violência contra a mulher é o desfecho de uma série de conflitos internos não resolvidos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando esses sentimentos não são trabalhados, eles transbordam de forma destrutiva, transformando angústia em agressão física. Embora essa breve análise se disponha a olhar possíveis raízes psíquicas do problema, jamais justifica o ato, que permanece sendo criminoso. Para interromper esse sintoma coletivo, não basta apenas punir o comportamento. É necessário um trabalho interno, em que os homens enfrentem suas próprias dores em busca de uma base emocional sólida e de uma relação madura com o próprio mundo interno.</p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/lorenaoliveira/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/lorenaoliveira/">Lorena de Sousa Oliveira &#8211; Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências bibliográficas:</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, James. Sob a sombra de Saturno: a ferida e a cura dos homens. São Paulo: Paulus, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil. 5. ed. São Paulo: FBSP, 2025. Disponível em: https://publicacoes.forumseguranca.org.br/items/7c9f57aa-e7d6-4d96-8f11-768fe85a2084. Acesso em: 15 abr. 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEUMANN, Erich. O medo do feminino: e outros ensaios sobre a psicologia feminina. São Paulo: Paulus, 2000.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Violência contra pessoas LGBTQIA+: uma sombra materializada</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/violencia-contra-pessoas-lgbtqia-uma-sombra-materializada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mauro Angelo Soave Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 21:24:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: O presente ensaio busca uma reflexão sobre como a sombra pode se materializar em violências, usando como foco a população LGBTQIA+. O ensaio passeia pelos conceitos de sombra, projeção e complexo de bode expiatório, além do conceito das minorias psicológicas. Pessoas LGBTQIA+ têm 280% mais chances de sofrer algum tipo de agressão ou abuso [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: O presente ensaio busca uma reflexão sobre como a sombra pode se materializar em violências, usando como foco a população LGBTQIA+. O ensaio passeia pelos conceitos de sombra, projeção e complexo de bode expiatório, além do conceito das minorias psicológicas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pessoas-lgbtqia-tem-280-mais-chances-de-sofrer-algum-tipo-de-agressao-ou-abuso-durante-a-vida-couter-apud-souza-et-al-2022" style="font-size:19px">Pessoas LGBTQIA+ têm 280% mais chances de sofrer algum tipo de agressão ou abuso durante a vida (COUTER apud SOUZA et al, 2022).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Essas pessoas também apresentam uma tendência maior a quadros depressivos, ideações suicidas e abuso de substâncias. Enquanto por muito tempo se atribuiu esse quadro ao caráter e à individualidade, hoje é possível observar que o preconceito e a discriminação que sofrem na verdade causam, durante o decurso de uma vida, feridas que muitas vezes não cicatrizam. Isso porque recebem a projeção de sombra coletiva, que se materializa na violência implícita e explícita sofrida por essa parte da população.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Até hoje perdura uma crença &#8211; que permeia desde mentes individuais, e alguns segmentos da sociedade como a religião e até a ciência &#8211; de que a existência humana no campo afetivo-sexual só pode se dar de forma heterossexual e binária. Apesar de, historicamente, a humanidade apresentar grande diversidade em formas de ser e amar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-registros-historicos-e-mitos-mostram-que-a-homossexualidade-e-a-transexualidade-por-exemplo-existem-desde-que-a-humanidade-surgiu" style="font-size:19px">Registros históricos e mitos mostram que a homossexualidade e a transexualidade, por exemplo, existem desde que a humanidade surgiu.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Povos indígenas das Américas, da Ásia e da Oceania apresentavam classes de gênero além do masculino e feminino. Inclusive, alguns tendo uma espécie de terceiro gênero ou denominações específicas para pessoas homossexuais ou transgênero como os Dois-Espíritos na América do Norte, Mahu na Indonésia e Hijra na Índia (ROUGHGARDEN, 2004). Além da conhecida história da homossexualidade na Grécia antiga, chamada de pederastia, que consistia numa espécie de relação tutor-aluno.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O todo-poderoso Zeus, por exemplo, teve em Ganimedes um amante, levando-o para o Olimpo. Em outro momento ele e Hera utilizam o pobre profeta Tirésias como instrumento de disputa entre masculino e feminino. Outra figura mitológica que troca de gênero é Caeneus, uma mulher que ao ser violentada por Poseidon pede para se tornar um homem invencível/inviolável (BRANDÃO, 1987).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-muito-do-preconceito-contra-pessoas-lgbtqia-se-da-por-serem-pessoas-que-nao-vivem-de-acordo-com-a-norma-ou-com-o-que-se-considerou-por-muito-tempo-a-normalidade" style="font-size:19px">Muito do preconceito contra pessoas LGBTQIA+ se dá por serem pessoas que não vivem de acordo com a norma ou com o que se considerou por muito tempo a normalidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Essas pessoas, por destoarem do que se espera de uma pessoa seja no aspecto afetivo-sexual ou na identidade, sofrem com as projeções de sombra e com a manifestação da síndrome do bode expiatório.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A definição das normas de gênero ganha força no século XVIII com as críticas ao comportamento e a tentativa de criação de uma fronteira rígida entre o que é ser homem e mulher e entre o que é exclusivamente masculino e feminino. Desde então, passa-se a acreditar que certas atividades, vestimentas e costumes são exclusivos do homem ou da mulher, tornando aqueles que não se encaixam no padrão algo a ser corrigido ou eliminado. Isso sendo reforçado dioturnamente pela religião cristã quando falamos de civilização ocidental.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Associa-se então a pessoa que não se encaixa como problemática e essa camada da população passa a receber todo tipo de projeção coletiva, tornando-se o bode expiatório, principalmente em momentos de tensão e instabilidade. De alguma forma atribui-se ao desviado da norma a causa de catástrofes, como punição dos deuses. Isso pois, se entendia que era uma escolha da pessoa e uma afronta a Deus, mesmo que, sabemos hoje, ninguém escolhe ser LGBTQIA+, nasce-se assim.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-kurt-lewin-denominou-as-parcelas-da-populacao-mais-vulneraveis-aos-dissabores-coletivos-de-minorias-psicologicas" style="font-size:19px"><strong>Kurt Lewin</strong> denominou as parcelas da população mais vulneráveis aos dissabores coletivos de minorias psicológicas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Segundo Lewin, as características de uma minoria psicológica são a ausência de representatividade e autonomia, tendo seu destino coletivo atrelado a outro grupo, não necessariamente menos indivíduos em relação à população em geral, como é o caso das mulheres, por exemplo. Lewin cunhou sua teoria estudando os judeus durante a Primeira e a Segunda Guerra. Ele buscou entender os mecanismos psicológicos por trás da perseguição ao seu povo e as dinâmicas sociais intra e extra grupo (MAILHIOT, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Lewin também identificou que os grupos minoritários tendem a ser alvo de uma agressividade deslocada do grupo dominante ou de uma minoria privilegiada, que manobra as massas para direcionar sua violência a grupos desfavorecidos ou com poucas defesas. Apesar da atitude individual de pessoas ligadas à uma minoria ser usada muitas vezes como justificativa para o preconceito e a discriminação, a psicologia social e a teoria de Lewin apontam que na verdade a questão é coletiva, e muitas vezes não se justifica pelas razões mais comumente apresentadas como motivo de discriminação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-maioria-sempre-tem-interesse-em-barrar-a-aquisicao-de-direitos-e-privilegios-pelas-minorias" style="font-size:19px">A maioria sempre tem interesse em barrar a aquisição de direitos e privilégios pelas minorias.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Usando como exemplo os judeus que Lewin estudou, o autor aponta que em 400 anos os motivos de perseguição foram diversos, desde a religião no passado até a um preconceito baseado em teorias racistas com o advento do nazismo. Ele também aponta que é uma ilusão dos minoritários acreditarem que se forem bem-sucedidos serão aceitos pela maioria, na verdade, em momentos de crise serão os primeiros a serem perseguidos. Pode-se observar esse fenômeno também em relação às mulheres, que foram queimadas por anos em fogueiras, numa clara perseguição.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O fenômeno do <strong>bode expiatório</strong> consiste em identificar pessoas ou grupos como causadores do mal ou de delitos, responsabilizá-los por isso e expulsá-los da vida comunitária, negar direitos e às vezes até a própria humanidade, a fim de proporcionar ao restante da comunidade um sentimento de inculpabilidade e reconciliação com padrões coletivos. Proporciona aos membros da comunidade a sensação de segurança e de perfeição, uma certa identificação com o padrão divino e com o que é “correto”, tudo o que não se encaixa nesse padrão é taxado como demoníaco, no entanto, apenas atua como forma de negação da sombra, uma das maneiras mais conhecidas de se livrar da culpa, é criando bodes expiatórios (KAST, 2022; PERERA, 1991).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A população <strong>LGBTQIA+</strong> não é diferente. Assim como dito acima, pessoas assim existem desde sempre, porém, a relação da maioria para com elas é que se transforma. &nbsp;O que era punido por ser pecado, passa a ser crime e depois doença.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-nbsp" style="font-size:19px"><strong>Para Jung: &nbsp;</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Sentimo-nos satisfeitos porque a pessoa perversa cometeu o crime por nós. Este é o sentido profundo de Cristo, enquanto redentor, ter sido crucificado entre dois ladrões; eles também, à sua maneira, eram redentores da humanidade, eram os bodes expiatórios (JUNG, 2015a, §210).</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tudo-que-e-mau-e-inferior-que-nao-queremos-reconhecer-em-nos-mesmos-atribuimos-aos-outros-jung-2013b" style="font-size:19px">Tudo que é mau e inferior, que não queremos reconhecer em nós mesmos, atribuímos aos outros (JUNG, 2013b)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A negação da sombra na situação do bode expiatório é um desafio, pois o sacrifício ou a exclusão de tal figura representa a tentativa de controle do homem perante a natureza e as intempéries divinas, ao mesmo tempo que o adverte da sua impotência e desamparo. Para Jung (2016, §44) “<em>Preferem inventar o mundo heroico, além do bem e do mal, e cortam o nó górdio em vez de desatá-lo</em>”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-atualidade-essa-realidade-tem-entre-tropecos-avancado-na-maioria-dos-paises-do-mundo" style="font-size:19px">Na atualidade essa realidade tem, entre tropeços, avançado na maioria dos países do mundo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A OMS (Organização Mundial da Saúde), APA (Associação Americana de Psiquiatria), CFP (Conselho Federal de Psicologia) e CFM (Conselho Federal de Medicina) deixaram de categorizar a homossexualidade e a transexualidade como doenças, abrindo espaço para a inclusão e a aquisição de direitos, trazendo visibilidade à população. No entanto, não faltam violências reais e simbólicas contra esse grupo, como as malfadadas terapias de conversão praticadas por igrejas e estabelecimentos de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ainda paira na sociedade e, infelizmente parece estar em ascensão, a crença de que a não normatividade é a causa das mais diversas mazelas sociais e econômicas, com base em moralismos vazios e fazendo com que indivíduos se sintam à vontade para bradar impropérios dos mais absurdos contra a população LGBTQIA+ sem qualquer consequência. Esses discursos validam e dão coragem para ação a indivíduos praticarem violências, assassinatos, discriminações e outras agressões contra essa população, acreditando estarem em seu direito de maioria.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Além dos ataques aos indivíduos por meio de violências e até assassinatos, coletivamente há uma inércia legislativa na consolidação dos direitos, no entanto, para revogá-los há uma certa celeridade. Sugiro uma pesquisa sobre iniciativas legislativas em revogar o direito à constituição familiar entre pessoas do mesmo gênero, afirmação de gênero entre outros. Observe, por exemplo, as iniciativas do presidente <strong>Donald Trump</strong> para a finalização dos programas de diversidade e inclusão.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Por anos e anos foram negados os mais diversos acessos às pessoas por discriminação de gênero e sexualidade e, quando esse quadro começa a mudar na primeira crise os direitos são revogados. Isso não se aplica somente à população LGBTQIA+, mas a todas as minorias psicológicas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-se-pode-esquecer-o-inconsciente-de-uma-pessoa-ou-grupo-se-projeta-sobre-outra-s-pessoa-s-isto-e-aquilo-que-alguem-nao-ve-em-si-mesmo-passa-a-censurar-no-outro" style="font-size:19px">Não se pode esquecer: o inconsciente de uma pessoa (ou grupo) se <strong>projeta</strong> sobre outra(s) pessoa(s), isto é, aquilo que alguém não vê em si mesmo, passa a censurar no outro.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Este princípio tem uma validade geral tão impressionante que seria bom se todos, antes de criticar os outros, se sentassem e ponderassem cuidadosamente se a carapuça que querem enfiar na cabeça do outro não é aquela que se ajusta perfeitamente a eles (Cf. JUNG, 2013b).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-ultimo-gostaria-de-trazer-a-musica-geni-e-o-zepelim-de-chico-buarque-para-essa-conversa" style="font-size:19px"><strong>Por último, gostaria de trazer a música Geni e o Zepelim de Chico Buarque para essa conversa</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na sua genialidade, Chico traduz a dinâmica do bode expiatório na figura da sofrida Geni. Não sabemos ao certo quem é Geni, apenas que é uma marginalizada pela sociedade. Geni está sempre entre os excluídos e sofre diariamente agressões da sociedade em que está inserida, até o momento de crise em que é apresentada ao sacrifício, e, na vã esperança de talvez ser posteriormente aceita, aceita se sacrificar para salvar àqueles que sempre a condenaram. O destino de Geni nunca está, nem esteve em suas mãos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A partir do momento em que a maioria se vê de joelhos diante de um algoz e seu destino depende daquela que tanto desprezaram, imploram por sua misericórdia. Geni, com sua inclinação de acolher os excluídos acaba cedendo aos apelos e, mais uma vez, sofre as mais diversas violências, como sacrifício. No entanto, ao retornar, volta a ser discriminada e agredida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-pessoas-lgbtqia-causam-medo-pois-confrontam-pessoas-com-a-liberdade-individual-apresentada-pelo-self-de-maneira-simbolica" style="font-size:19px">As pessoas LGBTQIA+ causam medo, pois confrontam pessoas com a liberdade individual, apresentada pelo Self de maneira simbólica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">De alguma forma questionam o monoteísmo do ego, que se sente desafiado quando a diversidade questiona suas certezas e descobertas, baseadas nos valores dominantes das maiorias psicológicas e das minorias privilegiadas. Cada assassinato, suicídio ou agressão a uma pessoa LGBTQIA+ é uma tentativa de negação da diversidade humana no agressor.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As minorias privilegiadas jamais renunciarão a seus privilégios em detrimento dos direitos de qualquer outro grupo, e, infelizmente, manipulam a massa mantendo-a na inconsciência de seu lugar enquanto atacam as minorias indefesas. Massa essa que tem as mãos sujas de sangue, como executora indireta de um crime.</p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/maurosoave/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/maurosoave/">Me. Mauro Angelo Soave Junior – Analista Didata em formação</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-bibliografia-e-referencias" style="font-size:19px"><strong>Bibliografia e Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega v. III. Petrópolis: Vozes, 1987.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRUPO GAY DA BAHIA.<em> Mortes violentas de LGBT no Brasil em 2024. </em>Acesso em 01 dez de 2025.Disponível em:&nbsp;<a href="https://grupogaydabahia.com.br/mortes-violentas-de-lgbt-no-brasil-2024/">https://grupogaydabahia.com.br/mortes-violentas-de-lgbt-no-brasil-2024/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, Carl G. <em>A prática da psicoterapia</em>/ O.C. 16/1<em>. </em>Petropólis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Civilização em Transição/ </em>O. C. 10/3<em>. </em>Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>______ </strong><em>A vida simbólica: escritos diversos/ </em>O.C 18/1<em>. </em>Petrópolis: Vozes, 2015a</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>______ </strong><em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo </em>O.C 9/1<em>. </em>Petrópolis: Vozes, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KAST, Verena. Abandonar o papel de vítima: viva a sua própria vida. Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAIHIOT, G. B. <em>Dinâmica e gênese dos grupos:</em>&nbsp; Atualidade das descobertas de Kurt Lewin. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PERERA, Sylvia Brinton. O complexo de bode expiatório, Rumo a uma Mitologia da Sombra e da Culpa. São Paulo: Cultrix, 1991.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ROUGHGARDEN, Joan. <em>Evolução do Gênero e da Sexualidade</em>. Tradução: Maria Edna Tenório Nunes. Londrina: Editora Planta, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SOAVE JUNIOR. M. A. A<em> arteterapia como ferramenta para o enfrentamento dos efeitos do estresse de minoria em pessoas LGBTQIA+</em>. Monografia de Formação de Membro Analista do IJEP. Brasília, 2024. Disponível em <a href="https://www.ijep.com.br/biblioteca-ijep/a-arteterapia-como-ferramenta-para-o-enfrentamento-dos-efeitos-do-estresse-de-minoria-em-pessoas-lgbtqia">https://www.ijep.com.br/biblioteca-ijep/a-arteterapia-como-ferramenta-para-o-enfrentamento-dos-efeitos-do-estresse-de-minoria-em-pessoas-lgbtqia</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">SOUZA et al. Desfechos negativos em saúde mental de minorias de sexo e de gênero: uma análise comportamental a partir da teoria do estresse de minorias. <em>Revista Perspectivas</em>. Ed. Especial: Estresse de Minorias pp.069-085. 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa &#8211; IJEP</strong>: Matrículas abertas &#8211; <a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><a href="http://www.ijep.com.br"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/jung-2-1-1-819x1024.png" alt="" class="wp-image-11969" style="aspect-ratio:0.7998077385243931;width:485px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/jung-2-1-1-819x1024.png 819w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/jung-2-1-1-240x300.png 240w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/jung-2-1-1-768x960.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/jung-2-1-1-150x188.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/jung-2-1-1-450x563.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/02/jung-2-1-1.png 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" /></a></figure>
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