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	<title>Arquivos yoga - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Wed, 28 Jan 2026 21:22:39 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos yoga - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Yoga e Psicologia Analítica: O Caminho da União e da Individuação  </title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/yoga-e-psicologia-analitica-o-caminho-da-uniao-e-da-individuacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andreia Guiotti di Gregorio]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jan 2026 21:11:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[chacras]]></category>
		<category><![CDATA[corpo e alma]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
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		<category><![CDATA[processo de individuação]]></category>
		<category><![CDATA[yoga]]></category>
		<category><![CDATA[yoga e psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: A individuação é o processo de tornar-se a si&#160;mesmo,&#160;tornar-se algo que não é apenas o&#160;ego,&#160;mas um processo de integração com aspectos inconscientes e um diálogo contínuo com o todo (Self).&#160;Tornar-se um indivíduo singular, tornar-se si-mesmo, tornar-se inteiro. O objetivo do yoga é caminhar em direção à alma e esse processo se dá a partir [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: A individuação é o processo de tornar-se a si&nbsp;mesmo,&nbsp;tornar-se algo que não é apenas o&nbsp;ego,&nbsp;mas um processo de integração com aspectos inconscientes e um diálogo contínuo com o todo (Self).&nbsp;Tornar-se um indivíduo singular, tornar-se si-mesmo, tornar-se inteiro. O objetivo do yoga é caminhar em direção à alma e esse processo se dá a partir do olhar para dentro de si mesmo. O mesmo acontece no caminho da individuação quando o indivíduo vai de encontro com a alma, com o Self. Nesse sentido, o yoga apresenta paralelos com o processo de individuação, sendo&nbsp;dois&nbsp;meios que caminham para um mesmo fim: tornar-se a si-mesmo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-minha-experiencia-nbsp-com-o-yoga-e-a-nbsp-india-nbsp" style="font-size:19px"><strong>Minha experiência&nbsp;com o yoga e a&nbsp;Índia&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Trago como inspiração para este tema minha própria experiência com&nbsp;o&nbsp;yoga.&nbsp; Desde muito cedo me interessei&nbsp;pela cultura&nbsp;oriental&nbsp;e sonhava em conhecer a&nbsp;Índia&nbsp;e o Tibet.&nbsp;Quando consegui realizar esse desejo não foi&nbsp;possível chegar&nbsp;até ao Tibet porque&nbsp;havia&nbsp;guerrilhas e era muito perigoso atravessar.&nbsp;&nbsp;Peço&nbsp;licença para&nbsp;contar uma história.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-meu-primeiro-contato-com-o-yoga-se-nbsp-deu-atraves-nbsp-de-um-livro-encontrado-em-nbsp-um-sebo-nbsp-no-centro-da-cidade-de-goiania" style="font-size:19px">Meu primeiro contato com o yoga se&nbsp;deu através&nbsp;de um livro encontrado em&nbsp;um sebo&nbsp;no centro da cidade de Goiânia.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Sempre gostei de frequentar os sebos e vasculhar&nbsp;livros antigos. Nesse dia em especial me deparei com o livro <em>Autobiografia de um&nbsp;Yogue</em>&nbsp;de&nbsp;Paramahansa&nbsp;Yogananda. O levei&nbsp;pra&nbsp;casa comigo e mergulhei naquele universo mágico e&nbsp;encantador.&nbsp;A partir da experiência vivida através dessa leitura, mergulhei em outras referências sobre a&nbsp;Índia&nbsp;e o Tibet, bem como na cultura milenar desses povos. Suas&nbsp;práticas&nbsp;religiosas e filosóficas me&nbsp;encantaram.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Comecei a&nbsp;praticar&nbsp;hatha&nbsp;yoga nessa época. Tinha&nbsp;17 anos e já havia ingressado na faculdade. Aos 21&nbsp;anos, já&nbsp;formada, parti para viver na Inglaterra&nbsp;e continuar meus estudos.&nbsp;Após&nbsp;5 anos fiquei sabendo de um mestre&nbsp;(Guru)&nbsp;recém-chegado&nbsp;da&nbsp;Índia&nbsp;em&nbsp;Londres.&nbsp;Decidi fazer seu curso de yoga. Qual foi minha surpresa ao saber que ele era um discípulo de&nbsp;Yogananda, aquele do livro que li aos 17 anos. Contei para ele sobre meu&nbsp;desejo de&nbsp;ir pra&nbsp;Índia&nbsp;e ele me convidou para ficar no seu&nbsp;Ashram&nbsp;(escola) em&nbsp;Bubaneshuar&nbsp;(cidade no estado de Orissa,&nbsp;Índia).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Vivi 8 meses na&nbsp;Índia e&nbsp;posso dizer que foi a experiência mais singular de toda a minha existência.&nbsp;Foi&nbsp;impossível não criar um triângulo comparativo entre Brasil,&nbsp;Índia&nbsp;e Inglaterra. Os extremos e o choque cultural me remetem à fala de Jung quando ele chegou à Índia.&nbsp;Ele conta no livro <em>Civilização em transição </em>(JUNG, 2022) que se sentiu melhor quando logo ao chegar em&nbsp;Bombain&nbsp;tomou um carro e seguiu para o&nbsp;campo.&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-india-e-o-mais-belo-caos" style="font-size:19px">A Índia é o mais belo caos!</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Passei 4 meses no ashram praticando Kryia Yoga e trabalhando voluntariamente. Um lugar pobre, mas cheio de vitalidade.&nbsp;Visitávamos aldeias&nbsp;e assistíamos aos&nbsp;pujas (cerimônias de purificação com o fogo) nas casas dos aldeões.&nbsp;Belas mulheres&nbsp;trabalhavam na&nbsp;construção de suas próprias&nbsp;casas.&nbsp;Adornadas com seus piercings, pulseiras e&nbsp;saris&nbsp;coloridos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A&nbsp;Índia é&nbsp;um mergulho profundo na lama&nbsp;interna e&nbsp;de fato não é para todos.&nbsp; Em Calcutá conheci a Madre Teresa de Calcutá,&nbsp;uma mulher&nbsp;doce, franzina,&nbsp;pequenininha, mas&nbsp;abundantemente dotada de amor&nbsp;universal.&nbsp;Conversou comigo como uma velha&nbsp;amiga e&nbsp;falou encantada sobre o trabalho da irmã Dulce no Brasil.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No norte da&nbsp;Índia&nbsp;numa cidade chamada&nbsp;Daramsala, aos pés do Himalaia passamos três&nbsp;meses à espera do Dalai Lama do Tibet.&nbsp; Caminhar pelas&nbsp;montanhas,&nbsp;observar o povo local em suas palafitas.&nbsp;Contrastes magníficos&nbsp;de cores,&nbsp;crenças e&nbsp;saberes. Templos budistas onde&nbsp;podíamos assistir&nbsp;palestras gratuitamente&#8230;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Definitivamente o povo budista é o mais&nbsp;gentil e&nbsp;feliz que já conheci… O encontro com&nbsp;o&nbsp;Dalai Lama do&nbsp;Tibet foi&nbsp;tão doce e gentil quanto o encontro com a Madre Tereza. Essa&nbsp;jornada me&nbsp;remete ao processo de ascensão dos&nbsp;chacras&nbsp;que Jung aproximou ao processo de individuação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Assim, para Jung, a “descoberta” ocidental do Oriente constituiu um capítulo crítico na “descoberta” do inconsciente coletivo. A interpretação psicológica de Jung se baseia no pressuposto de que a ioga kundalini representava uma sistematização da experiência interior que se apresentava espontaneamente no Ocidente. (JUNG, 2022, p. 62)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-nbsp-olhar-nbsp-de-nbsp-jung-sobre-nbsp-o-yoga" style="font-size:19px"><strong>O&nbsp;olhar&nbsp;de&nbsp;Jung sobre&nbsp;o yoga</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Durante três meses Jung viajou pela&nbsp;Índia&nbsp;em motivo de convite do governo britânico para participar das comemorações dos 25 anos da Universidade de&nbsp;Calcutá,&nbsp;onde&nbsp;foi homenageado&nbsp;como Doutor <em>Honoris Causa</em>.&nbsp; Durante esse período ele observou a cultura&nbsp;local e o&nbsp;yoga,&nbsp;especialmente a&nbsp;kundalini&nbsp;yoga que tem em sua&nbsp;prática&nbsp;meditativa a&nbsp;percepção dos chacras básicos.&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-visao-de-jung-os-processos-internos-suscitados-pela-ioga-eram-universais-e-os-metodos-particulares-para-alcanca-los-eram-culturalmente-especificos" style="font-size:19px">Na visão de Jung, os processos internos suscitados pela ioga eram universais e os métodos particulares para alcançá-los eram culturalmente específicos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Para <strong>Jung</strong> a ioga representava um rico armazém de descrições simbólicas da experiência interior e dos processos de individuação em particular. Ele afirmou que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>“foram trazidos à luz importantes paralelos com a ioga [e com a psicologia analítica], especialmente com a ioga kundalini e com a simbólica tanto da ioga tântrica do lamaísmo quanto da ioga taoista da China. Estas formas de ioga e seu rico simbolismo nos forneceram materiais comparativos preciosíssimos para a interpretação do inconsciente coletivo”. (JUNG, 2022, p. 39)&nbsp;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No livro <strong><em>Memórias, Sonhos e Reflexões</em></strong>, Jung ao tratar de seu confronto com o inconsciente no contexto da Primeira Guerra Mundial (JUNG, 2022, p. 32), diz recorrer aos exercícios de yoga para desligar-se das emoções. Há uma passagem de entrevista com Fowler McCormick, em que Jung ainda destaca como estratégia para períodos de grande estresse a prática de deitar-se de costas, permanecendo em repouso e respirando tranquilamente (JUNG, 2022, p. 32).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esse relato de Jung nos remete ao yoganidra; uma prática em que ao final das aulas de yoga nos deitamos com braços e pernas afastados em entrega e abandono trazendo a atenção à respiração abdominal. Neste contexto, vamos nos desconectando da necessidade de sustentar o peso do corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-nesse-processo-de-entrega-e-abandono-vamos-aos-poucos-permitindo-que-o-solo-absorva-nao-apenas-o-peso-do-corpo-mas-tambem-pensamentos-e-sentimentos-desnecessarios-respirando-lenta-e-profundamente-encontramos-conforto-e-relaxamento-profundo" style="font-size:19px">Nesse processo de entrega e abandono vamos aos poucos permitindo que o solo absorva não apenas o peso do corpo, mas também pensamentos e sentimentos desnecessários. Respirando lenta e profundamente encontramos conforto e relaxamento profundo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-prelecao-1-realizada-em-12-de-outubro-de-1932-transcrita-no-livro-a-psicologia-da-ioga-kundalini-jung-aborda-os-chacras-centros-de-energia-vitalidade-e-consciencia" style="font-size:19px">Na Preleção 1, realizada em 12 de outubro de 1932, transcrita no livro <em>A psicologia da ioga kundalini</em>, Jung aborda os Chacras; centros de energia, vitalidade e consciência.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O <strong>primeiro chacra </strong>é chamado de muladara, o chacra raiz, básico, de conexão com a terra e com as necessidades básicas do ser humano. <strong>Onde dorme o si-mesmo</strong>. Aqui Jung diria que os deuses ainda dormem. A kundalini está em sono profundo. O muladara é a terra em que nos apoiamos.&nbsp; Aqui somos vítimas dos impulsos, reféns dos instintos do inconsciente.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O <strong>segundo chacra</strong> é swadhistana, seu elemento simbólico é a água, seu animal é um monstro marinho terrível. Jung compara o contato desse centro com o oceano do inconsciente coletivo. O confronto com o monstro que ameaça nos aniquilar. Para Jung, o simbolismo do segundo chacra é amplamente encontrado no motivo mitológico do batismo nas águas (JUNG, 2022, 123). Ele comenta que, em oposição à cultura indiana, devemos entrar em análise ao invés de confrontar o monstro que ameaça nos aniquilar (JUNG, 2022, p. 96). Então no segundo chacra acontece o primeiro movimento da kundalini. Em outras palavras, a primeira conversa com o inconsciente. A partir desse mergulho é de se esperar um renascimento para uma nova vida, uma manifestação de luz e vitalidade que nos encaminha para o próximo chacra.  </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-terceiro-chacra-manipura-e-o-nbsp-inicio-nbsp-de-uma-relacao-com-deus-fonte-de-luz-e-clareza" style="font-size:19px">O terceiro chacra, Manipura, é o&nbsp;início&nbsp;de uma relação com Deus, fonte de luz e clareza.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Significa&nbsp;a plenitude das joias (JUNG, 2022, 123). É um&nbsp;símbolo&nbsp;de riqueza, de uma nova fonte de energia simbolizada pelo fogo e pelo sol.&nbsp; Aqui começa alguma experiência consciente.&nbsp;Paixões são identificadas, o fogo digestivo começa a transformar os elementos (fogo alquímico).&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-quarto-chacra-e-o-nbsp-anahata-o-chacra-do-nbsp-coracao-representado-pelo-elemento-ar" style="font-size:19px">O <strong>quarto chacra</strong> é o&nbsp;anahata, o chacra do&nbsp;coração, representado pelo elemento ar.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Chegar aqui significa respirar livremente pela primeira vez, elevar-se das correntes do inconsciente e das emoções. Em outras palavras, se vislumbra o começo do processo de&nbsp;individuação.&nbsp;O indivíduo reconhece uma forma mais elevada de diferenciação e individualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É o afastar-se das emoções; a pessoa não se identifica mais com elas. Se alguém consegue lembrar-se de si mesmo, se consegue fazer uma diferença entre ele e essa explosão de paixões, ele descobre o si-mesmo; ele começa a individuar-se. Portanto, no anâhata começa a individuação. Mas aqui de novo existe a probabilidade de sofrer uma inflação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-individuacao-nao-significa-a-pessoa-tornar-se-um-eu-neste-caso-ela-se-tornaria-um-individualista" style="font-size:19px">A individuação não significa a pessoa tornar-se um eu – neste caso ela se tornaria um individualista.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Como vocês sabem, um individualista é um homem que não teve sucesso na individuação; ele é um egoísta filosoficamente depurado. A individuação consiste em tornar-se aquilo que não é o eu, e isto é muito estranho. Por isso, ninguém compreende o que é o si-mesmo, porque o si-mesmo é apenas aquilo que a pessoa não é, aquilo que não é o eu. O eu descobre que ele é um mero apêndice do si-mesmo numa espécie de conexão solta. Porque o eu está sempre bem lá embaixo no mûlâdhâra e, de repente, se torna consciente de algo situado acima no quarto andar, no anâhata, e isto é o si-mesmo. (JUNG, 2022, p. 138)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vishudha-o-quinto-chacra-nbsp-e-destacado-por-jung-como-simbolo-da-etapa-do-desenvolvimento-da-personalidade" style="font-size:19px"><em>Vishudha</em>, o quinto chacra,&nbsp; é destacado por Jung como símbolo da etapa do desenvolvimento da personalidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A realidade psíquica é confrontada com a realidade física, sendo uma esfera de abstração ainda mais refinada do que no chacra do coração. Na sequência, chegamos ao <em>ajna</em> chacra, o sexto chacra. Aqui os deuses não dormem mais, estão plenamente acordados. Ajna é o centro da <em>unio mystica</em> com o poder de Deus, onde o indivíduo é pura realidade psíquica confrontando com a realidade de que o indivíduo não é Deus. Por todo esse caminho temos que ter muito cuidado para não inflacionar. <strong>Manter a humildade para manter a sanidade.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Por último, chegamos no domínio do&nbsp;<strong>sétimo&nbsp;chacra</strong>, o sahashara chacra, em que o indivíduo é um com a natureza: a&nbsp;psique coletiva de Deus. Neste momento há um grande risco à integridade da personalidade, se dominado por&nbsp;<em>maya</em>&nbsp;(ilusão), o&nbsp; indivíduo pode se separar da realidade e apresentar sintomas esquizoides. Por esta razão, Jung alertava sobre o perigo de ascender a kundalini. Entretanto, em equilíbrio essas pessoas têm potencial para alcançar a libertação das amarras e vivenciar a unidade com o cosmos e o espírito. Neste sentido, somos esse vaso&nbsp;alquímico que&nbsp;contém a possibilidade de se transformar e evoluir num&nbsp;contínuo&nbsp;processo de individuação.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Individuação significa tornar-se um ser único, na medida em que por individualidade entendermos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo.&nbsp;(JUNG, 2013a, § 266)</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-jornada-da-alma" style="font-size:19px"><strong>A jornada da alma</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A jornada da alma, segundo Jung, é o lento e inevitável processo de individuação — a realização do Self, centro e totalidade psíquica que transcende o ego. No Yoga, a palavra&nbsp;<em>yuj</em>&nbsp;— unir — aponta na mesma direção: a reintegração da consciência fragmentada em uma unidade maior, que&nbsp;inclui&nbsp;e transcende o eu pessoal. Ambas as vias, ocidental e oriental, são caminhos de retorno ao todo, expressões simbólicas de um mesmo impulso arquetípico: o anseio da alma por completude.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No pensamento junguiano, o Self é o arquétipo da totalidade, imagem de Deus no ser humano (<em>Imago Dei</em>). Em&nbsp;<em>Aion</em>, Jung afirma que o Self “abrange tanto o consciente quanto o inconsciente, sendo o centro regulador da psique total” (JUNG, 2011, §60, p.46). No Yoga, encontramos o mesmo princípio na noção de&nbsp;<em>Purusha</em>, a consciência pura que observa, silenciosa e intocada, os movimentos da mente (<em>citta</em>). Assim como o Self, o&nbsp;<em>Purusha</em>&nbsp;não é o ego, mas aquilo que o contém — a testemunha imóvel por trás das flutuações da&nbsp;consciência.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neste-caminho-junguiano-ha-ainda-o-encontro-com-a-sombra-um-rito-de-passagem" style="font-size:19px">Neste caminho junguiano, há ainda o encontro com a sombra, um rito de passagem.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É preciso descer às regiões mais obscuras da psique para que a luz do Self possa emergir. No Yoga, esse processo se reflete no conceito de <em>kleshas</em> — as impurezas mentais e emocionais que obscurecem a visão do real.  Enquanto o Yoga busca queimar as impurezas pelo fogo da prática (<em>tapas</em>), Jung convida ao confronto consciente com aquilo que rejeitamos em nós mesmos. Ambos compreendem que a totalidade só nasce da aceitação dos opostos — “não há luz sem sombra, nem totalidade sem imperfeição” (JUNG, 2011).     </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-dialogo-entre-jung-e-o-yoga-nao-e-uma-fusao-mas-um-espelho" style="font-size:19px">O diálogo entre Jung e o Yoga não é uma fusão, mas um espelho.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O primeiro oferece à experiência oriental uma linguagem psicológica que traduz seus símbolos em processos psíquicos. O segundo recorda à psicologia que o conhecimento da alma exige também&nbsp;corpo,&nbsp;respiração e presença. Ambos apontam para a experiência do Ser que é ao mesmo tempo íntimo e universal, pessoal e cósmico. Individuar-se é, em última instância, unir o humano e o divino dentro de si&nbsp;e assim também é o yoga.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Namastê!&nbsp;</em></p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/andreia-guiotti-di-gregorio/">Andreia Guiotti di Gregório &#8211; Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra E. Simone Magaldi&nbsp;&#8211; Membro Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>A Psicologia da&nbsp;Ioga Kundalini</em>. Petrópolis: Vozes, 2022.&nbsp;<br>__________ <em>Civilização em Transição</em> (CW 10). Petrópolis: Vozes, 2012.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________ <em>Memórias, Sonhos e Reflexões</em>. Rio de Janeiro: Vozes, 2016.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________ <em>O Eu e o Inconsciente</em> (CW 7). Petrópolis: Vozes, 2013a.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>Aion </em>: Estudos sobre o Simbolismo do&nbsp;Si-mesmo&nbsp;(CW 9/2). Petrópolis: Vozes, 2011.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________ <em>Estudos Alquímicos</em> (CW 13). Petrópolis: Vozes, 2013b.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________ <em>Psicologia e Religião Oriental</em> (CW 11/5). Petrópolis: Vozes, 2012.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________ <em>O Livro Vermelho</em>. Petrópolis: Vozes, 2013c.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PATAÑJALI. <em>Yoga Sutras de&nbsp;Patañjali</em>. Tradução de Carlos Eduardo Barbosa. São Paulo: Pensamento, 2017.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">YOGANANDA,&nbsp;Paramahansa. <em>Autobiografia de um Iogue</em>. 3. ed. São Paulo: Self-Realization&nbsp;Fellowship, 2016.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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