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	<title>Arquivos zweig - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Mon, 11 May 2026 20:00:54 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos zweig - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Sombra, Trauma e Desumanização: Uma leitura Junguiana da Guerra em Gaza a partir do caso Hind Rajab</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/uma-leitura-junguiana-da-guerra-em-gaza/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 May 2026 19:57:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[a voz de hind rajab]]></category>
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		<category><![CDATA[sombra coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>
		<category><![CDATA[zweig]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como somos capazes de nos acostumar com o intolerável? Neste ensaio, guiado pela psicologia de Carl Gustav Jung e pelo impacto do filme A Voz de Hind Rajab, reflito sobre as raízes psicológicas da barbárie em Gaza. O texto investiga como projetamos nossas sombras no outro e faz um chamado necessário: precisamos despertar da nossa letargia ética e resgatar a empatia antes que a perda da humanidade se torne a nossa rotina.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/uma-leitura-junguiana-da-guerra-em-gaza/">Sombra, Trauma e Desumanização: Uma leitura Junguiana da Guerra em Gaza a partir do caso Hind Rajab</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: Como somos capazes de nos acostumar com o intolerável? Neste ensaio, guiado pela psicologia de Carl Gustav Jung e pelo impacto do filme A Voz de Hind Rajab, reflito sobre as raízes psicológicas da barbárie em Gaza. O texto investiga como projetamos nossas sombras no outro e faz um chamado necessário: precisamos despertar da nossa letargia ética e resgatar a empatia antes que a perda da humanidade se torne a nossa rotina.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: Sombra, inconsciente coletivo, guerra</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Escrevo este ensaio movida por um incômodo profundo, daqueles que não nos deixam em paz. Diante do que vemos em Gaza, tentar manter um distanciamento ou pesar as palavras me parece quase uma ofensa: a devastação ordenada de civis, o sofrimento infantil, a repetição atroz de cenas em que hospitais e ambulâncias deixam de ser lugares de cuidado para integrar a paisagem dos escombros. Diante disso, eu me pergunto o que acontece com a alma de uma sociedade quando ela se acostuma ao intolerável. Não recorro a Jung para substituir a análise histórica, política ou jurídica do conflito, mas porque sinto a necessidade de um outro plano de compreensão. Penso que é necessário entender a relação entre aquilo que negamos em nós mesmos e a violência que retorna ao mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste momento penso na frase de Jung em <em>Aion</em>: <em>“quando um fato interior não se torna consciente ele acontece exteriormente, sob a forma de fatalidade”</em> (JUNG, 2013a, § 126). Ela me parece decisiva porque liga a nossa recusa de olharmos para o nosso interior ao desastre histórico. O que não é reconhecido na consciência não desaparece, mas busca uma forma de se manter presente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-guerra-isso-significa-que-medos-agressoes-e-desejos-de-aniquilamento-sao-projetados-sobre-o-outro-o-outro-deixa-de-ser-percebido-como-um-semelhante-e-passa-a-ser-visto-como-ameaca-absoluta" style="font-size:17px">Na guerra, isso significa que medos, agressões e desejos de aniquilamento são projetados sobre o outro. O outro deixa de ser percebido como um semelhante e passa a ser visto como ameaça absoluta.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">É por isso que o caso de Hind Rajab me paralisa. Não estamos falando de um número, mas de uma criança real de aproximadamente 6 anos de idade, presa num carro alvejado, com seus familiares mortos, esperando por um socorro que terminou em mais tragédia. Em 2024, especialistas da ONU alertaram que a morte de Hind, de seus familiares e de dois paramédicos poderia configurar crime de guerra. Investigações particulares da <em>Forensic Architecture</em> sustentaram que a ambulância enviada para resgatá-la foi atingida ao chegar, apontando para fogo de tanque israelense.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir desse episódio insuportável, pergunto-me: como conceitos como sombra, projeção e dissociação nos ajudam a compreender a desumanização sem dissolver a responsabilidade de quem aperta o gatilho? E o que essa morte revela sobre a sombra que paira sobre todos nós?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-projecao-do-mal-e-a-fabricacao-do-inimigo"><strong>A projeção do mal e a fabricação do inimigo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda em <em>Aion</em>, Jung nos adverte contra a tendência confortável de reduzir o mal a uma simples privação do bem. Na experiência psíquica, ele surge de forma densa, como <em>“o oposto do bem”</em> (JUNG, 2013ª, § 75). Essa constatação é central para pensarmos como a desumanização opera. Sempre que uma cultura ou comunidade se imagina plenamente pura ou justa, ela obrigatoriamente precisa despejar a sua negatividade em algum lugar. O inimigo, então, deixa de ser um adversário histórico real e vira o depósito simbólico de tudo aquilo que não suportamos reconhecer em nós mesmos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isso-nao-e-apenas-fruto-de-uma-estrategia-politica-a-imagem-do-inimigo-absoluto-mobiliza-estruturas-muito-mais-arcaicas-da-nossa-imaginacao" style="font-size:17px">Isso não é apenas fruto de uma estratégia política. A imagem do inimigo absoluto mobiliza estruturas muito mais arcaicas da nossa imaginação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>, Jung lembra que há uma parte da psique que não deriva da nossa experiência pessoal, formada por conteúdos que <em>“nunca estiveram na consciência”</em> (JUNG, 2014a, § 88). Quando ativamos esses gatilhos, despertamos medos profundos e fantasias de extermínio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É por isso que a constatação de Jung, no prefácio à 1ª edição da<em> Psicologia do inconsciente</em>, soa tão atual e perturbadora: <em>“o homem civilizado ainda é um bárbaro”</em>, e <em>“a psicologia do indivíduo corresponde à psicologia das nações” </em>(JUNG, 2014b). O nosso aprimoramento tecnológico não elimina a barbárie, mas na maioria das vezes, apenas a torna mais justificado. Quando o outro passa a concentrar toda a obscuridade que negamos em nós, ele adquire um efeito <em>“mágico ou demoníaco” </em>(JUNG, 2014b, § 155) sobre nossa percepção. A desumanização nada mais é do que a face política dessa cisão psíquica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-observa-como-o-peso-das-massas-sufoca-o-individuo-e-alerta-para-o-perigo-da-cega-lei-natural-das-massas-em-movimento-jung-2013b-326" style="font-size:17px">Jung observa como o peso das massas sufoca o indivíduo e alerta para o perigo da <em>“cega lei natural das massas em movimento” </em>(JUNG, 2013b, § 326).</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Entendo tal ideia como um alerta para o nosso tempo: o turbilhão das emoções coletivas, somado ao medo e ao ressentimento, funciona como uma anestesia para a nossa consciência moral, substituindo o pensamento crítico por explicações levianas. Nos comportamos frequentemente como animais que inventam inimigos. As guerras funcionam como apavorantes <em>&#8220;dramas da sombra&#8221;</em> onde tentamos trucidar fora o que negamos dentro, amparados na perigosa ilusão dualista de que <em>&#8220;nós somos inocentes; eles são culpados&#8221;</em> (ZWEIG; ABRAMS, 2024). Antes da bala, vem a redução moral. É preciso ensinar uma sociedade a ver certas vidas como menos valiosas e dignas de luto para que se possa matar sem culpa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que mais me atormenta, porém, é que a sombra não pertence só ao outro lado. Ela paira sobre todos nós: sobre nações, religiões, projetos políticos e, também sobre as pessoas que observam distantes, que consomem a dor alheia através de imagens. Reconhecer isso não relativiza a responsabilidade, mas apenas impede a tranquilidade moral de quem acredita estar inteiramente fora do problema por fantasiosamente ser apenas uma boa pessoa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-voz-da-pequenina-hind-rajab"><strong>A voz da pequenina Hind Rajab</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O que me assombra na morte de Hind Rajab é como ela arranca todas as máscaras da guerra. Nenhuma teoria estratégica ou desculpa de contenção de dano colateral consegue esconder a brutalidade de uma criança pequena, presa entre os cadáveres da própria família, suplicando por socorro ao telefone por horas. Segundo relatos desoladores, os corpos dela e dos paramédicos só foram localizados doze dias depois, um fato que despedaça qualquer justificativa de guerra. Diante dessa espera no escuro, termos técnicos como operação ou alvo soam falsos. O que resta é a materialidade incontornável da dor: como pode uma criança tão pequena ser deixada por tanto tempo entre mortos, implorando por uma ajuda que não chega?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-analista-junguiano-donald-kalsched-nos-oferece-uma-ideia-importante-para-pensar-esse-abismo" style="font-size:17px">O analista junguiano Donald Kalsched nos oferece uma ideia importante para pensar esse abismo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ele define o trauma como uma experiência que causa uma dor psíquica tão insuportável que ameaça quebrar o próprio &#8220;eu&#8221;, forçando a mente a se dissociar para conseguir sobreviver. Citando Jung, Kalsched lembra que o trauma se impõe à consciência <em>&#8220;como um inimigo ou animal selvagem&#8221;</em>. Mas ao trazer essa teoria para cá, me imponho um limite ético: recuso-me a banalizar o sofrimento de Hind transformando-a num mero símbolo clínico. A teoria só tem serventia se nos impedir de desviar o olhar da vítima real. A criança, aqui, não é uma metáfora, é a prova física e real de que toda a linguagem que tenta higienizar e justificar a guerra fracassou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É justamente por essa necessidade de não nos deixarmos cegar que o filme <em>A voz de Hind Rajab</em>, dirigido por Kaouther Ben Hania, ganhou uma dimensão muito maior do que a de uma simples obra cinematográfica. O longa estreou em Veneza, ganhou o Grande Prêmio do Júri e alcançou a indicação ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional. O que realmente importa aqui não é o glamour do prêmio, mas a vitrine mundial que ele proporcionou.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vivemos-um-momento-em-que-boa-parte-da-populacao-global-consome-o-massacre-em-gaza-em-um-estado-de-total-anestesia-moral-pois-as-pessoas-se-acostumaram-com-o-intoleravel" style="font-size:17px">Vivemos um momento em que boa parte da população global consome o massacre em Gaza em um estado de total anestesia moral, pois as pessoas se acostumaram com o intolerável.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, o filme chegar à maior premiação do cinema atual como um choque de realidade em nossa consciência coletiva. Ao incluir o áudio real das ligações de socorro, o filme nos tranca no carro com Hind. Ele nos obriga a ouvir a voz aguda da menina e o desespero exausto dos atendentes do Crescente Vermelho Palestino. O cinema, nesse caso, arranca o espectador da dormência e o obriga a permanecer no tempo infinito daquela espera, tentando trazer de volta a humanidade que a guerra nos roubou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E é essa mesma imersão na escuta que torna o fracasso do resgate ainda mais revoltante. As investigações sustentam que a ambulância enviada para salvar Hind foi bombardeada ao chegar, um ato que especialistas da ONU apontaram como possível crime de guerra. O que me escandaliza não é apenas a morte, mas a falência total da compaixão humana. Há o pedido de socorro, há o esforço desesperado de adultos para coordenar o resgate, há a ambulância a caminho&#8230; e tudo termina em escombros.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-consigo-olhar-para-isso-sem-ver-a-destruicao-do-proprio-conceito-de-refugio" style="font-size:17px"><strong>Não consigo olhar para isso sem ver a destruição do próprio conceito de refúgio.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">É neste ponto que a sombra deixa de ser um conceito e se revela como a fumaça que paira sobre todos nós: que escuridão tomou conta do mundo se já não somos capazes de paralisar uma guerra diante do choro de uma criança ferida? Talvez a escrita deste ensaio seja apenas a minha forma particular de ecoar o que o filme tenta fazer em grande escala: um alerta mínimo, mas necessário, contra a nossa própria anestesia. A humanidade não pode simplesmente se acostumar ao intolerável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, para quem assistiu ao filme, permaneçamos com o silêncio ensurdecedor de seu final trágico nada fictício, e com as lágrimas desoladoras que inevitavelmente nos turvam o olhar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-humanidade-precisa-de-esperanca"><strong>A Humanidade precisa de esperança</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Chegar ao fim desta reflexão é ter a certeza de que a barbárie não se inicia no campo de batalha. O processo de desumanização começa muito antes de qualquer disparo ser feito ou de qualquer bomba atingir o chão. Ele nasce na nossa intimidade adoecida, na absoluta incapacidade de lidar com as nossas próprias fragilidades e no hábito perigoso de transferir para o outro a escuridão que negamos em nós mesmos. Quando uma criança indefesa, presa em um carro cercado por escombros, passa a ser tratada pela linguagem oficial como um simples detalhe em um cálculo militar, não estamos lidando apenas com a brutalidade esperada de uma guerra. Estamos diante da destruição completa do nosso próprio vínculo ético e civilizatório.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-duvida-que-me-persegue-incessantemente-e-se-algum-dia-teremos-a-lucidez-de-perceber-a-nossa-propria-sombra-antes-que-ela-se-materialize-em-politicas-de-exterminio" style="font-size:17px">A dúvida que me persegue incessantemente é se algum dia teremos a lucidez de perceber a nossa própria sombra antes que ela se materialize em políticas de extermínio.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A história insiste em nos mostrar que, na grande maioria das vezes, só reconhecemos o tamanho da ruína quando ela já esmagou a vida de quem não tinha como se defender. Por isso, o incômodo visceral que me levou a escrever estas páginas precisa continuar existindo e incomodando. A força destrutiva da violência não recobre apenas aqueles que dão as ordens cruéis ou que puxam os gatilhos. Ela ameaça de forma silenciosa e letal a todos nós que somos apenas observadores distantes. Ela envenena os que buscam justificativas lógicas para o absurdo, os que preferem a segurança da omissão e todos aqueles que, dia após dia, aprendem a olhar para a dor dos outros através de uma tela sem sentir absolutamente nada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-nossa-tarefa-etica-mais-urgente-portanto-e-a-recusa-ativa-e-constante-dessa-anestesia" style="font-size:17px">A nossa tarefa ética mais urgente, portanto, é a recusa ativa e constante dessa anestesia.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Compreender que a nossa cegueira interior inevitavelmente retorna ao mundo como fatalidade nos impõe um desafio muito duro, que é a coragem de não despejar sobre o próximo os monstros que não queremos encarar no espelho. Não podemos permitir que o excesso de tragédias nos transforme em cúmplices mudos. A nossa humanidade só terá alguma chance de continuar existindo se o desespero de uma menina real, com um nome, um rosto e uma vida brutalmente interrompida, continuar nos ferindo profundamente. A tragédia de Hind Rajab exige de nós o compromisso inegociável de manter viva a indignação e de jamais aceitar o intolerável como rotina.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="SOMBRA, TRAUMA E DESUMANIZAÇÃO: UMA LEITURA JUNGUIANA DA GUERRA EM GAZA A PARTIR DO CASO HIND RAJAB" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/4QIKay5t8Ac?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/fernanda-biscalquim-de-andrade/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/fernanda-biscalquim-de-andrade/">Fernanda Biscalquim de Andrade – Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Didata pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A Voz de Hind Rajab (The Voice of Hind Rajab)</em>. Direção: Kaouther Ben Hania. Tunísia; França: Mime Films, 2025. 1 vídeo (89 min), son., color. Disponível em: Prime Video. Acesso em: 14 mar. 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FORENSIC ARCHITECTURE. <em>The killing of Hind Rajab. 2024.</em> Disponível em: <a href="https://forensic-architecture.org/investigation/the-killing-of-hind-rajab">https://forensic-architecture.org/investigation/the-killing-of-hind-rajab</a> . Acesso em: 18 mar. 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Aion: estudo sobre o simbolismo do si-mesmo.</em> 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________________ Civilização em transição. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________________ <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2014a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________________ <em>Psicologia do inconsciente.</em> 24. ed. Petrópolis: Vozes, 2014b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KALSCHED, Donald. <em>O mundo interior do trauma: Defesas arquetípicas do espírito pessoal. </em>1. ed. São Paulo: Paulus Editora, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZWEIG, Connie; ABRAMS, Jeremiah. <em>Ao encontro da sombra: um estudo sobre o potencial oculto do lado escuro da natureza humana. </em>1. ed. São Paulo: Cultrix. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Criando intimidade com a sombra: Relação entre ego x sombra x persona</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/relacao-entre-ego-sombra-e-persona/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcella Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Dec 2023 15:34:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Persona e Sombra]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[integração da sombra]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sanford]]></category>
		<category><![CDATA[whitmont]]></category>
		<category><![CDATA[zweig]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=8632</guid>

					<description><![CDATA[<p>Todos nós buscamos sempre entrar em contato com a nossa melhor versão e resistimos à ideia de que para chegarmos perto do melhor em nós teremos que inevitavelmente conhecer também a nossa pior versão. Imaginar que também somos o que não queremos, que aquilo que repudiamos no outro também pode pertencer a nós, que podemos fazer aquilo que não gostaríamos de assumir nem para nós mesmos é assustador. Mas a verdade é que nós somos imperfeitos e conhecer esse estranho que habita em nós é essencial para a busca da nossa totalidade.<br />
Faz parte do processo de desenvolvimento da personalidade a busca por pertencimento e aprovação do outro, porém, por mais que façamos manobras para nos tornar melhores, ‘limpando’ tudo que julgamos como ruim, não somos blindados do contato com a sombra.<br />
Não importa o quanto nossa persona esteja trabalhada ou o quanto adaptada ao coletivo ela esteja. O próprio meio, e não somente nossas questões pessoais, vão continuar nos proporcionando meios de contato com esses conteúdos sombrios a fim de reconhecermos o que tanto nos afeta e de qual forma podemos lidar com eles. Achamos que quanto mais ajustados à polaridade contrária da sombra, mais estaremos seguros. Contudo, acontece justamente o oposto. E é neste momento que o ‘ponto cego’ aparece.<br />
Quando mudamos a pergunta “o que eu tenho a ver com ela?” por “em qual momento eu a considerei como conflitante a mim?” conseguimos compreender o sentido desses conteúdos nos perturbar e decidimos como reagir à eles. Quando trazemos para perto da consciência, tiramos um pouco da carga afetiva desta energia autônoma e buscamos recursos para lidar com ela ou transformá-la. </p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/relacao-entre-ego-sombra-e-persona/">Criando intimidade com a sombra: Relação entre ego x sombra x persona</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Criando intimidade com a sombra. Reflexões sobre como a persona moldada para se adequar ao coletivo pode se distanciar do verdadeiro eu</em>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="border-style:none;border-width:0px;border-radius:0px;font-size:16px;font-style:italic;font-weight:300"><blockquote><p><em>“Ah, se fosse assim tão simples! Se houvesse pessoas más em um lugar, insidiosamente cometendo más ações, e se nos bastasse separá-las do resto de nós e destruí-las. Mas a linha que divide o bem do mal atravessa o coração de todo ser humano. E quem se disporia a destruir uma parte do seu próprio coração?” Alexander Solzhenitsym</em></p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro de nós, existe uma parte que não gostamos de olhar, que negamos, que contradiz o que gostaríamos de reconhecer em nós. Esta parte é chamada de <strong>sombra</strong>. Muitas vezes ela é um problema de ordem moral, pois vai contra o ego e a persona. Ou seja, vai contra o modo que conseguimos nos enxergar. Segundo Jung “nesta tomada de consciência da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade. Este ato é a base indispensável para qualquer tipo de autoconhecimento” (Jung, 2012, p19).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imaginar que também somos o que não queremos, que aquilo que repudiamos no outro também pode pertencer a nós, que podemos fazer aquilo que não gostaríamos de assumir nem para nós mesmos, é assustador. Mas a verdade é que nós somos imperfeitos e conhecer esse estranho que habita em nós é essencial para a busca da nossa totalidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sabemos-que-a-sombra-nao-e-apenas-aquilo-que-desconheco-totalmente-em-mim-mas-tambem-aquilo-que-minha-consciencia-considerou-contraria-a-atitude-ideal" style="font-size:17px">Sabemos que a sombra não é apenas aquilo que desconheço totalmente em mim, mas também, aquilo que minha consciência considerou contrária à atitude ideal.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Como o ego é de natureza unilateral, qualquer coisa que se diferencie dele – assuntos negligenciados, inaceitáveis, reprimidos &#8211; vai se acumulando no inconsciente e se torna parte de uma personalidade inferior, ou seja, uma sombra pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>sombra</strong> é parte da psique inconsciente que interage com a consciência. Traz forte carga de afeto para ações e reações e que nos provoca desconfortos sempre que entramos em contato com ela. Esta sensação se dá porque lapidamos nossa personalidade e nosso modo de ver o mundo de forma que esses conteúdos fiquem reprimidos e distantes de nós. Ressaltando esta ideia, encontramos no livro ‘Ao encontro da Sombra’ um trecho que explica esta dinâmica:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“Por ser contrária à atitude consciente que escolhemos, não permitimos que a sombra encontre expressão na nossa vida; assim ela se organiza em uma personalidade relativamente autônoma no inconsciente, onde fica protegida e oculta” (Zweig, et al., 2012, p.28).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de prosseguirmos, gostaria de complementar esta parte conceitual de sombra com dois recortes feitos por <strong>Edward Whitmont</strong>, apresentados no capítulo “A evolução da sombra”:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“O termo sombra refere-se àquela parte da personalidade que foi reprimida em benefício do ego ideal. (&#8230;) Assim como as figuras oníricas ou fantasias, a sombra representa o inconsciente pessoal. Ela é como que um composto das couraças pessoais dos nossos complexos e, portanto, o portal de acesso a todas as experiências transpessoais mais profundas.” (Zweig, et al., 2012, p.36)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Whitmont pontua a <strong>tendência arquetípica de projetarmos os conteúdos sombrios nos outros</strong>, replicando a dinâmica do bode expiatório. Como se todo o mal ou erro estivesse presente apenas no mundo exterior do outro e este deveria ser eliminado.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“A sombra é a experiência arquetípica do ‘outro’, aquele que, por ser-nos estranho, é sempre suspeito. A sombra é o impulso arquetípico de buscar o bode expiatório, de buscar alguém para censurar e atacar a fim de nos vingarmos e nos justificarmos; ela é a experiência arquetípica do inimigo, a experiência da culpabilidade que sempre recai sobre o outro, pois estamos sob a ilusão de que conhecemos a nós mesmos e já trabalhamos adequadamente nossos próprios problemas. Em outras palavras, na medida em que é preciso que eu seja bom e justo, ele, ela ou eles tornam-se os receptáculos de todo o mal que deixo de reconhecer dentro de mim mesmo”. &nbsp;(Zweig, et al., 2012, p.39)</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-incomodo-da-sombra" style="font-size:19px">O incômodo da sombra</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de a sombra conter pontos positivos e negativos em sua essência, geralmente seus conteúdos nos incomodam. Justamente porque os achamos inadequados e prejudiciais à lapidação da nossa personalidade. Na tentativa de compreender o porquê tais assuntos nos incomodam, costumamos tomar uma certa distância. Olhando para a característica atuante no outro e, só depois disto, abrimo-nos para a possibilidade de nos questionar sobre o motivo daquilo nos afetar tanto. Dificilmente aceitamos com facilidade que aquilo pode ser também uma condição nossa.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px;font-style:italic;font-weight:300"><blockquote><p>“quando nos recusamos a enfrentar a sombra, (&#8230;) nossas projeções transformam o mundo à nossa volta num ambiente que nos mostra a nossa própria face, mesmo que não a reconhecemos como nossa”. <strong>Whitmont</strong> (Zweig, et al., 1994, p.40)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Faz parte do processo de desenvolvimento da personalidade a busca por pertencimento e aprovação do outro</strong>. Ao mesmo tempo que vamos nos identificando como indivíduo, começamos a lapidar nossas características de forma a potencializar aquilo que nos agrada e que também agrade o outro, enquanto vamos encontrando meios de esconder ou transformar os aspectos que achamos feios e inapropriados. Desta forma, conseguimos também encontrar recursos de adaptação às diversas situações, dando vida às versões de nós mesmos de acordo com o que nos é exigido. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este recurso de adaptação do ego para o mundo exterior é chamado de <strong>persona</strong> &#8211; a qual pode ser positiva ou negativa. <strong>É a máscara que usamos para nos relacionarmos com os outros, para confrontar o mundo e as pessoas</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-persona-e-a-primeira-parte-de-nos-que-as-outras-pessoas-veem-e-a-nossa-parte-que-queremos-que-elas-vejam-sanford-1988-p-88" style="font-size:21px">“A persona é a primeira parte de nós que as outras pessoas veem, e a nossa parte que queremos que elas vejam” <strong>(Sanford, 1988, p.88)</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Por conceito, a persona é positiva, pois nos ajuda a adequar ao coletivo. Contudo, ela pode se tornar negativa quando esta adaptação se transforma em uma mudança quase que total do que somos e como nos reconhecemos, visando uma adequação total com o coletivo mesmo que este modo não reflita a nossa própria essência. Podemos assumir que quando isso acontece, essa versão transformada se distancia de quem ela é de verdade, ou seja, do Self e da identificação egóica. O risco do indivíduo não saber mais diferenciar quem ele é da pessoa que ele quer parecer se torna cada vez mais concreto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por mais que façamos manobras para nos tornar melhores, ‘limpando’ tudo que julgamos como ruim, não somos blindados do contato com a sombra. Ela irá aparecer no nosso cotidiano, assombrando nossa persona, tirando-nos da nossa zona de conforto. Pela própria definição do termo, todo receio extremo, todo incomodo que nos afeta além do que podemos lidar faz parte da nossa sombra. Tudo o que nos impacta fortemente e não é considerado, também alimenta nossa sombra.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-persona-x-anima-animus-sombra-x-ego">Persona x Anima/Animus &#8211; Sombra x Ego</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de prosseguir, é importante ressaltar que <strong>a</strong> <strong>persona não faz polaridade com a sombra</strong> (como muitos confundem conceitualmente). <strong>Persona é uma estrutura psíquica que faz oposição à anima/animus</strong>, uma vez que ambos são recursos relacionais. Enquanto a persona se relaciona com o mundo exterior, anima/animus são recursos de relação com o mundo interior. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>sombra</strong>, por sua vez, se apresenta em <strong>oposição ao ego</strong>, conforme explicado no início deste artigo. Não vou me aprofundar nesta questão pois isso seria tema para um próximo artigo, mas essa explicação se faz necessária para entendermos o recorte feito neste texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não importa o quanto nossa persona esteja trabalhada ou o quanto adaptada ao coletivo ela esteja. O próprio meio, e não somente nossas questões pessoais, vão continuar nos proporcionando meios de contato com esses conteúdos sombrios a fim de reconhecermos o que tanto nos afeta e de qual forma podemos lidar com eles. Porém, é nítido que quando isso acontece, buscamos a saída que parece ser mais garantida: nos blindamos desses conteúdos devolvendo para o outro a responsabilidade de transformação do conteúdo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste cenário, como proteção, buscamos recursos para fortalecer nossa <strong>persona</strong>, melhorando aquilo que achamos que contrapõem o que nos denuncia, nos sentindo superior ao que nos incomoda. Encontramos ferramentas que eliminam o que não deve vir à tona, fazemos tudo como forma de controlar a ação desses conteúdos em nossas vidas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-achamos-que-quanto-mais-ajustados-a-polaridade-contraria-da-sombra-mais-estaremos-seguros-contudo-acontece-justamente-o-oposto" style="font-size:18px">Achamos que quanto mais ajustados à polaridade contrária da sombra, mais estaremos seguros. Contudo, acontece justamente o oposto.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">E é neste momento que o ‘ponto cego’ aparece. Se tento compreender meus conteúdos sombrios e adequá-los ao manejo da persona posso, como efeito contrário, alimentá-la, pois vou ‘resolver’ essa falta fortalecendo uma conduta que irá me afastar ainda mais dela; que vai provar para mim e para os outros que aquilo não me pertence.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-lidar-com-a-sombra-nao-basta-ter-conhecimento-sobre-ela-e-preciso-se-apropriar-da-questao-e-entender-sua-real-motivacao-de-existir" style="font-size:18px">Para lidar com a sombra não basta ter conhecimento sobre ela, é preciso se apropriar da questão e entender sua real motivação de existir.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>“A integração da sombra sempre coincide a dissolução da falsa persona. A pessoa torna-se muito mais realista a respeito de si mesma; ver a verdade sobre a nossa própria natureza sempre tem efeitos muito salutares. (&#8230;) Parar de mentir para nós mesmos a respeito de nós mesmos, essa é a maior proteção que podemos ter contra o mal”. (Sanford, p. 47)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Agora que chegamos ao ponto de entender que mesmo diante de um trabalho de adaptação ao meio exterior, nossa persona não dará conta de esconder ou de se blindar diante da sombra, quero voltar um pouco no início deste artigo. Se toda sombra, antes de ser jogada ao inconsciente passa pelo filtro do ego ideal, não seria uma alternativa para lidar com esses conteúdos, voltar para nossa essência e investigar qual foi a motivação inicial do ego ter desconsiderado a integração desta característica?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-sombra-nunca-e-formada-de-modo-aleatorio" style="font-size:20px"><strong>A sombra nunca é formada de modo aleatório</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso falamos que a sombra também guarda um potencial enorme de transformação em nossas vidas. Se nós queremos nos conhecer verdadeiramente, temos que ir em busca da nossa totalidade, reconhecendo os aspectos de luz e sombra. Logo, sabendo mais sobre as nossas sombras, conseguimos entender também quais partes a consciência de cada um rejeita, quais partes ela não quer lidar e o porquê o ego decidiu que aqueles pontos deveriam ser filtrados da consciência. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não paramos para pensar que em muitos casos acabamos vivendo características unilaterais só para não deixar esta sombra ter expressão, mas ela sempre dará um jeito de se apresentar para nós – seja através do comportamento do outro, seja através daquilo que nos afeta. Entrar em contato com a sombra não é ter que transformar todos os conteúdos; algumas características serão trabalhadas, outras deverão ser apenas suportadas. Mas, a partir do momento que nós nos apropriamos do que até então desconhecemos, deixamos de ficar totalmente vulneráveis aos seus conteúdos, pois saberemos também quais são nossos limites, o que podemos fazer e, assim, criamos oportunidades de nos conhecermos dentro da nossa unicidade e inteireza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tiramos do outro a responsabilidade de se tornar impecável dentro do nosso julgamento, permitimos que o coletivo e a nós mesmos sejam diferentes, as vezes conflitantes, mas dentro da verdade de cada um. Isto é parte da cura dos relacionamentos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tentar-entender-a-sombra-pela-persona-pode-ser-uma-manobra-falsa-que-vai-nos-colocar-apenas-como-superior-a-esses-conteudos" style="font-size:20px">Tentar entender a sombra pela persona pode ser uma manobra falsa que vai nos colocar apenas como superior a esses conteúdos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se, depois deste primeiro reconhecimento, pararmos para investigar em qual momento da vida nosso ego ideal – parafraseando Whitmont – fantasiou que seriamos melhores se não tivéssemos tais características; se o julgamento como errado e feio veio de nós mesmos ou se nos foi ensinado pelo núcleo mais próximo, talvez, de fato, conseguiremos entender o sentido desta sombra ter se tornado sombra e reavaliar, se nas condições atuais, tais características devem ainda ser julgadas como inapropriadas por nós ou se já estamos prontos para lapidá-las ao nosso favor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando mudamos a pergunta “o que eu tenho a ver com ela?” por “em qual momento eu a considerei como conflitante a mim?” conseguimos compreender o sentido desses conteúdos nos perturbar e decidimos como reagir à eles. Enquanto a sombra é inconsciente, nossa reação vem proporcional ao desconhecido que se tornou em mim. Quando trazemos para perto da consciência, tiramos um pouco da carga afetiva desta energia autônoma e buscamos recursos para lidar com ela ou transformá-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o que é nosso trabalhará ao nosso favor, mesmo que a princípio se pareça negativo. Este é o caminho para a nossa totalidade.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo Novo: Criando intimidade com a sombra: Relação entre ego x sombra x persona" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/2zUUQM5HVd0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/marcellaferreira/">Marcella Helena Ferreira &#8211; Analista em Formação IJEP</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Cristina Guarnieri &#8211; Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas" style="font-size:18px">Referências Bibliográficas:</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>JUNG, Carl Gustav. 2012a</strong>. <em>Aion – Estudo sobre o simbolismo do si-mesmo.</em> 8°. Petrópolis: Vozes, 2012a.Vol.9/2</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>__. 2012b</strong>. <em>O Eu e o Inconsciente.</em> 24°. Petrópolis: Vozes, 2012b.Vol.7/2</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>ZWEIG, Connie e ABRAMS, Jeremiah. 1994</strong>. <em>Ao encontro da sombra</em>. 1°. São Paulo: Cultrix, 1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SANFORD, John A. 1998.</strong> <em>Mal o lado sombrio da realidade</em>. 1°. São Paulo: Paulus, 1988.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse nosso site e confira nossos Cursos e Pós-Graduações: <a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a></p>



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