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	<title>Denise Largman, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Sat, 11 Jul 2026 20:29:42 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Denise Largman, Autor em Blog IJEP</title>
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		<title>ESSA DOR É MAIS FÁCIL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Denise Largman]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 20:14:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[automutilação]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A frase “Essa dor é mais fácil” me moveu a escrever esse artigo. Uma menina de seus quinze anos que se fere, com um pequeno estilete, na parte de dentro da coxa onde ninguém possa ver, retrata o alívio que apresenta ao sentir a dor da pele cortada, e a explicação, simples e seca é: “Essa dor é mais fácil”. Em plena adolescência, um pedido de socorro. Perguntas afloram minha mente. Que dor é essa, mais difícil de suportar do que o ato de automutilação? Assim, numa ativação do meu complexo Materno, desejo ardentemente entender quais são os mecanismos psíquicos que levam uma pessoa a cometer tal ato e, talvez assim, poder ajudá-la a encontrar uma saída dentro desse vasto mundo da psique.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>RESUMO</strong>: A frase “Essa dor é mais fácil” me moveu a escrever esse artigo. Uma menina de seus quinze anos que se fere, com um pequeno estilete, na parte de dentro da coxa onde ninguém possa ver, retrata o alívio que apresenta ao sentir a dor da pele cortada, e a explicação, simples e seca é: “Essa dor é mais fácil”. Em plena adolescência, um pedido de socorro. Perguntas afloram minha mente. Que dor é essa, mais difícil de suportar do que o ato de automutilação? Assim, numa ativação do meu complexo Materno, desejo ardentemente entender quais são os mecanismos psíquicos que levam uma pessoa a cometer tal ato e, talvez assim, poder ajudá-la a encontrar uma saída dentro desse vasto mundo da psique.</p>



<h2 id="h-automutilacao" class="wp-block-heading"><strong>AUTOMUTILAÇÃO</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa sobre a automutilação foi extremamente fácil. Parece ser um assunto em voga nos últimos anos. Encontrei em artigos científicos diversas referências, assim como em plataformas como o Youtube. <em>Cutting</em> é um nome bem popular para a automutilação<em>, </em>literalmente “cortar-se” em inglês,denominação que encontrei nas redes sociais em pesquisa dessa prática, usando as seguintes palavras: automutilação, adolescentes e psicanálise.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4"><em>Segundo Moreira et al. (2020), em revisão bibliográfica sobre a automutilação em adolescentes, um estudo de sete países da Europa definiu a “automutilação como comportamentos não fatais em que o indivíduo intencionalmente causa lesões a si mesmo provocando cortes, arranhões ou queimaduras na própria pele” (MOREIRA et al., 2020, p.3946) prevalentemente, mas também é assim definido os casos de adolescentes que agem de forma imprudente como saltar de locais altos, ingerirem fármacos em altas doses, usarem drogas ilícitas ou substâncias psicoativas com o propósito de autoagressão e ingerirem substâncias ou objetos que não são comestíveis. (Cf. MOREIRA et al., 2020, p. 3946)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-a-incidencia-e-sensivelmente-maior-em-mulheres-e-tem-se-tornado-epidemica-em-grupos-de-adolescentes-em-sua-maioria-a-fala-dessas-garotas-aduzem-ao-alivio-de-angustias-atraves-dessa-pratica" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">A incidência é sensivelmente maior em mulheres e tem se tornado epidêmica em grupos de adolescentes. Em sua maioria, a fala dessas garotas aduzem ao alívio de angústias através dessa prática.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na revisão bibliográfica de Moreira <em>et al.</em> (2020) apontou-se diversos fatores de risco para a automutilação, além do gênero:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4"><em>Pertencer ao sexo feminino, abuso físico e sexual, Bullying, consumo excessivo de álcool e drogas, término de relacionamento, baixa qualidade de relacionamento com a mãe, falta de apoio familiar, conhecer outra pessoa que se automutila, sono pobre, sintomas de impulsividade, baixa autoestima, baixo nível socioeconômico, autocrítica, dificuldade de resolução de problemas, não possuir identificação religiosa ou espiritual, baixa escolaridade, possuir identidade alternativa, apresentar problemas com a lei e dificuldade de expressar emoções são considerados fatores de risco para o desenvolvimento da automutilação. (MOREIRA et al., 2020, p.3949)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">No mesmo trabalho os autores apontam que em alguns estudos foram investigadas evidências neurobiológicas que levassem à automutilação. “Um achado importante indica que o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal dos adolescentes com automutilação é hiporresponsivo, portanto, a secreção de cortisol é reduzida e pode desempenhar fator de vulnerabilidade desses indivíduos no estresse agudo” (MOREIRA <em>et al</em>., 2020, p.3950)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Independentemente de fatores neurobiológicos, a angústia parece ser a grande dor. Uma dor forte demais e, pior que a dor da pele cortada, ela é auto cortada! Se Shakespeare fosse moda, talvez soubéssemos lidar melhor com nossas dores da alma, não nos anestesiaríamos com o excesso de medicalização que abunda todas as esferas do mundo ocidental. &nbsp;Em Macbeth (Ato IV, Cena lll), encontrei uma fala que, de alguma forma, tocaria a menina que sofre: “Vamos homem, não cubra o rosto: dê à tristeza palavras, pois a dor que não fala, sussurra ao coração assoberbado até rompê-lo” (SHAKESPEARE, 2016, p.96).</p>



<h2 id="h-hoje-temos-que-ser-felizes-incondicionalmente" class="wp-block-heading"><strong>HOJE TEMOS QUE SER FELIZES, INCONDICIONALMENTE!</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos uma cultura na qual o que domina é a abolição da dor. Han (2021) denomina a sociedade atual de <em>Sociedade Paliativa, </em>ou seja, que prefere se anestesiar a enfrentar qualquer tipo de dor. “Hoje impera por todo lugar uma algofobia, uma angústia generalizada diante da dor [que] tem por consequência uma <em>anestesia permanente.</em> Toda condição dolorosa é evitada.” (HAN, 2021, pp.9,10). O momento social exige a eterna felicidade, utilidade e produção. Evita-se qualquer pensamento negativo e, se algo ruim acontecer, deve-se catalizá-lo e transformá-lo numa possibilidade de crescimento. Porém, se necessário, sempre haverá medicamentos proporcionando bem-estar permanente. “A dor é vista como um <em>sinal de fraqueza</em>” (HAN, 2021, p.13).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, numa sociedade que evita, de todas as formas, a dor e o sofrimento, exigente de uma vida perfeitamente feliz, como acontece a automutilação? Percebemos, como fala Jung (Cf. 2015, p.96), que é uma grande ingenuidade acreditarmos que somos os senhores em nossa própria casa pois um complexo autônomo nos atinge em cheio, no âmago do ego e, sem que percebamos, uma ação é cometida sem que possamos compreendê-la. “[&#8230;] um complexo ativo nos coloca num estado de não liberdade, de pensamentos obsessivos e ações compulsivas [&#8230;]” (JUNG, 2013a, p.43).</p>



<h2 id="h-o-pensamento-obsessivo-advindo-desses-complexos-de-fato-pode-provocar-acoes-que-pensamos-serem-completamente-absurdas-que-jamais-poderiamos-sequer-imaginar" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O pensamento obsessivo advindo desses complexos de fato pode provocar ações que pensamos serem completamente absurdas, que jamais poderíamos sequer imaginar.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4"><em>[&#8230;] pensamento obsessivo. Ideias extravagantes e absurdas dominam o doente, e ele é obrigado a pensar nelas de modo obsessivo. Analogamente, no pensamento obsessivo psicogênico, o doente geralmente percebe o absurdo das ideias, mas não consegue reprimi-las. Diz respeito a irrupções súbitas do complexo na consciência. (JUNG, 2013c, pp. 101-02)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-os-conteudos-autonomos-do-inconsciente-foram-vivificados-pelos-primitivos-como-espiritos-demonios-ou-deuses-e-para-satisfaze-los-recorriam-a-ritos-magicos-e-sacrais" style="font-size:16px">Os conteúdos autônomos do inconsciente foram vivificados, pelos primitivos, como espíritos, demônios ou deuses e, para satisfazê-los, recorriam a ritos mágicos e sacrais. A sociedade contemporânea se libertou desses seres sobrenaturais, mas os conteúdos autônomos e suas exigências permaneceram e, um dos caminhos usados pela psique para que esses complexos cheguem à consciência é através da neurose (Cf. JUNG, 2013a, p.328).</p>



<h2 id="h-tudo-o-que-e-experimentado-e-psiquico-inclusive-a-dor-fisica-e-a-reproducao-psiquica-do-que-se-experimenta-cf-jung-2013a-p-310-e-a-dor-precisa-de-lugar" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Tudo o que é experimentado é psíquico, inclusive a dor física é a reprodução psíquica do que se experimenta (Cf. JUNG, 2013a, p.310).  E a dor precisa de lugar.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não é justo, nem sábio, querermos que ela se transforme em algo apenas mórbido, sem sentido, deixando escapar seu significado simbólico. Mas ela sabe se colocar. Vem através de sintomas. Oculte as dores da alma e ela aparece através de uma dermatite atópica, uma asma, uma diarreia crônica, ou talvez outros sintomas. E, mais do que isso, autonomamente podemos ser dominados pelo desejo insano de nos ferirmos e, assim, deliciarmo-nos com o prazer de sentir dor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lendo Neumann (2022), no capítulo <em>A transformação dos Componentes Prazer-Desprazer</em>, reflito mais sobre o prazer de sentir dor. A consciência e o inconsciente são como dois compartimentos que contêm energia psíquica, fluindo de um lado para o outro, provocando, ora num, ora noutro, prazer e desprazer, dor e satisfação, alternadamente. “[&#8230;] o conflito entre os dois leva também a um conflito psíquico das posições prazer-desprazer, uma vez que cada sistema parcial quer preservar a sua existência e reage ao perigo com desprazer e ao fortalecimento e crescimento, com prazer” (NEUMANN, 2022, p.288).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa criança, com baixo grau de desenvolvimento da consciência, esse conflito de prazer-desprazer é menor, mas com o amadurecimento e o desenvolvimento do ego e da consciência, há cada vez mais conflito entre as experiências prazerosas do ego e do inconsciente autônomo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No decorrer do desenvolvimento, a consciência tenta se impor sobre o inconsciente, mesmo que continue a sofrer a pressão provinda do inconsciente, que continua a exercer pressão sobre o ego. (Cf. NEUMANN, 2022, pp.288-89).</p>



<h2 id="h-no-entanto-nas-enfermidades-psiquicas-como-nas-neuroses-e-principalmente-nas-histerias-as-perturbacoes-da-consciencia-nao-sao-experimentadas-como-desagradaveis" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">No entanto, nas enfermidades psíquicas, como nas neuroses e, principalmente, nas histerias, as perturbações da consciência não são experimentadas como desagradáveis:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4"><em>Nas reações neuróticas, e sobretudo nas histéricas, o fracasso e sofrimento do ego costuma ser acompanhado de “um sorriso de prazer” &#8211; por assim dizer, o sorriso do inconsciente vitorioso que se apossou do ego. O caráter medonho de tais manifestações neuróticas e, mais ainda, psicóticas, que correspondem, de certo modo, a uma disfunção das posições de prazer, tem a sua base justamente na dissociação, isto é, na não identidade com o ego. (NEUMANN, 2022, p.289)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Com esta fala de Neumann (2022), reflito que, talvez, a automutilação possa ser, da mesma forma, uma ação de conflito entre consciência e inconsciência no que tange ao prazer e a dor, por ainda não estar totalmente desenvolvido o ego, mas também pode ser causada por uma enfermidade psíquica, como uma histeria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos pensar também num quadro em que a dor psíquica não seja vivida adequadamente por razões múltiplas, como uma educação rígida em que a raiva e o medo sejam sentimentos sem espaço de serem vivenciados.</p>



<h2 id="h-woodman-2020-traz-essa-narrativa-ao-abordar-a-situacao-de-mulheres-que-ao-inves-de-agirem-fisicamente-em-momentos-de-extremo-estresse-o-trocam-pela-compulsao-alimentar" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Woodman (2020) traz essa narrativa ao abordar a situação de mulheres que, ao invés de agirem fisicamente em momentos de extremo estresse, o trocam pela compulsão alimentar:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4"><em>Quando as reações físicas à emoção e à dor não são traduzidas em ações, é concebível que o excesso de adrenalina e de açúcar no sangue venham a ter efeitos patológicos. [&#8230;] Uma reação emocional tem muitas características da resposta reflexa; se o estímulo for ignorado, ele pode permanecer de maneira inconsciente até criar um estado patológico, assim como pode simplesmente parar de funcionar. [&#8230;] As emoções repetitivas que produzem os impulsos nervosos podem causar desastrosas consequências no organismo. (WOODMAN, 2022, pp. 90-2)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">As consequências orgânicas desastrosas podem ser cortes intencionais na pele, por uma invasão do inconsciente que sofre, mas não tem o direito de sofrer. Jung (Cf. 2013b, p.145) narra que, mesmo com um intelecto relativamente reservado, o motivo de qualquer ação anormal deveria ser procurado no campo do sentimento pois qualquer decisão de vontade é tomada por uma cadeia de ideias com valor sentimental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Será que podemos pensar também nessa autoimolação como um sacrifício heroico para a libertação do grande medo da morte que se apossa, vindo do inconsciente, de jovens que não têm espaço para lidar com ele, dentro dessa sociedade massificada que aboliu o sofrimento?</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4"><em>O sacrifício proporciona libertação do medo mortal e reconciliação com o exigente Hades. [&#8230;] o herói, que desde tempos remotos vence todo mal e a morte, transformou-se na figura principal e divina, ele se torna o sacerdote auto- imolador e o regenerador da vida. [&#8230;] No sacrifício o consciente renuncia à posse e ao poder, a favor do inconsciente. Isto torna possível uma união de opostos cuja consequência consiste numa libertação de energia. (JUNG, 2013d, pp. 501-02)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-a-dor-faz-parte-tambem" class="wp-block-heading"><strong>A DOR FAZ PARTE TAMBÉM&#8230;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O enfrentamento heroico dos medos, sentir a dor e dar lugar a ela, para conscientizar-se de que coisas monstruosas existem e fazem parte da passagem da infância para a vida adulta. Não são momentos fáceis. Exigem, a cada passo, autoanálise, um pouco mais de luz nesse mundo inconsciente que insiste em cutucar e afrontar, para que haja a manifestação autocurativa da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As motivações que levaram a menina de quinze anos a se mutilar podem ser diversas, tanto quanto o é nossa psique. &nbsp;Minha mente foi clareada e, de alguma forma, minha empatia prevaleceu no meio dos meus questionamentos. O seu desejo de falar sobre sua dor foi um grande pedido de socorro e poderemos caminhar juntas em descobertas e reflexões. A jornada da menina apenas se inicia, a minha continua, e podemos, ambas, trilhar esse caminho de autoconhecimento, descortinando um pouquinho mais os mistérios da psique. &nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/denise-largman/">Denise Largman &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/">Lia Romano &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



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<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">HAN, Byung- Chul. <em>Sociedade paliativa: </em>a dor hoje. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique. </em>10. ed.Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Estudos psiquiátricos. </em>5. ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Psicogênese das doenças mentais. </em>6. ed. Petrópolis: Vozes, 2013c.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Símbolos da transformação. </em>9. ed. Petrópolis: Vozes, 2013d.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>O eu e o inconsciente. </em>27. ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOREIRA, Érika de Sene, <em>et al</em>. Automutilação em adolescentes. In: <em>Ciência e Saúde. </em>ABRASCO. Disponível em: scielosp.org/pdf/csc/2020.v25n10/3945-3954/pt &nbsp;Acesso em: 08 maio 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEUMANN, Erich. <em>História das origens da consciência: </em>uma jornada arquetípica, mítica e psicológica sobre o desenvolvimento da personalidade humana<em>. </em>2. ed. São Paulo: Pensamento-Cultrix, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SHAKESPEARE, William. <em>A tragédia de Macbeth. </em>Florianópolis: UFSC, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WOODMAN, Marion. <em>A coruja era filha do padeiro: </em>um estudo revelador sobre anorexia nervosa, obesidade e o feminino reprimido, 5. ed. São Paulo: Pensamento-Cultrix, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
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		<title>I.A. &#8211; INTELIGÊNCIA ARTÍSTICA</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/ia-inteligencia-artistica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Denise Largman]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 19:09:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: O texto contrapõe a Inteligência Artificial à Inteligência Artística, destacando a criatividade e a consciência reflexiva como atributos exclusivamente humanos. À luz de Jung, defende que a IA deve ser ferramenta e não substituta da alma e do sentido. Preâmbulo A ideia da provocação do acrônimo de I.A. para esse artigo surgiu por uma [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: O texto contrapõe a Inteligência Artificial à Inteligência Artística, destacando a criatividade e a consciência reflexiva como atributos exclusivamente humanos. À luz de Jung, defende que a IA deve ser ferramenta e não substituta da alma e do sentido.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-preambulo" style="font-size:19px">Preâmbulo</h2>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-a-ideia-da-provocacao-do-acronimo-de-i-a-para-esse-artigo-surgiu-por-uma-confusao-num-dialogo-com-o-meu-filho-pelo-whatsapp" style="font-size:19px">A ideia da provocação do acrônimo de I.A. para esse artigo surgiu por uma confusão num diálogo com o meu filho pelo whatsapp. Ele me enviou uma foto de uma peça de marcenaria que tinha acabado de fazer e lhe perguntei como conseguiu fazê-la? A resposta foi “<strong>Inteligência Artística</strong>”. Imediatamente li “<strong>Inteligência Artificial</strong>”. Obviamente a confusão gerou risadas, mas também uma reflexão. Ele se referia a sua capacidade criativa de resolver problemas. Uma capacidade dele, que desenvolveu, porque tem os atributos humanos para fazê-lo. Assim, faço uma digressão à Inteligência Artificial, uma vez que o acrônimo só existe porque estamos mergulhados na consciência coletiva dessa temática, muitos com medos reais de perderem seus empregos, ou sem saberem qual será o rumo da humanidade nesse novo mundo que se descortinou nos últimos anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Então, voltando ao tema da Inteligência Artística, tento mostrar que nossas capacidades são complexas e muito maiores do que os algoritmos de uma suposta inteligência. Porém, precisamos despertar para as nossas capacitações e exercer a nossa verdadeira humanidade no planeta.  Entendermos que não temos a capacidade de fazer cálculos e memorizar coisas como a Inteligência Artificial, mas somos pessoas capazes de criar, de amar, de rir, de chorar, o que nos proporciona leveza e plenitude. Mais do que nunca precisamos perceber nossa diferença, desenvolvê-la. É um momento de grande oportunidade para nos tornarmos, enfim, Humanos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-somos-diferentes" style="font-size:19px"><strong>SOMOS DIFERENTES!</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Sinto um aperto no peito quando ouço uma música. Também o sinto quando vejo nos olhos de outra pessoa a sua dor. São emoções! Um dia desses, em conversa pelo whatsapp com meu filho, marceneiro e extremamente criativo, vejo a foto de uma peça que havia acabado de confeccionar e pergunto, admirada, como conseguiu fazê-lo? A resposta foi: “Inteligência Artística”. Foi hilário, porque imediatamente li “Inteligência Artificial”! Demorou pelo menos mais algumas trocas de diálogo para eu entender o que ele estava comunicando: uma I.A., mas completamente humana!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Dentro desse contexto, <strong>como podemos avaliar a nossa posição, como humanos, perante a Inteligência Artificial</strong>? Como podemos comparar tantas emoções que vêm da alma com o poder algorítmico de uma máquina? Será a inteligência artificial capaz de, sequer, chegar próximo a qualquer uma das emoções humanas? Então estamos com medo. O criador com medo da criatura. Numa reflexão sobre a nossa inteligência artística, acredito ser ela a única capaz de nos salvar da idiotização completa que vem nos proporcionando a inteligência artificial.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-afinal-o-que-e-uma-inteligencia-artificial" style="font-size:19px"><strong>AFINAL, O QUE É UMA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Segundo <strong>Miguel Nicolelis</strong>, neurocientista, a IA não é nem inteligência e nem artificial. Não poderia ser chamado de inteligência, uma vez que, por definição, esta é uma propriedade dos organismos. É o que surge quando os organismos entram em contato com outros organismos e com o ambiente. É uma propriedade da matéria orgânica. Existem milhões de seres humanos para sustentar, na base, a inteligência artificial, portanto ela não tem autonomia. Esse nome foi criado por John Mc Carthy na década de 50 para conseguir dinheiro do Pentágono e desenvolver toda essa ciência. Ele já tinha um nome, <strong>Sistemas Estatísticos Automáticos</strong>, mas esse nome não chamava a atenção para o investimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-nicolelis-as-promessas-da-substituicao-do-cerebro-humano-sempre-foram-muito-mais-de-marketing-do-que-de-realidade-cf-nicolelis-2023" style="font-size:19px">Para Nicolelis, as promessas da substituição do cérebro humano sempre foram muito mais de marketing do que de realidade (Cf. NICOLELIS, 2023)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No entanto, está ocorrendo perda das aptidões cognitivas com esta última onda da Inteligência Artificial. Ela já faz parte da nossa rotina, trazendo consequências sérias. Estudos têm mostrado que, pela primeira vez desde que se tem registro de testes de Q.I., a nova geração está apresentando o quociente de inteligência menor do que o da geração de seus pais. Crianças e adolescentes têm utilizado a tecnologia para recreação, com pouquíssimo uso enriquecedor ou reflexivo e muito tem se falado de uma catástrofe iminente, de um emburrecimento sem volta. (Cf. SANTANA, 2023, p.14,15).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na realidade a I.A. veio para facilitar nossas vidas, mas, é claro, acabou tornando-se uma muleta. Grande parte das pessoas acabam seguindo a vida sem nenhuma consciência reflexiva, na luta diária pela sobrevivência, sem estímulo à criatividade.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>A luta pela sobrevivência e a falta de uma educação que estimule o pensamento crítico prendem grande parte da humanidade em uma rotina de reatividade (&#8230;) a verdadeira liberdade nasce do autoconhecimento e da auto aceitação. Despertar a consciência reflexiva é o caminho para a liberdade genuína (MAGALDI FILHO, 2025).</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-entendendo-a-diferenca-que-nos-torna-humanos" style="font-size:19px"><strong>ENTENDENDO A DIFERENÇA QUE NOS TORNA HUMANOS</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nós, humanos, desenvolvemos a consciência a apenas alguns milhares de anos. A consciência se caracteriza por um estado de extrema sensibilidade, controle de nossas vontades, por ações orientadas e racionais (Cf. JUNG, 2013b, p.65). Toda essa evolução aconteceu devido a força de nossa energia psíquica, que impulsiona nossos desejos, vontades, nossa atenção, afetos, enfim, todos os fenômenos dinâmicos da alma (Cf. JUNG, 2013a, p.25).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-humanidade-chegou-a-este-momento-devido-apenas-a-sua-capacidade" style="font-size:19px">A humanidade chegou a este momento devido apenas a sua capacidade:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">“<em>As grandes inovações jamais vêm de cima, sempre de baixo, como as árvores que não nascem do céu mas germinam do solo, ainda que suas sementes tenham caído do alto</em>” (JUNG, 2013c, p.97).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pessoas foram capazes de criar, germinaram ideias através, primeiro, de seus sonhos. Possibilidades infinitas que são apenas nossas!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>“(&#8230;) nos seres humanos, existe a possibilidade de despertar a consciência reflexiva, uma capacidade que nos permite sustentar e conviver com a dúvida, simbolizando e ressignificando as intercorrências existenciais.” (MAGALDI FILHO, 2025)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O nosso cérebro é extremamente complexo, mais complexo do que o Universo cósmico, com conexões entre todas as suas áreas, adaptado a todas as situações, atuando de forma democrática. São cerca de 100 bilhões de neurônios, uma floresta cerebral, em uma dinâmica harmônica (Cf. LENT, 2001, p.14,15).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Explicando nossa psique, Jung (Cf. 2013b, p.60) fala dos cinco instintos básicos: fome, sexualidade, ação, reflexão e criatividade, colocando-os como forças motivadoras dos processos psíquicos. A sua assimilação é a psiquificação desse instinto como fenômeno psíquico. A sexualidade, por exemplo, é um instinto de conservação da espécie, mas as restrições sociais e de natureza moral fizeram com que este instinto se modificasse, sendo associado a diversos sentimentos e emoções, ou seja, psiquificou-se.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-instinto-de-reflexao-esta-associado-ao-estado-consciente-da-mente" style="font-size:19px">O instinto de reflexão está associado ao estado consciente da mente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Um estímulo qualquer, interno ou externo, pode ser interrompido da corrente instintiva e psiquificado. Assim, “<em>devido a interferência da reflexão, os processos psíquicos exercem uma atração sobre o impulso de agir, produzido pelo estímulo</em>” (JUNG, 2013b, p.63). Com isso, um instinto inconsciente é substituído pela reflexão, tornando-se consciente e então perdendo a força reacional e impulsiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>O instinto de reflexão talvez constitua a nota característica e a riqueza da psique humana (&#8230;) e tem lugar sob diferentes formas: ora diretamente, como expressão verbal, ora como expressão do pensamento abstrato, como representação dramática ou como comportamento ético, ou ainda como feito científico ou como obra de arte. (JUNG, 2013b, p.63)</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-outra-caracteristica-humana-e-o-instinto-de-criatividade" style="font-size:19px">Outra característica humana é o instinto de criatividade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung colocou-o na ordem dos instintos por sua natureza assim se assemelhar, porém sem ter nenhuma relação com os outros instintos (fome, sexualidade, ação, reflexão). A criatividade pode “<em>reprimir todos estes instintos e colocá-los a seu serviço até à autodestruição do indivíduo. A criação é, ao mesmo tempo, destruição e construção</em>”. (JUNG, 2013b, p.64)</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-mesmo-sabendo-de-todo-nosso-diferencial-nossa-capacidade-reflexiva-nossa-criatividade-pessoas-estao-com-medo-vivemos-tempos-dificeis-pessoas-estao-anestesiadas-mergulhadas-num-mundo-do-embotamento-cerebral-da-idiotizacao-em-atividades-profissionais-que-estimulam-apenas-o-automatismo-sem-nenhuma-alegria-genuina-de-ver-sua-criatividade-estimulada-pessoas-se-sentem-diminuidas-perante-a-inteligencia-artificial-com-medo-de-serem-substituidas-com-muita-facilidade-nos-seus-empregos-no-seu-ganha-pao" style="font-size:19px"><strong>Mesmo sabendo de todo nosso diferencial, nossa capacidade reflexiva, nossa criatividade, pessoas estão com medo</strong>. Vivemos tempos difíceis. Pessoas estão anestesiadas, mergulhadas num mundo do embotamento cerebral, da idiotização, em atividades profissionais que estimulam apenas o automatismo, sem nenhuma alegria genuína de ver sua criatividade estimulada. Pessoas se sentem diminuídas perante a Inteligência Artificial, com medo de serem substituídas com muita facilidade nos seus empregos, no seu ganha pão.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em 1924 Jung foi questionado sobre o problema psíquico do homem moderno e já apontava os mesmos problemas que vivemos hoje, a insegurança que caminha paralelamente ao mundo tecnológico, distante da alma:</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>(&#8230;) a ciência, a técnica e a organização podem ser uma bênção, mas sabe também que podem ser catastróficas. (&#8230;) Considerando todos os aspectos, acho que não estou exagerando se comparar a consciência moderna com a psique de um homem que, tendo sofrido um abalo fatal, caiu em profunda insegurança. (JUNG, 2013c, p.87)</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-miguel-nicolelis-nao-deveriamos-estar-com-medo" style="font-size:19px">Segundo <strong>Miguel Nicolelis</strong>, não deveríamos estar com medo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Como explicado acima, a Inteligência Artificial depende completamente do ser humano para poder existir. O pai da I.A., Alan Turing, na década de 50, falava que os vastos problemas que existem no mundo natural não são computáveis, que para resolvê-los é necessário chamar um oráculo, ou seja, o ser humano. Os grandes cientistas da Inteligência Artificial têm certeza absoluta que ela não vai substituir o ser humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Porém, algo novo está acontecendo, que é a influência de uma consciência coletiva que vem aprendendo a se comportar como o digital, de forma binária, preto e branco, sem as várias nuances dos cinzas. Estamos assistindo a polarização. Hoje vivemos em bolhas sociais, recebendo informações provenientes de algoritmos binários, apenas o preto ou o branco.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-o-que-isto-tem-a-ver-com-o-nosso-medo-estamos-perdendo-a-fluidez-emocional" style="font-size:19px">E o que isto tem a ver com o nosso medo? Estamos perdendo a fluidez emocional.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Zumbis digitais, que não se importam com nada além de sua satisfação pessoal imediata, completamente mergulhados no que as redes sociais daquele grupo acreditam, sem reflexão, sem criação, na crença de que tudo que aquela suposta “Inteligência Artificial” está nos entregando é a verdade absoluta. O cérebro é como um camaleão, vai se automodelando conforme aquilo que recebe de estímulo. Ele evoluiu para otimizar as nossas chances de sobreviver e se utiliza da estatística da recompensa para calcular qual caminho seguir. E hoje a recompensa são as migalhas dos “joinhas” recebidos no Instagram, ou ganhar no jogo de videogame. Estamos interagindo com telas antes até de falar e retraindo o cérebro de certas habilidades básicas por falta de uso.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Todavia, segundo Nicolelis, há uma indústria por trás disso com interesse econômico gigantesco para propagar a falácia de que estamos ficando obsoletos. &nbsp;Passou-se a acreditar que as nossas criações superaram a nossa capacidade. Milhões de pessoas estão sem condições cognitivas de escolher e esta é a grande jogada desse sistema.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-novos-caminhos-se-descortinam" style="font-size:19px"><strong>NOVOS CAMINHOS SE DESCORTINAM</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Parece que, finalmente, chegou o momento de entendermos o que nos faz diferentes. Há tempos vimos que uma simples calculadora faz contas absurdas em um milésimo de segundo. Também já entendemos que o Google responde quase a qualquer pergunta que lhe fazemos. E nós? Será que a nossa capacidade se resumiria a apenas saber fazer cálculos absurdos ou a ter uma memória fantástica?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Não, absolutamente! A capacidade de reflexão e criação é nossa, humanos. Percebemos a nossa diferença de qualquer ser desse planeta quando vemos algo sendo criado vindo da nossa capacidade de imaginação, como o que meu filho fez em sua marcenaria. Sem nenhuma ferramenta especial, algo se faz, adequadamente colocado como o acrônimo de Inteligência Artificial: Inteligência Artística.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É uma nova jornada que se descortina. A inteligência artificial está realmente tomando muitos lugares que antes eram ocupados apenas por humanos. Mas já vimos isso acontecer antes na história, como os empregos maçantes em lavouras que hoje são substituídos por tratores, ou qualquer outra função que foi muito bem substituída por máquinas, desde a revolução industrial. Desde esse tempo temos ficado livres de trabalhos pesados. Assim, livres do peso dos trabalhos robóticos, enfadonhos, que comem o nosso precioso tempo, podemos, enfim, sermos seres humanos, desenvolvendo a nossa capacidade reflexiva e criativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Sim, é um caminho, mas não é uma trajetória passiva, tranquila. Há um trabalho a ser feito, exigente de uma psique ativa, que não se deixa levar pela inércia enfadonha que a tranquilidade do uso da Inteligência Artificial parece proporcionar, energia psíquica que se coloca num movimento contrário à entropia, presente em todos os fenômenos da alma, como nossos instintos, vontades, nossos afetos, atitudes.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-formacao-de-uma-nova-atitude-diferente-dessa-passividade-precisa-necessariamente-acontecer-atraves-da-forca-de-designio-dessa-alma" style="font-size:19px">A formação de uma nova atitude, diferente dessa passividade, precisa necessariamente acontecer através da força de desígnio dessa alma:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Os mais graves conflitos, quando superados, deixam uma segurança e tranquilidade difícil de perturbar ou então uma ruptura, quase impossível de curar, e vice-versa: são justamente as maiores oposições e sua conflagração que vão produzir resultados valiosos e estáveis. (JUNG, 2013a, p.37)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Estamos assistindo ao mundo mudar. Grandes dificuldades estão surgindo. Estamos vivendo novos paradigmas, um pouco perdidos, tentando descobrir qual o nosso lugar nesse mundo contemporâneo. Provavelmente, não veremos o fim da humanidade neste movimento que vem surgindo de diminuição do Q.I. a cada geração. Somos demasiadamente complexos para nos reestruturarmos e nos refazermos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Entramos numa nova era de oportunidades, com mais tempo para usarmos nossa criatividade, para refletirmos, para usarmos toda a nossa capacidade de alma e nos conhecermos na integralidade. Colocando a Inteligência Artificial para trabalhar a nosso favor, teremos mais tempo para desenvolver aquilo que é nosso, somente nosso, a nossa “Inteligência Artística”.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;I.A. - INTELIGÊNCIA ARTÍSTICA&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/aPpuR7M9iZs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/denise-largman/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/denise-largman/">Denise Largman &#8211; Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/liaromano/">Lia Romano &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>A energia psíquica</em>. 14 ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_______________ <em>A natureza da psique</em>. 10 ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_______________ <em>Civilização em transição</em>. 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2013c.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LENT, Robert. <em>Cem bilhões de neurônios: conceitos fundamentais da neurociência.</em> São Paulo: Atheneu, 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI FILHO, Waldemar. Sem pensamento crítico, “ocupações uberizadas” dão às pessoas ilusão de autonomia. Folha de São Paulo, São Paulo, 30 ago. 2025. Disponivel em: &lt;https:www.folha.uol.com.br&gt;. Acesso em: 08 out. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MIGUEL NICOLELIS EXPLICA PORQUE A I.A. NEM É INTELIGÊNCIA NEM É ARTIFICIAL. [vídeo], 1:40:46, [s.l.:s.n.], 2023. Youtube Reconversa #21. Disponível em: www.youtube.com/reinaldoazevedo. Acesso em: 11 out. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTANA, Letícia Maria. <em>O uso das telas e sua influência no desenvolvimento da inteligência na área de exatas.</em>2023. 68f. Monografia (graduação em análise e desenvolvimento de sistemas). Faculdade de Tecnologia de Indaiatuba, Indaiatuba, 2023.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>“REBORN” DO FEMININO</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/reborn-do-feminino/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Denise Largman]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Jul 2025 11:19:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=10930</guid>

					<description><![CDATA[<p>Resumo: Estamos vivendo mais uma daquelas situações assombrosas, motivo de piadas, falas em todas as mídias sociais, está nas fofocas, nas conversas filosóficas, em lives de psicologia. Não poderia ser diferente. Estamos vendo mulheres adotando bebês de borracha como se fossem seus filhos, gerados por elas. Estão exigindo serem tratadas como mães, em filas de [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6"><strong>Resumo</strong>: Estamos vivendo mais uma daquelas situações assombrosas, motivo de piadas, falas em todas as mídias sociais, está nas fofocas, nas conversas filosóficas, em lives de psicologia. Não poderia ser diferente. Estamos vendo mulheres adotando bebês de borracha como se fossem seus filhos, gerados por elas. Estão exigindo serem tratadas como mães, em filas de supermercado, em postos de vacinação! Será um novo modismo? Será uma infantilização coletiva? Será um surto psicótico coletivo? A<strong>s perguntas aguçam a curiosidade, mas também assustam</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">Devemos observar que não existe uma razão geral para os fatos que se apresentam, pois cada indivíduo contém suas próprias questões. Mas o acontecimento tem se apresentado dentro do coletivo, então parece que o que impulsiona, o que afeta essas mulheres, é um motivo coletivo. De forma pretensiosa procuro, neste artigo, trazer algo que possa ser um “como, por quê e para quê” essas mulheres, de forma inconsciente, foram dominadas pelo “complexo da maternagem”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quero-ser-mae" style="font-size:20px"><strong>QUERO SER MÃE!</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6"><strong>O caso dos bebês de borracha intriga, faz pensar. O que está acontecendo</strong>? Não conheço uma pessoa sequer que não tenha se chocado com as histórias que veem povoando todas as formas de comunicação conhecidas. A mim instiga um misto de curiosidade e preocupação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-entao-lendo-neumann-o-medo-do-feminino-vi-um-trecho-que-me-provocou-insights-sobre-a-situacao-dessas-mulheres-e-compartilho-com-voces" style="font-size:20px">Então, lendo Neumann, <em>O medo do Feminino</em>, vi um trecho que me provocou <em>insights </em>sobre a situação dessas mulheres e compartilho com vocês:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Mas em certo sentido a Natureza limitou o perigo de que a mulher possa se trair ao Masculino e perder sua ligação com a <em>Gestalt </em>arquetípica fundamental do Feminino. Pois não importa quanto a filha, como mulher, possa ter se distanciado do mundo matriarcal da base do solo matriarcal, e quanto ela sucumbe ao descrédito no qual a coloca o homem patriarcal, ela entra, normalmente, numa fase de desenvolvimento de sua existência feminina na qual a grande totalidade da natureza feminina quase sempre retifica e corrige todos os desvios de sua essência feminina. Esta retificação acontece independentemente [&#8230;] da consciência da mulher de tudo aquilo que realmente acontece durante essa fase decisiva para a mulher e marcada pelo advento, não do casamento, mas da gravidez e do parto. Quando a mulher dá à luz uma criança, experiencia uma descoberta do Self tão profundamente ancorada em sua existência biofísica, que somente nos casos mais raros passa desapercebida. </p><cite>(NEUMANN, 2000, p. 259)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">O que Neumann está dizendo aqui é que a identificação com o animus pode ter uma reversão quando a mulher engravida e tem um bebê! <strong>As mulheres estão possuídas pelo animus</strong>? Então, será que está aí uma das razões dessa “epidemia” de mães de bebês de borracha?&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-possessao-pelo-animus" style="font-size:20px">POSSESSÃO PELO ANIMUS</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">Na clínica venho atendendo muitas mulheres na faixa dos 25 aos 40 anos que têm uma questão em comum: gostariam de ser mães, mas por, praticamente, duas razões, não dão este passo à maternagem: <strong>falta de um parceiro</strong> e a <strong>carreira</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">A vida contemporânea e o grande avanço conquistado pelas mulheres para a entrada no mundo patriarcal provocaram resultados que têm sido extremamente positivos, como autonomia, paridade no mercado de trabalho, independência financeira, etc. Mas, por outro lado, segundo Neumann (Cf. 2000, p.258), corremos o risco de sermos dominadas pelo animus, unilateralizadas nesse mundo masculino.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">Há séculos vemos o mundo patriarcal controlando a tudo e a todos, então há poucos anos vimos as portas se abrirem para a nossa ascensão a este mundo masculino e entendemos que seria o melhor caminho. Assim, vemos mulheres entrando nas universidades, no mercado de trabalho, competindo de igual para igual com homens, mas ao mesmo tempo se masculinizando, sem encontrarem um meio termo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-estou-aqui-fazendo-uma-apologia-ao-retorno-da-dominacao-masculina-sobre-as-mulheres-nem-que-deveriamos-voltar-a-pensar-em-sermos-somente-boas-esposas-e-maes-nao" style="font-size:20px">Não estou aqui fazendo uma apologia ao retorno da dominação masculina sobre as mulheres, nem que deveríamos voltar a pensar em sermos somente boas esposas e mães. Não!</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">Estou dizendo que estamos perdendo o contato com o princípio Feminino e, talvez, nem saibamos mais o que isto significa. <strong>Há milhares de anos fomos ensinadas que ser mulher é ser inferior</strong>. Perdemos a ligação com o Feminino, que dentro da cultura judaico-cristã está ligado ao pecado original. Então, quando temos a oportunidade de, finalmente, estarmos lado a lado, em pé de igualdade de direitos, com o mundo dos homens, a tendência mais do que lógica foi nos perdermos dentro deste mundo, e o animus, como complexo, dominou-nos quase que totalmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">A impressão que tenho é que o que está acontecendo é um sintoma da <strong>unilateralidade da consciência</strong>, uma compensação, com o intuito de curar a situação neurótica de identificação com o masculino.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-unilateralidade-da-consciencia-encontra-a-resistencia-da-esfera-dos-instintos-jung-2013-p-32" style="font-size:20px">“A unilateralidade da consciência encontra a resistência da esfera dos instintos” (JUNG, 2013, p.32).</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Quanto mais unilateral for a sua atitude consciente e quanto mais ela se afastar das possibilidades vitais ótimas, tanto maior será também a possibilidade que apareçam sonhos vivos de conteúdos fortemente contrastantes como expressão da autorregulação psicológica do indivíduo. Assim como o organismo reage de maneira adequada a um ferimento, a uma infecção ou a uma situação anormal da vida, assim também as funções psíquicas reagem a perturbações não naturais ou perigosas, com mecanismos de defesa apropriados. </p><cite>(JUNG, 2013, p. 203)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">O instinto da maternagem tem o caráter mobilizador como todos os instintos e, provavelmente, no caso em questão, esteja afastado do limiar da consciência, mas perseguindo sua meta inerente antes de qualquer conscientização (Cf. JUNG, 2014, p. 52).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>A <strong>projeção</strong>, quando surge, pode provocar as loucuras de todo tipo.</p><cite>(JUNG, 2014a, p.108)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6"><strong>Jung explica como o desejo mais íntimo de ser mãe pode ser projetado para um objeto, dando-lhe vida</strong>:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Projeção ativa é componente essencial do ato de empatia. A empatia como um todo é um processo de introjeção porque serve para levar o objeto a uma íntima relação com o sujeito. Para configurar esta relação, o sujeito destaca de si um conteúdo, por exemplo, um sentimento, e o transfere para o objeto, dando vida a este e incluindo-o na esfera subjetiva. </p><cite>(JUNG, 2013b, p. 478)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-nos-fala-que-tudo-que-experimentamos-e-na-verdade-uma-experiencia-psiquica-entao-toda-a-realidade-e-exclusivamente-de-ordem-psiquica-2014-p-310-311" style="font-size:20px">Jung nos fala que tudo que experimentamos é, na verdade, uma experiência psíquica, então toda a realidade é, exclusivamente, de ordem psíquica (2014, p. 310- 311)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">Esta informação nos dá, talvez, uma compreensão de como uma pessoa pode projetar sobre um objeto inanimado tanto carinho, afeição e cuidado. Nas palavras de Jung:&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Tudo o que eu experimento é psíquico. (&#8230;) Minha psique, com efeito, transforma e falsifica a realidade das coisas em proporções tais, que é preciso recorrer a meios artificiais para constatar o que são as coisas exteriores a mim. (&#8230;) Tudo o que nos é possível conhecer é constituído de material psíquico. A psique é a entidade real em supremo grau, porque é a única realidade imediata. </p><cite>(JUNG, 2013, p. 310)&nbsp;</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">O caso das bonecas <em>reborn</em> tem ocorrido em muitas mulheres, jovens, saudáveis, em idade de serem mães biológicas de bebês de carne, osso e alma, adotando bebês de borracha, desalmados. Fenômeno que tem origem no <strong>inconsciente coletivo</strong>, sendo, então, uma neurose coletiva.&nbsp;Segundo Jung (Cf. 2014, p.56), geralmente os casos de neuroses são sociais e deve-se admitir a reativação do arquétipo correspondente sendo, no caso, o materno.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-forcas-arquetipicas-quando-consteladas-sao-explosivas-perigosas-e-de-consequencias-imprevisiveis" style="font-size:20px">As forças arquetípicas, quando consteladas, são explosivas, perigosas e de consequências imprevisíveis.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Quando algo ocorre na vida que corresponde a um arquétipo, este é ativado e surge uma compulsão que se impõe a modo de uma reação instintiva contra toda a razão e vontade, ou produz um conflito de dimensões eventualmente patológicas, isto é, uma neurose.</p><cite>(JUNG, 2014, p.57).&nbsp;</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">A neurose coletiva é justamente manter bem distante o desejo de ser mãe, ou de postergá-lo ao máximo, uma vez que assumir essa faceta da vida é se afastar dos valores dominantes do patriarcado vigente e enfrentar a perda dos seus ganhos materialistas. Porém o Self não perdoa. Ele vem com sua força arrebatadora para corrigir o que a consciência possuída pelo animus está seguindo, um caminho que poderia levar à cisão completa com a essência feminina. Os bebês de borracha foram o meio encontrado para essa integração com o Feminino perdido.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">Pode parecer loucura, mas Jung falou brilhantemente: “<strong>Estar louco é um conceito social. Usamos restrições e convenções sociais a fim de reconhecermos desequilíbrios</strong>” (2013a, p.50).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">Se, por fim, essas mulheres conseguirem identificar a neurose e integrar, de forma consciente, o desejo de ser mãe, então os sintomas terão exercido sua maior função, a de despertar o Feminino.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;Reborn&quot; do Feminino" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/UJQbse0-AX4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/denise-largman/">Denise Largman &#8211; Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/liaromano/">Lia Romano &#8211; Membro Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:20px">REFERÊNCIAS:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">NEUMANN, Erich. <em>O medo do feminino. </em>1 ed. São Paulo: Paulus, 2000.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; <em>A natureza da psique</em>. 10 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">______. <em>A vida simbólica, vol.1. </em>7 ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">______. <em>Tipos psicológicos. </em>7 ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">______. <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo.</em> 11 ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6">______. <em>Psicologia do inconsciente. </em>24 ed. Petrópolis: Vozes, 2014a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.6"><strong>Canais IJEP:</strong></p>



<figure class="wp-block-image"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-1024x576.png" alt="" class="wp-image-10882" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/07/image-1.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



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		<title>A armadilha do super desempenho e do excesso de positividade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-armadilha-do-super-desempenho-e-do-excesso-de-positividade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Denise Largman]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Feb 2025 18:36:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Burnout]]></category>
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		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
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		<category><![CDATA[Han]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade do canasaço]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade do desempenho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A pressão interna, exigente de perfeição, de produtividade, de utilidade, vem nos transformando em verdadeiras máquinas eficientes enquanto que, ao mesmo tempo, vivemos um século marcado por várias doenças psíquicas, como a Depressão, Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), Transtorno de personalidade  limítrofe  (TPL),  Síndrome  de  Burnout (SB).  Byung-Chul Han desenvolve esse tema [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A pressão interna, exigente de perfeição, de produtividade, de utilidade, vem nos transformando em verdadeiras máquinas eficientes enquanto que, ao mesmo tempo, vivemos um século marcado por várias doenças psíquicas, como a Depressão, Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), Transtorno de personalidade  limítrofe  (TPL),  Síndrome  de  Burnout (SB). </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Byung-Chul Han</strong> desenvolve esse tema em seu ensaio <em>A Sociedade do Cansaço</em>, mostrando como nós, ocidentais, estamos doentes em decorrência do nível de auto exploração e auto extorsão do “sujeito de desempenho”. Aqui trago essa temática à luz da psicologia analítica, que nos mostra a problemática da <strong>unilateralidade da consciência e a negação da sombra.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hoje-nega-se-a-falta-de-capacidade-de-ser-tao-produtivo-e-de-nao-termos-que-ser-uteis-a-todo-momento-hoje-somos-uma-sociedade-em-que-o-chefe-e-interno-bem-diferente-da-sociedade-do-seculo-passado-em-que-havia-um-controle-com-normas-rigidas-e-punicoes-para-quem-descumprisse-o-estabelecido-as-pessoas-tinham-algo-ou-alguem-externo-para-ser-combatido-a-ser-negado" style="font-size:18px"><strong>Hoje nega-se a falta de capacidade de ser tão produtivo e de não termos que ser úteis a todo momento</strong>. Hoje somos uma sociedade em que o chefe é interno, bem diferente da sociedade do século passado em que havia um controle com normas rígidas e punições para quem descumprisse o estabelecido. As pessoas tinham algo ou alguém externo para ser combatido, a ser negado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Hoje o opressor mora dentro de nós, pedindo mais, exigindo mais, numa coação interna. Então surgem os conflitos.</strong> Percebemos, através de muita dor, que a busca da produtividade ilimitada e da <em>performance</em> impostas pela nossa autocobrança, não estão em ressonância com o si-mesmo. Quando somos os comandantes de nossas próprias vidas há um amadurecimento, que não está livre de sofrimento, já que é necessária a escuta interior do nosso lado sombrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>A integração desses opostos pode nos levar a um novo tipo de sociedade, que não será controladora, nem de desempenho, mas integral e humana.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-preciso-mais-preciso-de-mais-preciso-demais" style="font-size:18px">PRECISO MAIS, PRECISO DE MAIS, PRECISO DEMAIS!!!</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Acredito que cada vez mais vemos acontecer, ao nosso lado, ou conosco mesmos, a exigência da perfeição, da produtividade total, da necessidade de ser útil, estimulados por uma voz dominadora interior dizendo sempre: você não fez o bastante, eu sei que pode mais!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Byung-Chul Han</strong> (2017), filósofo coreano e professor de filosofia na Universidade de Berlim tornou-se popular no Brasil com seu ensaio<strong> <em>Sociedade do Cansaço</em></strong><em>.</em> Nele Han coloca que a sociedade do início do séc. XXI é marcada, patologicamente, por doenças neuronais, como a depressão, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno de personalidade limítrofe (TPL) ou a síndrome de burnout (SB), diferentemente do século anterior, marcado pela loucura e a delinquência. E o que aconteceu?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-do-excesso-de-controle-e-negatividade-externos-caminhamos-para-o-excesso-de-positividade-e-coacao-internas" style="font-size:18px">DO EXCESSO DE CONTROLE E NEGATIVIDADE EXTERNOS, CAMINHAMOS PARA O EXCESSO DE POSITIVIDADE E COAÇÃO INTERNAS</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No século passado, diz Han, vivíamos uma sociedade controladora, havia uma estrutura externa nos monitorando, normas a serem seguidas e, sujeitos que não se adequavam às regras, eram punidos. Havia também uma nítida divisão entre quem era amigo ou inimigo, o que era próprio ou estranho e, como defesa, atacava-se o diferente, “em virtude de sua alteridade”. A divisão também se encontrava no tempo: horas de trabalho, horas de escola, horas de lazer. Não havia nenhuma dificuldade com a determinação de espaço/tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esta era a sociedade da negatividade, ou seja, havia algo externo a nós, o impositor, o chefe, o padre, o pai, e que também era passível de ser combatido. Lutávamos para vencer as proibições ou as regras que eram impostas externamente a nós ou então simplesmente nos submetíamos a elas. Mas vencemos!!!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Hoje não temos mais isso. Segundo Han (Cf. HAN, 2017, pp. 23-30), a sociedade do séc. XXI é determinada pelo desempenho, pela hiperprodutividade, pelo poder ilimitado da positividade. Tornando a pessoa seu próprio chefe, seu próprio algoz, forçando-a a ultrapassar todos os limites, porque é apregoado que ela pode, basta esforçar-se. Hoje não existe mais a figura do agente controlador, o sujeito faz esse papel consigo mesmo, ele é o dono do seu próprio destino. Mistura-se liberdade com coação interna, de sempre ter que ser melhor, e nada escapa ao excelente desempenho, como superar o número de passos que andamos num dia, ou quantos litros de água conseguimos tomar, ou seja, qualquer instância é passível de ser performada. A competição interna, imposta pelos seus pares, pelas mídias sociais e por uma persona perfeccionista levam o sujeito aos limites extremos de exigência própria em todos os setores da vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sem-chefe-passamos-a-produzir-mais" style="font-size:18px">SEM CHEFE PASSAMOS A PRODUZIR MAIS</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Esta é a forma mais eficaz que a sociedade capitalista encontrou de alcançar patamares cada vez mais altos de produção e consumo desenfreado, como Han coloca:</strong></p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Para elevar a produtividade, o paradigma da disciplina é substituído pelo paradigma do desempenho ou pelo esquema positivo de poder, pois a partir de um determinado nível de produtividade, a negatividade da proibição tem um efeito de bloqueio, impedindo um maior crescimento. A positividade do poder é bem mais eficiente que a negatividade do dever. Assim o inconsciente social do dever troca de registro para o registro do poder. O sujeito de desempenho é mais rápido e mais produtivo que o sujeito da obediência. </p><cite>(HAN, 2017, p. 25)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para Han, o Burnout e a Depressão ocorrem pela imposição social da <em>performance, </em>o que segundo ele, produz “infartos psíquicos”. O sujeito depressivo “não pode mais poder”, levando-o a sentimentos de culpa, invalidez, autoacusações e a uma autoagressão, em guerra consigo mesmo: “A depressão é o adoecimento de uma sociedade que sofre sob o excesso de positividade. Reflete aquela humanidade que está em guerra consigo mesma” (HAN, 2017, p.29).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Segundo Maslach &amp; Jackson, “a Síndrome de burnout pode ser considerada uma resposta crônica aos estressores interpessoais advindos da situação laboral, uma vez que o ambiente de trabalho e sua organização podem ser responsáveis pelo sofrimento e desgaste que acometem os trabalhadores”. (<em>apud</em> CARDOSO <em>et al</em>, 2017, p.122)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-negacao-do-que-vem-do-lado-contrario" style="font-size:18px">NEGAÇÃO DO QUE VEM DO LADO CONTRÁRIO</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Todas essas reflexões mostram uma problemática já levantada por Jung no século passado, quando não existiam essas terminologias: a cisão entre os conteúdos do consciente e inconsciente (JUNG, 2014, p.31).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tanto o excesso de negação como o excesso de positividade são unilaterais. A unilateralidade provoca cisão, pois no inconsciente a força contrária cresce proporcionalmente a sua repressão. A positividade nega a negatividade e vice-versa. Tanto a sociedade controladora, quanto a sociedade do desempenho, são contraditórias, sofrem pressão do seu oposto de forma neurótica. A sociedade apenas mudou a sua forma, mas continua unilateralizada e com certezas absolutas!</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Cada um de nós evita encarar seus problemas, enquanto possível. Não se deve mencioná-los, ou melhor ainda, nega-se a sua existência. [&#8230;] Queremos certezas e não dúvidas; queremos resultados e não experimentos, sem, entretanto, nos darmos conta de que as certezas só podem surgir através da dúvida, e os resultados através do experimento. [&#8230;] Para obtermos certeza e claridade, precisamos de uma consciência mais ampla e superior. </p><cite>(JUNG, 2013, p.344)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-afinal-sermos-os-comandantes-de-nossas-proprias-vidas-nao-e-uma-coisa-boa" style="font-size:17px">MAS, AFINAL, SERMOS OS COMANDANTES DE NOSSAS PRÓPRIAS VIDAS NÃO É UMA COISA BOA?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung, em uma conferência sobre <strong><em>As etapas da vida human</em>a</strong>, explica como ocorre o processo de desenvolvimento da infância para a juventude, bem semelhante ao processo que levou a sociedade controladora para a sociedade do desempenho:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>No estágio infantil da consciência, ainda não há problemas; nada depende do sujeito, porque a própria criança ainda depende inteiramente dos pais. [&#8230;] Até este período, a vida psicológica do indivíduo é governada basicamente pelos instintos e por isto não conhece nenhum problema. Mesmo quando limitações externas se contrapõe aos impulsos subjetivos, estas restrições não provocam uma cisão interior do próprio indivíduo. Este se submete ou as evita, em total harmonia consigo próprio. Ele ainda não conhece o estado de divisão interior, induzido pelos problemas. Este estado só ocorre quando aquilo que é uma limitação exterior torna-se uma limitação interior, isto é, quando um impulso se contrapõe a outro. </p><cite>(JUNG, 2013, pp. 346-347)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Neste texto Jung mostra a questão do desenvolvimento, que nos parece bem semelhante com o processo que ocorreu com a sociedade, partindo de um sistema controlador, como ocorre com a criança que depende inteiramente dos pais, agentes externos, e desenvolve-se para a juventude, quando o agente limitador passa a ser interno. Não existe mais um chefe de fora, regulador. Este agora é um algoz interior, exigente de desempenho, de performance, de produtividade, de utilidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-processo-de-evolucao-doi" style="font-size:18px">O PROCESSO DE EVOLUÇÃO DÓI</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Parece que o nível que a sociedade se encontra hoje é um patamar além da sociedade anterior, porém não livre de sofrimento. Jung, na mesma conferência, coloca que apenas conhecemos conteúdos que estejam ligados a outro e só podemos alcançar um nível de consciência mais alto quando já tivermos passado pelo processo anterior (Cf. JUNG, 2013, p. 346), ou seja, o nível que a sociedade se encontra hoje é a evolução da sociedade anterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Porém, essa evolução está se mostrando bem doída. Jung exprime, no seguinte trecho, como o processo de conscientização é penoso: “[&#8230;] e é assim que vemos qualquer problema que nos obriga a uma consciência maior e nos afasta mais ainda do paraíso de nossa infantilidade inconsciente”. (JUNG, 2013, p. 344).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-sim-voce-pode-nao-esta-em-ressonancia-com-o-si-mesmo" style="font-size:18px">O “SIM, VOCÊ PODE!” NÃO ESTÁ EM RESSONÂNCIA COM O SI-MESMO</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Han aponta o Burnout e a depressão como estados do ser que não pode mais, que chegou no seu limite total. Jung nos fala: “<strong>só o Ser Humano adulto é que pode ter dúvidas a seu próprio respeito e discordar de si mesmo</strong>.” (JUNG, 2013, p. 347). O conflito desse sujeito para com essa sociedade está na sua percepção de que a vida em busca de produtividade ilimitada, <em>performance,</em> empenho total à nível físico e emocional, impostos pela consciência coletiva através de seus pares, das mídias sociais e de um complexo do ego motivacional que lhe diz o tempo todo “sim, você pode”, não está em ressonância com o si-mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Este é um indivíduo problemático, mas não neurótico como o restante da sociedade autômata. “O neurótico é doente porque não tem consciência dos seus problemas, ao passo que o indivíduo problemático sofre com seus próprios problemas conscientes sem ser doente”. (Cf. JUNG, 2013, p. 348)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao" style="font-size:18px">CONCLUSÃO:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Viver como seres conscientes é um processo árduo. Muito mais fácil, até certo ponto, seguir a manada como seres autômatos. Porém a alma nos impulsiona. Os sintomas da cisão com o nosso verdadeiro propósito de vida são pesados! Vemos isso justamente em todos os casos existentes de doenças que se manifestam na esfera psíquica, social, espiritual e física. Essa sociedade cansada está realmente esgotada, como Han fala, “infartados psíquicos” (Cf. HAN, 2017, p. 27). Sem dúvida o fato de termos chegado nesse nível de sociedade, em que possuímos o impulso interno para nossa superação, é um ganho. Porém precisamos aprender a escutar o nosso lado sombrio, que não quer performar, que não quer ser o melhor. Esse lado existe e não pode ser abafado. <strong>O si-mesmo é o centro psíquico integrador desses dois lados</strong>!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A função transcendente, trazida por Jung, é uma função do ser humano e por isso é natural, segue seu caminho, queiramos aceitá-la ou não. Porém, para que a união desses opostos ocorra há necessidade de haver uma leitura simbólica que una essas antinomias, senão o cansaço ou as doenças serão apenas eventos, e nada mais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Então, evoluamos mais! Já saímos da sociedade controladora, estamos na sociedade do desempenho e, com muito esforço de consciência, individualmente poderemos alcançar a integração com o si-mesmo e assim uma sociedade mais humana e consciente!&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: A armadilha do super desempenho e do excesso de positividade" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/f2XmePQCFwQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Denise Largman &#8211; Analista em formação IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/liaromano/"><strong>Lia Romano &#8211; Analista Didata IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">CARDOSO, Hugo Ferrari, <em>et al</em>. Síndrome de burnout: análise da literatura nacional entre 2006 e 2015. In: <em>Rev. Psicol., Organ. Trab</em>.&nbsp;vol.17&nbsp;no.2&nbsp;Brasília&nbsp;Abr.- Jun.&nbsp;2017. Disponível em:&lt;<a href="https://doi.org/10.17652/rpot/2017.2.12796">https://doi.org/10.17652/rpot/2017.2.12796</a>&gt;. Acesso em: 14 nov. 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">HAN, Byung-Chul. <em>A sociedade do cansaço</em>. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; <em>A natureza da psique</em>. 10 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">______. <em>Psicologia do inconsciente</em>. 24 ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Saiba mais sobre nossos Cursos, Congressos e Pós-graduações</strong> com inscrições abertas: Psicologia Analítica, Psicossomática, Arteterapia e Expressões Criativas, matrículas abertas &#8211; <a href="https://www.ijep.com.br/">www.ijep.com.br</a></p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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