<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Elaine Cristina Bedin, Autor em Blog IJEP</title>
	<atom:link href="https://blog.ijep.com.br/author/elaine-cristina-bedin/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.ijep.com.br/author/elaine-cristina-bedin/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Thu, 12 Feb 2026 18:36:56 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-logo-ijep-32x32.png</url>
	<title>Elaine Cristina Bedin, Autor em Blog IJEP</title>
	<link>https://blog.ijep.com.br/author/elaine-cristina-bedin/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>O Encontro com o Mestre: Uma jornada de transformação pela Arteterapia</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-encontro-com-o-mestre-uma-jornada-de-transformacao-pela-arteterapia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Cristina Bedin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2026 19:38:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[arteterapia]]></category>
		<category><![CDATA[expressões criativas]]></category>
		<category><![CDATA[IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[integração]]></category>
		<category><![CDATA[nise da silveira]]></category>
		<category><![CDATA[processo de individuação]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=12016</guid>

					<description><![CDATA[<p>Todos nós temos um mestre interior, sabe aquele que te acompanha ao longo de sua vida? O curso de Arteterapia não é tão simples e divertido como parece, é acima de tudo, uma entrega, uma verdadeira jornada de alma. Uma travessia profunda onde não estudei apenas técnicas, obras e embasamentos teóricos, mas um chamado, fui chamada — por meio das imagens, das cores e dos símbolos — a mergulhar nos porões da minha história. Ao encerrar a formação em Arteterapia, fecho também um ciclo de vida profundamente simbólico e transformador, uma verdadeira travessia. Um chamado da alma que me levou a tocar feridas antigas e integrar as partes esquecidas de mim mesma</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-encontro-com-o-mestre-uma-jornada-de-transformacao-pela-arteterapia/">O Encontro com o Mestre: Uma jornada de transformação pela Arteterapia</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px"><em>“Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece&#8230; ou desaparece.”<br>(Ditado antigo, citado por muitos mestres espirituais)</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: Todos nós temos um mestre interior, sabe aquele que te acompanha ao longo de sua vida? O curso de Arteterapia não é tão simples e divertido como parece, é acima de tudo, uma entrega, uma verdadeira jornada de alma. Uma travessia profunda onde não estudei apenas técnicas, obras e embasamentos teóricos, mas um chamado, fui chamada — por meio das imagens, das cores e dos símbolos — a mergulhar nos porões da minha história. Ao encerrar a formação em Arteterapia, fecho também um ciclo de vida profundamente simbólico e transformador, uma verdadeira travessia. Um chamado da alma que me levou a tocar feridas antigas e integrar as partes esquecidas de mim mesma</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-i-o-chamado-da-alma-ferida" style="font-size:19px"><strong>I. O chamado da alma ferida</strong></h2>



<p style="font-size:19px">Durante dois longos anos, tive a oportunidade de viver e reviver momentos únicos: &nbsp;um processo de mergulhos, reencontros e revelações, momentos que marcaram profundamente a minha vida. Conheci várias pessoas, algumas vivem em mim outras convivem comigo, mas com certeza, todas estão aqui, “ao lado esquerdo do peito”, como diz nosso querido Milton Nascimento.</p>



<p style="font-size:19px">&nbsp;Ao encerrar a formação em Arteterapia, fecho também um ciclo de vida profundamente simbólico e transformador, uma verdadeira travessia. Um chamado da alma que me levou a tocar feridas antigas e integrar as partes esquecidas de mim mesma.</p>



<p style="font-size:19px">O curso de Arteterapia não é tão simples e divertido como parece, é acima de tudo, uma entrega, uma verdadeira jornada de alma. Uma travessia profunda onde não estudei apenas técnicas, obras e embasamentos teóricos, mas um chamado, fui chamada — por meio das imagens, das cores e dos símbolos — a mergulhar nos porões da minha história.</p>



<p style="font-size:19px">Carrego no peito o eco de uma ferida primordial: a rejeição de uma filha não acolhida por sua mãe. Uma dor silenciosa, suavizada apenas pelo gesto amoroso dos tios que, não podendo gerar, me escolheram com o coração. Cresci entre afetos e silêncios, marcada por uma ferida invisível, que mais tarde encontraria eco. No entanto, como nos ensina Jung, &#8220;nós não nos tornamos iluminados imaginando figuras de luz, mas sim tornando consciente a escuridão&#8221; (JUNG, 1976, p. 265). E, mais uma vez, a sombra se fez presente novamente em experiências de abuso, repetições, silêncios e traumas que marcaram minha adolescência e vida adulta. Os complexos gritando e emergindo de uma dor sem fim!</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-apesar-das-dores-algo-em-mim-permanecia-resistente-uma-centelha-viva-que-me-impulsionava-a-buscar-sentido" style="font-size:19px">Apesar das dores, algo em mim permanecia resistente &#8211; uma centelha viva que me impulsionava a buscar sentido.</h2>



<p style="font-size:19px">Foi nesse movimento que encontrei a Psicopedagogia, meu primeiro portal de sentido e, mais adiante, a Psicologia Analítica, onde pude compreender e acolher as dores de crianças e adolescentes. Atendendo a este público com dificuldades de aprendizagem, percebia que por trás das questões escolares havia dores emocionais profundas, afinal a cognição não funciona sem sua aliada, a psique. &nbsp;E foi movida por essa sede de compreender a psique humana, especialmente a infância ferida e as dores da alma, que encontrei Jung. Encontrei Jung ou fui encontrada por ele? &nbsp;Afinal, como diz o ditado, “<em>Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece.&#8221;</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ii-o-encontro-com-jung-o-velho-sabio" style="font-size:19px"><strong>II. O encontro com Jung: o Velho Sábio</strong></h2>



<p style="font-size:19px">Meu caminho, porém, ainda ansiava por algo mais profundo. Foi nesse movimento de busca que nos encontramos, eu e Jung. Em seu arquétipo do Velho Sábio, reconheci uma figura que, simbolicamente, me parecia familiar — quase como Merlin, o mago que aparece nos momentos certos para guiar o herói. Este velho Sábio apareceu todas as vezes que finalizava um curso, além dos de especialização, os diversos cursos de extensão que cumpri. Em sonhos ou através de imaginação ativa, ele se manifestava com uma palavra de acolhimento ou alguma mensagem provocativa<strong>. </strong>Como descreve Silveira (1981, p.161): “No mistério do ato criador, o artista mergulha até as profundezas imensas do inconsciente. Ele dá forma e traduz na linguagem de seu tempo as intuições primordiais e, assim fazendo, torna acessíveis a todos as fontes profundas da vida”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-me-ofereceu-um-mapa-para-a-psique-onde-pude-entender-que-cada-imagem-cada-simbolo-cada-criacao-artistica-e-expressao-do-inconsciente-buscando-se-manifestar" style="font-size:19px">Jung me ofereceu um mapa para a psique, onde pude entender que cada imagem, cada símbolo, cada criação artística é expressão do inconsciente buscando se manifestar.</h2>



<p style="font-size:19px">As dores não elaboradas, emergem em busca de reconhecimento. E, foi através da Arteterapia que essas imagens ganharam corpo: em mandalas, colagens, esculturas, máscaras e sonhos, emergiram minhas personas, minhas sombras e, principalmente, meus potenciais esquecidos.</p>



<p style="font-size:19px">Neste ponto, a Arteterapia entrou em minha vida como um reencontro de almas, um despertar. Um despertar que trouxe à luz a criança silenciada, a mulher criativa e a filha esquecida. As imagens emergentes me conduziram, passo a passo, ao centro de mim mesma. Vivenciei cada encontro como uma oferenda simbólica, onde os materiais — argila, tinta, tecido, papel, lápis e o meu próprio corpo — ganharam vida e se tornaram linguagem da alma.</p>



<p style="font-size:19px"><strong>Duchastel</strong>, com sua profunda escuta simbólica, diz que “<em>Na terapia, toda intervenção colocada a serviço de uma ideia gera ideias originais; toda interpretação de uma imagem cria imagens. Assim, o processo de cura é perseguido sem cessar</em>.” (DUCHASTEL, 2010, p. 117)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-iii-a-bola-de-cristal-simbolo-de-integracao" style="font-size:19px"><strong>III. A bola de cristal: símbolo de integração</strong></h2>



<p style="font-size:19px">E como falar de imagem sem citar Nise da Silveira, a mestra brasileira que deu forma ao invisível. Ao trabalhar com pacientes psiquiátricos no Hospital Pedro II, através da sua sensibilidade, percebeu que o que a sociedade chamava de &#8220;loucura&#8221; era, muitas vezes, a linguagem simbólica da alma. Ela dizia que “As imagens não são apenas representações de sentimentos, mas manifestações do próprio inconsciente se expressando por símbolos.” (SILVEIRA, 1981)</p>



<p style="font-size:19px">No meu processo de formação, essa compreensão foi essencial. Ao criar imagens que vinham de dentro, comecei a ver que eu também carregava mundos internos inteiros: mandalas, casas, feridas, mães, meninas e anciãs. Parecia que a imagem não era apenas uma imagem e sim um pedaço de mim, um dentro do outro que desabrochava &nbsp;&nbsp;e aparecia.</p>



<p style="font-size:19px">Na última aula da formação, vivi uma experiência simbólica inesquecível. Durante um exercício profundo de imaginação ativa, reencontrei meu Mestre interior — uma figura arquetípica que sempre me acompanhou nos momentos decisivos. Parecia Merlin, com seu olhar amoroso e sua bola de cristal nas mãos.</p>



<p style="font-size:19px">Naquela esfera luminosa, vi surgir imagens da minha trajetória: desde a menina rejeitada até a mulher que hoje escreve este relato. Vi meus rostos de infância, juventude e maturidade emergirem e se fundirem num mesmo centro — um mosaico de mim mesma, costurado por vivências, dores, conquistas e resiliência.</p>



<p style="font-size:19px">Rimos, nos olhamos com ternura e, ao final, ele me disse:</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-agora-ela-e-sua-siga-seu-caminho" style="font-size:19px">— Agora ela é sua. Siga seu caminho.</h2>



<p style="font-size:19px">Colocou a bola de cristal em minhas mãos e eu chorei. Chorei porque naquele gesto entendi que o mestre já não estava fora e sim dentro de mim. E esse símbolo, a esfera translúcida, passou a representar minha intuição, minha escuta sensível e meu dom criativo.</p>



<p style="font-size:19px">A entrega da bola de cristal simbolizou um retorno, parecia que estava retornando ao centro de mim mesma e renascendo, as lagrimas escorriam pela face. Não era mais o Mestre quem me mostrava os caminhos — ele me devolveu a responsabilidade e a liberdade de trilhar o meu. Agora sou eu quem carrego a bola da intuição, da visão e da criação.</p>



<p style="font-size:19px">E essas lágrimas são de reconhecimento, de libertação, de amor-próprio. Aquela menina rejeitada, silenciada, agora era vista, acolhida e conduzida por sua própria força interior.</p>



<p style="font-size:19px">Jung descreve o processo de individuação como o retorno ao Self — centro organizador da psique —, quando o ego se curva diante da totalidade interior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-iv-a-arteterapia-como-caminho-de-individuacao" style="font-size:19px"><strong>IV. A Arteterapia como caminho de individuação</strong></h2>



<p style="font-size:19px">Esse processo, vivido profundamente na formação, é o que Jung chamou de caminho de individuação: um movimento de integração das polaridades internas, do ego com o self, da persona com o ego e do ego com a sombra. Cada produção artística foi uma ponte entre o consciente e o inconsciente, entre o passado e o presente, entre a dor e a cura.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px">“<em>Individuação significa tornar-se um ser único, na medida em que por “individualidade” entendermos a nossa singularidade mais íntima, última e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso próprio si mesmo.” (JUNG,1987, p.49)</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:19px">Nise nos lembra que “O arteterapeuta não é um artista, mas sim um testemunho do Sagrado que emerge da alma do cliente.” E o mais Sagrado de todos esses testemunhos é quando esse papel se volta para nós mesmos. Quando nos tornamos testemunhas da nossa própria travessia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-arte-e-a-expressao-do-ser-humano-e-a-expressao-do-que-ele-e-do-que-ele-sente-do-que-ele-pensa-silveira-1992" style="font-size:19px"><em>“A arte é a expressão do ser humano, é a expressão do que ele é, do que ele sente, do que ele pensa.” (SILVEIRA, 1992)</em></h2>



<p style="font-size:19px">A arte, nesse sentido, não cura por si só, mas nos permite acessar partes de nós que estavam adormecidas. E ao dar forma à dor, podemos ressignificá-la. Como Jung bem expressou: “aquilo que não enfrentamos em nós mesmos, encontraremos como destino” (JUNG, 1976, p. 169). A Arteterapia nos convida a enfrentar, elaborar e integrar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-v-o-retorno-do-feminino-criador" style="font-size:19px"><strong>V- O retorno do feminino criador</strong></h2>



<p style="font-size:19px">Hoje, sinto que retornei ao centro. Carrego comigo a bola de cristal — metáfora do olhar simbólico, da escuta sensível, da criatividade que transcende a técnica. A menina rejeitada se tornou mulher criativa. A dor deu lugar à potência. E o Mestre, em seu gesto silencioso de despedida, não desapareceu: ele mora agora dentro de mim.</p>



<p style="font-size:19px">Nise nos diz que “<strong><em>Para navegar contra a corrente são necessárias condições raras: espírito de aventura, coragem, perseverança e paixão</em></strong>.”(SILVEIRA, 1990)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-formacao-em-arteterapia-nao-foi-um-curso-foi-um-rito-de-passagem-um-renascimento" style="font-size:19px">A formação em Arteterapia não foi um curso, foi um rito de passagem, um renascimento. </h2>



<p style="font-size:19px">Afinal, segundo minha analista Simone Magaldi: “<em>Fazer análise é para os fortes.</em>” E que alegria é poder dizer isso ao final dessa jornada.</p>



<p style="font-size:19px">Que outras mulheres, filhas, mães, meninas e mestras possam encontrar também seu caminho através da arte, da alma e do amor.</p>



<p style="font-size:19px"><strong>Hoje sigo com minha bola de cristal simbólica nas mãos</strong>. Sigo com Jung, Nise, Von Franz e tantos outros como guias internos. Mas, sobretudo, sigo comigo mesma e entendo que a verdadeira cura não está em apagar as cicatrizes, mas em honrá-las como parte da nossa história.</p>



<p style="font-size:19px"><em><strong>“Portanto, não se chega à claridade pela representação da luz, mas tornando consciente aquilo que é obscuro.” (JUNG, 2013, p.280)</strong></em></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: O Encontro com o Mestre Uma jornada de transforma" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/cNh96MLMTt4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/elaine-cristina-bedin/">Elaine Bedin dos Reis – Analista em formação do IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas" style="font-size:18px"><strong>Referências Bibliográficas</strong>:</h2>



<p>DUCHASTEL, Alexandra<em>. O caminho do imaginário.</em> São Paulo: Paulus, 2010.</p>



<p>JUNG, C. G. <em>Estudos Alquímicos.</em> Petrópolis: Vozes, 2013</p>



<p>JUNG, C. G. <em>Psicologia do Inconsciente.</em> Petrópolis: Vozes, 2014</p>



<p>JUNG, C. G. <em>O Eu e o Inconsciente.</em> Petrópolis: Vozes, 1987.</p>



<p>JUNG, C. G. <em>Memórias, Sonhos, Reflexões</em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1976.</p>



<p>SILVEIRA, Nise da. <em>Imagens do Inconsciente</em>. Rio de Janeiro: Alhambra, 1981.</p>



<p>SILVEIRA, Nise da. <em>Cartas a Spinoza</em>. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1992.</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-encontro-com-o-mestre-uma-jornada-de-transformacao-pela-arteterapia/">O Encontro com o Mestre: Uma jornada de transformação pela Arteterapia</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>É possível usar o pensamento junguiano para fazer a análise de crianças e adolescentes?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/e-possivel-usar-o-pensamento-junguiano-para-fazer-a-analise-de-criancas-e-adolescentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Cristina Bedin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jun 2025 12:45:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[EducaçãoTransformadora]]></category>
		<category><![CDATA[FreirePiaget]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[PsicologiaJunguiana]]></category>
		<category><![CDATA[TerapiaInfantil]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=10566</guid>

					<description><![CDATA[<p>Resumo: Você já pensou em como a psicologia junguiana pode ajudar no desenvolvimento de crianças e adolescentes? Neste artigo, exploro a intersecção entre a psicologia analítica de Carl Jung, a educação transformadora de Paulo Freire e o desenvolvimento cognitivo de Piaget, oferecendo uma abordagem única para a terapia de crianças, adolescentes e jovens. Com mais [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/e-possivel-usar-o-pensamento-junguiano-para-fazer-a-analise-de-criancas-e-adolescentes/">É possível usar o pensamento junguiano para fazer a análise de crianças e adolescentes?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Resumo: <strong>Você já pensou em como a psicologia junguiana pode ajudar no desenvolvimento de crianças e adolescentes? </strong>Neste artigo, exploro a intersecção entre a psicologia analítica de Carl Jung, a educação transformadora de Paulo Freire e o desenvolvimento cognitivo de Piaget, oferecendo uma abordagem única para a terapia de crianças, adolescentes e jovens. Com mais de 30 anos de experiência como educadora, psicopedagoga e agora como analista, compartilho insights sobre como integrar essas perspectivas para promover o autoconhecimento, a autonomia e a transformação social.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-apos-mais-de-tres-decadas-em-sala-de-aula-convivendo-com-criancas-adolescentes-familias-e-o-complexo-mundo-da-escola-comecei-a-perceber-que-o-que-acontecia-ali-ia-alem-do-que-os-olhos-podiam-ver" style="font-size:19px">Após mais de três décadas em sala de aula, convivendo com crianças, adolescentes, famílias e o complexo mundo da escola, comecei a perceber que o que acontecia ali ia além do que os olhos podiam ver.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Comportamentos repetitivos, desenhos carregados de símbolos, silêncios profundos, explosões de raiva&#8230; tudo isso me fazia perguntar: o que mais está sendo dito aqui, por trás do que é visível? Foi quando me aproximei da psicologia de Carl Gustav Jung e encontrei uma linguagem que parecia traduzir aquilo que eu intuía, mas não conseguia nomear.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-via-o-inconsciente-nao-apenas-como-algo-que-carregamos-por-dentro-mas-como-um-campo-vivo-cheio-de-imagens-e-significados-que-nos-atravessam-mesmo-sem-sabermos" style="font-size:19px">Jung via o inconsciente não apenas como algo que carregamos por dentro, mas como um campo vivo, cheio de imagens e significados que nos atravessam, mesmo sem sabermos.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Ele afirmava que “o Self é a totalidade da personalidade, que abrange o consciente e o inconsciente; é o centro regulador da psique” (JUNG, 1976, p. 167). Mesmo na infância, esse Self está se desenhando, e as crianças nos mostram isso de formas simbólicas e espontâneas.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Ao longo da minha experiência como educadora e psicopedagoga e, mais recentemente, como analista junguiana, percebo que a jornada de compreender o desenvolvimento de crianças e adolescentes é multifacetada, desafiadora e profundamente transformadora. Durante mais de 30 anos como professora, trabalhei com famílias e jovens de diferentes realidades, observando não apenas as questões acadêmicas, mas também as psicológicas e emocionais que se manifestam de forma evidente ou oculta. Em muitos casos, os desafios enfrentados pelos jovens eram tão profundos quanto suas dificuldades acadêmicas, exigindo mais do que apenas uma abordagem pedagógica convencional.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">No contexto da psicologia junguiana, podemos considerar essas questões não resolvidas como símbolos e imagens do inconsciente que, quando trabalhados, podem promover uma integração emocional e psicológica, resultando em um desenvolvimento saudável e equilibrado. Ao integrar a perspectiva junguiana com os pensamentos de Paulo Freire e Piaget, podemos criar uma abordagem terapêutica que favoreça a autonomia, o autoconhecimento e a transformação social de crianças e adolescentes e de suas famílias.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Recordo-me de um aluno que só desenhava labirintos, com linhas complexas e sempre sem saída.</strong> Não era apenas distração: era expressão. Como dizia Jung, “<strong>as imagens do inconsciente possuem vida própria, e aparecem nos sonhos das crianças de forma viva, direta e transformadora</strong>” (JUNG, 2013, p. 41).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-aprendi-que-como-educadora-eu-nao-precisava-interpretar-mas-escutar-escutar-as-imagens-os-gestos-os-silencios" style="font-size:19px">Aprendi que, como educadora, eu não precisava interpretar, mas escutar — escutar as imagens, os gestos, os silêncios.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Este texto visa expandir a ideia de como podemos usar o pensamento junguiano para a terapia de crianças e adolescentes, considerando as contribuições do filósofo Paulo Freire e do psicólogo Jean Piaget. A intersecção desses pensadores oferece uma abordagem rica para o desenvolvimento integral também dos adolescentes. Através desta vivência como educadora e terapeuta, observo que essas perspectivas não apenas se complementam, mas oferecem uma base sólida para uma prática terapêutica que respeite o processo de individuação e crescimento das crianças e adolescentes.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jean-piaget-nos-ensinou-sobre-os-estagios-do-desenvolvimento-cognitivo-da-crianca-e-como-ela-constroi-o-pensamento-atraves-da-acao" style="font-size:19px"><strong>Jean Piaget</strong> nos ensinou sobre os estágios do desenvolvimento cognitivo da criança e como ela constrói o pensamento através da ação.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Ele dizia: “<strong>A criança é um ser que constrói progressivamente suas estruturas cognitivas, através da ação sobre o mundo</strong>” (PIAGET, 1975, p. 14). Mas, se Piaget nos ofereceu as bases para entender como a criança pensa, Jung nos ajuda a entender o que ela sente e como expressa isso de forma simbólica.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">A psicologia analítica de Carl Gustav Jung oferece uma lente profunda para compreender o inconsciente e os processos de desenvolvimento que ocorrem durante a infância e adolescência. Em sua teoria, Jung (1959) introduziu o conceito de arquétipos, que são imagens primordiais do inconsciente coletivo. Esses arquétipos emergem em sonhos, mitos e histórias culturais, refletindo as experiências universais da humanidade.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Para<strong> Jung</strong>, a infância é um momento crucial no desenvolvimento da psique, é quando a criança começa a entrar em contato com esses arquétipos e a formar uma base psíquica para seu futuro. Ele sugere que, por meio do processo de individuação, a criança, o jovem e o adulto aprendem a integrar os aspectos inconscientes da psique, o que é essencial para o nosso equilíbrio emocional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-dizia-que-o-jogo-infantil-e-o-trabalho-da-crianca-e-por-meio-do-brincar-que-ela-expressa-e-elabora-conteudos-inconscientes-jung-2000-p-88" style="font-size:19px">Jung dizia que “<strong>o jogo infantil é o trabalho da criança. É por meio do brincar que ela expressa e elabora conteúdos inconscientes</strong>” (JUNG, 2000, p. 88).</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Muitas vezes, o que vemos no brincar é a tentativa da criança de organizar o caos interno, de ensaiar soluções simbólicas para os conflitos reais que enfrenta.</strong></p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">A utilização da psicologia analítica com crianças e adolescentes é extremamente valiosa, pois possibilita a interpretação simbólica dos conteúdos inconscientes que emergem em seus comportamentos e sonhos. Por exemplo, os sonhos podem ser analisados como manifestações do inconsciente da criança e de sua carga transgeracional, refletindo os medos, desejos e conflitos internos que ela ainda não consegue expressar verbalmente. Jung acreditava que, ao permitir que a criança se conectasse com esses conteúdos simbólicos, a terapia proporcionaria uma oportunidade de transformação emocional e psicodinâmica, ajudando-a a integrar seus aspectos inconscientes de maneira saudável e construtiva.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Além disso, a psicologia junguiana também enfatiza a importância da relação terapêutica como um espaço seguro para o processo de individuação. Quando a criança sente que pode ser autêntica e explorar seus sentimentos sem julgamento, ela começa a entender melhor suas próprias motivações e emoções. Isso é fundamental para o desenvolvimento emocional e psicológico de crianças e adolescentes, que frequentemente se encontram em um momento de busca por identidade, pertencimento e autoconhecimento.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">O pedagogo <strong>Paulo Freire</strong> (1996) é amplamente reconhecido por sua abordagem educacional libertadora, que defende a conscientização e o protagonismo dos educandos no processo de aprendizagem. Para Freire, a educação deve ser um espaço de diálogo e transformação, onde o educador e o educando se tornam sujeitos ativos da construção do conhecimento. Essa perspectiva tem grande relevância na psicoterapia, pois ela reconfigura a relação entre o terapeuta e o paciente, enfatizando a importância da troca e da escuta atenta. Ao adotar a visão de Freire, a psicoterapia junguiana se torna mais do que um processo de interpretação e análise simbólica: ela se transforma em um espaço de liberdade, onde a criança ou o adolescente pode reescrever suas histórias e integrar suas experiências de maneira autêntica e transformadora.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Paulo Freire, em sua profunda defesa da escuta e do diálogo, dizia que “<strong>ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo</strong>” (FREIRE, 1987, p. 78). Essa visão do educador como alguém que escuta, acompanha e respeita o tempo e o saber do outro é profundamente compatível com o olhar junguiano.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Quando Freire fala da “palavra como práxis” (FREIRE, 1996, p. 42), penso imediatamente nos símbolos que emergem nas falas das crianças e adolescentes. Não são apenas palavras: são imagens vivas que revelam seu mundo interior. O educador, nesse contexto, não precisa dar respostas, mas sustentar perguntas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-acreditava-que-o-ambiente-ao-redor-da-crianca-influencia-diretamente-na-formacao-do-self-ele-dizia-se-o-ambiente-externo-nega-a-expressao-do-self-a-crianca-tende-a-desenvolver-uma-persona-fragil-ou-um-ego-defensivo-prejudicando-a-integracao-de-sua-totalidade-jung-2013-p-121" style="font-size:19px">Jung acreditava que o ambiente ao redor da criança influencia diretamente na formação do Self. Ele dizia: “<strong>Se o ambiente externo nega a expressão do Self, a criança tende a desenvolver uma persona frágil ou um ego defensivo, prejudicando a integração de sua totalidade</strong>” (JUNG,2013, p.121).</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">A escola, assim como a família, pode ser espelho ou máscara. Pode ajudar a criança a se encontrar ou forçá-la a se esconder. Paulo Freire também alertava para isso: “A opressão nega a vocação ontológica do ser humano para a plenitude” (FREIRE, 1987, p. 33). Precisamos de escolas que acolham o símbolo e a diferença, que escutem o silêncio e permitam o tempo da alma.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Ao longo dos anos, fui fazendo registros de alguns desenhos de crianças, uma espécie de mapa com símbolos que surgiam em sala de aula. Crianças que desenhavam dragões, adolescentes que escreviam poesias sobre abismos, alunos que falavam com pedras como se fossem oráculos e adultos que sonhavam com ondas gigantes e avassaladoras. Não eram apenas brincadeiras: eram manifestações da alma. Jung dizia que “o símbolo é a melhor expressão possível de algo que ainda não pode ser totalmente conhecido ou racionalizado” (JUNG,1976, p.159).</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Essas expressões me ensinaram e me ensinam até hoje, mais do que qualquer diagnóstico. Elas exigem sensibilidade e presença, não apenas técnica. A escuta simbólica, o diálogo verdadeiro e o respeito ao tempo da psique são ferramentas essenciais para quem trabalha com crianças e adolescentes. A psicologia junguiana, quando aliada à pedagogia freiriana e aos aportes de Piaget, nos oferece um caminho mais humano, mais profundo e mais integrador. Como educadora, não interpretei imagens, mas caminhei com elas. Não diagnostiquei, mas acolhi. Não corrigi sonhos, mas os escutei com reverência. É possível, sim, usar o pensamento junguiano para compreender melhor as infâncias e adolescências — e, quem sabe, curar um pouco da nossa própria criança interior.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Freire acredita que a educação deve promover a liberdade, e isso se aplica perfeitamente à psicoterapia, onde o terapeuta deve criar um ambiente seguro para que o cliente, especialmente uma criança ou adolescente, possa expressar seus sentimentos, pensamentos e experiências sem medo de julgamento.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Essa relação de confiança e liberdade é essencial para o desenvolvimento psíquico saudável, pois permite que o cliente se conecte com os conteúdos inconscientes que precisam ser trabalhados. No contexto junguiano, isso pode ser feito através da exploração de símbolos e imagens que surgem durante a terapia.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">A educação transformadora de Freire não se limita às salas de aula. Ela pode ser aplicada também no espaço terapêutico, onde a criança ou adolescente é convidado a se tornar sujeito de seu próprio processo de cura.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Dessa forma, a psicoterapia junguiana, ao incorporar as ideias de Freire, se torna não apenas uma técnica de cura, mas também um ato de empoderamento, onde a criança ou adolescente aprende a lidar com seus conflitos internos e externos de maneira construtiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-teoria-do-desenvolvimento-cognitivo-de-jean-piaget-1976-e-fundamental-para-compreender-como-as-criancas-constroem-sua-percepcao-do-mundo-ao-seu-redor" style="font-size:19px">A teoria do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget (1976) é fundamental para compreender como as crianças constroem sua percepção do mundo ao seu redor.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Piaget propôs que as crianças passassem pelos estágios de desenvolvimento cognitivo, cada um caracterizado por diferentes formas de pensar e entender o mundo. Esses estágios – sensório-motor, pré-operacional, operações concretas e operações formais – influenciam como as crianças processam informações e resolvem problemas, o que tem implicações diretas para a psicoterapia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-integrar-a-teoria-de-piaget-com-a-psicologia-analitica-de-jung-podemos-ver-como-o-desenvolvimento-cognitivo-das-criancas-e-adolescentes-pode-impactar-o-processo-terapeutico" style="font-size:19px">Ao integrar a teoria de Piaget com a psicologia analítica de Jung, podemos ver como o desenvolvimento cognitivo das crianças e adolescentes pode impactar o processo terapêutico.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Durante o estágio pré-operacional, por exemplo, a criança tende a pensar de forma egocêntrica e simbólica.&nbsp; A terapia junguiana pode ser particularmente eficaz nesse estágio, ajudando a criança a entender e integrar esses símbolos, permitindo-lhe desenvolver uma maior compreensão de si mesma e do mundo.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">À medida que a criança avança para os estágios de operações concretas e formais, ela começa a construir raciocínios mais lógicos e abstratos. A psicoterapia junguiana, nesse caso, pode ser usada para explorar as questões mais complexas que surgem com o desenvolvimento da consciência e da identidade. Adolescentes, por exemplo, muitas vezes, enfrentam conflitos internos sobre quem são, qual é o seu papel na sociedade e como se relacionam com os outros. A terapia junguiana pode ajudar a explorar esses temas de maneira profunda, utilizando metáforas e símbolos para facilitar a compreensão e a aceitação de si mesmos, uma boa opção é o uso da Arteterapia e expressões criativas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-minha-experiencia-como-educadora-e-psicopedagoga-juntamente-com-minha-formacao-em-psicologia-analitica-me-permitiu-observar-de-perto-os-processos-de-desenvolvimento-e-os-desafios-enfrentados-por-criancas-e-adolescentes" style="font-size:19px">Minha experiência como educadora e psicopedagoga, juntamente com minha formação em psicologia analítica, me permitiu observar de perto os processos de desenvolvimento e os desafios enfrentados por crianças e adolescentes.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Muitas vezes, percebi que os desafios emocionais e psicológicos de meus alunos estavam diretamente relacionados à sua capacidade de integrar suas experiências e diferentes identidades. Quando esses jovens se deparavam com dificuldades, como dificuldades de relacionamento, de aprendizagem, conflitos familiares ou problemas de autoestima, suas emoções se manifestavam de formas que nem sempre eram compreendidas ou respeitadas.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Agora, como analista, posso perceber claramente o valor de integrar a psicologia analítica na terapia de jovens. A minha prática terapêutica, fundamentada na escuta ativa, na interpretação simbólica e na valorização da autonomia do indivíduo, reflete muito do que Paulo Freire propôs no campo da educação. A liberdade de ser quem se é, a capacidade de transformar-se e de encontrar significado nos próprios desafios são componentes essenciais do processo terapêutico, tanto na educação quanto na terapia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-integracao-da-psicologia-analitica-com-os-conceitos-educacionais-de-freire-e-piaget-me-permite-oferecer-uma-abordagem-integral-que-respeita-o-ritmo-e-as-necessidades-emocionais-e-cognitivas-de-cada-crianca-e-adolescente" style="font-size:19px">Essa integração da psicologia analítica com os conceitos educacionais de <strong>Freire</strong> e <strong>Piaget </strong>me permite oferecer uma abordagem integral, que respeita o ritmo e as necessidades emocionais e cognitivas de cada criança e adolescente.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Cada símbolo, cada arquétipo que emerge no processo terapêutico é visto não apenas como uma manifestação do inconsciente, mas como uma ferramenta para o autoconhecimento e a transformação pessoal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-integrar-a-psicologia-analitica-com-os-pensamentos-de-paulo-freire-e-jean-piaget-cria-um-caminho-rico-e-dinamico-para-a-terapia-de-criancas-e-adolescentes" style="font-size:19px">Integrar a psicologia analítica com os pensamentos de Paulo Freire e Jean Piaget cria um caminho rico e dinâmico para a terapia de crianças e adolescentes.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">O processo de individuação proposto por Jung, aliado à abordagem libertadora de Freire e à compreensão do desenvolvimento cognitivo de Piaget, oferece uma base sólida para a terapia que respeita a individualidade de cada jovem e sua jornada de crescimento. A experiência de ser educadora, psicopedagoga e analista me permite afirmar que essa abordagem integrada é profundamente eficaz no tratamento das questões emocionais e psicológicas que surgem no processo de desenvolvimento das novas gerações.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;É possível usar o pensamento junguiano para fazer a análise de crianças e adolescentes?&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/zeeXJi7_BeA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/elaine-cristina-bedin/">Elaine Cristina Bedin &#8211; Analista em Formação IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Simone Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p>FREIRE, Paulo<em>. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa</em>. São Paulo: Paz e Terra, 1996.</p>



<p>FREIRE, Paulo. <em>Pedagogia do oprimido</em>. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav<em>. A natureza da psique.</em> Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <em>Memórias, sonhos, reflexões</em>. Trad. Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1959.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav<em>. O desenvolvimento da personalidade</em>. Petrópolis: Vozes, 2000.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav<em>. Tipos Psicológicos</em>. Petrópolis: Vozes, 1976.</p>



<p>PIAGET, Jean. <em>A psicologia da criança</em>. Trad. Francisco R. Bordini. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1976.</p>



<p>PIAGET, Jean. <em>O nascimento da inteligência na criança.</em> Rio de Janeiro: Zahar, 1975.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3-1024x576.png" alt="" class="wp-image-10571" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-3.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p><strong>Matrículas abertas</strong>:&nbsp;<a href="http://www.ijep.com.br/">www.ijep.com.br</a></p>



<p>Acesse nosso Canal no&nbsp;<strong><a href="https://www.youtube.com/@IJEPJung/videos">YouTube</a></strong>:&nbsp;<strong>+700 vídeos de conteúdo Junguiano</strong>!</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/e-possivel-usar-o-pensamento-junguiano-para-fazer-a-analise-de-criancas-e-adolescentes/">É possível usar o pensamento junguiano para fazer a análise de crianças e adolescentes?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Um olhar Junguiano para a Inclusão: Integração, Sombra e Singularidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/um-olhar-junguiano-para-a-inclusao-integracao-sombra-e-singularidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Cristina Bedin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Dec 2024 15:20:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diagnóstico Psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Sociabilidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=10064</guid>

					<description><![CDATA[<p>A inclusão é o tema de muitas discussões na contemporaneidade, abordando a necessidade de acolher a diversidade humana e promover equidade. Iniciei minha trajetória profissional dentro da Educação e assim percorri esse caminho durante 33 anos da minha vida, professora de séries iniciais e alfabetizadora com muito orgulho. Durante essa jornada, me deparei com alguns [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/um-olhar-junguiano-para-a-inclusao-integracao-sombra-e-singularidade/">Um olhar Junguiano para a Inclusão: Integração, Sombra e Singularidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:18px;line-height:1.5">A inclusão é o tema de muitas discussões na contemporaneidade, abordando a necessidade de acolher a diversidade humana e promover equidade.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Iniciei minha trajetória profissional dentro da Educação e assim percorri esse caminho durante 33 anos da minha vida, professora de séries iniciais e alfabetizadora com muito orgulho. Durante essa jornada, me deparei com alguns casos de inclusão, inclusive foi o que me motivou a cursar a psicopedagogia para entender como funcionava a “mente’ dessas crianças com TDAH, DISLEXIA, TOD, depressão e ansiedade infantil e nos últimos anos de sala de aula, TEA. Sim, entender como eles processam as informações e como veem o mundo que, com certeza, não é igual a mim ou de muitos de vocês.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-afinal-o-que-e-inclusao" style="font-size:19px">Afinal, o que é inclusão?</h2>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">O pesquisador Romeu Kasumi Sassaki (2002) conceitua “inclusão social” como o processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidades especiais e, simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. A “inclusão social” constitui, então, um processo bilateral no qual as pessoas, ainda excluídas, e a sociedade buscam, em parceria, equacionar problemas, decidir sobre soluções e efetivar a equiparação de oportunidade para todos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-nos-trouxe-algo-sobre-a-inclusao" style="font-size:19px">Jung nos trouxe algo sobre a inclusão?</h2>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Ele nos trouxe uma visão muito profunda da psique humana onde os conceitos de individuação, arquétipos, inconsciente individual e coletivo, sombra, anima e animus são primordiais. E, sob a ótica da Psicologia Analítica, a inclusão pode ser entendida tanto como um processo externo como interno, relacionado a integração da sombra e à incessante busca pela luz.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Neste artigo, pretendo olhar alguns <strong>conceitos junguianos</strong> como ferramentas para que possamos enriquecer a compreensão da inclusão. Ampliando seu significado para além do âmbito social e político.  </p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Até a segunda metade do séc. XX não havia sequer a distinção entre as categorizadas “Doenças mentais”. As famosas <strong>salas especiais</strong> eram designadas a surdos e cegos de elite burguesa, outros encaminhados para hospícios ou asilos correcionais. Segundo <strong>Sá</strong> (2009, p.26) “<em>A denominada Educação Inclusiva nasceu nos Estados Unidos, pelas mãos da Lei Pública 94.142, de 1975</em>”, dando início a projetos voltados para efetivar a Educação Inclusiva.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5"><strong>Minetto</strong> (2010 p. 46) discorre que a luta pela inserção e normalização das pessoas com necessidades especiais fortaleceu-se no século XX através do movimento denominado de “Paradigma da Integração”, que defendia o direito do aluno com necessidades educacionais especiais (ANEE) se matricular na escola regular, desde que ele se adaptasse as condições e estrutura da escola, ou seja, a instituição escolar continuava rígida e ilesa. Tanto o ambiente como a metodologia permaneciam intactos, os alunos com necessidades especiais que deveriam se adequar e enfrentar os seus próprios desafios.  Desde o ocorrido será que o nosso Sistema Educacional vigente mudou muito?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-fortalecimento-da-luta-pelos-direitos-vem-se-intensificando-novos-pontos-de-vista-vem-sendo-discutidos-e-desenvolvidos-porem-ainda-ha-muita-discrepancia-entre-conceitos-e-praticas" style="font-size:18px">O fortalecimento da luta pelos direitos vem se intensificando, novos pontos de vista vêm sendo discutidos e desenvolvidos, porém ainda há muita discrepância entre conceitos e práticas!</h2>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Enfim, a legislação voltada à educação inclusiva vem se modificando lentamente ao longo dos anos. De modo que percebemos algumas mudanças e movimentos sociais que defendem o direito desses cidadãos. Antigamente eles eram exilados e colocados em lugares distantes, aos poucos um movimento de integração vem ocorrendo e trazendo o direito a participação dessas pessoas a sociedade.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Inclusão nos coloca num lugar um tanto quanto desafiador, afinal, quando falamos em inclusão falamos em exclusão, como também em integração e desintegração. Do mesmo jeito é capaz de aceitar e integrar, o ser humano também é capaz de rejeitar e desintegrar; de desassociar e praticar uma verdadeira violência com seu semelhante.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sera-que-estamos-falando-que-um-e-a-sombra-do-outro" style="font-size:19px">Será que estamos falando que um é a sombra do outro?</h2>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Segundo Jung “<strong>sombra é a parte negativa da personalidade, isto é, a soma das propriedades ocultas e desfavoráveis, das funções mal desenvolvidas e dos conteúdos do inconsciente pessoal</strong>.” (JUNG, 2007b, p.58)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-acreditava-que-todos-tem-uma-sombra-que-ela-e-composta-de-aspectos-reprimidos-ou-negados-da-nossa-personalidade-sendo-assim-qual-seria-a-sombra-da-inclusao-quais-aspectos-sombrios-relevantes-a-serem-levantados-e-desvelados" style="font-size:18px">Jung acreditava que todos têm uma sombra que ela é composta de aspectos reprimidos ou negados da nossa personalidade. Sendo assim qual seria a sombra da inclusão? Quais aspectos sombrios relevantes a serem levantados e desvelados?</h2>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Talvez possamos pensar que a dificuldade que encontramos para incluir venha da nossa não aceitação de tudo que nos é sombrio, ou talvez da dificuldade de aceitar o diferente.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Jung não discutiu exatamente o conceito de inclusão, porém através de seu pensamento inovador e inclusivo, ele nos traz que&#8230;</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“A inclusão de uma personalidade humana, única (especialmente quando ligada à natureza divina indefinível), corresponde ao individual absoluto do si-mesmo, que liga o único ao eterno e o individual ao mais geral. O si-mesmo é uma união dos opostos.” </p><cite>JUNG,2012, p.31</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Afinal, incluir ou excluir?  Um é o oposto do outro e, ao mesmo tempo que incluímos os <strong>neurodivergentes</strong>, excluímos outras crianças que também tem direitos que, pelo olhar da sociedade, são vistas como “normais”. Que olhar é esse do atual espírito da época?</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Estima-se que de 15 a 20% da população mundial seja <strong>neurodivergente.</strong> No Brasil o IBGE pesquisa a <strong>neurodivergência </strong>junto a demais deficiências, totalizando em pesquisa de julho/2023 (PNAD) um total de 18,9 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência (8,9% do total).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“O termo <strong>neurodiversidade </strong>(<em>neurodiversity</em>) foi usado pela primeira vez em 1998 pela jornalista Judy Singer, que cunhou o termo para promover a ideia de que as diferenças neurológicas, como autismo e TDAH, são variações naturais da função cerebral, em oposição a serem vistos como desordens a serem corrigidas.” </p><cite>Reis, Leandro. Neurodiversidade – Olhando o potencial das diferenças como estratégia- disponível em https:&lt;//labnetwork.com.br/notícias.> Acesso em:09/11/2024</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-voces-percebem-o-quanto-o-pensamento-de-jung-e-atual-e-o-quanto-temos-que-olhar-para-essas-pessoas-neurodivergentes-e-valoriza-las-por-seus-feitos-talentos-e-habilidades" style="font-size:18px">Vocês percebem o quanto o pensamento de Jung é atual e o quanto temos que olhar para essas pessoas neurodivergentes e valorizá-las por seus feitos, talentos e habilidades?</h2>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Em seu livro, <em>Os arquétipos e o Inconsciente Coletivo</em> (2018, p.100) Jung menciona que “<strong>O mundo existe porque seus opostos são mantidos em equilíbrio. O racional é contrabalanceado pelo irracional e aquilo que se planeja, pelo que é dado</strong>.”</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">A partir disso, talvez, possamos pensar que o equilíbrio que mantem a vida possível está justamente em aceitar a nossa sombra. E, quando falamos do assunto deste artigo, devemos aceitar os neurodivergentes, pois todos temos nossas divergências.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Quando falamos em inclusão temos que olhar também para as famílias desse sujeito, afinal por trás deles existem outras vidas que também merecem ser atendidas. &nbsp;O que existe por trás dessa criança que precisa ser acolhida e inserida em nossa sociedade? Ou melhor “quem” está por trás desses sujeitos?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-tras-desse-sujeito-existe-uma-familia-um-pai-uma-mae-enfim-cuidadores-que-vivem-a-procura-de-um-diagnostico-com-a-esperanca-que-este-seja-a-resolucao-de-todos-os-problemas" style="font-size:18px">Por trás desse sujeito existe uma família, um pai, uma mãe, enfim cuidadores que vivem à procura de um diagnóstico com a esperança que este seja a resolução de todos os problemas.</h2>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Assisto a muitas famílias que quando chegam à clínica estão desesperançosas, preocupadas e cansadas de diagnósticos infundados ou mesmo a busca de um profissional que lhe diga o que fazer ou resolva de imediato seu problema. Podemos falar até que estão em busca de um milagre, para que assim todas as dificuldades ocorridas ao longo dos anos, sejam resolvidas.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Difícil e delicada situação, estamos falando sobre os bastidores da inclusão, um campo completamente invisível, onde os impactos são vivenciados por famílias de sujeitos que não são respeitados em suas singularidades. Enfrentam o luto constante e silencioso pela falta de suporte e compreensão do outro.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">A imagem de inclusão que é vista por fora é muito diferente daquela que acontece no dia a dia dessas famílias, dentro de suas casas, com seus desafios clínicos e toda a rede de apoio, quando existe. Elas vivem a constante expectativa que alguém os acolha e respeite seus filhos que, muitas vezes ou até a maioria das vezes, são rejeitados pela sociedade, que enfrentam olhares de julgamento e palavras de desrespeito.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Sem falar de como essa criança se sente ao ouvir e vivenciar toda essa “maratona” em médicos e especialistas. Impactante em seu desenvolvimento emocional? Com certeza<strong>! &nbsp;</strong>O sentimento de inadequação e exclusão está impregnado, tolhemos no sujeito a capacidade de sonhar e desejar!</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Na clínica, essas dores emocionais, aparecem em forma de sintomas que vão desde comportamentos desafiadores até dificuldade de relacionamento, depressão ou até mesmo ansiedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-como-devemos-olhar-para-esse-sujeito-sera-que-damos-a-devida-atencao-ou-melhor-sera-que-temos-um-olhar-junguiano-para-as-suas-singularidades" style="font-size:18px">E como devemos olhar para esse sujeito? Será que damos a devida atenção, ou melhor, será que temos um olhar junguiano para as suas singularidades?</h2>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Quando digo singularidades não estou me referindo apenas ao sujeito e suas particularidades, mas também a toda sua extensão e inserção no coletivo, na sociedade. Penso que, quanto mais a sociedade mantém as práticas assistencialistas, menos está disposta a se modificar e incluir. Afinal, incluir não está somente na capacidade de adaptação de currículos, provas diferenciadas ou PEI’s, ou até mesmo em seus belos discursos, e sim na sensação de pertencimento e respeito as diferentes formas de se expressar e aprender, seja na escola, na clínica ou em qualquer grupo social.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Em muitas escolas ainda faltam profissionais especializados, suporte aos educadores para que se sintam seguros e consigam trabalhar com a inclusão de maneira sensível frente aos desafios diários. Muitas vezes, esses educadores se sentem cansados, desgastados e desmotivados porque trabalham sozinhos, sem apoio da coordenação ou direção.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-infelizmente-ainda-temos-escolas-que-quando-acolhem-casos-de-inclusao-parecem-que-estao-abrindo-uma-excecao-que-estao-fazendo-um-favor-para-aquela-familia" style="font-size:18px">Infelizmente ainda temos escolas que, quando acolhem casos de inclusão, parecem que estão “abrindo uma exceção”, que estão fazendo “um favor” para aquela família.</h2>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Infelizmente, quando trabalham com inclusão em sala de aula, os educadores dependem de diagnósticos que lhes são exigidos. Para que, com base nestes diagnósticos, possam promover atividades adaptadas e um ambiente onde há a realização de uma série de prescrições. Com o objetivo de remediar as suas incapacidades, pensando na melhor estratégia educativa para que possa atender toda essa demanda. </p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Se é inegável que a transformação da cultura da escola constitui uma peça fundamental no processo inclusivo, também é inegável que tem de haver um esforço concentrador em diferentes níveis do sistema – sala de aula, escola, como também num contexto legislativo, político e social mais amplo, afinal a inclusão exige uma transformação da sociedade. Para se criar um sistema educativo promissor,respeitando as necessidades e diferenças dos educandos, reconhecendo que ninguém é igual a ninguém, somos todos diferentes.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Enfim, precisamos de um olhar atento para esses pontos essenciais, escola- família- especialistas- sociedade. A importância de todos estarem conectados e em sintonia por um único objetivo, criar uma rede de apoio real e segura para garantir a verdadeira inclusão desse sujeito.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">E a verdadeira inclusão está em atitudes, em fazer com que esse sujeito se sinta parte integrante dos espaços onde vive, valorizando suas diferenças e que suas necessidades emocionais e de suas famílias, também sejam atendidas. Com empatia e vivacidade convidá-los a entrar num jogo, o jogo da vida, despertar a energia faltante e necessária para a sua própria evolução. Claro que sempre respeitando e valorizando as suas singularidades!</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sob-a-perspectiva-da-psicologia-analitica-a-inclusao-transcende-as-fronteiras-do-social-para-se-tornar-um-processo-psicologico-essencial" style="font-size:18px">Sob a perspectiva da Psicologia Analítica, a inclusão transcende as fronteiras do social para se tornar um processo psicológico essencial.</h2>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Como mencionado acima, a teoria de Jung nos fala que sem a tensão dos opostos a vida não é possível, é somente através dela, que passamos por um processo de construção, o processo de individuação</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">O <strong>processo de individuação</strong>, um conceito central de Jung, promove a realização do verdadeiro EU, “tornar-se um ser único”. Ajudando as pessoas a integrarem suas várias partes, conscientes e inconscientes, luz e sombra, aceitar, flexibilizar e assim, viver de uma forma autêntica e genuína. Para conseguirmos transformar as instituições e ampliar vários aspectos para que de fato se tornem inclusivas, primeiramente temos que “reformar” as mentes.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5">Assim, a verdadeira inclusão começa dentro de cada um de nós, quando reconhecemos e acolhemos as partes de nós mesmos e do mundo, quando navegamos pelos nossos aspectos luz e sombra. Esse processo, embora desafiador, nos aproxima de uma sociedade mais justa e compassiva, na qual a diversidade é celebrada como um reflexo da totalidade do self coletivo. Harmonizar a relação família-escola, propondo uma prática pedagógica coletiva, dinâmica, flexível e singular. Como dizia nosso imemorável <strong>Paulo Freire</strong> (<em>Pedagogia do Oprimido</em>, 1974) “<strong>Ninguém pode ser autenticamente humano, enquanto impede outros de serem também</strong>.”</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Um olhar Junguiano para a Inclusão: Integração, Sombra e Singularidade&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/W8vjigcJJJ0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/elaine-cristina-bedin/"> <strong>Elaine Bedin – Membro Analista em Formação IJEP</strong></a></p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.5"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/"> Dra. E. Simone D. Magaldi &#8211; Membro Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>REFERÊNCIAS:</strong></h2>



<p style="font-size:16px;line-height:1.5">Bénard da Costa, A.M. (1998). Projeto &#8220;Escolas inclusivas&#8221;. Inovação, 11(2), 57-85.</p>



<p style="font-size:16px;line-height:1.5">JUNG, C. G. O desenvolvimento da Personalidade.14ª ed. Petrópolis, Vozes,2013.</p>



<p style="font-size:16px;line-height:1.5">_____, Carl Gustav. O Eu e o Inconsciente.10ª ed. Petrópolis, Vozes, 1987.</p>



<p style="font-size:16px;line-height:1.5">_____, Carl Gustav, Psicologia e Alquimia, 6 ed.- Petrópolis, Vozes,2012.</p>



<p style="font-size:16px;line-height:1.5">_____, Carl Gustav. Arquétipos e o Inconsciente Coletivo- Petrópolis, Vozes, 2018.</p>



<p style="font-size:16px;line-height:1.5">_____, Carl Gustav. A natureza da psique. Petrópolis: Vozes, 2007b.</p>



<p style="font-size:16px;line-height:1.5">MINETTO, Maria de Fátima Joaquim ET ALL. /Diversidade na aprendizagem de pessoas portadoras de necessidades especiais. / Maria de Fátima Joaquim Minetto ET ALL – Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2010.</p>



<p style="font-size:16px;line-height:1.5">SÁ, Márcia Souto Maior Mourão. Legislações e políticas públicas em Educação Inclusiva. 2ª. Ed. – Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2009</p>



<p style="font-size:16px;line-height:1.5">SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos.4 ed. Rio de Janeiro: WVA, 2002.</p>



<p style="font-size:16px;line-height:1.5">UNESCO (2003). Superar a exclusão através de abordagens inclusivas na educação</p>



<p style="font-size:16px;line-height:1.5">REIS, Leandro-08/04/2024.Disponível em:<a href="https://labnetwork.com.br/noticias/neurodiversidade-olhando-o-potencial-das-diferencas-como-estrategia/">https://labnetwork.com.br/noticias/neurodiversidade-olhando-o-potencial-das-diferencas-como-estrategia/</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p>Saiba mais sobre nossos&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">Cursos, Pós-graduações e Formação de Analistas</a></p>



<p><strong><em>Matrículas abertas nas Pós-graduações: Psicologia Junguiana, Psicossomática e Arteterapia</em></strong></p>



<p>Saiba mais:&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">www.ijep.com.br</a></p>



<p>Acompanhe nosso<a href="https://www.youtube.com/@IJEPJung">&nbsp;Canal no YouTube</a>&nbsp;para receber as novidades</p>



<p>Conheça nossos&nbsp;<a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">Congressos Junguianos</a>, Online e Gravados, com 30h de Certificação por Congresso</p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/um-olhar-junguiano-para-a-inclusao-integracao-sombra-e-singularidade/">Um olhar Junguiano para a Inclusão: Integração, Sombra e Singularidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A interação entre terapeuta, escola e família na clínica de crianças e adolescentes</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-interacao-entre-terapeuta-escola-e-familia-na-clinica-de-criancas-e-adolescentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Cristina Bedin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jul 2024 12:35:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=9229</guid>

					<description><![CDATA[<p>O presente artigo tem por objetivo discorrer sobre a importância da integração família, escola e terapeuta na psicoterapia com crianças e adolescentes, afinal é através dos pais que as crianças adentram aos consultórios. Almeja-se discutir a presença e escuta ativa desta família, assim como a interação e observações relatadas por educadores que, às vezes, passam a maioria do tempo com essa criança. E por fim, o analista, que absorve todas as informações trazidas pelo meio, interagindo com a crianças e elaborando suas ações para desvelar os complexos familiares que assombram esse sistema e sustentar o processo analítico. Através de experiências empíricas, integrando esse tripé: família, escola e analista, busca-se aspectos relevantes conscientes ou inconscientes, que possam promover o desenvolvimento psicosocioemocional dessa criança. Promovendo um ambiente favorável e facilitador para que esse indivíduo renasça numa outra perspectiva que, apesar das sombras familiares estarem presentes, possam trilhar seu caminho aliviando suas amarras.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-interacao-entre-terapeuta-escola-e-familia-na-clinica-de-criancas-e-adolescentes/">A interação entre terapeuta, escola e família na clínica de crianças e adolescentes</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:18px">É através dos pais que as crianças e/ou adolescentes chegam ao consultório, afinal a família busca ajuda e orientação por acreditarem que esse profissional poderá orientá-los e assim, melhorar a adequação da criança ao meio onde vive. Algumas vezes, os próprios pais não percebem as dificuldades do filho, transferindo esse papel para a escola.</p>



<p style="font-size:18px"><strong>A participação da família no processo terapêutico da criança é primordial</strong>, afinal é um processo que não envolve apenas aspectos individuais da criança, mas também toda a história pregressa da família. Nesse momento saliento a importância de uma anamnese bem detalhada e escuta aguçada do terapeuta, afinal a anamnese ajuda a enxergar além do que está na superfície, explorando pensamentos, sentimentos, e padrões que podem estar submersos ou velados, aquelas informações que realmente nos ajudem a identificar a dinâmica psíquica.</p>



<p style="font-size:18px">Jung não aprofundou os seus estudos na infância, mas suas observações foram de grande valia para os pós junguianos. Ele observou que o ego surge do inconsciente, aliás do inconsciente materno, sendo a relação mãe-bebê imprescindível para permear todas as outras relações no decorrer de sua vida.</p>



<p style="font-size:18px">Ele nos traz o termo criado por <strong>Lévi Bruhl</strong>, “<em><strong>participation mystique</strong></em>” (participação mística) e relaciona este termo de identidade que acontece com pais e filhos, com a psicologia dos povos primitivos onde o rebaixamento da consciência permite que o indivíduo seja contagiado pelas emoções do ambiente onde se encontra, não há diferenciação clara entre sujeito e objeto (JUNG, 2013, p.50). No início do processo de desenvolvimento, a criança se confunde com a mãe, não conseguindo se perceber com um ser único e diferente desta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-crianca-nasce-inconsciente-ou-seja-mergulhada-no-inconsciente-da-mae-e-com-o-passar-do-tempo-e-que-desenvolve-o-consciente-neumann-1995-p-17" style="font-size:18px">A criança nasce inconsciente, ou seja, mergulhada no inconsciente da mãe e, com o passar do tempo é que desenvolve o consciente (Neumann, 1995, p.17).</h2>



<p style="font-size:18px">Podemos dizer que a consciência da criança e suas reações egóicas, estão diretamente conectadas com sua experiência corporal. A criança aprende a ter uma relação de Eros com o seu próprio corpo através das experiências vividas com sua mãe (Ibid., 1995, p.18).</p>



<p style="font-size:18px">A vivência dessa relação de forma positiva, permite uma diferenciação progressiva entre a criança e o mundo, formando-se assim, sua própria identidade. Estas observações são imprescindíveis para a nossa discussão, já que a identidade da criança é constituída a partir das vivências e dos olhos da mãe. É de suma importância a presença da família durante o processo terapêutico para a evolução da própria criança.</p>



<p style="font-size:18px">Da mesma forma que a criança sente prazer nas coisas que sua mãe lhe proporciona, o oposto também é verdadeiro: uma sensação de incômodo e desprazer podem provocar sérios problemas ao longo de sua vida. A criança pequena é como um homem primitivo, uma pedra bruta que precisa ser lapidada. Não existe diferenciação entre sujeito e objeto, ego e self, indivíduo e mundo, essa diferenciação inicia-se por volta, mais ou menos, dos 3 anos de idade.</p>



<p style="font-size:18px">Durante o processo de desenvolvimento da criança ocorre um redirecionamento da energia psíquica através da diferenciação das partes e o todo, proporcionando à criança um distanciamento da mãe, uma percepção do seu próprio eu.</p>



<p style="font-size:18px">Nesta fase, as crianças começam a perceber a necessidade de experenciar e aprender a lidar com os conflitos, planejar e realizar as suas próprias atividades diárias, ir à busca de atingir metas e objetivos. Adquirem habilidades sociais e que são ou não, valorizadas pela família ou pelos seus pares. A importância da validação e voz de incentivo dos pais é de grande valia, ao mesmo tempo que eles estabelecem limites, transmitem afeto e segurança.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung" style="font-size:19px">Para Jung:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>(&#8230;) sempre que uma criança pequena manifesta os sintomas de neurose, não se deveria perder muito tempo na pesquisa de seu inconsciente. A pesquisa deveria ser iniciada em outro lugar, a saber, na própria mãe, pois de acordo com a regra geral os pais são quase sempre os autores diretos da neurose da criança, ou pelo menos fatores importantes.</p><cite>2013, p. 75</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:18px">Na clínica de crianças e adolescentes sob a perspectiva da psicologia analítica, a interação entre terapeuta, escola e família desempenha um papel muito importante no processo de individuação e no enfrentamento dos desafios emocionais.</p>



<p style="font-size:18px">No <em>setting</em> terapêutico, o terapeuta atua como um detetive, um investigador. Seguindo pistas e buscando compreender os complexos simbólicos manifestados pelas crianças e adolescentes, no contexto familiar e no âmbito escolar. Estas pistas o levarão às possibilidades de desvelar mistérios que envolvem a criança dentro daquela família.</p>



<p style="font-size:18px">A família, como primeira instituição da criança, representa o núcleo primordial de influência, onde são transmitidos valores, crenças e traumas que impactam diretamente no desenvolvimento psicológico dos jovens, o chamado inconsciente familiar.</p>



<p style="font-size:18px">A escola é um ambiente onde muitos desses conflitos se manifestam. Por isso, é fundamental para identificar padrões comportamentais e emocionais que podem estar relacionados a questões mais profundas da psique individual e coletiva.</p>



<p style="font-size:18px">Lembrando que a criança e/ou adolescente passa a maior parte do tempo na escola, as observações feitas pelos educadores são muito importantes para o processo terapêutico dessa criança. Os educadores são capazes de observar padrões de comportamento da criança em diferentes contextos e momentos do dia, fornecendo informações valiosas para complementar as informações dadas pela família. Dentro de uma instituição de ensino, o educador, estaria complementando a educação dos pais e conduzindo a criança para um mundo muito mais amplo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-crianca-projeta-sobre-ele-a-imagem-dos-pais-o-que-possibilita-um-espaco-onde-ela-possa-depositar-suas-duvidas-angustias-euforia-medos-insegurancas-etc" style="font-size:18px">A criança projeta sobre ele a imagem dos pais, o que possibilita um espaço onde ela possa depositar suas dúvidas, angústias, euforia, medos, inseguranças, etc.</h2>



<p style="font-size:18px">Esse suporte que o educador oferece, promove a transição do estágio de dependência dos pais para a autonomia perante o mundo externo.</p>



<p style="font-size:18px">A integração entre terapeuta e escola exerce um papel fundamental na psicoterapia de crianças, pois permite uma abordagem mais abrangente e eficaz para lidar com os desafios emocionais e comportamentais dos pequenos. Ou seja, essa interação considera a criança de forma integral, na sua completude, atendendo inclusive ao preconizado pela teoria analítica de Jung.</p>



<p style="font-size:18px">Por sua vez, o terapeuta pode compartilhar estratégias, adaptações e orientações com a equipe escolar, contribuindo para um ambiente mais acolhedor e favorável ao desenvolvimento emocional das crianças. Além de promover a mediação entre escola e família, favorecer a compreensão da dinâmica familiar e desvelar os sintomas apresentados pela criança.</p>



<p style="font-size:18px">Ao compreender melhor o ambiente escolar em que a criança está inserida, o terapeuta também pode adaptar suas estratégias terapêuticas de maneira mais adequada, considerando os desafios específicos que a criança enfrenta em seu dia a dia. Possibilitando assim, intervenções mais rápidas e assertivas junto à criança e sua família.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-alem-disso-a-integracao-entre-terapeuta-e-escola-promovem-uma-abordagem-colaborativa-e-multidisciplinar-no-suporte-as-criancas" style="font-size:18px">Além disso, a integração entre terapeuta e escola promovem uma abordagem colaborativa e multidisciplinar no suporte às crianças.</h2>



<p style="font-size:18px">Profissionais de diferentes áreas e a família podem unir esforços para criar um plano de intervenção integrado, que levem em consideração as necessidades específicas de cada criança. Essa colaboração pode envolver não apenas o terapeuta e os educadores, mas também outros profissionais, como psicopedagogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos escolares e orientadores educacionais, formando uma equipe multidisciplinar dedicada em prol do bem-estar da criança.</p>



<p style="font-size:18px">Ao reconhecer a importância da saúde emocional das crianças e investir em parcerias com profissionais afins, as escolas podem criar um ambiente mais inclusivo e acolhedor, onde as crianças se sintam seguras para expressar suas emoções e buscar ajuda quando necessário.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-dessa-forma-a-integracao-entre-terapeuta-e-escola-se-torna-uma-peca-chave-na-promocao-do-desenvolvimento-saudavel-e-da-resiliencia-emocional-nbsp-das-nbsp-criancas" style="font-size:18px">Dessa forma, a integração entre terapeuta e escola se torna uma peça-chave na promoção do desenvolvimento saudável e da resiliência emocional&nbsp;das&nbsp;crianças.</h2>



<p style="font-size:18px">Por fim, a integração entre terapeuta e escola não apenas beneficia a criança em terapia, mas também contribui para promover uma cultura de saúde mental e bem-estar dentro do ambiente escolar como um todo. &nbsp;Podemos pensar também que esta integração favorece o desenvolvimento da personalidade, bem como o processo de construção do ego que ocorre nesta fase, que como diz Jung, vai até em torno de 21 anos.</p>



<p style="font-size:18px">Ao integrar esses três pilares, ou seja, ao formarmos esse tripé &#8211; terapeuta, família, escola &#8211; na Clínica Junguiana de crianças e adolescentes podemos promover um ambiente terapêutico saudável, onde todos os aspectos são considerados e olhados: físico, mental, emocional e espiritual, facilitando assim, o processo de autoconhecimento e crescimento pessoal.</p>



<p style="font-size:18px">Esse processo faz parte de um jogo e é neste jogo que o terapeuta deve entrar, entre o consciente e inconsciente, entre o real e o imaginário, entre o típico e o atípico, entre o conhecer e reconhecer as emoções, para flexibilizar e tornar possível o diálogo com si mesmo.</p>



<p style="font-size:18px">Não há concepções totalmente fechadas, inflexíveis e inquestionáveis, devemos jogar o jogo do eu, do saber e não saber, do construir e desconstruir, para que possamos promover o diálogo entre a escola e a família, tecer uma rede de interrelações e apoio para as famílias se expressarem e participarem do processo evolutivo das crianças e adolescentes que se deslocam da dependência para a independência.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: A interação entre terapeuta, escola e família na clínica de crianças e adolescentes" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/nWAIgII-Hkg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/elaine-cristina-bedin/">Elaine Bedin &#8211; Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px">Referências:</h2>



<p style="font-size:16px">JUNG, Carl Gustav<em>. A natureza da psique.</em>&nbsp; 10. ed. Petrópolis:Vozes, 1984.</p>



<p style="font-size:16px">JUNG, Carl Gustav. <em>O Eu e o Inconsciente</em>.10. ed. Petrópolis: Vozes, 1987.</p>



<p style="font-size:16px">JUNG, C.G. <em>Psicologia do Inconsciente</em>. Petrópolis: Vozes, 2007b.</p>



<p style="font-size:16px">JUNG, Carl<em>. Estudos Experimentais</em>. 3 ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p style="font-size:16px">JUNG, Carl Gustav. <em>Tipos Psicológicos</em>. 7. ed. Petrópolis: Vozes,2013.</p>



<p style="font-size:16px">JUNG, C. G. <em>O desenvolvimento da Personalidade</em>.14 ed. Petrópolis: Vozes,2013.</p>



<p style="font-size:16px">JUNG, C.G. <em>A energia psíquica</em><strong>.</strong> 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p style="font-size:16px">JUNG, C.G. <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em><strong>.</strong> 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p style="font-size:16px">JUNG, C.G.<em>O homem e seus símbolos<strong>.</strong></em>Harper Collins: Brasil, 2016.<a></a></p>



<p style="font-size:16px">JUNG, C.G. <em>Memórias, sonhos, reflexões</em>. Tradução Dora Ferreira da Silva. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,2012.</p>



<p style="font-size:16px">NEUMANN, Erich<em>. A Criança – </em>Estrutura e Dinâmica da Personalidade em Desenvolvimento desde o Início da sua formação.10. ed. São Paulo: Cultrix, 1995.</p>



<p style="font-size:16px">WINNICCOTT, D. W. <em>O Brincar e a Realidade</em>, Rio de Janeiro: Imago Editora, 1975.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-interacao-entre-terapeuta-escola-e-familia-na-clinica-de-criancas-e-adolescentes/">A interação entre terapeuta, escola e família na clínica de crianças e adolescentes</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ética na Umbanda: a Responsabilidade do Sacerdote e o Encontro com o Si-Mesmo</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/etica-na-umbanda/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Cristina Bedin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Sep 2023 13:53:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[cabloco]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sacerdote]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=8073</guid>

					<description><![CDATA[<p>Neste artigo, exploraremos a importância da ética na prática religiosa da Umbanda, com foco na responsabilidade do sacerdote. Descubra como a religião, nascida da fusão de várias tradições, promove valores espirituais e o encontro com o Si-Mesmo. Abordaremos questões éticas, o papel do sacerdote como curador, a relação com o poder, e a necessidade de integração das sombras para uma prática religiosa genuína e transformadora.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/etica-na-umbanda/">Ética na Umbanda: a Responsabilidade do Sacerdote e o Encontro com o Si-Mesmo</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>A Umbanda é uma religião nova, ainda em formação, que surgiu do Sincretismo religioso cristão, Kardecismo, religiões africanas e pajelança indígena. É</em> <em>uma religião puramente brasileira na qual, apesar de suas bases serem adaptadas de outras religiões, os valores estão arraigados no inconsciente coletivo do brasileiro</em>.<em> </em></p>



<p><em>Como falar em “cura” e o poder que é designado ao Sacerdote sem antes falar da espiritualidade, da importância da corrente mediúnica e da missão de um verdadeiro Sacerdote ou Dirigente de um terreiro de Umbanda?</em> <em>Qual o caminho a ser trilhado por esses indivíduos diante da missão de vida que lhes foi herdada?</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-r-ubens-saraceni" style="font-size:17px">Segundo R<strong>ubens Saraceni</strong>:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“(&#8230;) neste mesmo inconsciente religioso coletivo estão presentes valores religiosos do povo nativo que aqui já vivia há milhares de anos, assim como estão presentes valores religiosos antiquíssimos dos povos africanos que para cá foram trazidos desde o início do século XVII.” </p>
<cite>SARACENI, 2012, p.11</cite></blockquote>



<p>A Umbanda está fundamentada nos <strong>Orixás</strong> Africanos trazidos pelos negros, onde faziam seus rituais nas senzalas. O que, além de dar continuidade aos seus cultos de Candomblé e fortalecer sua fé, era um modo de diversão e união entre os povos.</p>



<p>A <strong>pajelança indígena</strong> também é de grande importância para a Umbanda. Além de os pajés serem respeitados por sua sabedoria, lhes era designada a função de encaminhar os maus espíritos para garantir o equilíbrio da tribo.</p>



<p>O que aproximou a doutrina <strong>Kardecista</strong>, vinda da Europa, à Umbanda foi a experiência religiosa da incorporação e a comunicação mediúnica com os espíritos. Segundo a historiadora <strong>Juliana Bezerra</strong> (PUC-RJ), a Umbanda é uma religião surgida nos subúrbios do Rio de Janeiro, em 15 de novembro de 1908, na qual Zélio Fernandino de Moraes, nascido em São Gonçalo/RJ, teria incorporado o <strong>Caboclo das Sete Encruzilhadas</strong>. Esse fato foi um marco para o surgimento de uma nova religião, a Umbanda, uma religião monoteísta onde seu Deus supremo é <strong>Olorum</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-atraves-da-fala-do-caboclo-das-sete-encruzilhadas-iniciou-se-uma-nova-religiao-e-o-culto-espiritual-nos-terreiros-de-umbanda" style="font-size:23px">Através da fala do Caboclo das Sete Encruzilhadas iniciou-se uma nova religião e o culto espiritual nos terreiros de Umbanda:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“Se julgam atrasados estes espíritos dos pretos e dos índios, devo dizer que amanhã estarei em casa deste aparelho, para dar início a um culto em que esses pretos e índios poderão dar sua mensagem, e, assim, cumprir a missão espiritual que a eles foi confiada. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E, se querem saber o meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim.”</p>
<cite> CORRAL, 2010, p. 11</cite></blockquote>



<p>Muito se discute a respeito da <strong>etimologia</strong> da palavra “umbanda” e seus <strong>significados</strong>. Em uma vertente esotérica se define como sendo de origem sânscrita. Outra afirma que a palavra se forma a partir de ajustes de princípios adâmicos ou vatâmicos presentes na escrita ariana e na linguagem védica, expressada inicialmente como Aumbhandhan, referente à normas e ensinamentos sobrenaturais.</p>



<p>Existe ainda uma corrente mais histórica, que coloca o vocábulo como sendo proveniente do grupo linguístico de tradição Bantu (OLIVEIRA E JORGE, 2013). Especificamente dos dialetos umbundo, kimbundo e kicongo, derivando-se da palavra kimbanda, que recebeu no processo de constituição histórico, no Brasil. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“Denominações como Quimbanda, Quibanda, Embanda, Banda, fazendo referência ao chefe supremo do culto; ao feiticeiro; ao médico; ao adivinho por vezes; ou ao espaço de macumba ou mesmo o seu ritual religioso.” </p>
<cite>SILVA, 1995</cite></blockquote>



<p>Para outros, a palavra Umbanda deriva de “<strong>m’banda</strong>”, que em kimbundu significa sacerdote ou curador&#8221;, sendo &#8220;<strong>onde todos os praticantes são um templo vivo no qual os Sagrados Orixás se manifestam</strong>, assim como todos os nossos amados guias espirituais.” (SARACENI, 2018, p. 21).</p>



<p>Enfim, a Umbanda surgiu da necessidade de os homens resgatarem sua <strong>fé</strong> e serem auxiliados em suas necessidades. Restabelecendo sua conexão com o Sagrado onde, através das consultas espirituais, os fiéis encontravam acolhimento e a “cura” temporária para suas “doenças”.</p>



<p>A Umbanda, através de sua história, conseguiu unir três grandes povos das vertentes religiosas: o negro, o índio e o europeu, salvo que ela é uma religião tipicamente brasileira, onde cada um de seus “guias espirituais” tem suas raízes enfincadas em nossa terra e seus médiuns trabalham para eles. A Umbanda não tem discriminação de raça, cor e gênero, ela acolhe e traz a quem a procura amor e conforto espiritual, dentro do merecimento de cada um. Como dito, a palavra umbanda significa sacerdote ou <strong>curador</strong>, ou seja, a a<strong>rte de curar</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quem-possui-a-arte-de-curar" style="font-size:25px">Quem possui a “arte de curar”?</h2>



<p>Quem possui a arte de curar? Através da Psicologia Analítica podemos fazer uma pequena ampliação a esse respeito. Ao sacerdote de Umbanda cabe a responsabilidade de conduzir o terreiro, como também, segundo o autor citado acima, o poder da cura. Além de todas as incumbências de um Sacerdote, que conduz um terreiro de Umbanda, ele ainda tem o dever e o poder de curar?</p>



<p>Segundo o autor Saraceni: “<strong><em>na Umbanda o sacerdócio é uma missão, só consegue dirigir uma tenda quem traz essa missão, pois esta também é dos guias espirituais</em></strong>” (SARACENI,<ins> </ins>2016, p. 25).</p>



<p>Se essa missão de vida lhes é dada desde o nascimento, e para tal prática terão a ajuda e orientação dos guias espirituais, como pode um Sacerdote se apropriar desse poder e fazer uso da espiritualidade para controlar e manipular seus fiéis? Infelizmente, ainda temos muitos líderes religiosos que utilizam do Código de Ética da Umbanda a favor do seu próprio benefício e não da espiritualidade.</p>



<p>No livro <strong>Psicologia do Inconsciente</strong>, <strong>Jung</strong> faz uma breve reflexão sobre a teoria dos <strong>Complexos</strong>, onde cita que o amor e o poder são opostos entre si e necessários para o equilíbrio da nossa psique.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:16px">“Estou mais do que convencido de que o caminho da vida só continua onde está o fluxo natural. Mas nenhuma energia é produzida onde não houver tensão entre contrários; por isso, é preciso encontrar o oposto da atitude consciente. (&#8230;) o contrário do amor é o ódio; o contrário de Eros, Phobos (o medo). Mas, psicologicamente, é a <strong>vontade de poder</strong>. Onde impera o amor, não existe vontade de poder; e onde o poder tem precedência, aí falta o amor. Um é a sombra do outro.” </p>
<cite>JUNG, OC 7/1, p.65</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-existem-muitas-maneiras-de-pensarmos-em-sombra-e-em-umbanda" style="font-size:22px">Existem muitas maneiras de pensarmos em sombra e em Umbanda </h2>



<p>A priori, precisamos olhar para o lado sombrio desse Sacerdote ao qual é dado o poder de cura. Se pensarmos em sombra como tudo aquilo que foi negado, nossos conteúdos desconhecidos, reprimidos e recalcados, podemos chegar a um indivíduo que possui um desconhecimento de si próprio e doentio, que lhe resta apenas cumprir o Código Moral da Umbanda e não a verdadeira ética.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-etica-e-moral-na-umbanda">Ética e Moral na Umbanda</h2>



<p>Para S<strong>imone Magaldi</strong>, <strong>Ética </strong>é aquela que vem do Self, vem ao encontro da nossa missão de vida, da nossa alma. Podemos associá-la a arte de plantar o bem e que vai muito além do tempo e do espaço, é puramente espiritual. Enquanto <strong>Moral</strong> é o conjunto de práticas, costumes e convenções sociais regidos por algum princípio comum, a <strong>Ética</strong> seria a perspectiva teórica que rege um determinado sistema moral na visão filosófica.</p>



<p>A <strong>moral</strong> vem do Ego, depende do tempo, lugar, costumes e leis onde o indivíduo vive. Já a Ética vai além do Ego, aponta para uma realidade psíquica que transcende, é um mergulho ao nosso profundo interior e que está além do simples cargo ocupado ou de uma mera persona. Pensar em Ética e viver a Ética por um Sacerdote de Umbanda está em <strong>assumir sua verdadeira missão de vida e praticar seu dom herdado da espiritualidade</strong>.</p>



<p>Esse aspecto, de ir além, é o verdadeiro chamado do Self. Não importa como chamemos Self: Jesus, Deus, Oxalá, Daimon, Eu-Superior, entre os outros citados em diferentes obras e religiões. Não importa também onde o coloquemos, quer dentro de nós, nas alturas ou nas profundezas, é ele quem nos <strong>orienta</strong> e nos encaminha para o tão desejado <strong>Processo de Individuação</strong>. A ele devemos todo o nosso respeito.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-o-homem-vive-nos-limites-entre-dois-mundos-no-mundo-material-e-no-mundo-espiritual-externo-e-interno-fisico-e-psiquico-um-verdadeiro-conflito" style="font-size:19px">Para Jung o homem vive nos limites entre dois mundos, no mundo material e no mundo espiritual, externo e interno, físico e psíquico, um verdadeiro conflito.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:15px">“Quem quiser conhecer a psique humana (&#8230;) o melhor a fazer seria pendurar no cabide as ciências exatas, despir-se da beca professoral, despir-se do gabinete de estudos e caminhar pelo mundo com um coração de homem: no horror das prisões, nos asilos de alienados e hospitais, nas tabernas dos subúrbios, nos bordéis e casa de jogo, nos salões elegantes, na Bolsa de valores, nos “meetings’ socialistas, nas igrejas, nas seita predicantes e extáticas, no amor e no ódio, em todas as formas de paixão vividas no próprio corpo, enfim, em todas as experiências, ele encontraria uma carga mais rica de saber do que nos grossos compêndios.”</p>
<cite>JUNG, 2014, p. 112</cite></blockquote>



<p>Pensando na responsabilidade não apenas dos Sacerdotes, mas que toda corrente mediúnica tem ao lidar com pessoas que estão em busca de fé, acolhimento e auxílio é preciso muito cuidado, autoconhecimento e consciência para não ultrapassar os limites entre os dois mundos e para se manter dentro da ética e da moral pessoal e fundamentada nos princípios da Umbanda.</p>



<p>Entre os princípios fundamentais da Umbanda está a compreensão e respeito aos <strong>Orixás</strong>, onde o ponto de força de cada um deles se encontra na <strong>natureza</strong> que aponta à necessidade de se estabelecer uma relação de respeito para com ela.  Através das inter-relações entre os seres vivos, incluindo recursos encontrados nos reinos vegetal, mineral e animal, é onde se manifesta o <strong>Sagrado</strong> na Umbanda, o princípio da existência da vida.</p>



<p>Na casa onde frequento, temos a dádiva de termos um Sacerdote que apresenta um discurso muito interessante: “<strong><em>enquanto estivermos presentes nesse espaço sagrado, estaremos trabalhando com amor, respeito e principalmente, dentro dos princípios e ética da Umbanda, do contrário não temos o porquê de estarmos aqui</em></strong>”. Uma fala um tanto reflexiva!</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-partir-das-citacoes-de-jung-e-do-sacerdote-acima-mencionado-observamos-a-importancia-de-os-trabalhos-espirituais-serem-realizados-com-amor-etica-e-respeito-ao-proximo" style="font-size:19px">A partir das citações de Jung e do sacerdote acima mencionado, observamos a importância de os trabalhos espirituais serem realizados com amor, ética e respeito ao próximo.</h2>



<p><strong><em>Afinal</em></strong>, <strong><em>amor e poder, apesar de serem opostos, caminham lado a lado</em>. </strong><em>Basta unilateralizarmos, ou seja, nos desequilibrarmos, para o Ego entrar em conflito com o Self e gerar inúmeras e diferentes reações em cada indivíduo. </em></p>



<p>Quantos sacerdotes, seguindo a hierarquia da Umbanda, confiam a organização de suas casas para outros médiuns, Pais Pequenos e Ogans, que ao invés de utilizar a sua mediunidade ou força espiritual a favor do terreiro e seus adeptos, embriagam-se do poder e renegam o verdadeiro chamado do Self? Assim o conflito instala-se e inicia-se um processo de dominação de território e poderio. Reverberando as consequências na corrente mediúnica e até mesmo nos consulentes.</p>



<p><strong>Quem fala por essas pessoas? </strong>Seus egos inflados? E quais são as consequências para esses consulentes? Quantas pessoas procuram a Umbanda para iniciar um processo de cura e de transformação de suas doenças e acabam criando outras doenças em função desse conflito e do abuso de poder desses líderes religiosos e até mesmo dos médiuns do terreiro?</p>



<p>Nos últimos tempos, observa-se muitos líderes religiosos que apenas cumprem seus papéis e funções sacerdotais; fazem uso da sua mediunidade e da espiritualidade que lhe foi designada para controlar e manipular seus fiéis. Utilizam o Código de Ética a favor do seu próprio benefício, promovendo discórdia entre os médiuns do terreiro, gerando insegurança, tendo como consequência desequilíbrio da corrente mediúnica que, além de não sustentar os trabalhos espirituais, sofrem ataques de espíritos obsessores.</p>



<p>Os consulentes que vem à procura de acolhimento e transformação, saem prejudicados mentalmente, emocionalmente e espiritualmente, sentindo-se marginalizados. Esses líderes religiosos se refugiam em seus próprios ideais, adotando comportamentos nobres, egocentristas que mascaram seus conflitos, adotando condutas violadoras. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-sombra-existente-no-ser-humano-nao-deve-ser-combatida-e-renegada-mas-integrada-a-sua-realidade-existencial" style="font-size:22px">A sombra existente no ser humano não deve ser combatida e renegada, mas integrada a sua realidade existencial.</h2>



<p><em>A</em> <em>sombra possui um papel fundamental no equilíbrio entre o eixo Ego e Self</em>, <em>que resulta na unificação dos polos e a cisão existente, deve avançar para a sua integração, para uma comunhão. </em></p>



<p>Conflitos e poder podem gerar insegurança em seus adeptos que &#8211; ao invés de encontrar amor, acolhimento e a transformação desejada &#8211; encontram pessoas, com seu <strong>Ego inflado</strong>, que acentuam ainda mais seus conflitos internos que, muitas vezes, vão contra a sua própria ética.</p>



<p>Como citado acima, o Sacerdote de Umbanda possui inúmeras funções dentro de um terreiro, tais como: “coordenar e orientar os médiuns, batizá-los, casá-los, ministrar cultos religiosos e amoldar o caráter e a moral deles de acordo com seus princípios religiosos e os da sociedade que formam e pertencem”. (SARACENI, 2016, p. 222).</p>



<p>Além disso, é responsabilidade do sacerdote umbandista adaptar seus princípios religiosos às leis civis e à constituição do seu país, senão confundirá a mente de seus fiéis, assim como colocará em confronto (&#8230;) (Ibid, p. 223).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-quantas-sao-as-responsabilidades-exigidas-de-um-sacerdote-na-umbanda" style="font-size:18px">E quantas são as responsabilidades exigidas de um sacerdote na Umbanda!</h2>



<p>Devemos lembrar sempre que antes de ser um sacerdote ele é um <strong>ser humano</strong>, instável, inconstante e que deve estar sempre atento ao seu interior e revendo suas posturas diante da vida e de seu dia a dia dentro do terreiro. E que além dele, não menos importante, existem outras pessoas para a constituição e sustentação da egrégora do terreiro, os médiuns.  </p>



<p>Ao médium de uma corrente mediúnica, “<strong><em>dele também é exigido que purifique seu íntimo, que reformule seus antigos conceitos a respeito da religiosidade e que se porte dignamente, de acordo com o que dele esperam os orixás sagrados, que o ampararão daí em diante</em></strong>” (VIEIRA E SARACENI, 2006, p.34).</p>



<p><strong>Quantas exigências para um indivíduo que exerce a função de curador</strong>. Que além de carregar a responsabilidade de “curar” deve também preparar os médiuns para estarem prontos para receber os consulentes e, principalmente, ajudá-los a trazer consciência a sua função e lidar com seu lado sombrio.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-evolucao-da-consciencia-na-umbanda" style="font-size:20px">Evolução da consciência na Umbanda</h2>



<p>Segundo Saraceni, “<strong><em>a Umbanda é uma religião espiritualista que ensina que a vida é eterna e que a nossa curta passagem aqui no plano material destina-se à evolução, ao aperfeiçoamento e à conscientização dos espíritos</em></strong>.” (2016, p. 27).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:16px">“…a consciência é também relativa, pois abrange não somente a consciência como tal, mas toda uma escala de intensidade da consciência. Entre o “eu faço” e o “eu estou consciente daquilo que faço” há não só uma distância imensa, mas algumas vezes até mesmo uma contradição aberta. Consequentemente existe uma consciência na qual o inconsciente predomina, como há consciência em que domina a autoconsciência.” </p>
<cite>JUNG, 2013, p. 135</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-dificil-uma-situacao-muito-delicada-e-conflitante-para-o-medium-e-principalmente-para-os-sacerdotes" style="font-size:17px">Difícil? Uma situação muito delicada e conflitante para o médium e principalmente para os Sacerdotes.</h2>



<p>A nossa evolução psíquica e espiritual depende do nosso autoconhecimento e de como vivemos as nossas sombras, se acolhemos ou reprimimos. Essa evolução estende-se a todos os indivíduos inclusive a líderes espirituais, dirigentes e sacerdotes de Umbanda ou de qualquer outra religião.</p>



<p>Afinal, a função que lhes foi atribuída pela espiritualidade é a de proporcionar aos seus adeptos momentos de reflexão, que os levem a uma conexão com o Divino, com o Sagrado, o <em>Religare, </em>com sua verdadeira essência e não apenas com as vontades do Ego.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-transformacao-nao-deve-depender-da-religiao-e-sim-da-verdadeira-conexao-com-seu-eu-interior-com-sua-verdadeira-essencia" style="font-size:18px">A transformação não deve depender da religião e sim da verdadeira conexão com seu Eu interior, com sua verdadeira essência.</h2>



<p>Ao Sacerdote são designadas diferentes e difíceis incumbências, responsabilidades e o dever de “cura”. <strong>A cura de quem cura ou de quem é curado</strong>? O trabalho de reflexão sobre a responsabilidade dos médiuns, consulentes, de si mesmo e a integração das sombras também não é um Ato de Cura? </p>



<p>O importante diante de todas essas reflexões é olharmos para dentro e buscarmos a nossa verdadeira essência, nossa natureza interior, a verdadeira integração corpo- mente- espírito, praticar e viver a religiosidade, o encontro com o Sagrado dentro de nós.</p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/elaine-cristina-bedin/">Elaine Bedin &#8211; Analista em Formação IJEP</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">E. Simone Magaldi &#8211; Fundadora e Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:22px"><strong>REFERÊNCIAS:</strong></h2>



<p>BANDEIRA, Armando C. O que é Umbanda. São Paulo: Eco,1970.</p>



<p>BEZERRA, Juliana.&nbsp;Umbanda.&nbsp;Toda Matéria,&nbsp;<em>[s.d.]</em>. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/umbanda/. Acesso em:&nbsp;25 jun. 2023</p>



<p>CORRAL, Janaina A. As Sete Linhas da Umbanda. São Paulo: Universo dos livros, 2010.</p>



<p>JUNG, C. G. O Eu e o Inconsciente.10ª ed. Petrópolis, Vozes, 1987.</p>



<p>JUNG, C. G. A natureza da psique.&nbsp; 10 ª Ed. Petrópolis: Vozes, 1984</p>



<p>JUNG, C.G. A energia psíquica<strong>.</strong> 11ª. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p>JUNG, C.G. Psicologia do Inconsciente.24. ed. Petropolis: Vozes, 2014.</p>



<p>OLIVEIRA, Irene Dias de; JORGE, E. F. C. Espiritualidade umbandista: recriando espaços de inclusão. In: Revista Horizonte, Belo Horizonte, v. 11, n. 29, 2013, p. 29-52.</p>



<p>SARACENI, Rubens. Umbanda Sagrada: religião, ciência, magia e mistérios. 6.ed-. São Paulo: Madras, 2012.</p>



<p>SARACENI, Rubens. Código de Umbanda/ Espíritos Diversos. .7.ed.- São Paulo: Madras,2018.</p>



<p>SARACENI, Rubens. Tratado Geral da Umbanda.4.ed.- São Paulo: Madras,2016.</p>



<p>SILVA, Vagner G. Orixás da metrópole. Petrópolis: Vozes, 1995.</p>



<p>VIEIRA, Lurdes de Campos; SARACENI, Rubens. Manual doutrinário, ritualístico e comportamental umbandista. São Paulo: Madras, 2006.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: Ética na Umbanda: a Responsabilidade do Sacerdote e o Encontro com o Si-Mesmo" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/WDJEmcuuvcc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Acesso nosso site: <a href="https://www.ijep.com.br/">https://www.ijep.com.br/</a></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/etica-na-umbanda/">Ética na Umbanda: a Responsabilidade do Sacerdote e o Encontro com o Si-Mesmo</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A prática da psicoterapia: a influência transgeracional e a sombra familiar</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-pratica-da-psicoterapia-a-influencia-transgeracional-e-a-sombra-familiar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Cristina Bedin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jun 2022 14:52:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[sombra familiar]]></category>
		<category><![CDATA[transgeracionalidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=4159</guid>

					<description><![CDATA[<p>A psicoterapia é um campo terapêutico que se desenvolveu e atingiu certa autonomia, as opiniões acerca do assunto estão em constante mudança e se diferenciam conforme a abordagem, o cliente e o próprio terapeuta. Tudo isso sofre a todo momento a influência da leitura que o profissional fez da obra de C. G. Jung, de [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-pratica-da-psicoterapia-a-influencia-transgeracional-e-a-sombra-familiar/">A prática da psicoterapia: a influência transgeracional e a sombra familiar</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <strong>psicoterapia</strong> é um campo terapêutico que se desenvolveu e atingiu certa autonomia, as opiniões acerca do assunto estão em constante mudança e se diferenciam conforme a abordagem, o cliente e o próprio terapeuta. Tudo isso sofre a todo momento a influência da leitura que o profissional fez da obra de C. G. Jung, de seu próprio processo de individuação, do espírito do nosso tempo e da conversa constante com os mesmos processos do seu cliente, que acontecem no setting terapêutico a todo momento. Em outras palavras, muitas são as vozes e influências intervenientes na clínica, portanto, podemos compreender que a <strong>psicoterapia</strong> não é um processo simples nem evidente, como se queria a princípio. Pouco a pouco o próprio Jung percebeu que se trata de um tipo de dialética, onde essas vozes se comunicam, trocam e influenciam, tanto se pensarmos nos indivíduos terapeuta e cliente, e todas as vozes e processos coletivos que acontecem dentro e através de cada um. Como diz Jung em A prática da <strong>psicoterapia</strong>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>“A pessoa é um sistema psíquico, que, atuando sobre outra pessoa, entra em interação com outro sistema psíquico. Esta é talvez a maneira mais moderna de formular a relação psicoterapêutica&#8230;; evidentemente, distanciou-se muito da concepção inicial, segundo a qual a psicoterapia seria um método aplicável de maneira estereotipada por qualquer pessoa, para obter um efeito desejado.”</em>&nbsp;&nbsp;(CW 16\1&nbsp;§1)</p></blockquote>



<p>Desta forma desenvolveram-se concepções diametralmente opostas, representadas por várias teorias e práticas encontradas na psicologia. Jung diz que cada um desses métodos se baseia em pressupostos psicológicos especiais e produz resultados psicológicos específicos, dificilmente comparáveis entre si, e que às vezes nem podem ser comparados. Para os pontos de vista diferentes era, e continua sendo, natural e mais simples considerar a opinião e os pontos de vista dos outros, errôneos.&nbsp; Estamos então, na <strong>psicoterapia</strong>, diante de uma situação comparável ao maniqueísmo, que se depara com duas variáveis, distantes e dissonantes, mas a teoria do Jung vem justamente dizer que é pela tensão dos opostos que a vida é possível, é somente com ela e através dela, que estamos aqui num eterno processo de construção, no processo de individuação. Isso acontece com todos nós e com o cliente no setting terapêutico também, na prática da <strong>psicoterapia</strong>, o terapeuta não tenta ir contra este sistema perfeitamente saudável do ponto de vista psíquico, mas sim entender de que forma e para que o seu cliente vive desta ou daquela forma.&nbsp;</p>



<p>Neste contexto nos deparamos na clínica, principalmente quando falamos da terapia de crianças e adolescentes, com duas influências até mais prevalentes, falamos aqui da nossa necessidade em viver a vida não vivida dos pais e sobre o jovem ou criança, como portador da <strong>sombra</strong> familiar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Sobre a vida não vivida, no livro Civilização em Transição, Jung discorre:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>“Nada exerce maior influência psíquica sobre o meio ambiente da pessoa, sobretudo das crianças, do que a vida não vivida dos pais…” (CW 15&nbsp;</em>§ 4)</p></blockquote>



<p>Sobre este fenômeno Jung disse tratar-se de um processo extremamente comum, em que os pais projetam, na maioria das vezes, inconscientemente, tudo aquilo que não conseguiram experienciar, estejam no campo dos desejos, das vontades, dos sonhos de vida, e até mesmo lugares que gostariam de ter ido, assim como se dissessem a seus filhos: “Meu filho será feliz aonde eu não fui, fará o que eu não consegui, e assim por diante”.&nbsp; Falamos aqui não só de atitudes externas e realizações de vida, mas também de atitudes e comportamentos interiores. Se considerarmos a singularidade, as experiências, o espírito do tempo, cada um de nós é um ser absolutamente singular, e a diferença do espírito do tempo dos pais com relação aos filhos já acentua ainda mais, a discrepância na personalidade, identidade, desejos e tudo mais, para cada um deles. No entanto, como isso aparece como um imperativo, essa projeção pode ter mais ou menos força e, também para o filho, pode ter mais ou menos resistência, em seguir o script apresentado. Quase sempre vemos as pessoas em um sofrimento muito grande por se cobrarem de forma ampla a alcançarem metas das quais desconhecem, que não entendem e nem fazem sentido para si mesmas. Na criança além de isso aparecer com maior frequência encontramos barreiras maiores no sentido de identificar e ressignificar, uma vez que o complexo de ego ainda está em plena formação, a criança pequena é como o homem primitivo, carente de consciência, vive a inconsciência, ela ainda está demasiadamente imersa no inconsciente dos pais e do ambiente, de modo que esta simbiose provavelmente acentue esta identificação com o complexo de identificação com os desejos paternos. Além da própria imaturidade em todos os sentidos, a criança nasce imbuída em seu Self, que direciona a criança ao seu Daimon, no entanto, ela precisa construir seu complexo de ego se diferenciando deste self, eis o cerne da questão, um dos maiores desafios para os terapeutas que se dedicam a atender crianças, pois é necessário saber o que é da criança e o que é transgeracional. As crianças, em desenvolvimento, precisam se identificar com alguma coisa, com alguns atributos familiares específicos, a dificuldade está em se identificarem apenas com conteúdo sombrios e não conscientes pelos pais.</p>



<p>Uma possível ampliação para esta questão é que o Self precisa encontrar um caminho para que esta família cresça, olhe para tudo que está escondido e quem sabe faça a agregação deste conteúdo sombrio em seus egos, de forma a caminhar para o processo de individuação. Da mesma forma que todos os participantes da família continuam em maior ou menor simbiose, tendo em vista que todos acessam o inconsciente coletivo familiar e são influenciados por ele, se os conteúdos puderem ser ressignificados, todos podem se beneficiar. Jung diz:</p>



<p><em>“Quando os pais sabem quais de suas tendências e hábitos inconscientes são prejudiciais à psique de seus filhos, sentirão como dever moral fazer algo, suposto que seu senso de dever e amor estejam normalmente desenvolvidos. A mesma lei atua nos grupos e também nas nações, isto é, nas minorias dirigentes se forem constituídas de pessoas conscientes de certas tendências que poderiam ameaçar seriamente as relações humanas.”&nbsp;(OC 18/2§1398)</em></p>



<p>Aos pais, cabe a consciência e a importância do processo de psicoterapia para a construção da personalidade de seus filhos, não apenas em palavras, mas sim em atitudes. Jung, além de valorizar o mundo interior, também acreditava que a construção da personalidade de uma pessoa se dá em estreita relação com o meio, ou seja, a criança interage e replica aquilo que ouve e vê, aprendem através da troca e da imitação. Ajudar os filhos a se desenvolverem nesse sentido não é nada fácil, muito pelo contrário, dispende muito tempo, valores pregados nesse ambiente familiar e coragem. Coragem para aceitar a si mesmos e entrar em contato com suas próprias sombras e desenvolver um ego flexível e revigorado. Como mencionado acima, não basta apenas falar e usar sermões moralistas, o importante é vivenciar e observar a vida que esses pais levam, sem hipocrisia, um EU verdadeiro, transparente.</p>



<p>É preciso olhar e enxergar o que precisa ser olhado, é permitir dar novas chances, dar vasão a tudo aquilo que estava oculto e submerso em nossas entranhas, em nosso lado mais obscuro. É preciso acolher e colocar para brincar, cantar, contar e recontar, externalizar e trazer à superfície o que nos incomoda e, consequentemente, incomoda também ao outro.</p>



<p>Essa ampliação pode ser entendida nesta fala do Jung em Civilização em Transição:&nbsp;<em>“A vida não vivida é uma atmosfera irresistível de destruição que age em silêncio, mas inexoravelmente.”</em>&nbsp;(CW 10\3 §&nbsp;251)</p>



<p>Frances G. Wickes cita que as crianças estão tão submersas e envolvidas no inconsciente dos pais que suas atitudes e suas perturbações nervosas devam estar ligadas ao seu próprio psiquismo. Sendo assim, acreditamos que as coisas não vistas, revistas, projetadas e escondidas se passarem pelo crivo da ampliação, da reflexão, ou até mesmo da própria comunicação consciente/inconsciente propiciadas pela prática da psicoterapia, torna a atmosfera que sozinha se trata de destruição, em uma possível morte simbólica.&nbsp; Esta família pode vir a um renascer, uma entrada de fato na vida, como indivíduos e como família, que compartilha o inconsciente familiar, a vida e neste caso, a ampliação de consciência e integração de sombra, enfim, caminhar para a individuação. O apego em busca do desapego, o aprisionamento gerando a autonomia, o desamor construindo o amor, e tudo isso através de um vínculo de respeito e confiança, os pais liberam seus filhos, apesar das suas dores e tristezas, concedem a alegria e o seu crescimento.&nbsp;</p>



<p>Para ilustrar esse pensamento, esse jogo de opostos necessário para o início do desenvolvimento da personalidade na infância, compartilhamos um poema de Fernando Pessoa,&nbsp;</p>



<p><strong>“Quando as crianças brincam”</strong></p>



<p>Quando as crianças brincam</p>



<p>E eu as ouço brincar,</p>



<p>Qualquer coisa em minha alma</p>



<p>Começa a se alegrar.</p>



<p>E toda aquela infância</p>



<p>Que não tive me vem,</p>



<p>Numa onda de alegria</p>



<p>Que não foi de ninguém.</p>



<p>Se quem fui é enigma,&nbsp;</p>



<p>E quem serei visão,</p>



<p>Quem sou ao menos sinta</p>



<p>Isto no coração.</p>



<p><strong>Elaine Bedin e Natalhe Costa&nbsp;</strong></p>



<p>Membro Analistas em formação pelo IJEP</p>



<p><strong>E. Simone Magaldi&nbsp;</strong></p>



<p>Membro Didata do IJEP</p>



<p>Referências</p>



<p>JUNG, C.G. A prática da psicoterapia. (CW16\1) 16a Ed.Petrópolis,RJ: Vozes,2013.</p>



<p>_________ O espírito na arte e na ciência. (CW15)10a Ed. Petrópolis,RJ: Vozes,2013.</p>



<p>__________ Psicologia do Inconsciente. (CW 7\1) 11a Ed. Petrópolis,RJ: Vozes,2014.</p>



<p>_________ Civilização em transição. (CW 10\3) 6a Ed.Petrópolis,RJ: Vozes,2013.</p>



<p>___________ Desenvolvimento da Personalidade (CW 17/1) 14ª Ed. Vozes,2013. __________&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A vida simbólica (OC 18/2) Ed. Vozes 2019</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-pratica-da-psicoterapia-a-influencia-transgeracional-e-a-sombra-familiar/">A prática da psicoterapia: a influência transgeracional e a sombra familiar</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ENCONTROS E DESENCONTROS DO MESTRE E SEUS DISCÍPULOS: DOS PROFESSORES E SEUS ALUNOS</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/encontros-e-desencontros-do-mestre-e-seus-discipulos-dos-professores-e-seus-alunos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Cristina Bedin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Nov 2021 11:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=4611</guid>

					<description><![CDATA[<p>Existem várias maneiras de se pensar sobre a relação professor- aluno, tudo depende de como o professor se conhece e como ele atua diante de seus alunos. Neste presente artigo abordo essa relação dentro da Psicologia Analítica, como um instrumento facilitador da compreensão do processo de desenvolvimento da nossa psique. Muitas de nossas escolas têm procurado fazer com que as crianças se recolham, tolhendo sua criatividade e seu processo simbólico. Cabe aos nossos educadores atuarem no movimento oposto, libertando os instintos da criança corajosa e capaz de ultrapassar seus próprios limites.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/encontros-e-desencontros-do-mestre-e-seus-discipulos-dos-professores-e-seus-alunos/">ENCONTROS E DESENCONTROS DO MESTRE E SEUS DISCÍPULOS: DOS PROFESSORES E SEUS ALUNOS</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://www.ijep.com.br/img/artigos/artigo_812.jpeg" alt="ENCONTROS E DESENCONTROS DO MESTRE E SEUS DISCÍPULOS: DOS PROFESSORES E SEUS ALUNOS. PROFESSOR/ALUNO"/></figure>



<p>Recentemente, no mês de outubro, tivemos duas grandes comemorações&nbsp;no calendário escolar, onde escolas e famílias celebram&nbsp;datas importantes para a constituição da criança como sujeito: Dia da Criança e do Professor. Criança e adulto; professor e aluno. Quem são esses sujeitos que adentram a essas&nbsp;instituições de ensino? De onde vem? Como é constituída a relação entre o mestre e&nbsp;seus discípulos?</p>



<p>Para entendermos e refletirmos sobre esses questionamentos, é importante retornarmos à constituição da psique da criança.</p>



<p>Segundo a psicologia analítica, a personalidade da criança é constituída ao longo da sua vida por material inconsciente dos adultos que a cercam, com isto também vai desenvolvendo a própria consciência. “É ao crescimento da consciência que devemos a existência de problemas; eles são o presente de grego da civilização. É o afastamento do homem em relação aos instintos e sua oposição a eles que cria a consciência. O instinto é natureza e deseja perpetuar-se com a natureza, ao passo que a consciência só pode querer a civilização ou sua negação.” (JUNG, OC.17, p.337, §700).&nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</p>



<p>Pensando por esse âmbito, a criança ao ingressar na escola, se distancia tão só da influência do inconsciente dos pais e passa a viver também sob a influência do inconsciente do professor e de todos ao redor. Dependendo da idade, se a partir dos dois anos quando já possui percepção do eu, ou seja, de um ego se estabelecendo, e&nbsp;dando continuidade ao desenvolvimento da sua personalidade, começa também a aparecer as identificações e os problemas.</p>



<p>Analisando a importância&nbsp;do papel do&nbsp;professor na vida das crianças, ele&nbsp;não pode resumir-se a um simples transmissor de conhecimento e sim um mediador que também participa do processo da evolução da personalidade da criança. Ele ocupa um papel central, dentro da escola, ele é um mestre, um verdadeiro representante do mundo dos adultos. Cabe a ele o contínuo exercício da percepção, para poder tocar àqueles a quem educa, só assim todas as teorias e práticas transmitidas, farão sentido e se tornarão em substância vital para a alma de todos. Para Jung, &#8220;alma&#8221; é um vasto campo de fenômenos psíquicos, onde ele acreditava ser o verdadeiro foco da psicologia.</p>



<p>E como podemos conhecer a nossa alma com profundidade? Somente educa para a construção de uma personalidade, quem supostamente tenha se constituído como um ser capaz de autoconhecimento, ou seja, quem segue em fidelidade à própria lei, denominada por si mesmo de designação e considerada um privilégio que é possível a todos. Assim, o que ocorre é que, em grande parte, pelo não desenvolvimento da própria personalidade, a voz interior do professor torna-se imprecisa, podendo confundir-se com a voz do grupo e com as suas convenções, passando, em seguida, a ser substituída por elas. É a força do coletivo, da mídia e de quem nos influencia que acaba determinando em muito a nossa persona (persona é nossa máscara social adaptativa, muitas vezes confundida com nossa personalidade). Uma persona malformada é rígida e nos aprisiona, assim acabamos nos identificando com ela como nosso eu verdadeiro.</p>



<p>Grande parte dos nossos educadores, em sua própria formação, desconhecem a importância de se conhecerem para conhecer o outro. Primeiro porque o “autoconhecimento” não faz parte da grade curricular e, quando falamos em pedagogia, nos restringimos a métodos e competências necessárias à transmissão de conhecimentos e não ao “conhecer-se”. Conhecer-se e reconhecer-se. Reconhecer que dentro daquele indivíduo tem um outro sujeito que é o Mestre, o professor que acompanha e está presente dia após dia na vida das crianças, mas além disso, é necessário a reconstrução, reviver sua criança para aproximar-se verdadeiramente dos seus alunos.</p>



<p>Atualmente muitos professores apresentam dificuldade em desenvolver seu papel dentro da sociedade, o que parece estar relacionado a uma visão&nbsp;deficiente do mundo externo e interno, passado e futuro, consequentemente, apresentam um ego não estruturante, rígido e inflexível. Em nossas vidas ocorrem diferentes situações, em que precisamos resgatar fatos do passado&nbsp;e relacioná-los com o presente, para assim podermos definir ações futuras, favoráveis ou desfavoráveis. Para esse tipo de análise e organização das informações encontradas, é necessário recorrermos ao nosso centro organizador, o ego. O que seria o ego?</p>



<p>“É um dado complexo formado primeiramente por uma percepção geral do nosso corpo e existência e, a seguir, pelos registros da nossa memória. Todos temos uma certa ideia de já termos existido, quer dizer, de nossa vida em épocas passadas; todos acumulamos uma longa série de recordações. Esses dois fatores são os principais componentes do ego, que nos possibilitam considerá-lo como um complexo de fatos psíquicos. A força de atração desse complexo é poderosa como a de um ímã: é ele que atrai os conteúdos do inconsciente, daquela região obscura sobre a qual nada se conhece. Ele também chama a si impressões do exterior que se tornam conscientes ao seu contato. Caso não haja esse contato, tais impressões permanecerão inconscientes.” (JUNG, OC.18/1, p.7, §18)</p>



<p>Esse processo de integrar conteúdos inconscientes à consciência exige muito de todos nós. É um processo que tem como objetivo ampliar e encontrar possibilidades, exige comprometimento da pessoa para se transformar e, principalmente, olhar para si. Será que esse mestre está preparado para olhar para si e transformar-se, para assim, transformar alguém? A criança? O aluno?</p>



<p>Os professores para se tornarem grandes mestres, precisam em primeiro lugar, estarem abertos às mudanças, treinarem sua sensibilidade para perceber o quanto são importantes na formação e na constituição da criança / aluno, o quanto essa criança se identifica e segue seu mestre. Quanto maior esse olhar e esse vínculo, maior será sua evolução junto a sua constituição e ao processo de individuação.</p>



<p>Podemos chamar de individuação&#8230;&nbsp;</p>



<p>“(&#8230;)o processo de formação e particularização do ser individual e, em especial, é o desenvolvimento do indivíduo psicológico como ser distinto do conjunto, da psicologia coletiva. É, portanto, um processo de diferenciação que objetiva o desenvolvimento da personalidade individual.&#8221; (JUNG, OC.6/1, p.467, §853).</p>



<p>Para constituir essa personalidade individual passamos por diferentes experiências ao longo da nossa trajetória, algumas ruins que temos vontade de “empurrá-las para baixo do tapete” e reprimi-las, outras que nos dão prazer, sabor!&nbsp; São experiências individuais e coletivas, formando assim o nosso inconsciente pessoal. O autoconhecimento está ligado à autoconstrução, consequentemente, o processo de individuação não se realiza enquanto essa embreagem não funcionar perfeitamente, num verdadeiro equilíbrio psíquico, onde conteúdos inconscientes são integrados à consciência. Uma bela obra de arte!</p>



<p>Jung em suas pesquisas, nomeou de inconsciente tudo aquilo que não pode ser observado diretamente, mas pelos seus efeitos. Separou-os em duas camadas: inconsciente pessoal e inconsciente coletivo.” O inconsciente pessoal&nbsp;engloba todas as aquisições da existência pessoal: o esquecido, o reprimido, subliminarmente percebido, pensado e sentido.” (JUNG, OC.6/1, p.466, §851).</p>



<p>Já sobre inconsciente coletivo ele afirma:&nbsp;</p>



<p>“(&#8230;) são conteúdos que não provém das aquisições pessoais, mas da possibilidade hereditária do funcionamento psíquico em geral, ou seja, da estrutura cerebral herdada. São as conexões mitológicas, os motivos e as imagens que podem nascer de novo, a qualquer tempo e lugar, sem tradição ou migração históricas.”&nbsp; (JUNG, OC.6/1, p.467, §851).</p>



<p>Para Jung, o inconsciente coletivo não deve sua existência a experiências pessoais, ele não é adquirido individualmente, ele é herdado da própria humanidade. Enquanto o inconsciente pessoal é formado de complexos o inconsciente coletivo é constituído de arquétipos e instintos, uma verdadeira “fonte psíquica do poder, da totalidade e da transformação interior” (Hopcke, 2012, p.25)&nbsp;</p>



<p>Essa transformação interior só ocorrerá se o professor abrir espaço para se conhecer e reconhecer o seu aluno como parte integrante do seu próprio processo. Abrindo esse espaço ele entrará em contato com sua história e com a história de vida dos seus alunos, onde essas histórias também estão arraigadas no inconsciente coletivo. &nbsp;Para o sujeito historiar-se ele precisa simbolizar aquilo que é seu e o que é do outro e assim, dar significado e permitir constituir-se como um verdadeiro sujeito autor.</p>



<p>Segundo Beatriz Scozz, “Só podemos trabalhar com o outro e conseguir que nossa tarefa seja eficaz, se pudermos simbolizar nossas próprias dificuldades.” O professor que se encontra diretamente ligado ao seu processo de práticas, reflexões e de seus sentidos subjetivos, está automaticamente em constante evolução, modificando a si mesmo e ao outro. O feedback do professor está na resposta diária de seus alunos e o quanto envolvido está com ele e com aquilo que lhe é apresentado. Enfim, eles têm “a faca e o queijo na mão”, cabe a eles utilizar esses instrumentos da melhor maneira possível, com habilidade e destreza, ficando atentos não apenas aos sintomas e sim ao que está inserido neles.</p>



<p>As crianças, como mencionado no início desse artigo, estão construindo sua estrutura psíquica formando assim sua personalidade, necessitam de figuras mais completas, e que esses mestres sejam inspiração. Seres humanos, como todos os professores, são dignos de falhas, não podemos negar a nossa sombra (nosso lado reprimido, inconsciente, onde depositamos tudo que não condiz com os valores sociais e, também muitos tesouros que por inúmeras razões não pudemos desenvolver) e assim devemos conseguir olhar para esse nosso lado sombrio, revisitando e reintegrando essas partes para nossa própria evolução e a do outro.</p>



<p>Todos conhecem a frase de Jung “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma”. &nbsp;Entrando em contato com nossos processos inconscientes podemos nos adaptar e nos transformar, proporcionando o autoconhecimento e o conhecimento do outro, gerando uma permanente cultura de evolução. Acredito que, os professores que se&nbsp;permitem transitar entre as polaridades que estão presentes no campo simbólico e que permeiam a relação mestre-discípulo e professor-aluno, tem em sua profissão uma grande força psíquica de poder, um instrumento significativo para sua caminhada em seu processo evolutivo e em seu próprio processo de individuação. Sendo assim, podem contribuir de uma maneira efetiva e assídua em seu campo de atuação e, construção de um ambiente propício ao aprendizado de seus alunos.</p>



<p>Para uma breve reflexão deixo aqui um poema de Madalena Freire, filha do nosso grande mestre Paulo Freire, uma verdadeira discípula de seus ensinamentos. Professora, pedagoga, arte-educadora que tem seu caminho trilhado por infinitas marcas de observação ao outro e construção do vínculo através da afetividade, uma das principais características da sua personalidade.</p>



<p><strong><em>Eu- Outro: identificação e diferenciação</em></strong></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Madalena Freire&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</p>



<p>Eu não sou você</p>



<p>Você não é eu.</p>



<p>Eu não sou você</p>



<p>Você não é eu.</p>



<p>Mas sei muito de mim</p>



<p>Vivendo com você.</p>



<p>E você, sabe muito de você vivendo comigo?</p>



<p>Eu não sou você</p>



<p>Você não é eu.</p>



<p>Mas encontrei comigo e me vi</p>



<p>Enquanto olhava prá você</p>



<p>Na sua, na minha, insegurança</p>



<p>Na sua, na minha, desconfiança</p>



<p>Na sua, na minha, competição</p>



<p>Na sua, na minha, birra infantil</p>



<p>Na sua, na minha, omissão</p>



<p>Na sua, na minha, firmeza</p>



<p>Na sua, na minha, impaciência</p>



<p>Na sua, na minha, prepotência</p>



<p>Na sua, na minha, fragilidade doce</p>



<p>Na sua, na minha, mudez aterrorizada</p>



<p>E você, se encontrou e se viu, enquanto</p>



<p>Olhava pra mim?</p>



<p>Eu não sou você</p>



<p>Você não é eu.</p>



<p>Mas foi vivendo minha solidão</p>



<p>Que conversei com você.</p>



<p>E você, conversou comigo na sua solidão</p>



<p>Ou fugiu dela, de mim e de você?</p>



<p>Eu não sou você</p>



<p>Você não é eu</p>



<p>Mas sou mais eu, quando consigo</p>



<p>Lhe ver, porque você me reflete</p>



<p>No que eu ainda sou</p>



<p>No que sou e</p>



<p>No que quero vir a ser&#8230;</p>



<p>Eu não sou você</p>



<p>Você não é eu</p>



<p>Mas somos um grupo, enquanto</p>



<p>Somos capazes de, diferenciadamente,</p>



<p>Eu ser eu, vivendo com você e</p>



<p>Você ser você, vivendo comigo.</p>



<p><br>Elaine Bedin, Membro Analista em Formação pelo IJEP. SP</p>



<p>E. Simone Magaldi Membro didáta do IJEP</p>



<p><strong>Referências</strong></p>



<p>&nbsp;JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<strong>A Natureza da Psique.</strong>&nbsp;Petrópolis: Vozes, 1986 (Obras completas de C.G.Jung, v. 8/2).</p>



<p>JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<strong>Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo</strong>. Petrópolis: Vozes, 2016 (Obras completas de C.G.Jung, v. 9/1).</p>



<p>JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<strong>Tipos psicológicos.</strong>&nbsp;Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas de C.G.Jung, v. 6).</p>



<p>JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<strong>&nbsp;O Eu e o inconsciente</strong>. Petrópolis:&nbsp; Vozes,1987.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav.&nbsp;<strong>Fundamentos da Psicologia Analítica.</strong>&nbsp;Petrópolis: Vozes, 1985.</p>



<p>FREIRE, Madalena.&nbsp;<strong>A paixão de conhecer o mundo.&nbsp;</strong>São Paulo. Paz e terra, 2007.</p>



<p>SCOZZ, Beatriz.&nbsp;<strong>Por uma Educação com alma: a objetividade e a subjetividade nos processos de ensino/aprendizagem.&nbsp;</strong>Petrópolis: Vozes,2000.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ENCONTROS E DESENCONTROS DO MESTRE E SEUS DISCÍPULOS: DOS PROFESSORES E SEUS ALUNOS." width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/2OWWTp6B84c?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-elaine-bedin-08-11-2021"><strong><em>ELAINE BEDIN &#8211; 08/11/2021</em></strong></h4>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/encontros-e-desencontros-do-mestre-e-seus-discipulos-dos-professores-e-seus-alunos/">ENCONTROS E DESENCONTROS DO MESTRE E SEUS DISCÍPULOS: DOS PROFESSORES E SEUS ALUNOS</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Descomplicando o TDAH: uma leitura junguiana</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/descomplicando-o-tdah-uma-leitura-junguiana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Cristina Bedin]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jun 2021 18:37:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Diagnóstico Psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[TDAH]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=6209</guid>

					<description><![CDATA[<p>Este artigo nos leva a uma reflexão sobre o sujeito TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade,) não apenas como o resultado de um conjunto de sintomas, genética e diagnóstico, mas um ser humano individual e único, um indivíduo integral, corpo e mente. </p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/descomplicando-o-tdah-uma-leitura-junguiana/">Descomplicando o TDAH: uma leitura junguiana</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A construção desse artigo surgiu por meio de estudos e evidências empíricas na clínica com crianças, adolescentes e  jovens com dificuldades de aprendizagem e em busca de soluções para seus questionamentos sobre o aprender e sobre si mesmo.</p>



<p>     Existem várias maneiras de se pensar  em sujeitos com dificuldades de aprendizagem e em TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) não podia ser diferente, assim como a forma de se pensar a própria psicologia. Depende muito de como o psicoterapeuta atua e se vê diante do objeto de estudo. Como cita Fernandez, &#8220;Historiar-se é quase sinônimo de aprender, pois, sem esse sujeito ativo e autor que significa o mundo, significando nele, a aprendizagem irá converter-se na memória das máquinas, ou seja, em uma tentativa de cópia.” (FERNANDEZ, 2001, p. 68)</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Jung amplia este conceito ao afirmar que o objeto de estudo, o outro, a forma como vemos o mundo sofre a influência direta do observador, de sua história e de seus complexos, se dá através desta perspectiva que iremos observar e olhar para o TDAH, uma vez que se trata de um conceito relativamente novo, que não foi explorado por Jung.</p>



<p>Para Jung, ao contrário de muitos colegas da época que observavam os sintomas e diagnosticavam, o importante era analisar o sujeito como um ser humano individual e único. Frente a necessidade da totalidade e não apenas de uma pessoa com alguns sintomas.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Segundo a Associação Brasileira de Déficit de Atenção e Hiperatividade (ABDA) “TDAH&nbsp;ou Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade&nbsp; é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.”</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pesquisas internacionais revelam que o TDAH está presente em torno de 5 a 10% da população em idade escolar, até alguns anos atrás, acreditava-se que o TDAH era um transtorno que afetava somente as crianças e que na fase adulta este simplesmente sumia.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Através de estudos minuciosos (Barkley 2011, p. 11) sabe-se que, “até dois terços das crianças que têm TDAH na infância&nbsp; permanecerão com o transtorno ainda na fase adulta, isso significa que 4 a 5% de todos os adultos têm TDAH, mais de 11 milhões de adultos somente nos Estados Unidos”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As pesquisas&nbsp; também indicam que a incidência é maior entre o sexo masculino, numa proporção de nove para um caso do sexo feminino. A maior dificuldade que ocorre é em não ser feito um&nbsp; diagnóstico precoce, isso facilitaria o tratamento e a compreensão acerca destes indivíduos, isso evitaria o sofrimento de crianças, jovens e, até mesmo, pessoas que chegam à fase adulta sem direcionamento. Atualmente, o TDAH está entre os transtornos mais estudados, mentais e emocionais, levando o indivíduo a sérias consequências, principalmente o que concerne à saúde mental, bem estar e qualidade de vida.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Como citado acima, o&nbsp; diagnóstico precoce é muito importante e, para a realização do mesmo,&nbsp; deve-se procurar uma equipe multidisciplinar. Quanto mais informações obtidas, maiores as chances de&nbsp; um estudo clínico detalhado e uma avaliação precisa envolvendo: avaliação com pais ou responsáveis, avaliação com a escola, aplicação de escalas padronizadas para TDAH e, em alguns casos, os profissionais solicitam exames de imagens.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Do ponto de vista junguiano não nos preocupamos muito com o diagnóstico em si, não que ele não seja importante, mas Jung se preocupava que acima de qualquer diagnóstico está o indivíduo e a forma como ele vive o TDAH, por exemplo. Podemos observar empiricamente que os indivíduos com e sem diagnóstico no geral o vivem com muito sofrimento, não pelo transtorno em si, mas pela dificuldade em experienciar o mundo de forma dita ¨normal¨, tão e simplesmente por entender, observar e vivenciar o mundo de maneira adversa se comparado a maioria dos outros indivíduos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O TDAH é caracterizado basicamente por sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. São responsáveis por prejuízos na vida escolar&nbsp; de muitos jovens, trazendo problemas de relacionamento social e ocupacional, além do impacto negativo em sua vida familiar e interpessoal.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade deriva de uma alteração no&nbsp; funcionamento&nbsp; no sistema neurobiológico cerebral, ou seja, os neurotransmissores, que passam informação entre as células nervosas (neurônios). Estes localizam-se na região frontal orbital, que é responsável por controlar ou inibir comportamentos, pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento, as funções executivas.&nbsp;&nbsp;Como diz o psicólogo Thomas Brown, elas representam o maestro de uma orquestra. Sem ele, todos os instrumentistas podem ser ótimos, mas o resultado final não será bom. Ele define as prioridades a cada momento, mudar o foco de um instrumento para outro! Vale ressaltar que, alterações nas funções executivas não pertencem apenas às crianças portadoras de TDAH, muitas crianças sem o transtorno também podem apresentar essa disfunção.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Podemos dividir o TDAH em três grupos:&nbsp;</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Tipo Desatento</li>



<li>Tipo Hiperativo/ Impulsivo</li>



<li>Tipo composto: Déficit de atenção e Hiperatividade</li>
</ul>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Lembrando que ao nomearmos estamos nos referindo aquela criança como portador dos sintomas. A luz da psicologia junguiana, como podemos ver esses sintomas? Qual a história desse sujeito? O que ele carrega ?</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Analisando este quadro observamos os comportamentos desse sujeito desde a tenra infância, como os sintomas se apresentam e qual a frequência dos mesmos. Ao que parece uma criança nasce TDAH, o TDAH não é transformado, nem adquirido.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A criança vem ao mundo com o inconsciente coletivo, são estes &nbsp;conteúdos (arquétipos e instintos) que fazem parte da história da humanidade. Os pais, familiares, cuidadores e educadores ocupam grande papel na etapa do desenvolvimento e criação da consciência junto ao inconsciente pessoal, a tarefa que lhes é incumbida é de participar, estimular e ao mesmo tempo,&nbsp; observar essa criança. A aceitação e o desempenho desse sujeito na escola e em outros grupos sociais depende de como ele se&nbsp; desenvolveu na tenra infância e da sua constituição subjetiva. Nas palavras do Jung:</p>



<p>(&#8230;) como pode alguém educar, se ele mesmo não foi educado, como pode esclarecer, quando está no escuro no que diz respeito a si mesmo, e como purificará, se ainda é impuro? (Jung, 16/1, §169 )</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Autoconhecimento e adaptação ao mundo são dois pontos fundamentais para a teoria&nbsp; junguiana, através da constituição da sua própria personalidade é que você vê e observa o outro. E nesse contexto que Jung nos mostra pistas primordiais para promovermos a autoconstrução do sujeito, através do&nbsp; cultivo da&nbsp; sua alma, afinal nunca saberemos qual será nossa influência no outro, podem ser positivas ou negativas, para o bem e para o mal. A alma é muito mais que um estado mental e cognitivo, é algo que mobiliza esse corpo e mente.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;“ Por alma, porém, entendo um complexo determinado e limitado de funções que &nbsp; &nbsp; poderíamos caracterizar melhor como ‘personalidade’”. ( Jung, 2020, § 752)</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Aquele mesmo sujeito que mobiliza seu corpo e manifesta traços de desatenção, impulsividade e hiperatividade, é visto e analisado por outros sujeitos que apresentam diferentes comportamentos. Geralmente comportamentos ditos “normais”, os quais são aceitos e valorizados pela sociedade, principalmente na instituição escolar, que via de regras, gostam de rotular e enquadrar crianças para facilitar o processo educacional. Este sujeito que ao mesmo tempo tenta se integrar ao grupo escola (coletivo), também precisa&nbsp; se emancipar e olhar para si, valorizando suas singularidades, sua imagem pessoal, para além da herança genética. Como isso pode acontecer se nem ele se aceita? Se nem ele consegue se reconhecer como sujeito autor, identificar e integrar a este&nbsp; corpo esses sintomas?</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Jung o conhecimento se dá através da experiência e, nesse caso, do TDAH, se faz necessário deixar claro que a experiência é &nbsp;proveniente do seu interior e, também, tem valor de realidade. E que através dessa realidade e dessas&nbsp; experiências pessoais, podemos atingir o autoconhecimento.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Através de nossas percepções percebemos o mundo dentro e fora de nós, como lidamos com o objeto. Segundo Jung:</p>



<p>“ Chamo introversão o voltar-se para dentro da libido. Expressa uma relação negativa entre sujeito e objeto. O interesse não se dirige para o objeto, mas dele se retrai e vai para o sujeito. Quem possui uma atitude introvertida pensa, sente e age de modo a deixar transparecer claramente que o motivador é o sujeito, enquanto o objeto recebe valor secundário. A introversão pode ter um caráter mais intelectual ou mais sentimental, pode ser ainda caracterizada pela intuição ou pela sensação. A intuição é ativa quando o sujeito quer um isolamento em relação ao objeto, e passiva quando o sujeito não consegue reintegrar no objeto a libido que dele reflui. Se a atitude introvertida é habitual, podemos falar de tipo introvertido. ( Jung 6/1,2020,§ 864)</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;“ Extroversão. É o voltar-se para fora da libido. Com este conceito designo uma relação manifesta do sujeito para com o objeto no sentido de um movimento positivo do interesse subjetivo pelo objeto. Todo aquele que se encontra num estado extrovertido pensa, sente e age em relação ao objeto, e isto de maneira direta e externamente perceptível, de modo a não pairar dúvida sobre sua atitude positiva com o objeto. Por isso a extroversão é de certa forma uma transferência do interesse do sujeito para o objeto. Se a extroversão for intelectual, o sujeito pensa no objeto; se for sentimental, ele sente no objeto. Fala-se de extroversão ativa quando ela é querida intencionalmente, e de extroversão passiva quando é forçada pelo objeto, isto é , quando o objeto atrai por própria conta o interesse do sujeito, eventualmente contra a vontade deste.” ( Jung 6/1,2020, § 797)</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Através de experiência e observação clínica, tenho notado que, a maioria das crianças e jovens que chegam apresentam atitude introvertida concentrando-se sua libido em fatores subjetivos, dificultando ainda mais seu processo de adaptação frente às exigências da sociedade. O tipo introvertido é fortemente influenciado às suas necessidades interiores. Suas decisões e ações são condicionadas a fatores subjetivos, sendo pouco sociáveis, deixando de externalizar seus desejos e dificultando seu relacionamento com o mundo.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Além da atitude introvertida, o sujeito é&nbsp; influenciado por um modo mais racional ou irracional de agir e se adaptar ao meio. Jung chamou de quatro funções da consciência : Pensamento e Sentimento ( racionais ), Intuição e Percepção ( Irracionais).&nbsp;</p>



<p>“Intuição (vem de intueri= olhar para dentro) (&#8230;) É a função psicológica que transmite a percepção por via inconsciente. Tudo pode ser objeto dessa percepção, coisas internas ou externas e suas relações.(&#8230;) Na intuição, qualquer conteúdo se apresenta como um todo acabado sem que saibamos explicar ou descobrir como este conteúdo chegou a existir. É uma espécie de apreensão instintiva, não importando o conteúdo.” ( Jung, 2020,§ 865)</p>



<p>“Percepção (Sensação) &#8211; É a função psicológica que proporciona a percepção de um estímulo físico. Por isso é idêntica a percepção. (&#8230;) A sensação relaciona-se não apenas com os estímulos externos, mas também com os internos, isto é, com as transformações dos órgãos internos. Por isso é ela, em primeiro lugar, sensação dos sentidos, ou seja, percepção pelos órgãos dos sentidos e pelo &nbsp;“sentido de corpo”. Por um lado, é elemento da representação porque fornece a ela a imagem percebida do objeto externo e, por outro lado, é elemento do sentimento porque dá a este o caráter de afeto, através da percepção das transformações corporais…&#8221; ( JUNG, 2020, § 889)</p>



<p>“ Pensamento &#8211; Considero pensamento uma das quatro funções psicológicas básicas. O pensamento é aquela função psicológica que, de acordo com suas próprias leis, faz a conexão ( conceitual) de conteúdos de representação a ele fornecidos. É uma atividade perceptiva e, como tal, deve ser distinguida em atividade de pensamento ativa e passiva. O pensamento ativo é uma agir de vontade, e o passivo é um acontecer.” ( Jung, 2020, § 873)</p>



<p>“ Sentimento &#8211; (&#8230;) O sentimento é, em primeiro lugar, um processo que se realiza entre o eu e um dado conteúdo, um processo que atribui ao conteúdo um valor definido no sentido de aceitação ou rejeição ( prazer ou desprazer), mas também um processo que, abstraindo do conteúdo momentâneo da consciência ou de sensações momentâneas, pode aparecer como que isolado, como disposição de ânimo ( humor).(&#8230;) O sentimento é uma espécie de julgamento, mas que se distingue de julgamento intelectual, por não visar ao estabelecimento de relações conceituais, mas a aceitação ou rejeição subjetivas.” ( Jung, 202-, § 896).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Às funções conscientes mais desenvolvidas Jung chama de Funções superiores e, as menos desenvolvidas, inconscientes, de inferiores.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Apesar das funções estarem presentes em todos os sujeitos, na maioria das vezes um ou outro tipo, pelas circunstâncias externas ou questões subjetivas, é predominante. E, essa observação se faz necessária quando você olha para esse sujeito&nbsp; TDAH. A partir dessa visão junguiana podemos transitar entre o individual e o coletivo, entre a luz e a sombra, funções superiores, inferiores e auxiliares,&nbsp; lembrando que para Jung trazer a luz, é trazer à consciência novos conteúdos, àqueles que nos incomodam e temos mais dificuldade em lidar. Fácil? Não, mas necessário.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Acredito que, nesse jogo e através dessa integração mente e corpo, o&nbsp; sujeito TDAH com suas próprias percepções possa vir a&nbsp; reconhecer em si mesmo características que o levem ao seu fortalecimento e&nbsp; buscar estratégias para entrar em contato com&nbsp; as suas próprias sombras, inquietação e desatenção. Afinal, mente e corpo não são duas substâncias separadas, são sim aspectos complementares de uma única e mesma realidade contínua.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Manter o equilíbrio e a conexão mente e corpo é um grande desafio, para o indivíduo que carrega os sintomas&nbsp; e para todos nós psicoterapeutas que tentamos adentrar em uma esfera de forças inconscientes e como cita Jung “ nos expomos aos poderes que ameaçam a consciência”. Atingir a especificidade de cada um, valorizando suas singularidades além dos muros da escola e de um sistema de ensino avassalador, para além da genética buscando restabelecer conexão com sua essência mais profunda.</p>



<p>Elaine Bedin, membro analista em formação pelo IJEP – SP</p>



<p>E. Simone D. Magaldi, didata responsável</p>



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>FERNÁNDEZ, Alícia. Os Idiomas do Aprendente, Porto Alegre: Artmed, 2001.</p>



<p>JUNG,C.G., A Prática da psicoterapia, Petrópolis: Vozes, 2013</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Tipos Psicológicos. 7ª Ed. Petrópolis: Vozes, 2020</p>



<p>BARKLEY, R. A. Vencendo o TDAH: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Porto Alegre: Artmed 2011.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-associacao-brasileira-do-deficit-de-atencao wp-block-embed-associacao-brasileira-do-deficit-de-atencao"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="VFzato0gYh"><a href="https://tdah.org.br/sobre-tdah/o-que-e-tdah/">O que é TDAH</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O que é TDAH&#8221; &#8212; Associação Brasileira do Déficit de Atenção" src="https://tdah.org.br/sobre-tdah/o-que-e-tdah/embed/#?secret=Gy7w9Gguj4#?secret=VFzato0gYh" data-secret="VFzato0gYh" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="DESCOMPLICANDO O TDAH, UMA LEITURA JUNGUIANA" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/TuywxC-4xxQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-elaine-bedin-30-06-2021"><strong><em>ELAINE BEDIN &#8211; 30/06/2021</em></strong></h4>



<p></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/descomplicando-o-tdah-uma-leitura-junguiana/">Descomplicando o TDAH: uma leitura junguiana</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Mãe devoradora e seus filhos</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/mae-devoradora-e-seus-filhos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Cristina Bedin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Feb 2021 20:38:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Complexo Materno]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[complexo]]></category>
		<category><![CDATA[maternagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=6062</guid>

					<description><![CDATA[<p>O termo arquétipo não foi cunhado por Carl Jung (OC,9/1,§1), mas sua imensa contribuição se deu quando usou a ideia de arquétipo no sentido psicológico. Jung explica que os conteúdos do inconsciente coletivo são os arquétipos. Segundo Jung em OC,9/1, §5:&#160;&#160;&#160; ¨&#8230;estamos tratando de tipos arcaicos &#8211; ou melhor &#8211; primordiais, isto &#160;é, de imagens [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/mae-devoradora-e-seus-filhos/">Mãe devoradora e seus filhos</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O termo arquétipo não foi cunhado por Carl Jung (OC,9/1,§1), mas sua imensa contribuição se deu quando usou a ideia de arquétipo no sentido psicológico.</p>



<p>Jung explica que os conteúdos do inconsciente coletivo são os arquétipos. Segundo Jung em OC,9/1, §5:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p><em>¨&#8230;estamos tratando de tipos arcaicos &#8211; ou melhor &#8211; primordiais, isto &nbsp;é, de imagens universais que existiram desde os tempos mais remotos. ¨</em></p>



<p>De uma forma mais clara, podemos dizer que o arquétipo é um molde psíquico, onde as experiências pessoais e coletivas são arquivadas, tomam forma e posteriormente se manifestam na vida das pessoas. Neste contexto, encontramos como um dos arquétipos mais importantes o da mãe, ou complexo materno, denominação usada para a manifestação do arquétipo na psique individual. Sobre este tema, foram feitas inúmeras pesquisas, tanto pelo próprio Jung, como por seus seguidores, muito se foi falado sobre a imagem arquetípica da mãe, que está por trás do complexo de mãe do indivíduo.&nbsp;</p>



<p>Em toda a obra sobre este assunto, podemos perceber que a importância da mãe na vida de todos os seres humanos é indiscutível, sendo esta responsável, inclusive, pela capacidade de um indivíduo em se relacionar e ter intimidade.&nbsp;</p>



<p>Quando essa mãe está tomada por um dos aspectos negativos deste complexo, temos o que comumente chamamos de mãe devoradora, ou seja, aquela que acredita que o filho lhe pertence de alguma forma, que se ofende quando tal não se desenvolve ou não acata aos seus comandos.&nbsp;</p>



<p>Na clínica, temos exemplos abundantes desse tipo de situação. Quem não conhece esse tipo de mãe?&nbsp;</p>



<p>Ela, de alguma forma, nos lembra Deméter, uma grande mãe, que vivia para sua filha e através dela, e na falta desta caiu em total desespero, tornando-se incapaz de exercer suas próprias obrigações. Passando aqui o enfoque aos filhos dessa mãe &#8211; não nos cabe especular como deveriam ser os sentimentos de Perséfone, mas sim dos filhos contemporâneos dessa mãe que, diferente de Deméter, que é um feminino ferido e amoroso, muitas vezes são pura e simplesmente castradoras, narcisistas e/ou com feridas transgeracionais carregadas via inconsciente coletivo da família, e que, se não analisadas, ampliadas e ressignificadas, certamente serão passadas para sua prole e assim por diante.&nbsp;</p>



<p>Ainda sobre o complexo materno:</p>



<p><em>̈O arquétipo materno é a base do chamado complexo materno. (&#8230;) segundo minha experiência, parece-me que a mãe sempre está ativamente presente na origem da perturbação, particularmente em neuroses infantis ou naquela em cuja etiologia recua até a primeira infância.¨ (OC 9/1,§161)</em></p>



<p>Sobre tal efeito, Jung esclarece que, devido ao contato inicial se dar com esta figura, e pela sua importância na vida de todo indivíduo, a mãe acaba adquirindo uma parte da numinosidade do próprio arquétipo, por isso é comum que a mãe pareça sagrada de alguma forma e, por isso mesmo, livre de repreensões, como se esta pessoa fosse livre de erros comuns ao ser humano.</p>



<p>Conclui ainda que os efeitos de um complexo materno negativo difere no filho e na filha (OC 9/1,§162). Claro que respeitando a individualidade e as possibilidades infinitas dos possíveis impactos na vida de cada um, Jung descreve aquilo que empiricamente pode comprovar e posteriormente documentar, para fins didáticos.</p>



<p>No filho, os efeitos típicos podem ser o dom-juanismo e, eventualmente, a impotência. Claro que devemos levar em consideração que o complexo materno no filho nunca é puro, na medida que existe dessemelhança devido ao sexo, essa é a razão pela qual a anima do parceiro sexual exerce um papel importante<em>&nbsp;</em>(OC 9/1,§162).</p>



<p>Descreveremos aqui um contexto mostrado no dorama Meninos Antes de Flores, nome comumente difundido na atualidade para novelas asiáticas, trata-se da palavra drama no japonês&nbsp;&nbsp;テレビドラマ, aqui no Brasil chamamos este tipo de entretenimento de novela ou minissérie. Trata-se do dorama&nbsp;<em>Boys Over Flowers</em>&nbsp;ou&nbsp;<em>Boys Before Flowers</em>, um&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Drama">drama</a>&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Coreia_do_Sul">sul-coreano</a>&nbsp;baseado no&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Mang%C3%A1_sh%C5%8Djo">mangá shōjo</a>&nbsp;japonês&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Hana_Yori_Dango">Hana Yori Dango</a>&nbsp;(em&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_japonesa">japonês</a>:&nbsp;花&nbsp;より&nbsp;男子), escrito por&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Yoko_Kamio">Yoko Kamio</a>.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Para situar o leitor no contexto da história, vamos expor sua sinopse:</p>



<p><em>Jan Di&nbsp;</em>é uma garota comum de origem humilde que mora com seus pais e seu irmão mais novo, e trabalha na lavanderia da família fazendo as entregas das roupas dos clientes. Ela não é uma garota rebelde e nem gosta de criar confusões, mas quando é para ajudar seus amigos ou não deixar que a humilhem, faz o que é preciso para se defender. Certo dia, enquanto levava a roupa de um estudante da Escola Shinhwa, considerada a melhor do país,&nbsp;<em>Jan Di</em>&nbsp;o salva do suicídio, sem saber o porquê de tal ato. Com isso ela ganha uma bolsa de estudos nessa mesma escola, algo que ninguém nunca havia imaginado antes, já que a escola é de elite e apenas para a nata da sociedade. De início ela não aceita a proposta para frequentar tal escola, mas pela pressão da família acaba cedendo, sem saber o que lhe espera. Na escola, quatro jovens chamados F4 (Flower Four), possuem o respeito de todos e usam do poder para humilhar os estudantes. Para ajudar uma amiga,&nbsp;<em>Jan Di</em>&nbsp;acaba enfrentando o líder do grupo,&nbsp;<em>Gu Jun Pyo</em>, sem pensar duas vezes, e esse, revoltado por tal insolência, faz sua vida impossível dentro da escola. Mas ela não desiste e sempre acaba ridicularizando. Com o passar do tempo ele percebe que é apaixonado por ela, porém a garota começa a sentir algo mais por outro membro do F4,&nbsp;<em>Yoon Ji Hoo</em>, um rapaz frio e fechado, mas que aos poucos, e por causa dela, começa a se abrir ao exterior e ao amor, tornando-se rival do seu amigo&nbsp;<em>Gu Jun Pyo</em>.&nbsp;</p>



<p>Nesta história, encontramos o personagem Gu Jun Pyo, que possui esta mãe que descrevemos acima: autoritária, abusiva, controladora, e absolutamente inflexível, que domina quase todos os aspectos da vida deste filho, ela vive através dele. Seu sucesso e todas suas atitudes de agora e do futuro devem assentar na projeção de contribuir ou refletir o próprio sucesso, como mãe e como empresária bem-sucedida que é, no contexto em que aparece no dorama ela quer inclusive escolher a profissão e a esposa do filho para tal intento. Ela vive através deste filho. Falta-lhe amor? Não sabemos, esta pergunta só pode ser respondida pelo próprio indivíduo em cada situação particular. O que nos importa aqui observar é que esta situação comumente vemos na vida cotidiana, nos consultórios e ao nosso redor.&nbsp;</p>



<p>No mesmo dorama, encontramos outro exemplo desta mãe agora na dita classe C, na mãe (e pai) da personagem Jan Di, onde estes pais, ambos tomados pelo aspecto negativo do complexo materno além de viverem e projetarem suas vidas não vividas nesta filha, querendo escolher por ela a fim de também alcançarem suas ambições e objetivos, mas percebamos que a questão aqui vai muito além desta ambição , se trata do seguinte: Não é você quem vive e sim eu quem vivo através de ti.&nbsp;</p>



<p>Podemos concluir desta parte que este tipo de mãe (e pai), tomados por um complexo materno negativo, pode ocorrer em qualquer lugar e em qualquer classe social, a depender da vivência e carga transgeracional de cada um, nunca nos esquecendo que o arquétipo é uma forma vazia, a ser preenchida, e o que a preenche? As imagens arquetípicas, que são justamente as vivências pessoais, a história da família, principalmente no que concerne a três gerações atrás, sem esquecer do espírito do nosso tempo.</p>



<p>Na mulher, Jung viu outras possibilidades como resultado dessa mãe: a hipertrofia do aspecto maternal, a exacerbação do Eros, a identificação com a mãe e a defesa contra a mãe.</p>



<p>Gostaríamos de destacar um dos aspectos descritos por Jung, por meio das observações de diferentes casos clínicos, onde as mulheres eram totalmente dependentes dessa mãe, apresentando muitos aspectos de PUELLA, se sentiam incapazes. Isso acontece com frequência, uma vez que essa mãe, como o nome pressupõe, domina todos os aspectos, como se só ela fosse capaz e sem ela os filhos não pudessem dar continuidade à vida.</p>



<p>Geralmente ocorrem com jovens entre 25 a 40 anos, filhas únicas ou única filha mulher entre homens mais velhos, bom nível de formação, mas com círculo de amizades restrito. Algumas trabalhando em&nbsp; empresa da família,&nbsp; onde seu salário não era apenas fruto de seu trabalho e sim uma ajuda financeira que lhe concediam para pagar suas pequenas despesas. Uma visão um tanto deturpada, mas real, visão de algumas mulheres que chegam em clínicas e consultórios com sintomas de ansiedade e depressão. Pessoas que não se valorizam profissionalmente, muito menos em seus relacionamentos.</p>



<p>São jovens com muitos medos: medo de não conseguirem se relacionar e constituir uma família; medo de não conseguir evoluir profissionalmente e se manter na posição de “menininha da mamãe”; medo de continuarem submissas aos familiares e não atingirem a autonomia financeira e, finalmente, de sair de casa, constituir uma família e se libertar deste sentimento de inferioridade moral e/ou intelectual, onde consideram-se feias aos olhos dos pais, companheiros e de outras pessoas ao redor. A maneira que usam em acusar os pais remete ao alívio da própria culpa, algo que é conveniente e momentâneo.</p>



<p>A filha, acometida pelo medo mortal dessa mãe devoradora que devora sua juventude e projeta seus anseios, frustrações e expectativas, acaba fugindo da realidade, isolando-se e permanecendo nesta persona de “menininha da mamãe”.</p>



<p>Durante o processo terapêutico, algumas jovens, ao mesmo tempo que queriam se libertar dessa mãe autoritária e perseguidora, se sentiam culpadas das vezes que saíam de suas casas ou se negavam a fazer as coisas que a mãe ordenava. Liberdade? Libertação? Como pensar no sentido dessas palavras que exprimem sentimentos avassaladores e geram ações inoportunas e inadequadas nesta fase da vida?</p>



<p>Com o passar do tempo e a evolução do processo terapêutico, as mudanças começam a dar sinais. Sinais de angústia, rejeição, sentimento de culpa por pensar “mal” da mãe, que, como Jung menciona, é vista como numinoso, um ser sagrado, aquela que sustenta e nutre. Será que era pensar mal ou tomar consciência de todo mal que sua mãe lhe causara?</p>



<p>Quanto mais nos aprofundarmos e analisarmos a trajetória dessas mulheres, nos deparamos com femininos massacrados, não-vividos, adulterados. Para o desenvolvimento pessoal e psíquico, num processo analítico, temos que levar à consciência as próprias sombras. Um aspecto em comum e muito relevante entre essas mulheres é a compulsão alimentar.&nbsp;</p>



<p>Observa-se que, em diferentes momentos, sentimos fome, em momentos de raiva principalmente. Sentir fome, comer, comer em demasia. Daria sensação de alívio, como se fosse um sistema de recompensa e punição. Uma colocação totalmente paradoxal e, ao mesmo tempo, ambígua. Alívio ou punição? Alívio por saciar sua fome de amor e de raiva, a fúria presente dentro dela e punição por ainda não saber enfrentar os seus problemas e não reagir diante da vida.</p>



<p>Segundo Jung (1985), o fenômeno da fome, o ato de comer é visto como um instinto psiquificado, ou seja, que os instintos, enquanto forças psíquicas motivadoras do processo de desenvolvimento da psique, ao ser ligado à consciência humana, podem ser modificados, transformados em outros fins, por meio das necessidades internas nos diferenciando dos animais.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<em>“A fome como expressão característica do instinto de autoconservação é, sem dúvida, um dos fatores mais primitivos e mais poderosos que influenciam o comportamento humano. A vida do homem primitivo, por exemplo, é mais fortemente influenciado por ele do que pela sexualidade. A este nível, a fome é o A e o O da própria existência.” (OC 8/2, §237).&nbsp;</em></p>



<p>Assim podemos entender melhor o que ocorre com algumas mulheres ao comer: agindo instintivamente, são impulsionadas por um estímulo que gera o ato de comer. O alimento age como um sistema de compensação, saciando momentaneamente sua fome. O sentimento de raiva vive enjaulado, sua energia está agora bloqueada em seu próprio corpo e ela sente-se incapaz de libertá-la.</p>



<p>Quando conseguimos compreender os efeitos que a criação teve sobre nós, começamos a compreender a nós mesmas, a nos curarmos, e a sermos capazes de assimilar o que pensamos de nosso corpo ou a explorar o que consideramos possível conseguir na vida.</p>



<p>No decorrer do&nbsp;processo terapêutico, tomamos consciência das nossas &nbsp; sombras, sentindo e tentando transformar as expectativas frustrantes em ações conflitantes, elaborando e fortalecendo o&nbsp; ego. Ego fraco leva à incapacidade de lidar com a própria realidade fugindo para uma fantasia delirante e inflada.</p>



<p>Trazendo às sessões temas relacionados ao feminino, castração e sexualidade, desde sua infância até a fase adulta, podemos trazer à tona a oportunidade de nos relacionarmos com o próprio corpo e, consequentemente com outras pessoas. Apesar de causar sofrimento, trabalhando com os aspectos sombrios,&nbsp; desenvolvemos a aceitação do corpo e, gradativamente, libertamos o lado criativo.</p>



<p>Cada psique individual tem sua própria realidade peculiar, apesar de seres distintos. Tanto no homem como na mulher, podemos observar que o complexo materno negativo possui algumas características semelhantes: as mães não querem que seus filhos cresçam, sabotam a autonomia de seus filhos, não por serem boazinhas, mas sim para terem o controle. Controlando-os através de seus relacionamentos restritos, tornando-os dependentes financeiros, reprimindo seus sentimentos e ocasionando uma mistura de depressão, ansiedade, raiva, sexualidade reprimida.</p>



<p>O caminho para a ressignificação deste complexo e pelo encontro do indivíduo com a sua mãe interior é diverso, e pode na verdade nem acontecer, dependendo dos ganhos secundários, da disponibilidade interior e prontidão de cada um, mas acreditamos que ele necessariamente passa pelo fortalecimento do ego, tomada de consciência da sua realidade, que muitas vezes ocorre após a reconexão com o corpo, muito embora Jung descreva o corpo e a psique como um só, nestes indivíduos é visível a desconexão deste corpo, até mesmo das sensações.</p>



<p><strong>Elaine Bedin e Natalhe Costa</strong><br>Analistas em formação pelo IJEP, em São Paulo<br>&nbsp;</p>



<p><em>Jung, C. G. (1985).&nbsp;<strong>Natureza da psique.</strong>&nbsp;In Obras completas de C. G. Jung (Vol. 8/2). Rio de Janeiro: Vozes.</em></p>



<p><em>JUNG, C.G.&nbsp;<strong>Os Arquétipos e o inconsciente Coletivo</strong>&nbsp;&#8211; 11. Ed.&nbsp;<strong>OC 9\1</strong>&nbsp;Petrópolis, RJ: Vozes,2014.</em></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>ELAINE BEDIN e NATALHE COSTA&nbsp;</em></strong></h4>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/mae-devoradora-e-seus-filhos/">Mãe devoradora e seus filhos</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
