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	<title>Euflausina Goes dos Santos, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Euflausina Goes dos Santos, Autor em Blog IJEP</title>
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		<title>Então é Natal, e o que você fez?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/entao-e-natal-e-o-que-voce-fez/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Euflausina Goes dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Dec 2025 11:11:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[anima e animus]]></category>
		<category><![CDATA[festas de fim de ano]]></category>
		<category><![CDATA[natal]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[relações familiares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Natal, as famílias cristãs se reúnem e, com esse encontro, ocorre a mobilização de afetos profundos: memórias são acessadas e emergem expectativas de união e alegria. Mas também é um campo fértil para diversos tipos de conflitos; parece que algumas impurezas, antes empurradas para debaixo do tapete, resolvem se rebelar, dando lugar às célebres explosões emocionais. Neste artigo serão visitadas algumas projeções próprias desta época do ano.Então é Natal, e o que você fez?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: No Natal, as famílias cristãs se reúnem e, com esse encontro, ocorre a mobilização de afetos profundos: memórias são acessadas e emergem expectativas de união e alegria. Mas também é um campo fértil para diversos tipos de conflitos; parece que algumas impurezas, antes empurradas para debaixo do tapete, resolvem se rebelar, dando lugar às célebres explosões emocionais. Neste artigo serão visitadas algumas projeções próprias desta época do ano.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-presente-artigo-investiga-as-dinamicas-arquetipicas-de-anima-e-animus-e-sua-manifestacao-nas-projecoes-emocionais-familiares-e-culturais-durante-o-periodo-natalino" style="font-size:19px"><strong>O presente artigo investiga as dinâmicas arquetípicas de anima e animus e sua manifestação nas projeções emocionais, familiares e culturais durante o período natalino</strong>. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A partir da psicologia analítica de C. G. Jung, examina-se como o Natal, enquanto rito coletivo carregado de símbolos, intensifica idealizações, conflitos e expectativas herdadas do inconsciente pessoal e coletivo. Discutem-se figuras simbólicas como o Papai Noel, a Virgem Maria, Pai José e o Menino Divino, bem como os papéis familiares que emergem no imaginário festivo. Por fim, aborda-se a relevância clínica dessas projeções e suas possibilidades de integração.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na cultura ocidental, a festividade do dia 25 de dezembro, o <strong>Natal</strong>, é considerada a comemoração do nascimento de Cristo pelos cristãos. Por isso, é uma data voltada à celebração do amor e da união.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As famílias cristãs se reúnem e, com esse encontro, ocorre a mobilização de afetos profundos: memórias são acessadas e emergem expectativas de união e alegria. Mas também é um campo fértil para diversos tipos de conflitos; parece que algumas impurezas, antes empurradas para debaixo do tapete, resolvem se rebelar, dando lugar às célebres explosões emocionais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-recorrer-a-psicologia-analitica-podemos-ampliar-nossa-reflexao-sobre-esse-tema-e-trazer-clareza-para-compreender-o-fenomeno" style="font-size:19px">Ao recorrer à Psicologia Analítica, podemos ampliar nossa reflexão sobre esse tema e trazer clareza para compreender o fenômeno.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung descreve estruturas universais presentes em nossa psique, os arquétipos, que funcionam como formas que moldam nossas percepções e relações. Entre esses arquétipos, anima e animus exercem papel fundamental na maneira como nos relacionamos com o outro e com o mundo. As funções psíquicas que expressam o princípio feminino e o princípio masculino interiorizados, influenciam idealizações, projeções e dinâmicas de vínculo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na celebração do Natal, os conteúdos psíquicos emergem de maneira amplificada. A festa, a reunião familiar, as imagens religiosas e as memórias da infância podem desencadear uma regressão psíquica, na qual partes ocultas acabam sendo projetadas, e ali estão anima e animus, vivos, prontos para desvelar o que por tanto tempo permaneceu escondido.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-contexto-tudo-pode-acontecer-o-que-se-constela-sao-os-rituais-os-papeis-desempenhados-dentro-da-familia-e-as-diversas-figuras-simbolicas-que-trazem-a-tona-conteudos-inconscientes" style="font-size:19px">Nesse contexto, tudo pode acontecer: o que se constela são os rituais, os papéis desempenhados dentro da família e as diversas figuras simbólicas que trazem à tona conteúdos inconscientes. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Jung</strong> afirma: “<em>… a anima é um arquétipo que se manifesta no homem, é de supor-se que na mulher há um correlato, porque do mesmo modo que o homem é compensado pelo feminino, assim também a mulher é pelo masculino</em>” (Jung, 2013a, p.26).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Correlativamente, designei o fator determinante de projeções presente na mulher com o nome de animus. Este vocábulo significa razão ou espírito. Como a anima corresponde ao Eros materno, animus corresponde ao Logos paterno. … Uso os termos “Eros” e “Logos” meramente como meios nocionais que auxiliam a descrever o fato de que o consciente da mulher é caracterizado mais pela vinculação ao Eros do que pelo caráter diferenciador o cognitivo do Logos. No homem, o Eros, que é a função de relacionamento, em geral aparece menos desenvolvido do que o Logos. </p><cite>Jung, 2013a, p.27</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ambos se expressam inicialmente através de projeções. Projetamos anima e animus em pessoas e figuras externas para, posteriormente, retomar essas qualidades de volta para a psique e integrá-las. Quando fixados, podem gerar ilusões, idealizações extremas ou hostilidade.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Cada parte da nossa personalidade que não amamos tornar-se-á hostil a nós. Ela também pode distanciar-se de nós e iniciar uma revolta contra nós. Nossa psique, portanto, é uma máquina natural de projeção; podemos recuperar as imagens que guardamos enroladas na lata e projetá-las para os outros ou sobre os outros.</p><cite>Zweig e Abrams, 2024, p. 42</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Por serem arquétipos, anima e animus transitam em toda extensão da psique, percorrem os núcleos dos complexos. Mas a percepção de sua atuação só pode ser observada com as projeções.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A projeção é um mecanismo pelo qual conteúdos inconscientes são atribuídos a outras pessoas, situações ou objetos. É um modo natural da psique tentar reconhecer em outro aquilo que ainda não foi identificado internamente. Em períodos emocionalmente carregados, como o Natal, as projeções tornam-se mais intensas. Segundo Jung ( 2013a, p. 21): “As projeções transformam o mundo externo na concepção própria, mas desconhecida”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A reunião familiar, o retorno à casa antiga, a repetição de rituais e o clima cultural de idealização facilitam a ativação do inconsciente pessoal e coletivo. Assim, velhas feridas, expectativas infantis e papéis familiares cristalizados reaparecem com força.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Muitas vezes é trágico ver como uma pessoa estraga de modo evidente a própria vida e a dos outros, e como é incapaz de perceber até que ponto essa tragédia parte dela e é alimentada progressivamente por ela mesma.</p><cite>Jung, 2013a, p.21</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O Natal reúne imagens profundamente enraizadas no inconsciente coletivo: a Mãe Divina (Virgem Maria), o Velhinho generoso e onisciente (Papai Noel), o Menino Divino, frequentemente interpretado como símbolo do Self, além de figuras masculinas portadoras de dons, como os Reis Magos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esses símbolos falam diretamente com a psique profunda. O imaginário natalino reforça, ainda, papéis de gênero específicos: a mãe cuidadora e acolhedora, o pai provedor e protetor, as crianças como receptores da generosidade adulta e o ideal de família perfeita. Esses padrões emergem como projeções arquetípicas</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-mulher-como-mae-do-natal" style="font-size:21px">A Mulher como &#8220;Mãe do Natal&#8221;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No Natal essa força simbólica é intensificada. &#8220;Mãe do Natal&#8221; A figura feminina é frequentemente investida de projeções da anima coletiva: acolhimento, sacrifício, cuidado ilimitado. No Natal, essa exigência se intensifica. Espera-se que ela organize, concilie, acolha e harmonize todos os membros da família.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Embora a figura da mãe, tal como aparece na psicologia dos povos, seja de certo modo universal, sua imagem muda substancialmente na experiência prática individual. Aqui o que impressiona antes de tudo é o significado aparentemente predominante da mãe pessoal. </p><cite>Jung, 2013b, p.89</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-homem-como-provedor-natalino" style="font-size:21px">O Homem como &#8220;Provedor Natalino&#8221;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O animus projetado assume a forma do pai que garante a segurança material e emocional da festa. Muitas vezes, surge a expectativa de que o homem seja o responsável por sustentar financeiramente o ritual, resolver tensões e assumir a posição de autoridade benevolente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-crianca-interna-ferida" style="font-size:21px">A Criança Interna Ferida</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Como período de regressão simbólica, o Natal mobiliza lembranças da infância. Expectativas não atendidas, cenas familiares difíceis e feridas afetivas emergem com força. Os conteúdos não integrados retornam sempre que a psique enfrenta situações altamente simbólicas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-papai-noel-como-projecao-do-animus" style="font-size:21px">Papai Noel como Projeção do Animus</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O Papai Noel pode ser compreendido como uma imagem arquetípica do animus positivo: generoso, provedor, justo. Ele representa o princípio masculino que recompensa, reconhece e oferece direção.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-virgem-maria-como-imagem-da-anima" style="font-size:21px">Virgem Maria como Imagem da Anima</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A Virgem Maria condensa aspectos arquetípicos da anima: pureza, acolhimento, cuidado, sacrifício e mediação entre o humano e o divino. No imaginário natalino, essa imagem alimenta expectativas sobre o papel feminino.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-presentes-ceia-reencontros-e-rituais-natalinos-funcionam-como-espelhos-das-dinamicas-internas" style="font-size:19px">Presentes, ceia, reencontros e rituais natalinos funcionam como espelhos das dinâmicas internas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Rituais ativam estruturas psíquicas profundas e facilitam a emergência de conteúdos inconscientes. Dessa forma, o Natal se torna um laboratório simbólico em que sombras familiares, expectativas infantis e papéis de gênero emergem com maior intensidade. No contexto clínico, isso se torna ainda mais evidente nestes períodos emocionalmente carregados.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Isso explica o porque muitos pacientes experimentam sofrimento psíquico nessa época: as projeções ativadas sobre a família, o amor, o cuidado e os papéis de gênero ficam mais intensas e, por vezes, dolorosas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Seria lógico admitir que essas projeções, que nunca ou somente com muita dificuldade podem se desfazer, pertencem à esfera da sombra, isto é, ao lado obscuro da própria personalidade. Entretanto, esta hipótese é impossível, sob certo ponto de vista, na medida em que os símbolos que afloram nesses casos não se referem ao mesmo sexo, mas ao sexo oposto: no homem, à mulher, e vice-versa. É aqui que deparamos com o animus da mulher e a anima no homem, que são correlativos e cuja autonomia e caráter inconsciente explicam a pertinácia de suas projeções.</p><cite>Jung, 2013a, p.21</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-periodo-natalino-a-convivencia-familiar-funciona-como-um-campo-ampliado-dessa-mesma-dinamica-aquilo-que-nao-foi-integrado-retorna-como-afeto-irritacao-nostalgia-ou-expectativa-extrema" style="font-size:19px">No período natalino, a convivência familiar funciona como um campo ampliado dessa mesma dinâmica: aquilo que não foi integrado retorna como afeto, irritação, nostalgia ou expectativa extrema.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Essas compreensões ajudam a fundamentar o trabalho clínico nessa época do ano, permitindo que o terapeuta auxilie na identificação dessas projeções e na possibilidade de reintegração simbólica. Na clínica psicológica, é comum observar um aumento de sofrimento psíquico no período natalino. <strong>Pacientes relatam angústia, nostalgia, irritabilidade ou pressão por corresponder a papéis familiares rígidos</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A tomada de consciência sobre anima e animus, e sobre as projeções que emergem, pode ajudar na retirada dessas imagens e na integração de aspectos internos. Esse processo promove autonomia emocional e reduz conflitos familiares, permitindo que o sujeito viva o Natal com mais autenticidade e menos idealização.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-natal-enquanto-rito-cultural-poderoso-mobiliza-conteudos-arquetipicos-que-atuam-sobre-as-relacoes-familiares-e-afetivas" style="font-size:19px">O Natal, enquanto rito cultural poderoso, mobiliza conteúdos arquetípicos que atuam sobre as relações familiares e afetivas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As projeções de anima e animus intensificam expectativas, papéis rígidos e conflitos, mas também oferecem oportunidades de autoconhecimento e integração psíquica. Ao reconhecer essas dinâmicas, o indivíduo pode retirar projeções, ressignificar vínculos e viver a experiência natalina com maior consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Antigos dissabores entre familiares emergem com muita intensidade e os complexos nos tomam sempre nos momentos mais impróprios, após algumas champanhes o ego fica mais fragilizado e complexo nos toma fazendo com que novamente os conflitos familiares se instalem. Por isso o medo das confraternizações natalinas em que nossos monstros internos também participam da festa.</p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/euflausina-goes-dos-santos/">Euflausina Goes dos Santos- Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <strong>Aion – Estudos sobre o simbolismo do si-mesmo</strong>. Petrópolis: Vozes, 2013a (Obras completas v. 9/2).<br><strong>__</strong> <strong>Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo</strong>. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.<br>ZWEIG,Connie; ABRAMS Jeremiah (Org). <strong>Ao Encontro da Sombra</strong>. Edição digital. São Paulo: Cultrix, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A ausência de si e a hiperconexão: estamos só ou mal acompanhados?  </title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-ausencia-de-si-e-a-hiperconexao-estamos-so-ou-mal-acompanhados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Euflausina Goes dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Dec 2025 23:16:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Este artigo propõe uma reflexão sobre um sintoma marcante da contemporaneidade: a ausência de si e o medo de estar só. Exploraremos como a hiperconexão contribui para uma fuga em massa da própria companhia. A partir da Psicologia Analítica de C.G. Jung, percorremos esse percurso interior, investigando as emoções envolvidas nesse fenômeno, a distinção [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: Este artigo propõe uma reflexão sobre um sintoma marcante da contemporaneidade: a ausência de si e o medo de estar só. Exploraremos como a hiperconexão contribui para uma fuga em massa da própria companhia. A partir da Psicologia Analítica de C.G. Jung, percorremos esse percurso interior, investigando as emoções envolvidas nesse fenômeno, a distinção entre solidão e solitude, e a possibilidade de uma reconexão com o próprio eu.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Estamos constantemente conectados, isso é um fato. A todo momento, somos bombardeados por mensagens, notificações, lembretes, anúncios e uma infinidade de vídeos cada vez mais rápidos e apelativos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-diante-dessa-avalanche-de-estimulos-surge-a-pergunta-estamos-sos-ha-de-fato-alguma-conexao-com-o-nosso-mundo-interno-ou-apenas-nos-distraimos-de-nos-mesmos" style="font-size:18px">Diante dessa avalanche de estímulos, surge a pergunta: estamos sós? Há, de fato, alguma conexão com o nosso mundo interno? Ou apenas nos distraímos de nós mesmos?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Cada vez mais, as demandas nos empurram para aquilo que é produtivo, visível e externo. O interessante está sempre na próxima imagem, na próxima mensagem como se perder algo fosse imperdoável. Essa dinâmica nos conduz, de forma sutil e trágica, a uma desconexão profunda de nós mesmos, abrindo espaço para um verdadeiro colapso emocional.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Basta saber que a alma humana é tanto individual quanto coletiva e que o seu crescimento só é possível se estes dois lados aparentemente contraditórios chegarem a uma cooperação natural. No âmbito da pura vida instintiva, tal conflito obviamente não existe, apesar de que a vida puramente corporal também tenha que satisfazer à exigência individual e à coletiva. (Jung, 2014, p.162)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-estar-conectado-a-um-aparelho-que-possibilita-uma-infinidade-de-formas-de-comunicacao-com-pessoas-e-grupos-de-pessoas-nao-e-o-mesmo-que-estar-verdadeiramente-conectado" style="font-size:18px">Estar conectado a um aparelho que possibilita uma infinidade de formas de comunicação com pessoas, e grupos de pessoas, não é o mesmo que estar verdadeiramente conectado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Acessar redes que, a todo momento, exibem um mundo fantasioso, onde parece possível conhecer alguém apenas pelo que posta, é uma ilusão. A verdadeira intimidade e conexão, a disponibilidade para conhecer o outro e trocar de forma genuína, estão se perdendo pelo caminho. A hiperconectividade tornou-se uma extensão da nossa rotina, e também uma verdadeira anestesia emocional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Há, na atualidade, uma necessidade urgente de tomar consciência de que essa constante interação virtual não tem enriquecido as relações humanas. Em muitas situações, as conexões digitais mantêm os vínculos na superficialidade, e mais do que isso, reforçam a desconexão consigo mesmo. Esperas em consultórios, trajetos no transporte público, pausas no trabalho e até momentos à mesa durante as refeições tornaram-se ocasiões rapidamente preenchidas pelos estímulos vibrantes das telas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Eu tenho que ser minha amiga, senão não aguento a solidão. Quando estou sozinha procuro não pensar porque tenho medo de repente pensar uma coisa nova demais para mim mesma. Falar alto sozinha e para “o quê” é dirigir-se ao mundo, é criar uma voz potente que consegue – consegue o quê? (Clarice, 2015)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, argumenta que vivemos numa sociedade que rejeita o negativo, o vazio, a ausência, a pausa e idolatra o excesso de estímulo. Em <em>A Sociedade do Cansaço</em>, ele observa que a positividade do desempenho e da auto exposição nos leva à exaustão e ao esvaziamento de sentido. Nesse cenário, a solidão é vista não como um estado de intimidade consigo, mas como uma falha, uma ausência do outro que precisa ser urgentemente compensada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nessa-dinamica-de-conexao-superficial-a-interacao-com-as-proprias-emocoes-torna-se-cada-vez-mais-dificil-e-inacessivel" style="font-size:18px"><strong>Nessa dinâmica de conexão superficial, a interação com as próprias emoções torna-se cada vez mais difícil e inacessível.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Há uma relação clara: quanto maior a distração com o mundo externo, mais se evita a escuta do que pulsa por dentro. Quanto mais vozes e imagens externas nos cercam, mais nos afastamos de quem realmente somos, da nossa própria voz, das nossas&nbsp;imagens internas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O contato com o mundo interno e suas diversas nuances, sensações, emoções, sentimentos e percepções, muitas vezes assusta, entristece, confronta e pode representar uma ameaça. Surge, então, uma inquietação, um desconforto, sintomas físicos e emocionais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-presenca-interna-surpreende-e-se-torna-indesejavel-quando-o-ruido-do-mundo-silencia" style="font-size:18px"><strong>A presença interna surpreende e se torna indesejável quando o ruído do mundo silencia.</strong><strong></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esse fenômeno, ao mesmo tempo cultural e psíquico, revela uma intensa interação com um possível mundo ilusório, que fragiliza o indivíduo e enfraquece as possibilidades de uma existência mais íntegra, conectada com sua verdade e seus anseios mais profundos. Trata-se de uma vida sem alma, que dá origem a um meio desprovido da beleza do ser e que rompeu o vínculo com a interioridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Trazendo a luz a Psicologia Analítica, podemos mostrar o temor do silêncio em si e tudo que pode ser revelado deste encontro com si mesmo. Ao se afastar dos estímulos externos, somos confrontados com partes reprimidas e esquecidas do ser, suas sombras com seus traumas não elaborados, dores antigas, inseguranças e dúvidas existenciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Onde entra o excesso das telas como fuga, ocasionando um despreparo emocional, gerando uma hiper ocupação mental, um consumo desenfreado de conteúdo, dependência e um ativismo produtivo evitando&nbsp;qualquer espaço para pausa, o estar no momento presente. Com esse cenário evita-se o confronto, e o autoconhecimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-permitir-se-sentir-o-medo-de-estar-so-revela-uma-ferida-presente-em-muitas-pessoas-nos-dias-de-hoje" style="font-size:18px">Permitir-se sentir o medo de estar só revela uma ferida presente em muitas pessoas nos dias de hoje.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao abrir essa conexão com o próprio interior, podem emergir sintomas relacionados à depressão, à dificuldade de regular as próprias emoções, como a ansiedade, a tristeza profunda, o sentimento de abandono e a sensação de não pertencimento, mesmo em meio a frequentes interações sociais. Esses estados impactam diretamente a autoestima e a saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A dificuldade de sustentar a própria presença, sem recorrer ao movimento frenético das redes sociais, pode ser bastante reveladora. Ela pode indicar a inabilidade de cultivar uma intimidade profunda consigo mesmo, talvez uma das grandes carências da vida contemporânea.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As redes podem ser, ao mesmo tempo, uma forma de fuga e uma tentativa de amenizar a solidão, oferecendo a sensação de companhia por meio de distrações, vídeos curtos, mensagens instantâneas, interações simultâneas com muitas pessoas. No entanto, nada substitui o contato olho no olho, as conversas ao redor da mesa, um passeio no parque, o exercício da presença pelos cinco sentidos, o estar inteiro em um momento de verdadeira solitude.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-como-diferenciar-a-solitude-da-solidao" style="font-size:18px"><strong>Mas como diferenciar a solitude da solidão?</strong><strong></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A solidão é geralmente associada ao vazio, à tristeza, à ausência e ao abandono, trazendo consigo uma sensação de desamparo. Já a solitude revela o bem-estar de estar só, um momento de contemplação e introspecção. É a escolha de estar consigo mesmo, sem sofrimento emocional, permitindo um descanso da hiperconectividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nesse estado de bem-estar emocional, proporcionado pelos momentos de solitude, aprofunda-se a relação com o autoconhecimento e a autonomia diante da vida. Surge mais clareza mental, criatividade e a possibilidade de abrir espaço para sentir e regular as emoções. Um espaço que silencia, nutre e acolhe.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas, nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite. </p><cite>(<a href="https://www.pensador.com/autor/clarice_lispector/">Clarice Lispector</a>, 1998)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Sustentar a própria presença no silêncio e na completude contraria a lógica da cultura hiperconectada. Estar em um espaço de solitude, muitas vezes, é interpretado como inatividade, isolamento ou até mesmo um fracasso social. Isso gera uma fuga para conexões superficiais, sobrecarga de tarefas e comparações constantes com as imagens exibidas nas telas, o que evidencia a dificuldade em lidar e sustentar as angústias de seguir um caminho diferente do esperado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim, na presença do ser, não se exclui o desejo de estar com os outros, mas se prioriza um vínculo essencial: o relacionamento consigo mesmo. Nesse estado, permite-se o fluir da autenticidade, aquilo que atravessa o ser, que nos move e também nos fere, construindo um lugar interno que não depende da comparação nem da validação externa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Cultivar a solitude é um gesto de coragem e cuidado. Significa abrir espaço para o silêncio, para o tédio criativo, para o tempo não preenchido e descobrir que há vida e sentido também ali. Nesse caminho, práticas como o diário reflexivo, a meditação, a contemplação da natureza, o retiro digital e a terapia tornam-se ferramentas preciosas para reconstruir a ponte entre nós e nós mesmos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-caminho-de-volta-para-a-casa-interna-e-um-convite-a-desconexao-do-ruido-externo" style="font-size:18px"><strong>O caminho de volta para a casa interna é um convite à desconexão do ruído externo.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nossa cultura revela um sintoma que, desde cedo, nos afasta da escuta interior. Cada vez mais precocemente, as crianças são expostas às telas e ensinadas a fugir do simples ato de ser, evitando a pausa, o vazio e o encontro com a própria alma e seus sussurros.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A busca pela liberdade interior é um processo lento e profundo. Confrontar-se com as inúmeras imagens e facilidades das distrações externas não é indolor&nbsp;mas é transformador. Enfrentar o desconforto inicial de sustentar o silêncio e adentrar a solitude exige coragem para lidar com os pensamentos e emoções que emergem. Sustentar essa presença consigo mesmo é um caminho essencial no processo de individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao contrário do que se costuma temer, o encontro consigo mesmo não isola&nbsp;mas prepara-nos para estar melhor com os outros. Quem se conhece e se habita, relaciona-se com mais autenticidade e menos dependência. Quem faz as pazes com a própria sombra é capaz de reconhecer, com mais compaixão, as sombras alheias.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O silêncio pode ser uma preciosidade, e o medo dele e da solidão pode expor aquilo que podemos descobrir de nós mesmo quando paramos de correr.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-talvez-silenciar-estar-na-presenca-pode-trazer-inumeras-possibilidades-de-nbsp-uma-verdadeira-escuta" style="font-size:18px">Talvez silenciar, estar na presença pode trazer inúmeras possibilidades de&nbsp;uma verdadeira escuta.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Segundo pesquisa do DataReportal, o brasileiro passa, em média, 9 horas e 13 minutos por dia em frente às telas, o que nos coloca na segunda posição do ranking mundial. Além disso, somos o país mais ansioso do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O excesso de conexão virtual gera consequências como o aumento da ansiedade, a falta de concentração e a sensação de estar em dívida por não responder a uma mensagem, ou de estar desconectado do universo de imagens e estímulos das telas. Sem contar com a qualidade do sono e o contato com os sonhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O caminho para a atualidade é trazer consciência ao uso do mundo virtual e perceber que existe vida além das telas. É preciso observar os mecanismos de manipulação e sedução, e buscar equilíbrio com outras atividades, como ler um bom livro, refletir a partir de um filme, dedicar-se a práticas físicas, cultivar o contato com a natureza e aproveitar uma boa viagem. Também é essencial refletir sobre como estão as relações e as conexões verdadeiras com as pessoas ao nosso redor e consigo mesmo.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“Aproximar-nos-emos mais da verdade se pensarmos que nossa psique consciente e pessoal repousa sobre a ampla base de uma disposição psíquica herdade e universal, cuja natureza é inconsciente; a relação da psique pessoal com a psique coletiva corresponde, mais ou menos, à relação do indivíduo com a sociedade”. </p><cite>(Jung, 2014, p.35)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Questionar o que se busca na internet também é um caminho importante para trazer consciência a esse uso. Muitas vezes, essa busca constante revela a dificuldade de sustentar o vazio e o tédio. Permanecer nesse lugar, sem fugir imediatamente, pode revelar as mudanças necessárias para uma vida com mais sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O autoconhecimento e a percepção das fugas digitais podem nos conduzir a um universo incrível de possibilidades nas relações reais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-comunicar-se-com-uma-infinidade-de-pessoas-por-meio-de-mensagens-levanta-a-pergunta-estamos-sozinhos-ou-mal-acompanhados-estariamos-nos-enganando-quanto-a-presenca-seria-tudo-uma-ilusao" style="font-size:18px">Comunicar-se com uma infinidade de pessoas por meio de mensagens levanta a pergunta: estamos sozinhos ou mal acompanhados? Estaríamos nos enganando quanto à presença? Seria tudo uma ilusão?</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Muito embora a tomada de consciência da individualidade possa corresponder ao destino natural do ser humano, ela não é o fim último. Isso porque não é possível que o objetivo da educação do homem se reduza a produzir um conglomerado anárquico de existências individuais. Isso equivaleria a um ideal inconfesso de extremado individualismo, o que não passa de reação doentia a um coletivismo igualmente inadequado. Contrapondo-se a isso, o processo da individuação natural produz uma consciência do que seja a comunidade humana, porque traz justamente à consciência o inconsciente, que é o que une todos os homens e é comum a todos. A individuação é o ‘tornar-se um’ consigo mesmo, e ao mesmo tempo com a humanidade toda, em que também nos incluímos.&nbsp;</p><cite> (Jung, 2013, p. 124)&nbsp;</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E, para concluir, podemos emergir dessa onda de constante conexão às telas com a possibilidade de resgatar a presença no nosso dia a dia, evitando uma verdadeira avalanche de manipulações voltadas ao consumo, ao seguimento de conteúdos inúteis e à adoção de comportamentos que, em muitos casos, são apenas ilusões. Estamos cada vez mais sós, com a sensação de estarmos vinculados mas, na verdade, estamos mal acompanhados, à medida que nos tornamos joguetes de algoritmos que determinam a direção a seguir.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo no Blog: A ausência de si e a hiperconexão: estamos só ou mal acompanhados?" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/VcBZHiYc7kM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/euflausina-goes-dos-santos/">Euflausina Goes dos Santos – Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra&nbsp;E.&nbsp; Simone Magaldi &#8211;&nbsp; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong><strong></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">HAN, Byung-Chul. <em>A sociedade do cansaço</em>. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 2017.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.<em> O eu e o inconsciente.</em> Petrópolis: Editora Vozes Limitada, 2014</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. A Prática da Psicoterapia. 16.ed. Petrópolis: Vozes, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lispector, Clarice. <em>A hora da estrela</em>. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Lispector, Clarice. <em>Um sopro de vida.</em> Rio de Janeiro: Rocco, 2015.</p>
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		<title>A incrível capacidade de dizer não</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-incrivel-capacidade-de-dizer-nao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Euflausina Goes dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Nov 2024 21:08:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[autonomia]]></category>
		<category><![CDATA[dizer não]]></category>
		<category><![CDATA[síndrome da boazinha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Este artigo propõe a reflexão&#160;sobre a dificuldade de dizer não, e o quanto é importante&#160;estabelecer&#160;limites nas relações. Refletir sobre esses limites nos permite evitar que o outro nos invada e também nos protege de circunstâncias que causam dor e sofrimento nas relações. Refletir sobre a capacidade de dizer &#8220;não&#8221; e o significado disso nas [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Resumo</strong>:<strong> </strong>Este artigo propõe a reflexão&nbsp;sobre a dificuldade de dizer não, e o quanto é importante&nbsp;estabelecer&nbsp;limites nas relações. Refletir sobre esses limites nos permite evitar que o outro nos invada e também nos protege de circunstâncias que causam dor e sofrimento nas relações.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Refletir sobre a capacidade de dizer &#8220;não&#8221; e o significado disso nas relações pessoais é um ponto essencial para o processo de individuação e crescimento pessoal. A coragem de dizer &#8220;não&#8221; implica um movimento de autoafirmação, onde nos colocamos como prioridade, honrando nossas necessidades e limites. Essa palavra simples pode revelar muito sobre o valor que nós damos e a importância que atribuímos ao outro em nossas vidas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando evitamos dizer &#8220;não&#8221; por medo de desaprovação ou rejeição, podemos acabar negligenciando nosso próprio bem-estar, nos afastando de quem realmente somos. Em contraste, ao sermos capazes de recusar algo que nos fere ou não corresponde aos nossos valores, afirmamos nossa autenticidade e fortalecemos nossa integridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de individuação proposto por Jung sugere que ser íntegro e autêntico em todas as situações é um caminho para nos tornarmos quem realmente somos. Isso inclui ser capaz de enfrentar conflitos, impor limites e aceitar as consequências de nossos &#8220;nãos&#8221; para viver de acordo com a nossa essência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-voce-tem-lidado-com-a-necessidade-de-dizer-nao-e-com-os-desafios-que-isso-traz-para-manter-se-fiel-a-si-mesmo" style="font-size:17px">Como você tem lidado com a necessidade de dizer &#8220;não&#8221; e com os desafios que isso traz para manter-se fiel a si mesmo?</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Individuação significa tornar-se um ser único, na medida em que por ‘individualidade’ entendemos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo. Podemos, pois, traduzir ‘individuação’ como ‘tornar-se si mesmo’ (Verselbstung) ou ‘o realizar-se do si mesmo’ (Selbstwerwirklichung). </p><cite>Jung,2014, p.63</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Ao aprofundarmos a questão da dificuldade de dizer &#8220;não&#8221;, percebemos a importância de estabelecer limites claros com as pessoas e situações em nossas vidas. Refletir sobre esses limites nos permite evitar que o outro nos invada e também nos protege de circunstâncias que causam dor e sofrimento nas relações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os limites pessoais funcionam como uma fronteira: eles permitem a entrada do que nutre a relação, bloqueiam o que intoxica e deixam ir o que não é mais necessário. Nossa dimensão psicológica precisa desses limites em equilíbrio. Quando se tornam barreiras rígidas, nada entra, e isso reflete uma inflexibilidade; por outro lado, limites excessivamente frouxos indicam dificuldade em dizer &#8220;não&#8221;. Assim, os limites nos fornecem contornos psicológicos que preservam nossa saúde emocional e relacional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-minha-habilidade-de-estabelecer-limites-e-algo-que-aprendo-ao-longo-de-toda-a-vida" style="font-size:17px">Minha habilidade de estabelecer limites é algo que aprendo ao longo de toda a vida.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um <strong>processo contínuo</strong> de diferenciação entre o que sou eu e o que é o outro. Durante a gestação, a nova vida é alimentada por todas as emoções que a mãe experimenta, em uma espécie de simbiose. Ao nascer, inicia-se um processo de diferenciação física, e, gradualmente, a criança passa a reconhecer o próprio corpo, marcando o início da formação do ego. O vínculo se estabelece através do contato físico, e a pele, como órgão, delimita o que está dentro de mim e o que está fora. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No decorrer da vida vão se estabelecendo os limites psicológicos e mentais. Os limites mentais são construídos à medida que aprendo a pensar, moldando minha visão de mundo,&nbsp;meus valores, minhas crenças. Eles também dependem do ambiente em que vivo, onde me pergunto se tenho o direito de pensar como penso e se sou validada ou não pelas pessoas ao meu redor.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-limites-psicologicos-e-emocionais-sao-influenciados-pelo-ambiente-em-que-estou-inserido" style="font-size:16px">Os limites psicológicos e emocionais são influenciados pelo ambiente em que estou inserido.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Como minhas emoções são recebidas? De que forma lidei com elas, como aprendi a diferenciá-las? Isso está relacionado à maneira como os vínculos foram estabelecidos e como ocorreu a troca de afetos.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na fase adulta, nosso sistema de limites, que começou a ser estabelecido na infância, já está consolidado em um nível que a consciência não alcança. Isso significa que, de forma inconsciente, agimos automaticamente para definir nossos limites. Quando meu sistema de limites está muito frouxo, tudo passa a entrar, existe um padrão permissivo da invasão do outro em mim. No extremo oposto, posso me tornar rígido e impermeável, me tornando indisponível para os vínculos afetivos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“&#8230;os conteúdos do inconsciente se reduzem às tendências infantis reprimidas, devido à incompatibilidade de seu caráter. A repressão é um processo que se inicia na primeira infância sob a influência moral do ambiente, perdurando através de toda a vida. Mediante a análise as repressões são abolidas e os desejos reprimidos conscientizados.”&nbsp; </p><cite>Jung, 2014, p. 15</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O importante é buscar o conhecimento do que sou e do que não sou, reconhecer o que me pertence e o que pertence ao outro. Isso inclui as escolhas nas relações afetivas. Conhecendo essa fronteira entre eu e o outro, reconheço minhas responsabilidades resultando em uma maior autonomia e liberdade diante da vida.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Nossos limites definem e cercam toda nossa energia, o ser individual que chamamos de “eu”. Nossos limites são invisíveis, mas reais. Há um lugar onde eu termino e você começa. Nosso objetivo é aprender a identificar e respeitar essa linha. </p><cite>Beattie, 2013. p.210</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-dizer-nao-e-essencial-para-relacoes-saudaveis-e-essa-habilidade-e-importante" style="font-size:17px">Dizer &#8220;não&#8221; é essencial para relações saudáveis, e essa habilidade é importante.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, as mulheres muitas vezes encontram mais dificuldade em definir claramente seus limites. Culturalmente, a expectativa de cuidar do outro nos leva a dizer &#8220;sim&#8221; aos outros de várias formas, enquanto, ao mesmo tempo, acabamos dizendo &#8220;não&#8221; para nós mesmas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tendência de agradar a todos, conhecida como <strong>síndrome da boazinha</strong>, nos afasta do que é mais autêntico nas relações e nos leva a tentar um controle ilusório, uma forma de manipulação que acaba nos distanciando de nós mesmas. No final, o tiro saiu pela culatra, gerando raiva e ressentimento e enfraquecendo as conexões com os outros. Simplesmente, não funciona.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pessoa-que-tenta-agradar-o-tempo-todo-pode-acabar-comprometendo-sua-identidade-valores-desejos-e-necessidades-em-prol-dos-outros" style="font-size:17px">A pessoa que tenta <strong>agradar o tempo todo</strong> pode acabar comprometendo sua identidade, valores, desejos e necessidades em prol dos outros.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas vezes, esse comportamento esconde um desejo de proteção contra a rejeição, o abandono ou maus-tratos, além de uma busca compulsiva pela validação alheia. Ela pode sentir que precisa fazer muito pelos outros para ser aceita e amada e ter um medo excessivo de conflitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a dinâmica em uma relação é evitar a rejeição, o abandono ou atitudes rudes do outro, e a pessoa adota uma postura permissiva, ela pode acreditar que assim está obtendo controle na relação. Ao evitar dizer “não”, sente que, se for rejeitada, abandonada ou se o outro agir de forma hostil, a culpa será inteiramente sua. Isso a leva a crer que precisa agradar ainda mais para evitar essa agressividade do outro. De certa forma, o &#8220;bonzinho&#8221; não está sendo tão bonzinho assim; está tentando&nbsp;manipular&nbsp;a situação.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:17px"><blockquote><p>Pela lógica, o contrário do amor é o ódio; o contrário de Eros, Phobos (o medo). Mas, psicologicamente, é a vontade de poder. Onde impera o amor, não existe vontade de poder; e onde o poder tem precedência, aí falta o amor. Um é a sombra do outro. </p><cite>JUNG, OC 7/1, §78</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-isso-e-uma-ilusao" style="font-size:17px">Mas isso é uma ilusão.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não há como evitar ser abandonada ou rejeitada, apenas dizendo sim, e pode trazer um efeito contrário, atrair verdadeiros abusadores. Eu lido com o abandono e a rejeição, conheço em minha história pessoal esse medo inconsciente de desagradar, de dar tanto poder ao outro. Dizer sim ao encontro com a própria sombra, resgatando a auto aceitação e amor próprio, priorizando os seus desejos e ambições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca pela validação dos outros mina a verdadeira identidade e autoestima. O externo passa a definir quem a pessoa é, retirando sua autonomia diante da vida. Nesse padrão, exagera-se em ações para que o outro se sinta confortável, assumindo a responsabilidade de ser aceito e amado por meio desses gestos. Isso resulta em desgaste, pois o tempo e as prioridades são direcionados para obter o amor do outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Provavelmente, esse “outro” do presente não é quem realmente deve amor e aceitação, mas algo que foi negligenciado na infância, pela família de origem, e agora é atualizado e projetado nas relações atuais. Revisitar essas dinâmicas e as dores causadas nas interações pode abrir caminhos para maior autonomia e uma nova compreensão de valor próprio.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-evitacao-de-conflitos-tambem-pode-estar-por-tras-da-dificuldade-em-dizer-nao-nas-relacoes" style="font-size:17px">A evitação de conflitos também pode estar por trás da dificuldade em dizer “não” nas relações.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Isso geralmente é resultado de uma forte repressão da própria raiva, egoísmo e do desejo de exercer independência, devido à falta de autoconfiança. Ao evitar lidar com esses aspectos, não se aprende e nem se cresce emocionalmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung acredita que o <strong>processo de individuação</strong> – o desenvolvimento da própria identidade verdadeira – envolve integrar a sombra e, portanto, aceitar tanto a capacidade de dizer “sim” quanto de dizer “não”. Ao aceitar que os próprios limites são importantes, o indivíduo se torna mais inteiro e autêntico. Esse processo também envolve reconhecer que relações autênticas requerem honestidade e que não é possível agradar a todos o tempo todo sem sacrificar a própria integridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a dinâmica psicológica de evitar o “não” pode ser vista, na perspectiva de Jung, como uma resistência ao crescimento pessoal. É uma forma de proteger uma imagem idealizada de si, mas que impede o indivíduo de se expressar de maneira completa e autêntica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um verdadeiro processo de autoconhecimento, no qual a mulher resgata da sombra seu poder pessoal e questiona as atitudes de agradar presentes em sua persona, pode devolver-lhe autoestima e auto validação, permitindo escolhas com mais autonomia diante da vida. Estas reflexões não tem o objetivo de encerrar as motivações que levam uma mulher a evitar impor seus limites nas relações, mas podem ser um caminho para questionar as atuais dinâmicas presentes em sua personalidade. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-trago-agora-uma-fabula-que-descreve-essa-dinamica" style="font-size:18px">Trago agora uma fábula que descreve essa dinâmica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Era uma vez uma mulher que se mudou para uma caverna nas montanhas para aprender com um guru. Ela lhe disse que queria aprender tudo o que havia para saber. O guru entregou-lhe pilhas de livros e a deixou sozinha para que pudesse estudar. Todas as manhãs, ele ia à caverna para avaliar o progresso da mulher, trazendo consigo uma pesada vara. Diariamente, ele fazia a mesma pergunta:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>— Já aprendeu tudo?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">E, todas as manhãs, ela respondia:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>— Não, ainda não.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Então o guru batia com a vara em sua cabeça. Isso se repetiu por meses. Até que, certo dia, o guru entrou na caverna, fez a mesma pergunta, ouviu a mesma resposta e levantou a vara para bater, como de costume. Mas, dessa vez, a mulher agarrou a vara antes que tocasse sua cabeça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aliviada por ter evitado a surra do dia, mas temendo uma possível represália, a mulher olhou para o guru. Para sua surpresa, ele sorria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>— Parabéns — disse ele. — Você se formou. Agora sabe tudo o que precisa saber.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>— Como assim? — perguntou a mulher</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>— Você aprendeu que nunca aprenderá tudo o que há para saber — respondeu ele. — E aprendeu como interromper sua própria dor.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px"><em>(BEATTIE, 2022, p. 27)</em></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ARTIGO NOVO: A incrível capacidade de dizer não" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/eK7P5QMDLkc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/euflausina-goes-dos-santos/">Euflausina Goes dos Santos – Membro Analista em Formação</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:15px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">BEATTIE, Melody. <em>Co-dependência nunca mais.</em> Rio de Janeiro, BestSeller, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">BEATTIE, Melody. <em>Para além da codependência</em> (recurso eletrônico). Rio de Janeiro: BestSeller, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">JUNG, C. G. <em>O Eu e o Inconsciente.</em> Petrópolis: Vozes, 2014</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">JUNG, Carl Gustav. <em>Psicologia do inconsciente </em>[OC 7/1]. 24. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Deusa Hécate, e agora na encruzilhada da vida?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/deusa-hecate-e-agora-na-encruzilhada-da-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Euflausina Goes dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Aug 2024 12:31:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[deusa]]></category>
		<category><![CDATA[deusas]]></category>
		<category><![CDATA[deuses]]></category>
		<category><![CDATA[hécate]]></category>
		<category><![CDATA[mitologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Os mitos sempre tiveram uma atenção especial para a Psicologia Analítica de C.G. Jung, &#160;este &#160;artigo apresenta a Deusa Hécate e seus vários aspectos para contribuir na simbolização da natureza feminina. É necessário vivenciar o mito; é assim que ele existe em nós. Ao escutá-lo, começamos a dançar, e essa melodia nos envolve, mesmo [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo: Os mitos sempre tiveram uma atenção especial para a Psicologia Analítica de C.G. Jung, &nbsp;este &nbsp;artigo apresenta a Deusa Hécate e seus vários aspectos para contribuir na simbolização da natureza feminina.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>É necessário vivenciar o mito; é assim que ele existe em nós. Ao escutá-lo, começamos a dançar, e essa melodia nos envolve, mesmo que não possamos compreendê-la de imediato</strong><em>. </em>(Campbell, 1990)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sentido da vida? Não, a experiência da vida</strong>. É necessário compreender o mito em nós, em nossa vivência, para que a dança aconteça internamente. (Campbell,1990)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todas as mitologias exigiam, durante toda a história da humanidade, um exercício psíquico de imaginação. A criação de suas histórias com personagens diversos é uma representatividade de processos psíquicos e culturais.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“Eles (os mitos) não apenas representam, mas também são a vida anímica da tribo primitiva, a qual degenera e desaparece imediatamente depois de perder sua herança mítica, tal como um homem que perdesse sua alma. A mitologia de uma tribo é sua religião viva cuja perda é tal como para o homem civilizado, sempre e em toda parte,&nbsp;uma catástrofe moral.” (Jung, 2013, p. 156)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-se-tratar-de-um-mito-nao-e-apropriado-o-interpretar-de-forma-literal-e-logica-toda-a-simbologia-emergida-com-a-narrativa-de-um-mito-requer-um-olhar-poetico-e-metaforico" style="font-size:18px">Ao se tratar de um mito, não é apropriado o interpretar de forma literal e lógica, toda a simbologia emergida com a narrativa de um mito requer um olhar poético e metafórico.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>&#8220;&#8230;todo mito intencionalmente ou não, é psicologicamente simbólico. Suas narrativas e imagens devem ser entendidas, portanto, não literalmente, mas como metáforas.&#8221; (CAMPBELL, 1991, p. 50)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A simbologia inspirada pela força do mito mobiliza a energia psíquica no qual gera transformações, novas formas de ser e se comportar no mundo, proporcionando um significado à vida, uma ampliação da consciência. Uma forma de integrar consciente e inconsciente coletivo, com as imagens primordiais em nós, os arquétipos. Como não conseguimos conscientemente olhar essas imagens arquetípicas, a linguagem metafórica dos mitos nos serve como espelhos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Para Jung, os mitos são fontes fundamentais na Psicologia Analítica, nos presenteando com o conhecimento do que é mais arcaico em nós</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;O mito é uma narrativa com conteúdos arquetípicos e extremamente simbólicos e é importante destacar que os símbolos geram a transformação da energia psíquica. A força dos mitos são os símbolos que trazem a mobilização desta energia. Por esse motivo, a sua interpretação não pode ser como de uma história qualquer e é um aprendizado para começar a observar os símbolos em nossas próprias vidas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:22px"><blockquote><p>“o mecanismo psicológico que transforma a energia é o símbolo” (JUNG,1999, p.44)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-deusas-e-suas-formas-caracteristicas-e-percurso-nos-apresentam-preciosidades-da-natureza-feminina-que-podem-ser-notadas-presente-em-muitas-mulheres-na-contemporaneidade-nbsp" style="font-size:18px">As Deusas e suas formas, características e percurso nos apresentam preciosidades da natureza feminina, que podem ser notadas presente em muitas mulheres na contemporaneidade.&nbsp;</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“a forma que um arquétipo feminino pode assumir no contexto de uma narrativa ou epopeia mitológica, [&#8230;] o que vale dizer, fontes derradeiras daqueles padrões emocionais de nossos pensamentos, sentimentos, instintos e comportamento que poderíamos chamar de ‘femininos’ na acepção mais ampla da palavra. Tudo o que pensamos com criatividade e inspiração, tudo o que acalentamos, que amamentamos, que gostamos, toda a paixão, desejo e sexualidade, tudo o que nos impele à união, à coesão social, à comunhão e à proximidade humana, todas as alianças e fusões, e todos os impulsos de absorver, destruir, reproduzir e duplicar, pertencem ao arquétipo do feminino”. (Wollner, 1994, p. 15-16)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-grande-deusa-nos-revela-nos-inspira-para-as-imagens-arquetipicas-mitos-que-elevam-e-destroem-poderes-na-propria-mulher-e-transcendem-a-epoca" style="font-size:19px">A Grande Deusa, nos revela, nos inspira para as imagens arquetípicas, mitos que elevam e destroem, poderes na própria mulher, e transcendem à época.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo está marcado na alma, no inconsciente e retorna muitas vezes, de maneira autônoma. Embora o processo de evolução da consciência tente desmerecer e arrancar seu poder, ela reaparece na arte, na criatividade, em comportamentos culturais, na sensibilidade e principalmente nas transformações necessárias no espírito da época.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tomando a narrativa mítica e seus símbolos, e voltando as atenções para a natureza feminina, podemos estudar a Deusa <strong>Hécate</strong>. Ao evocar sua sabedoria e intuição, integramos passado, presente e futuro, facilitando o contato direto da mulher com suas pulsões e desejos, bem como sua relação com o corpo e em suas relações.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-deusa-das-encruzilhadas-na-mitologia-grega-hecate-visualizava-tres-caminhos-ao-mesmo-tempo-e-sabia-onde-iriam-dar-na-vida-das-pessoas-ela-e-a-deusa-da-intuicao-nbsp" style="font-size:18px">Deusa das encruzilhadas na mitologia grega, <strong>Hécate</strong> visualizava três caminhos ao mesmo tempo e sabia onde iriam dar na vida das pessoas. Ela é a deusa da intuição.&nbsp;</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“Sua perspectiva tríplice lhe permite ver a ligação entre o passado, o presente e o futuro. Nas junções significativas da vida, ela relembra a forma do passado, vê o presente com honestidade e sente o que vem a seguir no nível da alma.” (Bolhem, 2005, p.85)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hecate-e-uma-deusa-parente-de-artemis-filha-de-preses-e-astoria-e-uma-divindade-misteriosa-e-age-conforme-os-seus-atributos-zeus-concedeu-alguns-privilegios-a-hecate-e-aumentou-suas-funcoes" style="font-size:17px">Hécate é uma deusa parente de Ártemis, filha de Preses e Astória. É uma divindade misteriosa e age conforme os seus atributos. Zeus concedeu alguns privilégios a <strong>Hécate</strong> e aumentou suas funções.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A deusa Hécate tem origens mitológicas obscuras e sabe-se pouco de sua história. Ela é muito valorizada pelo poeta Hesíodo, na obra Teogonia exaltando os dons concedidos por Zeus a Hécate por ter lutado ao seu lado na guerra com os Gigantes. (Varela, 2015)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hécate é citada no sequestro de Perséfone por Hades. A jovem donzela foi colher um botão de flor e a terra se abriu. Hades, o Senhor do Mundo Inferior, surge e a rapta, levando Perséfone ao submundo. Hécate ouviu os gritos da menina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deméter, a mãe, procurou pela donzela por todo o mundo, sem sucesso. Hécate se aproxima e revela a Deméter ter ouvido os gritos da menina e sugere que procure o deus Hélio para saber o que realmente aconteceu. As duas deusas, Deméter e Hécate, descobrem a verdade: Perséfone foi sequestrada por Hades com o consentimento de Zeus (Bolem, 2005).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de muita peregrinação e fingindo-se ser uma velha, passa algum tempo cuidando de Demofonte, filho de Metaneira e do Rei Céleo, Deméter é descoberta como a deusa mãe e então volta a procura de sua filha e a terra continua seca sem produzir nada. Os deuses entram em acordo com ela e Perséfone é liberada mediante acordo com Hades, ficando um período com a mãe e outro com o marido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após seu retorno, Perséfone encontra sua mãe Deméter e Hécate, que lhe dão as boas-vindas. A partir de então, Hécate está sempre ao lado de Perséfone.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na descida ao submundo, Perséfone retorna, mas não é a mesma; a inocência dos dias em que colhia flores já não existe mais. É como se uma nova consciência surgisse, dada sua relação com Hades ambos se tornam conscientes de sua condição de adultos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sofrimento-e-amor-fazem-parte-da-vida-a-resiliencia-na-dor-e-o-retorno-da-escuridao-trazem-sabedoria-e-fazem-de-hecate-uma-companheira-interior-das-mulheres" style="font-size:16px">Sofrimento e amor fazem parte da vida; a resiliência na dor e o retorno da escuridão trazem sabedoria e fazem de Hécate uma companheira interior das mulheres.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“As pessoas acreditam não suportar encarar a verdade, então adaptam-se, muitas vezes por meio de racionalizações, negação, vícios que servem para amortecer a consciência e não enxergar a verdade. Somente quando uma mulher percebe que é possível enfrentar a realidade é que ela adquire a sabedoria de Hécate.&#8221; (Bolen, 2005, p.90)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em busca desta verdade, a mulher na meia-idade se encontra em uma encruzilhada, sendo necessário refletir e buscar a força de Hécate na forma de intuição. Mudanças terão que acontecer nesta nova fase da vida, uma pausa para decidir qual caminho seguir e um espaço para a intuição trazer a resposta da alma nesta encruzilhada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses pedidos de mudança não estão necessariamente associados ao mundo externo; muitas vezes são movimentos da própria psique ao notar que algo não tem mais significado e sentido na vida, falta alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A deusa Hécate, como representação das parteiras que se abrem para o novo, simboliza o nascimento de novos aspectos da vida. Para que o novo possa surgir, é necessário desapegar do velho. Sua sabedoria nos ajuda a deixar ir, a soltar o que não serve mais, a morte de algo para o nascimento de uma nova forma de ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa deusa misteriosa se tornou o arquétipo da bruxa, com sua relação com o oculto, o anoitecer, as feitiçarias e magias. Essa característica pode remeter a uma época em que as mulheres que se envolviam com o oculto e os mistérios eram condenadas à morte na fogueira em praça pública.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Às vezes, quando se sabe que o que se tem a fazer pode parecer meio herético, surge um medo irracional, uma reação emocional que parece antecipar o grito de “Queimem a bruxa!”. Este medo é transpessoal e parece estar alojado na psique feminina, bem próximo da superfície, onde ainda se esconde o pavor de ser rotulada e perseguida como feiticeira. Sentir o medo e fazer o que precisa ser feito, não obstante, exige coragem. Com o efeito do campo mórfico, quanto mais mulheres confrontarem esse medo coletivo, mais fácil se tornará para outras fazerem o mesmo.” (Bolen, 2005, p.100)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>No entardecer da vida, a mulher se encontra em uma encruzilhada, e a força da deusa Hécate se faz necessária para um mergulho em seus impulsos interiores</strong>. Nessa fase afloram indecisões e reflexões diante do desafio. Se ela conseguir permanecer nesse lugar até que sua intuição indique o caminho, &#8220;emerge renovada e reformada&#8221;, em todos os aspectos de sua vida.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/euflausina-goes-dos-santos/"><strong>&nbsp;Euflausina Goes dos Santos – Membro Analista em Formação IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/"><strong>Dra. E. Simone Magaldi – Membro Didata IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BOLEN JS. As deusas e a mulher madura: arquétipos nas mulheres com mais</p>



<p class="wp-block-paragraph">de 50, 1ª ed. São Paulo: TRIOM, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Campbell J, O poder do mito, São Paulo: Palas Atenas,1990</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAMPBELL, J. A extensão interior do espaço exterior. Rio de Janeiro: Campus, 199l.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG CG. Arquétipos e inconsciente coletivo, 10ª ed. Petrópolis: Vozes; 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. A energia psíquica. Tradução de Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha, OSB. Petrópolis: Vozes, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WOOLGER, Jennifer Barker. Roger J. WOOLGER. A deusa interior. Tradução de Carlos Afonso Mal Ferrari. São Paulo: Cultrix. 1994</p>



<p class="wp-block-paragraph">VARELA, JV, Hécate: Um Estudo Inicial, Lisboa: Faculdade de Letras, 2015.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aproveite para nos acompanhar no YouTube:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/channel/UCrbwUrT0W4Tp-swBxAVwX5Q">Canal IJEP – Bem vindos(as)! (youtube.com)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse nosso site e conheça nossos Cursos e pós-Graduações com&nbsp;<strong>Matrículas Abertas</strong>:&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicossomática</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicologia Analítica</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Arteterapia e Expressões Criativas</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conheça nossos&nbsp;<a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">Congressos Junguianos</a>&nbsp;e Combos Promocionais:</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-3-1024x576.png" alt="" class="wp-image-9428" style="width:608px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-3-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-3-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-3-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-3-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-3-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-3-1200x675.png 1200w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-3.png 1536w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
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		<title>Maturidade feminina: preste atenção, você está sendo testada</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/maturidade-feminina-e-a-alma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Euflausina Goes dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 May 2024 20:21:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[maturidade feminina]]></category>
		<category><![CDATA[meio da vida]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=9056</guid>

					<description><![CDATA[<p>Este texto explora os desafios enfrentados na maturidade feminina e a importância de abrir-se para novas possibilidades no entardecer da vida, conectando-se com o que ressoa em sua alma. Essa jornada envolve reconhecer demandas externas que já não têm relevância nesta fase da vida e as grandes descobertas podem ser fascinantes.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando  queremos  falar  sobre  a  maturidade  feminina,  prepare-se,  uma  onda  com a força de um maremoto se aproxima.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">De  um  lado,  a  alma  clama  por  significado,  por  uma  maior  espontaneidade  e  sentido.  Por  outro,  há  uma  sensação  social  de  que  o  melhor  já  passou,  restando  apenas resignação e lamentação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No  entanto,  esta  reflexão  presente  busca  interromper  esse  ciclo.  É  crucial  respeitar a história que nos trouxe até aqui.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-analisando-o-desenvolvimento-da-vida-humana-percebemos-uma-semelhanca-com-o-caminho-do-sol-em-relacao-a-terra" style="font-size:20px">Analisando  o  desenvolvimento  da  vida  humana,  percebemos  uma  semelhança  com  o  caminho  do  Sol  em  relação  à  Terra. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nas  primeiras  horas  do  dia,  o  Sol  emerge,  irradiando  seu  brilho  e  intensificando  sua  força  até  alcançar  o  auge  ao  meio-dia.  Em  seguida,  sua  energia  diminui  conforme  avança,  num  processo  chamado enantiodromia, culminando no entardecer (Jung, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na  manhã  da  vida,  o  homem  é  como  um  jovem,  focado  em  suas  buscas  externas:  construir  uma  família,  trabalhar,  estudar,  alcançar  objetivos  materiais.  À  tarde,  naturalmente,  ele  começa  a  buscar  sentido  em  tudo  ao  seu  redor,  voltando-se  para  dentro. Numa  jornada  de  autoconhecimento  e  entendimento  do  Ser,  um  objetivo cultural (Jung, 2013).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p> “É  enorme  o  engano  de  supor  que  o  sentido  da  vida  esteja  esgotado  depois  da  fase  juvenil  de  expansão,  que  uma  mulher  esteja  “liquidada”  ao  entrar  na  menopausa.  O  entardecer  da  vida  humana  é  tão  cheio  de  significação  quanto  o  período  da  manhã.  Só  diferem  quanto  ao  sentido  e  intenção.”  (Jung, 2013, p. 86)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"> Essa  passagem  se  assemelha  à  adolescência,  sendo  uma  transição,  uma  segunda  puberdade.  No  entanto,  as  antigas  formas  de  resolver  conflitos  não  funcionam  mais  nesta  nova  fase,  que  é  um  processo  de  maturação  interna.  De  acordo com Jung (2013, p.87 ):</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p> “O  que  a  juventude  encontrou  e  precisa  encontrar  fora,  o  homem  no  entardecer da vida tem que encontrar dentro de si”.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-contrariamente-ao-que-a-cultura-prega-na-maturidade-feminina-existe-um-campo-de-expansao-onde-a-psique-e-criativa" style="font-size:20px">Contrariamente  ao  que  a  cultura  prega,  na  maturidade  feminina,  existe  um  campo  de  expansão,  onde  a  psique  é  criativa. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A  proposta  deste  artigo  é  ampliar  o  campo  da  consciência  e  perceber  a  movimentação  que  pode  ser  criativa  para  as  formas  de  buscar  uma  maior  interiorização,  para  se  empoderar  com  o  que  faz  sentido e significado neste período da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Por  meio  do  autoconhecimento,  é  importante  estar  ciente  de  como  vão  as  relações  com  as  áreas  da  vida,  como  o  trabalho,  a  expressão  do  amor  e  da  sexualidade  em  suas  relações,  a  interação  social  e  o  cuidado  com  a  saúde. De fato, o  lidar  com  essas  áreas  até  então  pode  ter  sofrido  uma  influência  gigantesca  do  externo,  com  o  que  os  outros  queriam  de  mim,  ou  o  que  é  considerado  adequado.  Mas  nesta  fase, o convite é: o que pode ter mais sentido para a minha alma?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-questao-nao-e-simples-de-responder-e-pode-surpreender-pode-ser-assustador-perceber-que-ate-o-momento-existe-uma-distancia-descomunal-de-si-mesmo" style="font-size:19px">Essa  questão  não  é  simples  de  responder,  e  pode  surpreender,  pode  ser  assustador  perceber  que  até  o  momento,  existe  uma  distância  descomunal  de  Si  Mesmo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"> A  meia  idade,  o  entardecer  para  Carl  G.  Jung,  é  um  período  fértil  na  vida  humana  trazendo  a  possibilidade  de  um  grande  encontro  com  o  Si-Mesmo.  Uma  nova  forma  de  ser  no  mundo  surge  pedindo  para  reconhecer  o  pedido  de  mudanças  e a morte de muitas maneiras existentes, é um não resistir, seguir o fluxo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim, por  meio  de  uma  linguagem  simbólica,  a  mulher  pode  se  conectar  com  sua  essência  do  prazer  genuíno,  encontrando  assim  uma  conexão  com  sua  energia  vital. Ao  trazer  essa  singularidade  para  o  universo  feminino,  torna-se  importante  a  abertura  para  o  universo  simbólico,  bem  como  as  forças  arquetípicas. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-capacidade-de-simbolizar-e-atribuir-sentido-e-significado-a-propria-existencia-e-fundamental" style="font-size:20px">A  capacidade  de simbolizar e atribuir sentido e significado à própria existência é fundamental.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Muitas  vezes,  as  mulheres  não  reconhecem  as  forças  internas  que  clamam  por  um  sentido  maior  em  suas  vidas,  um  chamado  para  se  tornarem  protagonistas  de  suas  próprias  histórias.  A  conscientização  das  forças  estereotipadas  da  cultura  que  exercem  poder  sobre  elas  contrasta  com  as  energias  internas  necessárias  para  as  mudanças  no  entardecer  da  vida,  influenciando  suas  ações  e  emoções  no  mundo, segundo a autora Bolen, 2009.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As  mudanças  corporais  revelam  que  a  pausa  para  a  interiorização  e  a  tomada  de  decisões  conscientes  são  primordiais  nessa  jornada.  É  essencial  permitir-se  sentir  o  luto  pela  juventude. Abrir  espaços  para  as  emoções  que  emergem  e  buscar  intensamente  a  intuição  para  discernir  o  que  é  real  do  que  é  apenas um preconceito.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung  nos  alerta  para  o  período  do  entardecer  da  vida,  onde  as  conquistas  externas  perdem  parte  de  seu  valor,  e  buscar  a  consciência  de  que  nos  preparamos  para  a  finitude  se  torna  essencial,  dando  espaço  para  nos  conectarmos  com  nosso  universo interno.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-passado-se-faz-presente-com-suas-repressoes-trazendo-mudancas-biologicas-que-anunciam-a-transicao-de-uma-fase-para-outra-e-o-futuro-permanece-como-uma-incognita" style="font-size:19px">O  passado  se  faz  presente  com  suas  repressões,  trazendo  mudanças  biológicas  que  anunciam  a  transição  de  uma  fase  para  outra,  e  o  futuro  permanece  como  uma  incógnita. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nesse  período  de  transição,  Jung  nos  mostra  que  é  repleto  de  significado,  e  as  reflexões  nos  conduzem  a  vislumbrar  um  futuro  mais  pleno  de  sentido e espontaneidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A  sabedoria  adquirida  no  convívio  com  outras  mulheres  maduras,  o  riso  compartilhado,  a  descoberta  de  novas  paixões  como  a  dança,  a  expressão  artística  ou  até  mesmo  uma  nova  profissão,  o  enfrentamento  e  elaboração  das  dores,  assim  como  o  processo  de  estar  em  sintonia  com  sensações  diferentes  em  nosso  próprio  corpo,  podem  servir  como  trampolins  para  uma  nova  vivência;  os  caminhos  são  infinitos. Porém,  o  mais  crucial  é  acreditar  que  novas  possibilidades  nesta  etapa  da  vida são viáveis e que as auto descobertas podem ser fascinantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em  uma  era  de  mídias  sociais  que  idolatram  a  juventude  eterna,  que  promovem  a  constante  exibição  de  felicidade  e  alegria,  que  glorificam  um  corpo  sem  rugas  ou  marcas  do  tempo,  além  de  uma  cultura  patriarcal  que  valoriza  exacerbadamente  o  masculino  e  evidencia  um  flagrante  etarismo, é  possível  perceber  os  desafios  que  as  mulheres  enfrentam  para  encontrar  sua  própria  espontaneidade, sentido e significado pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Os  riscos  de  prosseguir  na  trajetória  sem  reflexão, e  simplesmente  seguir  o  fluxo  imposto  pela  sociedade,  podem  resultar  em  um  vazio  existencial  que  se  intensifica  com  o  passar  dos  anos.  Junto  a  esse  vazio,  surgem  sintomas  diversos,  como um aviso do Self para mudar a rota.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"> O  desafio  reside  em  retornar  ao  que  verdadeiramente  ressoa  com  a  alma  fazendo  escolhas  conscientes  e  significativas, por  meio  do  autoconhecimento  das  transformações  do  corpo,  mente  e  espírito. É  não  permitir  ser  arrastada  pelas  demandas sociais, mas sim alcançar a plenitude durante o entardecer da vida.</p>



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<iframe title="Artigo Novo: Maturidade Feminina: preste atenção, você está sendo testada" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/YqnM6b8IoMc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/euflausina-goes-dos-santos/"> Euflausina Goes dos Santos – Membro Analista em Formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong> <a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong> Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">&nbsp;Jung CG. Psicologia do inconsciente, 23ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">&nbsp;BOLEN JS. As deusas e a mulher: nova psicologia das mulheres. 8ª ed São</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"> Paulo: Paulus Editora, 2009</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aproveite para nos acompanhar no YouTube:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/channel/UCrbwUrT0W4Tp-swBxAVwX5Q">Canal IJEP – Bem vindos(as)! (youtube.com)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse nosso site e conheça nossos cursos e pós-Graduações:&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conheça também os <a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">Congressos Junguianos do IJEP</a>! Online e gravados, uma ótima maneira de estudar a Psicologia Junguiana.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" width="1024" height="414" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-1-1024x414.png" alt="" class="wp-image-9064" style="width:817px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-1-1024x414.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-1-300x121.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-1-768x311.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-1-150x61.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-1-450x182.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-1-1200x486.png 1200w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-1.png 1500w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>MADA (Mulheres que Amam Demais Anônimas) e a Misoginia</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/mulheres-que-amam-demais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Euflausina Goes dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Dec 2023 18:47:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[apoio emocional]]></category>
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		<category><![CDATA[mulheres que amam demais]]></category>
		<category><![CDATA[rede de apoio]]></category>
		<category><![CDATA[redpill]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos abusivos]]></category>
		<category><![CDATA[relações de gênero]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade feminina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O presente artigo traz uma reflexão sobre a misoginia no contexto atual, e uma irmandade de doze passos, MADA, mulheres que amam demais anônimas, como recurso para uma maior consciência nas relações.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: O presente artigo traz uma reflexão sobre a misoginia no contexto atual e uma irmandade de doze passos, MADA, mulheres que amam demais anônimas, como recurso para uma maior consciência nas relações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Precisamos abordar a questão da<strong> misoginia</strong>, pois a informação é crucial. Movimentos como o <strong>RedPill</strong>, que objetificam a figura feminina, projetos de lei, como a criminalização da misoginia e a tese da legítima defesa da honra (que permitiria ao homem o direito de matar uma mulher cujas ações desonrar sua reputação, considerada inconstitucional apenas em agosto de 2023), destacam a necessidade de mais informações sobre práticas discriminatórias que disseminam preconceitos contra as mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao explorar a palavra misoginia etimologicamente, &#8220;miseó&#8221; significa ódio, e &#8220;gyné&#8221; significa mulher. Portanto, misoginia representa <strong>repulsa e ódio em relação às mulheres</strong>, gerando movimentos que buscam inferiorizar, rebaixar ou desumanizar, em nome do preconceito, acreditando em uma suposta superioridade masculina.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-movimento-redpill">Movimento RedPill</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nas redes sociais, observa-se um discurso dos chamados <strong>RedPill</strong>, em referência à trilogia Matrix, no qual tomar a pílula vermelha significa apropriação da verdade. E que verdade é essa que o movimento prega? Eles expressam <strong>críticas severas a qualquer movimento a favor de um maior desenvolvimento e liberdade das mulheres</strong>. Defendem uma forma arcaica de se relacionar, caracterizada por uma ampla <strong>dominação masculina</strong>, tolhendo a expansão feminina, e abominam mudanças sociais nas dinâmicas de gênero, relatando que estas representam verdadeiras ameaças à masculinidade tradicional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-misoginia-esta-infiltrada-em-processos-judiciais-em-lares-marcados-pela-violencia-de-forma-estrutural-em-empresas-e-frequentemente-de-maneira-velada-nas-redes-sociais-e-na-musica" style="font-size:18px">A misoginia está infiltrada em processos judiciais, em lares marcados pela violência, de forma estrutural em empresas e frequentemente de maneira velada nas redes sociais e na música.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, ao considerar as relações na contemporaneidade, como as mulheres podem adquirir uma maior consciência e uma autopercepção do ambiente que as cercam, protegendo-se de encontros amorosos com homens misóginos? A resposta perpassa pelo<strong> autoconhecimento</strong>. Aqui, além da psicoterapia para uma exploração profunda do eu, da autenticidade, e autonomia, desejo destacar o poder dos grupos de mútua ajuda, como as denominadas irmandades de doze passos, em especial o <strong>MADA</strong> &#8211; Mulheres que Amam Demais Anônimas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mada-mulheres-que-amam-demais-anonimas">MADA &#8211; Mulheres que Amam Demais Anônimas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Neste grupo, frequentado exclusivamente por mulheres, não há qualquer vínculo com religião, mas destaca-se como um programa espiritual. Para participar, basta estar disposta a evitar <strong>relacionamentos destrutivos</strong>. A proposta é realizar um verdadeiro mergulho na história pessoal por meio dos doze passos, construindo assim uma relação mais saudável consigo mesma. Isso implica ter a coragem de encarar a própria realidade, e muitas delas percebem que mantêm um relacionamento abusivo consigo mesmas, na qual pode ter suas raízes no machismo estrutural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A negação da realidade, em busca de um relacionamento que as salvem, frequentemente está relacionada a uma história de infância em famílias disfuncionais. O medo de encarar essa dinâmica pode levá-las a passar toda uma vida em busca do acolhimento e amor que não receberam quando crianças. Ao mesmo tempo, a busca de parceiros que reproduzam o hostil ambiente tão familiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O programa de doze passos em MADA indica várias transformações, incluindo a autoaceitação, mesmo ao identificar mudanças necessárias, a aceitação do outro como ele é, assim identificando possíveis misóginos e seu poder de escolha, um contato saudável com todos os aspectos da vida, incluindo a sexualidade, e o autocuidado de cada um desses aspectos, frequentemente negligenciados. A busca por relacionamentos mais autênticos, nos quais não seja necessário provar a própria dignidade para receber amor e respeito, permite conexões com pessoas adequadas que inspiram confiança para se conhecer profundamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-programa-incentiva-a-reflexao-sobre-as-pessoas-presentes-na-vida-da-participante" style="font-size:23px"><strong>O programa incentiva a reflexão sobre as pessoas presentes na vida da participante</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao perceber a toxicidade de uma relação, a mulher aprende a se desvencilhar sem criar grandes sofrimentos. Falando neste sofrimento, no programa, a participante aprende a aceitar a serenidade em sua vida, abandonando o caos vivido anteriormente. Nas relações, ela compreende a importância de ter afinidades, compartilhar valores, interesses e objetivos semelhantes, e ambos possuírem a capacidade de serem íntimos. Além disso, ela reconhece que é digna do melhor que a vida tem a oferecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Analisando à luz da teoria de<strong> Carl Gustav Jung</strong>, percebe-se que um relacionamento verdadeiro exige a presença da consciência. Isso implica estar ciente do ambiente em que se está inserido, bem como reconhecer a existência do machismo dentro da própria mulher.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:21px"><blockquote><p>“Desde o momento em que aparece a consciência coerente, existe a possibilidade do relacionamento psíquico. Consciência, segundo nossa concepção, é sempre consciência do “eu”. Para tornar-me consciente de mim mesmo, devo poder distinguir-me dos outros. Apenas onde existe essa distinção, pode aparecer um relacionamento” ( JUNG, 2017, p.202)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma irmandade de doze passos, observamos um processo de<strong> entrega do ego</strong> à sua própria condição. Isso envolve encarar a própria sombra, reconhecer as dinâmicas internas que facilitam o abuso, explorar a história pessoal e desvelar a existência de uma totalidade, seja Deus ou um Poder Superior, conforme cada uma o concebe, Ao permitir esse contato, pode-se alcançar a sanidade, ou seja, a luz da consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Neste processo gradual, em um ambiente de completa identificação, as mulheres se conectam, oferecem apoio mútuo e estabelecem relações de “amadrinhamento”, formando uma espécie de ninho</strong>. Essa rede de apoio proporciona acolhimento, amorosidade e solidariedade, gerando um sentido autêntico de pertencimento. É possível observar a melhoria da autoestima, à medida que aprendem a estabelecer limites, retomam sua autonomia, reconhecem a importância de si mesmas, cultivam o respeito próprio e tomam decisões mais assertivas em seus relacionamentos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-mito-de-eco-e-narciso">O Mito de Eco e Narciso</h2>



<p class="wp-block-paragraph">No Mito<strong> Eco e Narciso</strong>, Narciso, procurando por seus companheiros, grita:</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><strong><em>&#8220;- Há alguém aqui?”</em></strong><br><strong><em>“- Aqui”, responde Eco.</em></strong></p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Embora ela tenha ecoado as próprias palavras de Narciso, seu significado literal foi transformado por seu eco</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais tarde, quando ela tenta se aproximar de Narciso, este grita: </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><strong><em>“-Não me toque! Não me abrace! Prefiro morrer, mas não te dou poder sobre mim!”</em></strong><br><strong><em>“-Te dou poder sobre mim” ecoa Eco.</em></strong></p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>De maneira que o eco não é somente eco de alguma coisa, mas também um tipo de resposta que completa a palavra para ela mesma.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Refletindo sobre a misoginia, podemos nos lançar a uma nova era mais equânime, com uma compreensão mais consciente do feminino e masculino, promovendo relações mais saudáveis e rompendo com padrões retrógrados e machistas em nossa sociedade.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Euflausina Goes dos Santos – Membro Analista em Formação IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. O desenvolvimento da personalidade. 13.ed. Petrópolis: Vozes, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BERRY, Patricia. O corpo sutil de Eco: contribuições para uma psicologia arquetípica. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FOWARD, Susan Dra. e TORRES, Joan – “Homens que odeiam suas mulheres e as mulheres que os amam. Quando amar é sofrer e você não sabe por quê. 9ª edição Rio de Janeiro, RJ: Ed. Rocco, 1989</p>



<p class="wp-block-paragraph">NORWOOD, Robin. Mulheres que Amam Demais. São Paulo: Siciliano, 1995</p>



<p class="wp-block-paragraph">Site MADA: <a href="https://grupomadabrasil.com.br/">Grupo MADA Brasil – Mulheres que Amam Demais Anônimas – Site do Grupo MADA (Mulheres que Amam Demais Anônimas). Se você sofre por amor e quer ajuda, compareça a uma de nossas reuniões!</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse o site do IJEP: <a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conheça nossos Congressos Junguianos: <a href="https://ijep.pages.net.br/congressos-carl-jung-ijep">Congressos IJEP (pages.net.br)</a></p>
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