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	<title>Marta Beatriz Conceição Guedes, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Sun, 12 Jul 2026 20:12:31 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Marta Beatriz Conceição Guedes, Autor em Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Da Sombra ao Ouro: A Reciclagem como Metáfora do Processo de Individuação</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/da-sombra-ao-ouro-a-reciclagem-como-metafora-do-processo-de-individuacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marta Beatriz Conceição Guedes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 20:40:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alquimia]]></category>
		<category><![CDATA[alquimia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O presente ensaio propõe uma analogia entre a alquimia sob a ótica da psicologia junguiana e a reciclagem para explicar a individuação. Através das fases Nigredo, Albedo e Rubedo, objetiva-se demonstrar como o "lixo" (a sombra psíquica) pode ser transmutado em "ouro" (consciência). Conclui-se que o crescimento pessoal exige enfrentar o que rejeitamos, transformando resíduos existenciais em propósito e renovação.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo:</strong> O presente ensaio propõe uma analogia entre a alquimia sob a ótica da psicologia junguiana e a reciclagem para explicar a individuação. Através das fases <em>Nigredo</em>, <em>Albedo</em> e <em>Rubedo</em>, objetiva-se demonstrar como o &#8220;lixo&#8221; (a sombra psíquica) pode ser transmutado em &#8220;ouro&#8221; (consciência). Conclui-se que o crescimento pessoal exige enfrentar o que rejeitamos, transformando resíduos existenciais em propósito e renovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Jung, o simbolismo alquímico é, em grande parte, produto da psiquê inconsciente. Os alquimistas, ao tentarem explorar a real natureza da matéria, projetavam o inconsciente sobre ela a fim de iluminá-la, e por isso a projeção era experimentada como uma propriedade da matéria, ou seja, era seu próprio inconsciente (JUNG, 2012, p. 267).</p>



<h2 id="h-em-mysterium-coniunctionis-jung-afirma-que-o-processo-alquimico-pode-representar-o-processo-de-individuacao-que-consiste-em-tornar-consciente-os-conteudos-inconscientes-fazendo-se-um-processo-de-diferenciacao-psiquica" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Em <em>Mysterium Coniunctionis</em>, Jung afirma que o processo alquímico pode representar o processo de individuação, que consiste em tornar consciente os conteúdos inconscientes, fazendo-se um processo de diferenciação psíquica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, “tomada como um todo, a alquimia oferece uma espécie de anatomia da individuação”. (EDINGER, 2006, p. 22). A ideia central da alquimia é a <em>opus</em>, ou obra, que para Jung seria a individuação, não consistindo unicamente em experimentos químicos, mas algo semelhante aos processos psíquicos, expresso numa linguagem pseudoquímica (JUNG, 2012, p. 259). Sendo um trabalho a ser desenvolvido pelo ego, são necessárias certas virtudes: paciência, coragem perseverante e dedicação contínua (EDINGER, 2006, p. 25).</p>



<p class="wp-block-paragraph">No que tange à opus, devemos considerá-la como um trabalho sagrado, que requer uma atitude religiosa, um trabalho amplamente individual, tal como o processo de individuação, bem como ser um trabalho secreto, estando na ordem do mistério (JUNG, 2012, p. 326, o.c. 12, §414 e ss).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de tais características, a <em>opus</em> alquímica é um processo iniciado pela natureza, mas que depende do esforço pessoal do ego consciente para sua realização, sendo em certo sentido contrária à natureza, pois o ego é quem executa o processo. Há uma necessária cooperação do indivíduo para criação de consciência.</p>



<h2 id="h-sob-o-aspecto-de-que-a-opus-e-um-trabalho-de-aquisicao-de-consciencia-mediante-a-projecao-dos-aspectos-inconscientes-na-prima-materia-vale-trazer-as-palavras-de-edinger-2006-p-29-sobre-o-processo-alquimico-desenvolvido-pelos-alquimistas" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Sob o aspecto de que a <em>opus</em> é um trabalho de aquisição de consciência mediante a projeção dos aspectos inconscientes na <em>prima matéria</em>, vale trazer as palavras de Edinger (2006, p. 29) sobre o processo alquímico desenvolvido pelos alquimistas:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>a individuação é um processo de criação do mundo. (&#8230;) A psique individual é, e deve ser, um mundo inteiro em seus próprios limites, a fim de manter-se acima do – e contra o – mundo exterior, e de poder cumprir sua tarefa de portador da consciência.</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-mas-o-que-seria-a-materia-prima-ou-prima-materia-dos-alquimistas-e-o-seu-correspondente-psicologico" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Mas o que seria a matéria prima ou <em>prima materia</em> dos alquimistas e o seu correspondente psicológico?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O termo <em>prima materia </em>remonta aos filósofos pré-socráticos, que entendiam que o mundo surgiu de uma matéria única, chamada por eles de <em>prima</em> <em>materia</em>. Para os alquimistas, contudo, a matéria-prima é a base do <em>opus</em>, não sendo uma substância especificada, já que se tratava de uma projeção do indivíduo, o que “representa a substância desconhecida portadora da projeção do conteúdo psíquico autônomo” (JUNG, 2012,o.c. 12, p. 337), havendo, portanto, infinitas definições. Ou seja, em certa medida, a <em>prima materia</em> pode ser entendida como o que está contido na <strong>sombra</strong>, entendida aqui como aquilo que não é conhecido pela consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se pudermos fazer uma analogia entre o processo alquímico e a reciclagem, o que é jogado fora (o lixo) pode ser entendido como a matéria prima deste processo, ou seja, algo novo, que após uma ressignificação sai da sombra e é então visto pela consciência de uma outra forma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desta forma, o trabalho do alquimista seria um trabalho de depuração da sombra, que neste ensaio assemelharemos ao processo de reciclagem, pois aquilo que foi relegado como imprestável é então transformado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Levando em consideração que o processo de transformação da matéria alquímica não é organizado de forma igual por todos os autores, Jung apresenta que há uma concordância em relação a quatro estágios, conforme cores originárias mencionadas por Heráclito (JUNG, 2012, o.c. 12, p. 246), quais sejam nigredo, albedo, citrinas e rubedo, tendo sido suprimida a fase citrinas posteriormente. Sendo assim, abaixo fazemos a descrição das três fases alquímicas com seu paralelo com o processo de reciclagem:</p>



<h2 id="h-1-nigredo-massa-confusa-o-descarte" class="wp-block-heading">1. Nigredo (Massa Confusa / O Descarte)</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na alquimia, a <em>nigredo</em> é a fase do &#8220;enegrecimento&#8221;, o estado de caos e dissolução. É a matéria bruta (<em>prima materia</em>) em seu estado mais vil e sujo. Olhando para a reciclagem esta fase corresponderia ao lixo acumulado, quando a matéria que perdeu sua forma, sua utilidade e foi rejeitada pela sociedade. Para o processo analítico da psicologia junguiana, corresponderia ao confronto com a sombra. Podemos compreender que reciclar exige que paremos de ignorar o que &#8220;jogamos fora&#8221; e olhemos para a nossa própria sujeira, pois em verdade não há fora. Sem o reconhecimento desse caos inicial, não há matéria-prima para a criação do novo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;(&#8230;) a “prima materia” coincide às vezes com a noção do estado inicial do processo, a “nigredo” (negrume). É a terra negra na qual é semeado o ouro ou o lapis, como se fosse um grão de trigo (fig. 48). É a terra negra, mágica e fértil trazida do Paraíso por Adão (&#8230;)&#8221; (JUNG, OC 12, §433)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-2-albedo-ablutio-a-triagem" class="wp-block-heading">2. Albedo (Ablutio / A Triagem)</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A <em>albedo</em> corresponde ao estágio da &#8220;alvura&#8221; ou purificação, que na alquimia significa que a matéria é lavada (<em>ablutio</em>) e separada (<em>separatio</em>) de suas impurezas até que reste apenas a essência. Na reciclagem é identificada com o processo de triagem e lavagem, pelo qual os materiais são separados, sendo o plástico separado do metal e o papel é limpo de resíduos orgânicos, por exemplo. É o momento em que o &#8220;lixo&#8221; deixa de ser uma massa confusa e passa a ser reconhecido como recurso. De forma análoga, para a psicologia analítica, representa a reflexão e a distinção lógica, ou seja, quando a consciência começa a diferenciar o que é essencial do que é acessório, trazendo clareza ao processo de transformação.</p>



<h2 id="h-3-rubedo-ouro-filosofico-novo-produto" class="wp-block-heading">3. Rubedo (Ouro Filosófico / Novo Produto)</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A <em>rubedo</em> é a fase final, o &#8220;avermelhamento&#8221;. É o momento da síntese, onde o fogo transmuta a matéria purificada em algo de valor supremo: o ouro ou a Pedra Filosofal. Na reciclagem podemos identificar essa fase como a remanufatura, quando, por exemplo, um tecido reciclado se torna um tecido novo, ou o metal fundido se torna uma peça de engenharia. A matéria &#8220;morreu&#8221; como resíduo e &#8220;renasceu&#8221; com uma nova identidade e valor. Na psicologia analítica seria quando a função transcendente se dá, quando algo novo surge, pois demonstra que a vida (e a matéria) pode ser renovada e que nada se perde verdadeiramente se houver um processo consciente de transformação.</p>



<h2 id="h-conclusao" class="wp-block-heading"><strong>Conclusão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A analogia entre a <em>opus</em> alquímica e o processo de reciclagem permite uma compreensão tangível e contemporânea da jornada de individuação proposta por Carl Jung. Ao traçar esse paralelo, fica evidente que o caminho para a consciência não se faz através da negação do que é &#8220;sujo&#8221; ou &#8220;rejeitado&#8221;, mas sim pelo confronto direto com a <em>prima materia</em> — seja ela o lixo material ou a sombra psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Através das etapas de <strong>Nigredo, Albedo e Rubedo</strong>, observamos que a transformação exige, invariavelmente, um esforço consciente do ego. Assim como a reciclagem retira o objeto do caos do descarte para lhe devolver a utilidade, a análise psicológica resgata conteúdos obscurecidos para integrá-los à totalidade do Ser. O &#8220;Ouro Filosófico&#8221; e o &#8220;Novo Produto&#8221; encontram-se no mesmo ponto final: a prova de que a vida e a matéria possuem uma capacidade inerente de renovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conclui-se, portanto, que o trabalho de individuação é uma forma de &#8220;ecologia profunda&#8221; da alma. Ao reconhecer que &#8220;não há fora&#8221; e que nada se perde verdadeiramente, o indivíduo assume o papel de artífice de sua própria história, transmutando o que era resíduo em valor e o que era inconsciência em propósito.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/marta-guedes/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/marta-guedes/"><strong>Marta Beatriz Conceição Guedes</strong> &#8211; <strong>Analista em formação</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/"><strong>Ana Paula Z. Maluf</strong> &#8211; <strong>Analista Didata IJEP</strong></a></p>



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<h1 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">REFERÊNCIAS:</h1>



<p class="wp-block-paragraph">EDINGER, E. <strong>Anatomia da psique:</strong> o simbolismo alquímico na psicoterapia. São Paulo: Cultrix, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Psicologia e Alquimia</strong>. Petrópolis: Vozes, v. 12, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O cantar como terapia</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-cantar-como-terapia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marta Beatriz Conceição Guedes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2026 19:45:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O artigo discute como o canto e o cantar funcionam como via de expressão e integração psíquica. A voz é apresentada como mediadora entre consciente e inconsciente, revelando complexos e conteúdos emocionais profundos. A prática vocal no setting terapêutico ativa padrões afetivos ligados à transferência e mobiliza o terapeuta pela contratransferência, criando um campo sonoro relacional. A música e o canto permitem identificar e transformar complexos, favorecendo a diferenciação e reorganização psíquica. Assim, o cantar torna-se instrumento clínico e simbólico de cura e individuação.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: O artigo discute como o canto e o cantar funcionam como via de expressão e integração psíquica. A voz é apresentada como mediadora entre consciente e inconsciente, revelando complexos e conteúdos emocionais profundos. A prática vocal no setting terapêutico ativa padrões afetivos ligados à transferência e mobiliza o terapeuta pela contratransferência, criando um campo sonoro relacional. A música e o canto permitem identificar e transformar complexos, favorecendo a diferenciação e reorganização psíquica. Assim, o cantar torna-se instrumento clínico e simbólico de cura e individuação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-desde-minha-infancia-fui-profundamente-tocada-pela-experiencia-de-cantar-principalmente-pela-vivencia-com-a-minha-avo-que-adorava-nelson-goncalves" style="font-size:19px">Desde minha infância, fui profundamente tocada pela experiência de cantar, principalmente pela vivência com a minha avó, que adorava Nelson Gonçalves.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O cantar não se limitava apenas a uma expressão estética, mas como um canal direto com as emoções mais profundas e com conteúdos psíquicos que, por vezes, escapam à linguagem racional. Este ano resgatei o canto como parte da minha rotina e, através dessa vivência pessoal, despertei a percepção de que minha voz — sua timidez, sua potência, suas variações — se manifestava como reflexo direto de meu estado psíquico.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A partir disso procurei livros que trouxessem uma abordagem junguiana sobre o canto e o cantar e encontrei, dentre outros o livro <em>The Theory and Practice of Vocal Psychotherapy</em>, de Diana Austin, que propõe que a voz humana é uma extensão da psique, que os registros vocais podem ser utilizados como mediadores entre consciente e inconsciente, além de poderem favorecer a integração de conteúdos psíquicos dissociados.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesse sentido, no presente artigo proponho que, sob a ótica da Psicologia Analítica, o uso terapêutico da voz pode se configurar como uma via simbólica de cura e integração psíquica. Para isso analisaremos brevemente, com base nos conceitos junguianos de complexos, self e individuação, articulados ao conceito de transferência e contratransferência, bem como à prática vocal como instrumento expressivo e transformador.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Inicialmente, observamos que a potência terapêutica do canto reside no fato de que, ao cantarmos, voz e corpo atuam como instrumentos intimamente conectados, vibrando em sintonia com os sons e a ressonância que a experiência proporciona.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tanto-fazemos-musica-como-somos-a-musica" style="font-size:19px"><em>Tanto fazemos música como somos a música</em>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Internamente, a voz acaba por nos ajudar a nos conectar com nossos corpos e expressar as nossas emoções, externamente ela nos ajuda a nos conectar com os outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Além disso, cantar é uma atividade neuromuscular, e padrões musculares são conectados aos padrões psicológicos e emocionais de resposta (Austin, 2008), o que possibilita que trabalhemos através do canto a integração de <strong>complexos</strong>, entendidos na psicologia analítica como conteúdos psíquicos autônomos de origem inconsciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-complexos-sao-assim-definidos-por-jung" style="font-size:19px">Os complexos são assim definidos por <strong>Jung</strong>:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>O que é, portanto, cientificamente falando, um “complexo afetivo”? É a imagem de uma determinada situação psíquica de forte carga emocional e, além disso, incompatível com as disposições ou atitude habitual da consciência. Esta imagem é dotada de poderosa coerência interior e tem sua totalidade própria e goza de um grau relativamente elevado de autonomia, vale dizer: está sujeita ao controle das disposições da consciência até um certo limite e, por isto, se comporta, na esfera do consciente, como um corpus alienum [corpo estranho], animado de vida própria. (2000, p.43)</em><em></em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Portanto, o cantar pode proporcionar aos clientes expressar o que estava oculto, dando voz aos sentimentos inconscientes, promovendo “<em>uma libertação emocional, devido ao efeito da música, da letra e das memórias e associações ligadas à canção</em>” (Austin, 2008, p. 20).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Além disso, a singularidade, o self pessoal, é revelado através do som e das características da voz. O processo do canto terapêutico possibilita que o cliente encontre sua própria voz, seu próprio som, dando mais passos para tornar-se cada vez mais completo, ou seja, caminhando para o processo de individuação. Contudo, Austin aponta que para que o canto seja utilizado como ferramenta terapêutica e que tenha força curativa é necessário que haja uma relação de afeto entre cliente e analista, manifestadas pela transferência e pela contratransferência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A transferência é uma especialização do fenômeno inconsciente da projeção, se apresentando como o processo pelo qual o paciente projeta no analista conteúdos inconscientes – em especial os arquétipos parentais (imago) – impulsionado pelo princípio de Eros (ligação e relacionamento). É uma expressão do anseio interior pela totalidade psíquica (Self), tornando-se um palco vital para a reexperimentação e integração das polaridades, um passo essencial no processo de individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É de se ressaltar que na relação entre analista e analisando a transferência toma um lugar de extrema relevância, pois para Jung (2012, p. 46), “<em>o êxito ou fracasso do tratamento tem, no fundo, muito a ver com ela</em>”, tratando-se de um laço e uma ligação que lhe dizem respeito e se criaram a partir de um inconsciente comum (2012, p. 61).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A projeção do paciente sobre o seu analista leva a uma perturbação, a uma afetação deste, nomeada de contratransferência, pela qual constata-se que da mesma forma que o analisando influencia o analista com seus conteúdos inconscientes, o analista influencia o analisando.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nas-palavras-de-jung" style="font-size:19px">Nas palavras de Jung:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><em>O fato de o paciente transmitir ao médico um conteúdo ativado do inconsciente também constela neste último o material inconsciente correspondente, através da ação indutiva regularmente exercida em maior ou menor grau pelas projeções. Médico e paciente encontram-se assim numa relação fundada na inconsciência mútua.&nbsp;(Jung, 2012 p. 59)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Assim, a contratransferência é uma reação inconsciente do analista aos conteúdos projetados pelo analisando na transferência, sendo um fenômeno mútuo; e para Austin, necessário ao sucesso da terapia do canto. Não é vista como um obstáculo a ser superado, mas como um instrumento de diagnóstico e uma fonte de informação valiosa sobre o material do paciente e o campo inconsciente compartilhado. A título de ilustração, trago um exemplo apontado por Austin no setting terapêutico em que ela e sua cliente Terry entraram num estado de ressonância psíquica e a partir daí construíram um terceiro elemento que a retirou da angústia que a levou procurar a terapia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Terry sofria com uma autocrítica severa e sentimentos de vergonha e incapacidade, bem como não conseguia estabelecer limites para si e para os outros, sintomas que se somatizavam em sua voz, tornando-a aguda e estridente sempre que era afetada por uma circunstância relacionada à imagem internalizada de sua infância, quando conviveu com uma mãe hipercrítica, que a invalidava constantemente, e que tinha uma voz aguda, cortante e penetrante.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-terapia-vocal-a-relacao-terapeutica-atuou-como-temenos-von-franz-1992" style="font-size:19px">Na terapia vocal, a relação terapêutica atuou como <em>temenos</em> (<strong>Von Franz</strong>, 1992)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Isto é, <strong><em>um espaço de contenção e segurança</em></strong>, onde a transferência do complexo materno negativo de Terry se manifestou sonoramente. Através da improvisação vocal conjunta, a díade analítica constelou o complexo materno positivo em Austin, permitindo à terapeuta acolher e espelhar as dissonâncias afetivas (contratransferência). Essa sintonia no vínculo facilitou a desidentificação da paciente com a imago materna destrutiva, transformando a vergonha projetada em agressividade saudável integrada ao ego, validada pela escuta ativa e participativa da analista.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Além deste caso, Austin identificou de forma geral em seu estudo qualidades semelhantes na música de vários clientes quando eles estão presos em um aspecto traumatizante do complexo de poder. Ela relata que identificou em vários casos clientes que improvisaram em torno de questões envolvendo julgamento extremo ou abuso verbal ou físico, produzindo músicas com qualidades semelhantes. Eram músicas rápidas, com ritmo, melodia e harmonia repetitivos e um caráter compulsivo. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A autora relata ainda que o complexo de poder se manifestava nos clientes de forma consistente através do efeito que a música lhes afetava, pois cada um experimentava sua música como &#8220;intensa&#8221; e &#8220;com vida própria&#8221;. Sentiam que poderiam continuar tocando por horas sem qualquer mudança nos padrões musicais.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Uma cliente descreveu a sensação de estar &#8220;possuída&#8221;. Outro disse que se sentiu “atacado pelo ódio a si mesmo”. Dois dos clientes, quando solicitados a desenhar o que vivenciaram durante a improvisação, desenharam padrões giratórios que pareciam ciclones. Esses desenhos lembram o padrão circular espiral que foi denominado “vórtice traumático” pelo Dr. Peter Levine (Austin, 2008, p.43, tradução nossa).</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-estar-preso-em-um-complexo-e-ser-metaforicamente-possuido" style="font-size:19px">Estar preso em um complexo é ser metaforicamente possuído.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Por isso a autora afirma que a música pode ser útil para identificar os sons de alguém capturado. Ademais, a música também pode ser extremamente eficaz para ajudar os clientes a retornarem a si mesmo, ajudando-os a diferenciar suas próprias vozes do estado de identidade inconsciente com o complexo. A música pode permitir que os clientes se conectem a sentimentos autênticos (o sentimento por trás do julgamento), podendo então se diferenciar do complexo e encontrar seu próprio ponto de vista (Austin, 2008).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Por todo o exposto, a prática vocal no setting terapêutico revela-se um recurso singular para acessar e transformar conteúdos inconscientes que se expressam com mais precisão pelo corpo e pela vibração sonora do que pela linguagem conceitual. Como propõe <strong>Diane Austin</strong>, o canto cria um campo de ressonância emocional que favorece a emergência de complexos, memórias e afetos, permitindo que sejam elaborados por meio da experiência estética, corporal e simbólica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A transferência torna esse processo possível, pois é na relação com o terapeuta que o canto se torna veículo vivo de padrões afetivos antigos, abrindo espaço para reorganização psíquica e reconfiguração de vínculos internos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A <strong>contratransferência</strong>, integrada ao trabalho vocal, amplia esse campo de transformação ao revelar elementos do inconsciente compartilhado e ao permitir que a voz do terapeuta funcione como sustentação, espelho e presença simbólica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesse encontro entre duas vozes — literal e metaforicamente — cria-se um espaço de individuação, onde o cliente pode diferenciar-se de seus complexos, reencontrar sua própria sonoridade e reafirmar sua singularidade psíquica ao integrar partes até então dissociadas. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Assim, o cantar, quando inserido na prática analítica, deixa de ser mero recurso expressivo e se torna caminho de cura profunda e de retorno à inteireza.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;O cantar como terapia&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/AsiTcM84Is4?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/marta-guedes/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/marta-guedes/">Marta Beatriz Conceição Guedes &#8211; Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Z. Maluf &#8211; Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Austin, D. (2008). The Theory and Practice of Vocal Psychotherapy: Songs of the Self. London/Philadelphia: Jessica Kingsley Publishers.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2000). A natureza da psique. Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2012). Ab-reação, anpalise dos sonhos e transferência. Petrópolis, RJ: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2014). Psicologia do Inconsciente. Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Von Franz, M. (1992). Puer Aeternus: a Luta do Adulto Contra o Paraíso da Infância. São Paulo: Paulus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Matrículas abertas &#8211; Psicologia Junguiana // Arteterapia e expressões criativas // Psicossomática &#8211; 2 anos &#8211; Certificação pelo MEC: <a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Onde está o Outro? O efeito da ausência do pai nos relacionamentos amorosos femininos</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/onde-esta-o-outro-o-efeito-da-ausencia-do-pai-nos-relacionamentos-amorosos-femininos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marta Beatriz Conceição Guedes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 13:40:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[complexo paterno]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[figura paterna]]></category>
		<category><![CDATA[pai]]></category>
		<category><![CDATA[pais]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos femininos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Este artigo analisa o impacto da ausência paterna na composição dos relacionamentos amorosos femininos. Com base na psicologia analítica junguiana, o texto traz inicialmente o papel do pai na constituição da psique feminina e como a sua falta provoca um vazio simbólico, o que pode aprisionar a mulher em uma identidade infantilizada, presa ao [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>Resumo</strong>: <strong>Este artigo analisa o impacto da ausência paterna na composição dos relacionamentos amorosos femininos</strong>. Com base na psicologia analítica junguiana, o texto traz inicialmente o papel do pai na constituição da psique feminina e como a sua falta provoca um vazio simbólico, o que pode aprisionar a mulher em uma identidade infantilizada, presa ao mundo materno, bloqueando o acesso ao outro, à alteridade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-abordou-no-ensaio-a-importancia-do-pai-no-destino-do-individuo-que-consta-no-titulo-freud-e-a-psicanalise-volume-iv-das-obras-completas-o-papel-do-pai-para-a-psique" style="font-size:20px">Jung abordou no ensaio <em>A importância do pai no destino do indivíduo,</em> que consta no título <em>Freud e a Psicanálise</em>, volume IV das Obras Completas, o papel do pai para a psique.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Para Jung, o pai representava a função de mediação e orientação; o princípio do Logos; e a estruturação da consciência, o que será melhor desenvolvido no decorrer do trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">O pai possui então extrema importância psíquica, pois para além do pai individual, ele é o representante da luta do herói divino contra o dragão-mãe, a fim de libertar o herói do poder da escuridão da inconsciência “como uma tentativa do próprio inconsciente de resgatar a inconsciência da regressão ameaçadora” (Jung, 2013a, §738).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>Tal força se refletia fortemente na cultura ocidental, outrora, na imagem do pai individual, a quem se devia obediência e respeito de forma inquestionável</strong>. Isso porque, além de arquetipicamente representar a força contra o inconsciente, ele era o provedor financeiro e espiritual da família. Contudo, com o passar do tempo, este papel passou por um processo de esvaziamento na cultura ocidental, pois, dentre outros fatores: as mães também se tornaram provedoras do lar; o Estado assumiu certa parte da função normatizadora; a Igreja passou a ter voz de autoridade espiritual sobre o lar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sendo-assim" style="font-size:20px">Sendo assim,</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px;line-height:1.4"><blockquote><p><strong>O status de pai foi, portanto, alterado no mundo externo; ele não é mais tomado coletivamente como figura predominant</strong>e. Essa mudança afetou o pai individual, tornando-o inseguro e incerto de seu papel na família, deixando às decisões à mãe, assim fortalecendo fatalmente seu animus.</p><cite>Heydt, 1979, p. 156</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Podemos inferir que, em virtude do esvaziamento de sua função dentro dos lares, há também certo esvaziamento da experiência da vivência do pai arquetípico luminoso na cultura, causando sintomas desagradáveis – o que não consegue ser compensado pela atuação do pai pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Há que se ressaltar que o pai possui um papel ao mesmo tempo que representante do pai pessoal o é também uma estrutura arquetípica, que tem como função primordial retirar o indivíduo de sua situação natural de inconsciência. Por isso, mesmo que não tenha um pai individual, a pessoa possui o tipo pai em sua base. Nas palavras de Jung,</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px;line-height:1.4"><blockquote><p>a criança possui um sistema herdado que antecipa a existência dos pais e sua possível influência sobre ela. Em outras palavras, atrás do pai existe o arquétipo do pai e neste tipo preexistente está o segredo do poder paterno, a exemplo da força que leva o pássaro a migrar. Esta força não é produzida por ele, mas provém dos antepassados. </p><cite>Jung, 2013a, p. §739</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A título de exemplo da manifestação da paternidade sombria temos o recente dado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, referente a 2022, que revela que no Brasil, 11 milhões de mulheres criam sozinhas os filhos (<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-08/no-brasil-11-milhoes-de-mulheres-criam-sozinhas-os-filhos">https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-08/no-brasil-11-milhoes-de-mulheres-criam-sozinhas-os-filhos</a>). Vê-se que é um fenômeno geral e particular concomitantemente, que nos evocou alguns questionamentos: Qual o papel do pai na psique? O que acontece quando o pai é ausente ou insuficiente? <a>Qual o reflexo da sua ausência na vida das filhas, em especial nos relacionamentos amorosos?</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A tais perguntas pretendemos tecer breves considerações, aprofundando um pouco no que tange o reflexo da ausência do pai na vida das filhas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-qual-o-papel-do-pai-na-psique" style="font-size:20px"><strong>Qual o papel do pai na psique?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Segundo Jung, podemos citar 3 papéis simbólicos principais para o pai: função mediadora e de orientação; ele representa o princípio do logos na psique; e ele dá estrutura à consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A função mediadora do pai significa que ele representa o princípio que introduz a criança no mundo da cultura, da lei e da ordem simbólica, bem como atua como mediador entre mãe e criança, de forma e romper a fusão inicial existente entre eles. Em suas palavras:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>O pai representa o mundo das ordens e proibições morais (&#8230;). O pai é o representante do espírito que se opõe à impulsividade, impedindo-a. É este seu papel arquetípico, que lhe cabe inexoravelmente, sem interferir em suas demais qualidades pessoais. </p><cite>JUNG G. C., 2013b</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Além do papel ordenador e mediador, o pai representa o <em>logos</em> a função que introduz direção, consciência discriminativa dos opostos:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px;line-height:1.4"><blockquote><p>Não existe consciência sem diferenciação de opostos. É o <em>princípio paterno do Logos</em> que, em luta interminável, se desvencilha do calor e da escuridão primordiais do colo materno, ou seja, da inconsciência.</p><cite>JUNG, 2016, §178</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Como terceiro papel, o pai simbólico dá estrutura à consciência, possibilitando que a criança desenvolva com maior firmeza o ego, seu sentido de orientação e acesso a instâncias superiores da psique, como o espírito e o Self. Na falta dessa função, a consciência tende a permanecer mais enredada nos conteúdos inconscientes maternos, dificultando a individuação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-acontece-quando-o-pai-e-ausente-ou-insuficiente" style="font-size:20px"><strong>O que acontece quando o pai é ausente ou insuficiente?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Primeiramente, deixemos claro aqui que estamos falando da imagem de pai que cada indivíduo tem, do pai internalizado, não no pai real. Tratamos, portanto, do pai interno que, de forma luminosa, castra, diz “não”, que separa, que estrutura a psique, que permite que o ego emerja do inconsciente indiferenciado, ambiente nato do arquétipo materno. Sem essa função, a psique permanece envolta numa névoa simbiótica, onde ainda se está no mundo da mãe, dominada por afetos indistintos, fantasias arcaicas, um eterno presente sem forma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Quando o pai real é suficientemente bom, na forma do que <strong>Winnicott</strong> dispõe, ele encarna esse princípio como função, permitindo que a criança internalize uma estrutura que a ajude a se orientar no mundo, constituindo o chamado complexo paterno positivo. Contudo, como dito anteriormente, grande parte das crianças brasileiras não possui figura paterna que atenda a ideia de suficiência, formando um vácuo que abre espaço para o complexo paterno negativo, constituindo os indivíduos que Seligman (1982) chama de “meio-vivos”, que são aqueles em que esse princípio parece não ter sido incorporado, ou foi incorporado de forma fraca, parcial, distorcida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-resultado-e-uma-psique-sem-eixo-nao-ha-um-centro-forte-uma-identidade-solida-um-espaco-interno-onde-a-experiencia-possa-ser-metabolizada-eliade-2018-o-individuo-pode-viver-desempenhando-papeis-adaptando-se-mas-sem-raiz-ou-direcao-nas-palavras-de-alberto-pereira-filho" style="font-size:20px"><em>O resultado é uma psique sem eixo</em>. Não há um centro forte, uma identidade sólida, um espaço interno onde a experiência possa ser metabolizada (Eliade, 2018). O indivíduo pode viver desempenhando papéis, adaptando-se, mas sem raiz ou direção. Nas palavras de <strong>Alberto Pereira Filho</strong>,</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px;line-height:1.4"><blockquote><p>(&#8230;) a ausência de um representante do pai é danosa para a personalidade: se faltam regras e limites, o filho se dilui no lugar de se relacionar com o mundo; invade-o, ou se deixa invadir por ele. Ou ainda, em outro extremo, torna-se rígido, uma vez que a prontidão psíquica para a constelação do arquétipo paterno se incumbe de preencher lacunas da consciência com a massa bruta do arquétipo a ser ativado. </p><cite>Lima Filho, 2002, p. 69</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Quando o pai se faz ausente pode haver uma falha na formação da sua imagem; e se não há um outro representante que faça esse papel, pode ocorrer uma carência na estruturação do cosmos no caos (Eliade, 2018), da separação do indivíduo do mundo materno para o exterior. Pode haver uma falha de contorno, gerando os “meio-vivos”, pessoas que apesar de funcionais, não se sabem como existentes, como donas de vontade, autônomas e conscientes de si.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-qual-o-reflexo-da-ausencia-da-figura-do-pai-na-vida-das-filhas-em-especial-nos-relacionamentos-amorosos" style="font-size:20px"><strong>Qual o reflexo da ausência da figura do pai na vida das filhas, em especial nos relacionamentos amorosos?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A condição de “meio-vivo” é particularmente comum entre mulheres criadas em famílias onde o pai era ausente e a mãe sobrecarregada. Mas não se limita ao feminino. Homens também podem ser “meio-vivos” — especialmente aqueles criados em lares caóticos, sem figuras masculinas afirmativas. Nesses casos, o homem pode crescer com uma aparência de força — musculosa, racional, ambiciosa — mas por dentro, vazio, inseguro, desconectado. Contudo, no caso das meninas a situação é agravada, pois uma vez identificada biologicamente com a mãe, o seu mundo infantil fica destituído da imagem do diferente, do outro, da alteridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Quando não há uma figura paterna, mãe e filho estão voltados um para o outro, como no ato da amamentação (Lima Filho, 2002) . Ou seja, é um sistema fechado, marcado pela mutualidade, característica da participação mística, que significa falta de fronteiras psíquicas. Já na situação em que há a figura do pai presente, ele surge como um terceiro elemento, entre a mãe e o filho/a, apontando para a futuro, formando um sistema aberto ou relativamente aberto.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Vê-se, portanto, um papel fundamental da figura paterna na estruturação da psique humana. Quando essa figura está ausente — seja física, emocional ou simbolicamente — cria-se um vácuo afetivo que compromete a organização da personalidade. A filha não sai do ambiente materno por não ter uma referência de pai ou tê-la de forma incipiente para sair da casa psíquica da mãe, prejudicando a formação da existência do outro em si mesma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-muitas-mulheres-como-as-pacientes-descritas-no-ultimo-livro-de-schwartz-nbsp-2025-relatam-relacoes-amorosas-com-parceiros-emocionalmente-indisponiveis-frios-criticos-ou-distantes" style="font-size:20px">Muitas mulheres, como as pacientes descritas no último livro de Schwartz&nbsp;(2025), relatam relações amorosas com parceiros emocionalmente indisponíveis, frios, críticos ou distantes.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Essa escolha, embora inconsciente, parece uma tentativa de recriar o cenário emocional da infância, numa esperança inconsciente de resolver, desta vez, o abandono do pai original. No entanto, a repetição do padrão não as salvas, mas repete a ferida inicial.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Projeta-se nos parceiros amorosos o desejo não atendido pela relação com o pai, de ser amada, reconhecida e validada incondicionalmente, criando vínculos de dependência emocional, idealização ou submissão. Como observa Schwartz, a ausência de um olhar amoroso paterno muitas vezes resulta numa filha que busca, incessantemente, um parceiro que finalmente a veja.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-autora-afirma-que" style="font-size:20px">A autora afirma que:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px;line-height:1.4"><blockquote><p>A falta emocional e física, e a tristeza consequente, afetam o reino imaginário e a entrada simbólica precoce que a criança não consegue nomear o que perdeu nem o que lamenta ter perdido. (&#8230;) a presença paterna e experiência de ser vista ou ressoar com algo era quase completamente estéril e, posteriormente, vivenciou o mundo como algo que lhe oferecia pouco.&nbsp;</p><cite>Schwartz, 2025</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A ausência do pai ou sua presença incipiente exibe, na verdade, a marca da presença de uma ausência, o complexo paterno negativo, que se dá quando a imagem do pai, carregada de rejeição, negligência ou ausência, se torna um núcleo autônomo na psique (complexo), influenciando emoções, pensamentos e comportamentos futuros. <strong>Schwartz </strong>descreve como muitas filhas internalizam mensagens de não merecimento, invisibilidade ou inadequação afetiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isso-pode-levar-a-dois-movimentos-psiquicos-nos-relacionamentos-amorosos-que-sao-a-busca-compulsiva-por-aprovacao-masculina-e-ou-a-evitacao-de-intimidade" style="font-size:20px">Isso pode levar a dois movimentos psíquicos nos relacionamentos amorosos, que são a busca compulsiva por aprovação masculina e/ou a evitação de intimidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Pelo primeiro, as mulheres se envolvem em relações com homens indisponíveis emocionalmente, na tentativa de provar o próprio valor e &#8220;conquistar&#8221; o amor negado na infância; pelo segundo, se protegem da repetição da dor, rejeitando relações profundas, mantendo-se emocionalmente distantes ou escolhendo parceiros com os quais não haja real envolvimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Um outro aspecto levantado pela autora como efeito da ausência do pai para a vida das filhas é o desenvolvimento de uma vida emocional “como se”, que se manifesta nos relacionamentos amorosos quando as mulheres aparentam ter uma vida afetiva normal, estando em casamentos, namoros ou parcerias – mas que internamente vivem uma desconexão emocional profunda. O que ocorre, na verdade, é que elas interpretam papéis (persona): a namorada perfeita, a esposa dedicada, a amante compreensiva. No entanto, em seus relatos mais íntimos, como os casos clínicos descritos por Schwartz, surgem sentimentos de vazio, falta de autenticidade e uma sensação de que estão vivendo uma &#8220;vida provisória&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-muitas-nao-conseguem-se-sentir-verdadeiramente-vistas-amadas-ou-valorizadas-pelo-parceiro-esse-afastamento-emocional-ecoa-mais-uma-vez-a-distancia-original-vivida-com-o-pai" style="font-size:20px">Muitas não conseguem se sentir verdadeiramente vistas, amadas ou valorizadas pelo parceiro. Esse afastamento emocional ecoa, mais uma vez, a distância original vivida com o pai.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Por fim, um último efeito que ocorre para as filhas de pai ausente, é o “<strong>desejo não elaborado</strong>”, pelo qual a filha que não foi vista não consegue escolher, mesmo podendo fazê-lo. Trata-se de uma mistura de fome de afeto com medo do abandono, podendo levar a vínculos marcados por ambivalência: ora carência extrema, ora frieza defensiva. A mulher deseja o outro, mas teme que esse outro a abandone, tal como o pai fez.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong>Susan Schwartz</strong> propõe para que as filhas que tenham o efeito negativo da ausência do pai rompam com o padrão negativo de seus relacionamentos amorosos que entrem em contato com a dor da ausência paterna, reconhecendo e elaborando o luto por aquilo que não foi vivido. O trabalho terapêutico de confronto dos complexos paternos inconscientes e a ressignificação de suas relações com o masculino podem auxiliar e muito a suavização dos sintomas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">A conexão com a figura do pai interno saudável, (uma vez que todos temos o arquétipo paterno em potência, tanto em sua luz como em sua sombra) – mesmo que o pai real tenha sido ausente ou negligente – é essencial para que a mulher possa estabelecer vínculos amorosos mais autênticos, com limites claros e com maior capacidade de receber e dar afeto de forma equilibrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4">Faz parte do processo de individuação: a mulher, ao tomar consciência da sua história emocional, pode deixar de buscar no outro aquilo que o pai não pôde dar, diminuindo a projeção de suas feridas, abrindo espaço para relações verdadeiras, não baseadas na repetição da ausência.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Onde está o Outro? O efeito da ausência do pai nos relacionamentos amorosos femininos" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/cmig5L6A_HQ?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/marta-guedes/">Marta Guedes &#8211; Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf &#8211; Membro Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-bibliografia">Bibliografia:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Eliade, M. (2018). O sagrado e o profano: a essência das religiões. São Paulo: WMF Martins Fontes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fundação Getúlio Vargas (2023). No Brasil, 11 milhões de mulheres criam sozinhas os filhos. Agência Brasil. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-08/no-brasil-11-milhoes-de-mulheres-criam-sozinhas-os-filhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2011). Freud e a Psicanálise. Obras Completas, v. IV. Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2013a). <em>Freud e a Psicanálise.</em> Petrópolis, RJ.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, G. C. (2013b). <em>Símbolos da Transformação: análise dos prelúdios de uma esquizofrenia.</em> Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2013c). Tipos Psicológicos. Obras Completas, v. VI. Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2016). Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Obras Completas, v. IX/1. Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lima Filho, A. (2002). O pai e a psique (1 ed.). São Paulo: Paulus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Schwartz, S. (2025). A Jungian exploration of the puella archetype: girl unfolding (1 ed.). New York: Routledge.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seligman, E. (1982). The Half-Alive Ones. Journal of Analytical Psychology, 1-20.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Heydt, Vera von der. O pai na psicoterapia. In: Vitale&#8230;, et al. (1979). Pais e mães: seis estudos sobre o fundamento arquetípico da psicologia da família. São Paulo: Símbolo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>
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		<title>Metanoia e relacionamento amoroso: caminhos para si mesmo</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/metanoia-e-relacionamentos-amorosos-caminhos-para-si-mesmo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marta Beatriz Conceição Guedes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 May 2025 14:15:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: A metanoia, na visão da psicologia analítica, refere-se à transformação psíquica na segunda metade da vida, direcionando a energia do mundo externo para o mundo interno, impulsionada pela consciência da finitude. Relacionamentos amorosos, quando deixam de ser baseados em projeções e transferências, tornam-se caminhos para a individuação, pois superam as idealizações românticas, e passam [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Resumo</strong>: A <strong>metanoia</strong>, na visão da psicologia analítica, refere-se à transformação psíquica na segunda metade da vida, direcionando a energia do mundo externo para o mundo interno, impulsionada pela consciência da finitude. Relacionamentos amorosos, quando deixam de ser baseados em projeções e transferências, tornam-se caminhos para a individuação, pois superam as idealizações românticas, e passam a investir em autoconhecimento, abandonando pautas infantis e aceitando a si e o outro em sua singularidade. Relações autênticas emergem quando ambos os parceiros assumem responsabilidade por seu desenvolvimento, elevando a relação para  o nível da alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Na metade da vida o título do best-seller de <strong>Marshal Berman</strong> se materializa em cada indivíduo: <strong>tudo que é sólido desmancha no ar</strong>. Nossas certezas, padrões físicos e psíquicos, gostos e desgostos sofrem abalos sísmicos que nos fazem questionar quem nós realmente somos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A esse momento crísico Jung deu o nome de <strong>metanoia</strong>, processo que acontece na segunda metade da vida e que tem como característica a mudança na direção da energia psíquica, que na primeira metade da vida está voltada para o mundo externo e agora passa a apontar para o mundo interno.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A palavra <em>metanoien</em>, que significa &#8220;mudar de mente&#8221; ou &#8220;mudar a maneira de pensar”, que na segunda metade da vida é uma forma do ser humano ser resgatado da inconsciência, para tornar-se consciente de si. Neste período, com a mudança da direção do foco do ego, este passa a ter um diálogo mais intenso com o inconsciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-podemos-questionar-o-que-motivaria-essa-modificacao-na-segunda-metade-da-vida" style="font-size:19px">Podemos questionar o que motivaria essa modificação na segunda metade da vida.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Jung</strong> propõe que tal mudança se daria em virtude da consciência da morte, que se torna uma realidade mais próxima, e que necessariamente deve ser aceita.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Ademais, para além da crescente consciência da morte física, se considerarmos apenas o processo em si, é possível observar que a metanoia proporciona algumas mortes simbólicas, seja do ideal de eu, seja no ideal de vida. Jung indica que este processo de morte simbólica tem como intuito proporcionar a individuação do sujeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Dentre um dos aspectos da vida humana que sofre grande influência da metanoia, podemos citar o casamento, que é visto contemporaneamente como o sanatório geral, fonte <em>apenas</em> de bem-estar, sofrendo a projeção do ideal da alegria e da felicidade “até que a morte nos separe”. Contudo, o casamento não deveria ser visto apenas como fonte de prazer, possuindo também um caráter religioso, de salvação (Hollis, 2011), posto que pode ser entendido como um dos caminhos para realização do processo de individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A vida, em sua essência, é um processo contínuo de transformação, que teria como objetivo para o ser humano tornar-se mais próximo da pessoa inteira que se pretende ser (Hollis, 2011). Contudo, apesar de desejar saber quem de fato somos, há uma grande chance de evitarmos o derradeiro encontro conosco, pois estamos sempre projetando essas forças psíquicas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nas-palavras-de-jung" style="font-size:19px">Nas palavras de Jung:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Se o confronto com a sombra é obra do aprendiz, o confronto com a anima é a obra-prima. A relação com a anima é outro teste de coragem, uma prova de fogo para as forças espirituais do homem. Jamais devemos esquecer que, em se tratando da anima, estamos lidando com realidades psíquicas, as quais até então nunca foram apropriadas pelo homem, uma vez que se mantinham fora do âmbito psíquico, sob a forma de projeções. (OC 9/1, §61)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Isso porque, tal encontro requer que nos dispamos dos nossos falsos ‘eus’. Para tornamo-nos quem somos, uma série de mortes simbólicas precisam ocorrer, já que não dá para passar de uma fase a outra carregando ativos todos os aspectos da fase anterior. Essas mortes não são apenas de algumas capacidades físicas, mas também psicológicas, e representam o desprendimento de aspectos da nossa personalidade que já não servem. A cada dia, somos convidados a enfrentar essas pequenas mortes, que nos permitem renascer em versões mais autênticas e integradas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A característica comum deste momento da vida é a desconstrução do falso self, que se formaria, principalmente dos valores e estratégias pregadas pelo coletivo. Cada pessoa é, então, convidada a desenvolver uma nova identidade, novos valores, novas atitudes em relação ao self, e ao mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Segundo <strong>Holllis</strong> (2011), todos os relacionamentos amorosos usam dois estratagemas psicodinâmicos, a <em>projeção</em> e a <em>transferência</em>. Para ele, todos os relacionamentos começariam com a <em>projeção</em>, o que significa que conteúdos imagéticos pessoais são lançados para o outro na relação. Assim, o problema da projeção é que a relação não se dá com o outro, mas com as próprias imagens internalizadas, comprometendo o caráter único que a experiência da relação permite, distorcendo a realidade a serviço das imagens do passado. Haveria “o murmúrio dos nossos fantasmas (&#8230;) como um psicodrama que enfeitiça a consciência” (Hollis, 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Já na <strong>transferência</strong>, transferiríamos padrões históricos e seus previsíveis resultados para as novas relações, principalmente as relações parentais estabelecidas na infância.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-sentido-como-e-possivel-manter-relacionamentos-amorosos-duradouros-carregando-toda-essa-bagagem-ainda-mais-que-tais-relacionamentos-evocam-complexos-poderosos-que-aparecem-muitas-vezes-de-forma-obsessiva" style="font-size:19px">Nesse sentido, como é possível manter relacionamentos amorosos duradouros carregando toda essa bagagem? Ainda mais que tais relacionamentos evocam complexos poderosos, que aparecem muitas vezes de forma obsessiva?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Há que se ressaltar que na alma da cultura contemporânea, de todas as ideologias que a compõe, talvez a mais poderosa, mais atraente e possivelmente a mais ilusória é a fantasia do amor romântico, que prega que existe alguém lá fora que é certo para nós, uma alma gêmea, uma pessoa que nos compreenderá complemente, que cuidará de nós, que lerá nossas necessidades sem mesmo que precisemos verbalizar, que curará todas as nossas feridas (vejamos aí o grande o sucesso que os doramas tem no país).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esse-outro-magico-hollis-2011-nos-libertaria-da-carga-de-nos-desenvolver-de-crescer-de-atender-sozinhos-as-nossas-necessidades" style="font-size:19px">Esse “<strong>outro mágico</strong>” (Hollis, 2011) nos libertaria da carga de nos desenvolver, de crescer, de atender sozinhos as nossas necessidades.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Contudo, a conta entre fantasia e realidade não fecha. Tanto que no Brasil foi constatado o aumento do número de divórcios em 2022, chegando à marca de 420 mil. A pesquisa do IBGE ainda demonstra que quase metade dos casamentos que terminam em divórcio duram menos de 10 anos; que cerca de 47,7% dos casais se divorciam com menos de 10 anos de união; 25,9% permanecem juntos entre 10 e 19 anos até o divórcio, e 26,4% se separam com mais de 20 anos de casamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Observando os dados, principalmente que metade dos casamentos terminam com menos de 10 anos, podemos imaginar que as duas principais causas psicológicas que levam à separação nos relacionamentos são impor expectativas exageradas sobre o outro e transferir bagagem velha para o presente. Fato é que aquilo que não sabemos sobre nós quase sempre prova ser uma terrível carga sobre os outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Se o relacionamento não se dá no nível da alma, ou seja, com um sentido maior, ele não se sustenta. Relacionamentos pautados exclusivamente na projeção ou na transferência tendem a terminar sem atingir o seu maior intuito, que é ser um caminho de individuação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-forma-atrativa-da-projecao-e-enorme-quem-nao-seria-atraido-por-uma-parte-faltante-de-sua-vida-psicologica-quem-nao-gostaria-de-se-encontrar-sem-ter-que-passar-pela-dor-de-se-desenvolver" style="font-size:19px">A forma atrativa da projeção é enorme. Quem não seria atraído por uma parte faltante de sua vida psicológica? Quem não gostaria de se encontrar sem ter que passar pela dor de se desenvolver?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Fato é que quanto mais fraca a consciência de uma pessoa, mais provável é que ela se fixe na projeção, mesmo que a realidade tenha se afastado disso há muito tempo, e mais ela permanecerá cativa dos seus complexos, ou seja, do poder da história, da pauta de intenções, do anseio e da roda da repetição. Contudo, tal mecanismo relacional não possibilita contato com outro, apenas consigo mesmo, mas sem saber disto. Já a queda da projeção possibilita ganho de consciência, o que não é fácil, pois, afinal, &#8220;<strong>não se chega à claridade pela representação da luz, mas tornando consciente aquilo que é obscuro</strong>.” (Jung, 2011, p. §335)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Estar apaixonado é de certa forma fácil e agradável.</strong> É um estar entorpecido temporariamente, é um desejo de fusão com o outro, especialmente para aqueles que não costumam olhar para si e que não assumem a responsabilidade por atender as próprias necessidades. Como a projeção é mais de nós mesmos, nós “despersonalizam o outro a quem dizemos amar. Ele se torna um objeto, um artefato de nossa psique, e a partir daí não estamos mais num relacionamento ético com ele.” (Hollis, 2011)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Estar apaixonado expressa, em certa medida, um desejo de obliteração de si a partir da dissolução <em>no</em> e <em>com </em>o outro. Tal fato psíquico nos leva a um processo regressivo, infantilizado e dependente, o que nos afasta do processo de individuação, de se tornar cada vez mais consciente de si.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hollis-enumera-tres-implicacoes-para-a-questao-do-apaixonamento" style="font-size:19px">Hollis enumera três implicações para a questão do apaixonamento:</h2>



<ol class="wp-block-list">
<li style="font-size:19px;line-height:1.4">O que não conhecemos sobre nós tende a ser projetado na nossa vítima;</li>



<li style="font-size:19px;line-height:1.4">Tendemos a projetar no outro as nossas pautas infantis, acabando por não investir no próprio crescimento;</li>



<li style="font-size:19px;line-height:1.4">Como o outro não pode assumir a responsabilidade pelo nosso crescimento, as projeções inevitavelmente caem, e o que inicialmente parecia amor passa a ser uma luta pelo poder.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-assim-para-melhor-amar-e-relacionar-se-o-que-podemos-fazer-para-o-outro-e-por-nos-e-assumirmos-a-responsabilidade-pelo-nosso-desenvolvimento-e-a-partir-dai-e-que-podemos-investir-na-relacao-como-um-caminho-para-individuacao" style="font-size:19px">Assim, para melhor amar e relacionar-se, o que podemos fazer para o outro e por nós é assumirmos a responsabilidade pelo nosso desenvolvimento. E a partir daí é que podemos investir na relação como um caminho para individuação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Contudo, tal intento é dificílimo, pois é necessário que cada um dos indivíduos envolvidos analise corajosamente a sua própria psicodinâmica, que muitas vezes possui raízes no sistema familiar. Além disso, ter hombridade de responsabilizar-se por sua própria jornada, abandonando suas pautas infantis, assumindo-se, com tudo que o compõe, sem sobrecarregar o outro.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-projecao-e-a-transferencia-mecanismos-psiquicos-inconscientes-apesar-de-inicialmente-confortaveis-sao-nefastas-a-longo-prazo" style="font-size:19px">A <strong>projeção</strong> e a <strong>transferência</strong>, mecanismos psíquicos inconscientes, apesar de inicialmente confortáveis são nefastas a longo prazo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Quando frustradas, são vistas pelo ego como uma derrota. Mas nos trazem elementos preciosos de um aspecto nosso que quer voltar para nós. Este é o momento de aproveitarmos a oportunidade de crescer, ampliando um pouco mais a consciência de si.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Tal atitude constrói um relacionamento genuíno, vivo, íntimo, trazendo a verdade inescapável de que qualquer relacionamento “não pode alcançar um nível mais alto de desenvolvimento que o nível de maturidade que ambos os parceiros trazem para a relação” (Hollis, 2011).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Ao assumirmos a nossa diversidade nas relações, a diferença entre os pares, nos confrontamos com o mistério da união e com o mistério que é o outro, o que amplia o desenvolvimento psicodinâmico, aproximando-nos da totalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Afinal, num relacionamento entre indivíduos, não projetivo, caminhamos para a individuação, já que “<strong>o ser humano que não se liga a outro não tem totalidade, pois esta só é alcançada pela alma, e esta, por sua vez, não pode existir sem o seu outro lado que sempre se encontra no </strong>&#8216;<strong>tu</strong>&#8216;” (Jung, 2012).</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: Metanoia e relacionamento amoroso: caminhos para si mesmo" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/KApy4n0O8aU?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/marta-guedes/">Marta Guedes &#8211; Analista em Formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h1 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:20px">Referências:</h1>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">Guggenbühl-Craig, A. (1980). <em>O casamento está morto &#8211; Viva o casamento!</em> São Paulo, SP: Símbolo S.A. Indústrias Gráficas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">Hollis, J. (2011). <em>Encontranso significado na segunda metade da vida.</em> Osasco, SP: Novo Século Editora.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">Jung, C. G. (2011). <em>Estudos alquímicos.</em> Petrópolis, RJ: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">Jung, C. G. (2012). <em>Ab-reação, anpalise dos sonhos e transferência.</em> Petrópolis, RJ: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">Martins, A. (27 de março de 2024). Número de divórcios no Brasil bate recorde e chega a 420 mil, mostra IBGE. (R. Exame, Ed.) Brasil. Fonte: https://exame.com/brasil/numero-de-divorcios-no-brasil-bate-recorde-e-chega-a-420-mil/</p>



<p class="has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color wp-elements-3 wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em><strong>X Congresso Junguiano IJEP&nbsp;(9, 10, 11 Junho/2025)</strong>&nbsp;–&nbsp;<strong>Online e Gravado – 30h Certificação</strong></em></p>



<figure class="wp-block-image"><a href="https://www.institutojunguiano.com.br/x-congresso-ijep"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="532" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-2-1024x532.png" alt="" class="wp-image-10410" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-2-1024x532.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-2-300x156.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-2-768x399.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-2-150x78.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-2-450x234.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-2.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><em>30 palestras com os Professores e Analistas Junguianos do IJEP: Saiba mais e se inscreva:</em><strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.institutojunguiano.com.br/x-congresso-ijep">https://www.institutojunguiano.com.br/x-congresso-ijep</a></p>



<p class="has-vivid-green-cyan-color has-text-color has-link-color wp-elements-4 wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><em>Acompanhe nosso Canal no YouTube:&nbsp;https://www.youtube.com/@IJEPJung</em></strong></p>
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		<title>A Substância: quando o feminino rejeita a segunda metade da vida</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-substancia-quando-o-feminino-rejeita-a-segunda-metade-da-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marta Beatriz Conceição Guedes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Dec 2024 13:23:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[arteterapia]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[meia-idade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: O artigo analisa o filme A Substância (2024) sob a ótica da psicologia analítica, explorando a crise de meia-idade enfrentada pela protagonista Elisabeth Sparkles. Após ser demitida aos 50 anos, ela participa de um experimento para recuperar a juventude, mas a coexistência entre sua versão jovem e velha gera conflito e desintegração. O texto [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Resumo</strong>: O artigo analisa o filme <strong>A Substância</strong> (2024) sob a ótica da psicologia analítica, explorando a crise de meia-idade enfrentada pela protagonista Elisabeth Sparkles. Após ser demitida aos 50 anos, ela participa de um experimento para recuperar a juventude, mas a coexistência entre sua versão jovem e velha gera conflito e desintegração. O texto aborda os arquétipos da puella e da anciã, que não se integram, evidenciando sua rejeição ao processo de metanoia e à individuação. Elisabeth permanece presa à persona e à ilusão de perfeição, culminando em um estado de fragmentação psíquica. O filme reflete os desafios contemporâneos de envelhecimento e busca de identidade.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-recentemente-entrou-em-cartaz-o-filme-a-substancia-2024-estrelado-pela-atriz-demi-moore-e-dirigido-por-coraline-fargeat-o-qual-causou-grande-impacto-na-critica-e-no-publico-em-geral" style="font-size:16px">Recentemente entrou em cartaz o filme <em><strong>A Substância</strong></em> (2024), estrelado pela atriz Demi Moore e dirigido por Coraline Fargeat, o qual causou grande impacto na crítica e no público em geral.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O filme conta a história da apresentadora de TV Elisabeth Sparkles, que é demitida no seu aniversário de 50 anos, demissão justificada pelo seu envelhecimento. Inconformada com a rejeição sofrida, ela aceita passar por um experimento que prometia que ela retomasse a vida perdida e atingisse a sua “melhor versão”. Melhor versão esta que, na verdade, é um duplo de Elisabeth, mais jovem, mais bonita, mais perfeita. Contudo, mesmo havendo duas Elisabeth, uma jovem e uma velha, o experimento alertava que elas eram <em>uma</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-filme-tanto-a-antiga-como-a-nova-versao-de-elisabeth-coexistem-mas-distantes-entre-si-enquanto-uma-esta-performando-a-outra-esta-escondida" style="font-size:17px">No filme, tanto a antiga como a nova versão de Elisabeth coexistem, mas distantes entre si. <strong>Enquanto uma está performando a outra está escondida</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Pelas orientações do experimento, ambas deveriam ter um tempo de recuperação em que haveria uma retroalimentação entre as versões, mas no decorrer do tempo essa tentativa e integração fica insuportável. A nova Elisabeth não consegue conviver com os limites da velha Elisabeth, e as versões acabam por se afastar e adoecer. A coexistência que poderia ocorrer se o protocolo estipulado pelo experimento fosse respeitado não acontece e, ao final, a integração das versões gera um monstro. A jovem não aceita a experiência da velha, e a velha não aceita a vida na jovem.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-analisando-pela-perspectiva-junguiana-elisabeth-aos-50-anos-constela-o-arquetipo-da-puella-pelo-qual-recusa-se-a-sofrer-as-consequencias-do-envelhecimento-utilizando-para-tanto-a-s-ubstancia" style="font-size:17px">Analisando pela perspectiva junguiana, Elisabeth, aos 50 anos, constela o arquétipo da <em><strong>puella</strong></em>, pelo qual recusa-se a sofrer as consequências do envelhecimento, utilizando para tanto a S<em>ubstância</em>. </h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando demitida, ao invés de utilizar o fato como impulso para a transformação, regride, buscando uma forma de parar o tempo, demonstrando estar identificada com a persona valorizada pelo patriarcado. A personagem recusa-se à <strong>metanoia</strong>, seja por inconsciência, seja por atendimento do z<em>eitgeist </em>ou espírito da época contemporâneo &#8211; que possui como um de seus valores a supremacia da ciência e a técnica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como<strong> Jung</strong> bem anuncia, falando do espírito da época, ele é como uma religião, um credo, e não se enquadra em categorias da razão humana (2000, p. 296). Estar sempre jovem, ser bem-sucedido, sempre com alta performance são algumas das fantasias da atualidade, e que impregna a todos os indivíduos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo que o duplo jovem recusa-se a ir em direção ao pôr-do-sol, utilizando-se aqui a metáfora de Jung para a segunda metade da vida, a outra parte, o arquétipo da velha sábia, a chama para aceitar o destino de todo ser humano, a passagem do tempo, quando vê que a jovem não possui a sua sabedoria. A sua versão do presente e, portanto, mais antiga, a chama, a partir da consciência de que a jovialidade do corpo não traz a sabedoria da experiência. Contudo, por resistência, Elisabeth não as integra, não progredindo sua energia psíquica para a individuação. Se transformando ao final não num indivíduo íntegro, mas numa coisa amorfa, desintegrada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-personagem-no-filme-esta-totalmente-vinculada-persona-que-e-a-mascara-social-da-profissional-bem-sucedida-jovem-e-simbolo-sexual" style="font-size:17px">A personagem no filme está totalmente vinculada persona, que é a máscara social da profissional bem-sucedida, jovem e símbolo sexual.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na definição de Jung, podemos entender persona como “uma simples máscara da psique coletiva, máscara que <em>aparenta uma individualidade</em>. Procurando convencer os outros e a si mesma que é uma individualidade, quando, na realidade, não passa de um papel, no qual fala a psique coletiva” (2015, p. 47)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como evidência, no filme podemos ver várias fotos suas sozinha, tanto em sua casa como na empresa, todas em grandes dimensões, sem demonstrar em nenhuma delas relações de intimidade com ninguém, sendo apenas <em>ela</em>. Aparentemente, além de tomada pela persona, ela encontra-se em <em><strong>hybris</strong></em>. Isto é, vê-se em uma situação de superioridade, com o ego desconectado da totalidade psíquica, com uma inflação que não reconhece suas limitações e se desconecta da função do self como regulador psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-outra-caracteristica-apresentada-no-filme-por-elisabeth-e-que-ela-constela-o-arquetipo-da-puella-pois-nao-aceita-a-inexoravel-acao-do-tempo" style="font-size:17px">Outra característica apresentada no filme por Elisabeth é que ela constela o arquétipo da <em>puella</em>, pois não aceita a inexorável ação do tempo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de explicarmos no que consiste a <em>puella</em>, cabe esclarecer o que é <strong>arquétipo</strong>.  Segundo a teoria da psicologia analítica, o arquétipo é entendido sob o conceito de <strong>inconsciente coletivo</strong>. Para Jung, os arquétipos são padrões coletivos, significando um “<em>typos</em>” (impressão, marca-impressão), um grupamento definido de caráter arcaico que, em forma e significado, encerra <em>motivos mitológicos</em>, os quais surgem em forma pura nos contos de fadas, nos mitos, nas lendas e no folclore” (Jung, 2017, p. 35)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando se dá a constelação do arquétipo “<strong>indica que o indivíduo adotou uma atitude preparatória e de expectativa, com base na qual reagirá de forma inteiramente definida</strong>” (Jung, 2000, p. 41). Assim, Elisabeth ao agir identificada com a jovem, com o <strong>ideal de beleza </strong>eterna está atuando sob os efeitos do arquétipo da <em>puella</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-elisabeth-no-decorrer-do-filme-demonstra-que-tem-grande-dificuldade-em-aceitar-a-passagem-do-tempo-e-mudanca-provocada-por-ele" style="font-size:17px">Elisabeth, no decorrer do filme, demonstra que tem grande dificuldade em aceitar a passagem do tempo e mudança provocada por ele.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ela demonstra de várias formas uma incapacidade de amar e de sentir, não tendo relacionamento significativos com outras pessoas, apenas e exclusivamente com o trabalho e com sua própria imagem. Como característica da <em>puella</em> que expressa, ela possui um ego frágil, uma persona rígida. Funcionando como fachada, com o eu abandonado, e o entusiasmo embotado, o que podemos observar quando ela ao ser demitida ao invés de refletir sobre o fato, reage de forma intempestiva para reverter o ocorrido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O arquétipo da <em>puella aeterna</em> representa a menina eterna, aquela que se sente uma fraude, vergonhosa, pequena, vulnerável e medrosa, muitas vezes com grande sentimento de insuficiência. A marca registrada da <strong><em><u>puella aeterna</u></em> </strong>é aquela que vive provisoriamente, escondendo-se nas sombras da desconexão, auto aversão e rejeição da autoexpressão autêntica, enquanto recusa as partes inconscientes que precisam de integração (Schwartz, 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob determinado aspecto, dentre os mitos que tratam da juventude feminina no ocidente, podemos identificar para o caso, como <em>puella</em>, o mito de <strong>Artémis</strong>, a deusa virgem, que se refere ao auto centramento, ainda não pronto para se abrir. Como virgem, ela é autodirigida, autônoma e fechada, não estabelecendo relações com outras pessoas do mundo exterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na personagem, podemos observar o aspecto da <em>puella</em>, pelo qual ela está presa na fantasia que vive em uma bolha do sucesso e da juventude. Abdicando do espelho masculino, submissa ao patriarcado (que é representado pela emissora e pelo seu chefe), com sua individualidade interrompida, já que busca atender o ideal performático da coletividade. Tem uma capacidade subdesenvolvida de empatia e compaixão por si mesma e pelos outros. Sendo extremamente dura consigo mesma e implacavelmente crítica, o que podemos observar quando ela não aceita sair com um homem que demostra interesse por ela, por se considerar velha demais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tensionando-com-a-puella-constelada-temos-um-outro-aspecto-que-emerge-do-arquetipo-do-feminino-em-sua-versao-sombria-que-e-a-bruxa" style="font-size:17px">Tensionando com a <em>puella</em> constelada, temos um outro aspecto que emerge do arquétipo do feminino, em sua versão sombria, que é a bruxa.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo <strong>Magaldi</strong>, a imagem arquetípica da bruxa, a qual “tem um perfil de personalidade histriônica, impaciente, ressecada e rígida, com desejos de vingança e poder, devido seus sentimentos de exclusão e de infertilidade”, o que podemos observar em Elisabeth.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> A Elisabeth do presente, vendo que a sua versão mais jovem a estava ignorando, desconsiderando a sua importância e que ela a jovem só existe porque a velha-bruxa ali também está, começa a sabotar o processo da <em>Substância</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A versão velha e nova, ao invés de coexistirem para uma síntese, uma transformação para formação do <em>tertium non datum</em> (terceiro elemento que surge como síntese ou resolução de uma oposição entre as duas imagens arquetípicas opostas) elas se digladiam, querendo um sobressair sobre a outra, querendo existir unilateralmente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-a-vida-seria-dividida-em-duas-fases-que-ele-denominou-de-primeira-e-segunda-metade-cada-qual-com-suas-tarefas-e-desafios-psicologicos-especificos" style="font-size:17px">Para<strong> Jung</strong>, a vida seria dividida em duas fases, que ele denominou de primeira e segunda metade. Cada qual com suas tarefas e desafios psicológicos específicos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira metade da vida teria como característica o foco no mundo externo, pois o principal objetivo é a adaptação do indivíduo à sociedade. Nesta fase, se constrói uma identidade pessoal, se estabelece uma carreira, formam-se relações pessoais e cria-se a base material e social. N<strong>esse sentido, o ego e a persona são fortalecidos, favorecendo à adaptação</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já na segunda metade da vida, que ocorre ao atingir a meia-idade (geralmente em torno dos 35-40 anos), a adaptação não está focada no mundo externo, mas sim na adaptação ao mundo interno, como um chamado do Self. Nesta fase, a tarefa principal é a individuação, que Jung descreve como o processo de tornar-se quem você realmente é. Isso envolve integrar aspectos inconscientes da psique e alcançar um equilíbrio entre o ego e o Self. O foco principal volta-se para o mundo interior, e o indivíduo é empurrado, muitas vezes através da crise existencial ou de eventos externos, a voltar-se para dentro e reconectar-se com o Self, arquétipo da totalidade e centro psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esse-momento-e-chamado-de-metanoia-consistindo-em-uma-profunda-transformacao-psicologica-e-espiritual-que-ocorre-em-um-individuo" style="font-size:17px">Esse momento é chamado de <strong>metanoia</strong>, consistindo em uma profunda transformação psicológica e espiritual que ocorre em um indivíduo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O termo tem origem no grego antigo, significando literalmente &#8220;mudança de mente&#8221; (<em>meta</em> = além, mudança; <em>noia</em> = mente). Seria descrito como um processo de reorientação interior, em que a pessoa enfrenta aspectos reprimidos, desconhecidos ou não integrados de si mesma, dando início a uma nova percepção de vida e identidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No filme, a demissão leva a personagem a crise. Contudo ela resiste à transformação, a sair da vida adaptada ao mundo externo para encarar aquilo que desconhece sobre si, a sua sombra, que nas palavras de <strong>Von Franz</strong> consiste em “<em>qualidades reprimidas, não aceitas ou não admitidas porque incompatíveis com as que foram escolhidas</em>” (2003, p. 8).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao resistir à chegada da metade da vida, todas as consequências psicossomáticas e tarefas externas que a passagem do meio impõe, Elisabeth resiste à metanóia e a <em>puella</em> e a anciã-bruxa não são integradas de forma harmônica, mas formam uma coisa, que não é nem nova nem velha, nem um terceiro elemento, mas pedaços sobrepostos e não digeridos de si. Ao final, essa coisa acaba por morrer de forma trágica, sem sentido, por não ter tido consciência da jornada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sendo-assim-esta-breve-analise-de-a-substancia-evidencia-como-a-rejeicao-a-segunda-metade-da-vida-e-a-resistencia-a-metanoia-podem-levar-a-desintegracao-psiquica-e-ao-afastamento-do-processo-de-individuacao" style="font-size:17px">Sendo assim, esta breve análise de <em>A Substância</em> evidencia como a rejeição à segunda metade da vida e a resistência à metanoia podem levar à desintegração psíquica e ao afastamento do processo de individuação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A trajetória de Elisabeth Sparkles reflete as tensões entre os arquétipos da <em>puella</em> e da anciã, destacando os desafios do envelhecimento em uma sociedade que valoriza a juventude e a performance.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ao buscar manter a ilusão de perfeição, Elisabeth nega aspectos essenciais de sua psique. Resultando em uma fragmentação que impede sua transformação em um ser íntegro</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O filme, sob a perspectiva junguiana, funciona como um alerta sobre os perigos de se resistir às mudanças inevitáveis da vida, ressaltando a importância de integrar seus conteúdos sombrios para que o ego se submeta ao Self.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Marta Beatriz Conceição Guedes</strong> &#8211; <strong>Analista em formação</strong> <strong>IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/anapaulamaluf/"><strong>Ana Paula Z. Maluf</strong> &#8211; <strong>Analista Didata</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<h1 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:17px"><strong>Referências</strong>:</h1>



<p class="wp-block-paragraph">Franz, M.-L. V. (1985). <em>A sombra e o mal nos contos de fada</em> (18e ed.). São Paulo: Paulus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Franz, M.-L. v. (2003). <em>Mitos da Criação.</em> São Paulo: Paulus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hollis, J. (1995). <em>A passagem do meio: da miséria do significado na meia-idade.</em> São Paulo: Paulus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2000). <em>A natureza da psique.</em> Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2015). <em>O eu e o inconsciente</em> (27 ed., Vol. 7/2). Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2017). <em>Os fundamentos da psicologia analítica.</em> Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Magaldi Filho, W. (22 de dez de 2022). <em>Crise da meia idade feminina – rainha ou bruxa?</em> Fonte: www.ijep.com.br: https://blog.sudamar.com.br/crise-da-meia-idade-feminina-rainha-ou-bruxa/</p>



<p class="wp-block-paragraph">Schwartz, S. (2025). <em>A Jungian exploration of the puella archetype: girl unfolding</em> (1 ed.). New York: Routledge.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Saiba mais sobre nossos&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">Cursos, Pós-graduações e Formação de Analistas</a></p>



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