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	<title>Mônica Araujo Contreras, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Sun, 28 Jun 2026 17:42:53 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Mônica Araujo Contreras, Autor em Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>O que me irrita no outro, será que é mesmo do outro?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-que-me-irrita-no-outro-sera-que-e-mesmo-do-outro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mônica Araujo Contreras]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 23:04:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Projeção]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este ensaio aborda o tema projeção na Psicologia Analítica de C.G. Jung, explorando reações como a irritação intensa ou a inveja que diante do outro pode revelar conteúdos inconscientes não reconhecidos, propondo que aquilo que criticamos no outro pode indicar desejos, faltas ou possibilidades negadas em nós. Ninguém tem consciência da projeção, ela causa uma apercepção que tinge a clareza dos fatos.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-que-me-irrita-no-outro-sera-que-e-mesmo-do-outro/">O que me irrita no outro, será que é mesmo do outro?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo:</strong> Este ensaio aborda o tema projeção na Psicologia Analítica de C.G. Jung, explorando reações como a irritação intensa ou a inveja que diante do outro pode revelar conteúdos inconscientes não reconhecidos, propondo que aquilo que criticamos no outro pode indicar desejos, faltas ou possibilidades negadas em nós. Ninguém tem consciência da projeção, ela causa uma apercepção que tinge a clareza dos fatos.</p>



<h2 id="h-este-texto-busca-trazer-a-abordagem-de-que-muitas-vezes-a-irritabilidade-e-a-inveja-que-sentimos-pelo-outro-podem-ser-projecoes-de-conteudos-inconscientes-reprimidos-em-nos" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Este texto busca trazer a abordagem de que muitas vezes a irritabilidade e a inveja que sentimos pelo outro podem ser projeções de conteúdos inconscientes reprimidos em nós.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Poucas coisas nos atravessam com tanta força quanto a irritação que algumas pessoas despertam em nós. Há incômodos quase banais, como um jeito de falar, um riso “fora de hora”, algo que alguém repete insistentemente. E há aqueles que vêm com tanto afeto, que nos faz sentir até mesmo um efeito físico, desmedido e impossível de ignorar. Nesses momentos, temos a convicção simples e confortável de que <em>o problema é o outro, ou seja, </em>algo que vem daquela pessoa está nos incomodando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É comum em nossas relações cotidianas, essa fala reverberar: A atitude dele me irrita; o defeito dela me incomoda; eu jamais faria o que ele fez; não consigo entender como alguém escolhe se vestir daquela forma. Considero aquelas palavras inadmissíveis, e infinitos outros exemplos que caberiam aqui.</p>



<h2 id="h-mas-essa-certeza-tem-algo-de-fragil-esta-transferido-para-o-objeto-conteudos-inconscientes-do-proprio-sujeito" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Mas essa certeza tem algo de frágil está transferido para o objeto, conteúdos inconscientes do próprio sujeito.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung nos traz uma hipótese inquietante: e se aquilo que mais nos fere no outro for um fragmento de conteúdo interno do nosso inconsciente que a consciência não suporta reconhecer? Pois aquilo que não tem espaço de assentamento na consciência, acaba arremessado para fora, projetado na figura do outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Percebemos o mundo através da lente do Ego, o complexo do eu. Entre o sujeito e o objeto existe uma névoa feita de memórias, medos, desejos não admitidos e aspectos esquecidos de nós mesmos que estão depositados no inconsciente. C.G. Jung chamou de <strong>projeção</strong> esse movimento silencioso pelo qual lançamos no outro conteúdos que ainda não reconhecemos como nossos. Não se trata de um simples erro de julgamento; é um mecanismo inevitável quando não temos consciência destes conteúdos, pois permanecem reprimidos na sombra inconsciente. É um mecanismo de defesa para que o Ego ideal permaneça na sua ilusão de existência.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;line-height:1.4"><strong>Como se sabe, não é o sujeito que projeta, mas o inconsciente. Por isso não se cria a projeção: ela já existe de antemão. A consequência da projeção é um isolamento do sujeito em relação ao mundo exterior, pois ao invés de uma relação real o que existe é uma reação ilusória. (JUNG. 2013, p.17)</strong></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A irritação intensa, então, pode ser menos uma reação ao outro e mais o estremecimento diante de algo íntimo que foi recusado. Aquilo que condenamos com fervor pode tocar uma possibilidade de conteúdos que reprimimos em nós: a arrogância que negamos, a dependência que escondemos e a fragilidade que juramos não ter. O outro se torna tela, e a emoção a própria tinta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse território que habita a <strong>sombra</strong> esse conjunto de qualidades que o ego não integra à própria imagem. Ela não é apenas o que há de “negativo”; é tudo o que não coube na consciência, sendo assim ela ganha força e procura expressão. Muitas vezes, encontra passagem na irritação e na raiva.</p>



<h2 id="h-as-coisas-que-nao-aceitamos-em-nos-explica-nise-da-silveira-projetamos-no-outro" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">As coisas que não aceitamos em nós, explica Nise da Silveira, projetamos no outro:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px;line-height:1.4"><strong>A sombra é uma espessa massa de componentes diversos, aglomerando desde pequenas fraquezas, aspectos imaturos ou inferiores, complexos reprimidos, até forças verdadeiramente maléficas, negrumes assustadores. Mas também na sombra poderão ser discernidos traços positivos: qualidades valiosas que não se desenvolveram devido a condições externas desfavoráveis ou porque o indivíduo não dispôs de energia suficiente para levá-las a diante, quando isso exige ultrapassar convenções vulgares. (SILVEIRA. 2024, pag. 105)</strong></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Como diz a citação acima, essa irritação também pode se referir a conteúdos positivos que reconhecemos em outras pessoas, e não temos por algum motivo energia para executá-los.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao ampliar esse olhar, entramos em um território mais delicado: o da inveja. Diferente da irritação mais superficial, a inveja costuma operar de forma mais silenciosa e disfarçada, ela raramente se apresenta como tal. Costuma-se vestir de crítica, de desdém e julgamento moral. Aquilo que nos incomoda profundamente no outro pode não ser apenas um traço “insuportável” daquela pessoa, mas também algo que de maneira inconsciente, reconhecemos ou não como valioso e inacessível em nós mesmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inveja surge, muitas vezes, diante daquilo que o outro vive e encara com aparente naturalidade: liberdade, espontaneidade, beleza, sucesso e reconhecimento. O que nos irrita pode ser, paradoxalmente, aquilo que desejamos, mas não nos permitimos desejar, ou pior, algo que queremos e julgamos não poder alcançar. Nesse ponto a irritação deixa de ser apenas uma reação ao outro e passa a ser um sintoma de uma tensão interna.</p>



<h2 id="h-e-mais-facil-e-ate-natural-criticarmos-do-que-admitirmos-a-propria-falta" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">É mais fácil e até natural criticarmos do que admitirmos a própria falta.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando alguém nos provoca uma antipatia intensa sem motivo proposital, vale a pergunta incômoda: o que exatamente essa pessoa está expressando que me afeta de forma tão intensa? O que há nela que me desafia, que me expõe e que me desorganiza? Nem sempre a resposta será inveja ou a raiva, mas frequentemente haverá ali um componente de comparação, explícito ou não.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso não significa que tudo o que reconhecemos no outro seja sempre projeção. &nbsp;Por exemplo, utilizamos do julgamento para qualificarmos as relações, e isso é uma função da consciência. Nisso o julgamento se diferencia da projeção, onde nos sentimos extremamente afetados. Na tentativa de banir um conteúdo incomodo, esse mesmo é lançado sobre o objeto, mas o sujeito acaba, se conectando internamente a imagem deste objeto.</p>



<h2 id="h-sendo-assim-a-projecao-nos-direciona-para-o-caminho-de-encontro-desses-conteudos-carregados-de-afeto-que-jung-chama-de-complexos" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Sendo assim a projeção nos direciona para o caminho de encontro desses conteúdos carregados de afeto que Jung chama de complexos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A inveja quando reconhecida, deixa de ser apenas um afeto desconfortável e pode se tornar um sinalizador de desejos não assumidos, potenciais não desenvolvidos e partes de nós que foram reprimidas e negligenciadas. Um possível caminho para não moralizar esse sentimento, seria questioná-lo: o que esse sentimento diz sobre mim? O que isso revela sobre aquilo que valorizo mesmo que eu não admita?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez o outro não seja um problema, talvez seja também um espelho, ainda que distorcido, incômodo e difícil de encarar. E nesse espelho não vemos apenas o que rejeitamos, vemos também aquilo que em algum nível, gostaríamos de ser, de assumir e de nos apropriar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Concluo com uma reflexão de ficarmos atentos naquilo que nos irrita com frequência e nos incomoda no outro, pois pode ser o chamado mais urgente da nossa própria alma. Quem é o outro no meu mundo interno?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/monica-contreras/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/monica-contreras/">Mônica Contreras – Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf – Membro Didata do IJEP</a></strong></p>



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<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Aion – Estudo sobre o simbolismo do si-mesmo</em>. 10 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVEIRA, Nise da. Jung: Vida e obra. 4 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2024.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.ijep.com.br"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="488" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1-3-1024x488.png" alt="" class="wp-image-13268" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1-3-1024x488.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1-3-300x143.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1-3-768x366.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1-3-150x72.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1-3-450x215.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/curso-de-introducao-JUNG-1-1-3.png 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



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			</item>
		<item>
		<title>Cronos e Kairós &#8211; Tempo sem vida é ausência de alma</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/cronos-e-kairos-tempo-sem-vida-e-ausencia-de-alma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mônica Araujo Contreras]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Oct 2025 15:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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		<category><![CDATA[tempo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Tempo, tempo, tempo, tempo. És um dos deuses mais lindos”&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A partir do pequeno trecho acima da música “Oração ao tempo” escrita por Caetano Veloso, começo este artigo fazendo um convite para que reflitam, sobre o que estamos fazendo com o nosso tempo. Estamos vivendo momentos que nos fazem felizes e nos aproximam de quem [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:22px"><strong><em>“Tempo, tempo, tempo, tempo. És um dos deuses mais lindos”&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A partir do pequeno trecho acima da música “<strong>Oração ao tempo</strong>” escrita por Caetano Veloso, começo este artigo fazendo um convite para que reflitam, sobre o que estamos fazendo com o nosso tempo. Estamos vivendo momentos que nos fazem felizes e nos aproximam de quem somos, ou apenas vivendo mecanicamente uma rotina de produtividade e de cumprir agendas e compromissos?</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><strong>Uma meta poderia ser tempo para a alma. Ter tempo, respirar lentamente, desfrutar de nossas experiências – ou, quando forem experiências difíceis, absorvê-las calmamente, depois soltá-las.</strong></p><cite> <strong>(Kast. 2016, p. 112)</strong></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Vimemos em uma época que ouvimos muitas falas em relação a falta de tempo. As pessoas se queixam de não fazer determinadas coisas como por exemplo: simples momentos de lazer ou uma visita a família, alegando não ter tempo para isso. E esse tempo quando utilizado para trabalhar, estudar e produzir, de forma mecânica verificamos uma rotina que a sociedade nos apresenta como o padrão coletivo a ser seguido, perdendo o contato com a alma, como busca de anestesiamento causando adoecimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-individuo-para-se-relacionar-com-o-mundo-exterior-se-utiliza-da-persona-uma-mascara-para-ocultar-sua-verdadeira-natureza-a-qual-jung-cita" style="font-size:19px">O indivíduo para se relacionar com o mundo exterior se utiliza da persona, uma máscara para ocultar sua verdadeira natureza, a qual Jung cita:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p><strong>Como o seu nome revela, ela é uma simples máscara da psique coletiva, máscara que aparenta uma individualidade, procurando convencer aos outros e a si mesma que é individual, quando na realidade não passa de um papel ou desempenho através do qual fala a psique coletiva. </strong></p><cite><strong>(JUNG. 2006, p.134)</strong></cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-se-pode-perder-tempo-mas-o-que-e-perder-ou-ganhar" style="font-size:19px"><strong>Não se pode perder tempo! Mas o que é perder ou ganhar?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Muitas vezes passamos a cumprir um papel para nós e para a sociedade, fazendo uso da persona e reprimindo cada vez mais conteúdo para a sombra que reúne todas as qualidades desagradáveis, culpas, complexos, emoções negativas bem como potenciais. Temos que produzir cada vez mais, trabalhar, nos atualizar em nossas áreas de atuação e em assuntos diversos, nos relacionar com a família e amigos, cuidar da saúde e se exercitar, conhecer lugares e experimentar coisas diferentes, e muito mais por se fazer. Mas será que em meio a toda essa cobrança em atender inúmeras expectativas, estamos utilizando tempo para movermo-nos a totalidade, rumo ao caminho da individuação?</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p><strong>Evidentemente, não podemos voltar no tempo, e mesmo que sonhemos com uma vida na natureza, sem relógio – na verdade, não é um sonho que levamos a sério: Idealizar o passado não ajuda em nada. Portanto, trata-se de garantir aquilo que, desde sempre, tem sido um problema: fazer de tudo para que, além da divisão e sobreposição do tempo, respeitemos também o tempo rítmico, a nossa necessidade de ritmos na nossa vida. E isso significa em primeiro lugar tomar tempo para determinados aspectos da nossa vida, para que possamos experimentar algo que satisfaça nosso coração, para que voltemos a nos sentir em casa na nossa vida. </strong></p><cite><strong>(Kast. 2016, p. 11)</strong></cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-preciso-o-equilibrio-do-tempo-para-nos-aproximar-dos-simbolos-arquetipicos-dos-deuses-do-tempo-cronos-e-kairos-que-habitam-em-cada-um-de-nos" style="font-size:19px">É preciso o equilíbrio do tempo, para nos aproximar dos símbolos arquetípicos dos deuses do tempo: Cronos e Kairós que habitam em cada um de nós.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Quando nos anestesiamos no movimento coletivo devorador, estamos vivendo em Cronos com a exaustão em busca de um objetivo que quando alcançado já é preciso ter outro, e mais outro em vista e recomeçar, sem pausas para recarregar e alimentar a alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A profundidade e a qualidade do tempo permanecem sobre o domínio de Kairós, onde sem essa relação não é possível desfrutar de coisas que fazem realmente sentido. O fluir do tempo e das coisas a seu tempo, ou seja, o momento da oportunidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-cronos-e-tempo-cronologico-e-fisico-quantitativo-e-sequencial" style="font-size:19px"><strong>Cronos</strong> é tempo cronológico e físico, quantitativo e sequencial.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">De acordo com a citação de <strong>Brandão (1987, p. 198) Crono foi identificado muitas vezes com o <em>Tempo </em>personificado. Crono devora, ao mesmo tempo que gera. </strong>Kairós o tempo da alma a qualidade do tempo vivido. É o tempo oportuno que faz um acontecimento ser memorável e especial em sua significância da ocasião, um tempo divino o momento único. Cronos representa o caos, sua perspectiva de tempo é devoradora. Usamos nosso tempo para produzir, performar e crescer<del>,</del> fatiado em partes. Quando não há envolvimento apenas fixação no crescimento até o limite de nossas forças, estamos negando a transformação. <strong>E é aí que o tempo insano devora seus próprios filhos, podendo levar a exaustão e ao adoecimento</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Por outro lado,<strong> Kairós</strong> é bálsamo, é tempo certo é espera que se aprimora para que no momento certo, venha a colheita do fruto que sacia nossa fome. Os deuses do tempo deveriam caminhar juntos, mas muitas vezes caminham em oposição em nós. Enquanto acordamos e dormimos seguindo o tempo lógico, quantitativo que nos faz organizar nossa rotina diária estamos vivendo ritmados por Cronos. Já viver o tempo da vida em Kairós, não é tempo morto é o tempo da alma vivenciado com significado e propósito. Enquanto Cronos pode simbolizar o caos que ao mesmo tempo nos ordena, nos estrutura e nos organiza, Kairós aponta para a necessidade do ajuste entre consciente e inconsciente, que é preciso ter quietude, pausa e desacelerar esse ritmo para respirar e se voltar para dentro de nós, usando esse tempo com qualidade e propósito, alimentando nossa conexão com a alma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vivemos-o-espirito-da-epoca-de-um-tempo-que-se-mede-em-acoes-que-organiza-a-vida-pratica-que-nos-pede-eficiencia-e-produtividade" style="font-size:19px">Vivemos o “<strong>espírito da época</strong>” de um tempo que se mede em ações, que organiza a vida prática, que nos pede eficiência e produtividade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Sob essa visão, Cronos é o arquétipo do que chamamos de tempo histórico, do mundo exterior que nos empurra para cumprir tarefas, papéis e rituais sociais. Kairós é o tempo oportuno, o instante essencial. Quando estamos dispersos, serenos, calmos, fluídos seu tempo se faz presente e certeiro. Não é espera passiva, mas uma espera ativa onde permanecemos em contato com o inconsciente para acolher as imagens do que é único e inevitável no momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Cronos pode parecer impiedoso: devora a nossa energia, transforma dias em correria, desorganiza o sono, injeta desorientação e exaustão. Quando nos prendemos excessivamente a Cronos, o tempo cronológico pode nos distanciar dos nossos propósitos de vida, nos adoecendo pela sobrecarga de internalizar uma voz de “produza mais” que ressoa no corpo e na psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">É a conexão com os símbolos que podem estabelecer a relação com conteúdo do inconsciente as imagens que emergem a consciência levando a função transcendente. Quando o equilíbrio integra Cronos e Kairós, a experiência do tempo ganha densidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-ao-falar-entre-a-relacao-de-oposicao-diz-o-seguinte" style="font-size:19px">Segundo Jung, ao falar entre a relação de oposição diz o seguinte:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p><strong>Consiste em suprir a separação vigente entre consciência e o inconsciente. Não se pode fazer isto, condenando unilateralmente os conteúdos do inconsciente, mas, pelo contrário, reconhecendo a importância para a compensação da unilateralidade da consciência e levando em conta está importância. A tendência do inconsciente e da consciência são os dois fatores que formam a função transcendente. <em>É chamado transcendente, porque torna possível organicamente a passagem de uma atitude para a outra, sem perda do inconsciente.</em> </strong></p><cite><strong>(JUNG. 2017, p. 18)</strong></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Sábio é aquele que consegue fazer a integração de viver Cronos sem afastar Kairós. Quando estamos vivendo Kairós queremos que Cronos permaneça imóvel, porque queremos que o tempo pare para eternizar o momento. Cada momento é oportuno, dependendo das lentes pela qual encaramos as circunstâncias encontramos Kairós, mesmo bem meio aos ponteiros do relógio, surgindo aos poucos e com leveza sem negar as demandas da vida prática.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Os deuses do tempo são dimensões complementares da experiência temporal humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>Cronos caminha com a rotina diária, ordenando a existência</strong>; <strong>Kairós abre o espaço para a transformação, quando o tempo se faz nutritivo e decisivo</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Ao honrar ambos, o sujeito pode navegar entre a exaustão do tempo que devora seus filhos e a oportunidade sagrada de um momento que não se repete. Encontrando equilíbrio entre agir no mundo e ouvir o que o inconsciente revela sobre o chamado da nossa alma. Sem se perder de si mesmo durante a jornada.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: Cronos e Kairós – Tempo sem vida é ausência de alma" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/A3I1I6WTELY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/monica-contreras/">Mônica Contreras – Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf– Membro Didata do IJEP</a></strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Obras Completas de C. G. Jung.</em> Petrópolis, RJ: Vozes. Os seguintes volumes são mencionados no texto:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vol. VII/ 2 – <em>O eu e o inconsciente</em>, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vol. VIII/ 2 – <em>A Natureza da Psique</em>, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph">KAST, Verena. <em>A Alma precisa de tempo</em>. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/cronos-e-kairos-tempo-sem-vida-e-ausencia-de-alma/">Cronos e Kairós &#8211; Tempo sem vida é ausência de alma</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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		<title>Solidão e Solitude: Navegando em Alto Mar</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/solidao-e-solitude-navegando-em-alto-mar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mônica Araujo Contreras]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Jun 2025 15:56:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[grande mãe]]></category>
		<category><![CDATA[self]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=10648</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ao longo deste artigo, ampliaremos as nuances da solidão e da solitude, as diferenças entre essas experiências e como elas podem nos guiar na jornada do autoconhecimento e da individuação. A imagem do artigo foi feita a partir da técnica de colagem. A primeira figura que “me escolheu”, foi da pessoa adentrando o mar, como [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-longo-deste-artigo-ampliaremos-as-nuances-da-solidao-e-da-solitude-as-diferencas-entre-essas-experiencias-e-como-elas-podem-nos-guiar-na-jornada-do-autoconhecimento-e-da-individuacao" style="font-size:19px"><strong>Ao longo deste artigo, ampliaremos as nuances da solidão e da solitude, as diferenças entre essas experiências e como elas podem nos guiar na jornada do autoconhecimento e da individuação.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A imagem do artigo foi feita a partir da técnica de colagem. A primeira figura que “me escolheu”, foi da pessoa adentrando o mar, como se emergisse do inconsciente coletivo. Imagem arquetípica da <strong>Grande Mãe</strong>, repesentada por <strong>Iemanjá</strong>, que é útero que envolve: água. Mar que encanta em mistérios e em curiosidade de descobertas, que também traz medo do desconhecido, encontros sombrios em cada mergulho, que a cada emersão transborda em ressignificação. Depois de um mergulho na solidão e solitude, ao tirar cabeça fora da água e retomar profundamente a respiração, será que sou o mesmo eu antes do salto?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-disse-marianne-moore-em-um-de-seus-poemas" style="font-size:19px">Como disse Marianne Moore em um de seus poemas:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><strong>“<em>A melhor cura para a solidão é a solitude”.</em></strong></p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esta frase nos convida a refletir sobre a complexidade da experiência humana de estar sozinho. Para muitos, a solidão é percebida como um estado de sofrimento e extremo vazio. No entanto, se nos permitirmos momentos de desconexão e estarmos só conosco, podemos descobrir que a solidão pode ser uma oportunidade de crescimento e autodescoberta.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A solidão é uma condição humana básica que frequentemente está ligada a sentimentos de angústia, perda e isolamento. É um estado geralmente associado a experiências traumáticas como: separações, mudanças abruptas, luto etc.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-entanto-ao-olharmos-para-a-solidao-sob-uma-nova-perspectiva-percebemos-que-ela-pode-ser-um-caminho-para-a-plenitude" style="font-size:19px">No entanto, ao olharmos para a solidão sob uma nova perspectiva, percebemos que ela pode ser um caminho para a plenitude. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A solidão nos oferece a chance de nos encontrarmos com nós mesmos de maneira mais profunda, permitindo que sejamos confrontados com nossas emoções, inseguranças e medos representando nossa sombra.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><em>“A sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguém é capaz de tomar consciência da realidade sem dispender energias morais. Mas nessa tomada de consciência da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade.”&nbsp; (JUNG, 2022, p.14</em></strong><em>)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">&nbsp;Este ato é base indispensável para qualquer tipo de autoconhecimento e, por isso, em geral ele se defronta com considerável resistência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A solidão não deve ser vista apenas como um estado negativo; ao contrário, ela pode ser um catalisador para o autoconhecimento. Sustentar a angústia da solidão pode nos aproximar de conteúdos do inconsciente que podem emergir à consciência. A solidão pode ser um chamado para o caminho da individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ao enfrentarmos a solidão, conseguimos acessar as partes mais profundas de nosso ser, permitindo que esses conteúdos se manifestem. &nbsp;Através desse processo, a solidão torna-se um ferramental de transformação psíquica.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><strong><em>“Não podemos começar a curar ou desenvolver a nossa alma sem uma vívida apreciação do relacionamento com o Si-mesmo. Alcançar isso requer solitude, o estado psíquico no qual nos encontramos totalmente presentes a nós mesmo.” (Hollis, 2023, p.139)</em></strong></p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Enquanto a solidão pode ser uma experiência involuntária, a solitude é a escolha consciente de estar sozinho. Este estado nos convida a entrar em um espaço de reflexão, no qual podemos confrontar nossas emoções em relação à vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ao olharmos para a solitude como uma aliada no processo de individuação, percebemos que ela pode ser um grande passo em um caminho de autodescoberta. Para isso, precisamos ter coragem de encarar nossa sombra, partes de nós mesmos frequentemente rejeitadas. Neste contexto, a solidão é um convite para entrar em contato com essas partes ocultas confrontando nosso verdadeiro eu. Ao cair da noite mergulhamos na sombra e somos visitados por fantasmas, querendo emergir em nossa consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em “<strong>Memórias, Sonhos, Reflexões</strong>”, Jung destaca que: “<strong>a introspecção e o silêncio são essenciais para ouvir a voz do nosso inconsciente</strong>” (Jung, 1963, p. 113).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-solitude-proporciona-um-momento-de-integracao-e-compreensao-onde-e-possivel-explorar-nossa-realidade-interna" style="font-size:19px">A solitude proporciona um momento de integração e compreensão, onde é possível explorar nossa realidade interna.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Durante a solitude, podemos entrar em contato com contéudos que nos nutrem e nos reconectam com nossos interesses e paixões. Esses momentos de estarmos sozinhos podem se tornar uma experiência profundamente transformadora ao nos permitirmos olhar para dentro e buscar significado na nossa existência. Podemos explorar nossa vida emocional, meditar e até mesmo criar, utilizando esse tempo para nos envolvermos em atividades que nos tragam alegria e realização. A alma é o único caminho que nos coloca para caminhar de encontro a totalidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-necessario-introverter-e-silenciar-a-extroversao-do-mundo-se-tivermos-medo-do-silencio-de-ficarmos-sozinhos-nao-conseguiremos-estrar-presentes-a-nos-mesmos" style="font-size:19px">É necessário introverter e silenciar a extroversão do mundo. Se tivermos medo do silêncio, de ficarmos sozinhos, não conseguiremos estrar presentes a nós <strong><em>mesmos.</em></strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><strong><em>“Quando o silêncio fala, conquistamos a nossa própria companhia, saímos da solidão e avançamos em direção a solitude, um pré-requisito necessário a individuação” (Hollis, 2023, p.142).</em></strong></p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nietzsche-escreveu-ha-cem-anos-quando-estamos-sozinhos-e-quietos-temos-medo-de-que-algo-va-ser-sussurrado-ao-nosso-ouvido-e-portanto-odiamos-o-silencio-e-nos-entorpecemos-com-a-vida-social" style="font-size:19px">Nietzsche escreveu há cem anos: “<em>Quando estamos sozinhos e quietos temos medo de que algo vá ser sussurrado ao nosso ouvido, e, portanto, odiamos o silêncio e nos entorpecemos com a vida social”.</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esse receio em relação à solidão é uma barreira que impede muitos de experienciar a verdadeira profundidade da solitude. O medo do que pode surgir durante esses momentos de reflexão pode desestimular o indivíduo a buscar esse estado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Para evitar o confronto com suas próprias verdades e os aspectos reprimidos de si mesmo, muitos se afundam em distrações e compromissos excessivos. Os trabalhos intensos, relacionamentos superficiais ou vícios como o consumo de álcool e comida em excesso, servem para entorpecer a dor da solidão. No entanto, essa abordagem apenas anestesia momentaneamente o desprazer as dores da alma, sem proporcionar a verdadeira tranformação que a solitude pode oferecer.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-conseguiremos-ouvir-nossa-voz-interior-se-nao-nos-arriscarmos-a-enfrentar-a-solitude" style="font-size:19px">Não conseguiremos ouvir nossa voz interior, se não nos arriscarmos a enfrentar a solitude. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Algumas pessoas se propõem a fazer um ritual que obriguem a silenciar os pensamentos, para ouvir o silêncio e permitir que este fale. O medo nos mantém afastados desse encontro essencial. Quando não nos sentimos solitários por estarmos sozinhos, alcançamos a solitude. Abraçamos nossa alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>É nas horas de solidão que as questões que mais nos afligem podem ser abordadas. Permitir-se sentir a solidão é um ato corajoso que pode levar à “cura” e transformação</strong>. Essa jornada pode ser desafiadora, mas é necessária para que possamos nos tornar indivíduos mais completos. Através da exploração da nossa sombra, podemos encontrar não apenas a dor, mas também a liberdade e o entendimento de quem realmente somos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em suma, solidão e solitude nos oferecem lentes diferentes através das quais podemos examinar nossa experiência humana. Enquanto a solidão pode ser dolorosa e repleta de angústia, a solitude nos proporciona uma chance de crescimento e autoconhecimento. Ao aceitarmos a solidão como parte da nossa jornada, podemos nos arriscar a navegar em alto mar, enfrentando tempestades internas e emergindo mais inteiros e completos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>O verdadeiro crescimento surge das profundezas da solidão que podemos, com coragem, transformar em solitude</strong>. Portanto, ao invés de temer a solidão, devemos abraçar a solitude, reconhecendo-a como um caminho para a plenitude e a individuação, pois somente assim poderemos encontrar a verdadeira capacidade de sermos quem realmente somos.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Solidão e Solitude: Navegando em Alto Mar" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/YUW3Z4RZSus?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/monica-contreras/">Mônica Contreras – Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf– Membro Didata do IJEP</a></strong></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, James. <em>A passagem do meio</em>.1 ed. São Paulo: Paulus, 2023&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Aion – Estudo sobre o simbolismo do si-mesmo</em>. 10 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_____ <em>Memórias, Sonhos, Reflexões</em>. Rio de Janeiro: Editora Vozes.</p>
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		<title>A Importância dos Aspectos Femininos na Liderança Contemporânea no Mundo Corporativo</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-importancia-dos-aspectos-femininos-na-lideranca-contemporanea-no-mundo-corporativo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mônica Araujo Contreras]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Dec 2024 18:59:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[aspectos do feminino]]></category>
		<category><![CDATA[aspectos do masculino]]></category>
		<category><![CDATA[feminino]]></category>
		<category><![CDATA[jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo explora os impactos da Liderança Feminina no mundo corporativo, através do arquétipo da Grande Mãe. A partir da simbologia e instinto materno, é possível que a mulher passe a desempenhar uma gestão mais acolhedora, flexível, nutridora, com um olhar mais humano e sensível, nas relações de trabalho, as quais são tão afetadas pelo [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Este artigo explora os impactos da Liderança Feminina no mundo corporativo, através do arquétipo da Grande Mãe. A partir da simbologia e instinto materno, é possível que a mulher passe a desempenhar uma gestão mais acolhedora, flexível, nutridora, com um olhar mais humano e sensível, nas relações de trabalho, as quais são tão afetadas pelo sofrimento psíquico.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>A imagem que criei para ilustrar o artigo, traz o símbolo de Iemanjá, com a sabedoria e serenidade da Grande Mãe, dando suporte emocional e espiritual, para a mulher que lidera.</em></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ha-anos-no-mercado-de-trabalho-observo-os-impactos-das-liderancas-na-produtividade-dos-funcionarios-e-em-sua-saude-fisica-e-mental" style="font-size:17px">Há anos no mercado de trabalho, observo os impactos das lideranças na produtividade dos funcionários e em sua saúde física e mental. </h2>



<p class="wp-block-paragraph">Observo por muitas vezes, líderes impondo metas abusivas. O que vem aumentando os afastamentos por Burnout e outras doenças ocasionadas pelo excesso de trabalho, bem como outras consequências. Se antes o esgotamento e o estresse preocupavam a gestão de pessoas pela falta de engajamento, menor produtividade ou a perda de profissionais por afastamentos, agora o Burnout&nbsp;ganha mais&nbsp;um&nbsp;fator de risco, jurídico e financeiro (Exam, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Transtornos mentais relacionados ao trabalho (<strong>TMRT</strong>), como estresse e ansiedade, são a terceira maior causa de afastamento, e dados apontam tendência de crescimento. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Tais apontamentos fazem refletir sobre uma liderança mais preparada psicologicamente, consciente e humanizada. Que se relaciona de forma acolhedora e preocupada com o indivíduo, visando, além do lucro para as empresas, gerir de forma holística e com atenção as questões sentimentais e emocionais, sem custar a saúde dos funcionários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo <strong>Rafael</strong> <strong>Souza</strong>, em seu livro &#8220;<em>Trabalho, sofrimento e Autorrealização</em>&#8220;:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:16px"><blockquote><p>“É visível a necessidade de executar uma persona profissional, executar a expectativa do mercado e, ao mesmo tempo, renunciar à sua liberdade de criar e executar, fazendo com que o ser humano vire apenas um maquinário programado para produzir e lucrar cada vez mais? Isso causa o chamado sofrimento psíquico no trabalho<a>.</a>”</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os líderes estão sendo cobrados a criar estratégias de gestão de pessoas, para que o trabalho flua e as pessoas se mantenham saudáveis. Mais um desafio, para o ser humano. A partir daí, com a grande ocupação de mulheres em cargos de liderança, notamos que há uma diferença na liderança feminina: lidar com questões ligadas a relacionamentos de forma mais humana e acolhedora.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao trazer os princípios da teoria Junguiana, faço uma ampliação da influência arquetípica nas relações de trabalho da contemporaneidade, em sua simbologia masculina e feminina.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-cita-no-livro-a-natureza-da-psique" style="font-size:17px"><em> </em>Jung cita, no livro <em>&#8220;A natureza da psique&#8221;:</em></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:17px"><blockquote><p><strong>O Inconsciente coletivo é a formidável herança espiritual do desenvolvimento da humanidade que nasce de novo na estrutura cerebral de todo ser humano. Não temos como saber muitas vezes, porque tal símbolo ou imagem, se faz tão presente em mim, mas ali está ela, atravessando a nação por gerações.</strong></p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os padrões universais de comportamento, associados aos homens e mulheres podem variar de acordo com o contexto histórico, cultural e social, mas sempre veremos alguns aspectos comuns, de origem arquetípica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No universo masculino, ainda encontramos atualmente a presença do sistema patriarcal, com as características de poder e controle sobre o feminino. Esse padrão de comportamento masculino, é aplicado há tempos, também dentro das empresas, e faz a liderança masculina, no geral, mais prática, rígida, arbitrária e inflexível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cultura patriarcal ainda é uma realidade muito presente, principalmente no mundo corporativo. As mulheres, para atuarem na liderança de forma a serem respeitadas, tem que assumir, muitas vezes, uma postura masculinizada. Acredito que o grande desafio é quebrar essa rigidez, para que, no papel de liderar os funcionários, a mulher possa trazer para a pele aspectos de feminino que fazem parte da simbologia do materno para as relações de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No jornal <strong><em>Ladies Home Journal</em></strong>, edição de março de 1992, foi identificado no artigo dois medos fundamentais dos homens: não estar à altura do que se esperam deles e o medo da provação física e psicológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No livro “<em>Sob a Sombra de Saturno</em>”, <strong>Hollis</strong> fala sobre as questões arquetípicas que envolvem o comportamento masculino. No nível competitivo, os homens participam de trocas competitivas e humilhantes, seja em embates acadêmicos ou empresariais ou em alto-mar ou em campos de batalha. Aponta que a vida dos homens é basicamente governada pelo <strong>medo</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O autor discute que essa essência arquetípica masculina de rigidez, inflexibilidade e falta de afeto, são aspectos a que os homens estão presos a gerações, repetindo este padrão como forma certa, conhecida e ensinada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-que-momento-e-permitido-ao-masculino-sentir-se-vulneravel-sem-sequer-poder-dar-vasao-ou-admitir-ter-medo" style="font-size:18px">Em que momento é permitido ao masculino sentir-se vulnerável, sem sequer poder dar vasão ou admitir ter medo?</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>“Como os homens não conseguem invalidar a frágil força que conseguiram reunir, mal conseguem admitir para si ou para os outros o quão influenciados são pelo medo. Mas a cura de um homem exige que ele deixe de se sentir envergonhado pelo seu medo. Sempre admirei a liberdade que as mulheres têm de reconhecer seus temores, de compartilhá-los, colhendo desse modo apoios das outras pessoas. O fato de o homem reconhecer o lugar do medo na vida significa correr o risco de sentir-se pouco masculino, seu isolamento aprofunda-se&#8221;</em></strong>, continua Hollis, no livro “Sob a Sombra de Saturno).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por esse padrão, os homens são menos envolvidos emocionalmente também com as equipes de trabalho, sentem dificuldade em interiorizar as experiências. Já as mulheres têm maior facilidade em fazer essa ligação com seus funcionários, pois as relações femininas permitem que esse vínculo seja criado, de acordo com a cultura contemporânea.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-autor-continua-demonstrando-que-quanto-maior-a-compressao-do-homem-em-se-relacionar-internamente-com-o-feminino-mais-capaz-sera-de-viver-os-relacionamentos-com-as-mulheres" style="font-size:17px">O autor continua demonstrando que, quanto maior a compressão do homem em se relacionar internamente com o feminino, mais capaz será de viver os relacionamentos com as mulheres. </h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Hollis</strong> &nbsp;aprofunda: <em>do contrário, sempre que vemos homens tentando controlar mulheres, estamos na presença do “vil trabalho do medo que criou o patriarcado”</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante destes apontamentos, podemos dizer que o homem age da forma pelo qual foi há longas gerações criados para fazer: demonstrar força, poder, sem medo, sem envolvimento afetivo e sem sentir. <strong>Não há espaço para a vulnerabilidade no mundo masculino</strong>. O que é o oposto no universo feminino: no qual é permitido falar sobre sentimentos e ter apoio nisso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dessa ampliação, pensamos que, nas relações de trabalho, a liderança feminina se diferencia com uma gestão que da abertura para habilidades interpessoais, como empatia, comunicação e trabalho em equipe. As mulheres podem ser mais propensas a considerar uma variedade de perspectivas e opiniões ao tomar decisões, buscando o consenso, inclusão e soluções para lidar com conflitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O lado materno muitas vezes é colocado nas relações de trabalho pelas mulheres, e isso faz com que o acolhimento e direção seja diferenciado: com amor no que se faz, com sentido humano em executar um trabalho. &#8220;<strong><em>A mágica e a autoridade do feminino: a sabedoria; a elevação espiritual além da razão; o bondoso, o que cuida, o que sustenta, o que proporciona condições de crescimento</em></strong>.&#8221; Jung (2014).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-individuo-deixa-de-atuar-de-forma-automatica-sobre-o-efeito-dos-complexos-e-passa-a-mergulhar-no-seu-lado-mais-humano" style="font-size:17px">O indivíduo deixa de atuar de forma automática sobre o efeito dos complexos e passa a mergulhar no seu lado mais humano.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esse lado materno abre espaço para a nutrição, atenção, acolhimento, atingindo as emoções dos funcionários (pessoas) que estão executando o trabalho sob pressão. Essa Grande Mãe, que atravessa a liderança naquele momento, abre espaço para as condições do crescimento, da fertilidade, do alimentar simbolicamente aqueles indivíduos, dando suporte emocional na relação corporativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São muitas características comportamentais que demostram a capacidade das mulheres em construir relacionamentos mais fortes, sensíveis e acolhedores, para que as metas exigidas pelas empresas sejam alcançadas de forma mais humanizada e intuitiva, reduzindo os impactos do sistema predominantemente masculino e patriarcal, que foi a única forma exercida por anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Observo que a forma de relação das mulheres no ambiente de trabalho, consegue, através do acolhimento, amenizar o sofrimento psíquico. As mulheres pontuam significativamente mais alto em todas as dimensões criativas: elas se saem melhor com sua capacidade em se “conectar e se relacionar com outras pessoas”, bem como nas competências de autenticidade e conscientização de sistemas. Isso sugere que mulheres líderes não são apenas melhores em construir relacionamentos, mas também que os relacionamentos que elas constroem são mais autênticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na perspectiva Junguiana, comparo a simbologia arquetípica do feminino, e os desafios que as mulheres enfrentam em desenvolver um papel no ambiente corporativo que até então, na maior parte dos cargos de liderança, eram ocupados por homens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A liderança feminina com olhar materno, pode ter condições de acolher situações de vulnerabilidade, colocando questões de sentimentos a serem tratadas, preservando a saúde deste colaborador, através da “nutrição”, escuta e criação de um espaço para que esse ser humano possa expressar seus apontamentos profissionais e também seus sentimentos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neumann-em-uma-das-suas-grandes-obras-a-grande-mae-explora-a-representacao-simbolica-do-arquetipo-materno-em-varias-culturas-e-mitologias-ao-longo-da-historia" style="font-size:17px"><strong>Neumann</strong>, em uma das suas grandes obras “<strong>A Grande Mãe</strong>”, explora a representação simbólica do arquétipo materno em várias culturas e mitologias ao longo da história.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Apontando essa correlação ao feminino, em aspectos como fertilidade, nutrição, proteção e conexão com a natureza</strong>. A <strong>Grande Mãe</strong> é vista como um símbolo primordial da <strong>energia criativa e regeneradora</strong>, refletindo as profundas raízes culturais e psicológicas do feminino na psique humana. Esse aspecto que está no inconsciente coletivo nos faz comparar a liderança feminina exercendo muitas vezes o lado maternal no ambiente corporativo, trazendo o acolhimento, fertilidade, nutrição, humanização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro da sociedade corporativa, na condição de porta vozes das empresas, é esperado atualmente que a liderança minimize coletivamente o sofrimento psíquico dos funcionários, pelas razões: custo, lucro, resultados e produtividade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pessoas-tambem-querem-funcionar-cada-vez-mais-serem-bem-sucedidas" style="font-size:17px">A pessoas também querem funcionar cada vez mais, serem bem-sucedidas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">O “<strong>espírito da época</strong>” que a humanidade está vivenciando, do excesso de produtividade, inovação, a necessidade de se superar e performar cada vez mais. Isso vem de encontro com a cobrança corporativa, levando o ser humano ao esgotamento físico e mental: adoecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a autora <strong>Verena</strong> <strong>Kast</strong> em seu livro “<strong><em>A Alma Precisa de Tempo</em></strong>”, uma pessoa que está doente está mais preocupada com a problemática existencial, do que tratar sua doença, por se sentir incentivada a aprender e se desenvolver. Há uma pressa para que a normalidade volte rapidamente e o ser humano volte a ficar funcional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-isso-a-busca-de-terapias-rapidas-de-curto-prazo-e-nao-ha-profundidade-no-que-deu-errado-na-vida-no-que-precisa-ser-mudado-nbsp" style="font-size:17px"><strong>Por isso a busca de terapias rápidas, de curto prazo e não há profundidade no que deu errado na vida, no que precisa ser mudado</strong>.&nbsp;</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:17px"><blockquote><p><strong>A vida é contemplada sob pontos de vista econômicos: Aquilo que não rende não vale nada. [&#8230;] a eficiência do mercado racional rouba a sociedade da alma. O ser humano, porém, precisa de um coração quente, e uma cabeça fria</strong>.</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-e-o-processo-de-individuacao" style="font-size:17px">Jung e o processo de individuação</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na obra de C.G. Jung um dos assuntos abordados é o <strong>processo de individuação</strong>. Que exige de nós estarmos atentos aos chamados da nossa alma, atendendo a vontade do Self, na busca da compreensão de nosso propósito de vida. Quanto mais nos afastarmos ou negarmos nossa missão da alma, mais estaremos sujeitos a distúrbios emocionais e psíquicos como a depressão, e outros sintomas psicossomáticos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-principio-a-alma-nao-rende-lucros-discorre-kast-em-seu-livro-a-alma-precisa-de-tempo-mas-se-torna-um-fator-de-custo-decisivo-quando-a-alma-se-recusa-a-cooperar-quando-nossa-psique-nao-aguenta-mais-quando-perdemos-a-nossa-alegria-de-vida-quando-nosso-corpo-adoece-e-sofremos-com-a-depressao-e-a-sindrome-do-fosforo-queimado-talvez-entao-faria-sentido-dar-atencao-a-alma" style="font-size:17px">A princípio, a alma não rende lucros, discorre Kast em seu livro “A Alma Precisa de Tempo”, – mas se torna um fator de custo decisivo quando a alma se recusa a cooperar, quando nossa psique “não aguenta mais”, quando perdemos a nossa alegria de vida, quando nosso corpo adoece e sofremos com a depressão e a síndrome do fósforo queimado. Talvez, então faria sentido dar atenção a alma?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sem dúvida, essa realidade do mundo corporativo que envolve extrema pressão e cobrança quanto a produção e performance negando a alma de seus funcionários, dando o máximo de suas forças, nitidamente leva a uma crise que envolve frustração na busca de metas inatingíveis, desencadeando processos de adoecimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enxergo que um contraponto possível dessa realidade, é o papel de uma liderança acolhedora, nutridora, fecunda e materna, possibilitando o surgimento de um novo elemento, que talvez possa ser entendido como “função transcendente. Como a natureza tende a buscar harmonia entre partes, percebo o destaque da liderança feminina, em vários setores de atuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>arquétipo materno</strong>, desempenha um papel significativo na liderança feminina, diante da forma de atuação das mulheres, especialmente em relação à empatia, cuidado, nutrição e apoio emocional. <strong>Esse arquétipo</strong> também está associado à capacidade de se conectar emocionalmente com os outros,&nbsp; ao instinto de cuidar e proteger ajudando a desenvolver ferramentas para o crescimento e o desenvolvimento pessoal, de uma forma mais humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As <strong>líderes femininas</strong> que se identificam com esse arquétipo, são vistas como mães e mentoras de suas equipes fornecendo orientação, encorajamento e apoio emocional. Isso pode criar um ambiente de trabalho seguro e acolhedor, onde os membros da equipe se sentem valorizados e apoiados em seu crescimento pessoal e profissional, além de contribuir para reduzir o sofrimento psíquico no trabalho.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-autor-neumann-no-mesmo-livro-a-grande-mae-exemplifica-de-varias-formas-o-feminino-uma-delas-e-a-moldagem-do-vaso-que-defende-como-a-experiencia-da-criacao-da-vida-como-simbolo-de-transformacao-o-feminino-revela-se-ao-mesmo-tempo-nutridor-protetor-e-gerador" style="font-size:17px">O autor Neumann, no mesmo livro “<em><strong>A Grande Mãe</strong></em>&#8221; exemplifica de várias formas o <strong>feminino</strong>, uma delas é a moldagem do vaso, que defende como a experiência da criação da vida, como símbolo de transformação. <strong>O feminino revela-se ao mesmo tempo nutridor, protetor e gerador</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O feminino em sua qualidade protetora e acolhedora, congrega em si a vida da família e do grupo sob o símbolo da casa</strong>. Esse aspecto aparece nas chamadas urnas domésticas, vasos moldados na forma de casas. Até os dias de hoje, o caráter vaso feminino, originalmente vincula a caverna, e depois a casa (no sentido de estar dentro e protegido, aquecido ou abrigado no interior dessa casa, sempre esteve relacionado com a vivência original de ser contido pelo útero). </p>



<p class="wp-block-paragraph">Através da empatia, cuidado, apoio, desenvolvimento humano, intuição, sabedoria, nutrição, pode-se criar um ambiente de trabalho colaborativo, inclusivo, motivador e eficaz. Desta forma, acredita-se que as relações de trabalho sejam mais inclusivas entre líder e trabalhador, tornando uma parceria e transparência na qual tende-se a reduz os excessos de cobrança quanto a produtividade e resultado, diminuindo o estresse no trabalho e o sofrimento psíquico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma abordagem humanizada e acolhedora fortalece a equipe, e promove um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo. A mulher lidera com empatia, compreensão e respeito, inspirando e motivando suas equipes a alcançarem metas e resultados excepcionais, ao mesmo tempo em que podem promovem o bem-estar e a saúde mental dos colaboradores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acompanhando ainda, <strong>Kast</strong> em seu livro “<em><strong>A Alma Precisa de Tempo</strong></em>”, a autora discorre que no mundo do trabalho as relações sociais são enfraquecidas, e o sentimento de fazer parte são sufocados. Seja dentro ou fora do ambiente de trabalho, o indivíduo tem a necessidade de estar integrado e se relacionar. Essa troca entre as pessoas, e a estreiteza de laços.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-experiencia-de-se-relacionar-gera-um-sentimento-bom-de-seguranca-tambem-no-mundo-do-trabalho-de-forma-que-nos-permite-lidar-melhor-com-os-desafios" style="font-size:17px"><strong><em>“A experiência de se relacionar, gera um sentimento bom de segurança, também no mundo do trabalho, de forma que nos permite lidar melhor com os desafios”.</em></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao integrar princípios arquetípicos do feminino, como empatia, cuidado e nutrição, as mulheres líderes são capazes de cultivar ambientes de trabalho mais inclusivos. Eliminando a arbitrariedade das regras impostas para se chegar aos resultados esperados, através de relacionamentos interpessoais que dão abertura a troca de ideias e diálogos com as equipes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro das experiências das lideranças observadas, notamos que quando é deixado a rigidez predominantemente da gestão masculina, e se dá abertura para o lado feminino materno nessas relações de trabalho, o caminho em direção ao resultado muda o foco. Passamos a falar de um sentido com alma, humano, com prazer e propósito no que se está executando.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px">*<em>Artigo baseado na minha monografia em Especialização em Psicologia Junguiana.</em></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: A Importância dos Aspectos Femininos na Liderança Contemporânea no Mundo Corporativo" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/R1HNrEbQSo8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Mônica Contreras – Membro Analista em Formação pelo IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf– Membro Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">EXAME. <em>Liderança feminina: nós mulheres estamos no caminho certo, mas ainda muito longe da linha de chegada</em>. Disponível em: <a href="https://exame.com/bussola/lideranca-feminina-nos-mulheres-estamos-no-caminho-certo-mas-ainda-muito-longe-da-linha-de-chegada/">https://exame.com/bussola/lideranca-feminina-nos-mulheres-estamos-no-caminho-certo-mas-ainda-muito-longe-da-linha-de-chegada/</a>. Acesso em 08 de abri. de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">FORBES. <em>Mulheres ocupam 38% dos cargos de liderança no Brasil e são mais bem avaliadas pelo time</em> (2024). Disponível em: <a href="https://forbes.com.br/forbes-mulher/2024/03/mulheres-ocupam-38-dos-cargos-de-lideranca-no-brasil-e-sao-mais-bem-avaliadas-pelo-time/">https://forbes.com.br/forbes-mulher/2024/03/mulheres-ocupam-38-dos-cargos-de-lideranca-no-brasil-e-sao-mais-bem-avaliadas-pelo-time/</a>. Acesso em 9 de fev. de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">FORBES. <em>Mulheres são mais eficazes que os homens na liderança, diz pesquisa </em>(2023).Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-mulher/2023/04/mulheres-sao-mais-eficazes-que-os-homens-na-lideranca-diz-pesquisa/. Acesso em 2 de mai. de 2024.<em></em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">HOLLIS, James. <em>Sob a sombra de saturno</em>. 1.ed. São Paulo: Paulus, 2022</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">HOPCKE, Robert H. <em>Guia para a Obra Completa de C.G. Jung</em>. 3 ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">JUNG, Carl Gustav. <em>A energia psíquica</em>. Petrópolis: Vozes, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">_____ <em>A natureza da psique</em>. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">_____ <em>O eu e o inconsciente</em>. 27.ed. Petrópolis: Vozes, 2015a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">_____ <em>Os Arquétipos e o inconsciente</em>. 11 ed. Petrópolis: Vozes, 2014c.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">KAST, Verena. <em>A Alma Precisa de Tempo</em>. São Paulo: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">NEUMANN, Erich. <em>A grande mãe</em>. 2.ed. São Paulo: Pensamento, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">PASSADONI, Reinaldo. Site: <a href="http://www.passadori.com.br">http://www.passadori.com.br</a>. Acesso em 03 de março de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">2000.LABTEST. <em>Síndrome de burnout: o que é, prevenção e tratamento</em> (2023). Disponível em: <a href="https://labtest.com.br/sindrome-de-burnout-o-que-e-prevencao-e-tratamento/">https://labtest.com.br/sindrome-de-burnout-o-que-e-prevencao-e-tratamento/</a>. Acesso em 22 de abril. de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">PROPMARK. <em>Interrupção, assédio e racismo: lideranças femininas contam o que já passaram por ser mulher </em>(2023). Disponível em: <a href="https://propmark.com.br/interrupcao-assedio-e-racismo-liderancas-femininas-contam-o-que-ja-passaram-por-ser-mulher/">https://propmark.com.br/interrupcao-assedio-e-racismo-liderancas-femininas-contam-o-que-ja-passaram-por-ser-mulher/</a>. Acesso em 15 de mar. de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">RODRIGUES, Stéphane Carvalho; SILVA, Gleiciane Rosa da. <em>A liderança feminina no mercado de trabalho</em>. Vol. 1. Revista digital de administração Faciplac, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">SOUZA, Rafael Rodrigues. <em>Trabalho, Sofrimento e autorrealização</em>. 1.ed. São Paulo: Eleva, 2022.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-importancia-dos-aspectos-femininos-na-lideranca-contemporanea-no-mundo-corporativo/">A Importância dos Aspectos Femininos na Liderança Contemporânea no Mundo Corporativo</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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