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	<title>Paula Borba dos Santos, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Mon, 10 Aug 2026 18:59:33 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Paula Borba dos Santos, Autor em Blog IJEP</title>
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		<title>Uma leitura simbólica e alquímica do saneamento básico no Brasil</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/uma-leitura-simbolica-e-alquimica-do-saneamento-basico-no-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Borba dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 18:44:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este ensaio propõe uma leitura simbólica e alquímica do saneamento básico no Brasil a partir da psicologia analítica. Articulando dados da crise sanitária brasileira com conceitos de Jung, Hillman, Bauman, Mbembe e Nego Bispo, o texto compreende água, resíduo sólidos, esgoto e drenagem de água pluvial como imagens da psique coletiva. A reflexão discute temas como sombra, inconsciente coletivo, colonialidade, higienismo psíquico e transformação, propondo a “confluência básica” como ética simbólica de integração e ampliação da consciência coletiva.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/uma-leitura-simbolica-e-alquimica-do-saneamento-basico-no-brasil/">Uma leitura simbólica e alquímica do saneamento básico no Brasil</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: Este ensaio propõe uma leitura simbólica e alquímica do saneamento básico no Brasil a partir da psicologia analítica. Articulando dados da crise sanitária brasileira com conceitos de Jung, Hillman, Bauman, Mbembe e Nego Bispo, o texto compreende água, resíduo sólidos, esgoto e drenagem de água pluvial como imagens da psique coletiva. A reflexão discute temas como sombra, inconsciente coletivo, colonialidade, higienismo psíquico e transformação, propondo a “confluência básica” como ética simbólica de integração e ampliação da consciência coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha deste tema nasceu de uma experiência profundamente afetiva. Durante minha visita à exposição<em> A alma humana, você e o universo de Jung,</em> em São Paulo, fui surpreendida pela mostra Água, do fotógrafo Érico Hiller, que também estava em exposição no MIS. Suas fotografias, através de diferentes culturas e paisagens, evidenciam a água como força essencial que entrelaça espaços, existências e narrativas coletivas e subjetivas. No entanto, mais do que sua potência de vida, aquelas imagens também evocavam sua ausência: a aridez da pele, da terra e da existência quando privadas desse recurso essencial. Foi nesse atravessamento que fui provocada ao ler, nas paredes da exposição, a expressão “saneamento básico”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um ano eleitoral, pareceu-me oportuno investigar o saneamento básico no Brasil à luz da psicologia analítica, a partir de uma lente simbólica e alquímica. Tornou-se fundamental a pergunta: o que as condições sanitárias do nosso país revelam sobre sua psique coletiva? Este artigo nasce, assim, do encontro entre imagem, símbolo e realidade histórica e social. Uma tentativa de compreender como as águas e os resíduos externos e internos de uma sociedade podem refletir seu próprio processo de individuação.</p>



<h2 id="h-o-saneamento-no-brasil-e-basico" class="wp-block-heading"><strong>O saneamento, no Brasil, é básico?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para iniciar essa reflexão, é importante destacar que, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o saneamento básico corresponde ao “conjunto de serviços públicos, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água potável, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo das águas pluviais urbanas”. Em uma perspectiva mais ampla, o conceito amplamente aceito internacionalmente “situa-se na interseção entre infraestrutura, saúde pública, meio ambiente e direitos humanos. [&#8230;] Deixou de ser entendido como um conjunto de obras de engenharia para tornar-se um sistema integrado de proteção à vida, à dignidade e ao planeta”. (PEREIRA, 2026, p. 5)</p>



<h2 id="h-apesar-de-ser-um-direito-garantido-pela-constituicao-federal-desde-1988-o-brasil-possui-estatisticas-desanimadoras-quando-o-tema-e-saneamento-basico" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Apesar de ser um direito garantido pela Constituição Federal desde 1988, o Brasil possui estatísticas desanimadoras quando o tema é saneamento básico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O Estudo de Perdas de Água 2025 (SINISA, 2023), aponta que <strong>o país desperdiça 40,31% da água tratada antes mesmo que ela chegue às torneiras</strong>, o que poderia abastecer cerca de 50 milhões de pessoas por ano. Além disso, o Ranking do Saneamento 2026,<a href="#_ftn1" id="_ftnref1">[1]</a> apresenta os seguintes dados:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Cerca de <strong>90 milhões de pessoas</strong> <strong>vivem sem coleta de esgoto, </strong>o que representa cerca de 43% da população brasileira.</li>



<li>Entre os <strong>100 municípios avaliados</strong>, os <strong>20 piores</strong>, <strong>concentrados no</strong> <strong>Norte e Nordeste</strong><strong>, possuem apenas</strong> <strong>28,06% de cobertura de esgoto</strong>, cerca de <strong>70 pontos percentuais a menos</strong>que os<strong>20 melhores</strong><strong>.</strong></li>



<li>Aproximadamente, <strong>32 milhões de brasileiros consomem água sem tratamento adequado</strong>.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Ao analisar esse cenário, percebe-se que refletir sobre o saneamento básico no Brasil significa, antes de tudo, expor as profundas desigualdades e violências históricas que constituíram e ainda se fazem presentes em nosso país. Seus indicadores revelam uma nação marcada por contrastes severos, convocando-nos a pensar sobre saúde, dignidade, pertencimento, excessos, faltas e sobre a maneira como cuidamos (ou negligenciamos) dos recursos mais essenciais à preservação da vida humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, emerge uma dimensão política profundamente inquietante, que pode ser compreendida à luz da necropolítica proposta por Achille Mbembe. O autor apresenta a noção de “guerra infraestrutural”, na qual o controle desigual sobre recursos essenciais pode funcionar como mecanismo de subjugação social, produzindo condições de vulnerabilidade extrema e verdadeiros “mundos de morte”. Sob essa perspectiva, a precarização ou negligência das políticas sanitárias pode ser interpretada como expressão estrutural de desigualdades históricas que ainda submetem parcelas significativas da população brasileira a condições degradantes de existência (MBEMBE, 2018, p. 36-48).</p>



<h2 id="h-um-olhar-simbolico-para-o-saneamento-basico" class="wp-block-heading"><strong>Um olhar simbólico para o saneamento básico</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A palavra saneamento deriva do latim <em>“sanus”,</em> cuja tradução remete a “sadio” ou “em bom estado de saúde”. Em sua acepção mais direta, sanear corresponde ao processo de restaurar, purificar ou promover condições saudáveis. Sob uma perspectiva simbólica, poderíamos pensar que o espírito da época nos conduz a uma noção higienista de saúde psíquica: uma tentativa constante de manter-se limpo, organizado e distante dos próprios resíduos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao ampliar simbólica e imageticamente, a <strong>água</strong> pode representar a essência da vida, nosso encontro com a alma e é, ao mesmo tempo, o que nos une à natureza e, portanto, com sua beleza e finitude<strong>.</strong> Segundo o Dicionário de Símbolos, “as significações simbólicas da água podem ser reduzidas a três temas dominantes: fonte de vida, meio de purificação e centro de regeneração.” (CHEVALIER, 2015, p.15)</p>



<h2 id="h-o-simbolo-do-esgoto-se-conecta-com-os-aspectos-sombrios-mais-viscerais-e-instintivos" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O símbolo do <strong>esgoto </strong>se conecta com os aspectos sombrios mais viscerais e instintivos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A imagem da rede de esgoto pode ilustrar como os conteúdos psíquicos rejeitados – individuais, familiares e coletivos – se encontram pelos dutos subterrâneos do inconsciente.  A partir daí, quando há tratamento e elaboração, aquilo que era rejeito pode transmutar-se em recurso, fertilidade e renovação da vida. Sem esse processo, porém, o que permanece oculto infiltra-se silenciosamente, contaminando o solo psíquico e causando doenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O contínuo e alarmante aumento dos<strong> resíduos sólidos </strong>oferece uma imagem relevante: a sustentação da persona bem adaptada à sociedade contemporânea, marcada pelo consumo excessivo. Na modernidade líquida descrita por Bauman, consumir tornou-se, muitas vezes, uma forma de pertencimento e reconhecimento social, ainda que isso implique a produção contínua de rejeitos. Psiquicamente, esse movimento pode ser associado ao desejo de afastamento da sombra e, consequentemente, de seu potencial transformador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>drenagem pluvial</strong>, na concretude, visa evitar inundações e alagamentos. Diante disso, pode-se pensar que só é preciso drenar, porque o solo é impermeável.&nbsp; Simbolicamente, pode revelar uma consciência rigidamente estruturada, na qual o ego tenta proteger-se do contato com o inconsciente. Isso gera, a longo prazo, uma pressão insustentável, resultando em &#8220;inundações&#8221; catastróficas, literais e simbólicas.</p>



<h2 id="h-a-agua-como-prima-materia" class="wp-block-heading"><strong>A água como <em>prima matéria</em></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">No saneamento, a água também revela sua multiplicidade, fazendo-se presente em diferentes momentos e sob diversas formas: inicialmente como água potável; no esgoto, como água putreficada; no lixo, na forma de chorume; e, ao cair do céu como chuva, sendo drenada e retornando aos rios ou ao mar. &nbsp;Da mesma forma, em seus estudos alquímicos, Jung observou que tanto para a alquimia quanto para a psicologia, este elemento é poderoso e com elevado potencial de transformação:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">Como a &#8220;prima matéria&#8221;<em> a água tem mil nomes; <a>diz-se</a> mesmo que ela é o material original da pedra. Apesar disto, por outro lado se <a>afirma</a> que a água é extraída da pedra ou da ‘prima matéria’ como sua alma vivificadora (anima), <a>[&#8230;]</a> mas ao mesmo tempo é o seu solvente.”</em> <em>(JUNG, 2012a, p. 249-251).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Em termos estatísticos, o desperdício de água potável no Brasil está relacionado a problemas estruturais no sistema de distribuição. Portanto, esses números não incluem o desperdício decorrente do uso inadequado por parte da população. Sob uma perspectiva alquímica, tais dados podem revelar um profundo descaso com a matéria-prima, indicando não apenas uma falha de infraestrutura, mas também uma ausência de compromisso ético e simbólico com aquilo que sustenta a vida. Coletivamente, parecemos distantes da reverência que os alquimistas projetavam sobre a matéria. Talvez isso ocorra porque ainda não fomos capazes de reconhecer, na própria água, o potencial de transformação contido na Pedra Filosofal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, ao pensarmos a água como imagem do inconsciente, os índices de desperdício também podem revelar o modo como nossa sociedade se relaciona com a própria vida psíquica. Assim como desperdiçamos água potável, parecemos desperdiçar nossa capacidade de simbolizar e de entrar em contato com as dimensões mais profundas da existência. O inconsciente, muitas vezes, permanece negligenciado ou subestimado, o que Jung considerou uma “omissão de graves consequências”, pois impede a adaptação ao mundo interior. (JUNG, 2015, p.95)</p>



<h2 id="h-a-psique-coletiva-brasileira-colonialidade-sombra-e-nigredo" class="wp-block-heading"><strong>A psique coletiva brasileira: colonialidade, sombra e <em>Nigredo</em></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao pensarmos nos números alarmantes em relação ao esgoto do país, pode-se simbolicamente pensar aspectos da fase da <em>nigredo</em>, considerada o estágio inicial e a base fundamental da obra alquímica. Psicologicamente, Jung a identifica como o encontro com a sombra e Hillman a descreve como um estado necessário de &#8220;morte&#8221; e desconstrução do literalismo. &nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em>A inconsciência original, ainda meio animal, era conhecida ao adepto como nigredo (negrura), caos, massa confusa e com um entrelaçamento difícil de desfazer entre alma e corpo, com o qual ela forma uma unidade sombria (unio naturalis). Justamente dessas cadeias queria ele libertá-la pela separatio (separação) e estabelecer uma posição contrária de natureza psíquico-anímica, isto é uma compreensão consciente e conforme à razão, que se apresentasse como superior às influências do copo. (JUNG, 2012b, p. 302).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez a psique coletiva brasileira ainda atravesse uma longa <em>nigredo,</em> estágio alquímico marcado pelo confronto com a decomposição, a sombra e a transformação. Sob essa perspectiva, os componentes do saneamento básico podem ser compreendidos como imagens simbólicas dos aspectos psíquicos que permanecem desprezados em nossa realidade coletiva. Como nação, talvez ainda estejamos imersos em um lento processo de elaboração desse material sombrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Arriscaria dizer que isso, possivelmente, tem relação com o fato de que o vaso alquímico brasileiro ainda não possui um fechamento hermético. Sabe-se que esse é um dos símbolos mais fundamentais e misteriosos da alquimia, representando o lugar onde a alma é trabalhada e transformada. Portanto, somos um povo que está acertando as contas diante de tantas violações sofridas.&nbsp; A hipótese que aqui levanto para reflexão simbólica é revelar uma nação lidando com a constelação de complexos culturais diretamente ligados à invasão colonial, que provocou marcas profundas na alma brasileira.</p>



<h2 id="h-confluencia-como-etica-de-transformacao" class="wp-block-heading"><strong>Confluência como ética de transformação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"> A partir da psicologia analítica, este texto se propôs a realizar uma leitura, entre tantas outras possíveis, buscando denunciar a crise sanitária atual e promovendo uma reflexão através de provocações imagéticas.  Como forma de sustentar o paradoxo, proponho: E se o desafio não for apenas sanear, mas aprender a confluir? É nesse ponto que a reflexão de <strong>Nego Bispo</strong> amplia profundamente esta discussão:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em>A confluência é a energia que está nos movendo para o compartilhamento, para o reconhecimento, para o respeito. Um rio não deixa de ser um rio porque conflui com outro rio, ao contrário, ele passa a ser ele mesmo e outros rios, ele se fortalece. Quando a gente confluência, a gente não deixa de ser a gente, a gente passa a ser a gente e outra gente – a gente rende. A confluência é uma força que rende, que aumenta, que amplia. (BISPO, 2015, p. 15)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A proposta de “Confluência Básica” amplia o debate para além da lógica corretiva ou higienista, propondo uma ética do encontro, compartilhamento e integração. Talvez assim, tenhamos um Brasil mais digno e humano com seus filhos, sem esgotos a céu aberto e com acesso garantido à água potável.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/paula-borba-dos-santos/"><strong>Paula Borba dos Santos &#8211; Analista em formação</strong> <strong>IJEP</strong></a> / <em>paula_borba@hotmail.com</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/"><strong><strong>Maria da Glória G. de Miranda</strong></strong> &#8211; <strong>Analista Didata</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



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<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:17px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO BÁSICO (ANA<em>).<strong> Águas no Brasil</strong></em>. Brasília, DF: ANA, [s.d.]. Disponível em: <a href="https://www.gov.br/ana/pt-br/aguas-no-brasil?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.gov.br/ana/pt-br/aguas-no-brasil</a>. Acesso em: 08 maio 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BATISTA, Mônica. <strong>Manual do Saneamento Básico</strong>. TecnoBlog, 2026. Disponível em: <a href="https://tratabrasil.org.br/wp-content/uploads/2022/09/manual-imprensa.pdf">https://tratabrasil.org.br/wp-content/uploads/2022/09/manual-imprensa.pdf</a>. Acesso em 11 de maio de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BAUMAN, Zygmunt. <strong>Vidas desperdiçadas.</strong> E-book. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, Antônio Bispo dos.&nbsp;<strong>Colonização, Quilombos: modos e significações.</strong> Brasília:&nbsp;<a href="http://cga.libertar.org/wp-content/uploads/2017/07/BISPO-Antonio.-Colonizacao_Quilombos.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">INCT de Inclusão / UnB</a>, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. <strong>Dicionário de símbolos</strong>. Rio de Janeiro, José Olympio, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HILLER, Érico. <strong>Água</strong>. São Paulo: Museu da Imagem e do Som (MIS), 2025. Disponível em: <a href="https://mis-sp.org.br/exposicao/agua-de-erico-hiller/?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://mis-sp.org.br/exposicao/agua-de-erico-hiller/</a>. Acesso em: 11 maio 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HILLMAN, James. <strong>Psicologia Alquímica.</strong> Petrópolis, Vozes, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HIRATA, Ricardo Alvarenga. <strong>O rio da alma: reflexões da ecologia arquetípica sobre o complexo cultural paulistano</strong>. Boletim de Psicologia, São Paulo, v. 57, n. 127, p. 195-214, dez. 2007</p>



<p class="wp-block-paragraph">INSTITUTO TRATA BRASIL. <strong>Ranking do Saneamento 2026</strong>. São Paulo: Instituto Trata Brasil, 2026. Disponível em: <a href="https://tratabrasil.org.br/ranking-do-saneamento/?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://tratabrasil.org.br/ranking-do-saneamento/</a>. Acesso em: 11 maio 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <strong>Psicologia e Alquimia. </strong>6ª. ed. – Petrópolis, Vozes, 2012a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_____, Carl Gustav.&nbsp; <strong>Mysterium Coniunctionis 2,&nbsp; </strong>3ª. ed. – Petrópolis, Vozes, 2012b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_____, Carl Gustav.&nbsp; <strong>A natureza da Psique.&nbsp; </strong>10ª. ed. – Petrópolis, Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_____, Carl Gustav.&nbsp; <strong>O eu e o inconsciente.&nbsp; </strong>27ª. ed. – Petrópolis, Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ORIGEM DA PALAVRA. <strong>Palavra “saneamento”.</strong> Disponível em: <a href="https://origemdapalavra.com.br/?s=saneamento">https://origemdapalavra.com.br/?s=saneamento.</a> Acesso em: 03 maio 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">PEREIRA, Luciane Dusi. <strong>O saneamento investigado por três abordagens diferentes: científica, filosófica e metafísica</strong>. Revista Científica Interdisciplinar de Universitas (RECIU), v. 1, n. 1, 2026.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> &nbsp;O Instituto Trata Brasil (ITB), em colaboração com a GO Associados, apresenta a 18ª edição do Ranking do Saneamento, direcionada aos 100 municípios mais populosos do país. A elaboração do estudo baseou-se nos indicadores mais atualizados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), referentes ao ano-base de 2024, divulgados pelo Ministério das Cidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<item>
		<title>Crescer dói?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/crescer-doi/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paula Borba dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 21:51:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento da personalidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A partir de uma leitura simbólica do filme Red: Crescer é uma Fera, este texto busca explorar a pergunta “crescer dói?”. A animação narra a jornada de Mei, uma adolescente que se transforma em um panda vermelho sempre que suas emoções transbordam. Partindo da ideia de que o amadurecimento só se torna possível por meio das relações que estabelecemos com o outro e, sobretudo, por meio do diálogo honesto com as emoções que nos atravessam, a análise utiliza a narrativa da Pixar como pano de fundo para refletir a respeito de quanto o crescimento psíquico exige confronto, coragem e vínculos verdadeiros. Entre rituais de contenção, expectativas parentais e a busca por autenticidade, o filme se revela como uma metáfora potente sobre a força transformadora dos relacionamentos e sobre a importância de libertarmos aquilo que, por medo ou lealdade, mantemos aprisionado dentro de nós.</p>
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]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>RESUMO: </strong>A partir de uma leitura simbólica do filme <em>Red: Crescer é uma Fera</em>, este texto busca explorar a pergunta “crescer dói?”. A animação narra a jornada de Mei, uma adolescente que se transforma em um panda vermelho sempre que suas emoções transbordam. Partindo da ideia de que o amadurecimento só se torna possível por meio das relações que estabelecemos com o outro e, sobretudo, por meio do diálogo honesto com as emoções que nos atravessam, a análise utiliza a narrativa da Pixar como pano de fundo para refletir a respeito de quanto o crescimento psíquico exige confronto, coragem e vínculos verdadeiros. Entre rituais de contenção, expectativas parentais e a busca por autenticidade, o filme se revela como uma metáfora potente sobre a força transformadora dos relacionamentos e sobre a importância de libertarmos aquilo que, por medo ou lealdade, mantemos aprisionado dentro de nós.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-filme-red-crescer-e-uma-fera-2022-e-uma-animacao-da-pixar-sensivel-e-envolvente-que-conta-a-historia-de-mei-lee-uma-adolescente-de-13-anos-que-vivencia-descobertas-e-tensoes-tipicas-desta-etapa-da-vida" style="font-size:18px">O filme <em><strong>Red: Crescer é uma Fera</strong> (2022)</em> é uma animação da Pixar sensível e envolvente que conta a história de Mei Lee, uma adolescente de 13 anos que vivencia descobertas e tensões típicas desta etapa da vida.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Enquanto é surpreendida por mudanças latentes no corpo e no humor, ela também precisa lidar com sua família e com as heranças transgeracionais que compõem sua história. Mais do que uma trama sobre adolescência e seus ritos de passagem, é um convite para observarmos o poder transformador de nos relacionarmos com o outro e com as emoções que nos atravessam a partir desses encontros.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-a-partir-desse-pano-de-fundo-que-este-texto-se-propoe-a-investigar-a-pergunta-titulo-crescer-doi" style="font-size:20px">É a partir desse pano de fundo que este texto se propõe a investigar a pergunta título: crescer dói?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A narrativa apresenta Mei como a filha “perfeita”, profundamente dedicada a corresponder às expectativas dos pais, sobretudo de sua mãe, Ming, cuja postura zelosa, amorosa e controladora organiza toda a dinâmica familiar, enquanto o pai, Jin, cuida e oferece suporte de forma mais discreta. Esse vínculo, marcado por amor, orgulho e pressão, é o terreno onde nasce a tensão central: ao entrar na adolescência, Mei começa a vivenciar desejos e transformações corporais que a afastam da criança obediente que sempre foi. Entre o conforto da infância e o chamado do novo, ela experimenta o primeiro ciclo menstrual e, simultaneamente, descobre que suas emoções mais fortes a fazem transformar-se em um panda vermelho gigante.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Através do Panda Vermelho, a personagem vai nos ensinando que só podemos nos desenvolver psiquicamente dialogando com as emoções que nos compõem e que nossas relações são terrenos férteis para nossa dialética emocional. É no encontro com nossos entes queridos que podemos fazer reencontros e confrontos com as múltiplas e contraditórias partes que nos habitam.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-ensina-gugguenbul-craig-somente-mediante-ao-intercambio-emocional-com-aqueles-com-quem-vive-uma-relacao-de-amor-e-que-uma-nova-dimensao-pode-penetrar-em-seu-mundo-amortecido-guggenbuhl-craig-2004-p-138-139" style="font-size:18px">Como ensina Gugguenbül-Craig: “somente mediante ao intercâmbio emocional com aqueles com quem vive uma relação de amor é que uma nova dimensão pode penetrar em seu mundo amortecido” (GUGGENBÜHL-CRAIG, 2004, p. 138-139).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na teoria, parece simples, e até poético, imaginar essa troca emocional, mas Mei revela o quanto esse processo pode ser assustador quando temos de encarar os aspectos destrutivos e agressivos da nossa própria “fera”. Isso acontece porque relacionar-se exige intimidade com o outro e, antes de tudo, conosco mesmos. Ela evidencia o quanto é difícil aceitarmos nossas partes sombrias e indesejáveis, e como, muitas vezes, fugimos da tarefa de cuidar de nossos vínculos, evitando conversas difíceis. Assim como Mei, quantas vezes não evitamos o confronto em nome de uma suposta harmonia? Talvez por medo de ficarmos vulneráveis, de decepcionarmos quem amamos ou de sermos feridos. E, pouco a pouco, vamos nos tornando menos permeáveis e sensíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É justamente nesse ponto de tensão, quando a tentativa de esconder ou conter o que é doloroso já não se sustenta, que a narrativa avança. Após um episódio marcante na escola, Mei recolhe-se ao quarto, um espaço que, simbolicamente, já não comporta seu novo tamanho nem o peso do que ela tenta esconder. É, então, que seus pais revelam a verdade: o panda é uma herança familiar transmitida de mãe para filha desde a ancestral Sun Yee, que recebeu esse poder como dádiva para proteger sua família durante a guerra. O segredo, enfim, vem à tona, junto da promessa de um ritual que poderá conter a fera na próxima lua vermelha.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-trama-o-panda-vermelho-simboliza-o-que-na-psicologia-junguiana-chamamos-de-complexos" style="font-size:18px">Na trama, o Panda Vermelho simboliza o que, na psicologia junguiana, chamamos de complexos:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"> núcleos emocionais autônomos, carregados de significados, afetos intensos e impulsos que emergem tanto da história pessoal quanto da herança coletiva. Na família Lee, esse legado aparece em explosões emocionais e comportamentos repetitivos, nos quais as mulheres são tomadas pelo panda como se perdessem momentaneamente a própria consciência, um retrato preciso de um complexo constelado. O filme, assim, evidencia a força dos complexos familiares que atravessam gerações e mostra como a família passou a realizar rituais para aprisionar esse espírito em amuletos, numa tentativa de livrar-se desse estado avassalador e impedir que as emoções comandassem suas ações.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Essa dinâmica soa muito próxima da nossa própria contemporaneidade, em que nos tornamos cada vez mais defendidos e impermeáveis, acreditando que negar ou conter nossas emoções impede o “estrago feito pelo panda”. E é possível compreender o tamanho desse temor, pois, segundo Jung, ao lidar com tais forças, estamos, de certo modo, lidando com a ira de Deus, que ele assim definiu:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>É um nome apropriado para todas as grandes emoções que ocorrem em meu próprio sistema psíquico e que dominam minha vontade consciente, apoderando-se do controle sobre mim mesmo. É por este nome que designo tudo o que se atravessa de forma violenta e desapiedosa, o itinerário por mim traçado; tudo o que subverte minhas concepções subjetivas, meus planos objetivos, e interfere no curso da minha vida, seja para o bem seja para o mal (JUNG,&nbsp; p. 146, 2012).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao longo da narrativa, Mei experimenta na própria pele o quanto é arriscado e trabalhoso “desafiar os deuses”, sobretudo quando isso envolve decepcionar os pais; trata-se do processo de diferenciação descrito pela psicologia analítica, em que o jovem começa a se reconhecer como alguém distinto da família e passa a buscar a própria identidade. À medida que aguarda o dia do eclipse lunar, ela aprende a se relacionar com seu Panda Vermelho, permitindo-se viver suas experiências, conquistando autenticidade e reconhecendo-se no mundo para além do olhar materno.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-movimento-descobre-que-incorporar-o-urso-tambem-traz-ganhos-torna-se-popular-na-escola-e-recebe-o-afeto-incondicional-das-amigas" style="font-size:18px">Nesse movimento, descobre que incorporar o urso também traz ganhos: torna-se popular na escola e recebe o afeto incondicional das amigas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O ponto de virada surge quando decide ir ao show de sua banda preferida, mesmo sem a aprovação dos pais, trabalhando para juntar o dinheiro necessário para os ingressos, uma metáfora clara de que toda transformação exige esforço e tem um preço. E, ao afirmar que “não é um simples show, é um portal para a vida adulta”, Mei ecoa uma imagem que Jung também propõe, ao comparar a passagem da infância para a adolescência a um verdadeiro nascimento:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>No estágio infantil da consciência, ainda não há problemas; nada depende do sujeito, porque a própria criança depende inteiramente dos pais. É como se não tivesse nascido ainda inteiramente, mas se achasse mergulhada na atmosfera dos pais. O nascimento psíquico e, com ele, a diferenciação consciente em relação aos pais só ocorrem na puberdade, com a irrupção da sexualidade. A mudança fisiológica é acompanhada também de uma revolução espiritual. Isto é, as várias manifestações corporais acentuam de tal maneira o eu, que este frequentemente se impõe desmedidamente (JUNG, 2013a, p. 346-347).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A imagem do parto como metáfora para o nascimento psíquico da adolescência é profundamente rica. Do ponto de vista do bebê, podemos imaginar o desconforto de não caber mais naquele espaço antes seguro e acolhedor, que, de repente, se torna estreito e insuficiente. Para nascer, ele precisa se lançar por um canal apertado rumo a um mundo vasto, com muita claridade e completamente desconhecido.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As contrações que impulsionam essa passagem são dolorosas, inevitáveis e requerem esforço mútuo; tanto mãe quanto bebê dependem de se renderem ao fluxo natural da vida. E, do ponto de vista materno, o parto natural é uma experiência de dor visceral, que exige entrega absoluta e deixa marcas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-assim-o-nascimento-do-adolescente-tambem-nao-sera-indolor-pais-e-filhos-atravessam-tensoes-intensas-e-o-processo-nao-termina-no-parto" style="font-size:18px">Assim, o nascimento do adolescente também não será indolor: pais e filhos atravessam tensões intensas, e o processo não termina no parto.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Depois dele, existe o desafio de adaptação: o bebê precisa aprender novas formas de respirar e alimentar-se, enquanto a mãe enfrenta o puerpério, um período emocionalmente denso e exigente. Da mesma maneira, a entrada na adolescência inaugura um novo modo de existir, que demanda força, coragem e um reajuste honesto do vínculo entre pais e filhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É nesse contexto simbólico que surge o segundo grande conflito da trama: Mei descobre que o show de sua boyband favorita acontecerá exatamente no dia do ritual destinado a aprisionar seu panda. Essa “coincidência” a obriga a encarar uma escolha inevitável entre lealdade à família e seu próprio rito de passagem. É impossível ter as duas coisas ao mesmo tempo. Inicialmente inclinada a seguir o ritual, ela se sensibiliza com a atitude do pai, que lhe mostra gravações em que aparece feliz com as amigas e revela que o panda de Ming, sua mãe, era muito mais destrutivo, carregando uma ferida antiga.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-reconhecer-essa-historia-e-validar-a-singularidade-da-filha-o-pai-atua-como-uma-especie-de-guia-interno-ajudando-a-a-perceber-que-pode-e-precisa-decidir-a-partir-de-si-mesma" style="font-size:18px">Ao reconhecer essa história e validar a singularidade da filha, o pai atua como uma espécie de guia interno, ajudando-a a perceber que pode, e precisa, decidir a partir de si mesma.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao crescer, os filhos inevitavelmente rompem expectativas, e isso dói nos pais. Ming expressa essa dor de forma explosiva quando Mei abandona o ritual e escolhe manter seu panda para ir ao show, surgindo como um panda colossal que simboliza sua fúria e medo. No confronto final, mãe, filha, avó e tias entram juntas em uma espécie de floresta mágica (o inconsciente familiar), onde encaram feridas herdadas e aceitam que Mei seguirá com seu panda.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nesse processo, Ming reconhece o peso de ter vivido para agradar a própria mãe e, ao soltar essa exigência, permite que Mei faça escolhas mais autênticas. A separação é dolorosa, mas necessária: Mei sustenta sua decisão apesar do medo, e Ming&nbsp; suporta o corte simbólico do cordão umbilical. Por fim, ao encontrar a ancestral que originou o panda, Mei pergunta se pode se arrepender, mas recebe apenas um abraço afetuoso e silencioso, um chamado para confiar em si mesma, mesmo diante do desconhecido.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-crescer-afinal-e-um-caminho-sem-retorno-uma-vez-ampliada-a-consciencia-nao-e-possivel-voltar-ao-estado-anterior" style="font-size:18px">Crescer, afinal, é um caminho sem retorno; uma vez ampliada a consciência, não é possível voltar ao estado anterior.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E é exatamente isso que vemos ao final do filme: Mei emerge mais autêntica e serena, capaz de ressignificar o panda e, com isso, romper o padrão familiar que a aprisionava. Agora, ela dialoga com suas emoções, nem se submete cegamente a elas, nem tenta eliminá-las. Sua mãe também cresce: guarda o espírito do Panda em um novo amuleto, um bichinho virtual que precisa ser cuidado e alimentado. O Panda, antes preso num pingente rígido e silencioso, passa a ter espaço para se relacionar com ela, que, por sua vez, deve sustentar esse vínculo vivo. Afinal, “<em>quando duas pessoas se encontram, suas psiques se defrontam em sua totalidade; o consciente e o inconsciente, o dito e o não dito, tudo afeta o outro</em>” (GUGGENBÜHL-CRAIG, 2004, p. 50).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-fim-com-o-longa-metragem-testemunhamos-a-forca-do-crescimento-individual-e-familiar-que-emerge-de-um-processo-amoroso-e-doloroso-de-mudanca-crescer-so-e-possivel-a-partir-das-relacoes-e-da-coragem-de-transgredir-e-doi-mas-vale-a-pena" style="font-size:18px">Por fim, com o longa-metragem, testemunhamos a força do crescimento individual e familiar que emerge de um processo amoroso e doloroso de mudança. <strong>Crescer só é possível a partir das relações e da coragem de transgredir e dói, mas vale a pena</strong>!</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É um trabalho para toda a vida, aqui ilustrado na turbulência sagrada da adolescência e no impacto que ela provoca no universo parental. Encerro refletindo se o nosso maior desafio é lançar dos amuletos que nos aprisionam ou anestesiam, das antigas formas de proteção que já não nos servem para libertar o espírito do nosso próprio Panda, portanto, o convite permanece no ar: o que ainda mantemos aprisionado em nós, acreditando ser segurança, mas que, na verdade, impede o nosso crescimento?</p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/paula-borba-dos-santos/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/paula-borba-dos-santos/"><strong>Paula Borba dos Santos</strong> &#8211; <strong>Analista em formação pelo IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/">Glória G. de Miranda &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas" style="font-size:19px"><strong>Referências bibliográficas:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">BENEDITO, Vanda. <strong>Desafios à Terapia de Casal e de Família</strong>: Olhares junguianos da clínica contemporânea. 1. ed. São Paulo, Summus Editorial, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUGGENBÜHL-CRAIG, Adolf.<strong> O Abuso do Poder na Psicoterapia.</strong> 1. ed. São Paulo, Paulus, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <strong>Escritos diversos</strong>: Psicologia e Religião Ocidental e Oriental. 3. ed. Petrópolis, Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; <strong>A natureza da Psique.&nbsp; </strong>10. ed. Petrópolis, Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.<strong>Civilização em Transição.&nbsp; </strong>6. ed. Petrópolis, Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <strong>O Desenvolvimento da Personalidade. </strong>14. ed. Petrópolis, Vozes, 2013c.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RED: crescer é uma fera. Direção: Domee Shi. Produção: Lindsey Collins. [<em>S. l.</em>]: Pixar Animation Studios; Walt Disney Pictures, 2022. 1 filme (aprox. 100 min), son., color.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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