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	<title>Pedro Pimentel Rocha, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Pedro Pimentel Rocha, Autor em Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A sede pela realização em tempos áridos de alienação</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-sede-pela-realizacao-em-tempos-aridos-de-alienacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Pimentel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 14:06:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esse artigo levanta a questão da tão buscada realização, ser realizado. Como podemos entender o que é real, o que é concreto? Coloca-se a figura arquetípica do diabo, passando pelos conceitos de sombra, persona e individuação, bem como as falas e expressões socias na prática clínica sobre o alienar-se em prol de uma chancela social de ser realizado.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-sede-pela-realizacao-em-tempos-aridos-de-alienacao/">A sede pela realização em tempos áridos de alienação</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: Esse artigo levanta a questão da tão buscada realização, ser realizado. Como podemos entender o que é real, o que é concreto? Coloca-se a figura arquetípica do diabo, passando pelos conceitos de sombra, persona e individuação, bem como as falas e expressões socias na prática clínica sobre o alienar-se em prol de uma chancela social de ser realizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Atualmente, há uma pressão constante e visceral para que todos sejam completamente realizados em todos os campos possíveis da vida. Entretanto, esse ópio coletivo acaba drenando a vitalidade úmida da alma, bem como as oportunidades de auto revelação e expressão, sustentado na ignorância e superficialidade do terreno pessoal de conhecimento. Afinal, o que é realização, o que é ser realizado na vida?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao se pensar em algo realizado, a concepção do que é real aparece e se mostra. Ser real ou possuir qualidades que remetam a uma vivência real atravessa o reconhecimento da singularidade presente em cada um, como também a retirada da identificação com a persona e com os ditames coletivos e seus dogmas inquestionáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Viver em um coletivo preservando o subjetivo é uma combinação alquímica complexa e desafiadora, pois há o risco de ora sucumbir em uma mistura indiscriminada da expectativa gerada em nós, ora se excluir completamente da sociedade, levando a vida de um ermitão alicerçada no argumento de ser contra o sistema- gerando uma não adaptação necessária no mundo externo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">“As possibilidades de desenvolvimento comentadas nos capítulos anteriores são, no fundo, alienações de si-mesmo, modos de despojar o si-mesmo de sua realidade, em benefício de um papel exterior ou de um significado imaginário. Em ambos os casos, verifica-se uma preponderância do coletivo.” (JUNG, OC.7/2, §267)</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na psicologia Junguiana, o conceito de <strong>persona</strong> revela o modo como nos relacionamos com o mundo externos e seus objetos, a construção que elaboramos sustentada em imagem, qualidades e bases morais.</p>



<h2 id="h-muitas-vezes-o-peso-dessa-mascara-dessa-persona-solapa-quem-realmente-somos" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Muitas vezes, o peso dessa máscara, dessa persona, solapa quem realmente somos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Aquilo que tem o poder de realização, demonstrado ao longo dos mitos, contos e narrativas arquetípicas, muitas vezes não se encontra em um coletivo massificado que funciona como uma engrenagem perfeita e automática, mas sim em campos, em territórios, desconhecidos, distantes e contrastantes.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Ao analisarmos a persona, dissolvemos a máscara e descobrimos que, aparentando ser individual, ela é no fundo coletiva; em outras palavras, a persona não passa de uma máscara da psique coletiva. No fundo, nada tem de real; ela representa um compromisso entre o indivíduo e a sociedade, acerca daquilo que “alguém parece ser: nome, título, ocupação, isto ou aquilo.” (JUNG, OC.7/2, §246)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como ousarei ser um biólogo em uma família tradicional de médicos? A tradição dos meus ancestrais tem a força de trabalhar no campo da engenharia. Posso ingressar no campo da psicologia? Aprendi que a vida que realmente importa é aquela com um casamento firme e estável. Porém, a ideia de viver sendo solteiro/a me atrai, ou vice versa. Como lido com isso? A crença religiosa dos meus grupos de amigos é mais tradicional, mais ortodoxa. Entretanto me identifico com religiões ou cultos de origem africana ou oriental. Posso me permitir experienciar caminhos diferentes?</p>



<h2 id="h-se-permitir-questionar-o-proprio-caminho-e-um-ato-de-bravura" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Se permitir questionar o próprio caminho é um ato de bravura.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quem questiona ou reflete sobre seus passos e suas pegadas consegue ampliar suas marcas. A vida não é uma linha reta já definida impossível de ter curvas e reviravoltas. Todavia, se aventurar em outros caminhos contrários ou desconhecidos convoca os fantasmas da insegurança e das dúvidas sobre a própria competência e autorização interna de se reinventar. Essa postura é coibida pelo espirito da época vigente, pois o lema é: trabalhe, não pense; pague seus tributos e confie nos caminhos que todos já fizeram e foram “aprovados” pelo grupo. Ter uma atitude aquariana de ir ao oposto do já determinado e realizar um encontro com sua própria essência e individualidade leonina é rechaçado a todo instante, mas é o caminho que promove uma realização.</p>



<h2 id="h-o-conceito-do-se-individuar-do-tao-conhecido-processo-de-individuacao-passa-na-trilha-do-se-realizar-do-encontrar-aquilo-que-e-mais-genuino-e-autentico-em-si-devolvendo-e-compartilhando-com-o-coletivo-posteriormente-tudo-aquilo-que-conheceu-na-sua-propria-jornada" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">O conceito do se individuar, do tão conhecido processo de individuação, passa na trilha do se realizar, do encontrar aquilo que é mais genuíno e autentico em si, devolvendo e compartilhando com o coletivo posteriormente tudo aquilo que conheceu na sua própria jornada.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Logo, é um processo de desenvolvimento psíquico, uma elaboração da personalidade para um encontro com a totalidade, no qual há uma <strong>diferenciação da massa</strong> e uma <strong>integração em sua própria natureza</strong>, se tornando real.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“No processo de individuação antecipa uma figura proveniente da síntese dos elementos conscientes e inconscientes da personalidade. É, portanto, um símbolo de unificação dos opostos, um mediador, ou um portador da salvação, um propiciador de completude.”</em> <em>(JUNG, OC.9/1, § 278)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na lâmina 10 do tarô, a roda, há uma roda navegando em um mar; ou flutuando no ar. Esse tema arquétipo convida a não se apegar ao que foi construído e se lançar em uma reviravolta, em ficar balançando ou suspenso em um novo eixo. É uma porta, um portal, uma rachadura que se abre naquilo que é definitivo. Ser realizado abre inúmeras possibilidades de vivências. Afinal, qual a base da construção daquilo que nomeamos como válido? Quais pensamentos e orientações nos inspiram e para quais caminhos levam? O que fazemos com o que nos foi dado e estruturado?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Carregamos uma imagem tão bem formanda sobre nós, certezas tão arraigadas e consolidadas em um suposto saber. Assim como a terra rígida, seca, compactada, naturalmente raxa e abre vincos, a autodeterminação cega e alienada sobre o que há no profundo, formando uma carapaça de “intelectualidade” e bons costumes apoiadas em uma moral virtuosa, possui um prazo de validade. No primeiro impacto, se quebra. Nos primeiros ventos ou ondas do mar psíquico, não se sustenta. O fim de um casamento, a perda de um emprego, uma traição inesperada, uma quebra financeira, uma morte dolorida ou uma experiência anímica traumática. A roda gira, balança, revelando e forçando a realização da natureza interior.</p>



<h2 id="h-uma-figura-arquetipica-presente-nos-campos-ferteis-do-inconsciente-coletivo-e-o-diabo" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Uma figura arquetípica presente nos campos férteis do inconsciente coletivo é o diabo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Anjo caído que governa a matéria e suas riquezas. Senhor do oculto e daquilo que não se vê. A asa dupla que estabelece encruzilhadas e dúvidas; que questiona até que ponto conhecemos a totalidade da nossa natureza, inclusive a parte sombria. Um detalhe vale a pena ser colocado: a sombra tem riquezas. Queremos ser realizados? Então teremos que conversar com essa grande figura alada! Não é se identificar com o mal puro, com o mal coletivo e destruidor &#8211; como já dizia Jung, esse mal é real, tem efeitos psicológicos e concretos; mas sim conciliar as potências internas que ficaram misturadas e alocadas no território sombrio da realidade psíquica.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“A autonomia da psique cheira ao primitivo como algo demoníaco e mágico. Consideramos esta atitude perfeitamente normal do primitivo. (&#8230;) havia uma crença generalizada e natural em seres sobre-humanos que, segundo nosso conhecimento atual, eram personificações de conteúdos inconscientes projetados” (JUNG, OC.10/3, §843)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A sombra não é somente um território de podridão e perversidade. Lá contém energia psíquica bruta, não elaborada, rica em força, que não teve a oportunidade de sequer ser reconhecida. O ouro se encontra no fundo e é resultado de um processo constante e longo de temperatura e pressão. Negociamos, conversamos, mediamos, resgatamos, através dessa figura de duas asas, aquilo que nos pertence por direito da vida.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“A sombra, embora seja uma figura negativa per definitionesm, deixa entrever muitas vezes traços ou associações positivas, os quais apontam para um cenário de outro tipo. É como se ela escondesse conteúdos significativos sob um invólucro inferior” (JUNG, OC 9/1, §485)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-a-realizacao-surge-quando-a-prima-materia-se-transmuta-em-lapis-em-ouro-alquimico-apos-um-processo-de-idas-e-vidas-de-subidas-e-descidas-de-altos-e-baixos" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A realização surge quando a prima matéria se transmuta em lápis, em ouro alquímico após um processo de idas e vidas, de subidas e descidas, de altos e baixos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É quase um senso comum que a realização vem no final da vida, depois de uma caminhada árdua de encontros e desencontros. Estamos com paciência, tolerância, para vivenciar esse tempo? Conseguimos sustentar a angústia que esse processo estimula? Em uma época na qual o imediatismo é soberano, não há espaço para a inteligência e para os processos lunares, de autoconhecimento profundo. Uma postagem e uma curtida valem muito mais do que o silêncio de encontrar a si mesmo, mesmo que seus efeitos colaterais sejam um aumento da sensação de solidão, de viver uma vida falsa ou aquela insônia que perturba a nossa paz fraudulenta.</p>



<h2 id="h-lancemos-agora-a-pergunta-de-um-milhao-voce-venderia-sua-alma-em-troca-de-um-reconhecimento-coletivo-e-a-seguranca-de-um-pertencer-em-grupos-sinalizando-um-sucesso-uma-chancela-do-eu-me-realizei" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Lancemos agora a pergunta de um milhão. Você venderia sua alma em troca de um reconhecimento coletivo e a segurança de um pertencer em grupos, sinalizando um sucesso, uma chancela do “Eu me realizei”?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Somos inundados a todo momento por marcadores socias de uma realização: uma eficiência, uma produtividade no trabalho reconhecido por todos; promoções sucessivas e repletas de glória; carros importados e viagens anuais para Europa; graduação em Medicina; um casamento alegre, vivo, instagramável, com filhos, cachorros. A grande questão não é conseguir todos esses marcadores, mas sim ser definidos por eles. Negociar a alma, ou seja, aquilo que há de mais profundo, a água que umidifica a vida, o humus que conecta e aduba a consciência e o viver o aqui e agora, pode levar a derrocada de uma realização real e profunda.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Individuação significa tornar-se único, na medida em que por “individualidade” entendermos nossa singularidade mais intima, última e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo. Podemos pois traduzir “individuação” como “tornar-se a si -mesmo” ou “realizar-se do si-mesmo””. ( JUNG, OC</em> <em>7/2, §266)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-na-pratica-clinica-nao-e-raro-ouvir-de-pessoas-a-queixa-de-se-sentir-falsificado-vivendo-de-uma-maneira-artificial-mesmo-obtendo-tudo-que-o-coletivo-exige-e-chancela" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Na prática clínica, não é raro ouvir de pessoas a queixa de se sentir falsificado, vivendo de uma maneira artificial, mesmo obtendo tudo que o coletivo exige e chancela.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Eu me sinto como uma fraude para minha esposa”; “o meu trabalho é somente para pagar boleto”; “não consigo mais ter libido, nem ereção na hora do sexo”; “me sinto um grande impostor para mim mesmo”. </em>As águas internas, a ânima, o eros, precisam de um corpo, de uma terra adequada para poder se concretizar, se realizar, se manifestar. Compramos gato por lebre quando o assunto é autocuidado e expressão do nosso pleno potencial. A cegueira com sua enganação de si se tornou a nova referência do bom sucesso e do que é real.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A culpa é do masculino destruidor ou a culpa é das mulheres que querem ser bancadas. Até mesmo o encontro mais profundo dessas duas potências da realidade psíquica foi deturpado. A diferenciação e a união/agregação se tornaram brigas e rixas, aprofundando o abismo do encontro com o outro, ou seja, o encontro com nós mesmos, que leva ao caminho de se tonar real.</p>



<h2 id="h-por-fim-a-busca-insaciavel-para-sermos-realizados-com-sua-furia-enlouquecida-baseada-em-uma-corrida-de-vantagens-intoxica-quem-entra-nessa-ilusao" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Por fim, a busca insaciável para sermos realizados com sua fúria enlouquecida baseada em uma corrida de vantagens intoxica quem entra nessa ilusão.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ser real, não é andar pela vida de maneira inconsequente e irreflexiva achando que o meio ambiente e o meio que nos cerca é obrigado a aceitar aquilo que eu sou, meus comportamentos e minhas ideias e falas. É olhar para dentro e conseguir enxergar a multiplicidade com sua complexidade; é ir além de um sucesso profissional, de ter um relacionamento pleno; é encontrar aquilo que há de mais caro em nós mesmos, é nos encontrar e nos enfrentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É não ser perfeito, é ser inteiro. É expressar a verdade que nos toca, é ampliar imagens e os afetos que nos atravessa; é olhar para as fraquezas e as potencialidades. É ter a abertura para o mundo, reconhecer que a realidade do outro e a minha realidade constroem verdades distintas, que precisam ser integradas e acolhidas para que um dia consigamos transformar a realidade coletiva com suas verdades preconceituosas ou discriminatórias. É ser concreto e íntegro conectado com a totalidade, criando e sendo criativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/pedro-rocha/">Pedro Pimentel Rocha &#8211; Analista em Formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi – Analista Didata</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vídeo convite:</p>



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<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>O eu e o inconsciente</strong>. OC.7/2. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</strong>. OC.9/1. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Civilização em transição</strong>. OC.10/3. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.ijep.com.br/cursos/show/introducao-a-teoria-de-carl-gustav-jung-curso-on-line-ao-vivo-32-horas"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="414" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-1024x414.png" alt="" class="wp-image-13090" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-1024x414.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-300x121.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-768x311.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-150x61.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-450x182.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao-1200x486.png 1200w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/06/card-curso-de-introducao.png 1500w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Inscrições abertas no <strong>Curso de Introdução à Teoria de C.G. Jung</strong> &#8211; Para Graduados em Geral &#8211; Vagas limitadas: <a href="https://www.ijep.com.br/cursos/show/introducao-a-teoria-de-carl-gustav-jung-curso-on-line-ao-vivo-32-horas" type="link" id="https://www.ijep.com.br/cursos/show/introducao-a-teoria-de-carl-gustav-jung-curso-on-line-ao-vivo-32-horas">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<item>
		<title>Quando os titãs capturam os relacionamentos afetivos e a violência vira seu palco</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/quando-os-titas-capturam-os-relacionamentos-afetivos-e-a-violencia-vira-seu-palco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Pimentel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Nov 2025 14:09:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Nesse artigo, a temática da violência crescente nos relacionamentos afetivos é ampliada e debatida, passando pela metáfora dos titãs e da inconsciência ao se relacionar. A questão de como a ira e a agressividade ganham força também é abordada, levando em consideração a cultura atual e os ditames coletivos. Uma visão da sombra coletiva [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Resumo</strong>: Nesse artigo, a temática da violência crescente nos relacionamentos afetivos é ampliada e debatida, passando pela metáfora dos titãs e da inconsciência ao se relacionar. A questão de como a ira e a agressividade ganham força também é abordada, levando em consideração a cultura atual e os ditames coletivos. Uma visão da sombra coletiva é destacada como um dos pilares da violência e da agressividade rompante na sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-premissa-de-todo-relacionamento-afetivo-saudavel-criativo-e-funcional-o-conhecimento-minimo-sobre-a-natureza-subjetiva-daquele-que-se-propoe-a-compartilhar-dores-alegrias-sorrisos-e-angustias-com-o-outro" style="font-size:20px">É premissa de todo relacionamento afetivo saudável, criativo e funcional o conhecimento mínimo sobre a natureza subjetiva daquele que se propõe a compartilhar dores, alegrias, sorrisos e angústias com o outro.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A delegação da responsabilidade própria de se autogerir e de se administrar emocionalmente ao outro acaba solapando um desenvolvimento conjunto e direcionado para uma finalidade construtiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Logo, abrir mão da própria capacidade de reconhecer quais aspectos precisam ser elaborados (presentes em uma projeção de conteúdos inconscientes), encarcera o movimento recíproco do dar e receber. A dinâmica do poder e do controle é a ferramenta titânica mais eficiente para a promoção da violência e da anestesia do tear vínculos e relações. &nbsp;Ferramenta estimulada a todo momento pela cultura, grupos e mídias sociais e contextos familiares.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:21px"><blockquote><p>Não resta dúvida que o mal provém, em grande parte, da inconsciência ilimitada do homem, como também é verdade que um conhecimento mais profundo nos ajuda a lutar contra as causas psíquicas do mal.</p><cite>Jung, OC.10/3, §166</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Quanto mais inconscientes somos sobre o que nos atravessa, mais a consciência é invadida por conteúdos sombrios e pelas constelações dos complexos. Assim, em uma dinâmica conjugal, a razão e o discernimento são afastados, sendo substituídos pela ação do aspecto primitivo inconsciente de todo ser humano, anunciando a entrada em campo da força violenta e bruta dos titãs. Deste modo, se tem um embate entre sombras e não entre vozes conscientes e direcionadas a um amor compartilhado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-explica" style="font-size:20px">Jung explica:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>De modo geral, estas resistências ligam-se a projeções que não podem ser reconhecidas como tais e cujo conhecimento implica um esforço moral que ultrapassa os limites habituais do indivíduo. Os traços característicos da sombra podem ser reconhecidos, sem maior dificuldade, como qualidades pertinentes à personalidade, mas tanto a compreensão como a vontade falham, pois a causa a emoção parece provir, sem dúvida alguma, de outra pessoa.</p><cite>OC 9.2, §16</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-outro-alicerce-para-relacoes-abusivas-e-violentas-e-o-falsear-aquilo-que-somos" style="font-size:20px">Um outro alicerce para relações abusivas e violentas é o falsear aquilo que somos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A espontaneidade é o aroma que encanta e atrai multidões como também desperta fúria e perseguições. A angústia em ver no parceiro/a aquele lado que tanto foi renegado ou subvalorizado por mim, provoca terremotos e tsunamis emocionais profundas, capazes de destronar a consciência e levar o indivíduo a todo tipo de barbárie.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A inveja &#8211; aspecto genuinamente humano &#8211; daqueles que conseguiram expressar aquilo que tanto foi negado por mim é uma força que ganha intensidade quando a superficialidade se torna regra nas relações. A frustração interna em não ter trabalhado possibilidades e potências inerentes e múltiplas do ser se espelha em uma frustração externa, que se faz ser reconhecida independente da vontade pessoal, das defesas e compensações inconscientes.&nbsp; Esse movimento profundo de autoalienação cobra um preço alto e exige uma conscientização amarga, que infelizmente é desaguado nos parceiros/as.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A autoalienação é uma erva daninha que se espalha e se expressa de inúmeras formas. Seja em uma busca insaciável por um corpo perfeito, volumoso, com veias e voz grossa; seja por encantos de uma distorcida imagem social luxuosa ostentada em redes sociais com viagens e objetos de luxo. <strong>O território desconhecido em mim é o lugar de morada dos titãs</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Na mitologia, as figuras simbólicas dos titãs representam tanto uma força poderosa,&nbsp; intensa, construtiva da terra como a destruição brutal e domínio da consciência pelos instintos e forças primitivas. <strong>March</strong> comenta: “<strong><em>Depois Urano fecundou Gaia, que deu à luz a raça dos deuses primordiais conhecidas como titãs: Oceano, Ceos, Crio, Hiperio etc..</em></strong>” (March, 2016, p.42)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vale-ressaltar-que-a-fuga-de-si-mesmo-nao-poder-ser-abafada-por-uma-dependencia-afetiva-ou-seja-por-uma-ausencia-constante-daquilo-que-me-toca-e-me-afeta-genuinamente" style="font-size:20px">Vale ressaltar que a fuga de si mesmo não poder ser abafada por uma dependência afetiva, ou seja, por uma ausência constante daquilo que me toca e me afeta genuinamente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A maior plenitude de uma consciência é ter a sensibilidade psíquica, corporal, espiritual de poder ser tocada, mexida, afetada, sendo posteriormente elaborada, ampliada e integrada. Entretanto, não é um movimento inconsciente ao outro enredado por traumas, dores, ausências maternas, paternas que irá preencher um vazio infinito de valorização e de reconhecimento. Esse poço apenas pode ser preenchido por uma redenção ao centro solar, uno, que vivifica toda a vida; a autopercepção honesta, profunda e misericordiosa entoada pelo Si mesmo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-violencia-titanica-de-um-ser-humano-ignora-todas-as-dependencias-e-interrelacoes-necessarias-com-o-meio-que-o-cerca" style="font-size:20px">A violência titânica de um ser humano ignora todas as dependências e interrelações necessárias com o meio que o cerca.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O que se tem é o uso da natureza como uma serviçal pronta para qualquer tipo de satisfação imediata e fugaz. Então, a partir do momento que há um corte no olhar observador que singulariza a natureza viva daquilo que chega até mim, o descarte, a agressão e o uso desalmado ganham palco. Então, podendo levar à fúria dos inconscientes e à derrocada de um encontro criativo e vivo.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>A sequência desses fenômenos é de certo modo ordenada por dois arquétipos, o da anima que exprime vida incondicional, e o do “velho sábio”, que personifica a mente.</p><cite>Jung, OC.14/1. §307</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-ataque-violento-contra-a-figura-feminina-denota-uma-agressao-contra-a-propria-vida-que-se-torna-insuportavel-de-ser-vivida-e-sentida-aquela-que-se-torna-falsa" style="font-size:20px">O ataque violento contra a figura feminina denota uma agressão contra a própria vida que se torna insuportável de ser vivida e sentida, aquela que se torna falsa.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A projeção da anima em mulheres, na comunidade homoafetiva e em tudo aquilo ligado ao sensível se transforma no alvo inconsciente a ser destruído por lembrar ao ego a dor e angústia profunda de se abandonar. A figura do feminino passa a carregar a ameaça constante do precipício que convida o ego massificado e ignorante de si mesmo a pular dentro (como uma tentativa de se resgatar).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-negacao-da-anima-da-vida-e-sua-conexao-gera-uma-ferida-angustiante-que-a-todo-tempo-relembra-sua-presenca-e-o-seu-vazio-jung-cita" style="font-size:20px">A negação da anima, da vida e sua conexão, gera uma ferida angustiante que a todo tempo relembra sua presença e o seu vazio. <strong>Jung </strong>cita:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>A anima em seu aspecto negativo, isto é, quando ela, permanecendo inconsciente, oculta-se no sujeito e exerce uma influência possessiva sobre ele. Os sintomas principais dessa possessão são de uma parte caprichos cegos e confusões compulsivas, e de outra parte isolamento, frio e sem nenhum relacionamento, numa atitude de princípios (confusão de ideias).</p><cite>OC. 4/2, §204</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-monick-complementa" style="font-size:20px"><strong>Monick</strong> complementa:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Na fúria, a tempestade de resposta emocional nasce da necessidade urgente que o homem experimenta de proteger e salvar a sua identidade, o seu próprio ser- isso e/ou a retaliação da ofensa que está sobre ele, como ela é percebida subjetivamente. A ira pode ser a emoção que se sente quando não há nada a fazer. É mais provável que surja a fúria quando o homem se sente incapaz.</p><cite>Monick, 1993, p. 116</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-espirito-da-epoca-cada-vez-mais-raso-seco-egoista-indiferente-estimulando-a-produtividade-e-performance-a-todo-custo-alavanca-a-ira-e-o-controle" style="font-size:20px">O espírito da época cada vez mais raso, seco, egoísta, indiferente estimulando a produtividade e performance a todo custo alavanca a ira e o controle.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Como consequência, a raiva profunda em ser decepado, castrado, dividido e desmembrado em uma cama que não cabe a grandeza e a riqueza de ser quem somos é enterrada no inconsciente. Logo, a não permissão de sermos vistos com a totalidade intrínseca e inerente ao humano somado com a anestesia da capacidade de ligação com o mundo, com a natureza com aquilo que nos cerca, acaba constelando os titãs e ogros que habitam em todos nós.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ampliando-o-tema-monick-comenta" style="font-size:20px">Ampliando o tema, Monick comenta:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>A fúria masculina é uma indicação de que um homem está em contato pessoal e doloroso com um ferimento profundo, até mesmo com o não-ser. Pode-se receber essa fúria, e afastar-se dela, julgando-a com dureza adequada, mas sem um mínimo de compreensão. </p><cite>Monick, 1993, p. 119</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Até que ponto a cultura vigente permite que haja um espaço para que a raiva e a exposição de feridas masculinas emocionais sejam elaboradas? Enquanto coletivo, abafamos a fúria ou damos espaço para que ela seja ouvida?</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-revolta-da-sombra-se-faz-presente-na-consciencia-de-todos-aqueles-que-vivem-de-maneira-inconsciente" style="font-size:20px">A revolta da sombra se faz presente na consciência de todos aqueles que vivem de maneira inconsciente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Seu motim, seu grito, é proclamado em alto e bom tom em todos de forma explicita ou implícita, degradando relacionamentos e vínculos conjugais. Como consequência, a raiva se intensifica e toma o lugar da consciência.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>O campo amplo e vasto do inconsciente, não alcançado pela crítica e pelo controle da consciência, acha-se aberto e desprotegido para receber todas as influências e infecções psíquicas possíveis.</p><cite>Jung, OC. 10/1, §493</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Nas consciências pautadas pelo princípio masculino, pode se expressar através da sequência extrema de socos e golpes em algo delicado; pela brutalidade de respostas desconcertantes e fora de contexto; pela indiferença do sentir do outro; na cegueira em momentos de abertura daquilo que fere e causa sofrimento, angústia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Por outro lado, nas consciências pautadas pelo princípio feminino, pode se manifestar através de manipulações emocionais sutis e perversas; pelo controle da vida e dos movimentos do outro com uma voz aveludada e mansa; pela ambiguidade proposital de palavras, falas e atos; pela sedução e jogo de sinais afetivos deturpados e com aroma podre; ou até mesmo pelo uso efetivo e camuflado de benefícios que esconde a busca por um novo pai e não um parceiro ao lado.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Dizer que um indivíduo “teve um acesso de raiva” significa que algo caiu sobre ele e o subjugou; que o demônio está montado nele; que está possesso e que alguma coisa penetrou em seu íntimo.</p><cite>Jung, OC.8.2, §627</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">É importante destacar que gentileza e proteção, compaixão e apoio, atos de afeto e trocas são raízes de qualquer relacionamento saudável que busca uma construção conjunta. Entretanto, quando a invisibilidade do outro; quando há a percepção de um corpo vivo como um objeto ou um negócio que pode angariar benefícios; quando a minha total inconsciência sobre o que me desafia e me atravessa; a terra alquímica da união entre polos diferentes se torna seca, abrindo rachaduras através das quais o clamor das sombras e o grito dos titãs internos saem e fazem presença. Sendo todo esse processo iluminado com a coroa da violência e da destruição.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-fenomeno-moderno-comum-na-atualidade-e-colocar-estigmas-nas-relacoes-padroes-de-classificacao" style="font-size:20px">Um fenômeno moderno comum na atualidade é colocar estigmas nas relações, padrões de classificação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A fuga de relações profundas ao classificar “ficantes” em várias categorias cobra seu preço quando a ausência do contato (necessidade arquetipicamente humana) fala mais forte. Ao se colocar barreiras, requisitos a serem conquistados, avaliações empresariais e capitalistas em um campo afetivo e de aproximação e constituição de vínculos, uma faixa preta de alienação é amarrada nos olhos, na percepção de alma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">A máquina das redes socias em criar fantasias, as denúncias falsas de agressões de parceiros/as, a demonização e destruição da imagem masculina com a vulgarização interesseira da feminina alimentam nossos titãs. Formas de violência profunda que permeiam o campo social e coletivo. Se engana quem pensa que essa força agressiva, titânica, estimulada a todo instante “desaparece” em um passe de mágica ou por discursos ideológicos. É necessário o enfrentamento de si mesmo.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>A culpa coletiva psicológica é uma fatalidade trágica; atinge a todos, justos e injustos, que, de alguma maneira, se encontravam na proximidade do crime.</p><cite>Jung, OC.10/2, §405</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mais-uma-vez-a-sombra-coletiva-tem-seu-peso-sua-voz-e-sua-forca-de-atuacao-no-inconsciente-coletivo-e-pessoal" style="font-size:20px">Mais uma vez, a sombra coletiva tem seu peso, sua voz e sua força de atuação no inconsciente coletivo e pessoal.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">Aquilo que não é reconhecido na dinâmica coletiva se manifesta em dinâmicas particulares, seja em relacionamentos seja em uma indisponibilidade para criar vínculos. O caminho não é a instrumentalização dessa força para se obter lucro, mas sim uma identificação, mediação, integração e diálogo não excludente da sua própria existência e eficácia.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>A figura da sombra personifica tudo o que o sujeito não reconhece em si e sempre o importunam, diretamente ou indiretamente, como por exemplo traços inferiores de caráter e outras tendências incompatíveis.</p><cite>Jung, OC.9.1, §513</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Por fim, a amplitude da experiência humana, que permite uma ampliação de consciência, está sendo encaixotada em uma esteira de massificação e padronização de produtos</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px">O produto do relacionamento perfeito, instagramável, que atende todos os requisitos de um casal margarina que anda pelos campos com um cachorro <em>gold retriver</em>. Ou seja, uma ilusão que captura e sequestra a possibilidade de transformação mútua quando se relaciona afetivamente com alguém. A propaganda é: compre esse produto e não se preocupe em integrar os conteúdos sombrios e dos complexos. A máquina das redes socias e denúncias fazem o resto.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Quando os titãs capturam os relacionamentos afetivos e a violência vira seu palco&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/H_tk5-ZsZbc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/pedro-rocha/">Pedro Pimentel Rocha &#8211; Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi – Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>A natureza da psique</strong>.<strong>OC.8.2</strong> Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Os arquétipos e o inconsciente coletivo. OC.9/1</strong>. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Aion. Estudo sobre o simbolismo do Si-mesmo</strong>.<strong>OC.9.2</strong> Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Presente e futuro. OC.10/1</strong>. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Aspectos do drama contemporâneo. OC.10/2</strong>. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Civilização em transição. OC.10/3</strong>. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Mysterium Coniunctionis. OC.14/1</strong>. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Mysterium Coniunctionis. OC.14/2</strong>. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">MARCH, J. <strong>Mitos clássicos</strong>. 2ªd – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016</p>



<p class="wp-block-paragraph">MONICK, E. <strong>Castração e fúria masculina: a ferida fálica</strong>. São Paulo: editora paulinas, 1993.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br"><strong>www.ijep.com.br</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A alquimia simbólica celeste através dos signos astrológicos</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-alquimia-simbolica-celeste-atraves-dos-signos-astrologicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Pimentel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Aug 2025 18:50:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alquimia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=11074</guid>

					<description><![CDATA[<p>Resumo: O simbolismo da alquimia é uma base sólida da psicologia junguiana, sendo o conhecimento da astrologia também referenciado em alguns momentos por Jung em sua obra. Nesse artigo aborda-se a relação simbólica entre os princípios fundamentais da alquimia &#8211; sal, mercúrio e enxofre &#8211; com o panteão astrológico e seus signos, tendo como foco [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-alquimia-simbolica-celeste-atraves-dos-signos-astrologicos/">A alquimia simbólica celeste através dos signos astrológicos</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.5"><strong>Resumo</strong>:<strong> O simbolismo da alquimia é uma base sólida da psicologia junguiana, sendo o conhecimento da astrologia também referenciado em alguns momentos por Jung em sua obra. Nesse artigo aborda-se a relação simbólica entre os princípios fundamentais da alquimia &#8211; sal, mercúrio e enxofre &#8211; com o panteão astrológico e seus signos, tendo como foco a transformação da personalidade humana e a</strong> <strong>ampliação de consciência. Como esses temas conversam entre si e quais as relações possíveis de serem feitas serão abordadas e ampliadas.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-processo-de-transformacao-interna-e-ampliacao-daquilo-que-somos-sempre-foi-um-tema-buscado-pela-historia-da-humanidade" style="font-size:19px">O processo de transformação interna e ampliação daquilo que somos sempre foi um tema buscado pela história da humanidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Vários povos e culturas representaram esse ciclo, essa busca para o centro subjetivo profundo, através de imagens arquetípicas ricas em símbolos, como uma forma de criar uma ponte entre o inconsciente e a consciência. Assim, uma transmutação daquilo que somos e a compreensão daquilo que constitui a natureza humana- como potências e desafios- formam os pilares de todo desenvolvimento psicológico ou, em termos junguianos, <strong>processo de individuação</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">É importante mencionar que os conteúdos internos essenciais e arquetipicamente humanos, as potências do desenvolvimento, são projetados nas imagens arquetípicas como um meio para sua elaboração, integração e conscientização. Essa busca por aquilo que nos toca, nos afeta, nos enriquece e desafia foi estimulada com a ampliação de símbolos, que carregam a dualidade, o paradoxo, presentes nas imagens astrológicas, alquímicas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-alquimia-a-arte-simbolica-da-transmutacao-de-metais-e-o-sistema-simbolico-astrologico-sao-um-dos-conhecimentos-mais-antigos-complexos-e-ricos-que-a-cultura-humana-ja-produziu" style="font-size:19px">A <strong>alquimia</strong>, a arte simbólica da transmutação de metais, e o sistema simbólico astrológico são um dos conhecimentos mais antigos, complexos e ricos que a cultura humana já produziu.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Em seu grau mais elevado, representam como ocorre o processo de regeneração de uma consciência limitada, se apoiando na integração de elementos e conteúdos da personalidade inconsciente. <strong>Jung</strong> cita: “<em>Dorneus traça um paralelo perfeito entre a obra alquímica e a transformação moral e intelectual do homem</em>” (Jung, OC.12, §336).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Nesse processo, os metais, estruturas rígidas da personalidade endurecida, passam por um fogo alquímico que o abrirá para a totalidade da natureza humana, simbolizada pela sequência dos doze signos &#8211; panteão astrológico -ou pelas transmutações dos metais alquímicos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>A roda da vida é composta de um sistema ternário, sendo que os três princípios do mundo se encontram no centro: o galo, que representa a concupiscência, a serpente que representa o ódio ou a inveja e o porco, que representa a ignorância ou inconsciência. </p><cite>(Jung, OC.12, §123)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">O ser humano é um vaso alquímico por excelência com capacidade de absorção e transformação psicológica profunda, ao estar aberto para os ciclos externos universais carregado de temas arquetípicos que se refletem nos ciclos internos naturais em um processo simbólico de desenvolvimento psíquico há muito tempo desenhado no céu (simbolizado pela astrologia) com repercussão na matéria subjetiva (alquimia).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Pensa-se naturalmente que esse vaso é uma espécie de retorta ou frasco; mas logo se percebe que tal concepção é inadequada, porquanto o vaso é muito mais uma ideia mística, um verdadeiro símbolo, como todas as ideias principais da alquimia. </p><cite>(Jung, OC.12, §338)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Quando se fala em tocar, explorar o desconhecido, principalmente quanto a natureza profunda de algo, há duas formas básicas a serem utilizadas: A maneira racional, cartesiana, literal, objetiva ou a simbólica, ampliativa, rica. A astrologia e alquimia se baseiam nessa segunda maneira de olhar os fenômenos da vida psíquica. Além do mais, a intelectualidade e a razão possuem um limite quando se fala em profundezas, pois não conseguem abarcar o contraditório, a antinomia e a função transcendente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-perrot-comenta" style="font-size:19px"><strong>Perrot</strong> comenta:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>(&#8230;) voltamos a uma forma de pensamento próxima da dos filósofos gregos anteriores a Sócrates, chamados físicos, isto é, exploradores da natureza, não sendo dissociados entre eles, o interior e o exterior. Procuravam compreender o homem não com a ajuda de conceito, mas usando imagens e meditando sobre elas, e descrevendo forças que o fazem nascer, o animam e o conduzem a seu termo, forças que movem o corpo, espírito e a alma, e que por isso podem ser traduzidas por meio dos elementos que constituem o universo material: o fogo, a água, a terra e o ar. </p><cite>(p.115, 1998)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-uma-aproximacao-simbolica-e-possivel-associar-os-3-elementos-basicos-da-alquimia-sal-enxofre-e-mercurio-com-os-12-signos" style="font-size:19px">Em uma aproximação simbólica, é possível associar os 3 elementos básicos da alquimia- sal, enxofre e mercúrio &#8211; com os 12 signos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Quando se observa o panteão dos 12 signos astrológicos, é possível dividi-lo em 2 grandes grupos: separando pelos 4 elementos (fogo, ar, água, terra) e pelas 3 modalidades (signos cardinais: áries, câncer, libra e capricórnio. Signos fixos: touro, leão, escorpião e aquário. Signos mutáveis: gêmeos, virgem, sagitário e peixes)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essas-3-modalidades-podem-ser-associadas-simbolicamente-aos-3-elementos-principais-do-processo-de-transmutacao-alquimica-sal-enxofre-e-mercurio" style="font-size:19px"><strong>Essas 3 modalidades podem ser associadas simbolicamente aos 3 elementos principais do processo de transmutação alquímica: sal, enxofre e mercúrio</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Sobre o quaternário, <strong>Jung</strong> cita: <em>&#8220;(&#8230;) dá-se isto por um dos mais antigos esquemas de ordenação que a história conhece, isto é, pela quaternidade que sempre representa uma totalidade refletida, ou respectivamente diferenciada&#8221; </em>(Jung, OC.14/1, §255).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" id="h-a-divisao-em-doze-capitulos-nao-e-desprovida-de-significacao-simbolica-na-alquimia-o-doze-desempenha-um-papel-como-numero-dos-meses-das-horas-do-dia-e-da-noite-ou-como-os-doze-signos-do-zodiaco-com-os-quais-as-fases-da-obra-sao-as-vezes-relacionadas-jung-oc-14-3-163" style="font-size:19px"><blockquote><p>A divisão em doze capítulos não é desprovida de significação simbólica. Na alquimia, o doze desempenha um papel como número dos meses, das horas do dia e da noite ou como os doze signos do zodíaco com os quais as fases da obra são às vezes relacionadas.</p><cite>(Jung, OC.14/3, §163)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Assim, ampliando a dinâmica relacional simbólica desses 2 grandes grupos, poderíamos chegar na ideia da atuação desses 3 princípios simbólicos alquímicos (a base do movimento e o ritmo da vida) em cada elemento da matéria, o quarteto estruturante que permite aprofundamento (a matéria e estrutura da vida).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Perrot expõe: “<strong><em>A alquimia e a obra interior, da qual ela é um dos nomes, é a arte dos ritmos. Sua primeira e última palavra é aderir ao movimento do instante, estando pronta para aceitar a mudança e para passar do escuro ao claro, do úmido ao seco, do alto ao baixo, e vice-versa</em></strong>.” (p.377-378, 1998)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Logo, tendo como base simbólica essas combinações, é possível delinear o processo de individuação e desenvolvimento psíquico se baseando na alquimia celeste, presente na cultura humana desde os primórdios.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ele-e-apresentado-como-prima-materia-da-qual-procedem-as-tres-substancias-fundamentais-mercurius-sulphur-e-sal-jung-oc-13-171" style="font-size:19px">“Ele é apresentado como prima matéria, da qual procedem as três substâncias fundamentais: <em>mercurius, sulphur</em> e sal.” (Jung, OC.13, §171)</h2>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-modalidade-cardinal-revela-a-materia-basica-da-vida-o-principio-a-base-fundante-a-estrutura-primordial-o-chao-de-onde-tudo-brota" style="font-size:19px">A modalidade cardinal revela a matéria básica da vida, o princípio, a base fundante, a estrutura primordial, o chão de onde tudo brota.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Carrega aquela potência bruta que voltará purificada após uma jornada de reelaborações e transformações. Todo início de processo de individuação, partimos daquilo que foi sedimentado pelas experiências carregadas de afeto, pelos complexos estruturantes da psique. Herdamos padrões arquetípicos, núcleos temáticos que são reatualizados a cada época e tempo. Assim, uma estrutura básica e central habita em cada ser humano, conjugando forças psíquicas que, ao se relacionarem entre si, possibilitam a expressão daquilo que somos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Isto é: o impulso ariano possibilita violência desmedida ou coragem de viver a vida de maneira autêntica. O se relacionar libriano constrói pontes e vínculos, fortalecendo a humanidade ou se dissolve em indecisões e concessões desmedidas, injustas e cegas. A capacidade de se afetar e identificar emoções das águas cancerianas se tornam domínio e chantagem emocional ou uma entrega para o pertencimento à vida. A capacidade de construir capricorniana edifica estruturas capazes de sustentar civilizações ou se enrijece em aridez interna.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">O sal é um elemento que pode ser associado ao conhecimento e a sabedoria após a passagem de um ciclo, de uma experiência. Jung comenta: “o sal é aqui indubitavelmente a compreensão, o entendimento e a sabedoria.” (Jung, OC.14/1, §319). É através da matéria prima bruta das experiências da vida que o sal do conhecimento é adquirido.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Essa base inicial, essa matéria prima bruta, negra, fétida é cardinal, é básica, é um substrato que permite o início e a base estrutural da experiência da vida. É de onde chegamos ignorantes, com a consciência rígida, unilateral e fria e para onde retornaremos, após o mergulho profundo, inevitável e transformador no ciclo fixo e a expressão genuína no mundo no ciclo mutável- conquistando sabedoria.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nas-palavras-de-jung" style="font-size:19px">Nas palavras de Jung:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Entretanto, em nosso estado, como se deduz da passagem citada, ele é seguramente o sal, de que se diz: “E isto é o que buscamos: pois ele encerra em si todos os nossos segredos”.&nbsp; O sal, porém, “tem sua origem no mercúrio”. O sal é, pois, um símbolo da substância do arcano. </p><cite>(Jung. OC.14/1, §312)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A modalidade fixa anuncia o processo de descida no mundo interior e nos níveis daquilo que somos e conteúdos que carregamos; partimos para jornada de aprofundamento no inconsciente pessoal e coletivo e encaramos aquilo que negamos. Para criarmos consciência e sairmos do indiferenciado, daquela matéria básica, um grande esforço e coragem de fixarmos em processos profundos fixos (sempre presentes) são demandados. Não há como ter um profundo conhecimento de si mesmo sem mergulhar e respeitar o tempo do processo reflexivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Desse modo, provamos e sentimos a estabilidade e o conforto que o nosso corpo e matéria taurina oferecem. Expressamos criativamente e de maneira ardente a mais bela luz artística leonina. Transmutamos as sombras escorpianas na intensidade e profundidade de viver e no deleite do prazer. Reformamos e questionamos com argumentações aquarianas aquela individualidade que merece ser reformada e ampliada. Portanto, a essência não é revelada sem sentirmos o aroma do enxofre.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>O enxofre é um elemento que corrói a superficialidade e revela o íntimo, o segredo, de todo processo</strong>. Em todo processo de renovação, sua presença é requisitada. Durante o processo de transformação, aquilo que ainda tem um peso insustentável precisa ser reelaborado. Simbolicamente, o enxofre é associado ao diabo, aos campos infernais. Pois bem; quem quer se conhecer, em campos governados por Hades, por plutão, deve entrar e lá permanecer por um tempo fixo. No final processo, todo o impuro, o cindido, o dividido, será reintegrado, liberando a força da alma e a totalidade multifacetada.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Logo, na associação do enxofre com os signos da modalidade fixa, temos a transformação, o corroer interno, a descida e a busca pela profundidade, pela luz e pela sombra. A ação para dentro. &nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-retornamos-agora-ao-sulphur-do-que-foi-dito-ate-aqui-conclui-se-que-o-sulphur-e-a-concentracao-das-virtudes-de-uma-substancia-ativa-jung-oc-14-1-138" style="font-size:19px">Segundo Jung: “<strong><em>Retornamos agora ao sulphur. Do que foi dito até aqui conclui-se que o sulphur é a concentração das virtudes de uma substância ativa</em></strong>.&#8221;(Jung, OC.14/1, §138)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">A modalidade mutável remete ao movimento do individual atuando no coletivo, experimentando a multiplicidade e o criar na vida, alicerçada na dualidade, na mobilidade e volatilidade. Após o movimento de integração de conteúdos inconscientes e, consequentemente, da renovação e ampliação da personalidade, a contribuição singular da consciência solar se dirige para o coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Dessa maneira, expandimos com alegria nos grupos sagitarianos filosofando e compartilhando os grandes ideais. Olhamos para as dualidades do mundo e desenvolvemos linguagens, palavras geminianas que possibilitarão comunicação. Selecionamos e purificamos nossa rotina e grãos virgens para desenvolver uma consciência equilibrada, justa e integra. Integramos e reconhecemos a totalidade plástica psíquica, colorida das águas piscianas, a matriz da qual tudo nasce e retorna. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Deste modo, o princípio mercurial se adequa a essa modalidade ao revelar que todo princípio de vida é calcado no movimento, no intercambio, na troca e no viver entre fronteiras. Jung amplifica citando: “<strong><em>Além de prima materia como início inferior e lapis como meta suprema, Mercurius também é o processo entre ambos e o seu agente mediador</em></strong>.” (JUNG, OC. 14/3, §283.)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">O mercúrio e o mutável revelam a integração na vida, a força do coletivo, as diversas potencialidades construindo realidades, a antena e a asa, a ação para fora. Portanto, é no bailar com o coletivo que descobrimos e aprofundamos os contrastes que a experiência de vida pode proporcionar. Quando simbolizamos o diabólico, a realidade vivenciada se transmuta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-beirando-fortemente-o-elemento-material-temos-a-definicao-de-mercurio-como-forca-vivificadora-semelhante-a-uma-cola-que-une-o-mundo-ocupando-o-ponto-mediano-entre-espirito-e-corpo-jung-oc-14-3-263" style="font-size:19px">Segundo Jung: “beirando fortemente o elemento material, temos a definição de mercúrio como “força vivificadora”, semelhante a uma cola que une o mundo, ocupando o ponto mediano entre espírito e corpo.” (JUNG, OC.14/3, §263)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5">Por fim, é possível perceber uma relação simbólica próxima entre os 3 princípios alquímicos e o panteão do zodíaco. Em outras palavras, quando há a conjugação desses 2 conhecimentos, é manifesta a força da trindade do si mesmo atuando na quaternidade da personalidade. Finalizando com as palavras de Jung: “<strong><em>o si-mesmo é por definição o centro e a circunferência dos sistemas conscientes e inconscientes. Mas a regulação de suas funções de acordo com os “três ritmos” é algo que não posso comprovar. Ignoro aquilo a que aludem os três ritmos, mas não duvido de forma alguma que a alusão se justifica</em></strong>.” (Jung, OC.12, §310).</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;A alquimia simbólica celeste através dos signos astrológicos&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/-TVQZ5QVs5s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/pedro-rocha/">Pedro Pimentel Rocha &#8211; Analista em Formação do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi – Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Psicologia e alquimia</strong>.<strong>OC.12</strong> Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Estudos alquímicos. OC.13</strong>.Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Mysterium Coniunctionis. OC.14/1</strong>. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Mysterium Coniunctionis. OC.14/3</strong>. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">PERROT, E. <strong>O caminho da transformação segundo C. G. Jung e a alquimia</strong>. São Paulo: Paulos 1998</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a> </strong></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-alquimia-simbolica-celeste-atraves-dos-signos-astrologicos/">A alquimia simbólica celeste através dos signos astrológicos</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A nova pandemia global: o vírus da indiferença</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-nova-pandemia-global-o-virus-da-indiferenca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Pimentel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Aug 2025 14:10:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Sociabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[guerras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Neste artigo, a indiferença ganha palco, mostrando como esse vírus simbólico atua em diferentes campos da vida humana e coletiva. Como também seus efeitos e como todos nós estamos propensos à anestesia da nossa alma em uma época na qual o Eu individualista é constantemente estimulado. Um paralelo com os rumores de guerra é [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: Neste artigo, a indiferença ganha palco, mostrando como esse vírus simbólico atua em diferentes campos da vida humana e coletiva. Como também seus efeitos e como todos nós estamos propensos à anestesia da nossa alma em uma época na qual o Eu individualista é constantemente estimulado. Um paralelo com os rumores de guerra é levantado como fenômeno colateral da contaminação do ser indiferente à vida, às pessoas, ao mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Entre rumores de guerra e comportamentos cada vez mais destoantes daquilo considerado como alma, um vírus invisível se espalha pela sociedade levantando muros e promovendo a anestesia da vida e das relações: a indiferença.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nunca foi tão comum nos depararmos com frases e súplicas anunciando: “<strong>o que está acontecendo com as pessoas? Todo mundo ficou doido? Estamos regredindo para um estado animalesco? A cegueira se tornou coletiva? Estamos na geração de zumbis</strong>?”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Uma característica fundamental do ser humano é a possibilidade de se sentir afetado, tocado, remexido, por algo; afinal a alma e o corpo possuem poros que permitem a penetração das experiências do mundo e a consecutiva expressão da sensibilidade. Na psicologia junguiana, a anima mundi é um conceito bastante difundido, embora negado e coibido a todo instante na atualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A <em><strong>anima mundi</strong></em> é uma sensibilidade primordial presente desde quando o homem vive imerso na natureza intercambiando ações, construções e interrelações. É a alma do mundo, a alma que liga todos os seres, a natureza e formas de vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-discorre-sobre-anima-mundi-ao-citar" style="font-size:19px">Jung discorre sobre anima mundi ao citar:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Diz ele que o <em>sensus naturae</em> é um sentido superior à capacidade perceptível do homem, e insiste, que os animais também o possuem.  A doutrina do <em>sensus naturae</em> desenvolveu-se a partir da ideia da alma do mundo que tudo penetra e da qual se ocupou também um outro Guilielmus Parisiensis, predecessor de Alvernus, e conhecido por Guillaume de Conches, escolástico platônico que ensinou em paris.” (OC 8/2, §393)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-alma-do-mundo-e-uma-forca-natural-responsavel-por-todos-os-fenomenos-da-vida-e-da-psique-jung-oc-8-2-393" style="font-size:19px">“A alma do mundo é uma força natural, responsável por todos os fenômenos da vida e da psique.” (Jung; OC.8/2, §393)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Os significados e a profundidade basilar da experiência humana são construídos pela relação, pelo intercambiar, nunca por isolamento ou apatia. Jung, de forma bastante esclarecedora, comenta:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Da mesma forma que as diversas partes de um organismo vivo atuam simultaneamente, numa harmonia recíproca e significativa, assim também os acontecimentos do mundo se acham mutuamente numa relação significativa, que não pode ser deduzida da causalidade imanente” (Jung, OC.8/3, §917).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Quando viver é algo pesado, sem sentido e totalmente automático, não há mais o Eros, a capacidade de se relacionar com aquilo que chega até mim, seja por anestesiar a minha existência ou por um isolamento narcísico daquilo que me toca. Se não há relacionamento, a tensão necessária para que ocorra a transformação e o desenvolvimento da consciência é enterrada, solapando potências e a possibilidade de diferenciação e integração da multiplicidade da vida. A <em><strong>anima mundi</strong></em> e o encanto perfumando da Anima entram na lista dos procurados; e, contaminadas pelo vírus da indiferença, pessoas e estruturas de uma sociedade (baseada no consumo, na disputa e na concorrência) acabam sendo drenadas e desconfiguradas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-emma-jung-contribui-recitando-as-seguintes-palavras" style="font-size:19px">Emma Jung contribui recitando as seguintes palavras:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“O papel de transmitir conteúdos inconscientes, no sentido de torná-los visíveis, recai acima de tudo sobre a anima. Ela ajuda na percepção de coisas que de outra maneira permanecem no escuro. Há uma condição prévia para isso: trata-se de uma espécie de escurecimento da consciência, portanto da instalação de uma consciência mais feminina, que é menos penetrante e clara que a masculina, mas que num âmbito mais amplo percebe coisas ainda vagas” (Emma, p. 45, 2020).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Os rumores de guerra externas clamam pela conscientização da cisão interna presente na subjetividade da massa e pela identificação de si com a disputa emocional com aqueles que habitam o mundo &#8211; pautado no vencer a todo custo. Na ausência da relação com o outro, as referências são perdidas e impossíveis de serem construídas, reformuladas. Tanto as referências pessoais como as coletivas se perdem. Assim, o <strong>inconsciente coletivo</strong> ganha energia psíquica e seus conteúdos primitivos e arcaicos, representados por imagens arquetípicas, invadem o campo consciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Como resultado, a função primordial do discernimento, da mediação e da correlação do ego e do campo da consciência ficam abalados, prejudicados. Deste modo, o comportamento de massa e a indiferença e apatia, a incapacidade de se indignar, se alastram como um vírus. O mais letal de todos, sucumbindo a humanidade e provocando uma guerra consigo mesmo, com a natureza, com as diferentes formas de vida, com o outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">&nbsp;A criatividade, a capacitar de criar, é possível quando a opostos se tensionam, se relacionam. A apatia e o sentimento de solidão se fortalecem quando nada mais é criado, nada mais é tensionado. Várias terapias e técnicas são criadas com o intuito de trazer sentido e significado para uma realidade seca e fria, sem contatos, sem troca e sem a capacidade de se indignar perante a realidade imposta. Será que são eficientes em um mundo contaminado pela indiferença?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-todo-ser-criador-e-uma-dualidade-ou-uma-sintese-de-qualidades-paradoxais-por-um-lado-ele-e-uma-personalidade-humana-e-por-outro-um-processo-criador-impessoal-jung-oc-15-157" style="font-size:19px">“Todo ser criador é uma dualidade ou uma síntese de qualidades paradoxais. Por um lado, ele é uma personalidade humana, e por outro, um processo criador, impessoal.” (Jung, OC 15, §157)</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A capacidade de ação e de escolha criativa, rica, múltipla perpassa pelo conhecimento do mundo do outro, pelo palco desconhecido por mim. É no cruzar fronteiras, é o sair da estagnação, é ouvindo o grito do arquétipo do herói que realidades são transformadas e nosso mundo interno renovado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Com a inovação da inteligência artificial (que chegou no mundo levantando dúvidas sobre o futuro da humanidade), a fantasia de uma solução imediata, virtual e fria se tornou uma obsessão. Algo a se conquistar a todo custo. Campo fértil para que o vírus da indiferença se alastre.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Logo, vale a pena destacar as principais áreas de atuação do vírus da indiferença</strong>: relacionamentos afetivos que não mais se sustentam; a vivência interna que aumenta o conhecimento de nós mesmos se tornando cursos de coaching; e a diminuição do contato com outro ser humano estimulando a loucura. Deste modo, a subvalorização dos elementos do princípio feminino (como receptividade, sensibilidade, acolhimento, abertura para o outro, se relacionar) se torna um efeito colateral perigoso, indesejado e brutal.  </p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“ela (a anima) é algo que vive por si mesma e que nos faz viver; é uma vida por detrás da consciência, que nela não pode ser completamente integrada, mas da qual pelo contrário esta última emerge” (Jung, OC.9/1. §57)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Há uma demanda crescente na prática clínica sobre a dificuldade em construir relacionamentos ricos em troca, em encontrar pessoas abertas e disponíveis para uma união, em sustentar os desafios e os sabores amargos presentes em um se relacionar, em se entregar para um outro corpo tanto nas relações sexuais como no conhecimento do próprio prazer e seus limites. O vírus da indiferença contamina o campo relacional e a possibilidade do vínculo, pois todo encontro é também uma transformação de sistemas psíquicos diferentes interagindo constantemente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quanto-mais-se-busca-a-independencia-e-a-indiferenca-mais-guerras-pela-busca-do-amor-sao-travadas" style="font-size:19px">Quanto mais se busca a independência e a indiferença, mais guerras pela busca do amor são travadas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Emma Jung</strong> explica: “<strong><em>A configuração de relações pertence preferencialmente à configuração da vida, e esta é a área apropriada para a energia criativa feminina</em></strong>” (Emma, p.39, 2020)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A terceirização do próprio processo de conhecimento e desenvolvimento de consciência é o mais novo produto das prateleiras digitais e marketing em redes sociais. Um requisito fundamental para qualquer jornada de individuação é sair da postura de indiferença consigo mesmo e olhar todos os contrastes e conteúdos sombrios que nos tocam e provocam. Não há curso digital que substituirá a própria jornada e construção de um conhecimento de si próprio. Não há integração de conteúdo inconsciente de forma automática e paga, mas sim através de um processo pessoal, singular, subjetivo, reflexivo. Assim, ser indiferente ao próprio processo é se identificar com o processo do outro.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-von-franz-comenta" style="font-size:19px">Von franz comenta:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“A única orientação que recebem é na reunião com outros xamãs, mediante a troca de experiências, o que lhes possibilita não estarem a sós com suas experiências interiores. De um modo geral, os mais jovens procuram os xamãs mais velhos, receosos de que se não o fizerem poderão enlouquecer, como também nos aconteceria” (Franz, p.30, 2022).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Quando não se tem com quem compartilhar nossas angústias, sonhos e temores, quando a indiferença assume o palco da vida, a loucura se torna uma via de escape, uma via para a expressão dos conteúdos inconscientes, compensando a vida que deixou de ser humana e ficou estéril.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Por fim, é no comungar, no se aproximar, no se permitir afetar e ser tocado, no contato com o outro, que se reconhece a verdade natureza da alma humana. Como consequência, se afasta o autoritarismo e a ilusão da individualidade absoluta preponderante que vai dominando e destruindo outras formas de vida diferentes. Rompantes autoritários pelo mundo nunca foram tão frequentes. Demostrando assim que <strong>o</strong> <strong>vírus letal da indiferença não é mais apenas individual, mas coletivo</strong>. Reforçando a ideia junguiana de uma psicologia pautada em um intercâmbio entre o individual e o coletivo, entre o singular e o arquetípico.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: A nova pandemia global: o vírus da indiferença" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/MZ-gZStTXkE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/pedro-rocha/">Pedro Pimentel Rocha &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANZ, V. <strong>Alquimia. Uma introdução ao simbolismo e seu significado na psicologia de Carl. G. Jung. </strong>2º. Ed<strong>.</strong> São Paulo: Editora Cultrix, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, E. <strong>Animus e anima. Uma introdução à psicologia analítica sobre os arquétipos do masculino e feminino inconscientes</strong>. 2º. Ed<strong>.</strong> São Paulo: Editora Pensamento Cultrix, 2020</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>O espírito na arte e na ciência</strong>. OC.15. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>A natureza da psique</strong>. OC.8/2. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Sincronicidade</strong>. OC.8/3. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</strong>. OC.9/1. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>O procedimento estético mais cobiçado da modernidade: o resgate da autoestima</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-procedimento-estetico-mais-cobicado-da-modernidade-o-resgate-da-autoestima/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Pimentel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Apr 2025 23:52:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Persona e Sombra]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Redes Sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: O constante avanço dos procedimentos estéticos e a construção de uma autoestima. Nesse artigo, se aborda a relação desses dois elementos, perpassando pelo conceito e pela ampliação do que é ter uma autoestima saudável, bem como seu processo de construção. Inúmeros casos de deformação corporal e prejuízos na saúde, alguns levando até a morte, [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Resumo</strong>: O constante avanço dos procedimentos estéticos e a construção de uma <strong>autoestima</strong>. Nesse artigo, se aborda a relação desses dois elementos, perpassando pelo conceito e pela ampliação do que é ter uma autoestima saudável, bem como seu processo de construção. Inúmeros casos de deformação corporal e prejuízos na saúde, alguns levando até a morte, são noticiados pela mídia a todo instante. Afinal, qual o sentido de tudo isso? Como a culpa e a vergonha de ser quem somos interferem nessa intrincada construção? <strong>Será que a persona tem influência nessa busca desmedida pelo belo através de seringas e ampolas</strong>? Este artigo explora essas questões sensíveis e angustiantes pontudas e estimuladas a todo instante pela cultura, pela mídia, por nós mesmos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-injecoes-de-alegria-e-ampolas-de-autoestima-nunca-foi-tao-facil-comprar" style="font-size:21px">Injeções de alegria e ampolas de autoestima, nunca foi tão fácil comprar.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O conceito de autoestima atravessa dois campos principais: a valorização das próprias competências e uma relação harmoniosa com o corpo. O gostar de si mesmo é uma conquista difícil de ser alcançada nos tempos atuais, quando se há uma padronização daquilo que é considerado saudável, aceito e belo. Com isso, as diferenças são jogadas na sombra. Assim, o valorizar o que há de singular e de diferente em nós acaba sendo um processo não estimulado ou visto como falta de empatia com o próximo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Ter uma visão honesta e completa daquilo que somos e do que nos constitui lança o ego em uma encruzilhada de contradições e paradoxos. Não há possibilidade de amar pontos cegos, negados e desconhecidos pela consciência. Quando mais se rejeita, mais energia psíquica este conteúdo ganha, impactando e constrangendo o ego de maneira intensa e incontrolável. Portanto, o primeiro passo para desenvolver uma autoimagem consistente é aceitar as próprias falhas; é reconhecer que perfeição não há, mas sim inteireza.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-espelho-espelho-meu-existe-alguem-mais-bela-do-que-eu" style="font-size:21px">Espelho, espelho meu; existe alguém mais bela do que eu?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Ter uma autoestima bem trabalhada não é algo fixo, imutável e permanente no tempo, tampouco um processo estanque. É um trabalho pessoal dinâmico, com oscilações e repleto de incertezas e descobertas. É de suma importância estabelecer uma conexão do Eu com o Si-mesmo, pois é nesse diálogo e integração que residem os valores mais genuínos e autênticos de cada indivíduo. A busca desmedida e constante por seringas e ampolas para aplacar o vazio existencial e de sentido interno nunca foi tão procurado; e simultaneamente tão ineficaz.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“O valor tanto energético como moral da personalidade consciente e inconsciente está sujeito às maiores variações no indivíduo.” (JUNG, OC.14/2, §281)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nas-redes-sociais-filtros-sao-criados-a-todos-instante-se-tornando-uma-regra-para-a-validacao-social-de-corpo-estetica-e-imagem" style="font-size:19px">Nas redes sociais, filtros são criados a todos instante, se tornando uma regra para a validação social de corpo, estética e imagem.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Um sequestro coletivo de traços de humanidade e diversidade é autorizado de forma subliminar a todo instante. A insegurança natural de ser quem se é acaba sendo anulada e exterminada a todo custo. A possibilidade de criação e desenvolvimento de consciência, permeada de riscos, incertezas e dúvidas, é esterilizada. Como consequência, insônias, crises de ansiedade, fobias sociais e distorção de imagem, viram queixas constantes e diárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>É bom ressaltar que o corpo é a extensão da psique</strong>. O não reconhecimento daquilo que se enxerga no espelho afeta intensamente o gostar e a liberdade de expor a própria imagem. Estamos cada vez mais inclusivos, humanos e fraternos. Será? <strong>É público e notório o aumento crescente e intenso por procedimentos estéticos, como a harmonização. Cirurgias plásticas, a busca pelo rosto quadrado, o levantamento de linhas de expressão. Qual a finalidade de todas essas intervenções</strong>? O cuidado consigo mesmo não pode ser álibi para um assassinato da própria natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O senso de autoestima conversa diretamente com o conceito de <strong>persona</strong>, desenvolvido por <strong>Jung</strong>. <strong>Persona é uma construção psicológica constituída por valores, aspectos, ideias e comportamentos, selecionados por todos nós com a finalidade de aceitação e movimentação no mundo social e coletivo. É tudo aquilo que escolho para me apresentar ao outro.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O grande paradoxo começa quando há uma<strong> identificação com a persona</strong>. Mesmo sendo uma estrutura necessária, ao se identificar com esses aspectos, pode-se criar um falso eu, uma ilusão, uma fragmentação daquilo que somos em essência. Logo, ocorre um choque com a nossa natureza, criando dúvidas, confusões, angústias e incertezas sobre a nossa individualidade. Deste modo <strong>a autoestima e a espontaneidade são enterradas e solapadas</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Ao analisarmos a persona, dissolvemos a máscara e descobrimos que, aparentando ser individual, ela é no fundo coletiva; em outras palavras, a persona não passa de uma máscara da psique coletiva. No fundo, nada tem de real; ela representa um compromisso entre o indivíduo e a sociedade, acerca daquilo que “alguém parece ser: nome, título, ocupação, isto ou aquilo.” (JUNG, OC.7/2, §246)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-expectativa-de-terceiros-seja-na-forma-do-nucleo-familiar-ou-de-um-coletivo-social-impacta-diretamente-a-autopercepcao-do-individuo" style="font-size:21px">A expectativa de terceiros, seja na forma do núcleo familiar ou de um coletivo social, impacta diretamente a autopercepção do indivíduo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Quando há um conflito entre aquilo que sabemos sobre nós, a nossa função no mundo e a qualidade das relações subjetivas estabelecidas e o que a sociedade cria como expectativa de bom, moral e justo, o senso de identidade é o primeiro a ser sacrificado. É um sacrifício caro e contra a natureza, fortalecendo o sentimento de inadequação e o enfraquecimento da autoestima.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A culpa e a vergonha são aspectos a serem amplificados nessa jornada da busca ao amor próprio. Um dos pontos cruciais a se pensar é a própria autorização de ser quem se é e viver harmoniosamente e coerentemente com sua singularidade, independente da avaliação constante do mundo e seus pilares de eficiência e alegria constante. A culpa por não seguir um padrão estimula a correção do dito imperfeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>O que fazemos com a culpa? Uma das grandes questões de um processo psicoterapêutico</strong>. É um mecanismo legítimo que nos coloca frente a frente com a responsabilidade e conscientização dos nossos atos, retirando a sua projeção nos outros, ou é uma algema instalada por ideais e ofensas falsas coletivas que impede o autorrespeito?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-experiencias-da-infancia-quando-sao-permeadas-por-episodios-de-humilhacao-ofensa-e-descredito-podem-abrir-feridas-emocionais-profundas-e-dolorosas" style="font-size:19px">As experiências da infância quando são permeadas por episódios de humilhação, ofensa e descrédito podem abrir feridas emocionais profundas e dolorosas. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Dessa maneira, imagens de experiências desafiadoras (que são atraídas e circundam complexos com um núcleo arquetípico) surgem e deixam rastros capazes de desvendar temas e conteúdos preciosos necessários à consciência. Ter a coragem e a honestidade demandadas ao lidar com questões arquetípicas como vaidade, soberba, inferioridade, rejeição, auxiliam fortemente o desenvolvimento e a formação do senso de existência e amor próprio.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-constrangimento-decorrente-do-olhar-a-realidade-que-se-e-nunca-sera-maior-do-que-o-desconforto-de-viver-refem-de-dogmas-e-mandos-sem-sentido" style="font-size:19px">O constrangimento decorrente do olhar a realidade que se é nunca será maior do que o desconforto de viver refém de dogmas e mandos sem sentido.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Mas se esse homem conscientizar seus conteúdos inconscientes, tais como aparecerem inicialmente nos conteúdos fáticos de seu inconsciente pessoal e depois nas fantasias do inconsciente coletivo, chegará às raízes de seus complexos.” (JUNG, OC. 7/2, §387)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Jacoby </strong>cita: “<strong><em>Com que rapidez nos sentimos envergonhados e com que intensidade, afinal de contas, depende da medida de tolerância que somos capazes de concentrar para nossos próprios lados sombrios</em></strong>.” (2023. p.41).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-lidar-com-a-autoestima-e-um-convite-de-paz-com-os-nossos-proprios-demonios-e-questoes-sombrias-demonstrando-uma-autocompaixao-por-nos-e-pelos-outros" style="font-size:19px">Lidar com a autoestima é um convite de paz com os nossos próprios demônios e questões sombrias, demonstrando uma autocompaixão por nós e pelos outros.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">À medida que me reconheço e tenho consciência das minhas imperfeições, consigo respeitar e ser tolerante com o outro. Com a tolerância, uma união pode ocorrer e uma estima nascer. Eros pode reestabelecer o vínculo com a vida, com o corpo e com o autorrespeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A capacidade de estabelecer limites e de dizer não sem ter a compressão desse ato como uma ofensa ao outro é um aspecto rico a ser debatido. Se colocar na posição de humilde e sempre prestativo para que a aceitação de quem se é ocorra é um perigo, que pode camuflar compensações inconscientes das mais variadas formas e conteúdo. A partir do momento que não estabeleço uma distância com o que chega até mim, uma simbiose inconsciente pode ocorrer, afastando cada vez mais a possibilidade de diferenciação e individualização. Por consequência, se não sei quem sou, uma dificuldade em valorar o que faço, o que penso, se instala.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-fim-a-autenticidade-e-o-fruto-de-uma-autoestima-trabalhada" style="font-size:19px">Por fim, <strong>a autenticidade é o fruto de uma autoestima trabalhada</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O centro da totalidade psíquica, o Si-mesmo, abre caminhos simbólicos, seja por sonhos, sincronicidade, expressões criativas, para que uma união seja realizada. Antes de mais nada, ter autoestima é ter conhecimento do mundo interno; dos paradoxos e das polaridades subjetivas; dos diálogos com conteúdos inconscientes. Processo impossível de acontecer se rejeitarmos a voz e o encontro com esse centro mandálico.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="📝Artigo novo: &quot;O procedimento estético mais cobiçado da modernidade: o resgate da autoestima&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/blFXwiWV6wg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/pedro-rocha/">Pedro Pimentel Rocha – Analista em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/"><strong>Waldemar Magaldi – Analista Didata</strong> <strong>do IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:22px"><strong>Referências:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">JACOBY, M. <strong>A vergonha e as origens da autoestima. Abordagem Junguiana</strong>. Petrópolis, RJ: Vozes, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">JUNG, C. G. <strong>O eu e o inconsciente</strong>. OC.7/2. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">JUNG, C. G. <strong>Mysterium Coniunctionis</strong>. OC.14/2. Petrópolis: Vozes, 2021</p>



<p class="has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color wp-elements-fc40df6cbddff4d11be9709c55dbd258 wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em><strong>X Congresso Junguiano IJEP&nbsp;(9, 10, 11 Junho/2025)</strong>&nbsp;–&nbsp;<strong>Online e Gravado – 30h Certificação</strong></em></p>



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<p class="has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color wp-elements-c40715b522ea1a85eca82db21cd14f75 wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><em>Acompanhe nosso Canal no YouTube:&nbsp;https://www.youtube.com/@IJEPJung</em></strong></p>
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		<title>O oitavo pecado capital: a sensibilidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-oitavo-pecado-capital-a-sensibilidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pedro Pimentel Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Nov 2024 10:44:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na história da humanidade, a igreja católica estabeleceu uma lista de sete comportamentos considerados prejudiciais e proibidos – soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça, balizando a ética e a moral do ser humano. Classificados como capitais, os principais (dos quais todos outros se originavam), eram uma espécie de faróis que iluminavam conteúdos sombrios [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Na história da humanidade, a igreja católica estabeleceu uma lista de sete comportamentos considerados prejudiciais e proibidos – soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça, balizando a ética e a moral do ser humano<strong>. </strong>Classificados como capitais, os principais (dos quais todos outros se originavam), eram uma espécie de faróis que iluminavam conteúdos sombrios da alma humana e auxiliavam o seu reconhecimento em momentos turvos e agitados do mar das emoções e do mundo interno de cada indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung reconhecia na natureza humana e na psique a presença da sombra, ou seja, aspectos e conteúdos rejeitados pelo ego por não serem compatíveis com um ideal da persona ou com os requisitos válidos para uma adaptação ao mundo externo – os códigos de conduta morais. Sendo renegados ao inconsciente, sua voz ainda ecoava e exigia reconhecimento e integração, mesmo que fosse às custas da insegurança, da surpresa e do constrangimento do funcionamento da consciência e do controle egóico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, infelizmente, por conta do padrão patriarcal e da heteronormatividade dominantes, acredito que podemos acrescentar um novo pecado capital: a sensibilidade. Sua expressão genuína e o contato com sua força arquetípica são rechaçados e considerados infames, sem valor e fora de qualquer validação social. Em um mundo onde as pessoas estão cada vez mais voltadas para si mesmas, enredadas em comportamentos massificantes, estimuladas para unilateralidades de pensamento e percepções rígidas e literais &#8211; que impedem o olhar para um outro lado mais flexível, de forma simbólica, acabam determinado a morte e a inadequação da sensibilidade e suas reverberações.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Pelo visto, Paracelso pertencia àquelas criaturas que guardam numa gaveta o intelecto e o sentimento na outra a fim de poderem seguir despreocupadamente em frente, pensando com o intelecto sem jamais correr o risco de entrar em choque com a fé do sentimento.</p><cite>JUNG, OC.15, §10</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-se-olha-a-raiz-latina-da-palavra-encontra-se-sensibilitas-atis-que-significa-sentido" style="font-size:16px">Quando se olha a raiz latina da palavra, encontra-se &#8220;<strong>sensibilitas,atis</strong>&#8220;, que significa sentido.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O sentido é algo que está morto na sociedade atual. Muitos de nós procuramos sentido e significado em redes sociais, na aceitação em grupos de ideologia sem reflexão, em laudos que determinam transtornos, em uma doença para chamar de “minha”. Entretanto, todos esses caminhos massacram a individualidade, massificam o pensamento próprio e enterram a possibilidade do contato mais natural, leve, contrastante e rico com o campo humano sensível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pecado, do grego <em><strong>hamartia</strong></em>, é um verbo que significa errar o alvo. Isso não significa meramente um erro intelectual de juízo, mas não conseguir atingir o objetivo existencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No pensamento coletivo, a ideia de expressar sua sensibilidade foi associada à característica feminina, a aspectos do ser mulher e todo seu campo afetivo. Jung associa a Alma ao princípio feminino e, como ela, muitas vezes, gera incômodos, negá-la acaba sendo uma forma de defesa. Um ponto intrigante é que, ao refutar esse aspecto humano e proibir sua expressão, o estigma da fragilidade feminina e a sua menos valia entram no campo de discussão. Um estímulo ao empobrecimento do que é ser um ser humano integral e conectado com seu Si mesmo, com sua totalidade psíquica, que abarca um olhar múltiplo para o mundo externo, é constantemente reforçado. Negar uma parte essencial da mulher também presente no homem é um atentado contra a singularidade de cada ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frases como: “isso é coisa de mulher”, “o que importa no mundo é ter sucesso profissional”; “isso é bobagem, não tem razão nenhuma”; “você tem coração mole”; revelam o quanto há uma cisão profunda no interior da sociedade moderna. Quanto mais divididos somos, mais diabólicos ficamos. A divisão afasta a união, afasta o símbolo e, consequentemente, levanta angústias, dores emocionais e físicas, sintomas, sensação de vazio e perda de perspectiva de mundo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-atrofia-dos-sentimentos-e-uma-caracteristica-do-homem-moderno-que-se-manifesta-como-reacao-quando-ha-sentimentos-em-demasia-e-principalmente-sentimentos-falsos-jung-oc-15-183" style="font-size:18px">“A atrofia dos sentimentos é uma característica do homem moderno que se manifesta como reação quando há sentimentos em demasia e principalmente sentimentos falsos.” (JUNG, OC.15, §183)</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aquilo que é desconhecido assusta, mesmo que haja um potencial oculto de libertação e inovação. A expressão da sensibilidade acaba se tornando um desconforto, algo estranho, ruim, difícil de ser compreendido e aceito como um aspecto natural do ser humano. Como resultado, a busca pela anestesia dos sentidos e sentimentos se intensifica, abrindo caminho para o uso de drogas, entorpecentes e outros mecanismo de compensação e fuga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As pontes são construídas pela sensibilidade. Não há como relações serem construídas sem a presença do “oitavo pecado capital”. O se desarmar, o sair das próprias convicções e certeza, o retirar-se da zona de conforto e do controle da vida, são passos e posturas fundamentais para o desenvolvimento de relações. O que mais se vê hoje em dia são demandas emocionais com o tema do se relacionar. Os reflexos mais notórios são casamentos falidos nos quais a comunicação se perdeu; o aumento da indisponibilidade em procurar parceiros e parceiras; a reclusão no mundo digital e sua ilusão de virtude e perfeição.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-o-mesmo-caso-do-intelecto-que-nao-consegue-explicar-nem-muito-menos-entender-a-essencia-do-sentimento-e-essas-duas-coisas-nao-existiriam-como-entidades-separadas-se-sua-diversidade-em-principio-nao-se-tivessem-imposto-ha-muito-tempo-a-inteligencia-jung-oc-15-99" style="font-size:18px">“É o mesmo caso do intelecto que não consegue explicar nem muito menos entender a essência do sentimento. E essas duas coisas não existiriam como entidades separadas, se sua diversidade, em princípio, não se tivessem imposto, há muito tempo, à inteligência.” (JUNG, OC.15, §99)</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A sensibilidade é a mãe da criatividade e mola propulsora da espontaneidade. Ser criativo é ter a possibilidade de unir contrastes; de pensar originalmente fora daquilo que é preestabelecido como normal e previsível; é poder ter um contato mais próximo da natureza interna rica e presente em cada um de nós. Nenhuma espontaneidade aflora se não houver um reconhecimento daquilo que é verdadeiro, daquilo que foi construído por imposições socias e familiares e que não é coerente com o potencial da natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> A sensibilidade está ligada ao Eros e é a mãe das expressões criativas. O casamento real se completa com a sua contraparte. O Pai, como está ligado ao Logos, estimula o criativo pela dificuldade, necessidade, limite de tempo e espaço. Logos e Eros juntos conclamam o resgate da integralidade, não limitados no macho e na fêmea, mas sim da totalidade da expressão humana com alma e realização coletiva. Para gerar o novo é preciso ouvir a complexidade inerente à sensibilidade e não encará-la como um pecado capital.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pedro Pimentel Rocha</strong> <strong>&#8211; Membro Analista em formação IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>O espírito na arte e na ciência</strong>. OC.15. Petrópolis: Vozes, 2021</p>
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