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	<title>Simone Magaldi, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Simone Magaldi, Autor em Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Um olhar para a maternidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/um-olhar-para-a-maternidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 14:22:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O texto propõe uma reflexão simbólica sobre a maternidade a partir do conto da Mulher-Esqueleto, narrado por Clarissa Pinkola Estés, interpretando-o à luz da psicologia do feminino.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/um-olhar-para-a-maternidade/">Um olhar para a maternidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo: O texto propõe uma reflexão simbólica sobre a maternidade a partir do conto da Mulher-Esqueleto, narrado por Clarissa Pinkola Estés, interpretando-o à luz da psicologia do feminino</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A narrativa mítica, que apresenta o processo de morte e renascimento da <strong>mulher-esqueleto</strong> após ser acolhida e cuidada por um pescador, é utilizada como metáfora para compreender as transformações psíquicas mobilizadas pela gestação e pela experiência materna. Nesse contexto, discute-se como o complexo materno pode ocupar temporariamente o centro da vida psíquica da mulher, mas também como, ao longo do tempo, torna-se necessário um movimento de retorno à própria individualidade, permitindo que a maternidade seja integrada entre outras dimensões da identidade feminina.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O texto também alerta para o risco de uma unilateralização da consciência quando a maternidade passa a constituir o único sentido da vida, situação simbolicamente associada à figura de Deméter, podendo gerar efeitos sufocantes nas relações familiares. Assim, enfatiza-se a importância da autorreflexão e da busca de equilíbrio psíquico para que a maternidade seja vivida como uma experiência transformadora, mas não totalizante.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ser-mae-e-inato-a-mulher" style="font-size:21px"><strong><em>Ser mãe é inato à mulher!</em></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Já iniciamos nosso texto refletindo sobre uma frase muito falada, entretanto, precisamos questionar o quanto de verdade existe nessa afirmação.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A ideia de maternidade como entendemos hoje vem sendo cunhada desde o século XVII, com a expansão da burguesia e a transformação socioeconômica decorrente do processo de industrialização. Para sustentar a sociedade capitalista, à mulher foi sendo delegada a função de maternidade e cuidados de casa. O capital precisa de trabalhadores e consumidores de seus produtos, e garantir essa rotatividade era necessária. Reforçada pela Igreja, de que o sexo era destinado à procriação, as mulheres praticamente passavam suas vidas inteiras grávidas, com altas taxas de mortalidade infantil e materna. Era comum os homens terem várias esposas e muitas filhos ao longo da vida. Olhando nessa perspectiva, a base social ficou a cargo dos corpos femininos, com múltiplas gravidezes, desgaste físico e da saúde, e sobrecarga de trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Essa divisão social do trabalho que impôs às mulheres a maternidade como trabalho a ser executado para que seja considerada uma mulher de sucesso perante os pares. Então, podemos concluir e desmistificar que a maternidade definitivamente não é inata às mulheres. Essa frase é fruto de um constructo social e projeto político.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Para além disso, com os avanços do capitalismo, e a conquista feminina no espaço de trabalho, a jornada dupla (às vezes tripla) se tornou uma realidade cruel.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-demandado-da-mulher-que-ela-seja-forte-independente-lider-autossuficiente-e-ainda-mae-esposa-donzela-bonita-esteticamente-impecavel-e-que-nunca-envelheca" style="font-size:18px">É demandado da mulher que ela seja “forte”, “independente”, “líder”, “autossuficiente” e ainda, mãe, esposa, donzela, bonita, esteticamente impecável e que nunca envelheça.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A realidade apresentada nos tempos modernos é esmagadora. Com o aumento da inflação, e a necessidade de lucros, o capitalismo requer que a mulher trabalhe com dedicação e integralidade. As empresas, cada vez mais requerem cargas horárias de trabalho grandes. No mundo capitalista, o capitalismo nunca perde. É nítido que quanto mais mulheres forem produtivas, mais consumidoras teremos. Isso não é um apelo para que as mulheres deixem de trabalhar, mas sim, que tenhamos a ciência que a jornada dupla exige um grau de saúde física e mental que beira um risco à saúde pública.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-existe-amor-maior-do-que-o-amor-de-mae" style="font-size:21px"><strong><em>Não existe amor maior do que o amor</em> de mãe!</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A maternidade, em sua origem, é arquetípica e nos remete ao início de tudo: da vida, da humanidade, do próprio ser. Quem teria sido a primeira mãe? Ou, ainda, qual foi a primeira mulher a reconhecer, em si, a consciência da maternidade?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Segundo a tradição cristã,<strong> Eva </strong>seria a primeira mãe — aquela que, ao comer o fruto proibido da árvore do conhecimento, inaugura a consciência humana e abre esse limiar para toda a humanidade. No entanto, muito antes de Eva, diversas entidades sagradas femininas já habitavam o imaginário simbólico das culturas antigas. Estudos arqueológicos vêm revelando a existência de civilizações com mais de dez mil anos, nas quais o princípio feminino e materno ocupava lugar central.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O conceito de <strong>arquétipo </strong>é fundamental para a compreensão da Psicologia Analítica. O termo não foi cunhado por Carl Gustav Jung, mas foi utilizado por este para definir os moldes psíquicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-2013-280-em-oc-8-2-nbsp" style="font-size:18px">Para Jung (2013, § 280), em OC 8/2,:&nbsp;</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Os arquétipos são formas de apreensão, e todas as vezes que nos deparamos com formas de apreensão que se repetem de maneira uniforme e regular, temos diante de nós um arquétipo, quer reconheçamos ou não seu caráter mitológico.”</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em outras palavras, devemos reconhecer a importância do conceito de arquétipo no que tange à compreensão da natureza humana. O arquétipo é um molde vazio em que as experiências pessoais e coletivas são arquivadas. A imagem arquetípica é a única coisa que o indivíduo pode acessar, sendo nutrido por suas experiências individuais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-seja-eva-ou-nao-a-primeira-mae-o-que-importa-e-reconhecer-que-a-gestacao-e-condicao-essencial-para-a-existencia-humana" style="font-size:18px">Seja Eva ou não a primeira mãe, o que importa é reconhecer que a gestação é condição essencial para a existência humana.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ela se articula a outros arquétipos igualmente basilares, como os da vida e da morte, revelando a maternidade como um campo de profunda ambivalência. Um conto particularmente interessante, trata sobre o ciclo de morte-vida e morte do amor, é muito rico e mostra a ambivalência do amor.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-conto-da-mulher-esqueleto-apresentado-pela-autora-clarissa-pinkola-estes-2014-narra-uma-antiga-historia-do-povo-esquimo-sobre-uma-jovem-que-e-lancada-ao-mar-pelo-proprio-pai" style="font-size:18px">O <strong>conto da mulher-esqueleto</strong>, apresentado pela autora Clarissa Pinkola Estés (2014), narra uma antiga história do povo esquimó sobre uma jovem que é lançada ao mar pelo próprio pai.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No oceano, seu corpo é devorado pelos peixes, restando apenas seu esqueleto. Ali ela permanece por muito tempo, até que um jovem pescador prende inadvertidamente seu anzol nas costelas da mulher-esqueleto e acaba içando-a para dentro de seu barco.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assustado com a aparição, o pescador não percebe que sua linha e sua rede de pesca se enroscam no esqueleto. No desespero de se livrar daquela visão aterradora, ele foge em direção ao seu iglu, arrastando-a consigo, sem perceber que ambos estão presos pela mesma rede. No caminho, a mulher-esqueleto consegue engolir alguns peixes que o homem havia colocado para secar e, após muito tempo, volta a se alimentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando finalmente chegam ao iglu, o homem percebe que ela continua ali. Ao notar sua respiração tranquila, começa lentamente a desenredá-la da rede de pesca e a cobre com peles para aquecê-la. Aos poucos, ele se sente tomado pelo sono e, ao adormecer, deixa cair uma lágrima. A mulher-esqueleto sorri e sorve essa lágrima — que para ela é como um rio — saciando sua sede.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Então, ela retira o coração do homem, que bate como um grande tambor, e começa a batucar em suas duas faces enquanto entoa um canto. Canta para que seu corpo volte a ter carne, cabelos, olhos saudáveis, mãos fortes e macias, seios, ventre e todas as formas que constituem uma mulher. Depois, ainda cantando, deita-se ao lado do homem e devolve o grande tambor — o coração — ao seu corpo. Assim, ao amanhecer, os dois despertam abraçados, juntos de um modo bom e restaurado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-conto-da-mulher-esqueleto-sob-uma-leitura-simbolica-aproxima-se-da-experiencia-da-maternidade-e-da-gestacao" style="font-size:18px">O conto da <strong>Mulher Esqueleto</strong>, sob uma leitura simbólica, aproxima-se da experiência da maternidade e da gestação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Durante a gravidez, muitas mulheres entram em contato com aspectos profundos de si mesmas: memórias antigas, emoções esquecidas, histórias familiares e conteúdos psíquicos que estavam adormecidos. Assim como no conto, esse encontro nem sempre é imediato ou confortável. Muitas vezes, ele exige tempo, paciência e delicadeza para desatar nós internos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Diferentes mulheres relatam que, durante o período de gestação, sonham com as gerações anteriores e entram em contato com a ancestralidade feminina. Esse momento pode se tornar uma oportunidade de conexão com a própria criança interna, de revisitar memórias e de promover um movimento de maior aproximação com a mãe ou com outras figuras maternas presentes em sua vida. Nesse período, torna-se possível compreender melhor a miríade de sentimentos pelos quais diferentes mulheres passam. Trata-se de uma experiência profunda e poderosa para quem a vivência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A Mulher Esqueleto também fala sobre o ciclo vida–morte–vida. Na maternidade, algo semelhante acontece no plano psíquico: para que uma nova vida chegue, uma parte da identidade anterior da mulher precisa se transformar. A mulher que existia antes da gestação não desaparece totalmente, mas passa por uma reorganização profunda. Nesse sentido, a maternidade pode ser vista como um processo de <strong>renascimento simbólico</strong>, no qual uma nova identidade feminina começa a se formar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim como o pescador oferece seu próprio coração para que a Mulher Esqueleto recupere sua vida. Esse gesto simboliza entrega e abertura para a transformação. A maternidade, de maneira semelhante, envolve uma experiência intensa de doação psíquica e emocional, que frequentemente amplia a capacidade de cuidado, vínculo e sensibilidade. Também apresenta o medo do desconhecido, do que estar por vir.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ser-mae-e-padecer-no-paraiso" style="font-size:21px"><strong><em>Ser mãe é padecer no paraíso!</em></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Gestar é um ato de profunda entrega, uma conexão entre almas mediada pelo corpo. Nesse período, a mulher pode entrar em contato mais direto com sua corporeidade, com os instintos, com o complexo materno que a habita e com conteúdos do inconsciente. É como se, durante a gestação, estivéssemos mais próximas de um limiar entre a consciência e o inconsciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-corpo-feminino-vira-fonte-de-vida-e-nutricao-abrigo-e-protecao-e-muita-transferencia-inconsciente-da-mae-para-o-filho-ou-filha-que-chamamos-de-projecoes" style="font-size:18px">O corpo feminino vira fonte de vida e nutrição, abrigo e proteção, e muita transferência inconsciente da mãe para o filho ou filha, que chamamos de projeções.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As projeções são inconscientes, a mulher não tem domínio sobre, mas pode pressentir através de sonhos, intuições e sensações.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É importante também destacar que a vida vivida que os pais podiam ter vivido, é herdada pelos filhos, sob uma forma oposta. Isso significa que os filhos são forçados inconscientemente a tomar um rumo na vida projetado pelos pais (JUNG, 2013). Por isso, esse mergulho ao inconsciente que a gestante pode fazer durante todo esse período simbiótico com a criança é um movimento importante para ambos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung dedicou boa parte de suas obras completas debruçado sobre a importância do complexo materno na formação da psique do indivíduo. O complexo é um conjunto associativo de experiências do indivíduo com tonalidades afetivas, no qual reside um núcleo arquetípico.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O complexo materno é de suma importância, por ser o primeiro complexo a ser constituído. Quando nascemos somos indiferenciados com a mãe, sendo que conhecemos o mundo a partir dessa figura que cuida, alimenta e protege, na maioria das vezes assim deveria ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A discussão acerca dessa frase passa pelo fato de que o padecimento é um tipo de sofrimento. Que sofrimento é esse que se dá num “paraíso”? Quando refletimos sobre a incongruência que é esperar que uma mulher sofra, enquanto sorri, percebe-se que não podemos exigir e outorgar esse poder ao corpo de outra mulher de forma incondicionada, como se ela fosse inatamente apegada à isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A maternidade, em sua ambivalência, carrega sinais luminosos e sombrios na mesma medida. Sentimentos de alegria e melancolia, medo e coragem, segurança e insegurança, entre muitos outros. Tudo concorrendo no mesmo espaço interno e externo, num corpo em mudança. É um período de grande caos hormonal, emocional e psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-hora-voce-esquece-toda-a-dor" style="font-size:21px"><strong><em>Na hora você esquece toda a dor!</em></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Após os nove meses de gestação, em média, outro momento crucial ocorre: o parto. No imaginário feminino, mesmo para mulheres muito racionalizadas, existe um temor ou preocupação de como será esse momento. O medo pode ser relacionado ao instinto de autopreservação. Gestar e parir provoca diferentes consequências ao corpo feminino.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2023, <strong>aproximadamente 260 mil mulheres morreram em decorrência de causas relacionadas à gravidez ou ao parto</strong> — o que significa que <strong>mais de 700 mulheres morrem todos os dias por causas evitáveis</strong> ligadas à gestação e ao nascimento. Esses dados corroboram o medo ligado às altas taxas de mortalidade do passado, e ainda presente em países pobres e nas classes sociais mais baixas e com menos acesso a serviços de saúde e qualidade de vida.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Além disso, uma cesárea é a única cirurgia em que se espera que após 6 horas a paciente esteja andando e nutrindo outro ser humano. Lembrando que a cesárea é uma cirurgia de grande porte com todos os riscos envolvidos. É uma cirurgia que uma mulher faz acordada, sem anestesia geral. E espera-se, ainda hoje, que a mulher “não tema nada.”</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-nasce-um-filho-nasce-uma-mae" style="font-size:21px"><strong><em>Quando nasce um filho, nasce uma mãe!</em></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na nossa experiência, o nascimento dos filhos nos faz perceber, de forma concreta, o peso e a profundidade da responsabilidade que repousavam em nossos braços. Nutrir, cuidar e proteger tornaram-se necessidades vitais daquele ser totalmente indefeso, dependente por um longo período de sua vida. Diferentemente dos animais não humanos, o ser humano atravessa uma gestação prolongada, que não se limita ao útero, mas se estende para além do nascimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ainda-que-a-crianca-venha-a-andar-sozinha-ela-permanece-incapaz-de-garantir-a-propria-sobrevivencia-necessitando-de-cuidado-vinculo-e-sustentacao-por-muitos-anos" style="font-size:18px">Ainda que a criança venha a andar sozinha, ela permanece incapaz de garantir a própria sobrevivência, necessitando de cuidado, vínculo e sustentação por muitos anos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Uma mãe nasce quando um filho nasce? Sim e não. Embora o nascimento da criança convoque a mulher para a função materna, o ideal de mãe que a antecede já está dado no imaginário coletivo. O arquétipo materno, tal como é alimentado por cada sociedade, constrói imagens normativas da “boa mãe”: disponível, intuitiva, abnegada e naturalmente competente. Esse ideal, quando rigidamente incorporado, pode afastar a mulher de sua experiência real, produzindo sentimentos de inadequação e culpa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-winnicott-nos-lembra-que-nao-existe-a-mae-perfeita-mas-a-mae-suficientemente-boa-aquela-que-falha-repara-e-se-adapta-de-maneira-gradual-as-necessidades-do-bebe" style="font-size:18px">Winnicott nos lembra que não existe a mãe perfeita, mas a <em>mãe suficientemente boa</em>, aquela que falha, repara e se adapta de maneira gradual às necessidades do bebê.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O termo “<em>mãe suficientemente boa”</em> foi cunhado por Winnicott para <strong>evitar a idealização da maternidade e destacar que a mãe não precisa ser perfeita</strong> – ela começa por atender quase completamente às necessidades do bebê e vai gradualmente se adaptando menos à medida que ele cresce, permitindo que este tolere pequenas frustrações de modo saudável. Ou seja, a maternidade é construída por cada mulher, e difere entre as sociedades, não é inata ou imediata.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O amor é uma construção diária, que se dá nos pequenos gestos e na intimidade com o bebê. Se o amor de uma mãe fosse incondicionado, não existiriam mães que abandonam seus filhos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-uma-mae-vive-para-seus-filhos" style="font-size:21px"><strong><em>Uma mãe vive para seus filhos!</em></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em uma leitura junguiana, o arquétipo da Grande Mãe carrega em si uma ambivalência fundamental: é fonte de vida, nutrição e proteção, mas também de angústia, ameaça e dissolução. Os choros noturnos, as dificuldades na amamentação e a insegurança inicial confrontam a mulher com essa polaridade, deslocando-a do ideal para a experiência viva. Assim, ser mãe não é a realização imediata de um modelo arquetípico, mas um processo relacional e simbólico, aprendido no encontro contínuo entre mãe e filho, onde ambos se transformam.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Em <em>Símbolos da Transformação</em>, Jung formula as qualidades opostas da mãe: amorosa e terrível ao mesmo tempo. O paralelo histórico também expressa essa ambivalência do arquétipo materno &#8211; Maria (Imaculada), Kali associada à morte e destruição. O conceito Prakrti atribui três princípios fundamentais ao materno: bondade, paixão e escuridão. Embora a figura da mãe seja universal, ela varia na experiência prática de cada um, possuindo um caráter mais limitado para essa mãe individual. Com isso, Jung apresenta a ideia de que não é a mãe individual que influencia a psique infantil unicamente, o arquétipo projetado sobre essa mãe confere a ela um caráter numinoso e quase divino (JUNG, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A maternidade possui tamanha força, que no período paleolítico e neolítico, quando o homem ainda não associava a gestação à fecundação. Não se entendia a gravidez como fruto da sexualidade e sim como algo divino. As Deusas da antiguidade eram femininas, Deusas mães, ligadas à terra e à fertilidade (Stone, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Essa história que por muito tempo foi apagada pelos homens, vem sendo estudada e revisitada por diferentes estudiosos. É importante entender o passado e o presente, pois eles influenciam o arquétipo materno, base do complexo materno.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tudo-e-incerto-neste-mundo-hediondo-mas-nao-o-amor-de-uma-mae-james-joyce" style="font-size:21px"><strong><em>Tudo é incerto neste mundo hediondo, mas não o amor de uma mãe (James Joyce)</em></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O complexo materno pode gerar impactos tanto em filhos quanto em filhas. Nos homens, quando ativado em excesso, pode resultar em comportamentos dom-juanistas ou homossexuais; já nas mulheres, pode manifestar-se na fixação na maternidade, em um eros exacerbado, em uma identificação excessiva e dependente em relação à mãe ou ainda em um antagonismo em relação a ela (JUNG, 2014).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Podemos esperar que, durante a gestação — entendida aqui em sua dimensão mais ampla, que inclui também a chamada gestação “extraútero” —, a mulher seja profundamente mobilizada pelo complexo materno. Nesse período, é comum que a experiência psíquica se organize intensamente em torno da maternidade, envolvendo o corpo, os afetos e o imaginário.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Com o passar do tempo, porém, tende a emergir novamente o movimento de retorno ao mundo. A mulher gradualmente retoma o vínculo com sua própria jornada individual, reconectando-se com outras dimensões de si mesma. Assim, a maternidade deixa de ocupar o centro absoluto da experiência psíquica e passa a constituir uma entre as muitas personas que podem se manifestar ao longo da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Entretanto, algumas mulheres encontram dificuldades para realizar esse movimento de retorno a si mesmas, podendo manifestar o que podemos chamar de sintomas demeterianos. Assim como a deusa Deméter, passam a investir na maternidade o sentido central — e, por vezes, exclusivo — da própria vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando isso ocorre, a experiência materna tende a tornar-se unilateral e excessivamente totalizante. Tal configuração pode gerar efeitos sufocantes nas relações ao redor: tensiona o vínculo com o(a) parceiro(a), dificulta a circulação afetiva na família e, sobretudo, pode restringir o espaço psíquico necessário para o desenvolvimento e a autonomia dos próprios filhos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-complexo-materno-assim-como-os-demais-complexos-necessita-receber-uma-quantidade-de-energia-psiquica-que-permita-a-circulacao-saudavel-da-vida-psiquica-e-das-relacoes" style="font-size:18px">O complexo materno, assim como os demais complexos, necessita receber uma quantidade de energia psíquica que permita a circulação saudável da vida psíquica e das relações.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando há uma unilateralização da consciência em torno de um único aspecto da vida — neste caso, a maternidade —, a própria mulher pode acabar sendo prejudicada por essa dinâmica. Em alguns casos, crises no relacionamento conjugal surgem como indícios dessa unilateralidade, sendo frequentemente percebidas ou nomeadas pelo(a) parceiro(a). Nesses momentos, a capacidade de autorreflexão, bem como a abertura para buscar apoio ou ajuda especializada, pode contribuir para a ampliação da consciência e para uma reorganização mais equilibrada da experiência psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A gestação e o nascimento de um filho frequentemente mobilizam camadas profundas da psique feminina, colocando a mulher em contato com dimensões arcaicas do feminino — com a vida, mas também com perdas, transformações e renascimentos. Assim como na narrativa apresentada por <strong>Clarissa Pinkola Estés</strong>, a vida só retorna quando há tempo, cuidado e disposição para desenredar os nós que prendem aquilo que foi lançado às profundezas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nesse sentido, a maternidade pode ser compreendida não como um destino que absorve toda a existência da mulher, mas como uma experiência transformadora que, quando integrada de forma consciente, permite que diferentes dimensões do feminino encontrem novamente seu lugar na vida psíquica e relacional.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;Um olhar para a maternidade&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/7gJBv10KQOE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<h2 class="wp-block-heading" id="h-autoras" style="font-size:18px">Autoras:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Ercília Simone Magaldi &#8211; Didata do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa &#8211; IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/michellacechinel/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/michellacechinel/">Michella Cechinel Reis &#8211; Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/paula-penas/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/paula-penas/">Paula de Azevedo Bernardi Peñas &#8211; Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:16px">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">ESTÉS, C.P. Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem. 1 ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 11 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. O desenvolvimento da personalidade. 14 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. A natureza da psique. 10 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">STONE, M. Quando Deus era mulher. São Paulo: Goya, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Winnicott, D.W. O brincar e a realidade. São Paulo: Ubu Ed., 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">World Health Organization. Maternal mortality. Disponível em: <a href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/maternal-mortality">https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/maternal-mortality</a>?. Acesso em 23 de janeiro de 2026.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>São Francisco de Assis, hoje</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/sao-francisco-de-assis-hoje/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jul 2022 22:34:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[Assis]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[empatia]]></category>
		<category><![CDATA[individuação]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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		<category><![CDATA[São Francisco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Refletir sobre o ensinamento de São Francisco de Assis frente ao momento atual, pandemia, dor, sofrimento, morte e incertezas. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A antropologia franciscana nos traz uma visão de homem integral, não negligenciando sua pertença à Natureza, sua espiritualidade, sua condição de irmão de todos os seres, seu dever de cuidar de tudo que foi legado ao homem por sua condição de ser consciente, portanto, responsável por tudo que se apresenta sem condição de discernimento e de autocuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Renascimento o homem se colocou no centro do mundo, acima de toda natureza, acreditando poder tirar dela todo proveito porque ela lhe “foi dada”. Sem a consciência da limitação dos recursos terrenos, sem um olhar aos seres irracionais que partilham conosco o medo, a dor, o abandono e o sofrimento. Se colocou como “dono” da terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até hoje se mata e morre pela terra. Usurpam as áreas protegidas, avançam sobre biossistemas frágeis, invadem reservas, e, em nenhum momento questionam as consequências. Cada um luta pelo que quer, por aquilo que acredita poder usurpar, tomar, arrancar. Esta condição tanto vale para o indivíduo como para os governos. Guerras e lutas se justificam pela tomada de terras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas e Gaia? Esse ser tão poderoso e ao mesmo tempo tão frágil, que tanto nos proporciona e não é respeitado. Há um limite para que a Terra supra as necessidades humanas. De há muito já extrapolamos o número de humanos que os recursos possam dar conta. Perdemos a medida. Membros de crenças fundamentalistas acreditam, cada qual, que devem aumentar o número de descendentes para serem maioria e colocar toda humanidade sob sua doutrina, sua crença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Século XXI e acreditamos em liberdade. Utopia. Somos manipulados todo o tempo, por um sem número de interesses que não os nossos. Viver o Mito do Significado fica cada vez mais distante. Querem-nos massa e na massa não há individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Francisco de Assis foi um raro indivíduo que se entregou ao Self, contrariando toda expectativa familiar e social, até mesmo pessoal. Nasceu em 1182, em Assis, região da Úmbria, se tornara um “Jovem de “bem viver” , família abastada, mãe aristocrata, pai que projetava neste único filho sonhos inalcançáveis para ele mesmo que não nascera nem rico, nem aristocrata, fazia de tudo para que o filho alçasse voos dentro da sociedade burguesa que se estabelecia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Francisco parte para a guerra como um príncipe, seu pai queria que sua armadura e seu cavalo resplandecessem e todos pudessem ver sua condição diferenciada, como se fora um príncipe. Francisco já experienciara a guerra e a prisão anteriormente, desta vez volta da guerra, fugido, doente, mais da alma de que do corpo. Sofre profundas depressões, tudo que vivera até então perdeu o brilho e sentido. Seus concidadãos o consideram um covarde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Espoleto, Francisco tivera um sonho que o tocara profundamente. Sabia que já não era o mesmo, aquele sonho o transformara de maneira profunda, sua alma fora tocada pelo “Totalmente Outro” como dizia Jung. Sabia que o jovem leve, alegre e irresponsável já não existia mais. Ouvira o chamado, e mesmo sem saber exatamente o que dele era esperado, abandona a guerra e volta para casa. No sonho ele ouve:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“- Francisco, é melhor servir o Soberano ou o servo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Ó senhor, ao Soberano, é claro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Então por que você está tentando transformar seu soberano em um servo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Senhor, que queres que eu faça?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Vá para casa, Francisco, e pense a respeito de sua primeira visão. Você viu somente as aparências e não o coração da glória e da fama. Você está tentando fazer sua visão servir a seu próprio e impaciente desejo por Nobreza.” (Murray Bodo;&nbsp;<em>Francisco A Caminhada e o sonho</em>&nbsp;)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como ocorreu com Budha a dor, o sofrimento, as mortes, a prisão, as guerras dilaceraram o jovem Francisco. Mergulhou profundamente em seu inconsciente, assim como Jung pós infarto. E, assim como este, sofreu muito ao voltar à consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o indivíduo tem uma experiência com o Numinoso, um chamado do Self, a Imagem de Deus em nós, fica transformado, não há volta para o que fora antes, é chamado para algo que ao mesmo tempo que o significa, lhe transcende.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De volta a casa por muito tempo ficara calado, caminhando a ermo por Assis. Evitava todas as pessoas. Fora “chamado” a igrejinha de São Damião que estava abandonada, decrépita. Olhou para o crucifixo pendido no altar e falou:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“ – Senhor Jesus, que queres que eu faça? Todos os dias questiono meu sonho de Espoleto e me pergunto se realmente eras Tu quem falava comigo ou se era apenas minha excitação pelo meu vindouro batismo de fogo como Cavaleiro. Senhor, meus sonhos me afligem tanto! O que eles significam? Por que me ocorrem tais sonhos e vozes? Que tipo de homem sou eu, Senhor?” (idem).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua sinceridade provinha do mais profundo do Si-mesmo, os olhos do Cristo se tornaram vivo e do crucifico surge a voz:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“- Francisco, vá agora e restaure minha igreja que, como você vê, está ruindo.” (idem)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A humildade de Francisco toma ao pé da letra as ordens de Jesus e começa a ajuntar pedras e a reconstruir a pequena igrejinha. Seu ego não abarcara a profundidade da solicitação, mas o Self a compreendera perfeitamente e a mudança profunda ocorrida no&nbsp;<em>POVERELLO</em>&nbsp;arrasta muitos jovens ao seu encontro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A transformação de Francesco, do jovem inconsequente para o&nbsp;<em>poverello</em>&nbsp;de Deus, atraia aqueles que viam ali uma manifestação do Sagrado. Como diz Leonardo Boff, a mística transforma e contagia. Atrai aqueles que percebem uma manifestação numinosa, porque o indivíduo que os atrai é possuidor do carisma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os jovens franciscanos trabalhavam duro nos campos atrás do sustento, restauravam igrejinhas pela região, cuidavam dos pobres, leprosos e deficientes. Viviam uma pobreza extrema, desapego total dos desejos humanos, quando apenas a vontade maior (do Self, da&nbsp;<em>imago dei</em>) dirigia seus passos e suas atitudes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cada dia, esta numinosidade de Francisco, atraia mais indivíduos “tomados” pelo seu carisma. Claro, não há luz sem sombra e os indivíduos de Assis reclamavam seus filhos abandonando a burguesia para seguir Francisco. A oposição foi muito forte, queimaram lhes a&nbsp;<em>Porciúncula</em>, mas esta violência só fortalecera o propósito da irmandade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Francisco aceitara incondicionalmente seu chamado. Cantava e dançava pelas ruas de Assis, seus irmãos eram felizes. Servir tornara-lhes puros e felizes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Francisco gostava muito de cantar. Isto libertava seu espírito e transformava a voz humana, tantas vezes um órgão de egoísmo e pecado, em um instrumento de celebração.” (idem)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Francisco chamava a pobreza de Irmã, assim como todos os seres e situações. Até a morte era sua irmã, não a temia. Quando você vive o chamado do Self, a eternidade é uma certeza, pois o inconsciente vive no continuum espaço tempo relativos. O ego teme a finitude porque está preso a condição de espaço tempo absolutos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os franciscanos tinham amor por todos os seres, reverenciavam a Creação. Desapegados dos desejos podiam viver a leveza da plenitude da alma. Sim, servir para eles era uma alegria, servindo ao irmão, serviam a Deus. Aprenderam com os pobres o frio, a fome, a falta de um teto, certamente por isso sabiam o valor da partilha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E nós? Neste mês de maio de 2020, com uma pandemia avassaladora impondo o medo, a insegurança, a fome, a dor, o sofrimento e a insegurança. O que virá?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como e onde partilhamos o que temos? Qual o nosso chamado? O quê de Francisco há em nós que nos faz olhar o outro como irmão?</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Onde houver ódio, que eu semeie o amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Onde houver ofensa, o perdão;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Onde houver dúvida, a fé;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Onde houver desespero, esperança;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Onde houver trevas, luz;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E onde houver tristeza, alegria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ó Divino Mestre,</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não me deixes tanto buscar ser consolado</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que consolar;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ser compreendido que compreender;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ser amado que amar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois é dando que se recebe,</p>



<p class="wp-block-paragraph">É perdoando que se é perdoado,</p>



<p class="wp-block-paragraph">E é morrendo que se nasce para a vida eterna.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dra E. Simone D. Magaldi</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pedagoga, filósofa, mestre e doutora em CRE.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diretora do IJEP</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Simone Magaldi &#8211; 21/05/2020</em></strong></h4>
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		<title>Consciência, o que é?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/consciencia-o-que-e-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jul 2022 22:30:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência]]></category>
		<category><![CDATA[Consciente]]></category>
		<category><![CDATA[inconsciente]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=5845</guid>

					<description><![CDATA[<p>Jung estava absolutamente correto ao afirmar que o propósito do ser humano é a Individuação, o tornar-se si-mesmo em sua plenitude, numa relação profunda consigo mesmo, com sua luz e sua sombra, e com os outros na medida que a Individuação não isola o homem do mundo, ao contrário o faz pertencente e corresponsável, desenvolve no homem o sentido de unidade com tudo e com todos. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A idéia de&nbsp;<strong><u>totalidade</u></strong>, de&nbsp;<strong><u>unidade</u></strong>, permeia todo o Cosmos. Como diziam os pitagóricos o&nbsp;<strong><u>Um</u></strong>&nbsp;é o princípio criador e a multiplicidade numérica é a manifestação expressa na criação. É a “hipótese de Deus” que Teilhard relata em relação aos cosmologistas modernos, dentre eles posso citar&nbsp;&nbsp;DAVIES, que encerra seu livro&nbsp;&nbsp;da seguinte maneira: “Não posso acreditar que nossa existência neste universo seja uma mera peculiaridade do destino, um acidente da história, um grito incidental no grande teatro cósmico. Nosso envolvimento é íntimo demais. A espécie&nbsp;<em>Homo</em>&nbsp;pode não importar nada, mas a existência da mente em algum organismo em algum planeta do universo é certamente um fato fundamentalmente significativo. Através dos seres conscientes o universo gerou&nbsp;<strong><u>autoconsciência</u></strong>. Isto não pode ser um detalhe banal, um subproduto menor de forças indiferentes e sem objetivo. Nossa existência é&nbsp;<strong><u>intencional</u></strong>”. A autoconsciência permite ao homem um&nbsp;<em>novo-olhar</em>&nbsp;como propõe Teilhard.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos nós vivemos entre a fé e o ceticismo. É a característica dos cientistas ocidentais; a dicotomia entre Ciência e Religião. É nossa herança esquizofrênica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Teilhard crê que o Homem é a chave de compreensão do universo, é a fecha ascendente da grande síntese biológica. Chegada ao Homem a evolução não pára, mas sofre uma mudança profunda, não caminha mais para o Homem, encarna-se nele, o próprio Homem torna-se evolução. No Cosmos, em tudo, há uma interioridade e uma exterioridade, uma dupla dimensão, uma espécie de psiquismo, uma ordem lógica e matemática, uma espécie de consciência que está presente desde as formas mais simples, diluídas e elementares até o fenômeno humano, o mais concentrado e complexo. A célula torna-se Pessoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse Homem,&nbsp;ápice da evolução, precisa aprender a&nbsp;<strong><em><u>ver com qualidade</u></em></strong>, como nos propõe Teilhard:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><u>Sentido da&nbsp;<em>imensidade espacial</em>&nbsp;</u></strong>na grandeza e na pequenez = micro e macro Cosmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><u>Sentido de&nbsp;<em>profundidade</em>&nbsp;</u></strong>ao longo das séries ilimitadas do tempo = perceber que todo o Passado e todo o Futuro convergem para a experiência do Presente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><u>Sentido do&nbsp;<em>Número</em></u></strong><em>,</em>&nbsp;&nbsp;apreciando a multidão alucinante de materiais ou seres vivos envolvidos na menor transformação do Universo. É a solidariedade universal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;<strong>Sentido de&nbsp;<em>proporção</em></strong><em>.&nbsp;</em>Átomos e Nebulosas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><u>Sentido da&nbsp;<em>qualidade&nbsp;</em>ou novidade</u></strong>. Constante renovação e complexização.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><u>Sentido do&nbsp;<em>movimento</em>&nbsp;</u></strong>que se oculta sob as maiores lentidões. Ver a extrema agitação dissimulada pelo véu do repouso. Quântica e Cosmologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><u>Sentido do&nbsp;<em>orgânico</em></u></strong>, perceber as ligações físicas e a unidade estrutural por sob a justa posição superficial das sucessões e coletividades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é um exercício complexo de um&nbsp;<em><u>novo olhar</u>,&nbsp;</em>via de regra o ser humano, ao olhar para o fenômeno da matéria e do próprio homem, desenvolve o&nbsp;medo existencial, ou&nbsp;angústia. É a nossa consciência frente ao&nbsp;ínfimo e ao imenso, ao&nbsp;finito e ao eterno, ao&nbsp;eu e ao universo, ao&nbsp;simples e ao complexo. Quanto a isso “Teilhard quer, pois, evidenciar a angústia ligada à condição humana e provocada por tudo quanto nos ultrapassa quantitativamente em nós e fora de nós: os&nbsp;abismos psíquicos&nbsp;(Universo humano) e&nbsp;cósmicos&nbsp;(Universo material). No fundo, essa angústia a que chega necessariamente o sábio hiperfísico – que ousa&nbsp;´ver`&#8230;- é aquela que, uma vez superada, lhe confere um otimismo realista (não ingênuo) pois aquelas forças desproporcionais à pessoa humana (um Universo em evolução acelerada e a pressão de uma totalização coletiva) e que ameaçavam aniquilá-lo, revelam-se – no conjunto e à medida que avançam no Espaço-Tempo – forças que o consolidam (imortalizando porque irreversíveis, personalizando porque unitivas e espirituais).”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nada há de mais complexo do que a&nbsp;<u>consciência</u>, como vimos em relação ao&nbsp;<u>arquétipo</u>&nbsp;em Jung, ela também apresenta a mesma característica paradoxal, é&nbsp;<u>psicóide</u>; matéria e espírito.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Descartes, partindo do&nbsp;<em>cogito, ergo sun</em>&nbsp;acrescenta: “examinando com muita atenção o que eu era e concluindo que podia fingir não ter corpo e não havia mundo ou lugar em que me encontrasse, mas, ao mesmo tempo, não podendo fingir não existir, sendo bastante o fato de duvidar da verdade de outras coisas para ficar demonstrado, de modo muito certo e evidente, que eu exista, enquanto que bastaria deixar de pensar, ainda que admitindo como verdadeiro tudo que imaginasse, para não haver razão alguma que me induzisse a acreditar na minha existência, concluí de tudo isto que eu era uma substância cuja essência ou natureza reside unicamente em pensar e que, para que exista, não necessita de lugar algum nem depende de nada material, de modo que eu, isto é, a alma, pela qual sou o que sou, é totalmente diversa do corpo e mesmo mais fácil de ser reconhecida do que este e, ainda que o corpo não existisse, ela não deixaria de ser tudo o que é.”. Pois bem, nossa herança cartesiana, que tanto influenciou a filosofia e ciências ocidentais, dividiu a&nbsp;<strong><u>realidade em dois reinos&nbsp;</u></strong>–&nbsp;<strong><u>mente&nbsp;</u></strong>e&nbsp;<strong><u>matéria</u></strong>&nbsp;– “numerosas pessoas têm-se esforçado para racionalizar a potência causal da mente consciente dentro do dualismo cartesiano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ciência oferece razões irresistíveis para que se ponha em dúvida que seja sustentável uma filosofia dualista: para que haja interação entre os mundos da mente e da matéria,&nbsp;terá que haver intercâmbio de energia.”. Num mundo materialista como este que vivemos, decorrência das ciências dos últimos séculos, onde a realidade é material, como poderá a consciência existir? A resposta de muitos é:&nbsp;a consciência é um epifenômeno anômalo, ou seja, é decorrência de um processo cerebral, portanto bioquímico. A esse modo de pensar damos o nome de&nbsp;<strong><u>realismo materialista</u></strong>, que perdurou por séculos e ainda hoje permeia várias concepções científicas. No entanto, a nova física, as psicologias junguiana, arquetípica e transpessoal pensam de modo diverso, cada uma com certas particularidades, mas, todas convergindo para um&nbsp;<strong><u>idealismo monístico</u></strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Goswami não é o único que contesta a posição de Descartes, DAVIES também, a partir do&nbsp;<em>cogito, ergo sun</em>&nbsp;ele acrescenta: “Nossa própria existência é nossa experiência primeira. No entanto, mesmo essa afirmação inatacável contém em si a essência de um paradoxo que permeia obstinadamente a história do pensamento humano. Pensar é um processo. Ser é um estado. Quando penso, meu estado mental muda com o tempo. Mas o&nbsp;<strong><em>eu</em></strong>&nbsp;ao qual o estado mental se refere permanece o mesmo. Este é provavelmente o mais antigo problema metafísico do livro – e voltou à tona como uma vingança na teoria moderna<em>.”.&nbsp;&nbsp;A existência do meu ser e de todos os outros seres apresenta uma certa permanência e uma identidade, há um fluxo constante de fenômenos que se sobrepõe a uma base semiconstante de seres que liga o passado e o presente e aponta para o futuro como uma possibilidade, um devir.&nbsp;</em>É impossível desconectar o ser do mundo, e vice-versa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há uma nova teoria mecânico-quântica da consciência que objetiva&nbsp;&nbsp;uma&nbsp;associação do ser com o universo, mediante um&nbsp;relacionamento entre matéria e consciência. O físico quântico David BOHM acredita que: “O mental e o material são dois lados de um mesmo processo global que, como a forma e o conteúdo, estão separados apenas no pensamento e não na realidade. Há uma&nbsp;<strong><u>energia</u></strong>que é a base de toda realidade (&#8230;) Nunca há divisão real entre os lados mental e material em nenhum estágio do processo global”. Não há dicotomia entre o eu que pensa e o eu que sente, entre mim e o mundo a minha volta há trocas eletromagnéticas constantes que me afetam e afetam o mundo à minha volta. Interagimos consciente e inconscientemente com tudo, estamos interligados ao Todo, somos mônadas no sentido leibniziano mesmo, possuímos uma identidade, temos nossa própria unidade, mas fazemos parte de uma Unidade transcendente. Não podemos imaginar algo fora, separado, isolado desse Todo, o&nbsp;<strong><u>holismo</u></strong>&nbsp;é uma resposta possível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo em relação a nós mesmos percebemos uma interação mente-corpo, porém estamos descobrindo que há uma&nbsp;superioridade da consciência sobre a matéria. Um exemplo é o próprio gene que possui uma atitude passiva que precisa de algo exterior a matéria de si &#8211; mesmo que dê impulso e comando e o faça funcionar.&nbsp;&nbsp;Do mesmo modo a mitose só ocorre após um comando. O DNA tem uma propriedade de se desmanchar e produzir algo novo sob um impacto. Poderíamos conjecturar que esse impacto, esse comando, é um produto psíquico? Estados psíquicos de tristeza produzem putrecinas e cadaverinas através dos microtúbulos neuronais, o que nos faz adoecer fisicamente. Idéias obsessivas acabam por criar padrões neuronais alterados, ou seja, agregam-se fatores nas proteínas que passam nos microtúbulos neuronais. O depressivo produz uma química alterada em seu cérebro que produz em seu corpo disfunções hepáticas, digestivas, e outras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sérgio F. de OLIVEIRA acrescenta ainda que há um código genético universal, portanto existem leis biológicas formando um Sistema Biológico que unido ao Sistema Físico ainda não explica o pensamento e tudo o que ele implica: mente, consciente, inconsciente, espírito, psiquismo, alma&#8230;ele sugere um Meta Sistema, transcendente a matéria e ao mesmo tempo imanente. Poderíamos compreender como uma autoconsciência cósmica, como pensa Goswami.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CHOPRA diz: “A bioquímica do corpo é um produto da consciência. Crenças, pensamentos e emoções criam as reações químicas que sustentam a vida de cada célula”. Ele acrescenta em relação a influência da consciência nos estados de saúde e doença: “Seria impossível isolar um simples pensamento ou sentimento, uma simples crença ou suposição, que não tenha algum efeito sobre o envelhecimento, direta ou indiretamente. Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificadas por eles. Um surto de depressão pode arrasar com o sistema imunológico; apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente. O desespero e a desesperança aumentam o risco dos ataques de coração e do câncer, encurtando a vida. A alegria e a realização nos matem saudáveis e prolongam a vida. Isto significa que&nbsp;a linha entre a biologia e a psicologia na verdade não pode ser traçada com qualquer grau de certeza. A recordação de uma situação de estresse, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse propriamente dito”.&nbsp;<strong>Nosso corpo responde inexoravelmente à consciência</strong>.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O etologista John CROOK coloca: “A ordem da consciência – sua aparente estabilidade no tempo – é o que nos dá esta sensação de que vivemos num mundo em vez de dentro de experiências arquitetadas pelos caprichosos sentidos” ao que acrescenta Danah ZOHAR: “No entanto, essa rara qualidade de&nbsp;ordenação de nossa consciência&nbsp;limita consideravelmente a escolha de explicações físicas, como pode ser inferido do fracasso de todas as tentativas de se explicar a consciência em termos clássicos. Nossa consciência tem a característica de&nbsp;unidade contínua.&nbsp;Ela se mantém coesa&nbsp;e permite que nossa experiência também se mantenha coesa. Esse tipo de&nbsp;uniformidade fixa&nbsp;é raro entre os processos dinâmicos da natureza, mas pode ocorrer em materiais que existem em&nbsp;<strong>fase condensada</strong>”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Condensado de Bose/Einstein e Efeito de Herbert Frohlich</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Henry Stapp, a mecânica clássica não é capaz de integrar a consciência com a ciência, já que representa uma expressão da idéia de Descartes, a qual considera a natureza dividida em duas partes não relacionadas e não interativas: a mente e a matéria. Em contraposição, ele e outros físicos têm sugerido que a consciência talvez depende da capacidade do cérebro assumir, de alguma forma, as características quânticas das fases condensadas, como no caso dos supercondutores ou dos raios laser. Mas o que é uma fase condensada? A palavra fase traduz um &#8220;estado&#8221; de algum sistema material, em que se leva em conta o &#8220;grau de alinhamento&#8221; de seus componentes. À medida que esse &#8220;grau de alinhamento&#8221; vai aumentando, a fase vai se tornando mais e mais condensada. Quando se atinge uma forma de alinhamento, a mais ordenada possível, a fase recebe o nome de condensado de Bose/Einstein. *</p>



<p class="wp-block-paragraph">* &#8211; a palavra bose provém de &#8220;bosons&#8221;, partículas sub-atômicas, como os fótons, associadas com campos de força e que, por promoverem o máximo alinhamento possível (agregação), entre as partes de um sistema, facilitam a concentração (condensação) de energia. Um exemplo simplista, porém didático :</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diversas bússolas estão dispostas sobre uma mesa em um compartimento blindado. Por causa da blindagem, as agulhas apontam, aleatoriamente, em todas as direções. Mas se, através de uma corrente, aumentarmos a energia eletromagnética das bússolas, as agulhas irão, aos poucos, se alinhando. Quando a intensidade da corrente eletromagnética atingir um determinado grau, as bússolas passarão a se comportar como uma única superbússola, todas as agulhas apontando, agora, numa mesma direção. Elas entraram num estado de fase condensada. Retomemos o exemplo dos supercondutores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois bem, eles só atuam em temperaturas extremamente baixas, enquanto o cérebro trabalha na temperatura corporal. Logo, se a física das fases condensadas é mesmo relevante para a formação da consciência, então deve haver algum mecanismo desse tipo que funcione na temperatura normal do corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, na verdade, existe um : O chamado efeito de Herbert Frohlich, encontrado em alguns tecidos biológicos, parece atender aos critérios necessários. O efeito de Frohlich consiste num sistema de moléculas eletricamente carregadas (contêm dipolos positivos numa extremidade e negativos na outra) e atuam da seguinte forma: Quando se acrescenta, ao sistema, uma certa quantidade de energia, os dipolos passam a emitir vibrações eletromagnéticas, similares as dos radio transmissores em miniatura. Alem de um certo limite, qualquer energia introduzida a mais no sistema, faz com que as moléculas vibrem em uníssono. Elas o fazem, cada vez mais intensamente, até atingirem a forma mais ordenada possível de fase condensada, ou seja, o já mencionado condensado de Bose-Einstein.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A característica essencial deste condensado reside no fato de que as diversas partes do sistema ordenado, não só se comportam como um todo, mas também se tornam um todo: suas identidades se fundem de tal forma, que cada uma das partes perde a própria individualidade. Uma boa analogia, seria a das muitas vozes de um coral, que se fundem para, em determinados níveis de harmonia, dar lugar à &#8220;uma única voz&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos concluir que os sistemas quânticos complexos, como é o caso da&nbsp;consciência, são&nbsp;auto-ordenadores&nbsp;e caminham em uma direção evolutiva, em direção a um Atrator Cósmico, ao Ponto Ômega, à Individuação humana e cósmica. A esse caminhar, processo maior de coerência ordenada crescente do Universo como um todo, Prigogine chama de “paradigma evolutivo”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a evolução de todo o Cosmos é atraída a um propósito, não será a Autoconsciência o propósito da vida humana?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então Jung estava absolutamente correto ao afirmar que o propósito do ser humano é a Individuação, o tornar-se si-mesmo em sua plenitude, numa relação profunda consigo mesmo, com sua luz e sua sombra, e com os outros na medida que a Individuação não isola o homem do mundo, ao contrário o faz pertencente e co-responsável, desenvolve no homem o sentido de unidade com tudo e com todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ercilia Simone Dalvio Magaldi</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pedagoga – Filósofa – Especialista em Psicologia Junguiana –terapeuta &#8211; mestre em CRE – PUCSP e doutora em CRE &#8211; UMESP</p>



<p class="wp-block-paragraph">email:&nbsp;<a href="mailto:simonemaqgaldi@ijep.com.br">simonemaqgaldi@ijep.com.br</a></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Simone Magaldi &#8211; 19/03/2019</em></strong></h4>
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			</item>
		<item>
		<title>Anomia Social</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/anomia-social/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jul 2022 22:17:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[anomia social]]></category>
		<category><![CDATA[contemporaneidade]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O momento atual é de anomia e niilismo, o que nos resta? </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><br><em>Vivemos uma verdadeira anomia social. Nunca o conceito de niilismo fez tanto sentido = sofrimento sem saída.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se não nos isolarmos o número de sofrimento e morte será enorme (incluindo todos aqui da minha casa que são de risco). Se continuarmos isolados haverá uma enorme recessão (mundial e não só no Brasil), muitas empresas quebrarão, muito desemprego e muita fome, claro que são antecedentes de violência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que fazer? Eu não tenho a resposta, mas aqui no IJEP estamos mantendo todos em casa, na medida do possível, trabalhos online. Na minha casa, empregada e faxineira em casa recebendo. Tivemos que cancelar viagens que faríamos este ano por conta da pandemia, devolução do dinheiro em boa hora para pagarmos essas despesas já que não teremos aulas. Sonhos que aguardarão um momento de tranquilidade. Mas nada é por acaso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qual o caso aqui e agora? Nossa predatoriedade. Avançamos além do que nos pertence. A creação é magnífica, lugar de vida para todos. Mas não nos contentamos com nosso espaço, queremos sempre mais e mais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-numero-de-seres-humanos-avancou-alem-do-que-o-planeta-pode-prover">O número de seres humanos avançou além do que o planeta pode prover.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, teríamos que ter mais de um planeta para que todos tenham um mínimo de dignidade, com água potável, três refeições ao dia, esgoto, educação e trabalho. Então o caos que se avizinha aconteceria mais cedo ou mais tarde. É a nossa <em>hybris</em> e nossa conta chegou mais cedo do que esperávamos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Creio que tão cedo não tenhamos solução, que o caos irá se prolongar, sem dúvida, de um jeito ou de outro. Mas o mundo não poderá ser o mesmo, caso contrário a conta será impagável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ignorância beira a loucura. Em todos os níveis da sociedade. Quanto mais tecnologia maior a desinformação, mais rara a cultura e o discernimento. O ego aprendeu a ser fragmentado, como em uma esquizofrenia. Tudo que aprende é raso e partido. Não há profundidade nas informações, vivemos de retalhos.&nbsp; Pedaços de muitas coisas e inteiro coisa alguma, nem nós mesmos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-medo-nao-e-psicologico-e-real-e-visceral">O medo não é psicológico, é real, é visceral.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, muito sofrimento a vista e nós, pessoas sem influência, não temos muito a fazer. A não ser orar. Sim, a oração tem poder, não falo na visão teológica apenas, mas a ciência confirma. A epidemiologia da religião traz inúmeros estudos sobre a resiliência adquirida pela fé, oração e vivência de uma doutrina. Qualquer religião é sempre muito melhor que religião nenhuma. Além do conforto e sentido de pertença traz uma sabedoria valiosa: não há morte apenas mudança de endereço cósmico, como diz a nova física.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um momento para reflexão, penetrarmos nos recônditos de nós mesmos e confrontarmos nossa sombra pessoal e coletiva. Perceber quão egoístas, narcisistas, corruptos e predadores somos todos. Resgatar o bom, o belo e o verdadeiro em nós para recomeçarmos diferentes, mais humanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Creio ser esse o maior ensinamento deste momento sombrio, perdemos o sentido de humanidade onde somos todos um, há <strong>UMA</strong> humanidade. Jung diz que descendo ao mais profundo da psique, chegando ao Inconsciente Coletivo perdemos nossa singularidade e somos todos um.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu, você, o amigo, o inimigo, todos nós partilhamos essa mesma esfera psíquica, do Inconsciente Coletivo. Temos os mesmos arquétipos em potência, sofremos as mesmas dores, somos tomados pelos mesmos complexos. Essa á a esfera a ser encontrada nesta reflexão. Qual seu papel nesta rede de interdependência? O que tanto te sobra? A que você está aprisionado materialmente?&nbsp; O que é o quanto você pode partilhar?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-thich-nhat-hanh">Thich Nhat Hanh:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:11px">
<p class="wp-block-paragraph">“Que eu viva em paz, feliz, com o corpo e espírito leves.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que ela viva em paz, feliz, com o corpo e espírito leves.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que ele viva em paz, feliz, com o corpo e espírito leves.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que eles e elas vivam em paz, felizes, com o corpo e espírito leves.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que eu viva livre de perigos e injúrias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que ela viva livre de perigos e injúrias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que ele viva livre de perigos e injúrias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que eles e elas vivam livres de perigos e injúrias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que eu viva livre de raiva, aflições, medo e ansiedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que ela viva livre de raiva, aflições, medo e ansiedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que ele viva livre de raiva, aflições, medo e ansiedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que eles e elas vivam livres de raiva aflições, medo e ansiedade.”</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Rezar apenas para você e seu umbigo familiar é egoísmo. Somos mais do que o eu, a família, os amigos, os colegas. Somos UM. O ego é eu, mas o Self é todos. Como diz Thich “<strong>Sem lama não há lótus</strong>”. Cabe a cada um cultivar sua lótus neste momento de lama.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone D. Magaldi &#8211; Fundadora e Membro didata do IJEP</a></p>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-06-04-2020"><strong><em>06/04/2020</em></strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse nosso site: <a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a></p>
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		<title>A pandemia e o novo humanismo</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-pandemia-e-o-novo-humanismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jul 2022 10:58:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Qual os limites e interesses do homem do séc. XXI? Somos tão heterogêneos. Tão distintos em cultura, moral e política...Como avaliar o humanismo dentro dos padrões contemporâneos?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://www.ijep.com.br/img/artigos/artigo_189.jpeg" alt="A PANDEMIA E O NOVO HUMANISMO PANDEMIA"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Introdução</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos uma era de grandes transformações. A comunicação e a tecnologia transformaram o planeta. Levamos milhões de anos para nos adaptarmos à Terra e nos últimos 50 anos mudamos tanto o nosso redor que buscamos novas adaptações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se pensarmos no manejo do plantio e na alimentação, no transporte, nos meios de comunicação e no avanço da medicina e das ciências, poderíamos acreditar que chegamos no apogeu evolutivo. No Ponto Ômega no dizer de Teilhard Chardin.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que humanismo vivíamos antes da pandemia que está mudando todas nossas relações? Poucos com tanto e tantos com tão pouco. Onde a fraternidade, a liberdade e a igualdade se escondiam? Numa terra tão promissora esquecíamos de tantos despossuídos, retirantes, desabrigados, famintos, prisioneiros de sistemas injustos e tantas mulheres violadas, crianças abandonadas&#8230;tanto sofrimento e nós, a maioria de nós, cegos para todos eles.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vamos fazer um percurso através destes questionamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;&nbsp;<strong>Humanidade e Humanismo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;Nossa humanidade está cega na alma, uma humanidade que mata e morre por desacordos egoísticos. Uns lutam em nome de Deus, como se fosse possível que Deus não fosse Uno. Outros lutam pelo poder. Carl Gustav Jung diz: “Pela lógica, o contrário do amor é o ódio; o contrário de Eros, Phobos (o medo). Mas, psicologicamente, é a vontade de poder. Onde impera o amor, não existe vontade de poder; e onde o poder tem precedência, aí falta o amor.” (<a><em>Psicologia do Inconsciente</em></a>, pár. 78). Grande verdade, poder e amor não coexistem. Um exemplo vivo é o Papa Francisco, embora seja o pontífice, o dirigente de toda Igreja Católica, segue aquele que lhe nomeou: São Francisco de Assis, o poverello, O Pobrezinho de Deus. Seu exemplo é maior que qualquer título que lhe possa ser outorgado, o Papa Vê, não é cego à fraternidade, a igualdade e a liberdade. Como diz Chardin, não basta ter olhos, é preciso saber ver. O Papa se faz presente com seu testemunho de fé. Ele não tem vontade de poder, mas tem muito amor. Um exemplo para a humanidade que se avizinha nestes novos tempos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas como pensar a humanidade? Diz Chardin: “Humanidade: objeto de uma fé muitas vezes ingênua, mas cuja magia, mais forte do que todas as vicissitudes e todas as críticas, continua a atuar com a mesma força de sedução tanto sobre as almas das massas atuais como sobre os cérebros da `intelligenzia`. Quer se participe de seu culto, quer se ridicularize esse mesmo culto, quem pode, ainda hoje, escapar à obsessão, ou mesmo à ascendência da ideia de Humanidade?” (<em>O Fenômeno Humano,&nbsp;</em>pág. 278). A humanidade causa atração, sedução, mas e o humanismo, o que entendemos por isto?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Humanismo surge na Itália por volta do séc. XIV como um movimento literário e filosófico e acaba por se espalhar por toda Europa e originou a cultura moderna. Se caracteriza também como qualquer movimento filosófico que considere como fundamento a natureza humana e os limites e os interesses do homem. Ao longo da história vários autores alteram ou acrescentam ideias a este conceito que começa lá em Protágoras: “o homem é a medida de todas as coisas”. (<a><em>in Diccionário de filosofia,&nbsp;</em>Nicola Abbagnano)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Qual os limites e interesses do homem do séc. XXI? Somos tão heterogêneos. Tão distintos em cultura, moral e política&#8230;Como avaliar o humanismo dentro dos padrões contemporâneos?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como disse Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do próprio homem.”&nbsp; Verdade. Temos uma moral (costumes e leis de uma época para determinado povo) própria do ego (centro da consciência que é o responsável pela percepção corporal e história de vida, que atua se relacionando com o mundo interno, do inconsciente, e com o mundo externo, dos fenômenos que nos envolvem, sua atuação é discriminatória por excelência). Temos também o Self (centro e totalidade psíquica, corresponde a imagem de Deus em nós, aquele que verdadeiramente dirige nossos passos) que, diferente do ego, é ético e ética é atemporal e aespacial, podemos dizer a discriminação suprema. Assim, vemos o homem tão desconectado com essa esfera da totalidade psíquica, tão centrado no próprio ego, apartado de uma esfera gigante da humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O homem “egoísta”, centrado nos interesses do próprio ego, pensa primeiramente e, infelizmente, algumas vezes, unicamente em seus desejos e ambições.&nbsp; O outro não lhe afeta. Pura ilusão. Na esfera do inconsciente coletivo somos todos UM. Não temos um inconsciente coletivo, é ele que nos tem. Este inconsciente coletivo contém em si toda herança espiritual da evolução da humanidade. Como diz Jung, ele nasce sempre de novo na estrutura cerebral de cada um de nós. Não só a mitologia e as lendas constituem esse inconsciente coletivo, mas toda experiência repetitiva e fatos relevantes (arquétipos) da história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa maneira, não estamos nunca separados dos outros seres humanos, somos internamente afetados por tudo que acontece no mundo. A separação é uma ilusão da consciência, no íntimo estamos todos conectados, influenciando e sendo influenciados. Os sofredores de todo planeta estão em nós. Os aflitos dos países em conflito, os famintos das periferias, os drogados exilados da humanidade, os atípicos, os desesperados, os doentes, os moribundos&#8230;todos fazem parte do mesmo inconsciente coletivo, são influenciados por nós, mas, também, nos influenciam. Somos uma só humanidade, a separação é uma ilusão egóica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nossas personas (“máscaras” de adaptação coletiva, através das quais buscamos ser aceitos) não são nossa personalidade, mas atores que atuam, através de nós, em papéis &nbsp;&nbsp;sociais. Muitas vezes nos identificamos com estes personagens perdendo a verdadeira noção de quem somos realmente. Mas, muito mais sério, é nossa relação com o mundo. Vivemos de “projeções” do nosso mundo interno, nossa sombra (tudo que foi contido, rejeitado ou impedido de se manifestar), nosso lado trevoso (porque não está na luz da consciência) onde existem tesouros de potenciais não desenvolvidos, mas, principalmente, o mal em nós. Tudo que não pode ser mostrado, que não é aceito, que é “pecado”. Portanto, somos luz e sombra, bem e mal. Nossas polaridades nos fazem “humanos, demasiadamente humanos” como diria Nietzsche.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se reconhecêssemos isso não faríamos tantas discriminações, tanto separatismo, tanta falta de fraternidade. A humanidade seria uma comunidade de irmandade. Afinal, no íntimo, não somos tão diferentes daqueles que rejeitamos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Pandemia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Avançamos em áreas primitivas, tomamos posse de lugares em que o ecossistema era preservado e desconhecido, com isso, abrimos as barreiras de proteção de espécimes nocivas ao homem das quais não tínhamos conhecimento e proteção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há alguns anos o mundo todo entrou em choque com uma possibilidade epidêmica do “ebola”, fatal ao ser humano. Conseguimos controlar. Agora, em era tão desenvolvida, em que o homem avançou tanto em conhecimentos os mais diversos nos confrontamos com uma pandemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O “corona vírus” chega dizimando um número imenso de vidas. Cria pânico, medo, desestabiliza a economia mundial, cria uma multidão de desempregados e famintos. E ainda não acabou. Não sabemos a real proporção dos danos, as sequelas possíveis, consequência da contaminação, as mutações nos amedrontam porque desconhecemos o potencial danoso que podem provocar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, o mais cruel, o que faz doer, desacreditar no ser humano, é o descaso com que vários dirigentes encaram e enfrentam o problema. Ironizar dos sofredores e mortos, desconsiderar o sofrimento de tantas famílias, propor saídas que a própria ciência justifica como não corretas, em meio a tanto terror ignorar as saídas preventivas, como as vacinas, as máscaras, o isolamento, desviar dinheiro público para fins escusos, dinheiro da saúde negociado ao preço de sangue, de morte, de descaso, isto é o Mal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; O<strong>&nbsp;Mal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O mal é o oposto do bem na doutrina maniqueísta donde veio Agostinho (conhecido por muitos como o Platão cristão), como convertido precisou rever a natureza do mal. Solilóquios: “Desejo conhecer Deus e a alma. E nada mais? Nada mais, absolutamente”. Deus e alma não requerem, para Agostinho, pesquisas distintas, porque Deus se encontra na própria alma. “Deus está na alma e revela-se na mais recôndita interioridade da própria alma. Procurar a Deus significa procurar a alma e procurar a alma significa reclinar-se sobre si mesmo, reconhecer-se, na própria natureza espiritual, confessar-se(&#8230;.)Esta atitude não consiste em descrever para si e os outros as alternativas da própria vida interna ou externa, mas em pôr a claro todos os problemas que constituem o núcleo da própria personalidade”, após seus anos de inquietação, em que se dissipou e divagou desordenadamente, percebe que tudo o que buscava e precisava realmente era a verdade e que essa verdade é o próprio Deus: “Não saias de ti mesmo, volta a ti próprio, no interior do homem habita a verdade; e se verificas que a tua natureza é mutável, transcende-te para lá de ti mesmo (De vera rel., 39). Apenas o retorno a si próprio, o encerrar-se na própria interioridade é verdadeiramente o abrir-se à verdade e a Deus. É necessário chegar até ao mais íntimo e escondido núcleo do eu para encontrar mais além dele a verdade de Deus” (N. ABBAGNANO. História da Filosofia. Vol. II. Págs 205/6/7). Deus é, pois, a incorruptibilidade, na medida em que é o próprio Ser. Donde então podemos imaginar a natureza do mal? O mal absoluto é o nada absoluto. O mal é o pecado e a deficiência da vontade que renuncia ao ser e se entrega ao que é inferior. Assim: “Jung ressaltou a função moral da reflexão humana e da consciência no processo em que a imagem do deus patriarcal se transforma e concorre para uma estrutura interior do eu. O modelo de Jung não omite uma percepção consciente da sombra, que na teologia é expressa pela doutrina da substancialidade do mal (A psychological approach to the Trinity. P. 134/136):</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;´Uma das raízes mais fortes do mal é a inconsciência&#8230;Eu gostaria que ainda estivesse nos evangelhos a declaração de Cristo: Homem, se sabes o que fazes, és bendito, mas, se não sabes, és maldito e um transgressor da lei&#8230;Esse bem poderia ser o lema de uma nova moralidade”.( Natan SCHWARTZ-SALANT. A personalidade limítrofe. Pág. 121.)</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tomás de Aquino também admite a doutrina platônico-agostiniana da não-substancialidade do mal: “o mal não é senão ausência do bem(&#8230;) O mal é de duas espécies: pena e culpa”</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jung não compactua com a doutrina do mal como privatio boni, que entende que o mal é uma simples ausência do bem. Para Jung é o contrário, ele acentua “a realidade substancial do lado sombrio da psique. Do ponto de vista mitológico, este lado sombrio é o Demônio. Além disso, Jung acentuava que: ´a sombra e a vontade em oposição é a condição necessária a toda realização´. Só com uma integração consciente da sombra é possível a efetivação do numinoso positivo. Isto significa que um indivíduo vive com uma percepção aguda de sua natureza sombria, na qual há um alinhamento com a atração pela morte. Essa dinâmica inclui características psicopáticas que atuam sem qualquer sentido moral. Quando a sombra e as suas consequências destrutivas são integradas, o alinhamento consciente com o numinoso positivo torna-se uma questão ética, uma questão de escolha. Deve-se tomar o partido, ou de Deus, ou do Diabo. Só com a integração da sombra pode de fato o indivíduo desenvolver a força de ego necessária a um relacionamento ativo com o numinoso” (Natan SCHWARTZ-SALANT. A personalidade limítrofe. Pág. 121.)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não podemos ignorar o mal para não sermos tomados por ele, como um complexo que constela e assume o lugar do ego, porque, sim, o mal também está em nós, precisamos ampliar a consciência para não sucumbirmos ao nosso lado sombrio. Só com um processo de vontade consciente poderemos nos render ao Self (a imagem de Deus em nós) e adquirir forças para enfrentar esse lado nefasto em nós e na sociedade, principalmente em relação aos homens de poder. Empatia, essa é a chave. Ver o outro, sentir o outro como o irmão que em verdade ele é.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do Mal que com tanta força constelou durante esta pandemia devemos buscar o Bom, o Belo e o Verdadeiro e reverter o quanto for possível este desvario que assola a humanidade durante esta pandemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8211; Conclusão</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Boff nos traz uma nova visão de mundo concebida por cientistas modernos: “O grupo de cientistas de Princeton e Pasadena que buscam uma reaproximação entre ciência, filosofia e religião, autodenominando-se ambiguamente ´neognósticos`, sustenta, como tese fundamental de sua basic cosmology, que ´o mundo é dominado pelo Espírito e é feito pelo Espírito`. A metáfora dessa nova cosmologia é a do jogo. Como diz um cientista teólogo da Comunidade Européia, ´o jogo nos comunica a idéia de complexidade, de lógica não-linear, mas também da implicação essencial dos jogadores e de sua criatividade; o ser humano não é mais espectador passivo de um mundo do qual se sente excluído`. Essa cosmologia é integradora”&nbsp;<a>Ecologia, Mundialização,&nbsp;</a>Espiritualidade. Págs. 66/67).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;É oposta a sociedade misógina, opressora e excludente. É uma cosmologia que reinstaura a relação, o jogo. Esse é o ensinamento da nova física, nada existe sem relação, e tudo depende de opções, do jogo que escolhemos jogar.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta é a chave, o novo humanismo deve principiar na “relação”, no “jogo” do homem com seus iguais, do homem com a Natureza e do homem com Deus. Entendermos que o Espírito permeia todo o Cosmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pandemia deve servir para nossa evolução espiritual. Precisamos aprender a servir, como diz Waldemar Magaldi Filho em suas aulas: “- Quem não vive pra servir, não serve para viver.”. Que todas estas mortes, esse sofrimento, esse isolamento nos aproximem do Sagrado para reconhecermos o Mito do nosso Significado, o propósito da vida de cada um de nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não podemos voltar aos velhos costumes, egocêntricos, separatistas. Precisamos desenvolver um novo modo de “jogar”, onde cada um é imprescindível, onde nenhum ser fica fora da jogada porque absolutamente esta é a regra: todos juntos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;O antídoto para o mal depende da conscientização de que somos luz e sombra e de que o mal e o bem são opostos complementares que coabitam na nossa essência, para que possamos agir com a consciência e a lucidez da consequência dos nossos atos e das nossas omissões, assim como se estamos servindo a alma ou apenas reproduzindo, cegamente, os padrões dominantes da persona materialista, competitiva e egoísta, presente neste sistema excludente e destrutivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dra Ercilia Simone D. Magaldi</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abbagnano, Nicola.&nbsp;<em>Diccionário de filosofia,&nbsp;</em>Fondo de Cultura Econômica. México.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_________&nbsp;<em>História da Filosofia. Vol. II,</em>&nbsp;Ed. Presença, 1969, Lisboa</p>



<p class="wp-block-paragraph">Boff, Leonardo.<em>&nbsp; Ecologia, Mundialização, Espiritualidade.</em>&nbsp;Ed. Ática. 2000 SP</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chardin, Teillard de.&nbsp;<em>O Fenômeno Humano,&nbsp;</em>Ed. Cultrix , 1995, SP</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;Jung, Carl G.&nbsp;<em>Psicologia do Inconsciente,&nbsp;</em>Ed. Vozes. 2006, Petrópolis</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sêneca.&nbsp;<em>Sobre a Brevidade da Vida,&nbsp;</em>Ed. Nova Alexandria, 1993. SP</p>



<p class="wp-block-paragraph">Schwartz-Salant Natan . A personalidade limítrofe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo foi para a Revista Pastoral 2022.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>E. SIMONE MAGALDI &#8211; 02/03/2022</em></strong></h4>
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		<title>(Re)pensar a maternidade tardia sob a perspectiva da psicologia analítica</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/re-pensar-a-maternidade-tardia-sob-a-perspectiva-da-psicologia-analitica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Mar 2022 18:18:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Complexo Materno]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Reflexão sobre o amadurecimento feminino e a maternidade tardia.  A metanoia e processo de ser mãe.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Débora Moraes Campos</p>



<p class="wp-block-paragraph">O referencial teórico científico a respeito das possíveis alterações psíquicas das mulheres na gestação e pós-parto é extenso. Muitos pesquisadores se debruçaram sobre o tema. No entanto, ainda existe uma lacuna acadêmica que aproxime os conteúdos relacionados à maternidade vivida mais tardiamente com a Metanoia tão falada por Jung. Para realizar essa aproximação também é necessário relacionar o tema da maternidade com outros conceitos junguianos, como, por exemplo, o da sombra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gravidez é uma fase transitória do ciclo vital, no entanto, a maternidade não finda com o nascimento do bebê, pele contrário, ela se torna um estado perene e por isso todo esse contexto induz a mulher a reorganizar sua identidade. O continuum gestação, parto e puerpério apresenta variáveis psicológicas e biológicas intrínsecas. Há ainda, a alteração do status social e profissional que podem contribuir para a instalação de uma crise psíquica (TRAVASSOS-RODRIGUEZ, 2013).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não raro, algumas mulheres ludibriadas por encantamentos egóicos parecem passar pela gestação como se estivessem em um estado de embriaguez, vivendo a chamada “doce espera”. A sociedade também reforça culturalmente esse processo de congelar a gestante nessa “fantasia” de que nos meses vindouros elas poderão brincar de boneca na vida real, como outrora brincaram na infância (GUTMAN, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando temem entrar no mundo adulto e dão à luz em estado infantil, o bebê real tem pouco a ver com o bebê imaginado, sonhado e fantasiado a partir do conto de fadas que vem contando a si mesmas desde pequenas. É um bebê que chora sem parar, suja as fraldas, não adere ao peito, é muito magro, muito comprido ou muito largo, não se conecta, é excessivamente inquieto, não permite que a mãe fique bem diante das visitas ou não a deixa em paz, ou ainda, não se parece com ninguém. É menino, quando se queria uma menina, ou vice-versa, nasceu antes ou depois do previsto, foi cesariana quando o esperado era um parto normal, não engorda, ou não se acalma, ou não dorme, ou é nervoso. Seja como for, é diferente do que se esperava. É profundamente desconhecido. Um recém nascido é isso: a manifestação organizada da sombra da própria mãe, ou seja, tudo o que ela rejeita, desconhece ou dói em seu profundíssimo ser essencial” (GUTMAN, 2019, pag. 94).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Além da aparição da sombra ocorrida durante a maternidade, as mulheres se veem de fora do mundo concreto durante o puerpério. Mesmo com a instalação dos estopins de crise psíquica, elas seguem com a obrigação de continuarem funcionando de acordo com as regras da sociedade. A recém empossada mãe perde seus espaços de identificação (trabalho, círculo de amigos, espaços de lazer) para ficar à disposição do bebê de forma integral. Nasce o sentimento de estarem “fora do mundo” caracterizado por tanto pela sensação de estarem enclausuradas como pela sensação de desconexão. Esses estados não foram escolhidos de forma consciente pelas mães e nunca foram imaginados por elas até a chegada do bebê (GUTMAN, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao transferir esse mesmo contexto para o cenário da mulher que vive a maternidade no meio da vida é comum nos deparamos com uma dupla crise psíquica: àquela advinda da maternidade a outra desencadeada pela Metanoia. É muito comum, na cultura social vigente, que as mulheres posterguem a maternidade para além dos 36 anos. Um estudo realizado pela Universidade de Kent na Alemanha, considera que a meia-idade das pessoas corresponde ao período entre 36 e 57 anos. Jung utiliza o termo Metanoia para designar o processo ocorrido a partir da segunda metade da vida. Nesse processo ocorre uma mudança na direção da libido que não estará mais direcionada para o mundo externo e sim para o mundo interno da pessoa. Ocorre um diálogo com o inconsciente (JUNG, 2013). Portanto, se a maternidade abre um diálogo com o inconsciente através do confronto com a sombra e a meia idade também o faz, pode-se, dessa forma encontrar uma sobreposição de crises, ou por outra análise, um aprofundamento da crise instalada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos recentes trazem à tona, a questão que o alto nível de expectativa das mães com idade mais avançada em relação ao seu próprio desempenho como mães pode ser uma armadilha na adaptação à maternidade. Esses mesmos estudos destacam que as experiências anteriores de grande autonomia sobre os variados aspectos da própria vida podem ser uma grande fonte de estresse para as mulheres que se deparam com a nova e imprevisível tarefa de cuidar de um bebê.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra reflexão que pode ser levantada é que mulheres que vivem a maternidade mais tardiamente podem estar vivenciando de forma prolongada a jornada do herói do Ego. Hollis (1995) afirma que quanto mais tempo o indivíduo permanece inconsciente (o que é fácil acontecer na nossa cultura), maior é probabilidade dessa pessoa estar encarando a vida como uma sucessão de momentos que conduzem a um vago objetivo. Nesse contexto, muitas mulheres que vivenciam a maternidade tardiamente podem vive-la como mais um acontecimento sucessivo em sua vida (a velha história do relógio biológico), sem imaginarem que ser mãe pode precipitar além do encontro com a sombra a instauração da Metanoia. Para Hollis (1995) a Metanoia é uma experiência psicológica e não um evento cronológico. Ela ocorre quando o indivíduo se vê obrigado a encarar sua vida como algo mais do que mera sucessão linear de anos.&nbsp; Ele relata que o indivíduo encontra o caminho do meio quando abandona o pensamento mágico da infância, bem como o pensamento heroico da adolescência e percebe que ambos não coincidem mais com a sua vida atual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maternidade vivida no outono da vida das mulheres, ou seja, na segunda metade da vida, poderá precipitar em um estado de “inconsciente a céu aberto”, tanto pelo efluxo de conteúdos sombrios quanto por ser também um bilhete apenas de ida rumo à Metanoia. Cabe à mulher, ao nutrir o desejo e a intenção de ser mãe, entender que não só um pré-natal biológico terá que ser realizado, mas também um pré-natal psíquico visando que o Ego se prepare para ser permeável e flexível diante da crise de identidade que irremediavelmente virá. A vivência da maternidade deve ser realizada com prontidão emocional e psíquica. Caso a mulher o viva em puro estado de inconsciência e de forma infantil, ela poderá se sentir desfacelada e não conseguir reestruturar o seu ego. Isso pode trazer consequências desastrosas para a vida da mulher, do bebê que nasceu e do núcleo familiar a que ela pertence.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Débora Moraes Campos, Membro Analista em Formação do IJEP &#8211; Brasília</p>



<p class="wp-block-paragraph">Didata responsável: E. Simone D. Magaldi</p>



<p class="wp-block-paragraph">REFERÊNCIAS</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUTMAN, L. <em>A maternidade e o encontro com a própria sombra</em>. 17ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2019.</p>



<h1 class="wp-block-heading"><strong>HOLLIS, J. A Passagem do Meio: da Miséria do Significado da Meia-idade. São Paulo: Paulus, 1995.</strong></h1>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G.&nbsp; <em>Aion</em> – estudo sobre o simbolismo de si-mesmo. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TRAVASSOS-RODRIGUEZ, Fernanda; FERES-CARNEIRO, Terezinha. <em>Maternidade tardia e ambivalência:</em> algumas reflexões.<strong>&nbsp;Tempo psicanal.</strong>,&nbsp; Rio de Janeiro ,&nbsp; v. 45,&nbsp;n. 1,&nbsp;p. 111-121,&nbsp;jun.&nbsp; 2013 . Disponível em &lt;http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0101-48382013000100008&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. acessos em&nbsp; 29&nbsp; set.&nbsp; 2020.</p>
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		<title>Estética em Walter Benjamin a obra de arte na época de suas reproduções técnicas</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/estetica-em-walter-benjamin-a-obra-de-arte-na-epoca-de-suas-reproducoes-tecnicas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 May 2021 21:25:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[arteterapia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Madonas]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Walter Beijamin]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma breve leitura das "madona" em Walter Benjamin</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>As “Madona” do Renascimento possuem aura. A Madona do mundo musical também possui sua aura. Qual a diferença entre as auras dessas Madonas?</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em primeiro lugar, para se compreender a relação da aura com as obras de arte, devemos esclarecer os conceitos dos termos que iremos trabalhar e relacionar:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<em>Arte&nbsp;</em>significa que são produções decorrentes de certas manifestações da atividade humana diante das quais ficamos admirados e as privilegiamos através de nossos incentivos. Existe dentro das obras de arte valores em ordem de excelência, ou seja, hierarquizamos as obras de arte de acordo com os valores que lhes atribuímos por sua originalidade, autenticidade e papel histórico.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<em>Aura</em>, para Walter Benjamin, está relacionada, principalmente, ao objeto natural ou artístico, trazendo para a nossa proximidade, aquilo que estava distante, mas que é único e representativo de seu lugar e seu tempo e que é, sobretudo, autêntico, algo que nos leva a contemplação.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vemos, portanto, como nos dias atuais, deparar-se com a aura de uma obra de arte se torna praticamente impossível. Podemos até admirar a obra de arte mas, não chegamos mais a contemplá-la.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por que?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Porque as obras de arte, através do desenvolvimento tecnológico, através das sucessivas mudanças de proprietários, perdendo seu “altar”, ou seja, o espaço para o qual foram criadas especificamente e, através de suas contínuas reproduções, dissolveram suas auras num “continuum” histórico.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As técnicas de reprodução “massificaram” muitas obras de arte. Não me refiro aqui as reproduções mais antigas, as cópias, mas as reproduções em série, que ao longo de seu trajeto e visando o lucro e/ou a divulgação da arte, acabam por destruir-lhe completamente a aura.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quem não viu um calendário trazendo em estampa a reprodução da “Mona Lisa”, ou em alguma revista a estampa de “A Virgem dos Rochedos”?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como, através dessas reproduções em massa, editadas em papéis, que podem ser afixados numa oficina mecânica suja, ou folheados num trem da Central, encontrar a aura que somente um Leonardo da Vinci seria capaz de criar?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Leonardo usava o método sfumato; sombreado de contornos e fundos em oposição às áreas de luz interna, esse jogo expressivo de luz e sombra criava uma atmosfera muito especial, a meio caminho entre o sonho e a realidade, por isso suas pinturas tem muito de mágico, apesar da perfeição das formas e cores, ao presenciarmos seus quadros, o que passa ao nosso espírito está muito além do que os olhos vêem; é a nossa percepção da aura, criada por um gênio em determinado período histórico, onde suas obras nos impelem a uma série de especulações: “o por que do sorriso enigmático&nbsp; e expressão profunda de Mona Lisa?”, “o por que de nosso temor e deslumbramento frente&nbsp; à Virgem dos Rochedos?”. Esse maravilhamento traz para nosso presente um momento único criado por volta de 1500.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O que percebemos é que, para Benjamin, no momento que dissociamos a obra de arte de sua atmosfera religiosa e aristocrática, ou seja, para ser admirada por poucos privilegiados, e as reproduzimos em massa, ou as colocamos ao lado de várias outras, de técnicas e períodos diferentes, em museus ou galerias, tiramos lhe o status de raridade, fazemos com que perca sua condição de objeto de culto e a consequência disso é que a dissolução de sua aura atinge dimensões sociais, na medida que essas são o resultado das transformações técnicas da sociedade em relação as modificações de percepção estética.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se as “Madona” do Renascimento tem aura, cada vez torna-se mais difícil o nosso contato com essa aura. Porque que elas tiveram é certo e indiscutível, mas se ainda hoje a possuem fica mais difícil a constatação, devido ao processo histórico a que foram submetidas.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Já a Madona do mundo musical, possui uma aura diferenciada da aura da obra de arte, enquanto objeto único.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ela, Madona, é o objeto. Ela se faz deslumbrante, única, rara, original e autêntica. É resultado de uma produção visando projeção e consumo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Num curso que fiz em 1993, o professor George Bacart equiparou Madona a Nietzsche, no sentido de que ambos chocaram seus contemporâneos, derrubaram valores e contestaram o tempo presente. É óbvio que a equiparação acaba aí.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto a proposta do filósofo era uma transformação do homem, a da Madona é a transformação do seu status socioeconômico e, quiçá, aumentar a consciência das mulheres.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As “Madona” do Renascimento foram criadas para o ritual sacro, o culto, a contemplação. A Madona é criada e recriada, vemos isso por suas performances sempre em constante transformação, para ser, também, cultuada.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Porém, se ao contemplarmos as “Madona” elevamos nosso pensamento à mãe de Deus e buscamos consolo em nosso espírito; ao contemplarmos (os fãs, é claro) a Madona cantora, nosso pensamento é encaminhado à luxúria.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; São cultos diferentes, mas não se pode negar o culto que os fãs fazem a seus ídolos, por isso mesmo é que são idolatrados, como é o caso da Madona.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sua aura é consequência de sua produção, que a faz parecer: autêntica, única.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lembremos que a Madona não é somente a “pop star”, cantora, bailarina. Ela também é atriz e seus filmes possuem forte apelo às massas de consumo. Embora o cinema exija o uso de toda personalidade viva do ator, nesse caso atriz, esta priva-se de sua aura.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Madona do cinema não tem a aura daquela que superlota os shows e leva os fãs ao êxtase. Pois, para Benjamin, a natureza vista pelos olhos difere da natureza vista pela câmera.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar de tudo, Benjamin acredita que, apesar das técnicas de reprodução das obras de arte provocarem a destruição da aura, há aí um aspecto positivo na medida em que existe a possibilidade de relacionamento das massas com a arte. O cinema, por exemplo, seria um instrumento eficaz de renovação das estruturas.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabe a pergunta: qual Madona te encanta?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Dra E. Simone Magaldi</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fundadora do IJEP</strong></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Simone Magaldi &#8211; 20/05/2021</em></strong></h4>
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		<title>Aniversário do nascimento de Carl Gustav Jung (26/07/1875 &#8211; 06/06/1961) o chamado do envelhecimento</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/aniversario-do-nascimento-de-carl-gustav-jung-26-07-1875-06-06-1961-o-chamado-do-envelhecimento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Jun 2019 22:09:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecer]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Velhice]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muito se aprende com os mestres, principalmente com os grandes mestres. Não se trata de idolatria, isto fazemos com os gurus, mas de uma riqueza de aprendizado que nos leva a uma condição de autoconhecimento inigualável, daí nosso profundo respeito. Jung mostrou-me uma pessoa que jamais pensei ser. Ao estudar sua obra e refletir sobre [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><br>Muito se aprende com os mestres, principalmente com os grandes mestres. Não se trata de idolatria, isto fazemos com os gurus, mas de uma riqueza de aprendizado que nos leva a uma condição de autoconhecimento inigualável, daí nosso profundo respeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung mostrou-me uma pessoa que jamais pensei ser. Ao estudar sua obra e refletir sobre ela na minha vida, principalmente agora no anoitecer que se avizinha, encontrei muita luz e muita sombra. Tão grandiosas como jamais sonhara. De santa a pecadora eu percorro todos os domínios do céu e do inferno. No envelhecimento o conhecimento do pensamento de Jung faz com que percebamos as profundas modificações em nosso psiquismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Percebo isso também em cada um que se senta em meu consultório, infelizmente a percepção de si-mesmos é sempre muito distorcida. Nosso trabalho não é levar o paciente a um estado de plenitude, mas, como dizia Jung:&nbsp;&#8220;Eis porque o objetivo mais nobre da psicoterapia não é colocar o paciente num estado impossível de felicidade, mas sim possibilitar que adquira firmeza e paciência filosóficas para suportar o sofrimento&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim é, o sofrimento não é uma opção, mas o que fazemos desta vivência, sim, o é. &nbsp;Nosso trabalho é resgatar as grandes questões filosófico existenciais que trazem sentido à vida, que impulsionam ou paralisam o&nbsp;Processo de Individuação. Jung nos ensina que: &#8220;Nós, os psicoterapeutas, deveríamos ser filósofos, ou médico-filósofos &#8211; não consigo deixar de pensar assim&#8230;&#8230;..´religio in statu nascendi` porque tudo o que envolve a grande confusão que está nos primórdios da vida, não existe uma separação que evidencie uma diferença entre filosofia e religião.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Costumo dizer o seguinte ditado: &#8220;Com Deus tudo, sem Deus nada.&#8221; O Self, como&nbsp;Imago Dei, como o&nbsp;Atman,&nbsp;é a centelha divina em nós. Jung assim define nosso centro e totalidade psíquicas. Portanto, esse ensinamento que é de Jung, mas também muito anterior a ele, nos mostra como a religião é importante em nossa vida, principalmente na grande virada da meia idade quando o ter cede (ou deveria ceder) lugar ao ser.&nbsp; E o chamado do Self, para nosso processo de individuação, se apresenta com muito mais força, através de sonhos, sincronicidade, sintomas e etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste momento da vida Jung nos ensina a importância do&nbsp;religere:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A suprema dominante é sempre de natureza filosófico-religiosa &#8211; o que é próprio do dinamismo mais espontâneo da vida é o mesmo que jorra de uma atitude filosófico-religiosa&#8230;é muito natural que os distúrbios dos processos afetivos dos pacientes despertem no terapeuta os fatores filosófico-religiosos correspondentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Busca-se aí o recurso da filosofia e religião, de fora, que é fornecido à consciência.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A passagem da maturidade para a velhice é esse momento de reflexão existencial onde as banalidades e superficialidades do cotidiano nos causam enfado e desânimo, esse momento, de se voltar para dentro, muitas vezes é entendido como depressão, mas na verdade, essa tristeza acontece com quem não resgatou, ao longo das suas experiências, o seu Mito do Significado, no dizer de Jung, ou seu mais alto fim existencial, como fala a homeopatia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por que estou aqui? De onde vim? Para onde vou? A que se propõe toda minha existência? Qual a imagem de Deus que encontro dentro de mim?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dia as grandes questões precisarão ser pensadas, se não vieram antes, no envelhecimento surgirão com certeza. No final da vida Jung dizia que esperava sim que a vida tivesse sentido. Era a fala do velho sábio, assim como responde ao repórter da BBC que lhe perguntara se acreditava em Deus e Jung, reflexivo, responde: Eu sei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sêneca: &#8220;Deve-se aprender a viver por toda a vida e por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer&#8221;. &#8220;Vive mal quem não sabe morrer bem&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na velhice não há mais tempo para o que não seja essencial. Assim, a reflexão sobre a morte e o morrer precisa acontecer. Diz Nietzsche:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&#8220;Muitos morrem demasiado tarde e alguns, demasiado cedo. Ainda soa estranha a doutrina: ´Morre a tempo!´</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Morre a tempo: é o que ensina Zaratustra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sem dúvida, quem nunca vive a tempo, como iria morrer a tempo? Antes não tivesse nascido! &#8211; É assim que aconselho os supérfluos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas também os supérfluos levam sua morte muito a sério e também a mais vazia das nozes quer ser quebrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todos dão importância à morte; no entanto, ainda a morte não é uma festa. Ainda os homens não aprenderam como se consagram as festas mais bonitas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eu vos mostro a morte que aperfeiçoa, que se torna, para o vivo, um aguilhão e uma promessa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da sua morte, morre o homem realizador de si mesmo; morre vitorioso, rodeado de gente esperançosa a fazer auspiciosas promessas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seria mister aprender a morrer assim; e não deveria haver festa na qual um moribundo não consagrasse os juramentos dos vivos.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem de nós morrerá a tempo? Quando o tempo passa tão rápido e o corpo da velha carrega a psique da menina, da jovem, da mulher?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim é preciso conhecer O Mito do Significado de nossas vidas, buscar a todo momento a realização da plenitude, da inteireza, de realizar o si-mesmo. Só morre a tempo o ego que se rende ao Self, quem como Árjuna se rende a Krishna, quem se rende a si-mesmo independente da sociedade e dos &#8220;bons costumes&#8221;. Para que ajustar-se a uma sociedade esquizofrênica e consumista quando o Self almeja voos fraternos?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Waldemar Magaldi sempre diz que quem não vive para servir, não serve para viver, pois é. A quem eu sirvo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung termina Memórias, Sonhos e Reflexões muito menos ligado ao ego do que as árvores, plantas e animais. Sim, ele estava conectado ao Todo, não mais o eu ou o nós, mas tudo, todos, Todo. Ampliar-se, expandir-se, não acumular, não ter mãos que seguram coisas e impedem-nos de voar. É preciso tornarmo-nos alados como Zaratustra, tornarmo-nos novamente crianças e nos encantarmos com as árvores, as plantas e os animais. Morrer na terra para germinar flor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, obrigado, onde seu espírito estiver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung: &#8220;Se atribuímos uma finalidade e um sentido à ascensão da vida, por que não atribuímos também ao seu declínio? Se o nascimento do homem é prenhe de significação, por que é que a sua morte também não o é?&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dra E. Simone Magaldi</p>



<p class="wp-block-paragraph">Analita Junguiana</p>



<p class="wp-block-paragraph">Membro didáta e fundadora do IJEP</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Simone Magaldi &#8211; 16/06/2019</em></strong></h4>
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		<title>O amor de uma mãe</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-amor-de-uma-mae/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Jun 2019 22:48:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[adoção]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;A partir do dia em que conhece seu primeiro amor, a mulher se transforma. Isso continua a ocorrer por toda a sua vida. O homem passa a noite com a mulher e vai-se embora. Sua vida e o seu corpo são sempre os mesmos. A mulher concebe. Como mãe, ela é uma pessoa diferente da [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A partir do dia em que conhece seu primeiro amor, a mulher se transforma. Isso continua a ocorrer por toda a sua vida. O homem passa a noite com a mulher e vai-se embora. Sua vida e o seu corpo são sempre os mesmos. A mulher concebe. Como mãe, ela é uma pessoa diferente da mulher sem filhos. Ela traz o fruto da noite em seu corpo durante nove meses. Alguma coisa se desenvolve. Desenvolve-se em sua vida algo que jamais se vai. ELA É MÃE. É e permanece mãe mesmo que o filho morra, mesmo que lhe morram todos os filhos. Porque, num certo momento, ela trouxe o filho sob o próprio coração. E ele jamais lhe sai do coração. Mesmo quando morre. Tudo isso o homem ignora; ele nada sabe. Ele não sabe a diferença entre o amor e o depois do amor; entre antes e depois da maternidade. Ele nada pode saber. Somente uma mulher pode saber disso e falar sobre isso. Eis porque não queremos que nossos maridos nos digam o que fazer.&#8221; Jung e Kerényi, Introdução à ciência e mitologia.<br>Eu sou mãe do coração, gestei meu filho por longos anos na alma e no peito. Eu o reconheci em seu corpo aos 9 meses e imediatamente soube que o havia encontrado. O filho que habitara meus sonhos desde a infância estava na minha frente em corpo e espírito. Esta é outra maneira de ser mãe, mas tão intensa e transformadora quanto a maternidade, porque o que conta, no final, é a maternagem; o amor e o cuidado dedicado.<br>E que amor é esse? Impossível explicar, nada, absolutamente nada pode explicar. É a experiência mais arrebatadora, em que seu peito se expande ao infinito e reconhecemos o milagre do Divino.&nbsp;<br>Um filho é presente do Amor Maior de Deus pela humanidade. Nos permitir criar sua criatura é sagrado, só Deus amando incondicionalmente a humanidade entrega todos os seus filhos aos cuidados de um pai e uma mãe.<br>Ao mesmo tempo sermos responsáveis pela humanidade futura nos torna seres igualmente sagrados. Criamos todos e todas os filhos de Deus. Cada novo ser é um filho de Deus enviado aos homens por amor, por confiança.<br>A experiência ao mesmo tempo mais profundamente humana e sagrada é amar um filho. Experienciar a plenitude da existência através do outro. Desejar o melhor com toda intensidade. Aprender a dar de si incondicionalmente. Amar profundamente e, ainda assim, impor limites à démesure dos filhos é tarefa que só o profundo amor pode entender. Sentir-se ATMAN (a centelha de Deus em nós = si mesmo), um com Deus, porque através do meu filho sei que Brahman (Deus) habita em mim como habita nele. É a experiência sagrada por excelência.<br><a href="https://www.facebook.com/simonemagaldi">Ercilia Simone Magaldi</a>, IJEP</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Simone Magaldi &#8211; 15/06/2019</em></strong></h4>



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		<title>Entusiastas, boas vidas e fatigados</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/entusiastas-boas-vidas-e-fatigados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Simone Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jun 2019 23:15:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teilhard de Chardin]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>eilhard de Chardin em seu livro: Mundo, Homem e Deus,&#160; identifica três tipos de Homem; &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; -os fatigados (ou os pessimistas), que tem em relação a vida e os questionamentos acerca do homem uma postura negativa, derrotista, onde a existência é um erro ou um malogro. Não buscam respostas, ignoram o desenvolvimento. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; -os boas-vidas [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">eilhard de Chardin em seu livro: Mundo, Homem e Deus,&nbsp; identifica três tipos de Homem;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; -os fatigados (ou os pessimistas), que tem em relação a vida e os questionamentos acerca do homem uma postura negativa, derrotista, onde a existência é um erro ou um malogro. Não buscam respostas, ignoram o desenvolvimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; -os boas-vidas (ou os desfrutadores), para eles vale mais ser do que não ser, porém não no sentido do agir, mas no sentido de saciar-se do instante presente. Não se arriscam em relação ao futuro. Vivem o presente e buscam a felicidade no prazer imediato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; -e os entusiastas, &#8220;para quem viver é uma ascensão e uma descoberta&#8221;. Para esses o importante é vir a ser mais. São &#8220;apaixonados conquistadores de aventuras, o ser é inesgotável&#8230; como um foco de calor e de luz de que é possível acercar-se sempre mais&#8221;,&#8230;, &#8221; foram eles que nos fizeram, e é deles que se prepara para sair a Terra de amanhã&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os primeiros acreditam na felicidade de tranquilidade, sem aborrecimentos, sem riscos, sem esforços. &#8220;O homem feliz é aquele que menos pensa, sente e deseja&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os segundos buscam a felicidade de prazer, imóvel ou renovado constantemente cuja finalidade da vida não é o agir, mas aproveitar. &#8220;O homem feliz é aquele que sabe saborear plenamente o instante que detém entre as mãos&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os terceiros enfim buscam a felicidade de crescimento, sendo que esta não é algo que exista ou valha por si mesma, como um objeto, ela é &#8220;o sinal, o efeito e como que recompensa da ação convenientemente dirigida&#8221;,&#8230;,&#8221;Nenhuma mudança beatifica, a menos que opere em ascensão&#8221;. Isso é verdadeiramente lindo!</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A questão é: com qual me identifico? Qual o chamado do meu&nbsp;daimon? O sentido teleológico da minha vida se identifica com qual dos três? Jung diz que o Mito do Significado de cada um é viver seu Processo de Individuação, tornar-se único, inteiro, dessemelhante numa sociedade que o quer igual, massa, parte de uma manada passível de ser manipulada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os fatigados irão se acomodar, reclamando, sofrendo, mas inertes. Os boas vidas tentarão tirar proveito de qualquer maneira, procurarão as brechas possíveis para ganhar mais fazendo menos, como os corruptos. Mas os entusiastas procurarão fazer a diferença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Buscarão cumprir seu dharma. Sua lei interna, seu destino. Aqueles mais identificados buscarão o dharma coletivo, a lei para todos, o cumprimento não apenas do seu Self mas do Self Cósmico. São os indivíduos especiais, que fazem a diferença no mundo, que deixam seu registro, sua marca, sua ação opera por longo tempo e transforma o futuro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os entusiastas atentam à sincronicidade. Reconhecem que eventos de coincidência significativa devem ser levados em consideração. Que emanam de profundezas do inconsciente por motivos muitas vezes além da possibilidade de compreensão, mas nem por isso devem ser desconsiderados, ao contrário. A unilateralidade da consciência, com sua racionalidade, muitas vezes, nos impede de ver o óbvio, assim o Self usa os recursos disponíveis para tirar-nos da zona de conforto e impulsionar-nos rumo ao novo, a um chamado nem sempre compreensível, porém apaixonante. O entusiasta segue a intuição com muito mais segurança porque crê no futuro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aliás essa é uma característica nata dos intuitivos, a percepção do futuro. O entusiasta não fica preso ao passado, ele aspira ao novo, ele cria o novo, ele cria o futuro. Ele é o anunciador das boas novas, é o indivíduo que convive com a perspectiva de dias melhores, porque ele os faz, enquanto os fatigados reclamarão sempre esperando que alguém transforme a sociedade por eles, e os boas vidas irão buscar corromper e usufruir sem contribuir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pense nisso. O processo de autoconhecimento sempre nos ajuda ao crescimento, tira-nos da zona de conforto, pode ser doloroso a princípio, mas depois é recompensador porque nos permite olhar para a frente com orgulho de nós mesmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dra E. Simone D. Magaldi</p>



<p class="wp-block-paragraph">Professora do IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph">www.ijep.com.br</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Simone Magaldi &#8211; 12/06/2019</em></strong></h4>
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