<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Burnout - Blog IJEP</title>
	<atom:link href="https://blog.ijep.com.br/category/burnout/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.ijep.com.br/category/burnout/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Mon, 12 Oct 2026 15:52:44 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.1.3</generator>

<image>
	<url>https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-logo-ijep-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Burnout - Blog IJEP</title>
	<link>https://blog.ijep.com.br/category/burnout/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>A armadilha do super desempenho e do excesso de positividade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-armadilha-do-super-desempenho-e-do-excesso-de-positividade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Denise Largman]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Feb 2025 18:36:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Burnout]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Sociabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[função transcendente]]></category>
		<category><![CDATA[Han]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade do canasaço]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade do desempenho]]></category>
		<category><![CDATA[sombra]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=10208</guid>

					<description><![CDATA[<p>A pressão interna, exigente de perfeição, de produtividade, de utilidade, vem nos transformando em verdadeiras máquinas eficientes enquanto que, ao mesmo tempo, vivemos um século marcado por várias doenças psíquicas, como a Depressão, Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), Transtorno de personalidade  limítrofe  (TPL),  Síndrome  de  Burnout (SB).  Byung-Chul Han desenvolve esse tema [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-armadilha-do-super-desempenho-e-do-excesso-de-positividade/">A armadilha do super desempenho e do excesso de positividade</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A pressão interna, exigente de perfeição, de produtividade, de utilidade, vem nos transformando em verdadeiras máquinas eficientes enquanto que, ao mesmo tempo, vivemos um século marcado por várias doenças psíquicas, como a Depressão, Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), Transtorno de personalidade  limítrofe  (TPL),  Síndrome  de  Burnout (SB). </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Byung-Chul Han</strong> desenvolve esse tema em seu ensaio <em>A Sociedade do Cansaço</em>, mostrando como nós, ocidentais, estamos doentes em decorrência do nível de auto exploração e auto extorsão do “sujeito de desempenho”. Aqui trago essa temática à luz da psicologia analítica, que nos mostra a problemática da <strong>unilateralidade da consciência e a negação da sombra.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-hoje-nega-se-a-falta-de-capacidade-de-ser-tao-produtivo-e-de-nao-termos-que-ser-uteis-a-todo-momento-hoje-somos-uma-sociedade-em-que-o-chefe-e-interno-bem-diferente-da-sociedade-do-seculo-passado-em-que-havia-um-controle-com-normas-rigidas-e-punicoes-para-quem-descumprisse-o-estabelecido-as-pessoas-tinham-algo-ou-alguem-externo-para-ser-combatido-a-ser-negado" style="font-size:18px"><strong>Hoje nega-se a falta de capacidade de ser tão produtivo e de não termos que ser úteis a todo momento</strong>. Hoje somos uma sociedade em que o chefe é interno, bem diferente da sociedade do século passado em que havia um controle com normas rígidas e punições para quem descumprisse o estabelecido. As pessoas tinham algo ou alguém externo para ser combatido, a ser negado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Hoje o opressor mora dentro de nós, pedindo mais, exigindo mais, numa coação interna. Então surgem os conflitos.</strong> Percebemos, através de muita dor, que a busca da produtividade ilimitada e da <em>performance</em> impostas pela nossa autocobrança, não estão em ressonância com o si-mesmo. Quando somos os comandantes de nossas próprias vidas há um amadurecimento, que não está livre de sofrimento, já que é necessária a escuta interior do nosso lado sombrio.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>A integração desses opostos pode nos levar a um novo tipo de sociedade, que não será controladora, nem de desempenho, mas integral e humana.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-preciso-mais-preciso-de-mais-preciso-demais" style="font-size:18px">PRECISO MAIS, PRECISO DE MAIS, PRECISO DEMAIS!!!</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Acredito que cada vez mais vemos acontecer, ao nosso lado, ou conosco mesmos, a exigência da perfeição, da produtividade total, da necessidade de ser útil, estimulados por uma voz dominadora interior dizendo sempre: você não fez o bastante, eu sei que pode mais!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Byung-Chul Han</strong> (2017), filósofo coreano e professor de filosofia na Universidade de Berlim tornou-se popular no Brasil com seu ensaio<strong> <em>Sociedade do Cansaço</em></strong><em>.</em> Nele Han coloca que a sociedade do início do séc. XXI é marcada, patologicamente, por doenças neuronais, como a depressão, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno de personalidade limítrofe (TPL) ou a síndrome de burnout (SB), diferentemente do século anterior, marcado pela loucura e a delinquência. E o que aconteceu?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-do-excesso-de-controle-e-negatividade-externos-caminhamos-para-o-excesso-de-positividade-e-coacao-internas" style="font-size:18px">DO EXCESSO DE CONTROLE E NEGATIVIDADE EXTERNOS, CAMINHAMOS PARA O EXCESSO DE POSITIVIDADE E COAÇÃO INTERNAS</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No século passado, diz Han, vivíamos uma sociedade controladora, havia uma estrutura externa nos monitorando, normas a serem seguidas e, sujeitos que não se adequavam às regras, eram punidos. Havia também uma nítida divisão entre quem era amigo ou inimigo, o que era próprio ou estranho e, como defesa, atacava-se o diferente, “em virtude de sua alteridade”. A divisão também se encontrava no tempo: horas de trabalho, horas de escola, horas de lazer. Não havia nenhuma dificuldade com a determinação de espaço/tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esta era a sociedade da negatividade, ou seja, havia algo externo a nós, o impositor, o chefe, o padre, o pai, e que também era passível de ser combatido. Lutávamos para vencer as proibições ou as regras que eram impostas externamente a nós ou então simplesmente nos submetíamos a elas. Mas vencemos!!!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Hoje não temos mais isso. Segundo Han (Cf. HAN, 2017, pp. 23-30), a sociedade do séc. XXI é determinada pelo desempenho, pela hiperprodutividade, pelo poder ilimitado da positividade. Tornando a pessoa seu próprio chefe, seu próprio algoz, forçando-a a ultrapassar todos os limites, porque é apregoado que ela pode, basta esforçar-se. Hoje não existe mais a figura do agente controlador, o sujeito faz esse papel consigo mesmo, ele é o dono do seu próprio destino. Mistura-se liberdade com coação interna, de sempre ter que ser melhor, e nada escapa ao excelente desempenho, como superar o número de passos que andamos num dia, ou quantos litros de água conseguimos tomar, ou seja, qualquer instância é passível de ser performada. A competição interna, imposta pelos seus pares, pelas mídias sociais e por uma persona perfeccionista levam o sujeito aos limites extremos de exigência própria em todos os setores da vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sem-chefe-passamos-a-produzir-mais" style="font-size:18px">SEM CHEFE PASSAMOS A PRODUZIR MAIS</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Esta é a forma mais eficaz que a sociedade capitalista encontrou de alcançar patamares cada vez mais altos de produção e consumo desenfreado, como Han coloca:</strong></p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Para elevar a produtividade, o paradigma da disciplina é substituído pelo paradigma do desempenho ou pelo esquema positivo de poder, pois a partir de um determinado nível de produtividade, a negatividade da proibição tem um efeito de bloqueio, impedindo um maior crescimento. A positividade do poder é bem mais eficiente que a negatividade do dever. Assim o inconsciente social do dever troca de registro para o registro do poder. O sujeito de desempenho é mais rápido e mais produtivo que o sujeito da obediência. </p><cite>(HAN, 2017, p. 25)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para Han, o Burnout e a Depressão ocorrem pela imposição social da <em>performance, </em>o que segundo ele, produz “infartos psíquicos”. O sujeito depressivo “não pode mais poder”, levando-o a sentimentos de culpa, invalidez, autoacusações e a uma autoagressão, em guerra consigo mesmo: “A depressão é o adoecimento de uma sociedade que sofre sob o excesso de positividade. Reflete aquela humanidade que está em guerra consigo mesma” (HAN, 2017, p.29).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Segundo Maslach &amp; Jackson, “a Síndrome de burnout pode ser considerada uma resposta crônica aos estressores interpessoais advindos da situação laboral, uma vez que o ambiente de trabalho e sua organização podem ser responsáveis pelo sofrimento e desgaste que acometem os trabalhadores”. (<em>apud</em> CARDOSO <em>et al</em>, 2017, p.122)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-negacao-do-que-vem-do-lado-contrario" style="font-size:18px">NEGAÇÃO DO QUE VEM DO LADO CONTRÁRIO</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Todas essas reflexões mostram uma problemática já levantada por Jung no século passado, quando não existiam essas terminologias: a cisão entre os conteúdos do consciente e inconsciente (JUNG, 2014, p.31).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tanto o excesso de negação como o excesso de positividade são unilaterais. A unilateralidade provoca cisão, pois no inconsciente a força contrária cresce proporcionalmente a sua repressão. A positividade nega a negatividade e vice-versa. Tanto a sociedade controladora, quanto a sociedade do desempenho, são contraditórias, sofrem pressão do seu oposto de forma neurótica. A sociedade apenas mudou a sua forma, mas continua unilateralizada e com certezas absolutas!</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Cada um de nós evita encarar seus problemas, enquanto possível. Não se deve mencioná-los, ou melhor ainda, nega-se a sua existência. [&#8230;] Queremos certezas e não dúvidas; queremos resultados e não experimentos, sem, entretanto, nos darmos conta de que as certezas só podem surgir através da dúvida, e os resultados através do experimento. [&#8230;] Para obtermos certeza e claridade, precisamos de uma consciência mais ampla e superior. </p><cite>(JUNG, 2013, p.344)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-afinal-sermos-os-comandantes-de-nossas-proprias-vidas-nao-e-uma-coisa-boa" style="font-size:17px">MAS, AFINAL, SERMOS OS COMANDANTES DE NOSSAS PRÓPRIAS VIDAS NÃO É UMA COISA BOA?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Jung, em uma conferência sobre <strong><em>As etapas da vida human</em>a</strong>, explica como ocorre o processo de desenvolvimento da infância para a juventude, bem semelhante ao processo que levou a sociedade controladora para a sociedade do desempenho:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>No estágio infantil da consciência, ainda não há problemas; nada depende do sujeito, porque a própria criança ainda depende inteiramente dos pais. [&#8230;] Até este período, a vida psicológica do indivíduo é governada basicamente pelos instintos e por isto não conhece nenhum problema. Mesmo quando limitações externas se contrapõe aos impulsos subjetivos, estas restrições não provocam uma cisão interior do próprio indivíduo. Este se submete ou as evita, em total harmonia consigo próprio. Ele ainda não conhece o estado de divisão interior, induzido pelos problemas. Este estado só ocorre quando aquilo que é uma limitação exterior torna-se uma limitação interior, isto é, quando um impulso se contrapõe a outro. </p><cite>(JUNG, 2013, pp. 346-347)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Neste texto Jung mostra a questão do desenvolvimento, que nos parece bem semelhante com o processo que ocorreu com a sociedade, partindo de um sistema controlador, como ocorre com a criança que depende inteiramente dos pais, agentes externos, e desenvolve-se para a juventude, quando o agente limitador passa a ser interno. Não existe mais um chefe de fora, regulador. Este agora é um algoz interior, exigente de desempenho, de performance, de produtividade, de utilidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-processo-de-evolucao-doi" style="font-size:18px">O PROCESSO DE EVOLUÇÃO DÓI</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Parece que o nível que a sociedade se encontra hoje é um patamar além da sociedade anterior, porém não livre de sofrimento. Jung, na mesma conferência, coloca que apenas conhecemos conteúdos que estejam ligados a outro e só podemos alcançar um nível de consciência mais alto quando já tivermos passado pelo processo anterior (Cf. JUNG, 2013, p. 346), ou seja, o nível que a sociedade se encontra hoje é a evolução da sociedade anterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Porém, essa evolução está se mostrando bem doída. Jung exprime, no seguinte trecho, como o processo de conscientização é penoso: “[&#8230;] e é assim que vemos qualquer problema que nos obriga a uma consciência maior e nos afasta mais ainda do paraíso de nossa infantilidade inconsciente”. (JUNG, 2013, p. 344).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-sim-voce-pode-nao-esta-em-ressonancia-com-o-si-mesmo" style="font-size:18px">O “SIM, VOCÊ PODE!” NÃO ESTÁ EM RESSONÂNCIA COM O SI-MESMO</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Han aponta o Burnout e a depressão como estados do ser que não pode mais, que chegou no seu limite total. Jung nos fala: “<strong>só o Ser Humano adulto é que pode ter dúvidas a seu próprio respeito e discordar de si mesmo</strong>.” (JUNG, 2013, p. 347). O conflito desse sujeito para com essa sociedade está na sua percepção de que a vida em busca de produtividade ilimitada, <em>performance,</em> empenho total à nível físico e emocional, impostos pela consciência coletiva através de seus pares, das mídias sociais e de um complexo do ego motivacional que lhe diz o tempo todo “sim, você pode”, não está em ressonância com o si-mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Este é um indivíduo problemático, mas não neurótico como o restante da sociedade autômata. “O neurótico é doente porque não tem consciência dos seus problemas, ao passo que o indivíduo problemático sofre com seus próprios problemas conscientes sem ser doente”. (Cf. JUNG, 2013, p. 348)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao" style="font-size:18px">CONCLUSÃO:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Viver como seres conscientes é um processo árduo. Muito mais fácil, até certo ponto, seguir a manada como seres autômatos. Porém a alma nos impulsiona. Os sintomas da cisão com o nosso verdadeiro propósito de vida são pesados! Vemos isso justamente em todos os casos existentes de doenças que se manifestam na esfera psíquica, social, espiritual e física. Essa sociedade cansada está realmente esgotada, como Han fala, “infartados psíquicos” (Cf. HAN, 2017, p. 27). Sem dúvida o fato de termos chegado nesse nível de sociedade, em que possuímos o impulso interno para nossa superação, é um ganho. Porém precisamos aprender a escutar o nosso lado sombrio, que não quer performar, que não quer ser o melhor. Esse lado existe e não pode ser abafado. <strong>O si-mesmo é o centro psíquico integrador desses dois lados</strong>!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A função transcendente, trazida por Jung, é uma função do ser humano e por isso é natural, segue seu caminho, queiramos aceitá-la ou não. Porém, para que a união desses opostos ocorra há necessidade de haver uma leitura simbólica que una essas antinomias, senão o cansaço ou as doenças serão apenas eventos, e nada mais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Então, evoluamos mais! Já saímos da sociedade controladora, estamos na sociedade do desempenho e, com muito esforço de consciência, individualmente poderemos alcançar a integração com o si-mesmo e assim uma sociedade mais humana e consciente!&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: A armadilha do super desempenho e do excesso de positividade" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/f2XmePQCFwQ?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Denise Largman &#8211; Analista em formação IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/liaromano/"><strong>Lia Romano &#8211; Analista Didata IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">CARDOSO, Hugo Ferrari, <em>et al</em>. Síndrome de burnout: análise da literatura nacional entre 2006 e 2015. In: <em>Rev. Psicol., Organ. Trab</em>.&nbsp;vol.17&nbsp;no.2&nbsp;Brasília&nbsp;Abr.- Jun.&nbsp;2017. Disponível em:&lt;<a href="https://doi.org/10.17652/rpot/2017.2.12796">https://doi.org/10.17652/rpot/2017.2.12796</a>&gt;. Acesso em: 14 nov. 2024.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">HAN, Byung-Chul. <em>A sociedade do cansaço</em>. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; <em>A natureza da psique</em>. 10 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px">______. <em>Psicologia do inconsciente</em>. 24 ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Saiba mais sobre nossos Cursos, Congressos e Pós-graduações</strong> com inscrições abertas: Psicologia Analítica, Psicossomática, Arteterapia e Expressões Criativas, matrículas abertas &#8211; <a href="https://www.ijep.com.br/">www.ijep.com.br</a></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/02/PSICOLOGIA-JUNGUIANA-1-1024x576.png" alt="" class="wp-image-10219" style="width:760px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/02/PSICOLOGIA-JUNGUIANA-1-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/02/PSICOLOGIA-JUNGUIANA-1-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/02/PSICOLOGIA-JUNGUIANA-1-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/02/PSICOLOGIA-JUNGUIANA-1-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/02/PSICOLOGIA-JUNGUIANA-1-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/02/PSICOLOGIA-JUNGUIANA-1-1200x675.png 1200w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/02/PSICOLOGIA-JUNGUIANA-1.png 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-armadilha-do-super-desempenho-e-do-excesso-de-positividade/">A armadilha do super desempenho e do excesso de positividade</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A parentalidade positiva e a sua sombra na contemporaneidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-parentalidade-positiva-e-a-sua-sombra-na-contemporaneidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Nov 2024 14:02:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Burnout]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=9611</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Somos conduzidos a sermos e a fazermos o melhor em todos os âmbitos da nossa vida pessoal, profissional, escolar, familiar e assim desejamos nos tornar verdadeiras obras-primas. Nessa árdua luta para criar a nossa própria perfeição, esquecemos que somos seres humanos.” WOODMAN, 2002, p.13 Resumo: A busca pela parentalidade perfeita tornou-se uma característica marcante da [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-parentalidade-positiva-e-a-sua-sombra-na-contemporaneidade/">A parentalidade positiva e a sua sombra na contemporaneidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:16px"><blockquote><p><em>“Somos conduzidos a sermos e a fazermos o melhor em todos os âmbitos da nossa vida pessoal, profissional, escolar, familiar e assim desejamos nos tornar verdadeiras obras-primas. Nessa árdua luta para criar a nossa própria perfeição, esquecemos que somos seres humanos.”</em></p><cite><em> </em>WOODMAN, 2002, p.13</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: <em>A busca pela parentalidade perfeita tornou-se uma característica marcante da contemporaneidade, amplificada pelas redes sociais e o padrão de performance estabelecido. Essa pressão constante leva ao esgotamento emocional e físico dos pais e filhos, resultando no fenômeno conhecido como Burnout Parental. Distante dos saberes instintivos e ancestrais, os pais se veem presos a um ideal de perfeição inalcançável, desconsiderando as reais necessidades de seus filhos e de si mesmos. Sob a perspectiva Junguiana, o artigo convida à reflexão sobre as a sombra dessa parentalidade, revelando o impacto psicológico profundo desse padrão idealizado.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-busca-da-perfeicao"><strong>A busca da perfeição</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A rotina de muitas famílias parece ter se tornado uma grande maratona sem direito a medalha no final do dia. É preciso acompanhar de perto todas as tarefas escolares e extracurriculares dos filhos, dar conta do trabalho e, de forma alguma, demonstrar que os filhos “roubam” o tempo dedicado à vida profissional. Criar crianças super bem-educadas, excelentes alunos e autorregulados emocionalmente. Enquanto tudo isso acontece, os pais e mães devem ressignificar toda criação que recebeu e aplicar, sem direito a erro, novas metodologias baseadas no repertório emocional que adquiriu há menos tempo do que se torno pai ou mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A busca pela parentalidade perfeita tornou-se um sintoma que evidencia o peso e a expectativa gerada sobre a criação de filhos na contemporaneidade, trazendo impactos negativos aos pais e às crianças</strong>. Trata-se de uma meta de performance inatingível e cruel para toda a família, uma vez que a perfeição é algo sempre imaginal e muito distante do real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abandonamos os saberes ancestrais, transgeracionais e instintivos sobre o cuidar, o nutrir e o acolher – ligados ao complexo materno presente no inconsciente coletivo &#8211; e passamos a adotar fórmulas, dicas e regras difundidas nas redes sociais por “influenciadores digitais” totalmente alheios à realidade social, econômica e psíquica vivida na intimidade de cada família. Perdemos a rede de apoio familiar e comunitária e, com isso, acreditamos não saber mais maternar e paternar, que é proporcionar à criança &#8211; com afeto e presença &#8211; o desenvolvimento de todo o seu potencial psíquico, físico e emocional. Aspectos que nada tem a ver com performance.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-assumimos-novas-demandas-impostas-por-uma-sociedade-que-acredita-na-formula-certa-para-a-construcao-da-familia-perfeita" style="font-size:17px">Assumimos novas demandas impostas por uma sociedade que acredita na fórmula certa para a construção da <strong>família perfeita</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado dessa pressão é um estresse crônico, aliado à uma sensação de fracasso, impotência e exaustão, que já conhecemos pelo nome de Burnout. Porém agora, estamos falando do <strong>Burnout Parental</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo “O poder da parentalidade positiva: evidências para ajudar os pais e seus filhos a prosperarem” (tradução livre), desenvolvido pela Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, em 2023, apresenta dados alarmantes sobre o adoecimento dos pais que não conseguem alcançar o ideal da família feliz pautado por padrões irreais e distorcidos sobre o que é parentalidade e, mais especificamente, <strong>parentalidade positiva</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O material divulgado menciona que cerca de 60% dos pais entrevistados relatam estarem com Burnout. Sentem que não são bons pais e mães. Quando se dedicam ao trabalho, acreditam que falham no cuidado com os filhos, e, quando dedicam tempo aos filhos, sentem que precisam exaustivamente compensar essas horas de trabalho. As expectativas que têm de si e de seus filhos são muito mais altas do que de fato é possível ser e fazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda de acordo com o estudo, o padrão de <strong>parentalidade positiva </strong>pressupõe, no <strong>imaginário coletivo</strong>, pais que são modelos de paciência e calma, cujos filhos são sempre bem-comportados e respeitáveis. Havendo, portanto, no ideal coletivo, uma associação intrínseca entre os conceitos de <strong>parentalidade positiva</strong> e <strong>parentalidade perfeita</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-artigo-tecnico-publicado-no-site-news-medical-life-sciences-a-dra-liji-thomas-amplia-o-estudo-americano-e-aponta-o-sentido-real-do-que-seria-a-parentalidade-positiva" style="font-size:17px">No artigo técnico publicado no site <em>News Medical Life Sciences</em>, a Dra. Liji Thomas, amplia o estudo americano e aponta o sentido real do que seria a parentalidade positiva.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A parentalidade positiva incorpora múltiplos objetivos, o mais importante dos quais é construir um relacionamento de confiança e carinho com os filhos. Comunicação e escuta com respeito à criança são essenciais para isso. Além disso, estabelecer limites, elogiar e recompensar resultados comportamentais desejáveis, e amá-los não importa o que aconteça. O amor, a segurança e o conforto que a criança ganha com esse relacionamento são essenciais para desenvolver uma pessoa emocional e relacional saudável quando adulta. (THOMAS, 2024).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-entanto-na-sociedade-contemporanea-onde-tudo-se-torna-objeto-de-competicao-e-performance-os-conceitos-ganham-novos-sentidos-e-significados" style="font-size:17px">No entanto, na sociedade contemporânea, onde tudo se torna objeto de competição e performance, os conceitos ganham novos sentidos e significados.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na perspectiva Junguiana, podemos ampliar para a unilateralização desse ideal de comportamento parental, onde não cabem erros, frustrações, medos e muito menos uma curva de aprendizado.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>[&#8230;] estamos tão ocupados em afazeres e metas a alcançar que perdemos o contato com a nossa vida interior, com essa vida que confere significado e símbolos e, por outro lado, cria os símbolos que dão sentido à vida. [&#8230;]. Nunca antes estivemos tão distantes da sabedoria da natureza e de nossos instintos. </p><cite>JUNG apud Woodman, 2002, p. 27</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-parentalidade-contemporanea-e-o-papel-das-redes-sociais"><strong>Parentalidade Contemporânea e o Papel das Redes Sociais</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A parentalidade traz o início de uma transição, ou seja, uma nova fase de incertezas e mudanças sem um destino certo. Nessa era digital, onde a rede social dita as “regras”, os conhecimentos se tornam incertos e superficiais. Como muito bem analisou Zygmunt Bauman ao longo de anos de estudos sobre a sociedade pós-moderna e suas relações superficiais e líquidas, são tempos de medo, insegurança e, portanto, de muita negatividade. “Há uma propensão natural a negar o que se teme muito e o que não se sabe resolver”. (BAUMAN apud ABRANCHES, 2017, p. 29). E o que o filósofo chama de negatividade, faço um paralelo com o que Jung denominou Sombra.&nbsp; Aquilo em nós que desconhecemos, tememos ou negamos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>[&#8230;] sombra, aquela personalidade oculta, recalcada, frequentemente inferior e carregada de culpas, cujas ramificações se estendem até o reino de nossos ancestrais.   A sombra não é constituída apenas de tendências moralmente repreensíveis, mas apresenta um certo número de boas qualidades: instintos normais, reações adequadas, impulsos criadores, e outros. </p><cite>JUNG, 2020, p. 312-13</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A sombra vem à tona, muitas vezes, com uma convocação moral, uma atitude compensatória do ego. Nesse sentido, entendo que o <strong>Burnout Parental</strong> é um sintoma contemporâneo manifestado por essa sombra coletiva da performance, da <strong>parentalidade perfeita</strong> e desconectada com a real necessidade desses pais e crianças em sua singularidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o filósofo contemporâneo <strong>Byung-Chul Han</strong>, tudo virou trabalho, produtividade e performance. Entendo que até a parentalidade embarcou nesse <em>modus operandi</em>. <strong>Perdeu-se a alma e o sentido. Entrou em cena a parentalidade pautada por metas e que busca resultados</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-causa-a-depressao-do-esgotamento-nao-e-o-imperativo-de-obedecer-apenas-a-si-mesmo-mas-a-pressao-do-desempenho" style="font-size:17px">O que causa a depressão do esgotamento não é o imperativo de obedecer apenas a si mesmo, mas a pressão do desempenho.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Visto a partir daqui, a Síndrome de Burnout não expressa o si-mesmo esgotado, mas antes a alma consumida. [&#8230;]. O que torna doente, na realidade, não é excesso de responsabilidade e iniciativa, mas o imperativo do desempenho como um novo mandato da sociedade pós-moderna do trabalho. (2021a, p. 27).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se tememos o desconhecido, não entramos em contato com saberes primordiais que “aprendemos” a negar. O resultado é uma sociedade desconectada com o si-mesmo mas hiperconectada com a materialidade, a racionalidade e a performance. Pais e filhos que seguem cartilhas irreais e surreais de padrões inatingíveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-natureza-instintiva-e-o-guia-que-nos-conduz-a-nos-reconectarmos-com-o-nosso-ritmo-interno-nossas-necessidades-nossa-intuicao-cuidadora-e-protetora-ou-seja-o-nosso-ciclo-vital" style="font-size:17px">A natureza instintiva é o guia que nos conduz a nos reconectarmos com o nosso ritmo interno, nossas necessidades, nossa intuição cuidadora e protetora, ou seja, o nosso ciclo vital.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O instinto são, entretanto, fatores impessoais, universalmente difundidos e hereditários, de caráter mobilizador, que muitas vezes se encontram afastados do limiar da consciência [&#8230;]. [&#8230;] são forças motrizes especificamente formadas, que perseguem suas metas inerentes antes de toda conscientização, independente do grau de consciência. (JUNG, 2021b, p. 52-53).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez não exista nada na nossa experiência ontogenética que nos permita responder aos desafios experienciados na parentalidade de forma prévia. E é esse desconhecido que nos faz buscar respostas ou referências externas, sujeitos a pressões sociais em busca do sucesso parental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O largo número de perfis nas redes sociais voltados para a parentalidade, isso inclui influenciadores e anônimos digitais que disseminam conceitos, sugestões e vivências sobre maternidade, paternidade e ambos, reforça o importante papel que as redes têm sobre a construção do “ideal” de parentalidade no século XXI. De acordo com relatórios do projeto social: <em>We are Social</em> em parceria com o <em>Hootsuite</em>, em 2022, no Brasil eram 150 milhões de usuários com perfis ativos em redes sociais &#8211; um dos maiores percentuais do mundo &#8211; sendo 130 milhões no Facebook e 69 milhões no Instagram. Já de acordo com a plataforma Shopify, no mesmo ano, o TikTok chegou à marca de 1,7 bilhão de usuários, sendo 98,6% ativos no Brasil.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-entanto-o-que-ha-em-comum-entre-esses-perfis-parentais-e-a-revelacao-de-uma-parentalidade-cansativa-e-estressante" style="font-size:17px">No entanto, o que há em comum entre esses perfis parentais é a revelação de uma parentalidade cansativa e estressante.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“[&#8230;] nas performances realizadas em plataformas digitais, diferentes indivíduos constroem suas identidades na interseção com a figura e as ações de outros indivíduos que com eles interagem, criando laços e valores sociais.” </p><cite>SOUZA, 2022, p.40</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Percebemos então que existe nesse ambiente digital, ora implícita ora explicitamente, um <em>modus operandi</em> de <strong>parentalidade</strong>. Ou como Jung aponta, uma persona idealizada: a persona de pais e mães perfeitos e filhos mais que perfeitos, resultantes de uma <strong>parentalidade super perfeita</strong>. Uma identificação total, onde pais e mães incorporam, sem qualquer crítica ou reflexão, a projeção da perfeição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, Jung sugere que os instintos perseguem suas metas. Ou seja, podemos nos conectar as nossas experiências filogenéticas, aos saberes primordiais e instintivos, encontrando mais e melhores respostas do que a larga rede social e toda a inteligência artificial são capazes de responder. Precisamos trabalhar a favor da diferenciação, desenvolvendo conteúdos inconscientes e sombrios e retirando o ego do padrão defensivo e autômato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa jornada pela parentalidade perfeita esbarramos em outra dualidade: <strong>Mimar ou não mimar os filhos, eis a questão!</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-amor-incondicional-x-pacto-de-amor"><strong>O Amor Incondicional X Pacto de Amor</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Vivemos a era do hedonismo, um imperativo ao prazer e aos desejos. Nesse tempo, não cabem perder, gerar frustrações, angústias ou sentimentos de fracasso.” </p><cite>SOUZA, 2022, p. 222</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Um padrão de comportamento transferido para as crianças que precisam ser atendidas não em suas necessidades vitais, psíquicas ou afetivas, mas em seus caprichos vazios de afeto e responsabilidades. Algo que a psicanalista Marcia Neder denominou como <strong>infantolatria</strong>, o culto à criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cultura ocidental, a partir de um determinado momento, transformou a criança em uma divindade, um ser divino. [&#8230;]. A partir do século XIX, houve uma grande mudança na imagem do filho, da mãe e do pai. Em vez de organizada pelo poder do pai, a família passou a ser organizada pelo amor à criança. [&#8230;]. Quem perdeu o poder foi o adulto e quem ganhou o poder foi a criança, e ganhou porque nós demos esse poder a ela. (NEDER apud SOUZA, 2022, p.120).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-por-que-sera-que-o-ideal-de-criancas-sempre-bem-educadas-que-a-parentalidade-positiva-sugere-resultou-em-uma-realidade-de-criancas-mimadas-e-pais-esgotados" style="font-size:17px"><strong>E por que será que o ideal de crianças sempre bem-educadas que a parentalidade positiva sugere, resultou em uma realidade de crianças mimadas e pais esgotados?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de referenciais positivos e acolhedores, sejam eles internos ou externos, nos empurrou para o medo. O medo de falhar, o medo de “não dar conta”, o medo de perder o amor dos filhos. Uma atitude compensatória de uma geração que foi para o mercado de trabalho e terceirizou a criação das crianças e agora busca equilibrar essa equação, mas sem renunciar à alta performance em nenhum âmbito da vida, seja pessoal ou profissional. Parece que o resultado é uma parentalidade insegura, polarizada e adoecida. Saímos da relação autoritária e dominadora entre pais e filhos para a relação permissiva e passiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Confundimos amar com mimar</strong>. Mas não o mimar necessário na relação primal positiva na primeira fase da vida, essa que é sinônimo de um eixo ego-Self saudável. Adotamos o mimar que atende aos caprichos e vontades, ultrapassa limites físicos, psíquicos e emocionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo <strong>NEUMANN</strong>, é preciso saber diferenciar o mimar “verdadeiro” do “falso”, da mãe-bruxa que atrai a criança a sua casa de chocolate. “Mimar [&#8230;] não produz distúrbios sérios, <strong>até tornar-se necessário</strong> para a criança afrouxar os laços com a mãe, e esse processo é impedido ou prevenido pelo fato de a mãe ter mimado o filho” (1995, p. 54. Grifos meus). Nesse caso, o mimo não saudável irá gerar um processo de dependência e co-dependência e que irá afetar diretamente o desenvolvimento da criança, mas também a autoridade e liberdade dos pais. Vale ressaltar que podemos tranquilamente ampliar esse conceito que o Neumann designa à mãe para todos que exercem a <strong>parentalidade</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esse-mimar-contemporaneo-que-ultrapassa-a-primeira-infancia-priva-as-criancas-de-se-desenvolverem-a-partir-de-inibicoes-contradicoes-e-frustracoes" style="font-size:18px"><strong>Esse mimar contemporâneo, que ultrapassa a primeira infância, priva as crianças de se desenvolverem a partir de inibições, contradições e frustrações</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma dinâmica que será fundamental para que no futuro esses indivíduos sejam capazes de suportar a tensão psíquica entre o consciente e o inconsciente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“A capacidade de uma criança aceitar restrições com relativa facilidade depende de uma capacidade de se integrar, de formar um ego integral e um eixo ego-Self positivo.” </p><cite>NEUMANN, 2021, p. 57-58.</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-talvez-a-base-da-criacao-devesse-estar-mais-associada-a-confianca-ao-afeto-e-a-seguranca-que-a-parentalidade-pode-e-deve-dar-a-crianca" style="font-size:17px">Talvez a base da criação devesse estar mais associada à confiança, ao afeto e à segurança que a parentalidade pode e deve dar à criança.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não podemos esquecer que a criança precisa se tornar um ser autônomo no futuro. O desejo dos pais e das mães em suprirem todas as necessidades de seus filhos, de nunca falharem, de serem onipresentes e onipotentes, é tão fantasioso e infantil quanto o de se atingir a meta da <strong>parentalidade perfeita</strong>. E essa neurose é compartilhada entre pais, mães e filhos, como bem explica Jung, “a criança se encontra de tal modo ligada e unida à atitude psíquica dos pais, que não é de causar espanto se a maioria das perturbações nervosas verificadas na infância devam sua origem a algo de perturbado na atmosfera psíquica dos pais” (2021b p. 48).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, olhar para a sombra dessa <strong>parentalidade perfeita</strong> é uma tentativa de dar luz a esse sofrimento psíquico que evidencia uma atitude neurótica da contemporaneidade. Uma exacerbação desse padrão performático e idealizado que tem se espalhado por todos os âmbitos da vida humana, infelizmente até mesmo no que se refere ao desenvolvimento psíquico, físico e emocional das crianças.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;A parentalidade positiva e a sua sombra na contemporaneidade&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/IeoiciWwi3g?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/clarissegrand/">Clarisse Grand Court – Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Mariante Guarnieri – Analista didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">ABRANCHES, Sergio. A Era do Imprevisto: a grande transição do século XIX. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">GAWLIK, Kate; MELNYK, Bernadette Mazurek. The Ohio State University. The Power of Positive Parenting: Evidence to help parents and their children thrive. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; Aion: estudo sobre simbolismo do Si-mesmo. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">_____, Carl Gustav.&nbsp; Os Arquétipos e o inconsciente coletivo. 12.ed. Petrópolis: Vozes, 2021a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">_____, Carl Gustav.&nbsp; O desenvolvimento da personalidade. 13.ed. Petrópolis: Vozes, 2021b.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">NEUMANN, Erich. A Criança: Estrutura e Dinâmica da Personalidade em Desenvolvimento desde o Início de sua Formação. 10.ed. São Paulo: Cultrix, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">THOMAS, Liji. (2024). Study finds pressure to be “perfect” leads to unhealthy impacts on both parents and their children. In: News Medical Life Sciences. Disponível em. <a href="https://www.news-medical.net/news/20240510/Study-finds-pressure-to-be-e2809cperfecte2809d-leads-to-unhealthy-impacts-on-both-parents-and-their-children.aspx">https://www.news-medical.net/news/20240510/Study-finds-pressure-to-be-e2809cperfecte2809d-leads-to-unhealthy-impacts-on-both-parents-and-their-children.aspx</a> &nbsp;&nbsp;Acesso em 20 de outubro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">WOODMAN, Marion. O Vício da Perfeição: Compreendendo a relação entre distúrbios alimentares e desenvolvimentos psíquicos. São Paulo: Summus. 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">TikTok no Brasil: estatísticas e dicas (2024). Disponível em <a href="https://www.shopify.com/br/blog/tiktok-brasil">https://www.shopify.com/br/blog/tiktok-brasil</a>&nbsp; . Acesso em 20 de outubro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">SOUZA, Ana Luiza de Figueiredo. Ser mãe é f@oda: mulheres, (não maternidade) e mídias sociais. Porto Alegre: Zouk. 2022.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aproveite para nos acompanhar no YouTube:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/channel/UCrbwUrT0W4Tp-swBxAVwX5Q">Canal IJEP – Bem vindos(as)! (youtube.com)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse nosso site e conheça nossos Cursos e&nbsp;<strong>Pós-Graduações</strong>&nbsp;com&nbsp;<strong>Matrículas Abertas</strong>:&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicossomática</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicologia Analítica</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Arteterapia e Expressões Criativas</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Promoção especial para o próximo semestre&nbsp;</strong>(março/abril 2025):</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><a href="https://chk.eduzz.com/801V2KKQ97"><img decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2024/10/COMBO-1-e-4-2-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-9586" style="width:445px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/10/COMBO-1-e-4-2-1024x1024.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/10/COMBO-1-e-4-2-300x300.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/10/COMBO-1-e-4-2-150x150.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/10/COMBO-1-e-4-2-768x768.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/10/COMBO-1-e-4-2-450x450.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/10/COMBO-1-e-4-2.png 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">&gt;&gt;&nbsp;<em>Congressos online e gravados, com certificação de 30h por Congresso</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conheça todos os nossos&nbsp;<a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">Congressos Junguianos</a>&nbsp;e Combos Promocionais:&nbsp;<a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos</a></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-parentalidade-positiva-e-a-sua-sombra-na-contemporaneidade/">A parentalidade positiva e a sua sombra na contemporaneidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Por que estamos tão cansados? Uma apologia à celebração</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/por-que-estamos-tao-cansados-uma-apologia-a-celebracao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 18:08:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Burnout]]></category>
		<category><![CDATA[contágio psíquico]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Depressão]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Redes Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[celebração]]></category>
		<category><![CDATA[performance]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=6727</guid>

					<description><![CDATA[<p>O despertador toca. Em um ritmo e em uma altura que adrenalina e cortisol invadem seu corpo como um tiro. Simultaneamente a isso, aquele outro em você, ansioso e preocupado com o trabalho, sim, aquele que te fez dormir tarde da noite fazendo você repassar suas tarefas e agendas já voltou a te contaminar com [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/por-que-estamos-tao-cansados-uma-apologia-a-celebracao/">Por que estamos tão cansados? Uma apologia à celebração</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>O despertador toca. Em um ritmo e em uma altura que adrenalina e cortisol invadem seu corpo como um tiro. Simultaneamente a isso, aquele outro em você, <strong>ansioso e preocupado</strong> com o trabalho, sim, aquele que te fez dormir tarde da noite fazendo você repassar suas tarefas e agendas já voltou a te contaminar com suas intempéries. <strong>Talvez ele nunca tenha dormido, só sentou em sua cadeira e esperou ansiosamente o &#8220;eu&#8221; acordar para retomar tudo de novo.</strong></em> </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Desperto, os sonhos já se vão em segundos. </strong>Quiçá, dê tempo de pensar “eu sonhei com algo”. Mas seu coração já está de tal maneira acelerado devido ao outro em você, demandando de toda atenção que os sonhos voltam para o mundo dos sonhos. Outro tiro e num piscar de olhos, você já está no trabalho. Pergunta-se “eu fechei a porta?”; “eu tomei banho?”. “Acho que sim, meus cabelos estão molhados!”. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo tornou-se tão automático que não somente os sonhos, mas cuidar de si também é levado para o inconsciente com o intuito de automatizar banalidades, deixando o foco e a atenção somente para o que importa. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-o-que-importa-ora-aquele-outro-em-voce-sabe-de-tudo-o-que-importa" style="font-size:21px"><strong>E o que importa?</strong> Ora, aquele outro em você sabe de tudo o que importa.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para ele o que importa é sua <strong>performance</strong>. Ele é o seu treinador – <em><strong>o coaching</strong></em>. Ele quer números cada vez melhores. Afinal, o que podemos fazer a não ser melhorar cada vez mais? E o melhor disso tudo é que ser melhor não tem limites.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O seu treinador acredita piamente em você. Ele te transformará, talvez, no melhor do seu setor, o mais rápido em galgar cargos e <em>status</em>, o melhor na academia pegando cada vez mais pesos, o melhor no sexo, a ponto de se esperar a frase provinda do outro: “<em>foi o melhor sexo da minha vida”. </em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo que o outro diga isso de forma iludida por ter se envolvido no momento ou de forma mentirosa para acalentar você. Se isso tudo acontecer, o treinador em ti vai se orgulhar por um segundo ou menos. E depois, exigirá de ti ainda mais. Afinal, se você alcançou a meta, agora ela já é passado! &#8220;Precisamos de novas metas!”, diz ele. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste momento você percebe que o treinamento vai continuar e que as metas são ilusões criadas por ele para te convencer a continuar. Afinal, ele é um exímio desenvolver pessoal, sabe de todas as táticas e estratégias para você não fugir da <strong>performance</strong>. Mas, não há fim. É um abismo no qual os olhos não conseguem ver o chão. Todo aquele empreendimento para ser o melhor, é um vazio sem fim.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isso-faz-seu-corpo-estremecer" style="font-size:20px">Isso faz seu corpo estremecer.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Momento de grande oportunidade para a sua Alma, contaminada pelas Erínias, acender o seu corpo com mais adrenalina, cortisol, ativando sua amídala fazendo o medo e a vertigem te possuírem. Não é mais uma simples contaminação. </p>



<p class="wp-block-paragraph">É uma possessão da Alma de forma sombria para criar em você atitudes. Ela sente que precisa te interditar para você reconhecer outra dinâmica além da do treinador. Poderíamos nos perguntar: “mas por que sombria?”. Ora, se ela viesse acolher e acalentar, muito provavelmente você continuaria nessa dinâmica da <strong>performance</strong>. O ser humano precisa da crise e da tensão para se transformar. Mas muitas vezes é em vão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Graças aos treinadores que habitam cada um de nós e suas demandas por <strong>performance</strong>, a Ciência já desenvolveu remédios que aplacam as demandas da Alma de forma mais ou menos eficiente. A Alma pode vir de diversas formas. Hoje denominamos, popularmente, suas empreitadas como: &#8220;síndrome do impostor”; “burnout”; “disfunção sexual”; “ejaculação precoce”; “enxaqueca”; “infarto”, “<a href="https://blog.sudamar.com.br/psicossomatica-e-o-stress/">TAG – transtorno de ansiedade generalizada</a>”, entre outros. Não à toa Byung Chul Han diagnostica a contemporaneidade como a sociedade do cansaço.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-apesar-de-querermos-desviar-os-olhos-do-abismo-nietzsche-estava-certo-ele-esta-olhando-para-voce-desde-sempre" style="font-size:18px">Apesar de querermos desviar os olhos do abismo, <strong>Nietzsche estava certo: ele está olhando para você desde sempre</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>O abismo é vazio, é a falta que cada um de nós encontra ao percorrer a estrada da <strong>performance</strong>. </em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O abismo é um olhar para si de forma explícita, que evidencia que o caminho da <strong>performance</strong> tornou-lhe uma pessoa insatisfeita e insaciável (e alguns até se vangloriam por ser uma pessoa insaciável). Afinal, você quer satisfazer seu chefe, quer satisfazer seu status, quer satisfazer seu parceiro(a) sexual, mesmo que para isso, ao ver o outro insatisfeito com sua <strong>performance</strong> você precise dar satisfações e justificativas alheias. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa dinâmica unilateral de satisfazer o outro ou de dar satisfações justificadas, é impossível satisfazer a si mesmo e o si-mesmo. O abismo te possui e te paralisa neste instante e para sempre. Esta é outra oportunidade de reconhecer sua incompletude e sua imperfeição.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos hoje inúmeras ideias do quão o ser humano é um ser em falta e oco, um ser que carece. A Alquimia e a maioria das mitologias concebem o ser humano como cindido, dividido há muito tempo entre masculino e feminino, mas que anteriormente, ainda em indiferenciação, estavam em uma fusão. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-fisica-atomica-e-o-ser-humano"> A física atômica e o ser humano</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Já na Ciência, a física atômica afirma que cada molécula do nosso corpo (e do universo) é em grande parte vazia. Por exemplo, em um átomo de hidrogênio (o mais comum), a distância entre o núcleo e o elétron é de um décimo bilionésimo de um metro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para ilustrar, se o núcleo fosse uma bola de tênis, seu elétron estaria a uma distância de 2.042,9 metros, isto é, dois quilômetros. O que existe, então, entre eles? Em síntese, a energia da força de atração e repulsão e nada além.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para <strong>Edgar Morin</strong>, visando sua <strong>teoria da complexidade</strong>, o ser humano é também um sistema aberto, isto é, precisamos realizar trocas com o meio ambiente de diversas formas possíveis. Biologicamente falando, o vazio dos pulmões, do estômago, entre outros, nos permite continuar a manter a vida biológica. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vilém Flusser</strong>, na teoria da Comunicação, aponta que a comunicação surgiu por simples necessidade do outro (que também são forças de atração e repulsão).<strong> C. G. Jung </strong>afirma que é instintivo queremos preencher nossos vazios: alguns deles parecem até ser fáceis de se reconhecer, como as imagens psíquicas da fome e da sede.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-o-vazio-que-o-treinador-e-a-performance-escondiam-talvez-demore-um-pouco-mais-para-ser-percebido" style="font-size:22px"><strong>Mas o vazio que o treinador e a performance escondiam, talvez demore um pouco mais para ser percebido.</strong> </h2>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do abismo, não à toa muitas vezes nos perguntamos de forma simbólica “eu tenho fome de quê?”; “eu gosto de matar minha sede com o quê?”. E quando não paramos para refletir e confrontar este vazio, desviamos os olhos dele e acabamos por cair ainda mais nos vícios, nas obsessões e compulsões. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns tornar-se-ão ainda mais discípulos do treinador, afinal o treinador ainda está cheio de promessas. Já, outros, se decepcionarão com ele e encontrarão fugas, como o vício nas substâncias químicas e nas redes sociais (telas digitais) para não ter que conviver com o abismo. Na mitologia, podemos lembrar das Danaides enchendo seu vaso insaciável.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembro-me de um dia estar com dois amigos bebendo cervejas. Um deles quis sair para fumar. O outro perguntou: “para que você fuma?”. O fumante respondeu: “para ter prazer!”. O perguntante questionou novamente: “mas você não está tendo prazer aqui, bebendo e rindo conosco? Você precisa ainda mais de prazer?”. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isso-me-atravessou-como-uma-flecha"><strong>Isso me atravessou como uma flecha.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Isso me atravessou como uma flecha. Na minha imaginação e nas minhas projeções, senti ali que o rapaz havia tido um dia o encontro com o treinador e havia encarado o abismo da insatisfação. E não percebera que seu vício por prazer para aplacar sua insatisfação iria tirá-lo da comemoração conosco. Evidentemente, esse lampejo e esse diagnóstico não foi para o rapaz, mas para o autor desse artigo. Afinal, escrevemos o que somos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir desse dia pensei o quanto a <strong>performance</strong> acaba por deteriorar a celebração. Conversando isso com uma amiga mestra em educação física, ela me disse: <strong>as Olimpíadas na sua gênese eram sumariamente uma grande celebração, depois a performance capilarizou cada passo da corrida, cada vara do salto, cada movimento da ginástica.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocorreu o mesmo com o trabalho, com a família, com o amor e o sexo. No fundo, parece que as Olimpíadas hoje aprimoram e premiam os indivíduos que possuem os transtornos obsessivos compulsivos por tornarem-se cada vez mais especializados nas respectivas modalidades. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-perfomance-x-celebracao">Perfomance x Celebração</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta reflexão de hoje, vislumbro a <strong>performance</strong> como uma <em><a href="https://blog.sudamar.com.br/o-complexo-oppositorum-da-natureza-da-psique/">complexio oppositorum</a></em> da celebração. À primeira visa o resultado futuro; a segunda, o prazer do presente. A primeira tende ao racionalismo matemático e estatístico, a segunda às emoções. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro Kronos; depois Kairós. <strong>A primeira é <a href="https://blog.sudamar.com.br/a-mentira-que-falta-a-verdade-a-tensao-criativa-entre-hermes-e-apolo/">Apolo</a> – o deus da perfeição. E ele, quando não cultuado, lança sua flecha mortífera no coração dos homens jovens. </strong>Não à toa ele além de ser uma divindade solar é também a divindade das maldições e da morte súbita. A segunda é Dioniso, a pulsão de vida, do êxtase e do álcool (espiritual), que quando acompanhado de Pã, pode causar o furor nas massas. Podemos depreender uma relação entre as maldições de Apolo, o álcool de <a href="https://blog.sudamar.com.br/o-coringa-ou-a-hannya-dionisiaca/">Dioniso</a> e aquilo que mencionamos acima sobre o escape do indivíduo quando se vê unilateralizado na <strong>performance</strong>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o indivíduo continua a seguir a <strong>performance</strong> de forma unilateral ele encontra a flecha sombria de Apolo; quando o indivíduo busca o entorpecimento das substâncias químicas, ele encontra Dioniso sombrio. Portanto, aqui, a unilateralização leva para o aspecto sombrio dessa&nbsp;<em>complexio oppositorum.&nbsp;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A crítica aqui não aponta para o abandono da <strong>perfomance</strong>, e sim para o reavivamento da celebração/comemoração. <strong>C. Jung</strong> sabia disso em Eranos, momento em que grandes autores reuniam-se para comemorar –<em> comer e orar </em>– ou, como Waldemar Magaldi aponta <em>co-memorar</em>. A <strong>performance</strong> possuiu tanto nossa sociedade que acabamos por esquecer até de celebrar as pequenas coisas e momentos do cotidiano. Seja o banho após a labuta, a lasanha compartilhada pela família, ou até mesmo a cerveja entre amigos &#8211; que, por vezes, vamos somente para nos embriagar sem sequer realizar <strong>trocas verdadeiras</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-celebrar-comemorar-nao-esta-somente-ligada-a-alegria-mas-a-tristeza-tambem" style="font-size:18px"><strong>Celebrar/comemorar</strong> não está somente ligada à alegria, mas à tristeza também.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Viver o presente com suas alegrias e tristezas é que dá movimento à vida – é o que nos faz viver. Viver tal movimento é também, portanto, <strong>celebrar</strong> a tristeza quando ela se apresenta. Sim! <strong>É possível comemorar a tristeza, pois, uma hora ou outra, ela se inverte <em>in excessu affectus– </em>enantiodromicamente.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Celebre!</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Leonardo Torres</p>



<p class="wp-block-paragraph">Membro didata: Waldemar Magaldi</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Obras Completas. Petrópolis: Vozes. </p>



<p class="wp-block-paragraph">HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. 2. ed. ampliada. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TORRES, Leonardo. Contágio psíquico: a loucura das massas e suas reverberações na mídia. São Paulo: Eleva Cultural, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/por-que-estamos-tao-cansados-uma-apologia-a-celebracao/">Por que estamos tão cansados? Uma apologia à celebração</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O não reconhecimento do sofrimento psíquico</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-nao-reconhecimento-do-sofrimento-psiquico-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tania Pulier Garrido]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2022 11:40:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Burnout]]></category>
		<category><![CDATA[Depressão]]></category>
		<category><![CDATA[Diagnóstico Psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[Melancolia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Raiva]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Sofrimento]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=5511</guid>

					<description><![CDATA[<p>Apesar de o debate sobre a importância da saúde mental ter aumentado nos últimos dois anos, com o confinamento provocado pela pandemia de Covid-19, o sofrimento psíquico continua sendo pouco reconhecido e legitimado não apenas no senso comum, mas também nos ambientes de trabalho e políticas públicas. O objetivo deste artigo é, mostrando vários ângulos [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-nao-reconhecimento-do-sofrimento-psiquico-2/">O não reconhecimento do sofrimento psíquico</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Apesar de o debate sobre a importância da saúde mental ter aumentado nos últimos dois anos, com o confinamento provocado pela pandemia de Covid-19, o sofrimento psíquico continua sendo pouco reconhecido e legitimado não apenas no senso comum, mas também nos ambientes de trabalho e políticas públicas. O objetivo deste artigo é, mostrando vários ângulos deste não reconhecimento, dar relevo ao papel da psique na saúde integral, a partir da visão da Psicossomática que dialoga com a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o relatório mundial da Saúde de 2001 da Organização Mundial da Saúde, que trouxe como tema a saúde mental (cf. WHO, 2001), já no início do século XXI uma em cada quatro pessoas sofreria com alguma doença mental em determinada fase de sua vida, e até 2030 a depressão se tornaria a doença mais comum do mundo e a maior causa de perdas para a população em termos de saúde pública. Entre outras ações, o relatório pede programas de acompanhamento e cuidado nas comunidades, mais profissionais preparados, apoio à pesquisa e sensibilização da população quanto à importância do cuidado com a saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não obstante, o novo Atlas da Saúde Mental da própria OMS, que reuniu dados de 171 países durante o ano de 2020, revelou que, apesar de ter havido um aumento de programas de promoção e prevenção na área da saúde mental (de 41% dos Estados-membros em 2014 para 52% em 2020), sua eficácia é questionável, por falta de investimentos humanos e financeiros. As metas propostas não foram alcançadas e há um déficit de financiamento, mesmo com a necessidade crescente dele devido à pandemia da Covid-19 (cf. Opas, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a pandemia, de fato, vários alertas têm sido feitos a respeito dos abalos para a saúde mental gerados por toda a situação de insegurança sanitária, social e econômica, confinamento prolongado e perdas. No Brasil, o Ministério da Saúde (2021) alertou sobre o agravamento dos transtornos que já afetavam a população (mais de 18 milhões de brasileiros sofriam de ansiedade mesmo antes da pandemia e mais de um terço dos fatores de incapacitação de pessoas nas Américas devia-se a transtornos mentais). Retomou os termos “fadiga pandêmica” e “definhamento”, usados pela OMS para trazer relevância aos sintomas de cansaço, esgotamento físico e mental, falta de propósito, desesperança, desmotivação que antecedem a pandemia, mas foram agravados e muito por ela. Soma-se a isso o luto em grandes proporções de pessoas que sofreram várias perdas e sequer puderam vivenciar os rituais fúnebres como gostariam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que o tema da saúde mental tem sido mais tratado é indiscutível. Isso significa, porém, que o sofrimento psíquico já seja reconhecido? Nas Olimpíadas de Tóquio (2021), assistimos com perplexidade à desistência da ginasta estadunidense Simone Biles de disputar a final de solo e outras provas, alegando questões de saúde mental diante da pressão. No início de 2022, foi a vez do brasileiro Gabriel Medina desistir da Liga Mundial de Surfe para cuidar da saúde mental. Se sobre os famosos as opiniões já se dividem, e há quem considere a decisão luxo ou frescura, jogada midiática ou covardia, para os simples mortais, então, os “veredictos” costumam ser mais duros, e continua-se a ouvir com frequência expressões como “isso é só psicológico” ou “é coisa da sua cabeça”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Real, legítimo e com potencial transformador</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No texto “Da formação da personalidade”, da conferência intitulada “A voz do íntimo”, de 1934, Jung fala dos que têm a coragem de trilhar seu próprio caminho e assim desenvolver a personalidade, para além da coação e proteção do grupo, a partir da necessidade (por acontecimentos internos ou externos), da decisão moral e da escuta e confiança na voz do íntimo que os impele a emancipar-se das convenções sociais. Neste contexto, utiliza a expressão “Isso nada mais é do que psicologia”, da parte dos que se opõem com preconceitos a este caminho (JUNG, 2020, §302). É interessante a semelhança com o julgamento do senso comum, mesmo na atualidade, sobre o sofrimento psíquico, sobretudo quando compreendemos, a partir do olhar da Psicologia Analítica, que os sintomas são manifestação do inconsciente e mesmo chamado da alma que aponta na direção do processo de individuação, do tornar-se si mesmo, neste caso como oportunidade de rever o que pode estar unilateralizado e por isso levando ao adoecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A essas reflexões caberiam todas as expressões citadas por Jung no mesmo texto, que dizem respeito ao julgamento de quem ousa afastar-se da voz do grupo social para ouvir a voz do íntimo que designa a tomar outro rumo na vida: “tal coisa nem existe”; “se existir, será naturalmente algo ‘doentio’ e, além disso, sem finalidade”; “é ‘uma pretensão descabida pensar que uma coisa dessas tenha importância’”. Lembro-me de uma vizinha que precisou ser afastada do trabalho para tratar de uma depressão. Para melhorar e mesmo como primeiros sinais de melhora, ia tomar sol, mas evitava que os colegas soubessem, pois dizia: “Vir aqui é um esforço que faço para ficar bem, mas qualquer um que me visse assim julgaria minha licença como folga enganosa. Seria tão mais fácil ter quebrado a perna! De um gesso não se duvidaria.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reconheço angústia semelhante nos relatos que leio no livro de Psicossomática que não por acaso tem o título “Isso é coisa da sua cabeça” (cf. O’SULLIVAN, 2016). Neles, as pessoas afetadas por sintomas ou transtornos graves sem causa orgânica passam de especialista em especialista, desejando que alguém descubra uma doença clínica para explicar seu sofrimento, pois a eles a origem psíquica parece uma humilhação que não legitima a sua dor. É como se lhes dissessem “Você inventou na imaginação o seu mal e pode pará-lo a qualquer momento”, o que não é bem assim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A psique é muito mais ampla do que a consciência que, quando inflada, acredita ter o controle de todas as coisas, bem na linha dos parâmetros sociais atuais, que nos apontam o ideal da pessoa independente, autodeterminada, influenciadora, conectada, com o corpo perfeito segundo padrões bem estabelecidos, a “saúde de ferro” e o “pensamento positivo que tudo alcança”. Parece que somos todos “desviados”; a maioria, porém, lutando quixotescamente para aproximar-se o máximo possível desse estabelecido e ignorar ou combater o seu oposto. Que atualidade têm os seguintes apontamentos de Jung feitos há quase um século!</p>



<p class="wp-block-paragraph">A gente quase se sente um mágico que por suas artes manipula o que é psíquico e lhe dá a forma caprichosa que deseja. Nega-se o que é incômodo, sublima-se o que é indesejável, afasta-se com explicações o que é angustiante, corrige-se o que se julga um erro; e tem-se por fim a impressão de ter colocado tudo na mais perfeita ordem. (JUNG, 2020, §302)</p>



<p class="wp-block-paragraph">É na base da negligência de tantos outros elementos que eles mais cedo ou mais tarde cobram a conta, seja por um infarto, uma falência, uma síndrome do pânico ou uma crise de ansiedade. Enquanto vemos os limites dos outros — mais porque projetamos, sem reconhecer os nossos, do que por não os ter —, nos indignamos com o que parece “bobagem”, “frescura” ou “moleza” e nossos conselhos vão nesta linha: “levante-se!”; “tenha força de vontade!”; “dê a volta por cima!”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando ocorrem conosco, sofremos e queremos ser compreendidos, mas muitas vezes nós mesmos continuamos a não nos compreender, uma vez que não acolhemos nossos outros lados e seguimos com a visão unilateral, achando que deveríamos estar na linha reta estabelecida e buscando de curandeiros a remédios mirabolantes ou entorpecentes para tentar a todo custo retomá-la. Julgamos os outros ou nós mesmos como se tudo dependesse apenas do “eu”. “Mas nisso tudo foi esquecido o mais importante: que o psíquico não se identifica nem de longe com a consciência [&#8230;]. A maior parte do psíquico consta de fatos inconscientes que [&#8230;] podem desabar sobre nós a qualquer momento”. (JUNG, 2020, §302)</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O sintoma acontece exatamente como um sinal de alerta de que algo em nós entrou em cisão e oposição com o padrão dominante da consciência. Um complexo foi constelado, ou seja, uma imagem de forte carga afetiva que toma a vontade da pessoa quase como uma personalidade autônoma, em torno de um conteúdo que une uma imagem arquetípica (imagens formadas pelo inconsciente coletivo ao longo da vivência da humanidade, como mãe, pai, criança, bruxa, bem, mal etc.) a experiências pessoais cuja memória ativa emoções (Cf. JUNG, 2018, §198). Esse conflito chama à ampliação da consciência para um novo jeito de viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Chama, convida, mas também pode obrigar. Isso porque o adoecimento não é um evento pontual que surge de repente, mas um processo, que começa com algo que incomoda, uma tensão que podemos escolher ignorar. Podem ocorrer disfunções, como insônia, dor de cabeça, alergias; distúrbios, quando estes se tornam mais fortes e recorrentes; alterações, que começam a aparecer nos exames; até chegar à doença, manifestada mais no físico (uma destruição celular) ou no emocional, mas nunca num único nível. Geralmente, há um fator desencadeante, que se liga com a memória do coração, ou seja, com eventos de vida que se aglomeraram a partir de um princípio difícil de precisar, e que num dado momento eclode, sobretudo se as fases silenciosas foram ignoradas. E apenas neste sentido somos responsáveis — podemos dar ouvidos ou não aos vários chamados que nos são feitos pelos fatos de vida ou pelos primeiros sintomas ou incômodos; não no sentido de se tratar de “coisas da nossa cabeça” que da forma como criamos podemos eliminar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Percebe-se nessa leitura uma visão integral do humano, biopsicosocioespiritual. Como explica Jung (2018, §418), “há não só a possibilidade, mas até mesmo uma certa probabilidade de que a matéria e a psique sejam dois aspectos diferentes de uma só e mesma coisa”. Sendo assim, o sofrimento psíquico é tão legítimo como o físico, até porque estão ligados e nenhum acontece isoladamente, apenas com formas diferentes de manifestação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ele nos ensina que precisamos rever nossa imagem de mundo limitada e unilateralizada que reduz o real ao material, aos objetos percebidos pelos sentidos, como se o imaterial fosse irreal (até o pensamento o seria, dessa forma). Ora, “aquilo que age, que atua, é real.” (JUNG, 2018, §742) Se nos afeta, se produz efeito em nós, é real. Aliás, à própria realidade material, só temos acesso indiretamente, pelas imagens formadas em nossa consciência por processos complexos do sistema nervoso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Longe, portanto, de ser um mundo material, esta realidade é um mundo psíquico que só nos permite tirar conclusões indiretas e hipotéticas acerca da verdadeira natureza da matéria. Só o psíquico possui uma realidade imediata, que abrange todas as formas do psíquico, inclusive as ideias e os pensamentos ‘irreais’, que não se referem a nada de ‘exterior’. Podemos chamá-las de imaginação ou ilusão; isto não lhes tira nada de sua realidade. [&#8230;] A realidade do psíquico, isto é, a realidade psíquica, aquela única realidade que podemos experimentar diretamente, acha-se entre as essências desconhecidas do espírito e da matéria. (JUNG, 2018, §747)</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apenas com o reconhecimento da realidade, legitimidade e mesmo importância do sofrimento psíquico — o seu potencial criativo e transformador como chamado da alma — é que se poderá tratá-lo como é devido, com atenção, interesse, respeito e tempo, e com os investimentos humanos, profissionais e financeiros previstos nos projetos públicos, que geralmente ficam nos papéis. Se insistirmos, porém, em nossa miopia de enxergar apenas o material, talvez os números, já alarmantes, precisem ficar catastróficos para percebermos que algo real e sério está acontecendo quanto à saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tania Pulier — Analista em formação pelo IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lilian Wurzba — Analista didata/IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências:</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRASIL. Ministério da Saúde. Realidade imposta pela pandemia pode gerar transtornos mentais e agravar quadros existentes, 10 out. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2021-1/outubro/realidade-imposta-pela-pandemia-pode-gerar-transtornos-mentais-e-agravar-quadros-existentes. Acesso em: 17 fev. 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG.&nbsp;<em>A natureza da psique</em>. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">_____.&nbsp;<em>O desenvolvimento da personalidade</em>. 14. ed. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O’SULLIVAN, Suzanne.&nbsp;<em>Isso é coisa da sua cabeça</em>: histórias verdadeiras sobre doenças imaginárias. Rio de Janeiro: Best Seller, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (Opas). Relatório da OMS destaca déficit global de investimentos em saúde mental, 8 out. 2021. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/8-10-2021-relatorio-da-oms-destaca-deficit-global-investimentos-em-saude-mental. Acesso em: 17 fev. 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Saúde mental: nova concepção, nova esperança, 2001. Disponível em: https://www.who.int/whr/2001/en/whr01_po.pdf. Acesso em: 17 fev. 2022.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="O não reconhecimento do sofrimento psíquico" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/BunAyHRcuQw?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-tania-pulier"><strong><em>Tania Pulier</em></strong></h4>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-nao-reconhecimento-do-sofrimento-psiquico-2/">O não reconhecimento do sofrimento psíquico</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A alma burocrática</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-alma-burocratica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Luiz Balestrini Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Jun 2019 16:58:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Burnout]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[burocracia]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=4761</guid>

					<description><![CDATA[<p>No mundo em que vivemos hoje sobra espaço ou tempo para a alma? Vou fazer uma brincadeira e comparar um dia dessa nossa existência miserável de simbolismo, forçada e repetida de maneira automática e robótica, com o curso de uma vida humana em nossa sociedade. Imagine que um dia é uma vida. Despertamos de um [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-alma-burocratica/">A alma burocrática</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No mundo em que vivemos hoje sobra espaço ou tempo para a alma?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vou fazer uma brincadeira e comparar um dia dessa nossa existência miserável de simbolismo, forçada e repetida de maneira automática e robótica, com o curso de uma vida humana em nossa sociedade. Imagine que um dia é uma vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Despertamos de um sono cheio de conteúdo simbólico. Saímos de um lugar onde o inconsciente está tentando nos avisar dos perigos e prazeres da vida material. O despertar é na verdade um celular que toca um alarme chato e repetitivo todas as manhãs. E por mais que o indivíduo tente encontrar um toque melhor, não encontra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então o Ser está desperto (ou pensa que está). Já levantou, tomou seu banho, comeu seu pão e agora se prepara para buscar sua alma. Sai de casa contente, sabendo que esse dia é importante: está em busca daquilo que o completa. Irá encontrar o sentido de sua vida. Chega na empresa antes que ela abra e já na porta percebe que não será tão fácil assim, a fila está grande. Levou um livro para ajudar a passar o tempo, mas não consegue ler, está muito ansioso. Pensa e sente que depois que estiver em poder de sua alma, saberá o que fazer, saberá para onde ir. O painel eletrônico toca chamando as senhas constantemente, e o celular avisa o tempo todo que chegam mensagens e notificações sobre postagens vazias de seus (des) conhecidos das redes sociais. Olha então as tais redes acreditando que o tempo pode passar mais rápido se tiver afastado de si mesmo. Espera pacientemente, sabe que no fim irá ser recompensado. Não é todo mundo que consegue encontrar sua alma. Finalmente chamam sua senha, chegou sua vez! Ele vai até o atendente e se senta em frente à pequena mesa. Entrega os formulários necessários preenchidos. O atendente olha cuidadosamente para os papéis espalhados em sua mesa, checa a tela do computador. O coração do protagonista bate mais forte, está aflito e angustiado para receber o que é seu por direito. E recebe a notícia como um tiro no peito: &#8220;falta um carimbo.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vivemos frustrados por sentir que o processo burocrático do dia a dia, o sistema e a ordem são mais importantes do que a vida humana. As pessoas não se importam em realmente ajudar o outro, pensam sim em cumprir horário, carimbar, assinar e despachar papéis que muitas vezes atrapalham mais do que ajudam a resolver os problemas reais de cada um. O verdadeiro contato humano se esvai, some, dissipa, dissolve, e com ele a possibilidade do encontro com o outro e com o si mesmo. Robotizados, os seres humanos não tem chance de viver simbolicamente. Perdidos em documentos e burocracias, quem consegue tempo para pensar em si mesmo? De praticar rituais? De se dedicar à arte?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Somente a vida simbólica pode expressar a necessidade da alma &#8211; a necessidade diária da alma, bem entendido. E pelo fato de as pessoas não terem isso, não conseguem sair dessa roda viva, dessa vida assustadora, maçante e banal onde são &#8220;nada mais do que&#8221;. (OC 18/1, 627)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kanji Watanabe, o personagem principal do filme japonês Ikiru (Viver), de 1952, de Akira Kurosawa, era nada mais do que um velho agente burocrata. Uma peça de uma máquina que nem ele mesmo sabia muito bem para que servia. Passou anos numa função robotizada qualquer até ser acometido por um câncer de estômago avassalador. Entendeu o chamado do Self e saiu em busca de algum significado para sua vida vazia. É claro que encontrar esse significado não foi fácil. Kanji experimenta a vida boêmia, procurando a felicidade e a realização de si mesmo de maneira hedonista. Não encontra. Tenta viver da felicidade de uma garota mais nova e cheia de vigor, o que também não funciona. Kanji Watanabe passa por várias situações até perceber o que deveria fazer para viver o pouco tempo que lhe restava com dignidade de si mesmo e morrer satisfeito com o que havia alcançado. Vou deixar o leitor curioso&#8230; se você ainda não assistiu a esse filme, vale muito a pena.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Viver (Ikiru). O filme mostra com exatidão o encontro da vida simbólica por Watanabe, e seu caminho para o mito do significado. E a reflexão que podemos fazer quando entramos em contato com essa história nos traz mais perguntas do que respostas: Então uma vida sem simbolismo é uma vida de verdade? Passar o tempo cercado e preso a papéis, carimbos, documentos físicos e digitais podem ser considerados realmente viver?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, a pergunta que mais me intriga: é preciso esperar um câncer de estômago para perceber que viver é muito mais do que ser &#8220;nada mais do que&#8221;?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu entendo que a resposta para essa pergunta pode ter aproximadamente 7,6 bilhões de respostas, que é mais ou menos o número de habitantes humanos no mundo hoje. No fim, cada um de nós irá encontrar seu caminho e seu significado de uma maneira peculiar, particular, individual. O encontro com a alma não é exclusivo de qualquer ser humano, mas exige dedicação e coragem do indivíduo porque o caminho não é fácil e nem tranquilo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Umas das mais famosas frases de Jung no livro Memórias, Sonho e Reflexões, diz: &#8220;Minha vida é a história de um inconsciente que se realizou. Tudo o que nele repousa aspira a tornar-se acontecimento, e a personalidade, por seu lado, quer evoluir a partir de suas condições inconscientes e experimentar-se como totalidade.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ah! Então o que precisamos fazer é deixar que nossos inconscientes se realizem! Aparentemente isso não é tão simples quanto parece. Mesmo nos aplicando diariamente nessa busca, acreditando que estamos deixando espaço e tempo para a alma, nada pode garantir que, como Jung e Watanabe, consigamos permitir que nossos inconscientes se realizem.&nbsp; Viver exige esforço, e ao mesmo tempo, não podemos fazer muito se não deixarmos a vida acontecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso estar atento! Pode ser que estejamos mais presos à máquina do que imaginamos, só não conseguimos perceber. Pode ser que a burocracia já tenha tomado conta das nossas almas e que elas precisem da nossa ajuda para retomar sua liberdade. Encontremos tempo para as expressões da alma! E apesar de não ser garantida, aumentamos assim as chances da realização de nossos inconscientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><img decoding="async" alt="" src="https://www.ijep.com.br/admin/jscripts/tiny_mce3/plugins/ajaxfilemanager/upload_files/alma%20buro%202.jpg">*Jose Luiz Balestrini Junior, ser humano, psicólogo, especialista em psicologia junguiana pelo IJEP, analista junguiano em formação pelo IJEP e Sifu (mestre) de Kung Fu.&nbsp;Atende e dá aulas na Zona Sul de São Paulo<br>Av. Ibijaú, 236 &#8211; Moema &#8211; São Paulo &#8211; SP<br>Fone: (11) 98207-7766<br>E-mail:&nbsp;<a href="mailto:balestrini@lungfu.com.br">&nbsp;balestrini@lungfu.com.br</a><br>www.lungfu.com.br</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Jose Luiz Balestrini Junior &#8211;</em></strong></h4>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-alma-burocratica/">A alma burocrática</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fadiga por compaixão x síndrome de burnout: os custos dos cuidados com o outro</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/fadiga-por-compaixao-x-sindrome-de-burnout-os-custos-dos-cuidados-com-o-outro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Macieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Jun 2019 13:31:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Burnout]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado de Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[burnout]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[fadiga da compaixão]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=5705</guid>

					<description><![CDATA[<p>Há pouco tempo tive o prazer de ler o brilhante artigo do Prof. Dr. Waldemar Magaldi, intitulado Autoanálise da Injúria Cardíaca, publicado no site do IJEP &#8211; Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa: (http://ijep.com.br/index.php?sec=artigos&#38;id=332&#38;ref=autoanalise-da-injuria-card%EDaca*#conteudo). Para além da riqueza do texto, com suas fundamentações de referenciais teóricos, fui impactada pela coragem do uso do verbo na [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/fadiga-por-compaixao-x-sindrome-de-burnout-os-custos-dos-cuidados-com-o-outro/">Fadiga por compaixão x síndrome de burnout: os custos dos cuidados com o outro</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Há pouco tempo tive o prazer de ler o brilhante artigo do Prof. Dr. Waldemar Magaldi, intitulado Autoanálise da Injúria Cardíaca, publicado no site do IJEP &#8211; Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa: (<a href="http://ijep.com.br/index.php?sec=artigos&amp;id=332&amp;ref=autoanalise-da-injuria-card%EDaca*#conteudo">http://ijep.com.br/index.php?sec=artigos&amp;id=332&amp;ref=autoanalise-da-injuria-card%EDaca*#conteudo</a>). Para além da riqueza do texto, com suas fundamentações de referenciais teóricos, fui impactada pela coragem do uso do verbo na primeira pessoa, pelo desnudamento da alma e seus questionamentos acerca do sentido da vida. Ao sair da situação de encantamento que paralisa o olhar, me deparei com uma crítica à atual medicina da sociedade de consumo e com um questionamento, no supracitado artigo: onde estão os curadores feridos?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lidando há muitos anos com Psico-Oncologia, uma interface entre a Psicologia e a Oncologia, tenho podido observar profissionais das equipes de saúde encarregadas dos tratamentos de pacientes com câncer e seus familiares. E tenho, muitas vezes, acompanhado o adoecimento de muitos destes profissionais. O problema aparece com tanta frequência, que passou a ser tema bastante presente em congressos das sociedades médicas, de enfermagem ou de Psico-Oncologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira pergunta que me vem à mente quando penso nos cuidadores é sobre o significado do cuidar. O verbo cuidar significa prevenir-se, empregar atenção, cautela, zelo e desvelo. Para Boff (1999), o cuidado apenas aparece quando a existência de alguém adquire significado para nós. Portanto, mais do que um momento de atenção, é uma atitude de preocupação, ocupação, responsabilização e envolvimento com o ser cuidado ao qual estamos ligados afetivamente. Nesse sentido, passamos a cuidar, participar do destino do outro, de suas buscas, sofrimentos e sucessos. Como uma atitude e característica primeira do ser humano, o cuidado revela a natureza humana e a maneira mais concreta de ser humano. (BOFF, 1999).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cuidar significa apresentar escuta e atitude terapêuticas, constituindo-se em um conjunto de procedimentos que exercem efeitos terapêuticos sobre o equilíbrio psicossomático do paciente (MACIEIRA, 2007). No trato com o paciente, o cuidar envolve sentimentos, valores, atitudes e técnicas científicas com o intuito de conferir qualidade à assistência. Desta forma, para que o cuidado ocorra genuinamente, a ação de cuidar deve repleta de sensibilidade, delicadeza, solidariedade e profissionalismo. Mas estarão os profissionais de saúde preparados emocionalmente para a exposição à dor, ao sofrimento, à angustia frente a imprevisibilidade da doença, ao inevitável contato com sua impotência frente à morte?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nossa prática com a Oncologia e acreditamos, em outras áreas de saúde também, a resposta à pergunta acima é não, aqueles que cuidam não estão sendo devidamente cuidados. Estão, portanto, mais sujeitos ao adoecimento por depressão, Síndrome de&nbsp;Burnout&nbsp;e Fadiga por Compaixão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os quadros clínicos de depressão e a Síndrome de Burnout apresentam algumas semelhanças, como tendência ao isolamento social, sentimentos de menos valia e cansaço. Mas possuem, todavia, diferenças acentuadas entre eles. Enquanto a depressão é um conjunto de emoções e cognições que têm consequências sobre essas relações interpessoais, a Síndrome de Burnout está intimamente ligada a atividades profissionais e organizacionais (salários, falta de recursos, segurança, violência oculta no trabalho, etc.). Ou seja, é um construto social que surge como resultado das relações conflituosas intra/interpessoais e organizacionais. Podemos pensar em burnout como um mecanismo de defesa frente à perda de esperança na capacidade de modificar as situações vividas, sensação de impotência ou resposta ao estresse prolongado. Um lado mais cruel ainda desta síndrome, é que quanto mais dedicado, esperançoso, dedicado e iludido, quanto maior a expectativa, mais propenso ao acometimento pode estar o profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recentemente, observou-se que a evolução da Síndrome de&nbsp;Burnout&nbsp;não tratada, juntamente com a submissão contínua à situações causadoras de Estresse Pós-traumático Secundário (perturbação mental desenvolvida como resposta à exposição a eventos traumáticos), pode conduzir à Fadiga por Compaixão, que representa o custo do cuidado sobre o cuidador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fadiga por Compaixão pode ser definida como uma síndrome causada por uma profunda exaustão física, emocional, social e espiritual, decorrente do estresse e do custo emocional pela exposição continuada à dor, ao trauma e ao sofrimento alheio. É um processo gradual e cumulativo que pode acometer indivíduos que liberam energia psíquica, em forma de compaixão, a outros seres (humanos ou animais) e que traz como consequência uma mudança acentuada na capacidade de auxiliar e de sentir empatia, um crescente cinismo e uma perda de prazer com a profissão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Fadiga por Compaixão é um termo amplo, englobando os conceitos de trauma secundário, estresse pós-traumático secundário, traumatização vicária e adicionando os componentes de estresse cumulativo, intrusão, evasão, evitação e hipervigilância.&#8221; (FIGLEY, 2002)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fadiga por Compaixão atravessa a pessoa e causa um declínio generalizado na vontade, energia e na capacidade de sentir e cuidar dos outros. Eventualmente pode transformar-se em marcante depressão e outras doenças relacionadas ao estresse. Mas aspecto mais insidioso da fadiga por compaixão é que afeta exatamente a essência do que nos trouxe a este trabalho: nossa empatia e compaixão pelos outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Principal ameaça à saúde mental dos profissionais da área de saúde, a combinação de Trauma Secundário, S.&nbsp;Burnout&nbsp;e Fadiga por Compaixão é uma das principais razões porque muitos profissionais de ajuda abandonam o campo (FIGLEY, 2002). Portanto, é imprescindível quando se pensa no aspecto preventivo em saúde coletiva, buscar soluções para diminuir o ônus psicológico em ser um profissional de saúde e ainda, a identificação precoce dos profissionais mais propensos ao adoecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Mathieu (2007) são sinais e sintomas da Fadiga por Compaixão:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Exaustão</li>



<li>Reduzida capacidade de sentir simpatia e empatia</li>



<li>Irritabilidade, raiva e crescente ansiedade e reatividade</li>



<li>Aumento de uso de álcool e drogas</li>



<li>Medo de trabalhar com certos pacientes/clientes</li>



<li>Sentido diminuído de apreciação da carreira</li>



<li>Perda do sentido de potência e competência</li>



<li>Perturbações da visão de mundo, ansiedade ou medos irracionais</li>



<li>Imagens intrusivas ou dissociação</li>



<li>Hipersensibilidade ou insensibilidade ao conteúdo emocional</li>



<li>Dificuldade em separar a vida profissional da vida pessoal</li>



<li>Absentismo &#8211; falta ao trabalho, muitos dias adoentado</li>



<li>Dificuldade em tomar decisões e cuidar de pacientes/clientes</li>



<li>Problemas com intimidade e nas relações pessoais</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto&#8230; profissionais de saúde, muitas vezes, têm dificuldade em identificar a exaustão associada com Fadiga por Compaixão e seu próprio adoecimento. Assim, acabam por não desenvolver planos de autocuidados que poderiam reverter a situação. Neste ponto, importa lembrar que compaixão (com-paixão; com-amor; com-emoção) envolve uma participação espiritual e terna para quem sofre. Mas o cuidar de si próprio como cuidador estará sempre relacionado diretamente à qualidade do atendimento prestado àqueles que sofrem, de vez a separatividade entre Eu e o outro é apenas uma ilusão.&nbsp; Cuidar de si, cuidar do outro e cuidar do todo é cuidar como um ato de amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;&#8230;Nós somos, no entendimento mais profundo, vítimas ou meios e instrumentos do &#8220;amor&#8221; cosmogônico. Coloco essa palavra entre aspas para indicar que não quero dizer com isso apenas que é um anseio, uma preferência, uma valorização, um desejo ou algo semelhante, mas um todo, unificado e indiviso superior ao ser isolado. O ser humano como parte não entende o todo. Ele lhe é subalterno. Ele pode dizer sim ou se indignar; mas sempre está preso e trancado dentro dele. Sempre depende disso e é motivado por isso. O amor é sua luz e sua escuridão, cujo final ele não enxerga. &#8220;O amor não acaba nunca&#8221;, mesmo quando ele fala com a língua de anjo, ou persegue a vida da célula até a base mais profunda. Com acribia científica. O ser humano pode chamar o amor de diversos nomes que lhe estão à disposição, mas vai apenas envolver-se em infinitos autoenganos. Se possuir um pouco de sabedoria, vai mostrar as armas e chama-lo&nbsp;ignotum per ignotius, ou seja, com o nome de Deus. Essa é uma confissão de sua inferioridade, mas ao mesmo tempo também um testemunho de sua liberdade de escolha entre a verdade e o engano.&#8221; (JUNG, 2005 p.107-108, apud LIBERATO, 2015) &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o encontro cuidador/cuidado pode ser um relacionamento pulsante, criativo e transformador. Pode tornar-se um acontecimento sagrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Estar vivo e experimentar o acontecimento da vida, participando dele e interferindo nos efeitos que cada experi6encia provoca no contorno plástico que a humanidade possui, é uma benção divina. É a expressão do sagrado em essência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No fundo do coração de cada ser humano há um profundo anseio por uma vida que faça sentido.&#8221; (LIBERATO e MACIEIRA, 2008)</p>



<p class="wp-block-paragraph">*Rita de Cassia Macieira&nbsp;&#8211; Psicóloga, Professora do IJEP &#8211; Instituto Junguiano de Estudo e Pesquisa, Mestre em Saúde Materno Infantil pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro. Presidente da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia, gestão 2008/2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências:</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOFF, L. Saber cuidar: ética do humano &#8211; compaixão pela terra. Petrópolis, RJ. Vozes, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FIGLEY, C. R. (2002). Compassion fatigue: psychotherapists chronic lack of self-care. Journal of Clinical Psychology, 58(11),1433-1441.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GROESBECK, C. J., 1983. A imagem arquetípica do médico ferido.&nbsp;Junguiana ­ Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, 1:72-96.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIBERATO, Regina. O luto do profissional de saúde: a visão do psicólogo. in CASELLATO, Gabriela. O resgate da empatia: suporte psicológico ao luto não reconhecido. São Paulo: Summus, 2015. Pg. 155</p>



<p class="wp-block-paragraph">LIBERATO, R.P. e MACIEIRA, R.DE C. Espiritualidade no Enfrentamento do Câncer,&nbsp;in&nbsp;Temas em Psico-Oncologia Pag. 556-571 Org.Vicente de Carvalho et al. São Paulo: Summus Editorial, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MACIEIRA, RC. Avaliação da espiritualidade no enfrentamento do câncer de mama em mulheres. 2007. Dissertação (Mestrado em Saúde Materno-Infantil) &#8211; Faculdade de Medicina, Universidade de Santo Amaro, São Paulo, São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, W. Autoanálise da injúria cardíaca. Acesso em 22/02/2018 (<a href="http://ijep.com.br/index.php?sec=artigos&amp;id=332&amp;ref=autoanalise-da-injuria-card%EDaca*#conteudo">http://ijep.com.br/index.php?sec=artigos&amp;id=332&amp;ref=autoanalise-da-injuria-card%EDaca*#conteudo</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">MATHEIU, F. (2007). Transforming compassion fatigue into compassion satisfaction: Top 12 self-care tips for helpers. In Matthieu, F.(Chair), Compassion Fatigue Conference. Workshops for the Helping Professions conducted at the conference of the Compassion Fatigue Awareness Project. Kingston, Ontario, Canada.</p>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-rita-de-cassia-macieira"><strong><em>Rita de Cassia Macieira</em></strong></h4>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/fadiga-por-compaixao-x-sindrome-de-burnout-os-custos-dos-cuidados-com-o-outro/">Fadiga por compaixão x síndrome de burnout: os custos dos cuidados com o outro</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
