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	<title>Arquivos Felicidade - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos Felicidade - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Crise da meia idade feminina – rainha ou bruxa?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/crise-da-meia-idade-feminina-rainha-ou-bruxa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 19:10:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Complexo Materno]]></category>
		<category><![CDATA[Felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Geriatria]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
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		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A menopausa e o envelhecer pode ser uma grande oportunidade de transcender porque “Ser jovem e belo é um golpe de sorte genético, ser velho e belo é uma obra de arte, cujo artista é você mesmo.”</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/crise-da-meia-idade-feminina-rainha-ou-bruxa/">Crise da meia idade feminina – rainha ou bruxa?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><br>“Ser jovem e belo é um golpe de sorte genético, ser velho e belo é uma obra de arte, cujo artista é você mesmo.”</p>



<p>Waldemar Magaldi</p>



<p>A mulher, bem diferente dos homens, devido sua estrutura ginecológica e hormonal, é acometida por dois momentos significativos de iniciação, que deveriam remetê-la a vivencia dos antigos rituais de passagens. Aliás, creio que a sociedade contemporânea está, cada vez mais, dessacralizada e distante dos ritmos e ritos que serviam para marcar os momentos de início e, consequentemente, de término de determinadas e importantes fases da vida. O primeiro momento é a crise que estabelece a passagem da menina para a adolescente, que acontece na menarca ou primeira menstruação, que ocorre, em média, dois anos após os primeiros sinais da puberdade. O segundo momento, após a menacme, que é o período onde a mulher permanece fértil, é o da menopausa, caracterizado pela última menstruação, passando pelo período do climatério que pontua a transição do fim da sua fase reprodutiva.</p>



<p>Por volta dos 45 anos de idade, acontecem muitas transformações, transições e crises na vida da maioria das pessoas, principalmente por conta da metanóia, época em que ocorrem transformações fundamentais no pensamento e no caráter dos indivíduos, devido às novas demandas e pela busca de novo sentido e significado existencial. No caso das mulheres, outros aspectos somam-se às mudanças hormonais e corporais, incluindo transformações da estrutura familiar, com a saída dos filhos, e desejos de se sentirem produtivas, pertencentes, entre outras demandas. A consequência desse momento, quando não existe uma atitude consciente e diligente diante desta crise, é o surgimento de uma infinidade de transtornos e queixas físicas, psíquicas e afetivas presentes nos consultórios dos profissionais de saúde, acompanhadas de excessos comportamentais envolvendo temáticas com vários tipos de dependências, abusos ou compulsões, depressões e muitos transtornos ginecológicos.</p>



<p>É importante deixamos claro que toda crise pode ser uma oportunidade. Ou seja, dependendo da maneira que a pessoa enfrentar a mudança surgirá resultados muito distintos, dos mais positivos até os mais negativos, construtivos ou destrutivos, prazerosos ou dolorosos. Enfim, os resultados dependerão do estado de consciência e de autoconhecimento de cada pessoa. É neste sentido que as mulheres, na crise da meia idade, podem escolher conscientemente se irão assumir, em suas novas personalidades, mais aspectos da imagem arquetípica da bruxa ou da rainha. A bruxa tem um perfil de personalidade histriônica, impaciente, ressecada e rígida, com desejos de vingança e poder, devido seus sentimentos de exclusão e de infertilidade. A rainha, por sua vez, exercerá sua autonomia com liberdade e criatividade, pois ela sabe que pode reinar e gerir livremente a sua vida, principalmente agora que se libertou das regras ou dos incômodos menstruais.</p>



<p>Porém, para que a mulher da meia idade assuma sua dimensão rainha, ela não pode ficar identificada exclusivamente com as imagens arquetípicas das deusas Hera, Demeter ou Perséfone, respectivamente representadas pela: esposa, mãe ou filha – atribuições unilaterais ainda impostas pela nossa atual sociedade patriarcal, patrimonialista e machista. Da mesma forma, não pode negar ou contrapor essas funções, indo para o extremo oposto, ficando desfeminilizada, assumindo características mais competitivas, testosteronicas e masculinas. Porém, infelizmente, o que mais notamos é que a maioria das mulheres acaba ficando aprisionada em um conjunto de papeis, empobrecendo suas vidas e sofrendo o ressecamento de toda sua potencialidade integrativa e criativa. Com isso, desenvolvem uma infinidade de sintomas de adoecimento que, para serem curados, necessitam de uma integração de cuidados que vão desde as intervenções, químicas ou cirúrgicas, até um profundo processo de autoconhecimento. Só assim elas poderão, conscientemente, assumirem seus papeis de rainhas, transcendendo evolutivamente a crise da meia idade, reconhecendo que a bruxa, geralmente, é a fada que foi ou se sentiu excluída de algum contexto existencial. Concluo deixando explícito que toda mulher, na sua essência imanente, deseja liberdade e autonomia para estabelecer seus vínculos e até sua maternagem, que pode ser exercida em qualquer situação, independente da filiação biológica ou adotiva, pois o potencial materno e criativo é preponderantemente feminino.</p>



<p>WALDEMAR MAGALDI FILHO&nbsp;é psicólogo, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática e Homeopatia.&nbsp; Mestre e doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: “Dinheiro, Saúde e Sagrado”.&nbsp; Fundador e coordenador dos cursos do IJEP – Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (<a href="http://www.waldemarmagaldi.com/">www.ijep.com.br</a>).</p>
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		<title>O tolo de ouro (ou “o homem que não enxergou ninguém”)</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-tolo-do-ouro-ou-o-homem-que-nao-enxergou-ninguem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Luiz Balestrini Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jun 2022 14:57:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Depressão]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[alquimia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O ouro é um dos símbolos mais marcantes que representam o si-mesmo, ou seja, a totalidade da psique. Partindo dessa afirmação, trago no presente texto uma ampliação simbólica de uma pequena história chinesa de autoria atribuída ao filósofo chinês Lao Tsé entitulada “O homem que não enxergou ninguém”. </p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-tolo-do-ouro-ou-o-homem-que-nao-enxergou-ninguem/">O tolo de ouro (ou “o homem que não enxergou ninguém”)</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Da janela digital do meu computador observo atentamente a busca inconsciente quase desesperada das pessoas por <strong>sentido</strong> e <strong>significado</strong> em suas vidas. Talvez, numa época em que a transparência exagerada não fosse algo tão presente no cotidiano do ser humano, fosse mais difícil perceber tal comportamento. Mas assim, com tudo exposto, publicado, compartilhado e reproduzido de maneira massificada na internet o tempo todo, a dificuldade é não ver. No entanto, <strong>paradoxalmente</strong>, o mais difícil é o que acaba acontecendo na prática: a maioria das pessoas passa de uma imagem para outra sem prestar a menor atenção no que elas representam em suas camadas mais profundas. A vitória é dos algoritmos, representantes fiéis da sociedade do consumo e da cultura de massas.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; C. G. Jung encontrou no texto alquímico chinês chamado <em>O segredo da flor de ouro</em> a correspondência simbólica para os processos de transformações psíquicas que ele mesmo vivia em seu mundo interior; a partir daí, continuou ampliando e amplificando as imagens alquímicas encontradas nos mais variados tratados. O ouro, que já aparece inclusive no título desse texto chinês, é um dos <strong>símbolos</strong> mais marcantes que representam o <strong>si-mesmo</strong>, a totalidade e o resultado da transformação psicológica que leva à criação de consciência e ao <strong>processo de individuação</strong>.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Podemos entender o ouro como o germe do “s<em>er-um-só”, </em>é o <em>aurum philophosorum</em>, a semente que dará origem à totalidade e da qual nascerá a ave de <em>Hermes</em> que pode ser comparada a uma fênix, símbolo do constante ciclo de morte e renascimento que precisamos experienciar de maneira repetida durante nossa existência terrena. Essa ave é formada a partir dos vapores que surgem do elixir do <em>lápis philosophorum </em>que pode transformar tudo em ouro. O ouro é a meta de toda <strong><em>opus </em>alquímica</strong> (JUNG, 2011a). Ele carrega a ideia de perfeição; é como se a <strong>numinosidade arquetípica</strong> se manifestasse em sua luz celeste e divina. Em chinês o ouro é chamado de <em>Kin</em>, que etimologicamente indica algo que seria produto de uma gestação lenta, de uma transformação e do aperfeiçoamento de algo. Encontramos o mesmo princípio na <strong>alquimia</strong> ocidental: “A transmutação é uma redenção, é a transformação do homem, por meio de Deus, em Deus” (CHEVALIER; GHEERBRANT, 1990, p. 669).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A partir da ideia do ouro como representante <strong>simbólico</strong> do <strong>si-mesmo</strong>, vamos dar atenção à uma pequena história chinesa de autoria atribuída ao filósofo Lao Tsé:</p>



<p><strong><em>O homem que não enxergou ninguém<a href="#_ftn1" id="_ftnref1"><sup><strong><sup>[1]</sup></strong></sup></a></em></strong></p>



<p><em>Havia um homem no estado de Qi que desejava possuir ouro. Numa manhã ele se vestiu com sua melhor roupa e foi até o mercado local. Chegando na banca do comerciante de ouro, ele agarrou uma peça e correu como louco.</em></p>



<p><em>O policial que o prendeu perguntou: “Porque você roubou o ouro na frente de tantas pessoas?”</em></p>



<p><em>Ele respondeu: “Quando eu peguei o ouro eu não enxerguei ninguém. Tudo o que eu vi foi o ouro”. </em>(YANG, 1957, p. 21)</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Impressiona como um texto que data do século V a.C. ainda conte muito sobre o comportamento do ser humano contemporâneo, parece que aprendemos muito pouco durante esse tempo. Num breve exercício de ampliação, podemos brincar com a imagem dessa narrativa e encontrar correspondência com a vida da maioria das pessoas nos dias de hoje. A força <strong>arquetípica</strong> do ouro que, supostamente deveria ser encontrada de maneira simbólica no mundo interior, acaba projetada de maneira literal no mundo <strong>concreto</strong>. A peça de ouro que o personagem da história deseja possuir pode ser compreendida como a projeção do si-mesmo no mundo externo. Me parece que é exatamente esse o tipo de atitude que podemos observar em grande parte da população da sociedade contemporânea. Para além disso, nos dias de hoje, o ouro é transformado e confundido com as mais diversas conquistas que podem ser materiais ou até mesmo digitais. Podemos pensar em muitos exemplos, mas de uma maneira geral, mesmo os objetivos que podemos classificar como superficiais, têm por trás o desejo de <strong>poder</strong>, seja ele financeiro, econômico, social ou político.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Retomando a imagem da história, o homem, cego pelo desejo, não enxergou ninguém quando agarrou a peça de ouro. Aqui cabe a provocação: qual é ouro em nossas próprias vidas? O que temos como objetivo que nos cega fazendo com que não enxerguemos as pessoas à nossa volta? Será o dinheiro? O reconhecimento? Será o número de seguidores ou de visualizações nas redes sociais? Em qual &#8211; ou quais &#8211; objeto está projetado aquilo que só o verdadeiro autoconhecimento pode fazer surgir de maneira luminosa em nosso caminho? O ser humano se esconde atrás de valores ditados pela <strong>sociedade do consumo</strong>; encontra facilmente justificativas para as atitudes que o mantém longe do conflito ético e moral que precisa enfrentar para encontrar o verdadeiro caminho para o si-mesmo. “Esse é o meu ouro, tenho certeza!” diz a pessoa para esconder, na verdade, sua preguiça e seu medo de enfrentar o desconhecido e o sombrio que existem na sua própria psique. Quando desfazemos as <strong>projeções</strong>, somos obrigados a lidar com a realidade do mundo interior; só podemos fazer isso com disposição, prontidão e atitude para empreitar a <em>opus</em> de que tanto falaram os alquimistas.</p>



<p>Para a sociedade, nada é mais alienante e devastador do que esse comodismo e essa irresponsabilidade moral e, por outro lado, nada é mais provocante para a compreensão e a aproximação do que o abandono das projeções. Essa correção necessária requer autocrítica, uma vez que não se pode obrigar a alguém a entender suas projeções (JUNG, 2011b, p. § 577).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diferentes comportamentos ilustram essa busca literal por algo que deveria ser uma <strong>transformação</strong> simbólica e mostram o absurdo, o exagero, o descomedimento e o desespero do qual eu falava no início desse texto me referindo à transparência exagerada, patológica e muitas vezes falsa da vida digital e digitalizada. Algumas pessoas chegam ao ponto de pagar valores exorbitantes para literalmente comer o metal. Através de uma busca simples na internet, podemos encontrar as mais diferentes receitas que levam ouro em seu preparo; encontramos desde cobertura de sorvete decorada com fios de ouro até churrasco folheado com o metal. As informações são as mais diversas e confusas sobre se isso faz bem ou não ao organismo, a maioria das pesquisas mostra que, aparentemente, ingerir o metal não tem efeito fisiológico algum, nem para o bem, nem para o mal. Porém, o mais importante para a nossa <strong>análise</strong> <strong>psicológica</strong> do fenômeno é que isto serve como mais um exemplo da <strong>literalização</strong> inconsciente em busca do si-mesmo e da imortalidade que esse metal representa: o ouro, por ser um metal que não oxida, é símbolo da vida eterna; condição almejada, simbolicamente, pelos alquimistas taoistas. Para aqueles de menor poder aquisitivo, que não podem se alimentar de ouro, resta tentar a sorte em outras projeções: no trabalho incessante e compulsivo; na esperança de ganhar, de uma hora para outra, uma grande quantidade de dinheiro; na atitude de roubar o ouro literal de outros etc. Obviamente, esses comportamentos não são exclusivos daqueles que não possuem poder financeiro para ingerir ouro, na sociedade de hoje, parece que a maioria age da mesma maneira, procurando compulsivamente fora algo que poderia ser encontrado dentro. Na minha visão, um comportamento que pode ser visto como um dos maiores expoentes dessa projeção se revela no vício nas redes sociais, onde, paradoxalmente, as pessoas perseguem a imortalidade em imagens mortas dos outros e de si mesmas.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O homem que busca o ouro fora de si torna-se um ladrão que rouba de si mesmo a possibilidade de transformação; a obtenção concreta do metal precioso não é o objetivo buscado pelos verdadeiros alquimistas porque, se a argila pode ser transmuta em ouro, então as duas coisas são uma só. Somos argila e ouro e através do processo alquímico que leva à <strong>transformação</strong> e à <strong>transmutação</strong> podemos transitar entre as duas condições. A matéria é ambivalente, portanto o próprio ouro é ambivalente, assim como <em>Hermes</em>:</p>



<p>Hermes, o iniciado, o condutor de almas, o mensageiro divino e o deus do comércio, é também o deus dos ladrões, significando assim a ambivalência do ouro” (CHEVALIER; GHEERBRANT, 1990, p. 671).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Hermes é o deus do comércio e dos ladrões! Na história de que tratamos parece que ele tomou o partido do comerciante, mas talvez estivesse agindo à serviço da totalidade mostrando, através do revés, que algo precisava se tornar consciente na vida do larápio. Podemos dizer que a negação da possibilidade da experiência simbólica explicita na cegueira desejosa e literal do homem enfureceu o deus que o leva ao aparente infortúnio. Ele apanha o <strong>ouro</strong>, cego pela possibilidade de supostamente encontrar o si-mesmo, mas como não leva em conta a coletividade &#8211; não enxerga ninguém &#8211; acaba preso. Ora, sabemos que a jornada do herói só é completa quando o elixir mágico, ou seja, o tesouro conquistado, é oferecido para a coletividade. Do contrário o aventureiro não é herói, é apenas mais um ser identificado com o monoteísmo da consciência. Para o <strong>processo de individuação</strong> acontecer é preciso que seja oferecido uma contrapartida para a <strong>coletividade</strong> e tudo isso caracteriza um movimento contínuo que precisa ser repetido sempre e de novo. Afinal, falamos aqui de um processo dinâmico que não alcança a estase enquanto estivermos aprisionados em nossa dimensão corpórea, até a morte será preciso lidar com a sombra.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para encerrar esse pequeno ensaio, retomo a provocação proposta anteriormente: será que aquilo que buscamos em nosso cotidiano é uma expressão verdadeira do <strong>mito</strong> do nosso <strong>significado</strong> individual, ou será que somos apenas tolos correndo atrás de algum ouro enquanto não enxergamos as pessoas à nossa volta?</p>



<p>José Balestrini &#8211; Membro Analista do IJEP; Analista Didata em Formação do IJEP</p>



<p>Analista Didata Responsável &#8211; Waldemar Magaldi</p>



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<p>Imagem utilizada para fins educacionais segundo a licença: HBR, CC BY 3.0 &lt;https://creativecommons.org/licenses/by/3.0&gt;, via Wikimedia Commons; pode ser encontrada em: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Chinesischer_Goldbarren.JPG">https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Chinesischer_Goldbarren.JPG</a></p>



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<p><a href="#_ftnref1" id="_ftn1"><sup>[1]</sup></a> Essa é uma tradução livre do autor; o texto original em inglês pode ser encontrado no livro citado nas referências.</p>
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		<item>
		<title>Vida: Sentido e Significado à Luz da Psicologia Junguiana</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/vida-sentido-e-significado-a-luz-da-psicologia-junguiana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Mar 2022 13:51:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
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		<category><![CDATA[significado da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há mais de trinta anos, cotidianamente, atendo várias pessoas que me procuram com o intuito de aliviar sentimentos de mal estar físico e ou psíquico. É interessante notarmos que &#8220;mal estar&#8221;, literalmente, significa que o indivíduo não está aonde deveria ou, idealmente, gostaria de estar. Ou seja, a pessoa está em desarmonia com sua vida. [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há mais de trinta anos, cotidianamente, atendo várias pessoas que me procuram com o intuito de aliviar sentimentos de mal estar físico e ou psíquico. É interessante notarmos que &#8220;mal estar&#8221;, literalmente, significa que o indivíduo não está aonde deveria ou, idealmente, gostaria de estar. Ou seja, a pessoa está em desarmonia com sua vida. Não está satisfeita com seu corpo, família, trabalho, condição socioeconômica, relacionamento íntimo ou na conexão com o sagrado. Por isso surgem os sintomas de adoecimento em uma ou em todas essas seis áreas em que o ser humano precisa e deve transitar.</p>



<p><strong>A doença, por sua vez, representa tanto a incapacidade da pessoa transitar e atender essas seis demandas, quanto o fato de estar vivendo de forma unilateral, monotemática e singular, ficando fixada em fatos, condicionamentos ou diagnósticos, inviabilizando a pluralidade e diversidade da vida.</strong> A doença acontece quando a pessoa se esquece de que a vida é, essencialmente, a necessidade da perpetuação e aprimoramento da espécie diante da contínua experiência da impermanência e transmutação na diversidade cósmica que pode ser: <strong>divertida, adversa, caótica, anárquica, hierárquica, rígida, traumática, dramática, alegre, triste, prazerosa, ordinária, extraordinária ou dolorosa.</strong></p>



<p>A vida depende da troca e a doença, por sua vez, teme a troca, estimulando o acúmulo, a competição e, consequentemente, a manutenção das desigualdades em qualquer instancia. O altruísmo leva à saúde e o egoísmo à doença, porque o egoísmo é inerente à insegurança.&nbsp; <strong>O autoconhecimento gera autoconfiança e fé para que as trocas possam acontecer livremente, mas a baixa autoestima gera insegurança, infelicidade e egoísmo, devido ao medo de trocar confiante diante da vida. </strong>No caminho do autoconhecimento a pessoa pode compreender que ninguém pode dar o que não tem, mas também não irá receber o que não deu, tornando-se a mudança que idealiza ser.</p>



<p>Compreendo que assumir a vida em sua plenitude não é uma tarefa fácil.<strong> Viver, fatalmente, nos leva à frustação. </strong>Porque a realidade, com toda sua diversidade, sempre apresenta o imponderável, a incerteza e as novidades imprevisíveis que nos tiram da zona do conforto. Mas, apesar de todas essas adversardes, evoluímos e aprimoramos. Isso é muito mais interessante do que a atitude defensiva dos &#8220;engenheiros de obra pronta&#8221;, que acreditam saber de tudo, criticando, explicando, diagnosticando e até predizendo o futuro, sem correrem o risco de viver.</p>



<p>É incrível vermos indivíduos, incluindo profissionais de saúde, opinarem a respeito do matrimonio, dos filhos, de empreendimentos e outras empreitadas adversas e arriscadas da natureza humana, sem terem tido a experiência! Geralmente são indivíduos amedrontados e acovardados, defendidos em suas teorias reducionistas e dogmáticas, de base científica e ou religiosa, que servem para aliviar ou deixa-los alienados do mal estar de suas vidas. Entregam-se parcialmente aos processos e ficam, defensivamente, apoiados em suas certezas. Porém, como a vida atravessa tudo e todos, em algum momento a crise irá acontecer e o chamado para o autoconhecimento levará, inevitavelmente, para as trocas e, consequentemente, para a vida. Porque ninguém tem a capacidade de transformar ninguém, mas ninguém consegue se transformar sozinho!</p>



<p><strong>Na realidade, na visão junguiana, quem não se entrega ao processo de individuação, ficando defensivamente acomodado na zona do conforto, deixa de cumprir o propósito e o significado da vida que é, além de espiritualizar o humano e humanizar o espírito, civilizar a psique, para poder compreender que só é possível ser na condição de servir!</strong></p>



<p class="has-text-align-right"><strong>Autor: Waldemar Magaldi</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O Contemporâneo e o Moderno: Cronos e Kairós</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-contemporaneo-e-o-moderno-cronos-e-kairos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Mar 2022 18:29:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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		<category><![CDATA[tempo]]></category>
		<category><![CDATA[waldemar magaldi]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;O mundo em que penetramos ao nascer, é brutal e cruel &#8211; ao mesmo tempo é de uma beleza divina. É uma questão de temperamento acreditar no predomínio do que faz sentido ou do que não faz sentido. Se este último dominasse de maneira absoluta, o aspecto sensato da vida desapareceria cada vez mais, em [...]</p>
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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;O</em> <em>mundo em que penetramos ao nascer, é brutal e cruel &#8211; ao mesmo tempo é de uma beleza divina. É uma questão de temperamento acreditar no predomínio do que faz sentido ou do que não faz sentido. Se este último dominasse de maneira absoluta, o aspecto sensato da vida desapareceria cada vez mais, em função da evolução. Mas não é, ou não me parece ser o caso. Como em toda questão de metafísica, ambos são provavelmente verdadeiros: a vida é sentido e não-sentido, ou possui sentido e não-sentido.Tenho a ansiosa esperança que o sentido prevalecerá e ganhará a batalha&#8221;. </em></p><cite><strong>C. G. Jung &#8211; Memórias, Sonhos e Reflexões</strong></cite></blockquote>



<p><strong>Cronos e Kairos</strong> são dois seres mitológicos advindos da cultura greco-romana. <strong>Cronos</strong> refere-se ao tempo de <strong>Saturno</strong> que é cronológico, quantitativo, lógico e sequencial, o tempo que se mede, o tempo que nos resta para a morte, o &#8220;tempo dos homens&#8221; &#8211; que pode ser dividido em anos, meses, semanas, dias, horas, etc. <strong>Kairós</strong> representa o tempo de <strong>Urano</strong>, um momento indeterminado onde algo especial acontece, é a experiência do momento oportuno, teleologicamente, é usado para descrever a forma qualitativa do tempo, o &#8220;tempo de Deus&#8221; &#8211; que não pode ser medido e, por isso mesmo, supera o medo da morte, representado pela expressão latina: Carpe Diem.</p>



<p><strong><strong>Cronos</strong></strong>, na mitologia, castrou seu pai <strong>Urano</strong>, estabelecendo logos aos Caos, assumindo o poder e o trono de seu pai, passando a devorar seus filhos, para evitar futuros oponentes. Por isso, essa perspectiva do tempo é devoradora. Ele também é associado à  figura das três Parcas ou Moiras, as &#8220;Fiandeiras do Destino&#8221;, filhas de Nyx, deusa da noite: Clotho é a tecelã, responsável por tecer o destino com seu fuso mágico, Lachesis é a medidora, distribui e avalia o fio da vida e Atropos, a que corta e dá fim à vida. Ele é cíclico e representa as estações e o tempo rítmico do Sol, entre dormir e acordar, nascer e morrer.</p>



<p><strong>Kairós</strong>, por sua vez, nos dá a capacidade artística de compreender a qualidade do tempo. O tempo certo de cada coisa, que nos possibilita transformar o presente num agradável&nbsp;presente! É simultaneamente o tempo de ter tempo, perder tempo e se entregar ao tempo, com paz e fé. O tempo do encantamento, do&nbsp;Once Upon a Time&nbsp;&#8211; o era uma vez dos contos de fadas. É o tempo do agora, indo além da ilusão do tempo do relógio, com peso, cheiro, cor, sabor e som únicos, que nos faz&nbsp;re-cor-dar&nbsp;&#8211; lembrar para sempre, gravando na memória do coração, decorando, aquela experiência que pode representar toda a existência em apenas um&nbsp;atmo&nbsp;de tempo. Em função da existência do tempo de&nbsp;Kairós&nbsp;nenhum experimento é passível de ser repetido nas mesmas condições, porque cada momento é único. Abalando toda base da ciência mecanicista causal, por ser impossível controlar todas variáveis, por conta do princípio da incerteza e pela influência dos observadores, impossibilitando reproduzir o passado!</p>



<p><strong>Carl Gustav Jung&nbsp;</strong>(1875-1961), uma das mais vigorosas expressões da ciência psicológica, trabalhou muito mais a serviço do tempo de&nbsp;Kairós,&nbsp;sempre comprometido com a ampliação da consciência do homem contemporâneo, que é menos abrangente que o homem moderno, por&nbsp;não saber reconhecer e integrar seus aspectos primitivos e ancestrais, presentes na sombra individual e coletiva. Desta forma, passamos a perceber que o homem contemporâneo, sem o engajamento com a modernidade, torna-se um ser individualista, consumista, alienando de si mesmo, tornando-se anestesiado, apesar de normoticamente adaptado a essa sociedade doente e cada vez mais dependente de substâncias psicoativas, lícitas ou ilícitas, e de uma infinidade de produtos supérfluos e descartáveis, num crescente desencantamento do mundo e dessacralização da vida!</p>



<p>O homem contemporâneo, preso exclusivamente no tempo de <strong><strong>Cronos</strong></strong>, fica oscilando entre as mágoas ou culpas do passado e a ansiedade ou medo do futuro, cada vez mais angustiado com a celeridade do tempo e o sentimento de falta de tempo. Devido sua incapacidade de tirar proveito saudável e pedagógico do passado ou de fazer planejamento com significado e sentido para sua evolução existencial, perde-se de si mesmo. Essa condição acaba, de forma defensiva e reativa à depressão, fazendo-o buscar apenas o consumo e o acúmulo material, negando a dimensão espiritual e, consequentemente, a paz. Isso faz com que ele confunda amor com desejo, transformando toda sua vida numa rotina de conquistas materiais e efêmeras. Uma outra metáfora para representar o contemporâneo e o moderno está na metáfora que <strong>Jung</strong> usa no Livro Vermelho (Liber Novus), fazendo a diferenciação entre o espírito da época e o espírito da profundeza:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;O espírito dessa época disse-me em voz baixa: ‘Este sentido supremo, esta imagem de Deus, esta interfusão do quente e do frio, isto és somente tu. Mas o espírito da profundeza falou-me: ‘Tu és uma imagem do mundo infinito, todos os últimos mistérios do vir a ser e do cessar de ser moram em ti. Se não possuísses tudo isso, como poderias conhecer?&#8221;</em></p><cite><strong>Carl Gustav Jung, Liber Novus</strong></cite></blockquote>



<p>Enquanto o homem contemporâneo é um conceito cronológico que representa a totalidade dos indivíduos viventes, ligados ao espírito da época, o homem moderno é aquele que se diferencia da massa, por ter profunda consciência do presente, integrando-a ao espírito das profundezas, para que seu chamado teleológico e seus conteúdos imanentes, advindos do inconsciente coletivo, possam se expressar, egoicamente, no seu engajamento ao processo de individuação, visando sua transcendência. Óbvio que, diante das &#8220;tentações&#8221; do prazer sensorial, em todos os sentidos, da sexualidade, da vaidade e da riqueza, onde a ilusão do poder e do controle, promete ao homem contemporâneo muita alegria e sucesso, fica cada vez mais difícil, abrir mão desta promessa espetacular, ainda que vazia e líquida, para entranhar-se nos mistérios do amor, enfrentando a sombra, colocando em risco a persona do puritano realizado, até encontrar o sangue do dragão, o estado alquímico da rubedo, para contribuir na realização da alma.</p>



<p>Neste sentido, a prática das terapias, com abordagens junguianas, <strong>tem objetivo de despertar o ser moderno e a percepção do tempo de&nbsp;Kairós, no homem contemporâneo.</strong> Alinhando-o com o presente, consciente e consequente da sua trajetória temporal, do passado rumo ao futuro, com sentido e significado existencial, comprometido com a história e com a cultura, numa atitude de amor, valorizando o pleno exercício da liberdade, devido a prática da alteridade, e da consciência de si mesmo, apesar das contínuas e presentes interferências do Estado, do mercado e muitas instituições religiosas que, equivocadamente, podem tentar afastá-lo, simultaneamente e reciprocamente, destas conquistas! Para que a Paz e o Bem estejam com ele e sejam praticados por ele, todo tempo, na dinâmica do: <strong>Servir para Ser</strong>! Conscientemente engajado no processo de individuação que, em última instância, é a consecução teleológica presente na imanência do nosso Self, de acordo com esta citação de Jung, no livro Símbolos da Transformação &#8211; §99.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>&#8220;Como o inconsciente impôs aos homens em última análise um destino espiritual em sentido mais amplo e em grau cada vez maior, foi desta experiência que resultou o conceito de que a figura de Deus é um espírito e este deseja o espírito. Isto não é invenção nem do cristianismo nem dos filósofos, mas uma experiência humana primitiva que também o ateu confirma. (Neste caso trata-se apenas daquilo de que se fala, não de sua aceitação ou negação.) A outra definição de Deus por isto diz: &#8220;Deus é Espírito&#8221;. A imagem pneumática de Deus acentuou-se de forma especial no Logos, conferindo ao &#8220;amor&#8221; que provém de Deus um caráter especial, isto é, o da abstração, como o encontramos no conceito do amor cristão.&#8221;</em></p><cite>Carl Gustav Jung, Símbolos da Transformação</cite></blockquote>



<p class="has-text-align-right"><strong>Autor: Waldemar Magaldi</strong></p>
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		<title>Quando a positividade é tóxica?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/quando-a-positividade-e-toxica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tania Pulier Garrido]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Aug 2021 11:49:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[positividade tóxica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Pense positivo”, “vai dar tudo certo”, “querer é poder”, “mentalize o que deseja e se tornará realidade”, “basta acreditar”&#8230; Essas e outras frases otimistas pululam nas redes sociais diariamente, criando uma verdadeira “cultura do pensamento positivo”. Como essa pessoa “pra cima”, que “segue em frente”, “cheia de energia” combina com o ideal da sociedade de [...]</p>
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<p>“Pense positivo”, “vai dar tudo certo”, “querer é poder”, “mentalize o que deseja e se tornará realidade”, “basta acreditar”&#8230; Essas e outras frases otimistas pululam nas redes sociais diariamente, criando uma verdadeira “cultura do pensamento positivo”. Como essa pessoa “pra cima”, que “segue em frente”, “cheia de energia” combina com o ideal da sociedade de consumo — basta ver os modelos das diversas propagandas —, esse tipo de ensinamento ganha força, surgindo inclusive treinamentos e técnicas para reforçá-lo. Passa a ser uma mentalidade comum, algo que as pessoas dão como certo e normativo e ao que, diante de uma dificuldade própria, tentam se encaixar e, diante da dificuldade de outro, usam como conselho. Mas até que ponto tamanho otimismo é saudável?</p>



<p>Alguns profissionais da saúde mental vêm partilhando suas preocupações com esse tipo de atitude que busca escapar do negativo para evitar o sofrimento, sufocando as emoções. E até nome já foi cunhado para ela: positividade tóxica. Segundo reportagem da BBC News<a href="https://www.ijep.com.br/artigos/show/quando-a-positividade-e-toxica#_edn1">[i]</a>, é</p>



<p>precisamente nisso que consiste a positividade tóxica ou positivismo extremo: impor a nós mesmos — ou aos outros — uma atitude falsamente positiva, generalizar um estado feliz e otimista seja qual for a situação, silenciar nossas emoções ‘negativas’ ou as dos outros.</p>



<p>A maior toxina do excesso de positividade é, negando o polo oposto, fugir das próprias emoções e acabar por se perder de si mesmo. A negação é, portanto, desonestidade consigo (consequentemente com os outros) e bloqueia em lugar de libertar.&nbsp;</p>



<p>Refletir sobre essa tendência atual à luz da Psicologia Analítica é o objetivo deste artigo, que pretende evidenciar o círculo vicioso no qual se cai ao não se assumir as emoções que fazem parte, indo contra o fluxo natural da energia psíquica.&nbsp;</p>



<p><strong>O avanço e o retrocesso da energia psíquica</strong></p>



<p>Em sua obra&nbsp;<em>Símbolos da transformação</em>, Jung conceitua a energia psíquica, ou libido, de forma ampla, abrangendo todas as dimensões do humano, do corpo ao espírito. Para ele, a libido</p>



<p>é um&nbsp;<em>appetitus</em>&nbsp;em seu estado natural. Filogeneticamente são as necessidades físicas como fome, sede, sono, sexualidade, e os estados emocionais, os afetos, que constituem a natureza da libido. [&#8230;] Esta consideração nos leva a um conceito de libido que se amplia para um conceito do ‘tender para’ de modo geral. [&#8230;] É mais prudente, por isso, ao falarmos de libido, entender com este termo um valor energético que pode transmitir-se a qualquer área, ao poder, à fome, ao ódio, à sexualidade, à religião etc., sem ser necessariamente um instinto específico. (2018b, §§194 e 197)</p>



<p>Diverge, portanto, de Freud, que considera a libido apenas no aspecto da sexualidade. Sinteticamente Jung fala dela como “força do desejo e do anseio” (2016, §98), como “a intensidade do processo psíquico, [&#8230;] sua força&nbsp;<em>determinante</em>” (2020, §869).&nbsp;</p>



<p>A psique é um sistema relativamente fechado, com uma quantidade de energia constante, de distribuição variável, isto é, que não aumenta ou diminui, mas se movimenta dinamicamente. Assim, quando se fala no senso comum “estou cheio de energia!” ou “estou sem energia”, na verdade não houve acréscimo ou diminuição de libido, apenas um deslocamento da energia, como diz Jung: “após o desaparecimento de um&nbsp;<em>quantum</em>&nbsp;de libido, surge um valor correspondente sob outra forma.” (2016, §35)</p>



<p>De fato, a energia psíquica pode se movimentar em vários sentidos, pois tem um dinamismo, sustentado na contraposição de pares de opostos. Um dos eixos do movimento é a progressão e a regressão. A primeira é orientada pela consciência e se trata de uma adaptação ao ambiente, às demandas externas. Nela, os pares de opostos estão de certa forma integrados, ocorrendo um avanço diante das exigências da vida, na resolução de conflitos e tomadas de decisão. Que os polos estejam integrados ou em equilíbrio significa que um está na consciência e o outro no inconsciente.</p>



<p>O tempo corre para a frente, é progressivo, e assim é o nosso movimento adaptando-nos ao ambiente, às circunstâncias, às exigências da vida, determinando “a direção do caminho escolhido e desejado”, “uma possibilidade particular, à custa de todas as outras” (JUNG, 2018a, §136). Os elementos psíquicos que são ou parecem ser incompatíveis com essa direção ficam inibidos.</p>



<p>No entanto, o mundo, em constantes mudanças, cada vez mais rápidas, coloca novos desafios, e chega um momento em que algo surge como um obstáculo que nos paralisa, diante do qual não conseguimos continuar, pois não temos atitude adequada para lidar com a situação. Como diz o famoso verso de Drummond, “no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”.</p>



<p>Nessa hora, a libido começa a se represar diante do obstáculo, e o outro polo do par de opostos, no inconsciente, vai ganhando energia. Na mesma medida em que a atitude consciente, agora não mais adaptada, perde valor, “aumenta o valor de todos aqueles processos psíquicos, os quais, devido à adaptação, não são levados em conta”; antes mantidos afastados, agora “são forçados a ultrapassar o limiar da consciência” (JUNG, 2016, §63).&nbsp;</p>



<p>Esse é o movimento da regressão, levado pelo inconsciente pela necessidade de adaptação ao mundo psíquico interior. Ao falhar a atitude consciente, “uma atitude totalmente voltada para o mundo interno tornar-se-á indispensável, e isso pelo tempo necessário até atingir o ajustamento”, quando a progressão poderá ser retomada (JUNG, 2016, §67). Na regressão, portanto, a pessoa é levada a retomar algo do que ficou para trás na adaptação externa, precisa considerar um aspecto que desconsiderou ou até reprimiu porque a consciência tomou como inadequado. E, claro, esses aspectos não vêm à tona de maneira agradável, uma vez que não foram até então utilizados, exercitados, desenvolvidos. Vêm como vêm, às vezes como uma explosão, outras como uma prostração, mas trazem aquilo que faltou, mesmo que de forma embrionária.</p>



<p>O que a regressão traz à luz é realmente um fundo de lodo. [&#8230;] neles podemos vislumbrar não só restos incompatíveis — e por isso rejeitados — da vida cotidiana, ou tendências condenáveis [&#8230;], mas [&#8230;] os germes de novas possibilidades de vida. (JUNG, 2016, §63)</p>



<p>Assim, como o próprio Jung explica (cf. 2016, §§ 69-70), não é possível assemelhar progressão a evolução nem regressão a retrocesso. O passo atrás é necessário para a pessoa integrar aspectos de si mesma antes “desconhecidos” e que respondem aos novos desafios, voltando a seguir em frente.</p>



<p>A pessoa humana [&#8230;] só pode corresponder de forma ideal à necessidade externa se também estiver ajustada ao seu próprio mundo interno, isto é, se estiver em harmonia consigo mesma. E, inversamente, ela só pode ajustar-se a seu próprio mundo interno e alcançar a harmonia consigo mesma se também estiver adaptada às condições do ambiente. (JUNG, 2016, §75).</p>



<p><strong>O círculo vicioso da polarização na positividade</strong></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando temos que exercitar a repetição positiva, o mantra “vai dar tudo certo”, provavelmente é porque nos deparamos com o “negativo”, a dificuldade e os obstáculos, com a própria insuficiência diante de novos desafios. No meio do caminho tem uma pedra. Tropeçamos nela, e isso dói. Adianta fechar os olhos e negar tanto a pedra como a dor? Levar a positividade ao extremo só aumenta o sofrimento do qual se quer fugir e impede a evolução.</p>



<p>Como vimos, o movimento da energia psíquica faz um constante equilíbrio-desequilíbrio nos pares de opostos que estruturam a psique — bem e mal, alegria e tristeza, fé e dúvida, céu e terra, otimismo e pessimismo etc. O processo de amadurecimento se dá em meio a conflitos e dificuldades, na vida, através dos encontros e desencontros, erros e acertos, conhecimento e ignorância, passagens e obstáculos.</p>



<p>Assim, a regressão está a serviço do desenvolvimento psíquico, pois quando ela ocorre é que é possível trazer algum conteúdo para ser integrado na consciência, ampliando-a. Parece bonito, mas, na prática, diante das barreiras que encontramos e nos paralisam, na dimensão que for — profissional, afetiva, familiar, de saúde, financeira —, perdemos o sono, sentimos tristeza, desânimo, raiva, ansiedade e até dores físicas. É o momento de lidar com isso, de não fechar os olhos, mas reconhecer os sentimentos e olhar para o que vem daí, as imagens que surgem, as fantasias, escutar-se, prestar atenção nas memórias, nos sonhos, no que o acompanhamento psicoterapêutico muito ajuda.</p>



<p>Se a pessoa, no entanto, negar — “está tudo bem” —, isso não vai deixar de existir, mas capturá-la. Ao não reconhecer, passa a viver aquilo, com o qual fica identificada. “Identificação é um alheamento do sujeito de si mesmo em favor de um objeto que ele, por assim dizer, assume [&#8230;], caindo sua verdadeira individualidade em poder do inconsciente.” (JUNG, 2020, §§ 825-826). Não é à toa o índice de depressão atual e a venda cada vez maior de antidepressivos. Quanto mais a pessoa nega a tristeza e a indisposição, mais cresce esse polo, tornando-se um círculo vicioso. Se não assumir o seu real estado, olhando para o que a interioridade quer trazer à consciência, não sairá dele.</p>



<p>A interioridade não interessa, no entanto, à cultura atual, que fomenta pessoas “cheias de energia”, empoderadas, sempre em frente, que são as que consomem,<em>&nbsp;performam</em>, produzem. Esse é o “ideal” apresentado, que está por trás da positividade doutrinada, e antinatural. Para manter-se aí, só com muita medicação — também objetos de consumo, vide a quantidade de vitaminas, energéticos, ansiolíticos, estimulantes e até “bombas” — e grande parcela de mentira, para si e para os demais. É preciso sorrir sempre, dar conta de tudo, fazer mil coisas ao mesmo tempo, tirar foto diante da delícia gastronômica e com o abdome trincado, exibir conquistas, não se abalar por nada. Alguém vive assim mesmo? Muitos se esforçam por viver. A serviço de quê?</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto fortalecem o sistema, enfraquecem a própria humanidade. A sabedoria dos antigos considerava forte a pessoa experimentada, ou seja, que já passou “por poucas e boas” na vida, por montes e vales. Jung mostra que no conflito se gera força e estabilidade. “Após fortes oscilações iniciais, os opostos vão se equilibrando, e pouco a pouco surge uma nova atitude, cuja estabilidade resultante é tanto maior quanto maiores eram as diferenças iniciais.” (2016, §49). Viver o fluxo da vida gera fortaleza interior na ampliação da consciência.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ficar na unilateralidade, querendo apenas um lado, forma pessoas frágeis, que quebrarão na primeira tormenta, e quanto mais lutarem contra o medo, a dor, o sofrimento, a perda de entusiasmo, com mais força eles virão, aí se lutará mais, na afirmação da positividade, aumentando o polo oposto até arrebentar. É neste momento que se instala um terreno fértil para o adoecimento, por exemplo, uma depressão, um câncer, um infarto, ou até mesmo uma fratura.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pessoa vai ao encontro do que mais teme. Negando o sofrimento, sofre mais. Portanto, a positividade que nega o seu contrário é tóxica e prejudicial à saúde. A aceitação e acolhida da vida com tudo o que ela traz, por fora e por dentro, com seus opostos e contradições, é um caminho de saúde integral.</p>



<p>Tania Pulier — analista em formação/IJEP</p>



<p>Lilian Wurzba — analista didata/IJEP</p>



<p>Referências:</p>



<p>Jung, Carl Gustav.&nbsp;<em>A energia psíquica</em>. Petrópolis: Vozes, 2016.</p>



<p>___.&nbsp;<em>A natureza da psique</em>. Petrópolis: Vozes, 2018a.</p>



<p>___.&nbsp;<em>Símbolos da transformação</em>. Petrópolis: Vozes, 2018b.</p>



<p>___.&nbsp;<em>Tipos psicológicos</em>. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p><a href="https://www.ijep.com.br/artigos/show/quando-a-positividade-e-toxica#_ednref1">[i]</a>&nbsp;BLASCO, Lucía. O surpreendente efeito da positividade tóxica na saúde mental.&nbsp;<em>BBC News Mundo</em>, 14 dez. 2020. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55278174. Acesso em: 29 jun. 2021.</p>



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<h4 class="wp-block-heading" id="h-tania-pulier"><strong><em>Tania Pulier</em></strong></h4>
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		<title>O lugar da fantasia e dos desejos pessoais diante dos papéis e convenções num relacionamento íntimo</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-lugar-da-fantasia-e-dos-desejos-pessoais-diante-dos-papeis-e-convencoes-num-relacionamento-intimo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcella Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jun 2021 22:55:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Casamento]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
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		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que difere um relacionamento de amizade de um relacionamento íntimo como o casamento é o sexo. Muito se fala sobre sexo, algumas vezes de forma extremamente mecânica e cheio de regras, quase que um protocolo a se seguir, porém, resultando em julgamentos e ações de pouca intimidade de fato.&#160; E antes de desenvolver minha [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>O que difere um relacionamento de amizade de um relacionamento íntimo como o casamento é o sexo. </strong>Muito se fala sobre sexo, algumas vezes de forma extremamente mecânica e cheio de regras, quase que um protocolo a se seguir, porém, resultando em julgamentos e ações de pouca intimidade de fato.&nbsp;</p>



<p>E antes de desenvolver minha ideia sobre o tema, gostaria de fazer algumas pontuações importantes, para que os recortes dados neste artigo possam ser compreendidos por todos: ao usar a palavra ‘<strong>casamento</strong>’&nbsp;também considerarei qualquer tipo de relacionamento íntimo estável. Como as referências citadas usam como ilustração de casal um homem e uma mulher, manterei pela norma, mas peço para que considerem também outras possibilidades de união, afinal, a dinâmica psíquica no <strong>relacionamento</strong> que abordarei neste texto é do ser humano, logo, respeita toda forma de <strong>amor</strong>.</p>



<p>Entre inúmeros fatores que podem atrapalhar a questão sexual num casamento como estresse, cobranças, autoestima, etc., pouco se fala sobre o papel da <strong>fantasia</strong> e dos desejos diante da dinâmica de um casal. E é este o ponto que eu quero trazer para reflexão neste artigo. <strong>Qual é o lugar da fantasia e dos desejos mais íntimos diante dos papéis e convenções que o casamento pode aflorar?</strong></p>



<p>Segundo <strong>Jung</strong>, em um <strong>casamento</strong> encontramos a experiência individual de duas pessoas atuando concomitantemente com a parte que cabe a cada um no próprio relacionamento. Desta forma, devemos considerar e analisar a “psicologia do relacionamento e não apenas psicologia de um indivíduo isolado. É até&nbsp;difícil separar o que são partes individuais das partes que pertencem ao relacionamento”. (JUNG, 1991, 602s) Ou seja, além de olhar para os conteúdos que cada pessoa vivencia na relação, precisamos também notar como o próprio casamento vai se desenhando, qual forma ele toma, com quais características, necessidades e sombras. Pois, tomando o lugar de um ‘terceiro elemento’ atuando, o casamento em si também precisa ser contemplado na dinâmica da intimidade.&nbsp;</p>



<p>E talvez seja este ponto que nos impacta tanto. O casamento até então como relacionamento ou união de pessoas que se amam e desejam compartilhar uma história em comum se torna uma instituição casamento, carregado de tradições, regras, exigências, carregado de conteúdos simbólicos que se sobrepõem a própria experiência compartilhada do casal. Podemos então considerar que o casamento em si vem acompanhado de um conteúdo arquetípico que acaba influenciando a psique individual. Jung cita que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>(&#8230;) todos nós somos casados assim, de acordo com antiquíssimas regras, ideias consagradas, tabus, etc. O casamento é um sacramento com leis irrevogáveis; devemos criticar os costumes, não as pessoas individualmente. (JUNG, 1991, 91)&nbsp;&nbsp;</p></blockquote>



<p>Por mais que o casamento tenha uma influência arquetípica,&nbsp;“em períodos históricos diferentes, casamento e família também tiveram significados diferentes. Todas as instituições sociais, inclusive casamento e família, estão continuamente se modificando”. (GUGGENBUHL-CRAIG, 1980, p.21) Agora, é curioso como mesmo tendo muitas possibilidades de reescrever a história desta vivência, continuamos olhando para o casamento como um grande sacrifício que exige dos parceiros dedicação e confronto constante diante dos anseios pessoais e também coletivos do casal. E de fato, é algo inerente ao casamento a constante reavaliação, entrega e ponderação entre os parceiros que desejam usar esta experiência como uma oportunidade de autoconhecimento e ampliação da consciência. Como tudo na nossa vida, a experiência do casamento também é um grande paradoxo.&nbsp;</p>



<p>Para que se tenha uma troca saudável entre os parceiros é preciso que duas pessoas inteiras – e não perfeitas, vale lembrar – estejam disponíveis para a relação. Quando o <strong>casamento</strong> como uma instituição se torna maior ou mais importante do que a vivência em si, perdemos a qualidade do relacionamento e, consequentemente, a qualidade da sexualidade entre o casal.&nbsp;</p>



<p>Da mesma forma, quando os conteúdos individuais são deixados de lado para vivenciar apenas os protocolos da relação, o casal acaba priorizando os papéis e as funções e, como Jung explica, “(&#8230;) A vontade própria que mantém o “eu” é rompida, a mulher torna-se mãe, o homem torna-se pai e assim ambos são privados da liberdade e transformados em instrumentos da vida que continua. (JUNG, 2013, §330). Quando isto acontece, a sexualidade é fortemente prejudicada e consequentemente, a espontaneidade dos parceiros em compartilhar todos os desejos íntimos se enfraquece, isso quando não se perde totalmente no contexto das funções.&nbsp;</p>



<p>Importante também diferenciar sexualidade do sexo. Tecnicamente falando, sexualidade e genitalidade devem ser olhados como algo distinto. Nem sempre o casal que tem uma prática sexual ativa tem uma sexualidade saudável, que garante conexão, prazer, intimidade e troca entre os parceiros. Quando os papéis se tornam maiores do que as individualidades num casamento, percebemos primeiramente o enfraquecimento da sexualidade com consequente perda na qualidade e prazer no ato sexual.&nbsp;</p>



<p>Neste sentido, como podemos então entender a sexualidade? Sua atuação dentro de um relacionamento íntimo&nbsp;é muito mais ampla, “implica necessariamente o envolvimento de quatro dimensões: afetividade, emoção, comunicação e prazer” (NORONHA, LOPES e MONTGOMERY, 1993, p.48)</p>



<p>O <strong>sexo</strong> enquanto experiência natural e cultural se transformou ao longo dos anos em sexualidade, ou seja, foi capaz de assumir qualidades e significados além do ato sexual e da penetração, como também na parte <strong>emocional, afetiva, social, erótica, e se resgatou seu caráter espiritual.&nbsp;</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>(&#8230;) o sexual não é redutível ao genital. Assim, sexualidade não designa apenas as atividades e o prazer que dependem do funcionamento do aparelho genital, mas envolve toda série de excitações e de atividades presentes desde a infância, que proporcionam prazer irredutível à satisfação de uma necessidade fisiológica fundamental (como respiração, fome) e que estão, a título de componentes, na chamada forma normal do amor sexual (TEDESCO e CURY, 2007, p.28)</p></blockquote>



<p>É&nbsp;no&nbsp;âmbito da sexualidade que o desejo e admiração entre o casal se tornam evidentes pois fazem parte da manutenção da libido sexual, do autoconhecimento e do jogo erótico de sedução dos parceiros. Quando o casal se perde nos papéis e convenções, as funções acabam tomando o lugar do erótico, tão vital para a exploração e cumplicidade no relacionamento. É comum vermos queixas que ao longo dos anos o casal perde o toque, o beijo, o olhar para o outro e também para si próprio. A sexualidade afetiva acaba se tornando também uma função, até mesmo no ato sexual; em muitos casos com mais obrigações do que prazer.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A fusão sexual expressa a ponte que une, em nós, todas as incompatibilidades e oposições predominantes. Até certo ponto, o homem e a mulher completam um ao outro, e até certo ponto não estão, de forma alguma, sincronizados um ao outro. No ato de amor, toda polaridade e fragmentação do ser é superada. Aí está seu fascínio (&#8230;) O ato de amor é, acima de tudo, muito mais que uma expressão de relacionamento pessoal entre um certo homem e uma certa mulher. É um símbolo que vai além do relacionamento pessoal. (GUGGENBUHL-CRAIG, 1980, p.103)</p></blockquote>



<p>Se pensarmos que o sexo é algo natural e ligado aos nossos instintos, o que nos desperta prazer e desejo é&nbsp;também algo ligado a individualidade de cada um. A variedade das fantasias e vivências sexuais são tão múltiplas quanto a variedade psíquica. No universo das <strong>fantasias</strong> podemos olhar para nós como um outro, podemos nos experimentar em diferentes peles e situações, podemos, inclusive, nos aproximar de possibilidades que não necessariamente bancaríamos (ou precisaríamos) viver no mundo concreto.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A sexualidade entendida como uma forma de relacionamento interpessoal entre um homem e uma mulher também não abrange a totalidade do fenômeno. A maioria das fantasias sexuais são vividas independentemente do relacionamento humano; estão ligadas às pessoas com as quais dificilmente se pode ter qualquer relacionamento ou com quem um relacionamento seria impossível (GUGGENBUHL-CRAIG, 1980, p.91)</p></blockquote>



<p>Se olharmos para as fantasias como algo vivo e dinâmico da nossa intimidade, conseguimos compreender tantos outros elementos simbólicos que nos afetam e também influenciam nossas relações. Ao invés de vivenciarmos esses desejos como algo sombrio, poderíamos viver ou ao menos olhar para esses aspectos como parte da nossa totalidade psíquica. No livro “O casamento está morto. Viva o casamento!”&nbsp;Guggenbuhl-Craig propõe o exercício de olharmos para a sexualidade e fantasias como parte do processo de individuação, pois, sendo também essencial para o relacionamento íntimo, ajudaria os próprios parceiros a lidar com as questões não olhadas na psique. Se uma das tarefas do processo de individuação&nbsp;é trazer para a consciência parte dos conteúdos da sombra &#8211; tanto pessoal quanto coletiva e também arquetípica -, as fantasias seriam também porta de acesso a esses conteúdos, e talvez por isto, as pessoas tenham tanto temor em entrar em contato com seus desejos íntimos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>A individuação necessita de símbolos vivos. Mas onde, hoje em dia, encontramos símbolos vivos atuantes? Símbolos que sejam tão vivos e efetivos como os Deuses da antiga Grécia ou do processo alquímico? Exatamente neste ponto um novo entendimento da sexualidade se nos revela. Ela não é idêntica à reprodução e seu significado não é exaurido nas relações humanas ou na experiência do prazer. A sexualidade, com todas as suas variações, pode ser entendida como uma fantasia de individuação, uma fantasia cujos símbolos são tão vivos e tão efetivos que podem até mesmo influenciar nossa psicologia. E, desta forma, os símbolos não são propriedade exclusiva de uma elite acadêmica, mas de todas as pessoas. (GUGGENBUHL-CRAIG, 1980, p.94)&nbsp;</p></blockquote>



<p>Ainda explorando esta ideia, o autor destaca sobre a sexualidade dentro de um relacionamento íntimo&nbsp;“(&#8230;) este poderoso acontecimento no qual o homem e a mulher se tornam um, física e psicologicamente, deve ser entendido como um símbolo vivo do&nbsp;<em>mysterium coniunctionis</em>, a meta do caminho da individuação”. (p. 103) E, sendo um símbolo vivo, nos convida periodicamente a confrontar com nossos conteúdos inconscientes, inclusive nos dando oportunidades de entrarmos em contato com a nossa ânima/ânimus:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&nbsp;Quais são as possibilidades para um homem de chegar a um acordo com o feminino? Uma possibilidade pode estar no relacionamento com uma mulher, como por exemplo, num casamento; outra pode consistir em fantasias sexuais, incluindo as homossexuais, &#8211; onde o feminino pode ser experimentado com outro homem cuja meta não é reprodução, relacionamento humano ou prazer, mas a confrontação com a anima, com o feminino. Outra possibilidade existe num relacionamento para um ajustamento para a mulher. (GUGGENBUHL-CRAIG, 1980, p.94)&nbsp;</p></blockquote>



<p>Quando nos permitimos ampliar o olhar para os nossos desejos e encontrar no casamento um campo seguro, livre e protegido para compartilhar nossas conteúdos psíquicos, perdemos o receio de mostrar todas as nossas fantasias, até&nbsp;porque será um acordo entre o casal colocá-las em prática ou então apenas poder olhar e imaginá-las. Caberá ao casal delimitar a atuação desses desejos na prática sexual, reforçando a cumplicidade na exposição desses conteúdos. Quando o casal atinge este estágio de intimidade, sofre menos pressão do coletivo refletido nas condutas da sociedade e também nos questionamentos sobre a moralidade.&nbsp;&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>(&#8230;) Ainda assim, existem casais cuja sexualidade é constringida por certas pressões para a normalidade. Cada parceiro permite-se revelar ao outro apenas dentro de certos limites, e cada um se contém naquilo que acredita não ser permitido. Por conseguinte, raramente um marido e uma mulher satisfazem completamente um ao outro. Ao invés de cada um encorajar o outro a expressar e relatar suas fantasias sexuais mais secretas e peculiares, um certo medo de anormalidade domina a cena, até mesmo uma tendência à condenação moralista de qualquer coisa que não pertença, incondicionalmente, a um dos parceiros. (GUGGENBUHL-CRAIG, 1980, p.112)</p></blockquote>



<p>Evoluímos tanto como sociedade, mas ainda somos impactados por preceitos impostos ao longo das gerações. Ainda temos medo de olhar para o nosso universo interior e descobrir nossos segredos. Receamos sermos julgados pelos outros, tendo nossos valores roubados por meros preconceitos. Aceitamos os papéis, mas esquecemos de quem dá vida a esses papéis. Nos distanciamos dos nossos parceiros justamente quando eles seriam os melhores companheiros para a troca das nossas verdades. Aqui, não importa o quão conservador ou não cada pessoa é. O que importa é o quanto nos sentimos livres para nos olharmos como uma totalidade e, com isso, nos conhecermos cada vez mais dentro dos universos pessoais e coletivos. O quanto permitimos que o nosso relacionamento se aprofunde, evitando relações rasas e falsas.&nbsp;</p>



<p>Fica claro que o casamento como oportunidade de autoconhecimento não&nbsp;é fácil. A confrontação com a sombra no casamento nunca termina, é preciso encarar nossos céus e infernos juntamente com os do parceiro; tanto psicologicamente quanto no mundo das fantasias. Mas é somente cuidando da forma como esta dinâmica&nbsp;é vivenciada que se torna possível o fortalecimento dos parceiros como casal e também o amadurecimento psíquico individual.&nbsp;</p>



<p>Assim como não&nbsp;é&nbsp;possível esgotar os conteúdos inconscientes da psique, também não podemos nos enganar que todas, extremamente todas as fantasias e todos os desejos serão compartilhados com o parceiro. Por mais que a troca seja essencial para um relacionamento, é preciso também sempre cuidar para que uma parte da individualidade seja preservada. Isso é extremamente saudável, afinal, só conseguimos evoluir em uma relação se a nossa condição individual for mantida, com seus conteúdos positivos e negativos.&nbsp;</p>



<p>Quando as individualidades se abrem para o relacionamento, transformam a experiência do casamento em um agente ativo e atuante do processo de individuação, com energia suficiente para a transformação individual e do próprio relacionamento em si.&nbsp;</p>



<p>Que saibamos dar voz ao nosso inconsciente também através da <strong>vida dos desejos e fantasias</strong>, proporcionando um relacionamento maduro e uma sexualidade saudável. Que saibamos usufruir deste processo com leveza, alegria e diversão, já que o mundo dos desejos e fantasias nos permite uma boa dose de humor. Olhar para essas questões com naturalidade é extremamente sadio. Isso é respeitar nossos limites e também respeitar nosso parceiro também em sua intimidade. Isso nos liberta e nos protege. Isso nos transforma.&nbsp;</p>



<p><strong>Marcella Helena Ferreira</strong><strong></strong></p>



<p>Analista Junguiana em formação, com especialização em Psicossomática e Terapeuta Ayurveda</p>



<p>marcellahlferreira@gmail.com</p>



<p><strong>Maria Cristina Guarnieri</strong><strong></strong></p>



<p>Analista Didata&nbsp;responsável</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="O lugar da fantasia e dos desejos pessoais diante dos papéis e convenções num relacionamento íntimo" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/YTmHbkzcrhs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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<p><strong>Referências Bibliográficas</strong><strong></strong></p>



<p>GUGGENBUHL-CRAIG Adolf, O casamento está morto. Viva o casamento!,2d. São Paulo, SP: Símbolo, 1980.</p>



<p>JUNG Carl Gustav; O desenvolvimento da personalidade, 14 ed. Vol.17. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013a</p>



<p>____________ TRAUMANALYSE. Segundo anotações dos seminários de 1928-1930. Editado por William McGuire; traduzido do inglês por Brigitte Stein. Olten/Freiburg i. Br. 1991.</p>



<p>NORONHA, Decio Teixeira, Gerson Pereira LOPES, e Malcom MONTGOMERY. Tocoginecologia Psicossomática. São Paulo, SP: Almed, 1993</p>



<p>TEDESCO, J. Julio A., e Alexandre Faisal CURY. Ginecologia Psicossomática. São Paulo: Atheneu, 2007</p>
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			</item>
		<item>
		<title>“Love is in the air”: uma leitura junguiana do amor</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/love-is-in-the-air-uma-leitura-junguiana-do-amor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gilmara Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Jun 2021 18:45:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Casamento]]></category>
		<category><![CDATA[Felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A proposta deste artigo é fazermos uma leitura pela representação do amor no desenvolvimento humano. Como a ideia do amor se instala em nossas vidas, fazendo com que, de forma irrefletida tantas atitudes, dores, decepções, erros e acertos aconteçam? O amor é um sentimento delicado e ao mesmo tempo forte e profundo, o que o torna difícil de se entender. Ele é muito estigmatizado. Se vive, se morre e dizem que até mesmo, se mata por amor. Mas por quê?</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Cartas de amor s</em><em>ão escritas não para dar notícias, não para contar nada, mas para que mãos separadas se toquem ao tocarem a mesma folha de papel. (</em><em><a href="http://pensador.uol.com.br/autor/rubem_alves/">Rubem Alves</a>)</em></p>



<p>Existe várias formas de se falar de amor, de se pensar e de se viver o amor. Ele pode ser visto e entendido sob o prisma do amor conjugal, maternal, fraternal. Nesse mês em que se comemora o dia dos namorados, este artigo pretende tratar do amor que, em seu nome, cria mundos, fantasias, histórias, que une e que separa. O amor e a morte são temas extremamente explorados, na música, no drama, na poesia, e nas mais diversas expressões artísticas! Por todos estes meios, o amor é retratado, ora como belo, suave, sucinto e sublime, ora como castigo, prisão, loucura e enganação. Uns vivem por amor, outros morrem por amor e outros ainda, justificam que matam em nome do amor.</p>



<p>Mas qual seria a melhor definição para o amor, se é que amor se define? O amor, por sua existência é paradoxal, e, portanto, é difícil de se definir e explicar em poucas palavras o mais altivo dos sentimentos vividos por nós, humanos. Este sentimento pelo qual se morre e se mata, nasceu onde? Como esta ideia, da necessidade e da busca do ser amado, se estabeleceu nos seres humanos? Existem inúmeras visões e versões, mas vou abordar aqui uma visão narrada por Junito de Souza Brandão no mito do nascimento dos heróis, contada por Platão, no Banquete.</p>



<p>A narrativa mítica nos conta que há muito tempo, a terra era habitada por homens, mulheres e por um tipo de ser que possuía em si mesmo os dois gêneros (feminino e masculino), chamados andróginos. Este eram seres grandes e fortes. Dando-se conta do suposto poder que seu corpo lhe proporcionava e revoltados contra a supremacia dos deuses, entenderam que poderiam dominar a terra. Para tanto, resolveram escalar o Olimpo, desafiando assim os deuses e provocando a sua ira. Zeus, ao se deparar com tamanha hybris, decidiu então castigar estes seres, e assim o fez. Os dividiu em dois e virou seus rostos para lados opostos, fazendo com que olhassem para a marca do corte, o umbigo, o que os forçou a se tornarem mais humildes e menos perigosos.</p>



<p>Além disso, como resultado desta ação, estes seres tornaram-se seres humanos incompletos e carentes. A partir daquele momento, passaram a ter que buscar pelo mundo “a sua outra parte” para se “re-unir” a um lado que foi perdido. Conta ainda o mito, que os andróginos, além de serem formados pelos gêneros masculino e feminino eram também formados por somente homens e somente mulheres, o que na mitologia, explica a união de pessoas do mesmo sexo. Sobre o mito, Brandão (1997) conclui: “<strong>O amor tenta recompor a natureza primitiva, fazendo de dois um só, e, desse modo, restaurar a antiga perfeição</strong>.” (BRANDÃO, 1997, pag. 35)</p>



<p>Esta história nos convida a uma reflexão sobre a função do amor para o desenvolvimento da consciência da humanidade. <strong>Jung </strong>(2006) postula em suas obras que <strong>onde há amor não há poder e onde o poder impera não existe o amor</strong>. Pela lógica, o contrário do amor é o ódio; o contrário de Eros, Phobos (o medo). Mas, psicologicamente, é a vontade de poder. Onde impera o amor, não existe vontade de poder; e onde o poder tem precedência, aí falta o amor. Um é a sombra do outro. Quem se encontra do ponto de vista de Eros procura o contrário, que o compensa, na vontade de poder. Mas quem põe a tônica no poder, compensa-o com Eros. (JUNG, 2006 § 78)– psicologia do ics.</p>



<p>Esta foi, de acordo com a narrativa, a primeira lição de Zeus para os possíveis invasores. Ao invadir o Olimpo e dominar a terra, o desejo era de poder. Não havia ali, um olhar de alteridade e de empatia. O fato de o ser humano ter que se tornar mais humilde e menos “perigoso”, como quis ensinar Zeus na narrativa, nos remete à ideia de que na soberba, não conseguimos ter pelo outro o devido apreço e respeito, o que corrobora com a visão de amor e poder trazida por Jung. Ao serem separados pela força divina, por um corte no umbigo estes seres são obrigados agora a baixarem a cabeça, de costas um para o outro e olharem a marca deixada por esta separação.</p>



<p>As separações são, por vezes, responsáveis por dores, os assim chamados “separados” se perdem e seus olhares não mais apontam um para o outro, não pertencem mais à mesma configuração. Quase que compulsoriamente se veem forçados a olhar para sentidos opostos, para novos horizontes. As cicatrizes são marcas que não deixam que os eventos traumáticos sejam esquecidos. Servem de memória emocional para o corpo. O fato de estas marcas estarem no umbigo também é bastante simbólico. Conforme Chevalier, o umbigo (ou ônfalo) está relacionado com o centro.</p>



<p>Em diversas mitologias e religiões, ele possui este significado, podendo ser compreendido desde o centro do universo até o centro do microcosmo humano, como na Ioga &#8211; “A concentração espiritual se faz sobe o umbigo, imagem <em>do retorno ao centro</em>” (CHEVALIER, 1982, pag.659). Talvez, não por acaso, na literatura, <strong>Luís de Camões</strong>, em seu Soneto 11, de 1598, também cita o amor como um sentimento que remete ao fato de estar envolvido pela marca de uma ferida, que dói, sem doer&#8230;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Amor é fogo que arde sem se ver,<br><strong>é ferida que dó</strong><strong>i, e n</strong><strong>ã</strong><strong>o se sente</strong>;<br>é um contentamento descontente,<br><strong>é dor que desatina </strong><strong>sem</strong><strong> doer</strong>.<a href="#_edn1" id="_ednref1">[1]</a></p>
</blockquote>



<p>Ao olhar para sua cicatriz, para o umbigo, o novo ser que foi criado nesta cisão, lembra de uma falta. Se sua atitude é a de paralisar e se apegar à marca e não buscar o que lhe foi tirado, caímos no que a sabedoria popular nos conta: que “pessoas egoístas só olham para o próprio umbigo – parece que tem o rei na barriga”, isso nos traz também o entendimento de que para sermos inteiros e completos não podemos parar na cisão, nas marcas. Esta vivência arquetípica precisa ser ressignificada e a busca do sentido deste marco no desenvolvimento humano, é que vai trazer contorno e sentido para a vida, assim como para o amor.&nbsp; Olhar para nossas dores e nossas marcas e reconhecer nossas fraquezas nos aproxima e nos torna semelhantes, afinal a “dor” do amor é um sentimento de todos. É universal.</p>



<p>E quanto a estes seres que foram apartados e que precisam agora se encontrar pelo mundo? Os andróginos têm um valor simbólico importante para o entendimento da criação do homem, bem como da sua consciência. Chevalier (1982) define o andrógino como símbolo de unidade, como a figuração antropomórfica do ovo cósmico.</p>



<p>Um produz dois, diz o <em>Tao</em>, e é assim que o Adão primordial, que não era macho e sim andrógino, se converte em Adão e Eva. [&#8230;] Pois o andrógino é muitas vezes representado como um ser duplo, possuindo a um só tempo os atributos dos dois sexos, ainda unidos, mas a ponto de separar-se. (CHEVALIER, 1982, pag. 52)</p>



<p>Ainda em Chevalier, a imagem deste ser remete ao tornar-se um, a um estado inicial que deve ser reconquistado. Na narrativa, esse é o castigo, encontrar e conquistar sua outra parte, e o que fica em cada um é a imagem perdida do outro. Voltamos aqui para Jung. Ele nos fala de dois arquétipos no inconsciente coletivo, que representam a imagem interna do feminino no homem e a imagem interna do masculino na mulher. São eles a anima e o animus. Ao se referir a estas representações psíquicas, Jung chama a atenção para o “&#8230;reconhecimento psicológico da existência de um complexo psíquico semiconsciente, cuja função é parcialmente autônoma” (JUNG, 2006a § 302)</p>



<p>No processo de crescimento e desenvolvimento, as imagens de anima e animus vão tomando contorno.  Em “AION – Estudos Sobre o Simbolismo do Si-mesmo”, Jung nos fala que, sendo a anima e o animus arquétipos do inconsciente coletivo, eles se formam a partir das vivências que cada indivíduo tem com a figura parental do sexo oposto e que se projetam nas relações. Eles têm como função, mediar a consciência e o inconsciente, pois desta forma, caso exista uma possibilidade de reflexão, cada sexo pode compreender melhor o que se passa como o outro, caso contrário, o jogo de projeções apenas se fortalece, afastando cada vez mais a representação arquetípica da consciência, e consequentemente, afastando também, homens e mulheres e trazendo para a relação uma série de conflitos. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:18px">“&#8230;é mais difícil conscientizar-se das próprias projeções do par animus-anima, do que reconhecer seu lado sombrio.” (JUNG, 1988, §35). </p>
</blockquote>



<p>Isso porque o arquétipo é anterior e muito forte. O caminho para lidar com este jogo de projeções é observar, sonhos e manifestações nas imaginações ativas. Estes recursos transmitem á consciência informações sobre a manifestação do arquétipo, podendo facilitar a sua compreensão e integração na personalidade.  Ainda em Aion. Jung comenta “&#8230;embora os conteúdos da anima e do animus possam ser integrados, a própria anima e o próprio animus não o podem, porque são arquétipos” (JUNG, 1988, §40)</p>



<p>Voltando então à narrativa mítica, quando a proposta da separação é de que as partes precisam se encontrar, cabe aqui a reflexão de que estas ditas partes não estão fora, mas dentro do próprio indivíduo. Parece que não seremos mais unificados se não nos juntarmos fisicamente a outro, mas não é isto que na verdade a proposta mítica nos revela. Teremos que encontrar em nós mesmos esta parte que nos falta.  O que resta agora, depois de castigados e separados, é resgatar dentro de nossa unidade psíquica o que entendemos que nos falta, aquilo que nos completa.</p>



<p>Talvez aqui caiba o erro clássico, de nos relacionamentos buscar a nossa “alma gêmea”, assim como, dito no início do texto, matar por amor, morrer por amor e toda sorte de loucuras que se faz em nome dele. Trata-se de uma necessidade que não sabemos nominar e materializar, pois é absolutamente interna e profunda. Quantos sofrimentos em nome do amor! Por vezes, não é mesmo dolorida a busca e os desencontros do amor? Se pensarmos no mito, isso faz todo o sentido, uma vez que esta incompletude equivale a um castigo.</p>



<p>É um caminho da vida, do amadurecimento e do autoconhecimento nos compreendermos como seres completos, caso contrário o jogo de projeções dominará e a tendência é que o outro tenha em nossa vida o sentido de nos completar. Que peso, não? Com isso, além de fortalecer a nossa dependência e incapacidade de lidar com nossas próprias questões e vulnerabilidades, também impedimos que nosso par possa trazer para nós a sua presença, como ser completo que também é. Fica impossível nos permitir dar e receber, por meio da relação, a leveza de estar juntos para dividir e compartilhar sonhos, desejos e nossa essência.</p>



<p>O ponto de partida nesta jornada, somos nós mesmos! Nunca o outro. Se isto não fica claro, entramos em uma relação amorosa com uma visão destorcida sobre o que são as nossas necessidades e esperamos do outro algo que provavelmente nunca teremos e daí, quem decepciona quem? Sempre, em todo tipo de relação nós somos o início do processo. Não façamos conosco o mesmo que Zeus fez: nos mutilar e quebrar a nossa unicidade para procurá-la fora de nós mesmos! O amor, portanto, tem uma função fundamental no nosso desenvolvimento enquanto pessoas em constante evolução. Pensar que vamos precisar de outra pessoa para que sejamos completos é delegar para qualquer outro, desconhecido, o profundo e sensível cuidado da nossa alma.</p>



<p>Por fim, este é um assunto que não termina, muito pelo contrário, ele só abre portas para pensarmos em nós e em como estamos conduzindo este tema em nossas vidas. Por isso, fica a provocação – <strong>dá para entender o amor</strong>? Sei lá. Dá para talvez tentar explicar, mas o bom mesmo do amor é viver&#8230; “Felizes (consigo mesmo) para sempre”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-bibliografia">Bibliografia:</h2>



<p>BRANDÃO, Junito de Souza. <em>Mitologia Grega. </em>7ª ed., Petrópolis, RJ. Ed. Vozes, 1997, Vol. III.</p>



<p>CHEVALIER, Jean, GHEERBRANT, Alain. <em>Dicion</em><em>á</em><em>rio de S</em><em>í</em><em>mbolos. </em>11ª ed., Rio de Janeiro, RJ. Ed. José Olympio, 1997.</p>



<p>JUNG, C. G.. <em>Aion &#8211; Estudos Sobre o Simbolismo do Si-mesmo. </em>2ª ed.,</p>



<p>Petrópolis, RJ. Ed. Vozes, 1988, Vol. IX/2.</p>



<p>________. <em>O Eu e o Inconsciente</em>. 9ª ed., Petrópolis, RJ. Ed. Vozes, 2006a, Vol. VII/2.</p>



<p>________. <em>Psicologia do Inconsciente. </em>9ª ed., Petrópoli, RJ. Ed. Vozes, 2006b, Vol. VII/1.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><a id="_edn1" href="#_ednref1">[1]</a> https://www.culturagenial.com/poema-amor-e-chama-que-arde-sem-se-ver-de-luis-vaz-de-camoes/ (Grifos meus)</p>



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