<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Homem - Blog IJEP</title>
	<atom:link href="https://blog.ijep.com.br/category/homem/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.ijep.com.br/category/homem/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Wed, 27 Sep 2023 17:36:37 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.1</generator>

<image>
	<url>https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-logo-ijep-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Homem - Blog IJEP</title>
	<link>https://blog.ijep.com.br/category/homem/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Lampião e Maria Bonita: um olhar Junguiano sobre Anima e Animus no Cangaço</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/lampiao-e-maria-bonita-um-olhar-junguiano-sobre-anima-e-animus-no-cangaco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Selma Canoas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Jun 2023 10:49:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Homem]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[anima e animus]]></category>
		<category><![CDATA[arquétipo]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[feminino e masculino]]></category>
		<category><![CDATA[lampião]]></category>
		<category><![CDATA[maria bonita]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sertão]]></category>
		<category><![CDATA[simbologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=7792</guid>

					<description><![CDATA[<p>A história de Lampião e Maria Bonita já se tornou uma lenda, e faz parte do patrimônio histórico-cultural brasileiro.  O propósito deste artigo é, a partir da narrativa desta história, fazer uma análise dos aspectos arquetípicos do animus e anima no contexto do cangaço.<br />
O princípio masculino e o princípio feminino sempre presentes e que buscam a completude podem ser vistos aqui no cenário da caatinga nordestina, entre batalhas, tiroteios, fugas e esconderijos, numa história de muitas aventuras, violência e romance.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/lampiao-e-maria-bonita-um-olhar-junguiano-sobre-anima-e-animus-no-cangaco/">Lampião e Maria Bonita: um olhar Junguiano sobre Anima e Animus no Cangaço</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Ler o delicioso livro de <strong>Wagner G. Barreira</strong> – <strong>Lampião e Maria Bonita – uma história de amor e balas</strong> (que usei como base para este artigo) é fazer uma deliciosa viagem fantástica através de uma parte da história e cultura do povo <strong>nordestino </strong>e de todo o povo brasileiro. </em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todavia, se aproximar da história de Lampião e Maria Bonita através do <strong>olhar simbólico</strong> é se aproximar de uma história encantada, que nos remete às nossas próprias histórias, nossos próprios conflitos, nosso cangaço particular.  É através deste olhar que trago um breve relato deste casal que faz parte do patrimônio cultural brasileiro.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-historia-de-lampiao-ja-se-tornou-uma-lenda-brasileira">A história de Lampião já se tornou uma lenda brasileira.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A história de <strong>Lampião </strong>já se tornou uma lenda brasileira. De construção coletiva, contada em verso e prosa, em historiografias e cordéis, possui muitas versões, que vão do banditismo impiedoso, ao herói que protegia os pobres, passando pelo empresário bem-sucedido em seu “negócio”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Maria Bonita </strong>era sua companheira, que com sua personalidade forte, influenciou a forma de funcionamento do cangaço a partir de sua entrada para o bando.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Admirados por uns, recriminados e odiados por outros, sua história povoou os jornais e o imaginário brasileiro no início do século XX, e continua até hoje</strong>. Tudo indica que não existe um único brasileiro que não tenha ouvido falar nestes nomes e conheça ao menos superficialmente essa história.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-pouco-sobre-lampiao">Um pouco sobre Lampião</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Virgulino Ferreira da Silva</strong> nasceu em 7 de junho de 1897, embora existam mais treze datas que reivindicam para si esse feito. Natural do sertão pernambucano, mais especificamente em Serra Talhada, passou sua infância brincando do que brincavam os meninos daquele lugar: <em>cangaceiros e volantes</em> , no qual, diferentemente do jogo de <em>polícia e ladrão</em> do sul do país, os times não eram divididos entre o &#8220;bem&#8221; e o &#8220;mal&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Era filho de pai almocreve, com fama de sensato e conciliador e de mãe de sangue quente de onde se dizia que vinha o sangue quente dos irmãos Ferreira.  Após um entrevero com um vizinho da familia participou de seu primeiro tiroteio aos 18 anos e motivado por vingança, uma após outra, ele e mais dois irmãos acabaram naturalmente entrando para o cangaço.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O cangaceiro era visto como um justiceiro e não como um bandido fora da lei. Aquele que ocupava o espaço vago deixado pela polícia e pelo judiciário. A população os tratava com respeito.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao entrarem para o bando de Sinhô Pereira ele e seus dois irmãos ganharam apelidos, mas só o de Virgulino pegou: passou a ser conhecido como Lampião. Mais tarde, já como sucessor de Sinhô Pereira, seria conhecido também como  <em>Rei do Cangaço</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-pouco-sobre-maria">Um pouco sobre Maria</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Maria Gomes de Oliveira</strong>, a Maria de Déa, nasceu no dia internacional da mulher, em 8 de março de 1911, em Santo Antônio da Glória, na Bahia. Conforme costume local, vivia com o primo Zé de Neném desde os 16 anos num arranjo casamenteiro feito pelo pai, que não foi feliz pois não geraram filhos uma vez que o marido era estéril.  <strong>Maria, conhecida pelo seu pavio curto, viveu às turras com o marido e à cada briga o abandonava e voltava para a casa dos pais</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maria já admirava Lampião mesmo antes de conhecê-lo, pois sua fama o precedia. A população local respeitava Lampião. Por sua vez, Maria o tinha como modelo de valentia, coragem e inteligência. Ela o conheceu pessoalmente em umas das visitas do bando à fazenda de sua família e após bordar alguns lenços de seda para o cangaceiro, começou o namoro, com o apoio decisivo de dona Déa e alguma resistência do pai, que já previa problemas com a polícia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-cangaco" style="font-size:18px">Cangaço</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O cangaço, até aquele momento, era coisa de homem. <strong>Lampião</strong>, porém, enquanto escondido na caatinga, sofria por amor. Maria pedia para acompanhar o namorado, e após alguma resistência deste, acabou incluída no bando sob o olhar atônito dos outros cangaceiros. Lampião quebrava a tradição e, dali por diante, viveria suas aventuras ao lado de uma mulher, ainda que isso fosse visto como um mau agouro pois, segundo as crenças, abria o corpo do cangaceiro às balas, o tornava vulnerável. Fato é que depois disso muitas e muitas cangaceiras se juntaram ao bando. Dezenas delas. Fala-se em até setenta cangaceiras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-principio-masculino-e-um-principio-feminino-se-unem-para-viverem-aventuras-no-sertao-nordestino-cercados-de-muita-controversia" style="font-size:18px">Um princípio masculino e um princípio feminino se unem para viverem aventuras no sertão nordestino, cercados de muita controvérsia.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Essa história se apresenta com muitas versões. De algum modo não sabemos mais o que é mito, o que é lenda e o que foi criado e o que de fato foi vivido. Mas é uma história que nos toma emocionalmente, pois a dinâmica presente refere-se a uma estrutura mitológica. É uma história com uma estrutura arquetípica que fala de todos nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo <strong>Jung</strong> (2013) essa classe de conteúdos do inconsciente – que ele chamou de<strong> arquétipos </strong>&#8211; não pode ser atribuída a aquisições individuais, e sim, é como se pertencessem à humanidade em geral e não à uma psique individual. Os arquétipos encerram motivos mitológicos, os quais surgem novamente em contos de fada, nos mitos, nas lendas e no folclore.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-anima-e-animus">Anima e animus</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jung (2015) coloca o conceito de <em>anima</em> e <em>animus</em> como duas figuras arquetípicas presentes na estrutura da psique que respondem ao princípio feminino e princípio masculino. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto arquétipos, estão enraizados no inconsciente coletivo, mas manifestam-se no comportamento. Jung entende <em>anima e</em> <em>animus</em> como complexos funcionais que se comportam de forma compensatória em relação à personalidade externa. <em>Anima</em> é a contraparte feminina da personalidade do homem.<em> Animus</em> é a contraparte masculina presente na personalidade da mulher.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo <strong>Emma Jung</strong> (2020) <em>anima</em> é também a imagem do ser feminino que o homem traz dentro de si, o arquétipo do feminino. Essa imagem será projetada em uma mulher real &#8211; que corresponda a essa imagem. Ao passo em que a imagem do <em>animus</em> será projetada em um homem real &#8211; cujas características correspondam a essa imagem.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-contextualizando" style="font-size:20px">Contextualizando</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Maria Bonita era uma mulher forte, que já admirava Lampião por sua força e sua coragem mesmo antes de conhecê-lo. Já tinha o <em>animus</em> projetado na figura desse homem, o mesmo&nbsp; <em>animus </em>que fazia dela uma mulher de atitude, que não tolerou o primeiro casamento, que não admitiu a submissão ao pai, e que não admitiu ter seu comportamento tolhido pela sociedade local a partir de sua condição de mulher separada. O mesmo&nbsp; <em>animus </em>que a lançou em uma vida difícil, de muitas privações, mas também de muito companheirismo, liberdade e sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, esse princípio masculino parecia conviver de maneira harmônica com a sua feminilidade. Era uma mulher vaidosa, que trouxe uma nova estética ao cangaço. Foi ela quem inaugurou o estilo elegante, com chapéus bordados, lenços de seda amarrados no pescoço, bordados, pedrarias e joias. Maria, a seu modo, trazia leveza ao bando pois era engraçada, desinibida e brincava com todo o grupo. Era também muito carinhosa com seu Lampião, escovava seus longos cabelos e lhe enchia de carícias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lampião tinha uma grande capacidade de liderança. Sua palavra era lei. Cuidava da logística de cada combate, onde demonstrava calma e inteligência. Tinha regras claras dentro de seu bando, que ninguém ousava desobedecer. Fazia valer a palavra empenhada, o respeito à familia e a moral conservadora. Dentre as muitas divergências na sua historiografia está o número de assassinatos a ele imputados: uns falam em duzentos, outros, mais de mil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem imaginaria que este homem pediria a uma mulher que lhe bordasse de forma prestimosa alguns lenços de seda?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-maria-bonita-tambem-se-prestou-a-receber-a-projecao-de-anima-de-lampiao-que-por-ela-se-apaixonou" style="font-size:18px">Maria Bonita também se prestou a receber a projeção de <em>anima</em> de Lampião, que por ela se apaixonou.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">E em nome desta paixão se atreveu a quebrar não só uma tradição e regras humanas, mas também de regras sobrenaturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A entrada de mulheres para o bando suavizou a dureza daqueles homens que viviam em combate ou escondidos da perseguição policial na dura secura da caatinga. Pediram a elas que tomassem mais banhos para aliviar o &#8220;bodum&#8221;. Seus uniformes foram otimizados, tornados mais confortáveis e bordados para ficarem mais bonitos. Os icônicos chapéus também foram bordados com estrelas de seis pontas, flor-de-lis e o signo de Salomão, o que remetia às tradições medievais. A estética se tronou exuberante e intimidadora, conferindo identidade ímpar ao grupo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mulheres também criaram seu próprio uniforme composto de vestidos utilitários e acessórios, chapéu baeta e lenços.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-podemos-dizer-que-um-encontrou-no-outro-projecoes-de-aspectos-desconhecidos-de-si-mesmo-e-por-isso-a-ligacao-foi-tao-forte-e-isso-mudou-o-funcionamento-do-bando-e-isso-mudou-o-cangaco" style="font-size:17px">Podemos dizer que um encontrou no outro projeções de aspectos desconhecidos de si mesmo, e por isso a ligação foi tão forte. E isso mudou o funcionamento do bando. E isso mudou o cangaço.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Lampião e Maria Bonita viveram juntos cerca de oito anos. Maria Bonita engravidou quatro vezes, muito embora os três primeiros filhos nasceram mortos. Em sua quarta gestação nasceu Expedita, que viveu com os pais por um mês &#8211; e que depois foi levada para ser criada pelo único irmão de Lampião que não entrou pra o cangaço. Expedita vive até hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A trajetória de Lampião no cangaço durou aproximadamente <strong>vinte anos</strong>. Findos os quais foi morto pela polícia numa emboscada, em 28 de julho de 1938, na fazenda Angicos, no Sertão de Sergipe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As cabeças de Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros foram cortadas e expostas em várias cidades nordestinas num espetáculo horroroso e humilhante, até chegarem ao IML de Salvador, onde ficaram expostas por trinta anos, até serem sepultadas em 1969.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-historia-de-lampiao-e-maria-bonita-possui-um-colorido-de-muitas-nuances-e-pode-ser-analisada-do-ponto-de-vista-da-psicologia-junguiana-por-varias-abordagens" style="font-size:17px"><strong>A história de Lampião e Maria Bonita possui um colorido de muitas nuances e pode ser analisada do ponto de vista da psicologia junguiana por várias abordagens.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os aspectos arquetípicos do <em>animus e anima</em> no contexto do cangaço abordados aqui, são apenas um desses aspectos. Deixo para o leitor apaixonado pela riqueza da nossa história e da nossa gente, as novas análises.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/selmacanoas/">Selma de Fátima Silva Canoas &#8211; Analista em Formação IJEP</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Cristina Guarnieri – Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-bibliografia" style="font-size:22px">BIBLIOGRAFIA:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BARREIRA, Wagner Gutierrez. <strong>Lampião &amp; Maria Bonita: uma história de amor e balas. </strong>São Paulo: Planeta do Brasil, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.&nbsp;<strong>A vida simbólica</strong>. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.&nbsp; (Obras completas de Carl Gustav Jung, 18/1).</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>O eu e o inconsciente.</strong> 27. ed. Petrópolis: Vozes, 2015. (Obras completas de Carl Gustav Jung, 7/2)</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Emma. <strong>Animus e anima: uma introdução à psicologia analítica sobre os arquétipos do masculino e do feminino inconscientes. </strong>2. Ed. São Paulo: Pensamento Cultrix, 2020.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="LAMPIÃO E MARIA BONITA: UM OLHAR JUNGUIANO SOBRE ANIMA E ANIMUS NO CANGAÇO" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/wxQN_KeFiqw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Acesso nosso site: <a href="https://www.ijep.com.br/">https://www.ijep.com.br/</a></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/lampiao-e-maria-bonita-um-olhar-junguiano-sobre-anima-e-animus-no-cangaco/">Lampião e Maria Bonita: um olhar Junguiano sobre Anima e Animus no Cangaço</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Homens gays, hiper masculinidade e a Anima</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/homens-gays-hiper-masculinidade-e-a-anima/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2023 12:14:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Homem]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[arteterapia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[Homossexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[psicossomática]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=7302</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em tempos de mídias sociais as dinâmicas do desejo e da atração ficaram mais escancaradas. Pessoas estão expostas em vitrines virtuais em suas buscas por parceiros e dessa forma ficam mais óbvios padrões que talvez pudessem passar desapercebidos. Um dos padrões que pode ser percebido na dinâmica entre homens gays é a de supervalorização da masculinidade.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/homens-gays-hiper-masculinidade-e-a-anima/">Homens gays, hiper masculinidade e a Anima</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Em tempos de mídias sociais as dinâmicas do desejo e da atração ficaram mais escancaradas. Pessoas estão expostas em vitrines virtuais em suas buscas por parceiros e dessa forma ficam mais óbvios padrões que talvez pudessem passar desapercebidos. Um dos padrões que pode ser percebido na dinâmica entre homens gays é a de supervalorização da masculinidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fica cada vez mais claro a existência de um homem gay que valoriza, mais do que tudo, sua própria masculinidade (e geralmente também a de seu parceiro). Nos aplicativos de encontros (casuais ou não) voltados a esse público é comum encontrar perfis que se descrevem como “não sou nem curto afeminados” e variações do gênero, assim como o termo em inglês Masc4Masc que denomina um homem masculino em busca de outro homem masculino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na visão junguiana a tensão entre polaridades sempre está presente nas dinâmicas humanas, e o masculino e feminino são, historicamente, uma das polaridades mais debatidas. A partir dessa perspectiva, como fica esse homem gay hipermasculino? Como se relaciona com sua anima? Poderíamos imaginar que essa é só uma questão de atração física, mas há mais aqui que só a dimensão do desejo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de tudo é necessário ampliar nossa visão sobre a relação entre homens gays e o que se entende por masculino e feminino. Primeiramente é importante lembrar que popularmente a imagem do homem gay está ligada fortemente ao feminino. Seja no comportamento, nos gostos, jeito de se vestir ou falar, há uma expectativa de que o gay seja feminino e até recentemente praticamente todas as representações de homens gays na mídia de massa estavam pautadas em sua afeminação. “Vira homem”, a ofensa recorrente, é lembrança da associação quase de equivalência entre ser gay e ser mulher que perpassa nossa cultura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há também outros elementos do que é entendido como cultura gay que estão intrinsecamente ligados ao feminino, mas que nem sempre não são de conhecimento de pessoas fora das fileiras LGBT, como por exemplo o culto a divas &#8211; uma espécie de adoração que alguns homens gays reservam a mulheres da mídia entendidas como especialmente poderosas &#8211; e as drag queens &#8211; personagens de performance de gênero, geralmente criadas por homens gays.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se por um lado há diversos elementos da cultura gay que estão definitivamente ligados ao feminino, há muitos aspectos em que o masculino prevalece. Pesquisas sobre como homens gays se identificam, se como mais masculinos, femininos ou andróginos revelam que a maioria se identifica como andrógino, seguidos de identificação com o masculino e por último com o feminino, o que já contradiz a expectativa da visão mais tradicional. Estudos também mostram que, quando em busca de parceiros, há uma preferência clara por estar com alguém mais masculino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais recentemente pesquisas que analisaram perfis de sites e aplicativos de relacionamento voltados para homens gays encontraram o mesmo padrão de enaltecimento de atributos masculinos em detrimento de atributos considerados femininos, tanto na descrição que os indivíduos fazem de si como na descrição que fazem do parceiro que procuram. Mas mais do que simplesmente declarar uma preferência pela masculinidade muitos dos perfis vão além, explicitamente rejeitando outros gays que exibam traços femininos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No mundo da pornografia pesquisadores também já identificaram uma clara preferência por modelos de traços mais masculinos, havendo uma tendência heteronormativa que valoriza especialmente o homem masculino, dominante, enquanto homens mais femininos estão sempre em papéis de dominado. Reforçando a noção de que comportamentos mais masculinos ou femininos também seriam determinantes dos papéis sexuais dos parceiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas produções culturais como filmes e séries, apesar de nos últimos anos a quantidade de personagens gays ter aumentado significativamente, ainda prevalece o padrão do homem gay afeminado estar mais ligado ao papel de alívio cômico enquanto os romances são vividos por personagens mais masculinos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tendência de valorização do masculino indicada por essas pesquisas não é acaso, e não está ligada somente à atração e ao desejo. Há um discurso de hierarquização entre os homens gays que os classifica a partir de sua masculinidade ou feminilidade, gerando um sistema de opressão dentro da própria comunidade gay.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa hierarquização dentro da própria comunidade entre “masculinos” e “afeminados” foi, segundo Eribon uma das grandes estruturas de clivagem da representação que os homossexuais fizeram de si mesmos, e ela tem uma razão de ser fora do mundo do desejo sexual: a estigmatização social da homossexualidade. Socialmente, o homossexual foi, no período que antecedeu a luta LGBT, entendido como inferior ao heterossexual, e a principal justificativa para tal era a “inversão” – o não alinhamento entre o gênero e o comportamento de gênero do indivíduo. Logo, o homossexual homem mais masculino seria menos discriminado e sofreria menos injúrias, definitivamente uma posição social mais confortável, afinal esse tipo de violência é sempre um fator que assombra a vida dos homossexuais:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“No começo, há a injúria. aquela que todo gay pode ouvir um momento ou outro da vida, e que é o sinal de sua vulnerabilidade psicológica e social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“&#8217;Viado nojento&#8217;” (“&#8217;sapata nojenta&#8217;”) não são simples palavras lançadas em passant. São agressões verbais que marcam a consciência. São traumatismos sentidos de modo mais ou menos violento no instante, mas que se escreve na memória e no corpo.” (ERIBON, 2008)</p>



<p class="wp-block-paragraph">É interessante notar que, em português, muitas das expressões usadas para se ofender homens gays ou aludem a sua inversão: viado (de transviado, que transviou sua natureza); ou estão no feminino: bicha, bicha-louca, maricas, maricona, mulherzinha. Expressões como “vira homem” também estão dentro dessa lógica. Nesse caso a injúria não revela só um menosprezo pelo homossexual, mas também uma hierarquização social que coloca a masculinidade em posição superior ao feminino e, por conseguinte, às mulheres, além de contribuir para a criação de uma série de estereótipos dentro da <a href="https://blog.sudamar.com.br/barbies-ursos-e-mitologias-gays/">comunidade</a>.&nbsp;É cabível então que, ao menos uma parcela dessa valorização da masculinidade pode ser entendida como forma de evitar hostilidade, se masculinizar permitiria um certo grau de “camuflagem”:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Toda uma tradição cultural entre os homossexuais fez crer que a visibilidade daria motivo ao olhar hostil e aos poderes da opressão. essa tradição, herdada dos períodos em que a repressão social era muito mais intensa, hoje nada perdeu de sua vivacidade e costumamos encontrá-la na defesa por certos homossexuais de uma “assimilação” e passaria pela “descrição”, o que, na maior parte do tempo, é apenas outra maneira e preconizar a dissimulação, encarada como o meio mais simples de subtrair a força dos poderes alienantes e a violência do estigma. (ERIBON, 2008)”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos perceber então que não só a dinâmica da atração que guia essa busca por ser o mais masculino possível e afastar ao máximo o feminino. Mais do que o desejo, a homofobia e o medo levam homens gays a negar ao máximo o feminino em suas vidas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-homossexualidade-masculina-no-texto-junguiano"><strong>A homossexualidade masculina no texto junguiano</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A visão que dá especial ênfase a relação entre homossexualidade masculina e o feminino não está restrita unicamente ao universo popular, ela pautou também o pensamento de intelectuais, incluindo Jung. É possível perceber que em sua obra a temática da homossexualidade masculina foi majoritariamente entendida em relação ao feminino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hopcke identifica três momentos na teoria junguiana no que tange a homossexualidade masculina. Num primeiro momento, ainda muito ligado às ideias de Freud, Jung associa que a homossexualidade estaria ligada a imaturidade gerada por uma perturbação no relacionamento com os pais, ligando essa à falta de uma figura masculina para educar o jovem que teria permanecido no universo da mãe, tomado pelo complexo materno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num segundo momento surge a tese de que&nbsp;alguns casos de homossexualidade masculina poderiam ser entendidos a partir de uma identificação do indivíduo com a anima, o que manteria a persona (masculina) no inconsciente, que seria então projetada num outro homem levando ao comportamento homossexual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na terceira fase identificada por Hopcke, Jung continua a ligar homossexualidade masculina à anima e ao complexo materno, mas também a associa a uma incapacidade de se desligar do arquétipo do hermafrodita e assumir uma sexualidade unilateral</p>



<p class="wp-block-paragraph">Percebe-se que a presença do feminino domina a discussão. Ou o feminino está presente ostensivamente (no complexo materno e na anima) ou de maneira indireta (no arquétipo do hermafrodita). O masculino aparece sempre faltoso (como o pai que não conseguiu retirar o filho do universo da mãe ou na persona inconsciente) ou enlaçado com o feminino (novamente no caso do arquétipo do hermafrodita).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Voltando aos homens gays hipermasculinos. Essa valorização da masculinidade parece se dar em aspectos relacionados ao desejo e à adaptação ao meio social. Onde então poderíamos localizar essa masculinidade na dinâmica psíquica desses homens? A resposta é óbvia, na persona, afinal é a partir dela que o indivíduo interage com seu meio.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Personas masculinas não são exclusividade de homens gays, o próprio Jung nota que reprimir traços femininos é considerado uma virtude pelos homens (JUNG, 2015a). Também não há motivos para se atribuir a uma persona masculina uma condição necessariamente problemática, afinal, como estrutura adaptativa ao meio, estaria apenas executando sua função de mediar as relações entre o ego desse indivíduo e o meio externo. E é exatamente aqui, na relação com o externo, que a questão da persona masculina num homem heterossexual e num homem homossexual diverge.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tanto homens heterossexuais quanto homossexuais sofrem pressão social para se apresentar como masculinos. No entanto, para os homossexuais essa pressão tem um tom muito mais dramático. Se para o heterossexual não ser reconhecido como masculino coloca em xeque sua sexualidade, para o homossexual não ser reconhecido como masculino revela sua sexualidade. Numa sociedade homofóbica isso traz consequências importantes que podem variar de ter de enfrentar chacota até sofrer violência física. Somado a isso há uma pressão para ser masculino, pois isto está relacionado a ser desejado.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos então inferir que investir numa persona masculina não é a mesma coisa para hetero e homossexuais. Como diria Eribon, o homossexual masculino tem sido entendido, pelo menos desde o fim do século XIX, como um homem que renunciou sua masculinidade. Investir numa persona masculina nesse caso não é só se adequar a um papel de gênero, é reclamar uma parte de si negada pelo outro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se para um homem gay uma persona masculina acaba por ser uma forma de se entender como homem numa sociedade homofóbica, não é difícil de se imaginar que esse acabe por se identificar com essa persona, o que tem consequências importantes na dinâmica psíquica, segundo Jung:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A construção de uma persona coletivamente adequada significa uma considerável concessão ao mundo exterior, um verdadeiro auto sacrifício, que força o eu a identificar-se com a persona. Isto leva certas pessoas a acreditarem que são o que imaginam ser. A “ausência de alma” que essa mentalidade parece acarretar é só aparente, pois o inconsciente não tolera de forma alguma tal desvio do centro de gravidade. (JUNG, 2015b)”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Obviamente ter uma persona masculina não é difícil para uma boa parte dos homens gays. É de se imaginar que muitos dos mais masculinos teriam essa expressão de gênero mesmo em uma sociedade mais tolerante de sua sexualidade. Por outro lado, muitos dos mais femininos provavelmente abandonam qualquer pretensão de tentar performar esse papel. Podemos também imaginar quantos homens gays de expressão mais andrógina não investem numa persona mais masculina a fim de se sentirem mais adequados à norma social e mais desejados por seus pares. No entanto, seja em que local desse espectro um indivíduo esteja, a identificação com uma persona masculina gera uma exclusão de aspectos do feminino, o que não é desejável, afinal não há homem que não possua em si algo do feminino e quando esses elementos são reprimidos da consciência acabam por se acumular no inconsciente. É importante aqui lembrar o ideal alquímico da coniunctio é de aproximar essas polaridades, não mantê-las separadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se estamos falando de identificação com a persona a questão da anima sombria se torna central. Poderíamos aqui conjecturar se há relação entre homossexualidade masculina e a anima, ou mesmo se há diferenças entre a anima de um homossexual e de um heterossexual, mas essas questões são mais vastas e fogem ao escopo desse artigo. Fato é que num homem identificado com sua persona hipermasculina a anima está sombria, e como no caso dessa discussão, o feminino também será sombrio. Então quais seriam as consequências esperadas nesses homens hipermasculinos dessa dinâmica psíquica?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira consequência óbvia é que, apartado da própria anima, esse gay hipermasculino terá dificuldade de estabelecer relacionamentos afetivos, afinal é anima que traz o elemento relacional, a presença do eros, a possibilidade de conexão com outro. Um eros sombrio também poderia acarretar uma dinâmica amorosa tomada por jogos de poder, sem entrega verdadeira e até eventualmente violenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung associa o alcoolismo, no homem, como uma das possíveis consequências da perda da anima. Se expandirmos esse entendimento não apenas para o álcool como para o abuso de substâncias em geral, podemos imaginar que o gay identificado com uma persona hipermasculina estaria mais representado dentre os gays que sofrem com esse problema. Foi exatamente isso que Hamilton e Mahalik encontraram em seu trabalho, homens gays que se enquadram mais nas normas de gênero e se preocupam mais em corresponder a essas normas têm maiores chances de abusar de álcool, tabaco e outras drogas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma outra consequência possível da perda da anima é um risco maior de depressão e de suicídio. Estudos mostram que homens gays apresentam maiores índices de depressão e risco três vezes maior de cometer suicídio do que a população em geral (Lee at al). Apesar de essa ser uma discussão complexa e escapar tanto do escopo quando das limitações desse trabalho, não seria impossível correlacionar, pelo menos parcialmente, o suicídio à questão da anima. Afinal, o próprio Jung atesta que o arquétipo do significado da vida se esconde na anima e que a anima em si é o arquétipo da própria vida. Não seria de se espantar que um homem apartado de sua anima tenha dificuldade em se ligar à vida e achar significado nela, predispondo-o a depressão e ao suicídio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A figura do homossexual masculino era, até pouco tempo, uma verdadeira impossibilidade na mente da população em geral, o gay prototípico era o gay afeminado. Apesar do cerne de grande parte do sofrimento relacionado à homossexualidade ser o mesmo para todos os homens gays, a homofobia, as formas de lidar com essa geram dinâmicas distintas nos indivíduos e é importante ampliarmos nossa visão sobre essas questões para melhor entender as demandas que surgem em análise acerca desse tema.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/gabriel/">Gabriel Andrade</a> – Analista em Formação pelo IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magali </a>&nbsp;– Analista Didata</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Homens gays, hiper masculinidade e a Anima - Gabriel Andrade" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/bHnGlLIuxso?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph">BAILEY, J. M et al. Butch, Femme, or Straight Acting? Partner Preferences of Gay Men and Lesbians. Journal of Personality and Social Psychology. Washington, 73(5), p. 960-973, novembro de 1997</p>



<p class="wp-block-paragraph">BURKE, N. B. Hegemonic masculinity at work in the gay adult film industry.&nbsp;Sexualities. Nova York. 19, p. 1-21, junho de 2016&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ERIBON, D. Reflexões sobre a questão gay. Rio de Janeiro, Companhia de Freud, 2008</p>



<p class="wp-block-paragraph">GROHMANN, R. Não sou/não curto: sentidos circulantes nos discursos de apresentação do aplicativo Grindr.&nbsp;Sessões do Imaginário, Porto Alegre. 21(35), 70-79, setembro de 2016</p>



<p class="wp-block-paragraph">HAMILTON, C. J., MAHALIK, J. R. Minority stress, masculinity, and social norms predicting gay men&#8217;s health risk behaviors. Journal of Counseling Psychology, 56(1), p. 132-141, 2009</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOPCKE, R. H. Jung, junguianos e a homossexualidade.&nbsp;São Paulo. Siciliano, 1993</p>



<p class="wp-block-paragraph">HUNT C. J. et al.&nbsp;Masculine Self-Presentation and distancing from Femininity in Gay Men: An Experimental Examination of the Role of Masculinity Threat.&nbsp;Psychology of Men &amp; Masculinity. 17(1), julho de 2015</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Estudos Alquímicos. 4.ed. Petrópolis, Vozes, 2015a&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">______. O Eu e o Inconsciente. 27.ed. Petrópolis, Vozes, 2015b</p>



<p class="wp-block-paragraph">LEE, C et al.&nbsp;Depression and Suicidality in Gay Men: Implications for Health Care Providers.&nbsp;American Journal of Men&#8217;s Health, 11(4), p. 910–919, 2017</p>



<p class="wp-block-paragraph">MELO, T. B.; SANTOS, M. E. P. Discreto, sigiloso, não afeminado: representações identitárias e heteronormatividade no aplicativo de relacionamentos Grindr. CSOnline – Revista Eletrônica de Ciências Sociais, Juiz de Fora, 31, p. 249-269, 2020</p>



<p class="wp-block-paragraph">REZENDE, R.; COTTA, D. Não curto afeminado: homofobia e misoginia em redes geossociais homoafetivas e os novos usos da cidade. Contemporânea &#8211; Comunicação e Cultura, Salvador 13(02), p. 348-365, maio de 2015</p>



<p class="wp-block-paragraph">SANTOS, H. “Só masculinos, bichas abstenham-se” O Grindr como espaço de (re)produção da Homonormatividade.&nbsp;Sociologia On Line, 22, pp. 11-29, abril 2020</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/homens-gays-hiper-masculinidade-e-a-anima/">Homens gays, hiper masculinidade e a Anima</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aspectos da sexualidade masculina na perspectiva da psicologia analítica &#8211; Parte 1</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/aspectos-da-sexualidade-masculina-na-perspectiva-da-psicologia-analitica-parte-1/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ivone Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Dec 2022 11:19:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homem]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade masculina]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=6895</guid>

					<description><![CDATA[<p>Falar sobre a atividade sexual masculina gera um certo incomodo devido as dificuldades que os homens encontram diante das disfunções sexuais. Quais aspectos da vida masculina estariam comprometendo seu desempenho sexual? Essa pergunta gera uma angústia, e necessita de conhecimento sobre a questão da atividade sexual humana (aspectos fisiológicos, neuroquímicos, psíquicos etc.) e em qual contexto ocorre a disfunção. Neste artigo estaremos abordando esses aspectos.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/aspectos-da-sexualidade-masculina-na-perspectiva-da-psicologia-analitica-parte-1/">Aspectos da sexualidade masculina na perspectiva da psicologia analítica &#8211; Parte 1</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Falar sobre a disfunção sexual masculina ainda&nbsp;é&nbsp;um tabu, tanto que muitas vezes o problema chega pela voz da parceira ou queixas evasivas sobre o estado de saúde, mas o fato&nbsp;é&nbsp;que problemas dos mais diversos em relação a sua performance ainda assombram o mundo masculino.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para se compreender sobre os aspectos da disfunção sexual masculina, se faz necessário saber sobre a interação das forças da cultura, do desenvolvimento individual, dos relacionamentos, interpessoais e da biologia. O sexo se faz a dois e essas questões estão presentes o tempo todo. Para tratar do problema, é necessário saber o contexto e analisar os diversos aspectos que contribuem para manutenção dessa disfunção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Jung (2014, p. 77), o inconsciente pessoal e coletivo, estão envolvidos nas relações humanas,&nbsp;tanto nos aspectos sociais, como no trabalho, lazer, educação, sexual.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não&nbsp;é&nbsp;necessário acentuar a importância do instinto de conservação da espécie, a sexualidade. As restrições de natureza moral e social que se multiplicam&nbsp;à&nbsp;medida que a cultura se desenvolve fizeram com que a sexualidade se transformasse, pelo menos temporariamente, em supravalor, comparável&nbsp;à&nbsp;importância da água no deserto árido. O prêmio do intenso prazer sensual que a natureza faz acompanhar o negócio da reprodução se manifesta no homem&nbsp;—&nbsp;já não mais condicionado por uma&nbsp;época de acasalamento&nbsp;—&nbsp;quase como um instinto separado. Este instinto aparece associado a diversos sentimentos e afetos, a interesses espirituais e materiais, em tal proporção que, como sabemos, fizeram-se até&nbsp;mesmo tentativas de derivar toda a cultura destas combinações. (JUNG, 2013b, § 238)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atividade sexual vivida a dois, carrega para esse relacionamento as histórias de vida, lembranças perdidas, reprimidas, percepções dos&nbsp;órgãos dos sentidos que por falta de intensidade, não atingiram a consciência, referindo-se ao inconsciente pessoal de cada um, e, por outro lado, aspectos da psique coletiva, dos tabus de uma sociedade, assim como as experiências presente na humanidade que envolve um dos maiores mistérios que é a origem humana. Além, é claro , do papel e da função do princípio masculino na vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como o assunto sobre a disfunção masculina&nbsp;é&nbsp;extenso e complexo, trataremos aqui alguns dos aspectos da anatomia morfofuncional, sistema neuroendócrino e psicológico. Dividirei o tema em dois artigos, sendo que no primeiro abordarei alguns conhecimentos sobre os aspectos anatômicos, neuroendócrinos e psicológicos e no segundo, que deve ser publicado em breve, as questões psicológicas sob a perspectiva da psicologia analítica, falando sobre os possíveis complexos envolvidos na questão, autoestima, aspectos sombrios etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que estamos chamando de disfunção erétil, ou impotência sexual (uma das múltiplas disfunções sexuais),&nbsp;é&nbsp;a incapacidade de o indivíduo alcançar ou manter ereções firmes. O pênis não fica suficientemente rígido(ereto) para permitir a penetração e o desempenho sexual satisfatório, isto&nbsp;é, o sangue não se mantem nele durante o tempo necessário para a ereção. Pode ser a causa de estresse, tensão no relacionamento e baixa autoestima. Essa disfunção abala a confiança e a autoestima dos homens. Como sabemos o cérebro&nbsp;é&nbsp;o&nbsp;órgão sexual mais importante no ser humano. Ele controla a conduta sexual, mas o que ainda causa dúvida&nbsp;é&nbsp;saber exatamente a localização topográfica dos chamados centro sexual superiores.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As pesquisas sobre as atividades sexuais tiveram seu início por volta de 1954, no Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Escola de Medicina da Universidade de Washington e posteriormente, na Fundação de Pesquisa e Biologia da Reprodução. (CAVALCANTI &amp; CAVALCANTI, 2006, p. 51)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somente após o estudo de Masters e Johnson, pode-se dizer que houve a elucidação sobre alguns dos processos fisiológicos que tem lugar no relacionamento sexual humano. William Master e Virginia Johnson, foram os pioneiros nesse trabalho. Em 1966, estudaram a fisiologia sexual de 382 mulheres com idade entre 18 e 78 anos, desse grupo, 34 tinham mais de 50 anos, e 312 eram homens com idade entre 21 e 89 anos, dos quais 39 tinham mais de 50 anos, e publicaram seu estudo intitulado&nbsp;<em>Human Sexual Response</em>&nbsp;(Resposta Sexual Humana). Esse trabalho foi um marco importante para o estudo da biologia do sexo assim como os relatórios&nbsp;<em>Kinsey</em>&nbsp;o são, para a compreensão sociológica do comportamento sexual. (CAVALCANTI &amp; CAVALCANTI, 2006, p. 49)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta sexual humana, não se restringe a ser somente uma reação fisiológica. O indivíduo esta inteiro nessa relação, respondendo emocionalmente, fisicamente, socialmente, neurologicamente. Apesar de sermos iguais aparentemente, com dois olhos, duas orelhas, uma boca, duas pernas, dois braços etc., somos&nbsp;únicos; cada um tem suas características próprias e individuais. Sobre a perspectiva da psicologia analítica,&nbsp;imagens pessoais e coletivas, nos chegam&nbsp;à consciência das mais diferentes formas:&nbsp;&nbsp;nos sonhos, poesias, músicas, expressões artísticas. A consciência psicológica e seus conteúdos consistem na parte modificável da psique, mas quanto mais profundamente tentarmos penetrar, pelo menos indiretamente no inconsciente, tanto se percebe que estamos lidando com a essência autônoma. (JUNG, 2013a, p.105).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas não há&nbsp;divisão,&nbsp;como diria Jung (2013a), tudo&nbsp;é&nbsp;uma só e mesma coisa: mente, corpo e espírito. O comportamento sexual não&nbsp;é&nbsp;algo divino, extraordinário, celestial, mas um fenômeno real que se manifesta por intermédio de uma infraestrutura orgânica, com forma e função geneticamente determinadas. (CAVALCANTI &amp; CAVALCANTI, 2006, p. 51)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Cavalcanti &amp; Cavalcanti (2006, p. 81) há fortes indicações de que no sistema nervosos central, há regiões encefálicas que juntas, compõem em maior ou menor intensidade, a regulação fisiológica da função sexual. Cientistas se valeram de vários métodos de pesquisa, utilizando-se de animais de laboratório, principalmente camundongos, para tentar identificar quais as regiões cerebrais estariam envolvidas na regulação e na expressão da conduta sexual. Estudos mais complexos, utilizando determinantes neuroquímicos do comportamento sexual dos roedores, permitiram separar o que pertencia ao impulso motivacional para a copula e o que pertencia ao desempenho sexual propriamente dito. Com a separação do que correspondia a base neuroquímica da motivação e do desempenho sexual, pode-se elucidar o entendimento sobre a neuroquímica da sexualidade humana. (CAVALCANTI &amp; CAVALCANTI, 2006, p. 81)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema nervoso central (SNC)&nbsp;é&nbsp;complexo e apresenta seus neurotransmissores, as vias aferentes e eferentes, os hormônios, o sistema simpático e parassimpático, todos participando da atividade sexual do ser humano. Não existe um pênis ou&nbsp;órgão sexual, existe uma forte relação entre todas as partes que compõem o corpo humano, seu sistema sensorial, neuroquímico, relacional, sociocultural, hormonal, tudo corresponde ao ser humano vivo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dos estímulos do meio ambiente há uma reação do córtex cerebral, que por sua vez leva mensagens para o hipotálamo (cuja função consiste em integrar as informações sensoriais recebidas e transmiti-las para que o córtex faça a interpretação), através de seu hormônio (GnRH), hormônios hipotalâmicos ou hipofisotrópicos (<em>releasing factors</em>).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses hormônios hipotalâmicos regem o mecanismo hipofisário, e por meio dele, a produção dos hormônios gonadais. A interligação dos sistemas nervoso e endócrino&nbsp;é&nbsp;realizada pelo binômio hipotálamo/ hipófise. A hipófise funciona como amplificadora dos sinais neuro-hormonais gerados pelo hipotálamo. (CAVALCANTI &amp; CAVALCANTI, 2006, p. 84)</p>



<p class="wp-block-paragraph">A neurotransmissão química das drogas que atuam no sistema nervoso central se processa estimulando (agonista), ou bloqueando (antagonista) os receptores ou, com menos frequência, inibindo as enzimas reguladoras. Está cientificamente estabelecido; drogas que modificam a síntese, a captação, o catabolismo ou a ação dos neurotransmissores alteram também a atividade sexual, direta ou indiretamente. (CAVALCANTI &amp; CAVALCANTI, 2006, p. 85). Esses neurotransmissores atuam aumentando ou diminuindo o desejo, a excitação e o orgasmo nas relações sexuais. Exemplo a dopamina pode aumentar o desejo, a prolactina pode diminuir o desejo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dopamina, a nor adrenalina e adrenalina são os três hormônios de maior importância, existentes em todo o organismo, mas a dopamina&nbsp;é&nbsp;encontrada principalmente no sistema nervoso central, enquanto a nor&nbsp;adrenalina e adrenalina são mais comuns no sistema nervoso periférico. A acetil colina&nbsp;é&nbsp;o representante do sistema colinérgico e, entre os neurotransmissores não adrenérgicos e não colinérgicos, podemos destacar o oxido nítrico. Ao lado desses, há&nbsp;os peptídeos neurotransmissores do tipo opioide (endorfinas) e os peptídeos hipofisários como a vasopressina, ocitocina e prolactina, que tem efeito significativo na vida sexual. (CAVALCANTI &amp; CAVALCANTI, 2006, p. 85) Essa dança hormonal visa somente manter o equilíbrio nas instâncias neurológicas, psíquicas e hormonais. Portanto, em cada etapa sexual, diversas são as variáveis que podem influenciar o comportamento do homem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Abdo (2000) 28,5% das mulheres e 18,2% dos homens, numa amostra de 7000 pessoas que foram entrevistadas, reportavam alguma dificuldade sexual. Os pesquisadores observaram após esses estudos que há uma resposta fisiológica aos estímulos eróticos que não se restringem somente aos&nbsp;órgãos genitais, essa resposta&nbsp;é&nbsp;mais ostensiva, todo o organismo participa do processo reativamente. Há uma reação generalizada sem localização topográfica específica.&nbsp;&nbsp;Não há região corporal que não seja erotizável, tudo vai depender das condições próprias de cada indivíduo, das variáveis ambientais do momento (parceiro, intensidade estímulo etc.). As vezes uma região corporal que parecia ser neutra pode diante de um estímulo adequado ser despertada e reconhecida como uma região erógena (fonte de prazer) e determinar uma resposta maior do que a estimulação das partes genitais. (CAVALCANTI &amp; CAVALCANTI, 2006, p. 53)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sexo&nbsp;é&nbsp;uma função biológica, uma necessidade primaria, mas a adaptação dessa necessidade ao contexto sociocultural do qual a pessoa faz parte (sua história de vida, suas vivencias passadas) poderá mudar sua capacidade sexual reativa. A sociedade e a cultura dirão como essa capacidade será exteriorizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sob o ponto de vista psicossomático, o indivíduo reage como um todo psicofísico e as disfunções sexuais podem ser determinadas por fatores primariamente orgânicos ou fatores psicológicos. Apesar de sabermos que não há enfermidade orgânica que não tenha um componente psíquico, assim como não há comprometimento psíquico que não cause uma alteração orgânica. (JUNG, 2013a, p. 257)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As disfunções sexuais são distúrbios psicossomáticos, isto e, alterações fisiológicas e/ ou estruturais resultantes de processos psicológicos. Esses distúrbios aparecem no corpo, por perturbações circunscritas ou disseminadas no funcionamento dos efetores autônomos (glândulas e músculos lisos), em decorrência de diminuição ou aumento da atividade fisiológica. (CAVALCANTI &amp; CAVALCANTI, 2006, p. 5)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O indivíduo diante de uma vivência emocional, terá uma resposta orgânica construtiva; o organismo vai se preparar para agir nessa situação, seja para enfrentar ou evitar. Essas modificações têm um caráter fisiológico de adaptação, mas se as reações emocionais se tornarem demasiadamente intensas ou duradouras, há uma perda desse caráter construtivo e passam a ser agentes agressores do organismo. Observaremos o distúrbio psicossomático, sendo uma simples alteração funcional (mudanças psicofuncionais), que podem ser totais ou parcialmente reversíveis, até lesões estruturais de tecidos e&nbsp;órgãos (doenças psicossomáticas).&nbsp;&nbsp;&nbsp;As disfunções sexuais muitas vezes se enquadram entre as alterações reversíveis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo vai depender do indivíduo, o que para determinada pessoa pode ser a causa de um desequilíbrio, para outra pode não ter significado algum. Portanto antes de relacionar os fatos psicológicos específicos e determinar qual o mecanismo que está ocorrendo diante dessa situação, o que importa e a estrutura psicofísica desse individuo, sua história de vida, suas predisposições genéticas e adquiridas, seu estilo de vida, uso de drogas, doenças orgânicas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Jung (2014 p. 19), o padecimento do doente vem da alma, de suas funções mais complexas e profundas, que mal ousamos incluir no campo da medicina. Mas, a partir daqui entraremos nas questões referentes a psicologia analítica. A história de vida desde seu nascimento, suas relações parentais, seu ambiente social, atividade profissional, o início de sua atividade sexual, sua vivência na escola, seu desempenho, suas relações com seus amigos,&nbsp;praticas de esportes, tudo isso irá influenciar sua resposta sexual. E, por isso, iremos abordar os possíveis complexos que podem ter relação com a impotência, a autoestima, controle, enfim as possíveis alterações de sua psique que estariam comprometendo seu desempenho sexual. Mas, esse será tema do próximo artigo, em que pretendemos aprofundar a relação dos complexos com a disfunção erétil e demais complicações da sexualidade masculina.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Analista em formação:<a href="https://blog.sudamar.com.br/?s=ivone+ferreira"> Ivone Ferreira</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Analista Didata Responsável: <a href="https://blog.sudamar.com.br/?s=guarnieri">Maria Cristina Mariante Guarnieri</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Aspectos da sexualidade masculina na perspectiva da psicologia analítica - Parte 1 | Ivone Ferreira" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/LYd8CmT2U5w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Refer</strong><strong>ências:</strong><strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">ABDO, C.H.N. organizadora.&nbsp;<strong>Sexualidade humana e seus trantornos</strong>. 2.ed.- São Paulo, Lemos, 2000.</p>



<p class="wp-block-paragraph">CAVALCANTI, R., CAVALCANTI, M.&nbsp;&nbsp;<strong>Tratamento clínico das inadequações sexuais</strong>. 3.ed &#8211; São Paulo, Roca, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G.<strong>&nbsp;A natureza da psique v. 8/2</strong>. [Tradução de Mateus Ramalho Rocha]. 10.ed- Petrópolis, Vozes, 2013a.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G.<strong>&nbsp;O desenvolvimento da personalidade v. 17</strong>. [Tradução de Frei Valdemar do Amaral; revisão técnica de Dora Ferreira da Silva]. 14.ed- Petrópolis, Vozes, 2013b.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G.<strong>&nbsp;Psicologia do inconsciente v. 7/1</strong>. [Tradução de Maria Luiza Appy]. 24.ed- Petrópolis, Vozes, 2014.&nbsp;&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/aspectos-da-sexualidade-masculina-na-perspectiva-da-psicologia-analitica-parte-1/">Aspectos da sexualidade masculina na perspectiva da psicologia analítica &#8211; Parte 1</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Misoginia: resquícios da Caixa de Pandora</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/misoginia-o-que-e/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Barbara Pessanha]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Dec 2022 10:31:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Homem]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[misoginia]]></category>
		<category><![CDATA[pandora]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=6874</guid>

					<description><![CDATA[<p>Estamos no ano de 2022, e o debate sobre questões de gênero, sexualidade e identidade estão em todas as pautas importantes para a tentativa de integração em um novo modelo de existir social global. Repensar a sociedade a partir de novas (ou não tão novas) demandas é importante para todo aquele que trabalha e se envolve com ser humano. Então, posso incluir a humanidade, sem qualquer medo de errar nessa afirmação. Mas o caminho que estamos tomando é o correto? Estamos fazendo a inclusão e a imersão de pensar a sociedade sobre a bandeira queer de maneira segura e confiável para que sejamos mais agregadores, inclusivos e pertencentes com as minorias? Minha resposta a essa pergunta é um grande não. Pois acredito que enquanto não olharmos a fêmea da espécie, a mulher e a feminilidade em si não teremos chances de ser uma sociedade que olhe seus tons de cinza e se desconstrua, se não trouxermos equidade para o polo que trabalha o Eros.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/misoginia-o-que-e/">Misoginia: resquícios da Caixa de Pandora</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Estamos no ano de 2022, e o debate sobre questões de gênero, sexualidade e identidade estão em todas as pautas importantes para a tentativa de integração em um novo modelo de existir social global. Repensar a sociedade a partir de novas (ou não tão novas) demandas é importante para todo aquele que trabalha e se envolve com ser humano. Então, posso incluir a humanidade, sem qualquer medo de errar nessa afirmação. Mas o caminho que estamos tomando é o correto?Estamos fazendo a inclusão e a imersão de pensar a sociedade sobre a bandeira queer de maneira segura e confiável para que sejamos mais agregadores, inclusivos e pertencentes com as minorias? Minha resposta a essa pergunta é um grande não. Pois acredito que enquanto não olharmos a fêmea da espécie, a mulher e a feminilidade em si não teremos chances de ser uma sociedade que olhe seus tons de cinza e se desconstrua, se não trouxermos equidade para o polo que trabalha o Eros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro da Psicologia Analítica temos a ideia deturpada de inclusão quando vemos que as maiores partes de colaboradores de Carl Gustav Jung eram mulheres, todas brilhantes e foram extremamente importantes para o escalonamento da Psicologia Profunda ser reverenciada e introduzida aos poucos nos meios filosófico, psicológicos, sociológicos e antropológicos. Jung, foi sim, um grande pensador e o trabalho de valorizar as polaridades esteve sempre presente no centro de sua teoria. Feminino e Masculino são tomados quanto arquétipo e temos um modelo para nos orientar e guiar nas pontas que são opostas e complementares. Mas a mulher em si, a mulher como parte de uma construção de uma sociedade patriarcal foi pouco elaborada na psicologia de Jung pois ele teve o cuidado de se ver como homem ao falar sobre “A mulher na Europa” no livro Civilização em Transição Vol.10/3. Apesar de termos falas controversas aos dias atuais, ele fala no início da sua palestra: “Além disso, o que pode um homem dizer sobre a mulher, seu próprio contrário? Será que posso pensar em algo realmente autêntico, sem qualquer interferência da programática sexual, sem ressentimento, sem ilusão, que não seja pura teoria?”&nbsp;(JUNG, 2012, §236)</p>



<p class="wp-block-paragraph">São homens pensando a humanidade desde sempre, homens pensando homens, homens pensando a mente humana, mas não se pensa o lugar da mulher e a redução de espaços ocupados pelas fêmeas da nossa espécie quando falamos em pluralidade e pertencimento. Apagamento de gênero pode ser mais um motivo para o apagamento da mulher em si. Apagar um lugar que nunca foi ocupado na sua importância e valor adequados. Somos uma sociedade patriarcal que ao lutar pela desconstrução de gênero e pela inclusão temos que primeiro excluir e reduzir a mulher as minorias. Lugar improprio para uma classe que ocupa mais 50% desse planeta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A construção do patriarcado, segundo a hipótese da historiadora&nbsp;Gerda Lerner, a subordinação da mulher como classe se constrói sob bases obrigatórias de sobrevivência já que as mulheres geravam, os homens tinham que lutar pela subsistência da tribo, ou grupo. E isso desencadeia uma construção social que não se pensa o papel do homem ou da mulher, é quase como se o fator biológico determinasse onde as pessoas se encaixariam e viveriam. E ela completa que a escravidão é fruto da subjugação anterior dos homens sobre as mulheres. (LERNER, 2019) Essa resenha diminuta não consegue elaborar o tamanho do problema, mas posso sustentar que muitos dos nossos problemas com as questões de gênero provém da construção de modelo social de milênios ser feita por uma minoria de homens que detinham os poderes necessários em suas épocas para impor suas moralidades e questões para todo um grupo. Vivemos isso até hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na publicação “A mulher na Europa” de C.G. Jung do ano de 1927. Ele faz uma longa reflexão sobre o matrimonio e os lugares que a mulher e o homem ocupam na relação, além disso discorre como a instituição do casamento é importante para a sociedade como um todo. “Nada se pode ganhar com a destruição de um ideal e de um valor indiscutível, se não forem substituídos por algo melhor.” (JUNG, 2012) Aqui na reflexão de Jung vemos uma construção de mulher e homem ocupando posições sociais diferente, mas alerta que a mulher tendo animus “pode acontecer – e é a regra geral – que a mente de uma mulher que exerce uma função masculina seja influenciada pela masculinidade inconsciente, sem que ela o perceba, embora todos à sua volta o percebam claramente.” (JUNG, 2012)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se observarmos que a mulher, já na segunda metade do século XIX, começou a assumir profissões masculinas, a tomar parte ativa na política, a fundar associações e dirigi-las etc., será fácil constatar que está pronta a romper com um padrão de sexualidade essencialmente feminino, de inconsciência e passividade aparentes, e fazer uma concessão à psicologia masculina, para erigir-se em membro visível da sociedade. A partir daí ela não precisa mais dissimular-se atrás da máscara de Sra. Fulana de Tal, para conseguir que o homem satisfaça todos os seus desejos, ou para fazê-lo sentir que as coisas não estão correndo como ela deseja. JUNG, 2012 §242</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembrando que esse recorte foi de um texto de 1927, onde ainda os problemas eram de ordem de gênero e homossexualidade não era nem doença e sim, crime. A conquista do voto feminino começa na Inglaterra no ano de 1918, apenas 9 anos antes. Estamos 100 anos a frente da construção da Psicanálise e estudos mais focados nas questões psíquicas. Freud lança seu livro “Interpretação dos Sonhos” em 1901 e Jung vai além das questões de desenvolvimento de trauma e aprofunda a ideia de libido após o rompimento com o pai da Psicanálise em 1913. (BAIR, 2006) Era um período muito fecundo de teorias sobre a influência da psique e a ideia de individuo ser mente e corpo, trazendo assim questões subjetivas individuais para o cuidado do homem como um todo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos dias atuais as demandas sociais são outras, as necessidades de conhecimento e integração da psicologia e psicanálise são outras, mas esbarramos em questões que ainda atravessam as mesmas, ou seja, gênero e sexualidade, que eram pano de fundo 100 anos atras. E uma reflexão essencial para pensarmos as demandas atuais e que podem nos trazer progressos sociais são trazidas em 2019 por Paul Preciado no livro “Eu sou o monstro que vos fala” em que ele sendo um homem trans é convidado para falar na Escola da Causa Freudiana em Paris para tratar o tema de “Mulheres na Psicanálise” e é vaiado e não consegue terminar seu texto e para se fazer compreendido lança o livro. (PRECIADO, 2020)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Faz mais de seis anos que abandonei o estatuto jurídico e político de mulher. Um tempo talvez curto para quem está instalado no conforto ensurdecedor da identidade normativa, mas infinitamente longo quando tudo que foi aprendido na infância deve ser desaprendido, quando novas barreiras administrativas e políticas &#8211; invisíveis, mas eficazes &#8211; se erguem e a vida cotidiana se torna uma corrida de obstáculos. PRECIADO, 2020, p.16</p>



<p class="wp-block-paragraph">A importância de trazermos a reflexão é que psique e corpo são indivisíveis. Nascer mulher já traz uma série de fatores indissolúveis a construção social na sociedade patriarcal atualmente (nascer homem ou intersexo também, mas a discussão aqui é sobre a mulher e feminilidade). Papéis são indissociáveis a uma construção milenar e primordial do que é ser homem e mulher, e para haver pertencimento em todas as possibilidades de ser e existir precisamos dar lugar de fala e existência a mulher. E isso inclui a feminilidade em si. Pois depois da <strong>misoginia</strong> vieram todos os males do mundo. Ser afeminado é ser fraco, ser uma super fêmea que quer parir e ter um milhão de filhos é fora de propósito, a mulher TEM QUE conquistar seu espaço às custas de mansplaning, gagslighting, manterrupting e bropriating e com tudo isso existe a possibilidade de não inclusão, principalmente quando falamos de apagamento de gênero. Talvez esse movimento seja o maior para o silenciamento da mulher e do feminino como um todo. Como ouvir os diversos se não possibilitamos os modelos arquetípicos, e primordiais de referência se manifestarem de maneira plena?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda nos apoiamos nas visões e considerações do patriarcado, infelizmente para mudar precisamos de depoimentos e rupturas sociais como Paul Preciado fez e faz, mas entendo, como mulher cis, que a coragem e a determinação dele para falar no tom que ele falou só foi suportado pela sua condição de homem trans, se fosse uma mulher cis teria muito menos tempo que ele teve. E isso mostra que de 1927 quando Jung foi chamado para falar sobre “As mulheres na Europa”, mudamos muito pouco quando Preciado é chamado pra falar sobre “As mulheres na Psicanálise”. E ele faz esse adendo:</p>



<p class="wp-block-paragraph">As senhoras e os senhores organizaram um encontro para falar “as mulheres na psicanálise” em 2019 como se estivéssemos ainda em 1917, como se esse tipo particular de animal que se chamam de “mulheres”, de forma condescendente e naturalizada, ainda não tivesse adquirido pleno reconhecimento como sujeito político, como se as mulheres fossem apêndices ou notas de rodapé, criaturas estranhas e exóticas sobre as quais é imperativo refletir de tempos em tempos, em colóquios ou mesas redondas. (PRECIADO, 2020, p.14)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Logo, podemos, devemos e estamos nos construindo para criar uma sociedade nova, mas não existe inclusão enquanto as polaridades não são olhadas com igualdade. E para a mulher ter igualdade temos primeiro que ter equidade. Olhar para a construção patriarcal e dissolver da nossa história o apagamento da mulher é destruição social. Precisamos urgentemente rever e olhar para a sociedade contemporânea e nos perguntar onde estamos como classe. Pensar em classe é importante pois isso nos dá sentido de pertencimento. E a mulher como classe se pensa muito pouco, parece que estamos divididas em subclasses que disputam a atenção do protótipo masculino e pede ainda permissão para existir. E isso me parece um mal não só da mulher, mas das bandeiras de diversidade também. Queremos permissão para existir, sendo que já somos. Mas precisamos pensar isso como grupos e coletividade em busca de um mundo em que mulheres, homens, lgbtqia+ e todas as possibilidades de ser coexistam sem a gente ter que pensar o outro como oponente da nossa existência, mas acredito que a mulher fêmea da espécie seja a primeira direção a se olhar para conquistarmos isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/?s=bárbara+pessanha" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bárbara Pessanha </a>Membro Analista em Formação</p>



<p class="wp-block-paragraph">E. Simone Magaldi membro didata</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <strong>Civilização em Transição</strong>. ed. Petrópolis: Vozes, 2012b. (Obras Completas de C. G. Jung, v. 10/3)</p>



<p class="wp-block-paragraph">BAIR, Deidre. Jung &#8211; uma Biografia Vol. 1. Ed. Globo, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LERNER, Gerda.&nbsp;<strong>A criação do patriarcado</strong>: história da opressão das mulheres pelos homens. São Paulo, Cultrix, 2019.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">PRECIADO, Paul B.&nbsp;<strong>Eu sou o monstro que vos fala – Relatório para uma academia de psicanalistas.</strong>&nbsp;Ed. Zahar, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.cartacapital.com.br/blogs/sororidade-em-pauta/o-apagamento-das-mulheres-na-historia-e-o-direito-a-memoria/">https://www.cartacapital.com.br/blogs/sororidade-em-pauta/o-apagamento-das-mulheres-na-historia-e-o-direito-a-memoria/</a>&nbsp;Disponível em: 12.04.2019 Acesso: 22 nov.2022</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://annelisegripp.com.br/gaslighting-mansplaining-manterrupting-bropriating/">https://annelisegripp.com.br/gaslighting-mansplaining-manterrupting-bropriating/</a>&nbsp;Disponível em:&nbsp;<a href="https://annelisegripp.com.br/gaslighting-mansplaining-manterrupting-bropriating/">06/12/2018</a>Acesso: 22 nov.2022</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/misoginia-o-que-e/">Misoginia: resquícios da Caixa de Pandora</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O masculino: integração criativa dos arquétipos</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-masculino-integracao-criativa-dos-arquetipos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Nov 2021 13:43:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Homem]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidade]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=4592</guid>

					<description><![CDATA[<p>A natureza masculina, independente de identidade de gênero ou orientação sexual, é marcada por diferentes heranças - biológicas, psicológicas, culturais, espirituais e sociais – que influenciam nos papéis que o homem deve assumir. O Dia Internacional do Homem é comemorado em 19 de novembro, enfatizando o resgate de valores e a conscientização da saúde masculina, com a campanha Novembro Azul. É comum as atenções se centrarem principalmente no câncer de próstata, porém a saúde psíquica requer atenção, com as crises de identidade cada vez mais presentes em diferentes fases da vida. Entre várias possibilidades evidencio, neste artigo, os mitos para aprofundamento, dando mais atenção ao mito de Héracles, também conhecido como Hércules, o herói dos 12 trabalhos, que pode ser inspirador para a ressignificação de conflitos do masculino, contribuindo para a sua evolução.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-masculino-integracao-criativa-dos-arquetipos/">O masculino: integração criativa dos arquétipos</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Muitos aspectos definem a natureza masculina. As heranças biológicas, psicológicas, culturais, espirituais e sociais influenciam nos diferentes papéis que o homem deve assumir,&nbsp;independentemente da identidade de gênero ou da orientação sexual. De um modo geral, ainda está enraizada uma construção sociocultural de que o princípio masculino é de ação, que envolve o desafio de ser guerreiro, conquistador, caçador e provedor. Nesse contexto, a expressão “homem não chora” simboliza a necessidade de dar conta do que lhe é atribuído com a obrigação de ser forte e que pode configurar a dificuldade de expressar sentimentos e emoções. De forma idêntica, percebemos um dinamismo no aspecto psíquico, ao sermos tomados no nosso dia a dia pelos arquétipos &#8211; conjunto de imagens primordiais que são armazenadas pelo inconsciente coletivo, repetidas por muitas gerações &#8211; que podem comparecer em forma de mitos, representados por deuses e deusas e simbolizam os diferentes aspectos da nossa personalidade. Na caminhada ao encontro com a sua essência, o masculino pode concretizar um diálogo com as expressões mitológicas e promover a integração criativa dos arquétipos e viver com mais harmonia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com Richard Parker, antropólogo, sociólogo e sexólogo, até recentemente o patriarcado trouxe a diferenciação entre o masculino e feminino, sendo que as atividades do homem eram relacionadas com o mundo social da economia, da política, das interações sociais e da família, definido como ágil e corajoso. Enquanto isso, a mulher era limitada ao mundo doméstico da própria família e, com a saída do espaço privado para o público, redefiniram-se os papéis sociais, o que resultou em crise na masculinidade do homem contemporâneo, perdendo a noção de sua própria identidade (PARKER,1991, p.59). É possível percebermos que a transição entre as velhas e as novas possibilidades resultou em crises de identidade, vindo ao encontro da metanoia, que na psicologia analítica junguiana é compreendida como crise de transição, que exige transgressão para que as mudanças ocorram, podendo se manifestar em qualquer fase ou idade cronológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vindo ao encontro, o adolescente foi perdendo as referências do papel anterior do homem e, ao ingressar no mundo adulto dos relacionamentos, percebe que não é o único provedor e que as tarefas antes realizadas pela mulher, agora são compartilhadas em diferentes áreas. Outro fator importante é que as experiências da andropausa, ainda não tão difundidas como as experiências da menopausa nas mulheres, podem implicar em transformações sobre a visão de mundo, mudança de crenças e de paradigmas. É marcada pela fase em que o homem percebe início de declínios, principalmente pelos aspectos físicos visíveis e, que requer ajuda de especialistas. Na velhice, após a aposentadoria, muitos perdem referências importantes e adoecem. &nbsp;Nessa fase é cada vez mais comum ser provedor de filhos e netos. Ao mesmo tempo, a transição entre o velho e o novo exige uma meta espiritual incondicional para a saúde da alma, como disse Jung:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por mais importante que seja para o homem ganhar o seu sustento e, na medida do possível, fundar também sua família, contudo nada terá conseguido com isso se não realizar o sentido da sua vida (2013, O/C 17, p. 95).&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, os ritos de passagem têm papel fundamental e nos permitem entrar em contato com a profundidade, como disse Hollis: “O objetivo do ato simbólico que o rito encena é conduzir ou retornar a experiência de profundidade” (1997, p. 23). Historicamente, eles eram aprendidos com os pais, com pessoas mais velhas, na realização e participação em trabalhos, jogos e outros mais. Sem ritos, o masculino precisa fazer sua jornada de herói sozinho, ao mesmo tempo integrar-se com o feminino e tornar-se homem. Apesar de alguns ritos terem se perdido com o passar dos anos, hoje deparamo-nos com inovações em celebrações e conscientizações. A história nos mostra que no Brasil o&nbsp;<em>Dia do Homem</em>&nbsp;é comemorado em 15 de julho, desde 1992, data escolhida pela Ordem Nacional dos Escritores, porém o&nbsp;<em>Dia Internacional do Homem</em>&nbsp;é comemorado em 19 de novembro de cada ano, desde 1999. Os objetivos celebrados nesta data envolvem cinco pilares, que abrangem os valores humanitários básicos, que compreendem as suas contribuições para a sociedade, comunidade, vizinhança, família, casamento e filhos, auxiliam na ressignificação de velhos padrões masculinos, contribuindo para a sua evolução. De modo semelhante, surgiu a campanha&nbsp;<em>Novembro Azul</em>&nbsp;para conscientização a respeito das doenças masculinas. É comum as atenções se centrarem principalmente no câncer de próstata, porém enfatizo os cuidados com a saúde psíquica que requer atenção, com as crises de identidade cada vez mais presentes em diferentes fases da vida. Vale lembrar que, de acordo com estudos relacionados à psicologia das cores, o uso do azul para representar o masculino é uma construção social, que se intensificou a partir dos anos 1980, sendo que não existem raízes ancestrais, genéticas ou psicológicas que justifiquem tais preferências.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim como os ritos, os mitos assumem um papel muito importante na ressignificação do masculino, em forma de histórias que encantam e são comuns na humanidade, com padrões de comportamento, emoções e reações, com as tragédias e a redenção dos deuses, que são a representação do inconsciente coletivo e simbolizam os diferentes aspectos da nossa personalidade em forma de arquétipos. Os deuses e as deusas nos “visitam” pela constelação de complexos, estando mais presentes do que podemos imaginar. Em sua obra completa, Jung teoriza sobre a importância dos arquétipos. Diferentes autores junguianos também discorrem sobre o tema e, nessa ampliação, cito algumas contribuições de Walter Boechat (2008, 52-71), médico e analista junguiano, sobre seis arquétipos que podem representar o masculino. O mais conhecido é&nbsp;<em>o Arquétipo do Puer Aeternus,&nbsp;</em>um deus eternamente criança, que preza pela independência e a liberdade, opondo-se a limites e restrições, que se recusa a crescer e enfrentar os desafios da vida, mostrando-se imaturo e com características narcísicas.&nbsp;Na psicologia, é conhecido como um adulto socialmente imaturo, com&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Peter_Pan"><em>S</em></a><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Peter_Pan">índrome de Peter Pan</a><em>.</em>&nbsp;A&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Sombra_(psicologia)">sombra</a>&nbsp;do&nbsp;<em>puer</em>&nbsp;é o&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Velho_s%C3%A1bio"><em>senex</em></a><em>,&nbsp;</em>que emlatim representa &#8220;homem velho&#8221;, que nem sempre é sábio. O&nbsp;<em>Arquétipo do Velho Sábio</em>&nbsp;é representado pela sabedoria e bondade, mas também pode ser simbolizado por&nbsp;<em>Khronos</em>, o deus do tempo, um ancião empunhando uma foice para mostrar que o tempo tudo destrói, o pai distante e hostil, representando a dificuldade em expressar emoções e sentimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Igualmente, para a compreensão do masculino é importante considerarmos o&nbsp;<em>Arquétipo do Herói</em>, que é associado aos ritos de passagem. Como exemplo podemos citar Aquiles, o herói que tinha um ponto fraco. Ele perdeu a vida em Tróia, mas foi o grande herói do conflito, que preferiu ter uma vida gloriosa e curta a uma existência longa e apagada. De forma idêntica, Ares, o deus da guerra, o amante com presença impetuosa, agressiva e apaixonada, sem preocupação com as consequências dos seus atos. O&nbsp;<em>Arquétipo do Pai é</em>&nbsp;associado à cultura e à tradição. Urano, o deus do céu, é um exemplo típico e sua violência contra os filhos marcou o início do mal, representando a paternidade violenta. Zeus, o pai autoritário e o líder nato, o governante de deuses e mortais, representa o desafio de superar e ser o único no comando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp;<em>Arquétipo do Don Juan</em>, por sua vez, representa o conquistador compulsivo e o transgressor. Seu representante pode ser Dionísio, o deus de todos os prazeres, do vinho, do êxtase e da alegria. Mestre em viver o presente, representa o desafio em estabelecer vínculos emocionais mais profundos, moderar impulsos e vencer tendências ao exagero. Já o&nbsp;<em>Arquétipo do Trickster,</em>&nbsp;considerado o sem limite, pode ser compreendido com o Hermes, deus da comunicação, que tinha como características positivas a agilidade mental e a habilidade com palavras, transitando com fluidez, movimento e leveza em todos os reinos, ao mesmo tempo era ladrão e trapaceiro que descobria e experimentava novas possibilidades, enganando os envolvidos e depois desaparecia.&nbsp; Esse arquétipo evidencia aspectos sombrios reprimidos, decorrentes de diferentes vivências no contexto da nossa sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para facilitar a compreensão, trago exemplos significativos de alguns deuses, especialmente os gregos, que também nos ajudam a compreender aspectos da personalidade masculina (BRANDÃO, 1991).&nbsp;<em>Apolo</em>, o deus radiante, que possui mais de 200 atributos, é a representação do padrão racional, centrado no mundo do trabalho e dos negócios e tem como desafio superar o complexo de superioridade.&nbsp;<em>Odisseu</em>, o herói viajante, é o símbolo da capacidade dos homens superarem seus limites.&nbsp;<em>Poseidon,</em>&nbsp;deus dos mares, coloca a emoção e os instintos acima da razão e tem como desafios controlar a impulsividade e a fúria, livrar-se da dependência e do apego nos relacionamentos.&nbsp;<em>Hades</em>, o deus fechado, introvertido e enigmático tem como desafio ser menos radical, trabalhar em equipe, superar a tendência à solidão.&nbsp;<em>Hefesto</em>, o deus imperfeito, nasceu feio, manco e tímido. Representa o instinto criativo, o trabalho profundo, a transformação da matéria bruta em obra de arte, mas precisa vencer a mania de trabalhar demais e de superar a perfeição em detrimento de si. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da mesma forma, no inconsciente coletivo também estão armazenados vários arquétipos com a representação de deusas, que favorecem o diálogo entre a razão e a sensibilidade. Às vezes, o masculino pode ser tomado por&nbsp;<em>Afrodite</em>, a deusa do amor, ou por&nbsp;<em>Ártemis</em>, simbolizando a mulher independente, ou mesmo por&nbsp;<em>Atena,</em>&nbsp;a deusa da sabedoria. Em outros momentos, podemos ter vivências que nos remetem a&nbsp;<em>Deméter,</em>&nbsp;a deusa da nutrição e da maternidade e também a&nbsp;<em>Héstia</em>, com a sua harmonia espiritual. Essas memórias, bem como de outros deuses e deusas, podem representar as possibilidades de diferenciação do papel do masculino, auxiliá-lo no processo de relacionar-se cada vez mais conscientemente com sua feminilidade inconsciente &#8211; sua anima &#8211; sair de condições patológicas e curar a sua alma, resgatando assim a coragem de amar com sensibilidade e criatividade. Para ampliar essa questão, Carl Gustav Jung deixou-nos como legado, que ele denominou de&nbsp;<em>anima</em>&nbsp;e&nbsp;<em>animus &#8211; anima&nbsp;</em>é a contraparte feminina inconsciente na psique do homem e<em>&nbsp;animus&nbsp;</em>é a contraparte inconsciente masculina na psique da mulher – modos simbólicos de percepção e comportamento, que contribuem com a ideia de que o homem também precisa lidar com a sua contraparte feminina, ou seja, sua&nbsp;<em>anima</em>&nbsp;(O/C 7/2, 296-340)<em>.&nbsp;</em>&nbsp;Isso nos faz lembrar de Gilberto Gil, que em sua canção&nbsp;<em>Super Homem</em>, exalta o sentido simbólico da integração da&nbsp;<em>anima</em>:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dia, vivi a ilusão de que ser homem bastaria. Que o mundo masculino tudo me daria do que eu quisesse ter.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que nada, minha porção mulher, que até então se resguardara, é a porção melhor que trago em mim agora, é que me faz viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem dera, pudesse todo homem compreender&#8230; (GIL, G. 1979).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vindo ao encontro do processo de integração de arquétipos, ressalto a importância dos&nbsp;<em>12 trabalhos de Héracles</em>. É interessante lembrarmos que em diferentes épocas e contextos da humanidade o número 12 envolveu e ainda envolve situações de referência: 12 apóstolos, 12 meses do ano, 12 signos do zodíaco, dia é dividido em dois blocos de 12, entre outros. A revista “Bons fluidos”, edição especial 65 &#8211;&nbsp;<em>Os Mitos e Você&nbsp;</em>(2004, p.39-40), descreveu o mito do herói dos 12 trabalhos –&nbsp;<em>Héracles</em>&nbsp;&#8211; que pode ser o inspirador para a ressignificação de conflitos do masculino (FIGURA 10). A história conta que ele foi induzido a matar a sua esposa e os seus três filhos, num acesso de loucura provocado por&nbsp;<em>Hera</em>, que o designou servir ao rei&nbsp;<em>Eristeu</em>, seu primo e principal inimigo, que o incumbiu de doze tarefas arriscadas que, de forma resumida, representavam: domar a violência e a agressividade; superar vícios; substituir impulsos por sabedoria e paciência; vencer o egoísmo; limpar emoções negativas, reconhecer e usar a intuição; controlar os instintos e a sexualidade; abrir o coração; descarregar a fúria quando é contrariado; construir laços afetivos duradouros; vencer a cobiça; usar talentos e recursos internos e valores da alma que&nbsp; são mais importantes que os meros e fugazes desejos do corpo.&nbsp;<em>Héracle</em>s&nbsp;<em>(Hércules)</em>&nbsp;realizou tarefas árduas, que exigiram a integração de polaridades. Percurso idêntico apresentado por Joseph Campbell (1989), com a&nbsp;<em>Jornada do Herói,</em>&nbsp;evidenciando 12 passos e o&nbsp;<em>Tarot Mitológico</em>&nbsp;(SHARMAN-BURKE, 1968), com 21 cartas, que nos convidam para refletirmos sobre a saga do herói, que envolve um caminho de autotransformação para renovação da vida. Em outras palavras, essas expressões criativas podem auxiliar o percurso entre o Ego e o Self para chegarmos na transcendência, que envolve o processo de individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesta caminhada, é comum nos depararmos com padrões unilaterais, paradoxos do excesso e da falta, que estão presentes na maioria das neuroses e expressam descontentamento. Fernando Pessoa deixou-nos versos sobre o conflito entre o pensar e o sentir:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tenho tanto sentimento que é frequente persuadir-me de que sou sentimental, mas reconheço, ao medir-me, que tudo isso é pensamento, que não sentia final.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos, todos que vivemos, uma vida que é vivida e outra vida que é pensada, e a única vida que temos é essa que é dividida entre a verdadeira e a errada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Qual, porém, é a verdadeira e qual errada, ninguém nos saberá explicar; e vivemos de maneira que a vida que a gente tem é a que tem que pensar (2006, p. 172-73).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante percebermos que cada arquétipo pode contemplar uma visão de mundo e a tendência é pensarmos, sentirmos e agirmos de acordo com esses padrões. Sabemos que não existe um arquétipo pior ou melhor que outro, porém se os aspectos que comparecem em nós são geradores de conflitos, haverá necessidade de um novo olhar, que envolve um processo de ressignificação. Todo o excesso encobre uma falta e as crises comparecem como oportunidade de reorganização e realização de novas escolhas. Talvez o<em>&nbsp;Velho Sábio&nbsp;</em>precisa recuperar a sabedoria e a bondade e deixar ir o pai distante e hostil. Quem sabe, o guerreiro que luta constantemente, precisa dar espaço para a passividade. Ou ainda, o instinto criativo de&nbsp;<em>Hefesto</em>&nbsp;precisa ser desenvolvido, assim como a harmonia espiritual de&nbsp;<em>Héstia</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enfim, um olhar para as tarefas de&nbsp;<em>Héracles</em>&nbsp;(Hércules) pode permitir a ampliação da consciência e além disso, resultar num chamado maior, como se expressou simbolicamente Zé Ramalho (2019) pela música&nbsp;<em>Os Doze Trabalhos de Hércules</em>:</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os cavalos do Rei Áugias, cavalariças para limpar.<br>Muitos perigos esperam Hércules, tantos segredos por desvendar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os doze trabalhos de Hércules, a todos ele irá cumprir.<br>Herói dos heróis da Grécia, com muitos deuses irá seguir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diferenciar e integrar velhas e novas possibilidades, pode resultar na recuperação do valor da jornada da alma, envolvendo a capacidade criativa e criadora de melhorar o mundo. Assim, na caminhada ao encontro com a sua essência, o masculino pode concretizar um diálogo com as expressões mitológicas e ressignificar seus padrões de adoecimento em padrões saudáveis, com a integração criativa dos arquétipos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Claci Maria Strieder, analista em formação pelo IJEP</p>



<p class="wp-block-paragraph">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata</p>



<ol class="wp-block-list" type="a">
<li>Leituras de Apoio:</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">BOECHAT, W.&nbsp;<em>A Mitopoese da psique, mito e individuação</em>. Petrópolis: Vozes, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRANDÃO, J. S.&nbsp;<em>Dicionário mítico-etimológico da mitologia grega</em>. Petrópolis: Vozes, 1991. vol. 1, 2 e 3&nbsp; &nbsp;<a>CAMPBELL. J.&nbsp;<em>O herói de mil faces.</em>&nbsp;São Paulo: Cultrix, 1989.&nbsp;</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, J.&nbsp;<em>Sob a Sombra de Saturno, a ferida e a cura do homem.</em>&nbsp;São Paulo: Paulus, 1997.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.&nbsp;<em>O desenvolvimento humano.</em>&nbsp;14ª edição. Petrópolis. Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">___________<em>O eu e o inconsciente.</em>&nbsp;Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>___________Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo.&nbsp;</em>Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PARKER, R. G.&nbsp;<em>Corpos, prazeres e paixões: a cultura sexual no Brasil contemporâneo</em>. São Paulo: Best-Seller/Abril Cultural, 1991. &nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">REVISTA BONS FLUÍDOS.&nbsp;<em>Especial Os Mitos e Você</em>, nº 65. São Paulo: Editora Abril, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SHARMAN-BURKE, J. O tarô mitológico. São Saulo: Siciliano, 1968.</p>



<ol class="wp-block-list" type="a" start="2">
<li>Imagem:</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">WIKIMEDIA COMMONS.&nbsp;<em>&#8216;Heracles&#8217;&nbsp;</em>(Philippe-Laurent Roland, 1806),&nbsp;2008.</p>



<ol class="wp-block-list" type="a" start="3">
<li>Música:</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">GIL, Gilberto.&nbsp;<em>Super homem</em>&nbsp;– a canção, disco Realce, 1979.</p>



<p class="wp-block-paragraph">RAMALHO, Zé &amp; RECIFE, Robertinho de.&nbsp;<em>Os doze trabalhos de Hércules</em>. Avôhai Music, 2019.</p>



<ol class="wp-block-list" type="a" start="4">
<li>Poesia:</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph">PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. 3ª edição, 2006.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="O MASCULINO: INTEGRAÇÃO CRIATIVA DOS ARQUÉTIPOS" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/AXiqqWzedjY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-claci-maria-strieder-10-11-2021"><strong><em>Claci Maria Strieder &#8211; 10/11/2021</em></strong></h4>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-masculino-integracao-criativa-dos-arquetipos/">O masculino: integração criativa dos arquétipos</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Uma reflexão sobre a psicologia masculina: zeus, poseidon, família corleone e dramas do homem contemporâneo</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/uma-reflexao-sobre-a-psicologia-masculina-zeus-poseidon-familia-corleone-e-dramas-do-homem-contemporaneo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rafael Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Dec 2019 17:09:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Homem]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidade]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Numinoso]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[homem]]></category>
		<category><![CDATA[masculidade]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=4776</guid>

					<description><![CDATA[<p>Como é sabido, na mitologia grega, em uma das versões aceitas, após vencer os Titãs, os deuses Zeus, Poseidon e Hades sortearam qual seria o reino destinado aos cuidados de cada um, sendo Zeus o sorteado para ser o responsável pelos céus, Poseidon pelos mares e Hades pelo submundo (Bolen, 2002). Também é sabido que [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/uma-reflexao-sobre-a-psicologia-masculina-zeus-poseidon-familia-corleone-e-dramas-do-homem-contemporaneo/">Uma reflexão sobre a psicologia masculina: zeus, poseidon, família corleone e dramas do homem contemporâneo</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Como é sabido, na mitologia grega, em uma das versões aceitas, após vencer os Titãs, os deuses Zeus, Poseidon e Hades sortearam qual seria o reino destinado aos cuidados de cada um, sendo Zeus o sorteado para ser o responsável pelos céus, Poseidon pelos mares e Hades pelo submundo (Bolen, 2002). Também é sabido que toda a mitologia grega pode ser compreendida como uma representação arquetípica dos dramas humanos atemporais, em suas virtudes e vicissitudes (Jung, OC 9/1, 2012).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma olhada rápida para as glórias e infortúnios dos deuses mencionados acima nos abre um leque de análise importante para a psicologia masculina (Brandão, 2015). Outros deuses e suas aventuras também poderiam ser considerados nesta análise, mas quero me concentrar especialmente na visão do Zeus e Poseidon constelados no homem contemporâneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é objetivo do texto propor um aprofundamento nas aventuras dos dois deuses, uma vez que se parte do pressuposto que podemos conhecê-las em livros especializados como, por exemplo, a trilogia de Junito de Souza Brandão (Mitologia I, II e III) ou os estudos da Jean Shinoda Bolen (Os deuses e os homens / As deusas e a mulher).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma consideração a se fazer é que, como representação simbólica da psique, cada deus encerra em si uma totalidade em que estão contidos aspectos polares, ou seja, há um conflito de opostos dentro de cada deus mítico. Podemos compreender Zeus em sua dimensão sagrada, de justiça, solicitude e estratégia, assim como em sua dimensão profana, de crueldade, vingança e autoritarismo. O mesmo vale para Poseidon.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, em termos de ampliação simbólica e para fins didáticos, também é possível compreender dinâmicas da psique em que, contextualmente, um deus represente o oposto do outro, tal como sugere Nietzsche quando ele estabelece a polarização entre Apolo e Dionísio (in Jung, OC, 2013), na qual estes deuses representam simbolicamente, dentro da mesma unidade psíquica, um par de opostos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda que não haja um aprofundamento na dinâmica Zeus e Poseidon neste artigo, é importante fazermos ao menos uma pequena contextualização de suas características para embasar a reflexão proposta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Zeus, apesar da designação de deus dos céus, acabava por ter uma liderança geral perante todos os deuses, até mesmo no Olimpo, território, supostamente, livre para todos os imortais. Ele se caracterizava por ser um deus estratégico, sábio e, na maioria das vezes, justo em seus acordos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em outra perspectiva, era extremamente furioso e com uma relação instável com o universo feminino. Diversas vezes se disfarçou para conquistar suas parceiras, e quando estas o recusavam, ele as tomava à força.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Poseidon, por sua vez, era o irmão de Zeus, tendo sido sorteado para ficar com os mares. Guardava em si uma certa gana de um dia tornar-se líder dos deuses, posição informalmente ocupada por Zeus, na visão exposta especialmente por Bolen (2002).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Era um deus extremamente emocional e quando rejeitado se enchia de ira, normalmente expressando isso por maremotos e afins. Em seu outro aspecto, ele procurou diversas vezes ajudar outros deuses (ou mortais) em situação de risco ou perigo, usando de sua força e reinado sobre os mares para resolver as situações, sendo este um aspecto positivo de sua divindade. Também não tinha um bom termo com as mulheres, sendo rejeitado por elas em diversas ocasiões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se fizermos uma aproximação com a tipologia junguiana, poderíamos dizer que Zeus era regido pelo mundo do pensamento, ao passo que Poseidon era regido pelo mundo do sentimento. Mas como seriam esses deuses expressos arquetipicamente na psicologia masculina?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma comparação que me parece interessante é a do filme “O poderoso chefão – I”, em que Don Vito Corleone expressa em seu perfil aspectos da imagem arquetípica de Zeus. Ele é líder soberano da máfia ítalo-americana, um homem articulador, poderoso, respeitado, que preza pela justiça e contrapartidas, fazendo também o uso de seus capangas para acertar as contas com aqueles que não tiveram “respeito” pelas suas negociações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Don Corleone tinha três filhos e uma filha. Como podemos prever, nesse contexto patriarcal, a filha pouco valor tinha nesse mundo de “deuses” encabeçado por seu pai. Contudo, foi justamente a personagem dela que teve um papel crucial num acontecimento trágico, mostrado numa cena chocante: o assassinato de seu irmão Santino, também chamado Sonny – e essa cena nos ajudará na compreensão deste texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os três filhos homens de Don Corleone eram Michael, Fredo e Santino. Michael era o filho predileto, que ao meu ver é possível aproximar sua imagem ao deus Apolo, um dos filhos prediletos de Zeus (mas não embarcarei na discussão do perfil de Michael, que no contexto do filme foi exatamente quem sucedeu o pai no “trono”).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fredo era o rejeitado, absorvendo para si toda a sombra de fracasso e deslealdade que rondava a família Corleone. Tinha em si algo de Dionísio, que em sua passagem mitológica guarda um histórico a rejeição familiar, tal como Fredo, que também era sutilmente rejeitado por sua família, além de ter uma personalidade com baixa expressividade. Não seria errado vermos características de Hefesto em Fredo também.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santino era, antes da chegada de Michael (que estava ausente da família para cumprir serviços militares), o suposto sucessor de seu pai. Simbolicamente seria o Poseidon que queria tornar-se Zeus. Santino era ávido por assumir a liderança dos negócios (ilícitos) da família. Era um rapaz altamente emocional e explosivo, nada conciliador e pouco estrategista. Procurava se impor pelos gritos e impaciência para com seus apadrinhados. Mas não media esforços para garantir a honra da “famiglia”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A filha de Don Corleone, Connie Corleone, casou-se com um rapaz que se mostrará altamente violento para com ela e misógino (o que não chega a ser uma surpresa, dada a referência de masculino que Connie tinha na família).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao saber de uma das diversas agressões sofridas pela irmã, Santino sai em disparada em seu carro, sozinho, sem a devida proteção de seus seguranças, e é surpreendido por uma rajada de metralhadoras que destrói seu carro, uma cena épica para a história do cinema. Ele não resistiu aos ferimentos, assim como não resistiu à possessão emocional de seus complexos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em nossa sociedade patriarcal existem muitos homens com o arquétipo de Zeus constelado, tanto em seu aspecto luz, quanto em seu aspecto sombra, sejam eles líderes políticos, institucionais ou organizacionais. Normalmente são homens com frieza emocional, mas com ótima capacidade de articulação política a estratégica, e que, em seu aspecto sombra, não estabelecem um bom termo com suas animas, aspectos do simbólico feminino presente nos homens, mas que ainda assim são venerados e respeitados em seus respectivos “tronos”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Emma Jung (2006) nos explica que a anima “<em>representa o componente feminino da personalidade do homem, mas ao mesmo tempo a imagem do ser feminino que de modo geral traz em si; em outras palavras, o arquétipo do feminino”&nbsp;</em>(pág. 57).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos caminhos para o desenvolvimento do homem-Zeus, é justamente trazer à tona o universo do sentimento, abrindo espaço para que outros aspectos de sua personalidade emerjam, a fim de evitar o sofrimento emocional que a ausência do amor altruísta e o auto amor podem trazer, expressados na infinita busca por poder. Esse é o caminho sugerido para que se integre na psique os aspectos positivos da anima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já Poseidon, ocupa em nossa sociedade um espaço que me parece até mais perigoso do que o de Zeus. São homens que em seu íntimo queriam ser Zeus, e que não medem esforços para atingir esta meta psíquica. Porém, na maioria das vezes, são tomados por seus complexos de inferioridade, e se expressam como crianças mimadas, querendo ganhar “no grito” ou “na força” o poder que&nbsp;<strong><u>não</u></strong>&nbsp;lhes foi outorgado. Faltam-lhes a capacidade estratégica de Zeus.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como Santino foi tomado de ira, sem ponderar os riscos de uma ação intempestiva, Poseidon não hesita em expressar sua fúria como deus dos mares. Mas vale lembrar que, dentre muitas representações simbólicas, o mar (ou oceano) pode ser visto como o inconsciente. Um homem-Poseidon que não consegue estabelecer um bom termo com a força do inconsciente, buscará incansavelmente o trono de Zeus, mas de maneira intempestiva, passional e desajustada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não raro, vemos políticos se estapeando publicamente, muitas vezes tomados pela ira de Poseidon, deixando escapar pelos tabefes de suas mãos seus complexos de inferioridade perante a soberania de um Zeus qualquer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caminho para o desenvolvimento do homem-Poseidon é justamente buscar a integração com a sabedoria e a capacidade analítica que o habita, tal como o pensamento de Zeus. Isso só pode ser feito se houver uma aceitação de que ele não é, a priori, um homem-Zeus. Ele deve entrar em contato com seu inconsciente, a fim de evitar que seja tomado de assalto pelos seus complexos, reconhecendo-os e lidando com eles, fazendo isto especialmente no processo de Análise Pessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santino Corleone (homem-Poseidon) foi assassinado quando teve de resolver um problema da sua irmã (imagem de sua anima), deixando correr pelo seu corpo uma ira incontrolável. Simbolicamente, se ele tivesse chamado para si a sabedoria de Zeus e não a intempestividade de Poseidon, talvez tivesse ocupado o lugar que tanto almejava, evitando sua morte prematura. Neste contexto, a morte prematura de um homem-Poseidon, é justamente não conseguir sair de seu imbróglio emocional, não conseguir transitar para o universo da sabedoria, ficando refém de seus próprios complexos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No filme, a irmã de Santino o chama para salvá-la das mãos do marido violento. Foi um chamado da anima, que em seu aspecto psicopompo na psicologia masculina, o colocou em contato com uma situação de crise, e com isso abriu a possibilidade para que o conflito fosse enfrentado de maneira sábia e que, para a desgraça da família Corleone, não foi compreendido dessa forma por Santino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na psicologia masculina, a anima vai sempre fazer um chamado, colocando o homem diretamente em contato com os seus complexos. Cabe a este decidir como lidar com eles, pelo caminho do desenvolvimento que, por exemplo, a Análise Junguiana propõe ou pelo caminho da dor, em que os complexos não compreendidos, e supostamente abafados pela consciência, podem causar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em tempos de polaridades políticas e anseios por poder nas organizações e instituições, geradas pelos aspectos negativos do patriarcado, é imperativa a necessidade dos homens se aprofundarem nos mistérios de suas almas (animas) a fim de enfrentar seus complexos (maternos, paternos, de inferioridade, de insegurança, dentre outros) e, em que por meio do seu processo de desenvolvimento individual, ele contribua para a melhoria de toda coletividade. Reciprocamente, as mulheres também precisam fazer esta mesma jornada na direção de seus animus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Zeus e Poseidons são necessários, mas viver somente na sombra de suas deidades, faz dos homens reféns de si mesmos, de seus complexos. Isto é o inverso do potencial criativo, da justiça, da estratégia e da temperança que estes deuses podem proporcionar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Rafael Rodrigues de Souza</strong>&nbsp;é Psicólogo e Analista Junguiano em formação pelo IJEP. Atende em seu consultório particular na Vila Mariana em São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega, vol. I. 25ª ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BOLEN, Jean Shinoda. Os deuses e o homem: uma nova psicologia da vida e dos amores masculinos. São Paulo: Paulos, 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo (v. 9/1). 8ª ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Tipos Psicológicos (v. 6). 7ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Emma. Animus e anima. Cultrix: São Paulo, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PODEROSO CHEFÃO I (filme). Direção: Francis Ford Coppola, Produção: Albert. S. Ruddy. Estados Unidos da América, DVD, 1972.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Rafael Rodrigues de Souza&nbsp;</em></strong></h4>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/uma-reflexao-sobre-a-psicologia-masculina-zeus-poseidon-familia-corleone-e-dramas-do-homem-contemporaneo/">Uma reflexão sobre a psicologia masculina: zeus, poseidon, família corleone e dramas do homem contemporâneo</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sexo casual ou fricção genital?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/sexo-casual-ou-friccao-genital/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Luiz Balestrini Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jun 2019 19:28:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Casamento]]></category>
		<category><![CDATA[Homem]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=4674</guid>

					<description><![CDATA[<p>Uma das espécies de chimpanzé, que mais se assemelha ao ser humano em termos de comportamento e fisiologia, é a dos bonobos. Além de possuir um índice de mais de 98% de igualdade com o código genético humano, uma das principais características que os aproximam de nós é a dissociação do sexo com a sua [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/sexo-casual-ou-friccao-genital/">Sexo casual ou fricção genital?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Uma das espécies de chimpanzé, que mais se assemelha ao ser humano em termos de comportamento e fisiologia, é a dos bonobos. Além de possuir um índice de mais de 98% de igualdade com o código genético humano, uma das principais características que os aproximam de nós é a dissociação do sexo com a sua função reprodutora. O comportamento sexual dos bonobos, além de abundante, é de extrema importância para manter sua estrutura social. Fora o sexo em si, os bonobos possuem uma grande variedade de comportamentos relacionados que não caracterizam o coito, como por exemplo a fricção genital que pode acontecer num contexto fêmea-fêmea e fêmea-macho, a fricção anal e a esgrima peniana que acontecem entre machos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A observação científica do comportamento sexual dos bonobos indica que essa espécie utiliza o sexo e suas variantes, principalmente por sua função conciliadora. Em muitos contextos diferentes, o sexo, ou um dos comportamentos relacionados, surge para apaziguar humores evitando conflitos, facilitando a divisão de comida entre os membros de um mesmo grupo, e até mesmo para diminuir a ansiedade e estresse de indivíduos que estejam passando por uma situação adversa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista da sobrevivência da espécie, os bonobos mantém esse comportamento porque ele foi importante na sua adaptação ao mundo, garantindo a sua reprodução e perpetuação até agora &#8211; hoje eles estão ameaçados de extinção. Apesar do comportamento altamente sofisticado dessa espécie, não podemos afirmar que exista em sua vasta gama comportamental qualquer coisa que se assemelhe, em termos de refinamento cognitivo e intelectual, à reflexão e à função simbólica humana. Foi exatamente o simbolismo, a capacidade de abstração e a possibilidade da crença em ideias, que nos levaram ao que somos hoje, em termos de organização social, cultural e tecnológica. Por isso, para o ser humano, o sexo não é apenas sexo, apesar de muita gente dizer e querer que o contrário fosse verdade. A grande diferença entre as duas espécies, apesar das muitas similaridades, é que, enquanto que para os bonobos os comportamentos sexuais têm funções biológicas e sociais diferentes da reprodução, para os humanos, além de tudo isso, o sexo é simbólico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é difícil encontrar motivos para que, no meio científico, e até mesmo entre muitos grupos que não estejam diretamente ligados à essa área, a explicação das causas dos mais variados comportamentos humanos seja reduzida à pulsões sexuais. Somadas às vontades sexuais naturais que obviamente influenciam nossas ideias, estão as teorias psicanalíticas freudianas clássicas, que tiveram, sem dúvida nenhuma, um papel de extrema importância na luta contra a repressão sexual, e que invadiram, não só o meio científico, mas também círculos não acadêmicos. O problema, muitas vezes apontado por Jung em vários momentos em sua obra, é que não é possível reduzir a expressão da alma humana, explicando-a com uma teoria da libido puramente sexual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como acontece com qualquer comportamento humano, a prática sexual que é instintiva, e, por enquanto, ainda fundamental para a reprodução da nossa espécie, se torna símbolo. Com isso, comportamentos conectados à prática sexual também se tornam simbólicos e sempre dizem mais do que aparentam na superficialidade. O ser humano pratica sexo por prazer, e apesar dessas sensações de prazer estarem diretamente conectadas com a função reprodutiva do ato, isso obviamente não é suficiente para explicar os desvios comportamentais ligados à prática sexual: sadismo, masoquismo, pedofilia, fetichismos diversos, onanismo exagerado, disfunções eréteis, frigidez, vaginismo, e etc. Poderia citar um número muito grande de disfunções sexuais, porém, o mais importante aqui é entender que, individualmente ou socialmente, estamos falando de sintomas psicossomáticos. Jung diz sobre a sexualidade:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A sexualidade não é apenas um instinto, mas ela é também, sem dúvida alguma, uma força criativa, que não é só a causa fundamental da nossa vida individual, mas também um fator a ser levado a sério em nossa vida psíquica. Hoje conhecemos sobejamente as consequências preocupantes acarretadas pelas perturbações da sexualidade. Poderíamos chamar a sexualidade de porta voz dos instintos, e é por isso que o ponto de vista espiritual nela vê seu principal adversário; não porque o desregramento sexual seja mais imoral do que a voracidade, a bebedeira, a cobiça, a tirania e o vício do esbanjamento, mas porque o espírito antevê na sexualidade uma contraparte de natureza igual e até análoga a ele.&#8221; (Jung, 2013, p. 107)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos livramos, principalmente com o advento da psicanálise, de amarras da repressão da sexualidade, da falsa moralidade, dos sentimentos falsos e exagerados, dos valores hipócritas da família tradicional e da religiosidade superficial e institucional. Mas, passamos por isso para nos tornar seres de uma cultura literal, induzindo-nos para a completa desconexão com a vida simbólica? Ao invés de aproveitarmos essa chance para encontrar o equilíbrio, simplesmente corremos para o outro extremo: o hedonismo. Vivemos uma busca desenfreada pelo prazer a qualquer custo, refletida no uso indiscriminado de drogas (lícitas ou não) com o consequente anestesiamento do ser, com a prática sexual completamente desconectada de sentimentos, parceria e companheirismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos fazer um paralelo entre o comportamento relacional afetivo da pessoa humana contemporânea com outras esferas do viver. Tudo é rápido demais nos dias de hoje, não existe tempo para a reflexão. Na lenta conversa com si mesmo perguntas são feitas, dúvidas aparecem, e, de acordo com a sociedade e a cultura do consumo, do trabalho semiescravo e da vida digital e da informação superficial, o indivíduo nunca pode ter dúvidas. Elas ameaçam o controle, a ordem e a segurança &#8211; meras fantasias na verdade que só servem para manter as pessoas longes de si mesmas e de relações verdadeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa tendência à inércia e à falta de reflexão e aprofundamento está em nossas relações sociais, familiares, laborais, e mostra também, claramente, seus sintomas na vida amorosa e sexual dos indivíduos. Como bonobos, &#8220;transamos&#8221; casualmente sem real conexão com o outro para nos esconder das relações verdadeiras e trabalhosas que exigem dedicação e compreensão e reconhecimento de si e do outro. Nos escondemos atrás do sexo casual para tentar diminuir nossa ansiedade, evitar a violência, e nos afastar da nossa sombra não integrada. É claro que, na falta de uma real integração dos nossos aspectos sombrios, talvez o sexo casual seja uma saída razoável para que não nos matemos uns aos outros por qualquer motivo pífio, brigas de trânsito ou por acreditar em deuses diferentes. Porém, a satisfação somente dessa nossa parte reptiliana não completa a falta de uma relação verdadeira e de vínculos, e nem a angústia humana de ser diverso, ambíguo e simbólico. Estamos agindo como bonobos, mas não somos chimpanzés. Para a pessoa humana, a falta da vida simbólica acarretará, inevitavelmente, em sintomas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até alguns anos atrás eram somente os homens que somavam números de &#8220;transas&#8221; para se gabar aos amigos. Muitas mulheres agora assumem esse comportamento machista com o discurso de que os direitos devem ser iguais. Frases como: &#8220;porque só homem pode trair?&#8221;; &#8220;quero sexo casual também&#8221;, &#8220;transo com um diferente por noite&#8221; são muito comuns para quem defende esse tipo de comportamento para as mulheres. E parece que fica cada vez mais difícil perceber que o comportamento errático masculino não deveria ser objetivo da mulher. O homem é que deveria olhar com mais carinho e seriedade para as suas relações, e não o contrário, com a mulher buscando se comportar cada vez mais daquela maneira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A expressão sexual criativa e livre só pode acontecer se estivermos conectados com o outro e conosco. Do contrário, na minha opinião, só estaremos praticando fricção genital, o que pode ser prazeroso, mas não nos leva de maneira alguma à resolução da nossa busca teleológica pela&nbsp;coniunctio oppositorum.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Pois tal como o espírito quer subordinar a sexualidade assim como todos os demais instintos à sua forma, a sexualidade também reivindica um direito antigo sobre o espírito, que no passado estava nela contido &#8211; no ato da concepção, da gravidez, nascimento e infância -, e de cuja paixão, o espírito não pode prescindir em suas criações.&#8221; (Jung, 2013, p. 107)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como diz claramente Jung, o espírito não pode prescindir da sexualidade em suas criações. Portanto, desconectá-la da nossa vida amorosa e criativa cria um vazio na alma que nunca será preenchido com o simples anestesiamento hedonista da vida humana. Será essa a tão discutida diferença entre amor e sexo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jose Luiz Balestrini Junior, ser humano, psicólogo, especialista em psicologia junguiana pelo IJEP, analista junguiano em formação pelo IJEP e Sifu (mestre) de Kung Fu, e-mail:&nbsp;balestrini@lungfu.com.br.&nbsp;Atende e dá aulas na Zona Sul de São Paulo. Av. Ibijau, 236 &#8211; Moema &#8211; Fone: (11) 98207-7766</p>



<p class="wp-block-paragraph">Referências</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C.G. A energia psíquica. Vol. 8/1. Petrópolis, Vozes. (2013)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Harari, Y. N. Sapiens, uma breve história da humanidade. Porto Alegre, L&amp;PM. (2017)</p>



<p class="wp-block-paragraph">De Waal, F. B. M., Bonobo sex and society. Scientific American Special Editions 16, 3s, 14-21 (June 2006)</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Jose Luiz Balestrini Junior</em></strong></h4>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/sexo-casual-ou-friccao-genital/">Sexo casual ou fricção genital?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
