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	<title>Arquivos Memória - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos Memória - Blog IJEP</title>
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		<title>Pequena Reflexão em Tempos de Alethéia</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/pequena-reflexao-em-tempos-de-aletheia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Macieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2019 13:26:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[alethéia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>E depois das memórias vem o tempo&#160;trazer novo sortimento de memórias,&#160;até que, fatigado, te recuses&#160;e não saibas se a vida é ou foi.&#160;&#8211; Carlos Drumond de Andrade&#160;em &#8220;Versos à boca da noite&#8221; Recentemente os brasileiros incorporaram ao seu vocabulário uma palavra de origem grega, antes desconhecida de uma vasta proporção da população:&#160;Alethéia. O termo&#160;Alétheia&#160;(em&#160;grego antigo,&#160;?λ?θεια)&#160;significa [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p><em>E depois das memórias vem o tempo&nbsp;trazer novo sortimento de memórias,&nbsp;até que, fatigado, te recuses&nbsp;e não saibas se a vida é ou foi.&nbsp;&#8211; Carlos Drumond de Andrade&nbsp;em &#8220;Versos à boca da noite&#8221;</em></p>
</blockquote>



<p>Recentemente os brasileiros incorporaram ao seu vocabulário uma palavra de origem grega, antes desconhecida de uma vasta proporção da população:&nbsp;<strong>Alethéia</strong>.</p>



<p>O termo&nbsp;<strong>Alétheia</strong>&nbsp;(em&nbsp;grego antigo,&nbsp;?λ?θεια)&nbsp;significa a verdade e ao mesmo tempo, a realidade, no sentido de desvelamento, ou seja, de descobrir o que estava encoberto (a=&nbsp;negação, e&nbsp;lethe&nbsp;= esquecimento)1, oculto. Martin Heidegger&nbsp;retomou o termo para definir a tentativa de compreensão da verdade. Para Heidegger,&nbsp;<strong>alethéia</strong>&nbsp;é distinta do conceito comum de &#8220;verdade&#8221; &#8211; esta considerada como um estado descritivo objetivo1. Assim sendo,&nbsp;<strong>Alethéia</strong>&nbsp;traz consigo a revelação imediata da realidade, no sentido de onisciência e de <strong>memória</strong>, significando o equivalente a&nbsp;Mnemosÿne&nbsp;(<strong>Memória</strong>).&nbsp; A única potencia que se opõe a&nbsp;<strong>Alethéia</strong>, mas que todavia a complementa é&nbsp;Lethe&nbsp;(em grego&nbsp;ΛÇθh&nbsp;= Esquecimento).</p>



<p>Para BRANDÃO (1986, V. 1, pg. 202)2, Mnemósina (em&nbsp;&nbsp; grego&nbsp;&nbsp;&nbsp;MnηoσÚnη&nbsp;=&nbsp;Mnemosýne),&nbsp;&nbsp; prende-se&nbsp;&nbsp; ao&nbsp;&nbsp; verbo μιμnÇsχein (mimnéskein) &#8220;lembrar-se de&#8221;, donde&nbsp;Mnemósina&nbsp;é a personificação da&nbsp;<strong>Memória</strong>. Segundo a mitologia, Mnemósina foi amada por Zeus e com ele gerou as nove Musas. (ibidem, pg. 233)2, Já&nbsp;Léthe(Esquecimento) é filha de&nbsp;Éris&nbsp;(Discórdia). Era também, na mitologia grega, a fonte de um dos rios do Hades, reino dos mortos. As almas que se dirigiam ao Hades bebiam das águas do rio Lete, a fim de esquecer suas existências terrenas. Mas também era o único rio que se atravessava no retorno a esta vida.&nbsp; (ibidem, pg. 320 v. 1)2.</p>



<p>No entanto, aqueles que bebessem ou até mesmo tocassem nas águas de do rio Lete experimentariam o completo esquecimento. Segundo o mesmo autor, ao beber da fonte do rio Lete (idem, 1987, V. 2, pag. 165-166)&nbsp;3&nbsp;, entrava-se no&nbsp;ciclo de reencarnação.</p>



<p>Os órficos, todavia, na esperança de escapar da reencarnação, evitavam o Lete e buscavam a fonte da <strong>Memória</strong>. Evitando beber das&nbsp; águas&nbsp; do&nbsp; rio&nbsp; Lete,&nbsp; o&nbsp; rio&nbsp; do&nbsp; esquecimento,&nbsp; penhor&nbsp; de&nbsp; reencarnações,&nbsp; a&nbsp; alma estava apressando e forçando sua entrada definitiva no &#8220;seio de Perséfone&#8221;. Mas, se a alma tiver que regressar a novo corpo, terá forçosamente que tomar das águas do rio Lete, para apagar as lembranças do além.</p>



<p>Assim, podemos observar que, pela mitologia, no mundo subterrâneo, o Hades, havia duas importantes fontes &#8211; a da <strong>Memória</strong> e a do Esquecimento. &nbsp;O esquecimento das tristezas e cessação dos cuidados eram governados pela personificação de&nbsp;Lethe&nbsp;ou&nbsp;Lesmosyne&nbsp;&#8211; a deusa do esquecimento e&nbsp;Mnemósine&nbsp;ou&nbsp;<strong>Alethéia</strong>&nbsp;&#8211; a deusa do conhecimento passado, da revelação, da realidade atemporal.</p>



<p>Para Macieira, (2012)4&nbsp;a Psicologia Integrativa Transpessoal, estamos sempre morrendo e renascendo. Morremos para a vida intrauterina para ganharmos mais espaço, mais cores, novos sabores e nascemos como bebê. Morremos a criança, para nascermos o adolescente, onde a vida explode como um caleidoscópico de sonhos e novas aventuras. Morremos o adolescente para viver em nós o adulto. E assim, um homem novo e mais sábio vai surgindo a cada morte e renascimento. Todas estas passagens necessárias trazem perdas, lutos, <strong>memória</strong>s e esquecimentos.</p>



<p>Continuando esta reflexão, se esquecemos, como o nosso cérebro aprende e memoriza? Embora nós estejamos muito longe de ter uma teoria única que dê conta de todos os dados da aprendizagem e <strong>memória</strong>, imaginamos que todo projeto de <strong>memória</strong> traz consigo um projeto de esquecimento, já que mesmo vivendo esta época onde podemos ampliar a capacidade de <strong>memória</strong> dos aparelhos eletrônicos, ainda não fomos capazes de inventar um&nbsp;chip&nbsp;que amplie a <strong>memória</strong> do nosso cérebro. Assim, temos aí um aparente paradoxo: só aprendemos porque esquecemos. Como assim? Ora, a <strong>memória</strong> é sempre e necessariamente seletiva. Privilegiamos certos trechos no nosso passado em detrimento de outros. Aquilo que esquecemos abre espaço para novos aprendizados. E também, condensamos algumas <strong>memória</strong>s.</p>



<p>Alguns neurocientistas afirmam que na verdade, a <strong>memória</strong> nunca é mantida intacta. Estaríamos sempre reconstruindo nossas <strong>memória</strong>s. O fato lembrado não é exatamente aquilo que foi experienciado.</p>



<p>Mas como fazemos a escolha entre o que reter e o que esquecer, entre&nbsp;Lethe&nbsp;e&nbsp;<strong>Alethéia</strong>&nbsp;ou&nbsp;Mnemósina? Através a ação do sistema límbico. Assim, são as nossas emoções &#8211; positivas ou negativas &#8211; que funcionam como cola na guarda de algumas <strong>memória</strong>s.</p>



<p>E isto tem tudo a ver a terapia. Toda terapia é regressiva na medida em que traz fatos e vivencias passadas para serem reconstruídos na sessão terapêutica. E se trazidos é porque foram selecionados, vêm ocupando a <strong>memória</strong>, atrapalhando a vida e precisam ser atualizados por um novo olhar, mais amplo, mais compreensivo. Muitas vezes, talvez na maioria delas, estas vivencias estão impregnadas por emoções e padrões negativos que necessitam ser mudados.</p>



<p>Ainda nesta divagação, podemos lembrar o preceito bíblico de que &#8220;o perdão é o esquecimento da ofensa&#8221;. E a prática psicoterápica está lotada de situações de mágoas e rancores. Do ponto de vista psicossomático, quanto estas constantes revivencias do sofrimento impacta a saúde física, mental e espiritual? Então é preciso esquecer e perdoar. Mas esquecer e perdoar o quê, exatamente? Como perdoar e esquecer aquilo que feriu profundamente?</p>



<p>Penso sempre no perdão como um processo que inicia-se pela compreensão ampliada e racional do fato e de quem o praticou. Talvez isto elicie o começo de um perdão intelectual. A terapia também pode conseguir auxiliar a retirar a carga emocional relacionada à vivencia. Ainda assim, o corpo fala e reage. Afinal, ao esquecer o individuo pode se colocar novamente na situação de perigo. Então o que precisa ser esquecido é a ofensa &#8211; ou seja, aquilo que dói em mim, que me faz mal, a injúria, o dano e não o fato em si. E aprender com isto.&nbsp;Lethe&nbsp;e&nbsp;<strong>Alethéia</strong>, os pares que se contrapõe e se complementam. Esquecer o sofrimento, mas lembrar, manter a verdade, a consciência e aprender. Como a cicatriz de uma ferida muito grande, que pode nos falar dos cuidados que precisamos ter, mas que já não dói mais.</p>



<p>E perdoar&#8230; não ao outro &#8211; o que o outro fez é de responsabilidade dele, mas perdoar a vida vivida, fazer as pazes consigo mesmo e renascer para o novo.</p>



<p>Referências:</p>



<p>1. Fonte:&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Al%C3%A9theia">https://pt.wikipedia.org/wiki/Al%C3%A9theia</a>&nbsp;Acesso em 14/04/2016.</p>



<p>2. BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega. Vol. I. Petrópolis, RJ: Ed. Vozes, 1986.</p>



<p>3. BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega. Vol. II. Petrópolis, RJ: Ed. Vozes, 1987.</p>



<p>4. MACIEIRA, Rita de Cassia. O sentido da vida na experiência de morte. 3a. Ed.&nbsp; São Paulo: Casa do Psicólogo, 2012.</p>
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