<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Patriarcado - Blog IJEP</title>
	<atom:link href="https://blog.ijep.com.br/category/patriarcado/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blog.ijep.com.br/category/patriarcado/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Wed, 05 Aug 2026 19:04:52 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.1.3</generator>

<image>
	<url>https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-logo-ijep-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Patriarcado - Blog IJEP</title>
	<link>https://blog.ijep.com.br/category/patriarcado/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>FELIZ DIA DOS PAIS &#8211; ENTRE O PRESENTE, A PRESENÇA E A AUSÊNCIA</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/feliz-dia-dos-pais-entre-o-presente-a-presenca-e-a-ausencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 19:40:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[complexo paterno]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Patriarcado]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[abandono paterno]]></category>
		<category><![CDATA[arquétipo]]></category>
		<category><![CDATA[ausência paterna]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[cg jung]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[jung]]></category>
		<category><![CDATA[legado]]></category>
		<category><![CDATA[masculino e feminino]]></category>
		<category><![CDATA[pais]]></category>
		<category><![CDATA[pais e filhos]]></category>
		<category><![CDATA[presença paterna]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psique]]></category>
		<category><![CDATA[relações familiares]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=13647</guid>

					<description><![CDATA[<p>Atualmente vivemos sob o signo de um paradoxo avassalador. De um lado, um patriarcado abstrato e onipresente, que governa através do poder tecnológico e dos algoritmos do mercado financeiro dominados por um pai-máquina que tudo controla e nada abraça. De outro, uma ausência de paternagem que deixa um vazio ensurdecedor nos lares. Esta não é apenas a falta de um corpo, mas a do amparo que guia e fortalece. No lugar do pai amoroso, impera a sombra de uma estrutura tirânica que, por sua própria rigidez, gera uma geração de órfãos de pais vivos, com a alma marcada pela tristeza, o abandono e a rejeição.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/feliz-dia-dos-pais-entre-o-presente-a-presenca-e-a-ausencia/">FELIZ DIA DOS PAIS &#8211; ENTRE O PRESENTE, A PRESENÇA E A AUSÊNCIA</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No Brasil, o Dia dos Pais é comemorado anualmente no segundo domingo de agosto. A data foi criada em 1953 pelo publicitário Sylvio Bhering, diretor do jornal <em>O Globo</em>, com o objetivo inicial de homenagear os pais e movimentar o comércio no segundo semestre. O primeiro &#8220;Dia dos Pais&#8221; ocorreu em 16 de agosto de 1953, dia que coincidia com a festividade de São Joaquim, pai da Virgem Maria e avô de Jesus, considerado um símbolo patriarcal na tradição católica. Nos anos seguintes, a celebração foi transferida para o segundo domingo do mês, para facilitar a reunião das famílias no fim de semana.</p>



<h2 id="h-atualmente-vivemos-sob-o-signo-de-um-paradoxo-avassalador" class="wp-block-heading" style="font-size:18px"><strong>Atualmente vivemos sob o signo de um paradoxo avassalador.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">De um lado, um patriarcado abstrato e onipresente, que governa através do poder tecnológico e dos algoritmos do mercado financeiro dominados por um pai-máquina que tudo controla e nada abraça. De outro, uma ausência de paternagem que deixa um vazio ensurdecedor nos lares. Esta não é apenas a falta de um corpo, mas a do amparo que guia e fortalece. No lugar do pai amoroso, impera a sombra de uma estrutura tirânica que, por sua própria rigidez, gera uma geração de órfãos de pais vivos, com a alma marcada pela tristeza, o abandono e a rejeição.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Há muito tempo se sabe que o exemplo é o melhor dos mestres embora seja também o mais cruel, porque não admite ensaio nem edição de cortes. A criança não lê o nosso roteiro, porque ela assiste ao nosso filme ao vivo, sem filtro, sem legenda, sem classificação indicativa. Por isso, precisamos estar conscientes das referências e exemplos que transmitimos aos nossos filhos, não com palavras bonitas e sábias, que qualquer orador de palanque entoa com maestria, mas tão-somente com o agir e a vida real dos pais e da sociedade.</p>



<h2 id="h-neste-sentido-importa-distinguir-concepcao-de-filiacao" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Neste sentido, importa distinguir concepção de filiação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A primeira é um ato biológico rápido, instintivo, às vezes até acidental. A segunda é um ato social, cultural, espiritual, que é longo, deliberado, exige presença contínua e, sobretudo, coerência. A diferença entre um e outro é a diferença entre plantar uma semente e cultivar uma árvore. Qualquer um pode jogar a semente no chão. Poucos têm paciência de regá-la, podá-la, admirá-la e, principalmente, aceitar que ela cresça num formato diferente daquele que havíamos planejado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A verdadeira paternidade transcende o ato de prover. É uma semeadura na alma, uma jornada de presença consciente que transforma o cotidiano no mais sagrado dos rituais. Construir um legado invisível e eterno não acontece nos grandes gestos, mas na delicadeza das pequenas ações diárias. É no chão sagrado da vida familiar que os conceitos de amor, respeito e responsabilidade se tornam carne e osso, tecendo a herança viva que deixamos em nossos filhos. Este é um chamado profundo ao pai que anseia ser mais do que um provedor, mas um arquiteto do caráter, um poeta da alma e um guardião do bem-estar emocional de seus descendentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As influências do patriarcado, portanto, advêm tanto dos progenitores biológicos ou adotivos quanto das dimensões sociais e culturais, produzindo semelhanças de atitudes e de valores que vão muito além da mera coincidência. O filho herda não apenas as feições e gestos do pai, mas também o seu silêncio. A sua raiva contida. O seu riso nervoso diante de autoridade. A sua dificuldade de pedir desculpas. Herda, sobretudo, aquilo que o pai jamais disse, mas que o seu corpo, o seu tom de voz e o seu olhar gritaram em surdina.</p>



<h2 id="h-o-psiquismo-que-absorve-tudo-inclusive-o-que-escondemos" class="wp-block-heading"><strong>O psiquismo que absorve tudo — inclusive o que escondemos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O psiquismo inconsciente da criança é um oceano sem margens, absorvendo não apenas as correntes emocionais da família, mas também o espírito de nosso tempo. Como delicadas antenas, as crianças captam não o teatro das aparências, mas a verdade silenciosa que pulsa em nosso universo interior. Elas absorvem informações que ultrapassam os limites familiares como uma esponja que desconhece a diferença entre água limpa e água contaminada. Captam o espírito da época, o <em>Zeitgeist&nbsp; </em>internalizando valores, medos e desejos coletivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Com isso, mesmo um pai honrado, que na sua intimidade não se sinta realizado, esteja infeliz ou abrigue sentimentos e desejos obscuros, poderá passar essas informações a seus filhos. Pais que sorriem por fora, mas carregam a infelicidade por dentro, legam essa dissonância a seus filhos. Portanto, o caminho para o bem de um filho começa na jornada de um pai em direção a si mesmo. O maior presente que se pode dar é a própria inteireza, o compromisso inabalável com a própria realização e felicidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Isso porque a alma coletiva está espalhada por toda parte, não como uma nuvem etérea e romântica, mas como uma rede invisível de afetos, preconceitos e angústias que atravessa gerações como herança maldita. A criança percebe não apenas os condicionamentos mais profundos dos pais ou da sociedade, mas também, num âmbito mais extenso, tanto o bem quanto o mal existentes nas profundezas da natureza humana. Ela sente a hipocrisia antes de saber nomeá-la. Pressente a violência antes de presenciar a agressão. E, principalmente, registra tudo, absolutamente tudo, no inconsciente, de onde nada se apaga, apenas se reprime, adormece ou, mais tarde, explode.</p>



<h2 id="h-o-homem-brutalizado-e-a-fabrica-de-filhos-a-sua-imagem" class="wp-block-heading"><strong>O homem brutalizado e a fábrica de filhos à sua imagem</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O homem contemporâneo, cada vez mais brutalizado pelo excesso de competição e pela negação das dimensões espirituais, naturalmente está formando filhos competitivos, acometidos por depressão, hiperatividade, agressividade e vários tipos de compulsões. Filhos de pais que não conseguem parar, que trabalham como autômatos e como se a vida fosse uma roda de hamster sem fim, tornam-se adultos que também não sabem parar. E o ciclo se repete com uma fidelidade trágica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Precisamos repensar nosso estilo de vida e o que desejamos transmitir para nossos descendentes. Da mesma forma, todo adulto, de qualquer gênero, deve começar a ser responsável, conscientemente, pelo arquétipo paterno, não apenas os pais biológicos, mas qualquer pessoa que ocupe um papel de referência, autoridade ou cuidado. É urgente iniciarmos mudanças nos sistemas familiar, social e cultural, objetivando um futuro viável e melhor, com menos exclusão, mais amorosidade e respeito humano e ecológico. Porque nossas atitudes estão colocando em risco todo o planeta, e isso não é metáfora, é realidade ambiental. Toda ação tem reação, e a Terra já está nos cobrando a fatura com juros compostos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A cura reside na integração amorosa dos princípios masculino e feminino. É preciso iniciar uma mudança que floresça de dentro para fora, nos sistemas familiar, social, cultural e espiritual.</p>



<h2 id="h-a-ausencia-que-grita-e-a-presenca-que-oprime" class="wp-block-heading"><strong>A ausência que grita e a presença que oprime</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Aqui chegamos a um dos paradoxos mais dolorosos do nosso tempo: a crescente ausência paterna convive com a presença abusiva, invasiva, sectária, patrimonialista e misógina de um sistema patriarcal retrógrado que se traveste de conservadorismo.</p>



<h2 id="h-nunca-se-falou-tanto-em-valores-familiares-e-nunca-se-abandonou-tanto-a-familia-com-tanta-eficiencia-burocratica" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Nunca se falou tanto em &#8220;valores familiares&#8221; e nunca se abandonou tanto a família com tanta eficiência burocrática.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Os números não mentem, pois são números. No Brasil, cerca de 6,7% dos nascimentos ocorridos entre 2023 e 2024 foram registrados sem o nome do pai. Em 2025, o país registrou 172 mil certidões de nascimento sem o nome do pai. Mais de cem mil crianças entraram no mundo sem sequer ter um nome masculino escrito em sua certidão. É como se o país inteiro dissesse a essas crianças: &#8220;Bem-vinda ao mundo. Metade da tua origem é um espaço em branco.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Adicionalmente, dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que 49,1% das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres, o que pode indicar um número significativo de lares sem a presença de uma figura paterna ou masculina como principal responsável. Não se trata de questionar a competência feminina, que é sobejamente heróica, mas de reconhecer que a ausência de um princípio paterno saudável cria um vazio que a mãe, por mais que se dedique, não pode preencher sozinha, porque a função arquetípica paterna é estruturalmente distinta da materna.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E, no entanto, o mesmo sistema que falha em garantir a presença paterna real, afetiva, cotidiana e encarnada, não falha em exercer a sua presença patriarcal simbólica: a que dita corpos, controla autonomias, criminaliza diferenças, patrimonializa a fé e confunde conservação de valores com conservação de privilégios. Um sistema que se diz protetor da família, mas que, na prática, protege apenas a si mesmo, como aquele pai que diz &#8220;isto é para o seu bem&#8221; enquanto pratica o contrário do bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A ausência do pai que ama não deveria jamais ser confundida com a presença do sistema que domina. Um é falta. O outro é excesso. E ambos ferem.</p>



<h2 id="h-fogo-e-agua-a-danca-dos-principios" class="wp-block-heading"><strong>Fogo e água — a dança dos princípios</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Embora devamos considerar as configurações familiares contemporâneas, que vão muito além do modelo nuclear heteronormativo, os princípios materno e paterno são essenciais para o desenvolvimento saudável das crianças, independentemente do gênero ou da orientação sexual de seus cuidadores. A mãe simboliza o cuidado e a nutrição -água e terra, o princípio Yin. O pai representa a proteção, os limites e os desafios – ar e fogo, o princípio Yang. O equilíbrio entre esses elementos é vital, pois em harmonia sustentam o crescimento, mas em desarmonia causam danos. Assim como muita água apodrece e pouca fenece, ou como muito sol queima e pouco estagna.</p>



<h2 id="h-na-linguagem-da-psicologia-analitica-de-jung-esses-dois-principios-correspondem-as-dimensoes-que-m-esther-harding-em-the-way-of-all-women-designa-como-eros-e-logos" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Na linguagem da psicologia analítica de Jung, esses dois princípios correspondem às dimensões que M. Esther Harding, em <em>The Way of All Women</em>, designa como Eros e Logos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Eros</strong> é o princípio da relacionalidade, do sentimento, da conexão, é a capacidade de estabelecer vínculos, de sentir o outro, de criar intimidade. É a dimensão tradicionalmente associada ao feminino, à mãe, ao princípio materno que acolhe, nutre e envolve.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Logos</strong> é o princípio da razão, do julgamento objetivo, da discriminação, da lei, é a capacidade de estabelecer limites, de sustentar a frustração, de dizer &#8220;não&#8221; com firmeza e de abrir caminho para a separação e a individuação. É a dimensão tradicionalmente associada ao masculino, ao pai, ao princípio paterno que ordena, protege e desafia.</p>



<h2 id="h-quando-eros-se-expressa-de-modo-saudavel-manifesta-se-como-calor-humano-empatia-profunda-capacidade-de-nutrir-vinculos-autenticos-sensibilidade-estetica-e-espiritualidade-relacional" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Quando Eros se expressa de modo saudável, manifesta-se como calor humano, empatia profunda, capacidade de nutrir vínculos autênticos, sensibilidade estética e espiritualidade relacional.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A mãe que expressa um Eros consciente oferece à criança a experiência fundamental de ser amada não pelo que faz, mas pelo que é. <strong>Um amor incondicional que constitui a base da segurança emocional</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando, porém, Eros se manifesta de modo não saudável, e é aqui que a ausência do princípio paterno se torna particularmente devastadora, ele degenera em reatividade, histeria, fusão indiferenciada, possessividade e identificação inconsciente com o filho. A mãe que carrega sozinha o peso da criação, sem a contrapartida de uma presença que sustente a dimensão do Logos, corre o risco de ser engolida pela própria dimensão Eros que, sem o contraponto organizador do Logos, se torna um mar sem margens.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A criança, por sua vez, absorve não apenas o amor, mas também a angústia, o ressentimento e a exaustão materna pois, como Jung e Harding observam, existe uma <em>participation mystique</em>, uma identificação inconsciente profunda entre mãe e filho, através da qual os problemas psicológicos não resolvidos da mãe afetam diretamente a saúde e o comportamento da criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando Logos se expressa de modo saudável, manifesta-se como proatividade, clareza de pensamento, firmeza consistente, capacidade de estabelecer limites que protegem sem aprisionar, e sobretudo como a disposição de sustentar a frustração do filho, aquela qualidade essencial que permite à criança aprender que nem todo desejo deve ser imediatamente satisfeito, que a realidade tem contornos, que existem outros além de si mesmo.</p>



<h2 id="h-a-paternagem-que-encarna-um-logos-consciente-oferece-a-crianca-a-experiencia-do-mundo-como-estrutura-legivel-nao-como-caos-indiferenciado" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A paternagem que encarna um Logos consciente oferece à criança a experiência do mundo como estrutura legível, não como caos indiferenciado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É ele quem, tradicionalmente, introduz a criança no mundo da lei, das regras, da justiça e da competição sadia. Quando, porém, o Logos se manifesta de modo não saudável, ou quando está simplesmente ausente, o vazio que se instala não é neutro. A ausência de Logos deixa a criança sem a experiência internalizada do limite, da frustração tolerável e da autoridade amorosa.</p>



<h2 id="h-sem-essa-estrutura-a-crianca-tende-a-desenvolver-dificuldades-em-lidar-com-a-frustracao-em-respeitar-regras-sociais-em-conter-impulsos-e-em-estabelecer-metas-que-exigem-disciplina" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Sem essa estrutura, a criança tende a desenvolver dificuldades em lidar com a frustração, em respeitar regras sociais, em conter impulsos e em estabelecer metas que exigem disciplina.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E a mãe, por mais dedicada que seja, quando precisa exercer simultaneamente as funções de Eros e de Logos, de nutrir e de limitar, de acolher e de desafiar, de envolver e de separar, frequentemente se vê diante de uma exigência psicológica que ultrapassa as suas possibilidades, não por incompetência, mas porque essas duas funções exigem modos de ser qualitativamente diferentes, e a alternância constante entre elas pode gerar inconsistência, exaustão e culpa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A mãe que se identifica excessivamente com o papel materno, tornando-se &#8220;toda mãe&#8221;, cria fixação e impede a independência do filho. É a arquetípica mãe devoradora que consome a individualidade da criança. Por outro lado, a mãe que, sobrecarregada pela necessidade de suprir também a função paterna, se torna excessivamente dura, burocrática ou controladora, corre o risco de reprimir seu próprio Eros, sua capacidade de sentir, de se conectar, de fluir e de transmitir ao filho a mensagem de que o mundo é um lugar de exigências sem acolhimento. O dilema é real e doloroso: como exercer, ao mesmo tempo, a função que envolve e a que separa, a que une e a que delimita, sem que uma destrua a outra?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim como, o pai que ensina o filho a respeitar a lei mas desrespeita a mãe em casa não está ensinando lei, está ensinando hipocrisia com pedigree. E o pai que se ausenta sob a alegação de que &#8220;está trabalhando para prover&#8221; pode estar, na verdade, provendo tudo menos aquilo de que o filho realmente precisa, sua presença.</p>



<h2 id="h-a-mulher-que-precisa-ser-pai-e-mae-o-dilema-contemporaneo" class="wp-block-heading"><strong>A mulher que precisa ser pai e mãe: o dilema contemporâneo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Harding descreve três estágios de consciência feminina: o ingênuo, em que a mulher opera por instinto e sem reflexão; o sofisticado, em que desenvolve ego-consciência e busca controle; e o consciente, em que transcende o ego e reconhece um valor suprapessoal que orienta sua vida para além dos papéis biológicos e sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A mulher que, sozinha, precisa exercer maternagem e paternagem é frequentemente empurrada para o estágio sofisticado, aquele em que o ego se sobrecarrega, em que a eficiência substitui a presença, em que a sobrevivência se torna o modo de vida. O risco é que essa mulher, esgotada pela exigência de ser tudo para todos, perca o contato com sua própria profundidade, com o Eros que, quando consciente, é fonte de sabedoria relacional, e com o Logos que, quando integrado, é fonte de discernimento e não de mera rigidez.</p>



<h2 id="h-ela-argumenta-que-o-objetivo-profundo-e-frequentemente-inconsciente-da-emancipacao-feminina-nao-era-apenas-a-independencia-economica-mas-a-criacao-da-possibilidade-de-uma-relacao-psicologica-mais-consciente-entre-os-sexos-baseada-tanto-em-eros-quanto-em-logos" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Ela argumenta que o objetivo profundo, e frequentemente inconsciente, da emancipação feminina não era apenas a independência econômica, mas a criação da possibilidade de uma relação psicológica mais consciente entre os sexos, baseada tanto em Eros quanto em Logos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O que vemos hoje, porém, é frequentemente o contrário: a mulher que se torna tudo, mãe, pai, provedora, educadora e terapeuta, não porque escolheu a integração consciente de ambas as dimensões, mas porque foi abandonada à sua própria sorte por um sistema que produz ausência paterna em escala industrial.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A questão não é que a mulher seja incapaz de desenvolver Logos, certamente ela não apenas pode como deve, mas que o desenvolvimento consciente do Logos pela mulher é um processo psicológico longo e deliberado, que exige condições internas e externas que a sobrecarga da maternidade solo dificulta enormemente.</p>



<h2 id="h-quando-a-mae-e-levada-a-exercer-por-necessidade-e-nao-por-escolha-consciente-a-funcao-paterna-tres-dinamicas-psicologicas-podem-se-instalar" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">Quando a mãe é levada a exercer, por necessidade e não por escolha consciente, a função paterna, três dinâmicas psicológicas podem se instalar.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Primeiro, a <strong>fusão</strong> sem a presença de uma figura que represente o princípio da separação, a <em>participation mystique</em> entre mãe e filho se intensifica, e a criança tem dificuldade de se diferenciar como indivíduo. Segundo, a <strong>inconsistência</strong>, a mesma pessoa que acolhe é a que limita, e essa ambiguidade confunde a criança, que não sabe se a autoridade que a frustra é a mesma que a nutre, gerando ansiedade e desconfiança em relação ao cuidado. Terceiro, a <strong>idealização, </strong>a criança privada do pai real constrói uma imagem idealizada do pai ausente, uma espécie de projeção do animus, e essa fantasia impede que ela desenvolva relações realistas com figuras masculinas no futuro, pois nenhum homem real conseguirá corresponder à perfeição do pai imaginário.</p>



<h2 id="h-e-aqui-chegamos-a-pergunta-mais-angustiante-de-todas-como-sera-o-futuro-dos-filhos-que-crescem-sem-a-intimidade-cotidiana-com-uma-presenca-masculina-saudavel" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">E aqui chegamos à pergunta mais angustiante de todas: como será o futuro dos filhos que crescem sem a intimidade cotidiana com uma presença masculina saudável?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A criança que não experimentou, no cotidiano, o que significa ser vista por um olhar masculino amoroso e firme, um olhar que simultaneamente acolhe e desafia,terá dificuldade em internalizar o arquétipo paterno de modo saudável. Ela terá dificuldade em sustentar frustrações, em respeitar limites que não sejam impostos pela força, em reconhecer a autoridade legítima quando ela não vem acompanhada de afeto.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E, no caso dos meninos, a ausência de um modelo masculino encarnado, não idealizado, não virtual, mas real e cotidiano, com suas qualidades e suas falhas, dificulta enormemente o processo de identificação masculina saudável, aquele que permite ao menino tornar-se homem sem precisar renegar a sua dimensão sensível, sem precisar endurecer-se para provar que é forte.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No caso das meninas, a ausência do pai real alimenta a fantasia do Amante Fantasma, aquele homem idealizado e irreal como projeção do animus inconsciente, que persegue a imaginação feminina e a afasta da realidade dos relacionamentos autênticos.</p>



<h2 id="h-o-complexo-paterno-quando-a-lei-encontra-o-afeto" class="wp-block-heading"><strong>O complexo paterno: quando a lei encontra o afeto</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O complexo paterno é um dinamismo psíquico que, no desenvolvimento da personalidade, fica mais atuante dos sete até aproximadamente os catorze anos. Neste momento a criança passa a viver o mundo do pai, o período do patriarcado, mesmo que não tenha relação com nenhuma pessoa do sexo masculino. É uma fase caracterizada pelo amadurecimento do cérebro límbico, maior capacidade de inibição dos instintos e consolidação dos valores culturais, sociais e religiosos. O jovem começa a estabelecer relações intersubjetivas mais abrangentes, vinculando-se a grupos, times, torcidas ou outras agremiações, formando referências hierárquicas.</p>



<h2 id="h-e-nesse-momento-que-as-regras-as-leis-e-a-justica-sao-internalizadas" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">É nesse momento que as regras, as leis e a justiça são internalizadas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E é exatamente aqui que reside o perigo e a oportunidade: se o modelo de autoridade que a criança internaliza for tirânico, ela aprenderá que poder é sinônimo de crueldade. Se for ausente, aprenderá que lei é sinônimo de vazio. Se for amoroso e firme, aprenderá que limite é sinônimo de cuidado e que respeito não se exige, se inspira.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando a figura paterna real está ausente, a criança buscará o arquétipo paterno em outros lugares, no professor, no tio, no treinador, no líder de comunidade, e, cada vez mais, em figuras virtuais e influenciadores digitais ou lideranças religiosas que, na maioria das vezes, encarnam exatamente a versão mais patológica do Logos que é poder sem responsabilidade, força sem vulnerabilidade, sucesso sem ética. A criança que não tem um pai presente para internalizar como modelo de Logos saudável fica à mercê de pseudopais coletivos que não a conhecem, não a amam e não se responsabilizam por ela.</p>



<h2 id="h-os-quatro-pilares-da-paternidade-consciente" class="wp-block-heading"><strong>Os quatro pilares da paternidade consciente</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para que essa internalização seja saudável, é preciso que o pai, ou quem exerça a função da paternagem, cultive quatro pilares fundamentais:</p>



<h2 id="h-1-a-presenca-consciente" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">1. <strong>A Presença Consciente</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Este é o maior presente. Exige uma entrega intencional, uma desconexão das distrações que fragmentam a alma. É a arte da escuta empática, que ouve o coração por trás das palavras. É o tempo de qualidade, onde os rituais de afeto fortalecem os laços anímicos. É o silêncio dos dispositivos eletrônicos para que o contato visual possa comunicar: &#8220;você é minha prioridade&#8221;.</p>



<h2 id="h-2-limites-como-um-abraco-de-amor" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">2<strong>. Limites como um Abraço de Amor</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Limites, quando estabelecidos com amor e firmeza, não são jaulas, mas as margens seguras que permitem ao rio da vida infantil fluir com propósito. A ausência de limites gera um mar de ansiedade. Uma estrutura paterna saudável, em harmonia com a nutrição materna, oferece essa segurança por meio da clareza, da consistência e do diálogo. A firmeza corrige o comportamento, mas sempre reafirma o amor incondicional pela essência da criança. É o Logos a serviço do Eros, a lei que protege o amor, e não o amor que se submete à lei.</p>



<h2 id="h-3-a-vulnerabilidade-como-forca" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">3. <strong>A Vulnerabilidade como Força</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A transição de um modelo de poder para um de alteridade começa em casa. É ali que a criança aprende a empatia e o respeito. Isso acontece quando o pai modela a vulnerabilidade: quando admite seus erros, pede desculpas e demonstra que a verdadeira força não reside na infalibilidade, mas na coragem de ser humano, de aprender e de se reparar. Um pai que integra sua própria sombra e que reconhece suas falhas sem se destruir pela culpa, ensina ao filho que a integridade não é perfeição, mas consciência.</p>



<h2 id="h-4-a-cooperacao-como-vitoria-da-alma" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">4. <strong>A Cooperação como Vitória da Alma</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Incentivar a colaboração em vez da competição, validar a perspectiva do outro e partilhar responsabilidades ensina que o cuidado com o espaço comum é um dever sagrado de todos. Ensina que o triunfo coletivo é a mais gratificante das vitórias.</p>



<h2 id="h-o-presente-que-os-filhos-nos-dao" class="wp-block-heading"><strong>O presente que os filhos nos dão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como estamos nos aproximando da comemoração do Dia dos Pais, que em 2026 cai em 9 de agosto, acredito que o melhor presente que os filhos possam nos dar é a sua presença, exigindo-nos coerência e consistência das nossas atitudes com os nossos valores. Sim, você leu corretamente: o presente é deles para nós. Porque a presença de um filho que olha nos olhos do pai e diz &#8220;seja o que você ensina&#8221; é o maior espelho que um homem pode enfrentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">E nós, pais, devemos refletir a respeito das nossas prioridades, exigindo e estimulando o cumprimento das leis, o respeito aos direitos humanos e maior consciência e transparência sobre nossa real condição existencial. Só assim poderemos sonhar com um mundo livre das tiranias que se alimentam do abandono, um mundo onde um patriarcado curado, forte e comprometido com o futuro, caminhe de mãos dadas com o matriarcado. Juntos, em alteridade, ensinam cada ser a conhecer seu limite e sua responsabilidade, pois aprenderam a arte mais sublime de todas que é o respeito, a capacidade de olhar e se deixar ser olhado com os olhos do amor.</p>



<h2 id="h-a-alteridade-nao-e-o-fim-do-pai-e-o-seu-amadurecimento-e-o-momento-em-que-o-pai-pode-finalmente-dizer-cresce-eu-ja-plantei-agora-floresce-no-teu-proprio-jeito" class="wp-block-heading" style="font-size:18px">A alteridade não é o fim do pai. É o seu amadurecimento. É o momento em que o pai pode finalmente dizer: &#8220;<strong>Cresce. Eu já plantei. Agora floresce no teu próprio jeito</strong>.&#8221;</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O futuro que desejamos para nossos filhos não é uma abstração a ser erguida amanhã. Ele é forjado no agora, em cada interação, em cada escolha, em cada momento de presença consciente que tece a estrutura interna para uma vida plena, justa e com significado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Com isso, o princípio paterno será internalizado, fazendo com que disciplina, limites, regras, proteção e referência de autoridade amorosa contribuam para o futuro saudável de todos. Porque, no fim das contas, o que a criança precisa não é de um pai perfeito, porque seres perfeitos só existem em campanhas publicitárias de Dia dos Pais, mas de um pai presente, consciente e humano o suficiente para reconhecer os próprios erros e corrigi-los diante dos filhos. Isso é paternidade. O resto é performance.</p>



<h2 id="h-feliz-dia-dos-pais" class="wp-block-heading"><strong>Feliz Dia dos Pais!</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Que seja não apenas uma data de presente e abraço, embora ambos sejam indispensáveis, mas um dia de autoconsciência paterna. Que cada pai, cada mãe, cada adulto que exerce a função paterna, se pergunte: que espelho tenho sido para os filhos que herdarão não apenas o meu nome, mas a minha luz e a minha sombra, e que farão, daquilo que eu lhes transmitir ou lhes negar, o material bruto com que construirão o próprio destino? E que a resposta, por mais desconfortável que seja, seja o começo de uma nova herança.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; IJEP</a></strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="👨‍🍼Artigo novo: &quot;FELIZ DIA DOS PAIS - ENTRE O PRESENTE, A PRESENÇA E A AUSÊNCIA&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/kpiyh2KQY9k?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/feliz-dia-dos-pais-entre-o-presente-a-presenca-e-a-ausencia/">FELIZ DIA DOS PAIS &#8211; ENTRE O PRESENTE, A PRESENÇA E A AUSÊNCIA</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Quando o mundo é Pai: Crisóstomo, sensibilidade e novos arranjos parentais</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/pai-crisostomo-arranjos-parentais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernanda Viscardi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 16:32:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Patriarcado]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=12219</guid>

					<description><![CDATA[<p>A crença de que a função paterna depende da presença de um homem ainda orienta discursos sobre família e desenvolvimento, embora não encontre sustentação psicológica. Com base em Jung, o ensaio argumenta que esta função é simbólica: um princípio de direção, limite e abertura ao mundo que pode ser vivido por qualquer pessoa cuidadora. Examina-se como a psique projeta o arquétipo do Pai sobre quem oferece presença e orientação, e como a experiência concreta — não o gênero — organiza o complexo paterno. A história de Crisóstomo, em O Filho de Mil Homens, mostra que o mundo, o trabalho e os encontros também podem desempenhar essa função. Por fim, o texto convida a ampliar o olhar: mais do que uma figura, trata-se de reconhecer as muitas formas pelas quais a vida pode sustentar a formação da criança.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/pai-crisostomo-arranjos-parentais/">Quando o mundo é Pai: Crisóstomo, sensibilidade e novos arranjos parentais</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" id="h-a-crenca-de-que-a-funcao-paterna-depende-da-presenca-de-um-homem-ainda-orienta-discursos-sobre-familia-e-desenvolvimento-embora-nao-encontre-sustentacao-psicologica-com-base-em-jung-o-ensaio-argumenta-que-esta-funcao-e-simbolica-um-principio-de-direcao-limite-e-abertura-ao-mundo-que-pode-ser-vivido-por-qualquer-pessoa-cuidadora-examina-se-como-a-psique-projeta-o-arquetipo-do-pai-sobre-quem-oferece-presenca-e-orientacao-e-como-a-experiencia-concreta-nao-o-genero-organiza-o-complexo-paterno-a-historia-de-crisostomo-em-o-filho-de-mil-homens-mostra-que-o-mundo-o-trabalho-e-os-encontros-tambem-podem-desempenhar-essa-funcao-por-fim-o-texto-convida-a-ampliar-o-olhar-mais-do-que-uma-figura-trata-se-de-reconhecer-as-muitas-formas-pelas-quais-a-vida-pode-sustentar-a-formacao-da-crianca" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: A crença de que a função paterna depende da presença de um homem ainda orienta discursos sobre família e desenvolvimento, embora não encontre sustentação psicológica. Com base em Jung, o ensaio argumenta que esta função é simbólica: um princípio de direção, limite e abertura ao mundo que pode ser vivido por qualquer pessoa cuidadora. Examina-se como a psique projeta o arquétipo do Pai sobre quem oferece presença e orientação, e como a experiência concreta — não o gênero — organiza o complexo paterno. A história de Crisóstomo, em&nbsp;O Filho de Mil Homens, mostra que o mundo, o trabalho e os encontros também podem desempenhar essa função. Por fim, o texto convida a ampliar o olhar: mais do que uma figura, trata-se de reconhecer as muitas formas pelas quais a vida pode sustentar a formação da criança.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Num dia qualquer, a casa azul despertava com Crisóstomo: rangia como barco ancorado, exalava o cheiro leve de sal e guardava, sobre as prateleiras, os objetos que ele recolhera ao longo dos anos — conchas partidas, pedaços de vidro vindos sabe-se lá de onde, louças antigas que tinham atravessado muitas mesas, os lençóis herdados da avó, os anzóis cuidadosamente afiados. Ele tomava a refeição simples que o sustentava, lavava a tigela com atenção, arrumava a mesa para um só, e nesses gestos havia sempre um reconhecimento: de que a vida exigia trabalho, e o trabalho exigia dele um corpo inteiro, disciplinado na fome, no cansaço e no retorno diário ao mar. Ao atravessar a areia diante da porta, sentia o vento medir seu passo e o mar impor um ritmo que ele não tinha como apressar.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A discussão contemporânea sobre configurações familiares e desenvolvimento infantil ainda tropeça na crença de que certas funções psíquicas estruturantes dependem intrinsecamente do gênero, uma visão herdada de um modelo patriarcal e tradicionalista&nbsp;que confunde símbolo com anatomia, e que até hoje afirma que a&nbsp;<strong>função paterna</strong>&nbsp;exige a presença física de um homem. Esta literalização, amplamente difundida na psicologia do desenvolvimento e no discurso social, empobrece o símbolo e reduz a dinâmica psíquica à superfície dos corpos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-luz-da-psicologia-analitica-de-c-g-jung">À luz da Psicologia Analítica de C. G. Jung</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A identificação entre função e figura revela-se insustentável. Jung compreende os papéis parentais não como derivações biológicas, mas como&nbsp;<strong>disposições psíquicas universais</strong>&nbsp;que aguardam realização na experiência individual (OC 9/1, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim, tudo o que costuma ser atribuído ao pai &#8211; autoridade, mediação com o mundo, discriminação &#8211; são&nbsp;<strong>potencialidades</strong>&nbsp;disponíveis a qualquer pessoa cuidadora. Vinculá-las exclusivamente ao masculino é uma forma de materialismo psicológico que contraria a própria lógica arquetípica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O arquétipo, lembra Jung, é uma&nbsp;<strong>estrutura&nbsp;<em>a priori</em></strong>&nbsp;que predispõe modos de experiência sem determinar seus conteúdos empíricos. Nesse sentido, o arquétipo do Pai se refere ao princípio de&nbsp;<strong>diferenciação e direção</strong>, associado à emergência da consciência discriminadora e ao ingresso no universo da cultura, da lei e da medida. Opondo-se complementarmente ao arquétipo da Mãe, que fenomenologicamente se liga ao campo da fusão e da sustentação, o Pai retira a criança do indiferenciado e a lança em direção ao coletivo (OC 5; 2019).&nbsp;Assim, quando falamos de função paterna, estamos falando de um&nbsp;<strong>movimento da psique</strong>, não de um atributo anatômico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-projecao-literalidade-e-flexibilidade-da-psique"><strong>Projeção, literalidade e flexibilidade da psique</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A criança nasce com imagens arquetípicas latentes e, para se desenvolver, projeta essas imagens sobre quem cuida dela. Jung adverte que não se deve confundir as figuras empíricas com as imagens arquetípicas projetadas sobre elas, uma vez que o arquétipo, enquanto forma psíquica universal, transcende qualquer portador individual (OC 9/1, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tradicionalmente, a cultura fez do pai biológico o suporte primário para a projeção do arquétipo paterno. Ou seja, trata-se de uma convenção histórica, reforçada por séculos de patriarcado.&nbsp;Se isso fosse uma verdade psicológica universal, bastaria a presença de um homem para produzir ordem, e a clínica sabe que não é assim.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A psique, teleológica e inventiva,&nbsp;<strong>não aguarda a conformidade dos arranjos familiares</strong>. Na ausência do suporte tradicional, ela constela o princípio paterno em outros lugares: uma mãe, uma avó, uma comunidade, uma professora, o próprio mundo. A ausência do homem não implica ausência de função; apenas ausência de um&nbsp;<strong>portador convencional</strong>&nbsp;que, não raro, tem se mostrado inadequado quando não profundamente prejudicial.<strong></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-complexos-e-a-experiencia-real-da-crianca"><strong>Os complexos e a experiência real da criança</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Segundo Jung, os complexos nascem do encontro entre as potencialidades arquetípicas e as experiências concretas. O complexo paterno, então, tem origem na forma com que a criança vivencia experiências relacionadas a autoridade, alteridade, limites e orientações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Uma mãe solo que estabelece limites, introduz o mundo e sustenta o contato com a alteridade constela Logos e Eros, oferecendo matéria viva para a formação do complexo paterno. Da mesma forma, a presença de um homem violento ou incapaz de se relacionar produz um complexo paterno negativo, às vezes devastador.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Os números são brutais: apenas em 2025, cerca de 3,7 milhões de brasileiras relataram ter sofrido violência doméstica ou familiar geralmente cometida por parceiros ou ex-parceiros, ou seja, pelos próprios pais ou conviventes das crianças. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No mesmo período, o país registrou mais de 87 mil estupros, sendo que 65% ocorreram dentro de casa e grande parte envolveu meninas e crianças em situação de vulnerabilidade. Estudos epidemiológicos mostram que em 82,4% dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes o autor é um homem, muitas vezes um familiar próximo. [i][ii]</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Isto demonstra que a presença masculina, em inúmeros lares, está longe de garantir proteção, segurança ou estrutura psíquica. Em muitos casos, é justamente o homem que introduz violência, instabilidade e medo, comprometendo a possibilidade de a criança experienciar limites como cuidado e não como ameaça. O que de fato organiza o complexo é a qualidade da experiência que a pessoa cuidadora oferece, independentemente de seu gênero.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-logos-e-eros-alem-do-genero"><strong>Logos e Eros além do gênero</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Grande parte da confusão contemporânea deriva da antiga dicotomia que associa masculinidade ao Logos (razão, lei, discriminação) e feminilidade ao Eros (relação, vínculo, sentimento) (OC 7, 2022). Jung, no entanto, não tomou essa divisão como fato e, em sua obra madura,&nbsp;enfatizou que ambos os princípios pertencem à totalidade humana e que sua integração é condição de desenvolvimento da personalidade. (OC 9/2, 2021)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A função paterna, enquanto expressão do Logos, não pertence ao homem, mas ao campo da consciência que delimita, discrimina e orienta.&nbsp;Exige flexibilidade, não rigidez; delimitação, não autoritarismo; presença, não performance. A fixação nas expectativas de gênero, inclusive, denuncia o próprio empobrecimento psíquico de quem cuida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-vida-como-suporte"><strong>A vida como suporte</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O romance&nbsp;<em>O Filho de Mil Homens</em>, de Walter Hugo Mãe, oferece uma imagem especialmente fecunda para compreender a função paterna além da figura masculina.<strong>&nbsp;</strong>Crisóstomo é um personagem cuja história não se organiza pela falta, independentemente de ter crescido sem a presença de um pai. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A narrativa o acompanha enquanto aprende a existir no mundo por meio das forças que lhe atravessam, como o trabalho que o disciplina e sustenta, os encontros que o introduzem à alteridade e, sobretudo, a natureza que o confronta com a própria vulnerabilidade. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É ela quem lhe ensina medida, quem o lembra de que há limites, desproporções, ritmos que não obedecem à vontade humana. Nesse diálogo com o mundo surgem o gesto de separação, a percepção de distância e a possibilidade de responder à vida com discernimento, condições simbólicas que permitem a constelação do princípio paterno.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-crisostomo">Crisóstomo</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Crisóstomo recebe o mundo como horizonte e é justamente essa abertura para o real, com suas exigências e suas metáforas, que opera como função paterna em sua forma mais essencial. Cada uma dessas experiências lhe dá contorno, revelando gradualmente a própria possibilidade do devir.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A ausência do pai, em Crisóstomo, é uma fresta. Um espaço simbólico onde a psique pode projetar o que necessita para sua formação. O romance sugere que aquilo que reconhecemos como função paterna não é atributo da figura masculina e sim um princípio vivo que pode emergir nos mais diversos encontros. Seja na travessia, no laço com o outro, na contemplação da paisagem, na exigência do trabalho. Crisóstomo desmonta, de modo silencioso e poético, a suposição de que a diferenciação depende de uma genealogia masculina.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Crisóstomo personifica o movimento da psique que vai ao encontro de equivalentes simbólicos quando a figura tradicional não está disponível. E, muitas vezes, encontra equivalentes mais férteis, mais amplos, mais próximos da própria vida.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-indo-alem-do-modelo-patriarcal"><strong>Indo além do modelo patriarcal</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A Psicologia Analítica, quando lida em sua profundidade simbólica, desfaz o mito da necessidade biológica da figura masculina para o exercício da função paterna.&nbsp;O arquétipo não pertence ao homem; pertence à psique humana. Perpetuar a ideia de que a masculinidade é condição para estruturação psíquica da criança é perpetuar a um materialismo psicológico já antiquado — e, muitas vezes, cúmplice de contextos desiguais e violentos onde justamente o masculino falha em oferecer proteção, limite ou cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O que sustenta uma criança não é o cumprimento de um ideal patriarcal, mas a presença de vínculos que saibam equilibrar o amor que nutre e a lei que estrutura. A psique sempre encontrou caminhos, resta à clínica a coragem de reconhecê-los&nbsp;e deixar cair, enfim, a velha ilusão de que o Pai tem, obrigatoriamente, um rosto masculino.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: Quando o mundo é Pai: Crisóstomo, sensibilidade e novos arranjos parentais" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/pzzpRi2TpjU?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/fernanda-viscardi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/fernanda-viscardi/"><strong>Fernanda Viscardi – Membro Analista em formação</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/">Glória Miranda – Analista Didata</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Obras completas. v. 5, Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">___________ Obras completas. v. 7, Dois escritos sobre psicologia analítica. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2022.​</p>



<p class="wp-block-paragraph">___________. Obras completas. v. 9/1, Os arquétipos e o inconsciente coletivo: 2ª parte. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">___________. Obras completas. v. 9/2, Aion: contribuições ao simbolismo do si mesmo. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[i] <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/11/24/datasenado-violencia-de-genero-atinge-3-7-milhoes-de-brasileiras">https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/11/24/datasenado-violencia-de-genero-atinge-3-7-milhoes-de-brasileiras</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">[ii] <a href="https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/brasil-tem-novo-recorde-de-casos-de-feminicidios-e-estupros-diz-fBSP1">https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/brasil-tem-novo-recorde-de-casos-de-feminicidios-e-estupros-diz-fBSP1</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br" type="link" id="www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/pai-crisostomo-arranjos-parentais/">Quando o mundo é Pai: Crisóstomo, sensibilidade e novos arranjos parentais</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
