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O amor de uma mãe

“A partir do dia em que conhece seu primeiro amor, a mulher se transforma. Isso continua a ocorrer por toda a sua vida. O homem passa a noite com a mulher e vai-se embora. Sua vida e o seu corpo são sempre os mesmos. A mulher concebe. Como mãe, ela é uma pessoa diferente da mulher sem filhos. Ela traz o fruto da noite em seu corpo durante nove meses. Alguma coisa se desenvolve. Desenvolve-se em sua vida algo que jamais se vai. ELA É MÃE. É e permanece mãe mesmo que o filho morra, mesmo que lhe morram todos os filhos. Porque, num certo momento, ela trouxe o filho sob o próprio coração. E ele jamais lhe sai do coração. Mesmo quando morre. Tudo isso o homem ignora; ele nada sabe. Ele não sabe a diferença entre o amor e o depois do amor; entre antes e depois da maternidade. Ele nada pode saber. Somente uma mulher pode saber disso e falar sobre isso. Eis porque não queremos que nossos maridos nos digam o que fazer.” Jung e Kerényi, Introdução à ciência e mitologia.
Eu sou mãe do coração, gestei meu filho por longos anos na alma e no peito. Eu o reconheci em seu corpo aos 9 meses e imediatamente soube que o havia encontrado. O filho que habitara meus sonhos desde a infância estava na minha frente em corpo e espírito. Esta é outra maneira de ser mãe, mas tão intensa e transformadora quanto a maternidade, porque o que conta, no final, é a maternagem; o amor e o cuidado dedicado.
E que amor é esse? Impossível explicar, nada, absolutamente nada pode explicar. É a experiência mais arrebatadora, em que seu peito se expande ao infinito e reconhecemos o milagre do Divino. 
Um filho é presente do Amor Maior de Deus pela humanidade. Nos permitir criar sua criatura é sagrado, só Deus amando incondicionalmente a humanidade entrega todos os seus filhos aos cuidados de um pai e uma mãe.
Ao mesmo tempo sermos responsáveis pela humanidade futura nos torna seres igualmente sagrados. Criamos todos e todas os filhos de Deus. Cada novo ser é um filho de Deus enviado aos homens por amor, por confiança.
A experiência ao mesmo tempo mais profundamente humana e sagrada é amar um filho. Experienciar a plenitude da existência através do outro. Desejar o melhor com toda intensidade. Aprender a dar de si incondicionalmente. Amar profundamente e, ainda assim, impor limites à démesure dos filhos é tarefa que só o profundo amor pode entender. Sentir-se ATMAN (a centelha de Deus em nós = si mesmo), um com Deus, porque através do meu filho sei que Brahman (Deus) habita em mim como habita nele. É a experiência sagrada por excelência.
Ercilia Simone Magaldi, IJEP

Simone Magaldi – 15/06/2019

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