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	<title>Arquivos abandono - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos abandono - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A solidão nossa de cada dia&#8230;</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-solidao-nossa-de-cada-dia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Natalhe Vieni]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Nov 2022 12:27:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[abandono]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Solidão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dicionário da língua portuguesa a palavra solidão está classificada como&#160;estado de quem se acha ou se sente desacompanhado ou só; isolamento.&#160;&#160;Mas não pude deixar de me perguntar, será que somente quando estamos sozinhos de fato que nos sentimos assim, com certeza não! Muitas vezes mesmo em meio a uma multidão estamos sós. Num mundo [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No dicionário da língua portuguesa a palavra solidão está classificada como&nbsp;estado de quem se acha ou se sente desacompanhado ou só; isolamento.&nbsp;&nbsp;Mas não pude deixar de me perguntar, será que somente quando estamos sozinhos de fato que nos sentimos assim, com certeza não! Muitas vezes mesmo em meio a uma multidão estamos sós. Num mundo muito regido pela performance e pela persona, quase sempre estamos sós, pois como poderíamos compartilhar qualquer sorte de coisas com outros, sendo que queremos que os outros nos vejam de determinada forma, esta que muitas vezes é bem diferente daquilo que eu sou ou de como me sinto.&nbsp;</p>



<p>Muito ouvimos falar sobre exatamente isso, ser sozinha(o) ou estarmos sozinhas (os), mas gostaria de falar de um outro tipo de solidão, aquela que se sente na alma, e muitas vezes me pergunto se tais indivíduos aprenderam algum dia a compartilharem , seja por imposição de sua história de vida, ou seja até pelo espírito de nossa época que nos impulsiona para um autismo, esse muito diferente daquele dos autistas, falo aqui de um estado imposto ao indivíduo em que ele deve condenar quem ele é ao ostracismo de sua própria mente, ou até para o fundo do inconsciente, onde ele se perde. Quantas vezes nos chegam clientes, ou nós mesmos nos assustamos com nossas próprias sentenças ao dizer: “Não sei o que eu quero”, isso pode se traduzir: “Não sei mais -ou de fato nunca aprendi- quem eu sou de verdade”. Olhando assim rapidamente tudo isso sempre me pareceu extremamente triste, um cenário desolador. Mas não visualizo como poderia ser diferente uma vez que desde que nascemos o espírito da nossa época, personalizado em todas as pessoas que encontramos na vida nos imputa uma forma de ser e de agir, e “Ai de nós se não o escutarmos!”. Há fórmulas para tudo, mas qual será a fórmula para sair da solidão?&nbsp;</p>



<p>Qual será a fórmula para eu me encontrar comigo mesmo?</p>



<p>De certa forma muitos dos clientes que nos procuram tem essa pergunta impressa de modo velado em suas falas, e cabe a nós terapeutas, ajudar o Self a demonstrar como fazer isso.</p>



<p>Nesse ponto acredito que a teoria Analítica de Carl Jung tem um papel protagonista neste processo pois ela acredita que o indivíduo não deve se contentar com uma vida vazia, sem sentido e polarizada somente no lado desse personagem imposto pelo mundo, a tão falada persona, mas sim deve conhecer a si mesmo e reencontrar o seu&nbsp;<em>Daimon</em>, que para Jung correspondia ao portador do seu sentido de vida. Mas para minimamente conhecê-lo o único caminho possível é primeiramente conhecer a si mesmo.&nbsp;</p>



<p>Muito me espanta, (e acho que sempre vai espantar!) que na maioria das vezes a análise ou a autoanalise faz o indivíduo conhecer e reconhecer em si coisas que nunca tinha visto, será que em certa medida o mundo contemporâneo está criando pessoas que não se conhecem, perdidos no voraz espírito da época da sociedade das mídias digitais?</p>



<p>Estamos produzindo cada vez mais pessoas sozinhas e solitárias?</p>



<p>É muito comum acharmos que nos conhecemos e que conhecemos os outros pelas redes, pois como diz o filósofo sul coreano Byung-Chul Han, que está profundamente posicionado nas mesmas raízes filosóficas que Jung, que diz em seus livros:&nbsp;<em>Sociedade do Cansaço e Sociedade Paliativa: a dor hoje</em>, que nos colocamos (ou fomos colocados) em uma redoma panóptica, tal qual as prisões, em que toda nossa vida pode ser vista e acompanhada pelas outras pessoas através das redes sociais, e o que intriga mais os estudiosos de tal fenômeno é que ninguém nos empurra para tal abuso, somos nós mesmos que nos colocamos nesta posição, podemos ainda dizer que não é necessário que nada de externo nos cobre para fazer isso, o que cobra, podemos nomeá-lo de abusador, está dentro de nós, ele nos cobra muitas coisas, inclusive isso.</p>



<p>Mas quem o colocou dentro de nós senão o espírito voraz de nossa época, o insaciável.&nbsp;</p>



<p>Insaciável porque vivemos na época da performance, e nada nunca será o suficiente!</p>



<p>Se a solidão ficou posicionada dentro de nós na sombra, uma vez que nesta posição panóptica que nos colocamos, a vida deve ser livre de qualquer tipo de canto, de qualquer dificuldade ou sofrimento. Acredito que a solidão está profundamente fincada na sombra, pois além de se encaixar nessa posição de algo que possa provocar sofrimento, ela nos é desconhecida e pode atrapalhar a produtividade, pois se pensarmos bem, ela nos leva para dentro e para baixo, posição propícia , como nos mostra Jung, para refletirmos profundamente sobre a vida que levamos, então é natural que no mundo de superfícies brilhantes ela seja evitada a todo custo, pois no geral o mundo não quer pessoas que pensam e compreendem ao próprio mundo, inclusive.&nbsp;</p>



<p>Acontece que na Psicologia Analítica é quase um imperativo que façamos esse movimento de ir para dentro de nós e para baixo, até as profundezas dos infernos que existe dentro de cada um de nós e trazemos de lá verdadeiros tesouros, sejam possibilidades nossas que abandonamos, ou partes nossas mesmo que largamos ao longo de nossas vidas ou seja a possibilidade de ressignificar nossas feridas, a isso damos o nome aqui de: “integrar a sombra ao Ego”, esse é um dos movimentos mais desejados numa terapia profunda, ela vai ampliando a consciência do indivíduo e fazendo ele caminhar em seu processo de individuação.</p>



<p>Vamos passear um pouco no que diz Jung sobre esta temática:</p>



<p>“Nada fecha tanto o homem sobre si mesmo e o separa do convívio dos demais do que a “posse” de segredos que julga importantes e que guarda ansiosa e ciosamente. Muitas vezes são os atos e pensamentos “pecaminosos” que separam os homens e os mantêm afastados uns dos outros. Aqui a confissão tem, não raro, um verdadeiro efeito de redenção. A incrível sensação de alívio que costuma seguir-se ao ato da confissão deve ser atribuída à readmissão daquele que estava perdido no seio da comunidade humana. A solidão e o isolamento moral anterior, tão difíceis de suportar, cessam com a confissão. E aqui está o verdadeiro valor psicológico da confissão.” (JUNG, 2013, p.198)</p>



<p>Nesse ponto ele está elencando a importância do indivíduo sair do estado de solidão induzido pela necessidade de guardar algum segredo, mesmo que dele mesmo, e ao realizar essa confissão que na maioria das vezes é confessada, para si mesmo, ou para o Ego que o defendia dessa verdade a todo custo, ele cria um vínculo e faz uma projeção com o confessor, Jung chama de “ vinculação moral” que ele faz com o confessor, que passa a ser o detentor dos segredos, criando então uma relação de transferência, e não podemos nos esquecer que toda a análise Junguiana acontece na transferência, esse vínculo é inicialmente criado e, tanto o terapeuta como o analisando usam dele para se conhecer e ressignificar seus complexos, principalmente os que estão negativos. Por exemplo, um indivíduo que tem um complexo materno negativo e pode usar desse momento para confessar sua vontade imensa de “ matar sua mãe , ou a relação que tem com ela”, e na projeção de mãe que faz sob o terapeuta tem a possibilidade de experienciar uma diferente relação com a mãe, provocando que sua própria mãe interior renasça e a mãe literal ou a relação com ela passe a ter um segundo plano, e por fim, ele mesmo é capaz de exercer este papel em sua vida, sem nem precisar mais do terapeuta ou da análise .&nbsp;</p>



<p>Em outro momento ele diz:</p>



<p>“Nietzsche, por reconhecimento e compreensão, o desespero e a amargura de sua solidão. Poder-se-ia esperar que um homem genial se deleitasse com a grandeza de seu próprio pensamento, renunciando ao aplauso barato das massas que despreza; mas ele sucumbe à força do instinto gregário, à sua busca e ao seu encontro; seu chamado se dirige irremediavelmente à tribo e precisa ser ouvido(&#8230;).” (JUNG,2013, p.32)</p>



<p>Nesse ponto Jung estava falando sobre a solidão que acomete a todos os grandes gênios, ou aqueles que tem de certa forma um pensamento muito além do nosso tempo, mas isso pode ser ampliado a todos nós que porventura nascemos em famílias ainda tão reféns da persona, ou todo e qualquer um que faz uma ampliação da consciência, ela ocasionalmente vai se deparar com a solidão, pois o caminho da individuação é quase sempre solitário, uma vez que cada alma tem o seu tempo e cada um está em algum ponto deste mesmo caminho.&nbsp;</p>



<p>Não podemos nos esquecer que o movimento natural ou os marcos essenciais da vida são de certa forma solitários, todos nascemos sozinhos, gozamos a vida e até na própria relação sexual estamos sozinhos, passamos por inúmeras experiências durante a vida e por fim morremos sozinhos, isso pensando que ninguém nunca será capaz de sentir por nós, mesmo que acompanhados nestes momentos, ninguém nunca será capaz de entrar no outro e saber como ele realmente se sente.&nbsp;</p>



<p>É interessante que corremos tanto da solidão, mas a maior parte de nossa vida é passada em nossa própria companhia e muito sabiamente devemos aprender ou reaprender a gostar de nós mesmos e podemos assim formar uma nova relação com a solidão, onde ela pode ser uma sábia conselheira, porque permite que nós consultemos nossa profundeza e de lá retornemos com as melhores respostas, bem alinhadas com o nosso Self que tudo sabe.</p>



<p>Sobre isso Jung nos diz:</p>



<p>“Sê esta nossa partida, ave ou Satanás, gritei me erguendo: Retorna às tempestades e às praias plutônicas da noite! Nem deixes negra pluma como penhor da tua mentira! Deixa minha solidão intacta! (&#8230;)” (JUNG, 2013, p. 74)</p>



<p>Nesses versos do poeta Edgar Alan Poe, em “The Raven” (O Corvo), citado por Jung, o corvo que nos visita, deseja roubar-nos essa possibilidade de ficar com nossa própria solidão e buscar dentro de nós as respostas do Self. Embora este texto fale sobre a perda de um amor, Jung faz uma aproximação da vivência da solidão para nós reencontrarmos o amor por nós mesmos.&nbsp;</p>



<p>Nesse ponto me lembro da Daniela Euzébio que dia desses me citou um conceito muito interessante, ela me disse da necessidade de os indivíduos aprenderem a “Flanar”, que no dicionário da língua portuguesa é especificado como&nbsp;andar ociosamente, sem rumo, nem sentido certo; flanear, flainar, perambular. Nesse sentido devemos fazê-lo para conviver com nossa própria solidão e dar espaço para nos ver, ver a cidade e tudo fora e dentro de nós de uma outra perspectiva, para isso sem dúvida é necessário respeitar o silêncio e o tempo da alma, o ócio, para que possa a própria psique possa realizar, talvez, até a redistribuição da energia psíquica que está represada em assuntos específicos.</p>



<p>Em outro ponto das obras completas Jung diz:</p>



<p>“Quando o iniciado, à noite, dirigia-se para a gruta sagrada, oculta na solidão da floresta, a cada passo novas impressões despertavam uma emoção mística em seu coração. As estrelas que brilhavam no céu, o vento que agitava a folhagem, a fonte ou o riacho que corriam marulhantes até o vale, mesmo a terra em que pisava, tudo era sagrado a seus olhos, e toda a natureza que o envolvia despertava o temor respeitoso pelas forças infinitas que agiam no universo.”&nbsp;(JUNG, 2013, p. 96)</p>



<p>Fazendo uma reflexão sobre a simbologia da floresta, essa amplitude rica de vida, cor, e transformações profundas, mas que como podemos ver, precisa da solidão para que se revele diante de nossos olhos.</p>



<p>Em outra passagem Jung busca na obra de Nietzche a energia necessária para a transformação, encontrada na solidão:</p>



<p><strong>O sinal de fogo</strong></p>



<p>Aqui, onde entre mares cresceu a ilha,&nbsp;</p>



<p>uma pedra sacrifical erguida bruscamente,&nbsp;</p>



<p>aqui, sob um céu escuro,</p>



<p>Zaratustra, acende seu fogo celestial&#8230;</p>



<p>Esta chama com ventre esbranquiçado</p>



<p>Até frias distâncias lança labaredas seu anseio,</p>



<p>para alturas cada vez mais puras estende seu pescoço &#8211;&nbsp;</p>



<p>uma serpente se impacienta empertigada:</p>



<p>este sinal diante de mim ergui.</p>



<p>Minha própria alma é esta chama:&nbsp;</p>



<p>por novas distâncias insaciável,&nbsp;</p>



<p>sobe, sobe, seu silencioso ardor&#8230;</p>



<p>Tudo que é solitário procuro agora:&nbsp;</p>



<p>respondei à inquietação da chama,&nbsp;</p>



<p>apanhai para mim, pescador em altos montes,&nbsp;</p>



<p>minha sétima, derradeira, solidão!</p>



<p>(JUNG, 2013, p. 120)</p>



<p>Aqui Jung está demonstrando que este símbolo – a solidão- é o precursor da libido, vale a pena relembrar sempre que este conceito para Jung, não está posicionado somente no campo sexual, Jung entende que a libido pode e é usada em qualquer área da vida, aliás precisamos dessa “vontade” para que haja a vida, e sem ela nos tornamos um autômato, vivendo uma vida vazia e na maioria das vezes sem um sentido definido.</p>



<p>Num outro ponto ele mostra que a solidão também está com raízes primordiais fincadas com a existência de Deusas antigas, que se “sentavam em seus tronos de solidão”, desse modo podemos ampliar que essa associação é feita no inconsciente coletivo, ela também pode estar sendo vivida como um conteúdo sombrio por conta de todo o rechaço ao feminino, que aconteceu e continua acontecendo desde que o patriarcado se instaurou. Dessa forma ele diz que o individuo deve receber via complexo materno a libido, a energia vinda da mãe, para que a use ao seu dispor, agora se este complexo está negativo, esse movimento se torna impossível, e se as mães não aprenderam sobre a solidão devido ao aprisionamento de seus femininos como podem também repassar aos seus filhos essa força motivadora e criativa advinda da solidão, ou do caos criativo do feminino? Impossível!</p>



<p>Ele diz ainda que a libido que retorna da solidão, vem da mãe, ou do complexo materno, que ela pode tornar-se ameaçadora como uma cobra, símbolo do pavor mortal que temos de quebrar a relação que temos com a mãe, causando a nossa própria morte. Simbolicamente ele nos diz que dói matar o filho dependente de atenção e cuidados, para surgir o adulto que está em nós, escolher, arcar com as escolhas igualmente, dói, e por isso fingimos dessa morte e preferimos confortavelmente nos manter “acompanhados” de situações ou pessoas que fazem esse papel de uma mãe, assim nos furtamos o direito de sofrer essa dor, a de arcar com nossas próprias escolhas. Desse modo posso me manter na posição de espectador da minha própria vida e há um conforto imenso nessa posição. Dói, e no mundo contemporâneo toda dor deve ser evitada. Nos esquecemos que a dor, assim como a solidão são provocadoras de catarse. Então a solidão não está verdadeiramente posicionada na posição de uma manifestação do mal, talvez seja difícil senti-la, até por não estarmos acostumados a olhá-la desta forma, mas ela pode &#8211; assim como todos os sentimentos tidos como ruins &#8211; se tornar um portal para a transformação do indivíduo, não por acaso ouvimos falar muito dela no livro&nbsp;<em>intitulado Símbolos da Transformação</em>&nbsp;(JUNG,2013).&nbsp;</p>



<p>“Solidão e jejum são por isto os mais antigos meios conhecidos para apoiar a meditação que deverá permitir acesso ao inconsciente.” (JUNG,2013, p. 395)</p>



<p>Quem sabe possamos nos reconciliar com esta parte nossa, ressignificar a solidão dentro de nós e chegar num ponto que Jung também nos conta em sua obra, ele diz que há um perigo à espreita quando falamos sobre solidão e sobre aprender a apreciar a nossa própria companhia, pois depois disso há uma força quase mística que nos impulsiona a não querer mais contato com o mundo, pois passamos a nos apreciar tanto que todo o resto nos parece fugaz e supérfluo. Não sei se este polo também seria interessante, pois toda e qualquer polarização a longo prazo se mostra destrutiva para a psique, mas esse pensamento e a observação deste fenômeno na vida de alguns indivíduos, nos faz constatar que a solidão é nossa amiga e não um monstro assustador que nos espreita todos os dias antes de irmos dormir!</p>



<p>Boas ampliações a todos!</p>



<p>Natalhe Vieni- Analista em Formação IJEP</p>



<p>E. Simone Magaldi- Membro Didata IJEP</p>



<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>JUNG, C. G. Freud e a Psicanálise. 7ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.</p>



<p>_________. Símbolos da Transformação. 9ª ed.&nbsp;&nbsp;Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.</p>



<p>_________. Memórias, sonhos e reflexões. (reunidas e editadas por Aniela Jaffé). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.</p>



<p>HAN, Byung-Chul. Sociedade Paliativa: a dor hoje.&nbsp;&nbsp;1ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes,2021.</p>



<p>_________. Sociedade do Cansaço. 2ª ed.&nbsp;Petrópolis, RJ: Vozes,2017.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Abandono Social</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/abandono-social/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Paula Maluf]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jun 2022 12:27:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Dependência Química]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vivemos hoje um estado de calamidade pública. A população em situação de rua vem crescendo de forma acentuadamente drástica. Basta olhar pela janela e trilhar as calçadas. Segundo fontes SISAB de 2020, 221.869 pessoas se encontram em situação de rua, sendo 34,7% mulheres e 65,35% homens.&#160; Parece que na pandemia o número dobrou nas grandes [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vivemos hoje um estado de calamidade pública. A população em situação de rua vem crescendo de forma acentuadamente drástica. Basta olhar pela janela e trilhar as calçadas. Segundo fontes SISAB de 2020, 221.869 pessoas se encontram em situação de rua, sendo 34,7% mulheres e 65,35% homens.&nbsp;</p>



<p><strong>Parece que na pandemia o número dobrou nas grandes cidades.</strong></p>



<p>A população vulnerável socialmente&nbsp;que vive a pobreza extrema é formada também por trabalhadores que exercem atividades informais. 70% dos moradores de rua trabalham como catadores de reciclagem, flanelinhas, em construção, limpeza e carregadores. 15,7% da população em SP são pedintes.</p>



<p>Encontramos na rua uma diversidade de pessoas e circunstâncias. A questão da saúde é um problema bastante grave também. As drogas são bastante presentes entre moradores de ruas e as patologias psiquiátricas.</p>



<p><strong>A maioria de quem mora na rua faz pelo menos uma refeição ao dia.</strong></p>



<p>Em dezembro de 2019, foi instituído um decreto (decreto n°7053) que define população em situação de rua como grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos de as áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem como as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou moradia provisória.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="816" height="518" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem1.jpg" alt="" class="wp-image-4100" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem1.jpg 816w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem1-300x190.webp 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem1-768x488.webp 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem1-150x95.webp 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem1-450x286.webp 450w" sizes="(max-width: 816px) 100vw, 816px" /></figure>



<p>É um tema bastante amplo pois mesmo em situação de rua encontramos situações das mais diversas pois falamos de humanos. Faltam-nos políticas públicas e iniciativas sociais privadas para adentrar a essa realidade. Que situação é essa vivida por alguém na rua que conseguiu muitas vezes se libertar dos compromissos e pressões coletivas sociais, mas abraça a dor e a ferida social da invisibilidade?</p>



<p>Ao pensarmos em rua e pobreza, pensamos em bem e mal e logo somos arremessados a uma instância rígida de nossa criação cristã, precisamos muitas vezes alimentar o mau fora de nós para sermos bons. Essa ideia acaba sendo alimentada por muitas igrejas, constelando o arquétipo do salvador e alimentando no morador em situação de rua o arquétipo do invalido nutrindo a pobreza.</p>



<p>&#8230;pois mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino de Deus (Lucas 18: 24-25). Numa sociedade unilateralizada que carrega a literalidade&nbsp;como característica, acaba entendendo a citação acima de forma literal. Logo que nos deparamos com essa imagem de pessoas habitando ruas que se contrasta com nossas mansões, pensamos no sentido da vida e de alguma forma a representação da imagem de Deus</p>



<p>Jung afirma que, desde que “todos os opostos são de Deus”, devemos nos curvar diante desse “peso”. Os opostos são a pré-condição indestrutível e indispensável de toda vida psíquica escreveu Jung em 1955 no Mysterium Coniunctions.</p>



<p>Jung afirma também que é através da psique que podemos estabelecer que Deus age sobre nós. E a expressão da psique se dá através de nossa cosmovisão e, portanto, atitude diante do mundo. Então&#8230; o que será que acontece com a nossa sociedade, com os indivíduos que se tornam indiferentes aos que habitam as ruas? O que será que leva um indivíduo a habitar as ruas?&nbsp;</p>



<p>&nbsp;Quem são esses indivíduos que perambulam pelas noites sombrias quando a luz cai; já que diante da luz são rejeitados e expelidos às sarjetas? São expelidos à margem de nossos caminhos. Para reconhecer esses “corpos perambulantes” preciso de alma e no mundo desalmado, o olhar é pelos olhos da razão.</p>



<p>&nbsp;Sem alma não há relação entre as polaridades que constituem a natureza humana. Sem diálogo entre os lados, não há alcance ao que é divino e caímos na experiência de um aparthaid que julgamos ser natural. Separamos do mundo o imundo gerando cisão, rompimento, negação e violência social. </p>



<p><strong>Se tudo é uno, quando integro o outro em mim, me aproximo do coletivo.</strong></p>



<p>&nbsp;Pensar em mundo é vislumbrar a totalidade que envolve sistemas e contradições relacionais devido à diversidade de experiências vivas. Jung fala da busca de totalidade no processo de individuação, e a totalidade compreende as oposições e aproximação entre elas. Portanto se me distancio e nego o imundo, nego parte do meu mundo.</p>



<p>“Completude ou unidade é a condição original de existência, antes que o primeiro “pensamento” entre e comece a discriminar e diferenciar isso “daquilo”. (DONALD, pensamentos de Jung sobre Deus pg25.)</p>



<p>Da mistura de conteúdos no princípio da criação, separamos através da função de discriminar durante o processo de desenvolvimento para poder posteriormente unir de forma consciente. Mas o homem contemporâneo parece literalizar essa ideia e vivê-la fora de si.</p>



<p>A totalidade é um estado onde consciência e inconsciente trabalham juntos em harmonia, onde estas instancias estabelecem um diálogo possibilitando a integração de aspectos sombrios.</p>



<p>Esse apartado da sociedade faz parte de uma “classe” a parte, (termo usado por alguns indivíduos que vivem essa situação.)&nbsp; São invisíveis no meio de tanta gente por serem incômodos pela sua aparência suja e seu fedor. </p>



<p>Nós?! Somos limpos e polidos e assim somos aceitos e não nos misturamos e nem sequer dialogamos com esse outro lado. Esse corpo negado e rejeitado a ponto de se tornar invisível é a própria sombra que projetamos no pedinte imundo.</p>



<p>“A sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguém é capaz de tomar consciência desta realidade sem dispender energias morais. Mas nesta tomada de consciência da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade. Este ato é a base indispensável para qualquer tipo de autoconhecimento e, por isso, em geral, ele se defronta com considerável resistência”. (Jung &#8211; OC 9/2 § 14)</p>



<p>“Hoje em dia, defrontamo-nos com o lado escuro da natureza humana toda vez que abrimos um jornal ou ouvimos o noticiário. Os efeitos mais repulsivos da sombra tornam-se visíveis na esmagadora mensagem diária dos meios de comunicação, transmitida em massa para toda a nossa moderna aldeia global eletrônica. O mundo tornou-se um palco para a sombra coletiva.”</p>



<p>“O lado escuro não é nenhuma conquista evolucionária recente, resultado de civilização e educação. Ele tem suas raízes numa sombra biológica, que se baseia em nossas próprias células. Nossos ancestrais animalescos, afinal de contas, sobreviveram graças às presas e às garras. A besta em nós está viva, muito viva — só que a maior parte do tempo encarcerada.” (Ao encontro da sombra – Robert Bly pag. 20)</p>



<p>Essa sombra materializada nesses indivíduos não é anônima, ela têm nome e história com muitas marcas. Somos “Josés” somados a cada parte de nós que lê esse texto e reverbera essas ideias e imagens em si, pois formamos uma unidade. Essa é a totalidade.</p>



<p><strong>&nbsp;Cada um, uma história que vai além do pessoal e é coletiva também.</strong></p>



<p>&nbsp;Um corpo tem que ocupar um lugar no espaço. Qual é esse espaço que o morador em situação de rua ocupa? Esse corpo nos assusta e desperta nossos medos de fracasso já que ainda não tomamos ciência de quê fracassamos como sociedade.</p>



<p>É o medo pelo que ele nos representa. Vivemos em bolhas distantes umas das outras onde não há relação e diálogo entre elas, empobrecendo a nossa condição humana. Não comungamos de ideias e perdemos propósitos.</p>



<p>Na visão da psicologia analítica se não aproximarmos essas polaridades continuaremos tomados pelo monoteísmo da consciência e corremos o risco do aprisionamento em nossas certezas e verdades que são frutos de nossos complexos de poder que habitam as sombras e um ego rígido que nos acorrenta.&nbsp;</p>



<p>Esses indivíduos caminham lentamente pois não tem energia, enquanto nós corremos, pois temos pressa e assim não aprofundamos nosso olhar. Vivem a fome, o frio e a solidão em seus corpos enquanto nós nos fartamos a mesa e vivemos com 5.000 likes nas redes sociais.</p>



<p>Seus olhos&#8230; Um olhar perdido sem sentido, sem direção enquanto nós focados fixamente no sucesso. Esses indivíduos têm uma pisada desalinhada com os pés sujos e cascudos para dar conta da realidade árida e dura enquanto nós fazemos malabarismos em nossos saltos altos.</p>



<p>Como opção nós caminhamos muitas vezes para nos buscar e muitos deles caminham para fugir de si&#8230; A população de rua vem aumentando drasticamente, o que reflete o aumento da exclusão social fruto de valores sociais que nutrem um modelo econômico que vivemos, onde nem todos se enquadram.</p>



<p><strong>“Muito para poucos e pouco para muitos&#8230;”&nbsp;</strong></p>



<p>Esse é o corpo social que se torna fruto dos corpos individuais.</p>



<p>&nbsp;O mendigo pedinte e sem teto é a antítese da imagem e vida desejada por nós cidadãos de “sucesso” &#8230; Esse é o espírito da nossa época que eles também fazem parte. Como seria se perceber menos perfeito e mais inteiro com todas as carências e sujeiras que carregamos na alma?</p>



<p>Como é se deparar com corpos desnutridos, arcados e sujos, famintos de comida, já que estamos em corpos famintos de espiritualidade e humanidade que se expressa na materialidade do excluído? Só atingiremos a divindade quando mudarmos o olhar para com o tema da espiritualidade que se realiza de forma concreta, inclusive no corpo. Nessa desunião que vivemos, separamos o bom do mal sem condição para o diálogo e adoecemos como indivíduo e sociedade.</p>



<p><strong>“Não posso perfumar e nem performar a alma”</strong></p>



<p>&nbsp;Essa é uma das batalhas internas em tempos modernos onde a ilusão do controle é alimentada socialmente para manter a persona polida. Sendo assim a tendência é projetar e rejeitar todo o dejeto naquele que em mim não cabe em lugar nenhum.</p>



<p>&nbsp;Minha intenção é questionar e quem sabe despertar outros olhares sobre o tema invocando assim algo dessa energia ligada ao feminino, resgatando quem sabe a capacidade em acolher e se relacionar com o outro em mim para perceber o outro nele nessa aproximação.</p>



<p>Tentar entender a dinâmica desse grupo de indivíduos na tentativa de desenvolver aquilo que de forma consciente ou inconsciente “tiramos” deles em relações de uso, abuso e poder. É uma tentativa mais consciente de reparação, não para aliviar a culpa, mas sim por sentir-se parte integrante e ativa dessa sociedade com propósito de evoluir como humano.</p>



<p><strong>&nbsp;Precisamos nos aproximar para olhar de forma mais profunda.</strong></p>



<p>“Sim, uma pessoa nunca é representada por ela mesma. Uma pessoa só é alguma coisa em relação a outros indivíduos. Só obtemos dela um retrato completo quando a vemos em relação, a seu entorno, assim como não sabemos nada sobre uma planta ou um animal quando não conhecemos seu habitat”. (traumanalyse,253 sobre o amor- Jung)</p>



<p>Todos fazemos parte desse cenário, cada corpo em seu lugar e todos direta ou indiretamente pagamos o preço da fome, da miséria e da violência. Como num mosaico somos pedaços que compõem o TODO.</p>



<p>“Se você não quiser arruinar se moralmente só existe uma pergunta a fazer: Qual é a necessidade que você mesmo carrega quando se comove com a situação aflitiva de seu irmão?” (Briefi II, 395, Jung Sobre o amor) Vamos repensar caminhos e sentidos e para isso preciso parar e mergulhar nesse universo.</p>



<p>&nbsp;Sim&#8230; sofremos de fome, fome de alma e de espírito. Vivemos em corpos “sarados” lustrados por personas ajustadas, polidas e perfumadas. Isso é um problema? Não, se não negarmos seu contraponto, mas, como diz Jung:&nbsp;</p>



<p>“Reconheçamos que nada é tão difícil quanto suporta-se a si mesmo” o que também explica a projeção da sombra social. Segundo Jung “ninguém vive fora de sua pele,” e só acessamos o outro através da empatia no olhar que conectar a ferida do outro a minha. (Jung pag 373. Oc7/2)</p>



<p>A partir dessa fala entendemos nossas projeções sombrias sobre esses indivíduos, esquecendo assim de nossas faltas e também dos excessos que formam essa dinâmica polar.</p>



<p>O que não achar lugar na consciência para ser constelado, fica excluído e pode se associar aos complexos sociais dominantes, nos tornando em seguida dominados pela nossa própria dominação. Assim como a rua abraça o não acolhido, esses complexos sociais são âncora à sombra coletiva.</p>



<p>&nbsp;Olhar no olho desse outro e estabelecer diálogo é possibilitar olhar com os olhos subjetivos para o interior de si e recordar assim “quem sou” de forma mais inteira, atualizando o passado e presente em aspectos emocionais que foram rasgados, arranhados e que se tornaram feridas veladas. Olho para o outro como espelho do outro de mim&#8230;</p>



<p>Vivemos individualmente o que vivemos coletivamente e vice-versa. Entendo que precisamos desenvolver consciência mais ecológica para entender esse corpo que vive no corpo de Gaia.&nbsp;O corpo negado de Gaia é a própria negação da energia do feminino, que acaba projetado no corpo do indigente imundo, negando parte do corpo social.</p>



<p><strong>&nbsp;Que corpo é esse sofrido e não amado?</strong></p>



<p>Que relação é essa que estabelecemos com o outro onde nos esfriamos e nos distanciamos do amor em seu sentido maior, potencializando o nosso complexo de poder criando adversários fora de nós Como lidar com a pobreza social se não começamos pela nossa pobreza e vulnerabilidades de alma. O complexo negado atua em nós, nos conduzindo á trágica realidade onde geramos mais pobreza e nos anestesiamos diante dela.</p>



<p>&nbsp;<strong>“A invisibilidade só deixará de existir pela mudança no olhar.”</strong></p>



<p>Me pergunto se todas as guerras, derramamento de sangue e miséria não assaltaram a criação quando um homem procurou ser senhor de outro (&#8230;) E essa miséria não irá embora (&#8230;) quando todas as ramificações da humanidade considerarem a terra como um tesouro comum a todos.”&nbsp;(Gerrard winstannley, the new law rightteouness, 1649 – Calibã e a Bruxa pag 112)</p>



<p>Enquanto isso consideramos esse grupo de moradores em situação de rua como o metaverso da “nossa” sociedade sombria. Nos falta amorosidade e maturidade para olharmos esse assunto com pés no chão.</p>



<p><strong>Enquanto buscamos poder anulamos o poder do amor.</strong></p>



<p>“Ali onde predomina o amor não há vontade de poder, e onde há predominância do poder, não há amor. Um é a sombra do outro.&nbsp;&nbsp;Aquele que se coloca no ponto de vista do Eros tem um oposto compensador da vontade de poder. Mas aquele que enfatiza o poder tem como compensação o Eros. Vista do ângulo unilateral do posicionamento da consciência, a sombra é uma parte de menor importância da personalidade, e por isso é reprimida por uma intensa resistência. Mas aquilo que é reprimido precisa tornar-se consciente para que se crie uma tensão dos opostos, sem a qual não há possibilidade de continuidade de movimento. De certa forma, a consciência é em cima e a sombra é embaixo e como que está no alto sempre tende a descer às profundezas. O quente ao frio, assim toda a consciência, talvez até sem se perceber, busca por seu oposto inconsciente, sem o qual ela é condenada à estagnação, ao assoreamento ou à fossilização. Só nós o posto é que a vida se acende.” (Jung OC 7&nbsp;<a>§&nbsp;</a>78)</p>



<p>A vida e a psique nos impulsionam a realizar potencial. Tornar-se si mesmo nos aproximando do coletivo.&nbsp;Buscamos nosso lugar através do sentimento de pertencimento a si e ao mundo. Desenvolver a centelha divina em nós é realizar o inconsciente no sentido do servir para vir a ser. <strong>Muitos de nós nunca foi sonhado, então como pode sonhar?</strong></p>



<p><strong>Infelizmente deixamos de ser Homem de argila para sermos Homens de lata!</strong></p>



<p><strong>&nbsp;“E apesar de todas as diferenças, a unidade da humanidade haverá de se impor de modo inexorável.”(Jung Oc 10/1§ 568)</strong></p>



<p><strong>Ana Paula Maluf</strong></p>



<p><strong>Bibliografia&nbsp;</strong></p>



<p>Calibã e a Bruxa – SILVA FEDERICI – Ed. Elefante</p>



<p>Aspectos do feminino – C.G JUNG – Ed. Vozes&nbsp;</p>



<p>Pensamentos de Jung sobre Deus – DONALD R. DYER, PH.D.- Ed. Madras</p>



<p>Psicologia do inconsciente – C.G JUNG 7/1 – Ed. Vozes&nbsp;</p>



<p>A natureza da psique – C.G JUNG 8/2 – Ed. Vozes</p>



<p>Ao encontro das sombras – Connie Zweig e Jeremiah&nbsp;&nbsp;Abrams -Ed. CULTRIX</p>



<p>Presente e futuro – C.G. JUNG 10/1&nbsp;&nbsp;&#8211; Ed. Vozes</p>
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