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	<title>Arquivos autonomia - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Fri, 20 Mar 2026 22:17:58 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos autonomia - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A Alquimia da Vontade: Do Peso do “Ter que” ao Voo do “Querer”</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-alquimia-da-vontade-do-peso-do-ter-que-ao-voo-do-querer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2026 10:18:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[Alquimia da Vontade]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[autonomia]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[ndividuação]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[self]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade do Cansaço]]></category>
		<category><![CDATA[waldemar magaldi]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este ensaio completa a trilogia iniciada com o chamado vocacional no artigo intitulado Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos e continuada pela descida ao mundo das sombras em O Retorno à Caverna: O Mito da Caverna e Individuação na Arte de Ser Vagalume no Escuro. Recentemente, um cliente compartilhou uma angústia profunda após mergulhar [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-alquimia-da-vontade-do-peso-do-ter-que-ao-voo-do-querer/">A Alquimia da Vontade: Do Peso do “Ter que” ao Voo do “Querer”</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Este ensaio completa a trilogia iniciada com o chamado vocacional no artigo intitulado <a href="https://blog.ijep.com.br/muitos-sao-chamados-mas-poucos-sao-escolhidos/"><strong>Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos</strong></a> e continuada pela descida ao mundo das sombras em <a href="https://blog.ijep.com.br/mito-da-caverna-e-individuacao-jung/"><strong>O Retorno à Caverna: O Mito da Caverna e Individuação na Arte de Ser Vagalume no Escuro</strong></a>. Recentemente, um cliente compartilhou uma angústia profunda após mergulhar na obra de Byung-Chul Han sobre a sociedade do cansaço. Ele expressou o desejo de que sua existência não se resumisse ao excesso de obrigações e produtividade. Observamos muitos indivíduos que, sob o manto de uma suposta motivação, escondem o vício no trabalho e negam suas obsessões por fama e capital. Convido você a descer da &#8220;esteira rolante&#8221; dos automatismos cotidianos e mergulhar em uma jornada da <strong>Alquimia da Vontade e individuação</strong>. Vamos conversar sobre como esse processo nos permite trocar o chumbo da servidão voluntária pelo entusiasmo do Self.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-divertimento-como-fuga-e-o-vazio-do-hiperconsumo"><strong>O Divertimento como Fuga e o Vazio do Hiperconsumo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao estruturar este fechamento, decidi investigar a alquimia entre os verbos <strong>tenho que</strong>, <strong>preciso</strong> e <strong>quero</strong>. Busco a profundidade da psicologia analítica em diálogo com pensadores que moldaram minha visão ao longo de décadas. Recorro ao conceito de &#8220;divertimento&#8221; de Blaise Pascal, que denuncia a distração como uma fuga de si mesmo, e ao vazio descrito por Gilles Lipovetsky na era do hiperconsumo. Encontro ecos no &#8220;amor líquido&#8221; de Zygmunt Bauman e no &#8220;espetáculo&#8221; de Guy Debord, onde a imagem artificial substitui a vivência pulsante da alma. Resgato o &#8220;direito à preguiça&#8221; de Paul Lafargue e o &#8220;ócio criativo&#8221; de Domenico De Masi, além da sensibilidade de Hermann Hesse na arte dos ociosos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-natureza-e-o-mercado-o-resgate-do-sagrado"><strong>A Natureza e o Mercado: O Resgate do Sagrado</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ailton Krenak e Davi Kopenawa nos lembram da urgência de reintegrar o humano à natureza contra o utilitarismo predatório que devora o sagrado. Por fim, as críticas de Karl Marx e Max Weber sobre a desumanização do homem transformando-o em um mero autônomo do mercado capitalista, fundamentam esta reflexão. O sistema tenta transformar a vida em bem de produção, mas a psicologia junguiana nos convoca ao resgate da subjetividade. <strong>A vida é curta demais para sermos pequenos</strong> e o processo de individuação exige que troquemos a engrenagem do mercado pelo pulsar do coração.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-caminho-do-meio-entre-o-velho-sabio-e-a-crianca-divina"><strong>O Caminho do Meio: Entre o Velho Sábio e a Criança Divina</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Aquele que conseguiu se entregar ao chamado e enfrentou a saída e o posterior retorno à caverna torna-se um místico por integrar os arquétipos do Velho Sábio com a Criança Divina, encontrando a liberdade no serviço e construindo pontes para o infinito. Muitas pessoas, contudo, são tomadas pela compulsão pela liberdade ao negar vínculos, obrigações e dependências. Na realidade, tornam-se escravas de um &#8220;<strong>complexo de liberdade</strong>&#8220;. Segundo Spinoza, o livre-arbítrio genuíno não é sobre ter liberdade de escolha sem restrições, mas sim sobre compreender as causas que nos influenciam. A liberdade é o resultado do entendimento das causas que determinam nossas ações; ao compreendê-las, agimos de maneira mais livre e racional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-do-espelho-a-alma-autoestima-e-individuacao"><strong>Do Espelho à Alma: Autoestima e Individuação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Através do autoconhecimento, torna-se possível compreender nossas peculiaridades, diferenciar-nos da imago parental e dos condicionamentos adquiridos, reconhecendo os aspectos sombrios e os complexos para nos tornarmos mais íntegros. Conscientes de quem, como e o que somos, conquistamos a autoestima e o amor-próprio, aprendendo a respeitar a nós mesmos para poder dar e exigir respeito. Sabemos agora o que nos pertence, o que desejamos e o que não desejamos, tanto para o Si-mesmo quanto para os demais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso nos possibilita a autonomia, que nos confere a liberdade para escolhas conscientes de dependência ou servidão, livres de códigos morais rígidos, pois encontramos a dimensão ética do existir e do &#8220;bom combate&#8221;. O prisioneiro que retorna à caverna, agora consciente da luz, enfrenta a tirania dos automatismos cotidianos. Ele percebe que a maioria caminha em uma esteira rolante invisível, movida por impulsos alheios. Para o analista junguiano, isso revela uma patologia da vontade, onde a alma se perde entre o dever imposto e a carência fabricada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-despertar-do-querer-a-alquimia-da-liberdade-no-retorno-a-caverna"><strong>O Despertar do Querer: A Alquimia da Liberdade no Retorno à Caverna</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O prisioneiro que retorna à caverna, agora consciente da luz, enfrenta um novo tipo de sombra: a tirania dos automatismos cotidianos. Ele percebe que a maioria das pessoas caminha em uma esteira rolante invisível, movida por impulsos que elas não escolheram. Para o analista junguiano, esse cenário revela uma patologia da vontade, onde a alma se perde entre o dever imposto e a carência fabricada. Precisamos, portanto, dissecar os verbos que sustentam nossas correntes ou que, se bem compreendidos, forjam nossa libertação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-tenho-que-o-algoz-que-habita-em-nos"><strong>O &#8220;Tenho Que&#8221;: O Algoz que Habita em Nós</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O verbo &#8220;tenho que&#8221; representa a voz do algoz internalizado. Ele manifesta o superego social, as exigências do mercado e as expectativas familiares que sequestram nossa autenticidade. Quando dizemos &#8220;<strong>tenho que ser produtivo</strong>&#8221; ou &#8220;<strong>tenho que ser feliz</strong>&#8220;, estamos servindo a uma Persona que não nos pertence. Jung descreve esse estado como uma servidão voluntária, onde o indivíduo se torna uma peça funcional da engrenagem coletiva, mas perde o contato com sua essência singular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse estágio, a vida se transforma em um inventário de obrigações sem alma. O indivíduo autômato executa tarefas com perfeição, mas carrega um vazio que nenhum sucesso material consegue preencher. Ele habita a &#8220;sociedade do cansaço&#8221;, onde o excesso de positividade e a cobrança por desempenho esgotam a libido criativa. O &#8220;<strong>tenho que</strong>&#8221; é a sombra da caverna que tenta nos convencer de que a liberdade é apenas uma escolha entre diferentes formas de obediência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-preciso-a-armadilha-da-carencia-fabricada"><strong>O &#8220;Preciso&#8221;: A Armadilha da Carência Fabricada</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se o &#8220;<strong>tenho que</strong>&#8221; vem de fora, o &#8220;<strong>preciso</strong>&#8221; simula uma necessidade interna que, muitas vezes, é artificial. O sistema de consumo sequestra o verbo &#8220;precisar&#8221; para criar a ilusão de falta constante. Acreditamos que precisamos do último modelo de celular, da aprovação constante nas redes sociais ou de um corpo que atenda a padrões irreais. Essa necessidade fabricada mantém o ego em um estado de carência eterna, impedindo que ele mergulhe nas águas profundas do Ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A carência é a alavanca do mercado. Ela transforma desejos legítimos da alma em necessidades urgentes do corpo e do ego. Quando confundimos o que é essencial para nossa nutrição psíquica com o que é imposto pela vitrine, e pelos algoritmos, perdemos nossa bússola. O &#8220;preciso&#8221; torna-se uma corrente que nos prende ao objeto, impedindo o fluxo da vida. Na perspectiva da psicossomática, essa busca incessante por preenchimento externo muitas vezes se manifesta em sintomas físicos, lembretes dolorosos de que a alma está faminta por sentido, não por produtos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-quero-a-bussola-da-alma-e-o-bom-combate"><strong>O &#8220;Quero&#8221;: A Bússola da Alma e o Bom Combate</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O verbo &#8220;<strong>quero</strong>&#8221; é o mais perigoso para qualquer sistema de controle e, por isso, é o mais sufocado. O querer autêntico não nasce da falta, mas da plenitude do Si-mesmo (Self). Ele é a manifestação do entusiasmo, que em sua raiz grega, <em>entheos</em>, significa &#8220;ter um deus dentro&#8221;. Quando um indivíduo descobre o que realmente quer, ele inicia o &#8220;<strong>bom combate</strong>&#8221; pela sua autenticidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diferente do desejo caprichoso do ego, o &#8220;<strong>quero</strong>&#8221; junguiano é teleológico: ele aponta para uma finalidade maior. Ele é a energia que flui do centro da psique para o mundo, organizando a ação de forma coerente e vigorosa. Quem quer de verdade não se cansa da mesma maneira que quem apenas obedece. A ação que nasce do querer é devocional, é um sacrifício consciente do ego em favor da totalidade. Esse querer revolucionário permite que o indivíduo retorne à caverna não como um pregador arrogante, mas como um canal de vida que contagia o entorno com sua presença e verdade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-integracao-o-caminho-da-individuacao"><strong>A Integração: O Caminho da Individuação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A individuação não exige que abandonemos todas as obrigações ou necessidades. Ela propõe uma mudança na fonte do impulso. O indivíduo consciente minimiza o &#8220;<strong>tenho que</strong>&#8221; ou o transforma em um compromisso ético com seu próprio processo. Ele usa o &#8220;<strong>preciso</strong>&#8221; com sabedoria, distinguindo o que nutre a alma do que apenas entulha a existência. E, acima de tudo, ele coloca o &#8220;<strong>quero</strong>&#8221; como o mestre de sua jornada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Viver de forma integral significa aceitar o paradoxo de ser um ser comum, mas singular. A vida é curta demais para sermos pequenos, como costumo dizer. Ser pequeno é aceitar a vida crônica, repetitiva e sem brilho. Ser grande é assumir a responsabilidade por nossa própria luz, integrando nossas sombras e falando a linguagem do coração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao final desta trilogia, o convite permanece: que possamos trocar a esteira rolante pela dança ativa com o destino. Que o nosso fazer seja um &#8220;<strong>sacro ofício</strong>&#8220;, uma religação constante entre o que realizamos no mundo e o que somos em essência. A liberdade não é a ausência de limites, mas a escolha consciente de quais limites servem ao nosso crescimento. Que o seu &#8220;<strong>quero</strong>&#8221; seja a luz que ilumina não apenas o seu caminho, mas também o daqueles que ainda buscam a saída da própria escuridão. Por isso, mais importante do que a quantidade ou a intensidade do seu fazer é a certeza de que esse fazer está alinhado com seu chamado, proporcionando sentido, significado e valor pessoal, coletivo e ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Acesse a Trilogia Alquímica de Waldemar Magaldi no Blog do IJEP:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/muitos-sao-chamados-mas-poucos-sao-escolhidos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos</a></strong></li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/mito-da-caverna-e-individuacao-jung/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O Retorno à Caverna: O Mito da Caverna e Individuação na Arte de Ser Vagalume no Escuro</a></strong></li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/a-alquimia-da-vontade-do-peso-do-ter-que-ao-voo-do-querer/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A Alquimia da Vontade: Do Peso do “Ter que” ao Voo do “Querer”</a></strong></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas"><strong>Referências Bibliográficas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Bauman, Z. (2004). <em>Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos</em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De Masi, D. (2000). <em>O ócio criativo</em>. Rio de Janeiro: Sextante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Debord, G. (1997). <em>A sociedade do espetáculo</em>. Rio de Janeiro: Contraponto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Han, B.-C. (2015). <em>Sociedade do cansaço</em>. Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hesse, H. (1984). <em>A arte dos ociosos</em>. Rio de Janeiro: Record.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung, C. G. (2011). <em>A vida simbólica</em> (Vol. 18/1). Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kopenawa, D., &amp; Albert, B. (2015). <em>A queda do céu: palavras de um xamã yanomami</em>. São Paulo: Companhia das Letras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Krenak, A. (2019). <em>Ideias para adiar o fim do mundo</em>. São Paulo: Companhia das Letras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lafargue, P. (1999). <em>O direito à preguiça</em>. São Paulo: Hucitec.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lipovetsky, G. (2005). <em>A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo</em>. Barueri: Manole.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Magaldi Filho, W. (2006). <em>Dinheiro, saúde e sagrado: uma análise junguiana da relação do homem com o dinheiro</em>. São Paulo: Eleva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marx, K. (2013). <em>O capital: crítica da economia política</em>. São Paulo: Boitempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pascal, B. (2004). <em>Pensamentos</em>. São Paulo: Martins Fontes.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Spinoza, B. (2015). <em>Ética</em>. Belo Horizonte: Autêntica.<strong></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Weber, M. (2004). <em>A ética protestante e o espírito do capitalismo</em>. São Paulo: Companhia das Letras.<strong></strong></p>



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			</item>
		<item>
		<title>A incrível capacidade de dizer não</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-incrivel-capacidade-de-dizer-nao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Euflausina Goes dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Nov 2024 21:08:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[autonomia]]></category>
		<category><![CDATA[dizer não]]></category>
		<category><![CDATA[síndrome da boazinha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Este artigo propõe a reflexão&#160;sobre a dificuldade de dizer não, e o quanto é importante&#160;estabelecer&#160;limites nas relações. Refletir sobre esses limites nos permite evitar que o outro nos invada e também nos protege de circunstâncias que causam dor e sofrimento nas relações. Refletir sobre a capacidade de dizer &#8220;não&#8221; e o significado disso nas [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Resumo</strong>:<strong> </strong>Este artigo propõe a reflexão&nbsp;sobre a dificuldade de dizer não, e o quanto é importante&nbsp;estabelecer&nbsp;limites nas relações. Refletir sobre esses limites nos permite evitar que o outro nos invada e também nos protege de circunstâncias que causam dor e sofrimento nas relações.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Refletir sobre a capacidade de dizer &#8220;não&#8221; e o significado disso nas relações pessoais é um ponto essencial para o processo de individuação e crescimento pessoal. A coragem de dizer &#8220;não&#8221; implica um movimento de autoafirmação, onde nos colocamos como prioridade, honrando nossas necessidades e limites. Essa palavra simples pode revelar muito sobre o valor que nós damos e a importância que atribuímos ao outro em nossas vidas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando evitamos dizer &#8220;não&#8221; por medo de desaprovação ou rejeição, podemos acabar negligenciando nosso próprio bem-estar, nos afastando de quem realmente somos. Em contraste, ao sermos capazes de recusar algo que nos fere ou não corresponde aos nossos valores, afirmamos nossa autenticidade e fortalecemos nossa integridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de individuação proposto por Jung sugere que ser íntegro e autêntico em todas as situações é um caminho para nos tornarmos quem realmente somos. Isso inclui ser capaz de enfrentar conflitos, impor limites e aceitar as consequências de nossos &#8220;nãos&#8221; para viver de acordo com a nossa essência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-voce-tem-lidado-com-a-necessidade-de-dizer-nao-e-com-os-desafios-que-isso-traz-para-manter-se-fiel-a-si-mesmo" style="font-size:17px">Como você tem lidado com a necessidade de dizer &#8220;não&#8221; e com os desafios que isso traz para manter-se fiel a si mesmo?</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Individuação significa tornar-se um ser único, na medida em que por ‘individualidade’ entendemos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo. Podemos, pois, traduzir ‘individuação’ como ‘tornar-se si mesmo’ (Verselbstung) ou ‘o realizar-se do si mesmo’ (Selbstwerwirklichung). </p><cite>Jung,2014, p.63</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Ao aprofundarmos a questão da dificuldade de dizer &#8220;não&#8221;, percebemos a importância de estabelecer limites claros com as pessoas e situações em nossas vidas. Refletir sobre esses limites nos permite evitar que o outro nos invada e também nos protege de circunstâncias que causam dor e sofrimento nas relações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os limites pessoais funcionam como uma fronteira: eles permitem a entrada do que nutre a relação, bloqueiam o que intoxica e deixam ir o que não é mais necessário. Nossa dimensão psicológica precisa desses limites em equilíbrio. Quando se tornam barreiras rígidas, nada entra, e isso reflete uma inflexibilidade; por outro lado, limites excessivamente frouxos indicam dificuldade em dizer &#8220;não&#8221;. Assim, os limites nos fornecem contornos psicológicos que preservam nossa saúde emocional e relacional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-minha-habilidade-de-estabelecer-limites-e-algo-que-aprendo-ao-longo-de-toda-a-vida" style="font-size:17px">Minha habilidade de estabelecer limites é algo que aprendo ao longo de toda a vida.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um <strong>processo contínuo</strong> de diferenciação entre o que sou eu e o que é o outro. Durante a gestação, a nova vida é alimentada por todas as emoções que a mãe experimenta, em uma espécie de simbiose. Ao nascer, inicia-se um processo de diferenciação física, e, gradualmente, a criança passa a reconhecer o próprio corpo, marcando o início da formação do ego. O vínculo se estabelece através do contato físico, e a pele, como órgão, delimita o que está dentro de mim e o que está fora. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No decorrer da vida vão se estabelecendo os limites psicológicos e mentais. Os limites mentais são construídos à medida que aprendo a pensar, moldando minha visão de mundo,&nbsp;meus valores, minhas crenças. Eles também dependem do ambiente em que vivo, onde me pergunto se tenho o direito de pensar como penso e se sou validada ou não pelas pessoas ao meu redor.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-limites-psicologicos-e-emocionais-sao-influenciados-pelo-ambiente-em-que-estou-inserido" style="font-size:16px">Os limites psicológicos e emocionais são influenciados pelo ambiente em que estou inserido.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Como minhas emoções são recebidas? De que forma lidei com elas, como aprendi a diferenciá-las? Isso está relacionado à maneira como os vínculos foram estabelecidos e como ocorreu a troca de afetos.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na fase adulta, nosso sistema de limites, que começou a ser estabelecido na infância, já está consolidado em um nível que a consciência não alcança. Isso significa que, de forma inconsciente, agimos automaticamente para definir nossos limites. Quando meu sistema de limites está muito frouxo, tudo passa a entrar, existe um padrão permissivo da invasão do outro em mim. No extremo oposto, posso me tornar rígido e impermeável, me tornando indisponível para os vínculos afetivos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“&#8230;os conteúdos do inconsciente se reduzem às tendências infantis reprimidas, devido à incompatibilidade de seu caráter. A repressão é um processo que se inicia na primeira infância sob a influência moral do ambiente, perdurando através de toda a vida. Mediante a análise as repressões são abolidas e os desejos reprimidos conscientizados.”&nbsp; </p><cite>Jung, 2014, p. 15</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O importante é buscar o conhecimento do que sou e do que não sou, reconhecer o que me pertence e o que pertence ao outro. Isso inclui as escolhas nas relações afetivas. Conhecendo essa fronteira entre eu e o outro, reconheço minhas responsabilidades resultando em uma maior autonomia e liberdade diante da vida.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Nossos limites definem e cercam toda nossa energia, o ser individual que chamamos de “eu”. Nossos limites são invisíveis, mas reais. Há um lugar onde eu termino e você começa. Nosso objetivo é aprender a identificar e respeitar essa linha. </p><cite>Beattie, 2013. p.210</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-dizer-nao-e-essencial-para-relacoes-saudaveis-e-essa-habilidade-e-importante" style="font-size:17px">Dizer &#8220;não&#8221; é essencial para relações saudáveis, e essa habilidade é importante.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, as mulheres muitas vezes encontram mais dificuldade em definir claramente seus limites. Culturalmente, a expectativa de cuidar do outro nos leva a dizer &#8220;sim&#8221; aos outros de várias formas, enquanto, ao mesmo tempo, acabamos dizendo &#8220;não&#8221; para nós mesmas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tendência de agradar a todos, conhecida como <strong>síndrome da boazinha</strong>, nos afasta do que é mais autêntico nas relações e nos leva a tentar um controle ilusório, uma forma de manipulação que acaba nos distanciando de nós mesmas. No final, o tiro saiu pela culatra, gerando raiva e ressentimento e enfraquecendo as conexões com os outros. Simplesmente, não funciona.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pessoa-que-tenta-agradar-o-tempo-todo-pode-acabar-comprometendo-sua-identidade-valores-desejos-e-necessidades-em-prol-dos-outros" style="font-size:17px">A pessoa que tenta <strong>agradar o tempo todo</strong> pode acabar comprometendo sua identidade, valores, desejos e necessidades em prol dos outros.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas vezes, esse comportamento esconde um desejo de proteção contra a rejeição, o abandono ou maus-tratos, além de uma busca compulsiva pela validação alheia. Ela pode sentir que precisa fazer muito pelos outros para ser aceita e amada e ter um medo excessivo de conflitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a dinâmica em uma relação é evitar a rejeição, o abandono ou atitudes rudes do outro, e a pessoa adota uma postura permissiva, ela pode acreditar que assim está obtendo controle na relação. Ao evitar dizer “não”, sente que, se for rejeitada, abandonada ou se o outro agir de forma hostil, a culpa será inteiramente sua. Isso a leva a crer que precisa agradar ainda mais para evitar essa agressividade do outro. De certa forma, o &#8220;bonzinho&#8221; não está sendo tão bonzinho assim; está tentando&nbsp;manipular&nbsp;a situação.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:17px"><blockquote><p>Pela lógica, o contrário do amor é o ódio; o contrário de Eros, Phobos (o medo). Mas, psicologicamente, é a vontade de poder. Onde impera o amor, não existe vontade de poder; e onde o poder tem precedência, aí falta o amor. Um é a sombra do outro. </p><cite>JUNG, OC 7/1, §78</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-isso-e-uma-ilusao" style="font-size:17px">Mas isso é uma ilusão.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não há como evitar ser abandonada ou rejeitada, apenas dizendo sim, e pode trazer um efeito contrário, atrair verdadeiros abusadores. Eu lido com o abandono e a rejeição, conheço em minha história pessoal esse medo inconsciente de desagradar, de dar tanto poder ao outro. Dizer sim ao encontro com a própria sombra, resgatando a auto aceitação e amor próprio, priorizando os seus desejos e ambições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A busca pela validação dos outros mina a verdadeira identidade e autoestima. O externo passa a definir quem a pessoa é, retirando sua autonomia diante da vida. Nesse padrão, exagera-se em ações para que o outro se sinta confortável, assumindo a responsabilidade de ser aceito e amado por meio desses gestos. Isso resulta em desgaste, pois o tempo e as prioridades são direcionados para obter o amor do outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Provavelmente, esse “outro” do presente não é quem realmente deve amor e aceitação, mas algo que foi negligenciado na infância, pela família de origem, e agora é atualizado e projetado nas relações atuais. Revisitar essas dinâmicas e as dores causadas nas interações pode abrir caminhos para maior autonomia e uma nova compreensão de valor próprio.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-evitacao-de-conflitos-tambem-pode-estar-por-tras-da-dificuldade-em-dizer-nao-nas-relacoes" style="font-size:17px">A evitação de conflitos também pode estar por trás da dificuldade em dizer “não” nas relações.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Isso geralmente é resultado de uma forte repressão da própria raiva, egoísmo e do desejo de exercer independência, devido à falta de autoconfiança. Ao evitar lidar com esses aspectos, não se aprende e nem se cresce emocionalmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung acredita que o <strong>processo de individuação</strong> – o desenvolvimento da própria identidade verdadeira – envolve integrar a sombra e, portanto, aceitar tanto a capacidade de dizer “sim” quanto de dizer “não”. Ao aceitar que os próprios limites são importantes, o indivíduo se torna mais inteiro e autêntico. Esse processo também envolve reconhecer que relações autênticas requerem honestidade e que não é possível agradar a todos o tempo todo sem sacrificar a própria integridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a dinâmica psicológica de evitar o “não” pode ser vista, na perspectiva de Jung, como uma resistência ao crescimento pessoal. É uma forma de proteger uma imagem idealizada de si, mas que impede o indivíduo de se expressar de maneira completa e autêntica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um verdadeiro processo de autoconhecimento, no qual a mulher resgata da sombra seu poder pessoal e questiona as atitudes de agradar presentes em sua persona, pode devolver-lhe autoestima e auto validação, permitindo escolhas com mais autonomia diante da vida. Estas reflexões não tem o objetivo de encerrar as motivações que levam uma mulher a evitar impor seus limites nas relações, mas podem ser um caminho para questionar as atuais dinâmicas presentes em sua personalidade. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-trago-agora-uma-fabula-que-descreve-essa-dinamica" style="font-size:18px">Trago agora uma fábula que descreve essa dinâmica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Era uma vez uma mulher que se mudou para uma caverna nas montanhas para aprender com um guru. Ela lhe disse que queria aprender tudo o que havia para saber. O guru entregou-lhe pilhas de livros e a deixou sozinha para que pudesse estudar. Todas as manhãs, ele ia à caverna para avaliar o progresso da mulher, trazendo consigo uma pesada vara. Diariamente, ele fazia a mesma pergunta:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>— Já aprendeu tudo?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">E, todas as manhãs, ela respondia:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>— Não, ainda não.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Então o guru batia com a vara em sua cabeça. Isso se repetiu por meses. Até que, certo dia, o guru entrou na caverna, fez a mesma pergunta, ouviu a mesma resposta e levantou a vara para bater, como de costume. Mas, dessa vez, a mulher agarrou a vara antes que tocasse sua cabeça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aliviada por ter evitado a surra do dia, mas temendo uma possível represália, a mulher olhou para o guru. Para sua surpresa, ele sorria.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>— Parabéns — disse ele. — Você se formou. Agora sabe tudo o que precisa saber.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>— Como assim? — perguntou a mulher</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>— Você aprendeu que nunca aprenderá tudo o que há para saber — respondeu ele. — E aprendeu como interromper sua própria dor.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:14px"><em>(BEATTIE, 2022, p. 27)</em></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ARTIGO NOVO: A incrível capacidade de dizer não" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/eK7P5QMDLkc?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/euflausina-goes-dos-santos/">Euflausina Goes dos Santos – Membro Analista em Formação</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Membro Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:15px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">BEATTIE, Melody. <em>Co-dependência nunca mais.</em> Rio de Janeiro, BestSeller, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">BEATTIE, Melody. <em>Para além da codependência</em> (recurso eletrônico). Rio de Janeiro: BestSeller, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">JUNG, C. G. <em>O Eu e o Inconsciente.</em> Petrópolis: Vozes, 2014</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">JUNG, Carl Gustav. <em>Psicologia do inconsciente </em>[OC 7/1]. 24. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Aceitação Coletiva ou Essência Individual: Uma Reflexão Junguiana</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/opiniao-da-maioria-e-opiniao-propria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leandro Scapellato]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Sep 2023 12:49:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Não Categorizado]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[aceitação coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[aceito]]></category>
		<category><![CDATA[autonomia]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento pessoal]]></category>
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		<category><![CDATA[massificação]]></category>
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		<category><![CDATA[pertencimento]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia profunda]]></category>
		<category><![CDATA[relações interpessoais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=8015</guid>

					<description><![CDATA[<p>Neste artigo, exploramos a questão da aceitação coletiva versus a preservação da essência individual, sob a perspectiva de Carl Jung. Descubra como a busca pela aprovação pode afetar nosso desenvolvimento interno e autonomia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Dia desses me enviaram uma frase, atribuída de maneira incerta — e provavelmente errada — a Eça de Queiróz, dizendo que não deveríamos ter medo de pensar diferente dos outros. O medo, segundo o autor desconhecido, deveria ser o de pensar igual aos outros e todos estarem errados.</em> <em>Mas onde termina a opinião da maioria e começa a opinião própria?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acredito que o problema em pensar igual aos outros não seja exatamente a má sorte de se descobrir errado em grupo, mas sim o preço que se paga, em primeiro lugar, para ter a mesma opinião da maioria, quando a própria opinião não é alcançada com uma reflexão crítica e honesta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vejamos: já não é novidade que a maioria das pessoas não define o que é correto. A maioria das pessoas define o que é aceito. <strong>E é claro que o que é aceito frequentemente é visto, principalmente pelo homem médio, como correto.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, no decorrer da história, vimos pessoas serem castigadas, mulheres serem queimadas, cientistas serem presos, políticos serem exilados e povos serem dizimados por ter ou parecer ter opiniões conflitantes com a opinião geral ou de quem está no poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma antiga inscrição no templo de Apolo, em Delfos, dizia “conhece-te a ti mesmo”, que podemos compreender basicamente como um convite para que busquemos conhecimento sobre nós mesmos e, a partir desse conhecimento, busquemos a verdade sobre o mundo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-torna-te-quem-tu-es">Torna-te quem tu és</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nietzsche</strong>, em sua obra <em>Ecce Homo</em>, revisita o convite do poeta grego Píndaro: “<strong>Torna-te quem tu és</strong>”, afirmando estar contrapondo a inscrição do templo de Apolo. Aquela, de Delfos, colocaria o conhecer como algo da reflexão interna, do pensamento. Esta reflexão, de Píndaro, se relaciona mais com a experiência prática do indivíduo no mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nietzsche defende a ideia de que devemos nos apropriar do que somos por meio da ação e não buscar um ideal de “eu” e tentar alcançá-lo</strong>. Prática esta que, segundo ele, envolveria moldar-se de maneira desonesta, renunciando a si mesmo para cultivar práticas consideradas “ideais”.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:20px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>&#8220;[&#8230;] o conhece-te a ti mesmo seria a fórmula para a destruição, esquecer-se, mal entender-se, empequenecer, estreitar, mediocrizar-se.&#8221; </em></p>
<cite>Nietzsche, <em>Ecce Homo</em></cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Não pretendo entrar aqui na perigosa intenção de julgar a frase do templo de Apolo, tão profundamente trabalhada pelos antigos filósofos. Muito menos pretendo acender minha arrogância a ponto de condenar uma mente tão grandiosa como a de Nietzsche, pelas provocações que teceu — e que, confesso, me agradam muito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para mim, as duas frases, de modos diversos, chegam a uma mesma ideia: <strong>é preciso ter autonomia interna perante o mundo</strong>. A partir dessa premissa, a questão que tento trazer aqui parece-me mais superficial — ou não: se o que a maioria pensa define o que é aceito — e não o que é certo —, quem molda as próprias opiniões para encaixá-las às da maioria busca, na verdade, aceitação, e não estar honestamente certo. Em suma, será que sacrificar-se — sacrificar a autonomia interna — é um preço válido para ser aceito pela maioria?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-o-que-exatamente-se-sacrifica-para-ser-aceito" style="font-size:20px">E o que exatamente se sacrifica para ser aceito?</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:20px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Sermos nós mesmos faz com que acabemos excluídos pelos outros. No entanto, fazer o que os outros querem nos exila de nós mesmos.”</em> </p>
<cite>ESTÉS, 2014</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O velho <strong>Jung</strong>, em sua pequena e rica obra <em>Presente e futuro</em>, nos ensina que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:20px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Não há e não pode haver autoconhecimento baseado em pressupostos teóricos, pois o objetivo desse conhecimento é um indivíduo, ou seja, uma exceção e uma irregularidade relativas. Sendo assim, não é o universal e o regular que caracterizam o indivíduo, mas o único</em>. </p>
<cite>JUNG, 2013b</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-universo-massificado">Um universo massificado</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, <strong>Jung</strong> também afirma, na mesma obra, que, em um <strong>universo massificado</strong> — tomando massificação, nesta reflexão, como um processo de destruição da capacidade de reflexão crítica e consciência individual em nome da adoção de comportamentos e ideias automaticamente aceitas pela coletividade —, “O indivíduo [&#8230;] possui uma importância mínima. É uma espécie em extinção. <strong>Quem ousa afirmar o contrário sofrerá imensos embaraços em sua argumentação</strong>”. E, ainda, que “quanto maior a multidão, mais ‘indigno’ o indivíduo [&#8230;] esmagado pela sensação de sua insignificância e impotência [&#8230;].”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base na análise acima, <strong>Jung</strong> ainda diz que o <strong>juízo individual </strong>— ou seja, a capacidade de <strong>reflexão crítica</strong> — se torna cada vez mais inseguro, fazendo com o que o indivíduo acabe por renunciar ao próprio julgamento. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Podemos</strong> <strong>compreender que, a partir dessa renúncia do próprio juízo, o indivíduo passar a confiar, sem refletir, no julgamento do que é definido pela maioria ou por quem está no poder formal ou no poder reconhecido pelo indivíduo — o Estado, um partido político, um clube ou uma associação, uma organização religiosa, etc</strong>.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:20px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px"><em>O homem comum, que é predominantemente o homem da massa, em princípio não toma consciência de nada nem precisa fazê-lo, porque, na sua opinião, o único que pode realmente cometer faltas é o grande anônimo, convencionalmente conhecido como “Estado” ou “Sociedade”.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px"><em>Mas aquele que tem consciência de que algo depende de sua pessoa, ou pelo menos deveria depender, sente-se responsável por sua própria constituição psíquica, e tanto mais fortemente, quanto mais claramente se dá conta de como deveria ser, para se tornar mais saudável, mais estável e mais eficiente.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px"><em>Mas a partir do momento em que se achar a caminho da assimilação do inconsciente, pode ficar certo de que não escapará a nenhuma dificuldade que é uma componente imprescindível de sua natureza. O homem da massa, pelo contrário, tem o privilégio de nunca ser culpado das grandes catástrofes políticas e sociais em que o mundo inteiro se acha mergulhado</em>.</p>
<cite>JUNG, 2013a</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Parece óbvio que uma sociedade massificada combate exatamente a autonomia interna, a consciência e a atividade reflexiva individual que tanto buscamos na análise junguiana. Portanto, as ideias massificadas roubam do indivíduo a possibilidade de atravessar o esforço e o sofrimento necessários para que se alcance a própria essência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, sem a busca pela própria essência, ao meu ver, esse indivíduo está condenado a se desconectar do seu próprio processo de desenvolvimento, que exige uma organização interna única. E, ainda, a ser sugado de maneira violenta pela massa coletiva, para que assuma em si os moldes — ideias, ética, julgamentos — aceitos por determinada coletividade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-s-omente-aquele-que-se-encontra-tao-organizado-em-sua-individualidade-quanto-a-massa-pode-opor-lhe-resistencia-jung-2013b" style="font-size:19px">“S<strong>omente aquele que se encontra tão organizado em sua individualidade quanto a massa pode opor-lhe resistência</strong>”  &#8211; JUNG, 2013b</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Caso contrário, o indivíduo acabará por sacrificar sua própria essência para conseguir assumir a unilateralidade predominante no grupo do qual deseja sentir-se parte. Assim sendo, cito, por exemplo, do partidário que evitará refletir sobre as ideias indigestas do partido ou político que defende.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O religioso fiel reprimirá em si os impulsos humanos condenados pelo líder de sua congregação e ignorará as “falhas” desse líder, não interessa quantas provas tenha delas. O cientista baseado em evidências negará suas experiências numinosas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>analista junguiano</strong> não dará voz interna a uma crítica em relação a alguma antiga opinião de <strong>Carl Gustav Jung</strong>. Na realidade, mesmo que lhe pareça clara em si a reprovação da opinião — a mesma coisa com freudianos, lacanianos, gestaltistas, etc. E por aí vai&#8230; <strong>E, ao fazer isso, esse indivíduo também sacrificará a totalidade de si — que inclui todos os opostos e não se forma na unilateralidade</strong> — e, com isso, se afastará de sua jornada de individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Afinal&#8230; Ser aceito pelas pessoas realmente é algo importante, de certa maneira. Talvez sentir pertencimento seja algo necessário em algum nível. Apesar disso, na clínica podemos facilmente notar que pessoas que conseguiram ser muito aceitas pela coletividade ou por grupos específicos que acha importante não necessariamente sentem-se bem consigo mesmas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-isso-talvez-aconteca-exatamente-porque-receber-algo-do-externo-nao-modifica-o-interno" style="font-size:19px">E isso talvez aconteça exatamente porque receber algo do externo não modifica o interno.</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Como o próprio Jung afirma, “<strong>a comunidade não é capaz de transformar interiormente o indivíduo</strong>” (JUNG, 2013b).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O externo, segundo ele, não tem condições de oferecer aquilo que o homem só pode adquirir com o próprio esforço e desenvolvimento interno. <strong>N</strong>esse contexto<strong>, por exemplo, a pessoa que é amada não será capaz de sentir amor se não amar a si mesma antes</strong>.<strong> </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E a pessoa aceita por um grupo provavelmente não sentirá, ou não sustentará um pertencimento se não aprender a aceitar-se como realmente é em sua totalidade</strong>. Principalmente se essa aceitação externa for construída a partir da repressão de partes importantes de si e do <strong>sacrifício da própria essência</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, digo mais, talvez, ao aprender a se aceitar em sua totalidade, mesmo contradizendo o que a massa defende, o indivíduo se torne capaz de alcançar <strong>autonomia</strong> a ponto de não se importar tanto pela não aceitação de si por algum grupo específico.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/leandroscapellato/">Leandro&nbsp;Scapellato: Membro Analista em Formação IJEP</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi: Analista Didata e Coordenador IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:22px">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">ESTÉS, Clarissa Pinkola. <em>Mulheres que correm com os lobos</em>: mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem. 1ª ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NIETZSCHE, Friedrich. Ecce homo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique</em>. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Presente e futuro</em>. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acesso nosso site: <a href="https://www.ijep.com.br/">https://www.ijep.com.br/</a></p>
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